Currículo empobrecido

Educação

Currículo empobrecido


por Tory Oliveira, da Carta Capital


[caption id="attachment_90247" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Divulgação/ Internet"][/caption] Escolas em tempo integral paulistas eliminam História, Geografia e Ciências dos anos iniciais do Fundamental, o que é visto com desconfiança por especialistas. Alunos das escolas de tempo integral da rede estadual de São Paulo não terão mais disciplinas específicas de História, Geografia e Ciências Físicas e Biológicas nos três primeiros anos do Ensino Fundamental. A mudança, publicada no Diário Oficial em janeiro, causou polêmica entre professores e profissionais ligados à educação. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, o objetivo das alterações é fortalecer a alfabetização em Língua Portuguesa e Matemática, disciplinas cujo desempenho dos alunos é alvo de avaliações externas como o Saresp e a Prova Brasil, e tornar o ensino mais atraente. Há quem questione, porém, a eficácia de focalizar os esforços e as aulas apenas em Português e Matemática, abordando as demais apenas de forma transversal nos primeiros anos dessa etapa do ensino. A desvalorização das disciplinas fora da grade, a concepção de alfabetização e a influência excessiva das avaliações nas escolas também foram questionadas por especialistas ouvidos pela reportagem. Nas duas propostas curriculares sugeridas pela Secretaria Estadual de Educação e publicadas no Diário Oficial em 19 de janeiro, o espaço indicado na tabela para as disciplinas História, Geografia e ­Ciências aparece ocupado com um traço. Já Língua Portuguesa, Educação Física/Artes e Matemática aparecem formalmente na grade, com a porcentagem da carga horária indicada. No 4º e 5º ano, as disciplinas excluídas voltam a corresponder, cada uma, a 10% do total do tempo em sala de aula. Nos anos finais, as disciplinas também aparecem. A mudança causou estranhamento entre os professores e profissionais das áreas de História, Geografia e Ciências. Especialistas de disciplinas que ganharam mais ­espaço no ­novo currículo, como Língua Portuguesa e Matemática, também se manifestaram de maneira contrária à nova resolução. “Nós estranhamos muitíssimo. Até porque é uma modificação que atinge exatamente as escolas de tempo integral, que teriam ­tempo em dobro para trabalhar essas questões”, ­observa Lisete Arelaro, diretora da ­Faculdade de Educação da USP. A justificativa do projeto de fortalecer o ensino de Língua Portuguesa e Matemática não convenceu a professora da Faculdade de Educação da USP e especialista em alfabetização Silvia Colello. “Eu sou contra, porque acho que não existe língua desvinculada de um conteúdo”, afirma. Na avaliação da especialista, o ideal seria que as disciplinas fossem trabalhadas de forma dialética: o aprendizado da Língua Portuguesa favoreceria a aquisição de conhecimentos oriundos das demais disciplinas e, por sua vez, o interesse pelos conteúdos motivaria a alfabetização e a aquisição da linguagem. Para Lisete Arelaro, essa concepção de ­alfabetização é considerada superada na educação desde os anos 1980. “Essa discussão começou na década de 1960 e na de 1980 já era difícil encontrar alguém da área de Educação que defendesse a posição de que só Português e Matemática alfabetizam.” Para o historiador Arnaldo Pinto Júnior, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o movimento explicita a ideia de que as disciplinas de História, Geografia e Ciências não contribuem para o processo de alfabetização e letramento das crianças. “Essas disciplinas são consideradas supérfluas. A ideia é que elas não qualificam a formação dos alunos em geral, o que nós achamos inverídico”, afirma o professor, que também é um dos coordenadores do GT de Ensino de História e Educação da Associação Nacional de História. A Secretaria de Educação, porém, informou que não houve nenhuma mudança nas disciplinas da base comum. “O que houve foi um aperfeiçoamento da parte diversificada, com a implementação de atividades complementares e oficinas curriculares com novos temas nas quatro áreas de conhecimento (Linguagem, Matemática, Ciências ­Humanas e Naturais)”, informou a assessoria de imprensa. A Secretaria Estadual de Educação insistiu que as disciplinas já não constavam formalmente na grade nos últimos anos, mas não estão excluídas e são abordadas pelos professores nas demais aulas. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental consideram obrigatórios conteúdos de Ciências da Natureza (Físicas e Biológicas) e Humanas (História e Geografia), além de Português, Matemática, Arte e Educação Física. No entanto, o documento admite a possibilidade de que esses componentes sejam oferecidos de modo interdisciplinar. Para Arnaldo Pinto, a noção de que é possível trabalhar conhecimentos históricos, geográficos e científicos em outras aulas desvaloriza essas disciplinas: “Se sou um professor que está sendo cobrado para dar aulas sobre letramento, leitura e compreensão e sobre soma, subtração e multiplicação, o que vou fazer? Não vou trabalhar com ­Geografia, História e Ciências”. Para Antonio Simplício de Almeida Neto, professor do Departamento de História da Unifesp, a mudança elimina a possibilidade de concretização de um movimento que vinha acontecendo nos últimos anos nos cursos de Pedagogia, responsável por formar profissionais para Educação Infantil e Fundamental. A maioria das faculdades de Pedagogia reserva poucos semestres para o ensino de História, geralmente dividido com Geografia. No entanto, nos últimos anos, os cursos estavam ampliando o número de aulas específicas de formação de professores para o assunto. “Os cursos de Pedagogia estavam acordando para a importância de ampliar o número de aulas de formação de professores com maior especificidade no ensino de História”, conta. Apesar da celeuma causada pela oficialização da nova matriz curricular, Helenice Ciampi lembra que o ajuste faz parte de um processo em curso pelo menos desde 2008, quando outra resolução estabeleceu diretrizes para o currículo do Ensino Fundamental nas Escolas Estaduais de Tempo Integral. Segundo Helenice, as escolas só receberam orientações para o segundo ciclo do Fundamental e para o Ensino Médio na área de História. Quanto à informação de que os conhecimentos seriam trabalhados durante as outras aulas, Helenice é cética: “Esses conhecimentos podem ser abordados em outras disciplinas, mas o professor não se sente obrigado nem é preparado para isso, pois não há orientação”. Realizado em março, o Fórum São Paulo sem Passado reuniu professores ligados à área na capital paulista para discutir a reforma curricular. Uma das questões levantadas pelos educadores foi a possibilidade de que a mudança no currículo em São Paulo influencie os demais estados. “O que é feito em São Paulo ainda exerce influência em outros estados”, afirma Helenice Ciampi. “São Paulo trouxe a questão do ensino apostilado, por exemplo, que se espalhou depois pelo Brasil.” Ligado à área da Matemática, Nilson Machado classifica a nova orientação como equivocada. Na opinião do professor da ­Faculdade de Educação da USP, é preciso uma formação básica inicial, em todas as séries, em História, Geografia e Ciências. “O que me parece é que uma medida como essa tem como objetivo pragmático melhorar os resultados em avaliações que cobram Português e Matemática, como o Saresp, no caso de São Paulo.” Para Machado, as avaliações não deveriam ser tratadas como um fim, mas sim como um meio. “Hoje, não só ela é considerada um fim como passa a pautar os conteúdos que serão abordados nas escolas. Está tudo invertido.” Para a diretora da Faculdade de Educação da USP, Lisete Arelaro, a corrida pela alfabetização na idade certa e por melhores resultados em avaliações externas tem pressionado as escolas a só ensinar a ler, escrever e contar “como era antigamente”. “É uma visão saudosista do que significa os anos iniciais”, pondera. Silvia Colello afirma que a medida é uma tentativa desesperada para resolver o grande desafio da alfabetização. O tiro, porém, pode sair pela culatra. Segundo a especialista, estudar assuntos oriundos das demais disciplinas abre um leque de conhecimento de mundo para as crianças e dá sentido ao processo de alfabetização. “Acho que não se pode alfabetizar sem dar para o aluno uma razão para ele aprender a ler e a escrever, e a razão é justamente contar histórias, descobrir o mundo”, pondera. A nova resolução, na opinião de Lisete, demonstra um retrocesso e um desconhecimento a respeito do processo de alfabetização e da concepção dos anos iniciais do Ensino Fundamental. “Voltamos à ideia de que as séries iniciais existem apenas para alfabetizar e o que alfabetiza é Português e Matemática, o resto é estória, com ‘e’ e não com “h” maiúsculo.” Outras mudanças Os alunos do Ensino Fundamental das escolas de tempo integral da rede estadual de São Paulo também serão afetados por outras mudanças. No modelo anterior, havia maior separação entre as disciplinas básicas e as oficinas temáticas, oferecidas sempre no contraturno. A nova diretriz prevê que as disciplinas regulares e as atividades complementares sejam distribuídas de modo alternado ao longo dos dois turnos de funcionamento das unidades, aumentando sua integração. O novo currículo define outros dez temas para as oficinas curriculares, que podem ser obrigatórias ou eletivas, a critério da escola. Nos anos iniciais, as escolas deverão ter pelo menos oito das dez oficinas e nos finais, pelo menos seis. Além disso, atividades complementares como hora da leitura, produção de texto e experiências matemáticas passam a ser obrigatórias para o primeiro ciclo (1º ao 5º ano), assim como o ensino de língua estrangeira. * Publicado originalmente no site Carta Capital.

