Professor desenvolve projetos criativos em escola potiguar

Inclusão

Professor desenvolve projetos criativos em escola potiguar


por Fátima Schenini, do Portal do Professor


[caption id="attachment_42759" align="alignleft" width="300" caption="Para 2012, o professor André Magri planeja uma grande viagem pela história da literatura brasileira. Foto: Arquivo da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira"][/caption]Os projetos criados por um professor de apenas 20 anos contribuíram para a premiação de sua escola em diferentes ocasiões. Estudante de letras, André Magri Ribeiro de Melo dá aulas de língua portuguesa e literatura na Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira, em Ipanguaçu, município potiguar a 200 quilômetros de Natal. Na mesma instituição, localizada no assentamento Tabuleiro Alto, área rural do município, ele iniciou a carreira de professor, há quatro anos.A primeira iniciativa premiada de André foi o projeto Literatura de Terror: uma Visita à Elegante Essência do Medo. A experiência conquistou o primeiro lugar do prêmio Construindo a Nação, edição 2010, no ensino fundamental. Em 2011, o projeto Identidade e Voz do Povo Nordestino na Literatura Regionalista proporcionou à escola o primeiro lugar na mesma premiação. Com este projeto, a instituição também foi vencedora do Selo Escola Solidária (2011) e conquistou o segundo lugar no Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita (2011).Na visão desse jovem educador, o uso de meios alternativos de ensino, como músicas, filmes e desenhos animados, mostra ao estudante diferentes formas de estudar e analisar a língua materna que não sejam apenas o livro didático e o quadro com giz. “Se o aluno sentir prazer em estar na sala de aula e na escola, renderá bem mais, e seu aprendizado sofrerá evolução significativa”, afirma André. Em todo os projetos que desenvolve, ele conta sempre com a parceria dos professores de língua inglesa e ensino da arte.Seus planos para 2012 incluem uma grande viagem pela história da literatura brasileira com o projeto De Caminha a Lobato: A Evolução da Literatura Brasileira. “Os alunos serão apresentados aos diferentes momentos de construção da nossa literatura e conhecerão as influências recebidas, bem como as relações das obras escritas com os momentos históricos que nosso país vivia a cada surgimento de um novo olhar sobre a palavra”, revela.A viagem pelas letras terá início com a leitura de uma versão infantil da Carta de Pero Vaz de Caminha (sexto e sétimo anos) e trechos do texto original (oitavo e nono). Terá continuidade com a passagem pelas escolas da literatura brasileira, como o Romantismo e o Modernismo, até chegar às obras de Monteiro Lobato. “Um batalhão de personagens, histórias e emoções pretende bater à porta da escola e das famílias de Tabuleiro Alto”, adianta André.Ele assegura que os alunos lerão todas as obras indicadas, integralmente. Embora o acervo da biblioteca da escola seja pequeno, os estudantes contam com a ajuda da família para a aquisição de obras, com doações e visitas a bibliotecas municipais. “Entendemos que a leitura dos textos integrais garante maior compreensão do aluno e o insere mais ainda no mundo letrado e literário”, diz o professor.* Publicado originalmente no site Portal do Professor.

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Debate sobre segurança na internet une especialistas em torno dos cuidados que os pais devem ter

São Paulo – O diretor de Prevenção e Atendimento da organização não governamental (ONG) Safernet, Rodrigo Nejm, faz um alerta a pais e adolescente de que a web (rede mundial de computadores) e o mundo virtual são territórios tão perigosos quanto os da vida real. “Principalmente para as crianças que, muitas vezes, têm domínio técnico, mas não têm consciência das consequências de publicar algumas informações e de que há criminosos disfarçados (na web)”, disse ele.Rodrigo Nejm disse que, da mesma maneira que os pais orientam os filhos a se cuidar quando estão em uma praça pública, também devem ter critérios para definir limites quando navegam na internet. A coordenadora do Portal da Terceira Idade, Anísia Spezia, concorda com o dignóstico sobre os riscos do mundo virtual, mas lembra que esta não deve ser uma preocupação apenas dos pais. Os idosos também ficam expostos na rede e, sem orientação adequada, acabam caindo em armadilhas.“A terceira idade é dona do seu próprio nariz. Enquanto, com os adolescentes, as mães continuam dando conselhos sobre a conduta na internet, nem sempre há um filho que faça a mesma coisa com os pais”, disse ela.Essa discussão dominou o debate Conectando Gerações e Ensinando Uns aos Outros: Descobrindo o Mundo Digital com Segurança, que marcou as comemorações do Dia Mundial da Internet Segura, no dia 7 de fevereiro. O debate ocorreu na sede da Procuradoria Regional da República, em São Paulo.A procuradora regional Janice Ascari disse que a vida virtual não é diferente da vida pessoal e, por isso, é preciso estar sempre vigilante. “Isto não é querer ter controle da vida do filho, é apenas uma atitude de primeiros educadores e de exemplos que eles vão ter para o resto da vida. Por isso, devemos auxiliá-los quanto à melhor maneira que eles devem se comportar na sua vida.”O estudante Bruno Agostinho Barreto Ascari, de 18 anos, acessa a internet desde os sete anos de idade, com o monitoramento dos pais. Ele aprova esse tipo de controle. “Isso foi muito bom para a construção do meu caráter porque eu posso me relacionar com as pessoas e, mesmo assim, eu sei os limites que tenho que ter conhecendo essas pessoas na internet.”* Edição: Vinicius Doria.** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Flávia Albuquerque, da Agência Brasil
Sem o peso de antes, grêmio ainda incita desejo de mudança. Foto: Gustavo Lourenção Juventude

