O xisto deixa a Opep sem o doce dos preços altos

Ambiente

O xisto deixa a Opep sem o doce dos preços altos


por Humberto Márquez, da IPS


[caption id="attachment_125552" align="aligncenter" width="443"] Ranking de reservas recuperáveis de petróleo e gás de xisto, que revolucionou o mapa mundial dos combustíveis fósseis. Foto: ProfesionalMovil[/caption]   Caracas, Venezuela, 27/11/2014 – A febre dos hidrocarbonos de xisto e o xadrez político em que estão imersas potências produtoras e consumidoras de petróleo colocam a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) em um dos mais duros momentos de seus 54 anos de história. A Opep “se deliciou durante vários anos com preços altos, de aproximadamente US$ 100 o barril (de 159 litros). Se os tivessem mantido em cerca de US$ 70, o petróleo de xisto (de rocha) não teria entrado para competir com tanto vigor”, opinou à IPS o especialista Elie Habalián, ex-representante da Venezuela junto à organização. O grupo de 12 membros (Angola, Arábia Saudita, Argélia, Catar, Equador, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela) enfrenta uma queda na produção, que implicaria sacrificar mercados, durante a reunião ministerial que acontece hoje em Viena, a de número 166 desde que a Opep foi fundada, em 14 de setembro de 1960. Os preços do petróleo, que subiram desde 2003 até mais de US$ 140 o barril em 2008, desmoronaram com a crise financeira global que explodiu nesse ano, mas nesta década se recuperaram e se mantiveram em torno dos US$ 100 por unidade. No entanto, nos Estados Unidos começou a prosperar a exploração de petróleo e gás não convencionais, contidos nos xistos (rochas sedimentares localizadas em grande profundidade, conhecidas como lutitas), que eram inalcançáveis pela tecnologia e pelos capitais disponíveis ao longo do século 20. Habalián recordou que, desde a crise e do embargo petroleiro árabe de 1973, “o Ocidente e o Japão estabeleceram uma estratégia para conseguir uma situação de mercado estável e sob seu controle e não dos países exportadores”. Nela não faltaram os sobressaltos, como o de que há 40 anos não se previa que a China, junto com a Índia e outras potências emergentes, resultassem em economias de grande crescimento com um voraz consumo de hidrocarbonos, o que levantou os produtores de petróleo e gás. Mas, “com preços altos, enquanto os exportadores financiavam campanhas geopolíticas, como os conflitos no Oriente Médio ou a influência da Venezuela na América Latina, sob a presidência de Hugo Chávez (1999-2013), as grandes corporações se dedicaram a investir em tecnologia e novas faixas de negócio”, explicou Habalián. O crescimento da exploração dos hidrocarbonos de xisto “só fez adiantar resultados dessa estratégia permanente do Ocidente. Esse petróleo chegou para ficar, seu preço baixará na medida em que progredir a tecnologia e desse modo diminui e coloca um teto à oferta da Opep”, acrescentou o especialista. A exploração dos xistos acontece mediante fratura hidráulica (fracking), procedimento caro que exige preços altos do petróleo para ser rentável, e que é ambientalmente questionável, porque acarreta grande consumo de água e movimentos do subsolo com consequências ainda a serem determinadas. O petróleo de xisto já é um grande ator no mercado energético global com produção diária de 3,5 milhões de barris, principalmente nos Estados Unidos, que assim poderá se converter, nos últimos anos desta década, no primeiro produtor mundial, com mais de nove milhões de barris diários, acima de Rússia e Arábia Saudita. A Arábia Saudita é há décadas o maior produtor e de fato o líder da Opep, pois sua extração de quase dez milhões de barris diários agrega uma capacidade de produção fechada de quase dois milhões de unidades, o que lhe permitiu aumentar ou diminuir a oferta nos ciclos de escassez ou abundância de petróleo no mercado. O mercado, de aproximadamente 91 milhões de barris, que são consumidos diariamente e dos quais a Opep fornece um terço, dá sinais de estar superabastecido com a oferta aumentada pelo petróleo de xisto, pela frágil economia da Europa e com a desaceleração de economias emergentes, desde a China até o Brasil. O petróleo está cerca de 30% mais barato do que há um ano. O tipo Brent do Mar do Norte, referência europeia, está cotado a US$ 80 o barril, contra os US$ 110 do fechamento de 2013. O West Texas, marcador norte-americano, é comercializado a US$ 75, e o petróleo venezuelano a menos de US$ 70, mas chegou a ser vendido a mais de US$ 100. A Arábia Saudita “parece decidida a responder agressivamente em defesa de sua cota de mercado, inclusive se isso significar preços menores por alguns anos”, afirmou à IPS o especialista Kenneth Ramírez, docente de geopolítica e petróleo na Universidade Central da Venezuela. Dessa forma, os sauditas confrontariam o Irã, seu rival no mundo islâmico (e que, com Venezuela, Rússia ou Nigéria, precisam com urgência da maior renda possível no curto prazo) e desestimulariam, com petróleo convencional barato, o desenvolvimento do grande rival no horizonte, o xisto. Adicionalmente, segundo enfoques com os de Habalián e Ramírez, os preços baixos e um mercado com mais petróleo disponível “castigariam” nações como a Síria e seu grande suporte, a Rússia, confrontada com o Ocidente pelo conflito que tem seu eixo na Ucrânia. No imediato, a Opep pode optar pela tese saudita, de manter o status quo e deixar que os preços do petróleo caiam para US$ 70, ou menos, o barril, apostando que isso possa enfraquecer o desenvolvimento do xisto e que haja uma recuperação das economias de Europa, China e outras nações emergentes. A Venezuela tratou de promover outra opção, com intensa viagem de seu chanceler, Rafael Ramírez, por capitais petroleiras, da Cidade do México a Moscou, passando por Teerã, mas sem tocar Riad: a de reduzir a produção para elevar os preços, confiando em que a capacidade para extrair petróleo de xisto diminua em poucos anos. Um componente que colabora para esse fim, disse Habalián, é a pressão dos movimentos ambientalistas, sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá, que rechaçam a exploração comercial do xisto devido ao seu impacto nas fontes de água e à injeção de químicos contaminantes que a hidrofratura requer, além das alterações do subsolo. Uma terceira saída, segundo Ramírez, seria ratificar o teto grupal de produção da Opep, de 30 milhões de barris diários, o que retiraria do mercado uma pequena porção com a qual atualmente se excedem os sócios. “Embora impacte pouco os preços, isso enviaria um sinal de que a organização não está contra a parede”, destacou. Porém, no médio e longo prazo, segundo Habalián, diante de uma Opep ferida por suas urgências políticas e orçamentárias, se continua apontando uma nova arquitetura energética coerente com a favorável estabilidade do mercado buscada pelo Ocidente. Envolverde/IPS

