reciclagem

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Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos


por Juliana Guarexick, da Envolverde

[caption id="attachment_87192" align="alignleft" width="300" caption="ONG EccoVida: armazenamento de garrafas PET  para reciclagem. Fotos: Ambev Recicla/ Flickr"][/caption] Investir e patrocinar iniciativas socioambientais. Foi-se o tempo em que esta postura era suficiente para legitimar uma empresa como sustentável. A Ambev reconhece esta tendência e vai além. Por mais persistência e consciência ambiental que se tenha, é inviável promover mudanças efetivas quando se age individualmente. As iniciativas conjuntas já provaram ser mais eficientes e duradouras. É assim na vida, nas relações políticas e no âmbito empresarial. Esta é a alma da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): envolver consumidores, empresas e o setor público em prol da preservação do meio ambiente. “Só funciona se nós trabalharmos com parcerias”, enfatiza Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, ao descrever as iniciativas e ações realizadas pela companhia em todo o país, visando à aumentar o índice de reciclagem no Brasil. Atualmente, a empresa reaproveita 99,05% dos subprodutos que resultam da fabricação de suas bebidas. Lição de casa Antes de tomar as ruas e pregar conceitos de boas práticas é preciso dar o exemplo dentro de casa. Ricardo destaca a importância do Sistema de Gestão Ambiental, implantando há 20 anos pela companhia: “Ele é tão eficiente quanto nosso sistema de vendas. Todos têm metas a cumprir, e isto funciona muito bem”. O programa estabelece metas e monitora a evolução dos índices de reaproveitamento de subprodutos de cada uma das fábricas. Nos últimos dez anos, a Ambev diminuiu em 81% a quantidade de resíduo gerado nas unidades fabris, reduzindo assim a utilização de aterros e agregando valor aos subprodutos gerados. A polpa dos rótulos, por exemplo, vai para a reciclagem de papéis. Em 2011, a companhia consolidou as iniciativas voltadas à reciclagem de resíduos pós-consumo, criando o Programa Ambev Recicla. Os resultados deste trabalho são palpáveis e animadores. A fábrica de Manaus, por exemplo, já atingiu o marco de 100% de reaproveitamento no ano passado. [caption id="attachment_87193" align="alignright" width="300" caption="Fábrica Ambev Vidros, no Rio de Janeiro. "][/caption] Outra iniciativa sustentável é a PET 100% reciclada. Lançada em 2012, com tecnologia própria, o produto consome em sua fabricação 70% menos energia elétrica em relação à produção do material virgem, além de diminuir em 20% o consumo de água. Até hoje, mais de 60 milhões de garrafas PET já foram retiradas do lixo. A previsão é de que, até 2013, este número alcance a marca de 130 milhões de embalagens reaproveitadas. Veja aqui um infográfico que mostra o processo de produção da PET 100% do Guaraná Antarctica. A fábrica de vidros, localizada no Rio de Janeiro, é outro trunfo sustentável para a companhia. Construída em 2008, a Ambev Vidros se tornou a maior recicladora de cacos de vidro na América Latina. Atualmente, 75% da matéria-prima utilizada é formada por cacos de vidro oriundos de outras unidades da empresa e de cooperativas parceiras. De cada dez garrafas produzidas, cerca de sete são fabricadas totalmente com material reciclado. Parcerias Na década de 1990, a companhia ajudou na criação do CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem), do qual permanece como parceira e mantenedora. Fundada em 1992, a associação empresarial dedica-se à promoção de reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo. O objetivo da organização é conscientizar a sociedade sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem dos resíduos. O CEMPRE reúne informações sobre os programas de coleta seletiva desenvolvidos por prefeituras, apresentando dados sobre composição de lixo, custos de operação, participação de cooperativas de catadores e parcela da população atendida. Ter essas informações disponíveis é um fator valioso para traçar metas específicas e que atendam as reais necessidades da sociedade. [caption id="attachment_87194" align="alignleft" width="300" caption="Á esquerda, Ricardo Rolim, diretor de relações sociombientais da Ambev, e André Vilhena, diretor do CEMPRE, em evento da Ambev. "][/caption] Outras parcerias foram firmadas de lá para cá com o intuito de promover a educação e a valorização dos agentes ambientais, contribuindo assim com o desenvolvimento das comunidades. O programa Reciclagem Solidária, por exemplo, realizado em conjunto com a ONG Ecomarapendi, já beneficiou mais de 46 cooperativas e dois mil catadores em todo o país, por meio de capacitação e doações de equipamentos. Com a ONG EccoVida, o trabalho é voltado para a educação ambiental por meio de caminhadas, oficinas e distribuição de materiais educativos. Edson Freitas, presidente da organização, reconhece a importância da parceria. “Este é um sonho concretizado. Hoje toda a minha família está envolvida no projeto.” Estabelecer esta relação de proximidade com os vários setores da sociedade é a forma mais eficiente de consolidar os princípios socioambientais fora da empresa. “Cada vez mais as empresas estão percebendo que só financiar projetos não deixa um legado tão importante quanto você participar, implantar e gerir projetos em conjunto, dia a dia”, explica Ricardo Rolim. Incentivar o debate sobre as questões que envolvem a gestão de resíduos sólidos no país é uma atitude louvável. As mudanças, porém, só serão efetivas quando as metas saírem do papel e ganharem vida. “As companhias estão sentindo que há necessidade de devolver um pouco do que elas tomam da sociedade, em termos de negócio”, finaliza o executivo. (Envolverde)
Foto: vovan / Fotolia

