Estudantes brasileiros representam o país em feira de ciências

Pesquisa

Estudantes brasileiros representam o país em feira de ciências


por Redação do Blog da Saúde


[caption id="attachment_52048" align="alignright" width="260" caption="Estudante Caio Ternus criou um dispositivo para verificar a medida do fluxo sanguíneo através de um cateter."][/caption]Os projetos dos jovens pesquisadores brasileiros já estão em Pittsburgh, Pensilvânia, participando da Intel ISEF 2012 (International Science and Engineering Fair), considerada a maior feira de ciência e engenharia do mundo destinada a estudantes pré-universitários. Eles foram selecionados pelas feiras Mostratec e Febrace, organizadas, respectivamente, pela Fundação Liberato (RS) e pela Universidade de São Paulo (USP).O evento acontece de 13 a 18 de maio, no David Lawrence Convetion Center. A Fundação Liberato participa da feira desde 1993 e já conquistou prêmios em diversas edições do evento. Por ser uma feira que recebe projetos de todo o Brasil e de diversos países, este ano a Mostratec enviou nove projetos. Eles representam os Estados do Rio Grande do Sul (três), Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Maranhão e Amapá (um projeto de cada Estado).Os projetos gaúchos são: Simdeb, um dispositivo para verificar a medição cardíaca através de um cateter, do estudante Caio Francisco Ternus de Abreu; Emeped, software de avaliação de prioridade de risco na emergância pediátrica, do estudante Daniel Henrique Fiala; Facilitando a conservação da vida, uma nova proposta para separar o ácido lactobiônico e sorbitol, dos estudantes Eduardo Thadeu Rodrigues e Juliana Hoch; e Revo Foot, prótese ortopédica de baixo custo produzida com materiais recicláveis, dos estudantes Eduardo Trierweiler Boff e Lucas Strasburg Ferreira (este último selecionado pela Febrace).A Intel ISEF 2012 está recebendo, aproximadamente, 1,5 mil jovens cientistas, oriundos de 68 países.* Com informações de Luis Eduardo Selbach, da Fundação Liberato.** Publicado originalmente no site do Portal Aprendiz.

e3 Escolas

Bicicleta vira ‘material escolar’ no interior de São Paulo

São José da Bela Vista (393 km de São Paulo) foi o primeiro município do Estado a ser beneficiado por um programa do governo federal que tem como objetivo acabar com a evasão escolar.Na sexta-feira, 11 de maio, a pequena cidade da região de Ribeirão Preto, com pouco mais de 8.000 habitantes, recebeu as 900 bicicletas do programa Caminho da Escola.Nesta segunda-feira (14), no primeiro dia de aula após a entrega das bicicletas, os novos veículos de transporte mudaram a rotina da cidade, segundo o inspetor de alunos Antonio Carlos Dias Feliz. “Tem muita criança pedalando pelas ruas. Elas estão animadas com a novidade. Despertou a curiosidade de todos”, disse.As bicicletas foram entregues para crianças que cursam do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental da escola municipal José Renato Nogueira Ambrósio (711 unidades).Outras 15 foram para o EJA (Educação de Jovens e Adultos) da cidade. No total, São José já recebeu 900 –174 ainda serão entregues a outros alunos da cidade.Segundo a diretora da escola, Elisabete Balan Isaac, as bicicletas vão ajudar os estudantes. “Temos alunos que andavam até cinco quilômetros para estudar. Faltavam muitas vezes. Agora, as bicicletas vão facilitar a vida de todos. Hoje já percebi uma maior presença dos alunos.”A diretora acrescentou que o programa vai ajudar, principalmente, crianças que moram na zona rural –são cerca de 70 matriculadas.ProgramaO programa do governo federal prevê a entrega de 2.542 bicicletas em seis cidades paulistas. Além de São José da Bela Vista, vão receber bicicletas Anhembi, Elias Fausto, Barretos, Monte Azul Paulista e Aparecida d’Oeste.O programa foi criado em 2007 e tem objetivo de ampliar os meios de transportes dos estudantes através da renovação da frota de veículos escolares para reduzir a evasão escolar.Também prevê a aquisição de ônibus e vans, mas disponibiliza também aos municípios a compra de barcos e bicicletas.Outros estados já foram contemplados pelo Caminho da Escola. Mais informações no no site do Programa Caminho da Escola.* Publicado originalmente no site do Portal Aprendiz.