Foto: Reprodução/Internet Ambiente

Aquecimento global pode minar luta contra a pobreza, alerta Banco Mundial

[caption id="attachment_120217" align="alignright" width="380"] Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país. Foto: Beto Ricardo - ISA[/caption] Em novo relatório sobre mudanças climáticas, instituição prevê grave impacto na agricultura. No Brasil, a produção de soja pode ser reduzida em 70% até 2050 As mudanças climáticas podem levar a retrocessos nos esforços para derrotar a pobreza extrema em todo o mundo, advertiu o Banco Mundial neste domingo 23, ao divulgar um relatório sobre os impactos do aquecimento global. No documento, intitulado Reduzam o calor: enfrentando a nova normalidade climática (em tradução livre), o banco afirma que elevações bruscas de temperatura devem reduzir profundamente a produtividade nas lavouras e o abastecimento de água em muitas áreas. O relatório, que foca em impactos regionais específicos do aquecimento global, prevê efeitos no Brasil. Um aumento de até 2 °C na temperatura média em relação aos tempos pré-industriais levaria a uma redução da produção agrícola do país – de até 70% para a soja e 50% para o trigo em 2050, diz o documento. O Banco Mundial estima que, em 2050, a temperatura média seja 1,5 °C mais alta do que a registrada na era pré-industrial, com base no impacto das emissões de gases de efeito estufa do passado e atualmente. "Sem uma ação forte e rápida, o aquecimento poderia exceder 1,5 °C ou 2 °C, e o impacto decorrente poderia piorar significativamente a pobreza intra e intergeracional em várias regiões do mundo", diz o relatório. Quanto ao nível do mar, o documento afirma que este continuará subindo por séculos, visto que as grandes capas de gelo da Groenlândia e da Antártica vêm derretendo lentamente. Se as temperaturas se mantiverem nos níveis atuais, os mares subirão 2,3 metros nos próximos 2 mil anos, aponta o estudo. Entre outros efeitos citados, cidades andinas estariam ameaçadas pelo derretimento de geleiras, e comunidades do Caribe e da costa ocidental da Índia poderiam ver diminuir seus suprimentos de peixes. Na Macedônia, o cultivo de milho, trigo e uva seria reduzido em 50 %. Ações urgentes Sem ações coordenadas, o perigo é que o aumento da temperatura média global chegue a 4 °C até o fim do século, um cenário descrito pelo Banco Mundial como "um mundo assustador de aumento de riscos e instabilidade global". "Acabar com a pobreza, aumentar a prosperidade global e reduzir a desigualdade no mundo, o que já é difícil, vai ser muito mais difícil com um aquecimento de 2 °C, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. "Mas com [um aumento de] 4 °C, há sérias dúvidas de que essas metas possam ser alcançadas." Os piores efeitos do aquecimento global poderiam ser evitados através da redução das emissões de gases de efeito estufa, reitera o relatório. Representantes de quase 200 países se reunirão em breve para a próxima Conferência Mundial do Clima. Realizado no Peru entre os dias 1º e 12 de dezembro, o evento tem como objetivo a definição das bases de um acordo global de limitações de emissões de gases do efeito estufa. Espera-se que o acordo seja firmado em Paris em 2015. NM/afp/rtr * Publicado originalmente pela Deutsche Welle e retirado do site Carta Capital.


por Redação da Deutsche Welle
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Áreas verdes ou cinzas: o que esperar para a cidade de São Paulo?