Educação

Parque ecológico em Brasília vira sala de aula ao ar livre


por Vagner Alencar, do Porvir

Andar de bike, correr, fazer piquenique. Práticas como essas são alguns dos atrativos que levam as pessoas a frequentarem parques ecológicos. Porém, em Brasília, um espaço verde está indo para além de um ambiente de recreação. O Parque de Uso Múltiplo Olhos D’água, um dos principais da cidade, está se transformando também em uma grande sala de aula ao ar livre. O responsável por isso é Ecoparque, projeto de educação ambiental criado por jovens brasilienses, que busca desenvolver novas abordagens de educação baseadas em práticas holísticas e na transdisciplinariedade. A iniciativa, inclusive, extrapolou os limites da reserva ambiental e foi instalada dentro de uma escola de educação integral.  “Nosso objetivo é apresentar novas propostas de relação com o meio ambiente, usando tecnologias de baixo impacto ambiental. Além de trazer um novo olhar para que as pessoas se apropriem do lugar e percebam que há outras formas de construir, de se relacionar, de cultivar a terra”, afirma Pedro Vinhal, cofundador do projeto, que é a 15ª história contada no Imagina na Copa, plataforma que está mapeando iniciativas de jovens transformadores até 2014. O EcoParque foi idealizado por ele, em 2008, quando estudava educação física, e mais tarde abraçada pelo coletivo 7Saberes – que desenvolve ações de educação ambiental para estimular crianças, jovens e adultos a experimentar essas novas abordagens no que chamam de “laboratório vivo”. A meta do grupo é expandir o número de estações em outros espaços. [caption id="attachment_87237" align="aligncenter" width="630" caption="Foto: vovan / Fotolia"][/caption]   Apenas no passado, cerca de 200 estudantes de instituições públicas e privadas da região realizaram atividades periódicas no parque ecológico, que foi adaptado para receber diferentes atividades – como oficinas de arte e reciclagem, dança circular e permacultura [conceito que significa ‘cultura permanente’, que se baseia na cooperação do homem com a natureza]. Além disso, os estudantes também têm visitas monitoradas pelos espaços dentro do parque chamados estações. Uma delas, por exemplo, é o Túnel de Adobe onde as crianças são estimuladas a engatinhar, atividade importante para desenvolver sua capacidade motora. Já no Espaço de Convivência, são realizadas práticas corporais livres, como o yoga e os jogos cooperativos. Outros ambientes são dedicados a ensinar aos visitantes como mexer com a terra e até mesmo cultivar hortaliças e cuidar das plantas. Uma das últimas estações é o Viveiro de Mudas e o Canteiro de Ervas Medicinais, onde as crianças e os jovens são colocados em contato com aromas e sabores. No quintal da escola A experiência expandiu para além do parque ecológico para alcançar a Escola Parque 210/211 Norte, também em Brasília, que se dedica à educação de ensino integral. Há mais de dois anos, a instituição pública hospeda em seu “quintal” seis estações do Ecoparque, criada pelo 7Saberes. De acordo com Celia Maria Stoppa Muller Fernandes, vice-diretora da escola, o Ecoparque vem contribuindo, principalmente, para estimular a sensibilidade das crianças, indispensável, segundo ela, para tornar as crianças mais curiosas e interativas – importante para desenvolver outros aspectos educacionais. “Muitas das mais de duas mil crianças que passam por aqui a cada semana moram em apartamentos e nunca tiveram ou quase não têm contato com a diversidade ecológica”, afirma. “A partir do contato com a natureza, com as plantas, com a terra, os estudantes se tornam mais sensíveis para trabalhar também com outros conteúdos em sala de aula, seja em disciplinas tradicionais ou em atividades como artes plásticas e visuais”. Segundo Celia Maria, embora os professores ainda sejam resistência quanto a implementação de metodologias que avancem à sala de aula, muitos deles vêm abandonando suas zonas de conforto. “Hoje, professores já estão entendendo melhor o espaço e, inclusive, conseguem aproveitá-lo para trabalhar seus conteúdos.” Veja vídeo feito pelo Imagina na Copa sobre o EcoParque: * Publicado originalmente no site O Porvir.
Foto: jefferyliu / Fotolia.com/ O Porvir

