Caminhos para a escola ou a partir da escola?

Educação

Caminhos para a escola ou a partir da escola?


por Ricardo Bresler*


[caption id="attachment_87305" align="aligncenter" width="400" caption="Rua feita para ser ocupada: Iniciativa espanhola é inspirada em congêneres europeus que fortalecem o espaço público"][/caption]   Projeto europeu que estimula que criança vá a pé para a aula faz refletir sobre autonomia e a relação entre a educação e o espaço público. O camí escolar é um projeto da Prefeitura de Barcelona para facilitar a mobilidade das crianças que vão a pé e sozinhas para a escola, estabelecendo trajetos seguros e criando pontos de apoio junto ao comércio local. Ao mesmo tempo que é um projeto simples e encantador, é também complexo pela reflexão que provoca, a partir dos espaços que uma escola ocupa na sociedade em que vivemos. De forma simples, o camí escolar contribui para três efetivações importantes: a construção da autonomia por parte das crianças, o comprometimento com o entorno escolar por parte das famílias e a obrigação do poder público de se posicionar diante das demandas de uma comunidade. A autonomia é fomentada pelo convite para que as crianças (geralmente em torno dos 8 anos de idade) caminhem, sem a supervisão dos pais, para a escola e de volta para casa. No começo é comum que o pai e a mãe vão soltando o laço aos poucos, isto é, saiam de casa poucos minutos após a criança ter partido e a encontrem já no meio do caminho. Pouco a pouco, o tempo entre o momento em que a criança sai e que os adultos a alcancem vai aumentando, até que um dia os adultos alcancem já diante do portão da escola, e então ela passa a fazer o trajeto sozinha ou acompanhada de outras crianças. Além das sinalizações viárias, a criança conta com o apoio de comerciantes que aderem ao projeto e, quase sempre, com a simpatia de pedestres que costumeiramente cruzam seu caminho no mesmo horário naquele espaço público. Uma vez que uma escola ou comunidade se inscreve no camí escolar, inicia-se um processo de mobilização pelo qual representantes dos distritos do município entram em contato com a comunidade. São mapeados os principais caminhos utilizados e todos começam a diagnosticar o que pode facilitar o caminhar autônomo das crianças: em geral, as Ampas (associações de mães e pais de alunos) sistematizam as sugestões das famílias e encaminham para a administração municipal. Os comerciantes que aderem ao projeto são cadastrados, colocam um adesivo com o símbolo do projeto na sua fachada e disponibilizam seu estabelecimento para qualquer necessidade que a criança tiver em seu trajeto para a escola (usar banheiro, telefone etc.). Os familiares assumem um pouco mais a responsabilidade de olhar o espaço público daquela comunidade escolar. No decorrer do ano letivo, as diferentes instâncias do poder público respondem às demandas que cada Ampa encaminha. Exemplo: contêineres para a coleta de materiais recicláveis foram reposicionados alguns metros adiante, pois na esquina em que estavam obstruíam a visão das crianças e dos motoristas; um ponto de táxi não foi realocado porque ainda não se encontrou outro espaço alternativo; foi colocado um semáforo que impede a conversão à direita, melhorando assim a segurança para cruzar uma rua de grande movimento; outro semáforo por hora não será instalado porque naquele local nenhum incidente foi registrado na última década... Independentemente da pertinência da sugestão encaminhada, nenhuma fica sem resposta: pode ser aceita e implantada e, no caso de negativa, uma explicação é apresentada pelo poder público. O camí escolar de Barcelona é um ­projeto similar a outros congêneres implantados em outras cidades europeias fomentados pela rede eurocidades. O princípio é que as ruas da cidade foram feitas para ser ocupadas e que o melhor meio de locomoção é andar a pé, duas ideias básicas que contribuem para produzir espaços públicos, combater o sedentarismo, desenvolver o comércio local... Quanto antes a criança aprender a andar a pé por conta própria, melhor. E quanto antes uma sociedade perceber e assumir isso, melhor. A partir dessas premissas podemos pensar nas inúmeras sociabilidades e infraestruturas urbanas que queremos garantir e que pautariam o trabalho dos poderes públicos. Pensar um paralelo brasileiro A educação básica brasileira tem melhorado e isso é constatado a partir de qualquer parâmetro que se escolha: índices de matrícula, alcance das metas de desempenho, aumento do investimento, criação do piso nacional, mobilização da sociedade... Ainda temos muito a avançar, mas não podemos desconsiderar as conquistas. Apesar disso, para alguns, a escola é considerada a responsável por tudo de errado que existe. Nessa descabida crítica, alguns projetam na escola suas frustrações e atribuem aos profissionais da educação outras responsabilidades e afazeres: se fizermos isso com o camí, corremos o risco de entrar num beco sem saída. Nos primeiros passos que dei ao retornar à escola como pesquisador, aprendi com Jorge Adilson Candido (então diretor da EMEF Tarsila do Amaral) uma lição e tanto. Comentávamos