O papel do setor privado no caminho para uma economia verde no Brasil

Artigo

O papel do setor privado no caminho para uma economia verde no Brasil


por Ernesto Cavasin, Eloisa Casadei e Heloísa Garcia*, da PwC


Nunca se falou tanto sobre economia verde, valoração de serviços ambientais, tecnologias de baixo carbono e outros temas sobre desenvolvimento sustentável que há poucos anos eram preocupação apenas da agenda de ambientalistas e organizações não governamentais. Hoje somos expostos a inúmeros anúncios e notícias sobre diversas corporações que buscam desenvolver seus negócios de uma maneira diferente, levando em consideração a responsabilidade socioambiental. No entanto, existem muitas mudanças e inovações necessárias para se estabelecer de fato um modelo mais “sustentável” de se fazer negócios no Brasil. Com o aperfeiçoamento dos indicadores e índices socioambientais e com cada vez melhores exemplos no mercado, o ambiente corporativo sofre maiores cobranças e deverá estar preparado para novos e maiores desafios.Um ponto de partida definitivo para a consolidação de práticas de sustentabilidade foi o fato de que o assunto chegou às mesas de conselhos administrativos e aos diretores; os tomadores de decisão devem estar cientes da importância da sustentabilidade para o crescimento adequado da empresa. Esta consciência vem ultrapassando o greenwashing. Dentre as motivações para a mudança de paradigma que podemos notar nas empresas, destacam-se as exigências dos consumidores, as novas regulamentações, a competitividade de mercado, e, principalmente, os benefícios econômicos destas práticas.As ações mais simples, como auditorias ambientais para atendimento à legislação vigente, evitam multas de milhares e até milhões de reais sobre possíveis passivos ambientais e auxiliam a empresa a atender às leis e até a adiantar-se a algumas. Um exemplo importante de regulamentações que vêm influenciando e exigindo a pró-atividade das empresas é a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que determina uma redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas para o ano de 2020. Em consonância, diversos Estados lançaram suas políticas, que, embora ainda não estejam completamente alinhados com a lei federal, possuem influência fundamental pelo seu caráter obrigatório. Uma das respostas positivas às regulamentações vagas e ausência de clareza nas legislações brasileiras sobre o clima, um grupo de grandes empresas brasileiras formou a iniciativa Empresas pelo Clima, que busca maior clareza na legislação brasileira, e apresenta propostas de inovação com relação ao uso de energia, agricultura e transporte.Adicionalmente, muitas empresas já possuem ações importantes para contabilização de suas emissões e realizam inventários de emissões considerando confiáveis padrões, como o GreenhouseGases (GHG) Protocol, mas não sabem qual o real peso dessa informação para sua tomada de decisões. Caracterizar fontes e calcular emissões é o primeiro passo para estabelecer metas e ações para mitigação das emissões, como exigem as políticas, porém muita criatividade e novos conceitos precisam ser inseridos na discussão para atingir reduções significativas em uma produção, muitas vezes, já sustentável. Grandes empresas possuem ações voltadas à área de ecoeficiência e realizam consumo racional de combustíveis, matérias-primas e energia, e contabilizam os ganhos como ativos financeiros, mas não consideram as significantes reduções das emissões de GEE. Essas ações sempre trazem ganhos intimamente ligados ao conceito de sustentabilidade e as empresas quase nunca se dão conta disso.Os investidores também demonstram cada vez maior interesse nas práticas ambientais da corporação, uma vez que a comunicação e a transparência com relação aos ativos e passivos ambientais de uma empresa tendem a diminuir o risco dos negócios, aumentando a transparência das relações. Um exemplo já consolidado no mundo empresarial é o Global Reporting Initiative-GRI, iniciativa que nasceu na Holanda, e hoje já tem aderência das mais importantes multinacionais em diversos países, especialmente no Brasil. O GRI apresenta um conjunto de indicadores relacionados às questões ambientais, sociais, e de governança que buscam monitorar a evolução das companhias nestes quesitos, atendendo às demandas de diferentes stakeholders e shareholders. Indicadores de sustentabilidade também vêm sendo utilizados em combinação com indicadores econômicos, como é o caso do Índice de Sustentabilidade Empresarial e do Índice Carbono Eficiente, da BM&FBovespa.Mesmo com as tendências de mercado favoráveis à valorização da sustentabilidade, no Brasil ainda existem poucas iniciativas de instituições financeiras que demonstrem resultados efetivos para uma economia mais verde. A criação de fundos específicos, como é o caso dos fundos multilaterais do Banco Mundial, ainda não repercutiu uma alavancagem de diferentes projetos que poderiam ser implementados, especialmente em pequenas e médias empresas brasileiras, que precisam ter seus projetos fomentados. Segundo o estudo Financiamentos Públicos e Mudança do Clima, realizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), existem recursos financeiros disponíveis, mas as instituições financeiras ainda não possuem instrumentos para avaliar a aplicação desses valores nos projetos. Há muito questionamento sobre a real necessidade das empresas precisarem de financiamento em projetos ambientais, principalmente por esse tipo de ação ser, na maior parte das vezes, deixada em segundo plano em comparação com investimentos em tecnologia ou pesquisa.O momento para o desenvolvimento de novos modelos de negócios é propício, e as características do Brasil apresentam vantagens competitivas no caminho para uma economia menos agressiva ao meio ambiente. Para isto, é fundamental que ocorra a mobilização do setor privado, seja para exigir um posicionamento mais claro do governo, seja para propor inovações tecnológicas e principalmente, para aumentar os investimentos em novos projetos e tecnologias capazes de atingir resultados melhores e mais eficientes. A pró-atividade e a originalidade devem fazer parte do novo paradigma econômico mundial, e estas são características que o povo brasileiro costuma defender “ter de sobra”.* Ernesto Cavasin, Eloisa Casadei e Heloísa Garcia são especialistas em Sustentabilidade da PwC.** Publicado originalmente no site Plurale.

