Sem sossego

Crise

Sem sossego


por Luiz Gonzaga Belluzzo*


A crise do euro não dá sossego. As manchetes oscilam: dia sim, o júbilo dos mercados embalados por um otimismo postiço, dia não, os jubilosos de ontem mergulham os espíritos no pessimismo angustiante. Entre um dia e outro, as lideranças europeias ameaçam soluções e criam dificuldades. Nessa lengalenga, os povos estão cada vez mais aturdidos e inseguros diante das ameaças que, mais do que a estabilidade do euro, rondam suas vidas e seus destinos.Os assim considerados experts no assunto entregam-se a digressões peregrinas sobre a origem da crise. Os conservadores e os sabichões do mundo das finanças apontam o dedo indicador para a irresponsabilidade de governos e de consumidores entupidos de dívidas. Essa turma também não esquece os diferenciais de competitividade entre os países. Mas os diferenciais de competitividade não surgiram da noite para o dia. Estavam presentes no momento de criação da moeda única.Os acusadores, em suas invectivas, descuidam das aratacas armadas para os periféricos na criação de uma moeda única. A introdução do euro concedeu aos periféricos – hoje submetidos ao mau humor dos mercados – as vantagens da emissão de dívidas na moeda comum. Essa prerrogativa até a eclosão da crise garantiu aos países mais frágeis spreads bastante razoáveis sobre as taxas de juro pagas pelos títulos do governo alemão. Até mesmo minha frágil percepção desconfia dos “esquecimentos” dos mercados financeiros. Não há devedores sem credores. São bastante consistentes e insistentes os sinais de que na era da desregulamentação financeira, a prodigalidade dos devedores-gastadores encontrou assanhada cupidez por parte dos credores-provedores de empréstimos. Em linguagem corrente: os bancos alemães e franceses não perderam tempo e cuidaram de financiar generosamente as famílias gastadoras e os governos “imprudentes”.Quando ainda estalavam os primeiros ruídos da crise do euro, arrisquei escrever que “no olho da tormenta estão as relações entre o país hegemônico, a Alemanha, e os demais membros da comunidade comercial e monetária”.Já antes da introdução do euro, era notória a superioridade da indústria manufatureira alemã e de sua capacidade exportadora diante de seus sócios-competidores europeus. Ao longo da primeira década do terceiro milênio, a forte economia alemã ganhou nova musculatura com a adoção da moeda única e seus benefícios. A redução dos custos de transação propiciados pela moeda comum juntou-se, sob a égide das instituições da economia social de mercado, às políticas de competitividade fiscal e salarial para impulsionar uma nova rodada de eficiência. Mas não há de ignorar: na marcha vitoriosa das divisões industriais germânicas, o apetite de seus bancos pela dívida dos consumidores e governos dos PIIGS precipitou bolhas de consumo, déficits crescentes em conta corrente e last but not least agravamento da situação fiscal.Entre 1996 e 2008, as exportações em volume da Alemanha cresceram a uma velocidade duas vezes maior do que as vendas externas dos parceiros europeus. No mesmo período, o superávit comercial da Alemanha com os “sócios” da Europa passou de 20 bilhões para 100 bilhões de euros por ano. A outra face desse movimento de ganhos expressivos nas transações intraeuropeias é a manutenção, em nível elevado, do emprego na indústria manufatureira, mesmo diante do deslocamento de muitas fábricas para os países do Leste Europeu e da escalada chinesa. A Alemanha sustentou 20% do emprego total na manufatura, enquanto os demais países da zona do euro estão abaixo dos 16% e… caindo. Nessas regiões, a perda de partes do mercado para as exportações alemãs levou ao “inchaço” do emprego de baixa produtividade e pouco exigente no que diz respeito à qualificação da mão de obra. Isso, nos perdedores europeus, tem produzido conflitos entre as aspirações do cidadão “sobre-educado” e as oportunidades de emprego que lhe são oferecidas.Simpatizo com os que se debruçam sobre as inconveniências da constituição de um espaço monetário comum desarmado das condições políticas que pudessem assegurar não só a unificação do espaço fiscal como a execução de políticas comuns de reequilíbrio industrial. Há um grão de verdade nessas lamentações. Elas dão conta de questões importantes, mas, em geral, ignoram que esses aspectos são apenas formas de manifestação de um processo mais profundo de reprodução de desequilíbrios e assimetrias no interior da Eurolândia. Não é possível a convivência entre um espaço monetário comum e a manutenção da concorrência psicopata entre as regiões.* Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.** Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.

O presidente da Fiesp Paulo Skaf - Walter Campanato/ABr Energia

Privatizar é o “preço justo”?

Campanha da Fiesp pelo “preço justo” da conta de luz traveste o desejo de privatização do setor energético.[caption id="attachment_29859" align="alignleft" width="198" caption="Linhas de transmissão Eletrobras-Furnas. Foto: José Lins"][/caption]São 112 concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Até o fim deste ano o governo federal terá de optar: prorrogação ou leilão. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) pressiona pelas licitações e lança a campanha “Energia a preço justo”. Especialistas consideram o movimento da indústria um “golpe” que tem o objetivo de privatizar o setor energético brasileiro por completo.O conjunto de concessões envolve 28% da capacidade de geração, 82% da malha atual de transmissão e 40% da distribuição de energia do país. Os contratos que findaram em meados dos anos 1990 foram prorrogados por mais 20 anos. Portanto, a partir de 2015 começam a vencer, mas é neste ano que a decisão sobre as concessões será tomada. Dentro do governo federal, o consenso é renová-las.Mas a campanha “Energia a preço justo”, lançada pela Fiesp, pressiona pela realização de leilões públicos de todos os ativos. A entidade argumenta que o leilão público é a melhor maneira para o país encontrar o real valor dos serviços públicos de energia (geração, transmissão e distribuição).Para alguns analistas e movimentos sociais, contudo, falta contar a outra parte da história. “O que está em disputa são, sobretudo, as hidrelétricas antigas, a geração. A forma de defender que é preciso privatizar é dizer que deve haver novos leilões que beneficiariam a sociedade”, aponta Gilberto Cervinski, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).Dados do MAB revelam que o que está em disputa é algo que envolve um negócio de R$ 30,6 bi por ano, sendo R$ 9 bi referentes à apropriação pelas geradoras; R$ 8 bi pelas transmissoras e R$ 13,6 bi pelas distribuidoras. As companhias de geração em final de concessão estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, e nos Estados da Bahia e Sergipe. As principais empresas são Chesf, Furnas, Cesp, Cemig, CEEE e Copel. Quanto à transmissão, a maior parcela também pertence a empresas estatais federais (Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul) e estaduais Cemig, Copel, CEEE, Celg).As empresas de distribuição em que as concessões estão vencendo são formadas por oito estatais estaduais, entre elas Copel, Cemig, Celesc, além de seis ex-concessionárias estaduais das regiões Norte e Nordeste que foram federalizadas, passando ao controle do Grupo Eletrobrás. Existem ainda duas pequenas estatais municipais e 22 pequenas concessionárias privadas espalhadas pelos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Maranhão e Espírito Santo. [caption id="attachment_29860" align="alignright" width="300" caption="O presidente da Fiesp Paulo Skaf - Walter Campanato/ABr"][/caption]“Preço justo”A Fiesp sustenta que a abertura de novas licitações e a realização de leilões para o setor elétrico deverão derrubar o valor médio da energia de R$ 90 para cerca de R$ 20 o megawatt/hora (MWh) e isso se refletirá diretamente na tarifa para os consumidores. “O Brasil tem um dos menores custos de geração de energia elétrica e paga uma das tarifas mais caras do mundo. Com o vencimento das concessões a partir de 2015, temos uma excelente oportunidade de reduzir o custo desse insumo para toda a sociedade”, defendeu o presidente Paulo Skaf ao Brasil de Fato.Skaf, que foi candidato ao governo de São Paulo e almeja disputar a prefeitura pelo PMDB, acredita que a mobilização pública pode demonstrar ao governo federal o desejo da população de ver respeitadas a legislação e a Constituição Federal (tendo em vista que a legislação atual prevê que se realize licitação]. “Além disso, a campanha quer mostrar que há tempo suficiente para a realização de novas licitações para essas concessões. Portanto, a hora é agora”, destaca.O presidente da Fiesp pondera ainda que o estudo realizado pela entidade demonstra que com a realização de novos leilões, a economia para os consumidores poderá chegar a R$ 918 bilhões em 30 anos, ou R$ 30 bilhões por ano. “Com esse dinheiro, seria possível a manutenção de mais dois programas sociais do tamanho do Bolsa Família, por exemplo”, salienta.PrivatizarGilberto Cervinski, do MAB, considera “demagógica” tal defesa. Ele não tem dúvidas de que se o preço da tarifa de energia fosse reduzida de R$ 90 para os R$ 20, algo em torno de R$ 7,5 bilhões, seriam transferidos à iniciativa privada, por meio da apropriação das distribuidoras, “porque a Fiesp não propõe a alteração do sistema tarifário por incentivo”, pondera.A entidade patronal aponta que os 23 mil MW em jogo e durante 35 anos, resultariam em R$ 641 bilhões, ao preço de R$ 90,98/MWh. Se for licitado a R$ 20, como a Fiesp propõe, a soma seria de “apenas” R$ 145,9 bi na conta do consumidor.Porém, Gilberto Cervinski discorda desses números. O especialista ainda aponta erro grave nos cálculos. “Fizeram um cálculo vergonhoso, ou foram ignorantes ou fizeram por má fé. Eles fizeram pelo cálculo da energia potencial, e é errado. O cálculo é feito pela energia firme (geralmente em torno de 55% da potência instalada)”, critica.“A Fiesp assumiu o protagonismo das empresas privadas. Você acha que ela quer diminuir a taxa de lucro das distribuidoras (e diminuir o preço da tarifa final)? Quem são os donos das distribuidoras? Camargo Correa, Votorantim, empresas integrantes da entidade. E agora eles dizem que têm que cumprir a lei?”, critica Cervinski.Ele explica ainda que, ao defender uma tarifa a R$ 20/MWh, a Fiesp baseia-se num “sistema tarifário estatal”, que leva em conta o custo de produção real, porém mesclado no “sistema por incentivo”, organizado sob os preceitos da livre concorrência, da competição e na “modicidade tarifária”, que é internacionalizada, estabelecidos a partir de 1995.De qualquer forma, o atual modelo tarifário energético não permite que a conta de luz reflita os baixos custos da geração. Luiz Pereira, presidente do Instituto Ilumina, aponta que, ao diminuir somente o custo da geração (um dos principais argumentos da Fiesp), atua-se somente numa das parcelas da “conta de luz”. “Não é isso que vai fazer mudar. O que pesa na conta final da energia é o modelo e os tributos”, destaca Pereira.ParcelasO preço final de uma tarifa de energia elétrica é a soma de várias parcelas. Uma das parcelas é chamada valor da energia, ou seja, da geração. Soma-se ao valor da transmissão, da distribuição e, depois, aos encargos e aos tributos.“Na minha conta da Light (residente no Rio de Janeiro), por exemplo, observo que o preço mais elevado é o valor da energia da geração. Em seguida, estão o valor da distribuição e depois os tributos e os encargos, que oneram muito hoje. O que a gente paga hoje de energia elétrica não está ligado diretamente só ao custo da energia elétrica (geração)”, explica Luiz Pereira.ApropriaçãoPaulo Skaf vê de outra forma. O presidente da Fiesp defende que a partir de 1995, com a  mudança no regime de tarifa pelo custo, foi estabelecido um “ambiente competitivo que tem favorecido a modicidade tarifária”, o que pôde, segundo ele, ser demonstrado nos últimos leilões em que foi adotado o critério da menor tarifa. “Os resultados desses leilões apresentaram significativos deságios, favorecendo o consumidor”, pontua.O fato é que, se as indústrias não conseguirem privatizar as estatais, tentarão fazer com que elas forneçam energia ao preço mais barato possível para as distribuidoras de energia. É o que pensa o coordenador do MAB. “Essa campanha serve para, no mínimo, fazer com que as empresas públicas repassem a energia ao preço mais barato possível para que haja transferência de valor”, explica Cervinski.“Você acha que vão diminuir o preço da tarifa final (caso se barateie o preço da geração)? E se diminuir nos primeiros meses, você acha que no ano que vem eles não vão burlar os dados? Sim, porque os dados que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisa para conceder aumento para as distribuidoras são fornecidos pelas próprias empresas. Como é que ela tem condições de dizer não? Ou seja, elas vão se apropriar no final das contas”, prevê Cervinski.Não bastassem os entraves citados que impedem o barateamento do preço da tarifa final, ele acaba sendo refém de uma “estrutura onerosa” do modelo energético. Ou seja, mesmo que uma indústria vença um suposto leilão, o consumidor residencial ainda será obrigado a arcar com a manutenção de uma termelétrica e iluminação pública, por exemplo; são gastos embutidos na conta de luz. “Não há nada que garanta que quem ganhe o leilão contribuirá com um bom serviço público final e sem onerar o consumidor cativo”, afirma Carlos Kirchner, diretor da Seesp.* Publicado originalmente no site Brail de Fato.