Foto: Divulgação/ Internet Educação

Rio terá quatro escolas públicas bilíngues até 2014

[caption id="attachment_90267" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Divulgação/ Internet"][/caption] Rio de Janeiro - A rede estadual do Rio de Janeiro terá quatro escolas bilíngues até fevereiro do ano que vem. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, a primeira escola a ser inaugurada, já no segundo semestre deste ano, terá ensino em português e mandarim (chinês). Mais três escolas, que terão aulas em francês, espanhol e inglês, serão abertas até fevereiro. As escolas serão geridas em parceria com entidades internacionais e governos de outros países. Hoje (10) foram assinados convênios com o Instituto Confúcio da China, o Ministério da Cultura e Esporte da Espanha, o Consulado-Geral da França no Rio e o governo do condado de Prince George, no estado de Maryland, nos Estados Unidos. Também foram firmados convênios com parceiros para o ensino de gastronomia, audiovisual e biotecnologia nas escolas estaduais. Segundo o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, inicialmente dez escolas serão beneficiadas com os acordos, mas a ideia é levar a proposta a todas as unidades da rede estadual. “É uma meta muito ousada, porque são 1.350 escolas. [Fazer isso] passa pela infraestrutura e preparo de laboratórios dependendo de cada curso e escolas bilíngues. A escola bilíngue chinesa começa a funcionar no segundo semestre como projeto piloto. Já as de francês, inglês e espanhol serão inauguradas para o inicio das aulas em fevereiro”, disse Risolia. * Edição: Talita Cavalcante. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Redação da Agência Brasil
590014.TIF Educação

Alunos do 1º ao 3º ano do ensino básico farão Avaliação Nacional da Alfabetização

Brasília – As crianças que terminam o ciclo de alfabetização – do 1º ao 3º ano do ensino básico – em escolas públicas farão a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). A avaliação foi criada por uma portaria publicada na segunda-feira (10) no Diário Oficial da União. A ANA servirá para medir o conhecimento das crianças e ajudará no cumprimento do Plano Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) – que estabelece que todas as crianças até os 8 anos de idade sejam alfabetizadas em português e matemática. A avaliação estava prevista na portaria que instituiu o Pnaic. Segundo adiantou à Agência Brasil o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, a avaliação deve ser aplicada pela primeira vez este ano, quando começa a ser implementado o Pnaic. De acordo com o presidente, a avaliação de 2013 servirá como ponto de partida para que se possa medir a evolução do aprendizado das crianças nessa etapa do ensino. Segundo a portaria, a ANA deverá produzir informações sistemáticas sobre as unidades escolares, de forma que cada unidade receba o resultado global. Será uma avaliação censitária, de larga escala e servirá para a produção de índices sobre a alfabetização e letramento dos estudantes. A ANA será aplicada anualmente. A ANA fará parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que era composto apenas pela Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) – feita por amostragem nas redes de ensino – e pela Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc), que recebe o nome de Prova Brasil – mais extensa e detalhada. Ambas são aplicadas de dois em dois anos de forma intercalada no 5º e 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio. Com a ANA, o Saeb passa a ser composto por três avaliações. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil
Foto: eemarcello / Fotolia.com Educação

