Os alertas aumentam e o desmatamento não para

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Os alertas aumentam e o desmatamento não para


por Redação do Greenpeace Brasil


Inpe divulga primeiro relatório DETER do ano e janeiro já registra a maior área com alerta de desmatamentos dos últimos cinco anos para o mês O balanço de alertas de desmatamento (corte raso da floresta) e degradação florestal do período de novembro de 2014 à janeiro de 2015 na Amazônia, divulgado na segunda-feira (dia 2) pelo Inpe traz mais más notícias aos brasileiros. Os dados - do Deter, Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real do Inpe – mostram que o mês de janeiro de 2015, em especial, apresentou alertas de desmatamento e degradação florestal em uma área de 129,36 km², um número que sozinho é quase igual à soma dos dados dos meses de janeiro dos últimos cinco anos: 147,64 km². [caption id="attachment_130216" align="aligncenter" width="540"] Alertas de desmatamento e degradação florestal para janeiro de 2015, agregados em uma grade regular de 50 km X 50 km e em unidades censitárias.[/caption]   Lamentavelmente, janeiro de 2015 não é um ponto fora da curva. Ao analisar os dados de corte raso dos últimos seis meses (agosto de 2014 a janeiro deste ano, meses que vão compor o número final do desmatamento de 2015 apurado por outro sistema do Inpe, o Prodes) fica evidente que o ataque à maior floresta tropical do planeta voltou a ser alarmante: os alertas de desmatamento cresceram 56% em área, e a degradação subiu incríveis 162%, ambos na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Deter permite a constatação rápida do que está acontecendo na floresta e oferece suporte à fiscalização e controle do desmatamento pelo IBAMA. Embora impreciso, ele indica a tendência de aumento ou diminuição da perda florestal ao longo do ano. A estimativa oficial do desmatamento de 2015, apurado pelo Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite (Prodes) sairá no final do ano. O número final, como acontece todos os anos, será anunciado por volta de março de 2016. No período de agosto de 2013 a janeiro de 2014, foram detectados alertas de desmatamento em 688,7 km². Este ano, entre agosto de 2014 e janeiro, foram detectados alertas em 1.074,3 km², o que representa um aumento de 56% em relação ao período anterior. Já em termos de degradação florestal, processo que muitas vezes dá início ao ciclo do desmatamento, os alertas corresponderam à uma área de 403,8 km² no primeiro período e 1059,9 km² no segundo período, um aumento de 162%. Apesar do otimismo do governo em relação à queda da taxa do desmatamento registrada pelo PRODES nos últimos anos, diversos fatores ainda ameaçam a floresta, colocando em risco essa conquista. A exploração ilegal de madeira segue fora de controle, o avanço de atividades agropecuárias sob a floresta continua, e a bancada ruralista no Congresso está mais numerosa do que nunca, ameaçando minar instrumentos efetivos de combate ao desmatamento como as Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Enquanto a floresta vai embora, episódios de seca se espalham pelo país e cientistas alertam que nosso futuro está cada vez mais ameaçado. Por isso é importante que iniciativas que levem ao fim do desmatamento sejam mantidas e fortalecidas, como é o caso da Moratória da Soja e Compromisso Público da Pecuária. Ao mesmo tempo os brasileiros precisam se unir e fazer coro pela proteção das florestas, que são nossa única garantia de futuro. É isso que vem fazendo os mais de 1 milhão de eleitores que já assinaram em favor da lei do Desmatamento ZERO. (Greenpeace/Envolverde) * Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.

Sangita, de 18 anos, recorda a noite em que acordou com a cama dentro da água. “Essa árvore salvou minha vida, mas quero esquecer aquela noite horrível”, disse, apontando para a mangueira onde subiu. Foto: Mallika Aryal/IPS Ambiente

Quando uma árvore é mais efetiva do que o governo do Nepal

[caption id="attachment_130208" align="aligncenter" width="540"] Todas as manhãs Raj Kumari Chaudhari reza para a mangueira na qual subiu durante as inundações de 2014 no centro-oeste do Nepal. Foto: Mallika Aryal/IPS[/caption]   Bardiya, Nepal, 4/3/2015 – “Esta árvore não dá frutos, mas salvou minha família da morte”, contou Raj Kumari Chaudhari, ao lado de uma enorme e majestosa mangueira, cujos ramos se estendem além da vista. “Só ela fez mais por minha família em tempos difíceis do que o próprio governo do Nepal”, afirmou a camponesa. Todas as manhãs Chaudhari se dirige à outra ponta da aldeia apenas para rezar para a árvore. Na noite de 14 de agosto do ano passado, Chaudhari perdeu sua casa quando a água arrasou toda a aldeia de Padnaha, no distrito de Bardiya, no centro-oeste do Nepal. Seu marido pegou sua filha mais velha enquanto ela carregava as gêmeas em suas costas e fugiram. Quando chegaram na outra ponta da aldeia se deram conta de que não tinham escapatória. Subiram na árvore mais próxima para se protegerem. Em questão de minutos outras 11 pessoas fizeram o mesmo. “Meu bebê de seis meses era o menor de todos, o prendi com meu xale para que não caísse”, contou outra moradora, Kalpana Gurung. Bardiya é um dos três distritos do centro-oeste mais atingidos pelas inundações de 2014. O Comitê para a Atenção de Desastres informa que mais de 93 mil pessoas foram prejudicadas. A torrente de água deixou 32 mortos e 13 desaparecidos. Quase cinco mil sofreram as consequências das inundações em Padnaha. O ano passado já figurava como o mais mortífero da história do Nepal em termos de desastres naturais. Segundo o Ministério do Interior, morreram 492 pessoas e mais de 37 mil moradias foram destruídas pelos desastres ocorridos entre abril do ano passado e fevereiro de 2015. Os especialistas criticam que apesar disso o governo ainda não formulou nenhuma resposta de longo prazo para casos como o da família de Chaudhari, que sobreviveu à catástrofe. [caption id="attachment_130209" align="aligncenter" width="540"] Raj Kumari e Hira Lal Chaudhari, sua filha de 11 anos e as gêmeas de oito, sobreviveram às inundações de agosto de 2014 no centro-oeste do Nepal subindo em uma mangueira, onde esperaram as águas baixarem. Foto: Mallika Aryal/IPS[/caption]   [caption id="attachment_130210" align="aligncenter" width="540"] Demorou cinco meses para a comunidade de Padnaha recuperar sua vida. Doze famílias puderam reconstruir suas casas. “Toda a aldeia ficou como um deserto depois das inundações”, contou Raj Kumari Chaudhari, uma das sobreviventes. Foto: Mallika Aryal/IPS[/caption]   “O governo não tem rumo nem planos para a reabilitação de sobreviventes. Os que perderam suas terras ficaram, basicamente, apátridas”, lamentou Madhukar Upadhya, especialista em gestão de bacias e deslizamentos de terras. Após o transbordamento do rio Koshi em 2008, no leste do Nepal, o governo criou um centro para capacitação em gestão de desastres, a polícia ganhou uma divisão especial e o exército um departamento dedicado ao tema. Mas o interesse das autoridades está no resgate e no alívio, não na reabilitação nem no reassentamento, criticou Upadhya, A família de Chaudhari e a maioria de seus vizinhos procedem da comunidade indígena de tharu, no oeste do Nepal. Além disso, foram “kamaiya”, vítimas do opressivo sistema de trabalho forçado que vigorou no Nepal até sua abolição em 2002. Após ser libertada, a família foi expulsa de sua casa por seus “donos” e tiveram que viver ao relento durante anos. Há dois, o governo finalmente os reassentou em Padnaha. “Demoramos muito tempo para reconstruir nossas casas, as crianças finalmente estavam assentando quando as inundações arrasaram com tudo”, lamentou Chaudhari. Depois de ficar por 24 horas na árvore com a água correndo embaixo, Chaudhari e sua família finalmente puderam descer e ser abrigar na escola. Quando se retirou, viu que tudo havia desaparecido. “Perdemos nossas casas e nossos pertences, mas, ao contrário de outros sobreviventes de inundações e deslizamentos de terra, ainda podemos regressar ao nosso terreno”, disse Sangita, de 18 anos, que também se salvou graças à mangueira. Com ajuda da organização Save the Children, que lhes deu os materiais, e ao programa Dinheiro por Trabalho, uma experiência de 13 anos que paga US$ 3,50 por dia de trabalho, a comunidade pôde começar a reconstrução. Em poucos dias, 12 famílias limparam os escombros e levantaram suas choças. Chaudhary já pode plantar algumas verduras na horta, uma fonte a mais de alimentos para sua família. Mas se preocupa com a possibilidade de o ocorrido no ano passado se repetir, e se deu conta de que precisa estar preparada. [caption id="attachment_130211" align="aligncenter" width="540"] Kalpana Gurung em sua horta, onde espera colher verduras na primavera para alimentar sua família. Ela está amamentando e teme não poder dar alimento suficiente para seu bebê de nove meses. Foto: Mallika Aryal/IPS[/caption]   [caption id="attachment_130212" align="aligncenter" width="540"] Saraswati Chaudhari, de 11 anos, e suas irmãs gêmeas, Puja e Laxmi, prontos para irem à escola. Especialistas afirmam que o governo deve criar um plano de gestão de desastres integral para proteger as famílias que vivem em zonas propensas a catástrofes. Foto: Mallika Aryal/IPS[/caption]   [caption id="attachment_130213" align="aligncenter" width="540"] Sangita, de 18 anos, recorda a noite em que acordou com a cama dentro da água. “Essa árvore salvou minha vida, mas quero esquecer aquela noite horrível”, disse, apontando para a mangueira onde subiu. Foto: Mallika Aryal/IPS[/caption]   Especialistas em clima afirmam que a pequena comunidade-modelo não é sustentável, pois a variação climática faz com que em cada monção possa haver inundações e deslizamentos de terra nas regiões vulneráveis do Nepal. Um estudo de 2014, da Aliança Clima e Desenvolvimento (CDKN) conclui que a variabilidade climática e os eventos extremos custam ao governo do Nepal o equivalente a 1,5% a 2% do produto interno bruto por ano. Doze grandes inundações nas últimas quatro décadas custaram a cada família afetada o equivalente a US$ 9 mil, em média. Considerando que a renda familiar média era de US$ 2,7 mil em 2011, esse montante representa uma grande carga suportada principalmente pelos mais pobres, que vivem em zonas propensas a desastres naturais, como a família de Chaudhari. Anualmente, desde 1983, as inundações no Nepal deixam uma média de 283 mortos, oito mil casas destruídas e 30 mil famílias que devem enfrentar as consequências do desastre. “Estamos acostumados a reconstruir nossas vidas, mas espero que minhas filhas não tenham que fazer o mesmo uma e outra vez, como eu”, ressaltou Chaudhari, com o olhar perdido na sagrada mangueira. Envolverde/IPS


