Pelo fim dos lixões, sem prorrogação

Ambiente

Pelo fim dos lixões, sem prorrogação


por Mario Mantovani*


[caption id="attachment_105181" align="alignright" width="358"] Foto: shutterstock[/caption] Sancionada em 2010, após 20 anos de tramitação no Congresso Nacional, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) é uma conquista da sociedade que se mobilizou por sua aprovação. A lei estabelece metas para a implementação dos planos locais de gestão dos resíduos sólidos, que incluem, entre outras coisas, o fim dos lixões e a substituição por aterros sanitários em todos os municípios brasileiros. O prazo para que as prefeituras se adequassem à legislação terminou em agosto de 2014, sem que boa parte delas tenha concluído esse processo. Desde então, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) tem reivindicado a flexibilização do prazo sob a justificativa da dificuldade dos prefeitos em cumprirem a lei por falta de recursos e apoio da União e dos Estados, já que o custo para transformar todos os lixões em aterros sanitários estaria estimado em R$ 70 bilhões. Importante lembrar também que a lei prevê multas para as prefeituras que não cumprirem as metas, com valores que variam de R$ 5 mil a R$ 50 milhões, e que os responsáveis, incluindo-se aqui os prefeitos, respondam por crime ambiental. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no entanto, demonstram como a Lei dos Resíduos Sólidos produziu resultados positivos. Em 2008, dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 1.902 garantiam a destinação ambientalmente adequada aos resíduos coletados. Ao final de 2013, esse número passou para 2,2 mil, abrangendo principalmente as cidades de médio e grande porte, onde vivem 55% da população brasileira. A prorrogação do prazo não apenas desrespeitaria as prefeituras que cumpriram a medida, como também não representaria uma solução aos problemas apontados pela CNM. Estender o prazo não garante, por exemplo, que os municípios consigam os recursos necessários. Apenas adia a situação inaceitável de milhares de lixões no país. O ideal é que aqueles municípios que enfrentam dificuldades para a construção dos aterros busquem soluções e a eventual prorrogação do prazo, caso a caso, intermediados pelo Ministério Público, que tem estabelecido Termos de Ajustamento de Conduta com vários municípios, instituindo contrapartidas e atrelando o compromisso dos futuros prefeitos. Infelizmente, parece que o Congresso atual tem um entendimento diferente sobre a questão, pois no dia 14 de outubro, menos de 10 dias após o 1º turno das eleições de 2014, a Câmara aprovou a prorrogação por mais quatro anos, empurrando assim o cumprimento da lei para agosto de 2018. O curioso é que o tema havia sido incluído apenas uma semana antes da votação, por meio do artigo 117, na Medida Provisória (MP) 651, que trata de incentivos tributários. Após acordo entre o governo federal e líderes dos partidos, os deputados chegaram a retirar o artigo do texto da MP. Pouco antes da votação, recolocaram o artigo e aprovaram a medida. No dia 29 de outubro, foi a vez do Senado aprovar a MP 651, que seguiu para a sanção da Presidência. De acordo com declaração do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que presidiu a comissão criada no Congresso para apreciar a MP, o veto ao artigo sobre os lixões já foi articulado com o governo. No entanto, o tema será debatido em outra medida provisória, a 656, que possibilitará a prorrogação do prazo por dois anos, além de prever recursos federais para dar sustentação à implementação da PNRS pelos municípios. O fato é que flexibilizar Leis por pressões pontuais de setores que não conseguem cumpri-las desmerece o parlamento brasileiro. Esperamos que o novo Congresso assuma com o compromisso de atender as demandas de toda sociedade e de zelar pela Constituição Brasileira. Portanto, o que está em jogo aqui, mais uma vez, é saber se prevalecerá a vontade da sociedade, que já deixou claro não admitir mais a conivência com lixões a céu aberto no Brasil, um crime ambiental que contamina os solos, agrava as emissões de gases e espalha doenças. * Mario Mantovani é diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. ** Publicado no Correio Braziliense e retirado do site SOS Mata Atlântica.

O Projeto Pesca Sustentável, de responsabilidade do WWF-Brasil e do BNDES, é promovido por meio do Fundo Amazônia. Ele iniciou suas atividades em abril de 2014 e seu foco é capacitar pescadores para o desenvolvimento de sistemas de manejo do pirarucu nos municípios de Manoel Urbano, Feijó e Tarauacá, no Estado do Acre. Foto: © Divulgação Seaprof Ambiente

Em apenas seis meses, projeto de pesca sustentável mostra resultados promissores no Acre

O Projeto Pesca Sustentável, desenvolvida pelo WWF-Brasil em parceira com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), possui apenas seis meses de atividade, mas já tem bons resultados para mostrar. Por meio do manejo do pirarucu encontrado em lagos do Estado do Acre, o projeto gerou aumento de renda para várias famílias de pescadores e incrementou também o número de peixes manejados em 2014. Com isto, promoveu a conservação da espécie e dos ecossistemas aquáticos em que ela se encontra; além de gerar benefícios sociais para a população daquela região. De acordo com a Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), só no município de Feijó (AC), os pescadores envolvidos na iniciativa tiveram aumento de quase R$ 900 em sua renda. No período da pesca deste ano, que foi de junho a agosto, 18 pirarucus foram pescados – gerando 1.100 kg de mantas vendidas, que foram comercializadas por R$ 15, a manta salgada, e R$ 20, a manta resfriada. A Secretaria informou ainda que o número de pirarucus nos lagos da região aumentou em 50% no último ano. [caption id="attachment_124292" align="aligncenter" width="550"] O Projeto Pesca Sustentável, de responsabilidade do WWF-Brasil e do BNDES, é promovido por meio do Fundo Amazônia. Ele iniciou suas atividades em abril de 2014 e seu foco é capacitar pescadores para o desenvolvimento de sistemas de manejo do pirarucu nos municípios de Manoel Urbano, Feijó e Tarauacá, no Estado do Acre. Foto: © Divulgação Seaprof[/caption]   O técnico da Seaprof, Edvilson Cardoso, avaliou que esta primeira etapa do trabalho foi bem sucedida. “O apoio de vocês, do WWF-Brasil, é essencial para que a atividade envolva um número cada vez maior de pescadores da região”. Incidentes Os primeiros meses de atividade do projeto, infelizmente, não foram livres de incidentes: um barco da Colônia de Pescadores de Feijó afundou após a colisão com um tronco de árvore, prejudicando o trabalho. Por conta disso, a pescaria teve que ser interrompida e os pescadores não atingiram a cota máxima de pesca autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) – obtendo resultados aquém do que era possível na ocasião. Edvilson contou também que, para que o trabalho atinja todo o seu potencial, é necessário envolver mais pescadores – cerca de 10 profissionais a mais, segundo ele – para que seja possível atingir a cota estipulada pelo Ibama, que é de 30% dos pirarucus adultos dos lagos manejados. Em 2014, este número era de 49 peixes, mas foram pescados apenas 18. Benefícios O analista de conservação do WWF-Brasil, Antonio Oviedo, afirmou que, quando se respeita a cota estabelecida pelo Ibama, permite-se que 70% dos peixes dos lagos possam crescer e se reproduzir. “Este sistema traz benefícios sociais e ecológicos para a espécie, como o crescimento da produção de pirarucus nos lagos manejados e o repovoamento nos lagos em que ele já havia desaparecido”. No caso do pirarucu, esta medida é de suma importância, uma vez que a espécie está em risco de extinção devido à pesca predatória praticada ao longo de muitos anos. O Projeto Pesca Sustentável, de responsabilidade do WWF-Brasil e do BNDES, é promovido por meio do Fundo Amazônia. Ele iniciou suas atividades em abril de 2014 e seu foco é capacitar pescadores para o desenvolvimento de sistemas de manejo do pirarucu nos municípios de Manoel Urbano, Feijó e Tarauacá, no Estado do Acre. * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Fernanda Melonio, do WWF
amazonia (1) Ambiente

