Hoje é Dia Nacional da Mata Atlântica: veja dez razões para preservar

Ambiente

Hoje é Dia Nacional da Mata Atlântica: veja dez razões para preservar


por Redação do EcoD


[caption id="attachment_88271" align="alignleft" width="322" caption="Biodiversidade da mata colabora para diversos setores: científico, farmacêutico e alimentício. Foto: Arkive"][/caption] “Distribuída por 17 estados brasileiros, a Mata Atlântica continua prestando serviços ambientais relevantes, contudo, mesmo com a disseminação do reconhecimento de sua importância, apresenta situação ainda crítica, demandando ações urgentes de conservação e recuperação ambiental”. Este é um trecho da Carta da Mata Atlântica 2013, que deve ser lida durante a Semana da Mata Atlântica, que será realizada nos dias 27 e 28 de maio, no auditório da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Realizado em função do Dia Nacional da Mata Atlântica, comemorado na segunda-feira (27), o evento deve gerar articulações de diferentes segmentos com a finalidade de produzir soluções para reduzir o desmatamento e preservar o bioma, segundo informações do Jornal do Brasil. Hoje a Mata está reduzida a 20% de seu território e apenas 7% do que restou é considerado bem conservado, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). A mata já teve uma área de 1,3 milhão de metros quadrados. Quase 120 milhões de pessoas vivem nos arredores da Mata Atlântica, ainda segundo o MMA, como já foi mostrado em matéria recente. Com informações do Banco do Planeta, o EcoD traz algumas imagens deste bioma e dez razões para preservar as florestas. Eis alguns dos motivos: 1º A biodiversidade da Mata Atlântica colabora para a produção científica, economia e produção de medicamentos; 2º A vegetação ajuda no controle de gases de efeito estufa; 3º Com as árvores, é possível reduzir os efeitos de uma tempestade; 4º A mata funciona como uma "grande esponja" durante os períodos chuvosos e ajuda a absorver as chuvas e reduzir as enchentes; 5º Além de prevenir as enchentes, essa "grande esponja" evita o efeito da erosão do solo e protege os rios; 6º A biomassa gerada pela mata fertiliza o solo e fixa os nutrientes; 7º Decomposição e reabsorção de resíduos orgânicos; 8º Renovação espontânea de espécies, tanto animais como vegetais, que servem aos humanos como alimentos; 9º Geração de chuvas, através da transpiração das árvores; 10º Proteção contra os raios ultra-violetas. O bioma passou a ser homenageado em 27 de maio de 2001 porque, nesta data do ano de 1560, o padre Anchieta assinou a "Carta de São Vicente”, em que descreveu a biodiversidade das florestas tropicais, incluindo este conjunto florestal. * Publicado originalmente no site EcoD.

O Lago Botella, uma zona da austral Ilha Riesco, acessível apenas por mar, que foi habitada por indígenas. Ambiente

TERRAMÉRICA – Outra batalha energética

[caption id="attachment_88165" align="alignleft" width="340" caption="O Lago Botella, uma zona da austral Ilha Riesco, acessível apenas por mar, que foi habitada por indígenas. Foto: José Antonio de Pablo/IPS"][/caption] A exploração de carvão de baixa qualidade em uma área austral abre nova frente na guerra social e ambiental que vive o complexo setor energético do Chile. Santiago, Chile, 27 de maio de 2013 (Terramérica).- Um megaprojeto de exploração de cinco jazidas de carvão a céu aberto acontece na chilena Ilha Riesco, no extremo sul da América do Sul, habitat de cervos, pumas, baleias-jubarte e mais de cem espécies de aves. A Ilha Riesco fica no limite sul da Patagônia chilena, na margem norte do Estreito de Magalhães. As minas Invierno, Elena, Área Oeste, Adele e Río Eduardo formam o investimento da Companhia de Petróleo do Chile (Copec) e da empresa de navegação Ultramar para realizar uma das explorações carboníferas de maior envergadura na América Latina. A primeira mina foi aprovada pelo Serviço de Avaliação Ambiental da região de Magalhães no dia 15 de fevereiro de 2011 e ratificado em agosto do mesmo ano pelo Conselho de Ministros para a Sustentabilidade, apesar de mais de 1.500 observações apresentadas por organizações ecologistas e da sociedade civil. A mina Invierno, que já está funcionando, representa investimento de US$ 530 milhões para extrair cerca de seis milhões de toneladas de carvão por ano. De acordo com estudos preliminares, suas reservas totais somam 73 milhões de toneladas, permitindo uma operação contínua durante pelo menos 12 anos. Ilha Riesco fica mais de três mil quilômetros ao sul de Santiago. Sua superfície de cinco mil quilômetros quadrados faz dela a quarta maior ilha do Chile. Abriga a reserva nacional Alacalufes, com grande parte de território virgem, além de populações de cervos, pumas e 136 espécies de aves, muitas delas em perigo de extinção. Suas costas são habitat de quatro espécies de golfinhos, pinguins e da baleia-jubarte, que se alimenta no Parque Marinho Francisco Coloane, próximo à ilha. Tem pouco mais de 150 habitantes, divididos em 30 propriedades, que vivem da pecuária ovina e bovina, do turismo de aventura, de observação e rural, da pesca e da piscicultura. No entanto, a região de Magalhães possui a principal reserva carbonífera do Chile, estratégica para um país cuja demanda energética está em alta e que depende das importações. Porém, a ecologista Ana Stipicic, porta-voz do grupo Alerta Ilha Riesco, disse ao Terramérica que se trata de um carvão de má qualidade. “É um carvão sub-betuminoso B e C, de baixa lei e poder calorífico, por isso deve ser queimada maior quantidade para obter o calor necessário e é um dos mais contaminantes”, acrescentou. “O carvão da Ilha Riesco quebra facilmente, o que provocará toneladas de dispersão de pequenos pedaços de carvão no meio ambiente”, alertou Ana. A mina Invierno, a céu aberto, é um grande buraco de quase 500 hectares e 180 metros de profundidade. Afeta de forma mais direta uma área de 1.500 hectares, que inclui a parte perfurada e três locais de depósito para resíduos de 60 metros de altura. O projeto conta com um porto, que já funciona, onde são feitos trabalhos de trituração, armazenamento, carga e transporte do carvão. A empresa Minera Isla Riesco – cujos acionistas são a Copec e a Ultramar – realizou, no dia 22 de março, seu primeiro carregamento-teste no porto, com resultados desastrosos, segundo Ana. Enquanto eram carregadas 30 mil toneladas de carvão, inesperadamente começou a emanar uma cortina de pó negro que cobriu o navio Tatio. Os executivos da mineradora admitiram que o fato passou “uma imagem desastrosa e indesejada”. O gerente de Sustentabilidade, José Manuel Aguirre, atribuiu o problema a uma série de más coincidências do sistema de carga. O carvão foi igualmente despachado para centrais termoelétricas do norte do Chile e para a Europa, embora a Ásia seja o mercado que absorverá entre 40% e 50% da produção da mina. A deputada por Magalhães, Carolina Goic, do opositor Partido Democrata Cristão, garantiu ao Terramérica que o episódio evidenciou os pontos negativos do projeto e confirmou parte dos temores de seus críticos. Nós, os legisladores da região, “fiscalizamos as normas ambiental e trabalhista, que aponta vários compromissos estabelecidos pela empresa que não são cumpridos”, afirmou. Estes descumprimentos provocaram, por exemplo, uma prolongada greve dos trabalhadores da mina, apontou. No dia 2 deste mês, a empresa anunciou em seu site um segundo carregamento-teste, que aconteceu “com toda normalidade e altos padrões ambientais”. Ana denunciou erros no estudo de impacto ambiental da mina Invierno porque, em um informe de seis mil páginas, “omitiu uma boa análise do tipo de carvão que será extraído e a soma de todos os impactos que o projeto terá”. A ativista acrescentou que “o modelo de dispersão de contaminantes foi realizado para rajadas de vento uma média de 30 quilômetros por hora, mas em Magalhães, somente na semana passada, tivemos ventos de quase 180 quilômetros por hora”. Flavia Liberona, da Fundação Terram, disse ao Terramérica que a Ilha Riesco é “uma região de ecossistemas únicos, valiosos, primitivos e, portanto, o impacto da mineração, mesmo pensando que estamos no primeiro projeto, é gravíssimo”. Além disso, acrescentou, “há antecedentes de que todo este carvão, que será transportado por embarcação, também vai gerar um nível de acidificação das águas da costa”, advertiu. Estima-se que o carvão da Ilha Riesco abastecerá 30% da demanda nacional deste mineral. Atualmente funcionam 13 centrais termoelétricas movidas a carvão, outras dez estão sendo construídas, e mais cinco aguardam aprovação dos respectivos projetos. “Nossa matriz energética está carbonizada”, opinou Ana. Com a capacidade instalada e em construção, o país chegará a 55% de geração elétrica à base de carvão, um dos hidrocarbonos cuja combustão libera mais gases-estufa. “É muito”, destacou. Porém, é possível melhorar o consumo de carvão e de outros combustíveis sólidos mediante uma normativa que regule as usinas termoelétricas, “mas isso não existe no Chile”, ressaltou Flavia. O Alerta Isla Riesco apresentou uma demanda judicial que busca paralisar a mina Invierno. “Entramos com processo contra a mina, a ministra do Meio Ambiente (María Ignacia Benítez), por ser a presidente do Conselho de Ministros, e o governador de Magalhães (Mauricio Peña y Lillo), por ser o presidente da Comissão Regional do Meio Ambiente”, explicou Ana. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Desenvolvimento chileno atado à sua liderança no comércio de cobre, em espanhol Em busca de mais vida Peru, ameaça infundada no horizonte mineiro do Chile, em espanhol Chile discute quem controla o lítio, em espanhol Minera Isla Riesco, em espanhol Companhia de Petróleo do Chile, em espanhol Ultramar, em espanhol e inglês Serviço de Avaliação Ambiental de Magalhães, em espanhol Conselho de Ministros para a Sustentabilidade, em espanhol Alerta Ilha Riesco, em espanhol Fundação Terram, em espanhol e inglês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marianela Jarroud*
Um prato delicioso que honra uma cenoura “diferente”. Foto: Cortesia Culinary Misftis Ambiente