por Eduardo Sales de Lima, do Brasil de Fato
1 Dívida

Quem são os caloteiros?

Em todas as regiões do Brasil, clientes com a ocupação "profissional liberal" ocupam o desconfortável primeiro lugar na lista de inadimplentes.Nos últimos oito anos, o montante de crédito concedido às pessoas físicas, com recursos livres, cresceu de forma expressiva, passando do equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), em janeiro de 2003, para 15,5% do PIB, em julho de 2011.Neste sentido, o Banco Central do Brasil (BC) realizou uma análise das características dos tomadores de empréstimos de quatro grandes bancos que, juntos, detinham 74% do mercado em julho de 2011. Entre as informações analisadas nos dados cadastrais, estão gênero, idade, Estado de residência, tipo de ocupação e inadimplência.Segundo o levantamento, em todas as regiões do Brasil, clientes com a ocupação “profissional liberal” estão no desconfortável primeiro lugar na lista de inadimplentes. Na região Centro-Oeste, é onde há o pior indicador: 5,2% dos profissionais liberais estão com pagamentos de dívidas com atraso superior a 90 dias. Em seguida, estão as regiões Sudeste (5,1%), Sul (4,6%), Nordeste (4,5%) e, por último, os Estados do Norte (4,4%).A segunda categoria com mais calotes é a dos empresários, cujas taxas de inadimplência oscilam entre a máxima de 4,3% no Centro-Oeste e a mínima de 3,7% no Sudeste. No restante do Brasil, a taxa de atrasos entre os empresários é de 4% no Nordeste e Norte, e de 3,8% no Sul do Brasil.Conforme a análise do BC, os empregados do setor privado são, proporcionalmente, mais caloteiros do que funcionários públicos. Em quatro das cinco regiões brasileiras, clientes que trabalham na iniciativa privada têm taxas de inadimplência maiores que os que estão no setor público. A única exceção é o Sul do Brasil, onde o quadro se inverte.Na região Sudeste, enquanto a taxa de calote entre os devedores que trabalham no setor privado é de 3,3%, o porcentual entre os trabalhadores do serviço público é de 2,1%. No Nordeste, estão os servidores públicos que melhor pagam as dívidas no Brasil, com inadimplência de apenas 0,6%. Nessa mesma região, o indicador dos empregados privados está em 2,1%.Entre os brasileiros que deixaram de trabalhar, os nordestinos são os melhores pagadores, com taxa de inadimplência de 0,8%. Os aposentados que estão no Centro-Oeste brasileiro possuem uma taxa de 1,9% de inadimplência, e no Sudeste e Sul, o índice de inadimplência é de 2,3%.Portanto, o BC desmistificou que pobre, aposentado, trabalhadores do serviço público e até mesmo sem emprego não pagam suas dívidas – e deu mais um argumento de que não vivemos uma bolha de crédito com riscos de inadimplência.* Paulo Daniel é economista, mestre em economia política pela PUC-SP, professor de economia e editor do blog Além de Economia.** Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.