Estudo aborda papel da Amazônia na regulação do clima na América do Sul

Novo relatório aponta impactos locais e regionais do desmatamento amazônico e reforça a necessidade de zerá-lo o quanto antes Se olharmos para a disposição de zonas desérticas ao redor do mundo, percebemos que não existe deserto ao leste da Cordilheira dos Andes, mesmo com as condições propícias para que isso acontecesse. Para Antonio Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a grande responsável por manter o clima ameno no coração do continente sul-americano é a floresta amazônica. No caso particular do Sudeste brasileiro, a Amazônia teria sido a responsável por manter as condições climáticas naturais da região, mesmo com a destruição completa da Mata Atlântica. No entanto, o desmatamento progressivo da floresta e a degradação decorrente dessas atividades exploratórias na região estão destruindo essa capacidade de regulação climática da Amazônia, o que pode nos levar a mudanças abruptas e profundas no clima do continente - como, por exemplo, a prolongada estiagem que São Paulo vive em 2014. Essa capacidade de regulação do clima e a ameaça do desmatamento da Amazônia são alguns dos principais destaques do relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, apresentado por Antônio Nobre no último dia 30 em São Paulo. Conduzido no âmbito da Articulação Regional Amazônica (ARA), com apoio do projeto "Rios Voadores", do Instituto Socioambiental (ISA) e do WWF-Brasil (estes últimos, membros do OC), este estudo sistematiza e organiza informações e conhecimento de diferentes áreas para elaborar um panorama geral de como a Amazônia impacta na configuração climática da porção do continente sul-americano a leste da Cordilheira dos Andes e de como o desmatamento da Amazônia ameaça não apenas quem vive na região hoje coberta pela floresta, mas também quem vive além dela. "Precisamos olhar para a floresta. Estamos ignorando uma tecnologia natural que ainda não conhecemos em grande parte, que a natureza levou dezenas de milhões de anos para criar", reflete Antônio Nobre. "Nossa sociedade perdeu a capacidade de valorizar aquilo que não conhece, mas ou nos dispomos a entender isso ou seremos devorados". A Amazônia como reguladora do clima O estudo aponta para cinco fatores que ajudam a entender o papel da floresta amazônica na regulação do clima nos territórios a leste dos Andes. Primeiro, a capacidade da floresta de manter a umidade do ar mesmo quilômetros adentro da América do Sul. "Em outros lugares, o ar que entra no continente acaba secando e resultando em desertos", explica Nobre. Em outras regiões, a presença de gêiseres ajuda a manter níveis altos de umidade em terrenos mais distantes do litoral. Como a Amazônia não possui algo do tipo, o que explica sua capacidade de manter a umidade relativa do ar são suas árvores. "As árvores funcionam como gêiseres, extraindo água pelas raízes, levando essa água através do tronco para as folhas, que por sua vez jogam essa água evaporada para a atmosfera". Pela estrutura da flora amazônica, seu dossel (estrato superior das florestas, formado pelo conjunto das copas das árvores, considerado um dos lugares com maior biodiversidade nas florestas tropicais) consegue frenar os ventos que chegam do oceano e ajuda a manter a umidade nos níveis mais altos do céu. O segundo aspecto é a dinâmica de precipitações na Amazônia. Graças a essa arquitetura natural, o ar sobre a floresta é muito limpo, no mesmo nível do ar sobre os oceanos. A pureza do ar, associada com a umidade e com a emissão de odores a partir da floresta, permite que ocorra mais chuvas na Amazônia do que no próprio oceano, de forma mais amena e menos destrutiva do que nos oceanos. "Esse é um mecanismo regador, que ajuda a distribuir a umidade pela floresta através de precipitações baixas, não violentas e férteis", aponta Nobre. Essa dinâmica nas precipitações nos leva ao terceiro elemento importante para entender o papel de regulação climática da Amazônia: sua capacidade de puxar a umidade do oceano para o continente, revertendo o padrão observado em outras regiões do planeta. De acordo com Nobre, "como se evapora mais água na floresta do que no oceano, a atmosfera da floresta acaba puxando o vento do mar para dentro, o que ajuda a trazer mais chuvas para a região". Essa é a base da chamada "teoria da bomba biótica de umidade", que nos ajuda a entender o quarto ponto: a regulação climática em si. "O oceano verde puxa umidade do oceano azul, e o fluxo de água através dos chamados rios voadores é conduzido para os territórios a leste dos Andes, que são sazonalmente irrigados por essa água", explica Nobre. Essa não é uma bomba qualquer: cada árvore amazônica de grande porte pode evaporar mais de mil litros de água por dia. Todos os dias, quase 20 bilhões de toneladas de água são evaporadas pela floresta, mais do que o aporte diário de água para o rio Amazonas. Para se ter uma ideia do que isso implica, a energia solar consumida nessa evaporação é equivalente à produção de energia total de 50 mil Usinas de Itaipu. Uma única usina de Itaipu precisaria operar a toda carga por 150 anos para conseguir fazer aquilo que a floresta amazônica faz em um único dia. O papel de regulação climática também nos ajuda a entender o quinto ponto levantado pela pesquisa: o motivo pelo qual não ocorrem eventos climáticos extremos em regiões de floresta e seus arredores. De acordo com Nobre, o funcionamento dessa "bomba", tirando a umidade do oceano e trazendo-a para o continente, também ajuda a evitar que eventos desse tipo aconteçam. A falta de grandes eventos extremos na Amazônia deve-se, também ao efeito de frenagem dos ventos exercido pela "rugosidade" da copa das árvores, que provocam um efeito dosador, distribuidor e dissipador da energia dos ventos. A destruição da Amazônia Para Antonio Nobre, olhar para a questão do desmatamento apenas através das taxas