Quando a revolução do ensino superior bate à porta

Carolina Cavaleiro, 26, designer gráfica formada pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), tem gasto seu tempo livre dos últimos cinco fins de semana estudando a história do rock – por prazer e porque essas informações lhe podem ser úteis em seu trabalho de infografista. A universidade que dá essas aulas, a Rochester, fica em Nova York, mas Carolina não precisa sair de casa, nem pagar nada para ter acesso ao curso. Liga seu laptop, assiste a videoaulas, faz exercícios, lê o material complementar, conversa com colegas de todo o mundo. “Não sei se existe um curso similar no Brasil. Talvez tivesse que fazer uma faculdade de música se quisesse aprender o que estou aprendendo. Como eu trabalho, nunca teria tempo”, diz a jovem, típica representante da geração Y, grupo de pessoas de 18 a 30 anos que usa a tecnologia com destreza em atividades cotidianas, preza por flexibilidade, espírito colaborativo e quer ter oportunidade de se envolver a fundo com temas de seu interesse. Nem que seja fora da universidade tradicional. [caption id="attachment_90251" align="aligncenter" width="501" caption="Foto: eemarcello / Fotolia.com"][/caption]   “É o caminho que o mundo está trilhando. É você não precisar adequar seus horários para as atividades de que gosta, como ver filmes, ouvir música e, por que não, estudar”, diz Carolina, uma das milhares de brasileiras que aderiram aos Moocs (massive open on-line courses ou cursos abertos, gratuitos e para grandes públicos). O movimento, que começou a pipocar no ano passado com o Coursera (inciativa das universidades Stanford, Princeton, Michigan e Pensylvania) e o edX (Harvard e MIT), ganha nesta semana a primeira iniciativa da América Latina, com o lançamento da parceria entre a USP (Universidade de São Paulo) e o portal Veduca, para oferecer cursos de física e estatística. “Estamos usando a tecnologia para quebrar paradigmas”, afirma Vanderlei Bagnato, responsável pelo Mooc brasileiro de física básica. Na semana em que a discussão sobre o impacto desse tipo de curso no ensino superior ganha força, o Porvir consultou especialistas para saber: afinal, como será a universidade brasileira do século 21? “Temos visto que a universidade vai ter que trabalhar com recursos abertos, valorizar colaboração, criatividade, espírito empreendedor, permitir uma formação que englobe múltiplos interesses”, afirma Cristiana Mattos, especialista em tecnologias educacionais e membro do grupo brasileiro do New Media Consortium, organização que publica relatórios anuais temáticos sobre o futuro da educação. Na edição deste ano sobre ensino superior, o documento apontou, além das características citadas por Cristiana, também a necessidade de se desenvolverem habilidades que sejam úteis “no mundo real”, aceitar muitas outras fontes críveis de informação – além do tradicional livro e do professor, não mais únicos detentores do conhecimento – e de se adaptar a um novo paradigma de ensino, cada vez mais on-line, híbrido e calcado em modelos colaborativos. “Os diplomas terão de ser diferentes. Não vamos ter mais o engenheiro, mas o engenheiro que é designer e comunicador”, afirma Tiago Mattos, cofundador da Perestroika, uma escola que dá cursos livres de assuntos tão diversos quanto novas formas de pensar e negócios digitais. Mattos é também um dos únicos brasileiros a ter cursado a Singularity University, uma instituição que tem reunido líderes do mundo em torno do objetivo de aplicar as tecnologias emergentes para resolver desafios mundiais, como a falta de ensino básico e a fome em países subdesenvolvidos. Para ele, os membros da tal geração Y estão muito interessados em se tornarem profissionais multidisciplinares e, aos poucos, as universidades deverão se atentar a essa demanda já sinalizada pelo mercado. “O emprego como conhecemos hoje vai se tornar obsoleto em 15 anos”, afirma. Em relatório da consultoria McKinsey divulgado na semana passada sobre educação e emprego, apenas 31% dos empregadores disseram que os recém-formados saem da universidade preparados para desempenhar funções em suas áreas de formação. “A maior parte do que se aprende hoje na universidade não representa nada no mercado de trabalho, porque os conteúdos mudam”, afirma Marcelo Knobel, que é professor do Instituto de Física da Unicamp, já foi pró-reitor de graduação e segue pensando caminhos para o ensino superior. Segundo o especialista, a grande preocupação da universidade deve ser a adequação dos currículos, de maneira a permitir uma formação mais ampla, abrangente e que desenvolva nos alunos a habilidade de “aprender a aprender” ao longo da vida, e não apenas na universidade. Cristiana vai além: para ela, os currículos devem ser escolhidos como um cardápio. “Isso permite um ensino mais personalizado, em que o aluno escolhe os caminhos que querem seguir, no tempo dele, no jeito dele, segundo as necessidades dele”, diz a educadora. Outra característica que a universidade brasileira deverá desenvolver é o estímulo ao espírito empreendedor. “O empreendedorismo é a nova Lei Áurea. É a forma de libertar a pessoa, permitir que ela seja mais feliz e produtiva”, afirma Mattos, da Perestroika. Bem próxima ao empreendedorismo, a valorização do aprender fazendo – ou o learn by doing, do inglês – também deve ganhar mais espaço, com oportunidades de aprendizado por projetos. “É muito menos um conteúdo transmitido por uma pessoa e mais grupos em que um monte de gente aprende junto, entre pares”, diz Mattos. Entre as características citadas como tendências para a universidade brasileira, poucas estão efetivamente sendo aplicadas, afirma Cristiana. “Existem iniciativas pontuais acontecendo, mas a própria sociedade vai exigir mudanças. Temos um belo caminho pela frente e o primeiro grande desafio é mudar a mentalidade dos gestores”, diz ela. Mattos, da Perestroika, cita três momentos paradigmáticos da história da humanidade: a revolução agrícola, a industrial e a digital. Esta última, acontece agora. “Estamos surfando numa onda e não sabemos onde nem como ela vai quebrar. Tudo indica que teremos muitas mudanças daqui para frente”, prevê o educador. Para entender melhor o que são a universidade e os alunos de hoje e as tendências esperadas para um futuro próximo no ensino superior, o Porvir preparou um infográfico. Confira: [caption id="attachment_90252" align="aligncenter" width="475" caption="Foto: Regiany Silva / Porvir"][/caption] * Publicado originalmente no site O Porvir. 


por Patricia Gomes e Mariana Fonseca, do Porvir
Projeto da sociedade civil promove a aprendizagem no trabalho Educação