por Mallika Aryal, da IPS
Foto: Shutterstock Ambiente

Mudanças Climáticas, Variabilidade Climáticas ou Bizarrice Global?

Em tempos de escassez de água ou de excesso de chuvas os termos “Mudanças Climáticas e Aquecimento Global” voltam a ser destaque na mídia, uma vez que é comum a associação do atual momento as ações predatórias do homem sobre o seu hábitat. Certo é que esses termos por vezes soam como se fossem a mesma coisa, principalmente para o cidadão comum, mas para os meteorologistas, climatologistas e outros estudiosos do clima, enquanto o termo “Aquecimento Global” faz referência ao aumento da temperatura média do Planeta como consequência principal das ações antropogênicas, o termo “Mudanças Climáticas” faz referência as mudanças que ocorrem em determinado local, ao longo de várias décadas, em diferentes elementos que compõem o clima, sendo os mais estudados a temperatura e as chuvas. Como consequência das mudanças no conjunto dos elementos que compõem o clima, eventos tais como incêndios florestais, secas, furacões, tempestades tropicais, nevascas, enchentes etc., antes observados esporadicamente passam a ser observados com maior frequência de ocorrência e intensidade. Diante da previsão acerca da mudança dos padrões climáticos no futuro, realizada com base nos atuais modelos climáticos, de acordo com alguns cientistas é esperado aumento nos desastres naturais, até então pouco conhecidos na história dos últimos dois séculos. Numa escala de tempo menor do que as Mudanças Climáticas, eventos naturais tais como El Niño e La Niña, e a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) ganham destaque, pois influenciam de modo mais marcante na variabilidade do clima atual que apresenta como maior efeito colateral grande instabilidade no comércio internacional, devido a variabilidade na produção de alimentos e, consequente impactos na economia mundial. Essa variabilidade climática que é uma característica inerente do clima pôde ser observada no verão de 2014 que foi o mais quente dos últimos 30 anos, na falta de chuva no início estação chuvosa e no excesso de chuva no pico da atual estação chuvosa em algumas regiões no Brasil; fortes nevascas no Leste e Centro Oeste norte-americano e temperaturas acima da média na Costa Oeste dos Estados Unidos. [caption id="attachment_103278" align="alignright" width="340"] Foto: Shutterstock[/caption] Muitos dos efeitos atribuídos às Mudanças Climáticas estão efetivamente associados as mudanças aceleradas no uso e cobertura da Terra e a própria variabilidade climática que de acordo com o Dr. Thomas Wilbanks, da Divisão de Ciências Ambientais do Oak Ridge National Laboratory, seria, na atualidade, melhor descrita como "Weirding Global", ou seja, Bizarrice Global. Como consequência dos efeitos do que estão acontecendo com o clima da Terra foi publicado recentemente o "Climatic Risk and Distribution Atlas of European Bumblebees” que apresenta uma discussão sobre o declínio na população das abelhas em uma região da Europa, declínio esse que é atribuído e um “coquetel” de estressores ambientais decorrentes das Mudanças Climáticas. As condições ambientais do hábitat das abelhas, capitaneadas pelo clima atual, ainda ameaçam o futuro de toda a população desses insetos polinizadores. O atlas, publicado como uma edição especial do jornal BioRisk, que permite acesso aberto ao público (http://phys.org/news/2015-02-decline-pollinators-europe.html) apresenta a possibilidade da ocorrência de um “Apocalipse da Abelhas” no futuro. Todavia, os pesquisadores acreditam que soluções baseadas na natureza ainda são possíveis, levando-se em consideração, certamente, as condições atuais e futuras do clima no continente europeu. Outros eventos atuais são também atribuídos às Mudanças Climáticas, um exemplo disso foram as declarações feitas pelo Dr. Deepak Sawant, em Nagpur na Índia, que ao ser questionado sobre uma possível epidemia de gripe suína na região afirmou: “o Aquecimento Global e as Mudança Climáticas estão causando o aumento do número de casos de gripe suína”. Ele acrescentou que a disseminação da doença foi antecipada já que as ocorrências são normalmente registradas em Maio ou Junho, mas que em 2015, devido ao inverno prolongado do Hemisfério Norte e as Mudanças Climáticas, os casos de gripe suína têm aumentando quando comparado aos anos anteriores. Questões conceituais, necessárias às ciências e tecnologias para identificar formalmente seu objeto de estudo a partir da percepção dos fatos reais, associadas ao emprego dos termos “Mudanças Climáticas” – que ocorrem ao longo dos séculos ou milênios, e “Variabilidade Climática” – que pode ocorrer desde uma escala de tempo anual, até uma de ciclo mais longo (como a ODP que pode levar em média de 20 a 30 anos), são de fato aspectos que podem contribuir para que um evento assuma a responsabilidade de outro, e até mesmo a terminologia empregada para descrever um ou outro evento da natureza se torne um termo “tendência” utilizado de forma indiscriminada para publicidade e promoção de toda e qualquer natureza criando uma nuvem de confusão sobre os termos científicos, desapropriando o seu real sentido, embaralhando os conceitos até que se perca o real sentido deste. Indiferente ao emprego dos termos, as secas, nevascas e desastres naturais continuam a acontecer cobrando do Homem, membro da comunidade biótica do Planeta, mudanças na relação Homem-Planeta, quebrando o paradigma do progresso, que constitui o pilar fundamental sobre o qual estão assentados os principais valores da sociedade que hoje escreve a história do futuro da humanidade sobre o Planeta Terra. Viva Gaia! * Williams P. M. Ferreira é meteorologista, pesquisador da Embrapa Café e pesquisador colaborador da Epamig UREZM-MG. ** Publicado originalmente na edição 219 da Eco21.