anuais é uma ilusão destrutiva. O mais importante é olhar para a destruição agregada da floresta, e nesse caso, os números são assustadores. Em 40 anos, o Brasil desmatou 762.979 km2, território equivalente a três Estados de São Paulo e a duas Alemanhas. "Para se ter uma ideia da destruição, é como se tivéssemos um trator a jato, trabalhando sem parar, a 726 km/h durante todos esses anos, ou mais de 900 tratores normais, lado a lado, operando dia e noite, fazendo apenas corte raso", aponta Nobre. Os números ficam ainda piores quando agregamos a eles as regiões de degradação florestal, que ainda são contabilizadas como floresta, mas que não possuem nenhum tipo de função ecológica: em quatro décadas, o Brasil perdeu efetivamente 2.062.914 km2 de floresta amazônica. Essa destruição massiva está quebrando a dinâmica da bomba biótica de umidade. A fuligem decorrente das queimadas aumenta o núcleo de condensação e diminui o vapor de água. Isso diminui consideravelmente o volume de precipitação durante a estação seca e gera chuvas torrenciais e violentas durante a estação chuvosa - como observado em anos recentes na região amazônica. Com a diminuição progressiva da mata e a mudança profunda na dinâmica de precipitação, a floresta amazônica está sendo conduzida para a destruição completa. Aquilo que a natureza levou 50 milhões de anos para construir e que se manteve praticamente ileso durante esse período, mesmo com as flutuações do clima global, a motosserra está levando apenas alguns segundos para destruir: são quase duas mil árvores derrubadas por minuto na região da Amazônia. Essa destruição é praticamente definitiva: os terrenos devastados não se recuperam naturalmente e acabam virando savana. Pela teoria da bomba, a floresta destruída pode ter um destino mais cruel, por causa da reversão do padrão atual dos ventos do oceano para o continente: a Amazônia pode virar um grande deserto. Para o resto do continente, o fim do funcionamento da bomba biótica de umidade pode significar mudanças profundas nas dinâmicas climáticas. Os “rios voadores” da Amazônia para o Sudeste brasileiro podem deixar de existir, o que levaria a uma queda no volume de precipitações nessa região. “De certo modo, a Amazônia compensou o impacto da destruição da Mata Atlântica da mesma forma que as grandes florestas na Rússia também compensaram a eliminação das florestas europeias, mas estamos colocando tudo a perder ao destruir a Amazônia”, reflete Antônio Nobre O que fazer O tempo para ação é curto e o volume de ação necessário para reverter o cenário é grande. Por isso, precisamos agir o quanto antes, defende Antônio Nobre. "Em 2008, quando eclodiu a crise financeira internacional, os governos do mundo gastaram trilhões de dólares para salvar o sistema financeiro global de uma catástrofe. Mas a falência climática de que estamos nos aproximando nos últimos anos é muito maior que a do sistema financeiro, e estamos procrastinando por quinze anos. Precisamos sair disso". Nobre defende a adoção de cinco passos imediatos para reverter esse cenário. Primeiro, uma verdadeira estratégia de guerra contra a ignorância sobre clima e sobre Amazônia. Segundo, a paralisação imediata, total e completa do desmatamento na Amazônia. Terceiro, a abolição do uso de fogo, evitando assim fumaça e fuligem no ar amazônico. Quarto, o desenvolvimento de estratégias de recuperação natural da floresta. Finalmente, a conscientização das elites governantes, que precisam sair de uma visão arcaica sobre o uso da floresta e adotar uma visão mais integrada e completa da utilidade da floresta enquanto floresta. Infelizmente, o panorama atual não nos permite vislumbrar a ação imediata. "Se o Brasil tivesse cumprido o que está escrito no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, de 2008, estaríamos chegando ao desmatamento zero da Amazônia no ano que vem", observa Carlos Rittl, secretário executivo do OC. "Mas estamos longe disso: aumentamos a taxa de desmatamento no ano passado, continuamos sem uma estratégia definida para redução das emissões a partir da redução do desmatamento, sem instrumentos econômicos para fortalecer esses esforços, e não temos a harmonização de outras políticas públicas nacionais com a política de clima, o que é uma exigência da própria Lei que estabeleceu a Política Nacional sobre Mudança do Clima". Além dos problemas domésticos, a falta de articulação entre os nove países que dividem entre si porções da Amazônia também é dramática. "Todas as iniciativas multilaterais em Amazônia são ridículas. O governo brasileiro não dá apoio a esses entendimentos, preferindo a bilateralidade", observa Beto Ricardo, do ISA. “Não é mais possível pensar em Amazônia brasileira. O que acontece na Amazônia de um país impacta nas demais. Todos estamos sofrendo com os mesmos problemas”, aponta Claudio Moretti, do WWF. “Por exemplo, os dados sobre desmatamento mostram que temos 25 fronteiras ativas de desmatamento, a maior parte delas na encosta andino-amazônica”. Ou seja, o desafio não está apenas em desenvolver soluções para preservar a Amazônia no Brasil, mas também de levar esses esforços para os demais países amazônicos, que também começam a sofrer com os impactos da degradação da floresta – por exemplo, a Bolívia e as chuvas históricas que caíram no começo do ano (e que, por sua vez, resultaram em cheias históricas na região do Acre e de Rondônia). Para Nobre, mesmo com as dificuldades, a solução é viável – desde que tenhamos vontade política para isso. “Na última década, nós vimos um engajamento único entre governo, sociedade e ciência nos levando para a maior redução histórica no volume de desmatamento. Essa articulação, desmobilizada depois da aprovação do Novo Código Florestal, é um caminho a ser retomado na proteção da floresta amazônica”, conclui o pesquisador. Clique aqui para baixar o relatório. * Publicado originalmente nos site Observatório do Clima.