por Redação do Portal Aprendiz
e1 Comportamento

Falta de ferro e vitamina A prejudica desempenho escolar e crescimento saudável

Como ação do programa Brasil Carinhoso, lançado pela presidenta Dilma Rousseff, o Ministério da Saúde vai distribuir suplementos de Ferro e Vitamina A para as crianças brasileiras. O objetivo é reduzir os índices de anemia, que prejudica o desempenho na escola e compromete o crescimento saudável.A nutricionista e consultora técnica da Equipe de Programas Estratégicos de Alimentação e Nutrição da Coordenação Geral de Alimentos e Nutrição do Ministério da Saúde, Karla Lisboa, explica que a anemia contribui para a morbidade infantil. Isso porque a deficiência nutricional abaixa a imunidade e gera menos resistência a infecções. Crianças com fadiga generalizada, falta de apetite, pouca disposição e palidez podem estar com anemia.Segundo ela, a vitamina A é uma substância importantíssima para evitar o quadro de anemia. “Ela faz parte do metabolismo do Ferro, assim como outros nutrientes também fazem parte, por isso é importante que não haja deficiência da vitamina”, explica Karla Lisboa. A complementação nutricional pelo sulfato ferroso é a medida ideal para tratar a deficiência de Ferro. A nutricionista afirma que alimentos folhosos na cor verde escuro, além de leguminosas e grãos integrais, contêm Ferro, e auxiliam a tratar a deficiência do nutriente.De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 2006, 20,9% da população infantil brasileira entre zero e cinco anos possuem deficiência de ferro e 17,4% carência de vitamina A. Serão usadas as campanhas de vacinação para distribuir a dose de Vitamina A para crianças de seis meses a cinco anos de idade, em 2.755 municípios. O investimento é de R$ 5 milhões ao ano. Quem estiver na idade alvo receberá uma dose da vitamina a cada seis meses. As campanhas de vacinação vão reforçar a importância de receber a dose. As doses podem reduzir o risco geral de morte em 24% e o risco de mortalidade por diarreia em 28%.A iniciativa também prevê a garantia de acesso ao sulfato ferroso em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país para crianças de seis a 18 meses. Com essas medidas, o MS pretende reduzir os casos de anemia na primeira infância em 10% e a deficiência de Vitamina A em 5% ao ano. A medida vai impactar diretamente na redução da mortalidade infantil.Veja os alimentos que contém Ferro e Vitamina AFerro-Folhosos verde-escuros: (exceto espinafre), agrião, couve, cheiro-verde, taioba.-Leguminosas: feijão, fava, grão-de-bico, ervilha, lentilha.-Grãos integrais ou enriquecidos: nozes, castanhas, melado de cana-de-açúcar, rapadura e açúcar mascavo.Vitamina AA vitamina A é encontrada quase que exclusivamente em produtos animais, como leite humano, carnes, fígado, óleos de peixe, gema, leite integral entre outros.Para o bebê, o leite materno é a principal fonte de Vitamina A.* Publicado originalmente no Blog da Saúde e retirado do site do Portal Aprendiz.


por Redação do Blog da Saúde
Os estudantes de baixa renda poderão fazer o teste de certificação gratuitamente. Foto: Tulane Public Relations Desenvolvimento

Cerca de R$ 20 mil serão investidos em bolsas de estudo para alunos de baixa renda

[caption id="attachment_52058" align="aligncenter" width="425" caption="Os estudantes de baixa renda poderão fazer o teste de certificação gratuitamente. Foto: Tulane Public Relations"][/caption]A organização britânica British Council, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), vai auxiliar os bolsistas que pretendem estudar no exterior pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF). A instituição irá investir cerca de R$ 1,6 milhão na disponibilização de livros e testes de proficiência gratuitos aos estudantes de baixa renda, durante um ano de projeto. O CsF pretende oferecer 20 mil bolsas de estudo ainda este ano. Destas, cerca de dez mil serão para o Reino Unido.Para estudar em instituições estrangeiras pelo CsF, os bolsistas precisam comprovar fluência em inglês por meio de testes de certificação como o International English Languages Testing System (Ielts), que é aplicado pelo British Council em mais de 100 países e custa R$ 440. Os alunos em condições de risco social serão indicados pelo coordenador do CsF de cada instituição e poderão fazer a avaliação gratuitamente.O British Council também aplicará testes de nivelamento para que os estudantes possam conhecer melhor qual é o nível de conhecimento na língua. Os selecionados para receber a bolsa do CsF podem passar até seis meses no país de destino fazendo uma uma “imersão” na língua para só depois prestar o exame de certificação. Quem não é aprovado nesse quesito não pode iniciar os estudos na instituição estrangeira para a qual foi candidatado.Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o número de jovens de baixa renda, que têm tido um desempenho bom no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é significativo, porém, boa parte deles apresenta deficiência na formação da língua inglesa. “Nós temos um grande desafio pela frente, que é a proficiência em línguas. O mérito é inegociável, a condição para o aluno acessar o CsF é ter mais de 600 pontos no Enem. Por isso, estamos fazendo um esforço muito grande nessa direção [de melhorar o acesso ao estudo da língua]”, afirmou à Agência Brasil.A meta do projeto é ampliar o número de cidades em que há aplicação do Ielts (atualmente há 17 em todo país) utilizando os campi dos institutos federais de educação profissional e tecnológica. Além disso, o British Council vai disponibilizar um site com materiais preparatórios para o exame, a data para o lançamento ainda não foi divulgada.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
Foto: Joanne Cardoso Mundo