O despertar da primavera

[caption id="attachment_42740" align="alignleft" width="300" caption="Sem o peso de antes, grêmio ainda incita desejo de mudança. Foto: Gustavo Lourenção"][/caption]Se durante o regime militar (1964-1985) a democracia era a bandeira dos movimentos estudantis, hoje boa parte dos estudantes é apática às questões políticas, se dispersa em pequenos grêmios ou filia-se a entidades pouco representativas para conseguir meia-entrada em eventos culturais. No Paraná, a Secretaria de Educação está em campanha para reverter esse quadro. Até 2014, a Secretaria de Educação pretende que 100% das escolas públicas possuam um grêmio para representar os estudantes no conselho escolar. “Nosso desejo é que todas as escolas tenham grêmios efetivos. Porém, sua criação, historicamente, não é algo forçado. Nosso grande trabalho é de incentivo, de mostrar para os estudantes o quão importante é o grêmio”, explica Antônio Lopes Júnior, coordenador de gestão escolar da Secretaria de Educação do Paraná. Atualmente, apenas 44% das escolas públicas do Estado possuem agremiações estudantis.A ação de incentivo, segundo Lopes Júnior, começou moderada. Inicialmente foi realizado um levantamento do número de grêmios já existentes e, depois, a Secretaria aproximou-se dos técnicos responsáveis pelos grêmios que já trabalham em cada um dos 32 núcleos do Estado do Paraná, para que eles entrassem em contato com as escolas. “A partir do próximo ano, lançaremos a campanha de incentivo nas escolas”, garante. A sensibilização envolverá, além dos alunos, professores e gestores escolares. “Muitas vezes os participantes do grêmio são vistos pela direção como aqueles alunos causadores de confusão”, conta Lopes Júnior. Por isso, a campanha paranaense envolverá toda a comunidade escolar.Em outros Estados, há estudantes que abraçam bandeiras como a redução do preço da passagem de ônibus, melhorias dentro de suas escolas, a luta contra a homofobia e até pelo direito de acesso a poesia, música e cinema. Para articular essa nova militância, jornais e panfletos andam lado a lado com a criação de eventos no Facebook e e-mails. E grande parte dessa nova leva não gosta de comparações simplistas com os movimentos estudantis das décadas de 1960 e 1970. É o caso de Beatriz Demasi, de 16 anos, aluna do Colégio Equipe, escola particular paulistana, marcada pela agitação cultural e política dos estudantes desde a década de 1970. “Acho ruim comparar. São outras pessoas, outras questões, outra época”, conta a adolescente, participante do Grêmio Pão de Milho no Colégio Equipe.Bolacha e pão de milhoNo Equipe, o grêmio é apartidário, horizontal (não há chapas, presidentes e eleições regulares) e não tem ligação com as grandes entidades estudantis tradicionais. Lá, desde 2009, o grêmio é uma livre associação de alunos que podem participar de qualquer reunião, sem hierarquia. Todas as quintas-feiras, depois do horário de aula, uma grande roda é feita com pelo menos 15 participantes que discutem problemas e organizam palestras e saraus enquanto comem bolachas e pão de milho.O mesmo modelo existe na Poligremia, que reúne os grêmios de dez escolas públicas e particulares de São Paulo e procura sair da esfera de influência de partidos e grandes organizações. Utilizando as redes sociais, desde o ano passado, os alunos já realizaram um festival de curtas-metragens e, articulados com o Movimento Passe Livre (MPL), organizaram pequenos e participaram de grandes atos contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo (que passou de R$ 2,70 para R$ 3 em março de 2011). Apesar de não ter conseguido a redução da passagem, Helena Velic, de 15 anos, acha que valeu a pena. “Os atos tiveram presença de muita gente e foi importante para chamar a atenção”, opina a aluna do segundo ano do ensino médio e membro do grêmio da Escola Técnica Estadual Paulista.A escola técnica em que Helena estuda também carrega certa tradição de movimentação social – em 2010, 100% dos alunos do terceiro ano anularam a prova do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), por não concordar com a avaliação do governo do Estado.Para o estudante de Ciências Sociais da USP, Caio Dias, de 27 anos, contudo, a despolitização marca os jovens. “As pessoas ficam pouco tempo na escola, que em geral restringe a atividade dos grêmios. O estudante não sabe que pode ser de outra forma e acha isso natural”, afirma o militante do PSTU e participante da Assembleia Nacional de Estudantes Livre, que conta ter despertado para o movimento estudantil a partir da ocupação da reitoria da USP em 2007. “A gente viu que tinha mais poder de influenciar do que imaginava."Despolitização x partidarismoEspecialmente fora do âmbito da universidade, o movimento estudantil chamado de “secundarista” sempre foi puxado por duas discussões fundamentais. A primeira diz respeito aos problemas do dia a dia dos alunos. A outra se pauta em temas políticos nacionais. “O aluno comum se sente de certa forma traído pelo movimento estudantil. Não sabe exatamente o que significa, pois perdeu-se um pouco a trajetória”, explica o mestre em história social pela USP, Daniel Sevillano. A partidarização que permeia muitas entidades também acaba afastando uma parcela dos estudantes. “O movimento não tem um objetivo claro para as pessoas. Deixa de defender bandeiras estudantis e passa a defender problemas diversos do país”, explica.Para o coordenador de gestão escolar da Secretaria de Educação do Paraná, a despolitização da juventude é um dos maiores obstáculos para a efetiva participação dos grêmios nas escolas. “É uma geração diferente da minha, por exemplo, que tinha de brigar pelo que queria. Politicamente, hoje os jovens não têm tanto interesse pela participação”, analisa Lopes Júnior.Presidente do Grêmio José Montenegro de Lima do Colégio Magister, na zona sul de São Paulo, Gustavo Ferreira, de 16 anos, enfrentou resistência de colegas quando tentou organizar uma chapa para a primeira eleição de representantes discentes da escola. “Muitos consideram movimento estudantil algo subversivo, de partido de esquerda. Aqui o grêmio não tem nenhuma tendência política, defende os ideais dos alunos dentro da escola”, esclarece. Entretanto, para grande parte dos entrevistados, a discussão e a vivência política ajudaram a abrir horizontes. “Um mês de militância valeu por dois anos de escola. Lá aprendi a me expressar e a discutir”, conta Pedro Gebrim, de 17 anos, aluno do Equipe e militante do Poligremia e do MPL. “Você passa a ocupar a cidade melhor e conhece outros lugares e pessoas. Não fica mais fechado no seu mundinho de colégio particular”, acrescenta Tamara Ganhito, de 16 anos. Gabriel Ferreirinho, de 15 anos, completa: “Todo adolescente tem vontade de mudar o mundo. No grêmio, você sente que está começando essa mudança”.* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Tory Oliveira, da Carta Capital
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Estudo aponta que mais de três milhões de crianças e adolescentes ainda não têm acesso à escola

