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Governo e ONGs criam iniciativas para o Código Florestal


por Redação do CarbonoBrasil*

Ministério do Meio Ambiente estabelece grupo de trabalho para implementar a nova legislação, enquanto entidades da sociedade civil lançam observatório para acompanhar o processo. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, publicou uma portaria nesta semana criando o Grupo de Trabalho (GT) de Acompanhamento da Implementação do Código Florestal, com “o objetivo de acompanhar a elaboração dos regulamentos decorrentes da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012”. De acordo com a portaria, o GT pode atuar consultivamente sobre as ações de regulamentação e avaliar sugestões para o Código. O grupo será coordenado pelo Ministério de Meio Ambiente, e contará com a participação de representantes de vários setores do governo, como do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e de diversas entidades da sociedade civil, como a Confederação Nacional da Agricultura, a Via Campesina e os Amigos da Terra. Apesar da iniciativa do governo, as entidades civis perceberam a necessidade de criar sua própria ferramenta para acompanhar a nova legislação e por isso criaram o Observatório do Código Florestal. A notícia abaixo é de autoria de André Lima, do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM): Observatório do Código Florestal é criado para monitorar implementação da lei Após uma longa disputa política, o Novo Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012) entrou em vigor em 25 de maio de 2012 e em seu primeiro ano de vigência muito pouco foi feito. Nenhum dos 27 estados aprovou ainda seu Programa de Regularização Ambiental (PRA), cerca de 4,5 milhões de propriedades rurais precisam entrar no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o artigo 41, que prevê incentivos econômicos para as propriedades rurais que não desmataram ilegalmente, ainda não foi regulamentado. Na terça-feira, 21 de maio, O IPAM juntamente com várias organizações da sociedade civil lançaram o Observatório do Código Florestal, com o objetivo de monitorar a regulamentação e a implementação da nova lei florestal e avaliar com transparência, objetividade e consultas locais o desempenho dos estados em cumprir a lei. O lançamento foi feito durante o seminário promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com o apoio da Comissão Mista de Mudanças Climáticas e da Frente Parlamentar Ambientalista, para marcar o primeiro aniversário da lei e fazer um balanço de avanços, retrocessos e entraves. Durante o seminário, o Presidente do IBAMA apresentou os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos para viabilizar o Sistema Nacional de Cadastramento Ambiental Rural (SiCAR), ligado ao SINIMA (Sistema Nacional de Informações sobre Meio Ambiente). Segundo Volney Zanardi, 20 estados já assinaram termos de cooperação técnica com o Ministério de Meio Ambiente para adesão ao SiCAR e somente 5 estados desenvolverão sistemas próprios. Estes terão que se integrar ao novo sistema, a ser lançado em breve pelo governo federal. Os outros estados irão usar a plataforma do Governo Federal. Representantes dos produtores rurais presentes no seminário (Leonardo Papp da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Rodrigo Justus, da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) apresentaram preocupações com relação à precariedade da base cartográfica necessária para garantir a efetividade do Cadastro Ambiental Rural. E também quanto ao despreparo material e de recursos humanos dos órgãos ambientais estaduais em todo país diante do desafio de cadastrar cerca de 4,5 milhões de propriedades rurais em menos de dois anos. Isso significa que o sistema terá que assimilar, em média, quase cinco propriedades por minuto, sem interrupção -feriados e finais de semana incluídos. A meta é realmente gigantesca. O consenso durante o seminário é que este cadastro precisa ter qualidade e efetividade, pois não adianta avançar e correr com o cadastramento, se ele não cumprir sua finalidade de garantir segurança jurídica aos produtores rurais e aos gestores públicos e ambientais. A tese foi defendida logo no primeiro painel, pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça, Herman Vasconcellos Benjamin. O entendimento foi unânime entre todos os panelistas. Os principais gargalos e desafios apresentados e debatidos para a boa implementação da Lei durante o seminário foram: 1 – Qualidade, efetividade técnica e jurídica e transparência e controle social do Cadastramento Ambiental Rural - CAR; 2 – Problemas técnicos com o CAR, por exemplo, base cartográfica inexistente ou imprecisa, principalmente fora da Amazônia, que permitirá sobreposição de polígonos de imóveis, deslocamento de imagens, malha hidrográfica imprecisa e consequentemente ineficácia do instrumento para controle e monitoramento de desmatamento e da recuperação florestal, principalmente das áreas de preservação permanente; 3 – (des)Articulação inter-institucional entre as três esferas de governo (federal, estaduais e municipais); 4 – Falta de participação social no desenho dos programas de regularização ambiental (PRA) e ausência de espaços públicos oficiais e participativos para o acompanhamento da sua implementação; 5 – Desaparelhamento dos órgãos de meio ambiente para processar em tempo real a demanda; 6 – Descompasso entre políticas agrícolas (Crédito, programa de aquisição de alimentos, seguro agrícola, extensão rural, incentivos tributários) e a política ambiental (CAR, PRA); 7 – Ausência de incentivos econômicos reais para os produtores rurais que cumpriram a lei, que conservam, usam de forma sustentável ou recuperam suas florestas; 8 – Falta de transparência na elaboração e implementação dos Programas de Regularização Ambiental nos Estados (PRA); 9 – Ausência de indicadores oficiais de monitoramento e avaliação da implementação da nova Lei; 10 – Interpretações equivocadas da nova Lei pelos estados e municípios; e 11 – Regulamentações excessivamente burocráticas e de difícil compreensão pelos produtores rurais. Participam da criação do Observatório o Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM), o WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Centro de Vida (ICV), o