Unesco testa método de educadora brasileira em escolas do Rio

Educação

Unesco testa método de educadora brasileira em escolas do Rio


por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU


[caption id="attachment_88104" align="alignleft" width="300" caption="Yvonne Bezerra de Mello. Foto: arquivo pessoal"][/caption] Yvonne Bezerra de Mello, doutora em Educação pela Sorbonne, desenvolveu proposta para "desbloquear" aspectos que impedem facilidade no ensino para alunos e professores. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, está apostando num método alternativo de ensino para melhorar a qualidade do aprendizado em pelo menos 15 escolas do Rio de Janeiro. O método Uerê-Mello, criado pela educadora Yvonne Bezerra de Mello, está sendo aplicado há vários anos em trabalhos educativos com crianças carentes. Escola Modelo Já testado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, o método foi incorporado a um projeto maior agora coordenado pela Unesco, como contou à Rádio ONU, do Rio, Yvonne Bezerra de Mello. "Eu tenho este ano 15 escolas. A minha missão é em um ano melhorar a cognição e o desenvolvimento das crianças e das escolas como um todo. Eu escrevi uma pedagogia de ensino, chamada pedagogia Uerê-Mello, que tem um sucesso de 90% do desbloqueio de crianças e de qualificação de professores, e foi por isso que o governo do Rio de Janeiro me chamou há quatro anos. Eu tenho esta escola modelo, no Rio de Janeiro, com 430 alunos, onde eu posso provar que, independentemente de onde essas crianças estejam, elas podem aprender se tiverem o método certo, e o método certo não é a escola tradicional." Oralidade Segundo Yvonne Bezerra de Mello, a escola tradicional ainda está baseada "numa pedagogia antiga, mais voltada para repetição e cópia do que desenvolvimento da oralidade, por exemplo." A partir do trabalho com a Unesco, ela pretende chamar a atenção para a importância da formação de alunos como seres que interagem com a sociedade e que se preparam para lidar com os desafios do presente e do futuro. Yvonne Bezerra de Mello alertou sobre o que ela chamou de "uso em excesso da internet e de mídias sociais", que levam ao isolamento das crianças. Após terminar o doutorado em educação, na França, Yvonne Bezerra de Mello voltou ao Brasil para se dedicar à recuperação de meninos e meninas de ruas além de levar oportunidades de ensino e formação a crianças carentes. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.

Foto: Fotolia.com Educação

Site oferece banco com 15 mil questões para professor

Quem é professor sabe o trabalho que é elaborar provas diferentes sobre o mesmo assunto para ser aplicadas no mesmo dia. Não podem ser iguaizinhas, já que os primeiros a fazer podem contar para os últimos o que caiu, nem muito díspares, para não causar injustiças. Pensando nessa dificuldade cotidiana do professor, o Descomplica, site que oferece videoaulas à preparação para o Enem, vai disponibilizar, a partir do dia 29/5, segunda-feira, o Descomplica Questões, um banco com 15 mil questões de múltipla escolha com todas as disciplinas do ensino médio. “Nossa missão é sempre simplificar. Em vez de levar uma hora e meia elaborando uma prova, o professor vai poder fazer isso em 15 minutos”, afirma Marco Fisbhen, CEO do Descomplica. A nova ferramenta, apresentada durante a Educar Educador, permite que qualquer interessado se inscreva gratuitamente e acesse o banco. “Plataformas como essa já existem, mas normalmente são engessadas e caras. Essa é uma solução grátis e eficiente”, diz Fisbhen. Uma vez na plataforma, os professores poderão filtrar as questões por disciplina, assunto e grau de dificuldade – fáceis, médias e difíceis. “O bacana é que os professores podem estruturar suas provas de modo interdisciplinar, misturando, por exemplo, questões de história e geografia”, afirma Rafael Cunha, que dá aulas de redação no Descomplica. [caption id="attachment_88050" align="aligncenter" width="630" caption="Foto: Fotolia.com"][/caption] O professor também pode eleger um assunto específico (de Realismo, em português, a Ditadura Militar, em história) ou até mesmo escolher questões a partir de centenas de instituições de ensino superior do país, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Universidade Federal de Viçosa, a ESPM, entre outras. Na versão disponível a partir de segunda-feira, o professor também pode selecionar as questões, montar a prova e imprimi-la. Todas as questões que ele selecionar ficam arquivadas, de forma que ele tenha acesso ao número de vezes que já a utilizou. Também será possível duplicar provas, substituindo algumas questões, ajudando exatamente aquele professor que tem que elaborar provas para turmas de mesmas séries. Para um futuro próximo, já estão previstas a inserção de novas funcionalidades. Numa delas, o professor poderá montar um grupo, selecionar as questões, gerar um link de prova e enviá-lo por e-mail, para que seja resolvida on-line. Quando isso acontecer, o professor terá acesso aos resultados detalhados dos alunos, saberá qual é o assunto que a turma mais errou e poderá escolher com mais embasamento que matérias precisam ser revisadas. Paralelamente, o professor que quiser também poderá inserir questões próprias no banco, para serem usadas por outros educadores. Versão paga Outra novidade são as aulas e as monitorias, ao vivo, que passam a acontecer diariamente, a partir de um calendário pré-estabelecido. A ideia do recurso é servir como um chat on-line, com a presença de um moderador, onde é possível compartilhar mensagens com outros estudantes e fazer perguntas em tempo real para o professor. O Descomplica funciona em um formato de assinatura que varia entre R$15 e R$20 mensais, de acordo com o plano que o aluno escolher – que pode ser semanal, mensal ou semestral. * Publicado originalmente no site O Porvir.


