2012 será o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos

Energia

2012 será o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos


por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.


[caption id="attachment_37754" align="alignleft" width="350" caption="Foto: Pnuma"][/caption]Iniciativa visa a aumentar conscientização sobre eficiência energética e acesso sustentável aos recursos da área; em junho próximo, líderes internacionais se reunirão no Rio de Janeiro para Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável.A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2012, o Ano Internacional de Energia Sustentável para Todos.O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para a importância de se aumentar o acesso à energia renovável em todas as partes do mundo.Fontes ModernasSegundo as Nações Unidas, cerca de 1,4 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a fontes modernas de energia.E três bilhões dependem de recursos da “biomassa tradicional”, como o carvão, para atividades diárias como aquecimento e cozimento de alimentos.Os serviços de energia têm um efeito profundo na produtividade, na saúde e na educação, além da segurança alimentar e serviços de comunicação.De acordo com especialistas, a falta de acesso à energia limpa e barata impede o desenvolvimento socioeconômico e humano de comunidades inteiras.O acesso à energia sustentável é também uma das ferramentas para que o mundo alcance os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.* Publicado originalmente no site da Rádio ONU. 

e1 Ambiente

Desastres naturais ameaçam o mundo, que está despreparado, adverte agência britânica

Brasília – O mundo está “perigosamente” despreparado para lidar com futuros desastres naturais, advertiu a agência de desenvolvimento internacional da Grã-Bretanha. A agência britânica informou que o despreparo é causado pela ausência de contribuição dos países ricos para o fundo de emergência mundial.O fundo de emergência é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), criada como resposta a tsunamis, com o objetivo de auxiliar regiões afetadas por desastres naturais.De acordo com informações de funcionários da ONU, o fundo emergencial sofre com um déficit equivalente a R$ 130,5 milhões para 2012.A escassez do fundo, segundo especialistas, tem relação direta com a série de tragédias naturais que ocorreram ao longo de 2011, como o tsunami seguido por terremoto no Japão, a sequência de tremores de terra na Nova Zelândia, enchentes no Paquistão e nas Filipinas, e fome no Chifre da África.No dia 26, peritos japoneses e estrangeiros concluíram que medidas de precaução adequadas poderiam ter evitado os acidentes radioativos, na Usina de Fukushima Daiichi, no Nordeste do Japão, em 11 de março deste ano. Na ocasião, um terremoto seguido por tsunami causou danos nos reatores da usina, provocando explosões e vazamentos.A conclusão foi divulgada durante um painel de peritos no Japão. Nos debates, os especialistas disseram que os acidentes demonstraram a necessidade de ampliar as medidas de prevenção referentes às ações de emergência relativas à usina. Segundo eles, houve falhas no que se refere às influências de terremotos e tsunamis na estrutura física da usina.* Com informações da BBC Brasil.** Edição: Lílian Beraldo.*** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.


por Renata Giraldi*, da Agência Brasil
Claudius/IPS Artigo

TERRAMÉRICA – Solidariedade é a chave das metas do milênio

[caption id="attachment_37138" align="alignright" width="340" caption="Claudius/IPS"][/caption]De todos os desafios de nosso tempo, garantir a segurança alimentar é primordial, afirma o presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser.Nações Unidas, 19 de dezembro de 2011 (Terramérica).- A experiência mostra que a cooperação Sul-Sul e a triangular, apoiadas por um adequado financiamento, são ferramentas cruciais para dar resposta aos desafios de desenvolvimento de nosso tempo. A cooperação Sul-Sul apenas complementa, não substitui a Norte-Sul. Todas estas associações são pertinentes diante dos desafios da economia global e do desenvolvimento sustentável.E, de todos os desafios, garantir a segurança alimentar é primordial. Quase 925 milhões de pessoas em todo o mundo vão dormir com fome todas as noites, e a grande maioria está no Sul do planeta. A comunidade internacional foi capaz de reduzir consideravelmente esses números, mas há muito por fazer nos próximos anos. Nossa resolução para observar criticamente as estratégias contra a insegurança alimentar demonstrará nossa solidariedade com essas populações vulneráveis.As observações da Organização das Nações Unidas (ONU) em matéria de desenvolvimento sustentável, incluindo a mudança climática, a biodiversidade e a desertificação, deixam claro que devemos ser mais vigilantes. Precisamos ampliar a busca de soluções inovadoras e sustentáveis para a insegurança alimentar.Para isto, podemos compartilhar lições aprendidas e espalhar estratégias e tecnologias de sucesso no Sul para, entre outras coisas: 1. Melhorar a produtividade agrícola; 2. Elevar a proteção social e reforçar a resiliência dos mais vulneráveis; 3. Administrar os ecossistemas frágeis; 4. Melhorar a nutrição; 5. Combater as enfermidades.Estes enfoques deveriam contribuir para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, cujo prazo terminará em 2015. Também teremos que atender a produção de energias renováveis e modelos de agronegócio que funcionem para colocar alimento suficiente à mesa. Muitos países do Sul tiraram milhões e milhões de pessoas da pobreza extrema e da fome.Essas nações têm à sua disposição suficientes conhecimento e capacidade técnica que podem ser usados para melhorar intercâmbios Sul-Sul de informação, experiências e técnicas com a visão de elevar a produtividade agrícola e ampliar a distribuição de alimentos para beneficiar mais populações.Por exemplo, a Aliança Mundial de Terras Áridas - Associados pela Segurança Alimentar busca fortalecer a cooperação entre as nações de territórios secos e desenvolver soluções inovadoras e melhores práticas que possam ser compartilhadas amplamente com países de todo o mundo.Outro exemplo é o Grande Muro Verde da União Africana, cujo fim é plantar um corredor de árvores através do continente, do Senegal no oeste até Djibuti no leste, para dar respostas simultâneas a problemas ambientais e de pobreza, como degradação e erosão dos solos e avanço da desertificação.Tais iniciativas foram concebidas para apoiar e complementar esforços a fim de conseguir os ODM, especialmente o primeiro, erradicar a extrema pobreza e a fome, e o sétimo, assegurar a sustentabilidade ambiental.Com a solidariedade Sul-Sul podemos aprender com os países que estão reformando leis consuetudinárias e práticas para que as mulheres tenham igual acesso à terra e a outros bens produtivos que contribuem para a segurança alimentar. Assim, as mulheres ocuparão o lugar que lhes cabe por direito nas sociedades.O investimento em pesquisa agrícola é outra área importante da cooperação Sul-Sul, que pode ajudar a financiar melhor os estudos sobre cultivos tropicais dos quais dependem milhões e milhões de pobres.Os acordos entre instituições agrícolas líderes do Sul global seriam um grande passo adiante no fortalecimento das capacidades nacionais para alimentar seus cidadãos, incrementar sua produção e participar das cadeias de fornecimento agroalimentar criadas para dar resposta à crescente demanda por alimentos de populações em rápido crescimento.Como presidente da Assembleia Geral da ONU, tenho o compromisso de promover a cooperação Sul-Sul e triangular como uma parte importante de uma unificada associação global. Apenas tal associação, baseada no diálogo aberto e no mútuo entendimento, pode conseguir uma ação coletiva eficaz em um mundo globalizado e interdependente.* O autor é embaixador do Catar e atual presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Direitos exclusivos IPS.Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Nassir Abdulaziz Al-Nasser*
Rótulo de mamadeira indica que está livre de bisfenol A. Foto: Photostock/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – México ignora advertências sobre bisfenol A