TERRAMÉRICA – Ao resgate das hortaliças feias

[caption id="attachment_88171" align="alignleft" width="340" caption="Um prato delicioso que honra uma cenoura “diferente”. Foto: Cortesia Culinary Misftis"][/caption] Cozinhar com verduras saudáveis, mas com formas antiestéticas, segundo critério dos supermercados, é uma das muitas formas de reduzir o alarmante desperdício de alimentos. Berlim, Alemanha, 27 de maio de 2013 (Terramérica).- As críticas e o grito de alerta pelo desperdício de comida na Europa, por parte da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e de numerosas entidades não governamentais, parecem gerar seus primeiros efeitos, sobretudo em iniciativas privadas. Em Berlim, Tanja Krakowski e Lea Brumsack, especializadas em desenho de produtos e convertidas em cozinheiras, criaram a Culinary Misfits (algo como “inadaptados culinários”) para promover o consumo de vegetais que, por sua aparência, não se enquadram nos critérios estéticos que imperam em supermercados e grandes lojas de alimentação. Esses tubérculos, hortaliças e outras verduras “não aptas” para o consumo são abobrinhas muito grandes, batatas com formas variadas, como um coração, repolho cujas primeiras folhas foram destruídas por excesso de umidade, ou cenouras com duas ou mais raízes. Embora sejam alimentos em bom estado e de boa qualidade, são descartados para a venda. “Os habitantes das cidades adotaram critérios de consumo completamente equivocados”, opinou Christian Heynmann, um agricultor próximo à cidade de Berlim. “Uma abobrinha não pode ser maior do que a palma da mão, um repolho com folha marcada pelo excesso de umidade não é comestível e cenouras com três raízes curtas em lugar de uma longa e perfeitamente cônica não têm lugar na cozinha”, afirmou Christian. “Porém, se você abre e come uma abobrinha de 30 centímetros e a compara com outra de dez da mesma colheita, ou uma cenoura com três raízes com outra longa e cônica, verá que têm o mesmo aspecto e o mesmo sabor”, ressaltou ao Terramérica. Christian colabora com Tanja e Lea fornecendo vegetais que de outra forma descartaria, porque os supermercados e as lojas especializadas não os aceitam para venda. “Criamos a Culinary Misfits para usar estes produtos descartados no cotidiano da cozinha, e mostrar ao público o verdadeiro rosto da natureza, além de desmentir essa falsa concepção que impera na cidade de que os bons vegetais têm de ser simétricos, pequenos e redondos”, detalhou Tanja ao Terramérica. “Queremos que as pessoas aprendam a comer toda a colheita”, acrescentou. “Não somos cozinheiras profissionais, mas podemos demonstrar ao nosso público que é possível preparar pratos deliciosos com vegetais que não têm boa aparência”, explicou Lea. “Nossa intenção é recriar uma cultura culinária sustentável”. Lea, Tanja e Christian são apenas três rostos deste movimento emergente na Europa, que se rebela diante da insensatez do desperdício de alimentos. Muitos agricultores utilizam vegetais “disformes” para elaborar sucos ou vender para restaurantes vinculados a redes de supermercados. Tal movimento parece resultado, entre outros, do alarme que causou o informe Perdas e Desperdício de Alimentos no Mundo, que a FAO divulgou em maio de 2011. “Cerca de um terço dos alimentos produzidos a cada ano no mundo para consumo humano se perdem ou é desperdiçado”, afirma o estudo. “Os países industrializados e em desenvolvimento dilapidam mais ou menos a mesma quantidade: 670 e 630 milhões de toneladas, respectivamente”. Na Alemanha são jogadas no lixo 11 milhões de toneladas de comida por ano, o que representa cerca de 135 quilos por pessoa, segundo dados do Ministério de Proteção dos Consumidores de março de 2012. Cada pessoa em sua casa descarta aproximadamente 81,6 quilos, e o restante é jogado no lixo pela indústria, pelo comércio e por grandes consumidores, acrescenta o Ministério. Frutas e hortaliças, além de raízes e tubérculos, são os alimentos que mais se joga fora. Com a crise econômica europeia, multiplicaram as pessoas, sobretudo jovens, que recuperam alimentos em bom estado dos depósitos de lixo de supermercados e restaurantes. Isto fez com que governos e organizações supranacionais lançassem campanhas de conscientização. O comissário da União Europeia (UE) para o Meio ambiente, Janez Potočnik, alertou que, se não houver mudança em seus hábitos alimentares e de escolha de seleção de comestíveis, o bloco poderá desperdiçar mais de 120 milhões de toneladas de alimentos em 2020, 30% da produção regional. Porém, o desperdício de comida foi detectado muito antes. Em 2007 teve início na Grã-Bretanha a campanha Love Food Hate Waste (Ame a Comida, Odeie o Desperdício), conduzida por uma entidade sem fins lucrativos e financiada pelos governos de Escócia, Gales, Inglaterra e Irlanda do Norte, em cooperação com empresas e organizações não governamentais. A iniciativa inclui um rigoroso inventário de alimentos jogados no lixo diariamente nos restaurantes. Como consequência, muitos desses comércios modificaram rotinas e começaram a reduzir o tamanho dos pratos e das guarnições. Alguns restaurantes, em particular aqueles especializados em serviço de bufês, e que baseavam sua promoção na generosidade das porções, passaram a cobrar um adicional dos clientes que não consomem totalmente os pratos dos quais se servem. Esses passos e o efeito da inflação alimentar parecem colaborar. Segundo dados do Waste & Resources Action Programme (WRAP – Programa de Ação Sobre Recursos e Resíduos), administrado pela Love Food Hate Waste, o desperdício de alimentos e bebidas nos lares britânicos passou de 8,3 milhões de toneladas para 7,2 milhões, entre 2008 e 2011. A quantidade de alimentos que não foi desperdiçada “tem um volume semelhante ao que seria necessário para encher o estádio de Wembley até o último degrau”, disse ao Terramérica o diretor de projeto e prevenção de resíduos da WRAP, Richard Swannell. Entretanto, o desperdício e a quantidade de lixo, especialmente de embalagens de comestíveis, seguem sendo enormes, advertiu Richard. “O lixo afeta toda a cadeia de fornecimento, por isso temos que trabalhar com todas as empresas e com os consumidores para reduzir embalagens sem afetar a qualidade e o frescor dos alimentos”, acrescentou. Em outras palavras, não basta comer toda a colheita; também é preciso revolucionar a comercialização, reduzir embalagens e reeducar o público, para que compre somente a quantidade de comida que de fato necessita. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Comida não se descarta, em espanhol Desperdício de água “comestível” ameaça o planeta O planeta sufoca Alimentação e agricultura – Cobertura especial da IPS, em espanhol Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em espanhol Culinary Misfits, em alemão Informe da FAO Perdas e Desperdício de Alimentos no Mundo, em espanhol Love Food Hate Waste, em inglês Dados do WRAP sobre Grã Bretanha, em inglês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Julio Godoy*
Análise de quase 12 mil artigos científicos mostra que 99% atribuem ao homem a responsabilidade pelo aquecimento global. Foto: Liam Quinn/Flickr Ambiente

Céticos do clima são menos de 1% dos cientistas

[caption id="attachment_88212" align="aligncenter" width="400" caption="Análise de quase 12 mil artigos científicos mostra que 99% atribuem ao homem a responsabilidade pelo aquecimento global. Foto: Liam Quinn/Flickr"][/caption]   Um estudo divulgado nesta semana com base na análise de publicações científicas das últimas duas décadas mostrou que 99% dos artigos apontam a ação humana como a causa das mudanças climáticas – um consenso frente aos chamados céticos do clima, que atribuem o aquecimento global a fatores exclusivamente naturais. A análise é assinada por John Cook, estudante de pós-doutorado em astrofísica da Universidade de Queensland, na Austrália, e foi publicada no jornal científico Environmental Research Letters. Ele avaliou o abstract, o resumo do conteúdo, de 11.944 artigos científicos sobre aquecimento global e mudanças climáticas publicados entre 1991 e 2011. A avaliação de todo esse volume de material, disponível no banco de dados científico Web of Knowledge, revelou que 66,4% das publicações posicionaram-se em concordância a corrente do aquecimento global antropogênico, ou seja, causado pelo homem. Outros 32,6% dos artigos pesquisados endossavam essa posição. Cook encontrou apenas 0,7% das publicações negando a participação humana no aquecimento global e 0,3% expressando incerteza quanto às reais causas das mudanças climáticas. Uma pesquisa semelhante, porém com uma amostragem menor, já havia sido publicada por cientistas da Universidade de Standford em 2010. Na verificação de 1.372 publicações, entre 98% e 99% dos pesquisadores apontavam a participação humana nas mudanças climáticas. Para meteorologista, "negacionistas" Os números deixam claro como as publicações céticas quanto ao papel do homem nas mudanças climáticas são minoria. Pesquisadores desta linha – alguns de universidades renomadas– argumentam que as medições que apontam o aquecimento não seriam precisas, que a terra já foi mais quente do que é hoje em um passado recente ou ainda que o sol teria uma influência muito maior nas mudanças climáticas do que os gases do efeito estufa. Para o coordenador geral da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas e Globais (Rede Clima), Paulo Nobre, os pesquisadores que discordam da participação do homem não deveriam ser chamados de céticos, e sim de “negacionistas”. Urso-polar salta entre calotas de gelo no Ártico: animais são uma das vítimas do aquecimento “Ceticismo é um pilar da ciência. É formular uma hipótese e ser cético com relação a ela para buscar respostas”, compara. Segundo ele, diante das evidências científicas existentes, não há como negar a participação humana no processo de aquecimento global: “Há 20 anos até poderia haver espaço para o ceticismo, mas hoje não existe mais.” A interpretação equivocada de dados de variabilidade climática são, na opinião do meteorologista, uma das bases para a negação da responsabilidade humana. Na Rede Clima, que busca prover substrato científico para embasar programas governamentais, por exemplo, a parcela humana no processo de mudanças é levada em conta. Os dados levantados buscam entender exatamente a dimensão humana dessas alterações e as formas de adaptação que permitam garantir a segurança energética, hídrica e alimentar do país. “É um processo em curso e precisamos propor formas de adaptação e mitigação”, resume Nobre. O artigo publicado por Cook rompeu as fronteiras da comunidade científica e virou notícia em populares blogs de ciência e na imprensa internacional. A repercussão reflete outra face do trabalho do pesquisador australiano. Além do pós-doutorado no Instituto de Mudanças Globais da Universidade de Queensland, o cientista mantém o blog científico Skeptical Science (www.skepticalscience.com). No site, ele e outros colaboradores contrapõem os argumentos usados para negar a interferência humana nas mudanças climáticas em uma linguagem simples e mais acessível para quem está fora do circuito acadêmico. * Publicado originalmente no site Deutsche Welle e retirado do site Carta Capital.