Marcha pela Educação reúne cerca de 100 mil estudantes em Santiago

[caption id="attachment_52061" align="alignleft" width="280" caption="Foto: Joanne Cardoso"][/caption]Estudantes chilenos/as atenderam a mais uma convocatória das organizações estudantis do Chile e realizaram, nessa quarta-feira (16), mais uma Marcha Nacional pela Educação. Informações revelam que cerca de 100 mil pessoas foram às ruas de Santiago, no Chile, para pedir uma "educação pública, gratuita e de qualidade”.A mobilização de hoje superou a realizada no dia 25 de abril, quando cerca de 80 mil pessoas foram às ruas para protestar. Os/as manifestantes se reuniram na manhã de hoje na Praça Itália, de onde saíram em marcha pela Alameda e Mac Iver para chegar à Estação Mapocho.Os/as estudantes pedem uma reforma tributária e educacional no país. Em material divulgado para a convocatória da Marcha, a Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech) destacou a mercantilização dos direitos no Chile. De acordo com a Federação, o Ensino Superior no país é encarado como um "grande negócio”.De acordo com informações de agências, a mobilização registrou alguns incidentes no final do ato, quando um grupo de cerca de 200 pessoas encapuzadas jogaram pedras e garrafas contra as Forças Especiais de Carabineiros, os quais responderam com bombas de gás lacrimogêneo e água.A manifestação desta quarta-feira (16) foi convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (Aces) e Coordenadora de Estudantes Secundaristas (Cones). Além de Santiago, outras cidades também programaram manifestações para hoje, como: Copiapó, La Serena, Valparaíso, Talca, Concepción, Chillán, Valdivia, Osorno e Castro.* Com informações de agências.** Publicado originalmente no site Adital.


por Karol Assunção, do Adital
e6 Alfabetização

Programa do MEC para alfabetizar alunos até os 8 anos vai investir na formação de professores

São Bernardo do Campo (SP) – Deve entrar em funcionamento, no ano que vem, o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), do Ministério da Educação (MEC). Segundo o secretário de Educação Básica da pasta, Cesar Callegari, na próxima semana o ministério enviará uma correspondência a todos os prefeitos e governadores explicando os detalhes do programa, que pretende garantir a alfabetização de todos os alunos até os 8 anos de idade tendo como principal foco a melhora na formação dos professores que lecionam nos três primeiros anos do ensino fundamental.“O Ministério da Educação está decidido a trabalhar de maneira colaborativa com cada um dos municípios e estados brasileiros para que nós possamos realizar essa tarefa, absolutamente indispensável para o sistema educacional brasileiro”, ressaltou Callegari para uma plateia composta de secretários municipais de todo país no Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação.O foco da iniciativa é melhorar a formação dos 244 mil professores que lecionam no três primeiros anos do ensino fundamental. Entre as ações previstas está a distribuição de bolsas de incentivo para que os professores participem de cursos de capacitação fora do horário de trabalho.“É absolutamente indispensável valorizar esses profissionais. E a melhor maneira de valorizar esses profissionais é proporcionando um lugar de destaque na suas carreiras e um processo de formação continuada”, disse o secretário.Callegari espera que todos os gestores municipais e estaduais enviem as demandas necessárias para a execução do programa até julho para que os recursos necessários sejam incluídos no orçamento de 2013.* Edição: Fábio Massalli** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.


por Daniel Mello, da Agência Brasil
O portal é disponibilizado apenas em inglês. Imagem: Reprodução Tecnologia