por Patrícia Gomes e Vagner de Alencar, do Porvir
lapis Educação

Escola divide com os pais a responsabilidade de educar

[caption id="attachment_88061" align="alignleft" width="300" caption="A família é muito importante para a Escola Estadual Professora Alice Barbosa Pacheco. Foto: Arquivo da escola"][/caption] A presença da família é considerada muito importante na Escola Estadual Professora Alice Barbosa Pacheco, em Campo Verde, município do sudeste de Mato Grosso. Todos os projetos realizados pela instituição visam à aproximação entre os pais e a escola para que eles participem da vida escolar dos filhos. “Não dá para pensar em uma educação de alta qualidade se a escola não considerar a família como parte essencial do processo”, diz Marly Gomes da Silva, professora de geografia e história em turmas do ensino fundamental e médio e da educação de jovens e adultos. Segundo ela, para o sucesso dos educandos é primordial que pais e escola deem as mãos em um trabalho em equipe. Na visão de Marly, a família e a escola são responsáveis pela educação das crianças. “A educação será mais eficaz quanto mais em sintonia ambos estiverem”, acredita. Há seis anos no magistério, a professora tem licenciatura plena em geografia e pós-graduação em educação ambiental. Elaine Guimarães Bonfim, professora de português e espanhol, há quatro meses desempenha a função de coordenadora do ensino fundamental e médio. Ela entende que a escola só terá sucesso total na tarefa de formar bons cidadãos se contar com o apoio da família. Entre as ações de aproximação, Elaine cita reuniões periódicas de pais e mestres, palestras sobre temas relacionados à educação dos filhos e apresentações de projetos pedagógicos e culturais. Com experiência de seis anos no magistério, ela é formada em letras e pós-graduada em metodologia de ensino de linguagens. Empenho — Professora de ensino fundamental e médio, Lusiane Roegelin Aoki dá aulas de português e espanhol e também é professora multidisciplinar. Ela acredita que a presença da família na escola é importante para o acompanhamento do processo pedagógico e dos resultados da aprendizagem. “Quando a família mostra interesse e participa, o estudante empenha-se para que o resultado seja significativo, pois sabe que alguém está assistindo seu esforço”, salienta. Segundo Lusiane, todas as atividades pedagógicas — leitura, trabalhos e avaliações — necessitam do acompanhamento e da participação indireta da família. Ela já trabalhou com projetos de produção de textos e construção de páginas on-line de relacionamento que exigiam o acompanhamento da família. Este ano, a professora trabalha na elaboração de projeto no qual os alunos têm de envolver os pais em atividades de leitura. Graduada em letras, ela tem pós-graduação em metodologia do ensino da língua espanhola. (Fátima Schenini) Saiba mais no Facebook e no Blog da EE Professora Alice Barbosa Pacheco. * Publicado originalmente no Portal do Professor.


por Redação do Portal do Professor
Alunos reclamam o conteúdo ultrapassado e aulas baseadas em tradução. Segundo Gretel(foto), o professor acaba preso ao molde tradicional. Foto: Veronica Manevy Educação