[caption id="attachment_37131" align="alignleft" width="340" caption="Rótulo de mamadeira indica que está livre de bisfenol A. Foto: Photostock/IPS"][/caption]O México nada faz para controlar o bisfenol A, um dos compostos plásticos com efeitos nocivos para a saúde humana.Cidade do México, México, 19 de dezembro de 2011 (Terramérica).- O composto orgânico bisfenol A, proibido ou controlado em outras latitudes por sua toxicidade, continua presente em recipientes para micro-ondas, alimentos enlatados, mamadeiras e embalagens plásticas do México. Este material, também conhecido pela sigla em inglês BPA, é usado na fabricação de resinas para revestir latas de alimentos e bebidas e em plásticos como o policarbonato, matéria-prima de mamadeiras, garrafas de água, equipamentos esportivos, dispositivos médicos e dentais e eletrodomésticos.É considerado um desregulador do sistema endócrino, que pode imitar a função de hormônios humanos e levar a efeitos negativos. As primeiras fases de desenvolvimento são as mais sensíveis à sua presença, e alguns estudos ligam a exposição pré-natal a posteriores problemas neurológicos. Apesar da evidência científica, no México “não há medidas contra o bisfenol A”, disse ao Terramérica a especialista em toxicologia Isabel Hernández, do Laboratório de Toxicologia Reprodutiva Feminina do Centro de Pesquisa e de Estudos Avançados do estatal Instituto Politécnico Nacional.Isabel encabeça, desde 2010, um estudo sobre a qualidade do ovócito em ratazanas expostas ao contato oral com o bisfenol, cujos resultados preliminares revelam uma queda na porcentagem de fertilização desses animais. A fase final da pesquisa consiste em verificar possíveis efeitos na ovulação das ratazanas. “Parece que não há efeito, mas falta examinar o nível de hormônios”, explicou a especialista. O estudo, programado para terminar em fevereiro de 2012, será publicado em revistas especializadas e apresentado na reunião anual da Sociedade de Toxicologia dos Estados Unidos em março próximo, na cidade de São Francisco.O BPA, fabricado por empresas como Bayer e Dow Chemical, já foi proibido completamente no Canadá e parcialmente na União Europeia, Turquia, Costa Rica e no Brasil, entre outros países, levando especialistas a temerem que os estoques tenham sido enviados para nações em desenvolvimento, como o México. Nos Estados Unidos, a governamental Administração de Medicamentos e Alimentos propôs a adoção de uma regulamentação, enquanto a tentativa da Agência de Proteção Ambiental de incluir o bisfenol A e outros químicos em uma lista de “substâncias preocupantes” foi bloqueada pela Casa Branca.Entretanto, pelo menos oito Estados norte-americanos têm leis proibindo o BPA na produção de mamadeiras, embalagens de leite em pó e outros produtos infantis, enquanto outros 17 introduziram este ano projetos para regular seu uso. No México, o que há de mais próximo a uma norma é uma regulamentação do Ministério do Trabalho e da Previdência Social sobre condições de segurança e higiene nos locais de trabalho onde se maneje, transporte, processe ou armazene substâncias químicas capazes de gerar contaminação no ambiente de trabalho.“Deve ser proibido. É parte do coquetel de químicos que recebemos nos alimentos processados. A defesa da indústria se centra em que as doses são baixas e não representam risco algum”, disse ao Terramérica o diretor do grupo não governamental O Poder do Consumidor, Alejandro Calvillo. Neste país são produzidos mais de quatro milhões de toneladas de plástico por ano, a maioria sacos, filmes e garrafas, segundo dados da indústria do setor.Dois estudos recentes abordaram a presença do bisfenol A no México. Um trabalho de pesquisadores da Universidade Autônoma de San Luis Potosí, do Instituto Potosino de Pesaquisa Científica e Tecnológica e da espanhola Universidade de Granada, publicado em abril no Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, encontrou desreguladores endócrinos, como o bisfenol A, em diversos produtos. Diferentes tipos de ftalatos (compostos também usados na fabricação de plásticos) e bisfenol A, em diversas formas, foram encontrados em mamadeiras e recipientes para micro-ondas, conclui a análise “Migração de Ftalatos e Bisfenois em Latas de Alimentos e Recipientes Plásticos para Alimentos Mexicanos”.A mostra incluiu 24 latas de vegetais, como pimenta jalapenha, champignon e cenouras, quatro recipientes plásticos para micro-ondas, 12 para alimentos e seis mamadeiras, comprados em supermercados do Estado de San Luis Potosí. “Os recipientes plásticos são reutilizados em lares mexicanos para guardar e esquentar comida no micro-ondas, expondo os alimentos a altas temperaturas e, dessa forma, aumentando o risco de migração”, afirma este estudo.A pesquisa “Exposição ao Bisfenol A na Cidade do México e Risco de Prematuridade: um Estudo-Piloto de Casos e Controles Aninhados”, publicada na revista especializada Environmental Health em outubro de 2010, estudou pela primeira vez o BPA em mulheres grávidas deste país. O composto foi detectado em 80% das 60 amostras de urina de grávidas entre 2001 e 2003, por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Pública do México, das universidades de Michigan e Harvard e dos Centros para o Controle e a Prevenção de Enfermidades dos Estados Unidos. Também foi encontrada evidência preliminar de que as mulheres que deram à luz de forma prematura apresentavam maiores concentrações de BPA do que as que deram à luz no tempo normal.Em novembro de 2010, um painel de especialistas, convocado pela Organização Mundial da Saúde e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, decidiu não recomendar novos limites ou proibições do bisfenol, alegando incerteza sobre seus possíveis efeitos adversos. A União Europeia, que este ano proibiu a fabricação e a importação de mamadeiras com BPA, estabeleceu que a dose diária tolerável é de 0,05 miligramas de BPA por quilo de massa corporal. É preciso “informar e expor as autoridades ao problema”, disse Alejandro, “para que assumam suas responsabilidades, para que respondam e argumentem”, acrescentou.* O autor é correspondente da IPS.LINKSCom os químicos não se brincaMéxico desconhece impacto sanitário de substâncias nocivas, em espanholMéxico esconde o cádmio debaixo do tapete, em espanholCaça a alimentos radioativosPetróleo, tabaco e fertilizantes radiativos, em espanholFábricas de contaminação, em espanholAsbesto, o vizinho tóxico do bairro (Parte I), em espanholPesticidas, o inimigo perto de casa (Parte II), em espanholLaboratório de Toxicologia Reprodutiva Feminina – México, em espanholAdministração de Medicamentos e Alimentos – Estados Unidos, em inglêsAgência de Proteção Ambiental – Estados Unidos, em espanhol e inglêsSecretaria do Trabalho e Previdência Social – México, em espanhol e inglêsO Poder do Consumidor – México, em espanholUniversidade Autônoma de San Luis Potosí – México, em espanhol e inglêsInstituto Potosino de Investigação Científica e Tecnológica – México, em espanholUniversidade de Granada – Espanha, em espanhol e inglêsMigração de Ftalatos e Bisfenois em Latas de Alimentos e Recipientes Plásticos para Alimentos Mexicanos, pdf em inglêsExposição ao Bisfenol A na Cidade do México e Risco de Prematuridade: um Estudo-Piloto de Casos e Controles Aninhados, pdf em inglêsArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Emilio Godoy*
Rocha argentina com terras raras, conservada no Museu de Mineralogia da Universidade da República. Foto: Juan Moseinco/IPS Mundo