por Williams P. M. Ferreira*
Os autores da carta reclamam que o processo de elaboração da lei não levou em conta o interesse e nem os direitos dos povos e comunidades tradicionais.
© Michel Roggo / WWF Ambiente

WWF-Brasil assina documento com críticas ao projeto de lei da biodiversidade

[caption id="attachment_130229" align="aligncenter" width="540"] Os autores da carta reclamam que o processo de elaboração da lei não levou em conta o interesse e nem os direitos dos povos e comunidades tradicionais. © Michel Roggo / WWF[/caption]   O WWF-Brasil assinou nesta segunda-feira (2/3) a carta elaborada por representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares em que as organizações repudiam o Projeto de Lei 7735/2014, que agora tramita no Senado Federal como PLC 2/2015. O projeto enviado ao Congresso Nacional pelo Ministério do Meio Ambiente pretende regulamentar o acesso para a pesquisa e a exploração econômica patrimônio genético brasileiro e a repartição de benefícios decorrentes do uso de conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. Os autores da carta, porém, reclamam que o processo de elaboração da lei não levou em conta o interesse e nem os direitos dos povos e comunidades tradicionais. “No projeto aprovado pela Câmara, a parte da repartição – que interessa aos povos tradicionais – ficou muito aquém do que se esperava. Isso desequilibra e torna o jogo injusto para indígenas, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas e outras populações tradicionais”, afirmou a CEO do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito. Para esses grupos, lembrou, o que a lei tem de garantir são princípios como o do consentimento prévio informado para o acesso ao conhecimento tradicional associado aos recursos genéticos, assim como repartição justa e equitativa dos benefícios advindos da utilização do conhecimento tradicional associado. “Esta é uma forma de inclusão econômica a partir de um ativo da biodiversidade e esse ativo pertence a todos os brasileiros, não só a alguns”, disse. Para o Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Jean Francois Timmers, o Estado deve aproveitar a chance de valorizar economicamente a biodiversidade e, ao mesmo tempo, respeitar a diversidade cultural que caracteriza o Brasil. Para ele, os grupos tradicionais podem dar à ciência pistas valiosas sobre o uso de substâncias naturais. “É muito mais fácil descobrir moléculas que podem curar, quando se tem uma dica que foi testada pelo conhecimento prático ao logo muitas gerações”, disse. Urgência O projeto de lei da biodiversidade tramitará em regime de urgência no Senado e deverá ser apreciado em até 45 dias. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), disse na semana passada que não poupará esforços para aprovar a Lei da Biodiversidade dentro do regime de urgência. “Mesmo nesse curto prazo, a tramitação do projeto de lei no Senado é uma oportunidade para que o Congresso retifique o texto aprovado na Câmara, fazendo com que a legislação facilite o trabalho dos cientistas, dê segurança jurídica para a indústria mas que garanta também o direito dos povos tradicionais”, disse o superintendente do WWF-Brasil. (WWF/Envolverde) * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Redação do WWF Brasil
Natureza urbana.  Foto arte: MiladSafabakhsh - Sony Awards 2015 Ambiente

Sambando na chuva para não dançar

[caption id="attachment_130240" align="alignleft" width="340"] Natureza urbana. Foto arte: MiladSafabakhsh - Sony Awards 2015[/caption] A edição de fevereiro de 2015 da Eco21, uma das principais publicações sobre meio ambiente e sustentabilidade no Brasil, traz excelentes textos. Veja abaixo o editorial e o índice. Editorial “Oh Indispensável Chuva! / Do solo, fizeste brotar a natureza / O recomeço, a transformação / De sua gota criaste o homem / A nação Pataxó”. Com esses versos, André Machado, o carnavalesco da Escola de Samba X-9 Paulistana cantou a maior crise hídrica de São Paulo. A sabedoria popular foi além da sapiência dos engenheiros da Sabesp entoando, com plena consciência dos seus padecimentos, a canção dos sem água: “Decorrente do nosso descaso com o meio ambiente / Tu és o medo nas encostas dos morros / No trânsito, a desordem pelas ruas da cidade / Sobre as enchentes, o suplício dos desabrigados”. O problema do esgotamento dos recursos hídricos é um fenômeno planetário. A ONU adverte que a escassez de água potável é uma realidade para 30% da população mundial que vem sendo acentuada nos últimos 40 anos pela poluição dos rios, pelo desmatamento, pela degradação do solo, pela má gestão dos recursos hídricos e pelo desperdício na agricultura e na indústria. Em Novembro passado, durante uma reunião da FAO sobre a fome mundial o Papa Francisco, num tom que até pouco seria considerado uma pregação “ecochata”, advertiu que “A água não é gratuita, como tantas vezes pensamos; sem dúvida será um grave problema que poderá nos levar à guerra. A fome e a sede estão ligadas ao desflorestamento e a uma economia que mata”. A Década da Água para a Vida (2005-2015) definiu um novo perfil para programas relacionados à água estimulando a participação das mulheres. A ONU esperava que a Década deflagrasse oportunidades para atingir metas internacionais relacionadas à água e à Declaração do Milênio. A primeira Década da Água (1980 a 1990) forneceu água para mais de um bilhão de pessoas e saneamento para quase 77 milhões. Mas o trabalho foi realizado apenas pela metade. Ainda há mais de um bilhão de pessoas sem fornecimento de água potável e quase 2,5 bilhões sem saneamento adequado. Seu acesso limitado é um obstáculo insuperável para se escapar da pobreza. As prioridades hídricas das mulheres e dos homens são frequentemente diferentes. As mulheres das áreas rurais gastam horas, todos os dias, à procura de água. As questões de gênero são claramente um fator vital no encorajamento ao desenvolvimento da participação e empoderamento das mulheres na gestão hídrica. Entretanto, introduzir uma “dimensão de gênero” também significa incorporar as mulheres das periferias ao processo real de planejamento. A água é vital, não apenas para se beber, cozinhar e para usos domésticos, mas também para a agricultura, a pecuária, a construção civil, enfim, para todas as atividades econômicas. A competição pelo recurso leva a disputas, aumentando a pobreza entre os menos favorecidos deixando-os sem meios para se sustentar. Em inúmeras cidades, os pobres pagam mais pela água que os ricos. Os versos do samba da X-9 deste carnaval de 2015 são muito oportunos: “És divina! [a água] / No dia a dia é essencial / A consciência está / Em alertar pra não faltar”. E voltando para a realidade paulista o samba continua: “Teu excesso e tua escassez são motivos de reflexão / Um exercício de consciência Tu és a água que nutre a Cantareira / A tua presença motiva o descarte correto do lixo / A tua ausência, o consumo consciente da água / Você gera energia ao mesmo tempo em que causa apagão / A luz e a sede”. Infelizmente, a X-9 ficou em décimo primeiro lugar no julgamento, mas essa é outra história. Gaia Viverá! Índice 04 Benjamin Gonçalves - Avançam negociações climáticas para Paris 2015 05 Tasso Azevedo - Em busca do Zero a Zero 06 Williams Ferreira - Mudança, variabilidade ou bizarrice global climática? 08 Elton Alisson - Extremos climáticos ocorrerão com mais intensidade em SP 10 Washington Novaes - Adeus aos índios e à biodiversidade 14 Júlio Bernardes - Desmatamento afeta os recursos hídricos do Cerrado 16 NajarTubino - A desertificação não está na pauta da grande mídia 18 Leonardo Boff - A água no mundo e sua escassez no Brasil 20 Carlos Rittl - Nós avisamos 21 Sarney Filho - A crise hídrica é uma realidade 22 Ricardo Machado - Entrevista com Ary Mergulhão 28 Alfredo Sirkis - Energia solar no Brasil, finalmente um alento 30 Erik Von Farfan - Dilma inaugura o Parque Eólico de Geribatu no RS 32 Margarete Storto - Brasil pode gerar energia a partir de resíduos sólidos 34 ElisabettaSoglio - Entrevista com José Graziano da Silva 36 Isabel de Araújo - Rio institui Gabinete de emergência hídrica 38 Marcus Eduardo de Oliveira - O Todo é o Meio Ambiente 40 Marcus Nakagawa - A empresa sustentável hoje 42 Michèlle Cannes - Entidades repudiam Projeto de Lei sobre Biodiversidade 43 Eunice Venturi - Será medida pressão humana em florestas inundáveis 44 Hérika Dias - Novos nanobiossensores detectarão presença de OGMs 46 Maria Luiza Campos - Nova espécie de peixe é descoberta em cavernas 48 Júlio Ottoboni - Eduardo Miguel Pardo, artesão da sustentabilidade 50 Raquel Correia - Obama veta construção do oleoduto KeystonaXL   * Para assinar clique aqui.