por Bruno Toledo, do Observatório do Clima
clima Ambiente

Estudantes poderão acompanhar conferências internacionais sobre mudanças climáticas

Estudantes de 16 a 19 anos de idade poderão acompanhar de perto as discussões internacionais sobre as mudanças climáticas. É o que estabelece o Projeto de Resolução do Senado (PRS) 104/2013, da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que foi aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) nesta terça-feira (4). A matéria segue para análise da Comissão Diretora da Casa. O texto cria o Programa de Conscientização Ambiental para o Futuro, com o objetivode promover a participação de estudantes do ensino médio nas reuniões da Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima. As reuniões da Conferência das Partes ocorrem anualmente, em cidades de países que ratificaram a convenção. Com o projeto, Vanessa Grazziotin sugere proporcionar a jovens brasileiros a oportunidade de participação nessas reuniões, que reúnem representantes de diversos países na busca de acordos para reduzir os impactos das mudanças climáticas. Pelo texto, o Senado deverá selecionar, a cada ano, três estudantes com idades entre 16 a 19 anos, matriculados em um dos dois últimos anos do ensino médio de escolas públicas estaduais. Para participação da escola, a Secretaria de Educação do estado deve se credenciar como parceira do programa. Os estudantes serão selecionados por meio de um concurso nacional de redação, coordenado e executado anualmente pela Secretaria de Relações Públicas do Senado. Como premiação aos três primeiros colocados, o Senado arcará com despesas a emissão de passaportes e vistos, credenciamento, transporte aéreo, hospedagem, alimentação, traslado e eventuais despesas médicas dos estudantes que participarão da reunião anual da COP. * Publicado originalmente no site Agência Senado.


