Mudança climática é a principal ameaça à Grande Barreira de Corais

Ambiente

Mudança climática é a principal ameaça à Grande Barreira de Corais


por Fernanda B. Müller, do CarbonoBrasil


Avaliação do governo australiano constata declínio na saúde da maior estrutura viva do mundo, uma tendência que deve piorar devido ao aquecimento global. A cada cinco anos, a Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que faz parte do governo australiano, publica um panorama atualizado sobre a saúde, pressões e provável futuro do maior sistema contínuo de recifes do mundo.Nesta terça-feira (12), a última edição do relatório, que é exigido por lei e visa prover uma avaliação regular e confiável dos recifes, foi divulgada, e traz um alerta muito preocupante.Todos os maiores perigos aos recifes se intensificaram nos últimos anos, incluindo mudanças climáticas, poluição, desenvolvimento costeiro desordenado e sobrepesca. As regiões mais atingidas são as próximas ao continente, na parte sul da Grande Barreira. Um exemplo de como a situação está ruim é o declínio da população de dugongos (ordem de mamíferos marinhos que inclui o peixe-boi), que está em seu nível mais baixo em cinco anos. No entanto, a publicação reconhece que, desde 2009 (quando a primeira edição do relatório foi lançada), houve uma série de ações voltadas à redução da poluição que vem do continente, e outras focadas na gestão da exploração tradicional de tartarugas e dugongos. Ao norte e nas partes mais externas dos recifes, as condições ainda são consideradas boas. Alguns exemplos de recuperação lenta de espécies, como as baleias-jubarte, os crocodilos, as tartarugas-cabeçudas e as populações de tartarugas-verdes do sul da Barreira, são comemorados pela publicação. Ameaças O relatório destaca as mudanças climáticas como a ameaça mais séria, e aponta que o fenômeno já está alterando a Grande Barreira. As temperaturas do mar estão aumentando, e a gradual acidificação do oceano está restringindo o crescimento e a sobrevivência dos corais. Além disso, os seus efeitos são intensificados devido à interação com as demais pressões que se abatem sobre o ecossistema. Nos últimos anos, uma série de tempestades e enchentes afetaram os recifes, dificultando a recuperação, por exemplo, de grandes eventos de branqueamento dos corais, coloca o relatório. E é provável que eventos climáticos intensos sejam mais frequentes daqui para frente. Grandes áreas dos recifes também continuam a ser expostas a graus elevados de pesticidas, sedimentos e nutrientes, o que afeta significativamente os ecossistemas costeiros. “Habitats costeiros intactos (por exemplo, áreas úmidas, planícies de enchente e marismas) são vitais para uma Grande Barreira saudável. Eles são importantes no ciclo de vida de algumas espécies marinhas, e também têm um papel na redução do escoamento de água, sedimentos e nutrientes da superfície [para o mar]”, explica o relatório. Avanços Pela primeira vez, a publicação considera especificamente o valor da região como um patrimônio da humanidade, incluindo suas características históricas e naturais. É apontado que muitos desses valores são ligados à saúde dos ecossistemas e alguns à cultura, que estão em deterioração. Por outro lado, alguns valores do patrimônio histórico são bem reconhecidos e gerenciados, especialmente os naufrágios e alguns faróis. Mas muitos outros locais de significância histórica são mal registrados e suas condições são desconhecidas. O relatório pondera que as ações de todos, sejam elas pequenas ou grandes, para reduzir as ameaças e ajudar a restaurar suas condições, melhorarão esse panorama. Várias medidas que já estão sendo tomadas pelos governos nacional e local são descritas, como o Plano de Proteção da Qualidade da Água nos Recifes (2013), a Estratégia de Portos de Queensland (2014) e o rascunho do Plano de Gestão da Navegação do Leste. Neste ano também está em preparação o Plano de Longo Prazo para a Sustentabilidade da Grande Barreira de Corais. Porém, a avaliação feita pelo relatório identificou várias dificuldades para alcançar resultados positivos, dada a “complexidade das questões de alto risco, a extensão geográfica e das escalas temporais das ameaças e a diminuição dos recursos para implementação de ações”. O relatório conclui que houve uma melhoria significativa na compreensão dos valores e impactos na região desde a edição de 2009, mas que ainda existem brechas importantes no conhecimento, especialmente no que se refere aos impactos cumulativos dos múltiplos usos e atividades. “Mesmo com as iniciativas recentes de gestão para reduzir as ameaças e melhorar a resiliência, o panorama geral para a Grande Barreira de Corais é fraco, piorou desde 2009 e deve deteriorar-se ainda mais no futuro. Uma maior redução de todas as ameaças em todos os níveis ao redor do recife, regional e localmente, é necessária pra evitar os declínios projetados e para melhorar a capacidade de recuperação.” Sobre a Grande Barreira A região cobre 344 mil Km2, desde a ponta do Cabo Iorque, no norte, até a Ilha Lady Eliiot, no sul, estendendo-se ao leste da Austrália entre uma distância de 70 e 250 Km. A Grande Barreira é extremamente rica, abrigando 600 tipos de corais moles e duros, mais de 100 espécies de água-viva, três mil variedades de moluscos, 1625 tipos de peixe, 133 espécies de tubarões e raias e mais de 30 espécies de baleias e golfinhos (saiba mais). * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

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ONU apresenta rascunho do novo tratado sobre redução de riscos de desastres

Apesar de não ser muito conhecido, existe em vigor um tratado internacional que busca reduzir os prejuízos e perdas de vidas com desastres: o Marco de Ação de Hyogo. Estabelecido em 2005, o acordo, assinado por 168 países, promove a transferência de conhecimento e tecnologias, detalha ações de mitigação de impactos e serve de base para a cooperação internacional. O Marco de Ação de Hyogo expira em 2015, e um novo tratado deve ser formalizado em março do ano que vem em Sendai, no Japão. Ao contrário do novo acordo climático, que substituirá o Protocolo de Quioto em 2020, as negociações sobre o tratado de redução de riscos estão bastante adiantadas, e a previsão é que seja aprovado com facilidade. Nesta terça-feira (11), as Nações Unidas (ONU) apresentaram o primeiro rascunho do novo tratado. Vale ressaltar que o documento deverá sofrer algumas transformações nas reuniões agendadas até o encontro em Sendai. “A presente estrutura objetiva reduzir de forma substancial as perdas com desastres, seja em vidas ou em prejuízos econômicos, sociais e ambientais em comunidades e países”, afirma o documento. O rascunho traz cinco metas, sendo que a sua ambição e o prazo para que sejam cumpridas ainda precisam ser acordados entre os países: - Reduzir a mortalidade em desastres em X% até 20XX; - Reduzir o número de pessoas afetadas em desastres em X% até 20XX; - Reduzir as perdas econômicas com desastres em X% até 20XX; - Reduzir os impactos dos desastres em instalações de saúde e educação em X% até 20XX; - Aumentar o número de países que possuem estratégias nacionais e locais em X% até 20XX. O rascunho reconhece a ameaça das mudanças climáticas para o incremento dos desastres naturais e aponta que os países mais vulneráveis ao fenômeno devem receber apoio de forma prioritária. “Países em desenvolvimento, em particular os menos desenvolvidos, as pequenas nações insulares e os africanos são os mais vulneráveis aos desastres e aos impactos das mudanças climáticas e devem, assim, ser alvo da assistência internacional, através de canais bilaterais e multilaterais. É preciso fortalecer a resiliência dessas nações ao melhorar suas capacidades de prevenção e mitigação através da transferência de recursos, tecnologias e apoio logístico.” Ainda não se sabe se os compromissos assumidos neste tratado poderão ser extrapolados para o novo acordo climático. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
agua Ambiente