por Paulo Daniel*
1 Carbono

Mercado de carbono florestal bate recordes em 2010

Relatório do Ecosystem Marketplace aponta que projetos de carbono florestal comercializaram, em 2010, US$ 178 milhões, o equivalente a cerca de 30 milhões de toneladas de carbono equivalente, mas ainda há um longo caminho pela frente.Enquanto as discussões globais sobre o futuro do Protocolo de Kyoto continuam estacionadas, outras opções parecem surgir como uma luz no fim do túnel para a conservação das florestas. Na última semana, a organização Forest Trends lançou um relatório que revela que o mercado de carbono florestal bateu recordes no ano passado, chegando a comercializar US$ 178 milhões.O documento, intitulado State of the Forest Carbon Markets 2011: From Canopy to Currency (Estado dos mercados de carbono florestal 2011: da cobertura florestal à moeda corrente) e publicado pelo projeto Ecosystem Marketplace, da organização Forest Trends, monitora, relata e analisa as tendências das transações globais de reduções de emissões geradas por projetos de carbono florestal.Segundo Ellysar Baroudy, que administra o Fundo BioCarbon do Banco Mundial, “essa fonte excelente de informação sobre as transações de mercado da esfera florestal é uma parte vital da nossa visão de longo prazo para apoiar projetos de uso da terra para reduzir emissões de gases do efeito estufa e combater as mudanças climáticas de uma forma ambiental e socialmente responsável”.“O mercado de carbono florestal está ganhando força e é importante parar uma vez por ano, fazer um balanço das realizações atuais, bem como dos desafios, e usar esses dados para se preparar para o futuro”, acrescentou.A análise mostra que o ano de 2010 gerou recordes para os mercados de carbono florestal, recordes que já haviam sido atingidos em 2008 e 2009. De acordo com o relatório, no último ano, foram contratadas 30,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e) nos mercados de carbono florestal primários e secundários, e essas transações chegaram a um valor de US$ 178 milhões.“Contratos para compensações de carbono florestal mais do que dobraram nos últimos dois anos, provavelmente devido às discussões políticas internacionais e ao aumento da preocupação com o papel essencial que florestas têm no sequestro de carbono”, explicou Katherine Hamilton, diretora do Ecosystem Marketplace e autora do relatório, em um comunicado à imprensa.A extensão histórica dos mercados de carbono florestal subiu para 75 MtCO2e, avaliada em cerca de US$ 432 milhões, e os projetos neste setor atingiram mais de 7,9 milhões de hectares de florestas em 49 países do mundo. O preço médio das compensações entre os mercados primários de carbono florestal aumentaram de US$ 3,8/tCO2e em 2008 para US$ 4,5/tCO2e em 2009, chegando a US$ 5,5/tCO2 em 2010.Além destas informações, o documento indica que o crescimento do mercado de carbono florestal em 2010 foi alavancado por um grande aumento no número de projetos que protegem florestas ameaçadas, e também na quantidade de projetos para promover o manejo florestal.Os projetos sob o programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) foram os que mais contribuíram para este crescimento, fornecendo 19,5 de um total de 29 MtCO2e, o equivalente a 70% do total contratado no mercado primário.Cresceu ainda o fluxo de desenvolvedores, investidores e intermediários de projetos do setor privado. Nos anos anteriores, ao contrário, a maioria dos projetos era desenvolvida por organizações de conservação sem fins lucrativos.“O cenário que surge de uma análise mais profunda da tendência das toneladas contratadas em 2009 e 2010 é fundamentalmente a de um quadro pequeno – mas crescente – de compradores prospectivos e investidores que fazem grandes apostas no futuro dos mercados de carbono florestal”, declara o relatório.“O influxo do investimento do setor privado é uma indicação positiva de que algumas das maiores firmas financeiras têm confiança – ainda que apoiada por um estágio inicial de risco de mercado – de que os projetos de carbono florestal terão um papel significativo no futuro dos mercados de carbono e na redução das emissões de gases do efeito estufa”, concordou Steve Baczko, diretor de comercialização para o Ecosystem Restoration Associates Inc. (ERA).Mas o documento aponta também que o número de projetos para desenvolver o plantio de árvores diminuiu. “Os únicos obstáculos para financiar e comercializar projetos de florestamento e/ou reflorestamento continuam a persistir e reprimir a habilidade dos mercados de carbono de incentivar uma das mais antigas estratégias para melhorar e restaurar a saúde ambiental – plantar árvores”, afirma a análise do Ecosystem Marketplace.No balanço geral, o relatório admite que, apesar dos bons indicadores, o mercado de carbono florestal ainda não é seguro.“Enquanto o mercado se fixou o suficiente para atrair novos desenvolvedores e investidores para participar, muitos observadores ainda se mantêm cautelosos em meio às incertezas significativas”.“Apesar da crescente confiança acerca de muitas políticas e dos mercados que surgiram, a forma, o tamanho e o alcance futuros do mercado global de carbono florestal se mantêm muito incertos”.David Diaz, coautor do documento, confirmou essa visão de incerteza, e finalizou dizendo que ainda há um longo caminho a ser trilhado. “Esses mercados têm mostrado grandes inovações e crescimento, mas ainda temos um longo caminho para canalizar uma quantidade suficiente de fundos para controlar a perda florestal global, que é uma fonte importante de emissões de gases do efeito estufa.”* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
1 Mundo

Quatro dos maiores bancos mundiais estão em risco de falência?