por Lúcia Chayb e René Capriles, da Eco21
Em investigacão, o Greenpeace coletou evidências sobre a atuação destrutiva da Asia Pacific Resources International Holdings Limited (APRIL) nas florestas da Província de Riau, na Indonésia. Foto: © Ulet Ifansasti / Greenpeace Ambiente

Santander decide parar de financiar o desmatamento na Indonésia

Pressão popular, em especial dos correntistas do banco, foi fundamental para que a instituição interrompesse empréstimos à fabricante de celulose responsável pela destruição de florestas [caption id="attachment_130222" align="aligncenter" width="540"] Em investigacão, o Greenpeace coletou evidências sobre a atuação destrutiva da Asia Pacific Resources International Holdings Limited (APRIL) nas florestas da Província de Riau, na Indonésia. Foto: © Ulet Ifansasti / Greenpeace[/caption]   O banco Santander, um dos maiores do mundo, se comprometeu a parar de financiar a fabricante de papel e celulose Asia Pacific Resources International devido a destruição promovida pela companhia na floresta tropical da Indonésia. A April é considerada a maior desmatadora da Indonésia. Ali, tem suplantado grandes áreas de florestas milenares para a plantação de acácias, usadas na fabricação de papel e celulose. As ações da empresa já foram condenadas por todas as agências ambientais do país, que a acusam de violar leis ambientais, não cumprir com suas próprias regras básicas de proteção das florestas – que são insuficientes – e de causar conflitos nas comunidades locais. O Santander possui aproximadamente 14% do mercado de hipotecas do Reino Unido e mais de 100 milhões de clientes em todo o mundo. Em uma investigação, o Greenpeace descobriu que o banco havia emprestado dezenas de milhares de libras diretamente para a April, e viabilizado outros empréstimos via sindicatos, incluindo um de 400 milhões de libras, que deu a instituição bancária o prêmio de “Negócio do Ano”, cedido pela revista Trade Finance. [caption id="attachment_130225" align="aligncenter" width="540"] Ativistas do Greenpeace do Reino Unido realizaram uma ação, em fevereiro deste ano, em frente do escritório central do Santander em Londres. A investigação do Greenpeace apontou que o banco vinha financiado as operações da April na floresta tropical da Indonésia. Foto: © Greenpeace[/caption]   Mas, na semana passada, o banco multinacional emitiu um comunicado, em resposta aos milhares de pedidos de explicação e reclamações recebidos, no qual declarou: “baseado em uma profunda análise interna, o Banco Santander decidiu não renovar o atual financiamento da April e não ampliar o crédito nesta fase. Todos os empréstimos futuros a April estarão condicionados a implementação de novas medidas para uma atuação sustentável em relação ao desmatamento.” “Estamos muito satisfeitos que o Santander se juntou à lista crescente de empresas que decidiram acabar com sua participação no desmatamento e tomar uma posição contra a destruição da floresta promovida pela April. Muitos grandes compradores de papel já cancelaram seus contratos com a April exatamente por esta razão. O anúncio do Santander envia uma mensagem clara para empresa, de que o desmatamento é inaceitável. Além disso, o anúncio coloca uma enorme pressão sobre outros bancos internacionais que possuem ligações financeiras com a April, incluindo o Credit Suisse e o ABN Amro Bank, para que firmem compromissos semelhantes", disse Zulfahmi Fahmi, da campanha de florestas do Greenpeace na Indonésia. Os ativistas do Greenpeace iniciaram uma campanha pela internet, com massivo apoio popular, para convencer o Santander a parar de financiar a destruição da floresta. “Tudo que o Greenpeace fez foi dar informações para nossos apoiadores e eles fizeram o resto. A resposta dos clientes do Santander tem sido sensacional. O Santander, por sua vez, ouviu e atendeu a demanda. Mas isso nunca teria acontecido se o banco tivesse uma política responsável de crédito. A política de crédito para o setor florestal continua um mistério - Santander deve revisa-la e publica-la para fechar qualquer brecha que permita que outras empresas continuem obtendo financiamentos para destruir as florestas. A instituição também deve rever sua carta de clientes, para evitar que outras companhias polêmicas rondem os seus balanços”, afirma o coordenador da campanha de florestas do Reino Unido, Richard George. (Greenpeace/Envolverde) * Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.


por Redação do Greenpeace Brasil
Araras Azuis cedidas ao Brasil pela Alemanha, em comemoração ao Dia Mundial da Vida Selvagem. Foto: ACTP/Dvulgação Ambiente

Ararinhas-azuis nascidas na Alemanha chegam ao Brasil

[caption id="attachment_130247" align="aligncenter" width="540"] Brasil recebe casal de ararinhas-azuis da Alemanha. Nascidas de uma fêmea brasileira, que foi levada ao país europeu para reprodução, as ararinhas foram batizadas de Carla e Tiago. Foto: ACTP/Divulgação[/caption]   Um casal de ararinhas-azuis, espécie considerada extinta na natureza, chegou ontem (3) de manhã ao Brasil. Nascidas na Alemanha, as ararinhas, batizadas de Carla e Tiago, são filhas de uma fêmea brasileira e devem ajudar a aumentar a população dos pássaros dessa espécie, no Brasil. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, atualmente existem apenas 11 animais da espécie no país, todas vivendo em um criadouro no interior de São Paulo. A iniciativa é uma parceria do governo brasileiro com a Agência Federal Alemã de Conservação da Natureza. A chegada das ararinhas ao país serviu para marcar o Dia Mundial da Vida Selvagem. Entre outros objetivos, a data promove a cooperação entre países para preservar espécies. “Hoje é um dia emocionante para a conservação da biodiversidade do Brasil. É um dia ímpar dos esforços técnico-científicos. Viabilizamos o retorno da espécie símbolo do Brasil. Que, no futuro, ela possa ser colocada na natureza”, acrescentou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Os animais desembarcaram no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Em seguida, foram levados para um quaternário oficial do Ministério da Agricultura, onde permaneceram em observação por 15 dias. O próximo destino do casal será um criadouro científico da fauna silvestre para fins de conservação, no interior paulista. “Nós temos fêmeas precisando de machos. Levamos para a Alemanha, fizemos todo o trabalho de reprodução e agora estamos trazendo Tiago e Carla de volta ao Brasil”, explicou a ministra. Segundo ela, o objetivo é devolvê-los à natureza assim que o país atingir 150 animais da espécie. “A meta é, até 2020, estarmos testando e viabilizando a reinserção dessas espécies na natureza”, ressaltou Izabella Teixeira. O habitat natural da ararinha-azul é a Caatinga, na área do município de Curuçá, no norte da Bahia. As aves só começam a se reproduzir após quatro anos de vida, quando entram na fase adulta. Somente cinco animais nascem a cada 12 meses. Conforme a ministra, desde 2000 a espécie não é mais encontrada na natureza. Em razão disso, há uma cooperação entre o Brasil, o Catar e a Alemanha para viabilizar a reprodução dos animais em cativeiro. * Edição: Armando Cardoso. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Redação da Agência Brasil
Workshop sobre os PEAA será em São Bernardo do Campo, dia 4 de março. Imagem: Divulgação/ Pacto Global Ambiente