Nação monoglota

[caption id="attachment_88077" align="alignleft" width="300" caption="Alunos reclamam o conteúdo ultrapassado e aulas baseadas em tradução. Segundo Gretel(foto), o professor acaba preso ao molde tradicional. Foto: Veronica Manevy"][/caption] O ensino de língua estrangeira no Brasil não ajuda a melhorar a baixa proficiência dos alunos. Ver e rever o verbo to be. É assim que a estudante de construção civil, Mayara Ferreira, de 21 anos, define as aulas de inglês que teve durante o Ensino Fundamental e Médio, ambos cursados na rede pública. A estudante começou a ter aulas da língua estrangeira no sexto ano, mas a ausência de uma metodologia adequada e professores qualificados colaborou para que ela se formasse apenas com uma vaga noção do idioma. Entre suas principais queixas: a mesmice dos conteúdos, aulas baseadas na tradução e professores que pareciam não ligar para a evolução dos alunos. “Sempre gostei de estudar, mas as aulas de inglês não tinham credibilidade, era uma bagunça. No Ensino Médio, era comum os alunos saírem da sala quando ia ter aula. A gente pensava “não vamos aprender nada mesmo, vai ser verbo to be de novo”. O desinteresse não acontece apenas na escola pública. Aluno do primeiro ano do Ensino Médio, Felipe Pessanha, de 15 anos, sempre estudou em escolas particulares em Belo Horizonte. Ele conta que adquiriu mais conhecimento sobre a língua inglesa sozinho do que na escola: “As aulas serviam só para aprender o básico e, mesmo assim, muitos alunos saiam sem entender nada. Quem quisesse realmente aprender alguma coisa tinha de procurar um curso ou pesquisar sozinho”. A dificuldade em aprender inglês enfrentada por Mayara e Felipe compõe um cenário muito mais amplo e preocupante no Brasil. Segundo o estudo publicado em agosto de 2012 pela British Council, ONG do Reino Unido para oportunidades educacionais e culturais no Brasil, apenas 5% da população brasileira pode ser considerada fluente na língua. A baixa desenvoltura dos brasileiros também foi comprovada pelo EPI 2012 – Índice de Proficiência em Inglês, realizado pela EF Education First, escola especializada no ensino de idiomas e intercâmbios, que avaliou a gramática, vocabulário, leitura e compreensão de 1,7 milhão de adultos de 54 países. O Brasil figurou na 46ª posição do ranking com uma avaliação de proficiência muito baixa, caindo 15 posições em relação ao último estudo, de 2011. “Um falante com proficiência muito baixa é capaz de se comunicar de forma simples, entender frases isoladas contendo informações rotineiras, mas não consegue desenvolver uma conversa ou discorrer sobre assuntos mais complexos”, explica Luciano Timm, diretor de marketing da EF no Brasil e porta-voz do EPI. A deficiência do aluno brasileiro em língua estrangeira também salta aos olhos quando se observa a distribuição geográfica dos bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras: Portugal é o segundo destino mais visado, atrás apenas dos Estados Unidos. Mais do que a quantidade e excelência das universidades portuguesas, a falta de domínio de um segundo idioma ajuda a explicar a preferência dos estudantes brasileiros. Por esse motivo, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, declarou em abril que Portugal não estará mais entre as opções de destino. Provisória, a medida já vale para os editais abertos neste semestre e tem como objetivo estimular o aprendizado de outras línguas. Criado em 2011 pelo governo federal, o Ciência sem Fronteiras oferece bolsas de estudo para alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores de áreas estratégicas (como ciências exatas e engenharia) em universidades estrangeiras. Ao menos 38 países fazem parte do leque de opções universitárias, mas a barreira linguística acaba se tornando um impeditivo, já que é necessário comprovar um nível mínimo de proficiência para pleitear a bolsa. “É vergonhoso. Todo mundo só quer ir a Portugal, fica uma pobreza de demanda em termos de divulgação da pesquisa no Brasil”, lamenta Fernanda Liberali, professora do departamento de Inglês e do programa de pós-graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da PUC-SP. Prestes a receber eventos esportivos internacionais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o Brasil sente ainda mais a necessidade de falar outra língua diante do grande número de turistas que passarão pelo País. A Wise Up, patrocinadora oficial da Copa, avaliará o inglês dos voluntários, que receberão as oportunidades de trabalho de acordo com seu nível de inglês. A baixa proficiência do brasileiro também impacta a competitividade econômica. No estudo do EPI, o Brasil apresentou o pior desempenho entre os membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e, de acordo com uma pesquisa realizada pela Catho, empresa especializada em Recursos Humanos, apenas 8% dos executivos brasileiros são capazes de falar e escrever em inglês de forma fluente; 24% têm dificuldades em compreender ou se comunicar em inglês. “Uma competência linguística limitada tem um impacto bastante negativo tanto no desenvolvimento profissional de cada indivíduo quanto também no crescimento do País. Oportunidades de negócios podem ser perdidas, relações profissionais podem ser prejudicadas e a falta de independência é maximizada”, explica Vinícius Nobre, gerente do departamento acadêmico da Cultura Inglesa. Falta de preparo e desvalorização As raízes da falta de domínio do estudante brasileiro podem ser encontradas na formação do professor e no espaço reservado à disciplina na grade curricular. O inglês, e mais recentemente o espanhol, amargam há tempos a condição de patinho feio da grade curricular da escola. Só a partir de 2010, por exemplo, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou a cobrar questões específicas de inglês ou espanhol na prova. Os materiais didáticos também só passaram por uma avaliação do MEC nos últimos anos, a partir da inclusão no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Em geral, a