Apesar do aumento nas taxas de acesso ao ensino, 3,8 milhões de crianças e adolescentes entre quatro e 17 anos ainda estão fora da escola no Brasil. Este é um dos pontos destacados no relatório De olho nas metas 2011, elaborado pelo movimento Todos pela Educação. O documento, divulgado na terça-feira (7), destaca a situação das cinco metas estabelecidas pelo movimento para a garantia do direito à educação no país.O relatório, baseado em dados preliminares do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que, entre 2000 e 2010, taxa de acesso à escola aumentou em 9,2%. Destaque para a região Norte, que teve um aumento em 14,2%. Entretanto, mesmo com o acréscimo, a região ainda é a que possui a menor taxa de crianças e adolescentes dentro da escola: 87,8%. No total, o país possui 91,5% de pessoas entre quatro e 17 anos na escola.De acordo com o estudo, 3,8 milhões de meninos e meninas ainda não têm acesso à educação escolar. Em números absolutos, a região Sudeste é a que apresenta maior quantidade de crianças e adolescentes sem estudar: 1,2 milhão, sendo 607 mil somente no Estado de São Paulo.Em relação à frequência por faixa etária, o estudo revela que as taxas de acesso à pré-escola e ao ensino médio ainda não são as ideais. Segundo o relatório, 80,1% das crianças de quatro e cinco anos têm acesso à escola. Entre os jovens de 15 a 17 anos, essa porcentagem é um pouco maior: 83,3%. A porcentagem mais animadora está mesmo entre crianças de seis a 14 anos, já que 96,7% delas estão no ambiente escolar.Ao analisar os dados, o movimento Todos pela Educação observa que o desafio é garantir a "inclusão no sistema escolar das crianças na pré-escola e dos jovens no ensino médio”. Entretanto, ressalta que a situação não será solucionada apenas com o aumento da oferta de vagas nas instituições de ensino. "Para traçar perspectivas futuras, deve-se ter em mente que o problema vai além da ampliação do número de vagas. Temas como evasão e atraso escolar deverão figurar nas agendas políticas para que a Meta 1 seja cumprida”, ressalta.Metas do Todos pela EducaçãoCriado em 2006 com o objetivo de contribuir para a garantia do direito à educação no país, o Movimento Todos pela Educação estabeleceu cinco metas que deverão ser cumpridas até o ano de 2022.A primeira diz que "Toda criança e jovem de quatro a 17 anos deve estar na escola”, ou seja, até 2022, 98% ou mais das crianças e jovens deverão estar matriculados e frequentando uma instituição de ensino.A segunda meta diz respeito à alfabetização, estabelecendo que "até 2010, 80% ou mais, e até 2022, 100% das crianças deverão apresentar as habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2ª série/3° ano do ensino fundamental”. Já a meta número três destaca que os/as estudantes devem ter aprendizado adequado à série em que estão.Na meta quatro, o movimento estabelece que "até 2022, 95% ou mais dos jovens brasileiros de 16 anos deverão ter completado o ensino fundamental, e 90% ou mais dos jovens brasileiros de 19 anos deverão ter completado o ensino médio”. Já a quinta meta destaca a importância do investimento em educação, estabelecendo que este deva ser "ampliado e bem gerido”.Confira a análise completa em http://www.todospelaeducacao.org.br/* Publicado originalmente no site Adital.


por Karol Assunção, da Adital
Projeto introduz a física moderna nas escolas públicas do estado de São Paulo Ensino Médio

Projeto insere conceitos de física moderna no ensino médio

[caption id="attachment_42773" align="alignleft" width="230" caption="Projeto introduz a física moderna nas escolas públicas do Estado de São Paulo."][/caption]Um projeto de pesquisa está viabilizando a introdução da física moderna no ensino médio de escolas públicas do Estado de São Paulo. Desde 2003, a iniciativa vem introduzindo no currículo escolar três conceitos básicos da física moderna: espaço e tempo com base na teoria da relatividade de Einstein; fundamentos da mecânica quântica; e partículas elementares. De acordo com o professor Maurício Pietrocola, titular da área de Metodologia do Ensino, da Faculdade de Educação (FE) da USP, o projeto também visa a formar professores multiplicadores para a rede estadual de ensino.Segundo Pietrocola, os alunos tinham acesso a conceitos da física elaborados até o Século 19. “E isto ainda acontece em muitos países do mundo e em outros Estados brasileiros”, conta o professor. “A partir do nosso projeto, os estudantes passam a ter acesso a teorias que conheceriam somente no ensino superior. Isto se estudarem na área de exatas. Caso contrário, passariam pela vida sem esse tipo de conhecimento”, ressalta.Iniciado em 2003, há três anos (desde 2008) o projeto teve desdobramentos junto à rede pública do Estado, quando os currículos de física do ensino médio passaram a incluir conceitos de teorias modernas. “Foram cinco anos de preparação, nos quais estudamos os limites e possibilidades do ensino da física moderna. “A etapa atual é formar professores multiplicadores capazes de transitar do ensino de física clássica para o ensino de física moderna”, conta Pietrocola.Fase inicialA primeira fase do projeto compreendeu a realização de cursos anuais que foram ministrados a 90 professores da rede pública estadual de ensino de todo o Estado. Os cursos aconteceram em 2009, 2010 e 2011. Estes cursos possibilitaram atingir cerca de mais 200 professores de física da rede, até este ano.Pietrocola conta que um dos maiores ganhos até o momento é que o projeto conseguiu desmistificar a imagem de que a física moderna é algo complicado, até mesmo para os professores. “A percepção pessoal dos professores está, agora, em outro nível em relação ao ensino e aprendizagem da matéria”, garante o professor. A próxima etapa do programa já teve início com a disponibilização pela internet de materiais de apoio destinado aos professores do ensino médio. “Ainda estamos numa versão preliminar”, adianta o professor.A versão completa do material deverá estar concluída e disponível em 2013, o que compreende a segunda fase do projeto. “Para isto estamos em negociação com a Secretaria Estadual da Educação para que nos apoie em mais esta etapa”, diz Pietrocola. O material disponibilizado até o momento pode ser acessado no endereço www.nupic.fe.usp.br, Projeto & Materiais.ParceriasPietrocola conta que a FE conta com importantes parceiras no projeto. Na USP envolveu pesquisadores do Instituto de Física (IF) do campus da Capital e de São Carlos. Apesar da dimensão do projeto, o professor lembra que todo o programa teve início com apenas três pesquisadores e estudantes de pós-graduação das três unidades da USP.No exterior, o professor conta que há trabalhos conjuntos com a Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, e com a Universidade Tecnológica de Dresden, na Alemanha. “Estas parcerias são importantes para que os conteúdos sejam testados também com estudantes de outros países”, justifica o pesquisador.O ensino de conceitos de física moderna possibilita que os alunos do ensino médio tenham acesso a conhecimentos que os aproximam de estudos de ponta e das pesquisas de laboratórios. “Os conteúdos oferecidos nas escolas eram referentes aos estudos de física formulados até 1870”, conta o professor. “Eram raras as instituições que proporcionavam o acesso aos princípios da física moderna”, lembra, reforçando que, “em pleno Século 21 não faz sentido os estudantes limitarem seu aprendizado a conteúdos do Século 19.”O projeto vem contando com financiamentos do CNPq, Fapesp e Capes.* Publicado originalmente no site Agência USP.