Canteiro de obras do metrô de SP vira sala de aula

[caption id="attachment_90240" align="alignleft" width="300" caption="Projeto da sociedade civil promove a aprendizagem no trabalho"][/caption] Enfrentar a jornada e ainda encarar aulas depois do trabalho faz parte da realidade de muitas pessoas nas grandes metrópoles. Normalmente o périplo inclui o deslocamento até a escola, com horas gastas no trânsito, coletivos e vias lotadas. Mas, e se o próprio local de trabalho oferecesse também condições para o estudo, com professores e sala de aula? Foi essa a proposta de uma construtora num canteiro de obras na expansão da Linha 5 – Lilás do metrô, na zona sul de São Paulo. Iniciado em 2007, o projeto “Construindo o Saber”, do Grupo Galvão, desenvolve aulas de alfabetização, antes ou depois do expediente, para os trabalhadores da construção civil interessados em aperfeiçoar ou aprender a escrita, a leitura e matemática. Com aulas de uma hora e meia diárias, cinco dias por semana, durante oito meses para cada módulo (ciclo I e ciclo II e o ensino médio), a frequência, somada à prova de avaliação, confere o direito a certificado de conclusão validado pelo Ministério da Educação (MEC), além de possibilitar a continuidade dos estudos em outras obras da mesma empresa ou em cursos fora. Até agora, 245 funcionários já foram formados, em 20 turmas diferentes. Com classes de aproximadamente 20 pessoas, o foco das aulas é aproximar os conteúdos da realidade vivida pelos estudantes. Baseados na metodologia de Paulo Freire, o ensino é voltado para a interação e uso prático no dia a dia. De acordo com a gerente de recursos humanos da empresa, Gisela Pestana, “o retorno tem sido excelente, tanto nos depoimentos quanto na motivação dos que participam, avançando nos próximos módulos e mesmo incentivando mais colegas a estudarem”. Padrinhos Para mobilizar os estudantes, uma das medidas adotadas pela empresa foi aproximar os demais colaboradores do processo de aprendizagem. Dessa forma, alguns funcionários são convidados a, voluntariamente, contribuir com os colegas que precisarem, tirando dúvidas e acompanhando a realização de exercícios feitos fora da sala de aula. Chamados entre si de “padrinhos” ou “madrinhas”, eles são um estímulo a mais diante das dificuldades enfrentadas durante os estudos. É o caso, por exemplo, da colaboradora Iasmin Pisciottano Leitão, “madrinha” nos estudos do motorista da obra, Osmar Lucena Soares. “É importante motivar a iniciativa dos colegas, incentivando a continuidade e valorizando a dedicação de cada um”, aponta ela. Leitura e aprendizado Osmar tem 30 anos e estudou apenas o primeiro ano do ensino fundamental. Vindo de Guarabira, cidade situada na região do agreste da Paraíba, ele lembra que desde cedo precisou contribuir com o trabalho em casa, ajudando a família na roça. “Aprendi alguma coisa copiando as letras e pedindo ajuda das minhas tias, dentro de casa, mas tinha muita dificuldade tanto na escrita quanto na leitura. Eu queria melhorar isso.” Em São Paulo desde 2000, o motorista da obra do metrô afirma que sempre quis estudar, mas não teve oportunidade e também não sabia por onde começar. “Na empresa fiz uma prova para mostrar o que eu já sabia e com o curso já fiz até a 4ª série. Quero continuar estudando até a faculdade”, planeja. Com as aulas, reconhece que obteve avanços na leitura, escrita e matemática. Segundo ele, os novos aprendizados têm impactado no dia a dia do trabalho. “Fica mais fácil acompanhar as instruções na obra ou até mesmo uma placa de sinalização”, afirma. Adquirir fluência para ler trouxe outras possibilidades de convivências e descobertas. Pai de um garoto de oito anos de idade, Osmar conta que nos momentos de lazer o que mais gosta é “pegar um gibi, um livro, poder ler” e brincar com o filho. “Ao mesmo tempo em que ensino, também aprendo. A gente lê junto, e isso é um incentivo a mais para mim.” * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Flávio Aquistapace, do Portal Aprendiz
O veículo foi abastecido com um sistema de "crédito" que troca popularidade por energia. Foto: Divulgação Educação

Estudantes criam carro elétrico movido a rede social

[caption id="attachment_90275" align="aligncenter" width="450" caption="O veículo foi abastecido com um sistema de "crédito" que troca popularidade por energia. Foto: Divulgação"][/caption]   De que vale uma curtida, um compartilhamento ou mesmo seguir uma página no Facebook, Twitter ou Instagram? Para os estudantes do Kansas City, Estados Unidos, a resposta é: energia para movimentar o carro elétrico criado por eles. O veículo desenvolvido por meio do projeto educacional MindDrive realizou o trajeto sendo abastecido com carga elétrica compatível com sua popularidade nas redes sociais. Os estudantes já realizaram a primeira viagem entre 31 de maio e 7 de junho, e percorreram 1.706 Km da cidade deles à capital do país, Washington, D.C. Toda vez que uma pessoa de qualquer lugar do mundo curte o site do programa, o sistema Social Fuel Tour capta 1 watt. Quando ocorre o compartilhamento ou comentário os estudantes ganham 3 watts, e para novos seguidores são mais cinco watts. Os participantes também podem usar hashtags e retwittar para ajudar com frações das unidades de energia. Durante a jornada, o carro para em postos de combustíveis e com os “créditos” da rede social o veículo é reabastecido com eletricidade, informou o site norte-americano Huffington Post. O projeto O MindDrive é um programa de orientação que inspira os alunos a aprender mais sobre matemática e ciência por meio da realização de projetos. Atualmente, atende 30 alunos do núcleo urbano de Kansas City, trabalhando atualmente com cinco escolas da região. São 21 alunos que participam do Automotive Design Studio e nove em Comunicação Contemporânea, de acordo com as afinidades dos estudantes. A iniciativa delega aos professores o papel de identificar aquilo que atrai o educando. Com o apoio de empresas de pneus e de energia elétrica, os estudantes também aprendem história e idiomas, além de utilizarem programação de computadores de maneira interdisciplinar - a meta é fomentar neles a mobilização para um objetivo. "MindDrive proporciona aos alunos um ambiente de aprendizagem que se baseia em projetos usando as experiências práticas que permitem exercícios em profundidade e aplicação no mundo real da matemática, ciência, tecnologia e relações ambientais", explicou Steve Rees, diretor executivo do projeto ao site norte-americano PRWEB. Os veículos do projeto MindDrive são reciclados e movidos a eletricidade, e contam com a utilização de equipamentos como baterias de lítio-íon com carga de 72 e 96 volts e pesam em média uma tonelada. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Foto: Andrey Lavruschev Educação