sobre experiências de escolas do campo, como a da EMEF Hermínio Pagotto, que se tornaram centros em torno dos quais a comunidade gravitava e, a partir delas, a estrutura era pensada, criada e regulada. Jorge, ao mesmo tempo que compartilhava nosso encantamento, se perguntava por que raios estávamos a falar disso se o nosso propósito era outro: e se jogam essa responsabilidade para dentro da escola? Os diretores já assumem a responsabilidade sobre o que acontece dentro da escola. Para isso têm de estar atentos ao entorno da escola, das famílias, das condições da sociedade, dos conflitos... Tudo isso já entra na escola e os diretores têm a responsabilidade de mediar esses interesses que chegam. Assumir a responsabilidade sobre o que acontece fora seria isentar o Estado de ser Estado. Apesar de o camí escolar encantar a quase todos em Barcelona, muitos diretores e diretoras de escolas são cautelosos em relação ao projeto, enfatizando que a responsabilidade pelo sistema viário e pela segurança dos pedestres é do Estado e não da escola. A ressalva faz sentido, é justa, e permite manter o foco da escola nas atividades escolares ao mesmo tempo que permite que outros atores (órgãos estatais, famílias...) assumam o seu papel em relação ao que impacta na escola e a partir da escola. No caso das cidades brasileiras, essa ressalva é ainda mais relevante porque elas não foram projetadas para que as pessoas caminhem, porque as calçadas daqui não são calçadas, porque ao longo do tempo se construiu um pseudoconsenso que clama por tirar as crianças das ruas etc. Já o camí escolar reforça o espaço público de uma cidade como Barcelona, que convida as pessoas a saírem às ruas: por todo lado se vê gente que caminha, pedala, patina, anda de skate e patinete. As escolas estão bem distribuídas pela malha urbana e toda a infraestrutura é pensada a partir do se locomover a pé (por exemplo, sabe-se que hoje ninguém anda mais de 20 minutos entre sua residência e a biblioteca pública mais próxima). Desafios que emergem A partir do camí escolar encontramos inspiração para expressar alguns dos desafios da educação pública brasileira que, tal como o camí escolar, dependem menos das ações encetadas pela escola e seus profissionais e mais de ações fora da escola que podem fortalecer ou enfraquecer o potencial da ação de quem se encontra dentro das salas de aula. Enquanto diante de muitas escolas privadas as autoridades viárias ainda se esforçam para educar os familiares sobre os malefícios da “fila dupla”, a maior parte dos estudantes acessa a escola por outros meios, muitas vezes enfrentando a precariedade de calçadas, a ausência de faixas de pedestres e semáforos e a falta de gentileza de boa parte dos motoristas brasileiros. Investir nos acessos é algo que melhora a escola e é responsabilidade de quem não está na escola. Para dimensionar os meios e o tempo dos deslocamentos, as ações e os investimentos necessários, seria importante que o Censo Escolar (um ótimo instrumento para se pensar e administrar a educação) mapeasse no campo “Tipo de transporte escolar” (no “Cadastro de aluno”) de todos os alunos e não só dos que utilizam o transporte escolar oferecido pelo poder público. Não é papel da escola criar um caminho escolar. A escola – especialmente nos espaços em que há interação entre as mães e os pais – pode incentivar alunos e familiares a usarem o espaço público. O uso do espaço público, por sua vez, é um princípio da escola (e também deveria ser da escola privada). Caminhar pela rua ao ir para a escola é sair de verdade da redoma. Quem anda pela rua protegido por um carro ou um adulto que o impede de ver, sentir, cheirar, tomar decisões e interagir, segue num espaço privado, e algumas famílias parecem insistir para que a escola também seja essa extensão da casa. Escolas públicas, no sentido mais profundo do termo, por sua vez, contribuem para reduzir o impacto no encontro de mundos apartados – o dos que se locomovem blindados em seus veículos e o dos que caminham a pé pela cidade: tal qual um aluno pode querer parecer menos infantil ao andar autonomamente para a escola, outro que ia de carro poderia cogitar ir a pé, caso alguns de seus colegas assim o fizessem. Aqui a utopia é de uma escola pública capaz de comportar no seu interior a diversidade de perfis familiares que encontramos na sociedade, incluindo a minoria das classes mais abastadas que hoje se encontra privada de andar a pé. Os caminhos da escola revelam que o desafio maior é continuar a aumentar a valorização e o investimento no profissional da educação da escola pública. O camí revela a importância de clarear e separar os papéis e responsabilidades. Nesse trajeto, podemos pensar sobre como fomentamos autonomias, quais espaços nossas cidades destinam para as escolas e a educação, um meio para pensar que cidade queremos construir. Se o camí propicia isso, já abriu um bom caminho. * Ricardo Bresler, professor da FGV-Eaesp, esteve como pesquisador 
visitante da Universidade Autônoma de Barcelona, com apoio da Capes, em 2012. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.