[caption id="attachment_73196" align="alignright" width="380"] A questão da água é apenas o mais latente dos impactos que a degradação dos serviços ambientais causa no ambiente e na vida da população paulistana.[/caption] Falta água nas torneiras e sobra nas enchentes causadas pelas chuvas de verão. Os rios que correm pela cidade são verdadeiros reservatórios de esgoto a céu aberto, enquanto centenas de outros cursos d´água estão soterrados por asfalto. A questão da água é apenas o mais latente dos impactos que a degradação dos serviços ambientais causa no ambiente e na vida da população paulistana. O quadro calamitoso que a cidade de São Paulo apresenta em relação às questões ambientais vem sendo sistematicamente ignorado pelo Executivo em todas as suas esferas. Prova disso é a negligência com que as áreas verdes da cidade veem sendo tratadas. Enquanto a população brada por parques, haja vista movimentos como Parque Augusta, Parque Vila Ema, e muitos outros, a Prefeitura articula parcerias público-privadas que podem destinar até R$ 200 milhões para levar mais concreto ao Vale do Anhangabaú. A distorção de prioridades é escandalosa e se apresenta mais uma vez no impasse do Parque dos Búfalos. Há cerca de dois meses, meu mandato recebeu um e-mail denunciando que uma grande área de mananciais, no bairro Jardim Apurá, localizado no sul da capital paulista, estava sob ameaça da especulação imobiliária. O e-mail enviado por membros da comunidade local dizia que, unidas, as esferas municipal, estadual, e federal, pretendem construir no local 193 prédios do programa Minha Casa Minha Vida, onde viverão quase 15 mil pessoas. A aflição da comunidade se legitimava no fato de que o espaço, com 994 mil metros quadrados, margeado pela Represa Billings, é a única área verde da região, onde já vivem 430 mil pessoas. Não bastasse isto, o local ainda abriga sete nascentes que, em tempos de crise hídrica, seriam também impactadas pelo empreendimento. Nossa sugestão foi que os moradores apresentassem a denúncia à Frente Parlamentar pela Sustentabilidade, o que foi feito. Desde então o assunto ganhou relevância. Foram realizadas diversas discussões envolvendo a comunidade e o Executivo municipal e os principais veículos de comunicação da cidade deram destaque para o tema. Na esfera estadual, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) realizou na Assembleia Legislativa uma Audiência Pública para ouvir as partes envolvidas. Participamos, eu e minha assessoria deste encontro, para o qual o Executivo municipal enviou representantes técnicos da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e da Secretaria de Habitação. Foi para mim de grande surpresa não ver na audiência estâncias decisórias da Prefeitura. O assunto não seria relevante o suficiente? Estou, junto com alguns colegas vereadores, diretamente envolvido na resolução deste caso. Trata-se de mais uma situação emblemática, que coloca novamente em lados opostos do ringue a urgente questão da moradia na cidade de São Paulo e o meio ambiente. Em reunião realizada na Prefeitura entre Secretaria do Verde e a comissão de moradores do Parque, o parecer do órgão foi que, o projeto atende os critérios técnicos necessários e, por isso, as licenças ambientais seriam todas concedidas. Não cabe aqui uma extensa análise sobre estes parâmetros, mas não há como negar que são restritos e não tem o poder de avaliar de forma sistêmica o impacto que a depredação daquela área pode trazer. Fico estupefato em observar que eles descartam a possibilidade de que colocar mais pessoas naquela região vai causar degradação na área verde que restar. O caso do Parque dos Búfalos, como a área que aqui falamos é chamada pelos moradores, é muito triste. A população tem lutado de forma heroica pela preservação e o Executivo parece propenso a tapar os ouvidos e seguir com seu plano de desenvolvimento a qualquer custo, inclusive ignorando uma das principais diretrizes do Plano Diretor Estratégico (PDE), que é o adensamento urbano, e seu próprio Plano de Metas (ver objetivo 14*). Levar milhares de pessoas para um local onde não há infraestrutura adequada, nem transporte público suficiente, não me parece ser uma ação alinhada com este ideal. Parque dos Búfalos, Parque Vila Ema, Parque Augusta, entre outros. Nestes dois anos de mandato recebi da população muitas reivindicações e pedidos de ajuda para que as áreas verdes de suas regiões não deem lugar a mais prédios e mais cinza. A população precisa de moradia, mas precisa também de áreas de lazer, de ar puro e de qualidade de vida. A cidade sustentável é aquela onde convivem harmonicamente o meio ambiente, o desenvolvimento e, principalmente, a vida. Lutemos por ela! *Objetivo 14: Proteger os recursos naturais da cidade, conservando as áreas de mananciais, ampliando o sistema de áreas verdes, preservando os recursos hídricos e monitorando as áreas de risco (http://planejasampa.prefeitura.sp.gov.br/metas/?objetivo=14#resultado) *** Ricardo Young é vereador de São Paulo pelo PPS. Foi presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.


por Ricardo Young*
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WWF-Brasil lança livros sobre o Mosaico da Amazônia Meridional

[caption id="attachment_125596" align="alignright" width="380"] As publicações estão disponíveis para download gratuito em wwf.org.br/publicacoes. Foto: © WWF-Brasil[/caption] Com o objetivo de disseminar informações sobre uma região de extrema importância da Amazônia brasileira, o WWF-Brasil lançou, este mês, duas publicações sobre o Mosaico da Amazônia Meridional (MAM), que estão disponíveis gratuitamente para download em nosso site. O Mosaico da Amazônia Meridional é formado por 40 Unidades de Conservação, federais e estaduais, distribuídas entre os estados de Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, num território de mais de 7 milhões de hectares - similar ao tamanho da Irlanda. Com os títulos “Mosaico da Amazônia Meridional: Vencendo limites geográficos e integrando gestão” e “Mosaico da Amazônia Meridional”, os livros buscam tornar esta área mais conhecida por toda a sociedade. A primeira publicação apresenta o que é o Mosaico da Amazônia Meridional, sua história, importância, criação e gestão atual. Além disso, o livro traz as prioridades, os planos de ação e os projetos do Mosaico, quem têm como objetivo final garantir a integridade daquela região. O segundo livro, em formato de cartilha, foi ilustrado pela desenhista Érica Bettiol e tem como público as comunidades ribeirinhas que vivem nas pequenas cidades e nas zonas rurais. A obra tem uma linguagem mais didática e objetiva e será distribuída em escolas, associações de classes e prefeituras. “Queremos que as populações do interior do Mosaico da Amazônia Meridional saibam o que são as unidades de conservação, sua relevância e passem a defendê-las e a protegê-las. Os livros têm uma importância fundamental, porque é através da informação e do conhecimento que as pessoas se engajam em causas vinculadas à proteção e à sustentabilidade”, afirmou a analista de conservação do WWF-Brasil, Jasylene Abreu. Os dois livros serão distribuídos para órgãos governamentais, associações, cooperativas, sindicatos, servidores públicos e comunidades – e também estão disponíveis para download gratuito em wwf.org.br/publicacoes. Partilhando recursos O WWF-Brasil apoiou diretamente os estudos que subsidiaram a criação do Mosaico da Amazônia Meridional. Em outubro de 2011, o WWF-Brasil organizou a primeira reunião dos gestores do MAM para definir o regimento interno, discutir a composição do conselho e analisar o planejamento estratégico do mosaico. Por meio do Mosaico da Amazônia Meridional, os gerentes das unidades e entes públicos como secretarias estaduais de Meio Ambiente, em conjunto com o governo federal, partilham recursos e realizam planejamentos em conjunto. Deste modo, é mais fácil e produtivo monitorar e defender os recursos naturais. Integram o Mosaico da Amazônia Meridional, entre outras unidades, o Parque Nacional do Juruena; o Parque Nacional dos Campos Amazônicos; e as nove unidades localizadas no Sul do Amazonas que compõem o Mosaico do Apuí. Mosaicos são conjuntos de Unidades de Conservação e outras áreas protegidas que são geridos de forma integrada. * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Jorge Eduardo Dantas, do WWF Brasil
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Solar: a energia que transforma vidas