ANA abre mais de 5 mil vagas em cursos gratuitos a distância sobre água

Inscrições podem ser realizadas pelo site da ANA até 10 de agosto ou até as vagas se esgotarem. Alunos que concluírem as atividades receberão certificado digital. A Agência Nacional de Águas (ANA) está com inscrições abertas para 5.200 vagas em cinco cursos diferentes, todos eles gratuitos e a distância. Os temas são dos mais diversos e abordam desde a Sala de Situação, centro de monitoramento de cheias e secas, até a atuação dos comitês de bacias hidrográficas. As inscrições podem ser realizadas na página de cursos a distância da ANA. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição. Quando o número de inscritos chegar a 5.200, as inscrições serão encerradas. Receberão certificado digital os alunos que conseguirem 60% de aproveitamento nas avaliações. O tempo de duração pode ser menor que o previsto, conforme o desempenho de cada participante. Para facilitar a aprendizagem, as atividades estão estruturadas através de uma navegação sequencial entre módulos e o material está disponível em formato PDF. Para o curso Sala de Situação: Fique por Dentro, serão disponibilizadas quatro turmas nos períodos de: 12 de agosto a 17 de agosto, 18 a 24 de agosto, 25 a 31 de agosto e 1º a 7 de setembro. Os alunos receberão e-mail informando em qual turma foram incluídos. Este curso tem quatro horas de duração e é voltado para qualquer interessado no tema. A capacitação ensina os objetivos, o funcionamento e a importância da Sala de Situação daANA, que realiza o monitoramento de eventos críticos, como cheias e secas. A novidade desta vez é o curso Medindo as Águas do Brasil: Noções de Plu e Fluviometria. Com carga de dez horas, a capacitação tem o objetivo de ensinar conceitos sobre as medições das águas da chuva (pluviometria) e dos rios (fluviometria). O curso também aborda o gerenciamento, uso e importância das informações coletadas; a automação na coleta de dados; e a Rede Hidrometeorológica Nacional. Neste caso, também serão oferecidas quatro turmas nas mesmas datas da capacitação sobre a Sala de Situação. Os demais três cursos terão turma única e acontecerão de 18 de agosto a 7 de setembro. Com carga de 40 horas, o curso Caminho das Águas visa a promover a educação e a conscientização da sociedade, a partir de conceitos e práticas sustentáveis relacionadas aos recursos hídricos. Também voltado para a sociedade em geral, a capacitação Reflexões para Transformações Democráticas na Gestão das Águas tem dez horas de duração. O curso Comitê de Bacia: o que É e o que Faz? tem como público membros de comitês, agentes gestores e demais interessados. Com 20 horas de carga, a capacitação aborda as atribuições e responsabilidades destes colegiados – que são parlamentos da água nas bacias – e incentivar a participação da sociedade na gestão de recursos hídricos. Capacitação A ANA realiza capacitações para as entidades que compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) e para toda a sociedade brasileira. O objetivo dos cursos é estimular a conservação e o uso sustentável da água, além da participação cidadã na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Em 2013, a ANA capacitou 12.534 pessoas. Para 2014, a expectativa é bater este recorde, com 14,5 mil alunos. Saiba mais no Portal da Capacitação da ANA: http://capacitacao.ana.gov.br/Paginas/default.aspx. Mais Informações ana.gov.br


por Redação da ANA
Ativista indiana Suryamani Bhagat luta contra as autoridades do Estado de Jharkhand para proteger os direitos de seu povo da selva. Foto: Amantha Perera/IPS Ambiente