Educação

Professores em busca de sentido


por Helena Singer*

[caption id="attachment_87251" align="alignleft" width="300" caption="Foto: jefferyliu / Fotolia.com/ O Porvir"][/caption] As coisas não andam bem para os professores. Só neste ano as manchetes relativas a esta categoria já ressaltaram a gigantesca proporção de adoecimentos entre os educadores, a falta de interessados na carreira, greves por melhores condições de trabalho e, nesta última semana, a violência sofrida por este profissional. O tema da violência voltou agora devido a pesquisa “Violência nas Escolas: o Olhar dos Professores” lançada na última semana pela Apeoesp. O estudo entrevistou 1400 professores das escolas estaduais em 167 cidades de São Paulo. Os resultados, embora contundentes, não chegam a surpreender quem conhece o cotidiano escolar. A maior parte dos professores (62%) leciona em escolas de periferia, que são consideradas mais violentas. Do total, 57% dos professores consideram que sua escola é violenta, mas entre os que lecionam na periferia, esta proporção sobre para 63%. O policiamento está menos presente no entorno das escolas periféricas e a escola da periferia tem mais ambientes degradados ou pichados. Embora não seja maioria, é bastante alta a proporção dos professores que lecionam em mais de um turno (41%) e, no geral, a média de alunos por sala de aula é de 38, bastante acima dos parâmetros recomendados. Os professores associam violência, principalmente, com agressão verbal (62%), agressão física (43%) e falta de respeito (33%) e já vivenciaram situações deste tipo no seu cotidiano de trabalho: 72% presenciaram brigas de estudantes, 62% já foram xingados por estudantes, 35% foram ameaçados e a mesma proporção de professores teve algum bem pessoal danificado por estudantes. Os professores também confirmam que na maior parte das escolas aconteceram casos de vandalismo, furto e discriminação. Não chega a ser maioria, mas boa parte dos professores já viram os estudantes sob efeitos de drogas (42%), bebida alcoólica (29%) e portando armas (18%). E quase um terço dos professores do estado de São Paulo já presenciou tráfico de drogas na escola. Na opinião da quase totalidade dos professores (95%), os principais autores da violência nas escolas são os estudantes e também seriam estes as maiores vítimas para 83% dos professores. Já 44% dos professores veem a si próprios como as maiores vítimas. A pesquisa mostra que a violência cresce consideravelmente à medida que crescem os estudantes, sendo que 24% dos professores homens e 29% das professoras do ensino fundamental 1 (com estudantes de até 10 anos de idade) sofreram algum tipo de violência, enquanto 65% dos professores e 45% das professoras do ensino médio relataram o mesmo tipo de ocorrência. Apesar da percepção de violência ser generalizada nos ambientes escolares, quando perguntados sobre as causas da mesma, os professores a remetem para fora: 74% mencionam genericamente falta de educação, respeito e valores , 49% referem-se especificamente à falta de educação em casa, 47% mencionam a desestruturação familiar e na sequência vem drogas e pobreza. É somente a partir do sexto colocado que as questões internas à escola começam a aparecer e, ainda assim, remetendo às atitudes dos estudantes: desinteresse pelos estudos e conflitos entre os alunos. Sendo estas as causas atribuídas à violência, as soluções apontadas pelos professores indicam uma perspectiva fragmentada e frágil: debates sobre violência, suporte pedagógico, investimento em cultura e lazer, policiamento ao redor da escola. Na visão de 67% dos professores, são agentes externos às escolas que podem resolver os seus problemas: em primeiro lugar os pais, seguidos do governo, da sociedade e da polícia. Dentre os 25% que mencionaram agentes da escola como os responsáveis pela solução do problema, a grande maioria citou a equipe gestora. Em síntese, os professores da rede estadual de São Paulo consideram o ambiente em que vivem violento, já presenciaram e sofreram violência, responsabilizam os estudantes pela situação e atribuem a possibilidade de superação aos pais, à direção e ao governo. Ou seja, os professores se veem impotentes diante da situação. Não é à toa que adoecem. O problema é que a forma escola, com seus corredores, sinais sonoros, carteiras, lousas, matérias, provas, notas, séries e livros didáticos, disseminou-se tão extensamente e há tantas décadas por nossas sociedades ocidentais, que não conseguimos mais questionar o seu modelo. No nosso imaginário coletivo sobre as escolas, estas seriam lugares de ensinar e aprender, onde pessoas vocacionadas para o trabalho com as novas gerações se dedicariam a transmitir-lhes o conhecimento acumulado da humanidade, algo que seria recebido com alegria e gratidão por crianças e jovens curiosos e interessados. Se não é isso o que está acontecendo, então deve ter alguma coisa errada do lado de fora desta instituição tão perfeita atrapalhando – famílias desestruturadas, bairros violentos, epidemias de drogas, governos desonestos. Que outra instituição que fosse considerada violenta por quase 60% de seus profissionais não teria sua forma questionada? Só há uma que continua existindo e sendo reforçada no imaginário coletivo apesar de seu contínuo fracasso – a prisão. E assim como acontece com o sistema penal, nada irá mudar enquanto o modelo institucional não for questionado, enquanto não enxergarmos a violência que é obrigar os jovens a ficarem sentados, enfileirados por várias horas por dia, ao longo de anos, ouvindo falar de assuntos sobre os quais não perguntaram e sendo continuamente avaliados e classificados a partir do que respondem em provas sobre conhecimentos fragmentados, descontextualizados e sem sentido. A superação da situação de violência virá quando a escola conseguir se tornar um projeto coletivo, um projeto comum de estudantes, educadores e famílias interessados em produzir conhecimento, em se transformar mutuamente ao mesmo tempo em que transformam o lugar em que estão. Quando isso acontecer, os professores deixarão de estar isolados em suas salas de aula e se verão membros de uma equipe, com um projeto coletivo, em uma comunidade. Nada mais contrário à doença e à violência do que os sentidos de projeto, coletividade, comunidade. Mas, para isso acontecer, toda a estrutura da rede de ensino – concursos, carreiras, gestão de recursos, avaliações – terá que se voltar para isso, para a constituição de equipes escolares vinculadas com as comunidades em que atuam, em instituições que têm autonomia para gerir seus projetos político pedagógicos a partir das necessidades e dos desejos daqueles que a compõem, em busca de um sentido comum. * Helena Singer é socióloga com pós-doutorado em Educação e diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz. ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
Foto: http://blog.educacaoadventista.org.br/

Educação

Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil


por Mariana Tokarnia*

[caption id="attachment_87265" align="alignleft" width="283" caption="Foto: http://blog.educacaoadventista.org.br/"][/caption] Costa do Sauípe (BA) – A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de evasão escolar entre jovens. “Por que você mata aula?”, perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”. “Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12? O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo aprendendo”, defendeu Salete. De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho. Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas 48,7% terminaram o ensino médio. O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino fundamental. Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais, 15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação. Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”. “É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar professor e escola”, diz Salete. O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores de todo o país. * A repórter viajou a convite da Undime. / Edição: Juliana Andrade e Talita Cavalcante. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil. 


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Geleira Hubbard en Seward, no Alasca. Foto: Bigstock/IPS