1 Governo

Reverência com o chapéu alheio

A campanha de parte do empresariado nacional para que o governo reduza a carga de impostos dá a impressão de ser positiva, à primeira vista, porque, supondo que esta redução acarreta uma diminuição do preço dos produtos, ela beneficiaria a sociedade consumidora dos mesmos. Além disso, a demanda por produtos aumentaria, pois estariam sobrando reais no bolso dos consumidores. Por fim, se forem reduzidos também os impostos que são calculados sobre a folha de pagamentos, poderia haver aumento de contratações.Mas, este raciocínio pode não se comprovar. Primeiramente, nada garante que a renúncia de impostos por parte do governo vai resultar em diminuição do preço dos produtos, podendo somente significar um aumento do lucro das empresas. Nesta hipótese, não haverá sobra de dinheiro para o consumidor e não haverá acréscimo da demanda. Também não deverá haver necessidade de contratações adicionais. Mesmo quando a redução de impostos é transferida para o preço dos produtos, eles podem ficar mais competitivos para o mercado externo e continuar caros para o consumidor brasileiro, devido à grandeza das exportações que os transforma em produtos escassos no país.Por outro lado, esse dinheiro, que não pertence aos empresários, mas que eles querem retirar da arrecadação, já tem destinos sociais definidos. Tem sido destinado para manter e ampliar escolas e hospitais públicos, comprar equipamentos para a Anvisa realizar melhor sua missão na saúde pública, pagar salários de servidores públicos, investir a fundo perdido em ciência e tecnologia, realizar saneamento básico, construir casas, aportar capital para o BNDES, reformar estádios para a Copa, ampliar redes de metrô, etc. Se a redução de impostos fosse atrelada à diminuição do pagamento do serviço da dívida, a proposta começaria a ficar atraente. Mas, ainda assim, prefiro a diminuição deste pagamento junto com o crescimento dos gastos sociais.Entretanto, a iniciativa do empresariado de baratear o preço de venda dos produtos não pode ser desestimulada, desde que a parcela retirada do preço de venda seja devido à diminuição do seu lucro ou à melhoria da produtividade e não sejam usados valores que não lhes pertencem. É fácil fazer reverência com o chapéu alheio. Se os impostos vão ser diminuídos, uma medida salutar seria os empresários indicarem os itens do orçamento da União que devem ser cortados para compensar a perda de arrecadação advogada por eles, como fazem nossos congressistas ao apresentarem emendas ao orçamento da União. Em outras palavras, o cobertor não é elástico e, ao se cobrir uma nova área, estão se descobrindo outras. Criando uma analogia mais própria para o caso, a redução dos impostos pregada significa diminuir o tamanho do cobertor, que passa a abrigar menos "usos".Argumentam com frequência que basta conter o roubo e sobrarão recursos para todos os programas. Mas é necessário que roubos específicos sejam apontados para que seja possível reduzir a carga tributária, senão este argumento não é válido. Argumentam também que, em vários países, a parcela de impostos pagos pela sociedade, como uma fração do PIB, é muito menor que a do Brasil. É verdade, mas, em muitos destes países, o salário médio dos trabalhadores é bem superior ao dos brasileiros, significando que, no Brasil, há necessidade de o Estado prover certos serviços que, nos outros países, são pagos pelo trabalhador.Agora, se o empresariado quer, de qualquer forma, reduzir os impostos, vamos começar com aqueles que permitem a manutenção de todo Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senai e Sebrae), sem haver crítica à qualidade dos programas mantidos por esta profusão de "S". Em geral, a população não sabe, mas o Sistema S não é mantido pelos empresários e, sim, por impostos pagos por ela própria. Eles, somente, o gerem. Melhor do que o discurso é uma atitude dada como exemplo.* Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros.** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.