Google lança portal para facilitar pesquisas de professores e estudantes

[caption id="attachment_52067" align="aligncenter" width="425" caption="O portal é disponibilizado apenas em inglês. Imagem: Reprodução"][/caption]Para ensinar estudantes e professores a fazer pesquisas mais qualificadas, o Google lançou no mês de maio o site Search Education. Ainda em inglês, o site possui vídeos e dicas que explicam a funcionalidade do portal, que é destinado, principalmente, a professores interessados em ensinar estratégias de pesquisa a seus alunos ou a usuários que querem otimizar suas buscas.“Nós decidimos ensinar a pesquisar porque o Google tem uma gama de ferramentas, mas a maioria das pessoas só conhece parte delas”, afirmou a educadora da empresa, Tasha Bergsin-Michelson, ao portal Porvir.Entre as seções do site há a Google Day Challenge, que propõe atividades onde os estudantes podem ser testados tanto no conhecimento da matéria, quanto nas ferramentas do buscador. O setor é dividido por disciplinas como história, geografia e biologia. As atividades específicas foram desenvolvidas a partir do currículo norte-americano.Outra atração do novo site do Google é o Lessons Plans, que disponibiliza tutoriais em três níveis de dificuldade, que explicam as formas de pesquisa no portal, além de vídeos com dicas de como escolher os termos de pesquisa mais adequados, entender o resultado da busca, restringir a pesquisa para chegar a melhores resultados e até avaliar a credibilidade da fonte de informação.A estratégia do Search Education é de mostrar aos professores a possibilidade de treinar seus alunos para torná-los capazes de aprender sozinhos e de ser bons questionadores. “Nós precisamos cultivar a autonomia da aprendizagem nos nossos estudantes, para que, quando eles saírem para o mundo, depois do ensino médio, na faculdade, na carreira ou na vida, eles saibam como pesquisar e pensar criticamente”, comentou a bibliotecária e membro da equipe de educadores do Google, Anne Arriaga.Conheça o portal aqui.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
e8 USP

Exclusão afeta aprendizagem de aluna com deficiência visual

A adaptação de técnicas de ensino evitaria a exclusão da aluna em sala de aulaA integração de uma garota de 17 anos com deficiência visual no cotidiano de uma escola regular mostrou que algumas práticas dos professores observados poderiam ser consideradas como comportamento de exclusão.No trabalho “Educação de pessoas com deficiência visual: inclusão escolar e preconceito”, realizado no Instituto de Psicologia (IP) da USP entre 2008 e 2010, a psicóloga Diana Villac Oliva acompanhou por seis meses as aulas e os intervalos para recreio desta garota em uma escola particular de médio porte, no interior de São Paulo. A garota cursava a 9ª série do Ensino Fundamental.Durante o recreio, segundo a pesquisadora, há boa interação da menina com seus colegas. Nas aulas, no entanto, a garota tende a ficar excluída. Poucos professores se preocupam em tomar uma postura que auxilie a garota a entender o que está sendo explicado. “A ausência de adaptações curriculares para a acessibilidade resulta na exclusão do conteúdo” afirma Diana.Dessa forma, embora a menina consiga socializar, ela não tem a mesma oportunidade de aprender que os demais colegas, devido à imposição de alguns obstáculos, como volume baixo na voz dos professores ou mesmo a não utilização de recursos já adquiridos e destinados a deficientes visuais para as aulas de informática, como um teclado adaptado e um software para leitura de tela.JustificativasAinda que os professores se justificassem dizendo não serem preparados para adaptar o conteúdo de suas matérias a jovens com deficiência visual, o comportamento dos docentes no decorrer das aulas demonstrou uma alienação em relação a um aluno que precisa de ações inclusivas para partilhar de um aprendizado semelhante ao do restante da turma.As práticas observadas demonstram o quanto esses professores são, ao mesmo tempo, vítimas e reprodutores de uma pseudoformação. Diana destacou a exigência de que a aluna descrevesse em uma redação um objeto que nunca tinha visto. Para a psicóloga, falta a esses professores identificação com a aluna, para que as barreiras que ela enfrenta possam ser eliminadas.“Não é preciso capacitação para perceber que um aluno com deficiência visual não pode descrever objetos que não conhece” disse a pesquisadora.Outro ponto verificado foi de que não havia diálogo entre a escola regular e a escola especializada frequentada pela aluna. Nas escolas especializadas, as técnicas de ensino são modificadas para tornarem-se viáveis para deficientes. Com a falta de diálogo entre as duas instituições, a aluna não conseguia aproveitar a possibilidade da adaptação dos materiais para o acesso ao conteúdo na escola regular. Se isso fosse possível, a garota poderia ter provas e textos traduzidos para o braille e materiais de física, história e geografia, por exemplo, viabilizados para cegos. A exclusão do conteúdo ao qual essa aluna passa é uma manifestação do preconceito que ela sofre em sala de aula.Uma das formas de diminuir o preconceito na sociedade, segundo Diana, é integrar crianças diferentes entre si, para que estas, durante a formação de suas personalidades, não reconheçam as distinções forjadas pela sociedade. “Tanto os alunos em situação de inclusão, quanto os demais membros da comunidade escolar, e em ampla escala, toda a sociedade, se beneficiam com a diversidade e a identificação propostas pela inclusão” finaliza a pesquisadora.O estudo teve a orientação do professor José Leon Crochík, no IP, e foi defendido em maio de 2011.* Publicado originalmente no site da Agência USP de Notícias.