Derretimento do Ártico, entre o desastre e o lucro

[caption id="attachment_87227" align="aligncenter" width="500" caption="Geleira Hubbard en Seward, no Alasca. Foto: Bigstock/IPS"][/caption]   Uxbridge, Canadá, 17/5/2013 – Muitos olhos se voltam para o Ártico, alguns com horror diante da veloz redução de um componente crucial do sistema que apoia a vida, outros antecipando com ansiedade os recursos sem explorar que dormem sob a neve e o gelo que se derrete. “Trabalhei no norte durante 21 anos, e a escala e velocidade da mudança que acontece ali é assustadora”, afirmou à IPS Douglas Clark, da Universidade de Saskatchewan, no Canadá. “Estas mudanças, tomadas em sua totalidade e refletidas em nosso informe, me impedem de dormir à noite”, destacou. Mudanças rápidas e inclusive abruptas ocorrem em múltiplas frentes do Ártico, segundo o Arctic Resilience Report (ARR – Informe de Resiliência do Ártico). E o que ocorre no Ártico não fica ali. “Este é o primeiro informe internacional a dizer ao mundo que aperte o cinto da segurança: estamos em uma montanha russa selvagem e não sabemos o que vira”, advertiu Clark. O ARR implicou esforço de dois anos de colaboração entre especialistas dos países nórdicos, mais Rússia, Canadá e Estados Unidos, e inclui perspectivas indígenas. Trata-se de uma sofisticada avaliação de como interagirão as mudanças no clima, os ecossistemas, a economia e a sociedade. O informe foi divulgado ontem na Reunião Ministerial do Conselho do Ártico, em Kiruna, na Suécia. “O que ocorre no Ártico tem profundas implicações para todas as partes do mundo”, afirmou Sarah Cornell, autora principal do estudo. O aquecimento global está derretendo a neve e o gelo, e também esquentando o Oceano Ártico e as terras que o rodeiam. As estações estão mudando, o permafrost está derretendo, há invasão de novas espécies e as autóctones se esforçam para sobreviver, os lagos estão desaparecendo e os rios são redirigidos pela paisagem que derrete, afirma o estudo. Alguns ecossistemas do Ártico passam por modificações catastróficas, alguns de grande escala e irreversíveis, acrescentou Cornell, do Centro de Resiliência de Estocolmo. Embora para muitos o Ártico esteja tão longe quanto a Lua, está intimamente interligado com o resto do mundo. O estado do tempo está pautado amplamente pelas regiões frias, ártica e antártica, equilibrado pelos trópicos quentes. Mas o Ártico está derretendo rapidamente. No último verão boreal, o gelo marinho se reduziu à metade do que era há menos de 30 anos, e continua em redução acelerada. “Isto tem e terá consequências espetaculares para o resto do mundo. Não sabemos quais serão todas elas”, afirmou Cornell. No Ártico vivem culturas e espécies que não são encontradas em nenhuma outra parte e tampouco podem ser levadas mais ao norte para escapar do aumento das temperaturas. Devem fazer um esforço real para sobreviver, alertou Tero Mustonen, presidente da Cooperativa Snowchange, uma rede de culturas indígenas de todo o mundo. “O Ártico sofre mudanças fundamentais. Os alces estão aparecendo pela primeira vez na tundra, junto com novos insetos, plantas e inclusive árvores”, afirmou à IPS, de sua casa no norte da Finlândia. Mustonen, coautor do ARR, trabalha com comunidades chukchi de pastores de renas do noroeste da Sibéria, que andam por essas terras afastadas há vários séculos. Como muitas comunidades indígenas que vivem na terra, possuem profunda ligação ecológica, cultural e espiritual com a paisagem. E essa paisagem está mudando tanto que às vezes não reconhecem seu próprio lar, observou. “Os chukchi não compartilham facilmente seus pensamentos. Mas os idosos têm uma mensagem clara e forte para transmitir ao mundo: a natureza já não confia nos seres humanos”, afirmou. Entretanto, as oito nações do Conselho do Ártico se centraram principalmente em futuras oportunidades de transporte marítimo, acesso a petróleo, gás e recursos minerais, e em geopolítica. Concederam a China, Japão, Índia, Coreia do Sul, Cingapura e Itália status de observadores, enquanto o Canadá bloqueou a candidatura da União Europeia. O Conselho é o principal fórum internacional sobre assuntos do norte, e nos próximos dois anos será liderado pelo Canadá que, afirmou, se centrará no desenvolvimento econômico. Nos últimos tempos este país tem provocado críticas por redirigir suas próprias pesquisas científicas para apoiar empresas e indústrias. Algumas estimativas dizem que a região pode ter 13% do petróleo ainda não descoberto no mundo, bem como 30% dos depósitos não descobertos de gás, e vastas quantidades de recursos minerais. As muito elogiadas pesquisas científicas do Conselho agora se centrarão em como desenvolver os recursos do norte para benefício dos habitantes dessa parte do mundo. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, representou seu país no Conselho, manifestando assim o renovado interesse na região por parte de Washington, que também divulgou sua nova Estratégia Nacional para a Região do Ártico. Embora reconheça os impactos profundos do aquecimento global sobre a região e a população originária, a Estratégia afirma que a região ajudará a cobrir as necessidades energéticas dos Estados Unidos no futuro. Na reunião, os membros adotaram um acordo sobre preparação para a contaminação marinha com petróleo. Algumas organizações indígenas e ambientalistas pediram uma moratória às perfurações em busca de petróleo no Ártico, devido às perigosas condições e às dificuldades que implicam os trabalhos de limpeza. Segundo o Greenpeace Internacional, esse acordo não oferece nenhum padrão mínimo, específico e prático, e tampouco contém disposições para as empresas serem responsabilizadas por todos os custos e danos causados. “Aqui aconteceram duas conferências: uma que alertou para os perigos da mudança climática e da rápida industrialização nesta frágil região, e outra, da qual participaram os ministros das Relações Exteriores, que praticamente não tomou medidas concretas para abordá-los”, afirmou Ruth Davis, assessora de políticas no Greenpeace Internacional. Os povos do Ártico não necessariamente se opõem ao desenvolvimento econômico, mas querem estar no controle do que ocorrer. Porém, as nações árticas e as comunidades locais estão em fases muito diferentes. Na Finlândia e Rússia, os povos originários não têm direitos oficiais sobre a terra ou a água, ao contrário de Canadá ou Alasca, explicou Mustonen. Para ele, “os direitos e as culturas dos povos indígenas nestas regiões devem ser levados a sério para integrar suas necessidades em qualquer forma de desenvolvimento. Envolverde/IPS 


por Stephen Leahy, da IPS
coleta

Rio de Janeiro quer selecionar 25% do lixo até 2016

Rio de Janeiro - Com apenas 1% de lixo recolhido em coleta seletiva em 2012, o município do Rio quer aumentar esse percentual para 25% até 2016 e começará neste ano a pôr em prática as medidas que buscarão esse objetivo. Em cerca de três meses, a Central de Triagem de Irajá será inaugurada, dando início ao projeto orçado em R$ 50 milhões, anunciado em 2011. O projeto recebeu investimentos de R$ 22 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e de R$ 28 milhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). "Ela vai atender aos bairros de Irajá, Marechal Hermes e Deodoro", adiantou o coordenador de Projetos de Coleta Seletiva da Comlurb, Jorge Otero. Segundo ele, nove caminhões de lixo vão circular nos bairros a partir da inauguração e apenas mulheres trabalharão na coleta seletiva. As garis passaram por uma capacitação de 15 dias e serão responsáveis também por advertir as residências que não aderirem ao novo modo de coleta. "Na primeira vez, os moradores serão avisados. Na segunda, advertidos. Se houver terceira, haverá multa", explica Otero. Ele diz que o valor da punição ainda não está definido. As garis do projeto foram selecionadas no banco de classificados do último concurso e vão iniciar o trabalho no novo modelo. Um detalhe diferente na coleta seletiva será o uniforme: em vez do tradicional laranja, elas vestirão camisas verdes. A Central de Triagem de Irajá será a primeira das seis que funcionarão na cidade. Ainda neste ano, deve ser inaugurada a da Central do Brasil, no bairro da Gamboa, que atenderá ao centro e à zona sul. Na zona norte, haverá uma central na Penha, e mais três serão construídas na zona oeste: em Bangu, Campo Grande e Vargem Grande. Para a coleta, não será necessário separar os diferentes tipos de material reciclável. As garis recolherão o "lixo molhado" e o "seco" em dias alternados. O lixo molhado inclui os materiais orgânicos e os papéis de banheiro e cozinha, já o seco é todo material reciclável: papel, plástico, metal, vidro, isopor e outros. Na central de Irajá, 200 catadores de cooperativas trabalharão sem precisar de atravessadores para vender o que selecionarem, e outros 300 devem ser empregados pela unidade Central do Brasil. O lançamento oficial do projeto deve ocorrer ainda neste mês. De acordo com Otero, a coleta seletiva é realizada atualmente em 44 bairros da cidade, mas sem atingi-los em sua totalidade. O coordenador da Comlurb assegura que, ainda neste ano, esses locais terão a coleta seletiva em todas as ruas e casas. * Edição: Graça Adjuto ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil
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Gargalos impedem avanço da reciclagem e deixam empresas com até 30% de capacidade ociosa