[caption id="attachment_125591" align="aligncenter" width="550"] A renda obtida através da venda da energia solar poderá ser usada para a melhoria das áreas públicas, como transformar o quiosque vazado em centro comunitário. Foto: © Greenpeace/Carol Quintanilha[/caption]   No quinto episódio da minissérie Linhas, conheça o projeto de energia solar que mudou a vida em condomínios populares. Mulheres levantando escadas, subindo ao telhado e carregando um tanto de painel que ninguém sabia pra que era, virou uma cena rotineira no cotidiano dos condomínios Praia do Rodeadouro e Morada do Salitre, em Juazeiro, Bahia. Em fevereiro de 2014 o projeto piloto no sertão baiano - nascido da parceria entre a Caixa Econômica Federal e a empresa Brasil Solair - instalou nove mil painéis solares em mil casas do programa Minha Casa Minha Vida, além de três aerogeradores de energia eólica. A energia limpa e renovável é distribuída na rede elétrica comum e vendida no mercado livre. A participação popular na montagem da miniusina solar foi fundamental para a união dos moradores, já que pessoas dos mais diversos lugares chegam para viver nos condomínios populares. “A autoestima da comunidade aumentou surpreendentemente, sobretudo entre as mulheres que têm filhos e não podiam trabalhar fora. Além de aprenderem um novo ofício, são elas que recebem o dinheiro da renda e decidem onde a família deve investir”, explica Jean Aragão, técnico de manutenção da Brasil Solair. O destino de 60% da renda cai diretamente na conta das famílias. 30% vai para um fundo de investimento e 10% para a manutenção dos painéis. No dia do pagamento, R$ 123,00 entravam na conta de cada uma das famílias beneficiadas (o valor oscila de acordo com o preço da energia no mercado). No fim da tarde, Marinalva Rodrigues chegava em casa sorridente e cheia de sacolas: “Comprei iogurte, queijo e Toddynho para meus filhos, além de bolinhas para a árvore de Natal. Vou montar meu presépio”, contou. O destino dos 30% que vai para o fundo de investimento é assunto até na rádio local. A intenção das síndicas de usar o dinheiro para melhorias das áreas comuns – como a construção de creche, lombadas, postos médico e policial e um centro comunitário – não é aceita por muitos moradores, que preferem investir a verba em gastos pessoais. “Fazemos um apelo aos moradores para que pensem a longo prazo. Investir em um centro comunitário onde podemos oferecer cursos aos nossos jovens, por exemplo, significa prepará-los para o mercado de trabalho”, explica Gilsa Oliveira, síndica do Morada do Salitre. É o que mais deseja Neide Silva, a personagem principal do 5º episódio da minissérie Linhas. Aos 43 anos, mãe de oito filhos e sem ter tido a oportunidade de estudar, ela encontrou nos painéis fotovoltaicos a chance de trabalhar com o que gosta e montar sua microempresa. Assista!   * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace
Barra do Piraí- RJ, Brasil- Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul . Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil Ambiente