Foto: http://blog.educacaoadventista.org.br/ Educação

Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil

[caption id="attachment_87265" align="alignleft" width="283" caption="Foto: http://blog.educacaoadventista.org.br/"][/caption] Costa do Sauípe (BA) – A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de evasão escolar entre jovens. “Por que você mata aula?”, perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”. “Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12? O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo aprendendo”, defendeu Salete. De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho. Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas 48,7% terminaram o ensino médio. O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino fundamental. Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais, 15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação. Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”. “É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar professor e escola”, diz Salete. O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores de todo o país. * A repórter viajou a convite da Undime. / Edição: Juliana Andrade e Talita Cavalcante. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil. 


por Mariana Tokarnia*
Foto: jefferyliu / Fotolia.com/ O Porvir Educação

Professores em busca de sentido

[caption id="attachment_87251" align="alignleft" width="300" caption="Foto: jefferyliu / Fotolia.com/ O Porvir"][/caption] As coisas não andam bem para os professores. Só neste ano as manchetes relativas a esta categoria já ressaltaram a gigantesca proporção de adoecimentos entre os educadores, a falta de interessados na carreira, greves por melhores condições de trabalho e, nesta última semana, a violência sofrida por este profissional. O tema da violência voltou agora devido a pesquisa “Violência nas Escolas: o Olhar dos Professores” lançada na última semana pela Apeoesp. O estudo entrevistou 1400 professores das escolas estaduais em 167 cidades de São Paulo. Os resultados, embora contundentes, não chegam a surpreender quem conhece o cotidiano escolar. A maior parte dos professores (62%) leciona em escolas de periferia, que são consideradas mais violentas. Do total, 57% dos professores consideram que sua escola é violenta, mas entre os que lecionam na periferia, esta proporção sobre para 63%. O policiamento está menos presente no entorno das escolas periféricas e a escola da periferia tem mais ambientes degradados ou pichados. Embora não seja maioria, é bastante alta a proporção dos professores que lecionam em mais de um turno (41%) e, no geral, a média de alunos por sala de aula é de 38, bastante acima dos parâmetros recomendados. Os professores associam violência, principalmente, com agressão verbal (62%), agressão física (43%) e falta de respeito (33%) e já vivenciaram situações deste tipo no seu cotidiano de trabalho: 72% presenciaram brigas de estudantes, 62% já foram xingados por estudantes, 35% foram ameaçados e a mesma proporção de professores teve algum bem pessoal danificado por estudantes. Os professores também confirmam que na maior parte das escolas aconteceram casos de vandalismo, furto e discriminação. Não chega a ser maioria, mas boa parte dos professores já viram os estudantes sob efeitos de drogas (42%), bebida alcoólica (29%) e portando armas (18%). E quase um terço dos professores do estado de São Paulo já presenciou tráfico de drogas na escola. Na opinião da quase totalidade dos professores (95%), os principais autores da violência nas escolas são os estudantes e também seriam estes as maiores vítimas para 83% dos professores. Já 44% dos professores veem a si próprios como as maiores vítimas. A pesquisa mostra que a violência cresce consideravelmente à medida que crescem os estudantes, sendo que 24% dos professores homens e 29% das professoras do ensino fundamental 1 (com estudantes de até 10 anos de idade) sofreram algum tipo de violência, enquanto 65% dos professores e 45% das professoras do ensino médio relataram o mesmo tipo de ocorrência. Apesar da percepção de violência ser generalizada nos ambientes escolares, quando perguntados sobre as causas da mesma, os professores a remetem para fora: 74% mencionam genericamente falta de educação, respeito e valores , 49% referem-se especificamente à falta de educação em casa, 47% mencionam a desestruturação familiar e na sequência vem drogas e pobreza. É somente a partir do sexto colocado que as questões internas à escola começam a aparecer e, ainda assim, remetendo às atitudes dos estudantes: desinteresse pelos estudos e conflitos entre os alunos. Sendo estas as causas atribuídas à violência, as soluções apontadas pelos professores indicam uma perspectiva fragmentada e frágil: debates sobre violência, suporte pedagógico, investimento em cultura e lazer, policiamento ao redor da escola. Na visão de 67% dos professores, são agentes externos às escolas que podem resolver os seus problemas: em primeiro lugar os pais, seguidos do governo, da sociedade e da polícia. Dentre os 25% que mencionaram agentes da escola como os responsáveis pela solução do problema, a grande maioria citou a equipe gestora. Em síntese, os professores da rede estadual de São Paulo consideram o ambiente em que vivem violento, já presenciaram e sofreram violência, responsabilizam os estudantes pela situação e atribuem a possibilidade de superação aos pais, à direção e ao governo. Ou seja, os professores se veem impotentes diante da situação. Não é à toa que adoecem. O problema é que a forma escola, com seus corredores, sinais sonoros, carteiras, lousas, matérias, provas, notas, séries e livros didáticos, disseminou-se tão extensamente e há tantas décadas por nossas sociedades ocidentais, que não conseguimos mais questionar o seu modelo. No nosso imaginário coletivo sobre as escolas, estas seriam lugares de ensinar e aprender, onde pessoas vocacionadas para o trabalho com as novas gerações se dedicariam a transmitir-lhes o conhecimento acumulado da humanidade, algo que seria recebido com alegria e gratidão por crianças e jovens curiosos e interessados. Se não é isso o que está acontecendo, então deve ter alguma coisa errada do lado de fora desta instituição tão perfeita atrapalhando – famílias desestruturadas, bairros violentos, epidemias de drogas, governos desonestos. Que outra instituição que fosse considerada violenta por quase 60% de seus profissionais não teria sua forma questionada? Só há uma que continua existindo e sendo reforçada no imaginário coletivo apesar de seu contínuo fracasso – a prisão. E assim como acontece com o sistema penal, nada irá mudar enquanto o modelo institucional não for questionado, enquanto não enxergarmos a violência que é obrigar os jovens a ficarem sentados, enfileirados por várias horas por dia, ao longo de anos, ouvindo falar de assuntos sobre os quais não perguntaram e sendo continuamente avaliados e classificados a partir do que respondem em provas sobre conhecimentos fragmentados, descontextualizados e sem sentido. A superação da situação de violência virá quando a escola conseguir se tornar um projeto coletivo, um projeto comum de estudantes, educadores e famílias interessados em produzir conhecimento, em se transformar mutuamente ao mesmo tempo em que transformam o lugar em que estão. Quando isso acontecer, os professores deixarão de estar isolados em suas salas de aula e se verão membros de uma equipe, com um projeto coletivo, em uma comunidade. Nada mais contrário à doença e à violência do que os sentidos de projeto, coletividade, comunidade. Mas, para isso acontecer, toda a estrutura da rede de ensino – concursos, carreiras, gestão de recursos, avaliações – terá que se voltar para isso, para a constituição de equipes escolares vinculadas com as comunidades em que atuam, em instituições que têm autonomia para gerir seus projetos político pedagógicos a partir das necessidades e dos desejos daqueles que a compõem, em busca de um sentido comum. * Helena Singer é socióloga com pós-doutorado em Educação e diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz. ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Helena Singer*
Foto: Pholidito / Fotolia.com Educação