carga horária de língua estrangeira é reduzida: uma aula por semana ou, rara exceção, duas. “Há salas com 50 alunos. Isso é uma realidade em todas as disciplinas, mas em língua estrangeira é improdutivo”, analisa Gretel Eres Fernández, da Faculdade de Educação da USP e consultora das Orientações Curriculares de Espanhol para o Ensino Médio. Desvalorizada historicamente dentro da escola, apesar da crescente demanda do mercado e da Academia, a língua estrangeira ensinada na escola ainda é cercada de mitos. “Os alunos já acham que o inglês não se aprende na escola, os outros professores acham que o professor de inglês só ensina o verbo to be, se uma disciplina precisa ser retirada do horário, sempre é o inglês”, elenca Sirlene Aparecida Aarão, professora em escolas particulares do Ensino Médio e autora de materiais didáticos da disciplina. “Os próprios coordenadores muitas vezes não sabem a língua e não têm condições de avaliar se o nível do profissional é ou não adequado”, afirma Fernanda Liberali. Embora seja uma área considerada prioritária pelo governo, o número de matrículas nos cursos de licenciatura está em queda. O desinteresse pela docência também atinge aqueles voltados para o ensino de línguas. Tal situação tem causado o fechamento de cursos de Letras por falta de alunos e em alguns estados faltam professores. Os cursos também enfrentam o ingresso de estudantes sem domínio anterior da língua estrangeira. Lucilene Fonseca, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, trabalhou em cursos de formação de professores e relata o despreparo dos futuros docentes: “Eles têm medo de falar a língua, pois não têm fluência e segurança, e isso se reflete nas aulas de idiomas nas escolas, que se tornam completamente enfadonhas para o aluno”. A graduação deveria ser o momento para o professor aprofundar e discutir questões linguísticas e de ensino em profundidade, porém, como ele ingressa sem conhecimentos, é no curso que ele vai aprender o idioma”, afirma Gretel. O problema é que o tempo reservado para aprender a língua é reduzido: em média, os cursos de espanhol dedicam 400 horas para língua estrangeira, exemplo que pode ser estendido para os demais idiomas. O despreparo do professor limita sua atuação em sala de aula e desestimula os alunos. “Hoje, a língua inglesa não é utilizada como base da comunicação em sala de aula. O professor e os alunos se comunicam em português e apenas falam sobre o idioma, mas analisar a língua não leva à fluência e sim às práticas comunicativas do dia a dia. Esse modelo baseado na tradução é prejudicial, pois o aluno fica sem a vivência do idioma”, explica Renata Quirino de Souza, consultora de Educação e integrante do projeto Pacto pela Alfabetização na Idade Certa. A falta de identidade da disciplina e de uma política nacional capaz de articulá-la também é apontada como entrave para aulas de idiomas mais eficientes. Nas grandes escolas particulares, por exemplo, a abordagem costuma ser irregular ao longo do Ensino Médio. “Até o segundo ano, o aluno estudava com livros importados e era dividido por nível de proficiência. No terceiro ano muda o enfoque para a leitura, por causa do vestibular”, conta Sirlene. A inexistência de uma política nacional e estadual para o ensino de línguas no Brasil, segundo Gretel, deixa o professor perdido: “Não sabemos o que pretendemos ensinar para o estudante. Hoje estamos caminhando sem rumo”. Para Vinícius Nobre, da Cultura Inglesa, o ensino da língua no País ainda é muito desvalorizado e tem como grande obstáculo a falta de um órgão legislador que garanta a qualidade dos serviços prestados pelas escolas particulares e profissionais do ensino de inglês. “Temos inúmeros exemplos, nas iniciativas privada e pública, de práticas que não preenchem os requisitos básicos para o ensino eficiente de um idioma estrangeiro. Vivemos em uma realidade onde professores são contratados sem qualificação, treinamento, registro e com salários pouco atraentes”, aponta. Há ainda os riscos de um mercado com apelo comercial muito forte que faz promessas infundadas sobre a aquisição de outra língua com o objetivo de vender cursos. “Há a combinação de uma educação carente nos ensinos Fundamental e Médio com profissionais e empresas despreparados no universo dos cursos livres. Esse quadro só vai melhorar quando a educação for valorizada e o ensino de inglês for reconhecido como ciência”, na opinião de Nobre. Apesar dos entraves, os especialistas concordam que é possível aprender inglês dentro da escola regular. “A questão é como a aula será oferecida. O aluno não vai se interessar por uma aula tradicional, em que não é possível estabelecer relações entre ela e os usos da língua no cotidiano”, analisa Gretel. Com a formação deficiente ou sem tempo hábil disponível, o professor acaba preso ao modelo tradicional. A especialista aponta algumas boas iniciativas na rede pública dos estados de São Paulo, do Paraná e no Distrito Federal. O princípio é o mesmo: centros vinculados às escolas públicas ensinam idiomas estrangeiros gratuitamente para os alunos no contraturno. Para amenizar o cenário no curto prazo, Gretel cita algumas medidas emergenciais: contratação de mais professores, ampliação da carga horária da disciplina, modificações na prova de língua estrangeira do Enem (como o aumento no número de perguntas e incorporação da oralidade) e mudanças nas aulas oferecidas no Ensino Médio. Além disso, desenvolver com os alunos atividades mais ligadas ao seu cotidiano como análise de filmes e pesquisas sobre assuntos que os interessam pode auxiliar o processo de aprendizagem. “Os alunos conseguem compreender melhor aquilo que estão lendo ou vendo quando possuem interesse no assunto”, diz a consultora Renata Quirino, que também aposta em uma metodologia que leve em conta não somente a língua, mas também a cultura e identidade de seus povos falantes. * Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Thais Paiva e Tory Oliveira*
premiacao Educação