Rede Brasileira do Pacto Global lança Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura

Compromissos voluntários para a sustentabilidade no setor do agronegócio serão apresentados ao País durante workshop em São Bernardo do Campo, dia 4 de março. [caption id="attachment_130257" align="aligncenter" width="540"] Workshop sobre os PEAA será em São Bernardo do Campo, dia 4 de março. Imagem: Divulgação/ Pacto Global[/caption]   O primeiro conjunto de valores empresariais globais e voluntários para o agronegócio e a indústria alimentícia será lançado no Brasil dia 4 de março, em São Bernardo do Campo, na Fundação Espaço ECO. Desenvolvidos pelo Pacto Global das Nações Unidas, os Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA) buscam impulsionar o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar em um setor estratégico para a economia brasileira. O lançamento, promovido pelo Grupo Temático de Alimentos e Agricultura da Rede Brasileira do Pacto Global, ocorre durante o workshop “Princípios em prática”. O encontro irá compartilhar experiências de representantes do agronegócio, produtores rurais e especialistas da ONU e da sociedade civil, como a Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Bariri (Assobari) e Bonsucro, a ONG The Nature Conservancy e as empresas BASF, Nestlé e Amaggi. Ainda na programação, o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) irá lançar a cartilha “Financiamento para Pequenos e Médios Produtores Rurais”, apoiada pela Rede Brasileira do Pacto Global. A publicação apresenta fontes de financiamento para a expansão da produção através de uma gestão mais produtiva e menos impactante ao meio ambiente, em sintonia com os objetivos dos PEAA. O evento conta com apoio da Amaggi, BASF, Monsanto, Netafim e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Sobre os PEAA Os seis Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura (PEAA) oferecem uma abordagem integrada para o enfrentamento do desafio da crescente demanda global por alimentos. Da mesma forma, respondem à chamada da Conferência Rio +20 para a intensificação da produção sustentável de alimentos, com o aumento de investimentos locais, o acesso aos mercados locais e globais e a redução do desperdício nas cadeias de abastecimento. Os PEAA são resultado de um processo amplo e inclusivo com diversos atores, que envolveu 20 consultas globalmente e incluiu mais de mil empresas, agências da ONU e organizações da sociedade civil comprometidas com os temas da agricultura, nutrição e sistemas alimentares. O Brasil fez parte da fase presencial de consultas em encontro que reuniu 57 representantes do setor em março de 2014. Conheça os PEAA: 1. Promover segurança alimentar, saúde e nutrição 2. Ser ambientalmente responsável 3. Garantir a viabilidade econômica e compartilhar valores 4. Respeitar os direitos humanos, criar trabalho digno e ajudar as comunidades rurais a prosperarem 5. Incentivar a boa governança e a responsabilidade 6. Promover o acesso e a transferência de conhecimento, habilidades e tecnologia Sobre o Pacto Global Lançado em 2000, o Pacto Global das Nações Unidas é a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa voluntária do mundo. Reúne 8 mil signatários corporativos em 162 países com o objetivo de alinhar as operações de negócios aos dez princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Criada no Brasil em 2003, a Rede Brasileira tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e conta com cerca de 650 organizações signatárias, sendo a terceira maior rede em número de empresas. Serviço Workshop Princípios em Prática – Princípios Empresarias para Alimentos e Agricultura (PEAA) Data: 4 de março de 2015, das 9h45 às 16h30 Local: Fundação Espaço ECO, São Bernardo do Campo, SP – Estrada Ribeirão do Soldado, 230, Bairro Botujuru, São Bernardo do Campo, SP Mais informações: (11) 2500 5285 * Publicado originalmente no site ONU Brasil.


por Redação da ONU Brasil
17 milhões de barris de petróleo são usados todos os anos para produzir bilhões de garrafas PET nos EUA. Foto: Fast.Co Ambiente

Após banir sacolas, São Francisco (EUA) proíbe agora garrafas plásticas na cidade

[caption id="attachment_130261" align="aligncenter" width="450"] 17 milhões de barris de petróleo são usados todos os anos para produzir bilhões de garrafas PET nos EUA. Foto: Fast.Co[/caption]   A caminho de atingir a ambiciosa meta de lixo zero até 2020, São Francisco, na Califórnia, tornou-se em outubro de 2014 a primeira cidade dos Estados Unidos a proibir a venda de garrafas plásticas de menos de 600 ml. Gradativamente, elas serão completamente extintas da região. Quem descumprir a medida está sujeito a pagar até US$ 1000. "Nós todos estamos a par das mudanças do clima e a importância de combater isso e São Francisco tem liderado o caminho da luta pelo meio ambiente. É por isso que eu peço que vocês apoiem essa iniciativa de reduzir e desencorajar o uso único e a porção única de garrafas d’água em São Francisco", afirmou David Chiu, autor da lei, ao SF Gate. Antes, a cidade já havia banido sacolas plástica e embalagens de isopor. Com o banimento das garrafas, o poder público de São Francisco deve investir em bicas e bebedouros para facilitar o enchimento de garrafas reutilizáveis e manter a população hidratada – prática que é bastante comum em países europeus. Lixo acumulado Ainda nos Estados Unidos, onde 17 milhões de barris de petróleo são usados todos os anos para produzir bilhões de garrafas PET (das quais menos de 30% são recicladas), diversos parques nacionais já proibiram o comércio de água em garrafas plásticas com o objetivo de diminuir o lixo acumulado por visitantes. Quando não se acumulam nos lixões, as garrafas plásticas prejudicam a vida marinha e os ecossistemas aquáticos, oferecendo riscos aos animais. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Biólogo, é sócio do Fundo Pitanga, voltado para o venture capital. Foi diretor da Votorantim Novos Negócios e coordenou o primeiro Projeto Genoma brasileiro. É colunista de O Estado de S. Paulo Ambiente