por Redação da Deutsche Welle
Desmatamento, que estava em queda, tem nova tendência de alta. Uma das razões: o novo Código Florestal, que completa um ano hoje. Foto: Greenpeace/Daniel Beltrá Ambiente

Novo Código Florestal: um ano, nada de novo

[caption id="attachment_88204" align="aligncenter" width="505" caption="Desmatamento, que estava em queda, tem nova tendência de alta. Uma das razões: o novo Código Florestal, que completa um ano hoje. Foto: Greenpeace/Daniel Beltrá"][/caption]   No sábado, o texto que desconfigurou o Código Florestal completou seu primeiro aniversário desde que foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff. Antes de ser aprovado, o novo texto passou os últimos dois anos sendo alvo de intensa disputa no Congresso Nacional. De um lado, a bancada ruralista tinha pressa em tratorar a legislação que zelava pelas florestas brasileiras. De outro, cientistas, representantes da academia, juristas e organizações civis que prezam pela preservação do meio ambiente, além de mais de 80% da população, clamavam por serem ouvidos. Hoje, passado um ano, o que vemos são os mesmos problemas do passado. À época das acaloradas negociações, a gana ruralista e a anuência do governo eram tais que impediram um diálogo equilibrado com setores fundamentais da sociedade. De lá para cá, a pressa deu lugar à delonga e, fora isso, nada mudou. O processo de implementação da legislação estagnou-se e os conflitos no campo seguem a todo vapor. Com a concessão da anistia a quem desmatou ilegalmente e novas brechas para mais desmatamentos, os grandes proprietários de terra se sentem no direito de descumprir também a nova lei, já suficientemente permissiva. “A aprovação do novo Código Florestal foi uma derrota para as florestas. A nova lei abre um precedente para que ilegalidades sejam repetidas, pois traz o entendimento de que elas podem ser facilmente perdoadas”, afirmou Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Mas para um país que se preocupa com sua população e as futuras gerações, e que quer ocupar um lugar de destaque no cenário internacional, o desmatamento e a destruição florestal não são aceitáveis. E esse tipo de demora na implementação não ajuda a solucionar o problema no campo.” Enquanto o governo não se movimenta para fazer de fato valer a nova lei, aqueles que defendem o agronegócio nunca param de se articular. E o discurso permanece o mesmo: o de que os proprietários rurais não consegirão cumprir as exigências que, a duras penas, conseguiram ser mantidas. A sociedade civil, que foi praticamente excluída do debate para aprovação do texto, continua com pouco espaço para participação. Somente nesta última semana a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, criou uma comissao para acompanhar o processo. “Depois da árdua batalha que foi travada, esperávamos que essa pauta fosse tratada de forma prioritária, mas não. O Cadastro Ambiental Rural, que é base para uma série de políticas, como a fiscalização do cumprimento dos limites da Reserva Legal, não possui sequer um roteiro de como será implementado. Enquanto isso, as únicas coisas que mudaram foram as taxas de desmatamento, que estão em nova tendência de crescimento, e a anistia – essa, sim, já em funcionamento. No momento em que se pedia mais tempo para discutir melhor, o goveno agiu de forma atropelada. Agora que é preciso urgência, a sociedade se pergunta onde foi parar toda aquela pressa”, questiona Astrini. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Nathália Clark, do Greenpeace
riodejaneiroonibus Ambiente