Instituto Socioambiental (ISA), juntamente com TNC e a Conservação Internacional. Mas ele estará aberto a adesões de outras organizações da sociedade, inclusive de produtores rurais uma vez que ele deve operar como uma plataforma de diálogo e troca de análises que deve respeitar as divergências e a diversidade de opiniões. Consultas Públicas Além de produzir e avaliar indicadores sobre a implementação do CAR e dos PRAs, o Observatório vai realizar consultas públicas nos estados para identificar juntamente com produtores rurais, sociedade organizada e governos locais os gargalos e entraves à regulamentação e ao bom cumprimento do novo Código Florestal. De acordo com André Lima “é fundamental garantirmos que os incentivos econômicos prometidos aconteçam de fato e que os Programas de Regularização Ambiental identifiquem não apenas as áreas de consolidação das atividades agropecuárias, mas também as áreas e bacias hidrográficas críticas onde a recuperação das matas ciliares e áreas de preservação permanente deverão acontecer com prioridade.” Para Lima, “se a sociedade não garantir esse mínimo que a lei exige, em quatro ou cinco anos, teremos que enfrentar novas pressões do setor agropecuária por mais flexibilização na lei. Ainda durante o evento de lançamento foi divulgada e entregue aos representantes do Ministério de Meio Ambiente presentes ao encontro (Volney Zanardi, presidente do IBAMA e Roberto Brandão Cavalcanti Secretário de Biodiversidade e Florestas) uma carta aberta à Ministra de Meio Ambiente cobrando mais transparência na condução desse tema pelo ministério e a criação de um Comitê Nacional (participativo e aberto à sociedade) para monitoramento e avaliação permanente e pública da implementação da nova Lei (Link com a Carta). Participaram do Seminário os Deputados Federais Alfredo Sirkys (RJ), Celso Maldaner (SC), Sarney Filho (PV/MA), Ricardo Tripoli (PSDB/SP), Márcio Macedo (PT/SE), Valdir Colatto (PMDB/PR), Janete Capiberibe (PSB-AP), Fernando Ferro(PT/PE), Penna (PV-SP), Arnaldo Jordy (PPS/PA). No mesmo dia, no Correio Braziliense, jornal do Distrito Federal, foi publicado o artigo “Um ano do código florestal; tudo dito, nada feito” de André Lima, advogado e assessor de políticas públicas e Paulo Moutinho biólogo e Diretor Executivo do IPAM a respeito do tema. Para ver as apresentações e assistir aos vídeos com a íntegra dos painéis clique aqui. Abaixo seguem informações a respeito do Observatório do Novo Código Florestal Observatório do novo Código Florestal Objetivo geral: Criado por sete instituições da sociedade civil (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Centro de Vida (ICV), The Nature Conservancy (TNC), Conservação Internacional (CI) e Instituto Sociambiental (ISA), o Observatório será aberto à adesão de outras instituições e tem como objetivos monitorar a implementação da nova Lei Florestal (Lei Federal 12651/12) em todo o país, sobretudo o desempenho dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) e de seu principal instrumento, o Cadastro Ambiental Rural (CAR). O Observatório deve gerar dados, informações e análises que promovam a transparência e qualifiquem os debates na sociedade sobre a implementação do novo Código Florestal, no sentido de mitigar seus aspectos negativos e garantir a efetividade dos instrumentos econômicos e de governança. Objetivos específicos: a) Avaliar continuamente, com base em dados coletados, indicadores pré-estabelecidos, debates e reuniões técnicas promovidos periodicamente, o desempenho dos governos estaduais na implementação da nova lei florestal; b) Promover discussões sobre os dados e avaliações com diversos setores da sociedade e do Estado (governos estaduais e federal); c) Divulgar os dados e avaliações à sociedade em geral, e a qualquer interessado, subsidiando o trabalho das organizações integrantes; Atividades a serem desenvolvidas: Carta já encaminhada à ministra do Meio Ambiente cobrando o cumprimento da promessa de criação de um Comitê Nacional de Acompanhamento e Avaliação do novo Código, aberto e participativo, para monitoramento do processo de implementação da nova lei; inclusão da nova instância no decreto de regulamentação que será publicado nos próximos dias; Seminário aida no 1º semestre de 2013 para analisar decreto do PRA e análise sobre a regulamentação do CAR; Elaboração de uma matriz de indicadores que possam avaliar quantitativa e qualitativamente a implementação do CAR e do PRA nos estados; Proposta de realização de audiências públicas no Congresso Nacional para os estados apresentarem suas ações de implementação da nova lei; Proposta de criação de comissões especiais de acompanhamento da implementação da nova lei nos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente; Criação de plataforma colaborativa na internet, para o recebimento e troca de informações sobre a Lei; Criação de grupos de trabalho nas frentes parlamentares ambientalistas nas assembléias legislativas estaduais para acompanhamento da Lei; Princípios constituintes do Observatório: a) Transparência das informações: todas as informações coletadas serão sistematizadas e disponibilizadas ao público em geral, sem restrições. b) Liberdade de atuação: as organizações integrantes do observatório terão total liberdade de posicionamento e atuação, em nome próprio, com garantia de que suas posições serão externadas nos espaços de ação do Observatório. c) Objetividade nos posicionamentos: o Observatório será um espaço de coleta, sistematização e disponibilização da informação, mas não deverá assumir posições políticas, muito embora possa e deva convocar discussões para discutir os dados produzidos e fazer análises estratégicas. Ele deve ser um espaço para abrigar organizações com perfis diversos, com espaço para manifestações plurais. d) Articulação e consulta aos atores locais: em todas as avaliações deverão ser consultados atores relevantes locais e será garantida nos meios de divulgação dos trabalhos e avaliações do Observatório a integridade das opiniões divergentes, seja de governos, de atores sociais, seja dos setores privados consultados. * Com informações do MMA/IPAM ** Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
Gafanhotos vermelhos à venda no mercado Benito Járez da capital de Oaxaca, México. Foto: Nsaum75 CC BY-SA 3.0