por Paulo Metri*
1 Entrevista

Economia Solidária: alcances e limites

Para Clara Marinho Pereira, a Economia Solidária não é nem nunca foi “um veículo do modo de produção socialista”. Ainda que tenha características solidárias, Clara diz que esta forma de economia “é um movimento que condensa as demandas dos segmentos que pertencem aos estratos mais desestruturados do mercado de trabalho brasileiro”. É por isso que, segundo a pesquisadora, a pauta desse setor é tão diversa, uma vez que “vai da educação ao crédito, das tecnologias sociais à igualdade de gênero”.Em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail, Clara avaliou o panorama atual da Economia Solidária e a construção do Projeto de Lei 865/2011, e falou sobre o lugar da Economia Solidária no atual processo do capitalismo.Clara Marinho Pereira é graduada em Administração pela Universidade Federal da Bahia e é mestre em Desenvolvimento Econômico com concentração em Economia Social e do Trabalho pelo Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). Fez parte da Associação de Fomento à Economia Solidária (BanSOL). Atualmente, é assessora técnica da Rede Integrada de Segurança Alimentar e Nutricional (RedeSan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.Confira a entrevista.IHU On-Line – Quais são as principais determinantes da possibilidade de geração de bem-estar socioeconômico das iniciativas de Economia Solidária?Clara Marinho Pereira – A pesquisa [1] que realizei permite afirmar que há evidências de que a geração de bem-estar das iniciativas solidárias está associada a um maior número de sócios-trabalhadores, a um menor número de mulheres, à organização sob a forma jurídica cooperativa, à dedicação a atividades econômicas rurais, ao acesso a um maior montante de crédito e de realização de investimentos, a um menor número de atividades realizadas coletivamente, a uma maior participação em conselhos de políticas públicas, à integração econômica com outras iniciativas solidárias, e ao desenvolvimento de ações sociais, entre outros aspectos.Como se vê, é um conjunto de características bastante contraditórias, que ora aproxima, ora afasta a Economia Solidária do conceito proposto pela sua principal organização política, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), elaborada em conjunto com a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes).IHU On-Line – A Economia Solidária ainda pode ser considerada como um veículo do modelo de produção socialista?Clara Marinho Pereira – Não considero que a Economia Solidária seja ou já tenha sido um veículo do modo de produção socialista. Aqui e ali, podem-se encontrar iniciativas solidárias capazes de gerar excedentes em quantidade e regularidade tal que impliquem rendimentos que permitam aos seus sócios terem uma existência material digna e mais: que permitam ao seu entorno social captar benefícios das suas atividades econômicas e políticas.Mas essa condição não é generalizável no modo de produção do capital. O que o meu trabalho conduz a afirmar é que, em seu conjunto, a Economia Solidária é dependente de recursos externos e, dadas as suas características organizativas e mobilizatórias, somente o Estado – como instituição que condensa diferentes interesses, agrega e redistribui o excedente social – e frações progressistas da sociedade civil, interessadas em manter as suas características, são capazes de prover sua reprodução.IHU On-Line – Como você analisa esse movimento que pede a criação, por parte do governo, da Secretaria Especial de Economia Solidária? Essa secretaria poderia ajudar de que forma no desenvolvimento da Economia Solidária no Brasil?Clara Marinho Pereira – Há que se notar que o Projeto de Lei 865/2011 [2] pouco observou o trabalho elaborado pelo Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES), que condensa as diversas demandas e perspectivas do movimento. De todo modo, acredito que o reforço de uma política pública de Economia Solidária pode propiciar pelo menos três ganhos.Primeiro, o aumento e o aporte regular de recursos para o programa Economia Solidária em Desenvolvimento, o qual considero diminuto e bastante sujeito às restrições macroeconômicas.Segundo, a ampliação do crédito e de mercados institucionais para os produtos e serviços solidários, especialmente os urbanos. Penso que as iniciativas rurais já têm um caminho bastante promissor, por conta do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), entre outros programas.Por último, o fortalecimento mesmo das iniciativas, cuja maioria carece de incentivos.IHU On-Line – A Economia Solidária pode ser entendida como um movimento político?Clara Marinho Pereira – Sim. A Economia Solidária é um movimento que condensa as demandas dos segmentos que pertencem aos estratos mais desestruturados do mercado de trabalho brasileiro. E é por isso que sua pauta é tão extensa e diversa: ela vai da educação ao crédito, das tecnologias sociais à igualdade de gênero. Isto é bastante positivo na cena política brasileira.Estamos acostumados às pautas dos sindicalizados “politizados”. Mas é preciso considerar suas limitações. Por exemplo, diversas das suas demandas concentram-se em políticas de ativação do mercado de trabalho. É o caso da proposta de provisão de crédito aos setores urbanos. Pouco adianta prover as iniciativas solidárias de instrumentos bastante democráticos e aperfeiçoados em relação às experiências em curso sem casá-las com as necessidades sociais.É preciso vincular as cooperativas têxteis com a provisão de uniforme escolar, a urbanização de favelas com cooperativas de trabalhadores da construção civil, a agricultura periurbana com os planos diretores, etc. Até que ponto isto é intransigentemente pautado pela Economia Solidária? Enfim, é uma pergunta para provocar.IHU On-Line – O surgimento da Economia Solidária no Brasil tem uma forte ligação com os movimentos e o momento político vivido pelo país na década de 1980. E hoje, quando a Economia Solidária surge em uma comunidade? Como você avalia o panorama atual da Economia Solidária no Brasil?Clara Marinho Pereira – Penso que o sucesso econômico e a origem militante de algumas iniciativas – como é o caso do Banco Palmas, da Justa Trama, de algumas oriundas dos Projetos Alternativos Comunitários, etc. – são pontos de partida para a criação de diversas outras experiências. “Se deu certo lá, por que não aqui?”Outro ponto são as políticas públicas: elas têm sido indutoras de processos de organização em comunidades. E mesmo processos patrocinados por organizações multilaterais, como o Banco Mundial, são responsáveis pela criação de organizações que se reconhecem como pertencentes à Economia Solidária. Em suma: ela é um universo de múltiplos sujeitos e objetivos, mais ou menos próximos de ideários de emancipação social construídos no ocidente desde o Século 19.IHU On-Line – Você analisa três teses acerca da Economia Solidária. É diferente o entendimento que se tem sobre a Economia Solidária como um movimento socialista em comparação com a Economia Solidária como um movimento anticapitalista?Clara Marinho Pereira – Sim. A primeira tese, que localizo em Singer [3], vislumbra as iniciativas solidárias como veículos do modo de produção socialista. A segunda tese, que encontro em Gaiger [4], não aponta que a Economia Solidária engendre um novo modo totalizante de organização social, mas concorda com Singer que elas elaboram relações sociais de produção diferentes (atípicas) e contrárias às capitalistas (anticapitalistas). Bem, eu discordo de Singer e em parte, de Gaiger.Para mim, os aspectos democráticos das iniciativas solidárias não são suficientes para mudarem ou se oporem às relações capitalistas de produção, seja porque são produtoras de mais-valia – ainda que não sob a forma típica do assalariamento –, seja porque não deixam de alimentar a reprodução do exército de reserva. Encontro a explicação disso numa terceira tese, aquela de Rosângela Barbosa, que qualifica a Economia Solidária como forma precária de ocupação social. Concordo com diversos elementos da tese desta autora, mas por outro lado, considero que Gaiger desvenda melhor os elementos cotidianos do trabalho solidário. Enfim, lendo minha dissertação se entende melhor o que estou tentando afirmar aqui brevemente.IHU On-Line – Qual o lugar da Economia Solidária hoje dentro de processo capitalismo? Quais seus limites frente a esse processo capitalista da economia atual?Clara Marinho Pereira – Não há “um lugar”, mas lugares. A Economia Solidária está presente nos processos de terceirização da produção capitalista privada e estatal, nos intentos de produção comunitária, na recuperação de empresas. Seus sujeitos estão aí por conta do “excedente estrutural de mão de obra”, tomando emprestado o conceito de Furtado, e por conta da crise capitalista desencadeada nos anos 1970.Seus limites são dados por aqueles determinantes, que mencionei no início da entrevista, e por três condicionantes mais gerais. Primeiro, o mercado, que “cria, destrói e recria” os espaços em que ela pode exercer suas atividades econômicas e seus modos de gestão. Depois, a subdesenvolvida e heterogênea estrutura econômica brasileira, que é assentada em uma grande concentração da propriedade e da renda, possui níveis díspares de produtividade e de remuneração, desemprega um imenso contingente de pessoas e discrimina jovens, mulheres, idosos, negros, rurais, etc. Por fim, a política social, que tem sido historicamente incapaz de reverter esses “estímulos” à pobreza e à desigualdade.Mas limites econômicos não são tão apressadamente limites políticos, de modo que os trabalhadores da Economia Solidária têm espaço para lutar por vigorosos aportes públicos associados a reformas estruturais, com o propósito de conduzir seus partícipes e à sociedade em geral a um horizonte mais justo e democrático.Notas:[1] Na pesquisa intitulada Economia Solidária: Uma Investigação sobre Suas Iniciativas, Clara Marinho Pereira investigou os alcances e limites da Economia Solidária. A orientação da tese foi feita pelos professores da Unicamp, Márcio Pochmann e José Dari Krein.[2] O Projeto de Lei 865/2011 vem para alterar a Lei 10.683/2003, que dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, cria cargo de Ministro de Estado e cargos em comissão, e dá outras providências, como a transferência da responsabilidade das atribuições da Economia Solidária. Pela proposição, esta Secretaria terá status de Ministério e será responsável pela formulação de políticas de cooperativismo, associativismo, microempreendedorismo e microcrédito, além de dirigir o Conselho Nacional de Economia Solidária.[3] O economista Paul Singer nasceu na Áustria, mas vive no Brasil desde 1940. Em 1980, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Trabalhando atualmente com o tema da Economia Solidária, Singer ajudou a criar a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP, em 1998, quando foi convidado pela Cecae para assumir o cargo de coordenador acadêmico da Incubadora. A partir de junho de 2003, o professor passou a ser o titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), que implementou, a partir de junho de 2003, no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego.[4] Luiz Inácio Gaiger é doutor em Sociologia da Religião e dos Movimentos Sociais pela Université Catholique de Louvain e foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unisinos, onde é professor atualmente.* Publicado originalmente no site IHU On-Line.


por Redação IHU
1 Desenvolvimento

Que desenvolvimento queremos?