Zaya e a caixa que leva educação para quem não tem

Zaya, uma menina órfã de 15 anos, teve a oportunidade de aprender matemática através das aulas da Khan Academy em 2011, em Ulan Bator, na Mongólia. Empolgada com o aprendizado – ao qual ela provavelmente nunca teria tido acesso se o engenheiro Neil DSouza não tivesse levado ao seu orfanato os vídeos de Salman Khan –, ela não parou por aí. A jovem começou a criar suas próprias lições, traduziu 250 vídeos de Khan para o mongol e ajudou outras crianças a aprender a disciplina.  Sua atitude acabou sendo também inspiradora e motivadora para que DSouza não abandonasse seu projeto, incipiente e então batizado de Teach a Class, de levar educação de alta qualidade a crianças de 6 a 13 anos em qualquer lugar do mundo através da tecnologia. “Zaya me fez entender que o que eu me propunha a fazer era possível e por isso eu dei o nome dela – que também significa destino em mongol – à minha organização”, disse o engenheiro, que largou um emprego na Cisco nos Estados Unidos para trabalhar pela educação. [caption id="attachment_90232" align="aligncenter" width="530" caption="Foto: Andrey Lavruschev"][/caption]   No primeiro ano, ele se dedicou a apoiar escolas em zonas rurais e pobres da Indonésia e da Mongólia, provendo conectividade e conteúdos via recursos educacionais abertos (REA), como as aulas de Salman Kahn e do Discovery Education. Queria resolver um problema que percebeu ao viajar pelo mundo: muitas escolas tinham computadores, mas eles não eram utilizados, seja por falta de acesso à internet, seja por despreparo dos professores. Para levar boas aulas aos alunos, o primeiro produto da ONG Zaya foi uma caixa que cria uma micronuvem capaz de armazenar dados (as aulas) e dar acesso wifi a essa nuvem (por meio de um roteador) a computadores e aparelhos móveis. A solução ainda tem uma bateria que dura 10 horas, o que permite que funcione em lugares onde não há energia elétrica. Da experiência em 20 instituições nos dois países – das quais uma era o Lotus Children Center, orfanato de Zaya –, DSouza percebeu que não bastava apenas oferecer conteúdos livres prontos para garantir o aprendizado, mas era preciso adaptá-los e criar um modelo pedagógico eficiente para transmiti-los. “Conteúdo é uma coisa e contexto é outra. As crianças podem olhar o conteúdo sem entender a lição. Muitos acham que basta traduzir aulas para uma língua diferente, mas nem sempre funciona”, diz DSouza. “É preciso proporcionar a experiência correta aos usuários, que no nosso caso são as crianças”, explica. No segundo ano de trabalho (2012), a equipe da Zaya passou a desenvolver uma plataforma pedagógica para ser inserida na micronuvem com o objetivo de melhorar a forma como as informações são passadas e, consequentemente, apreendidas pelos alunos. A ferramenta agora tem modelos prontos de vídeos, avaliações, exercícios, que propõe um tipo de aprendizado baseado em habilidades e podem ser adaptados a vários tipos de conteúdo. Além disso, a solução gera dados sobre como as crianças estão aprendendo, que também ajudam os professores. Na Índia, onde a equipe da Zaya está trabalhando em 2013, produtores locais foram chamados para formular boa parte das aulas, de acordo com o currículo e a realidade do país. “Os templates estão prontos. Se formos ao Brasil, já temos esses modelos e é só fazer o conteúdo para colocar neles. Agora, já conseguimos dizer aos produtores de aulas como fazer isso para preencher o gap educacional”, diz DSouza, que pretende visitar o país no ano que vem, quando vai conversar com ONGs sobre seu projeto. [caption id="attachment_90233" align="aligncenter" width="530" caption="Foto: divulgação"][/caption]   Laboratórios de aprendizagem A partir de uma parceria com a ONG Teach for India, a ferramenta começou a ser utilizada este ano em 10 escolas nas aulas de inglês e matemática, mas é no aprendizado fora da sala de aula regular que se concentram os mais recentes esforços da Zaya. Neste ano, a solução completa da ONG ganhou um novo elemento. Além da conectividade e da plataforma pedagógica, Zaya criou novos tipos de laboratórios de aprendizagem, que pretende espalhar pelo mundo, sempre com o mesmo objetivo de proporcionar ensino de qualidade a quem ainda não tem acesso a esse direito básico. Segundo DSouza, quase 80% dos estudantes indianos frequentam aulas de reforço depois da escola. Mesmo as famílias pobres pagam de US$ 5 a US$ 10 por mês por tutorias diárias para seus filhos, porque não confiam no sistema de ensino do país. “Não é fácil implementar um projeto como o nosso dentro da escola. Como a nossa meta é impactar as crianças e como elas já passam duas horas a mais estudando depois da aula, decidimos que não deveríamos atuar apenas no sistema de ensino tradicional”, conta. Os primeiros cinco laboratórios inaugurados pela Zaya em Mumbai são confortáveis e têm um design moderno, onde as crianças podem entrar, pegar um tablet e começar a estudar. Elas aprendem a mesma coisa que na escola, mas de uma maneira mais efetiva, usando a plataforma, com ajuda de professores facilitadores. “São como lojas da Apple da educação”, compara o fundador da ONG. Até o fim do ano, a expectativa é ter 20 desses laboratórios na Índia. Por enquanto, alguns deles são gratuitos, porque foram implantados em parceria com outras ONGs. Outros cobram a mesma taxa que os indianos já estão acostumados a pagar por aulas extras, modelo que se imagina usar daqui para frente para aumentar a rede. A ideia ambiciosa de DSouza é que esses laboratórios sejam replicados a partir de uma prática de franchising, no qual a Zaya fornece um kit composto por 20 ou 25 tablets, a caixa com o roteador e a ferramenta pedagógica, um projetor e fones de ouvido para serem gerenciados por pessoas engajadas em educação. “Pode ser instalado até em casa. Estamos criando uma rede de laboratórios para as crianças frequentarem depois da escola”, diz. Esses laboratórios também fazem parte também da estratégia para tornar a marca Zaya conhecida e sustentável. Como o custo de instalação é pequeno e o que as pessoas pagam para usar os laboratórios não é muito, DSouza imagina que essa é uma forma eficiente de expandir o aprendizado pelo mundo. “Não esperamos fazer dinheiro disso, mas não queremos que as pessoas deixem de usar nossos programas por falta de fundos. Queremos que seja sustentável”, diz DSouza. Por enquanto, a Zaya se mantém com doações e valores recebidos em prêmios. * Publicado originalmente no site O Porvir.


