Estude na Unicamp sem vestibular

Educação

Estude na Unicamp sem vestibular


por Gilberto Dimenstein*


[caption id="attachment_85723" align="alignleft" width="150" caption="Dica de leitura: Tecnologias e ensino presencial e a distancia - Vani Moreira Kenski"][/caption] Já não há dúvida – nenhuma dúvida – de que a educação do futuro estará em algum lugar entre o ensino presencial e virtual. Aí é que se vai encontrar a fórmula. Nos EUA, a experimentação é monumental e envolve muito dinheiro. A mais relevante experiência, batizada de EDX, unindo Harvard e MIT, promete para o próximo semestre entregar sua plataforma para ser usada por qualquer universidade. A prova de que o Brasil já está seguindo essa onda é que, nesta semana, a Unicamp inaugurou seu portal com conteúdos abertos com videoaulas e já planeja colocar apostilas e textos dados em sala de aula. Pequenas experiências brasileiras têm feito um sucesso razoável como as aulas de português criadas pela PUC-SP. O fato é que, gostem ou não, a sala de aula como a conhecemos morreu – só ainda não foi enterrada. * Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz. ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.

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Além da bolsa

O ProUni ainda precisa enfrentar a pouca abrangência, a falta de apoio ao estudante e a baixa qualidade dos cursos. Filha de uma costureira e de um projetista mecânico, Juliana Vicente de Freitas mora na zona norte de São Paulo e cursa Psicologia na região central da cidade. Egressa da escola pública, ela fez cursinho para entrar na Universidade de São Paulo (USP), mas não conseguiu. Foi quando resolveu tentar uma bolsa de estudo em uma instituição privada de ensino. Hoje, com 20 anos, Juliana é bolsista integral do ProUni, programa do governo federal que concede bolsas em instituições privadas para alunos de baixa renda. “Minha família tem muito orgulho e a faculdade mudou meu jeito de ver o mundo”, conta. A visão de Juliana a respeito do ProUni está em conformidade com grande parte dos beneficiários do programa. A maioria vê a iniciativa como uma chance de acessar ao ensino superior e melhorar a renda. As expectativas dela são corroboradas, em parte, por um estudo feito pela pesquisadora Fabiana de Souza Costa, presidente do Centro de Estudos e Memória da Juventude, com 150 egressos do ProUni em São Paulo. Para 73,4% dos alunos investigados, houve elevação na renda após a conquista do diploma universitário; 85% dos bolsistas estavam empregados ao se formarem, e 64% deles com carteira assinada. “A relevância maior do programa é atender uma população jovem que não tinha nenhuma perspectiva de acesso ao ensino superior”, explica Fabiana, autora do livro ProUni: O olhar dos estudantes beneficiários. A necessidade de maior qualificação no mercado de trabalho foi uma das motivações de Rosangela Silva Soares, de 48 anos, para voltar a estudar. “Eu vejo como a última bala na agulha, eu não tenho outras opções”, conta a balconista, há quase 30 anos afastada dos bancos escolares. Moradora de Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo, ela está no curso de Pedagogia no Instituto de Ensino Superior Vera Cruz, onde é bolsista integral. Para além dos benefícios evidentes, há estudiosos do programa que questionam a maneira como essa ampliação de vagas foi feita. Apesar de possibilitar que uma parcela dos estudantes de mais baixa renda chegasse ao ensino superior privado, a pequena abrangência do programa, a qualidade dos cursos ofertados e as dificuldades para conseguir auxílio-permanência para custear os outros gastos dos estudantes são alguns dos entraves apontados. Para a economista Cristina Helena Almeida de Carvalho, o ProUni surgiu a partir de uma dupla demanda da sociedade brasileira. De um lado, a dos estudantes que terminavam o Ensino Médio e não conseguiam entrar no Ensino Superior, seja por causa do alto custo das mensalidades cobradas pelas instituições de ensino privadas, seja pela dificuldade de chegar à educação superior pública. Por outro lado, havia pressão por parte das instituições privadas, com as altas taxas de inadimplência e desistência, -pela -ampliação da renúncia fiscal. “A influência política das instituições privadas fez com que o ProUni fosse criado não só com o objetivo de democratização do acesso, mas como uma política de sustentação financeira das escolas de ensino superior privado”, explica a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB). A abrangência do ProUni também é questionada por Cristina. “O programa tem um alcance muito reduzido”, analisa a economista, que cruzou dados de matrículas presenciais no setor privado e o número de bolsas ofertadas e ocupadas pelos prounistas. Dados do Censo 2011 contabilizam cerca de 4 milhões de matrículas efetuadas em instituições de ensino particulares. No mesmo ano, foram ofertadas 254 mil bolsas pelo programa, das quais 170 mil foram de fato ocupadas. Ou seja, cerca de 4% dos universitários brasileiros recebem bolsa do ProUni. “Em termos relativos, o contingente não é expressivo”. O nó da qualidade Para o sociólogo Wilson Mesquita de Almeida, que investigou essa questão em sua tese de doutorado na USP, a qualidade é o principal nó do programa. Segundo Almeida, ao analisar os dados coletados na pesquisa e aqueles disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC), é possível afirmar que há uma correlação entre os bolsistas mais pobres e os cursos de baixa qualidade. “Assim, a maior parte dos estudantes, geralmente os mais pobres, com maior idade, provedores familiares, moradores de bairros mais afastados, encontra-se alocada justamente nas instituições e, sobretudo, nos cursos mais destituídos de qualidade”, observa. Focalizado na cidade de São Paulo, capital do estado com o maior número de bolsistas, o estudo de Almeida identifica que existe uma nítida segmentação