No Nordeste, as referências de desenvolvimento apontam para o Sul, Sudeste. Somos induzidos a pensar que o desenvolvimento está ligado a eventos como a chegada de novas empresas que vêm aqui se instalar, a vinda de capitais de fora que para cá se dirigem, atraídos por diversos fatores (recursos naturais, posição geográfica, oferta de mão de obra barata, incentivos fiscais, frouxidão na aplicação da legislação ambiental) ou ainda pela realização de grandes investimentos públicos em obras ou instalações.Atualmente, o termo desenvolvimento é usado como um sinônimo para crescimento. Mas afinal o que é crescimento? O que é desenvolvimento?Crescimento e desenvolvimento não são a mesma coisa. Crescer significa “aumentar naturalmente em tamanho pela adição de material por meio de assimilação ou acréscimo”. Desenvolver-se significa “expandir ou realizar os potenciais, trazer gradualmente a um estado mais completo, maior ou melhor”. Quando algo cresce fica maior. Quando algo se desenvolve torna-se diferente.O objetivo prioritário da economia dominante é o crescimento econômico, cujo critério de avaliação da medida do crescimento de um país é o PIB (Produto Interno Bruto). Quanto mais produzir, quanto mais vender, melhor é o país, melhor está sua economia. Crescimento tornou-se sinônimo de  aumento da riqueza. Dizem que precisamos ter crescimento para sermos ricos o bastante para diminuir a pobreza.Mas o crescimento não é suficiente. Nos Estados Unidos há evidência de que o crescimento atual os torna mais pobres, aumentando os custos mais rapidamente do que aumentando os benefícios.Não devemos nos iludir na crença de que o crescimento é ainda possível se apenas o rotularmos de “sustentável” ou o colorirmos de “verde”. Apenas retardaremos a transição inevitável e a tornaremos mais dolorosa. Crescimento, para que constitua base de um desenvolvimento sustentável, tem de ser socialmente regulado, com o controle da população e com a redistribuição da riqueza.Já o conceito de desenvolvimento sustentável propõe uma maior igualdade com justiça social e econômica, e com preservação ambiental. Espera-se que a progressiva busca da igualdade force a ruptura do atual padrão de consumo e produção capitalista, visto que a perpetuação deste modelo contemporâneo não é sustentável. Pois, se caso o padrão de consumo dos países ricos fosse difundido para toda a humanidade, seria materialmente insustentável e impossível. Este padrão de consumo para existir, alcançado e propagandeado pela economia capitalista contemporânea, requer a exclusão e a profunda desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.O progresso desejado não é fazer obras em detrimento de comunidades e ecossistemas. Há que mudar o paradigma do lucro para a qualidade de vida da população. Enquanto isso não ocorrer, nossas cidades continuarão a serem entupidas de carros, pois a indústria automotora paga substancial tributo ao governo, sem que seja oferecido à população transporte coletivo de qualidade.Pernambuco é um exemplo de que estamos caminhando na contramão de oferecer melhor qualidade de vida ao seu povo. A opção adotada pelo atual governo, o chamado “crescimento predatório”, utiliza argumentos do século passado de que o “novo ciclo de desenvolvimento (?)” é a “redenção econômica do Estado (?)” exigindo assim “sacrifício ambiental”.A mais nova investida contra a natureza é a implantação do Estaleiro Construcap S.A. Para a implantação desta planta naval, que vai ocupar 40 hectares, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) concedeu a licença de instalação autorizando a supressão de 28 hectares de mangue (berçário natural de centenas de espécies) na Ilha de Tatuoca.  Sendo que as atividades típicas desse tipo de empreendimento poluem em todas suas formas, e a mão de obra necessária não é na sua grande maioria, oriunda da comunidade e seu entorno, com vêm falando os interessados e o governador.Em meio a posições conservadoras e atrasadas frente os desafios atuais, os atuais dirigentes e gestores públicos do Estado, buscam justificar o crescimento a qualquer custo, se utilizando do oportunismo político e uma má-fé inquestionável. O discurso do desenvolvimento econômico nada mais é do que a negação dos direitos fundamentais da pessoa, do meio ambiente e da natureza. Contra esta visão devemos sim estar alertas, principalmente para aqueles que se autodenominam de “novo”, e que dizem que estão trilhando “novos caminhos”. Na verdade são meros representantes do antigo, do arcaico, do conservadorismo, e, ao mesmo tempo em que desrespeitam a natureza e o meio ambiente, desmerecem a própria vida.Logo, a estratégia escolhida ao buscarmos o desenvolvimento mais humano, precisa responder às necessidades sociais de alimentação, habitação, vestuário, trabalho, saúde, educação, transporte, cultura, lazer, segurança. Não basta fazer coleta seletiva de lixo, evitar o desperdício de água, substituir os carros a gasolina por carros elétricos. Na verdade, o que é preciso mudar, para interromper a destruição, é o tipo de desenvolvimento. Também o que não se pode perder de vista são os limites da natureza e a nossa responsabilidade em preservá-la para as gerações futuras.* Heitor Scalambrini Costa é professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP), com mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica (CEA), França.  E-mail: hscosta@ufpe.br.


por Heitor Scalambrini Costa*
1 Mercado de Carbono

Nova certificação busca garantir competência de profissionais do mercado de carbono