Mulheres na linha de frente em defesa do ambiente

[caption id="attachment_118657" align="aligncenter" width="529"] Ativista indiana Suryamani Bhagat luta contra as autoridades do Estado de Jharkhand para proteger os direitos de seu povo da selva. Foto: Amantha Perera/IPS[/caption]   Bali, Indonésia, 12/8/2014 – Aleta Baun é uma ambientalista da Indonésia que gosta de usar um lenço colorido sobre a cabeça porque representa a selva, que é a alma do povo mollo, que ocupa Timor Ocidental, parte da província de Nusatengara Oriental. Mas Mama Aleta, como é conhecida em sua comunidade, não é a única. “A selva é a vida de meu povo, as árvores são como os poros de nossa pele, a água é como o sangue que corre dentro de nós e a selva é a mãe dessa tribo”, afirmou à IPS. Esta ganhadora do Prêmio Ambiental Goldman 2013 faz parte de um movimento internacional crescente que se opõe à destruição do ambiente e que é liderado por mulheres indígenas pobres do meio rural. Durante anos, Aleta liderou a luta de seu povo para evitar que as companhias de mineração destruíssem a selva em volta do Monte Mutis, em Timor Ocidental. Há tempos o povo mollo vive em harmonia com a selva, depende de seu solo fértil e usa corantes naturais de plantas que colhem especialmente para tecer, uma arte que as mulheres desse grupo étnico cultivam há séculos. Na década de 1980, as corporações que buscavam mármore conseguiram autorização de autoridades locais e começaram a extrair e desmatar vastas extensões de terra, o que gerou deslizamentos e uma enorme contaminação dos rios de Timor Ocidental, que nascem no Monte Mutis. A população que vivia rio abaixo sofreu as consequências dessas operações e as consideraram um atentado contra seu modo de vida. Mama Aleta e outras três indígenas mollo começaram a ir a pé de aldeia em aldeia conscientizando sobre as consequências ambientais da mineração. Em uma dessas viagens, em 2006, foi esfaqueada por alguns homens que a esperavam. Mas isso não a desanimou. A iniciativa terminou com uma mobilização pacífica na montanha, quando Aleta encabeçou um grupo de 150 mulheres que se sentaram em silêncio na mina e em seus arredores agitando sua vestimenta tradicional em protesto contra a destruição. “Queríamos dizer que o que faziam era como nos desnudar; deixavam a selva nua ao cortarem as árvores”, contou Aleta. Um ano depois, as mineradoras tiveram que cancelar as operações em quatro locais dentro do território mollo, e depois abandonar definitivamente o projeto. A Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC) estima que as mulheres representem um dos grupos mais vulneráveis às consequências de eventos climáticos extremos. Além disso, as agricultoras de pequena escala (cerca de 560 milhões de pessoas no mundo) produzem entre 45% e 80% do alimento consumido em nível mundial, enquanto as camponesas pobres, especialmente da Ásia e África subsaariana, destinam aproximadamente 200 milhões de horas por dia em busca de água, segundo a ONU Mulheres. Qualquer mudança em seu ambiente é muito sentida, destacaram especialistas. No Estado indiano de Jharkhand, Suryamani Bhagat, fundadora do centro de cultura e direitos indígenas Torang, trabalha com outras mulheres em Kotari, sua aldeia, para proteger a selva. No contexto do Movimento Jharkhand para Salvar a Selva, Suryamani reuniu 15 mulheres adivasis para protestar contra um funcionário estatal que queria plantar árvores com fins comerciais e que não conservavam a biodiversidade nem serviam para consumo da população local. As mulheres foram à delegacia, junto com filhos, maridos e idosos, e começaram a comer goiaba, e por fim anunciaram aos policiais de plantão que só queriam árvores que beneficiassem a comunidade. Em outro incidente, quando a polícia quis deter várias líderes, entre elas Suryamani, as mulheres disseram que iriam voluntariamente, mas só se também levassem presos seus filhos e animais, que precisavam delas para serem cuidados, o que fez os agentes desistirem da ideia. [caption id="attachment_118658" align="aligncenter" width="540"] Indígenas da ilha de Lombok, na Indonésia, produzem artesanato com materiais que encontram na selva. Foto: Amantha Perera/IPS[/caption]   Agora as mulheres patrulham a selva e garantem que ninguém corte madeira além da necessária. Suryamani acredita que ser mulher a beneficiou na situação que viveu no distrito de Ranchi, em Jharkhand. “Se fosse um homem, já teriam me prendido. Mas, como nós mulheres nos mantemos juntas, os policiais não querem agir dessa forma”, opinou à IPS. A cerca de sete mil quilômetros de distância, em Papua Nova Guiné, Ursula Rakova encabeça um movimento que luta para proteger o atol de Carteret dos efeitos devastadores da mudança climática. Nessa diminuta ilha de 0,6 quilômetro quadrado e altitude máxima de 1,5 metro, há quase 20 anos a população local sofre o aumento do nível do mar, que penetrou no solo, arrastou suas casas e impossibilitou a agricultura. Com previsões de que o atol poderia ficar totalmente submerso até 2015, Ursula deixou um emprego remunerado na vizinha ilha de Bougainville e voltou a Carteret, onde ajudou a fundar a Tulele Peisa, uma organização dedicada a planejar e executar reassentamento voluntário de seus moradores diante da falta de ação das autoridades. “É minha ilha, meu povo, não vou abandoná-los. É nosso estilo de vida que afunda no mar”, destacou à IPS. Michael Mazgaonkar, coordenador e assessor do Global Greengrants Fund (GGF), recordou à IPS que isso não é novo, as mulheres sempre desempenharam um papel integral na proteção do ambiente. A novidade é sua crescente e forte presença no âmbito global como intrépidas defensoras e protetoras do ambiente. “A expansão do papel das mulheres como líderes climáticas foi gradual”, explicou Michael. “Em alguns casos são impulsionadoras porque não lhes restou alternativa a não ser agir, e em outros são voluntárias para desempenhar um papel de liderança”, acrescentou. O resultado concreto de cada iniciativa é incerto, mas o seguro é que o mundo “continuará vendo como assumem um papel de maior destaque”, ressaltou. A diretora-executiva do GGF, Terry Odendahl, enfatizou que os “homens fazem um trabalho igualmente importante, mas historicamente as mulheres foram subestimadas, da mesma forma que o papel que desempenhavam. Devemos criar um espaço para ouvir suas vozes. Se ampliarmos as opções para elas, poderemos melhorar o nefasto problema ambiental que enfrentamos”. Envolverde/IPS