por Antonio Carlos Quinto, da Agência USP
Projeto leva construção de violões para alunos do ensino Fundamental e Médio Inclusão

Projeto ensina construção de violão com custo acessível

[caption id="attachment_42777" align="alignleft" width="230" caption="Projeto leva construção de violões para alunos dos ensinos fundamental e médio. Foto: Roberto Amaral/Assessoria de Comunicação da Esalq"][/caption]Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, um projeto fabrica violões de forma didática e a custo acessível, a partir de madeiras plantadas ou nativas de ciclo sustentável. O objetivo é socializar tanto na Universidade, quanto nos ensinos fundamental e médio, a cultura da construção do violão (luteria), popularizando a produção do instrumento. O custo de montagem é inferior a R$ 70,00.Os estudos começaram em 2005, com a contribuição dos alunos de graduação da Esalq, para colaborar no atendimento da legislação atual quanto à inclusão da educação musical no ensino básico e facilitar sua inserção em projetos socioculturais. De acordo com o professor José Nivaldo Garcia, do Departamento de Ciências Florestais (LCF), coordenador do projeto, além da inovação, a Universidade também pesquisa e busca entender e divulgar a cultura popular. “A música, hoje vista como ciência, é uma característica marcante da cultura brasileira e merece espaço dentro do meio acadêmico”, destaca o professor.As ações envolvem a produção de componentes do violão, feitos em madeira plantada ou de ciclo sustentável, junto ao pessoal de apoio do Laboratório de Engenharia de Madeira e a divulgação do projeto na Esalq, para conseguir a adesão de voluntários tanto dos cursos de graduação quanto dos de pós-graduação. Em seguida, foi realizada a montagem de um violão modelo a partir de um kit completo dos seus componentes, com custo abaixo de R$ 70,00, e a constituição de três grupos de 20 alunos dos ensinos fundamental e médio para participar de oficinas de fabricação do violão.“Dessa forma, os trabalhos realizados nas oficinas poderão ser divulgados na comunidade e os resultados apresentados”, comenta Caio de Oliveira Loconte, aluno do curso de engenharia florestal, responsável pela elaboração do relatório final do projeto e pelo Manual de Fabricação de Violão Clássico, no final de 2011.ManualO Manual apresenta, de maneira simplificada, uma metodologia para a fabricação do instrumento musical tendo por base a planta Guitare Classique Dans Le Style, de Santos Hernandez. Dividido em capítulos, o Manual introduz partes do violão, produção das peças, montagem e acabamento. Enfim, o instrumento é composto por diversas peças conectadas entre si, utilizando-se de cola ou contato, tornando-se possível dividir a construção em caixa, braço e mão.Na caixa encontram-se o tampo, a boca, as laterais, o cavalete ou ponte com o rastilho, a roseta e o fundo. A pestana, as casas e a escala são constituintes do braço. Por fim, fazem parte da mão as tarraxas. Complementando a orientação, no Manual é revelado que dentro da caixa acústica existem várias peças que desempenham importantes papéis na sustentação do violão e na transmissão do som.O projeto conta com recursos do programa Aprender com Cultura e Extensão da USP. A proposta é transferir ciência e tecnologia criadas nos laboratórios para a comunidade, adaptando as metodologias e a forma de expressão oral e de conduta à realidade da situação em curso. Como resultado, foi obtido um violão com som simples e comum, indicado para pessoas de baixa renda ou para iniciantes.Para o professor Garcia, este é um trabalho muito importante, pois, além de estender os ensinamentos obtidos na Universidade à sociedade, reúne, a cada ano, novas ideias e experiências trazidas por estudantes que se interessam por essa linha de pesquisa e que gostariam de participar das atividades ao longo do ano.* Publicado originalmente no site Agência USP.


por Alícia Nascimento Aguiar, da Assessoria de Comunicação da Esalq
creche_060111 Inclusão

Para cumprir promessa, governo deve construir 1,7 mil creches por ano

Presidenta Dilma assumiu o compromisso de criar seis mil creches durante os quatro anos de seu mandato; em 2011, nenhuma obra foi concluída.O programa de Implantação de Escolas para Educação Infantil terá que construir cerca de 1,7 mil creches anualmente, nos próximos três anos, se quiser cumprir a promessa da presidenta Dilma Rousseff para o setor. A governante assumiu o compromisso de criar seis mil creches durante os quatro anos de seu mandato. Em 2011, nenhuma obra foi concluída, apesar de terem sido gastos R$ 308 milhões, de um total de R$ 891 milhões autorizados para o ano.Para dar conta da meta, o Ministério da Educação terá que inaugurar pelo menos 178 creches por mês – ou cinco por dia –, até o fim de 2014.O montante reservado para construção das creches neste ano é de R$ 1,8 bilhão. Soma-se a esse valor R$ 300 milhões para a ação de Apoio à Manutenção da Educação Infantil e o restante do último ano, R$ 582 milhões já empenhados. As verbas são repassadas diretamente aos municípios e fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).O déficit de creches no Brasil é de 19,7 mil unidades. O Plano Nacional de Educação prevê que, até 2020, 50% das crianças de zero a três anos estejam matriculadas na educação infantil. Atualmente, esse índice é de 16,6%.* Publicado originalmente no site Brasil de Fato.


por Vivian Fernandes, da Radioagência NP
No Brasil, temos o rei do futebol, da música, do cangaço e do baião. E quem é o nosso rei Momo? Foto: Galeria de Luiz Fernando / Sonia Maria/Flickr Artigo

Que rei sou eu?