entre os beneficiários. De um lado, há um pequeno grupo de bolsistas, em geral oriundo da baixa classe média, para os quais o ProUni funciona como um “acelerador” do processo de entrada no ensino superior. Esses estudantes, em média, conseguem acessar carreiras mais concorridas em instituições de ensino privadas de melhor qualidade. Por outro lado, para a maioria dos bolsistas do programa, o ProUni é a única forma de acesso à universidade. Em grande parte, porém, esses estudantes acabam alocados em universidades particulares de menor prestígio, em cursos com pouca concorrência. Almeida enfatiza que o problema não é o desenho do programa de bolsas para estudantes de baixa renda em universidades particulares, mas sim o perfil dessas instituições lucrativas. “Para maior eficácia social, o ProUni precisaria ficar restrito às instituições sérias, preocupadas em prover educação de qualidade”, defende. “Caso contrário, aprofundam-se ainda mais as desigualdades educacionais em nosso -país, pois, sob a aparência de beneficiar milhões de pessoas, estaremos apenas -perpetuando as diferenças sociais, na medida em que somente um segmento bem ínfimo desses bolsistas ingressa nos cursos conceituados e de boa qualidade”, analisa. A estudante de psicologia Juliana faz parte do segundo caso: é bolsista em uma instituição particular renomada, o Mackenzie. A qualidade foi central para a escolha. “Eu queria fazer uma faculdade particular com nível melhor”, justifica. Superado o entrave, porém, a estudante ainda enfrenta outros desafios relacionados ao próprio desenho do programa. A faculdade escolhida só ofertou bolsas no período da tarde, atrapalhando a busca por um emprego. Juliana também não pode solicitar o auxílio-permanência (no valor de 400 reais) ao MEC, limitado a estudantes de cursos com duração de seis horas diá-rias. O curso de Psicologia no Mackenzie dura 5 horas e 40 minutos. “Por causa de 20 minutos eu não posso entrar”, lamenta. A limitação do benefício de pagamento da mensalidade da graduação também dificulta a vida do prounista. Ficam de fora custos como alimentação e transporte, além de taxas geralmente cobradas pelas instituições particulares. “São custos geralmente subsidiados para o aluno do ensino público”, explica Cristina Helena Almeida de Carvalho. Aline Azevedo, de 17 anos, também enfrenta dificuldades. Egressa de uma escola estadual na cidade de Carmo do Rio Claro, em Minas Gerais, ela estuda Design Gráfico na Universidade de Franca (Unifran), na cidade paulista de mesmo nome. “O ProUni possibilitou a minha formação e a busca por um emprego melhor”, garante. Com bolsa parcial, metade da mensalidade, em torno de 780 -reais, é financiada por meio do Fies, programa federal. Segundo ela, é difícil pagar as despesas de moradia e os materiais do curso. A estudante também não conseguiu obter o auxílio-benefício do MEC, atualmente oferecido a 5,3 mil estudantes. Para Márcia Lima, professora e pesquisadora da USP e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), os problemas quanto à eficiência do ProUni são os mesmos do sistema superior privado brasileiro, de qualidade heterogênea. De forma geral, ele é marcado pelo investimento em cursos mais baratos e menos valorizados no mercado, em detrimento das carreiras de ponta. Além disso, há menos ênfase na pesquisa acadêmica e menor qualificação do corpo docente, em comparação com as universidades públicas. “O que afeta a eficácia do programa é a eficácia do sistema”, analisa Márcia. A assessoria de imprensa do MEC informou que o ministério é “rigoroso com cursos e instituições com baixa avaliação”. A legislação do ProUni determina que os cursos com duas avaliações negativas consecutivas (notas 1 e 2 no Conceito Preliminar de Curso), no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), perdem o direito de oferecer bolsas. O Conceito Preliminar de Curso é um índice que combina informações de infraestrutura, instalações físicas, recursos didático-pedagógicos, corpo docente e o desempenho obtido pelos concluintes no Enade, em uma escala que vai de zero a 5. Em 2013, 186 cursos foram eliminados do programa por mau desempenho. Apesar dos problemas, a taxa de evasão dos alunos bolsistas do programa é menor que a observada nas universidades públicas: 11,5%, em 2011, ante 14,4% dos universitários alocados em instituições públicas. O simbolismo do diploma universitário – muitas vezes o primeiro de uma família – leva a uma expectativa grande por parte de todos os seus integrantes, que concentra esforços, inclusive materiais, para garantir que o aluno permaneça estudando. Para 91% dos estudantes consultados na pesquisa de Fabiana de Souza Costa, a formação universitária possibilitada pelo programa ampliou os horizontes e facilitou a articulação na área profissional. “O bolsista considera a graduação uma oportunidade”, sintetiza Fabiana. Como funciona o ProUni 1 Números do programa Em 2013, cerca de 1,3 mil estabelecimentos de ensino superior particulares ofereceram 162.329 
bolsas de estudo no processo seletivo 
do primeiro semestre, 108.686 integrais 
e 53.643 parciais. Em troca, deixam 
de pagar impostos e contribuições 
federais (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). 2 Quem pode participar Egressos da rede pública, da rede particular na condição de bolsistas integrais, pessoas com deficiência e professores da rede pública. Renda também é critério: para estudar totalmente de graça, a renda bruta familiar não pode superar 
um salário mínimo e meio (1.017 reais, em março de 2013) por pessoa. No caso de bolsas parciais (50%), o limite sobe para três salários mínimos por pessoa (2.034 reais). Os candidatos precisam obter uma pontuação mínima de 450 no Enem. * Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Tory Oliveira, da Carta Capital
Digitalização da educação implica mudança de cultura. Foto: Fotolia Educação