por Amantha Perera, da IPS
Foto: Reprodução/Internet Ambiente

Agricultura: melhor prevenir do que remediar

[caption id="attachment_92777" align="alignleft" width="300"] Foto: Reprodução/Internet[/caption] A recente infestação de uma lagarta voraz em diferentes lavouras brasileiras chamou a atenção para um problema antigo: o risco constante de pragas e doenças causadas por organismos quarentenários. Quarentenários são organismos como vírus, bactérias e fungos ou insetos e ervas daninhas, de outros países, que podem cruzar nossas fronteiras, causando doenças e danos às lavouras e criações. O perigo existe desde o descobrimento do Brasil, quando os colonizadores começaram a trazer, de outras terras, o gado, as aves, a cana-de-açúcar, o café e assim por diante. Com essas riquezas vieram as primeiras pragas e doenças. De lá para cá, cresceu o intercâmbio de plantas e animais entre o Brasil e o mundo e, com ele, a ameaça das pragas e doenças exóticas. Para monitorar tais riscos e organizar ações de controle, o Brasil criou, em 1909, o Serviço de Defesa Agrícola e, em 1934, o sistema de quarentena, em que confina todo material importado para agricultura por tempo necessário para que alguma praga ou doença dê sinal de vida. Mas a prevenção não é tarefa fácil. As pragas e doenças podem chegar por migração natural, viajando com plantas e animais, por terra, pelas águas e pelo ar, em containers e na sacaria, saltando de uma lavoura para outra, de país para país. Pode ocorrer por introdução acidental: uma semente esquecida no bolso, um carrapicho grudado na roupa ou um pouco de lama e esterco preso no solado da bota. E, por fim, há a introdução intencional, num ato de agroterrorismo, com o propósito de causar prejuízos. É muito difícil, para qualquer país, controlar todas essas situações. No Brasil temos quase 17 mil quilômetros de divisas terrestres, grande parte em florestas, mais de 7.300 quilômetros de fronteiras marítimas e um espaço aéreo de mais de oito milhões de quilômetros quadrados. Assim, temos sofrido sucessivas invasões desses organismos. Nos últimos 20 anos, além da Helicoverpa, a lagarta mencionada no início deste artigo, aqui aportaram a bactéria que causa o HLB ou amarelão-dos-citros (2004), os fungos que causam a podridão-da-raiz (1994) e a ferrugem-asiática (2001) da soja, o besouro bicudo-do-algodoeiro (1983) e a mosca-dos-chifres (1980), que aflige os nossos bovinos. São bilhões de reais em prejuízos. Já se sabe que há cerca de 450 outras pragas e doenças de alto risco aguardando a chance de invadir o Brasil. É difícil impedir essa invasão e não se pode prever qual praga chegará primeiro: se uma que já está num país vizinho ou outra que virá numa carga do outro lado do mundo. Sendo exóticas, é normal que não haja controle químico ou biológico disponíveis para uso imediato. Há doenças, como a mancha-vermelha-da-folha-da-soja, para a qual não há controle químico ou biológico desenvolvido. A solução, então, é desenvolver plantas e animais resistentes a essas pragas e doenças, o que requer anos de trabalho. Então, é preciso fazer esse trabalho antes que o problema se instale. Um das estratégias é o melhoramento preventivo. É ideia antiga, mas eficiente. O pesquisador Alcides Carvalho, do Instituto Agronômico de Campinas, já em 1950, no auge da cafeicultura paulista, criou cultivares resistentes a uma doença que ainda não existia no Brasil, a ferrugem do cafeeiro. Em 1970, quando a doença chegou, os danos foram limitados. A dificuldade em fazer melhoramento preventivo é que os recursos são sempre limitados e é preciso priorizar o combate às pragas e doenças já instaladas. Então, a chance de criar soluções para problemas futuros está nos momentos de fartura da agricultura, quando há um pouco mais de recursos. É o que o Brasil faz agora. Além de buscar soluções para as pragas e doenças já instaladas, há grande esforço para desenvolver plantas resistentes a doenças devastadoras como o crestamento-bacteriano do arroz, a mancha-vermelha-da-folha-de-soja, e o crestamento-bacteriano-aureolado do feijoeiro, que ainda não chegaram aqui. O melhoramento preventivo interessa a todos, até consumidores, porque tem impactos positivos nos preços dos alimentos e no meio ambiente. Por isso, já é uma grande parceria entre órgãos de defesa agropecuária e de pesquisa, federais e estaduais, empresas privadas e associações de produtores, do Brasil e de países como EUA, Chile, Panamá e Angola. E vai crescer, envolvendo mais países para conter outras pragas e doenças. É guerra diária, sem descanso, sem fronteiras, sem quartel. Felizmente, é uma guerra em que estamos todos do mesmo lado. * Maurício Antônio Lopes é presidente da Embrapa. ** Publicado originalmente pelo jornal Correio Braziliense em 10 de agosto de 2014 e retirado do site Embrapa.


por Maurício Antônio Lopes*
Jose María Gómez entre os tomateiros de sua propriedade Bobalén Ecológico, no Vale de Guadalhorce, perto da cidade espanhola de Málaga, onde cultiva hortaliças e frutas orgânicas. Foto: Inés Benítez/IPS Ambiente