Uma pesquisa do Instituto de Manejo de Gases do Efeito Estufa (GHGMI em inglês) revelou recentemente que mais da metade dos profissionais do setor de mercado de carbono considera seus colegas incompetentes, e que cerca de 80% dos empregadores da área dão preferência à contratação de pessoas com algum tipo de formação certificada.Seguindo essa tendência de profissionalização, o GHGMI e a ECO Canada criaram um programa de certificação para os profissionais que lidam com o manejo dos gases do efeito estufa (GEEs).“Para adotar o tipo de políticas necessárias para combater o problema das mudanças climáticas, a profissionalização deve ser iniciada rapidamente, globalmente e em todos os níveis”, disse Michael Gillenwater, diretor executivo do GHGMI.“A mensuração, o reporte e a verificação de GEEs sustentam todos os esforços internacionais de combater as mudanças climáticas. É nossa visão garantir que haja um suprimento adequado de profissionais certificados para atingir as crescentes necessidades de políticas e programas climáticos de mensuração e manejo global de GEEs”, declarou Grant Trump, presidente da ECO Canada.O padrão profissional, intitulado Certificação Profissional Ambiental para GEEs (EPGHG em inglês), é oferecido tanto para profissionais já experientes do setor, e que têm alguma formação relacionada com esse mercado, quanto para os que tenham menos experiência e mostrem interesse por carreiras "sustentáveis".  Segundo as entidades, o padrão será o primeiro certificado mundial para profissionais do mercado de carbono garantido pelo selo ISO (International Organization for Standardization).Para Tim Stumhofer, da GHGMI, o certificado pode ser comparado a um Exame de Ordem, só que para profissionais do mercado de carbono. “É a ideia de normas profissionais desenvolvidas em nível comunitário, com autopoliciamento e boas práticas, que a certificação profissional gera”, afirmou.“O EPGHG dará certeza à comunidade global de que a quantificação e verificação dos GEES podem ser empreendidas com os maiores padrões profissionais possíveis”, acrescentou Trump.* Com informações GreenBiz, Business Green e Sustainable Business.** Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.


por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
1 Empresas

Por que não sustentável e lucrativo?

Sempre perguntei a pessoas próximas, afinadas com o tema, se não seria possível falar na adoção de critérios de sustentabilidade com argumentos puramente comerciais.  Significaria usar a linguagem do lucro, dos ganhos financeiros, com os quais todos – sejam eles comerciantes, produtores ou empresários – se entendem muito bem e, invariavelmente, buscam nos seus negócios.Todos nós sabemos, ou deveríamos saber, que o desenvolvimento sustentável é o único caminho possível diante do vertiginoso e crescente esgotamento dos recursos do planeta. Nesse sentido, já não são poucas as empresas que adotaram critérios de sustentabilidade em suas atividades. Muitas representam, inclusive, fortes exemplos reconhecidos pelo mercado. Parte desse reconhecimento acaba por se registrar na valorização de suas ações em índices como o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da Bovespa) e o Dow Jones Sustainability (da principal bolsa norte-americana), cujo desempenho das empresas ali presentes é superior ao das integrantes do pregão normal.Ouvimos quase todos os dias que determinada empresa tem feito esforços para reduzir o seu consumo de água, energia e insumos. Outras investem no uso de energia limpa, trocam embalagens, aderem as práticas do comércio justo, apoiam o trabalho de comunidades, aplicam a logística reversa e o tratamento de resíduos, etc, etc, etc. São muitas e fundamentais iniciativas. Mas, normalmente quando vem a público, o comunicado dessas empresas, vem acompanhado de números que dão conta do enorme benefício que as medidas adotadas passaram a representar para a sociedade e para o meio ambiente e não para os negócios. Nas entrelinhas fica a mensagem de altruísmo empresarial desconectado de um benefício comercial direto.Ora bolas, isso contraria até mesmo a lógica do mercado. A realidade nos mostra que  empresários querem bons resultados para os seus negócios em primeiro lugar. Mas quando a questão é falar de ações para a sustentabilidade parece que a visão hegemônica parte do princípio que são coisas diferentes. Qual o problema de ser bom para todos, inclusive para a própria empresa?Para o processo de disseminação do conceito de sustentabilidade, tal postura significa um grande obstáculo. Muitas organizações empresariais poderão raciocinar que, antes de partir para as “boas ações” sustentáveis, é preciso resolver outros problemas “mais importantes”.Uma visão errada e distorcida da realidade. Sustentabilidade deve ser entendida como algo muito positivo e, principalmente, para o futuro da atividade empresarial.Ao se alterar processos de produção e, por exemplo, conseguir uma relevante economia de água, o melhor seria dizer o seguinte: economizamos X de água, portanto, nossa conta todo mês será de menos Y e por aí vai. Graças à certificação ambiental tal, melhoramos nossos processos, ganhamos mercado e nosso faturamento aumentou tantos por cento. Uma conta matemática simples de compreender, fácil de transmitir para um pequeno, médio ou grande empresário e muito útil para a causa da sustentabilidade. Uma boa ação para o planeta, para as pessoas e também para os negócios. Por que não?Daterra: exemplo de bom negócio em todos os quesitosNa semana passada visitei a fazenda Daterra, em Patrocínio, Minas Gerais, a segunda maior produtora de café do Brasil e o que vi e ouvi foi exatamente a conjunção de fatores que faz brilhar os olhos de qualquer empresário: qualidade, sustentabilidade e lucratividade.“Se não for sustentável no lucro, consequentemente não será sustentável também para o planeta e o meio ambiente. A palavra sustentável prevê o conceito do tripple bottom line, os três lucros que são o ambiental, o social e o econômico. Portanto, nada que não dê lucro é sustentável”. Palavras do proprietário da fazenda, Luis Norberto Paschoal.Ele ainda vai mais além na análise tendo como base a sua atividade, “O plantio do café demora sete ou oito anos para dar lucro. Nas empresas não é igual? Não é possível implantar a sustentabilidade e ganhar imediatamente. Mas depois de um período de investimento, os resultados aparecem”.Em resumo, hoje, ser sustentável é sim um fator de lucro para a Daterra! E, ao conjugar lucratividade e sustentabilidade, Paschoal serve de exemplo para qualquer empresário. Em 2003, a Daterra foi a primeira fazenda de café a receber o certificado da Rainforest Alliance, que observa uma série de rigorosos critérios sociais e ambientais, mas sem descuidar da viabilidade do negócio.  Mais tarde, outras certificações vieram e com elas novos clientes fiéis, exigentes e dispostos a pagar um pouco mais. Hoje o café Daterra é um produto com grande valor agregado, vendas consolidadas para o exterior e um futuro cada vez mais promissor.Das resistências iniciais a exemplo de competência, os proprietários vizinhos da Daterra começaram a reconhecer os resultados do concorrente, muito superiores aos deles, e também passaram a se adequar à nova realidade e buscar certificações que lhes trouxessem ganhos associados ao aumento da qualidade e uma produção mais sustentável.Mauricio Voivodic, secretário-executivo do Imaflora, o parceiro brasileiro da Rainforest Alliance na certificação da Daterra, explica que o fenômeno não se restringe aos produtores de café de Minas Gerais. “As empresas que estão investindo em sustentabilidade são as que estão tendo ganhos de produtividade, de qualidade e aumentando sua parcela no mercado. Porque sustentabilidade trata também de relacionamentos mais duradouros, numa boa relação com seus fornecedores, clientes e trabalhadores. Tudo isso acaba por resultar em benefício econômico. É fundamental enxergar isso, principalmente nas séries históricas de longo prazo.”As mudanças no campo e o Código FlorestalMudar nem sempre é muito fácil e requer avaliar as questões culturais e comportamentais. Exemplos de negócios sustentáveis e lucrativos causam um efeito fantástico nos mercados em que estão inseridos. Mas não podemos também deixar de constatar que parte dessas mudanças virão, mais dia menos dia, por um outro caminho que não requer muita discussão ou debate: a sobrevivência.Para a presidente da Rainforest Alliance, Tensie Whelan, é preciso levar em conta os fortes sinais de mudanças que vêm do campo. “Nos últimos três a cinco anos, os agricultores tiveram muitos problemas com os recursos naturais. Falta de água, esgotamento do solo e aumento da contaminação e perceberam que é preciso investir em sustentabilidade para garantir a própria sobrevivência ”, afirma Whelan.Sinais tão claros e óbvios que deveriam repercutir mais facilmente nas discussões do Código Florestal. Para Luis Paschoal, o proprietário da fazenda Daterra, caso o novo projeto do Código Florestal seja aprovado, “será um desastre para o Brasil”. Ele explica, “não sou xiita, mas conversei com pessoas do setor. Nós aqui no Daterra, somos três vezes mais duros do que o Código atual. Essa votação absolutamente ignorante,vai comprometer o futuro do Brasil”.A convicção de Paschoal em relação ao Código ainda não ecoa com a mesma força que o exemplo de desenvolvimento sustentável da Daterra. Francisco Sergio de Assis, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado e vizinho da Daterra, apoia com entusiasmo o projeto do Código Florestal aprovado até aqui pela Câmara dos Deputados.Razões à parte, o caminho para o desenvolvimento sustentável, ainda está repleto de obstáculos e espinhos. Os argumentos, além dos problemas ambientais cada vez mais graves e persistentes, ainda não parecem ser suficientes para fazer com que as obviedades sejam enxergadas como tal. Até lá, resta-nos permanecer firmes no debate e mostrar aos empresários que ser sustentável, antes de ser bondade é questão de inteligência. Porque quando a sobrevivência restar como principal enfoque, muitas coisas boas já estarão irremediavelmente perdidas.* Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital e colaborador da Envolverde.** Artigo publicado originalmente na coluna do autor, Cidadania & Sustentabilidade, no site da revista Carta Capital.Blog: cantodasustentabilidade.blogspot.com Linkedin: Reinaldo Canto Facebook: Reinaldo Canto MSN: rreicanto@hotmail.com Skype: reinaldo.canto Twitter: @ReinaldoCanto