por Mariana Melo, da Agência USP
Oficinas produziram conteúdos sobre a preservação do Rio Corumbataí. Foto: Vivian Battaini Crianças

Oficinas sobre meio ambiente usam mídia para motivar alunos

[caption id="attachment_52073" align="alignleft" width="230" caption="Oficinas produziram conteúdos sobre a preservação do Rio Corumbataí. Foto: Vivian Battaini"][/caption]As crianças que estudam nas redondezas do Rio Corumbataí, no interior de São Paulo, não podem nadar ou pescar nas águas poluídas. Apesar disso, muitos desconhecem a parcela própria de responsabilidade em conservar o rio limpo. Foi o que percebeu a bióloga Vivian Battaini, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, em sua pesquisa de mestrado, numa série de oito oficinas sobre educação ambiental que organizou em quatro escolas públicas da região. Para enriquecer o debate, propôs às crianças a produção de conteúdos de jornais e fanzines sobre a preservação do Corumbataí. O trabalho integra o projeto temático do Programa Biota da Fapesp “Mudanças socioambientais do estado de São Paulo e perspectivas para conservação”.O Rio Corumbataí tem 140 quilômetros (km) de extensão, nasce no município de Analândia e desemboca em Piracicaba, abastecendo a população da cidade e de Rio Claro, entre outras da região. Enfrenta problemas como poluição, assoreamento e queda de árvores. Por que o rio está poluído? De quem é a responsabilidade? É possível denunciar quem, por exemplo, joga detritos na água? Essas foram algumas das questões que Vivian levantou com os alunos, todos do segundo ciclo do ensino fundamental.“O estudo da bacia hidrográfica local estimula um processo social de responsabilidade e vínculos com o ambiente físico em que vivem e, dessa forma, estimula o pertencimento. Esse é um sentimento importante que potencializa o agir na comunidade”, escreve Vivian na dissertação intitulada Educomunicação socioambiental no contexto escolar e conservação da bacia hidrográfica do Rio Corumbataí.A educação ambiental está prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que dão as diretrizes para o ensino básico brasileiro. “As escolas tratavam a educação ambiental por meio de temas como plantar uma árvore e cuidar do próprio lixo. Mas faltava olhar para o meio em que os alunos estavam inseridos”, diz a pesquisadora, que faz parte do grupo de pesquisa e extensão em educomunicação da Esalq coordenado pela professora Laura Alves Martirani, que também orientou a pesquisa. O projeto também inclui a gestão de um blog (www.educorumbatai.blogspot.com ), que conta com a participação de estudantes universitários, e um documentário sobre a problemática dos recursos hídricos na atualidade e na região estudada.Segundo Vivian, o trabalho mais difícil foi na escola que pertencia à região mais pobre entre as visitadas. A falta de infraestrutura local, como ruas sem asfalto e transporte precário, despertava nos alunos a sensação de que seus direitos não estavam sendo cumpridos. “Por isso, eles tinham dificuldade em aceitar que pertencem ao local e possuem deveres a cumprir, como a preservação do rio”, conta.EducomunicaçãoO uso da educomunicação nas oficinas teve por objetivo desenvolver o olhar crítico dos alunos sobre a sociedade e interligá-los ao contexto social e midiático em que estão. Deste modo, criam consciência sobre o próprio papel na conservação dos recursos naturais da região e desenvolvem habilidades para participar de modo mais efetivo na realidade social.Para trabalhar elementos da mídia impressa em sala de aula, Vivian fez parceiras com jornais locais e levou profissionais da área para conversar com a garotada. Analisou textos de publicações conhecidas e perguntou se alguma delas abordava questões relativas ao Rio Corumbataí. Diante da resposta negativa, propôs que os alunos levassem suas opiniões a público.“A maior dificuldade foi despertar neles a vontade de escrever”, diz. A solução foi estimulá-los a pôr no papel as próprias ideias e opiniões. O objetivo não era chegar a um texto jornalístico profissional e, sim, oferecer uma ferramenta de reflexão sobre o meio ambiente.* Publicado originalmente no site da Agência USP de Notícias.