Inter Press Service - Reportagens

Insetos entre a moda gastronômica e a fome


por Emilio Godoy, da IPS

[caption id="attachment_87853" align="aligncenter" width="507" caption="Gafanhotos vermelhos à venda no mercado Benito Járez da capital de Oaxaca, México. Foto: Nsaum75 CC BY-SA 3.0"][/caption]   Cidade do México, México, 23/5/2013 – A última proposta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), de considerar os insetos como parte do cardápio para combater a fome, repercute com especial ênfase na Colômbia e no México, dois países com tradição de entomofagia e grande diversidade biológica. No México há mais de 300 espécies comestíveis destes invertebrados, segundo um estudo publicado este mês pelo Departamento de Entomologia da holandesa Universidade de Wageningen e pela FAO. Porém, pesquisas nacionais apontam mais de 500 espécies no centro, sul e sudeste deste país megabiodiverso e com persistente pobreza que afeta 47% de seus habitantes. “Os insetos são uma fonte viável e econômica de alimento de qualidade que poderia, inclusive, ser melhor do que alimentos industrializados consumidos atualmente”, disse à IPS a pesquisadora Julieta Ramos-Elorduy, do Instituto de Biologia da Universidade Nacional Autônoma do México. Para esta especialista, o México “está preparado para um consumo maciço, mas é preciso educar as pessoas sobre técnicas e formas de comercializá-los. Não há preocupação em protegê-los. Não há medidas oficiais”, disse a pesquisadora, que desde a década de 1970 estuda os benefícios destes bichos de idade milenar e que encontrou 549 espécies comestíveis. A questão ganha dimensões ambientais, especialmente no Dia Internacional da Diversidade Biológica, comemorado ontem. A ingestão de insetos, ou entomofagia, é uma tradição indígena no México, conforme consta do Código Florentino, escrito por frei Bernardino de Sahagún (1499-1590), que chegou a descobrir o consumo de 96 espécies. Alguns insetos têm até três vezes mais proteínas do que um quilo de carne e apresentam uma concentração de nutrientes superada apenas pelo pescado, segundo a Comissão Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade. O cardápio mexicano de insetos é composto por percevejos, mariposas, escaravelhos, borboletas, larvas de formigas e moscas, abelhas, vespas e gafanhotos, presentes em quase todo o território. São preparados fritos, assados ou em diferentes tipos de molhos. Nas últimas décadas, vários destes manjares saltaram das cozinhas de famílias rurais e pobres para as mesas de restaurantes da moda. Na cidade de Mitla, perto do sítio arqueológico zapoteco do Estado de Oaxaca, uma pequena empresa usa as mariposas (Hypopta agavis) da planta agave para elaborar um sal picante que acompanha o mescal, bebida alcoólica destilada desse mesmo vegetal. “Nos baseamos em uma receita caseira. A moagem é feita à mão e usamos uma misturadora manual. Também empacotamos à mão”, disse à IPS a gerente comercial da firma Gran Mitla, Diana Coronal, que produz 300 quilos desse sal por mês. Um quilo exige 300 gramas de mariposas moídas, outros 300 de chili seco e 400 gramas de sal. As mariposas, recolhidas entre agosto e outubro, são congeladas para abastecer a produção, pois entre novembro e maio está proibida sua coleta em todo o país. A publicação da FAO indica que mais de 1.900 espécies fazem parte de dietas tradicionais de pelo menos dois bilhões de pessoas em todo o mundo. Os preferidos são escaravelhos, lagartas, vespas, formigas, gafanhotos e grilos. A coleta e criação de insetos podem gerar empregos e renda e têm potencial industrial, segundo os autores do estudo. “Isso pode ser conseguido se os insetos forem cultivados e comercializados em grandes quantidades. Mas os produtores devem ser conscientes de que estão perdendo recursos”, disse Ramos-Elorduy, que pesquisa a produtividade de espécies de insetos do milho e da abóbora e formas para aumentá-la. “A técnica de coleta é a mesma em todas as partes, mas não há legislação sobre técnicas adequadas. As pessoas as desconhecem. Além disso, paga-se muito pouco”, lamentou a pesquisadora. Em um estudo, Ramos-Elorduy, Andrés Juárez e José Manuel Pino alertam que “este valioso recurso gastronômico, devido a diversos problemas ambientais e socioeconômicos, corre o risco de desaparecer”. O trabalho, publicado em dezembro, conclui que “o impacto ambiental, a mudança cultural e o uso da terra fazem com que o consumo de insetos diminua, principalmente entre os grupos de jovens”. A gerente Coronal concorda que devem ser adotadas normas para proteger estas espécies. “São necessárias regulamentações sobre coleta e comercialização. É parte da gastronomia mexicana e é preciso cuidar desse recurso”, afirmou. Por esse motivo, muitos coletores evitam falar sobre como e onde pegam insetos. O documento da FAO recomenda infraestrutura automatizada e marcos regulatórios para uma produção estável, confiável e segura. Além disso, insiste na possibilidade de que a biomassa de insetos seja usada como matéria-prima da alimentação animal. Na Colômbia, um manjar que pode ser comprado facilmente é a crocante formiga saúva cabeça de vidro (Atta laevigata), tostada e salgada. A origem deste e de outros pratos também é indígena. Contudo, “entrar na floresta para grandes coletas de insetos é muito delicado, porque estes ficam em áreas de vida silvestre”, afirmou à IPS o biólogo colombiano e planejador regional, Jaime Bernal Hadad. A Colômbia tem uma pobreza que afeta 32,7% da população e é o segundo país mais megabiodiverso do mundo, depois do Brasil. “Nos ecossistemas tropicais, embora haja grande diversidade de espécies, a quantidade por espécie é pouca. Com grandes coletas pode-se extinguir espécies ou gerar desequilíbrio ambiental”, alertou Hadad. “Os besouros nas árvores caídas das florestas contribuem para sua decomposição e para o equilíbrio dessas matas. As vespas e abelhas têm um papel importante na polinização”, explicou Hadad. E, “embora haja grupos indígenas que consomem esses insetos, que são apetitosos, são grupos minoritários que não chegam a causar problema”, acrescentou Hadad. Para o biólogo, criar insetos “é uma opção interessante, mas entram em jogo outros fatores, como a questão cultural de aceitação e consumo. Naturalmente que na Europa pode ser considerado exótico, mas, se falarmos de populações marginalizadas na América Latina, a questão é diferente e até surpreendente”. Na luta contra a fome “não se pode descartar questões mais estruturais”, alertou Hadad. E, além disso, “vale a pena perguntar se a proposta poderia ser controlada ou se será outro meio de impactar a conservação, desta vez não pela pecuária ou pela madeira, mas pelos insetos”, argumentou. “Assim, continuaremos reproduzindo a destruição dos sistemas naturais, sem soluções reais”, ressaltou. Envolverde/IPS * Com a colaboração de Helda Martínez (Bogotá).
Mais de 99% do nosso código genético é microbiano. Foto: Reprodução/NYT