Cidades criam ações para transporte sustentável

Participantes do grupo C40 como Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá e Madri desenvolvem estratégias de carros e ônibus elétricos e híbridos para reduzir emissões de dióxido de carbono e diminuir poluição das cidades. O que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Santiago do Chile e Madri têm em comum? Além de serem grandes cidades conhecidas mundialmente por suas oportunidades profissionais e variedade turística, elas agora também compartilham iniciativas que buscam tornar o transporte mais sustentável, mitigando as emissões de CO2 e a poluição. Os projetos desenvolvidos por essas cidades fazem parte de ações do C40, grupo de grandes cidades mundiais que discute alternativas para combater as mudanças climáticas. Atualmente, cerca de 60 cidades participam do C40, entre elas Cairo (Egito), Pequim (China), Sydney (Austrália), Berlim (Alemanha), Paris (França), Nova York (EUA) e Buenos Aires (Argentina). Do Brasil, fazem parte as cidades de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as estratégias desenvolvidas pelo grupo estão a construção de edifícios verdes, a criação de ciclovias e estímulo a meios de transporte alternativos, desenvolvimento de iniciativas para redução de emissões e de consumo de eletricidade e água, concepção de projetos de eficiência energética, gestão de resíduos etc. Atualmente, alguns dos projetos que mais têm chamado a atenção são os de transporte sustentável, que visam reduzir as emissões de carbono e diminuir a poluição das cidades. Um desses é o Programa de Teste de Ônibus Híbrido e Elétrico (HEBTP), realizado em parceria com Iniciativa Climática Clinton (CCI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e que no último mês publicou um relatório com o parecer dos testes. Segundo o documento do HEBTP, que avaliou a iniciativa nas cidades latino-americanas de Bogotá, Rio de Janeiro, Santiago do Chile e São Paulo, as tecnologias híbridas produzem volumes até 35% menores de emissões de gases do efeito estufa (GEEs) e de poluentes, e os ônibus são cerca de 30% mais eficientes em combustível do que os comuns, movidos a diesel. Já os ônibus elétricos não produzem emissões e oferecem uma redução de 77% no consumo energético em relação ao uso de combustíveis fósseis. O texto também aponta que a nova tecnologia proporciona a redução de poluentes e outros problemas relacionados ao transporte público, como poluição sonora, o que traz não só benefícios ambientais, mas também sociais. Além disso, o relatório indica que as tecnologias elétricas e híbridas são mais baratas em longo prazo. Isso porque apesar de os custos iniciais de compra dos ônibus de baixo carbono serem altos – 50% a 60% a mais para híbridos e 125% a 150% a mais para elétricos –, os gastos do ciclo de vida total, calculados para uma projeção de dez anos de operação, são iguais ou menores do que os valores dos ônibus convencionais à diesel. Os custos de manutenção de um ônibus elétrico, por exemplo, são cerca de 50% menores do que os de um convencional. O documento enfatiza que esses números são excepcionalmente relevantes se considerarmos que o setor de transporte na América Latina é o maior emissor de CO2 por consumo energético, e é responsável por 35% das emissões totais do continente. Os valores são muito maiores do que a média mundial, na qual a participação desse setor nas emissões fica em 24%. “Os resultados das provas com ônibus híbridos e elétricos [...] demonstraram os benefícios econômicos e ambientais da utilização de veículos limpos. Nossa legislação municipal já exige o uso de 100% de veículos limpos em 2018 e acabamos de incorporar esses objetivos a nosso plano de governo. Vamos trabalhar duro para melhorar o transporte público na cidade”, colocou Fernando Haddad, prefeito de São Paulo. “Os resultados do HEBTP são muito promissores e vamos continuar trabalhando com o C40-CCI para demonstrar que se pode criar um caso de negócios para a introdução dessas tecnologias. O uso das tecnologias baixas em carbono para os ônibus na cidade do Rio de Janeiro é parte de uma estratégia global para melhorar a mobilidade da cidade e seu desempenho em sustentabilidade”, acrescentou Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro. A análise, entretanto, ressalta que esse não é o primeiro projeto a tentar implantar ônibus híbridos e elétricos no transporte urbano público. De acordo com o relatório, “cidades do C40 tais como Chicago, Curitiba, Londres, México, Nova York, São Francisco, Seattle, Xangai, Tóquio e Toronto foram pioneiras no uso de ônibus híbridos e estão colaborando com os fabricantes para que estes entendam suas necessidades e para melhorar as tecnologias”. Curitiba, por exemplo, foi pioneira nacional na produção de ônibus elétricos pra transporte coletivo, e atualmente 30 veículos híbridos operam na cidade. A operação dos ônibus começou em setembro de 2012, e atualmente eles percorrem cinco linhas, atendendo mais de 20 mil passageiros por dia. Como os ônibus testados pelo HEBTP, os veículos de Curitiba apresentam redução de 35% no consumo de combustível, 35% menos emissões de CO2, 80% menos óxido de nitrogênio (80%) e 89% menos fumaça. E não são apenas os veículos do transporte público que estão ganhando alternativas mais sustentáveis nos municípios. Em Madri, uma das cidades mais visitadas por turistas de todo o mundo, a rede de hotéis NH, conhecida por ser líder em turismo sustentável, criou um acordo com a Respiro Car Sharing, do ramo de aluguel de carros, para implantar o serviço de car sharing com veículos elétricos em hotéis da cadeia. A parceria ampliará um serviço já existente de car sharing desenvolvido pelas duas empresas desde janeiro. A diferença é que agora os veículos utilizados serão o modelo Nissan LEAF, o primeiro carro 100% elétrico fabricado em grande escala. O car sharing se apresenta como uma alternativa sustentável pois prevê o compartilhamento de um único veiculo por mais de um usuário. Segundo a Respiro, cada carro multiusuário supõe a retirada de circulação de pelo menos 15 veículos privados, reduzindo o impacto na cidade. Quando o carro é elétrico, os benefícios ambientais seriam ainda maiores. Além disso, cada usuário, por não possuir um carro, economizaria uma média de €2 a €5 mil por ano. “A transição para a mobilidade elétrica demorará mais ou menos, mais sem dúvida é o futuro da mobilidade no entorno urbano, e a grande alternativa aos veículos de combustão”, observou Juan Luis Plá de la Rosa, chefe de departamento de transporte do Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia (IDAE), ao site Ecosectores. “Após a experiência em Madri esperamos poder transpor o modelo de car sharing para Barcelona e outras cidades da Espanha, assim como complementar esse serviço com o do aluguel de bicicletas elétricas de que já dispõem vários hotéis de nossa cadeia na Europa”, concluiu Hugo Rovira, diretor geral dos Hotéis NH Espanha. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