por Redação do Porvir
Foto: jazzia / Fotolia Educação

Arte e música personalizam ensino público argentino

No primeiro dia de aula, os alunos mais novos, de três anos, já são colocados em contato com as artes: lidam com pincéis e tintas, flautas e violão. Cada uma das disciplinas, dadas por professores diferentes, é trabalhada em rodas de discussão, sem separação por séries ou idade. Isso acontece na La Bahia, uma das 38 escolas públicas integrantes da rede argentina Escuelas Experimentales, que desenvolve uma metodologia nos moldes da educação democrática, a partir de uma grade curricular personalizada voltada para artes plásticas e música. “Nesta escola não se ensina nada, mas aprende-se muito”, brinca Emilio Urruty, diretor da unidade que fica em Ushuaia, cidade que beira os 60.000 habitantes, no extremo sul da Argentina. “Há muitas características nessas escolas que parecem fórmulas. A receita não é explicada por meio de palavras, mas a partir do aprendizado experimental que cada estudante vivencia”, afirma Urruty. Cada escola da rede tem entre 100 e 200 alunos de ensino infantil ou fundamental e adota modelo similar ao de algumas escolas nacionais e internacionais – como a Amorim Lima e a Politeia, no Brasil, ou até mesmo a Inka Samana, no Equador. A diferença é que as Escuelas Experimentales usam as artes como fio condutor para abordar as disciplinas obrigatórias do currículo. “Valorizar as artes plásticas e a música é importante para descobrir a interioridade de cada aluno”, afirma o diretor. [caption id="attachment_90260" align="aligncenter" width="530" caption="Foto: jazzia / Fotolia"][/caption]   Cada roda de discussão é composta por, no máximo, 15 estudantes. De acordo com Urruty, a metodologia adotada pela rede é fundamental para trabalhar um dos principais pilares da rede: o ensino personalizado. “O trabalho em grupos pequenos permite um vínculo direto do professor com cada aluno. Nas Escuelas Experimentales todos os professores conhecem todos os alunos e vice-versa”, diz. Essa relação mais próxima permite aos educadores acompanhar de perto aspectos que, muitas vezes, não são observados no modelo tradicional de ensino. Entre eles, saber como o aluno se sente, se dormiu bem ou não, como foi seu almoço ou até mesmo diagnosticar se está com problemas de visão ou audição. Do ponto de vista dos alunos, eles vão aprendendo, na prática, a aprender com colegas, respeitar diferenças e ser solidários. Assim, uma aula de artes plásticas pode dialogar com a de história. Enquanto os alunos pintam uma figura conhecida, eles aprendem em que contexto histórico e social aquela personalidade atuou. Essa correlação transdisciplinar acompanha a rotina dos estudantes, que não precisam provar o que sabem por meio de exames, mas de produções realizadas ao longo das aulas. Para estimular habilidades musicais, os instrumentos ficam ao alcance de todos os alunos, que têm liberdade para pegá-los no momento em que se sentem à vontade para tocá-los. E a cantoria de musicas e dança locais, assim como a poesia e o teatro, sempre constantes, ajudam a trabalhar especialmente aspectos da tradição regional. Outra característica presente nas escolas argentinas é a autonomia, tanto de alunos quanto de professores. Embora haja um diretor em cada unidade, Urruty afirma que a figura desse profissional só existe por uma questão administrativa. Na escola, as decisões acontecem por meio de uma assembleia docente, sempre em consenso. Ao final de cada dia de trabalho, os professores se reúnem durante duas horas para ter feedback do trabalho, falar sobre o rendimento dos alunos e da programação das atividades do dia seguinte. “Se temos que corrigir algum procedimento, esse é o momento ideal. Quando um professor discorda da maioria, é pedido a ele um voto de confiança”, afirma. Já para os alunos, a autonomia aparece muito na possibilidade que cada um tem de escolher o que pretende estudar (violão, flauta, guitarra, pintura, artesanato etc.), mas, principalmente, da chance de buscar seu próprio conhecimento de maneira independente. Segundo Urruty, para o professor que tem que ser um mediador desse cenário pouco usual, jogo de cintura e improviso em sala de aula são indispensáveis, “no sentido mais rico do termo”. “É ter a oportunidade de se jogar no rio, que tem seu próprio ritmo, para aprender junto com ele e sair nadando.” Assista, em espanhol, ao depoimento de Urruty para o filme Educação Proibida: * Publicado originalmente no site O Porvir. 


por Vagner de Alencar, do Porvir
Foto: Marcos Santos/ USP Imagens Educação

USP vai acabar com o vestibular?

[caption id="attachment_90227" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Marcos Santos/ USP Imagens"][/caption] Leitor, não se espante com a resposta. É a seguinte: provavelmente sim. Isso porque estudar na USP, a melhor universidade da América Latina, será, no futuro, para qualquer um. O vestibular não será mais como o conhecemos. Um sinal dessa tendência podemos ver exatamente agora. Esse é daqueles marcos históricos para democratizar o conhecimento no Brasil – e, mais uma vez, nutre meu entusiasmo sobre como as novas tecnologias podem produzir, com menos dinheiro, cidadãos mais educados. Seguindo a onda internacional de cursos gratuitos, iniciada pelo MIT, a USP decidiu oferecer cursos de engenharia, uma das áreas mais carentes de mão de obra especializada no Brasil. O inusitado aqui para o Brasil é o seguinte: quem cursar e for aprovado, ganha um cerificado. É apenas o começo: no futuro, todas as grandes universidades brasileiras vão oferecer esse tipo de programa, remodelando o próprio conceito de vestibular. A distância entre ensino virtual e presencial vai desaparecer. Claro que para frequentar o campus haverá limitação e possivelmente nada vai substituir o contato pessoal para a excelência do ensino. Mas o fato é que mais gente terá mais chance de estar perto do que se produz nas universidades de ponta. * Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz. ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Gilberto Dimenstein*
Foto: Divulgação/ Internet Educação