por Reinaldo Canto*
1 Energia

Parceria entre setores público e privado pode levar energia limpa aos mais pobres

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, no dia 2, um debate sobre a economia verde. Na ocasião foi lançado um relatório pela ONU Energia – órgão que abrange as agências da ONU que trabalham para o desenvolvimento sustentável – em conjunto com parceiros dos setores energético e empresarial. O documento estima que 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo podem se beneficiar de energias limpa e renováveis por meio de parcerias entre governos e o setor privado.“Quando o desenvolvimento sustentável é o destino, a economia verde é o caminho”, disse o presidente da Assembleia Geral, Joseph Deiss, que convocou o debate para aumentar o entendimento sobre a economia verde e sobre o que a comunidade internacional, os Estados-membros e as comunidades locais podem realizar numa transição. O conceito de economia verde será um dos temas centrais da Quarta Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a ser realizada no Rio de Janeiro, em junho de 2012.O relatório sugere a adoção de algumas medidas como financiamento para pesquisas, desenvolvimento e emprego de tecnologias de energia limpa, e medidas para ampliar os benefícios das novas eletrificações para as comunidades. Além disso, o documento ressalta a importância de medidas para melhorar as capacidades do setor privado em oferecer capital por meio de formas alternativas de financiamento para projetos de eletricidade e para elaborar, construir, operá-las e mantê-las.O diretor da Divisão de Desenvolvimento Sustentável do Departamento da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais (Desa) disse que o acesso à energia não está apenas no centro do crescimento econômico, mas é chave para o desenvolvimento humano. “Se não há energia, não é possível levar água potável à população. Se não há água potável não é possível salvar crianças da morte. A mortalidade infantil é, em parte, relacionada à falta de serviços energéticos”, completou.* Publicado originalmente pela ONU Brasil e retirado do site Mercado Ético.