Delegação brasileira conquista 9 prêmios na feira mundial de ciências e engenharia

Os estudantes competiram por mais de US $ 4 milhões em prêmios e foram julgados pela sua capacidade criativa e pensamento científico, rigor, competência e clareza mostrada em seus projetos.   Nas cerimônias de premiação da Intel ISEF (International Science and Engineering Fair), nomeadas “Special Awards Ceremony” e “Grand Awards Ceremony”, 10 estudantes brasileiros marcam presença conquistando 9 prêmios e o primeiro lugar como a delegação com mais prêmios entre os países latino-americanos e o terceiro lugar no geral, ficando atrás somente dos Estados Unidos e do Canadá. Estes jovens cientistas fazem parte da Delegação Brasileira, composta por 32 estudantes, representando 21 projetos que foram finalistas das duas principais feiras nacionais – FEBRACE (São Paulo, SP) e MOSTRATEC (Novo Hamburgo, RS), e da Escola Americana de Campinas. A Intel ISEF (Internacional Science and Engineering Fair) faz parte de um programa da Society for Science & the Public e da Intel Foundation (http://www.societyforscience.org/), A Intel ISEF é uma Feira Internacional de Ciências e Engenharia realizada anualmente em maio, nos EUA. Para participar, o estudante precisa ser indicado por meio de uma das feiras nacionais credenciadas ao redor do mundo. Desde 1950, um Estado norte-americano diferente hospeda a feira. Neste ano, a 64a. edição da feira foi em Phoenix, no Arizona, 12 a 17 de maio, e reuniu mais de 1.500 estudantes de 70 países. Para recebê-los a organização da Intel ISEF conta com uma estrutura que envolve cerca de 500 voluntários, 150 intérpretes e ainda 900 avaliadores – todos com titulação de Ph.D.s ou equivalente – para julgar os melhores projetos Conheça os estudantes brasileiros vencedores da Grand Awards Ceremony (17/05/13): Túlio Vinicius Andrade Souza (17) Grupo Gênese de Ensino, Recife - PE Projeto: Educação física escolar: soluções pedagógicas para as principais dificuldades encontradas pelos professores da educação básica Terceiro lugar em Ciências Sociais e Comportamentais - prêmio de US$1.000 * finalista pela FEBRACE Nayrob Pereira (17) Escola Estadual Alberto Torres, São Paulo - SP Projeto: Uma nova função da neurotoxina TsTXK-beta (Ts8) no veneno do escorpião Tityus serrulatus Quarto lugar em Bioquímica - prêmio de US$500 * finalista pela FEBRACE * bolsista (ICJ) do CNPq pelo Instituto Butantan Gabriel Tiago Galdino (17) Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues, Campo Grande - MS Projeto: Síntese de sais surfactantes a partir do líquido da castanha de caju utilizados no combate à dengue Terceiro lugar em Química - prêmio de US$1.000 * finalista pela FEBRACE * bolsista (ICJ) do CNPq pela FEBRACE 2013 Salvador Alvarado (16) Escola Americana De Campinas, Campinas - SP Projeto: Substituição de Polímeros Super Absorventes em Fraldas Descartáveis por Bagaço de Cana-de-açúcar Terceiro lugar em Gestão Ambiental - prêmio de US$1.000 * finalista pela Escola America de Campinas Agatha Lottermann Selbach (19) e Desireé de Böer Velho (19) Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Novo Hamburgo – RS Projeto: Utilização da Pseudomonas stutzeri na redução do teor de cloretos da água Quarto lugar em Gestão Ambiental - prêmio de US$500 * finalista pela FEBRACE Cristopher Mateus Carvalho (16) , Jaqueline Campos Costa (16) e Julia Maria Resende Ferreira (15) Escola Estadual Manoel Antonio de Sousa, Mateus Leme - MG Projeto: Atividade Biológica e abordagem fitoquímica da planta medicinal ARRABIDAEA CHICA Terceiro lugar Botânica - prêmio de US$1.000 * finalista pela Mostratec * bolsista (ICJ) do CNPq pela FEBRACE 2012 Special Awards Ceremony (16/05/13) Laura Rudella Tonidandel (16) Colégio Dante Alighieri, São Paulo - SP Projeto: Modificação da capacidade tronco das células mesenquimais humanas - a relação entre a positividade da Beta-Catenina com a proliferação e especialização celular Prêmio: Universidade Estadual do Arizona (ASU) (Bolsa de Estudos da ASU renovável por até 4 anos e prêmio de US$ 2.500 para condução de pesquisa em Laboratório na Universidade) * finalista pela FEBRACE * bolsista (ICJ) do CNPq pela MOP 2012 Nayrob Pereira (17) Escola Estadual Alberto Torres, São Paulo - SP Projeto: Uma nova função da neurotoxina TsTXK-beta (Ts8) no veneno do escorpião Tityus serrulatus Primeiro Lugar em Patent and Trademark Office Society prêmio de US$250 * finalista pela FEBRACE * bolsista (ICJ) do CNPq pelo Instituto Butantan Gabriel Tiago Galdino (17) Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues, Campo Grande - MS Projeto: Síntese de sais surfactantes a partir do líquido da castanha de caju utilizados no combate à dengue Segundo Lugar em Patent and Trademark Office Society prêmio de US$150 * finalista pela FEBRACE * bolsista (ICJ) do CNPq pela FEBRACE 2013