TERRAMÉRICA – Impulso à busca por terras raras

[caption id="attachment_37128" align="alignleft" width="340" caption="Rocha argentina com terras raras, conservada no Museu de Mineralogia da Universidade da República. Foto: Juan Moseinco/IPS"][/caption]A mineração dos metais raros, em alta devido ao impulso da economia verde, é uma das novas indústrias que devem provar sua verdadeira sustentabilidade.Buenos Aires, Argentina, 19 de dezembro de 2011 (Terramérica).- A Argentina poderia abastecer parte da demanda mundial por “terras raras”, minerais exigidos em tecnologias verdes, eletrônica e equipamentos de diagnóstico médico. O desafio é explorá-las de modo sustentável. É grande a expectativa criada neste país sobre este grupo de 17 metais destinados a indústrias verdes e produtos eletrônicos de última geração, cuja demanda cresce.São chamados “raros” por estarem presentes em proporção muito pequena em rochas e sedimentos, e por ser difícil isolá-los para chegar à sua forma elementar. Estes 17 minerais – entre eles o disprósio, o lantânio e o neodímio – são usados para fabricar telefones celulares, computadores portáteis, tablets, reprodutores portáteis de áudio MP3, câmeras digitais, monitores de cristal líquido ou fibra óptica.O principal produtor mundial é a China, de onde procede 97% do fornecimento desses metais. Contudo, a decisão de Pequim, de controlar por meio de cotas a produção, para priorizar o mercado doméstico, e de reduzir exportações, aumentou os preços e forçou a busca por alternativas. As terras raras são encontradas na proporção de partes por milhão em rochas ou sedimentos.A concentração pode ser escassa e, portanto, não justificaria uma exploração econômica, disse ao Terramérica a geóloga Diana Mutti, diretora da carreira de especialização em Geologia de Mineração da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires. “A natureza concentrou as rochas com maior proporção desses metais em regiões da China, Rússia, Estados Unidos e Canadá”, explicou. No entanto, em algumas províncias argentinas também há rochas com esses metais, acrescentou Diana.“Há potencialidade para terras raras em serras das províncias de Córdoba e San Luis, no centro do país, Salta e Catamarca, no noroeste. Ali há rochas que podem ter maior proporção, mas isso não justifica necessariamente que possa formar-se uma jazida”, alertou. San Luis é, no momento, a província onde estes metais são mais encontrados. Ali, a mineradora canadense Wealth Minerals adquiriu, no começo deste ano, seis mil hectares na região Rodeo de los Molles, baseando-se em dados de bom potencial para a exploração deste recurso.“Considerando o recente corte de cota de exportação de terras raras anunciado pela China, o segundo em anos consecutivos, estamos contentes de garantirmos uma área grande e ainda não explorada em uma região conhecida por abrigar significativas concentrações de terras raras”, afirmou, ao anunciar a compra, o presidente da Wealth Minerals, Henk Van Alphen.Segundo Diana, na província de Santiago del Estero, no norte, “há afinidade com rochas das serras de Córdoba, mas não chega a superar um umbral a ponto de concluir que há potencial. Há indícios, mas não uma manifestação”. A geóloga se referia às expectativas pela incursão de filiais da também canadense U308 Corp nas serras de Sumampa, em Santiago del Estero, que foi formada por uma câmara empresarial.O presidente do Grupo de Empresas de Mineração Exploradoras da Argentina, Julio Ríos Gómez, afirmou que empresas internacionais colocaram o país “entre as zonas mais ricas do mundo quanto à disponibilidade deste recurso”. Segundo o executivo, há pedidos de exploração de terras raras apresentados por firmas da Austrália e do Canadá, levadas pelas reduções nas exportações que a China realiza desde o final de 2010.Julio afirmou em declarações à imprensa que na região de Sumampa, no sul de Santiago, “há empresas explorando em busca de terras raras, e há um plano para reativar toda a atividade mineradora na província, onde não existem leis que limitem a exploração”. Nem Julio nem a Fundação para o Desenvolvimento da Mineração Argentina – que alegou ter “pouca informação” sobre as terras raras – responderam aos pedidos de entrevista feitos pelo Terramérica.No entanto, nem todos são a favor da exploração de metais raros. Segundo moradores de Jasimampa, localidade junto às serras de Sumampa, pessoas de uma empresa apresentada como Gaia Energy Argentina S.A. tentou convencê-los dos benefícios da exploração mineira nessa região. A Gaia Energy pertence à empresa canadense U308 Corp, dedicada à exploração de urânio.“A companhia entrou em terras de uso comunitário pela força, com a polícia, e a comunidade resistiu, havendo inclusive detidos”, contou ao Terramérica o dirigente Adolfo Farías, do Movimento Camponês de Santiago del Estero (Mocase). “ A Gaia foi fazendo um trabalho de confusão, falando sobre o progresso da mineração, que gera emprego, dizem eles, mas houve mobilização e resistência e o projeto foi detido”, assegurou Adolfo.O camponês disse que as comunidades de povos originários e habitantes rurais da área “continuarão resistindo. Nosso objetivo é a soberania alimentar e a custódia dos bens naturais contra o saque”, ressaltou. “Sabemos que em Sumampa há terras raras e que a empresa tem uma estratégia para explorá-las, mas somos contra por sabermos que isto contamina a água e não cria emprego, como dizem”, afirmou Adolfo.Outra subsidiária da U308 Corp, a South American Rare Earth Corp, também possui áreas para exploração em Jasimampa. A geóloga Diana disse que o método para extrair os minerais depende da rocha. Se estiver exposta, a exploração é superficial ou a céu aberto. Contudo, como se trata de corpos de rocha com não mais de 50 por dez metros, seriam jazidas de pequena escala. Também pode haver exploração subterrânea, o que aumenta o investimento necessário. Por isso deve ser um projeto muito rentável, reiterou.Em sua opinião, este tipo de exploração, “em geral, é bem sustentável, mas sabemos que qualquer atividade tem impacto sobre o meio ambiente. Neste caso, não se usa cianureto e não são geradas águas ácidas, mas há certo impacto na paisagem, na flora e na fauna do lugar, e movimentos de solo”. Também pode haver explosões, deslizamentos ou afundamentos, alertou. A geóloga recomenda avaliar como esses impactos seriam mitigados, e se a obtenção do recurso gera, na cadeia produtiva, uma alternativa mais sustentável e com um desenvolvimento mais limpo.* A autora é correspondente da IPS.LINKSGuerra comercial por matérias-primas raras na incubadeiraAgricultura diante da grave escassez de fosfatoChina, potência agressiva ou vítima de Ocidente, em espanholFaculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires, em espanholWealth Minerals, em inglêsSouth American Rare Earth Corp, em inglêsGrupo de Empresas de Mineração Exploradoras da Argentina, em espanholFundação para o Desenvolvimento da Mineração Argentina, em espanholArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marcela Valente*
Dal Marcondes, diretor executivo da revista digital Envolverde Entrevista