‘Avaliação não deve parar no diagnóstico’

Pense no seguinte exemplo: você sente aquela dor abdominal e desconfia que tenha alguma coisa errada. Vai então ao médico, que lhe prescreve uma série de exames. Você se submete a eles, leva os resultados novamente ao médico, que faz um diagnóstico e… Pronto, parou por aí. Metaforicamente, acredita Luciano Rocha, especialista em avaliação e aprendizagem, é exatamente isso que tem acontecido com os grandes exames da educação brasileira, como o Enem e a Prova Brasil. Imprimem-se muitos esforços e recursos para conceber e aplicar essas provas, mas elas não ajudam o professor a fazer intervenções pedagógicas para solucionar problemas que estejam acontecendo agora. Para resolver essa questão, Rocha sugere dois caminhos complementares: a criação de índices elaborados localmente e a adoção de estratégias para grupos com níveis de aprendizado parecido. “O professor é o sujeito da mudança, mas ele recebe o diagnóstico do aprendizado muito tarde”, afirma Rocha. A Prova Brasil, exemplifica o especialista, é feita a cada dois anos e avalia apenas língua portuguesa e matemática no 5o e no 9o ano. “Esse exame tem uma escala de proficiência cheia de informações, mas os professores têm dificuldade de interpretá-las. Como ele não sabe, ele não tem como intervir”, afirma. Os resultados, quando chegam, dizem respeito à escola e não ao aluno, que normalmente nem estuda mais ali, uma vez que as avaliações são feitas em anos finais de ciclo. Assim, os alunos avaliados seguem seu percurso escolar sem terem tido a oportunidade de corrigirem suas deficiências. “Voltando à analogia da saúde, é como se o médico tivesse de prescrever o remédio com base num diagnóstico impreciso do paciente anterior. As avaliações educacionais deveriam ser precoces e contínuas”, diz ele. [caption id="attachment_87297" align="aligncenter" width="630" caption="Foto: Pholidito / Fotolia.com"][/caption]   E o problema tem a ver com a forma como o brasileiro lida com a avaliação. “A gente tem uma ideia distorcida de avaliação. Não usamos as provas para melhorar nosso desempenho. Usamos só para saber como estamos”, afirma Rocha, que destaca ainda o fato de o Brasil ter uma cultura avaliativa muito recente, iniciado na década de 90. Diante desse panorama, Rocha determina três tipos de avaliação: a classificatória, que é representada pelo Enem desde que ele passou a servir como um grande vestibular nacional; a gerencial, que é a de índices como Ideb e Pisa, avaliações que funcionam como diagnóstico de grandes grupos de aluno para governos; e a de uso pedagógico, que está a serviço da aprendizagem. É nesta última, defende ele, em que é preciso investir. O primeiro passo nesse sentido é ter avaliações mais localizadas, cujos resultados saiam a tempo de serem usados pelo professor. “Muitos municípios estão fazendo seus próprios indicadores e gerando seus relatórios”, diz ele. Com os dados dos alunos em mãos, os professores conseguem entender em que fase do aprendizado cada um está e desenvolver atividades que os ajude de forma mais efetiva. “O ideal é que fossem adotadas plataformas adaptativas, mas essa é uma realidade ainda difícil nas escolas públicas brasileiras”, afirma ele. Uma possibilidade muito mais plausível, defende o especialista, é a separação das turmas em grupos menores com nível semelhante de proficiência para que se possa dar uma atenção mais individualizada para os alunos. Essa opção é mais fácil, afirma, quando se tem a oportunidade de trabalhar no contraturno ou em escolas de ensino integral. “Até hoje as escolas trabalham com um currículo padronizado, mas todos já entendemos que a aprendizagem não pode ser padronizada”, diz. Educar Educador Rocha será um dos palestrantes da Educar Educador, maior feira de educação da América Latina que ocorre entre os dias 22 e 25 em São Paulo. Sua palestra ocorre no primeiro dia de evento, às 15h30. Para participar das palestras, é preciso comprar o ingresso; a entrada para a feira expositiva, no entanto, é gratuita. O Porvir vai dar dois ingressos para as palestras. Participe da promoção! * Publicado originalmente no site O Porvir.