por Thiago Minami, especial para a Agência USP
image Artigo

A roda de chimarrão e as rodas de conversa

Lá em casa de papai e mamãe, Santa Emília, Venâncio Aires, interior do interior do Rio Grande do Sul, a roda de chimarrão é sagrada desde sempre. Ou desde que me conheço por gente. De manhã bem cedo, entre seis e sete horas, tirado o leite das vacas, todos se reuniam ao redor do fogão a lenha, enquanto nos preparávamos para ir à escola. Hora de organizar o dia: quais as tarefas prioritárias; qual parte da roça capinar; que trecho de milho colher; se é preciso levar esterco antes de lavrar o pedaço onde vai ser plantado o feijão nosso de cada dia; saber se a redação foi feita; decidir se está na hora ou não de colher o fumo ou, no veranico de maio, a soja; vai chover ou não vai chover?Antes do meio dia, a segunda roda de chimarrão: conversar sobre os problemas da manhã; a junta de bois que resolveu andar de lado; comentar sobre os vizinhos e suas lidas, acompanhadas do outro lado da cerca; preparar os trabalhos da tarde. (Naqueles tempos, ainda havia outra roda de chimarrão no início da tarde, hoje abolida).Início da noite, vacas e bois na estrebaria, leite tirado, porcos alimentados, ovos recolhidos, tudo quieto, só o silêncio da noite sem luz elétrica (fui conhecer e admirar os interruptores de acender a luz pelos oito, nove anos), hora de passar o dia a limpo: os pendões de milho que estão aparecendo; a chuva que está faltando ou não; as formigas que estão comendo as plantas pequenas; as goiabas apanhadas no pé à beira da estrada; as bergamotas e seus gomos cheios de doçura. Na roda de chimarrão à beira do fogão a lenha, a família unida se encontra feliz e recompensada, conversando sobre a vida, a escola bancada pela comunidade, a união pelo bem comum de todas as famílias e agricultores familiares daquela pequena comunidade, que só em 2012 recebeu o primeiro pedaço de asfalto no centro, em torno da igreja.As rodas de chimarrão continuam animando a vida das pessoas, enquanto começa e acontece por estes dias, em Venâncio Aires, autoproclamada a Capital Nacional do Chimarrão, de 3 a 13 de maio, a 11ª Fenachim – Festa Nacional do Chimarrão.As Rodas de Conversa da educação popular são como uma Roda de Chimarrão. O que são Rodas de Conversa? São atividades desenvolvidas com o objetivo de criar espaços de estudo, de debates, de articulação e construção conjunta com diversos movimentos e organizações sobre diferentes temas de interesse e sistematização das experiências de educação popular. As Rodas de Conversa possuem como fundamento a concepção de Círculo de Cultura na perspectiva freireana (de Paulo Freire). São um espaço de ação educativa em que os participantes estão envolvidos em um processo comum de ensino e aprendizagem, com liberdade de fazer uso da palavra, expressar-se, intervir, estabelecer relações horizontais, vivenciar ações coletivas, ressignificar suas práticas e concepções, assim como reler o mundo em que estão inseridos, mediados pelo diálogo, num processo reflexivo.Nesse sentido, as Rodas de Conversa não podem se limitar a um espaço de interação por meio do qual as pessoas apenas se informam ou apresentam seus pontos de vista. No âmbito da educação popular, as Rodas de Conversa, fundamentadas na concepção do Círculo de Cultura, devem contribuir para o amadurecimento político dos grupos populares (Plano Pedagógico e Organizativo para o Triênio 2012-2014 – Da nossa Diversidade, a Força e Unidade para Construir um Projeto Popular – Rede de Educação Cidadã - Recid).Mais: "Vejamos uma mostra dos espaços onde os educadores e educadoras da Rede realizam suas oficinas, nas casas residenciais, prédios de alvenaria, galpões, barracos de barro com palha, beiras de praia, praças, parques, quadras esportivas, barracos de lona, salas de escritórios, salões paroquiais, salas de aula, hotéis, sítios, entre outros. Esses lugares são escolhidos por diferentes razões, mas, na maioria das vezes, são espaços populares por definição, ou seja, já abrigam de alguma maneira pessoas ou coletivos que se comprometem, em alguma medida, com a causa popular”. (Sem Cercas e Muros: a Educação Popular no Meio do Povo – Análise do Processo Pedagógico das Oficinas da Rede de Educação Cidadã – Equipe Pedagógica da Recid e Centro de Assessoria Multiprofissional - Camp, 2012).Não parece, a Roda de Conversa, com a Roda de Chimarrão? "É assim que os ambientes e espaços de educação popular de verdade se conectam com a vida. A escuta e a sensibilidade, quando exercitadas, dão conta de escolher o melhor tema, a melhor metodologia, e igualmente, o melhor local. Seja este debaixo de uma árvore, porque faz sombra, no barracão da comida, porque há mulheres na casa da Dona Maria, porque ela é referência da comunidade”. (Idem).Eu, que sou tomador diário de chimarrão e mantenho o hábito em Brasília, e participo de muitas Rodas de Conversa por este imenso país, posso dizer: a melhor Roda de Chimarrão é aquela ao redor do fogão a lenha na cozinha, família, vizinhos e parentes em volta. A melhor Roda de Conversa é a que reúne companheiras e companheiros em torno de um ideal, de um sonho, de transformar o Brasil num país e Nação de justiça, igualdade, democracia e liberdade.E quem puder, ainda dá tempo de chegar na Festa Nacional do Chimarrão de Venâncio Aires. Se não conhece o chimarrão, é entrar na roda ou aprender a fazê-lo na Escola do Chimarrão. É o melhor chimarrão do mundo, porque cheio da hospitalidade gaúcha, de alegria e fraternidade.Em quatro de maio de dois mil e doze.* Selvino Heck é assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República.** Publicado originalmente no site Adital.