Dal Marcondes: “População não detém conhecimento sobre questões agrícola e ambiental”

[caption id="attachment_37073" align="alignleft" width="324" caption="Dal Marcondes, diretor executivo da revista digital Envolverde."][/caption]O empenho maciço da comunidade científica brasileira e a cobertura dos veículos de comunicação não têm sido suficientes para mobilizar de fato a população e impactar as decisões do Congresso Nacional em relação às alterações ao Código Florestal brasileiro. Com o projeto de mudança aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado, aumentam as chances de a decisão final ficar nas mãos da presidenta Dilma Rousseff, pelo poder de veto, que prometeu usar caso questões cruciais, como a anistia aos desmatadores estivessem no projeto aprovado no Congresso. Para o jornalista Dal Marcondes, diretor executivo da revista digital Envolverde, um dos principais veículos especializados em sustentabilidade do país, há várias razões para o descolamento entre informação qualificada, via cientistas e mídia, e as decisões políticas. Entre elas, está a perda de poder da mídia tradicional e o sucesso do setor ruralista em ideologizar a discussão. Questões como essas foram foco do 4º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, que aconteceu entre 17 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro. Moderador da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental e fundador da Rede Paulista de Jornalistas Ambientais, Marcondes foi coordenador do encontro, que reuniu quase 700 jornalistas e estudantes de comunicação de todo o país.Clima e Floresta – Por que a comunicação sobre as mudanças no Código Florestal têm falhado em mobilizar a população suficientemente para impactar o Congresso Nacional?Dal Marcondes – Basicamente porque somos uma sociedade 85% urbana. As pessoas se solidarizam com questões ambientais, mas argumentos pseudopragmáticos sobre agricultura projetam dúvidas se a legislação atual poderia comprometer a produção de alimentos. Apesar de informada, a população não detém conhecimento sobre as questões agrícola e ambiental. Além disso, a discussão é ideologizada. A grande massa não se mobiliza por falta de conhecimento, o que permitiria tomar um lado.Clima e Floresta – Na sua opinião, os ambientalistas estão falhando em sua comunicação?Marcondes – Depende do campo da disputa. No campo político, os ruralistas são mais eficientes, basta ver quantos representantes eles têm no Congresso. Mas em relação à mídia, os ambientalistas são mais fortes. Se analisarmos o que tem sido publicado na imprensa, o conteúdo é francamente contra a mudança no Código Florestal. Tenho visto muito mais material a favor do Código antigo ou de eliminar os problemas colocados pelo projeto de Aldo Rebelo, do que a favor das posições ruralistas. No entanto, o campo que decide é o político. Considero um absurdo total a estratégia que fazem, de jogar trabalhos científicos, como os da SBPC e da Associação Brasileira de Ciência, no mesmo balaio do movimento ambiental. Estas coisas não podem se misturar e os ruralistas estão fazendo isso porque é interesse deles. O Brasil não pode perder a oportunidade de ter uma academia participativa. Outro problema é que a imprensa não tem poder majoritário, seu poder está relativizado. Em ambientes de jovens, poucos leem jornais. Eles se informam por redes sociais e internet. Nas redes sociais, não se sabe quem fala o quê. É uma informação que sozinha não tem credibilidade, mas milhões de pessoas estão se informando apenas por esse meio. Além disso, as redes sociais manipulam as informações para você se sentir na sua zona de conforto, na sua tribo. Com isso, se perde a riqueza de saber o que pensa a sociedade. A discussão do Código Florestal mostra que os campos da política, da mídia e da sociedade estão perdendo os vínculos. O que se argumenta no campo político não tem relação com o que a mídia percebe da sociedade e a mídia tem cada vez menos leitores. Além disso, a nova classe média é conservadora e tem medo de perder privilégios recém-conquistados. Ela se informa basicamente pela televisão e, dentro dela, a mídia televisiva de baixa qualidade de pauta: pautas mal escolhidas e matérias mal apuradas. Com isso, o poder político não vê a mídia como ameaça porque seu eleitorado não se informa por ela.Clima e Floresta – Por outro lado, temos visto uma mobilização maior em relação à construção da usina de Belo Monte, que parece estar incomodando de maneira mais contundente o governo federal...Marcondes – Belo Monte é um imenso bode na sala para atrair o foco de atenção, enquanto centenas de outras coisas acontecem no país. Todos jogaram cartas nessa questão, enquanto o plano de usinas do governo federal tem centenas delas planejadas e várias em projeto ou em construção. Outras obras, como as voltadas para a Copa do Mundo, estão sendo aprovadas sem critérios técnicos e ambientais. Não duvidaria que, em algum momento, o governo, quando não precisar mais do bode, diga que vai rever Belo Monte. Objetivamente, Belo Monte não tem utilidade: é pouca energia e alto impacto ambiental. O objetivo de tanta discussão pode ser desviar atenção. Mobiliza porque é localizado e facilmente mensurável. Ainda não conseguimos exemplos mais emblemáticos em relação ao Código Florestal. Perder milhões de quilômetros quadrados de florestas acontece todo ano. A informação está amortecida na cabeça das pessoas. Pouquíssimos sabem o que representam milhões de quilômetros quadrados.Clima e Floresta – Quais seriam os caminhos para reverter essa situação?Marcondes – Trabalhar com duas coisas diferentes. Primeiro, continuar a batalha no Congresso e com a presidenta, que tem poder de veto. Tem que garantir que Dilma não deixará passar grandes absurdos. Em segundo lugar, é bom lembrar que a lei federal define o patamar mínimo, mas as leis estaduais podem ser mais restritivas. Nada impede que se volte a campanha para os Estados, para que tenham legislação mais restritiva. O mesmo vale para municípios. Pode também haver pactos da sociedade para mudar práticas, trabalho com produtores rurais. A comunicação deveria também colocar rostos nas campanhas, mas cara de produtor rural, não de artista, porque esta é uma disputa de produtores. O caso de Paragominas é emblemático, onde houve pacto local e os produtores têm o que dizer. Tem que ser produtores com rosto e nome, dizendo que estão produzindo respeitando a lei. Não usar como garoto propaganda gente que não é do campo, que nunca plantou um pé de alface. É preciso convencê-los a contar suas histórias. Falar de negócios que estão dando certo.Clima e Floresta – Como a imprensa pode colaborar para melhorar o esclarecimento sobre essas questões?Marcondes – Está crescendo o interesse do jornalista em entender do que estamos falando. No Congresso de Jornalismo Ambiental, participaram mais profissionais do que estudantes. O Congresso teve um caráter formativo, discutimos economia ambiental e como ela deve ser usada pelas pautas. Isto é importante para que o jornalista perceba que cobertura ambiental não é diferente da cobertura do dia a dia, mas deve ser acrescentada às pautas. Jornalismo tem que ser completo e meio ambiente deve fazer parte de todas as pautas. Hoje os temas ainda estão muito descolados. A mesma edição traz, no caderno de cidades, uma matéria falando dos recordes de congestionamento e, no de economia, outra comemorando o recorde de produção de automóveis.Clima e Floresta – Neste cenário, o que podemos esperar da cobertura da Rio+20, que acontece em 2012?Marcondes – Estou um pouco cético em relação à nossa capacidade de cobertura da Rio+20. Acho que ainda vai ser fragmentada e focada em grandes decisões, que não devem acontecer. Se os países saírem convencidos a olhar a economia verde e as desigualdades com seriedade, já será um sucesso. Acordos sobre clima ou biodiversidade não serão o foco da Conferência.* Publicado originalmente no site Clima e Floresta.


