As principais redes supermercadistas de São Paulo anunciam, por meio de cartazes e panfletos, que está chegando ao fim a entrega “gratuita” das sacolinhas plásticas em suas lojas. A campanha denominada Vamos Tirar o Planeta do Sufoco lançada pela Apas, a Associação Paulista de Supermercados, estipula a data de 25/1/2012 para, conforme divulgado, “as sacolas descartáveis deverão ser substituídas por uma opção mais sustentável”. A mudança vai atingir os estabelecimentos associados em 150 cidades onde residem 80% da população do Estado de São Paulo.
A campanha da Apas informa que apenas na capital são consumidas, mensalmente, 2,5 bilhões de sacolinhas descartáveis. Ainda para justificar a ação, enfatiza: “vamos começar desde já a cuidar do planeta e do futuro das próximas gerações. É um problema de todos nós e somente juntos podemos conquistar grandes vitórias”.
A iniciativa da entidade dos supermercadistas de São Paulo acabou, em parte, por substituir a lei sancionada em maio do ano passado pelo prefeito da capital Gilberto Kassab. Segundo a lei, as sacolinhas plásticas deveriam ser banidas dos supermercados da cidade a partir de 1º de janeiro de 2012. A medida foi barrada por uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendendo a entrada em vigor da lei. Até segunda ordem, a liminar mantém as sacolas descartáveis livres da extinção.
Mais severas ou menos rígidas, o certo é que nos últimos anos temos assistido a uma cruzada que, invariavelmente, tem buscado cercear o uso das sacolinhas.
Entre os consumidores, há os que defendem o seu banimento total e outros alegam ser difícil viver sem as onipresentes sacolas plásticas. Quanto à campanha da Apas, uma pesquisa informal feita por este missivista em três supermercados da capital, constatou que os clientes demonstram perplexidade, surpresa e alguns mesmos afirmam que antes de ser uma medida positiva para o meio ambiente, ela será muito boa para “os próprios supermercados”.
Mas o que fez com que as sacolinhas passassem de solução genial para vilã destinada ao banimento? Eis a questão que nos últimos anos ganhou status de Fla x Flu.
Uma nova realidade de plástico
Ela surgiu na vida do brasileiro lá nos anos 1970. E a novidade não tardou em conseguir um lugar de destaque na vida dos consumidores. As, até então, tradicionais sacolas de papel, caixas de papelão e carrinhos de feira, perderam seu espaço para as sacolinhas descartáveis. Práticas, eficientes e baratas, logo elas dominaram o cenário das compras e dos transportes de pequenos objetos. Por onde quer que se olhasse, lá estavam elas soberanas nas mãos de toda a gente.
Mas, infelizmente, a sua presença não se restringiu às nobres funções. O uso, e mesmo o descarte indiscriminado, transformou as sacolinhas de polietileno confeccionadas a partir de derivados de petróleo, em grandes vilãs.
Despejadas no meio ambiente sua decomposição pode demorar algumas centenas de anos. Pesquisas indicam que este período é oitocentas vezes maior que o necessário para a natural eliminação de materiais como papel ou papelão. Se o lixo orgânico, por exemplo, pode levar entre dois meses e um ano para se decompor naturalmente, os plásticos permanecem impávidos, sem agentes como minhocas, fungos e bactérias que façam esse serviço.
Ao boiar em rios e mares, provocam a morte de peixes por asfixiamento. Nos lixões e aterros sanitários elas dificultam a degradação de outros materiais e na época das fortes chuvas entopem bueiros e contribuem para as enchentes.
Afinal diante de tantos malefícios, a sacolinha não é, definitivamente, um demônio em forma de plástico? A resposta é: claro que não!
Os maiores problemas residem na maneira indiscriminada de seu uso e, posterior descarte, sem o menor cuidado e responsabilidade por parte expressiva da população brasileira.
Acredito que entre a sua proibição total como prevê a lei paulistana e a iniciativa da Apas, fico sem dúvida com a segunda. Nada melhor do que “pesar no bolso” para fazer com que os “menos conscientes” pensem duas vezes antes de lançar mão de mais sacolinhas ou até mesmo jogá-las em qualquer lugar.
Por outro lado, é importante também beneficiar o cliente com a nova medida, não só com o apelo de “salvar o planeta”. Como? Em primeiro lugar, premiando aqueles que utilizarem sacolas retornáveis, pois a sensação legítima dos clientes é a de que, com a cobrança, os supermercados vão “ganhar mais dinheiro” e toda a iniciativa não passaria de apenas mais uma forma de engordar os lucros.
As grandes cadeias varejistas são potenciais transformadoras na busca de uma sociedade mais justa e sustentável, mas as ações precisam ser bastante claras quanto aos seus objetivos. Quanto melhor informados e beneficiados nas boas atitudes, mais fiéis serão os consumidores. Dessa maneira, se todos estiverem sintonizados e conscientes, aí sim, poderemos dizer que estamos juntos na luta pelo futuro do planeta.
* Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na Fappes.
** Publicado originalmente no site Carta Capital.
(Carta Capital)
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Tenho 45 anos e me lembro de que na minha infância e também na adolescência, quando freqüentava supermercado, não havia sacolinhas plásticas; lembro-me ainda dos sacos de papel em que púnhamos as mercadorias. Portanto, acho que é uma questão de tempo para o povo adaptar-se. A questão é o lixo, mas penso que também vão arrumar um jeito, talvez voltem as latas de lixo, de que também me lembro, aliás é por causa disto que hoje chamamos aquela famosa raça de cachorro não muito bem definida de vira-lata.
Outra coisa que quero pontuar é a respeito de algumas observações que tenho ouvido na mídia. As pessoas estão questionando se não é o mesmo caso de se proibir o armazenamento do arroz, do feijão, macarrão e outros em plásticos. Entendo que é misturar as estações, pois isto tudo sempre foi embalado em saco plástico; a diferença é que nunca vi um saquinho de arroz jogado por aí, nas calçadas, enquanto as sacolinhas, muito úteis diga-se de passagem, não saem do chão por mais que se faça campanha educativa.
As sacolas que sempre estiveram, estão e continuarão a venda nas gÔndolas dos supermercados e que doravante irão acondicionar o lixo de nossas casas SÃO BIODEGRADÁVEIS ?????
Como dizia aquele macaco na Televisão há alguns anos atrás:
Não precisa explicar, eu só queria entender.
Espero que essa associação paulista de supermercados também briguem para que os supermercados voltem a comprar arroz, feijão,farinha de mandioca,fubá,café,etc… em sacos de 60 kg e venda solto ensacado em sacos de papel como antes, assim eles estarão ajudando mais o meio ambiente, pois são milhões de sacos plásticos jogados no lixo todos os dias. É meus amigos, isso jamais acontecera, porque ao invés de reduzir custos, irá aumentar os custo, e aonde vai estas embalagens? Bela hipocrisia né!!! o custo da sacola que já embutido será descontado de preço final.Temos é que conscientizar a população a reciclar ou será que se comprarmos as sacolas elas não vão parar no meio ambiente???Fora que usaremos mais sacos de lixo plásticos, que também vão parar em aterros sanitários.E aonde vai trabalhar os milhares de desempregados, o governo tem algum plano para isso não gerar uma crise no Brasil.