por Redação da Febrace
Foto: Stefan Korber / Fotolia.com Educação

Currículo do futuro valoriza o processo de ensino

Thiago Chaer tem sua formação na área de tecnologia da informação e marketing digital. Mesmo com essa especialização, ele defende a criação de um novo currículo, que permite que crianças e jovens não tenham contato apenas com a tecnologia, mas sim uma proximidade maior com os professores, com a pessoa que facilita e apoia o seu caminho. “Aprendizagens significantes partem da relação entre pessoas. Os objetivos, os meios e os resultados são consequências de um relacionamento afetivo e transformador”, afirma Chaer que é fundador do Instituto Inovar para Educar e palestra hoje na Educar Educador, em São Paulo. Foi com o objetivo de usar a tecnologia para aproximar as pessoas que Chaer criou o instituto, cujo foco está na formação de professores. Um dos principais programas oferecidos é o Currículo do Futuro, que traz conceitos que buscam inovar os métodos de avaliação do ensino de aprendizagem. “Em vez de avaliar apenas o resultado, avaliamos os processos, as relações, os impactos relativos às pessoas, sociedade e instituição”, explica. A ideia é desenvolver um novo currículo, que aprofunde mais o conhecimento e permita uma nova construção de significado para ele, ou seja, que não seja feito somente para ser transmitido, mas para ser construído e experimentado em conjunto.  [caption id="attachment_88015" align="aligncenter" width="601" caption="Foto: Stefan Korber / Fotolia.com"][/caption]   Chaer conta que desenvolveu o Currículo do Futuro ouvindo dos próprios educadores que eles precisavam compreender que também aprendem durante a prática de ensinar e que podem pode fazer com que o aluno entenda para onde a educação vai levá-lo. Além de permitir que eles próprios compreendam que também aprendem durante e após sua prática de ensinar. Entre os temas norteadores do programa estão a ressignificação do currículo, que busca transformar o acúmulo de informação em aprendizagens transformadoras; a aprendizagem personalizada, que considera a forma como cada aluno aprender, além de seu próprio histórico sociocultural; o aluno como protagonista do seu aprendizado, tendo autonomia para definir a maneira que aprende melhor e, por fim, uma nova forma de avaliar, que busca conhecer e aproximar o estudante, em vez de excluir. Como parte dessa construção de um novo currículo, o instituto também oferece o Programa Inovação Aplicada à Educação, que apoia os educadores e as instituições de ensino no desenvolvimento de soluções para seus problemas, fazendo com que o educador tenha autonomia e, mesmo em meio a tantas tecnologias, possa resgatar o propósito de educar e a arte de facilitar a aprendizagem. “A Educação 3.0 resume-se, em minha concepção, no uso humanizado da tecnologia, considerando exclusivamente o ser humano e suas necessidades, buscando coerência, relevância e pertinência nos processos formativos em busca do bem-estar social”, afirma. “Como diz Edgar Morin, a educação deve permitir o erro, a incerteza e a experimentação”, diz Thiago. Por isso, o Programa Tecnologias da Inteligência segue na mesma direção, complementando a formação dos professores para o uso humano da tecnologia. “Para inovar é preciso ter liberdade, incentivo a criatividade e a valorização da singularidade de cada agente que participa da construção do algo novo. Investir na formação do educador com certeza é um passo fundamental, assim como o ambiente físico e o clima, fazem toda a diferença no processo de inovação, quanto mais rico de estímulos positivos melhores serão os meios e os resultados.” Todas as atividades promovidas pelo instituto levam em consideração os aspectos técnicos, científicos, psicológicos, afetivos, emocionais e sociais do educador, com o objetivo de alinhar o saber científico (racionalidade técnica), com a arte de educar (com criatividade, reflexão e autonomia). Ao final de cada um dos programas, os educadores desenvolvem um documento chamado de caso de aprendizagem, com o projeto, o passo-a-passo para a aplicação, os recursos necessários e as dificuldades enfretadas durante a execução. Os programas são aplicados 85% do tempo dentro da instituição e 15% do tempo com atividades externas para captar novas ideias e estimular a criatividade. Chaer explica que o desenvolvimento dos projetos pretende fazer com que os educadores tenham iniciativa, além de estimular a criação de uma rede de projetos educacionais inovadores. “Inovar na educação, raramente se legitimará somente com a inclusão de uma tecnologia no processo de ensino, muitas vezes é necessário a revisão de processos pedagógicos e educacionais, mudança de cultura e ressignificação das relações”, afirma. Educar Educador Onde: Centro de Exposições Imigrantes - Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 Horário: 15h às 19h (confira aqui a programação completa) Valor (palestras): R$ 690 a R$ 1.200 (conforme número de palestras e dias escolhidos) Valor (feira): Gratuito Inscrições: até 23/5 pelo site * Publicado originalmente no site O Porvir.