O Brasil tenta combater a falta de saneamento. Foto: Rodrigo Sieiro Ambiente

Saneamento – será que desta vez vai?

[caption id="attachment_88192" align="aligncenter" width="450" caption="O Brasil tenta combater a falta de saneamento. Foto: Rodrigo Sieiro"][/caption]   Segundo o jornal O Estado de S. Paulo (15/5), o governo federal está anunciando que no mês que vem, como parte de um "pacote de investimentos para impulsionar a economia", começa a implantar o Plano Nacional de Saneamento Básico, em discussão desde 2007 e que prevê R$ 508,5 bilhões a serem aplicados até 2033, "para universalizar o acesso de todas as residências a água de boa qualidade, assim como o tratamento dos esgotos coletados". Mais 20 anos. E para "impulsionar a economia"... Mas será que desta vez os planos conseguem sair do campo das intenções? Garante o Ministério das Cidades que já no segundo semestre R$ 50 bilhões devem sair dos cofres públicos para as obras ainda em 2013 e 2014. E que também haverá uma complementação de R$ 2 bilhões por ano, com a isenção do pagamento do PIS e da Cofins para as empresas do setor. Com esses e outros recursos se pretende investir em saneamento R$ 298,1 bilhões "nos próximos 20 anos". Os restantes R$ 210,4 bilhões deverão vir "dos Estados, municípios e empresas privadas". Sempre ficam dúvidas. Ainda falta assinar contratos com grande parte das empresas que operarão com os R$ 40 bilhões projetados para ocorrerem imediatamente. Hoje só estão sendo investidos pelo governo federal R$ 500 milhões, ou a centésima parte do projetado - e ainda assim, segundo o ministério, é "mais do que era investido em todo o setor há seis anos". Porque, segundo o próprio ministro, "a área do saneamento básico não tinha projeto e nem política; faltava formulação de política". Nesse caso, onde ficam os dois mandatos do governo anterior e os primeiros anos deste, seu sucessor? O fato é que ainda temos 10% das residências sem receber água de boa qualidade e, de acordo com a Pnad (2011), 37,4% sem ligação com redes de esgotos (23 milhões de casas, 70 milhões de pessoas). Para completar, diz o IBGE (maio de 2012) que 11% dos domicílios estão em áreas com esgotos a céu aberto. Não são as únicas dúvidas. Do orçamento total de R$ 16,1 bilhões para essa área em 2012, apenas R$ 3,5 bilhões foram aplicados. Não espanta, assim, que até em algumas capitais de Estados os esgotos coletados não cheguem a 10%. Ou que apenas 36,3% dos esgotos das cem maiores cidades sejam canalizados. E que 5,4 bilhões de litros de esgotos não tratados sejam despejados a cada dia em cursos d'água e no mar - onde são a principal causa de poluição (O Globo, 25/9/2012). Por essas e outras causas, cidades como Ribeirão Preto (SP), com mais de 500 mil habitantes, só podem consumir água subterrânea. Também só pode ser de perplexidade a reação ante a notícia de que as redes de água no Brasil continuem a perder 37,5% da que sai das estações de tratamento. A grande exceção é Brasília, onde a perda está próxima de zero. No Estado de São Paulo, é de 32,5%; na capital, 25,6%, com a redução nos últimos anos permitindo uma economia de R$ 275,8 milhões anuais. O ceticismo quanto à possibilidade de avanços ainda encontra argumentos no fato de que a partir de janeiro de 2014 deixarão de receber recursos da União para o saneamento municípios que não formularam projetos para os serviços de coleta e tratamento de esgotos, além do abastecimento de água - mas só 11% deles os apresentaram no prazo, tal como ocorreu com os projetos para a área dos resíduos sólidos. Levantamento do Instituto Trata Brasil mostra (21/5) que mesmo as maiores cidades, acima de 500 mil habitantes, não têm usado recursos no setor; 65% das 138 obras monitoradas em dezembro de 2012, apesar do valor de R$ 6,1 bilhões, estavam paralisadas atrasadas ou não iniciadas. Só 20 obras estavam concluídas no final de 2012. De um ano para o outro, as obras paralisadas passaram de 23% para 34%. É lamentável que seja assim, num momento em que estão sendo encontradas soluções em várias partes, no Brasil e fora. Brasília mesmo chegou a praticamente 100% no abastecimento de água e na coleta de esgotos. Nesta última, como já se comentou neste espaço, foi vital a adoção, há mais de 20 anos, do sistema de coleta por ramais condominiais, que reduz entre 30% e 50% os custos, sem prejuízo da qualidade (apenas enfrentando a resistência das grandes empreiteiras). Criado pelo engenheiro pernambucano José Carlos Mello, esse sistema já atende hoje a mais de 15 milhões de pessoas em diversos locais do País, embora viva "escondido". Portugal também avançou extraordinariamente no setor, com outros métodos: trata 90% de seus esgotos e abastece com água 97,1% da população, graças, inclusive, a consórcios intermunicipais. Esse tipo de consórcio também deveria ter sido adotado há muito tempo no Brasil, principalmente na área dos resíduos, na qual cerca de 50% do que é coletado vai parar em lixões a céu aberto (que terão de ser eliminados, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos). Aterros adequados, instalados em locais equidistantes dos municípios que se associassem, economizariam recursos e permitiriam soluções mais rápidas. Da mesma forma, é preciso que os municípios se convençam da necessidade de reciclar, por meio de compostagem, os resíduos orgânicos, que significam pelo menos 50% do lixo coletado. O processo de compostagem permite em pouco tempo transformar em fertilizante (para jardins e canteiros públicos, contenção de encostas e outros usos que não a alimentação humana - de modo a evitar riscos com metais pesados) a parcela maior do lixo domiciliar e comercial, que contribui decisivamente para em poucos anos esgotar um aterro sanitário. Retornando ao início, não estamos condenados, como os moradores de Londres (EcoD, 14/5), a utilizar nas casas água de esgotos tratada e reciclada, como comentou o jornal The Guardian, porque em 25 anos a capital britânica aumentará em 80% seu consumo. Temos condições privilegiadas por aqui. Mas continuamos achando que temos todo o tempo para enfrentar os dramas. Não é assim. * Washington Novaes é jornalista. ** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.