por Selvino Heck*
Tecnologia-na-educacao_01 Artigo

Mais recursos para a educação: nada a perder e muito a ganhar

Atrasos escolares como os nossos, na forma de um pequeno índice de atendimento na educação infantil, grande quantidade de analfabetos e de adultos com poucos anos de estudo, evasão escolar muito alta ao longo do ensino básico e falta de profissionais qualificados, comprometem gravemente e de forma definitiva o futuro de um país. Para superar essa situação, precisamos elevar os investimentos diretos em educação pública. Mas será que aumentar esses investimentos pode comprometer outras atividades do país, em particular, as atividades econômicas?A resposta é não, por várias razões. Uma delas é que os investimentos em educação têm altas taxas de retorno, ou seja, se pagam em pouco tempo. Portanto, aumentar esses investimentos não apenas não compromete a economia como, ao contrário, contribui para dinamizá-la. Outra razão é que, apesar das nossas limitações econômicas, há margens para aumentar os investimentos, em especial em um período de crescimento da produção acima do crescimento populacional, como tem ocorrido nos últimos anos. Vamos ver essa segunda razão.O financiamento público da educação em outros paísesO gráfico mostra a média dos investimentos públicos em educação no período entre 1988 e 2010, como percentuais dos PIBs em diversos países (foram incluídos apenas países com mais de cinco milhões de habitantes e que apresentaram dados anuais para pelo menos metade do período analisado)(1). Como vemos, o Brasil ocupa uma posição intermediária, a qual não seria confortável nem mesmo para um país sem grandes contingentes de crianças e jovens e sem atrasos como os nossos. Se continuarmos nessa posição, continuaremos mantendo nossa atual situação educacional: precária e insuficiente até mesmo para garantir as condições necessárias para uma real e permanente soberania nacional.Embora haja algumas poucas exceções, os países que apresentam bons indicadores educacionais, ou que os têm melhorado significativamente, estão no grupo daqueles que fazem investimentos mais altos em educação. Também estão nesse grupo aqueles países que apresentam condições sociais melhores do que outros com as mesmas possibilidades econômicas. Cuba, Dinamarca e Suécia são os três que mais esforços investiram em educação naquele período. No conjunto com menores taxas de investimento em educação estão aqueles países que apresentam as piores situações, não apenas educacionais como sociais em geral: Camboja, Emirados Árabes Unidos(2) e República Dominicana são, entre aqueles cujos dados estão representados na figura, os três que menos investiram.Se ficarmos onde estamos, não vamos superar as barreiras que impedem o aumento da produção econômica, nem promover o desenvolvimento social, enfrentar as desigualdades de renda e recuperar, ainda que em parte, nossos atrasos. Se nos deslocarmos na direção à direita do gráfico, vamos nos aproximar de países totalmente dependentes e/ou que apresentam indicadores sociais terríveis. Não podem restar dúvidas da direção que devemos nos deslocar nesse gráfico.Existem fontes de recursosHá muitas possíveis fontes para viabilizar o aumento dos recursos destinados à educação pública. Comparando a arrecadação de impostos sobre propriedade no Brasil com a realidade tributária em outros países capitalistas, inclusive tributos sobre grandes fortunas(3), o Ipea(4) aponta a possibilidade de um aumento dos recursos públicos em até 2,7%. Como aqueles países capitalistas não iam tomar decisões que pudessem prejudicar suas economias, a pergunta óbvia é: por que não fazemos o mesmo?O mesmo documento do Ipea aponta que a não supressão de impostos e a redução das renúncias e dos subsídios poderiam gerar outros 3,7% do PIB. Além dessas possibilidades, cada 1% de redução na taxa básica de