[caption id="attachment_42796" align="alignleft" width="300" caption="No Brasil, temos o rei do futebol, da música, do cangaço e do baião. E quem é o nosso rei momo? Foto: Galeria de Luiz Fernando/Sonia Maria/Flickr"][/caption]Sempre ouvi falar em reis. Às vésperas das provas, quando passava a mão naquele volume de História do Brasil do Rocha Pombo, lá estavam eles. Era um tal de Dom Manuel I pra cá, Dom João VI pra lá. Não me esqueço que decorava os nomes de todos eles para que ficassem na ponta da língua na hora da arguição: Dom Pedro I, Dom Sebastião, Dom Henrique, Dom Filipe. E tinha rainha também. Quem não se lembra de Maria, a Louca?Todos eles eram reis de verdade com roupa pomposa de veludo e coroa na cabeça. Mas, no país do carnaval, muitos outros reis foram aparecendo e acabaram entrando para a história. Não foram parar no livro do Rocha Pombo, mas na boca do povo.Lá pelos anos 1920, 1930, Virgulino Ferreira da Silva mandava e desmandava no sertão de Pernambuco. Virgulino era o nome de Lampião, o rei do cangaço. Temido na região, Lampião aprontava ao lado da companheira Maria que não era louca, mas Bonita.Nos anos 1940, 1950, outro rei apareceu também lá no sertão de Pernambuco. Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do baião. Este animava a festa. Quantas e quantas pessoas não caminharam dezessete léguas e meia só pra ir no forró dançar? Natural de Exu, o nosso rei do baião não deixava ninguém parado. Com uma sanfona na mão, acompanhado de uma zabumba e de um triângulo, quem é que resistia sentado ao som de Asa Branca?Nos anos 1950, mais um rei entrou em campo. Aos 16 anos, lá estava Edson Arantes do Nascimento, o rei Pelé, brilhando nos gramados da Suécia. Em 1970, ao lado de Tostão, Gerson e Rivelino, o nosso rei do futebol foi coroado fazendo o mundo curvar-se diante do seu show de bola. Coroado mesmo. Na França, todos o conhecem até hoje como Le Roi e na América é Pelé, the king.Nos anos 1960, ao som de “quero que vá tudo para o inferno”, nascia num novo rei. Roberto Carlos Braga, o rei Roberto Carlos. Ao lado de um tremendão e de uma ternurinha, o rei Roberto reinou durante muitos e muitos anos. Todo final de ano fazia sua aparição para o povo brasileiro na tela da televisão. Eram fortes emoções. Até mesmo as estrelas mudavam de lugar, chegavam mais perto só pra ver. Ele era terrível!Mas o Brasil tem também seus reis anônimos. Sábado, no Mercado Central de Belo Horizonte ninguém resiste a dar uma passadinha no Rei da Feijoada. Por todas as cidades desse nosso país existem reis e mais reis. É o Rei dos Amortecedores, o Rei das Louças, o Rei do Frango, o Rei do Bacalhau, o Rei da Empada. Em todo shopping tem um Rei do Mate e aqui mesmo, perto da minha casa na Lapa, tem um rei, o Rei dos Colchões.Agora, quando o carnaval chegar, vamos voltar a falar de rei, o Rei Momo. Pensando bem, pobres coitados, esses reis estão meio em baixa. Já houve uma época em que para ser rei do carnaval, era preciso pesar no mínimo 120 quilos. Mas, nesses tempos de vacas magras, não é preciso mais ser gordo para ser Rei Momo. Basta esbanjar simpatia, ter sorriso nos lábios e samba no pé.Ninguém se lembra, mas já tivemos o rei Gustavo Mattos no carnaval de 1949, o rei Jaime de Moraes em 1950. Já tivemos o rei Reynaldo de Carvalho (seria um trocadilho?) e o rei Milton Rodrigues da Silva Junior. E o rei Abrahão Reis (outro trocadilho?) que reinou na folia durante quatorze anos. Todos esquecidos. E quem é o nosso rei momo no carnaval de 2012? Você sabe? Eu não sei, mas de qualquer maneira, o Rei Momo está vivo. Viva o rei!No Brasil, temos o rei do futebol, da música, do cangaço e do baião. E quem é o nosso rei momo?* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Alberto Villas, da Carta Capital
falklands-uk-argentina-nationalturk-0333 Artigo

Falkland (Malvinas)