Bacabeira recebe projeto “Educando para Incluir”

[caption id="attachment_90334" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Divulgação/ Internet"][/caption] Parceria entre Instituto Embratel, Petrobrás, Fundação Trompowsky e Prefeitura Municipal de Bacabeira, será voltada para a capacitação dos moradores da região. O Instituto Embratel anuncia a inauguração do projeto “Educando para Incluir”, na cidade de Bacabeira, no Maranhão. A iniciativa é realizada em parceria com a Petrobrás, com a Prefeitura Municipal de Bacabeira e com a Fundação Trompowsky. O programa irá promover um reforço escolar e de inclusão digital para cerca de 4 mil alunos com baixo rendimento, e com defasagem de idade/série na rede municipal de ensino. A aula inaugural será no dia 6 de junho, às 10h, na Paróquia Imaculada Conceição, em Bacabeira. “A segunda meta estabelecida no documento Objetivos do Milênio, da ONU, é garantir que, até 2015, todas as crianças tenham recebido educação de qualidade e concluído o Ensino Fundamental. Por esse motivo, estamos muito felizes em promover o projeto Educando para Incluir, em parceria com a Petrobrás e a Prefeitura Municipal de Bacabeira”, diz Luiz Bressan Filho, Diretor do Instituto Embratel, destacando que a empresa disponibiliza a conexão de Internet Banda Larga via satélite para esta iniciativa. O projeto abrange 20 pontos de inclusão digital, distribuídos em 19 escolas da rede municipal e um telecentro, que atenderá as necessidades de mais de quatro mil alunos e 200 professores, além de colaborar com o processo didático de ensino. Para a realização desse projeto foi firmado um acordo de cooperação em dezembro de 2012, visando minimizar o analfabetismo digital, além de promover a capacitação profissional dos moradores de Bacabeira, onde está sendo construída a Refinaria Premium I, da Petrobrás. Educação em foco Há oito anos, o Instituto Embratel direciona o foco de suas atividades na educação. Com o projeto “Embratel Educação”, a instituição contribui para a melhoria do ensino brasileiro, proporcionando, para escolas públicas rurais, indígenas, quilombolas e de periferias urbanas - em sua maioria localizadas em remotas regiões do País e em municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - o acesso à Internet Banda Larga via satélite, conteúdos socioeducacionais e equipamentos, aliando as Tecnologias da Informação e Comunicação à educação e ao desenvolvimento social nas comunidades brasileiras. Presente em sete estados brasileiros, o projeto “Embratel Educação” soma mais de 50 mil pessoas beneficiadas, que usufruem desses recursos tecnológicos por meio de projetos específicos e diferenciados. Sobre o Instituto Embratel Fundado em abril de 2001, o Instituto Embratel é uma organização de fins não econômicos, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro. Possui como sócios fundadores a Empresa Brasileira de Telecomunicações – Embratel e a Embratel Participações – Embrapar, atua em todo o território nacional e, eventualmente, no exterior. Ao longo de 11 anos de atuação, as ações do Instituto Embratel confirmam a solidez da Responsabilidade Social da Embratel em âmbito nacional e o compromisso com o desenvolvimento social, sustentável e a democratização ao acesso da informação e do conhecimento. O Instituto Embratel foi qualificado pelo Ministério da Justiça como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, na forma da Lei 9.790/99. A qualificação como OSCIP, acolhe e reconhece legalmente as organizações da sociedade civil, cuja atuação se dá no espaço público não estatal. Além disso, em dezembro de 2012, o Instituto Embratel recebeu um importante reconhecimento. O departamento de Informação Pública das Nações Unidas – DPI/ONU conferiu o Status Associativo ao Instituto Embratel, listando-o como uma organização não-governamental corporativa que promove os ideais e princípios sustentados pela Carta das Nações Unidas. 


por Assessoria de Imprensa
Jogos permitiram verificar o desempenho dos alunos e como lidavam com erros e acertos. Fotos Educação