Transposição do rio Paraíba é uma política pública míope

[caption id="attachment_125494" align="aligncenter" width="550"] Barra do Piraí- RJ, Brasil- Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul . Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil[/caption]   "Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro rio", frisa o oceanólogo David Zee. “Minimizar os prejuízos gerados em relação ao desperdício de água” durante a produção e distribuição é uma das alternativas a ser considerada diante da crise hídrica que afeta o estado de São Paulo, diz David Zee à IHU On-Line, ao comentar a possível transposição do Rio Paraíba do Sul, que banha os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para o sistema Cantareira. Segundo ele, o desperdício de água no Brasil já alcança uma média de 40%, sendo que somente em São Paulo perde-se 32% da água, e no Rio de Janeiro, 38%. Contrário à transposição como medida imediata a ser adotada, Zee reitera que “antes de retirar água dos mananciais esgotados, porque os rios já estão sobrecarregados, é preciso reduzir as perdas e aumentar a eficiência. Se conseguirmos melhorar em 50% a eficiência, isso significa 20% de água a mais e talvez seja desnecessária a transposição do Paraíba do Sul”. Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o oceanólogo explica que a transposição está sendo cogitada pela questão da “facilidade” que o rio Paraíba oferece em termos de localização. Contudo, adverte, “por ser próximo dos centros consumidores, ele também é extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos. E, se a transposição for feita, daqui a pouco se corre o risco de faltar água para a produção de energia elétrica. Se isso acontecer, as termoelétricas terão de funcionar e o custo da energia aumentará ainda mais”. Lembrando o caso da transposição do rio São Francisco, que se estende desde 2007, Zee alerta para o fato de que “muitas vezes se pensa em fazer uma transposição e se faz um canal artificial ligando um lado a outro do rio, mas só a extensão do canal precisa de um volume de água enorme para manter esse canal funcionando. Ocorre que às vezes essa questão não é vista, e se perde muita água por evaporação”. E acrescenta: “Essa questão precisa ser discutida, porque antes de uma decisão política é preciso ter um estudo técnico para mostrar as alternativas, o qual vai contribuir para ajudar a tomar uma decisão”. [caption id="attachment_125495" align="alignleft" width="250"] Foto: www.greenmeeting.org[/caption] David Zee é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mestre em Oceanografia pela Universidade da Flórida e doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Confira a entrevista. IHU On-Line - Como avalia a possibilidade de transposição do rio Paraíba do Sul para Cantareira? David Zee – Avalio essa situação como uma das últimas alternativas. Precisamos encontrar alternativas que são de melhor solução antes de ir diretamente para a transposição. Quais seriam essas alternativas? Primeiro, as empresas de produção/distribuição de água dos estados deveriam fazer a lição de casa, ou seja, minimizar os prejuízos em relação ao desperdício de água — a média no Brasil é de 40% de perda da água produzida. Em São Paulo, perde-se 32% da água, e no Rio de Janeiro, 38%, seja por meio da distribuição ou dos “gatos”. Então, antes de retirar água dos mananciais esgotados, porque os rios já estão sobrecarregados, é preciso reduzir as perdas e aumentar a eficiência. Se conseguirmos melhorar em 50% a eficiência, isso significa 20% de água a mais e talvez seja desnecessária a transposição do Paraíba do Sul. Antes de retirar da natureza, temos de pensar o que é possível fazer. IHU On-Line - Pode explicar as características da Bacia do rio Paraíba e por quais razões se cogita a transposição dessa bacia? David Zee – Pela simples localização geográfica, próxima ao centro consumidor, próxima dos equipamentos que eventualmente as empresas produtoras de água têm. Então, a escolha do Paraíba é uma questão de facilidade que o rio fornece em termos de localização. Mas, ao mesmo tempo, por ser próximo dos centros consumidores, ele também é extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos. E se a transposição for feita, daqui a pouco se corre o risco faltar água para a produção de energia elétrica. Se isso acontecer, as termoelétricas terão de funcionar e o custo da energia aumentará ainda mais. Então, mais do que nunca percebemos o valor da água não somente em termos de necessidade humana, mas seu valor econômico. Portanto, é preciso que o homem não desperdice a água e a utilize planejadamente. [caption id="attachment_125496" align="aligncenter" width="513"] Foto: http://www.comiteps.sp.gov.br[/caption]   IHU On-Line - A transposição pode solucionar em parte os problemas de São Paulo, mas gerar problemas de abastecimento em outros estados, como para o Rio de Janeiro posteriormente? David Zee – Sem dúvida alguma. A questão não está restrita somente à cidade do Rio de Janeiro. O rio Paraíba passa por vários municípios fluminenses e mineiros, e ambos os lados precisam de água para movimentar suas indústrias, suprir as necessidades da agricultura, sem falar na questão da água para as cidades ribeirinhas. Então, mesmo que ocorra a transposição, como São Paulo concentra um número muito grande de pessoas, cada vez vai se pedir mais água. Ou seja, as políticas públicas são feitas de uma maneira míope, somente olham para as necessidades sem lembrar que o rio atravessa três estados e que outras pessoas também precisam de água. Por isso se faz necessário desenvolver políticas públicas mais integradas e, em segundo plano, ter uma participação maior da sociedade consumidora. Um bom exemplo dessa comunicação integrada entre setores é o Comitê de Bacias. O problema é que o Comitê de Bacias fica a desejar em relação à demora entre a tomada da decisão e a realização do que foi decidido. É preciso mais agilidade nesse aspecto e é preciso pensar algo intermediário em relação à crise hídrica: nada tão pulverizado em termos de opiniões, mas também não tão centralizado. Deve haver um meio termo. A natureza está se esvaindo e um dos fatores que temos de levar em consideração é o tempo para executar o que foi decidido. IHU On-Line - Que estudos técnicos deveriam ser feitos antes de fazer a transposição? David Zee – Não somente aqueles ligados aos aspectos climáticos, geográficos e culturais, mas aos aspectos sociais e de política de desenvolvimento, que devem ser pensados porque não haverá recursos suficientes para todas as demandas que estão se colocando. Essas demandas estão se colocando de uma forma independente, sem analisar o conjunto, ou seja, quais seriam as medidas mais benéficas e economicamente viáveis? A resposta está ligada à sustentabilidade. O princípio da sustentabilidade está num tripé, em que se mantém o meio ambiente junto com a questão das demandas das necessidades humanas e a viabilidade econômica, a qual passa por questões de equipamentos, de técnicas, de recursos e de políticas públicas que estão carecendo de uma visão integrada. IHU On-Line - Quais as implicações ambientais da transposição, tendo em vista o exemplo da transposição do rio São Francisco, que se estende por anos? Diante da crise hídrica, há tempo para realizar uma obra dessa magnitude? David Zee – Há várias questões a serem consideradas e uma delas é a questão técnica. Muitas vezes se pensa em fazer uma transposição e se faz um canal artificial ligando um lado a outro do rio, mas só a extensão do canal precisa de um volume de água enorme para manter o canal funcionando. Ocorre que às vezes essa questão não é vista, e se perde muita água por evaporação. Além disso, existe uma questão financeira: o Brasil tem muitas ideias e pouco dinheiro para colocá-las em prática. A terceira questão é a do tempo: eventualmente agora há essa necessidade, mas talvez com o tempo se perca essa necessidade. Então, são vários problemas que devem ser efetivamente vistos e considerados. Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro rio. Essa questão precisa ser discutida, porque antes de uma decisão política é preciso ter um estudo técnico para mostrar as alternativas. IHU On-Line – Além dos problemas de gestão e administração que o senhor mencionou, a crise hídrica tem alguma relação com as mudanças climáticas? David Zee – A falta de água começa pelo uso antrópico, ou seja, o uso do homem. Como a população é muito grande e há uma demanda alta em regiões do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), não tem água para toda a população. Esse é o primeiro problema. O segundo problema é agravado pelas mudanças climáticas, mas elas podem variar ao longo do tempo. Por essa razão, as mudanças climáticas contribuem para a crise hídrica, mas num segundo plano. A demanda e a necessidade fazem com que se tomem decisões intempestivas e nem sempre as mais adequadas. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.


por Redação do IHU On-Line
No relatório anual sobre as concentrações de gases de efeito estufa, a agência das Nações Unidas indica que a taxa de crescimento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera entre 2012 e 2013 representa o maior aumento anual em 30 anos. Na foto: São Paulo/ Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas Ambiente