Viajar é uma das coisas boas da vida. Há dias fiz um cruzeiro entre Buenos Aires e Santiago do Chile.Uma das paragens foi em Falkland Islands, território britânico ultramarino, afastado da Grã-Bretanha 12.800 quilômetros e do litoral da Argentina somente 550 quilômetros, denominada pelos argentinos de Ilhas Malvinas, de onde trago lembranças oportunas para o momento. Falkland, dito país “independente”, talvez por ter bandeira, moeda, governo autônomo e outras filigranas jurídicas, é habitada por pouco mais de três mil habitantes, em sua maioria de origem britânica, e mais de um milhão de pinguins.Ao pagar uns postais e selos, o fiz com pesos argentinos e tive como resposta um olhar gravoso e condenatório, de uma atendente, de mais ou menos uns 80 anos. Não compreendendo, respondi que podia dar-me o troco em moeda local ou outra, ou até mesmo ficar com o troco (considerando o pequeno valor). A senhora respondeu, britanicamente, curto e grosso, fazendo lembrar-me a dama de ferro, Sra. Thatcher: “Qualquer moeda, inclusive o real”. Senti que havia pisado em calos.Em seguida fui visitar a Catedral (Christ Church Cathedral). Quando entro em um templo religioso, independente da religião, o faço especialmente para renovar minha prece pela paz. Minha paz, paz de meu semelhante, paz entre nações. Na igreja de Stanley, menor capital do mundo, deparei-me com o culto à guerra feita por bandeiras, medalhas e placas. Paz naquela ilha encontra-se nos pacíficos pinguins. O homem ainda tem muito que aprender com os animais.Hoje as manchetes voltam a trazer-nos a polêmica entre a Inglaterra e a Argentina sobre as referidas ilhas. Anguilla, Bermudas, Cayman, Turks e Caicos, Gibraltar, etc. são também territórios britânicos ultramarinos, lembranças do tempo das colônias, piratas, escravidão. Hoje, a grande maioria de tais territórios é de paraísos fiscais ou financeiros. Hong Kong também já foi um território ultramarino inglês.Como o assunto voltará às Nações Unidas, rogo para que a irracionalidade e a bestialidade humana não voltem a ser praticadas. Por que não entregar aos alegres pinguins, os verdadeiros moradores, o destino das ilhas? As Nações Unidas devem ser repensadas. O poder decisório sobre áreas de conflito internacional, sem história de etnias humanas e que sejam vitais para a proteção ambiental, do ser vivo, não podem ficar ao sabor da cor da bandeira. Os territórios da Antártica como as Ilhas Malvinas são bons exemplos para a prática de uma nova política universal, sem nacionalismos ou cores religiosas.Quem sabe um dia eu possa voltar, levar minhas netas para ver os brincalhões pinguins, descendo não na Ilha Soledade (nome da principal ilha, onde fica a capital), já com novo nome: Ilha da Paz, santuário internacional de todas as crianças. A nova bandeira bem podia ser toda branca.É preciso semear paz.* Valdemiro A. M. Gomes – valdemiro@interconect.com.br.


por Valdemiro A. M. Gomes*
225-na-duvida-ditado Linguagem

Ditado?

Em tese, as aulas de escrita deveriam ser dedicadas à escrita “de verdade”: escrever para o jornal da classe, contar histórias, fazer resumos ou relatórios “reais”. Além disso, escrever cartas ou torpedos ou tuitadas para pessoas reais. Neste caso, sugiro escrever para jornalistas (ou jornais e revistas), concordando ou discordando de certas posições, e para autoridades. Tem a ver com a possibilidade de publicação efetiva dos textos.É melhor que essas atividades não sejam de faz de conta, mas sejam para valer, sejam partes de projetos. Para dar um exemplo claro, já que estamos na era dos gêneros (!!): só vale a pena escrever (treinar, aprender, etc.) editoriais se houver um jornal ou revista (de papel ou online) que os publique. Editoriais fora de seus “suportes” reais são apenas dissertações.Mas, se as coisas forem assim, há lugar para o ditado? Convenhamos que se trata de uma prática rara. Quem é que vai “copiar” ditados na vida? Em casa, fazendo uma lista de compras da família? Em um escritório, como se vê às vezes em filmes? Executivos, ministros, etc. podem fazer isso. Numa aula, a atividade pode parecer estranha.Mas o ditado pode tornar-se interessante, se posto no seu lugar. Pode ser uma espécie de “torneio” (meninos contra meninas?). Deveria ter como objeto palavras ou expressões cuja grafia oferece problemas para a turma (o que se pode ver nos textos). O ânimo entre os concorrentes deve ser cordial. Nunca se deveria apelar para o ditado como forma de avaliação. Adotado de alguma forma, a pronúncia de quem dita (não precisa ser o professor) deve ser real, usual, normal. Isto é, não “ler as letras”, mas falar normalmente as palavras ou trechos ditados (por que deveriam ser palavras soltas?).Mas há outra estratégia relevante a ser levada em conta, no caso dos ditados (aqui, retomo a coluna anterior). Suponhamos que os alunos estejam errando a grafia de palavras como chapéu / papel.A sugestão é ditar palavras deste tipo, com ênfase nas que oferecem este problema em seu final. Ditam-se palavras como “final / banal”, pronunciadas normalmente. Haverá alunos que escreverão “final / banal” e outros que escreverão “finau / banau”. Depois, dita-se “finalidade / banalidade”, e espera-se o resultado. Pode-se perguntar logo como escreveram “final / banal”. Conforme as respostas, comentar que os pares de palavras estão relacionados. Que a escrita de “finalidade / banalidade” ensina a escrever “final / banal”. E que eles podem fazer este “raciocínio” muitas vezes. Quando escreverem “Brasil”, pensem em “brasileiro”, por exemplo; ao escreverem “Blumenau”, pensem em “blumenauense”.Como ficou claro na coluna passada, esta não é uma receita (que deve dar sempre certo). Não sendo uma receita, os “problemas” ajudam a entender o que é um sistema de escrita. Por exemplo, esta “técnica” não resolve os problemas de troca de “l” e “u” em sílabas não finais (auto / alto). Mas ajuda a aumentar a consciência morfológica.Aliás, esta é uma das razões pelas quais muitos portugueses não gostam do acordo ortográfico. Para eles, eliminar a consoante “muda” em facto é perder uma informação histórica. Seria o mesmo que, para brasileiros, escrever da mesma forma “acender” e “ascender” (tirando o “s” desta última): perder-se-ia a informação de que as duas palavras têm origem diferente.* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Sírio Possenti, da Carta Capital
Juvenal: Mesmo sem diploma na área, professor de Filosofia deve estimular contato direto com pensador e reflexão sobre a vida hoje. Foto: Gustavo Lourenção Entrevista