por Patricia Gomes, do Porvir
Foto: vovan / Fotolia Educação

Parque ecológico em Brasília vira sala de aula ao ar livre

Andar de bike, correr, fazer piquenique. Práticas como essas são alguns dos atrativos que levam as pessoas a frequentarem parques ecológicos. Porém, em Brasília, um espaço verde está indo para além de um ambiente de recreação. O Parque de Uso Múltiplo Olhos D’água, um dos principais da cidade, está se transformando também em uma grande sala de aula ao ar livre. O responsável por isso é Ecoparque, projeto de educação ambiental criado por jovens brasilienses, que busca desenvolver novas abordagens de educação baseadas em práticas holísticas e na transdisciplinariedade. A iniciativa, inclusive, extrapolou os limites da reserva ambiental e foi instalada dentro de uma escola de educação integral.  “Nosso objetivo é apresentar novas propostas de relação com o meio ambiente, usando tecnologias de baixo impacto ambiental. Além de trazer um novo olhar para que as pessoas se apropriem do lugar e percebam que há outras formas de construir, de se relacionar, de cultivar a terra”, afirma Pedro Vinhal, cofundador do projeto, que é a 15ª história contada no Imagina na Copa, plataforma que está mapeando iniciativas de jovens transformadores até 2014. O EcoParque foi idealizado por ele, em 2008, quando estudava educação física, e mais tarde abraçada pelo coletivo 7Saberes – que desenvolve ações de educação ambiental para estimular crianças, jovens e adultos a experimentar essas novas abordagens no que chamam de “laboratório vivo”. A meta do grupo é expandir o número de estações em outros espaços. [caption id="attachment_87237" align="aligncenter" width="630" caption="Foto: vovan / Fotolia"][/caption]   Apenas no passado, cerca de 200 estudantes de instituições públicas e privadas da região realizaram atividades periódicas no parque ecológico, que foi adaptado para receber diferentes atividades – como oficinas de arte e reciclagem, dança circular e permacultura [conceito que significa ‘cultura permanente’, que se baseia na cooperação do homem com a natureza]. Além disso, os estudantes também têm visitas monitoradas pelos espaços dentro do parque chamados estações. Uma delas, por exemplo, é o Túnel de Adobe onde as crianças são estimuladas a engatinhar, atividade importante para desenvolver sua capacidade motora. Já no Espaço de Convivência, são realizadas práticas corporais livres, como o yoga e os jogos cooperativos. Outros ambientes são dedicados a ensinar aos visitantes como mexer com a terra e até mesmo cultivar hortaliças e cuidar das plantas. Uma das últimas estações é o Viveiro de Mudas e o Canteiro de Ervas Medicinais, onde as crianças e os jovens são colocados em contato com aromas e sabores. No quintal da escola A experiência expandiu para além do parque ecológico para alcançar a Escola Parque 210/211 Norte, também em Brasília, que se dedica à educação de ensino integral. Há mais de dois anos, a instituição pública hospeda em seu “quintal” seis estações do Ecoparque, criada pelo 7Saberes. De acordo com Celia Maria Stoppa Muller Fernandes, vice-diretora da escola, o Ecoparque vem contribuindo, principalmente, para estimular a sensibilidade das crianças, indispensável, segundo ela, para tornar as crianças mais curiosas e interativas – importante para desenvolver outros aspectos educacionais. “Muitas das mais de duas mil crianças que passam por aqui a cada semana moram em apartamentos e nunca tiveram ou quase não têm contato com a diversidade ecológica”, afirma. “A partir do contato com a natureza, com as plantas, com a terra, os estudantes se tornam mais sensíveis para trabalhar também com outros conteúdos em sala de aula, seja em disciplinas tradicionais ou em atividades como artes plásticas e visuais”. Segundo Celia Maria, embora os professores ainda sejam resistência quanto a implementação de metodologias que avancem à sala de aula, muitos deles vêm abandonando suas zonas de conforto. “Hoje, professores já estão entendendo melhor o espaço e, inclusive, conseguem aproveitá-lo para trabalhar seus conteúdos.” Veja vídeo feito pelo Imagina na Copa sobre o EcoParque: * Publicado originalmente no site O Porvir.


por Vagner Alencar, do Porvir
Foto: Reprodução/ http://americanobatista.com.br/ Educação