Os EUA e a China (e o Brasil e…) podem fazer mais pelo clima

  [caption id="attachment_125469" align="aligncenter" width="550"] No relatório anual sobre as concentrações de gases de efeito estufa, a agência das Nações Unidas indica que a taxa de crescimento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera entre 2012 e 2013 representa o maior aumento anual em 30 anos. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas[/caption]   O acordo anunciado pelos dirigentes dos Estados Unidos e da China para a redução das respectivas emissões de gases do efeito estufa dá um grande alento às negociações que ocorrem no âmbito da ONU para enfrentar a ameaça da mudança climática e do aumento da temperatura média na superfície da Terra. Os EUA haviam assumido, há cinco anos, o compromisso voluntário de reduzir suas emissões em 19%, até 2020, em relação aos níveis de emissão de 2005. Agora, ampliaram essa meta para 27%, até 2025, o que representaria uma pequena aceleração do processo de redução de emissões já em curso, em consequência do aumento em escala da produção de energias fósseis oriundas da exploração das reservas de xisto, que substituem, com menor emissão de carbono, o carvão e o petróleo anteriormente importado do Oriente Médio. A China, por seu lado, assume, pela primeira vez, o compromisso de iniciar reduções absolutas dos seus níveis de emissões, até 2030. Além disso, propõe elevar para 20% a participação das energias limpas na composição da sua matriz energética, num salto expressivo. Há cinco anos, havia se comprometido, apenas, a reduzir suas emissões em relação ao crescimento da economia, o que significa continuar aumentando o volume bruto das emissões em proporção menor que o crescimento do PIB. O anúncio do acordo, às vésperas da conferência da ONU sobre mudança climática em Lima, no início de dezembro, terá impacto positivo nas negociações em curso, que devem desembocar num acordo global até dezembro de 2015, quando haverá a próxima conferência, em Paris, com a presença dos chefes de estado. Como EUA e China detêm as maiores economias, que respondem por 40% das emissões globais e, até então, eram obstáculos para um acordo internacional, sua nova postura destrava o processo e instiga os demais países a também definirem compromissos significativos. Porém, o impacto climático desse acordo é ainda diminuto diante do que os cientistas afirmam que é necessário fazer para evitar que a temperatura média aumente mais do que 2 graus centígrados na superfície da Terra, reduzindo o risco de consequências mais sinistras da mudança do clima. Para reduzir em 80% as emissões globais até 2050 em relação aos níveis de 1990, seria necessário que todos os países entrassem na próxima década acelerando muito mais esse processo em comparação com o que vem sendo anunciado. Na verdade, as metas agora anunciadas poderão ser alcançadas dando-se continuidade a políticas e investimentos que já estão em curso, sem exigirem grandes esforços adicionais. Com uma indução mais forte de políticas e a potencialização de vantagens econômicas comparativas decorrentes dos processos já em andamento, há espaço nessas economias gigantescas para reduções de emissões mais significativas do que as assumidas. Por exemplo, especialistas calculam com base no cenário atual que o pico de emissões da China ocorrerá em 2023, sete anos antes do compromisso assumido. No caso dos EUA, um investimento em escala na produção de energias limpas, como foi feito na China, poderia levar o país a reduções mais significativas do que a projeção da meta já assumida por mais cinco anos. As dificuldades são mais políticas, derivadas de resistências internas. A aceleração ainda maior da introdução de energias limpas na matriz chinesa contraria interesses da indústria carbonífera, arraigados no próprio Partido Comunista, mas sinaliza para uma melhora futura nas condições da poluição da água e do ar, que vêm provocando revoltas na população. Nos EUA, a oposição republicana, fortalecida nas últimas eleições, promete combater a atuação da agência federal que controla a poluição e inviabilizar e implementação da meta anunciada. Por outro lado, os efeitos da mudança do clima agravam-se em todas as partes do mundo, afetando principalmente os países e as populações mais pobres, sem poupar, no entanto, quem quer que seja, como aponta o recém-divulgado relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, vinculado a ONU. A intensificação de eventos climáticos extremos, com o aumento das vítimas e dos prejuízos, deve aumentar a pressão sobre empresas e governos para adotar medidas mais fortes. Assim, também há espaço para que, de Lima até Paris, EUA e China possam ampliar as metas anunciadas, na medida em que outros grandes emissores globais também aumentem as suas apostas. A União Europeia já sinaliza neste sentido, por exemplo. Urge que o Brasil – governo, inclusive – discuta e defina claramente o papel que pretende desempenhar no período decisivo dessa negociação, que trará consequências para as economias e as futuras gerações. Enquanto o mundo aguarda o anúncio da nossa disposição para a próxima década, as emissões brasileiras voltaram a crescer a partir de 2013, tanto no setor de energia quanto em decorrência da retomada do desmatamento na Amazônia, apesar da quase paralisia da economia no período (saiba mais). Já não somos os protagonistas que fomos há cinco anos, quanto o Brasil foi o primeiro país emergente a anunciar uma meta de redução para 2020. Estamos, na verdade, saindo do rumo para o cumprimento dessa meta no momento em que esperamos que o país tenha, assim como os demais grandes emissores da Terra, compromissos fortes para os próximos anos. * Márcio Santilli é sócio fundador do ISA. ** Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.


por Márcio Santilli*
Área desmatada para plantio de soja na Amazônia. Foto: Greenpeace/Daniel Beltra Ambiente