Ensinar a pensar

[caption id="attachment_42733" align="alignleft" width="211" caption="Juvenal: Mesmo sem diploma na área, professor de filosofia deve estimular contato direto com pensador e reflexão sobre a vida hoje. Foto: Gustavo Lourenção"][/caption]Boa relação com os textos e olhar crítico sobre a contemporaneidade. Eis dois elementos fundamentais para a boa formação de docentes para cursos de filosofia no ensino médio, defende Juvenal Savian Filho, doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade Federal de São Paulo. “Um professor que frequenta os textos tem mais condições de tornar interessante o ensino, não vai fazer resumos inúteis, saberá correlacionar conceitos, trazer para a aula temas atuais. Enquanto aquele que só conhece os resumos vai reproduzir isto para o aluno de forma cansativa, sem vida, como se os filósofos fossem um bando de gente estranha que deveria estar no museu, e não na vida."Disciplina obrigatória desde 2007, a filosofia, defende ele, permite um tipo de reflexão mais crítica e menos generalista, especialmente quando usada para aproximar os estudantes da discussão de grandes temas – modelo usado por ele para organizar, ao lado de Marilena Chaui, a coleção Filosofias: O prazer do pensar, publicada pela WMF Martins Fontes, que prevê a publicação de 40 títulos até 2014. “Por meio de grandes temas, podemos explorar como foram tratados por diferentes pensadores e mostrar que a reflexão filosófica sobre um tema é real e está ligada à vivência cultural, não está presa apenas ao livro."Carta na Escola: Qual é o diagnóstico que o senhor faz do ensino de filosofia no país desde que a disciplina se tornou obrigatória?Juvenal Savian Filho: É muito positiva a volta da filosofia aos currículos porque ela permite um tipo de reflexão mais geral, crítica e não tão especializada como as propostas pelas matérias tradicionais. É claro que não podemos generalizar: há escolas que fazem um bom trabalho, calcado na história da filosofia, que estudam os textos e têm uma atitude de reflexão bastante boa, mas também há um número em que o ensino é muito pobre porque os professores são mal formados, ou não têm muito entusiasmo. Muitas vezes são pessoas de outras áreas, como historiadores ou sociólogos, que não conhecem bem a história, os textos em si. Isto para não falar dos agravantes sociais: classes superlotadas, violência por parte dos estudantes. Não há muitas condições físicas, a maioria dos alunos na escola pública não tem acesso a bons filmes e livros. De toda forma, o retorno da filosofia é positivo porque, no conjunto, oferece um olhar mais voltado para o fundamento do saber e do próprio conhecimento.CE: Quanto à formação dos professores, como está o panorama?JSF: Eu diria que é preciso saber que, em todo o Brasil, essa situação é muito diferente. São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro têm feito concursos para professores de filosofia regularmente e são os Estados onde encontramos a melhor situação, com docentes especializados que passaram por concurso e se tornaram efetivos. Mas a situação ainda é irregular, por exemplo, no Centro-Oeste e no Nordeste. O Pará fez um concurso recentemente, mas são inúmeros os Estados em que nem sequer se fala nisso.CE: O docente precisa necessariamente ser formado na área para ser um bom professor de filosofia?JSF: Não é porque um professor não tem diploma de filosofia que ele fará um trabalho ruim. Isto é algo importante a ser ressaltado. Muitas vezes, temos bons autodidatas que dão aulas excelentes, assim como temos bacharéis em filosofia ruins. O importante é ter uma boa carga de leitura dos textos de cada filósofo, uma boa formação na história da filosofia. O problema são os que têm formação baseada em manuais de filosofia: estes atuarão de forma terrível porque não têm noção crítica da formação dos conceitos. Infelizmente, ainda há muitas faculdades que ensinam com base em manuais, então ter o diploma pode, nesses casos, não significar muita coisa. Quando falo que é necessário ter formação em história, não me refiro a textos que narrem a história, mas à formação crítica de leitura. Um professor que frequenta os textos tem muito mais condições de tornar interessante o ensino, não vai fazer resumo inútil, saberá correlacionar conceitos, trazer para a aula temas atuais. Enquanto aquele que só conhece os resumos vai reproduzir isso para o aluno de forma cansativa, sem vida, como se os filósofos fossem um bando de gente estranha que deveria estar no museu, e não na vida.CE: Além da abordagem de temas atuais e do contato com os textos dos filósofos, que elementos são essenciais para um bom curso?JSF: São duas frentes. A primeira é conseguir identificar questões filosóficas do mundo de hoje, atrair a atenção dos estudantes. Um exemplo que hoje os chama muito é a discussão sobre o mundo virtual: ele é real ou virtual no mau sentido? Como fica nossa afetividade, nosso corpo dentro dele? E há também questões mais complexas, no sentido da ética, dos valores. Hoje, quando começam a refletir sobre a vida, as pessoas dizem que é difícil ser ético. Mas o que é ser ético? O que é ter valores? O que são valores? Outros temas latentes são os referentes à mídia, à liberdade de imprensa, ao controle do jornalismo. São todas questões que podem ser abordadas de um ponto de vista filosófico. Há um risco, aqui, de cair na sociologia ou na história. O filósofo não está interessado em explicar a partir do contexto, mas do próprio acontecimento, do fato. Ele vai se perguntar, voltando ao último exemplo: o que é a imprensa? O que é liberdade? Por que o controle é bom ou por que ele não é bom? O filósofo questiona o fundamento das coisas. Em muitas escolas, se confunde filosofia com sociologia, se acha que é criticar, fazer análise da sociedade, o que tem de ser feito, sim, mas tendo em mente o fundamento, não a descrição. Maurice Merleau-Ponty, no prefácio de Signos, faz um comentário irônico de que o filósofo tem historicamente a imagem de ser aquele que discorda de tudo, de que, para ser considerado bom, ele tem de ter fama de revoltado. Não é exatamente assim que tem de ser: ele tem de enxergar o fundamento. Uma vez levantadas estas questões, é preciso refletir partindo sempre do patrimônio dos filósofos que nos precederam. Ou seja, a partir de referenciais que vêm da tradição, para mostrar que a maneira de tratar o conceito não é de agora. Assim, se a aula vai ser sobre liberdade de imprensa, temos de voltar a como os antigos entendiam