por Maura Campanili, do Clima e Floresta
Risto Isomaki Artigo

Diminuem as reservas mundiais de petróleo, mas não aparece o substituto

[caption id="attachment_37079" align="alignleft" width="209" caption="Risto Isomaki."][/caption]Helsinque, Finlândia, dezembro/2011 – O geólogo norte-americano Marion King Hubbert previu, já em 1956, que a produção de petróleo alcançaria seu nível máximo aproximadamente quando tivermos extraído a metade das reservas mundiais e daí em diante começaria a decair até ser insuficiente para a demanda global. Disse, ainda, que isso ocorrerá porque os geólogos tendem a explorar primeiro as jazidas maiores e porque quanto mais se extrai dos poços mais difícil e caro fica recuperar o petróleo remanescente.A produção mundial pode ter chegado ao seu teto em julho de 2008, com 74,66 milhões de barris diários. Portanto, possivelmente já tenhamos passado o temido Pico Petrolífero Máximo, sem que ninguém se desse conta. Isso ocorreu porque a produção de gás natural continua aumentando e crescentes quantidades de gás são transformadas em vários produtos que substituem o petróleo.A crise se manifestará quando atingirmos o pico global na produção combinada de petróleo e gás, o fornecimento de hidrocarbonos for inferior à demanda e os preços subirem às nuvens.Isso pode causar uma série de fortes depressões e intermitentes e curtos períodos de recuperação. A produção de alimentos também sofrerá. Oitenta por cento dos alimentos são produzidos com ajuda de fertilizantes nitrogenados, que consomem gás natural.Os governos e as empresas se tornaram mais conscientes do problema e enormes quantias de dinheiro são investidas em várias soluções alternativas.Uma opção é tornar mais acessível a extração de gás natural com uma tecnologia conhecida em geologia como fratura hidráulica, ou fracking. Consiste em bombear sob alta pressão dezenas de milhões de litros de água tratada quimicamente dentro de profundas formações de relativamente impermeáveis rochas sedimentares conhecidas pelo nome de xisto. O líquido quebra o xisto ou faz expandir fraturas pré-existentes e isto provoca a liberação de hidrocarbonos de modo que possam fluir para um poço.Outra opção é um método conhecido como gaseificação do carvão subterrâneo, ou UCG, pelo qual os veios profundos de carvão são convertidos em syngas (gás de síntese), uma mistura de metano, hidrogênio e monóxido de carbono, mediante a injeção de oxidantes na profundidade do solo.Há apenas limitadas quantidades de carvão próximo à superfície da Terra, enquanto as reservas que se encontram mais profundamente são enormes. Os depósitos profundos de carvão não podem ser economicamente objeto de extração mineradora com a utilização de meios convencionais, mas podem ser transformados em syngas graças ao método UCG.O lado negativo é que tanto o fracking como o UCG podem ser uma receita para o pior pesadelo ecológico, pois multiplicariam os recursos recuperáveis de combustíveis fósseis e produziriam uma quantidade muito maior de dióxido de carbono do que já se produziu até agora. Isso teria consequências catastróficas para o clima, já que o dióxido de carbono é um potente gás-estufa. Além disso, um terço do dióxido de carbono que produzimos atualmente se dissolve no oceano, como ácido carbônico. Um crescente número de cientistas afirma que a acidificação dos oceanos poderia, no longo prazo, criar problemas ainda mais graves do que o aquecimento global.Outro perigo é que parte do metano produzido por fracking ou UCG poderia inevitavelmente vazar dos sistemas de coleta e armazenagem para a atmosfera. Se forem considerados tanto os impactos diretos quanto os indiretos, uma molécula de metano esquentaria nosso planeta 33 vezes mais efetivamente do que uma molécula de dióxido de carbono durante os próximos cem anos.Então, o que podemos fazer para substituir o gás natural e o petróleo?Uma terceira opção é usar o óleo do xisto e a areia betuminosa como materiais brutos para produtos substitutos do petróleo, mas isso também produziria amplas emissões de dióxido de carbono.Pelo menos em teoria, os carros elétricos poderiam substituir os movidos a gasolina e diesel. Contudo, até agora se difundem muito lentamente e também seria praticamente impossível fabricar navios de carga ou aviões elétricos.Isto nos deixa apenas com duas soluções realistas. Parte do problema pode ser resolvida com medidas de economia de energia e melhoria da eficiência energética, mas parece que também precisamos aumentar nossa produção de biocombustíveis.Os biocombustíveis têm seus próprios problemas. Frequentemente são necessárias fortes doses de fertilizantes nitrogenados, que, por sua vez, produzem óxido nitroso, um potente gás-estufa. A utilização em grande escala de terras agrícolas para obter biocombustível poderia ter consequências catastróficas tanto para a biodiversidade quanto para o clima.Porém, os biocombustíveis também podem ser produzidos por meios ecológica e socialmente sustentáveis. Temos imensas superfícies de campos seriamente prejudicados pela erosão e terras de pastoreio que perderam a maior parte de seu carbono orgânico e sua fertilidade, que poderiam ser distribuídas a camponeses sem terras e transformadas em hortas familiares produtoras de alimentos e madeira, bem como de materiais brutos para biocombustíveis. Este poderia ser um excelente meio para resolver os problemas relacionados com o pico do petróleo e do gás de uma maneira que também sirva para proporcionar um sustento decente a centenas de milhões de famílias rurais. Envolverde/IPS* Risto Isomaki é militante ambientalista e novelista finlandês.