Levando em conta a situação que os bancos norte-americanos e europeus têm passado, destacam-se os nomes de quatro bancos que poderão estar à beira da falência ou de ser salvos novamente pelos governos nacionais, já que são “demasiado grandes para falir”. Os seus nomes são: Bank of America, Crédit Agricole, Commerszbank e Societé Générale. Trecho do artigo “Estamos perante a segunda crise bancária?”.A má situação do Bank of AmericaO Bank of America – o banco mais importante dos Estados Unidos em ativos e empréstimos – está passando por graves problemas financeiros, em tal grau que pode ser comprado pelo JP Morgan, conforme anunciou em 23 de agosto de 2011 o Wall Street Journal (WSJ) no seu blog 24/7 Wall St.(1), com base em rumores que estão ganhando força dentro da praça financeira norte-americana. A transação de compra seria feita com a ajuda do governo norte-americano o qual desembolsaria cerca de US$ 100 bilhões.O blog do WSJ refere que o Business Insider calcula que o Bank of America necessitará entre US$ 100 bilhões e US$ 200 bilhões para reforçar as suas contas(2). Isto significa uma falência técnica do Bank of America, mas como se viu na primeira crise bancária de 2008-2009, os grandes bancos não vão à falência, fundem-se porque são demasiado importantes para falir.Notemos que o Bank of America no seu informe do segundo trimestre publicou as maiores perdas da sua história num montante de US$ 9,127 bilhões. Estas perdas estão associadas, em grande medida, com hipotecas de segunda geração(3). Trata-se de hipotecas que foram boas, mas que se deterioraram pelo elevado desemprego e pelas más remunerações norte-americanas, em especial a partir de 2008.No início do ano, o preço das ações do Bank of America era de US$ 14,19 e em 22 de setembro (no fechamento da bolsa) – um dia depois da declaração de Bernanke sobre a gestão da política monetária dos Estados Unidos(4) –, o preço das ações foi de US$ 6,06, o que significa uma queda de 57,3% em cerca de nove meses, sem deixar de mencionar que, no dia 8 de agosto, houve uma forte queda, de 20,32%, causada pela baixa do rating da dívida dos Estados Unidos.O preço de US$ 6,06 por ação significa que os investidores não acreditam no preço das ações dos livros de contabilidade do Bank of America (US$ 21,45), dado publicado no segundo informe do balancete financeiro deste banco. Isto é, os investidores creem que o verdadeiro preço das ações do Bank of America vale menos de um terço do que os livros de contabilidade deste banco dizem.Jonathan Weil, colunista da Bloomberg, disse que o mercado percebe que “mais da metade do valor da empresa que está nos livros é falso, por que os ativos estão sobrevalorizados ou os passivos subestimados, ou por uma combinação dos dois”(5).A má situação financeira do Bank of America levou-o a tomar a decisão de começar a vender ativos que, segundo o banco, lhe são complementares. Entre estas decisões, está a venda de uma carteira de investimentos imobiliários por um valor de US$ bilhão, assim como outra de hipotecas vendida por US$ 500 milhões à empresa estatal de hipotecas Fannie Mae. Também vendeu o TD Bank Group, um negócio de cartões de crédito avaliado em US$ 8,6 bilhões(6). Os dois últimos anúncios foram em 30 de agosto, quando vendeu as ações que possuía do Banco de Construção da China, por um valor de US$ 8,3 bilhões(7), e o segundo é a muito possível venda da sua participação na Pizza Hut, por um montante de US$ 800 milhões(8).Warren Buffet no resgateNo dia 25 de agosto, e tendo como ambiente uma maior desconfiança dos investidores na solidez financeira deste banco, Buffet, um dos mais poderosos investidores do mundo, participou no resgate do Bank of America comprando ações preferenciais (que não se vendem a qualquer um) num valor de US$ 5 bilhões(9), o que representa aproximadamente 6,5% do capital social do banco(10). Isto levou a que as ações aumentassem 20% de 25 a 29 de agosto, mas este momento de subida mudou em 30 de agosto, registando-se uma queda de 13,6% em relação ao preço de fechamento de 2 de setembro. O saldo geral do impacto da injeção de capital por parte de Buffet em 2 de setembro foi um aumento de 3,8% do preço das ações.Este fato mostra-nos que o maior banco dos Estados Unidos está passando por grandes problemas financeiros, muito ligados à sua carteira de investimentos imobiliários. Recordemos que há dois processos relacionados com este tema, um da parte da AIG e o montante pedido é de US$ 10 bilhões(11) e o outro por parte da Agência Federal de Financiamento à Habitação (FHFA, segundo as suas siglas em inglês) num montante de US$ 24,8 bilhões(12).O peso do Bank of AmericaO valor dos ativos do Bank of America no primeiro trimestre de 2011 foi de US$ 2,3 trilhões enquanto em derivados foi de US$ 72,7 trilhões. Uma gestão de valores em derivados equivalente a 32 vezes o montante dos seus ativos(13). Este banco representa aproximadamente 22,6% do mercado de derivados e 17% do total dos ativos bancários dos Estados Unidos.Se compararmos o valor dos ativos do banco em 2010 com o Produto Interno Bruto da zona do euro, teríamos que os ativos do Bank of America, em 2010, representam 88% do PIB da França e 68% do PIB da Alemanha. O valor destes ativos é de 7,4 vezes o PIB da Grécia, 9,9 o PIB de Portugal, 1,1 o da Itália e 1,6 vezes em relação ao da Espanha.Os problemas do Goldman Sachs e da UBSEm 15 de setembro de 2008, foi dada a notícia da falência do Lehman Brother's; novamente em 15 de setembro, mas deste ano, surgiam duas notícias muito importantes no âmbito financeiro. A primeira do encerramento do que foi o mais importante hedge fund do Goldman Sachs e a segunda das perdas declaradas pelo banco suíco UBS, as quais ascendem ao montante de US$ 2 bilhões.O Goldman Sachs anunciou o encerramento, entenda-se como uma falência, do seu hedge fund Alpha Global(14), que fora catalogado como a joia da coroa daquele banco(15). Este fundo tinha perdido, durante este ano, 12% do seu valor(16), o que representava uma segunda queda em quatro, uma vez que em setembro de 2008 teve uma queda de 22%(17), sendo um dos acontecimentos que iniciou o caminho para a Grande Recessão(18).A esta notícia somou-se a de que um operador estabelecido em Londres e pertencente ao banco UBS tinha incorrido numa fraude que provocara perdas ao banco no montante de US$ 2 bilhões(19), algo que relembra a fraude no banco francês Societé Générale em janeiro de 2008, num montante de US$ 5 bilhões(20).A fraude de US$ 2 bilhões, segundo a versão do banco UBS, levanta dúvidas sobre como o operador pôde ultrapassar os controles internos num montante de tal tamanho. Se este montante, em vez de ser perdas fossem lucros, então, como menciona o editor principal da CNBC, John Carney, o operador não estaria sendo chamado de desonesto e teria ascendido a vice-presidente ou diretor-geral de algum departamento do banco suíço(21). Tudo isto levanta a interrogação: quantas destas fraudes haverá no sistema bancário mundial? Recordemos Barinas, falecido em 1994 numa operação análoga, em que os controles internos não funcionaram(22).Os problemas do CommerzbankA situação de deterioração do Bank of America não é estranha para o banco alemão Commerzbank – o segundo mais importante da Alemanha –, que está passando por graves problemas financeiros, mas, diferentemente do banco norte-americano, o Commerzbank tem problemas pela sua elevada exposição em valores emitidos pelos países europeus altamente endividados.No início do ano, o preço das ações do Commerzbank era de 5,636 euros e em 22 de setembro (no fechamento) o preço das ações foi de US$ 1,56, o que significa uma queda de 72,3% durante este ano. É importante mencionar que em 10 de agosto este banco anunciou que os seus lucros do segundo trimestre, comparados com os do primeiro, tinham caído 93% devido aos problemas que tem a sua carteira de investimentos relacionados com a dívida soberana da Grécia(23).A alquimia dos bancos alemãesUm dos problemas, que a desregulação financeira e a contabilidade criativa trouxeram, foi o de esconder os problemas financeiros de qualquer empresa. Temos exemplos clássicos disso no Long-Term Capital Management e no Enron, que faliram em 1998 e 2001, respectivamente.Yalman Onaran escreveu um importante artigo na Bloomberg intitulado “Global bank capital regime at risk as regulator spar over rules”(24), onde fala sobre os problemas existentes nos bancos europeus e norte-americanos, para que eles cumpram as normas escritas em Basileia III. Destaca-se o caso dos bancos alemães onde existe um elevado uso dos valores híbridos (também conhecidos como silent participations), os quais se contabilizam como dívida e capital ao mesmo tempo, mas que estruturalmente são passivos. Estes valores híbridos em certas ocasiões chegam a representar 50% do capital das entidades financeiras dentro da Alemanha; temos um caso concreto no banco Landesbank Hessen-Thuering, que foi retirado em 2010 dos testes de estresse por ter um elevado montante de capitais híbridos.No caso do Commeszbank, estes valores estão contabilizados como ativos(25). É importante mencionar que, durante a crise bancária de 2008, este banco vendeu ao governo alemão 2,75 bilhões de euros em valores híbridos que foram convertidos em ações(26). Isto é, os alquimistas do governo alemão, a partir da contabilidade criativa e da engenharia financeira (parecidos neste caso com a pedra filosofal), fizeram uma transmutação de um valor, que pela sua estrutura representa um passivo, numa ação financeira, convertendo empréstimos em entradas de capital.A França e a seus bancos com problemasDepois da baixa de qualificação dos Estados Unidos por parte da Standard and Poor's, a pergunta é: qual país é o próximo? Os rumores começaram a surgir e indicam que o seguinte seria a França. No dia 10 de agosto de 2011, as ações francesas foram afetadas pelo rumor de uma possível baixa do triplo AAA(27) na notação financeira da dívida do governo francês por parte da Moody's, mas isto não aconteceu e, nesse mesmo dia, tanto a Moody's como a Standard and Poor's ratificaram o nível de qualificação(28).Estes rumores levaram a que, no dia 24 de agosto, o governo francês tenha anunciado um plano para reduzir o seu déficit fiscal. O plano consiste num aumento das receitas em 10 bilhões de euros por meio de aumentos de impostos, assim como cortes nas isenções e incentivos fiscais que estavam sendo utilizados para estimular o crescimento econômico(29). A França finalizou o ano de 2010 com um déficit fiscal no valor de 7% do PIB(30), enquanto a sua dívida atual é de 86,7% e a privada externa de 208%(31).Ao problema da notação da dívida pública francesa há que se somar a má situação de seus bancos privados. Em 14 de setembro, a Moody's anunciou a baixa da notação dos bancos Societé Générale e Crédit Agricole e pôs em revisão a notação do BNP Paribas; estes são os três mais importantes bancos do país. A causa do rebaixamento da notação financeira deve-se à deterioração financeira provocada pelas dívidas soberanas que mantêm nos seus balancetes, principalmente à dívida grega(32). Entre 3 de janeiro e 22 de setembro deste ano, o preço das ações do BNP Paribas caiu 53,2%, do Société Générale 63,4%, e do Crédit Agricole 57%.As demissões no setor bancárioEm 12 de setembro, Brian Moynihan, diretor-geral do Bank of America anunciou o corte de 30 mil postos de trabalho em nível internacional(33), com base no seu plano de reestruturação chamado “New BAC”, apresentado em abril deste ano, para tentar aumentar a rentabilidade e o capital deste banco(34). Enquanto os bancos europeus anunciaram 67 mil demissões entre janeiro e agosto deste ano, dos quais 50 mil foram em bancos do Reino Unido(35). Então temos que, durante este ano (janeiro a setembro), os bancos europeus e norte-americanos cortaram 97 mil empregos.Estes números fazem-nos recordar duas situações já vividas. A primeira foi a demissão de 116 mil trabalhadores do setor bancário durante a crise financeira de 2001. A segunda tem a ver com a demissão de 130 mil pessoas entre janeiro e outubro de 2008. Recordemos que naquele ano, mas no dia 15 de setembro, o banco de investimentos Lehman Brother's declarou-se em falência, fato que detonou uma crise bancária e a sua consequente recessão econômica.Considerações finais: os bancos candidatos à falência, à fusão ou a serem novamente salvosTendo em conta a situação que os bancos norte-americanos e europeus têm passado, destacam-se os nomes de quatro bancos que poderão estar à beira da falência ou de ser salvos novamente pelos governos nacionais, já que são “demasiado grandes para falir”. Os seus nomes são: Bank of America, Crédit Agricole, Commerszbank e Societé Générale. Os últimos dois bancos apresentaram uma importante queda do preço das suas ações, nos nove meses deste ano, 72,3% e 63,4%, respectivamente.Quando os preços das ações têm quedas de dois dígitos, começam a soar os alarmes nos investidores e ainda mais quando se apresenta a situação de uma tendência de forte baixa.Recordemos que a agência de rating Moody's anunciou, em 21 de setembro, o corte da notação da dívida de curto prazo de três dos mais importantes bancos dos Estados Unidos: Bank of America, Citigroup e Wells Fargo(36).A forte queda dos preços das ações do setor bancário nos Estados Unidos e na Europa é muito parecida com a crise bancária desencadeada pela falência do Lehman Brother's em setembro de 2008.Três anos depois desta data, encontramo-nos novamente em vésperas de uma nova crise bancária e, portanto, financeira em nível internacional, assim o assinala a empresa Pimco, que é a maior em nível internacional na comercialização de títulos(37).NOTAS(1) Disponível em http://247wallst.com/2011/08/23/jp-morganmay-take-over-bank-of-america/.(2) Disponível em http://www.businessinsider.com/bank-ofamericas-stock-collapse-2011-8?op=1.(3) Bank of America, Supplement Information, Second Quarter 2011, disponível em http://phx.corporateir.net/External.File?item=UGFyZW50SUQ9MTAwNDAzfENoaWxkSUQ9LTF8VHlwZT0z&t=1.(4) Ver http://www.federalreserve.gov/newsevents/press/monetary/.(5) Disponível em http://www.bloomberg.com/news/2011-07-21/curse-the-geniuses-who-built-bank-of-america-jonathanweil-1-.html.(6) Disponível em http://www.businessinsider.com/bank-ofamericas-fire-sale-2011-8.(70 Ver http://www.reuters.com/article/2011/08/30/usbankofamerica-ccb-idUSTRE77S2MO20110830.(8) Ver http://www.bloomberg.com/news/2011-09-22/bankof-america-said-to-seek-800-million-in-sale-of-pizza-hutfranchise.html.(9) Ver http://www.marketwatch.com/story/buffetts-bofainvestment-is-the-new-tarp-2011-08-25?dist=countdown.(10) Ver http://www.marketwatch.com/story/sorry-warrenbank-of-america-still-stinks-2011-08-30?link=MW_story_investinginsight.(11) Ver http://www.nytimes.com/2011/08/08/business/aig-tosue-bank-of-america-over-mortgagebonds.html?pagewanted=all.(12) Ver http://www.bloomberg.com/news/2011-09-02/barclays-bank-of-america-are-sued-by-fhfa-overmortgage-backed-securities.html.(13) “Office of the comptroller of the currency, OCC´s Quarterly report on bank trading and derivatives activities first quarter 2011”. Disponível em http://www.occ.treas.gov/topics/capitalmarkets/financial-markets/trading/derivatives/dq111.pdf.(14) Esse hedge fund atuava no comércio quantitativo, utilizando modelos computacionais altamente sofisticados para aproveitar rapidamente as oportunidades nos mercados.(15) Ver http://www.cnbc.com/id/44549144.(16) Ver http://www.eleconomista.es/mercadoscotizaciones/noticias/3379250/09/11/ocaso-de-un-hedgefund-goldman-sachs-echara-el-cierre-global-alpha.html.(17) Ver http://www.reuters.com/article/2011/09/16/usgoldmansachs-hedgefund-idUSTRE78F28Y20110916.(18) Ver http://www.bloomberg.com/news/2011-09-16/goldman-s-global-alpha-reaches-its-omega-moment-theticker.html.(19) Ver http://www.businessweek.com/news/2011-09-18/ubschief-gruebel-dismisses-calls-to-resign-after-trading-loss.html.(20) Ver http://www.elpais.com/articulo/internacional/policia/britanica/acusa/broker/UBS/contabilidad/falsa/delito/fraude/elpepuint/20110916elpepuint_10/Tes.(21) Ver http://www.cnbc.com/id/44533146.(22) Ver http://redordead.wordpress.com/2009/08/15/thevictorian-remixes-the-demise-of-barings-bank-a-lesson-inrisk-management-internal-controls-and-regulations/.(23) Ver http://www.marketwatch.com/story/commerzbankprofit-falls-93-on-greek-impairment-2011-08-10.(24) Ver http://www.bloomberg.com/news/2011-08-19/globalbank-capital-regime-at-risk-as-regulators-spar-over-rules.html.(25) Ibidem.(26) Ver: http://www.ft.com/intl/cms/s/0/b44410e0-6010-11e0-abba-00144feab49a.html#axzz1X3q1aSC2.(27) Disponível em http://www.marketwatch.com/story/fornext-rating-downgrade-sp-may-look-at-france-2011-08-10?dist=afterbell.(28) Disponível em http://www.bloomberg.com/news/2011-08-10/french-aaa-credit-affirmed-by-standard-poor-s-moody-samid-market-rout.html.(29) Disponível em http://www.reuters.com/article/2011/08/24/france-budgetidUSLDE77N04F20110824.(30) Disponível em http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/2-26042011-AP/EN/2-26042011-AP-EN.PDF.(31) Ver http://www.usdebtclock.org/world-debt-clock.html.(32) Ver http://www.theage.com.au/business/worldbusiness/french-banks-downgraded-by-moodys-20110914-1k95o.html.(33) Ver http://www.nytimes.com/2011/09/13/business/ceopromises-cuts-at-bank-ofamerica.html?_r=1&ref=layoffsandjobreductions.(34) Ver http://www.charlotteobserver.com/2011/09/02/2574344/bank-of-america-layoffs-could.html.(35) Ver http://www.bloomberg.com/news/2011-08-23/european-bank-job-bloodbath-surpasses-40-000-as-ubscuts-workforce-by-5-.html.(36) Ver http://www.marketwatch.com/story/moodys-cutscitigroup-to-p-2-affirms-p-1-2011-09-21?link=MW_home_latest_news.(37) Ver http://www.bloomberg.com/news/2011-09-22/elerian-says-world-is-on-eve-of-next-financial-crisis-oversovereign-debt.html.(38) Oscar Ugarteche – economista peruano e pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade Nacional do México (Unam).[39] Leonel Carranco – colaborador do Observatório Econômico da América Latina da Unam.Tradução: Carlos Santos para esquerda.net.* Trecho do artigo “Estamos perante a segunda crise bancária? - Notícias da crise 2011” de Oscar Ugarteche (38) e Leonel Carranco (39), que foi publicado no site do Observatório Económico da América Latina (obela.org).** Publicado originalmente no site Agência Carta Maior.