por Redação ONU Brasil
Strauss-Kahn. Artigo

Strauss-Kahn: uma metáfora das práticas do FMI

[caption id="attachment_15460" align="alignright" width="253" caption="Strauss-Kahn."][/caption]O leitor ou leitora pensará que foi uma tragédia o fato de o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Strauss-Kahn, ter dado asas ao seu vício, a obsessiva busca por sexo perverso, nu, correndo atrás de uma camareira negra na suíte 2806 do hotel Sofitel em Nova York, até agarrá-la e forçá-la a praticar sexo, com detalhes descritos pela Promotoria de Nova York e que, por decência, me dispenso de dizer. Para ele não era uma tragédia. Era uma vítima a mais, entre outras, que fez pelo mundo afora. Vestiu-se e foi direto para o aeroporto. O cômico foi que, imbecil, esqueceu o celular na suíte e assim pôde ser preso pela polícia ainda dentro do avião.A tragédia ocorreu não com ele, mas com a vítima que ninguém se interessa em saber. Seu nome é Nifissatou Diallo, da Guiné, africana, muçulmana, viúva e mãe de uma filha de 15 anos. A polícia encontrou-a escondida atrás de um armário, chorando e vomitando, traumatizada pela violência que sofreu por parte do hóspede da suíte, cujo nome sequer sabia. A maior parte da imprensa francesa, com cinismo e indisfarçável machismo, procurou esconder o fato, alegando até uma possível armadilha contra o futuro candidato socialista à Presidência da República. O ex-ministro da Cultura e Educação, Jacques Lang, de quem se poderia esperar algum esprit de finesse, com desprezo, afirmou: "Afinal não morreu ninguém”. Que deixe uma mulher psicologicamente destruída pela brutalidade de Mr. Strauss-Kahn não conta muito. Finalmente, para essa gente, se trata apenas de uma mulher e africana. Mulher conta alguma coisa para este tipo de mentalidade atrasada, senão para ser mero "objeto de cama e mesa”?Para sermos justos, temos que ver este fato a partir do olhar da vítima. Aí dimensionamos seu sofrimento e a humilhação de tantas mulheres no mundo que são sequestradas, violadas e vendidas como escravas do sexo. Só uma sociedade que perdeu todo o sentido de dignidade, e se brutalizou pela predominância de uma concepção materialista de vida que faz tudo ser objeto e mercadoria, pode possibilitar tal prática. Hoje, tudo virou mercadoria e ocasião de ganho desde o bens comuns da humanidade, privatizados (commons como água, solos, sementes), até órgãos humanos, crianças e mulheres prostituídas. Se Marx visse essa situação ficaria seguramente escandalizado, pois para ele o capital vive da exploração da força de trabalho, mas não da venda de vidas. No entanto, já em 1847, na Miséria da Filosofia, intuía: "Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia alienar-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas jamais trocadas, dadas, mas jamais vendidas: adquiridas mas jamais compradas como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência, em que tudo passou para o comércio. Reina o tempo da corrupção geral e da venalidade universal... em que tudo é levado ao mercado”.Strauss-Kahn é uma metáfora do atual sistema neoliberal. Suga o sangue dos países em crise como a Islândia, a Irlanda, a Grécia, Portugal e agora a Espanha, como fizera antes com o Brasil e os países da América Latina e da Ásia. Para salvar os bancos e obrigar a saldar as dívidas, arrasam a sociedade, desempregam, privatizam bens públicos, diminuem salários, aumentam os anos para as aposentadorias, fazem trabalhar mais horas. Só por causa do capital. O articulador destas políticas mundiais, entre outros, é o FMI, do qual Strauss-Kahn era a figura central.O que ele fez com Nafissatou Diallo é uma metáfora daquilo que estava fazendo com os países em dificuldades financeiras. Mereceria cadeia não só pela violência sexual contra a camareira, mas muito mais pelo estupro econômico do povo, que ele articulava a partir do FMI. Estamos desolados.* Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.** Publicado originalmente no site Adital.


por Leonardo Boff*
1 Brasil

Consumo desacelera com Dilma mas investimento triplica e puxa PIB

Consumo dos brasileiros avança sem parar há noventa meses, mas desacelerou de janeiro a março, por força de medidas do governo. Taxa de investimentos empresariais triplica frente ao último trimestre e puxa crescimento econômico de 1,3%, o terceiro maior do mundo até agora, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).BRASÍLIA – O consumo dos brasileiros avança sem parar há noventa meses, mas desacelerou de janeiro a março, graças a medidas do governo contra a inflação. Enquanto isso, a taxa de investimento dos empresários triplicava na passagem do último trimestre de 2010 para o primeiro de 2011 e puxava uma expansão econômica de 1,3%. Já na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o Brasil cresceu 4,2%. A última previsão feita pelo governo, em relatório enviado ao Congresso em maio, é de alta de 4,5% para o PIB neste ano.O aumento de 1,3% no Produto Interno Bruto, divulgado no dia 3 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), garante medalha de bronze ao Brasil numa disputa com 14 países ou regiões cujos PIBs de 2011 já são conhecidos. Desta lista fazem parte Alemanha (líder com 1,5%), Coreia do Sul (vice, com 1,4%), Estados Unidos (0,4%), União Europeia (0,8%) e Japão (na lanterna com -0,9%), entre outros.A lista mostra também, contudo, que o Brasil tem a pior renda per capita do grupo, com US$ 10,9 mil. A segunda mais baixa é a do México (US$ 13,8 mil). A maior é dos Estados Unidos (US$ 47,4 mil).Segundo os dados do IBGE, os investimentos aumentaram 1,2% no primeiro trimestre, o triplo da taxa do último trimestre de 2010, e foram o “destaque” do PIB, quando se faz uma análise a partir da demanda. Já o ritmo de consumo das pessoas comuns, apesar de ter subido de novo (0,6%), variou menos do que nos três trimestres anteriores.A inversão no peso que investimento e consumo têm no resultado do PIB era desejada pelo governo Dilma Rousseff, especialmente diante do desafio de controlar as recentes pressões inflacionárias, conforme o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse várias vezes nos últimos meses. Na visão do governo, a preservação dos investimentos é uma forma de impedir inflação futura provocada por excesso de demanda.Apesar do crescimento dos investimentos, a proporção deles no PIB continua na casa dos 18%, de acordo com o IBGE.Quando se compara o primeiro trimestre deste ano com o primeiro de 2010, o aumento da taxa de investimento também se destaca. Expandiu-se 8,8%, enquanto o consumo das famílias subiu 5,9%. Há trinta trimestres seguidos que o consumo sobe sem parar. O resultado geral do PIB nesta comparação (trimestres iguais de 2010 e 2011) mostra crescimento de 4,2%.Neste caso, o IBGE comparou o desempenho brasileiro com os demais Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul). O país só ganha da Rússia. A China foi a que mais cresceu (9,7%), seguida da Índia (7,8%) e da África do Sul (4,8%). Mas em termos de renda per capita, o Brasil é o segundo do grupo, atrás só da Rússia.* Publicado originalmente no site Agência Carta Maior.