por Risto Isomaki*
Sede da ONU em Nova York Envolverde Rio + 20

Sociedade civil debate, na ONU, papel que quer ter na Rio+20

[caption id="attachment_37091" align="alignleft" width="300" caption="Sede da ONU em Nova York."][/caption]Dezenas de ONGs reuniram-se na sede da organização, nesta quinta-feira (15/12), para discutir propostas que devem ser levadas aos líderes internacionais durante a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, marcada para junho de 2012.Dezenas de representantes da sociedade civil compareceram à sede da ONU, em Nova York, para discutir uma participação mais ativa na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá em 2012, no Rio de Janeiro.A contribuição da sociedade civil é um dos pontos altos do encontro, que vai comemorar os 20 anos da realização da Eco-92.Mídia socialPara maximizar a voz dos cidadãos, a ONU lançou uma campanha, em canais de mídia social, batizada “O Futuro que Queremos”.Um dos participantes do reunião, Aron Belinky, da ONG Vitae Civilis, falou à Rádio ONU, em Nova York, sobre o que acredita ser um dos maiores desafios do mundo atualmente.“A maneira como o mundo está organizado hoje não está funcionando, ou seja, nós não estamos conseguindo entregar e, isso não é só uma coisa do Vitae Civilis, é uma percepção ampla, nem o bem-estar, nem as condições de vida mínimas aceitáveis para a grande quantidade da população que existe e, ao mesmo tempo, estamos pondo em risco os recursos naturais e tudo aquilo que suporta a vida humana, não só humana, no planeta”, disse.Além da Vitae Civilis compareceram à reunião integrantes de outras organizações como a Oxfam e a Visão Mundial.A Rio+20 deverá reunir cerca de 50 mil pessoas no Rio de Janeiro. Dezenas de chefes de Estado e governo dos países-membros da ONU já confirmaram presença no encontro.* Publicado originalmente no site da Rádio ONU.


por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU
e3 Clima

Clima: para onde vamos só com boas intenções?