Saúde

Você é apenas 10% humano


por Redação do The New York Times

[caption id="attachment_87874" align="alignleft" width="341" caption="Mais de 99% do nosso código genético é microbiano. Foto: Reprodução/NYT"][/caption] Para cada célula humana intrínseca ao nosso corpo existem cerca de 10 micróbios, que desempenham papel fundamental na saúde. O sequenciamento do microbioma humano deu origem à ideia de que indivíduos não são apenas uma coleção de genes humanos, mas um superorganismo com centenas de espécies de micróbios, que desempenham um papel fundamental na saúde humana. Mais de 100 trilhões de bactérias vivem na superfície da pele, na língua e principalmente nas dobras do intestino, lar da maior contingência de bactérias essenciais à vida. Os micróbios de cada indivíduo pesam entre 0,5 e um quilo, formando um território vastamente desconhecido que os cientistas só agora começaram a mapear. Chegou o momento de pensar em si mesmo na segunda pessoa do plural. Em números absolutos, os micróbios e seus genes nos dominam. Cada indivíduo é apenas 10% humano. Para cada célula humana intrínseca ao nosso corpo existem cerca de 10 micróbios residentes – incluindo alguns aproveitadores inofensivos, espécies benéficas e, em apenas um pequeno número de casos, agentes patogênicos. Na medida em que seres humanos são uma coleção de informações genéticas, mais de 99% do nosso “código” é microbiano. E parece cada vez mais provável que este “segundo genoma”, como às vezes é chamado, exerce uma influência tão grande ou possivelmente maior sobre a nossa saúde do que os genes que herdamos de nossos pais. Mas, enquanto seus genes herdados são mais ou menos fixos, pode ser possível remodelar ou até mesmo cultivar o segundo genoma. Justin Sonnenburg, um microbiólogo da Universidade de Stanford, sugere que as pessoas fariam bem em pensar no corpo humano como “uma embarcação elaborada e otimizada para o crescimento e a disseminação dos nossos habitantes microbianos”. Esta nova forma de pensar sobre nós mesmos tem grandes implicações para a saúde humana e microbiana, que são indissociáveis. Distúrbios em nosso ecossistema interno — uma perda de diversidade microbiana, por exemplo, ou a proliferação de tipos “errados” de micróbios — podem nos predispor à obesidade e uma série de doenças crônicas, bem como algumas infecções. O pobre microbioma ‘ocidentalizado’ Cientistas descobriram há alguns anos que ratos obesos transplantados com as bactérias intestinais de ratos magros perdem peso, e vice-versa (Eles ainda não sabem o porquê). Um experimento semelhante foi realizado recentemente em humanos por pesquisadores da Holanda: quando o conteúdo da microbiota de um doador magro foi transferido para as entranhas de pacientes com síndrome metabólica, os pesquisadores descobriram melhorias notáveis ​​na sensibilidade dos receptores de insulina, um importante marcador da saúde metabólica. De alguma forma, micróbios do intestino influenciaram o metabolismo dos pacientes. Nossos micróbios residentes também parecem desempenhar um papel fundamental na formação e manutenção do nosso sistema imunológico, ajudando-o a distinguir com precisão entre células amigas e inimigas. Alguns pesquisadores acreditam que o aumento alarmante de doenças autoimunes no Ocidente pode estar associado a uma ruptura no relacionamento entre nossos corpos e seus micróbios. Tal mudança de paradigma chega em boa hora porque a civilização humana passou a maior parte do último século fazendo o possível para destruir a microbiota e suas bactérias com uma dieta especialmente prejudicial ao bem-estar. Pesquisadores agora fazem referência ao “pobre microbioma ocidentalizado” e questionam se chegou o momento de embarcar em um projeto de “restauração da ecologia” do intestino humano. * Publicado originalmente no jornal The New York Times e retirado do site Opinião e Notícia.
Cuba

Saúde

Médicos cubanos no Brasil?


por Frei Betto*

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está indignado frente ao anúncio da presidente Dilma de que o governo trará 6.000 médicos de Cuba, e outros tantos de Portugal e Espanha, para atuarem em municípios carentes de profissionais da saúde. Por que aqui a grita se restringe aos médicos cubanos? Detalhe: 40% dos médicos do Reino Unido são estrangeiros.  Também em Portugal e Espanha há, como em qualquer país, médicos de nível técnico sofrível. A Espanha dispõe do 7º melhor sistema de saúde do mundo, e Portugal, o 12º. Em terras lusitanas, 10% dos médicos são estrangeiros, inclusive cubanos, importados desde 2009. Submetidos a exames, a maioria obteve aprovação, o que levou o governo português a renovar a parceria em 2012. Ninguém é contra o CFM submeter médicos cubanos a exames (Revalida), como deve ocorrer com os brasileiros, muitos formados por faculdades particulares que funcionam como verdadeiras máquinas de caça-níqueis. O CFM reclama da suposta validação automática dos diplomas dos médicos cubanos. Em nenhum momento isso foi defendido pelo governo. O ministro Padilha, da Saúde, deixou claro que pretende seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissionais. A opinião do CFM importa menos que a dos habitantes do interior e das periferias de nosso país que tanto necessitam de cuidados médicos. Estudos do próprio CFM, em parceria com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, sobre a "demografia médica no Brasil”, demonstram que, em 2011, o Brasil dispunha de 1,8 médico para cada 1.000 habitantes. Temos de esperar até 2021 para que o índice chegue a 2,5/1.000. Segundo projeções, só em 2050 teremos 4,3/1.000. Hoje, Cuba dispõe de 6,4 médicos por cada 1.000 habitantes. Em 2005, a Argentina contava com mais de 3/1.000, índice que o Brasil só alcançará em 2031. Dos 372 mil médicos registrados no Brasil em 2011, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, e pouco mais de 15 mil na região Norte. O governo federal se empenha em melhorar essa distribuição de profissionais da saúde através do Provab (Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica), oferecendo salário inicial de R$ 8 mil e pontos de progressão na carreira, para incentivá-los a prestar serviços de atenção primária à população de 1.407 municípios brasileiros. Mais de 4 mil médicos já aderiram. O senador Cristovam Buarque propõe que médicos formados em universidades públicas, pagas com o seu, o meu, o nosso dinheiro, trabalhem dois anos em áreas carentes para que seus registros profissionais sejam reconhecidos. Se a medicina cubana é de má qualidade, como se explica a saúde daquela população apresentar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices bem melhores que os do Brasil e comparáveis aos dos EUA? O Brasil, antes de reclamar de medidas que beneficiam a população mais pobre, deveria se olhar no espelho. No ranking da OMS (dados de 2011), o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os EUA ocupam o 37º lugar. Cuba, o 39º. O Brasil, o 125º lugar! Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura? Cuba, especialista em medicina preventiva, exporta médicos para 70 países. Graças a essa solidariedade, a população do Haiti teve amenizado o sofrimento causado pelo terremoto de 2010. Enquanto o Brasil enviou tropas, Cuba remeteu médicos treinados para atuar em condições precárias e situações de emergência. Médico cubano não virá para o Brasil para emitir laudos de ressonância magnética ou atuar em medicina nuclear. Virá tratar de verminose e malária, diarreia e desidratação, reduzindo as mortalidades infantil e materna, aplicando vacinas, ensinando medidas preventivas, como cuidados de higiene. O prestigioso New England Journal of Medicine, na edição de 24 de janeiro deste ano, elogiou a medicina cubana, que alcança as maiores taxas de vacinação do mundo, "porque o sistema não foi projetado para a escolha do consumidor ou iniciativas individuais”. Em outras palavras, não é o mercado que manda, é o direito do cidadão. Por que o CFM nunca reclamou do excelente serviço prestado no Brasil pela Pastoral da Criança, embora ela disponha de poucos recursos e improvise a formação de mães que atendem à infância? A resposta é simples: é bom para uma medicina cada vez mais mercantilizada, voltada mais ao lucro que à saúde, contar com o trabalho altruísta da Pastoral da Criança. O temor é encarar a competência de médicos estrangeiros. Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades este outdoor que vi nas ruas de Havana: "A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”. * Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais. ** Publicado originalmente no site Adital.