Rio de Janeiro - A coleta seletiva ainda enfrenta gargalos para se tornar abrangente no país, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor na segunda metade do ano que vem. A avaliação foi feita por André Vilhena, diretor do Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), fórum que reúne 38 grandes empresas nacionais e multinacionais desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Vilhena destaca que um dos entraves para o avanço da coleta seletiva no Brasil é a falta de qualificação dos gestores locais responsáveis por elaborar os planos municipais de resíduos sólidos: "O envolvimento das prefeituras é o ponto de partida. Temos hoje poucos municípios fazendo a coleta seletiva e, principalmente, fazendo a coleta seletiva de forma abrangente. Para mudar isso, os gestores públicos necessitam de treinamento para que possam efetivamente implantar os programas em seus municípios". A falta de capacitação é mais grave no interior, mas também está longe do ideal nas grandes cidades: "Vamos pegar os exemplos das maiores cidades do Brasil: os programas tanto de São Paulo quanto do Rio de Janeiro são muito pouco abrangentes, precisam passar por uma reformulação e ampliação significativas. Sem dúvida alguma, no curto espaço de tempo, precisamos melhorar muito os programas de coleta seletiva nas cidades brasileiras, especialmente nas maiores". Com programas de coleta seletiva pouco organizados, a indústria recicladora padece de pouca oferta de matéria-prima e, segundo estimativas do Cempre, funciona, em média, com capacidade ociosa entre 20% e 30%. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2010 já mostrava que o Brasil deixava de movimentar R$ 8 bilhões anualmente por não aproveitar o potencial do setor. De acordo com o Cempre, apenas 14% das cidades brasileiras têm coleta seletiva, sendo 86% delas no Sudeste. Outro entrave para a reciclagem no Brasil, segundo Vilhena, é o peso tributário sobre o setor, que se beneficiaria de mudanças na cobrança de impostos: "De cara, deveria ser dispensado o recolhimento do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] na venda de sucatas e materiais recicláveis, além de produtos com 100% de material reciclado. Poderia ser feita, a partir disso, uma redução gradativa do imposto conforme o percentual de material reciclado na composição", defende ele, que acredita haver bitributação no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): "em alguns setores, o produto já teve a cobrança do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. quando foi descartado, e tem o desconto de novo durante a reciclagem". Edson Freitas, da organização não governamental EccoVida, concorda com as duas análises: "muita gente prefere a informalidade por causa dos impostos. Pago uns 30% de imposto sobre minhas garrafas e ainda tenho que pagar para destinar o lixo não aproveitável. Um dos projetos que desenvolvo, de produção de telhas a partir de PET [politereftalato de etileno, utilizado na fabricação de embalagens e outros produtos], eu trouxe de Manaus, porque lá não era viável por falta de plástico selecionado". Em seu galpão, o presidente da ONG conta que processa mil toneladas de material reciclado por mês, mas a falta de oferta o impede de vender o dobro disso de matéria-prima para fábricas como a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), que usa suas PETs na produção de garrafas 100% recicladas, que corresponderam a 28% da produção em 2012 e devem chegar a 40% em 2013. No ano passado, a companhia reutilizou 60 milhões de PETs na produção, número que deve saltar para 130 milhões neste ano, com a autorização da Anvisa para o uso de material reciclável em mais três fábricas da empresa, somando seis homologadas. A produção de PET a partir de material reciclável economiza 70% de energia e reduz em 70% a emissão de gás carbônico na atmosfera. Além das PETs, a Ambev também produz, em sua fábrica de vidro, sete em cada dez garrafas desse material inteiramente com cacos reciclados, sendo 88% deles provenientes da própria cervejaria e 12% de cooperativas. O problema da falta de material de que Freitas se queixa, no entanto, não é causado só pela escassez de planos municipais. Para Vilhena, é preciso maior envolvimento da população: "Temos que melhorar o engajamento do cidadão brasileiro nos programas de coleta seletiva, que ainda estão aquém do desejado". Edson Freitas destaca que é preciso uma mudança de pensamento em relação aos materiais recicláveis: "nem chamo de lixo uma PET ou uma embalagem de papelão, porque não são lixo. Têm o mesmo valor que tinham quando o produto estava armazenado dentro delas. É só limpar que continua a ser material com valor comercial e utilidade". * Edição: Graça Adjuto ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil
Mudanças climáticas

Governos e especialistas discutem crescimento com proteção ambiental

[caption id="attachment_87224" align="alignleft" width="300" caption="Mudanças climáticas"][/caption] Encontro, na Assembleia Geral, em Nova York, reuniu especialistas e representantes de governo; a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi uma das convidadas. Representantes dos países-membros das Nações Unidas se reuniram, na manhã desta quinta-feira, na Assembleia Geral para discutir formas de combate à mudança climática ao mesmo tempo em que se mantém o crescimento econômico. O encontro contou com a presença da ministra brasileira do meio ambiente, Izabella Teixeira. Em seu discurso, o presidente da Assembleia, Vuk Jeremic, disse que o desafio central deste século é acabar com a pobreza extrema sem destruir a base ambiental de sobrevivência. Metas do Milênio Jeremic disse no debate sobre desenvolvimento sustentável e mudança climática que é preciso haver uma cooperação de todos os países, sem exceção. O economista Jeffrey Sachs, diretor da Universidade de Columbia e do Instituto da Terra, e o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Rajendra Jumar Pachauri, foram alguns dos especialistas presente ao evento. Em 2015, a ONU encerrará o prazo para o cumprimento das Metas do Milênio, e deve lançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Um dos temas debatidos foi a ultrapassagem da barreira de 400 partículas por milhão (pmm, na sigla em inglês) nos níveis de emissão de dióxido de carbono. Especialistas dizem que foi a primeira vez que esta marca foi alcançada em mais de 3 milhões de anos. Nível do Mar O presidente da Assembleia Geral disse que as provas científicas são contundentes, e que os piores medos da humanidade foram confirmados. Segundo ele, as temperaturas estão subindo, o nível do mar está subindo e cada vez mais ocorrem desastres naturais. Ao destacar a ligação entre água e energia, Jeremic lembrou que o mundo tem que investir mais em tecnologias e estratégias para assegurar que os países crescerão sem prejudicar o meio ambiente. Ele encerrou dizendo que o debate na ONU é parte dos compromissos assumidos durante a conferência Rio + 20, no ano passado, e na qual os países concordaram com medidas para integrar o desenvolvimento sustentável nos planos econômico, social e ambiental. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.


