Revista ‘Nature’ mostra que a tese da compreensão científica – que postula que as divisões a respeito da mudança climática são resultado da incompreensão da ciência pelo público – está errada
A esmagadora maioria dos cientistas do clima acredita que a Terra está aquecendo devido à atividade humana. A opinião pública norte-americana é mais cética. Cerca de um quarto dos norte-americanos ainda têm dúvidas sobre o aquecimento global, e uma proporção ainda maior acredita que a ameaça está sendo superestimada. Pareceria razoável, então, considerar que mais precisa ser feito para ajudar esses céticos a entenderem a ciência por trás da preocupação dos cientistas.
Ou talvez não. Um interessante estudo publicado recentemente no periódico científico Nature mostra que a tese da compreensão científica – que postula que as divisões a respeito da mudança climática são resultado da incompreensão da ciência pelo público – está errada. Caso estivesse certa, o aumento da alfabetização científica corresponderia a uma maior concordância com os cientistas, que em geral encaram o aquecimento global como uma ameaça séria. Mas este não é o caso.
Então se não é uma falta de apreensão da informação científica, o que então causa a cisão entre parte do público e a comunidade científica?
Os autores do estudo investigaram uma explicação alternativa denominada tese de cognição cultural. Esta tese postula que as pessoas tentam adequar suas interpretações de evidências científicas em filosofias culturais pré-formadas. Mais especificamente, indivíduos com uma visão de mundo hierárquica e individualizada deveriam ser céticos em relação à mudança climática, que, caso aceita, poderia gerar restrições indesejadas à indústria. Já indivíduos com visões de mundo mais igualitárias e comunitárias deveriam concordar com os especialistas, já que em geral são menos afetadas por regulações que obstruem o comércio.
Os dados confirmaram estas hipóteses. E também, de modo fascinante, demonstrou que o aumento da alfabetização científica apenas aumentava o divisionismo cultural
* Publicado originalmente no jornal The Economist e retirado do site Opinião e Notícia.
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Infelizmente ao meu ver todo esse debate climático mundial aparenta ser uma grande farsa com bases econômicas, porém se uma mínima parte da população já não entende nem o primeiro plano, que é o tal do aquecimento global, quantos poucos irão saber que por trás de tudo isso tem um comércio gigante de falsos créditos de carbono, quantificados de modos bem questionáveis.
Acho que toda essa “conversinha” está desviando a atenção do que realmente devia ser debatido. Cada dia mais nossos solos são degradados e muito pouco é feito para recuperá-los. Enquanto a política estadual paulista de mudanças climáticas foi aprovada, as águas metropolitanas do tietê continuam poluídas sem uma luz para sua recuperação. O debate do código florestal então foi uma vergonha de todos os lados, ao mesmo tempo os tais ruralistas se usando de uma população carente pra favorecer grandes proprietários e de outro lado “ambientalistas” com argumentos fraquíssimos tentando segurar as pontas do jeito que dava para manter um código que já era questionável e pioraria.
Enfim, acho que um assunto totalmente incomprovado (aceito de modo ignorante pela maioria dos “cientistas”) está ofuscando assuntos muito mais importantes para melhorar a qualidade ambiental.
Aos jornalistas e comunicadores acho que cabe buscar todos os lados de um fato e mostrá-los com clareza para não levar algo incerto a se tornar uma “falsa verdade”.