Viver perigosamente

[caption id="attachment_130182" align="alignleft" width="340"] Biólogo, é sócio do Fundo Pitanga, voltado para o venture capital. Foi diretor da Votorantim Novos Negócios e coordenou o primeiro Projeto Genoma brasileiro. É colunista de O Estado de S. Paulo[/caption] Antes de iniciar esta entrevista, Fernando Reinach mostrou a cópia de uma reportagem com a seguinte manchete: “Chove. Mas Cantareira está cada vez mais vazio”. Com data de novembro de 2003, poderia enganar o leitor mais distraído de que se trataria de uma matéria atual. A reportagem cita a população que, nas ruas, começa a cobrar da Sabesp uma atitude em relação ao racionamento de água. Reinach também mostrou um gráfico, indicando no sobe e desce do volume acumulado no Cantareira a flutuação ditada pelo ritmo de chuvas no verão e o esvaziamento natural no inverno, ano a ano, desde 1982. Um dos pontos baixos dessa curva é o de 2003, que levantou as preocupações descritas no recorte do jornal. Mas, olhando o comportamento do gráfico em 2014 e 2015, fica fácil entender a que ponto chegamos e constatar a gravidade da atual situação, fazendo com que 2003 pareça “fichinha”. “Nunca vivemos tão perigosamente”, afirma. O Cantareira está no campo de observação do biólogo não apenas através de gráficos e leituras. Sua relação com a represa é afetiva, ele cresceu acompanhando as obras e nadando naquelas águas. O pai foi um dos primeiros presidentes da Sabesp e a família tem uma casa perto do manancial. Onde tinha água, hoje ele vê um campo verde. Seu recado é claro: driblar as dificuldades políticas para planejar o longo prazo, aumentando a capacidade de estocagem em reservatórios. Na noite anterior à da entrevista, Reinach mal tinha dormido, porque nascera o primeiro netinho, e a visão de futuro que uma criança sempre inspira parece ter dado o tom desta conversa. Há tempos o senhor escreve no jornal alertando para a falta de água. Além da questão político-eleitoral, podemos dizer que houve uma espécie de negação das pessoas para uma crise anunciada? O problema vem de mais tempo, porque o último grande reservatório de água construído em São Paulo foi o Cantareira, na década de 70. Eu tenho uma ligação afetiva com o Cantareira, porque no fim da década de 70 meu pai era presidente da Sabesp [de 1975 a 1977], e ele levava a gente no fim de semana para ver os túneis, que agora estão sem água. Não foi ele quem planejou o Cantareira nem nada, ele assumiu a Sabesp por dois anos e ajudou a fazer o finzinho: implantou a última represa, que é Capivari, a maior de todas. Nessa época, a gente comprou um terreno lá e construiu uma casa. Então vejo o Cantareira subir e descer todo fim de semana. E comecei a ver os dados da ANA [Agência Nacional de Águas] todo dia. Ou seja, faz muitos anos que acompanho o Cantareira. O prédio da sede da Sabesp tem o nome do meu pai, que também é nome do meu filho. Que é? Klauss Reinach. Eu lembro muito bem que na época em que o Cantareira foi construído, era governo militar ainda, e teve muita crítica à construção. Sofreu processos, pois teve de alagar um monte de área… Diziam que era muito grande, perguntavam como se gastava tanto dinheiro para fazer uma represa. O Cantareira foi planejado para suprir São Paulo até mais ou menos 2020, 2030… E não deu conta de chegar lá. Isso também por causa do aumento da população? Da época em que o Cantareira foi inaugurado até hoje – não sei os números exatos –, o consumo deve ter duplicado. E esse crescimento foi atendido com crescimento do fluxo e não do estoque. Tem dois jeitos de suprir água em uma cidade: um é tirar do rio através de uma bomba, tratar e jogar na distribuição. Tirar 10 metros cúbicos por segundo, por exemplo. Outro é fazer uma represa que forneça 10 metros cúbicos por segundo durante todo o ano. A represa é o estoque. Mas, na medida em que a cidade crescia, o fluxo também aumentava, e não o estoque. Equivale a uma família que aumenta a despesa, passa a ganhar mais por mês, mas a poupança fica igual. Se perder o emprego, vai viver mais perigosamente. As obras que o governo está anunciando são mais para fluxo e menos para estoque, certo? Isso. Você precisaria ter fluxo e o estoque ao mesmo tempo. Subir o estoque é mais caro e mais difícil, tem de desapropriar áreas enormes, fazer represa. Inicialmente, o Cantareira dava para cinco anos sem chuva, agora dá para um ano. Outro aspecto vem antes disso: a maior represa que a gente tem, a Billings, não foi cuidada, construiu-se na beira, encheu-se de esgoto. Tem um rio que passa no meio da cidade, que também poderia ser usado, mas está todo poluído. Então, a grande seca de agora foi a gota d’água para desencadear a crise. A gente passou a viver cada vez mais perigosamente e, nessa situação, quando dá um pepino, a crise se manifesta. Mas queria entender o que está por trás dessa opção de viver perigosamente. Isso é algo meio inconsciente, tem uma razão cultural? O brasileiro tem sempre uma ideia de abundância em relação a recursos naturais? Tenho a impressão de que o sistema político funciona na base da pressão, o planejamento não é o forte. Tem uma espécie de incompetência generalizada. Falta uma visão sistêmica? É, mas por outro lado você tem de entender que, são tantas as necessidades, que o governo precisa ser muito corajoso para deixar de fazer uma coisa de curto prazo para fazer outra de longo prazo. Imagina que você está na posição de um governador, mesmo que seja bem-intencionado. O tempo todo tem emergência. Imagina dizer: “Em vez de fazer escolas, hospitais, vou fazer um sistema de água para daqui a 20 anos em São Paulo, porque tenho essa visão de longo prazo”. Esse político não será reeleito, será duramente criticado. Há uma dificuldade do ser humano em lidar com o longo prazo. Esse é o nó da sustentabilidade. Sim. Quantas pessoas sacrificam o curto prazo pensando na aposentadoria? Uma parte é incompetência mesmo, tem que criticar. Mas outra parte é funcionar. É igual a uma família que tem de pagar IPTU etc., e decide não mais comer carne para poder aumentar a poupança daqui a 15 anos. Pode até ser sábia, mas é uma decisão difícil para o ser humano. Então você opera sempre no limite. Além disso houve, nos últimos anos, uma espécie de manipulação nos números. Esse recorte que mostrei [reportagem de 18 de fevereiro de 2003, publicada no Estado de S. Paulo, intitulada “Chove. Mas Cantareira está cada vez mais vazio”] fala no reservatório com 2,5% da capacidade. Estava a maior discussão se ia ter racionamento, e a represa estava muito acima do volume morto. Tinha um pedaço a mais que era a chamada margem de reserva, ou seja, o zero era considerado quando havia um volume acumulado de 700 hm3 [hectômetros cúbicos]. Quando quase atingiu esse “zero”, eles falaram: “Vamos mudar a regra, agora o zero é mais embaixo. Ano passado, chegou naquele zero, então redefiniram de novo o zero, que passou a incluir o volume morto. Agora [em 10 de fevereiro, data em que a entrevista foi realizada], estamos com 5%, considerando o volume morto. Ou seja, na verdade não são 5%, e sim “menos alguma coisa”? É menos 20 e tantos por cento [ver gráfico abaixo]. Teve uma espécie de autoengano. Você pode perguntar se esse autoengano é autoengano mesmo ou simples manipulação para eleição. É uma mistura de tudo. Uma marca dos últimos meses foi a negação da crise por conta da eleição, mas isso já não engana mais ninguém. Também houve uma fé ao mesmo tempo na natureza, em milagres e na tecnologia? Tem um pouco disso, sim. O gráfico mostra que, ano a ano, o volume sobe com as chuvas e desce no inverno, quando se consome a reserva. Em 2013, foi o primeiro ano em que desceu e não subiu. O zero que o [governador de São Paulo Geraldo] Alckmin está definindo agora é o de 200 hm3, ou seja, 500 hm3 abaixo do zero original. A cada dez anos, o governo outorga à Sabesp o direito de usar determinada quantidade de água, avaliando o quanto chove e o quanto se pode retirar. No último ano, eles desrespeitaram as regras, porque não devia ter outro jeito. E tem uma razão para se respeitar esse limite, certo? É para permitir uma recuperação mais rápida do reservatório? Exatamente. E, para recuperar, precisa subir muito. Houve ano em que subiu demais. Em 1987, por exemplo, o volume acumulado passou de quase 800 hm3 para mais de 1.400 hm3. Podemos ter uma sorte de isso se repetir, e em dois anos a gente recupera. Mas imagina que a gente tenha mais cinco anos como foram estes últimos? Em termos biológicos, o que ocorre com esse ecossistema quando explorado até a exaustão? E qual a importância da sua qualidade biológica para a qualidade da água? Ninguém sabe qual é o mínimo de água que precisa haver para evitar um colapso desse sistema ecológico. A mata tem de estar na bacia inteira, não é só a beirinha que precisa de mata. No Cantareira, não tem construção na beirada da represa, eles aprenderam a lição, e a Sabesp é super-rigorosa, ela não deixa você chegar na beira. A água é limpa, você nada, bebe, é mais limpa que a das praias. Ali não é um problema de poluição, é um problema de preservação desse ecossistema como um todo, para ele conseguir se recuperar facilmente. A gente sabe que essas flutuações entre cheias no verão e esvaziamento no inverno não afetaram os peixes. Mas até onde pode chegar essa variação? Se colapsar, qual é o risco? Quando encher de novo, será igual a uma represa nova. Quando o Cantareira encheu pela primeira vez, não tinha peixe, não tinha nada. Levou anos para aquilo virar um ecossistema. Não é irreversível, mas levará tempo. Ninguém sabe o que pode acontecer. Tem outro aspecto que é o da mudança