por Redação da Agência Senado
Foto: http://ambientalsustentavel.org/ Ambiente

Última chance

[caption id="attachment_99403" align="aligncenter" width="505"] Foto: http://ambientalsustentavel.org/[/caption]   A humanidade dispõe de dinheiro, tecnologia e conhecimento para mudar a rota que conduz a uma alta catastrófica da temperatura no planeta. A bola está com atores políticos e econômicos, que têm pouco mais de um ano para fechar um acordo global decisivo. As notícias não foram boas nos últimos meses. Apesar de estagnada desde 2008, a economia mundial não consegue reduzir as emissões de carbono no ritmo necessário. Para manter o aquecimento global em 2 graus [1] até 2100, teríamos de emitir 6,2% a menos ano após ano. Em 2013, a redução foi de só 1,2%, de acordo com relatório da consultoria PwC. No ritmo anual, caminhamos facilmente para um aquecimento de 4 graus. Entre os dois cenários – de 2 e de 4 graus –, a diferença é um abismo: ou um planeta mais difícil de viver, com desastres frequentes, falta de comida e de água, populações deslocadas, ou uma mudança climática descontrolada e completamente inóspita para a civilização (ver gráfico 1). Já os oceanos, responsáveis por segurar boa parte do aquecimento global, estão esquentando a uma velocidade superior à prevista, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês). Assim, fica ainda mais estreito o ultimato para encontrar soluções climáticas. Em setembro, a ONG WWF anunciou que, nos últimos 40 anos, por efeito da ação humana, a população mundial de animais vertebrados caiu à metade, enquanto a distância entre a oferta de recursos naturais do planeta e as demandas do sistema econômico só cresce (ver gráfico 2). Gráfico 1 Gráfico 2 A sucessão de dados negativos acrescenta uma dose de urgência ao esforço de controlar o acúmulo de carbono na atmosfera e, assim, reduzir boa parte da nossa pegada ecológica. Depois de anos em que negociações multilaterais esbarraram na incapacidade de encontrar um terreno comum para um acordo entre políticos de diversos países, é cada vez maior a convicção, em sociedades ao redor do mundo, de que não se pode mais postergar uma solução por motivos políticos. A 21a Conferência da ONU para o clima (COP 21), que ocorrerá em Paris em dezembro de 2015, torna-se tão mais decisiva para o futuro da civilização quanto mais se aproxima a data. Negociadores e ativistas esperam conseguir até lá chegar a um acordo climático eficaz. A COP 20 ocorrerá em dezembro deste ano em Lima (Peru), mas só no ano seguinte os ativistas acreditam que se produzirá algo concreto. “Se fizermos tudo que pode ser feito, há 75% de chance de conseguirmos manter o aquecimento global dentro dos 2 graus até 2100”, diz o ecologista Tom Athanasiou, diretor- executivo da ONG americana EcoEquity, citando estudos do IPCC. Athanasiou separa a questão em duas: técnico-científica e político-econômica. “Temos o dinheiro, a tecnologia e a ciência para fazer uma redução emergencial rápida o suficiente para segurar a linha de 2 graus. É um declínio global de emissões muito veloz e que ainda seria muito perigoso, porque envolveria o dobro do aquecimento que tivemos até hoje [de 0,8 grau]”, diz. “Mas com o ‘business and politics as usual’ , duvido que dê para evitar os 3 graus ou até 4 graus.” Mecanismos de Mercado Segundo o sociólogo Sérgio Abranches, que edita o site Ecopolítica, o fato de os modelos climáticos terem margens de erro elevadas resulta em discordância entre cientistas sobre a possibilidade de a temperatura ficar abaixo dos 2 graus de aquecimento. O resultado se reflete sobre a política, porque “a política trabalha com certezas. Se alguém manifesta qualquer dúvida sobre um ponto, os políticos adiam a decisão, e é isso que tem acontecido”. Muitas das propostas para reduzir as emissões ao redor do mundo envolvem mecanismos de mercado, propiciados pelo Protocolo de Kyoto, baseados no cap-and-trade, que impõe um limite de emissões e cria créditos que podem ser negociados. Mas, sem poder de sanção e sem o apoio de países importantes como EUA e China, o protocolo é considerado um fracasso. “Os mecanismos de mercado já mostraram que (sozinhos) não são suficientes”, diz Abranches, citando o exemplo dos créditos de carbono europeus, que não foram capazes de reduzir as emissões no continente. “Não é possível fazer o mercado funcionar só com incentivos. É preciso combiná-los com penalidades que tornem os incentivos mais atraentes para empresas emissoras.” Para o sociólogo, o único instrumento econômico eficaz é o imposto sobre o carbono, adotado por vários países e recentemente aprovado no Chile, que também contém um sobrepreço aplicado a importações de países que não têm o imposto. A Organização Mundial do Comércio (OMC) publicou no ano passado uma portaria em que aprova o imposto de carbono e não o considera como prática desleal de concorrência. “O imposto precifica de forma penalizadora as emissões, e as empresas buscam formas de se adequar. Esse é o único jeito de fazer com que o mercado tome iniciativas para reduzir suas emissões”, argumenta (mais sobre a eficácia dos mecanismos de precifição do carbono em reportagem). Athanasiou lembra que as catástrofes climáticas dos últimos anos ocorreram no contexto de um aquecimento ainda na casa dos 0,8 grau. Uma lista exaustiva pode ser encontrada no website do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (Cred), da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica . “Um aquecimento de 2 graus causará imensa destruição e sofrimento, mas não significa o fim da civilização humana”, diz o ativista, que antevê um cenário de migrações massivas, fome, extinções e guerra constante caso cheguemos a 3 ou 4 graus. Athanasiou falou à PÁGINA22 enquanto se preparava para viajar até Bonn, na Alemanha, onde ocorreu uma conferência preparatória para a COP 20, em Lima. O Cred informa que na década de 1940 houve 120 desastres hidrometeorológicos (que podem ter tido origem humana) contra 52 geológicos (eventos naturais). De2000 a 2005, foram 233 geológicos contra 2.135 hidrometeorológicos. O resultado sugere que o ser humano é que tem cada vez mais causado desastres ambientais. Na ONG EcoEquity, que ele mantém com outros especialistas do clima, foi desenvolvido o conceito de Global Development Rights. Trata-se de um cálculo destinado a orientar um futuro sistema de impostos globais, cujo foco está na convicção de que nenhum acordo será obtido sem atacar o problema da desigualdade. Daí a divisão entre a responsabilidade – o quanto um país, empresa ou indivíduo polui – e a capacidade de enfrentar o problema – o quanto é capaz de contribuir para reduzir as emissões. “A crise do clima é uma crise global dos comuns. Mas a habilidade de pagar pela transição é geográfica e economicamente separada de onde a transição deve acontecer. É preciso mover a finança e a tecnologia através do pla- neta, e muito, para atingir as taxas altíssimas de descarbonização necessárias para estabilizar o sistema climático”, explica. Marcha do Clima A maior tentativa de mobilizar as sociedades de todo o mundo para pressionar governantes e negociadores de acordos climáticos ocorreu em 21 de setembro, com a Marcha Popular Global do Clima [2]. Em Nova York, dois dias antes do encontro de líderes mundiais que a cidade sediou, 400 mil pessoas foram às ruas, acompanhadas à distância por manifestações em centenas de cidades ao redor do mundo, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo (mais em reportagem). Os organizadores da marcha foram os membros da ONG 350.org, dedicada a conscientizar a população quanto aos perigos ligados à mudança climática. O número que dá nome à instituição, “350”, corresponde ao limite de concentração, em ppm (partes por milhão), de partículas de gases de efeito estufa, abaixo do qual ainda é possível controlar o aquecimento global. No ano passado, porém, a marca de 400 ppm foi ultrapassada. Alguns organizadores da marcha esperavam que Nova York recebesse até 1 milhão de manifestantes, a exemplo de protestos semelhantes na década de 1970, contra os armamentos nucleares ou em prol das primeiras leis ambientais. Os 400 mil foram um número expressivo, mas abaixo do desejado. Segundo Sérgio Abranches, o principal motivo é o desencanto das populações com a ação política: as pessoas passaram a considerar que não adianta se mobilizar para pressionar políticos que não reagem às pressões. Athanasiou considera que o comparecimento foi satisfatório, mas afirma que não é o mais importante. Aos poucos, diz, os grupos de ativistas de todo o mundo estão convergindo para uma agenda comum. “É no ano que vem, em Paris, que vamos precisar juntar 1 milhão de pessoas”, crava. “A Europa tem um monte de verdes! Vamos juntá-los em Paris!” A 350.org também é promotora da iniciativa “Divesting from Fossil Fuel” (Desinvestir em Combustíveis Fósseis), lançada em 2012 . A estratégia consiste em convencer fundos de investimento, universidades, filantropos e outras entidades a retirar seus investimentos de empresas petrolíferas. Os membros da ONG consideram que a iniciativa já pode ser considerada como bem-sucedida, porque gerou discussões na mídia e conseguiu adesões de universidades e fundos filantrópicos ao redor do mundo. Uma adesão recente tem sabor particularmente irônico: os descendentes do magnata do petróleo John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil, anunciaram que vão retirar gradativamente seus investimentos em empresas petrolíferas (mais em reportagem). Algo a comemorar Nem todas as notícias foram ruins este ano. Em grande medida graças à iniciativa alemã de ampliar a participação de usinas eólicas e painéis solares em sua matriz energética, o custo das fontes renováveis de energia está cada vez mais competitivo. Ainda não é certo, porém, que a transição para uma matriz energética mais limpa ocorra na velocidade necessária. “A mudança da matriz energética mundial está impulsionando o desengarrafamento de alguns problemas tecnológicos urgentes”, diz Abranches. “Um ponto que vai nos levar a um novo patamar em energia eólica é a armazenagem, que ainda não está resolvida.” O cientista político cita também o desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração, cuja produção não compete com produtos de alimentação. “Claramente,esta é uma transição longa e gradual. Não temos ainda uma fonte que possa substituir o petróleo nas mesmas condições de eficiência energética e variedade de uso em curto prazo”, afirma o cientista político (leia reportagem sobre o pré-sal brasileiro). [1] Dois graus é o aumento mínimo que o planeta sofrerá, no cenário mais otimista desenhado pela comunidade científica. Mesmo assim, imporá uma forte mudança nas formas de vida na Terra. [2] Mais sobre as marchas ao redor do mundo aqui. * Publicado originalmente no site Página 22.