por Oscar Ugarteche e Leonel Carranco*
600--2010_06_11 Empresas

Relatório integrado – o atual desafio das empresas

Neste segundo semestre, as empresas já começam a se mobilizar para a elaboração de seus relatórios anuais e de sustentabilidade. Tal processo reúne uma série de desafios para atingir o propósito de comunicar o desempenho das empresas nos âmbitos econômico, social e ambiental.Para que as publicações sejam relevantes, objetivas e que falem diretamente aos seus públicos de interesse, elas devem refletir a gestão da empresa de forma clara e “sem rodeios”, ou seja, um bom relatório é uma peça de comunicação que reflete a gestão da organização e seus principais resultados. O contrário aproxima-se do que ficou conhecido como greenwashing.Desde o primeiro balanço social publicado, em 1986, pela fabricante de fertilizantes Nitrofértil, que mais tarde foi adquirida pela Petrobras, o processo de relato passou por diversas mudanças, passando pelos relatórios socioambientais, relatórios de sustentabilidade (seguindo as diretrizes da GRI - Global Reporting Initiative) e, desde então, muito já foi dito e discutido sobre comunicação e gestão em sustentabilidade.No entanto, o maior passo a ser dado sobre essa questão é a integração de relatórios anuais, que contêm informações financeiras/contábeis, às informações do “tripé da sustentabilidade” numa única publicação.Essa evolução para os relatórios integrados, sem dúvida, evidenciará as fraquezas e a falta de objetividade e transparência presentes em algumas publicações que têm como mote apenas a comunicação. Algumas iniciativas como o protocolo de diretrizes para relato da GRI, o G4 e o IIRS (International Integrated Reporting Commitee), contribuirão, nos próximos anos, com publicações metodológicas sobre relatórios integrados, cujo objetivo será facilitar e incentivar essas publicações.Assim, a elaboração de um relatório, integrando de forma literal os aspectos financeiro/contábil, econômico, social e ambiental, vai  ratificar uma gestão em sustentabilidade, tornando essas publicações essenciais para a gestão do negócio, pois dialogarão com os diferentes públicos de uma organização, sejam eles investidores, comunidade, imprensa, funcionários, órgãos governamentais, sociedade civil, entre outros.* Rafael Morales e Rodrigo Spuri são consultores da Unidade de Sustentabilidade da Keyassociados (www.keyassociados.com.br).  


por Rafael Morales e Rodrigo Spuri*
C.K. Prahalad, guru do management. Sustentabilidade

Lembrando Prahalad, sobre inovação e sustentabilidade

[caption id="attachment_29092" align="alignleft" width="200" caption="C.K. Prahalad, guru do management."][/caption]Para abrir este artigo, recorro a C.K. Prahalad, famoso guru do management, falecido em abril de 2010. Em seu último – e hoje célebre – artigo para a Harvard Business Review (setembro de 2009), o autor de A Riqueza na Base da Pirâmide debruçou-se sobre o tema da sustentabilidade nos negócios. E mais especificamente sobre a sua correlação com a inovação. “Os executivos de empresas vivem divididos entre escolher os benefícios sociais do desenvolvimento de produtos e processos sustentáveis e os custos financeiros de fazer isso”, escreveu no texto assinado também por Nidumolu Ram (InnovaStrat) e MR Rangswami (Eco Corporate Forum), destacando a “falsa” visão dicotômica centrada na mentalidade do “ou/ou”, como se não fosse possível ser rentável e sustentável ao mesmo tempo.No brilhante artigo, Prahalad menciona estudo com experiências de 30 grandes empresas nas quais a sustentabilidade tem representado um filão de inovações organizacionais e tecnológicas. “Ao incorporar o respeito ao meio ambiente no negócio, a empresa reduz os insumos e, portanto, os custos. Além disso, um processo ambientalmente mais responsável gera receitas adicionais a partir de produtos melhores, permitindo criar novos negócios. Empresas inteligentes estão tratando a sustentabilidade como uma nova fronteira da inovação”, pontificou, com a lucidez de praxe.Pensador provocativo, o indiano ressaltou o que tem ficado cada dia mais evidente para a maioria das empresas líderes de mercado: a sustentabilidade influenciará o cenário competitivo. Por conta dos imperativos do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais do planeta, mas também em decorrência do maior valor atribuído ao tema pelas sociedades, consumidores, governos e mercados, as corporações estão sendo impelidas a mudar seu modo de pensar e agir em relação a produtos, tecnologias, processos e modelos. “Ao tratar o tema como um objetivo, as companhias que largarem à frente desenvolverão competências e pressionarão seus concorrentes a também fazerem o mesmo. A vantagem competitiva estará no lugar certo. A sustentabilidade será vista, cada vez mais, como elemento de qualquer visão de desenvolvimento”, explicou Prahalad. Sábio ensinamento.Ainda de acordo com o estudo de Prahalad, as companhias enfrentam cinco estágios com desafios específicos e adaptações complexas. O primeiro diz respeito a identificar uma oportunidade clara. O segundo, a tornar as cadeias de valor sustentáveis. O terceiro, projetar produtos e serviços sustentáveis. E, o quarto, conceber novos modelos de negócio. O quinto tem a ver com a difícil tarefa de criar “plataformas de próximas práticas”, uma espécie de ampliação do patamar de aspiração, um paradigma além do óbvio, centrado na capacidade de inovação e de criar o futuro não mais a partir de elementos do passado. “Para criar inovações relacionadas a novas práticas, os gestores devem questionar as suposições implícitas nas atuais. Esse comportamento foi o que nos levou à economia industrial e aos serviços de hoje”, diz.Em reforço à sua opinião, Prahalad lembra que as empresas inventaram carros, aviões e submarinos ao se perguntarem se poderíamos ter transportes sem cavalos, voar como pássaros ou mergulhar como baleias. “Devemos nos fazer perguntas relacionadas com nossos recursos escassos: Podemos desenvolver detergentes sem água? Produzir arroz sem água? As embalagens biodegradáveis podem ajudar a semear árvores?”Com base em sua provocação, arrisco-me a afirmar que muitas empresas – algumas retratadas na matéria especial desta edição de Ideia Sustentável – já estão tentando construir, na prática, respostas para as muitas perguntas sobre novas matrizes energéticas, economia de recursos, substituição de insumos, redução de materiais, eliminação de impactos ao longo da cadeia de valor, conservação do patrimônio da biodiversidade, arranjos produtivos socialmente mais justos e até a revisão de conceitos de gestão ou o questionamento de estratégias como a da obsolescência programada.No entanto, esta não é uma transição rápida nem livre de resistências, porque implica subverter a inércia, pensar “fora da caixa”, enfrentar os riscos e os custos do novo. Impõe romper com as amarras do passado, substituindo o modelo mental baseado na ideia da infinitude dos recursos – bem típica da era industrial – por outro que, aceitando os seus limites, incita o gênio humano a criar o futuro com as informações e os valores do futuro.Abrir mão de um modelo de negócios “consagrado” que conduziu as empresas líderes, ao longo de décadas, com relativo sucesso – vale dizer – exige trabalhar com a dimensão da dúvida e da incerteza. Pressupõe a coragem de desbravar, de sair primeiro, e não no rastro da manada. Ainda que muitas empresas já reconheçam a influência da questão da sustentabilidade na construção de uma nova lógica de prosperidade, compreendendo racionalmente a importância da mudança, nem sempre a realizam com a devida urgência.É justamente aí que emerge a figura do líder. Do líder que acredita profundamente nos valores da sustentabilidade, que compreende a interdependência entre os sistemas produtivo, social e ambiental, com a ousadia para inserir o conceito na estratégia do negócio sob uma ótica de oportunidade, a coragem para capitanear mudanças diante de resistências e em cenários complexos, a capacidade de comunicar o valor, persuadir, envolver, educar e construir sinergias.Se inovar para a sustentabilidade é o caminho, está certo que a inovação pressupõe organizações vivas, flexíveis, menos hierárquicas, menos apegadas ao velho binômio do comando-controle e mais educadoras, facilitadoras do diálogo, tolerantes às diferenças. Experiências recentes com empresas que avançaram na inovação para a sustentabilidade – como Nike, GE e Siemens – mostram que elas aprenderam a escutar, criaram ambiente favorável para as colaborações vindas das bordas – fornecedores, funcionários, comunidades – e tiveram o cuidado de identificar líderes nas diferentes camadas da organização, estimulando novas formas de valorização de ideias e sistemas de premiação. O mapa é conhecido. Agora, resta segui-lo.* Ricardo Voltolini é diretor-presidente da consultoria Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade, autor do livro Conversas com Líderes Sustentáveis e idealizador da Plataforma Liderança Sustentável (www.ideiasustentavel.com.br/lideres).** Publicado originalmente no site Plataforma Liderança Sustentável.