Terramérica – Agricultura ecológica lança raízes na Espanha

[caption id="attachment_118632" align="alignleft" width="340"] Uma das feiras de alimentos orgânicos que funciona a cada final de semana em uma das ruas mais concorridas de Málaga, como em muitas outras cidades e povoados da Espanha. Foto: Inés Benítez/IPS[/caption] Málaga, Espanha, 11 de agosto de 2014 (Terramérica).- Jose María Gómez se abaixa para tirar da terra um maço de cenouras e algum alho-poró orgânicos. Este agricultor do sul da Espanha acredita que o cultivo orgânico transcende o prescindir de químicos e pesticidas, para ser um “modo de vida” que exige criatividade e respeito pela natureza. Aos 44 anos, Gómez vende em feiras de orgânicos de Málaga as hortaliças e cítricos que planta nos três hectares de sua horta no Vale del Guadalhorce, 40 quilômetros a oeste desta cidade do sul da Espanha. A cada semana, esse filho e neto de agricultores também entrega em domicílio dezenas de cestas de alimentos, “fechando, assim, o ciclo desde a semeadura até a mesa”, contou, em sua propriedade, ao Terramérica. A crise econômica, com 25% da população economicamente ativa desempregada, não freou a agricultura ecológica. Em 2012, essa forma de cultivo se estendeu para 1,7 milhão de hectares contra 988.323 do ano anterior, segundo os últimos dados do Ministério de Agricultura e Meio Ambiente. Essa produção proporcionou 913.610 euros (US$ 1,22 milhão), 9,6% a mais do que em 2011. “A produção agrária ecológica cresce na Espanha e na Europa apesar da crise porque seu consumidor é fiel”, explicou ao Terramérica o técnico agrário Víctor Gonzálvez, coordenador da não governamental Sociedade Espanhola de Agricultura Ecológica. Os mercados de alimentos orgânicos proliferam em povoados e cidades do país, ao mesmo tempo em que algumas redes de supermercados já oferecem esses produtos aos seus consumidores. Na Espanha se chamam mercadillos as feiras ou mercados móveis que se instalam em ruas e dias fixos. A comunidade de Andaluzia conta com a maior extensão de cultivo orgânico: 949.025 hectares registrados, 54% do total nacional, segundo o Ministério. A maior parte da produção local é exportada para outros países europeus, como Alemanha e Grã-Bretanha, algo incoerente para os partidários de uma agricultura orgânica verdadeiramente alternativa à intensiva e industrial, baseada em um enfoque local e camponês. “Não tem sentido falar de exportação de alimentos orgânicos porque a produção deve redundar em benefício para a economia local”, ressaltou ao Terramérica a agricultora Pilar Carrillo, em sua propriedade Finca La Coruja, no município de Tacoronte, na ilha canária de Tenerife. Ela e seu companheiro, Julio Quílez, vivem ali há um ano com seu pequeno filho. Trabalham menos de meio hectare de cultivos de permacultura, cuja colheita é vendida todos os sábados no Mercadillo del Agricultor. Permacultura define o cultivo baseado nos ecossistemas locais e com pouca intervenção do produtor em seu processo. “Quando você compra produtos orgânicos locais, alimenta-se de forma saudável, se relaciona com as pessoas do campo e gera riqueza em seu entorno próximo”, pontuou ao Terramérica o engenheiro Juan José Galván, que há cinco anos compra alimentos em mercadillos em Málaga. A Espanha, com seu clima favorável, é o primeiro país da União Europeia em superfície dedicada à agricultura orgânica, segundo dados da Eurostat de 2012, e o quinto do mundo, atrás de Austrália, Argentina, Estados Unidos e China, de acordo com um informe da Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica. O controle e a certificação da produção agrária ecológica, que na Espanha são feitos por entidades públicas e privadas, não são trâmites simples ou gratuitos. Para poder comercializar alimentos orgânicos, estes devem ter impresso o código da autoridade e do organismo de controle correspondente a cada comunidade, informa o site do Ministério da Agricultura. A qualificação de orgânico demora no mínimo dois anos e as inspeções são exaustivas, contaram agricultores ao Terramérica. Os requisitos e controles exigidos e o esforço econômico que isso representa encarecem esses alimentos, acrescentaram. Quílez, que cultiva em sua propriedade plantas aromáticas e medicinais, conta que deve pagar o certificado “como produtor ecológico e também a de comerciante ecológico, o que duplica o custo e boa parte do preço do alimento orgânico se perde na burocracia”. [caption id="attachment_118633" align="alignright" width="340"] Jose María Gómez entre os tomateiros de sua propriedade Bobalén Ecológico, no Vale de Guadalhorce, perto da cidade espanhola de Málaga, onde cultiva hortaliças e frutas orgânicas. Foto: Inés Benítez/IPS[/caption] Segundo Gonzálvez, os fundos públicos na Espanha se dedicam mais à agricultura convencional e à pesquisa em biotecnologia do que em apoiar o cultivo ecológico, e afirmou que os agricultores “temem dar o salto” para esse tipo de produção alternativa porque não há assessoria, ao contrário da industrial e intensiva. “A agricultura ecológica é muito empírica. Se o pulgão ataca o melão, planto fava ao lado porque elas o atraem. A cada ano fica-se mais experiente”, destacou Gómez entre os tomateiros de sua propriedade Bobalén Ecológico. De cabelos pretos desordenados e pele curtida de sol, argumenta que, enquanto “as grandes indústrias produzem variedades voltadas para o mercado, a agricultura ecológica, sobretudo a local e próxima, se foca na qualidade do alimento”, além de preservar o ambiente e a fertilidade do solo. Seus críticos qualificam seus produtos de caros e pouco eficientes, “mas depende de quem compra e onde”, afirma, em seu artigo Quem Tem Medo da Agricultura Ecológica II, Esther Vivas, do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais da Universidade Pompeu Fabra, da cidade de Barcelona. Vivas esclareceu ao Terramérica que, apesar de os índices de consumo de alimentos orgânicos na Espanha serem pequenos em relação aos da indústria convencional, é um mercado em crescimento, o que reflete um interesse social e de cidadania incentivado por diversos escândalos alimentares. Galván reconhece que o custo maior dos orgânicos pode dissuadir os consumidores, mas, apesar disso, “cada vez há mais demanda”, ressaltou. “A revolução verdadeira tem de vir de baixo, do consumidor que vai comprar nos mercadillos e quer produtos de qualidade”, afirmou Gómez. O ecoprodutor destacou a dimensão social da agricultura orgânica e do comércio próximo pelo “bom atendimento contínuo que dão aos clientes, conscientes dos benefícios para a saúde dos alimentos e de sua sustentabilidade”. Para Quílez, que deixou um trabalho bem remunerado na área de informática para se dedicar ao cultivo ecológico, “a agricultura de exploração abalou a soberania alimentar” e isso se reflete bem nas Ilhas Canárias, “onde 85% dos produtos consumidos chegam de fora”. Na propriedade de Gómez, que trabalhou por anos como agente de meio ambiente, planta favas, batata e crucíferos (como repolho, brócolis, etc.) para colher em outubro e novembro. “Acordo às cinco e meia da manhã e dedico 15 ou 16 horas. Mas é o melhor trabalho que já tive na vida”, afirmou, risonho. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   Artigos relacionados da IPS Impulso à pequena agricultura orgânica no Peru Agricultores orgânicos lutam contra os elementos no Brasil Ecoagricultura para comer mais e contaminar menos, em espanhol


por Inés Benítez*
Parte da área industrial do Riachuelo e ao fundo o porto, em Buenos Aires. Em 1801, foram instalados os saladeros (lugar para salgar carnes) em sua margem e se começou a jogar lixo no rio, como fizeram depois curtumes, matadouros e muitas outras fábricas. Agora há 15 mil indústrias, das quais 459 se reconverteram para não contaminar e outras 1.300 estão nesse processo. Foto: Fabiana Fayssinet/IPS Ambiente