"Cientistas dizem que, para não haver uma expansão dramática nos 'eventos climáticos extremos', não se deve ultrapassar dois graus Celsius no aumento da temperatura da Terra (já subiu 0,8 grau) – e para isso as emissões não podem superar 32 bilhões de toneladas anuais de carbono (mas com aumento de 6%, em 2010, elas já chegaram a 30,6 bilhões de toneladas). Superado esse ponto, a temperatura poderá aumentar entre 3,5 e cinco graus neste século. Iniciar só em 2020 o cumprimento das intenções de Durban é compatível com essa advertência?", escreve Washington Novaes, jornalista, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, de 16/12/2011.Eis o artigo.O mundo das palavras é sempre muito fértil, costuma permitir interpretações diferentes para o mesmo objeto descrito – às vezes, até contraditórias entre elas. Quando esse mundo das palavras adentra o território da diplomacia, os resultados podem ser ainda mais surpreendentes – e este é o caso do desfecho da reunião da Convenção do Clima, no domingo 11/12, em Durban. Como as negociações continuavam emperradas, a linguagem diplomática encarregou-se de superar as últimas resistências a uma declaração de intenções, considerada por muitos participantes e representantes de governos – inclusive o brasileiro – como um "documento histórico", em que "todos os países convergiram para o mesmo objetivo".E aonde se chegou, afinal? Exatamente ao que estava previsto há meses e foi registrado em artigo neste espaço: por falta de consenso entre os participantes – que impossibilita aprovar documentos que tornem obrigatórias as decisões –, ficar-se-ia apenas numa declaração de intenções, em que os países anunciariam o desejo de chegar até 2015 (ou 2020) a um documento "vinculante" (obrigatório), com os signatários se comprometendo a reduzir, a partir daí, suas emissões de gases poluentes que intensificam mudanças climáticas. A declaração de Durban foi mais longe ao não estabelecer sanções para quem não cumprir o prometido.Paralelamente, aprovou-se uma prorrogação, até 2017 (como queriam os países-ilhas, União Europeia e Brasil propunham 2020) do Protocolo de Kyoto, pelo qual, em 1997, se estabeleceu que os países industrializados reduziriam suas emissões em 5,2%, calculadas sobre as de 1990. Até hoje essa decisão não foi cumprida, os países industrializados aumentaram suas emissões. Mas era importante ter em vigor um documento como o de Kyoto, porque a ele está vinculado o Mecanismo do Desenvolvimento Limpo, pelo qual um país industrializado (ou uma de suas empresas) pode financiar em outro país projeto que leve à redução de emissões e contabilizar essa redução em seu balanço próprio. E hoje há um "mercado mundial de carbono" que já envolve muitos bilhões de dólares; como ficaria sem o Protocolo? Então, Kyoto continua. E com todos fechando os olhos para a ausência de Japão, Rússia, Canadá e para a falta de consenso.Será cumprida a intenção aprovada nesse roteiro de Durban? Os antecedentes não levam a muito otimismo. Em 2008, na Indonésia, aprovou-se o chamado "roteiro de Bali", pelo qual se desenhou o caminho que deveria levar, em 2009, na reunião da Convenção em Copenhague, a um acordo com obrigações de redução de emissões. Mas na Dinamarca a diferença de posições entre Estados Unidos e países industrializados, de um lado, e os "emergentes", de outro, fechou as portas para um acordo – com os emergentes lembrando que a obrigação mais antiga e maior de reduzir emissões era dos industrializados e os industrializados dizendo que sem os emergentes de nada adiantaria a decisão, já que estes são hoje os maiores emissores (China, Índia e Brasil estão entre os cinco maiores). Com o impasse em Copenhague, transferiu-se a decisão para 2010, em Cancún. Mas ali o impasse também persistiu.Agora, aprovada a declaração de Durban, incluídos os emergentes, pergunta-se: o Congresso dos Estados Unidos aprovará a redução de emissões no país, desbloqueando o caminho – ao contrário do que tem feito até agora? E se os Estados Unidos, ou outro país, não cumprirem, o que acontecerá? Não há sanções previstas. A primeira proposta de texto dizia que ele teria força legal, mas o impasse levou a uma redação que tornou tudo mais vago, ao ser modificada para "um resultado acordado, com força legal", que possa ser aprovado em 2015 e entre em vigor em 2020, com metas obrigatórias de redução de emissões para todos os países. Também se aprovou a criação do fundo que porá US$ 100 bilhões anuais de contribuintes industrializados à disposição de outros países para enfrentarem os problemas do clima. Mas não se definiu quem contribuirá e com quanto. Nem com que tecnologias.Curiosamente, o Brasil, depois de receber de ambientalistas o troféu "Fóssil do Dia", pela proposta de novo Código Florestal, recebeu também elogios do secretário-geral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Steiner, pois, a seu ver, o país não deve ser criticado por causa desse projeto, "porque nenhum país fez o que o Brasil fez para combater emissões nos últimos dois anos". É discutível, se considerados os compromissos de redução como "voluntários" e verificáveis só quando possível confrontá-los com o que seriam esses poluentes em 2020.Além disso, há outros estudos a demonstrar que o país continua emitindo acima de dez toneladas anuais de carbono por habitante, segundo estudo do renomado Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial. A própria redução de emissões na área do desmatamento precisa ser encarada com cautela, uma vez que tomou como base de comparação anos de desmatamento muito mais alto e grande parte da redução coincidiu com a crise econômica de 2008-2009 e queda das vendas de produtos amazônicos. De qualquer forma, ainda é um desmatamento alto, acima de seis mil quilômetros quadrados anuais, sem levar em consideração áreas cobertas por nuvens (que impedem o registro por satélites) ou onde o desmatamento é seletivo, sem corte raso de toda a vegetação.Para completar: cientistas dizem que, para não haver uma expansão dramática nos "eventos climáticos extremos", não se devem ultrapassar dois graus Celsius no aumento da temperatura da Terra (já subiu 0,8 grau) – e para isso as emissões não podem superar 32 bilhões de toneladas anuais de carbono (mas com aumento de 6%, em 2010, elas já chegaram a 30,6 bilhões de toneladas). Superado esse ponto, a temperatura poderá aumentar entre 3,5 e cinco graus neste século. Iniciar só em 2020 o cumprimento das intenções de Durban é compatível com essa advertência?* Publicado originalmente no site IHU On-Line.


por Redação IHU
Pesquisa constatou altos níveis de fosfato e de coliformes fecais na água Agricultura