por Ricardo Voltolini*
'Na Europa, nações com problemas como a Grécia e a Irlanda, impuseram cortes selvagens, enquanto nações mais fortes impuseram programas mais suaves de austeridade. Nos Estados Unidos, o modesto estímulo federal de 2009 se extinguiu'. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP Mercado

O sangramento enfraquece o paciente

[caption id="attachment_29095" align="alignleft" width="300" caption=""Na Europa, nações com problemas, como a Grécia e a Irlanda, impuseram cortes selvagens, enquanto nações mais fortes impuseram programas mais suaves de austeridade. Nos Estados Unidos, o modesto estímulo federal de 2009 se extinguiu." Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP"][/caption]Os médicos chegaram a acreditar que pela retirada do sangue dos pacientes poderiam purgar os “humores” diabólicos que, pensavam eles, eram causadores das doenças. Na realidade, é claro, tudo o que o sangramento fazia era tornar o paciente mais fraco e com maior chance de sucumbir.Felizmente, os médicos já não acreditam que sangrar os doentes vai torná-los saudáveis. Infelizmente, muitos dos que fazem a política econômica ainda acreditam. E o sangramento econômico não está apenas inflingindo vastas dores; está começando a solapar nossas perspectivas econômicas de longo prazo.Algumas informações: no último ano e meio, o discurso político, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, tem sido dominado por pedidos de austeridade fiscal. Ao cortar os gastos e reduzir os déficits, nos disseram, as nações poderiam restaurar a confiança e promover o renascimento econômico.E a austeridade tem sido real. Na Europa, nações com problemas como a Grécia e a Irlanda, impuseram cortes selvagens, enquanto nações mais fortes impuseram programas mais suaves de austeridade. Nos Estados Unidos, o modesto estímulo federal de 2009 se extinguiu, enquanto governos estaduais e locais cortaram seus orçamentos, de forma que no conjunto tivemos de fato um movimento em direção à austeridade, não muito diferente do da Europa.O estranho, no entanto, é que a confiança na economia não aumentou. De tal forma que empresas e consumidores parecem muito mais preocupados com a falta de clientes e de empregos, respectivamente, do que se sentem seguros com o rigor fiscal de seus governos. E o crescimento parece que se afoga, enquanto o desemprego permanece desastrosamente alto dos dois lados do Atlântico.Mas, dizem os apologistas dos resultados ruins obtidos até agora, não deveríamos focar no longo prazo em vez do curto prazo? Na verdade, não: a economia precisa de ajuda real agora, não de recompensas hipotéticas dentro de uma década. De qualquer forma, dados começam a emergir sugerindo que os problemas de “curto prazo”  da economia — agora em seu quarto ano e tornados piores pelo foco em austeridade — estão custando também às perspectivas de longo prazo.Considerem, em particular, o que está acontecendo com a base manufatureira dos Estados Unidos. Em tempos normais, a capacidade industrial cresce de 2% a 3% todo ano. Mas, diante de uma economia persistentemente fraca, a indústria tem reduzido, não aumentado, sua capacidade de produção. Agora, de acordo com estimativas do Banco Central (dos Estados Unidos), a capacidade está quase 5% menor do que era em dezembro de 2007.O que isso significa é que, quando a economia real finalmente se recuperar, vai enfrentar falta de capacidade e gargalos de produção muito mais cedo do que deveria. Ou seja, a economia fraca, que é parcialmente resultante dos cortes no orçamento, está causando danos futuros, além dos presentes.Além disso, o declínio na capacidade de produção é apenas a primeira das más notícias. Cortes similares vão provavelmente acontecer no setor de serviços — na verdade, já podem estar em andamento. E com o desemprego de longo prazo em seu ponto mais alto desde a Grande Depressão, existe o risco real de que os desempregados vão ser considerados como não empregáveis.Ah, e o forte dos cortes em gastos públicos está sendo feito na educação. De alguma forma, demitir centenas de milhares de professores não parece ser uma boa forma de garantir o futuro.Na verdade, quando você combina os crescentes indícios de que a austeridade fiscal está reduzindo nossas perspectivas de futuro, com as taxas de juro bem baixas nos papéis da dívida dos Estados Unidos, é difícil evitar uma conclusão surpreendente: a austeridade pode ser contraproducente mesmo do ponto de vista puramente fiscal, já que crescimento menor no futuro significa menor arrecadação.O que deveria estar acontecendo? A resposta é que precisamos de um grande empurrão para fazer a economia se mover, não em uma data futura, mas agora. No presente, precisamos de mais, não de menos gastos governamentais, apoiados por políticas agressivamente expansivas do Banco Central e de suas contrapartes fora dos Estados Unidos. E não são apenas economistas teimosos que estão dizendo isso; empresários como Eric Schmidt, do Google, estão dizendo a mesma coisa, e o mercado de ações, ao comprar dívida dos Estados Unidos a juros tão baixos, está para todos os efeitos pedindo uma política mais expansiva (do Banco Central).Para ser justo, alguns formuladores da política parecem entender isso. O novo plano de emprego do presidente Obama é um passo no caminho certo, enquanto alguns membros do Banco Central americano e do Banco da Inglaterra — mas, infelizmente, não do Banco Central Europeu — têm sugerido políticas muito mais orientadas para o crescimento.No entanto, realmente precisamos é convencer um número substancial de pessoas com poder político e influência de que elas gastaram o último ano e meio seguindo na direção errada, e que elas precisam fazer um giro de 180 graus.Não vai ser fácil. Mas, até que se faça o giro, o sangramento — que está tornando nossa economia mais fraca agora, colocando o futuro, ao mesmo tempo, em risco — vai continuar.Tradução: Luiz Carlos Azenha.* Publicado originalmente no blog Vi o Mundo e retirado do site da revista Carta Capital.