por Vinícius Bonoprê, do Porvir
acesso Educação

Mais de 60% dos alunos de escola pública têm computador em casa

São Paulo - A maioria dos alunos de escolas públicas do país (62%) tem computador em casa, aponta a pesquisa Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) Educação 2012, divulgada hoje (23) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O número é crescente desde 2010, primeiro ano do levantamento, quando o percentual era 54%. No ano passado, essa proporção entre estudantes da rede pública já tinha avançado para 56%. A abordagem reuniu informações de 856 escolas públicas e privadas, selecionadas a partir do Censo Escolar de 2011. Foram entrevistados professores de português e matemática, alunos dos ensinos fundamental e médio, além de coordenadores pedagógicos e diretores. Também houve avanço do acesso à internet pelo celular entre os alunos de escolas municipais e estaduais: crescimento de 14 pontos percentuais na comparação com 2011, alcançando 44% dos entrevistados. No ensino privado, a proporção de estudantes que acessam internet pelo celular é maior, atingindo 54% dos entrevistados. Em relação aos professores, a pesquisa mostra que a presença do computador e da internet em casa está próxima da universalização. No último levantamento, o percentual já chegava a 96%. A maioria deles tem o computador como suporte para desenvolver habilidades e usa a internet para manter contatos informais com outros educadores. O estudo chama a atenção ainda para a necessidade de ampliar políticas públicas de incorporação das tecnologias digitais no ambiente escolar. A sala de aula, por exemplo, ainda não incorporou plenamente o uso dessas ferramentas, apesar de ter aumentado o uso de computadores entre os professores durante as atividades. A prática de ensinar os alunos a usar o computador e a internet – que é feita de forma esporádica – ainda é a atividade escolar em que mais se aplica essas tecnologias. Do ponto de vista da infraestrutura, as escolas analisadas apresentaram maior presença de computadores portáteis, o que revela uma possibilidade de uso dessas tecnologias para além das tarefas de gestão escolar ou das atividades nos laboratórios de informática. Entre os fatores limitantes para esse uso, no entanto, está a quantidade de equipamentos disponíveis e a velocidade de conexão à rede. * Edição: Talita Cavalcante. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Camila Maciel, da Agência Brasil
projeto Educação

Projetos promovem ensino de cultura afro-brasileira nas escolas

A Lei nº 10.639, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nos currículos do ensino fundamental e do ensino médio, completou uma década em 2013. Apesar do tempo, o tema ainda está longe das salas de aulas. De acordo com o Siga Brasil, sistema de informações sobre orçamento público, pouco mais de 11% da verba reservada para projetos educacionais que promovam a igualdade racial foi usada em 2012. Porém, alguns projetos educativos decidiram atuar por conta própria no fomento à cultura afro-brasileira nas escolas. É o caso da Associação Harmonicanto, do Rio de Janeiro (RJ), que criou o projeto Cantar e Contar Clementina – Outra Forma de Aprender, realizado no contraturno das escolas públicas. “Utilizamos a história da cantora e compositora Clementina de Jesus para trabalhar questões históricas, sociais, raciais, de discriminação, de gênero e de resgate da cultura afro-brasileira”, explicou Ellis Amorim, assessora técnica do projeto. O trabalho é feito com 70 crianças de 4 a 12 anos de idade. “O projeto faz com que esses alunos tornem-se cidadãos conscientes de seus direitos, deveres e possibilidades futuras”, contou. Para Cássia Oliveira, coordenadora executiva da associação, o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas é importante não só para conscientizar os alunos, mas também para elevar a autoestima dos afrodescendentes. “A cultura afro-brasileira, a despeito de sua influência na formação de nosso patrimônio cultural, foi discriminada ao longo da história. Proporcionar a valorização desta cultura na escola é resgatar nossas origens e contribuir para a elevação da autoestima afrodescendente”, disse. A atividade está dando resultados e, hoje, é possível que as crianças passem a se identificar com a história da cantora. “Dentre outras abordagens, relatamos experiências da infância relacionadas à família de Clementina, comparando-as com a realidade vivida pelas crianças hoje. Ao apresentarmos fotos da artista, os alunos puderam observar seus traços fortes, herança característica de afrodescendentes, como a cor negra, lábios grossos, cabelos crespos. A maioria prontamente conseguiu identificar pontos em comum com as características de Clementina em si mesmos ou na família”, relatou Oliveira. No Distrito Federal, a Secretaria Especial da Igualdade Racial – SEPIR-DF desenvolveu o projeto SEPIR nas Escolas, cujo foco é o debate de questões étnico-raciais com alunos da educação básica. “A necessidade de inserir a cultura afro-brasileira nas escolas é tão forte que muitas instituições entram em contato para irmos até lá promover nossas ações”, declarou a gerente de desenvolvimento econômico, social e étnico-racial, professora Waldicéia de Moraes Texeira da Silva. As atividades do projeto envolvem palestras, oficinas, jogos e brincadeiras com temas que não são abordados nos livros didáticos. “Falamos sobre a importância do sistema de cotas, dos movimentos sociais negros, entre outros temas, com base na história, filosofia e sociologia”, disse a professora. “Nosso objetivo também é desconstruir o processo de criminalização dos movimentos sociais no Brasil”, completou. Para Silva, quando a criança entra na escola, ela enfrenta o preconceito de forma mais agressiva. E é justamente nesse período que se deve promover a conscientização. “Há pesquisas que apontam que o caráter do adulto é formado entre zero e seis anos de idade. Por isso, é no início da vida que a formação deve ser feita. Acredito que, dessa forma, podemos diminuir o preconceito racial ainda tão presente em nossa sociedade”, declarou. A professora afirma, ainda, que é necessário promover uma formação melhor entre os educadores. “Nossos professores não foram formados para tratar de questões raciais na escola. Por isso, a SEPIR também trabalha dentro de instituições de ensino superior para formar futuros pedagogos que levem a questão para dentro das escolas”, afirmou. O coordenador de relações estratégicas da ONG Educap, Reginaldo Lima, afirma que trazer as questões étnico-raciais para a escola é, também, aproximar a realidade do aluno do ambiente escolar. “Na escola, não existe um universo que trate diretamente das questões afro-brasileiras. Mas tratar de cultura negra é promover um espaço democrático, que eleve a autoestima do aluno, muitas vezes evadido por não se identificar com a escola”, disse. Para ele, é extremamente necessário que a questão entre no Projeto Político Pedagógico – PPP das escolas. “Entendo que a escola é um ponto de partida para fomentar a discussão do preconceito. Precisamos privilegiar a discussão, não colocar um indivíduo acima do outro. Essa é uma forma de evoluir. Precisamos tornar as crianças e adolescentes geradores das soluções de seus próprios problemas”, disse. A ONG Educap atua no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, com projetos focados na diminuição da evasão escolar. * Publicado originalmente no Blog Educação.