climática. Com ela, não é que o Cantareira vai secar, e sim que a flutuação será maior, com mais períodos de grandes cheias e mais períodos de grandes secas. Com mais eventos extremos, precisa de mais poupança. A melhor estratégia de adaptação é o estoque? Sim, como em qualquer lar. Se você é funcionário público, precisa de pouca poupança. Se você é repórter e muda mais vezes de emprego, precisa de mais. E, se for uma jornalista free-lancer, precisará de mais poupança ainda, é o óbvio. O difícil é ter o governo trabalhando nessa perspectiva. E perto de uma cidade como São Paulo tem onde fazer mais estoques? Não tem mais. Cada vez precisa trazer de mais longe, por exemplo, Minas Gerais. Terá de ter um acordo com outros governos. Ajudaria se a cidade conseguisse armazenar água das chuvas, por exemplo, nos piscinões? Se você fizer essa conta, não é nada. Mas existe uma represa dentro da cidade que é enorme, chama-se Billings. Só que, ali no Rio Pinheiros, foi instalada a Usina Elevatória de Traição, que joga o esgoto do Pinheiros dentro da Billings. Enche-se a Billings para gerar energia elétrica na Usina Henry Borden, em Cubatão. Agora, tem uma grande diferença entre a crise de água e a crise de energia elétrica. Se faltar energia em São Paulo, pode-se trazer mais um linhão de Itaipu. Já a água, não se consegue trazer de tão longe. Você não consegue trazer mesmo se for do Paraná – o Rio Paraná é enorme, mas seria muito caro. E essas obras são de muito longo prazo. O governo pode anunciar que vai fazer mais umas duas ou três represas. Só que esse tipo de represa foi feito na época dos militares. Era assim: “Faz a represa aí, se você é dono das terras, dane-se”. Hoje não: tem estudo de impacto ambiental, tem as comunidades afetadas. Isso é bom, mas implica que, para fazer esse processo, leva-se muito mais tempo. Exige um planejamento muito mais sofisticado. Sobre a Billings, já foi até noticiado que a água está contaminada com metais pesados e bactérias que perfuram o intestino. Na teoria, a despoluição total é possível? E na prática? Na teoria é possível, só que custa muito dinheiro. Há métodos ultrassofisticados que a gente usa em laboratório para tornar a água puríssima. Mas vai custar xis por litro, gasta um monte de energia elétrica etc. Na Arábia Saudita, os caras pegam a água do mar, transformam em água doce e vivem disso, mas custa caríssimo. Como funciona uma estação espacial? Leva-se uma quantidade de água, bebe-se a água e, depois de fazer xixi, cocô, eles separam o xixi e o cocô, tratam, e os astronautas bebem a água de novo. Sobra um pozinho que eles guardam lá. E eles estão lá há anos. Tecnicamente, daria para pegar o método da estação espacial e instalar em cada casa, a gente passaria a beber a própria urina. Mas quanto isso custa? As pessoas conseguirão viver em São Paulo se tiverem de pagar esse preço pela água? Ainda teria de tratar essa água em uma velocidade muita rápida, para dar conta de fornecer tantos metros cúbicos por segundo a milhões de pessoas. Sim, e isso também é uma questão de dinheiro. Aí vem a pergunta: não seria mais barato tirar as pessoas da borda, limpar o esgoto e recuperar a Billings? Provavelmente é o jeito. Mas qual é o problema político? A Billings hoje tem centenas de milhares de pessoas na borda, loteamentos clandestinos, não clandestinos, tudo misturado. Aí você fala: “Pessoal, vocês vão ter de sair todos daqui porque São Paulo precisa dessa água”. E, se todo mundo sair, vai levar 15 anos para ela se recuperar. Então são problemas para os quais as soluções são muito lentas, ou são muito caras. Não podia ter deixado chegar a esse ponto. O que me irrita muito é que foi um monte de coisas que aconteceu. De fato tivemos um período de intensa seca, mas essa seca extrema foi a gota d’água. É o conjunto de coisas que aconteceram há muitos anos que levou a gente a viver em uma situação extremamente arriscada, daí veio a seca e a gente se estrepou. Acho errada essa visão, que muitas vezes a imprensa dá e que o governo tenta impor, de responsabilizar a maior seca da História. Na verdade, a seca era mais um motivo para se ter planejamento, não é? É na crise, e não nos períodos em que está tudo bem, que você mostra se é um bom gestor. Exatamente. Mas para o governo, a seca é um álibi bom. Foi um azar a crise ter caído bem na época das eleições. Então o Alckmin ficou meses falando que não ia faltar água, quando todo mundo que é um pouco mais informado sabia que ia faltar. Qual a sua estimativa em relação à oferta de água do Cantareira? Começou a chover e os reservatórios estão subindo. Se continuar subindo assim, para sempre, não vai acabar. Mas a gente sabe que daqui a um mês [depois de março] as chuvas acabam. Não teve nenhum ano na história do reservatório que o volume não desceu no inverno. Teve só um ano que não subiu no verão. Como nunca teve um ano que não desceu, provavelmente o volume vai descer. Veja no gráfico que o volume médio que desce no inverno é de 100, 200, 300 hectômetros. Se, por sorte, desta vez descer só 50 hm3, pode até ser que dê para administrar, mas não é o que a média histórica indica. Estamos aqui nesse ponto do gráfico [com menos de 300 hm3 acumulados] discutindo se haverá racionamento ou não. Outra coisa: quando renovaram a concessão aqui, uma das recomendações é que São Paulo deixasse de ser tão dependente do Cantareira. Ele abastece 60% da água. Uma cidade tão grande não pode ser tão dependente de um reservatório, mas ninguém fez nada. Agora colapsou o Cantareira, são 6,5 milhões de pessoas afetadas. Aquilo que lá atrás para o governo era importante, mas não urgente, passou a ser urgente? Se o governo soubesse que chegaria a esse ponto, teria tratado o assunto como uma emergência? Poderia ter feito quando chegou no zero, em 2003. Mas não: o que ele fez foi “redefinir” o zero. Daí deu sorte, as chuvas que caíram nos anos seguintes fizeram o nível subir. Ali a aposta nas chuvas deu certo. Deu certo. Era o mesmo cara, o Mauro Arce, o presidente da Sabesp [de 2002 a 2003. Em janeiro de 2015, foi substituído por Benedito Braga na secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos]. Juntou isso com um pouco da sensação de que Deus é brasileiro, de que tudo vai dar certo… Eu não posso jurar pra você que a aposta desta vez não dará certo. Pode chover muito como em 1987 ou 1995 e daqui a seis meses o nível estará aqui em cima. E o uso da água da Billings? Se a despoluição e a interligação com o Alto Tietê derem certo, isso permitirá abastecer boa parte da população? Vamos dividir a cidade em quatro quadrantes. Para simplificar, vamos imaginar que tenho quatro sistemas de água, um para cada canto. E vamos imaginar que sejam interligados (na verdade, não são). Se um deles pifar, eu uso os canais de interligação para redistribuir a água e consigo abastecer a população. Essa interligação melhora a segurança, mas não ficará pronta este ano. Hoje tem 6,5 milhões dependendo só do Cantareira e de caminhão-pipa. Vamos supor que o Cantareira acabe, vão gastar o que for para colocar caminhão. Só que não dá para abastecer tanta gente com caminhão-pipa. Daria certo se fossem só mil casas. Em um cenário de esgotamento, o que pode acontecer, um êxodo urbano? (mais em reportagem) O Cantareira é um lago e tem os rios que chegam nele. Está sendo abastecido com 2 metros cúbicos por segundo e estão sendo tirados 13 metros [em 10 de fevereiro]. Quando chegar no fundo, só se vai conseguir tirar o que entra – os 2 metros cúbicos por segundo, em vez dos 13. Não é que essa população terá zero de água, ela terá 2 metros cúbicos por segundo. Daí precisa fazer a conta para saber quantos dias de racionamento serão necessários. Tem uma discussão se vai racionar São Paulo inteira ou só as partes atendidas pelo Cantareira. A tendência é que seja na cidade inteira, se não geraria uma tensão social total, os “com-água” contra os “sem-água”. Enquanto isso, a população vai se virando, armazenando, pegando água da chuva? Mas esse negócio de água da chuva é ilusão, porque é uma situação boa em época de chuva. Meu filho montou na casa dele uma barrica, está todo feliz. Eu disse para ele que, quando não chover, ele não só não terá água da Sabesp, como não terá a da chuva. Precisa ter uma supercisterna que pudesse armazenar a água por meses. Sabe como chama isso? Sistema Cantareira. Para isso que se faz represa. Você gasta 200 litros por dia na sua casa. Em quatro pessoas, são 800 litros. Quanto cabe num galão, 100, 200 litros? Você conseguiria armazenar água para aguentar poucos dias, só que sua família precisa de água para seis meses. Faz a conta de quanto a sua casa precisaria armazenar para ficar 180 dias sem água da Sabesp. Então, está demorando para as pessoas caírem na real. Pode ser que chova desesperadamente, tudo pode acontecer. Pode cair um meteorito. Então não dá para afirmar que o pior cenário acontecerá. É como o cara que gasta os seus últimos 10 reais da poupança para comprar a última lata de leite Ninho para os filhos que estão com fome. Ele pode ganhar na loteria… Pode. Pode arrumar um emprego. Mas quando está nessa situação, o mais provável é que ele vai se ferrar. Agora, dá para afirmar com certeza que ele vai se ferrar? Não. Então, resumindo, temos um erro de investimento de longo prazo que diminuiu relativamente a reserva em relação à população. E erros de operação – quando o nível da represa começou a cair, deveria ter começado a restringir, e continuaram tirando 30 metros cúbicos por segundo, foram apertar só logo depois das eleições. E, em cima, disso, tem o azar do clima. * Publicado originalmente no site Página 22.