por Paul Krugman, do New York Times
Luiz Gonzaga Belluzzo. Capital

Estratégias nacionais

[caption id="attachment_29223" align="alignleft" width="320" caption="Luiz Gonzaga Belluzzo."][/caption]Nos anos 1990, Paul Krugman vergastou as manifestações antiglobalização. Ironizou os que clamavam contra a concorrência das manufaturas baratas e cada vez mais qualificadas produzidas na China e adjacências. Em meados dos anos 2000, em artigo intitulado The Big Squeeze, Krugman deu marcha à ré.Reconheceu que em outros tempos a economia norte-americana oferecia empregos de boa qualidade, que não tornariam os trabalhadores ricos, mas lhes concederiam rendimento de classe média. Os bons empregos eram proporcionados pela grande empresa manufatureira norte-americana, especialmente pela indústria automotiva.Durante os anos 1990, escreveu Krugman, ainda era possível sustentar que o aperfeiçoamento educacional e o melhor treinamento poderiam restaurar a capacidade de criação de empregos mais bem remunerados na economia norte-americana. Era o argumento da “empregabilidade”. Depois da desinflação da “bolha tecnológica” em 2000, os trabalhadores de colarinho-branco ficaram tão expostos aos programas empresariais de enxugamento, busca de fornecedores externos e transplante de fábricas, ou seja, à concorrência dos operosos e preparados chineses e indianos, quanto estavam os desditosos assalariados de macacão.Como é habitual nos debates econômicos, a maior dificuldade é desvendar o óbvio. Na era da predominância norte-americana, a estrutura do comércio é moldada pela estratégia competitiva da grande corporação internacional empenhada em criar plataformas produtivas nas regiões de menor custo relativo. No caso dos Estados Unidos, as alianças estratégicas e a distribuição espacial da produção ensejaram dois fenômenos gêmeos: 1. A concentração do investimento e da capacidade produtiva “exportadora” nas áreas de menor custo e de maior perspectiva de  expansão; e 2. A fratura entre a economia territorial norte-americana e o projeto “internacionalista” de seu sistema empresarial.O aguçamento da concorrência deflagrou, ademais, uma onda de fusões e aquisições como forma de enfrentar a intensificação da rivalidade. Desde os anos 1980, apoiada na escalada dos preços nos mercados de ações, foi impressionante a intensificação do processo de concentração e centralização do capital, sobretudo nos Estados Unidos. Na aurora do Século 21, a concorrência capitalista mostra a sua verdadeira natureza: a intensificação da rivalidade entre as grandes empresas é estimulada pela expansão do crédito e pela mobilidade do capital financeiro. Sob os auspícios do Estado Nacional norte-americano, capturado pelos poderosos lobbies empresariais e das finanças, as corporações lançam-se com fúria às megafusões e à ocupação das regiões mais “amigáveis” ao desenvolvimento das estratégias competitivas.Há simultaneamente dinamismo e estagnação, avanço vertiginoso das forças produtivas em algumas áreas e setores, combinado com a regressão em outras partes. Até mesmo os estudiosos mais conservadores reconhecem que não vivemos num mundo bem-comportado de vantagens comparativas, mas sim num ambiente global em que prevalecem as economias de escala e de escopo, as externalidades positivas criadas pelas políticas governamentais. São esses os determinantes das estratégias de ocupação e diversificação dos mercados, conglomeração e acordos de cooperação.O propósito da competição monopolista é o de assegurar simultaneamente a diversificação espacial adequada da base produtiva da grande empresa e o “livre” acesso a mercados. Apresentadas como benéficas à liberdade de comércio e à difusão do progresso técnico, as “novas” formas de concorrência escondem, na realidade, o contrário: um aumento brutal da centralização do capital, da concentração da riqueza e do progresso técnico.Na turma dos aspirantes ao Primeiro Mundo, saíram-se bem os que souberam atrelar, de forma ativa e inteligente, os projetos nacionais de desenvolvimento à nova configuração da economia mundial proposta pelas multinacionais. Entre estes, os mais bem-sucedidos foram os que promoveram o crescimento e a internacionalização das suas próprias megaempresas, como o Japão, a Coreia, Taiwan e, agora, a China. Abertos ao investimento estrangeiro, os chineses usaram o seu poder de negociação para exigir dos investidores forâneos o compromisso de se abastecer no mercado doméstico e transferir tecnologia às empresas locais. Isso, além de distribuir incentivos às exportações e administrar a flutuação da taxa de câmbio.Os processos de transformação do capitalismo descritos acima são, em geral, ignorados quando se pretende designar a mudança ocorrida nas últimas décadas, mediante a expressão vazia “globalização”. Seus resultados negativos têm sido assinalados pelos críticos, que costumam acentuar as características mais perversas da concorrência predatória (competition at the bottom): o conflito entre a criação de empregos nas regiões de baixos salários e a destruição de empregos em outras partes, o que configura perspectivas sombrias para os países que entram no jogo com a escalação errada.* Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.** Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.


por Luiz Gonzaga Belluzzo*
1 Reflexão

PIB envenenado

Nem tudo que é PIB presta. Há muita especulação, muito lixo, muito veneno inflando a tal riqueza brasileira.Qual seria realmente o tamanho do PIB mundial, particularmente o brasileiro, se livre do lixo econômico que ajuda inflar seu corpo?As últimas informações nos dizem que o PIB real do mundo é cerca de US$ 60 trilhões, enquanto o especulativo é de US$ 600 trilhões. Portanto, dez vezes mais.Mas não é do lixo inflacionário que falo agora, mas daquele que é literalmente envenenado, o caso brasileiro.O chamado PIB do agronegócio em 2010 foi estimado em R$ 821,1 bilhões. Destes, R$ 88,8 bilhões foram da cadeia de insumos, R$ 217,5 bilhões no campo, R$ 251,4 bilhões na indústria e R$ 263,4 bilhões na distribuição. (http://www.ourofino.com/noticias/mercado/2011/06/14).Entretanto, faz parte desse monumento econômico tudo que se gasta com veneno, aquele consumido basicamente pelos brasileiros numa média de 5,2 litros por pessoa ao ano. Evidentemente, o veneno entra na lista dos insumos.Segundo Raquel Maria Rigoto, desde 2008 o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos, movimentando US$ 6,62 bilhões (http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br).Esse é o tamanho econômico do PIB envenenado. Mas, temos que ressaltar que a venda de aeronaves destinadas à borrifarão, o custo dos pilotos, etc. estão embutidos na dimensão industrial do agronegócio.Portanto, no PIB mundial, se formos descartar o orçamento militar, por exemplo, ele encolherá substancialmente. Se formos descartar a indústria dos venenos, tanto em termos mundiais como em termos brasileiros, ele encolherá também significativamente.Os movimentos sociais da Via Campesina estão promovendo uma campanha permanente contra o uso dos agrotóxicos. É uma campanha pela saúde brasileira.Portanto, nem tudo que é PIB presta. Há muita especulação, muito lixo, muito veneno inflando a tal riqueza brasileira.Enfim, PIB não é sinônimo de qualidade, mas apenas a contabilidade econômica de tudo que se produz, indo das armas aos venenos, passando inclusive pela lavagem do dinheiro do tráfico.* Roberto Malvezzi (Gogó) é assessor da Comissão Pastoral da Terra.** Publicado originalmente no site Brasil de Fato.