por Luana Costa, do Blog Educação
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participa do seminário Cultura e Desenvolvimento Sustentável. Foto: Wilson Dia/ ABr Educação

Quase 90% da população não tem acesso à cultura com frequência, afirma Ministra Marta Suplicy

[caption id="attachment_88090" align="alignleft" width="300" caption="A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participa do seminário Cultura e Desenvolvimento Sustentável. Foto: Wilson Dia/ ABr"][/caption] Brasília - Quase 90% da população brasileira não têm acesso à cultura com frequência, disse a ministra da Cultura, Marta Suplicy, na abertura do Seminário Cultura e Desenvolvimento Sustentável, realizado no dia 21, no auditório da Fundação Cultural Palmares, em Brasília. O objetivo do evento foi promover a importância da cultura para o desenvolvimento sustentável, levando em consideração a relação do tema com os eixos social, econômico e ambiental. A ministra destacou que ir ao teatro ainda é o sonho da maioria dos brasileiros. “Será um grande desafio para o ministério estimular as pessoas a experimentar o novo, que elas possam ter acesso a uma linguagem que elas nunca tiveram.” No eixo social, a ministra falou sobre o programa vale-cultura que concede o benefício de R$ 50 a trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos. O valor deve ser gasto em entradas para teatros, cinemas, museus, além da compra de livros. A previsão é que os beneficiários usem o vale a partir do segundo semestre de 2013. Para a ministra, o benefício será uma economia para o trabalhador, que poderá acumular o valor. “Me perguntaram se poderão utilizar o vale só no final do ano para assistir a apresentações de bandas mais caras. É claro que pode! A pessoa escolhe o que ela quer ver, aonde quer ir”. No Brasil existem mais de 3 mil pontos de cultura, mas a maioria não tem estrutura adequada de funcionamento. De acordo com a ministra, esses pontos, principalmente os mais distantes dos centros urbanos, podem se credenciar ao ministério para financiar recursos para obter melhorias. “Se esses pontos estiverem funcionando, serão excelentes receptores dos beneficiários do vale-cultura”. * Edição: Talita Cavalcante. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Redação da Agência Brasil
adolescentes_escola Educação

Adolescentes que vão a pé para a escola têm notas mais altas

Um estudo produzido por universidades espanholas mostra que os jovens entre 13 e 18 anos que caminham para chegar às escolas têm melhor rendimento cognitivo do que os adolescentes que fazem o mesmo trajeto de carro ou de ônibus. A pesquisa, publicada neste mês, ainda comprovou que, quanto maior a caminhada, melhor o desempenho escolar. Os dados foram levantados com a participação de 1.700 estudantes espanhóis, sendo 808 garotos e 892 meninas, que responderam a um questionário e realizaram testes de habilidades educativas, que também mediam a capacidade e a rapidez do raciocínio, domínio de linguagem e conhecimentos matemáticos. O estudo, batizado de Avena, foi divulgado no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, importante publicação norte-americana sobre saúde de crianças e adolescentes. De acordo com o jornal espanhol ABC, a pesquisa concluiu que, quanto maior o tempo de caminhada, melhor o rendimento nas aulas – sendo assim, os jovens que caminham, em média, 15 minutos para chegar à escola, têm melhor rendimento do que aqueles que usam carro, ônibus ou transporte escolar. Além disso, também foi comprovado que os adolescentes que moram a poucos minutos do colégio têm desempenho pior, se comparados com os que moram mais longe. O estudo foi desenvolvido por grupos de pesquisadores acadêmicos de Granada, Zaragoza e Madri. Além disso, o Conselho Superior de Investigações Científicas de Madri também participou da elaboração da pesquisa. Esta não é a primeira vez que fica comprovado o melhor desempenho entre os alunos que realizam atividades físicas no caminho das escolas: neste ano, um estudo elaborado na Dinamarca mostrou que crianças que pedalam até chegar à aula têm a concentração mais aguçada. * Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Redação do CicloVivo

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