Reforço escolar deve preencher metade do contraturno das escolas integrais

[caption id="attachment_87291" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Reprodução/ http://americanobatista.com.br/"][/caption] Durante o 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, que termina hoje, 17, na Costa do Sauípe (BA), o ministro da educação, Aloizio Mercadante, afirmou que “para resolver a [questão da] qualidade, esperamos que metade do contraturno [das escolas do Mais Educação] seja reforço de português, matemática e ciência”. Ele ressaltou ainda que a meta do programa foi dobrada devido a alta adesão das escolas. Criado em 2010, durante a gestão Haddad, o Mais Educação abrange atualmente 45 mil escolas da rede pública e tem como objetivo melhorar a aprendizagem a partir da ampliação da jornada escolar. As instituições de ensino que integram o programa recebem apoio financeiro e técnico para desenvolver atividades nos dez macrocampos propostos pelo MEC. Alfabetização na Idade Certa Aloizio Mercadante também rebateu críticas ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. Segundo ele, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que 15,2% das crianças e adolescentes não aprendem a ler e escrever na idade esperada. Em alguns estados, como Alagoas e Pará, esse número chega a 35% e 32%, respectivamente. Para ele, diferentemente do que tem sido argumentado na mídia e academia, a idade mínima de oito anos para alfabetização é necessária porque os níveis brasileiros ainda são muito baixos. “Teríamos feito um grande salto nesse país se todas as crianças soubessem ler e escrever. Teríamos uma diferença muito grande”, avalia. O Ministro sinalizou que estados como Santa Catarina e Paraná, cuja média de alunos não alfabetizados fica em 5%, a meta pode ser a alfabetização aos seis anos de idade. “Quem puder fazer antes que o faça.” Até agora, 27 estados e 5.393 municípios aderiram ao Pacto. “Se seu município não aderiu, faça já. Não tem como ficar de fora desse programa. Já estamos pagando 100 mil bolsas e queremos atingir todas. É a maior folha de pagamento vinda da mesma fonte dos últimos anos, mas vale a pena”, declarou. Esportes Prestes a receber dois megaeventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas -, o Brasil deve criar sua primeira Universidade Olímpica na capital fluminense. “Aproveitando os recursos esportivos no Rio de Janeiro, vamos criar uma universidade com cursos voltados à formação de atletas, pesquisa e ciência aplicada aos esportes. [Teremos] cursos como medicina dos esportes e nutrição para esportes”, destacou Mercadante. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Julia Dietrich, do Portal Aprendiz
Pesquisa avaliou meninos e meninas da Espanha e verificou que andar 15 minutos melhora o aprendizado. Foto:Indiana Public Media Educação

Melhor ir a pé: Estudo compara modo de deslocamento e rendimento escolar

[caption id="attachment_87301" align="aligncenter" width="450" caption="Pesquisa avaliou meninos e meninas da Espanha e verificou que andar 15 minutos melhora o aprendizado. Foto:Indiana Public Media"][/caption]   Uma pesquisa feita com adolescentes de 13 a 18 anos mostrou que quem caminha, em média, 15 minutos para chegar à escola melhora o rendimento cognitivo. Considerada o marco inicial do estudo espanhol, a pesquisa Avena (Alimentação e Valoração do Estado Nutricional de Adolescente) se destaca por ser uma das primeiras análises que compara o modo de deslocamento e o rendimento cognitivo, conforme publicado na edição de maio do Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. A pesquisa compara estudantes que vão estudar a pé, de ônibus e de carro. Além de afirmar que a caminhada otimiza o aprendizado, os resultados mostram que quem mora muito perto da escola tem menor rendimento por ter menos tempo de deslocamento, mas quem vai de carro ou ônibus tem rendimento ainda pior. Para chegar aos resultados, 1.700 estudantes da Espanha, sendo 808 meninos e 892 meninas, realizaram um teste de habilidades educativas, medindo capacidade e rapidez de raciocínio, domínio da linguagem e operações matemáticas. A pesquisa Avena conta com a participação de estudioso da Universidad de Granada, Universidad Autónoma de Madrid, a Universidad de Zaragoza e o Conselho Superior de Investigação Científicas de Madrid. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
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Academias estudantis são alternativa para incentivar estudo