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André Albuquerque, indigenista da Funai. Foto:ONU

Funai diz que maior desafio de indígenas é a posse plena da terra

[caption id="attachment_87873" align="alignleft" width="300" caption="André Albuquerque, indigenista da Funai. Foto:ONU"][/caption] Declaração é do representante da entidade no Fórum Permanente sobre Questões Indígenas, que ocorre na sede da ONU, em Nova York. O indigenista da Funai, André Albuquerque, afirmou que o principal desafio dos indígenas brasileiros é a posse plena da terra. Albuquerque, que trabalha na assessoria internacional da agência brasileira, participa do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, que está sendo realizado em Nova York. Importância Durante o encontro, que se encerra no próximo dia 3, ele conversou com a Rádio ONU sobre a importância do evento e falou sobre as terras indígenas. "Eu acho que o desafio principal é a posse plena da terra, porque a demarcação da terra não garante que eles deixem de enfrentar problemas. As terras podem sofrer invasões por parte de fazendeiros, de madeireiros e de garimpeiros. Então o principal desafio é a posse plena da terra." Os participantes do Fórum vão debater direitos indígenas, como também educação, saúde e cultura. Segundo a ONU, existem mais de 370 milhões de indígenas vivendo em 90 países. Pelo menos 67 milhões são jovens. Sociedade Albuquerque falou ainda das necessidades das comunidades indígenas, mas deixou claro que a sociedade precisa reconhecer o papel do grupo. "É a sociedade perceber que os povos indígenas têm uma grande contribuição a dar para a sociedade de uma forma geral, porque eles são, por natureza, grandes preservadores ambientais. Eles são detentores de conhecimentos tradicionais milenares muito úteis para a ciência e para a medicina do século 21. Eles são detentores de conhecimentos que são insubstituíveis." Violência Num evento paralelo, mulheres indígenas vão discutir a questão da violência e como combatê-la. Os 2,3 mil participantes do Fórum estão iniciando também os preparativos para a Primeira Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas, marcada para setembro de 2014. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.


por Edgard Júnior, da Rádio ONU
Arquipélago famoso por suas belezas naturais busca cada vez mais a sustentabilidade. Foto: Marta Granville e Zaíra Matheus/Divulgação

Rumo à 100% de energia renovável, Noronha anuncia nova usina solar

[caption id="attachment_87892" align="aligncenter" width="450" caption="Arquipélago famoso por suas belezas naturais busca cada vez mais a sustentabilidade. Foto: Marta Granville e Zaíra Matheus/Divulgação"][/caption] O paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha, situado a 540 quilômetros do Recife, ganhará uma segunda usina solar em até 12 meses, depois que um acordo de cooperação para instalação do empreendimento foi assinado na terça-feira, 21 de maio, entre o grupo Neonergia, responsável pela gerência da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), e o governo estadual pernambucano. Cerca de 230 mil litros de óleo diesel deixarão de ser consumidos na ilha, por causa da nova unidade geradora de energia renovável. A usina promete produzir 777 megawatts por ano - esse número equivalente a 6% do consumo de energia na ilha, durante o mesmo período. O equipamento industrial será semelhante à usina de Tauá, instalada no Ceará. “Essa parceria com o grupo Neoenergia é um passo importante na questão energética do Estado. Vamos instalar uma rede inteligente capaz de medir a produção de energia na casa dos ilhéus. Eles poderão vender o excedente, como já se faz na Europa. Em três anos, Noronha terá a primeira comunidade no Brasil a ter fornecimento de energia 100% renovável”, garantiu o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao Jornal do Commércio. “Recentemente, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) lançou edital para projetos de produção de energia renovável. Recebemos propostas interessantes, como a produção de energia limpa a partir do lixo e das correntes marítimas. Espero que tenhamos tanto sucesso quanto tivemos com a energia eólica”, completou o governador. A nova usina solar de Noronha será construída numa área de 6 mil metros quadrados, utilizada no passado para captação de águas pluviais. No local, serão instalados os painéis fotovoltaicos. Os megawatts serão produzidos através de uma potência de 500 quilowatt- pico, que vai converter a radiação solar em energia elétrica. R$ 50 milhões De acordo com Solange Ribeiro, presidente do grupo Neoenergia, 65% da energia utilizada nos prédios públicos de Noronha terão procedência de fontes renováveis. “Esta é a terceira usina fotovoltaica de Pernambuco. As outras duas funcionarão numa base da Aeronáutica, também em Noronha, e a outra na Arena da Copa, no Grande Recife." Segundo ela, cerca de R$ 50 milhões foram empregados em ações de sustentabilidade no arquipélago, pelo governo do Estado e iniciativa privada, nos últimos cinco anos. Na coletiva de imprensa, Luiz Antônio Ciarlini, presidente da Celpe, garantiu que a usina da Aeronáutica começa a funcionar até o final de 2013. “As duas usinas juntas serão responsáveis por 10% da energia consumida no arquipélago”. Segundo o governo, serão investidos 11 milhões de reais no desenvolvimento e a implantação do sistema. A nova usina solar em Noronha faz parte de projeto que integra o Programa de Eficiência Energética da Celpe e de Pesquisa e Desenvolvimento da Neoenergia, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A nova unidade geradora de energia renovável integrará o sistema elétrico da ilha. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
O principal objetivo da ação é levar conhecimento ecológico tanto aos alunos como à população que vive no entorno da Baía de Guanabara. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Regata ecológica da Marinha recolhe 220 quilos de lixo na Baía de Guanabara

[caption id="attachment_87881" align="alignleft" width="300" caption="O principal objetivo da ação é levar conhecimento ecológico tanto aos alunos como à população que vive no entorno da Baía de Guanabara. - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil"][/caption] Rio de Janeiro – Bonecas, bolsas, sapatos, brinquedos, garrafas de plástico, pedaços de madeira, isopor e até partes de um computador estão entre os 220 quilos de lixo recolhidos das águas da Baía de Guanabara, na tarde de hoje (22), em apenas duas horas, durante uma regata ecológica. Participaram do evento 250 pessoas, distribuídas em 20 embarcações, incluindo alunos da Escola Naval e de cinco universidades. Para o comandante da Escola Naval, contra-almirante Antônio Carlos Soares Guerreiro, o principal objetivo é levar conhecimento ecológico tanto aos alunos como à população que vive no entorno da Baía de Guanabara. “Esta regata nasceu com o propósito de conscientizar os alunos para a preservação do meio ambiente e, logo em seguida, integramos os jovens das universidades. Estamos na décima quarta edição e observamos que a quantidade de lixo vem aumentando com o passar dos anos. O grande propósito é educar as pessoas que vivem próximo às margens de rios e riachos para que não joguem lixo neste espelho d´água, principalmente quando se aproximam os Jogos Olímpicos de 2016, que terão importantes regatas aqui, na baía.” Entidades de defesa do meio ambiente também participaram da regata, com objetivo de denunciar os crimes ecológicos, como o biólogo Rodrigo Gaião, coordenador da organização Guardiões do Mar. “A maior fonte de poluição é o esgoto doméstico, que afeta principalmente a área mais ao fundo da baía [parte mais interna], que de tão assoreada já é possível caminhar com água pelas canelas. Apesar disso, ainda podemos identificar animais silvestres, como boto, jacaré, lontra e capivara. Peixes maiores, como o robalo e o melro, já são difíceis de serem encontrados. A garoupa ainda subsiste, principalmente junto às pedras.” Entre os projetos desenvolvidos pela Guardiões do Mar, está o Uçá, que busca preservar o caranguejo que dá nome ao projeto. O uçá já foi abundante na Baía de Guanabara, mas hoje só é encontrado em poucas áreas preservadas, como a Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim. A baía recebe 35 rios. Eles banham 16 municípios localizados no entorno da Baía de Guanabara, onde vivem 11 milhões de pessoas. * Edição: Aécio Amado ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Vladimir Platonow, da Agência Brasil
Baenninger já traçou a rota da viagem, mas ainda é necessário arrecadar fundos para a realização da aventura. - Foto: Reprodução/Facebook