Deterioração do Rio Piracicaba é monitorada por 365 dias

[caption id="attachment_37088" align="alignleft" width="230" caption="Pesquisa constatou altos níveis de fosfato e de coliformes fecais na água."][/caption]Pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, traz resultado inédito sobre a influência das ocupações agrícolas, urbanas e industriais na qualidade e quantidade de água disponível no Rio Piracicaba. Para a elaboração de sua tese, o doutorando Diego Vendramini coletou amostras do Rio durante 365 dias, sempre na mesma hora e local. O resultado foi preocupante, principalmente pelo registro de porcentagens além do limite máximo permitido pelas entidades ambientais regulamentadoras. O pesquisador cita como exemplo a quantidade de fosfato 32 vezes maior que o permitido e as altas cargas de carbono orgânico particulado e dissolvido, em outras palavras, coliformes fecais.Sob coordenação do professor Jefferson Mortatti, a pesquisa levou em conta o fato de a deterioração das águas em bacias de drenagem estar intimamente relacionada com o crescimento e a diversificação das atividades humanas. Ele explica que “os resultados preliminares já se mostram de suma importância para a atuação dos orgãos ambientais regulamentadores”. Vendramini concorda com o impacto dos resultados de seu estudo em definições futuras sobre o Rio Piracicaba. E diz que “diante da detecção de espécies químicas inorgânicas, há como entender a necessidade de melhorias nos atuais sistemas de tratamento de esgoto”.O pesquisador constata, no entanto, que o processo de tratamento de esgoto deve ser melhorado não só em Piracicaba, mas também em todas as cidades integrantes da bacia hidrográfica, pois, além das concentrações de poluentes, a carga de carbono transportada diariamente chama a atenção, ou seja, “constatou-se a grande influência do homem na bacia do Piracicaba”, completa.Monitoramento da águaDe acordo com o doutorando, durante um ano inteiro (de fevereiro de 2010 a janeiro de 2011), o Rio Piracicaba foi monitorado diariamente, em termos das cargas dissolvidas e particuladas, perfazendo um total de 365 coletas de água e sedimentos em suspensão, cobrindo os períodos de chuvas intensas e estiagem prolongada. “A pesquisa quantificou os transportes das principais espécies químicas dissolvidas, a qualidade química das águas do Rio Piracicaba, bem como as cargas de sedimentos em suspensão em função das classes de chuva na bacia de drenagem, o que foi inédito nesse tipo de estudo”.Os modelos matemáticos de transporte foram bilogarítmicos, conforme a maioria dos rios mundiais. “A qualidade química das águas fluviais se mostrou sempre associada aos aportes antrópicos (esgotos domésticos e efluentes agroindustriais).Durante o período chuvoso, quando se normalizam os resultados pela poluição, a regulação foi devida à drenagem superficial, bem como ao aporte pluvial, enquanto durante a estiagem as influências se mostraram mais evidentes. “Embora o mecanismo de transporte fluvial seja o mesmo ao longo do ano, a qualidade química da água é diferente para cada classe de chuva, sendo variável sazonalmente”, conta o pesquisador.Período de chuva e estiagemAs principais cargas dissolvidas transportadas durante o período chuvoso foram de bicarbonato (1.200 toneladas/dia), sulfato (500 toneladas/dia), cloreto (300 toneladas/dia), nitrato (140 toneladas/dia), cálcio e sódio (450 toneladas/dia cada um), potássio (160 toneladas/dia), com uma carga orgânica de 400 toneladas/dia de carbono orgânico dissolvido (COD).Durante a estação seca, as cargas principais foram de bicarbonato (300 toneladas/dia), sulfato (180 toneladas/dia), cloreto (130 toneladas/dia), nitrato (30 toneladas/dia), sódio (220 toneladas/dia), cálcio (60 toneladas/dia) e potássio (20 toneladas/dia), com uma carga orgânica de 13 toneladas/dia de COD.Cabe salientar que, durante o período chuvoso, o carbono orgânico particulado (COP) – esgoto puro – transportado pelo Rio Piracicaba foi cerca de 30 vezes superior ao COD, ao passo que, durante a estiagem prolongada, o COD foi duas vezes a carga observada para o COP.Pesquisador e coordenador ressaltam as características científicas do trabalho de doutorado, que resultará num material de consulta de fundamental importância para a despoluição da bacia do Rio Piracicaba. “Nossos dados vão colaborar com estudos anteriormente realizados, aprofundando os conhecimentos hidrogeoquímicos de forma a contribuir, em termos científicos, para um melhor entendimento dos principais processos erosivos. Fizemos um monitoramento intenso e detalhado, avaliando os aspectos dinâmicos da carga dissolvida e particulada em funções das classes de precipitação ao longo de um ano inteiro de pesquisa”.A tese de doutorado “Aspectos Hidrogeoquímicos de uma Microbacia Reflorestada com Eucalyptus grandis no Município de Angatuba em São Paulo” foi defendida no Cena, em 2009, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).* Com informações da Assessoria de Imprensa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP.** Publicado originalmente no site Agência USP.


por Redação USP
Na região Norte, o percentual dos que temem "muito" os conflitos na Amazônia é de 66%. Na foto acima, a sonda-terra do gasoduto Coari-Manaus em Urucu (AM)/Foto: Divulgação Petrobras Brasil

Brasileiros creem em escassez de água e ataques estrangeiros à Amazônia até 2050

[caption id="attachment_37094" align="aligncenter" width="425" caption="Na região Norte, o percentual dos que temem "muito" os conflitos na Amazônia é de 66%. Na foto acima, a sonda-terra do gasoduto Coari-Manaus em Urucu (AM). Foto: Divulgação Petrobras"][/caption]Duas pesquisas divulgadas há menos de um mês revelam que 68% dos brasileiros acreditam que faltará água no país em 2050, e que nos próximos 20 anos o país será alvo de agressão militar estrangeira motivada por interesses na Amazônia (50%), enquanto outros 45% creem em ataques em razão das bacias do pré-sal.O levantamento referente à água foi desenvolvido pela consultoria OThink, que ouviu mil pessoas (metade homens, metade mulheres) no Brasil todo. Divulgada em 25 de novembro, a pesquisa também aponta que há otimismo em relação ao esgotamento de reservas de petróleo, gás natural e carvão: 48% acreditam que esses recursos não se esgotarão. A classe A é a mais otimista: 55% acredita que em 2050 ainda teremos reservas dos três produtos.Outros dados interessantes indicam que 83% dos entrevistados acreditam na total substituição do petróleo por energia renovável em meios de transporte, e 65% creem que em 2050 todos os materiais utilizados serão reciclados. "Esse otimismo é observado em uma faixa etária acima dos 55 anos. São pessoas que vêm assistindo a um processo de evolução tecnológica intenso", analisou o presidente da OThink, Marlos Barbosa, ao Estadão.Já a pesquisa sobre o temor da população de ameaças estrangeiras foi divulgada na quinta-feira, 15 de dezembro, pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), segundo o qual a quantidade de pessoas que teme conflitos relacionados à Amazônia ou ao pré-sal é "surpreendente" (50%), principalmente se comparado com outros números que mostram que, em ambos os casos, apenas cerca de 30% dos entrevistados descarta a ocorrência de um conflito por estes motivos. Foram ouvidas 3.796 pessoas nos 26 Estados e Distrito Federal. A margem de erro é de 5%.Os pesquisadores destacaram também o fato de que na região Norte o percentual dos que temem "muito" os conflitos na Amazônia é de 66%. Para a chefe da assessoria técnica da presidência do Ipea, Luciana Acioly, os números mostram que a população está mais atenta a temas ligados às riquezas do país, especialmente por causa da discussão sobre a divisão das receitas do petróleo, os royalties, que é realizada no Congresso. Além disso, as pessoas têm percebido a maior importância do Brasil no cenário internacional, de acordo com ela. "Esse protagonismo brasileiro, essa importância que o Brasil está ganhando no mundo leva a população a perceber quais as encruzilhadas em que nos encontramos", destacou a especialista ao portal G1.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD

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Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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Os três componentes principais da biomassa da cana-de-açúcar são a celulose, a hemicelulose e a lignina. Foto:EcoD

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O Zoológico Skazka, na Ucrânia, exibe imagem de filhotes de tigresa albina ‘Tigrylia’, que nasceram no complexo. Um dos bichinhos puxou a mãe e também é um raro tigre albino.

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Frases a laser são projetadas nos prédios gêmios da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Divulgação

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Imagem da campanha Veta Dilma.

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Xingu. Foto: Dal Marcondes

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Marta Azevedo, a primeira mulher no cargo de presidenta da Funai. Foto: José Cruz/ABr