por Diego Viana, da Página 22
Operações realizadas no programa GOAmazon têm o objetivo de estudar o impacto da pluma de poluentes emitida pela região metropolitana de Manaus na química atmosférica e na formação de nuvens, entre outros aspectos. Foto do avião alemão Halo: Divulgação/Inpe Ambiente

Aviões sobrevoam a Amazônia por quase 200 horas para medir impacto da poluição

[caption id="attachment_124300" align="alignright" width="395"] Operações realizadas no programa GOAmazon têm o objetivo de estudar o impacto da pluma de poluentes emitida pela região metropolitana de Manaus na química atmosférica e na formação de nuvens, entre outros aspectos. Foto do avião alemão Halo: Divulgação/Inpe[/caption] Agência Fapesp – Com o objetivo de estudar o que ocorre com a pluma de poluição emitida pela região metropolitana de Manaus (AM) – descobrir para onde vão as partículas, como elas interagem com compostos emitidos pela floresta tropical e como afetam as propriedades das nuvens na região –, dois aviões de pesquisa com instrumentos de última geração estiveram sobrevoando a Amazônia durante quase 200 horas ao longo de 2014. Foram realizadas, no âmbito da campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon), duas operações intensivas de coleta de dados: a primeira na estação chuvosa, entre fevereiro e março, e a segunda durante o período de seca, entre setembro e outubro. Alguns dos resultados preliminares foram apresentados nos dias 28 e 29 de outubro, em Washington (Estados Unidos), durante o simpósio FAPESP-U.S. Collaborative Research on the Amazon. "São mais de 50 pesquisadores estudando o efeito da poluição e das atividades antrópicas em aspectos como química atmosférica, microfísica de nuvens e funcionamento dos ecossistemas. O objetivo final do GOAmazon é estimar mudanças futuras no balanço radioativo, na distribuição de energia, no clima regional e seus feedbacks para o clima global", explicou Scot Martin, pesquisador da Harvard University, nos Estados Unidos. O GOAmazon conta com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), da FAPESP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros (leia mais em: http://agencia.fapesp.br/forcatarefa_investiga_se_oceano_verde_da_amazonia_esta_em_risco/18691/. De acordo com Martin, a cidade de Manaus e seu entorno configuram um gigantesco laboratório a céu aberto para esse tipo de investigação. Isso porque a capital amazonense – com várias usinas termelétricas, quase 2 milhões de habitantes e 600 mil carros – está rodeada por 2 mil quilômetros (km) de floresta. Na época das chuvas, a região chega a ter níveis de material particulado tão baixos quanto os existentes na era pré-industrial. A primeira operação aérea, realizada no período das chuvas e financiada pelo DoE, contou apenas com a participação do avião americano Gulfstream-1 (G1), pertencente ao Pacific Northwest Laboratory (PNNL). Já a segunda operação, realizada entre setembro e outubro, contou também com a aeronave alemã denominada Halo (High Altitude and Long Range Research Aircraft), capaz de voar até 15 quilômetros de altura e com autonomia de até 7 horas de voo. O Halo é administrado por um consórcio de pesquisa que inclui o Centro Alemão de Aeronáutica (DLR), o Instituto Max Planck (MPI) e a Associação de Pesquisa da Alemanha (DFG). Sua participação no GOAmazon foi possível graças ao projeto Acridicon-Chuva (Aerosol, Cloud, Precipitation, and Radiation Interactions and Dynamics of Convective Cloud Systems, coordenado por Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Diferenças nas nuvens As duas aeronaves partiram do aeroporto de Manaus e foram acompanhando a pluma de poluição à medida que ela era levada pelo vento. O planejamento da trajetória de voo foi feito de forma a possibilitar coleta de dados dentro e fora da pluma, para comparar as medidas. Conforme explicou Jian Wang, pesquisador do Brookhaven National Laboratory, do DoE, foram medidas as concentrações de gases traço, como óxido nítrico, dióxido de nitrogênio, ozônio, dióxido de carbono e metano, e compostos orgânicos voláteis, como isoprenos e terpenos. Também foram medidas as propriedades dos aerossóis, como composição química, concentração por centímetro cúbico (cm³), tamanho de partículas, propriedades ópticas (absorção ou reflexão de radiação solar). Além disso, houve medição de propriedades de nuvens, como tamanho de gotas, quantidade total de água, porcentagem em estado líquido e na forma de gelo. "Foi possível observar que, durante a estação chuvosa, a pluma está bem definida. Quando comparamos o número de partículas sólidas dentro e fora da pluma há uma diferença de 100 vezes. São 300 partículas por cm³ fora da pluma e 30 mil em seu interior. Isso significa que a nuvem que vai se formar em cada caso é muito diferente", contou Martin. O pesquisador de Harvard explicou que as partículas de aerossóis funcionam como núcleos de condensação do vapor de água presente na atmosfera, possibilitando a formação de gotas. "Há uma quantidade fixa de água que, no caso da pluma, vai se dividir em um número muito maior de núcleos. Portanto, as gotas que formam são menores e a precipitação torna-se mais difícil", explicou Martin. Segundo o pesquisador, a composição química das partículas também é muito diferente. Dentro da pluma há uma presença maior de sulfatos e nitratos, o que pode causar impacto na saúde pública e na formação das nuvens. "Essas partículas de sulfato e nitrato atraem mais água que as partículas que têm origem orgânica e isso também altera o desenvolvimento das nuvens", afirmou. Investigando processos de precipitação Em sua apresentação, Machado mostrou dados da campanha aérea realizada com o avião Halo. Ao contrário do observado com o G1 durante o período de chuvas, a pluma de Manaus durante a seca é menos definida, pois se mistura com emissões oriundas da queima de biomassa, contou o pesquisador. "Os dados ainda estão sendo processados. Temos apenas algumas análises rápidas feitas durante a operação para ter certeza de que o instrumento está funcionando e para ajudar no planejamento dos voos. Mas já é possível perceber que o potencial dessa operação é enorme", disse Machado. Segundo o pesquisador do Inpe, o avião alemão contém instrumentos considerados como "estado da arte", que foram testados pela primeira vez em Manaus. A operação custou cerca de € 4 milhões. O valor da aeronave é estimado em € 90 milhões. Os objetivos do projeto coordenado por Machado incluem entender a interação entre aerossóis e precipitação em condições poluídas e limpas, estudar a estrutura vertical da química da atmosfera nos dois casos, entender os transportes verticais de aerossóis e compreender as diferenças entre as nuvens em regiões de floresta e desflorestadas. Alguns dos voos realizados durante a estação seca foram feitos com as duas aeronaves seguindo a mesma trajetória em diferentes alturas, medindo propriedades de microfísica das nuvens, para possibilitar uma comparação, contou Machado. De acordo com o pesquisador do Inpe, isso não seria possível apenas com um avião voando em diferentes alturas em diferentes momentos, pois o tempo de vida dessas nuvens é curto, de cerca de 20 minutos. "Algo que já sabíamos e foi claramente confirmado com essas operações é que as regiões poluídas apresentam alta concentração de gotas pequenas e as regiões mais limpas uma concentração menor, mas de gotas maiores. No caso da nuvem limpa, essa concentração de gotas diminui da base para o topo da nuvem, enquanto na nuvem poluída ela é mais homogênea", explicou. Em entrevista à Agência FAPESP, Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e um dos idealizadores do GOAmazon ao lado de Martin, afirmou que a presença de partículas sólidas de nitrato no interior das chamadas nuvens convectivas profundas, que chegam a 18 quilômetros de altura, foi algo que surpreendeu os pesquisadores. "O nitrato é um composto altamente solúvel. A grande pergunta é: como ele está presente na forma de aerossol sem ser adsorvido na água das nuvens? Os mecanismos de formação dessas partículas dentro das nuvens convectivas profundas ainda são desconhecidos e serão fruto de intensos estudos ao longo do próximo ano", disse Artaxo. Uma das hipóteses, acrescentou o pesquisador da USP, é a de que o nitrato tenha relação com um fenômeno conhecido como cloud invigoration, ou fortalecimento de estrutura de nuvens, observado em regiões tropicais do planeta. "Em condições livres de poluição, as nuvens da Amazônia apresentam altura máxima entre 3 e 4 km. Mas, quando há partículas de aerossóis em grandes quantidades, elas adquirem uma força incomum de crescimento, o que altera todo o balanço de radiação, o ciclo hidrológico e as propriedades termodinâmicas da atmosfera", afirmou Artaxo. Os dados coletados pelas aeronaves ainda estão começando a ser analisados e vão se somar às medidas que estão sendo feitas nos diversos sítios terrestres de pesquisa do projeto GOAmazon, previstos para operar até dezembro de 2015. * Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


por Karina Toledo, para a Agência Fapesp
Chuvas desta segunda-feira interrompem queda no nível do reservatório de Cantareira. Foto: Divulgação/Sabesp Ambiente