por Washington Novaes*
BeloMonte Ambiente

Responsabilidade socioambiental do BNDES em Belo Monte é “para inglês ver”

O ISA está publicando, em primeira mão, uma cópia do contrato do empréstimo principal de R$ 22,5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao consórcio Norte Energia S.A. para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), a mais polêmica obra em andamento no País. Em 18 de dezembro de 2012, após ter disponibilizado empréstimos menores à Norte Energia, o banco comprometeu-se definitivamente com a implantação e operação da usina ao assinar o documento. O prazo para o pagamento é de 30 anos após o término da obra pelo consórcio, que detém a concessão pública de construção e operação da usina. Parte do crédito será repassada por meio de operação indireta, via dois agentes financeiros: Caixa Econômica Federal (CEF), com R$ 7 bilhões; e BTG Pactual, com R$ 2 bilhões. Leia a íntegra do texto do contrato, clicando aqui. Auditoria para inglês ver No caso de Belo Monte, o reconhecimento das limitações reais do monitoramento realizado pelo próprio Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão licenciador do empreendimento, levou o banco a estabelecer uma auditoria socioambiental independente para “averiguar a regularidade socioambiental do projeto”. Não obstante, para efeitos de utilização dos recursos e continuidade do empréstimo, os resultados da auditoria não têm nenhum valor contratual. A cláusula 13ª do contrato estabelece como obrigação da beneficiária do empréstimo contratar auditoria socioambiental independente para que esta encaminhe ao BNDES relatórios trimestrais e anuais sobre atendimento das obrigações socioambientais do empreendimento, bem como indicadores quantitativos de desenvolvimento humano dos municípios atingidos pela obra. Trimestralmente, a empresa contratada deverá informar sobre “o cumprimento adequado e tempestivo das condicionantes socioambientais incluídas nas licenças, autorizações, outorgas, permissões, ordens judiciais, termos de ajustamento de conduta e de compromissos e ofícios expedidos pelos órgãos competentes referentes ao projeto, de acordo com o cronograma neles estipulado ou outro que venha a ser definido por autoridades competente”. Apesar da pertinência desta informação para o acompanhamento do projeto, sua função concreta limita-se a satisfazer a curiosidade do banco sobre seu andamento. Para efeitos de desembolsos e uso de recursos, o contrato estabelece que a comprovação do cumprimento das condicionantes socioambientais da obra se faça mediante envio trimestral de relatório emitido pela própria beneficiária. Ou seja, embora esteja prevista uma auditoria socioambiental, a verificação do cumprimento das obrigações socioambientais é autodeclaratória (Cláusula 13ª, III, h). O contrato tampouco prevê a publicidade dos relatórios da auditoria. Apesar de se tratar de assuntos de natureza e interesse públicos, o BNDES alegou sigilo bancário para se negar a informar se a auditoria já tinha sido contratada ou não, já que o próprio contrato estabelece como limite para sua contratação o dia 31 de março de 2013 e, para apresentação do primeiro relatório, o mês de julho de 2013. A obrigação da Norte Energia esgota-se com a simples apresentação dos relatórios, independente do conteúdo dos mesmos. [caption id="attachment_88263" align="aligncenter" width="500" caption="O BNDES foi alvo de protestos durante a Rio+20, em junho de 2012 | Cláudio Tavares-ISA"][/caption]   BNDES é agora concessionário da geração de energia elétrica de Belo Monte O contrato estabelece três principais garantias de cumprimento das obrigações: o penhor das ações da Norte Energia ao BNDES; a cessão fiduciária dos direitos emergentes da concessão pública de geração de energia elétrica precedida de obra pública; e a fiança assumida pelas empresas com participação acionária na Norte Energia. As duas primeiras garantias duram até o pagamento de todas as parcelas pela Norte Energia, previsto para 2042, enquanto a fiança deve durar até 2021. As estatais com participação em Belo Monte estão assumindo garantias pesadas, que, associadas à ausência de análise de risco de investimento pelo BNDES para fundamentar o empréstimo e considerando as críticas de que o empreendimento possui grande risco econômico, geram preocupações quanto à saúde financeira dessas estatais (como a Eletrobrás, fiadora de 49% do empréstimo, e CEMIG, fiadora de sua subsidiária, CEMIG GT, que tem participação acionária na Norte Energia) e quanto à saúde financeira do próprio BNDES e da União. A fiança foi assumida pelas acionistas abrindo mão, expressamente, de garantias básicas que a legislação garante ao fiador. O BNDES (além da CEF e do BTG Pactual) tornou-se, na verdade, o concessionário da geração de energia de Belo Monte. A cessão fiduciária consiste em contrato de transferência da propriedade do devedor ao credor até o final do contrato. Em caso de não pagamento, o devedor perde a posse direta da obra e da concessão pública e o credor vende o empreendimento para que a dívida seja paga. O BNDES estabelece no contrato que qualquer alteração do estatuto da Norte Energia deve ser aprovada pelo banco (exceto mudanças menores) e exige que qualquer atraso no cronograma físico da obra seja aprovado pelo banco, que poderá estendê-lo em, no máximo, 120 dias, sob pena de multa e sanções contratuais mais graves. Ou seja, o BNDES tomou controle de diversos aspectos do gerenciamento do empreendimento, e algumas de suas exigências, com prazos peremptórios, são preocupantes em termos socioambientais. União é dona, licenciadora e financiadora O Ibama e a Fundação Nacional do Índio (Funai) provavelmente continuarão sofrendo pressões para não atrasar o cronograma a ponto de provocar o descumprimento do contrato, pois isso geraria imposição de multas à Norte Energia e às próprias estatais. Vale destacar que as exigências cronológicas do contrato de financiamento acompanham o cronograma de instalação da obra e não as autorizações ambientais da mesma. No documento, fica evidente que o BNDES já conta com a licença de operação da usina, em 2014, independentemente do cumprimento ou não das condicionantes socioambientais da licença de instalação. O provável atraso de obras básicas para a viabilidade socioambiental da usina, como a conclusão do sistema de esgoto