Ciclista faz expedição de 17 mil quilômetros para fotografar brasileiros e suas bikes

[caption id="attachment_87889" align="alignleft" width="300" caption="Baenninger já traçou a rota da viagem, mas ainda é necessário arrecadar fundos para a realização da aventura. - Foto: Reprodução/Facebook"][/caption] Desde dezembro do ano passado, o fotógrafo Felipe Baenninger, de 25 anos, “mora” em sua bicicleta. Agora, ele vai usar a bike para sair de Porto Alegre e chegar a Belém, no Pará, para vivenciar o projeto Transite – os brasileiros e suas bicicletas. As lentes de sua câmera fotográfica serão usadas para registrar as diferentes relações que os ciclistas brasileiros constroem com suas bicicletas, seja nas grandes cidades ou nas regiões isoladas. O material será coletado durante um percurso de 17 mil quilômetros de pedaladas, que levarão o projeto para várias cidades do Brasil, desde a capital do Rio Grande do Sul até Belém, no Pará. Além de contar as histórias das pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte no país, a expedição realizada pelo fotógrafo também vai reunir dados importantes sobre as atuais condições das estradas brasileiras para os ciclistas. Baenninger já traçou a rota da viagem, mas ainda é necessário arrecadar fundos para a realização da aventura. Para captar estes recursos, o projeto Transite aceita doações até a próxima sexta-feira (25) pelo Catarse, plataforma online de financiamento coletivo. Se a meta não for alcançada no prazo, os apoiadores recebem a contribuição de volta ou podem optar por financiar outro projeto. A principal recompensa para os apoiadores é a reserva do fotolivro do Transite, ainda em fase de pré-produção, que custa R$ 80 e ficará pronto depois da aventura. Fora o livro, também há outras recompensas, como camisetas e adesivos do projeto, além de atualizações exclusivas de conteúdo da viagem e até uma revisão para bicicleta na oficina do bar bicicletaria Las Magrelas, em São Paulo. * Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Gabriel Felix, do CicloVivo
n5

Ainda incipiente, energia eólica avança a passos largos no Brasil

Nos últimos dois anos, a produção de energia eólica triplicou no Brasil, e especialistas dizem que o país – e principalmente o Nordeste – reúne condições excepcionais para crescer ainda mais. Com uma extensão de 8 mil quilômetros e ventos constantes, o litoral brasileiro desperta cada vez mais a atenção de empresas de energia, dispostas a suprir as crescentes necessidades energéticas de um dos principais países emergentes do mundo. O potencial é enorme e atrai a atenção de investidores internacionais e locais. "A eólica é a fonte de energia mais barata no Brasil", afirma o empresário Everaldo Feitosa, presidente da empresa Eólica Tecnologia e vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA, na sigla em inglês). Também na comparação mundial, nenhuma outra fonte de energia tem custos tão baixos como o uso dos ventos brasileiros, afirma. Mas, por enquanto, a energia eólica ainda engatinha no maior país da América Latina. Três quartos da produção de eletricidade vêm das usinas hidrelétricas. A capacidade instalada de energia eólica é de 2,5 gigawatts (GW), mais ou menos o que apenas um parque eólico produz no Reino Unido. Potencial inexplorado Ainda assim, o setor olha com interesse para o Brasil. Segundo o mais recente relatório da WWEA, a capacidade instalada no país quase triplicou entre 2010 e 2012. Tanto empresas nacionais como internacionais querem participar desse mercado. "Nós temos um projeto para produzir 1,5 gigawatts e vamos levá-lo ao governo", afirma Feitosa. A energia eólica avança praticamente sem subvenções no Brasil. O único apoio estatal são empréstimos a juros baixos concedidos pelo BNDES. Para o físico Heitor Scalambrini, da Universidade Federal de Pernambuco, as vantagens do mercado brasileiro estão nas boas condições climáticas. Segundo ele, o vento no Nordeste é constante, calmo e tem uma velocidade média ideal para mover turbinas eólicas. Esse potencial foi descoberto recentemente, diz Scalambrini. "Estudos mais antigos afirmavam que as turbinas poderiam ficar a 50 metros de altura. Agora estão sendo construídas torres a 100 metros", relata. Pesquisas mais recentes, feitas há dois anos, mostram um potencial energético de 350 gigawatts a 100 metros de altura. Isso é três vezes a capacidade que o país tem hoje de produzir energia. Outro detalhe é que a meta de produção eólica do Plano Nacional de Energia foi superada. Em 2007, o objetivo era chegar a 1,4 gigawatts até 2015, e em 2030 a energia eólica responderia por 1% da produção nacional. A previsão foi superada pela realidade: a meta para 2015 foi alcançada já em 2011. O lado crítico Apesar da euforia, existem também os posicionamentos críticos. Um deles é exatamente de Heitor Scalambrini, que faz parte da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) e da Articulação Antinuclear Brasileira (AAB). Muitos parques eólicos, segundo Scalambrini, foram construídos fora da lei. Colega de Heitor na AAB, a pesquisadora Cecília de Mello diz que há relatos de dunas e manguezais comprometidos. "As dunas são filtros de água do mar. Para várias comunidades pesqueiras, o único acesso à água que elas têm é a água das dunas", explica. Ela conta ainda que muitas hélices ficam sobre as casas e que "as pessoas têm a sensação de viverem debaixo de um avião que nunca pousa". Feitosa concorda que houve "projetos errados", mas diz que hoje eles são construídos longe das cidades, sem causar danos. Além disso, as leis brasileiras são muito rigorosas, afirma. Ele acrescenta que o Brasil está num rumo ascendente e vê o país entre os cinco maiores produtores de energia eólica do mundo em 2020. * Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Redação Deutsche Welle
n6