por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU
Exploração de petróleo nas areias betuminosas canadenses. Foto: Greenpeace

James Hansen alerta para os riscos climáticos de explorar o petróleo das areias betuminosas e o gás de xisto

[caption id="attachment_87244" align="alignleft" width="300" caption="Exploração de petróleo nas areias betuminosas canadenses. Foto: Greenpeace"][/caption] Os Estados Unidos estão atravessando um boom no uso do gás natural de xisto, tecnologia que já começa a ser promovida também no Brasil apesar de suas consequências incertas para os lençóis freáticos e para o aquecimento global. Além disso, a discussão mais acalorada nos EUA atualmente é a construção do oleoduto Keystone XL, que se estenderá por milhares de quilômetros para escoar a produção de petróleo das areias betuminosas canadenses. Em uma palestra no Reino Unido, James Hansen, um dos mais renomados climatologistas norte-americanos e que acaba de deixar a NASA para se dedicar ao ativismo climático, afirmou que se o oleoduto for construído e a exploração do petróleo das areias betuminosas e do gás de xisto continuarem crescendo na América do Norte, podemos dar adeus às chances de evitar as piores consequências das mudanças climáticas. “As reservas convencionais de combustíveis fósseis já possuem uma quantidade tão grande de carbono armazenado que não é seguro utilizá-las sem que as temperaturas médias subam mais de 2ºC. Se somarmos a isso as novas reservas alternativas que estão sendo exploradas, o problema climático não terá solução”, afirmou Hansen. Para o pesquisador, não existem dúvidas de que o aquecimento do planeta é resultado das emissões de gases do efeito estufa resultantes das atividades humanas. “A mensagem da ciência não podia ser mais clara: não podemos investir para buscar mais combustíveis fósseis. Essas novas reservas alternativas são ainda mais intensivas em carbono do que as convencionais”, disse. As declarações do pesquisador ganham peso depois dos resultados apresentados nesta quinta-feira (16) por um levantamento que analisou quase 12 mil artigos científicos entre 1991 e 2011 e concluiu que 97,1% dos estudos apontam as ações humanas como a principal causa do aquecimento global. Hansen defende que uma taxa sobre as emissões é melhor do que os mercados de carbono para lidar com a crise climática. “Eu sou da opinião de que é necessário colocar um preço sobre o carbono, porque a comunidade empresarial e os consumidores precisam entender que o custo está crescendo continuamente. Em um sistema de limite e comércio de emissões [cap-and-trade], o preço flutua conforme uma série de fatores […] Não queremos um mercado flutuante. Queremos que todos entendam que explorar os combustíveis fósseis ficará cada vez mais caro e que, por isso, precisam planejar suas decisões”, afirmou Hansen ao portal EurActiv em uma excelente entrevista que pode ser lida aqui. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
Até o momento, não há previsão para o início das obras e os gastos ainda não foram calculados. Foto: Blog do Mílton Jung/Flickr

Prefeitura de São Paulo quer corredores de ônibus com ciclovias

[caption id="attachment_87231" align="alignleft" width="300" caption="Até o momento, não há previsão para o início das obras e os gastos ainda não foram calculados. Foto: Blog do Mílton Jung/Flickr"][/caption] Com o objetivo de melhorar a mobilidade urbana na capital paulista, o prefeito Fernando Haddad sugeriu a criação de faixas exclusivas para bicicletas no entorno dos corredores de ônibus. O projeto de desenvolvimento inclui também a criação de novas ciclovias, além de novas vias para ônibus e reformas nas calçadas. O aumento do número de ciclovias faz parte do Plano de Metas do atual prefeito de São Paulo, que prometeu a construção de 150 quilômetros de ciclovias e faixas para ônibus no município. Para atingir o objetivo, a área no entorno dos corredores de ônibus será novamente projetada, e, além disso, a Prefeitura vai construir novas ciclovias e promover melhorias nas calçadas. Até o momento, não há previsão para o início das obras e os gastos ainda não foram calculados. Mas, segundo Jilmar Tatto, secretário municipal de transporte, parte dos fundos será angariada com o repasse de terrenos desapropriados à iniciativa privada. Conforme publicado no portal MSN, as obras para unir ciclovias e corredores de ônibus poderão causar transtornos na cidade, pois aumentarão os congestionamentos em áreas críticas. Entre as ações propostas por Haddad, está o aterramento da fiação elétrica em alguns trechos da capital paulista, medida vem sendo estudada há anos, que tem altos custos de implantação. * Publicado originalmente no site CicloVivo.  


por Redação CicloVivo
As mídias sociais, que facilitaram a Primavera Árabe no Egito, agora desempenham um papel mais negativo. Foto: Khaled Moussa al-Omrani