Terramérica – Um tango a ser dançado por mais de duas pessoas

[caption id="attachment_118627" align="alignleft" width="340"] Parte da área industrial do Riachuelo e ao fundo o porto, em Buenos Aires. Em 1801, foram instalados os saladeros (lugar para salgar carnes) em sua margem e se começou a jogar lixo no rio, como fizeram depois curtumes, matadouros e muitas outras fábricas. Agora há 15 mil indústrias, das quais 459 se reconverteram para não contaminar e outras 1.300 estão nesse processo. Foto: Fabiana Fayssinet/IPS[/caption] Buenos Aires, Argentina, 11 de agosto de 2014 (Terramérica).- Imortalizada por um famoso tango, a Niebla del Riachuelo (Névoa do Riachuelo) começa a se dissipar na bacia hidrográfica argentina mais industrial e contaminada. Porém, séculos de abandono e a complexa articulação de interesses públicos e privados dificultam um saneamento que exige mais do que um casal para dançar no ritmo. O rio, que percorre 64 quilômetros, desde o distrito de La Matanza, na oriental província de Buenos Aires, até o turístico bairro La Boca, na capital, foi ilustrado em 1937 pelo tango de Enrique Cadícamo e Juan Carlos Cobián, como “turvo ancoradouro onde vão aportar embarcações que no cais para sempre haverão de ficar”. Mas, longe das licenças poéticas de um tango com inumeráveis versões, foi na realidade durante dois séculos um receptor de esgoto doméstico e industrial, com um mau cheiro terrível. Agora, graças ao Plano Integral de Saneamento Ambiental aprovado em 2011, a situação mudou na bacia chamada Matanza em suas origens e Riachuelo na desembocadura no rio da Prata. “A névoa não existe mais, porque era um fator que tinha a ver com a contaminação da água, por isso o pobre Cadícamo não poderia voltar a compor Niebla del Riachuelo”, observou ao Terramérica o vice-presidente-executivo da Autoridade da Bacia Matanza Riachuelo (Acumar), Antolín Magallanes. Em 2008, o Supremo Tribunal de Justiça determinou o saneamento do Riachuelo à Acumar, integrada pelos governos nacional, provincial e da capital, e que envolve os 14 municípios da bacia. “Em 30 anos de democracia, a criação da Acumar (em 2006) é um tremendo avanço histórico, porque pela primeira vez permitiu que três jurisdições possam articular uma gestão, que a sociedade civil controla, inclusive gestões nem todas da mesma cor política”, destacou Magallanes. “Isso é parte do saneamento. Não é apenas o lixo que está no rio, porque o lixo que está no rio expressa a não união anterior de todas essas partes”, acrescentou Magallanes. Na bacia vivem mais de cinco milhões de pessoas, 10% em bairros pobres. Desse total, 35% carecem de água potável e 55% de esgoto. Entre outros resultados, o plano removeu cerca de 60 navios abandonados no rio, que a metáfora do tango descreveu como um “turvo cemitério de embarcações que, no entanto, ao morrerem sonham que para o mar partirão”. Também retirou cerca de 1.500 toneladas de resíduos sólidos do espelho de água e das margens, e abriu uma trilha de 35 metros para limpar a margem e assim poder ter acesso, controle e saneamento do corpo de água. Também foram incorporados 1,5 milhão de habitantes à rede de água potável e agora são feitas avaliações sanitárias em áreas de risco e estão sendo construídos 14 centros de saúde. “Estamos cobrindo algo que não existia: um perfil em saúde ambiental específico da bacia Matanza Riachuelo, que dará novos resultados”, destacou Magallanes. A não governamental Fundação Ambiente e Recursos Naturais (Farn) diz que, embora “o que foi feito seja necessário, é muito pouco em relação a tudo o que resta fazer”. “Estruturalmente se fez muito pouco. Com atraso, estão sendo realizadas obras de saneamento para que o Riachuelo não continue sendo uma latrina a céu aberto”, disse ao Terramérica o presidente da independente Fundação Metropolitana, Pedro Del Piero. Isso começará a sair do papel por meio de um financiamento de US$ 840 milhões do Banco Mundial. Para isso será construído um grande tubo coletor na margem esquerda do Riachuelo, que conduzirá os resíduos de esgoto para diferentes estações de tratamento, para evitar sua descarga direta no rio. Também serão criadas estações de aeração e um emissário subfluvial, uma grande tubulação subterrânea de 11,5 quilômetros que transportará e descarregará esgoto já tratado até as águas do rio da Prata. Isso permitirá “que usos até o momento inimagináveis, como passear pelo rio e outras atividades recreativas, sejam possíveis”, resumiu Daniel Mira-Salama, do Banco Mundial. Andrés Nápoli, diretor da Farn, também pede um controle mais rigoroso da poluição industrial, junto com leis que mudem as atuais, “que são extremamente permissivas”. A organização ambientalista Greenpeace denunciou em junho que não havia melhoria na qualidade da água, devido à presença de 0,5 miligrama de oxigênio por litro, quando seriam necessários cinco miligramas para a vida aquática. Outro informe, este da Cruz Verde Internacional, destaca que o solo ribeirinho tem níveis muito altos de zinco, cobre, níquel e mercúrio, entre outros elementos. Magallanes desqualificou o documento dizendo ser “velho”, por se basear em dados do triênio 2008-2010. De um total de 15 mil fábricas registradas na bacia, 459 já fizeram a reconversão e outras 1.300 estão em processo de fazê-lo, entre elas as mais contaminantes. Ali existe uma “tensão muito grande”, admitiu Magallanes, para quem a bacia é “uma espécie de metáfora da Argentina”. É “o lugar por onde passaram a conquista, o desenvolvimento e a revolução industrial”, e que a crise nacional de 2001 castigou com o fechamento de indústrias e desemprego, pontuou. “Isso implica muitas condutas bastante arraigadas que precisam mudar, e que as empresas aos poucos vão tomando consciência”, acrescentou. [caption id="attachment_118628" align="alignright" width="340"] Um jovem observa a ponte transportadora de La Boca, construída em 1914 e que deixou de funcionar em 1960. Este emblema do Riachuelo e de Buenos Aires está sendo recuperado, como parte do saneamento da bacia, e tem reinauguração prevista para 2015. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS[/caption] Nápoli atribui a lentidão à “grande malha de interesses políticos e econômicos da cornubação de Buenos Aires”, agravada pelas “disputas políticas” de diferentes “cores políticas”, entre o governo da presidente Cristina Fernández e a oposição que governa a capital. A Acumar “está o tempo todo à mercê dos avatares políticos dos funcionários federais de plantão”, concordou Del Piero. Para Magallanes, são dificuldades normais dentro a democracia. “Antes, cada jurisdição fazia sua limpeza, tinha seu manual de instrução, ou não faziam nada”, apontou. A Acumar reassentou 122 famílias de áreas de risco, está construindo mais de 1.900 casas e avança com outros 1.600 projetos. Mas Nápoli considera insuficiente. “Há pessoas vulneráveis na beira de riachos, ou convivendo com indústrias que contaminam. Seis anos depois da decisão do Supremo Tribunal não sabemos quem está em risco”, ressaltou. Também considera urgente a remoção de lixões de diferentes dimensões. Dos 186 retirados da bacia, 70% ressurgiram, acrescentou Nápoli, para quem a origem do problema é uma gestão que “entregou” o lixo “ao controle” dos municípios. Para solucioná-lo, a Acumar está estabelecendo estações de tratamento de resíduos sólidos urbanos municipais. “Na dissipação definitiva da névoa do Riachuelo, vamos por um caminho muito positivo. Da tensão à transformação”, disse Magallanes. “Naturalmente, falta um monte de coisas para fazer. Mas todos já estamos discutindo o rio. Isso é bom. É parte dessa recuperação”, enfatizou. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   Artigos relacionados da IPS O árduo trabalho de limpar o rio argentino mais poluído, em espanhol Névoa do Riachuelo argentino começa a se desfazer A hora do Riachuelo na Argentina, em espanhol  