Incentivar os alunos a gostarem de estudar é um desafio constante para os professores da educação básica. Como alternativa, alguns docentes criaram academias estudantis que se espalharam por todo o Brasil. A ideia principal dos professores é incentivar a pesquisa em determinada área e fazer com que os alunos se sintam estimulados com as histórias que encontram.  Em Jundiaí (SP), a professora aposentada Olga de Brito teve a ideia de fundar a Academia Infantil de Letras e Artes no município. A iniciativa surgiu durante suas aulas de Língua Portuguesa.  “Quando lecionava, sempre incentivei os alunos a escreverem poesias e recitarem para a turma. Com o sucesso da atividade, resolvi criar uma academia infantil que estimulasse a leitura e a escrita nos alunos do ensino fundamental 1 e 2”, disse. Com o tempo, a academia infantil começou a criar raízes e a expandir. “No começo, criamos a regra de que a criança só podia ficar na academia até completar 15 anos. Mas muitos alunos não quiseram deixar de participar dos encontros. Por isso, fundamos a Academia Juvenil de Letras e Artes”, contou. Brito explica que ela e um grupo de acadêmicos realizam duas reuniões por ano, que geralmente acontecem em abril e outubro. “Nas reuniões, os alunos trazem textos desenvolvidos por eles para que sejam publicados em um livro produzido todos os anos. Na publicação, reunimos os melhores textos dos alunos e cada um deles ganha um exemplar”, declarou. Hoje, a iniciativa já possui 30 anos e tem o reconhecimento da secretaria municipal de Educação. No mesmo molde, em Tijucas (SC), o professor Antônio Lima resolveu envolver os estudantes na Academia Tijuquense de Letras e criou a Academia Estudantil Tijuquense de Letras. “Idealizei uma academia de letras para os estudantes como uma forma de incentivá-los a ler e a escrever. Diferente do reforço escolar, a academia é livre e só integra estudantes que gostam de Literatura”, explicou. Desde 2006, com o apoio da gestão pública do município, alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares desenvolvem projetos e atividades dentro da academia. “Cada aluno pesquisa um autor e ocupa a cadeira dele. Mas, diferente da Academia Brasileira de Letras – ABL, os alunos ocupam cadeiras de escritores vivos e da região”, contou o professor, que também é presidente da Academia Tijuquense de Letras. A ideia é valorizar a literatura local e estimular o surgimento de novos autores. “A academia pretende também valorizar o talento de cada estudante para que, futuramente, eles também possam ingressar na academia oficial.” Além da Literatura Estimulado pelas academias estudantis de letras, o professor Nelson Pascarelli resolveu fomentar a pesquisa na área de Ciências entre seus alunos e criou a primeira Academia Estudantil de Ciências. A ideia, inédita no Brasil, começou em 2011 na Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF Doutor Fabio da Silva Prado, em São Paulo (SP). “Constatei que muitos alunos não conheciam os cientistas brasileiros. Por isso, comecei a incentivá-los a pesquisar mais sobre a ciência no Brasil. Com a pesquisa, desenvolvemos o Dicionário Biográfico da Ciência Brasileira, primeiro trabalho da academia, que foi criada logo em seguida”, explicou. Hoje, em seu terceiro ano, a academia conseguiu derrubar dois mitos na ciência. “O projeto ajudou os alunos a conhecerem cientistas mulheres e cientistas negros, desmontando dois mitos: de que a ciência é branca e masculina. A ciência não é só feita por homens brancos, ela tem a participação das mulheres e dos negros”, contou. As atividades na academia acontecem uma vez por semana durante o contraturno. Dessa forma, o projeto amplia a permanência no aluno na escola. “Durante duas horas, estudamos a história da ciência brasileira. Trabalhar ciência por meio de sua história é algo que ainda não se faz aqui no Brasil e que deve ser explorado. Porque, com esse trabalho, formamos uma cultura de entender o que é a ciência, como se faz e qual a metodologia utilizada sob uma perspectiva mais humana do que exata”, disse Pascarelli. Os alunos que ingressam na Academia Estudantil de Ciências são responsáveis por pesquisar a vida de um cientista brasileiro, ocupando sua cadeira. “Também convidamos palestrantes para falar sobre a carreira científica aos alunos. Buscamos, com isso, fazer com que eles também possam se tornar grandes cientistas brasileiros”, completou o professor. * Publicado originalmente no site Blog Educação.


por Luana Costa, do Blog da Educação
Alunos beneficiados pelo Bolsa Família no Norte e Nordeste têm aprovação maior que média brasileira Educação