Jogos de raciocínio ajudam no aprendizado da matemática

[caption id="attachment_90264" align="alignleft" width="230" caption="Jogos permitiram verificar o desempenho dos alunos e como lidavam com erros e acertos"][/caption] O raciocínio lógico-matemático em alunos de ensino fundamental foi tema de pesquisa no Instituto de Psicologia (IP) da USP. Por meio da realização de oficinas de dois tipos de jogos (Kenken e Feche a Caixa) a psicóloga Talita Lima Queiroga analisou os aspectos lógico-matemáticos dos jogos e observou como esse tipo de raciocínio se manifestava nos alunos, enquanto resolviam os desafios propostos. Além de verificar o desempenho dos alunos, o estudo pretendeu analisar como lidavam com erros e acertos e argumentavam suas respostas. A pesquisa é descrita na dissertação de mestrado Jogos de raciocínio lógico-matemático em alunos da Escola Fundamental II, com orientação do professor Lino de Macedo. A psicóloga desenvolveu sua pesquisa com base na teoria do desenvolvimento de Jean Piaget. Segundo este teórico, a criança constrói o conhecimento a partir da interação com os objetos. O Kenken é um jogo de origem japonesa, criado em 2004, similar ao Sudoku. O jogo deve ser completado com números sem que eles repitam em uma linha ou coluna. O tracejado mais escuro forma um bloco, onde a primeira casa contém um número e um sinal, representando, respectivamente, o resultado que deve ser obtido e a operação matemática que deve ser utilizada para chegar a tal resultado. Já o Feche a Caixa é um jogo conhecido há séculos. Além de incluir raciocínio lógico e operações aritméticas, envolve também a sorte, pois as jogadas dependem de resultados de dados. O jogo tradicional é composto por nove caixas (ou casas) com números visíveis. O jogador lança dois dados e os resultados obtidos devem ser somados. Após, baixam-se a(s) caixa(s) correspondem ao valor da soma dos dados. As caixas baixadas permanecem assim até o fim da partida. Quando o total de pontos não permitir fechar mais nenhuma casa, o jogador somará os valores que continuam expostos e, quem atingir primeiro os 45 pontos, perde. O jogo principal a ser estudado foi o Kenken, escolhido por possuir aspectos aritmético, geométrico, algébrico e exercitar o raciocínio lógico-matemático. Talita disse utilizar o Feche-a-Caixa para que os alunos tivesse acesso a outro jogo, e então as oficinas se tornariam mais divertidas, e para que ela pudesse comparar o desempenho deles nos dois jogos. Consequências e possibilidades Os participantes da pesquisa foram oito alunos de ensino fundamental II da rede pública estadual. “A participação desses alunos foi pelo fato de o jogo utilizar as quatro operações matemáticas que, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, devem ser aprendidas ainda na Escola Fundamental I”, explica a psicóloga. Além de garantir que todos os alunos teriam aprendido as quatro operações matemáticas, a escolha de estudantes nessa faixa de idade se deu porque, segundo Piaget, é nesse período em que a pessoa se torna capaz de inferir sobre consequências e possibilidades. A matemática é a disciplina que possui maior dificuldade de aprendizagem entre os alunos brasileiros, mas é extremamente necessária à vida, não só escolar. Para solucionar esse problema, a alternativa é oferecer novas maneiras, mais divertidas, de aprender a matéria. “O Kenken e o Feche a Caixa são excelentes ferramentas para a escola, pois podem fazer com que os alunos estruturem seus conceitos e noções, construam relações quantitativas ou lógicas, adquiram fluência no cálculo e desenvolvam uma atitude mais positiva em relação às aulas de matemática”, afirma Talita. Os jogos foram realizados em oficinas, que aconteciam em período diferente do das aulas. Essas oficinas permitiam a repetição dos jogos o que, segundo o pesquisador Lino Macedo, é um fator fundamental para a aprendizagem. “Por meio da repetição as crianças podem verificar que um mesmo objeto (no caso, o jogo) admite muitas posições ou deslocamentos e que uma mesma ação pode gerar diferentes consequências e efeitos”, complementa Talita. Também em busca desta regularidade, foram propostos jogos como tarefa de casa. Além da resolução dos jogos, foi proposta a resolução de enigmas de ambos. Os enigmas eram perguntas que exigiam uma reflexão, por parte do jogador, acerca do jogo, cujas respostas também deveriam ser justificadas. Em sua pesquisa, Talita procurou analisar as jogadas e estratégias realizadas pelos alunos, além da frequência e tipos de erros cometidos. Foi verificado que esses se utilizavam do cálculo mental como estratégia principal, mas em contas de multiplicação ou subtração alguns deles preferiram armar contas no papel. Acertos e erros No Kenken, os alunos erraram pouco, apenas em 11,6% dos jogos entregues à pesquisadora havia algum tipo de erro, taxa repetida nos jogos dados como tarefa de casa. Mas só 15,5% deles foram resolvidos sem a necessidade de jogadas excedentes. Ao jogar o Feche a Caixa, os jogadores priorizavam fechar a caixa com o maior número. A porcentagem de erro neste jogo foi maior, 22%. “É interessante observar que, embora o Feche a Caixa exigisse operações matemáticas consideradas pelos alunos como mais simples, os erros de cálculo foram mais frequentes nesse jogo do que no Kenken”, destaca Talita. Uma explicação possível para esse fenômeno é fato deles já possuírem o resultado no Kenken, e estarem em busca somente das parcelas. Foram realizados torneios de Feche a Caixa. Neles a psicóloga percebeu que a competição foi um fator bastante motivacional, mas também notou que os jogadores ficavam mais ansiosos e suscetíveis a errar. “Às vezes a competição pode gerar uma tensão e fazer com que os jogadores cometam mais erros, mas o errar faz parte da vida e, muitas vezes, pode resultar em uma aprendizagem”, comenta. Os alunos se mostraram interessados nos jogos e afirmaram que passaram a gostar mais de matemática depois das oficinas. Assim, a pesquisadora concluiu que aconteceu com os alunos o chamado ciclo virtuoso que, segundo Macedo, consiste em jogar para aprender matemática, aprender matemática para jogar melhor, jogar melhor para competir, competir para se aperfeiçoar, aperfeiçoar para se tornar mais desenvolvido no jogo do conhecimento, no jogo da escola. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Fernanda Guimarães Maranha, do IP Comunica

Página 1 de 9912345...102030...Última »
Para enviar sua dica ou opinião, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Dica/Opinião

agenda

dica de
sustentabilidade

anterior | próxima
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
Imagem do dia

Viver em uma área com altos índices de poluição atmosférica pode aumentar as chances de mães gerarem filhos autistas. Este é o resultado de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Harvard

Imagem do dia

Fundação Abrinq lança cartilha para alertar sobre trabalho infantil durante Copa e Olimpíadas. Leia aqui.

Imagem do Dia

Um estudante de design da Universidade de Brunel, em Londres, criou uma cesta de frutas que possui um sistema para alertar o vencimento dos produtos no interior do recipiente. Saiba mais.

Imagem do dia

Lei obriga instalação de semáforos movidos a energia solar e eólica em Maceió. As vias púbicas receberão células fotovoltaicas para conversão de raios solares ou um sistema que aproveite a energia do vento. Foto: Daniel Lobo

Imagem do dia

Pesquisa diz que região central da China gera 80% da poluição do país, que é o maior emissor de CO2 do mundo, dizem cientistas. Estudo sugere que metas para reduzir emissões devem ser repensadas.

Imagem do dia

Polícia tailandesa descobre mais de mil animais em risco mantidos presos. Bichos, incluindo 14 leões africanos, viviam em casa que parecia zoológico. Cativeiro ficava nos arredores da capital Bangcoc.

Imagem do dia

Estudantes criam cadeira de roda movida a energia solar. Os painéis solares foram projetados para carregar as baterias, mesmo em ambiente nublado. Foto: Divulgação. Saiba mais.

Imagem do dia

Concurso nos EUA premia fotos de animais feitas debaixo d’água. Foca nada em meio a uma floresta de grandes algas nos arredores do litoral de San Diego. A imagem foi a grande vencedora do Concurso de Fotos Submersas 2013.

Imagem do dia

Puxado pela queda significativa no desmatamento na região amazônica, o Brasil conseguiu reduzir em 38,4% a emissão de gases do efeito estufa entre 2005 e 2010, segundo estimativa do governo federal.

Imagem do dia

O prefeito de SP, Fernando Haddad decretou uma lei que obriga as novas edificações da cidade a oferecerem vagas para bicicletas. Os espaços deverão ter, no mínimo, 1,8 metros de comprimento para cada bike.