Com chuva, Cantareira mantém nível dos reservatórios em 11,9%

[caption id="attachment_124296" align="aligncenter" width="580"] Chuvas desta segunda-feira interrompem queda no nível do reservatório de Cantareira. Foto: Divulgação/Sabesp[/caption]   O nível dos reservatórios do Sistema Cantareira se manteve hoje (4) em 11,9%, mesmo percentual registrado ontem (3), segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A manutenção do nível se deve à chuva forte que atingiu ontem a cabeceira do sistema, chegando a um volume médio de 15,7 milímetros. Segundo o meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), Thomaz Garcia, o mês de novembro deve seguir a média histórica de precipitações, de 128 milímetros, na capital paulista. A chegada de uma frente fria, além de trazer as chuvas, deve diminuir a temperatura, destacou Thomaz. Na região do Cantareira, os três primeiros dias deste mês já acumulam 39,6 milímetros de chuvas, sendo que, apenas no domingo (2), a precipitação foi 19,1 milímetros. O volume é bastante expressivo, se comparado a outubro, quando choveu, durante todo o mês, apenas 42,5 milímetros. A média história para o mês de novembro, porém, é 161,2 milímetros. O Cantareira é o principal sistema de abastecimento de São Paulo, atendendo 6 milhões de habitantes na região metropolitana. A água do Cantareira é distribuída também a uma população de 5 milhões de pessoas nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Já no segundo maior sistema de abastecimento de água do estado, o Alto Tietê, não choveu tanto como no Cantareira. A precipitação média ontem foi 4,2 milímetros, fazendo com que o nível dos reservatórios caíssem de 8,8% ontem para 8,7% hoje. Segundo a Sabesp, apesar de já haver autorização para o uso da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, não há previsão quando isso acontecerá. A companhia espera que o manancial se recupere com a chegada das chuvas e que a captação da segunda cota não seja necessária. * Edição: Marcos Chagas. **Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Fernanda Cruz, da Agência Brasil
poluicao Ambiente

Os dois lados do Brasil no combate à poluição

O Brasil ganhou fama mundial nos últimos anos graças à política eficiente para reduzir o desmatamento na Amazônia. Os resultados foram animadores, com redução dos gases de efeito estufa. Porém, o sinal amarelo continua ligado por conta do aumento de poluentes em outras áreas que foram ignoradas nesse período, como a grande quantidade da frota de veículos em várias regiões do país. É preciso pensar na diminuição de poluentes em todos os setores e estimular ações simples e eficazes para isso. De acordo com o último relatório de estimativas de emissão de gases estufa, divulgado pelo Ministério da Ciência e com dados até 2010, o índice foi um pouco superior a mil teragramas (equivalente a um bilhão de toneladas). Número bem menor do que o registrado em 2004, com dois mil e meio. Se antes a exploração das florestas representava 57% da poluição brasileira, hoje tem 22%, atrás de agropecuária (por conta do cultivo de arroz e criação de gado) e, principalmente, do setor energético. São os menores índices nos últimos 20 anos. Entretanto, o crescimento da participação da queima de combustíveis fósseis mostra que a eficiência no combate ao desmatamento não foi compartilhado em outras áreas e mostra a inexistência de ações em todas as esferas. No mesmo período de duas décadas, o lançamento de poluentes por meio da combustão aumentou em 32,6%. O número ainda exclui a participação do gás carbônico proveniente das usinas siderúrgicas, o que aumentaria ainda mais essa taxa. Como o principal responsável por esse cenário é a crescente quantidade de carros no território brasileiro (na proporção de um automóvel para cada quatro habitantes, de acordo com Denatran), a tendência é o percentual continuar em alta nos próximos anos. Ao trabalhar em uma ponta, mas ignorar outras, o Brasil deixa de criar um planejamento sustentável, necessário para um futuro limpo e sem esgotamento dos nossos recursos naturais. A crise da água na região Sudeste é um reflexo disso. A presença de mais poluentes na atmosfera causa instabilidade climática em todas as regiões do país, resultando em estiagem em alguns pontos e inundações em outros. O planeta começa a cobrar o preço por anos de exploração predatória. Para tentar salvar o futuro das próximas gerações, existem práticas simples que podem ser seguidas por todos. Uma delas é o plantio de árvores, que possui papel fundamental para reduzir o gás carbônico. Uma muda, por exemplo, consegue absorver 180 quilos de dióxido de carbono por ano e chega a viver por séculos. Além disso, criar políticas que estimulem transportes coletivos e alternativas mais limpas de combustíveis também trazem um ótimo retorno a médio prazo. Por fim, é importante olhar para outras fontes que contribuem para a poluição no país. O consumo de energia elétrica, por exemplo, segue crescendo, impulsionado pelos dispositivos tecnológicos e o crescimento de datacenters, responsáveis por manter páginas da Internet no ar. O Brasil corresponde a 40% de toda a infraestrutura de TI da América Latina e é responsável por 43% da energia consumida no setor. Assim, um site brasileiro, por menor que seja, joga cerca de sete quilos de dióxido de carbono por ano na atmosfera. É preciso pensar na neutralização de todos os emissores de CO2. Enquanto o Brasil continuar focando apenas em uma ponta específica no combate à poluição, viveremos esse paradoxo incomum, onde ganhamos destaque internacional ao mesmo tempo em que o sinal de alerta segue ligado, atormentando o sonho de quem luta para diminuir esse risco. * Vagner Luis é Diretor Executivo da GreenClick, , empresa que contribui com a neutralização da emissão de CO2 no país.


por Vagner Luis*
Cultivo de cana-de -açúcar para produção de etanol. Foto: Flickr/Sweeter Alternative (Creative Commons) Ambiente

Modelo brasileiro de utilização do etanol é exemplo mundial, afirma novo relatório

[caption id="attachment_124306" align="aligncenter" width="550"] Cultivo de cana-de -açúcar para produção de etanol. Foto: Flickr/Sweeter Alternative (Creative Commons)[/caption]   Documento da UNCTAD destaca papel de vanguarda do Brasil na produção de etanol e biodiesel e propõe recomendações de investimento nessa fonte de energia. Os biocombustíveis representam hoje apenas 1% do uso de energia global. No entanto, as pressões relacionadas à mudança climática e à economia,em conjunto com o lançamento de uma segunda geração dessa tecnologia, definem a relevância cada vez maior desse setor, divulgou a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) na segunda-feira (03). O documento sobre o estado do mercado global de biocombustíveis afirma que, apesar do seu crescimento expressivo, essas fontes de energia alternativa não devem substituir os combustíveis fósseis, mas desempenharão um papel complementário na satisfação da demanda global de energia. “O Estado do Mercado de Biocombustíveis: Perspectivas de Regulação, Comércio e Desenvolvimento” foi lançado em 24 de setembro durante a Conferência Mercado Mundial Bio – Brasil, que aconteceu em São Paulo. O documento oferece um resumo abrangente desse mercado nos dias de hoje e contribui para incentivar o acesso às fontes de energia renovável sustentáveis e melhorar os meios de vida das pessoas em países em desenvolvimento. Modelo brasileiro O documento inclui uma seção sobre o modelo brasileiro, destacando o país como o único no mundo que usa o etanol, sem misturas, como substituto direto da gasolina. Apesar de ter perdido a liderança de produção nos últimos anos para os Estados Unidos, o Brasil registrou um aumento de produção de 33% entre 2006 e 2012 e utiliza 50% do cultivo de cana-de-açúcar para a produção de biocombustível. O quadro regulatório de produção de biodiesel também recebe atenção do documento, que enfatiza o controle do governo brasileiro para garantir que esse produto seja competitivo com o diesel e proteja a agricultura familiar. Aqueles produtores industriais que comprem matéria-prima desses agricultores, e garantam assistência técnica e treinamento, podem conseguir benefícios em impostos e crédito por parte do governo. Atualizado de um documento similar produzido pela UNCTAD em 2006, o relatório sublinha que diferente de sua primeira versão, quando o biocombustível começava a emergir no mundo, em 2014 o bioetanol e o biodiesel já são considerados parte integral da vida cotidiana em todos os continentes, graças a sua utilização no setor de transporte. Além de oferecer uma análise do estado do mercado atual, o relatório também contém recomendações de políticas para que os países em desenvolvimento possam fazer o melhor uso dessa tecnologia. Estas incluem a criação de quadros regulatórios adaptadas para os recursos nacionais, que não antagonizem com os fornecimentos de alimentos e energia, mas sim aumentem a produtividade agrícola, a renda rural e as habilidades dos trabalhadores. O documento sublinha a introdução no mercado de uma segunda geração de biocombustíveis, que não utiliza produtos extraídos de culturas aráveis, como o açúcar ou óleo vegetal, mas se concentra no uso de culturas lenhosas, resíduos agrícolas ou lixo. O tratamento desse material, no entanto, implica vários desafios para os países em desenvolvimento, afirma o relatório. Por isso, uma das recomendações é a implementação de estratégias internacionais que evitem o surgimento de uma brecha tecnológica entre a primeira geração -de uso intensivo de terras- e a segunda que requer um vasto investimento de capital. * Publicado originalmente no site ONU Brasil.