Norte e Nordeste: alunos com Bolsa Família têm aprovação acima da média

[caption id="attachment_87318" align="alignleft" width="300" caption="Alunos beneficiados pelo Bolsa Família no Norte e Nordeste têm aprovação maior que média brasileira"][/caption] Alunos do ensino médio de escolas públicas beneficiados pelo programa tiveram índices acima de 82%, enquanto a média brasileira é 75,2%. Costa do Sauípe (BA) – Estudantes beneficiados pelo programa governamental Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média brasileira no ensino médio das escolas públicas. A taxa de aprovação desses alunos é 82,3% no Norte e 82,7% no Nordeste, enquanto a taxa brasileira é 75,2%. Os números são do cruzamento de dados de 2011 do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) apresentados ontem (16) pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, no 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). “Os mais pobres tiveram um desempenho melhor do que a média”, constata Tereza Campello. “Não só conseguimos garantir que essas crianças não saiam mais da escola, mas conseguimos garantir que elas consigam ir melhor na escola”. Ela atribui o rendimento ao fato de que os estudantes beneficiados pelo programa não podem ter uma taxa de frequência inferior a 85%. Para os demais alunos, a taxa é 75%. “Além disso, esses estudantes são superestimulados, as famílias entendem que é um ganho muito grande”, diz a ministra. No Brasil, esses estudantes também se destacam. A taxa de abandono escolar brasileira no ensino médio era 10,8% em 2011, mas entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família, a taxa foi 7,1%. A taxa de aprovação entre os beneficiados foi 79,9% em comparação à taxa nacional de 75,2%. No ensino fundamental, estudantes beneficiados do Norte e Nordeste tiveram taxa de rendimento um pouco inferior à taxa nacional. No Norte, a taxa de aprovação dos beneficiados foi 84,4% em 2011 e 82% no Norte, em comparação à taxa nacional de 86,3%. No Brasil, a taxa geral de aprovação dos beneficiados foi 83,9%. O abandono nacional nessa etapa do ensino foi 3,2%. Entre os beneficiados, também foi inferior, 2,9%. A ministra também apresentou dados que mostram a maior presença dos 20% mais pobres da população brasileira no sistema de ensino. Em 2001, 17,3% dos jovens com 16 anos, que fazem parte desse grupo, tinham ensino fundamental completo. O número passou para 42,7%, em 2011. No Brasil, em 2001, 43,8% dos jovens nessa faixa etária tinham o ensino fundamental completo, e em 2011, 62,6%. Entre os 20% mais pobres do país, os jovens de 15 a 17 anos na escola passaram de 71,1%, em 2001, para 81,1%. No Brasil, a porcentagem de jovens nessa faixa etária na escola passou de 81% para 83,7%. Entre os 20% mais pobres de 15 a 17 anos no ensino médio, - a idade adequada a essa etapa de ensino - a taxa passou de 13,6% para 35,9%. A variação nacional foi 37,4% para 51,7%. “Houve uma melhora no fluxo escolar e são os mais pobres que estão puxando esses indicadores para cima”, constata Tereza. * A repórter viajou a convite da Undime. / Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil
Foto:  UNICEF/BRZ/Daniela Silva Educação

Jovens indígenas do Alto Rio Solimões, no Amazonas, lançam site com produções audiovisuais sobre direitos humanos

[caption id="attachment_87324" align="alignleft" width="190" caption="Foto: UNICEF/BRZ/Daniela Silva"][/caption] Jornais, fotografias, programas de rádio e vídeos criados por meninos e meninas ticunas e kokamas poderão inspirar outros jovens de todo o Brasil a promover e divulgar seus direitos. Tabatinga, Amazonas - Depois de aprenderem a produzir vídeos, programas de rádio, fotografias e montar jornais com foco em direitos humanos, jovens ticunas e kokamas alimentarão um site criado para a rede de jovens indígenas do Alto Rio Solimões, no Amazonas. Oficinas sobre ferramentas de internet estão sendo realizadas de 17 a 21 de maio, em Tabatinga (Alto Rio Solimões), e o site será lançado no encerramento do encontro. As oficinas reunirão 30 jovens, coordenadores de educação indígena e monitores dos quatro núcleos de comunicação que funcionam em comunidades indígenas de Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Tabatinga. Os núcleos e as oficinas são resultado de capacitações promovidas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como parte do Programa Conjunto de Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas (PCSAN) da Organização das Nações Unidas com o Governo do Brasil. A ação conta com financiamento do Fundo para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, criado com recursos do Governo da Espanha. Ao todo, 50 crianças, adolescentes e jovens ticunas e kokamas dos três municípios beneficiados pelo PCSAN já foram contemplados, diretamente, pelas oficinas de comunicação. As peças audiovisuais, produzidas desde agosto do ano passado, valorizam histórias e ações ocorridas nas comunidades indígenas, e têm sido divulgadas em escolas e pontos de circulação dos moradores, alcançando um público diversificado. "Os jovens têm lançado seus olhares para a própria realidade, produzindo jornais, vídeos, programas de rádio e fotografias sobre temas relacionados aos direitos humanos, em especial de crianças e adolescentes indígenas. Com o site, essas expressões audiovisuais poderão ser acessadas por um universo ilimitado de pessoas. O UNICEF espera que o protagonismo desses jovens inspire e motive muitos outros meninos e meninas de todo o Brasil a promover e divulgar seus direitos", comenta o representante do UNICEF no Brasil, Gary Stahl. O site também é uma ferramenta de comunicação contínua para os jovens que passam a compor uma rede de jovens indígenas comunicadores do Alto Rio Solimões. "Com o site, poderemos nos comunicar com outros jovens, e quem sabe agora divulgar ao mundo o que estamos aprendendo. A internet para nós é a ferramenta que estava faltando. Queremos nos comunicar também na nossa língua ticuna e mostrar que podemos continuar nosso costume tradicional, sem jamais deixarmos de ser ticunas", diz o ticuna Sandro Flores, 23 anos. "Nossa expectativa é aprender a usar a internet para divulgar nosso trabalho pelo site. Esse é um grande incentivo para a gente, porque é difícil chegarem oportunidades para nós jovens indígenas. Com o site, vamos manter sempre contato com outros jovens e nos informar sobre nossos direitos", afirma a kokama Geruzethe Arcanjo, 17 anos. O endereço do site dos jovens indígenas será divulgado para a imprensa e para os parceiros assim que for concluído. * Publicado originalmente no site Unicef.


por Daniela Silva, do Unicef

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