por André Barrocal*
1 Governo

Credibilidade

A situação econômica e social do mundo é preocupante. A recuperação dos Estados Unidos continua lenta e incerta. E, pior, ela se faz sem um aumento do nível de emprego. O FED (banco central americano) tenta sustentar o crescimento entre 2,5% e 3% para 2011, sob a ameaça das consequências indesejadas no longo prazo de suas políticas de curto prazo, mas a ação do Executivo está paralisada no Congresso pela eleição de 2012.Como disse Herbert Stein (presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente dos Estados Unidos, de 1972 a 1974), "os economistas não sabem muita coisa sobre como funciona o sistema econômico, mas os outros – particularmente os políticos responsáveis pela política econômica – sabem muito menos!".A situação da Europa (e do euro) talvez seja ainda mais complicada do que a dos Estados Unidos, apesar do crescimento da Alemanha. É pouco provável que a dívida pública acumulada por alguns dos seus membros (particularmente a Grécia) possa ser resolvida sem uma renegociação adequada acompanhada por formidável e pouco provável aumento da produtividade.Todos os emergentes (inclusive a China e a Índia) sofrem a ameaça de processos inflacionários. Estão tentando reduzir (com cuidado) o ritmo de seu crescimento, o que implicará uma redução do volume da demanda mundial de importação. Os preços, entretanto, dependerão da política monetária dos Estados Unidos e da consequente variação do valor do dólar.Esta comanda a ação dos hedges funds que determinam, mais do que a relação entre a oferta e a demanda físicas das commodities, os seus preços. O caso mais conspícuo é a cotação do petróleo.Sem meias palavras: o vento a favor que soprou até 2008 transformou-se numa calmaria que pode prenunciar grave tempestade. É tempo, portanto, de colocarmos nossas barbas de molho.A atual política econômica e social tem nos servido muito bem nessa travessia. Nunca como agora, porém, foi tão necessário tranquilizar a sociedade, acelerando a implementação de medidas macro e microeconômicas coordenadas que produzam um aumento persistente da produtividade da mão de obra e também contribuam na redução das pressões inflacionárias.Isto exige a máxima credibilidade do governo. O affaire Palocci, por exemplo, insere-se nesse contexto. É fundamental que o ministro esclareça o assunto com presteza para que não seja julgado apenas por sinais exteriores. Nem o valor dos contratos, nem as cláusulas de confidencialidade, nem mesmo a taxa de "sucesso" configuram, a priori, comportamento condenável.É evidente que só a transparência urgente e absoluta pavimentará a recuperação da sua credibilidade.* Delfim Netto é economista e escreve às quartas-feiras no jornal Folha de S. Paulo.** Publicado originalmente no site EcoD.


por Delfim Netto*
1 Empresas

A hora e vez das micro e pequenas empresas

Com uma carga tributária de dar inveja a governos socialistas, uma burocracia capaz de tirar do sério monges tibetanos e taxas de juros que assustariam até o Mike Tyson, o Brasil tem um longo histórico de repressão aos empreendedores.Não que nós brasileiros tenhamos algum defeito de fabricação que nos impeça de empreender. Pelo contrário. O jeitinho brasileiro nada mais é do que uma mutação de empreendedorismo que não teve como aflorar.Com a legislação e a economia jogando contra, só um louco para abrir uma empresa no Brasil. Ainda na primeira metade desta década, quando o mar econômico já estava bem menos revolto que no período hiperinflacionário, metade das empresas montadas no país morria antes de completar seu segundo ano de vida.Enquanto isso, nos Estados Unidos, quem quisesse montar uma empresa encontrava legislação favorável, crédito farto e uma cultura que, ao contrário da brasileira, valoriza as tentativas, mesmo as mal sucedidas. Não por acaso, os Estados Unidos se tornaram a meca do empreendedorismo.Gradualmente, tudo começou a mudar. Na virada do milênio, estourou a bolha da Nasdaq, destruindo o sonho de milhares de empresas que queriam se tornar a próxima Microsoft. Com elas foram embora milhares de chineses e indianos, que chegaram a ser 40% dos funcionários das empresas pontocom do Vale do Silício, na Califórnia. Sem empregos e oportunidades, eles fizeram as malas e foram empreender em seus países.Em 2008, a explosão da bolha imobiliária e a consequente crise financeira complicaram mais a vida dos que tentavam montar um negócio nos Estados Unidos. De lá para cá, estima-se que a mortalidade das empresas americanas em seu primeiro ano de vida, tradicionalmente próxima a 15%, dobrou.Enquanto isso, nosso manco capitalismo tupiniquim começou a funcionar aos trancos e barrancos, alimentado pela fome asiática por nossas matérias-primas e, nos últimos anos, depois que os bancos centrais dos países ricos inundaram o mundo de dinheiro, por uma ampla disponibilidade de capitais.Com maior penetração nos principais focos recentes de crescimento brasileiro, nossas micro e pequenas empresas (MPEs) começaram a florescer. Nos últimos 12 meses, quase 80% dos 2,5 milhões de empregos criados no Brasil vieram delas. São principalmente elas que atendem os 55 milhões de brasileiros que emergiram das classes D e E nos últimos cinco anos. MPEs têm maior presença no interior, que, na carona do agronegócio, vem crescendo mais do que as capitais.As MPEs concentram-se nos setores de varejo e serviços, que têm liderado nosso crescimento.Até o crédito, antes desconhecido pelas MPEs, começou a dar as caras.Como consequência, a mortalidade de nossas empresas nos seus dois primeiros anos despencou para 22% e é hoje inferior à das dos Estados Unidos.Tudo isto sem que nossas mazelas estruturais fossem resolvidas. Isto me faz pensar no que aconteceria se o governo parasse de atrapalhar: acabasse com a burocracia para abertura e fechamento de empresas, reduzisse impostos e cortasse gastos, permitindo que os juros caíssem. Até você iria se tornar um empresário, não iria?* Ricardo Amorim é economista e presidente da Ricam Consultoria.** Publicado originalmente na revista Istoé e retirado do site EcoD.


por Ricardo Amorim*

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Procure não deixar roupas penduradas atrás da geladeira, isso aumenta bastante o consumo.
Ande a pé. Isso evita a queima de combustível e o lançamento de gás carbônico na atmosfera e, consequentemente, diminui o efeito estufa.
Reduza. Reutilize. Recicle. Três ‘Rs’ indispensáveis para preservar o meio ambiente e contribuir com o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.
Aproveite o sol como fonte de energia limpa. Instale painéis fotovoltáicos em sua residência ou empresa.
Na hora de comprar, escolha produtos com rótulos ecológicos e com menos embalagem, assim você estará escolhendo poluir menos o planeta.
Utilize lâmpadas de baixo consumo, elas economizam até 80% de energia e duram bem mais.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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Os três componentes principais da biomassa da cana-de-açúcar são a celulose, a hemicelulose e a lignina. Foto:EcoD

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O Zoológico Skazka, na Ucrânia, exibe imagem de filhotes de tigresa albina ‘Tigrylia’, que nasceram no complexo. Um dos bichinhos puxou a mãe e também é um raro tigre albino.

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Frases a laser são projetadas nos prédios gêmios da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Divulgação

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Foto: Organização Earth We are one.

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Imagem da campanha Veta Dilma.

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Arte Sustentável de Daniel Murgel.

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Xingu. Foto: Dal Marcondes

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Marta Azevedo, a primeira mulher no cargo de presidenta da Funai. Foto: José Cruz/ABr