2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental começa hoje e tem entrada franca

Evento acontece de 23 a 30 de maio em 6 salas paulistanas, com entrada franca. Uma discussão sobre o meio ambiente e a relação entre o homem e a natureza através de debates e da exibição de mais de 70 filmes de 20 países, a maioria inéditos no Brasil – este é o cardápio da 2a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que acontece, com entrada franca, de 23 a 30 de maio, em seis salas paulistanas: Reserva Cultural, Cine Livraria Cultura, Cinemateca Brasileira, Centro Cultural São Paulo, Cine Olido e no novo Cinusp Maria Antônia. De caráter não-competitivo, o evento tem sua programação principal organizada em sete eixos temáticos (Água, Cidades, Contaminação, Economia, Globalização, Mobilização e Povos e Lugares). Acesse a programação completa aqui. A programação da Retrospectiva Histórica “Homem x Natureza” inclui obras premiadas em Cannes (A Grande Aventura, de Arne Sucksdorff), Veneza (Ao Mistral, de Joris Ivens), na Mostra Internacional de São Paulo (História do Vento, de Ivens e Marceline Loridan) e pelo Oscar (Dersu Uzala, de Akira Kurosawa). Estão presentes ainda títulos cultuados, como (O Tempo Parou, que marca a estréia do italiano Ermanno Olmi; A Longa Caminhada, filme de Nicolas Roeg lançado no Festival de Cannes; Fata Morgana, de Werner Herzog; e Uma Lição Para Não Esquecer, uma direção do ator Paul Newman indicada a dois Oscar – melhor ator coadjuvante e melhor canção. Recentemente falecido, o cineasta e diretor de fotografia Aloysio Raulino (1947-2013) ganha homenagem, programada para o dia 28/05, terça-feira, às 21h00, na Cinemateca Brasileira. A homenagem exibe três curtas-metragens por ele dirigidos e que mereceram restauro nos últimos anos: Lacrimosa (1970, correalizado com Luna Alkalay), O Tigre e A Gazela (1977) e Porto de Santos (1978). Em seguida, um debate em torno do realizador reúne os cineastas Kiko Goifman, Hermano Penna e Paulo Sacramento, e a jornalista Maria do Rosário Caetano, com mediação de Francisco Cesar Filho. Mais informações podem ser acessadas em www.ecofalante.org.br/mostra. Serviço: 2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental de 23 a 30 de maio de 2012 Entrada franca Reserva Cultural – Av. Paulista 900, Bela Vista Cine Livraria Cultura – Av. Paulista 2073, Cerqueira Cesar Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso 207, Vla Clementino Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro 1000, Liberdade Cine Olido – Av. São João 473, Centro Cinusp Maria Antônia – Rua Maria Antônia 294, Consolação Atendimento à Imprensa Regina Cintra e Luciana Rocha / Foco Jornalístico www.focojornalistico.com.br  


por Assessoria de Imprensa
ok

Votar no Zimbábue é um perigo para os opositores

[caption id="attachment_87870" align="aligncenter" width="432" caption="Uma nova lei dá extraordinário poder à polícia, e muitos dizem que Mugabe a usa para intimidar a oposição. Foto: Jeffrey Moyo/IPS"][/caption]   Harare, Zimbábue, 23/5/2013 – Há um mês, Gibson Severe e sua mulher, Merjury Severe, simpatizantes da oposição no Zimbábue e originários do distrito de Hurungwe, se escondem na capital do país. Como eles, muitos outros seguidores do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) foram obrigados a abandonar suas casas nesse distrito, depois de serem ameaçados por milícias que estariam vinculadas à governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF). “Já passou um mês desde que deixamos Hurungwe, depois que a milícia de Jochomondo, vinculada à Zanu-PF, cercou nossa casa nos acusando de instigar a população a se registrar para votar no MDC”, contou Severe à IPS. Desde o ano passado, essa milícia aterroriza os moradores do distrito, um baluarte do Zanu-PF, tornando quase impossível os partidos de oposição realizarem campanha. Severe disse à IPS que as eleições nesse país da África austral sempre são afetadas pelas ameaças e pela violência. Esta não é a primeira vez que somos vítimas de intimidação. “Na campanha presidencial de 2008 apanhamos por sermos simpatizantes do MDC”, afirmou. As próximas eleições presidenciais no país estão previstas para o final deste ano, mas ainda sem data exata. O presidente, Robert Mugabe, de 89 anos, está no cargo há 33. Seu governo se caracteriza pela corrupção, opressão, posse de terras e uma economia cambaleante. O primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai, informou que a data das eleições será fixada após o processo de inscrição dos eleitores. Para isso foi lançado um registro móvel, com escritórios temporários de inscrição em várias partes do país. Esta operação terminou no dia 19 deste mês, mas os zimbabuenses ainda podem se inscrever diretamente no Registro Geral de eleitores. Todo o processo de inscrição se caracterizou pela lentidão burocrática e por intimidações de grupos violentos, supostamente vinculados ao Zanu-PF. Pedzisai Ruhanya, diretor do independente Instituto da Democracia no Zimbábue, contou à IPS que o processo foi caótico. “A experiência do registro móvel de eleitores não foi adequada. Foi caótica e se caracterizou pela manipulação política”, pontuou. As milícias vinculadas à Zanu-PF, que chamam a si mesmas como Al Shabaab, da mesma forma que o grupo radical islâmico somaliano, estariam ameaçando também o eleitorado na província de Midlands. “O sistema móvel de registro irritou os sequazes da Zanu-PF, que dirigiram sua fúria contra os professores das comunidades rurais, dizendo para não votarem nos setores do MDC”, disse à IPS um funcionário de Midlands. O partido opositor se dividiu em 2006 em duas facções: o MDC-T, liderado por Tsvangirai, e o MDC-N, encabeçado por Welshman Ncube. Funcionários de Marondera, capital da província de Mashonalandia Oriental, disseram que os aldeões foram obrigados pelas milícias a participarem do registro. “Os moradores sofreram abusos por parte de milicianos da Zanu-PF, que cantavam músicas de guerra de libertação e palavras de ordem do partido, e os obrigaram a se registrarem para votar”, contaram à IPS. Policiais das localidades de Bindura e Mazowe, na província de Mashonalandia Central, disseram que a população ainda vive com medo de que se repita a violência das últimas eleições. Muitos moradores não se animam nem mesmo a expressar publicamente qual partido apoiam. “Ninguém usa camisetas do MDC-T aqui depois das violentas eleições de 2008, que deixaram milhares de feridos”, disse à IPS um alto funcionário policial. Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional denunciaram que a campanha presidencial de 2008 aconteceu em “um contexto de inúmeros casos de assassinatos, torturas e ataques contra supostos partidários da oposição”. Por seu lado, a Human Rights Watch afirmou, no informe Corrida Contra o Tempo: a Necessidade de Reformas Legais e Institucionais com Vistas à Eleição no Zimbábue, deste ano, que mais de 200 pessoas morreram na violência de 2008. Até agora não houve nenhuma prisão pelos casos denunciados de intimidação. O porta-voz da Zanu-PF, Rugare Gumbo, minimizou as denúncias. “Não há grupos terroristas vinculados ao nosso partido. Por que haveríamos de submeter a população quando é bem sabido que o MDC perdeu eleitores para a Zanu-PF?”, argumentou à IPS. Porém, o analista político Rejoice Ngwenya afirmou que o registro móvel foi deficiente. “Foi desarticulado e débil, talvez de forma deliberada. Não há educação sobre o voto no Zimbábue. A Comissão Eleitoral não tem capacidade nem vontade política” para informar a população, disse à IPS. “As organizações da sociedade civil e os partidos políticos se esforçam ao máximo, apesar dos obstáculos da Lei de Ordem Pública e Segurança”, acrescentou Ngwenya. Esta lei dá um poder extraordinário à polícia, e muitos dizem que Mugabe a utiliza para intimidar a oposição. Grupos locais de direitos humanos também questionaram o processo de registro móvel. “Apoiamos a iniciativa, mas estamos preocupados com a forma como se desenvolveu nas áreas rurais, onde integrantes da Zanu-PF distribuíram formulários de adesão ao partido, dizendo que eram necessários para o registro”, contou à IPS o diretor da organização local Informação e Educação Juvenil para uma Mudança de Comportamento, David Chidende. Ele também denunciou que foram instalados vários centros de registro nos redutos da Zanu-PF e poucos nas áreas dominadas pelo MDC. Envolverde/IPS