juros geraria mais 0,6% do PIB em recursos públicos para a União, os Estados e os municípios.Correções de alíquotas dos diversos impostos ou o enfrentamento da sonegação poderiam aumentar ainda mais as possibilidades de financiamento do setor público, colocando-nos em uma situação mais próxima daquela ocupada pelos países mais organizados. E todas essas correções não apenas não afetariam negativamente a economia do país, como, ao contrário, poderiam ter impactos sociais muito positivos.Mais e melhor educação cabem no PIBOutra maneira de verificar que é possível o aumento dos recursos para a educação pública é analisar a evolução recente da economia nacional. Ao longo dos últimos oito anos, o PIB brasileiro cresceu perto de 25% acima do crescimento populacional, ou seja, o crescimento foi suficiente para absorver o aumento da população e, além disso, aumentar da quarta parte o valor econômico da produção por pessoa. Se uma fração desse aumento da produção fosse destinada à educação, poderíamos atingir investimentos significativamente mais altos do que os atuais sem afetar negativamente outras atividades nacionais. Ao contrário, dependendo da forma que o aumento da produção per capita for transferido para a educação e outras áreas de interesse social, pode haver ganho nos dois lados: melhoram-se os níveis educacionais da população ao mesmo tempo em que se inibe um consumismo doentio e destrutivo.É necessário lembrar que, ao se transferir parte do aumento da produção econômica para a educação, não se estaria reduzindo ou se desfazendo dela: a indústria da construção civil seria aquecida mais intensamente na forma de reformas e construções de equipamentos escolares; o número de empregos formais também cresceria, com maior concentração na forma de trabalhadores em educação; a renda pessoal também cresceria, mas na forma de melhores remunerações para professores; haveria aumento da produção de veículos para atender à demanda gerada pelo setor educacional, incluindo aí seus trabalhadores. Da mesma forma, o aumento do consumo de eletricidade ou de equipamentos elétricos, eletrônicos e de informática também ocorreria, mas mais concentradamente pelos trabalhadores da educação e pelas instituições educacionais.Enfim, tendo em vista a realidade de outros países, considerando as possibilidades de transferências de recursos para o setor público e, ainda, a realidade da produção econômica, vemos que é totalmente viável aumentar os investimentos em educação pública, bem como em outros setores de interesse social. O que nos impede de fazer isso? Será por ignorância, ou há um propósito pouco nobre por trás de tais decisões?Notas(1) Unesco Institute for Statistics. Sítio consultado em abril/2012.(2) Os Emirados Árabes Unidos, apesar de terem uma renda per capita mais do que quatro vezes superior à brasileira, da ordem de US$ 48 mil pelo critério da paridade de poder de compra, têm taxas de analfabetismo quase exatamente iguais às nossas, apresentando talvez o maior desencontro entre as possibilidades econômicas e o padrão educacional.(3) Nos Estados Unidos, as grandes fortunas são taxadas no processo de herança. Quando John D. Rockefeller morreu, em 1937, 70% do patrimônio foi recolhido na forma de imposto sobre bens herdados (New York Times, 8/6/2010, Legacy for One Billionaire: Death, but No Taxes). Após algumas décadas de recuo, a alíquota máxima do imposto sobre grandes heranças naquele país foi reduzida a 35%, devendo subir para 55% em 2013. Veja, por exemplo, o verbete "estate tax in the United States" da Wikipedia.(4) Financiamento da Educação: necessidades e possibilidades, Comunicados Ipea nº 124, dezembro/2011, acessível por internet.* Otaviano Helene, professor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.


por Otaviano Helene*

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