O lado escuro das redes sociais no Egito

[caption id="attachment_87221" align="aligncenter" width="524" caption="As mídias sociais, que facilitaram a Primavera Árabe no Egito, agora desempenham um papel mais negativo. Foto: Khaled Moussa al-Omrani"][/caption]   Cairo, Egito, 17/5/2013 – Mais de dois anos depois de terem desempenhado um papel fundamental na Primavera Árabe do Egito, as redes sociais passaram a ter um papel menos positivo, servindo de plataforma para a incitação, propagação de boatos e total desinformação. Durante a revolta popular de 18 dias, ocorrida neste país no começo de 2011, as redes sociais, especialmente Twitter e Facebook, facilitaram a organização de grandes manifestações, com seu epicentro na famosa praça Tahrir, e funcionaram como plataforma para articular demandas políticas. “As mesmas redes sociais que os ativistas utilizaram para derrubar Hosni Mubarak agora servem para conseguir objetivos políticos de curto prazo, manipular a opinião pública e até incitar a violência”, disse à IPS o especialista Adel Abdel-Saddiq, do Centro Al-Ahram de Estudos Políticos e Estratégicos, com sede no Cairo. “Estes novos meios foram essenciais para mobilizar centenas de manifestantes em diversos lugares simultaneamente”, disse à IPS o analista político Ammar Ali Hassan. “E também permitem que os usuários obtenham informação e notícias de fontes que não sejam os canais governamentais oficiais”, acrescentou. As redes sociais também passaram a ser um espaço para comunicados oficiais. O Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), por exemplo, continua publicando comentários e declarações oficiais no Facebook. Este órgão governou o país desde a saída de Mubarak até a posse do presidente Mohammad Morsi, em 30 de junho de 2012. “Após a revolta, a classe politicamente ativa adotou o Facebook como seu meio de comunicação preferido”, contou Abdel-Saddiq, destacando que “o então governante CSFA se deu conta disso e começou a se comunicar com o público por esse meio, que foi decisivo para a queda do regime” de Mubarak, que estava no governo desde 1981. “Agora as redes sociais desempenham um papel mais destrutivo, são utilizadas frequentemente para provocar ira e ódio, e espalhar boatos não confirmados”, segundo Abdel-Saddiq. “Desde a revolução vemos que são usadas para incitar os manifestantes contra a polícia, a oposição laica contra os grupos islâmicos, muçulmanos contra cristãos, e vice-versa”, observou. “Usuários anônimos publicaram comentários, que resultaram ser falsos, dizendo que as forças de segurança disparavam contra manifestantes desarmados ou que muçulmanos atacavam cristãos”, detalhou. “Uma vez feito isso, fica fácil, com apoio novamente das redes sociais, incidir em uma grande quantidade de manifestantes furiosos, que se encontram em lugares específicos para criar um terreno fértil de enfrentamentos violentos”, pontuou Abdel-Saddiq. Este fenômeno ocorreu novamente após a revolta popular, quando as paixões sectárias se avivaram, em razão de choques entre  muçulmanos e cristãos, por trás dos quais muitos observadores veem a mão invisível de um terceiro. “O público logo viu que as denúncias falsas nas redes sociais começaram a ser usadas por certos grupos, tanto forças revolucionárias, rivais políticos, quanto agências estrangeiras de inteligência, para desestabilizar o Egito pós-revolucionário”, ressaltou Abdel-Saddiq. No final de 2011 surgiu um grupo anônimo que se definia como “comitê para a promoção da virtude e prevenção do vício no Egito”. A página fez temer pelo surgimento de uma “polícia moral”, semelhante à da Arábia Saudita, e tinha o logotipo do grupo salafista Al-Nur (Partido da Luz). Esta organização de extrema direita religiosa se apressou em negar seu vínculo com o grupo do Facebook, cujos criadores permanecem anônimos até hoje. “Um dos inconvenientes das redes sociais é que grupos anônimos podem criar contas ou sites na internet falsos, e assim divulgar comunicados em nome de grupos ou figuras políticas”, opinou Hassan. Segundo especialistas, plataformas para compartilhar vídeos, como o Youtube, também começaram a ter um papel menos positivo do que tiveram durante a revolta. “Os vídeos publicados deram um ímpeto adicional à revolta, o que permitiu a manifestantes de outras partes do país saberem o que acontecia. Atualmente, são usados cada vez mais para incitar e subverter”, explicou Abdel-Saddiq. Este especialista citou vários incidentes com fotos e vídeos provocadores nas redes sociais, que, após incentivarem reações de ira, resultaram ser falsos ou muito exagerados. Em muitos casos, “eram mais velhos do que se dizia e representavam acontecimentos sem nenhuma relação”, acrescentou. Segundo Abdel-Saddiq, um exemplo é o vídeo que apareceu em 2011 mostrando um policial jogando o corpo de um manifestante de boca para baixo sobre um monte de lixo. Depois de gerar uma onda de indignação contra a polícia e de os grandes canais de televisão divulgarem, soube-se que o incidente nem mesmo havia acontecido no Egito. No começo de abril deste ano circulou outro vídeo mostrando um grupo de homens muçulmanos agredindo sexualmente uma mulher copta no Alto Egito, sul do país. O vídeo, divulgado no contexto das tensões sectárias no Cairo e em Alexandria, motivou uma onda de mal-estar popular. Depois soube-se que era de 2009 e tinha a ver com uma vingança tribal, não com conflitos sectários. “Essa foi uma clara tentativa de um grupo anônimo de incitar a violência entre cristãos e muçulmanos do Egito”, apontou Hassan. “Incidentes desse tipo ocorreram tão perto do período pós-revolucionário que a maioria dos usuários das redes sociais questionam a fonte e a data de produção dos vídeos que circulam na internet”, acrescentou Hassan. Abdel-Saddiq atribuiu a situação atual à falta de controle legal sobre as plataformas de meios sociais no Egito, onde “as leis contra injúria e difamação só se aplicam aos meios tradicionais de comunicação, como televisão, rádio e imprensa, mas não à internet”. Ele espera que, após as próximas eleições parlamentares, no final deste ano, se crie uma lei para regular os meios sociais. “Até então, continuaremos vendo como essas novas formas de liberdade de expressão, às quais muitos egípcios ainda não estão acostumados, são usadas de maneira irresponsável e sem limites”, afirmou. Envolverde/IPS