por Fabiana Frayssinet*
floresta Ambiente

Protocolo de Nagoya pode entrar em vigor sem o Brasil

O país, que protagonizou esse debate e detém a maior biodiversidade de flora e de fauna do planeta, ainda não ratificou o tratado de 2010. No âmbito da discussão sobre o Protocolo de Nagoya, fica difícil entender como o Brasil, que protagonizou esse debate e detém a maior biodiversidade de flora e fauna do planeta, ainda não o tenha ratificado. Nosso país assinou o protocolo em 2011 e a proposta de ratificação foi encaminhada ao Congresso no ano seguinte. Desde então, o tema foi alvo de diversos debates entre os deputados e as entidades. Mas estacionou há mais de um ano na Câmara Federal. Em março de 2013, determinou-se a criação de uma comissão para tratar do assunto, mas até agora ela não foi estabelecida. Uma das principais razões para o impasse tem sido a pressão da “bancada ruralista”. Para seus componentes, a ratificação de Nagoya dificultaria o acesso aos recursos genéticos de espécies não nativas do Brasil, tais como cana e soja, o que, segundo eles, traria prejuízo para a agropecuária do país. Com a premissa da ratificação, o Brasil estaria se comprometendo a respeitar a legislação do país de origem das espécies não nativas. Acontece, porém, que a questão dos alimentos e produtos agrícolas não é tratada na esfera de Nagoya, e sim no âmbito do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura (Tirfa), estabelecido em 2001 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Protocolo de Nagoya é um tratado internacional que regula o acesso a recursos genéticos. Esse acordo alvissareiro para a proteção da diversidade de espécies e dos recursos genéticos do mundo surgiu na COP 10 – a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU) –, que se realizou em Nagoya, no Japão, em outubro de 2010. O brasileiro Bráulio Ferreira de Souza Dias, secretário executivo da CBD, disse, em nota à imprensa, que “o Protocolo de Nagoya é central para libertar o poder da biodiversidade para o desenvolvimento sustentável, por meio da criação de incentivos para sua conservação e uso sustentável, garantindo a equidade na partilha de benefícios”. De acordo com as premissas estabelecidas na convenção, o tratado necessita de pelo menos 50 ratificações de países-membros da ONU para entrar em vigor. Uma vez vigente, o protocolo estabelecerá as bases para um regime internacional eficaz para acesso e repartição de benefícios oriundos do uso da biodiversidade. Entre 13 e 17 de outubro deste ano, os países que ratificaram o protocolo (somavam 51 até julho) irão se reunir na 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 12), que acontecerá na Coreia do Sul. Infelizmente, mesmo que ratifique o protocolo, o Brasil não poderá participar das discussões, pois a ratificação só terá efeito 90 dias depois de ser registrada na Convenção da Diversidade Biológica. Ou seja, o país megadiverso que “encabeçou” a discussão e que possui na sua história usos tradicionais com ativos da biodiversidade assistirá a discussão pela “janelinha”. * Artigo de Milene Veiga de Almeida e Benjamin Gonçalves do Instituto Ethos. ** Publicado originalmente no site Instituto Ethos.


por Instituto Ethos*
Foto: Reprodução/ Print do vídeo Climate Change & Wildfires Explained in Less Than Three Minutes Ambiente

Casa Branca relaciona intensa temporada de incêndios a mudanças climáticas

O conselheiro científico da Casa Branca, John Holdren, afirmou em um vídeo publicado no website do governo norte-americano nessa terça-feira (5) que as mudanças climáticas estão agravando a temporada de incêndios nos Estados Unidos. “Embora um único incêndio não possa ser atribuído às mudanças climáticas, o fenômeno tem tornado a temporada de incêndios nos EUA maior e em média mais intensa”, declarou o conselheiro. Segundo o cientista, o impacto das mudanças climáticas nos incêndios não se limita a temperaturas mais altas no verão e umidade do solo reduzida. “As mudanças climáticas também estão aumentando o número de árvores mortas e secas, por uma combinação de estresse térmico, estresse hídrico e ataques de pestes e patógenos que se multiplicam rapidamente em um mundo mais quente”, continuou Holdren. O conselheiro acrescentou também que a área média anual destruída por incêndios no oeste dos Estados Unidos aumentou dramaticamente nas últimas décadas. Outro representante dos EUA, John Podesta, assessor presidencial, abordou a mesma questão das mudanças climáticas em uma mensagem publicada também na terça-feira, no blog da Casa Branca. “Não se engane: o custo da inação em incêndios e mudanças climáticas é um preço muito alto para os norte-americanos pagarem, particularmente quando temos a chance de resolver isso agora mesmo”, observou Podesta. Atualmente, os EUA sofrem com diversos incêndios, principalmente nos estados da Califórnia e de Washington, na costa oeste do país. A Califórnia enfrenta atualmente 14 focos, e o governador californiano, Jerry Brown, decretou estado de emergência na última semana. Mais de 500 famílias foram forçadas a deixarem suas casas devido a problemas de infraestrutura e residências destruídas. Já Washington está passando pelo que é agora o maior incêndio já registrado na sua história. Mais de 1200 lares foram evacuados na região do incêndio, no centro-norte do estado, e cerca de sete mil pessoas estão sem energia elétrica. Até agora, mais de 100 mil hectares de área já foram atingidos, mas apenas 16% do incêndio foi controlado. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
Foto: FAO Ambiente