por Roberto Malvezzi (Gogó)*
1 Dívida

A dívida é ilegal e imoral

Só no ano de 2010, o orçamento nacional foi consumido em 44,93% (R$ 635 bilhões) para pagamento de juros das dívidas.No Brasil é assim: tudo pode ser adiado, menos o pagamento das dívidas externa e interna. E isso não é conversa de “esquerdista”. É coisa firmada na lei. Quem explica é Maria Lucia Fatorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida. Segundo os estudos feitos pelo movimento que luta por uma auditoria, levantados a partir de informações oficiais, só no ano de 2010, o orçamento nacional foi consumido em 44,93% (R$ 635 bilhões) para pagamento de juros das dívidas. Isto significa que, do bolo todo que o governo tem para gastar, quase a metade já nasce morto. Da outra metade que resta para investimentos, o governo gasta apenas 2,89% com educação e 3,91% com saúde. Por conta disso, mais de 60% dos brasileiros não têm água tratada nem saneamento. Isso na sétima economia do mundo.Diante desses números, Fatorelli mostra como e por que a dívida acaba consumindo o dinheiro que deveria servir para dar uma vida melhor à população. Segundo ela, a Constituição, no Artigo 166, estabelece que um deputado só pode pedir aumento no orçamento se indicar de onde virão os recursos. Mas se o aumento do orçamento incidir sobre o pagamento do serviço da dívida isso não é necessário. “Isto configura claramente um privilégio e foi aprovado. Está lá, na Constituição”. Da mesma forma, a Lei de Diretrizes Orçamentárias define que o orçamento deve ser compatível com o superávit, assim como a famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal obriga os governantes a cortar gastos no social, mas não os dispensa do pagamento da dívida. Ou seja, a dívida sempre em primeiro lugar, pois, se o governante não pagar, vai preso. “Mas ninguém vai preso se as pessoas morrem nas portas dos hospitais, se as crianças não têm escola.”Fatorelli explica que o privilégio para o pagamento da dívida segue no desenho das metas da inflação, diretriz de política monetária proposta pelo Fundo Monetário Nacional, que é seguida à risca pelo governo brasileiro. Isso se expressou, por exemplo, na criação da taxa Selic, à qual boa parte da dívida esteve e está atrelada. Esta taxa sempre é elevada cada vez que há um suposto perigo para os investidores. Isto significa que quem investe nos papéis da dívida nunca vai perder.Conforme Maria Lúcia, o governo trabalha com inverdades no que diz respeito à política monetária. Um exemplo é justamente esse de tornar necessário o aumento da taxa Selic para conter a inflação. “Isto não é verdade. Aumentar a taxa Selic não controla a inflação nos preços existentes, porque eles decorrem da privatização. A luz privatizada, a água privatizada, a saúde, etc. O aumento dessa taxa só serve aos que têm papéis da dívida”. Outra conversa furada é a de que o excesso de moeda provoque inflação. “A montanha de dólares que entra no país só acontece porque o próprio governo isenta as empresas multinacionais de imposto. Não é decorrente da circulação de mercadorias reais. É fruto do movimento virtual de papéis.”A entrada de dinheiro se dá da seguinte forma. Nas operações de mercado aberto (bolsa) que hoje superam meio trilhão de reais, o Banco Central entrega títulos da dívida para os bancos e fica com os dólares. Nessas operações, o Banco Central – que em tese é o Estado brasileiro – só consegue amealhar prejuízos. Em 2009, foram 147 bilhões de prejuízos, em 2010, 50 bilhões, e neste primeiro semestre de 2011 já foram 44 milhões. Por conta disso, Fatorelli insiste em dizer que os gestores do Estado são responsáveis sim por essa política que arrocha cada dia mais a vida do povo. Os bancos lucram e o povo é quem paga a conta.Outra coisa que muito pouca gente sabe – porque a mídia não divulga – é que todo o lucro das empresas estatais é direcionado, por lei, para pagamento da dívida. O mesmo acontece com os recursos que os Estados da federação pagam ao governo central. Toda e qualquer privatização que acontece carrega o valor da venda para pagamento da dívida, assim como os recursos que não são utilizados no orçamento também passam para o bolo do pagamento da dívida.Maria Lúcia Fatorelli afirma que esta é uma estratégia de manutenção de poder e acumulação que não mudou sequer um centímetro com o governo de Lula ou Dilma. Os papéis da dívida rendendo 12% ao mês são o melhor negócio que alguém pode ter. Tanto que em 2010 houve um acréscimo de mais 12 bilionários no Brasil e desse número, oito são banqueiros. A lógica do pagamento da dívida garante risco zero aos investidores, que são os mesmos que financiam as campanhas eleitorais e patrocinam a mídia. Assim, tudo está ligado.No meio dessa farra de dinheiro público indo para bolsos privados, há uma ilusória distribuição da riqueza. O governo acena com pequenos ganhos aos pobres, como é o caso da bolsa família. Vejam que esse programa consome apenas 12 bilhões ao ano, enquanto a dívida leva 635 bilhões. O governo também coloca como um grande avanço o acesso das classes C e D a produtos baratos e o acesso a crédito e financiamento. Mas na verdade, o que promove é o progressivo endividamento dessas pessoas. Por outro lado, o Brasil tem um modelo tributário que é um dos mais injustos e regressivos. “Quem ganha até dois salários mínimos tem uma carga tributária bem maior do que os demais trabalhadores. E os ricos, no geral, são isentos de imposto. Já os empresários são frequentemente presenteados com deduções generosas, inclusive sobre despesas fictícias, que nunca foram feitas, enquanto os trabalhadores não podem deduzir do imposto despesas reais como aluguel, remédios, óculos.”A ilusão de que as contas estão boas também se dá na espalhafatosa decisão de pagar adiantado ao FMI, que trouxe dividendos políticos a Lula, mas acarretou em mais rombos aos cofres públicos, tirando dos gastos sociais para colocar no bolso dos banqueiros. Foi um resgate antecipado de títulos da dívida, feito com ágio de até 70%, para que não houvesse qualquer perda para os investidores.Agora em 2011 o governo de Dilma Roussef iniciou anunciando o corte de 50 bilhões do orçamento, como um “ajuste necessário”. Faltou dizer, necessário para quem? Para os especuladores. Há que pagar a dívida. O Brasil consome um bilhão de reais por dia no pagamento da dívida. Fatorelli procurar dar uma visão concreta do que seria um bilhão. “Imaginem um apartamento, desses bem finos, que custa um milhão de reais. Um bilhão equivaleria a cem edifícios de dez andares, sendo um apartamento por andar. É isso que sai do nosso país todos os dias.” Não é sem razão que, enquanto os trabalhadores são massacrados e não recebem aumento salarial, os bancos tenham auferido um lucro de R$ 70 bilhões no ano passado. É a expressão concreta da regra do mundo capitalista: para que um seja rico, alguém tem de ser escravo.Na verdade o processo da dívida externa, e também da dívida interna, deveria sofrer uma auditoria e é nessa luta que um grupo de pessoas anda já há algum tempo. Maria Lúcia Fatorelli foi membro da comissão que auditou as dívidas do Equador, quando o presidente Rafael Correa decidiu realmente saber como funcionava o rolo compressor e ilegal da dívida daquele país. Segundo ela, no Equador, comprovou-se que mais de 70% da dívida era ilegal, fruto de anos e anos de acordos espúrios e irresponsáveis, muito parecidos com os que foram feitos no Brasil. Correa decidiu não pagar e 95% dos seus credores aceitaram a proposta sem alarde, pois sabiam que se fossem discutir na justiça internacional correriam o risco de ter de devolver muitos bilhões.Hoje, no Brasil, uma auditoria provaria muitas ilegalidades e até crimes de lesa pátria. Como explicar, por exemplo, que se pague 12% ao mês aos investidores enquanto o Banco Central brasileiro aplica suas reservas em bancos estrangeiros, que pagam juros pífios? Como aceitar que o Banco Central acumule prejuízos enquanto enche as burras dos investidores dos papéis podres? Por isso que a tão falada crise não pode ser vista como uma mera crise financeira. Ela é social e ambiental, pois coloca o salvamento dos bancos acima até da vida do planeta.Como funciona o esquema dos papéis podresHá um mito de que no mundo capitalista quem manda no movimento das coisas é o mercado. Ele define tudo, preços, valor, tudo baseado na oferta e procura. Assim, em nome desse mito criou-se a concepção de desregulamentação do mercado. Ou seja, o Estado não pode interferir nesse movimento. Assim, o mercado, que é bem espertinho, sem um equivalente concreto de riqueza decidiu criar os famosos papéis podres, ou ativos tóxicos, ou derivativos. E o que é isso? Bom, para entender há que se fazer um bom exercício de abstração. Imagine que a pessoa compra uma casa e ela vale um milhão. Aí a pessoa define que daqui a um ano ela estará valendo dois milhões, então vai ao mercado de ações e vende dois milhões em papéis. Desses dois milhões, apenas um tem valor real, está ali, consolidado em uma casa real. O outro milhão é fictício. Ele só existe no desejo. Imagine que venha um furacão e danifique a casa. Lá se vai aquele milhão em papel podre, e quem comprou esses papéis perde tudo que investiu. Foi mais ou menos isso que aconteceu na crise imobiliária norte-americana.Agora imagine que os bancos fazem isso todos os dias. Eles jogam ações no mercado e não precisam provar que essas ações têm uma correspondência real. Os derivativos são nada mais nada menos do que apostas. O mercado sabe que é uma aposta, e para não perder ele estabelece um seguro. Assim, se acontecer dos derivativos virarem pó, eles não perdem nada. E quem é que paga para os bancos continuarem quebrando a vida real dos que investem nos papéis podres? Nós. Porque, quando os bancos entram em risco de quebra, como aconteceu lá nos Estados Unidos, o Estado vai e socorre. Para se ter uma ideia, na crise, o banco central norte-americano chegou a repassar US$ 16 trilhões para salvar os bancos da bancarrota. O que mostra que é uma falácia esse negócio de “mercado livre”. O mercado só é livre quando há lucros, quando há prejuízos quem paga a conta é povo.Então, quando aparece na televisão a crise na Grécia, os protestos na Espanha, na Itália, Irlanda, França e mesmo no Brasil, já se pode saber que o que está acontecendo é exatamente isso. Os países estão se endividando para salvar investidores e pagar as dívidas que contraem nessa roda viva de papel podre. Assim, define Fatorelli, a crise no setor financeiro dos países é falsamente transformada em crise da dívida. E os países então colocam sob os ombros do povo o pagamento de suas “apostas” mal feitas ou ilegais.No Brasil, a dívida externa chega a 350 bilhões e a dívida interna aos 2,5 trilhões. A dívida bruta consome 70% do PIB e o governo paga os maiores juros do mundo. É uma festa interminável para os investidores mundiais, sem risco algum. O governo de FHC consumiu, só em juros, R$ 2 trilhões, o governo Lula, R$ 4,7 trilhões. Tudo o que se diz na televisão sobre os problemas que o Estado tem com o orçamento é mentira. Há dinheiro suficiente, mas ele é usado para enriquecer, sem riscos, os investidores. Não bastasse isso, ao longo dos anos, as taxas de juros, que garantem os maiores lucros do mundo, são definidas por “especialistas”. Desse grupo que orienta os juros, 51% são representantes dos bancos e 35% representam o sub-grupo de gestão de ativos. Ou seja, eles atuam em interesse próprio. Só isso já bastaria para se dar início a uma séria investigação sobre o tema da dívida. Porque da forma como tudo acontece, assoma claramente a intenção do prejuízo à nação. Vem daí a proposta de uma auditoria, aos moldes da que fez o Equador. Mas, para isso precisaria haver uma decisão política. Por que será que ela não acontece? É hora de a gente pensar...* Elaine Tavares é jornalista.** Publicado originalmente no site Brasil de Fato.


por Elaine Tavares*

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