por Amália Safatle, da Página 22
Os esforços de conservação desta espécie beneficiam muitos outros bichos e plantas no sudoeste da China. O habitat do panda gigante é um ‘guarda-chuva’ que protege outras espécies ameaçadas. As florestas da região guardam cursos d’água importantíssimos, que correm para a densamente povoada bacia do rio Yangtze.
© Bernard De Wetter / WWF Ambiente

Pesquisa mostra que número de ursos panda aumentou

[caption id="attachment_130187" align="alignright" width="340"] Os esforços de conservação desta espécie beneficiam muitos outros bichos e plantas no sudoeste da China. O habitat do panda gigante é um ‘guarda-chuva’ que protege outras espécies ameaçadas. As florestas da região guardam cursos d’água importantíssimos, que correm para a densamente povoada bacia do rio Yangtze. © Bernard De Wetter / WWF[/caption] A população mundial de pandas gigantes selvagens aumentou em 268 indivíduos durante a última década, de acordo com uma nova pesquisa realizada pelo governo da China. Com o crescimento da população, o número total de ursos panda subiu para 1.864 animais. Esse aumento representa um acréscimo de 16,8% espécimes em relação ao último levantamento, feito em 2003. Os pandas, um símbolo global de conservação da vida selvagem, são encontrados apenas nas províncias chinesas de Sichuan, Shaanxi e Gansu. De acordo com o relatório, cujo nome oficial é Fourth National Giant Panda Survey (Quarta Pesquisa Nacional dos Pandas Gigantes, em tradução livre), a área ocupada por esses animais também aumentou em 11,8% em relação a 2003, chegando a 2,57 milhões de hectares. “Estes resultados são um testemunho das conquistas de conservação do governo chinês”, disse Xiaohai Liu, diretor-executivo de programas do WWF-China. “Há excelentes trabalhos sendo feitos com relação à conservação desta espécie, e o governo tem integrado de forma muito eficiente esses esforços e as parcerias com organizações, como o WWF”, explicou. Reservas naturais O relatório, o quarto de uma série realizada a cada dez anos pelo órgão do governo chinês responsável pelas florestas, teve início em 2011 com o apoio técnico e financeiro do WWF. Grande parte do sucesso no aumento da população desses ursos é resultado de políticas de conservação implementadas pelo governo chinês, incluindo o Projeto de Proteção de Florestas Naturais e do programa Grain for Green (‘Grãos para o Verde’, em tradução livre). Com relação ao habitat dos pandas, o relatório constatou que existem 67 reservas naturais na China, nas quais vivem 1.246 animais – o que representa 66,8% da população selvagem total. “O WWF tem o prazer de testemunhar essa significativa conquista de conservação – o aumento, ao longo dos últimos dez anos, tanto da população de indivíduos quanto de seus habitats”, disse Liu. Embora a pesquisa tenha registrado um aumento na população e na área habitada, o panda gigante selvagem ainda enfrenta muitos desafios. Segundo a pesquisa, 46,2% de seu habitat e 33,2% de sua população estão fora de reservas naturais protegidas. A fragmentação dos habitats – a separação da população de animais selvagens por conta de barreiras físicas – está aumentando consideravelmente, com cerca de 12% dos indivíduos pesquisados correndo grandes riscos à sua sobrevivência. A estratégia do WWF O WWF-China apoia o trabalho do governo estabelecendo reservas naturais e uma rede de conservação que integra essas reservas com fazendas e corredores ecológicos formados por bambus – permitindo que os ursos encontrem mais comida e novos parceiros para reprodução. A ONG busca a proteção de uma grande parte do habitat dos pandas e um aperfeiçoamento contínuo dos esforços de conservação. O trabalho do WWF também ajudou na realização da pesquisa. Espécies em risco Ameaças tradicionais ao urso panda, como a caça, parecem estar em declínio, mas problemas como mineração, hidrelétricas, turismo e grandes obras de infraestrutura estão ficando mais sérias e foram citadas na pesquisa do governo pela primeira vez. Os esforços de conservação desta espécie beneficiam muitos outros bichos e plantas no sudoeste da China. O habitat do panda gigante é um ‘guarda-chuva’ que protege outras espécies ameaçadas. As florestas da região guardam cursos d’água importantíssimos, que correm para a densamente povoada bacia do rio Yangtze. * Publicado originalmente no site WWF Brasil.


por Redação do WWF Brasil

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Cabo Verde enfrenta um período de estiagem; ajuda emergencial de 500 mil dólares ajudará a aliviar os efeitos da seca no arquipélago. Foto: PNUD

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Rio Acre, em Assis Brasil, sobe mais de 8 metros e famílias ficam desabrigadas. Foto: Agência de Notícias Acre

Alto TietêFoto: Diogo Moreira/ A2 FOTOGRAFIA (18/02/2015)

Obra que vai aumentar a entrada de água no Sistema Alto Tietê teve início no sábado, 14. Foto: Diogo Moreira/ A2 FOTOGRAFIA (18/02/2015)

Foto: Prefeitura de Salto

Prefeitura de Salto (SP) retira 40 toneladas de peixes mortos do córrego do Ajudante. O afluente desagua no rio Tietê. Foto: Prefeitura de Salto