a liberdade. Isso passará por Sartre, Nietzsche, pelos gregos, Santo Agostinho e, principalmente, pelos pensadores medievais que se baseavam em Platão e Aristóteles. Ou seja, são duas frentes. A primeira é levantar as questões de maneira filosófica. A segunda, abordá-las a partir do repertório dos filósofos. Vem daí a importância de o professor ter contato com os textos.CE: De que forma o professor pode identificar essas questões mais latentes e dialogar com o dia a dia do estudante?JSF: É preciso que ele consiga identificar temas de interesse, que tente perceber o que estão vivendo e ter em mente que cada sala tem uma realidade. A partir daí, começa o trabalho de mostrar que muito do que a filosofia diz pode servir para a compreensão desses temas. Um exemplo bem concreto: uma vez, numa aula para um primeiro ano de faculdade, uma aluna fez perguntas que indicavam que ela vivia um momento emocional e psicológico difícil. Ela queria saber como os filósofos pensavam o presente, o passado e o futuro e parecia buscar aí uma forma de sofrer menos. Eu não poderia fazer terapia em aula, mas resolvi apresentar a ela, de modo didático e simplificado, o pensamento de Henri Bergson. Disse: você fala do presente, do passado e do futuro como se fossem coisas estanques, separadas. Para ele, o passado é o presente e interfere na vida atual. Os olhos dela se encheram de lágrimas. Era algo filosófico que tomava significado vital para ela. Se eu tivesse começado a listar a vida de Bergson, falado da consciência, do élan vital, da crítica a Immanuel Kant, seria algo bastante incompreensível, mas, ao fazer a apresentação de forma empática, consegui sua atenção. A questão, aqui, é que o professor não pode fazer isso de uma forma medíocre, atraindo a atenção para si em vez de para a filosofia. Temos uma cultura em que o professor precisa ser gostado, como se o sucesso da educação estivesse na boa relação dele com o aluno, quando, na verdade, o sucesso está em atrair esse aluno para o saber.CE: E quanto à resistência por parte dos estudantes em relação à disciplina? Ela ainda existe? Como contorná-la?JSF: Existe e muitos professores trazem esse relato. Porém, muitos dos alunos que dizem “para que vou aprender isso?” têm aulas que apresentam a filosofia como uma coisa de museu, uma galeria de mortos que falaram coisas que a gente não sabe por que motivo estuda. É natural que, com uma abordagem assim, o aluno tenha ojeriza. Por outro lado, temos de ter em mente que essa é uma disciplina muito exigente e que é natural que o estudante sofra de início. E mais: atualmente, todos nós estamos mergulhados em um mundo de imagem, de comunicação rápida. O virtual mudou nossas concepções de tempo e espaço e em todos os lugares somos bombardeados por imagens. É aí que deve entrar o professor, mostrando que a filosofia é uma atividade que exige paciência, esforço, cuidado com o texto.CE: Quais os benefícios que um bom curso de filosofia pode trazer para o aluno?JSF: O aprendizado da atividade do pensamento. Mesmo que não saia com um repertório enorme, o que não é possível de qualquer forma, o aluno deve ter tido contato com textos de inúmeros autores. Assim, em primeiro lugar, ele aprenderá e assimilará critérios para tornar o pensamento mais articulado e convincente do ponto de vista da argumentação. Nesses textos, ele terá contato com maneiras demonstrativas de falar, com argumentos e justificativas. Aqui entra o contato com modelos de lógica e raciocínio. Além disso, o contato com conceitos filosóficos e a aquisição de repertório ampliam os sentidos de mundo do estudante. Numa palestra, certa vez, me perguntaram por que insistir para que os alunos leiam. Porque fazer uma boa leitura, num bom nível e com olhos filosóficos, permite a eles ter acesso a níveis mais profundos de significado da vida.CE: E há material didático de qualidade que norteie esse tipo de reflexão?JSF: Muitas vezes os professores reclamam disso, mas existe, sim. A apostila feita pelo governo do Estado de São Paulo é horrível, na minha visão não deveria ser usada. Ela peca por apresentar ideias cristalizadas e coisas que não dizem respeito à vida do estudante, de novo, na lógica da galeria de museu. Quando é atualizada, é de forma rasa, rasteira, como se o estudo devesse ser da filosofia pop. Algo muito positivo, porém, foi a realização do Programa Nacional do Livro Didático 2012 para a área de filosofia. Pela primeira vez, a partir deste ano, os professores receberão os livros e os três títulos selecionados são muito bons, bastante satisfatórios. Mas há mais livros à venda que podem ser de grande ajuda. A Loyola edita uma coleção chamada Uma Nova História da Filosofia Ocidental, de Anthony Kenny, que é talvez a melhor reunião sobre história da filosofia que temos em língua portuguesa, além dos dicionários de José Ferrater Mora. E há também a coleção que organizo com a professora Marilena Chaui. Fora isso, há muita coisa de qualidade na internet gratuitamente. A Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia reúne em seu site links para diversas revistas de qualidade produzidas no Brasil. O Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da USP, também disponibiliza para download artigos da Revista Discurso. Há ainda um site de professores portugueses, chamado Crítica na Rede, com uma série de bons artigos que podem ser acessados.CE: Quais foram os principais condutores na organização que o senhor dirige com Marilena Chaui?JSF: O primeiro critério foi falar de filosofias no plural, e não no singular, para não dar a noção errada de que só existe uma correta e de que as outras são falsas. É possível discutir, mas é preciso dizer que há muitas maneiras de fazer filosofia. Nós escolhemos falar de temas porque acreditamos que eles tornam o conteúdo mais atraente, permitem passar por vários autores. Por outro lado, se a gente falasse de autores, talvez caíssemos em algo que já existe, além de ser algo sempre muito ambíguo, porque quem escreve apresenta aquele pensamento da sua maneira e o ideal é sugerir que os alunos vão até ele. Por meio de grandes assuntos, podemos explorar como foram tratados por diferentes pensadores e também dar sugestões mais livres de literatura, cinema, obras de arte, e mostrar que a reflexão filosófica sobre um tema é viva e está ligada à vivência cultural, não está presa apenas ao livro.* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Clarice Cardoso, da Carta Capital

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