por Adam Morrow e Khaled Moussa al-Omrani, da IPS
Rinoceronte

Os chifres de rinoceronte valem seu peso em ouro no Vietnã

[caption id="attachment_87201" align="alignleft" width="300" caption="Um rinoceronte branco em um santuário da província sul-africana de Limpopo. Foto: Jennifer McKellar/IPS"][/caption] Bangcoc, Tailândia, 17/5/2013 – À primeira vista, o cartaz parece ser a típica publicidade de um safári: um grande rinoceronte em um terreno aberto e escarpado. Mas olhando mais de perto se vê algo estranho. Um monte de mãos humanas substituem os dois chifres que distinguem este animal africano de seus pares da Índia e de Java. Uma mensagem acima de sua cabeça diz: “Os chifres de rinoceronte são feitos dos mesmos elementos que as unhas humanas. Ainda quer um?”. Produzidos em conjunto pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e pela também ambientalista organização Traffic, estes cartazes aparecerão em breve em lugares públicos em importantes cidades vietnamitas, entre elas Hanói, a capital, e Ho Chi Minh. Prédios de escritórios e de apartamentos e também aeroportos servirão de cenário para a campanha, que busca acabar com o ilegal comércio internacional de chifres de rinocerontes, que colocam estes animais à beira da extinção. Os especialistas afirmam que não há lugar melhor do que esta nação do sudeste asiático, com 87 milhões de habitantes, para levar a outros países esta dura mensagem. Organizações internacionais que controlam o comércio ilegal de biodiversidade acusam há tempos o Vietnã pelo drástico aumento da demanda de chifres de rinocerontes africanos. Cerca de 290 dos 20 mil rinocerontes que restam na África do Sul foram mortos para retirada dos chifres desde o começo deste ano, segundo conservacionistas preocupados por tal prática voltar a atingir a cifra recorde de 668 rinocerontes mortos por caçadores ilegais em 2012. “Estamos em meio a uma crise de caça ilegal de rinocerontes”, disse à IPS o veterinário britânico Mark Jones, diretor da Humane Society International, com sede em Londres. Nos últimos tempos, o Vietnã se converteu no principal mercado para os chifres destes animais, destacou. O aumento da demanda esteve pautado por uma crença popular que se aprofundou nos últimos cinco anos, de que os chifres de rinocerontes têm propriedades medicinais especiais, que incluem a capacidade de curar câncer, ressacas e atuar como afrodisíaco. Naomi Doak, coordenadora do Programa do Grande Mekong na organização Traffic, disse que o desenho do cartaz da nova campanha foi criado depois que especialistas se deram contra de que “uma grande proporção do público vietnamita” não está consciente de que os chifres de rinoceronte, uma massa de cabelo aglutinado, são compostos por queratina, a mesma substância básica que forma as unhas das pessoas. Doak espera que trazer à luz este fato faça as pessoas “pensarem duas vezes antes de consumirem chifres de rinoceronte”. De todo modo, levar para casa esta mensagem será uma tarefa “prolongada e difícil”, admitiu a ativista à IPS. “Por haver poucas sanções e consequências, as pessoas não se preocupam realmente com os impactos que tem o consumo desses chifres, seja nos animais ou nas pessoas”, ressaltou. Para compreender a que as organizações ambientalistas se opõem, basta percorrer a famosa parte antiga de Hanói, um colorido emaranhado de 36 ruas onde há séculos se venda de artesanato e produtos locais. Aqui, comércios especializados em medicina tradicional chinesa atraem dezenas de clientes que buscam remédios feitos com partes de animais selvagens, o que inclui chifre de rinoceronte. Em seu documentário mais recente, Bad Medicine - Illegal Trade in Rhinoceros Horns (Má Medicina: o Comércio Ilegal de Chifres de Rinocerontes), o cineasta e conservacionista Karl Ammann traça as rotas dos traficantes ilegais, desde os cenários naturais africanos até as ruas do Vietnã, onde esses elementos “também são um símbolo de status”, afirmou. Isto explica porque o ouro, antes presente favorito entre a classe em expansão de cidadãos ricos neste país, foi destronado pelos chifres de rinoceronte, que atualmente chegam a custar US$ 65 mil o quilo. Isto é “mais do que ouro, grama por grama”, explicou o veterinário Jones. Embora o peso dos chifres varie, apenas um pode ser vendido por até US$ 150 mil. A previsão é de que a pressão sobre o Vietnã para que reduza a demanda de chifres ilegais de rinoceronte aumentará, após as resoluções aprovadas na reunião realizada entre 3 e 14 de março nesta cidade, pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites). Apesar da linguagem dura empregada no encontro, do qual participaram 178 países-membros, não se conseguiu impor sanções ao Vietnã. O governo desse país nega insistentemente as acusações de ser um mercado importante neste comércio mundial. Frequentemente aponta o dedo acusador para seu poderoso vizinho do norte, a China, que também está sob observação por estimular o comércio ilegal de biodiversidade, particularmente de partes de tigres. Mas os ativistas têm provas, e não pensam em ficar calados. Do Quang Tung, vice-diretor do capítulo vietnamita da Cites e que presidiu a delegação de seu país a Bangcoc, disse no final de março a um jornal de seu país: “Desde 2004 até agora, foram presos 13 indivíduos envolvidos no tráfico de rinocerontes, com um total de 150 quilos de chifres destes animais. Dois destes casos ocorreram no começo de 2013”. “No comércio ilegal de chifres de rinoceronte participam grupos criminosos altamente organizados, de grande mobilidade e com bom financiamento, integrado principalmente por cidadãos asiáticos radicados na África”, revelou no começo deste ano um informe divulgado pela Traffic e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). “Estas redes recrutam pseudocaçadores, entre os quais cidadãos vietnamitas, prostitutas tailandesas e caçadores da República Checa e Polônia, para obter chifres de rinocerontes na África do Sul”, afirma o estudo. “A pseudocaça diminuiu significativamente devido à decisão de abril de 2012, de impedir que cidadãos vietnamitas obtenham licença de caça e mudanças nas leis sul-africanas”, acrescenta o informe. Outro motivo de vergonha para o Vietnã foram os escândalos envolvendo seus diplomatas na missão sul-africana, que foram acusados de contrabando de chifre de rinoceronte em 2006 e 2008. Quando confrontado sobre estes incidentes na reunião da Cites em Bangcoc, um funcionário do governo afirmou que esses diplomatas foram “punidos” por suas ações. Há grande esperança de que a campanha com os cartazes cumpra o papel de educar o público e acabar com o comércio. Mas frear a crescente demanda exigirá mais do que duas organizações de defesa dos direitos dos animais. Nguyen Thuy Quynh, do WWF Vietnã, disse à IPS: “Buscamos apoio e cooperação de muitas empresas, celebridades, universidades, organizações internacionais e meios de comunicação de massa, todos os que têm voz importante na hora de chegar à comunidade e nela influir”. Envolverde/IPS


por Marwaan Macan-Markar, da IPS

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