Moratória da soja é renovada para fortalecer governança na Amazônia

[caption id="attachment_125433" align="aligncenter" width="550"] Assinatura renovação da moratória da Soja - 24/11/2014. Foto: Wenderson Araujo/Greenpeace[/caption]   O acordo voluntário compartilha responsabilidades entre setor produtivo, governo e sociedade civil para evitar a comercialização de grãos plantados em áreas desmatadas da Amazônia após 2008. Depois de meses de intensas negociações, a Moratória da Soja, acordo que visa eliminar o desmatamento da Amazônia da cadeia produtiva de Soja, foi renovado na manhã desta terça-feira (25), em Brasília, e passa a valer até maio de 2016. O acordo, em vigor desde 2006, vem sendo prorrogado anualmente. A cerimônia de assinatura aconteceu as 10h30 de hoje, na sede do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O novo documento foi ratificado pelos coordenadores do Grupo de Trabalho da Soja (GTS): Carlo Lovatelli, presidente da Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais); Sergio Mendes, diretor geral da ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais); Paulo Adario, coordenador da sociedade civil no GTS; e pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Também estiveram presentes na cerimônia representantes de empresas do setor de soja, do governo federal e de outras ONGs. “A renovação dos princípios básicos da moratória é um alívio para todos aqueles que, no Brasil e no exterior, temiam que o fim do acordo colocasse mais lenha na fogueira do desmatamento da maior floresta tropical do planeta, que voltou a aumentar no ano passado depois de 7 anos de queda”, disse Paulo Adario, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. O novo acordo mantém o critério fundamental da moratória, que é o veto à soja plantada em novas áreas de desmatamento. Antes, no entanto, o pacto previa o boicote ao produto semeado em áreas desmatadas a partir de 2006. Já o novo documento passa a utilizar como referência a data definida pelo novo Código Florestal, que anistiou desmatamentos até junho de 2008. Assim, a partir desta safra, as traders da soja – responsáveis por mais de 80% das exportações brasileiras do produto (grãos, óleo e farelo) - se comprometem a não comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia depois de junho de 2008. Pelo novo critério, cerca de 400 mil hectares desmatados entre uma data e outra poderiam se somar às áreas de produção de soja. Mas nem toda a área é adequada ao grão. E agora? Desde o início da moratória, em 2006, dos 5,2 milhões de hectares desmatados no bioma Amazônia no período, cerca de 1 milhão de hectares (ou 19,7% do total) estão nos 73 municípios produtores de soja monitorados pelo GTS - responsáveis por 98% da soja produzida no bioma. Mas apenas 47 mil hectares em desacordo com a moratória foram plantados com soja na safra 2012-2013. A área total ocupada com soja no bioma era de 3 milhões de hectares na safra passada. Esses dados constam do relatório consolidado sobre o monitoramento da produção de soja na Amazônia desde o primeiro ano de vigor da moratória, 2007, até 2013, e foram divulgados durante a cerimônia de hoje. Os dados demonstram que a moratória foi bem sucedida em conter o desmatamento para plantio do grão, mesmo em um período de alta de preços da soja no mercado global. A eficácia do acordo também foi citada este ano pela Union of Concerned Scientists (UCS), que classificou a Moratória como um dos principais motivos para a redução do desmatamento na Amazônia brasileira nos últimos anos. Mas o termo moratória, por definição, é usado para nomear medidas provisórias, e não permanentes. E é isso que ela deveria ser: uma solução emergencial para conter o avanço do desmatamento, até que mecanismos públicos e eficientes fossem criados para substituí-la. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA), dois instrumentos fundamentais do Código Florestal, ainda têm baixa adesão. Quando estiverem implementados (segundo a lei, até 2016), serão muito úteis para auxiliar no rastreamento e monitoramento da produção. Mas sem um compromisso das empresas pelo Desmatamento Zero, a floresta poderá continuar sendo destruída para dar lugar a soja e outras commodities e isso compromete o nosso futuro. O Greenpeace espera que nos próximos 18 meses o GTS consiga construir um novo mecanismo que, mantendo as conquistas feitas até aqui, assente as bases para um novo modelo produtivo, que contribua para o fim do desmatamento não apenas na Amazônia, mas em todos os biomas até 2020, e que envolva as demais commodities agrícolas. Um modelo que servirá de exemplo para o mundo no combate às mudanças climáticas e à perda acelerada da cobertura florestal. Com esta nova página que acaba de ser escrita, a floresta amazônica ganha um pouco mais de tempo. Mas as consequências de um fim precoce da Moratória, sem a prática de uma solução permanente, podem ser desastrosas para todo o planeta. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace
Foto: Shutterstock Ambiente

O que esperar da COP-20?

Sem um texto de negociação sobre a mesa, a 20ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-20) começará na segunda-feira, 1º de dezembro, em Lima, capital do Peru. A grande expectativa para a cúpula é a de que os negociadores dos 190 países consigam estabelecer as bases para um acordo global de redução das emissões dos gases de efeito estufa, que seria assinado no final de 2015, em Paris, quando será realizada a COP-21. A COP-20 é tida pelo governo brasileiro como uma reunião fundamental: tem que preparar o caminho para o acordo que irá vigorar a partir de 2020. “O relógio está correndo. Temos pouco tempo, praticamente só o ano que vem para trabalhar”, destacou ao jornal Valor Econômico o embaixador José Marcondes de Carvalho, negociador-chefe do Brasil nos processos de mudança do clima. O governo brasileiro espera três resultados da COP-20. O primeiro é a definição dos elementos do acordo de 2015, que abordem os cinco tópicos acordados em reuniões anteriores — mitigação, adaptação, meios de implementação (recursos, transferência de tecnologia e capacitação), transparência de ações e transparência de apoio — sob a convenção do Clima. “Elementos podem ser apenas os títulos de partes do acordo, como se fossem capítulos, ou podem detalhar mais como tratar a mitigação, a adaptação e os meios de implementação, por exemplo”, explica o embaixador. O Brasil prefere a versão mais detalhada. Outro ponto que espera-se saia da reunião é a definição sobre como cada país apresentará as “contribuições nacionalmente determinadas” (NDC, na sigla em inglês). São os compromissos de cada nação no acordo. Financiamento Na quinta-feira, 20 de novembro, 32 países reunidos em Berlim se comprometeram a repassar US$ 9,3 bilhões para o Fundo Verde para o Clima (FVC) das Nações Unidas, criado para ajudar as nações em desenvolvimento a lutar contras as mudanças climáticas. A maioria dos contribuintes é de países ricos como Estados Unidos, Grã Bretanha, França e Japão. O Fundo Verde, com sede na Coreia do Sul, foi criado oficialmente em 2010 pelos acordos de Cancún para ajudar os países em desenvolvimento a lutar contra o aquecimento global. A COP-20 deve definir um padrão para que as iniciativas sejam comparáveis. Lima também tem que encontrar meios para aumentar a ambição dos compromissos no período pré-2020. “Esperamos sair de Lima com esse conjunto de decisões debaixo do braço”, diz o embaixador. Pela regra das Nações Unidas, o rascunho do acordo climático de Paris tem que estar pronto até 31 de maio, seis meses antes da reunião — o tempo para que o texto seja traduzido e distribuído nas seis línguas oficiais da ONU. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Academia. Foto: José Cruz/Agência Brasil Ambiente