Projetos buscam otimizar uso da água na agricultura

[caption id="attachment_118555" align="alignright" width="230"] Microtubo permite que vazão de água na irrigação por gotejamento seja uniforme. Foto: Marcos Santos / USP Imagens[/caption] Visando a economia de água, três pesquisas do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, buscam formas de reduzir sua utilização nas atividades agrícolas. Para a irrigação, a equipe do professor professor Tarlei Arriel Botrel desenvolveu um microtubo de comprimento variável. Outro estudo, realizado por Luiz Fernando Novello, especialista em gerenciamento ambiental e funcionário do Departamento, testou a viabilidade da captação de água das chuvas nos edificios do campus de Piracicba. Os riscos das variações climáticas para o futuro da produção de cana-de-açúcar são pesquisados pela pós-graduanda Helena Maria Soares Pinto, orientada pelo professor Fabio Marin. O microtubo de comprimento variável, acessível ao produtor e já aplicado em várias culturas, permite que a vazão de água no momento da irrigação por gotejamento seja uniforme em cada parte do terreno, independente do desnível ou da perda da pressão por conta da energia de atrito durante a passagem da água dentro do tubo. “A vazão uniforme se dá porque, para cada necessidade, o microtubo tem seu comprimento ajustado. Adaptando cada planta a um microtubo diferente, mesmo com a variação da pressão devido a algum desnível, todas as partes do terreno recebem a mesma quantidade de água. Essa é a maneira que encontramos para manter uma irrigação uniforme”, explica Botrel. Além da economia de água, o baixo custo também é um benefício. “O microtubo é mais fácil de adquirir e de construir do que o gotejador tradicional. Então temos a economia de água aliada à redução de custos”, acrescenta Botrel. Luiz Fernando Novello, especialista em gerenciamento ambiental e funcionário do Departamento de Engenharia de Biossistemas, realizou uma pesquisa abrangendo o campus Luiz de Queiroz da USP, em Piracicaba, para avaliar o potencial da captação de água de chuva para fins não potáveis no período de outubro de 2013 a março de 2014. Observando o tamanho significativo da maioria dos telhados dos prédios do campus, o objetivo foi identificar o quanto estas coberturas — em teoria — seriam capazes de captar água da chuva. Segundo Novello, para chegar ao resultado, foi necessário avaliar três fatores — a área de captação, a precipitação local e a demanda dessa água de chuva. “Minha demanda por água foi a de fins não potáveis, que são as utilizadas em vasos sanitários, mictórios, irrigação de jardim, lavagem de calçada, tratores, maquinários agrícolas e irrigação de pequenas estufas, e também na parte de laboratórios, para fins de uso em destiladores”, explica. Captação Para avaliar a área de captação, o especialista utilizou as plantas baixas de vários prédios do campus. Para avaliar a precipitação, Novello fez levantamento estatístico dos dados do posto meteorológico da Esalq. “Trabalhei com estes dados para determinar a probabilidade de menor ocorrência de chuva em cada mês”, conta. Posterior às análises, Novello concluiu que a captação de água e seu uso no campus era possível. “Durante o período estudado utilizei 38% dos prédios da Esalq somados com 100% dos prédios do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena). No total, a área analisada captaria 40% do consumo de água da Esalq referente ao período de outubro a março”, afirma. O especialista diz ainda que, no caso do Cena, por serem edificações mais próximas e maiores, no período chuvoso a água armazenada lá corresponderia a 90% do consumo de água não potável total da instituição. No trabalho também foi sugerido que as próximas edificações da Esalq sejam construídas pensando na coleta de água de chuva. “A Esalq gera conhecimento e difunde. Esta ação em relação a água de chuva seria um exemplo a ser seguido por outras instituições, assim como pela população”. Em contrapartida, para uso residencial, Novello faz a ressalva de que o aproveitamento só é viável em residências se houver demanda por água não potável, a não ser que seja feito um tratamento na água para consumo em outras finalidades. “Aqui na Esalq, essa demanda já existe, e os benefícios ambientais e financeiros também foram comprovados por meio da pesquisa”, conclui. Orientada pelo professor Fabio Marin, Helena Maria Soares Pinto está desenvolvendo, em sua dissertação no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Sistemas Agrícolas, uma pesquisa sobre os riscos da produção de cana-de-açúcar no estado de São Paulo no futuro, baseando-se em variações climáticas. “O foco da pesquisa é identificar o risco da produção no futuro, comparando modelos de projeção para garantir mais clareza nos resultados”, explica. Helena conta que para simular a produção de cana-de-açúcar no período entre 2040 e 2070, precisou levantar uma série de informações. “É uma simulação por meio de softwares que são alimentados por banco de dados sobre clima, solo e genética do cultivo. Todas essas informações são do período de 1980 a 2010, e funcionam como parâmetro para o futuro”. Segundo a pesquisadora, os dados climáticos necessários são sobre a chuva, precipitação máxima e mínima e radiação. “Esse é um dos principais entraves da minha dissertação porque dados climáticos de séries longas são complicados de serem encontrados. No estado de São Paulo, apenas 10 municípios possuem dados climáticos de qualidade”. Segundo a mestranda, foram utilizados dois simuladores — o DSSAT, desenvolvido na África do Sul e o APSIN, desenvolvido na Austrália. Helena conta que cada software apresenta uma variação nas projeções em relação aos dados climáticos fornecidos como parâmetro. “Trabalhar com projeções climáticas em um curto período já é algo complicado. Em relação a um longo período existem muitas variações e, quando trabalhamos com mais de um simulador, é possível obter mais certeza sobre os resultados”. Entre os resultados fornecidos pelos simuladores estão a produtividade, a massa seca e biomassa da cana-de-açúcar. Até o presente momento, o estudo aponta um futuro parcialmente positivo para a cana-de-açúcar. “Os próximos 30 anos serão de produtividade para a cana-de-açúcar por conta do aumento de gás carbônico na região, que é um importante insumo para o cultivo. Em contra partida, as condições climáticas gerais apontadas revelaram até agora um aumento na temperatura média de 1,8º a 3,6º, o que indica déficit hídrico, por aumento da temperatura e diminuição da chuva”, conclui. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Lucas Jacinto, para a Agência USP
mapaativos Ambiente

Primeiro mapa global dos ‘ativos ecossistêmicos’ é apresentado pelo PNUMA

O Centro de Monitoramento da Conservação Mundial (WCMC em inglês) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está lançando um mapa que é o primeiro a conter uma composição com o que se chama de ‘ativos ecossistêmicos’, abrangendo tanto o meio marinho quanto terrestre global. Entre os ‘ativos ecossistêmicos’ estão a biodiversidade, a água potável, o carbono orgânico, os estoques pesqueiros e a qualidade do solo. O mapa do PNUMA é baseado em um relatório que contém conceitos e informações sobre o assunto. O mapa revela os hotspots para múltiplos “ativos”, por exemplo, nas áreas remanescentes de florestas. No geral, é possível constatar que os “ativos marinhos” estão concentrados no sudeste asiático e ao longo da zona costeira (especialmente na costa oeste da América do Sul, África e Europa). Já os “ativos terrestres” se concentram em regiões equatoriais e em parte do Canadá e da Rússia. O WCMC ressalta a significância global e a necessidade de priorização de conservação e restauração que deve ser dada a essas áreas, mas alerta que mapeamentos locais precisam ser feitos para identificar outros locais importantes que não foram considerados em escala global. Além disso, é enfatizado que os recursos naturais e o valor monetário dos ativos ecossistêmicos não estão incluídos nesse relatório e que uma avaliação de ambos os fatores é o próximo passo para “a compreensão integral da contribuição do capital natural para o bem-estar humano”. “Os ativos ecossistêmicos representam apenas uma parte do capital natural. Visando produzir um mapa global abrangente do capital natural, toda a gama de ativos ecossistêmicos e recursos naturais precisa ser mapeada”, pondera a publicação. Assim, o relatório foca nos ativos ecossistêmicos, um dos componentes do capital natural, segundo os conceitos assumidos pelo WCMC. Os ‘ativos’, segundo a publicação, são os estoques que permitem o fluxo dos serviços ecossistêmicos que beneficiam a humanidade. Segundo a Convenção sobre Diversidade Biológica, pelo menos 40% da economia global e 80% das necessidades dos pobres são derivadas de recursos biológicos. * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Fernanda B. Müller, do CarbonoBrasil

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