e saneamento básico da cidade de Altamira antes do enchimento do reservatório, poderia atrasar a concessão da licença de operação pelo Ibama. O compromisso da empresa é iniciar a venda de energia em fevereiro de 2015, apesar dos comprovados atrasos e descumprimentos dos compromissos e cronogramas do Projeto Básico Ambiental (PBA). Por exemplo, o inicio das obras de abastecimento e esgotamento sanitário da cidade de Altamira tem quase dois anos de atraso, sem que isso signifique nenhum tipo de sanção administrativa. Como o ISA já noticiou, o Ibama se comporta de maneira leniente frente à empresa concessionária e, enquanto os descumprimentos acontecem, a obra corre normalmente (saiba mais). Na Cláusula 20ª, é reiterado o fato de que só o cancelamento administrativo ou judicial das licenças pode comprometer a utilização dos recursos desembolsados, mesmo existindo sanções administrativas que comprovem descumprimentos graves, como por exemplo, a existência de multas. Pela via do acordo contratual, o banco declara que a inadimplência socioambiental do beneficiário é irrelevante para a operação creditícia. Na mesma cláusula 20ª, o BNDES exige "Comprovação, pela BENEFICIÁRIA, da regularidade socioambiental do PROJETO perante os órgãos ambientais". Exige, no caso de "sanção, multa, advertência e/ou penalidade pelo órgão licenciador, comprovação (...) de que a Licença de Instalação continua válida". Portanto, só o mais alto e grave grau de descumprimento de obrigações socioambientais, que implicassem a nulidade ou cancelamento das licenças ambientais, constitui argumento suficiente para suspender ou cancelar o contrato entre o BNDES e a Norte Energia. No início de maio, o jornal O Globo publicou uma notícia sobre o contrato (veja aqui). * Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.


por Biviany Rojas e Leonardo Amorim, do ISA
A urbanização só vai continuar a distorcer as taxas desproporcionais de consumo, aponta a organização. Foto: UN Photo/Devra Berkowitz Ambiente

Até 2050 serão necessários “três planetas” para suprir necessidades da população mundial

[caption id="attachment_88256" align="aligncenter" width="450" caption="A urbanização só vai continuar a distorcer as taxas desproporcionais de consumo, aponta a organização. Foto: UN Photo/Devra Berkowitz"][/caption]   O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apontou que o estilo de vida atual da humanidade é insustentável. Imagine que a população mundial, de 7 bilhões de pessoas, precisa atualmente dos recursos de um planeta e meio para se alimentar. Se as tendências atuais de consumo continuarem, até 2050 — quando a população deverá chegar a nove bilhões, serão necessários três planetas Terra. Somando-se a essas pressões, está a rápida aceleração da urbanização. "O consumo e a produção sustentável não é apenas consumir menos, mas também fazer mais e melhor com menos. É sobre o aumento da eficiência dos recursos, promover estilos de vida sustentáveis e contribuir para a redução da pobreza", declarou Achim Steiner, subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do Pnuma. Embora as cidades ocupem apenas 3% da superfície terrestre do planeta, elas consomem 75% dos recursos naturais, produzem 50% dos resíduos mundiais e são responsáveis por 60 a 80% das emissões dos gases de efeito estufa. A urbanização só vai continuar a distorcer as taxas desproporcionais de consumo, aponta a organização. Com o objetivo de informar sobre as ações necessárias que darão início a um futuro mais sustentável, o Pnuma lançou o Global SCP Clearinghouse, uma rede de apoio e troca de informações sobre produção e consumo mais consciente. Os formuladores de políticas e profissionais de todo o mundo têm desenvolvido iniciativas e ferramentas que contribuem para o consumo e a produção sustentável (SCP, na sigla em inglês) ao longo dos anos, mas a informação existente é fragmentada e ainda faltam as pontes para conectá-las às pessoas. A Clearinghouse vai utilizar os princípios das redes sociais para unir a comunidade global SCP e criar um centro para o conhecimento e a cooperação sobre o tema. A ferramenta pretende inspirar governos, setor empresarial, pesquisadores, sociedade civil e todos os profissionais da área ou outras partes interessadas a compartilhar iniciativas, notícias, ideias, melhores práticas e ferramentas para criar um banco de dados em todo o mundo, bem como uma rede de especialistas, de modo a fortalecer as parcerias por meio de um mercado de cooperação, grupos de trabalho e fóruns. Possíveis benefícios A SCP pode ajudar a população dos países em desenvolvimento por intermédio da criação de novos mercados, empregos decentes e sustentáveis,por exemplo, com alimentos orgânicos, comércio justo, moradia sustentável, energia renovável, transporte sustentável e turismo, bem como uma gestão mais eficiente e equitativa dos recursos naturais. Ela também oferece a possibilidade de os países em desenvolvimento obterem um salto qualitativo para tecnologias de recursos mais eficientes, ambientalmente saudáveis e competitivas, contornando as fases ineficientes e poluentes do desenvolvimento. A poucos dias do seu pré-lançamento na reunião do Conselho de Administração do Pnuma, em fevereiro de 2013, a Global SCP Clearinghouse registrou quase 800 novos membros, de mais de 500 organizações com base em cerca de 100 países diferentes. Dentre as muitas iniciativas apresentadas à Clearinghouse está, por exemplo, a Plataforma de Arroz Sustentável (SRP), co-organizada pelo Pnuma e Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz com o objetivo promover a eficiência dos recursos e fluxos comerciais sustentáveis, produção e operações de consumo e as cadeias de fornecimento no setor global de arroz — uma cultura que alimenta metade do planeta. Outra iniciativa é o Programa de Construção Sustentável, do banco público brasileiro Caixa Econômica Federal, que possui 70% do financiamento para construções de casas no mercado nacional e que, portanto, exerce grande influência na indústria de construção. O objetivo do programa é imbuir nessas indústrias práticas de construção sustentáveis, bem como a redução do impacto ambiental nos 2,6 mil escritórios no país. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Sob risco: Mata Atlântica merece cuidados. Foto: Arquivo Agência Brasil/Tânia Rêgo Ambiente