por Redação da ONU Brasil
Foto: Shutterstock Ambiente

Relatório final do IPCC não deixa dúvidas: precisamos agir agora

[caption id="attachment_124193" align="alignright" width="368"] Kaisa Kosonen, conselheira de política climática do Greenpeace Nórdico durante coletiva de imprensa ao final do encontro do IPCC em Copenhague. Foto: © Greenpeace/Isis Wiedmann[/caption] O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) lançou ontem (2) a parte final de seu 5º Relatório de Avaliação do clima. Esse volume sintetiza os documentos e as descobertas do órgão do último ano e traz, pela primeira vez, a clara mensagem aos governantes de que nossa visão deve ser zerar as emissões de gases de efeito estufa. Entre 2000 e 2010 as emissões cresceram mais rapidamente do que na década anterior, sobretudo em razão do aumento do uso de carvão para geração de energia. Hoje, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera é a mais alta desde últimos 800 mil anos. Se nada for feito, a previsão é de que até 2100 a temperatura média global aumente 5ºC. A maneira mais fácil de reduzir essa tendência é acelerar a adoção de energias renováveis, um processo que já tem acontecido ao redor do mundo. “Para os cientistas, não há nenhuma dúvida sobre como devemos lidar com as mudanças climáticas. Os Governos podem entender isso e começar a reduzir imediatamente o uso de carvão e óleo, ou podem ignorar essa realidade e só lidar com ela mais tarde, a um custo econômico e social muito mais elevado. Não há porque ignorar o elevado potencial das energias renováveis e atrasar nossa migração para um futuro sustentável.”, disse Martin Kaiser, diretor de política climática internacional do Greenpeace. A eliminação do uso de combustíveis fósseis juntamente a outras medidas (como o fim do desmatamento) pode levar a que, em 2100, as emissões globais de gases de efeito estufa sejam quase zeradas. Se considerarmos somente as emissões de geração de eletricidade, contudo, esse número precisa ser alcançado ainda em 2050. As conclusões do relatório final do IPCC não deixam dúvidas referentes ao que pode acontecer caso nada seja feito para reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa. “Agora, é preciso que, no próximo ano, em Paris, os governantes traduzam esses fatos em um compromisso de redução de emissões que reflita a urgência e a importância do momento em que estamos.”, disse Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Redação do Greenpeace

Página 8 de 196« Primeira...678910...203040...Última »
Para enviar sua dica ou opinião, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Dica/Opinião

dica de
sustentabilidade

anterior | próxima
vaso garrafas002 Recicle seu jardim

Foto: Reprodução/ limaoflor.wordpress.com

O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante. A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente. Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável. O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:  
  • Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
  • Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
  • Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
  • Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
  Em todos os casos, é preciso encontrar a melhor maneira de reproduzir as condições naturais de crescimento de cada planta. Toda espécie tem sua necessidade específica de água, portanto, é interessante escolher o recipiente de acordo com as necessidades de cada variedade. Flores como as orquídeas exigem pouquíssimas regas e obtém sua cota de água proveniente do ar, logo são mais fáceis de monitorar. Já as margaridas precisam de regas constantes e solo úmido, sem estar encharcado, e exigem um cuidado maior. *A Giuliana Flores está há mais de 20 anos no mercado e é líder em vendas de flores pela internet.- www.giulianaflores.com.br
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
jardim1

Minhocão deverá ter jardins verticais em 2015. Veja mais aqui.

Fátima Jibrell é a primeira somali a receber o prêmio “Campeões da Terra”. Foto: Adeso

Fatima Jibrell será a primeira pessoa da Somália a receber o prêmio ‘Campeões da Terra’. A ativista combate o comércio ilegal de carvão vegetal e defende a forma de vida pastoral em seu país.

Foto: Fábio Arantes/ SECOM/ Fotos Públicas

A Ponte da Casa Verde, ganhou no último dia 4 uma ciclovia bidirecional de 600 metros ao longo de sua extensão. Foto: Fábio Arantes/ SECOM/ Fotos Públicas

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Fotos Públicas

Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul na cidade de Barra do Piraí, no estado do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Fotos Públicas

Foto: Eduardo Santos

Amazônia perdeu “três estados de São Paulo” em 40 anos, aponta estudo. Saiba mais aqui. Foto: Eduardo Santos.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/ Fotos Públicas

Indígenas protestam em frente ao Palácio do Planalto e pedem infraestrutura nas escolas e a garantia da formação educacional com respeito aos valores tradicionais das comunidades.

Foto: NASA Earth Observatory image by Jesse Allen, using Landsat data from the U.S. Geological Survey/ Fotos Públicas

Nasa publica imagem que mostra efeito da seca no Sistema Cantareira. Veja os detalhes aqui.

Mulher_Gravida_SerraLeoaUNICEFTanya-Bindra

Crise no setor de saúde dos países afetados por ebola põe em risco a 800 mil mulheres grávidas. Foto: Mulher grávida em Freetown, Serra Leoa. UNICEF/Tanya Bindra

energiasolar

Estação carrega bateria de carros elétricos com energia solar. Saiba mais aqui.

O conteúdo do EcoDesenvolvimento.org está sob Licença Creative Commons. Para o uso dessas informações é preciso citar a fonte e o link ativo do Portal EcoD. http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2014/fotografo-da-national-geographic-expoe-obras-sobre?tag=clima#ixzz3GE6gXSuF 
Condições de uso do conteúdo 
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Homem observa derretimento acelerado de geleiras no Ártico
Fotos: Érico Hiller

Fotógrafo da National Geographic expõe obras sobre mudanças climáticas em São Paulo. Veja mais aqui.