Academias de ginástica poderão gerar energia elétrica, segundo a Aneel

[caption id="attachment_125485" align="alignright" width="277"] Academia. Foto: José Cruz/Agência Brasil[/caption] Essa ideia será possível a partir da adaptação de equipamentos, de forma a aproveitar a força motriz humana aplicada durante os exercícios A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu no início deste mês o primeiro passo para transformar academias de ginástica em micro ou minigeradoras de energia elétrica. Isso será possível a partir da adaptação de equipamentos, de forma a aproveitar a força motriz humana aplicada durante os exercícios. Por enquanto, a autorização da Aneel vale apenas para academias públicas, disponibilizadas nas ruas pela prefeitura do Rio de Janeiro. Elas fazem parte de um projeto piloto, em parceria com a empresa Adabliu Eventos e a concessionária Light Serviços de Eletricidade. “Toda energia gerada será computada e compensada nas instalações da prefeitura”, informou o relator do processo na Aneel, Reive Barros dos Santos. “Trata-se do reaproveitamento de energia. Ela seria desperdiçada, caso não fossem utilizados sistemas de conversão eletromecânica do trabalho durante a prática desportiva e injeção de eletricidade na rede de distribuição de energia elétrica”, acrescentou. Em abril de 2015, o projeto será avaliado, podendo, então, ser ampliado para outros empreendimentos. “Temos exemplos de experiência internacional com valores significativos [de energia gerada]. Como se trata de projeto inovador, demos prazo de 180 dias para avaliar se realmente [o potencial] é significativo”, salientou o diretor da Aneel. Segundo ele, há possibilidade de o projeto se estender a outros empreendimentos, inclusive privados. “Se o resultado for satisfatório, é possível replicar a experiência em outras empresas autorizadas pela Aneel. O que fizemos foi incluir na Resolução Normativa 482/12 [que criou o sistema de compensação de energia elétrica] a energia obtida a partir da força de tração humana. Imagino que, se o resultado for exitoso, é natural que alcance outras empresas e academias privadas”. Reive Barros observou que empreendimentos interessados em gerar esse tipo de energia precisa, antes, de autorização da agência. “Por conta do material elétrico utilizado, as academias privadas são grandes consumidores de energia. Nesse caso, o equipamento só atenderá parcialmente às necessidades energéticas. No entanto, poderá representar uma forma de diminuir despesas com energia”, acrescentou. * Edição: Armando Cardoso. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Pedro Peduzzi, da Agência Brasil
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Hospitais de SP encontram alternativas para economizar água em tempo de seca

[caption id="attachment_124796" align="alignright" width="300"] Foto: Shutterstock[/caption] A crise hídrica em São Paulo tem feito muitos consumidores adotarem ou intensificarem medidas criativas e sustentáveis para fugir do racionamento e contribuir para a diminuição do consumo de água no estado. Hospitais da capital paulista, por exemplo, têm recorrido à reformas da estrutura hidráulica, ao reaproveitamento da água produzida em aparelhos a vapor e até mesmo à instalação de garrafas PET em descargas para reduzir a vazão. Enquanto os paulistas se esforçam para economizar, o Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região, não dá sinais de recuperação. Hoje (26), o volume armazenado caiu pelo 12º dia seguido e ficou em 9,2%. No Hospital Samaritano, foram instaladas garrafas PET preenchidas com pedras no interior das bacias sanitárias para diminuir a vazão. De acordo com a instituição, essa solução caseira, iniciada em abril, resulta em uma economia de 1,5 litros de água a cada descarga. Além disso, o hospital trocou tubulações antigas, chuveiros e vasos. No caso dos sanitários, optou-se pelo sistema dual flush (caixa sanitária com dois botões que permitem descargas com níveis diferentes de água) e a redução, de 9 para 6 litros, da caixa acoplada. Todas essas mudanças trouxeram, até outubro, uma economia de quase R$ 700 mil, segundo dados do hospital. A instalação de equipamentos mais modernos também foi uma das alternativas encontradas pelo Hospital do Coração (HCor) para economizar água. Foram instalados, por exemplo, redutores de vazão (pequenos anéis que controlam a saída de água) em torneiras e chuveiros. O gerente de engenharia hospitalar, Gleiner Ambrósio, destaca que isto é feito respeitando as normas técnicas. “Se reduzo a quantidade de água para lavagem de mão ou banho, o processo de limpeza pode se tornar precário. As vazões são mantidas dentro de um limite mínimo definido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas”, explicou. Além de mudar equipamentos, o HCor reaproveita a condensação gerada pelos equipamentos de vapor, como as máquinas secadoras da lavanderia. Essa medida permitiu uma economia de água de 600 metros cúbicos por mês m3/mês), ou 600 mil litros. De acordo com Ambrósio, isso equivale a 600 caixas d'água. Outra solução que gerou redução de consumo foi a instalação de um sistema eletrônico de irrigação do jardim. “O hospital está economizando em torno de 3,5 mil m3/mês. Estamos deixando de captar da concessionária por reaproveitar”, explicou o gerente de engenharia hospitalar. Temporizadores e redutores de vazão também foram instalados no Hospital Alvorada. A medida, adotada em 2011, reduziu em 30% o consumo de água. No contexto de crise hídrica, novas soluções foram encontradas. Uma delas foi aumentar a temperatura dos aquecedores de chuveiros para que a água esquente rapidamente, evitando o desperdício da água fria durante o banho. Desde abril deste ano, a instituição passou a fazer palestras sobre água, energia e reciclagem para conscientizar funcionários e público em geral sobre a importância de economizar. A campanha reduziu em 8% o consumo de água. No Hospital São Camilo, a lavanderia, que já trata a água para reúso desde 2007, ampliou o horário de funcionamento da estação de tratamento. “Até agosto, era até as 15h. A partir de então, colocamos para trabalhar até as 19h. Aumentamos em quase quatro horas”, apontou Maria Aparecida Mastroantonio, gerente do setor. Ela explica que o processo ocorre automaticamente com a colocação de produtos químicos no afluente, além da água passar por filtros e bactericidas, como o gás ozônio. “Tínhamos até agosto um reaproveitamento de 40%. Esse percentual aumentou para 60%. Em novembro, talvez a gente consiga um pouco mais”, projetou. Outra saída que está sendo adotada por consumidores comuns e também condomínios residenciais e comerciais é a instalação de cisternas para captação da água de chuva. O interesse por este produto na empresa EcoCasa, por exemplo, aumentou 375% entre janeiro e outubro, de acordo com o coordenador de marketing Hiago Vilar. Ele disse que as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas são as áreas com maior procura no estado. Ele explica que um reservatório residencial custa entre R$ 6 mil a R$ 13 mil, dependendo do projeto, que pode variar de 5 a 10 mil litros de capacidade. “É possível reduzir até 50% do consumo de uma família”, estimou. * Edição: Valéria Aguiar. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Camila Maciel, da Agência Brasil

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