Mata Atlântica em debate

[caption id="attachment_88177" align="aligncenter" width="500" caption="Sob risco: Mata Atlântica merece cuidados. Foto: Arquivo Agência Brasil/Tânia Rêgo"][/caption]   Representantes do MMA, governo de São Paulo, sociedade civil e setor privado articulam medidas para recuperar o bioma. Especialistas do Brasil e da Alemanha discutem, em São Paulo, nos dias 27 e 28 de maio, políticas públicas e ações da sociedade civil e da iniciativa privada destinadas à conservação e à recuperação da Mata Atlântica. O evento será realizado no auditório da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, das 9 às 17h, em função do Dia Nacional da Mata Atlântica, comemorado nesta segunda-feira, quando serão apresentadas medidas capazes de fortalecer a articulação entre os diferentes segmentos. A Semana da Mata Atlântica 2013 é uma realização conjunta do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e Rede de ONGs da Mata Atlântica, com apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável. Integrantes do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica farão a entrega do Prêmio Muriqui a pessoas físicas e entidades públicas e privadas, nacionais ou internacionais, que se destacaram no trabalho de proteção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável ou do conhecimento científico da Mata Atlântica. O evento integra a programação da Temporada da Alemanha no Brasil 2013-2014, que visa ampliar e aprofundar as relações entre os dois países, dando maior visibilidade à cooperação e incentivando novas parcerias para a conservação da Mata Atlântica. Participam da abertura o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Roberto Cavalcanti, e o secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas. Programação Na manhã do dia 27, após a abertura, haverá o painel “Aplicações da nova Lei Florestal e suas implicações para a Mata Atlântica”. Logo após, será apresentado o tema “Perspectivas sob a ótica do MMA para implementação da Nova Lei Florestal, com ênfase no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e PRAs (Programas de Regulamentação Ambiental)”, pelo secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Paulo Guilherme Cabral. À tarde, os debates seguem com as mesas “Desafios na consolidação de Unidades de Conservação no contexto de gestão territoriaL”,”pelo diretor de Áreas Protegidas da SBF, Sergio Brant; e “Convenção da Diversidade Biológica (CDB) e as metas de Aichi”, apresentada pelo diretor de Conservação da Biodiversidade da SBF, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza. O painel “Resultados e Perspectivas da Cooperação Brasil-Alemanha na Mata Atlântica” apresentará uma trajetória de mais de 20 anos de suporte a ações entre governo federal, estados e municípios para consolidar medidas e políticas de conservação da Mata Atlântica, e terá a presença do representante da Embaixada da Alemanha, Daniel Alker. As atividades do Dia da Mata Atlântica se encerram com a exposição de publicações recentes sobre temas relacionados ao bioma. Futuro Na terça-feira, 28, a programação se inicia com a mesa “O potencial da Mata Atlântica como sumidouro de carbono e a necessidade de adaptação às mudanças climáticas”. A programação prossegue com discussões acerca dos instrumentos financeiros para a conservação e promoção do uso sustentável dos recursos naturais e se encerra com os debates em torno do texto da Carta da Mata Atlântica 2013 e do estabelecimento de uma agenda conjunta de futuro para esta área ambiental. De acordo com os organizadores do evento, a Semana da Mata Atlântica foi instituída para valorizar a segunda área prioritária de biodiversidade mais ameaçada do planeta, considerada patrimônio nacional pela Constituição Federal. O bioma passou a ser homenageado em 27 de maio de 2001 porque, nesta data do ano de 1560, o padre Anchieta assinou a "Carta de São Vicente”, em que descreveu a biodiversidade das florestas tropicais, incluindo este conjunto florestal. Confira a programação aqui. Serviço: Semana Nacional da Mata Atlântica Quando: 27 e 28 de maio, das 9h às 18h Onde: Auditório da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Av. Professor Herman Júnior, 345, Alto de Pinheiros


por Redação do MMA
abelha Ambiente

Criação de abelhas melhora agricultura e reduz desmatamento amazônico

As abelhas brasileiras têm servido de auxílio para produtores da região amazônica. A técnica de criação desses insetos polinizadores têm elevado a qualidade dos frutos cultivados e o processo ainda ajuda a combater o desmatamento gerado para a obtenção do mel. Conforme informado por Ivanildo Alves dos Santos, em declaração ao iG, o uso das abelhas aumentou a produtividade e melhorou a qualidade, deixando as frutas ainda mais doces. O produtor ainda explica que a opção também ajuda a aumentar os lucros, já que é possível vender o mel fabricado por essas abelhas brasileiras. Os pontos positivos do uso das abelhas associado à agricultura são muitos, por isso, a alternativa tem feito sucesso em Manaus e região. A Associação de Melipolicultura de Manaus já conta com 80 associados e, o presidente da organização, Sérgio Souza, explica que ainda existem outros produtores que aproveitam a técnica, mas não integram oficialmente o grupo. Diferente das abelhas africanas, a espécie nativa não tem o hábito de construir colmeias. Assim, o mel fabricado por elas é normalmente depositado em troncos e é necessário cortar a árvore para aproveitá-lo. No caso das abelhas de criação, isso não acontece, porque elas são acomodadas em pequenas caixinhas. Este processo impede que muitas árvores sejam derrubadas por conta desta atividade. As abelhas nativas produzem um mel com valor de mercado maior, mais doce e também mais nutritivo que o da Apis mellifera, a abelha africana. “A produção de mel não é a atividade número um de cada produtor, mas é algo que está dando dinheiro e melhorando as outras culturas das pequenas propriedades”, informou Sérgio Souza ao portal. * Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Redação do CicloVivo

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