por Jeffrey Moyo, da IPS
Biossensor pode ser adaptado para detectar pesticidas organofosforados. Foto: Imagem cedida pela pesquisadora

Biossensor detecta pesticida na água, solo e alimentos

[caption id="attachment_87901" align="alignleft" width="300" caption="Biossensor pode ser adaptado para detectar pesticidas organofosforados. Foto: Imagem cedida pela pesquisadora"][/caption] Um projeto de pesquisa conjunto entre o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) resultou na idealização, construção e patenteamento de um biossensor que é capaz de, num curto espaço de tempo (minutos), detectar a existência do pesticida metamidofós na água, solo e alimentos contaminados. O estudo foi motivado pela existência de grandes índices do pesticida nos lençóis freáticos e nas grandes lavouras do Estado de Mato Grosso. Izabela Gutierrez de Arruda, que atualmente é pós-graduanda no IFSC, é orientada pelo professor Romildo Jerônimo Ramos, da UFMT, e co-orientada por Nirton Cristi Silva Vieira. Durante seu mestrado na UFMT, ela decidiu abraçar o projeto conjunto com o IFSC por intermédio do professor Francisco Eduardo Gontijo Guimarães (ex-orientador de Nirton). A ideia de desenvolver o biossensor surgiu em um encontro realizado pelo Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica (INEO) e o projeto teve apoio da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O biossensor foi construído exclusivamente para detectar o pesticida metamidofós, mas ele está também preparado para ser adaptado para a detecção de outros pesticidas que pertençam às classes dos organofosforados ou carbamatos, o que aumenta a sua utilidade e importância. O metamidofós não só é largamente utilizado nos trabalhos agrícolas no Mato Grosso, como também em todo o País e, por ser extraordinariamente forte, penetra facilmente no solo e, consequentemente, nos lençóis freáticos. Devido a sua composição química, este pesticida interage livremente no sistema nervoso central do ser humano, atacando-o rapidamente, causando danos irreversíveis no cérebro, podendo levar à morte. O sensor é de fácil construção, sendo constituído por uma película muito fina — nanométrica, onde é imobilizada a enzima acetilcolinesterase (exatamente igual a que existe no cérebro humano). Quando a enzima entra em contato com as moléculas do pesticida, sua ação é inibida, produzindo menos prótons quando comparado com a enzima sem a presença do pesticida: essa diferença de prótons é lida e mostrada num pequeno aparelho onde é introduzida essa película, acusando, assim, os índices de contaminação. Resposta em poucos minutos Para o professor Guimarães, este é um daqueles trabalhos que visam diretamente o bem-estar social e por isso a ideia foi patenteada. É o primeiro registro de patente da UFMT em quarenta anos de existência da universidade. Atualmente, todas as análises referentes a contaminação por pesticidas no Estado de Mato Grosso são enviadas para São Paulo ou Rio de Janeiro. Com este biossensor, pode não mais haver essa necessidade, pois o equipamento — do tamanho de um medidor de índices de diabetes —, cujo protótipo está sendo desenvolvido no IFSC, confere a resposta em poucos minutos. A equipe de pesquisadores procura agora, preferencialmente, uma indústria nacional de biotecnologia que tenha interesse e que compre a ideia para a comercialização do aparelho completo (que poderá custar entre R$ 100,00 e R$ 200,00 cada unidade). Izabela destaca que o trabalho é de âmbito social e de impacto ecológico. “Este pesticida é utilizado em larga escala no Mato Grosso e em muitas regiões do nosso País”, alerta. “Se a região do Pantanal poderá ser ameaçada por este pesticida, pela sua localização, outros países que fazem fronteira com o Brasil poderão sentir também esse perigoso efeito, até porque a contaminação pode chegar aos reservatórios de água potável e nos grandes rios do Estado”. Confirmando a preocupação de Izabela, pesquisas feitas pelo professor Wanderlei Pignati, pesquisador da UFMT e um dos maiores especialistas nacionais em pesticidas, confirmou a presença de vários pesticidas nos principais rios, poços artesianos e, inclusive, em animais, no Mato Grosso. Outro trabalho de Pignati comprovou também a existência de índices de pesticidas no leite materno. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está com um processo aberto para banir esse pesticida do mercado, proibindo sua produção, tal como já acontece em vários países da União Europeia. “O desenvolvimento desse trabalho incluiu conhecimentos das áreas da física, química, biologia, e ciência e engenharia de materiais, valorizando todo o aspecto relacionado com interdisciplinaridade”, comentam Izabela e Nirton. Além do registro de patente, um artigo foi aceito e outro foi enviado para revistas especializadas nas áreas de biossensores e nanotecnologia. Izabela recebeu recentemente uma Moção de Congratulações apresentada pela deputada estadual Luciane Bezerra (MT). * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Redação da Agência USP

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