Muito além dos tablets: digitalização da educação implica mudança de cultura

[caption id="attachment_85711" align="aligncenter" width="416" caption="Digitalização da educação implica mudança de cultura. Foto: Fotolia"][/caption]   Introduzir a tecnologia em sala de aula já não é tarefa fácil. Além do investimento financeiro que a medida impõe, as instituições de ensino acabam tendo que destinar tempo e recursos na formação de educadores e adaptação de conteúdos. E como se não bastasse, em pouco tempo de implementação, especialistas na área já chegaram a um consenso: não basta apenas ter um tablet à mão, é preciso que a escola absorva os princípios da cultura digital. “Digitalização não tem a ver apenas com introdução de tablets e projetores em sala de aula. Tem a ver com uma mudança de cultura”, analisa Ana Barroso, especialista em comportamento digital, sócia da Sodet – empresa que desenvolve ferramentas de colaboração e compartilhamento de informações. Segundo ela, os educadores precisam ter acesso à ferramentas que os possibilitem compartilhar e distribuir o conhecimento que já possuem. “É muito comum ver professores em pânico diante de tantos estímulos. Muitas vezes eles terminam isolados tentando lidar com redes sociais e outras plataformas.” Para evitar esse tipo de situação, uma das saídas propostas por Ana é a formação de redes. Ela acredita que essa pode ser uma forma de romper com o medo da tecnologia e permitir a troca de experiências exitosas entre docentes. Como resultado imediato, eles teriam disponível um grande leque de vivências em sala de aula. Educação do Futuro Alguns países, como Estados Unidos e Finlândia, vêm testando formatos educacionais nos quais a incorporação da cultura digital – com ênfase para os aspectos de co-criação, colaboração e compartilhamento – acabaram forjando novos paradigmas de aprendizagem. Durante o “Congresso Visão XXUNO: O desafio de construir a escola”, que o Portal Aprendiz acompanha em Orlando, Estados Unidos, o diretor geral da Santillana Digital, Miguel Barrero, apresentou os alicerces da educação do futuro. Flip Education [caption id="attachment_85712" align="alignright" width="260" caption="Um dos maiores exemplos de Flip Education é a Khan Academy. Elaborada por Salman Khan, trata-se de uma plataforma de mais de 3.800 vídeos educacionais vistos por milhões de pessoas, incluindo os filhos de Bill Gates."][/caption] Baseada em pesquisa e investigação, a chamada Educação Invertida pressupõe que a escola é um lugar de interação e, sobretudo, um espaço para sanar dúvidas. Por meio de videoaulas, os alunos recebem os conteúdos a serem estudados em casa e vão às aulas para construir significados sobre o que aprenderam. Nesse modelo, o estudante é protagonista do processo educativo e cabe ao professor estabelecer dinâmicas e caminhos, a fim de orientá-lo. O mobiliário tradicional de uma sala de aula não dá conta dessa proposta, por isso, a tendência é que os espaços educativos sejam todos circulares. Na Finlândia, esse cenário já é uma realidade. Anytime Anywhere Education Educação Expandida é aquela que ocorre a qualquer tempo, em qualquer lugar. Na prática, isso implica numa aprendizagem para alem do horário escolar e dos muros da escola. Open Education Nos próximos anos, a demanda por uma educação gratuita e de acesso a todos será cada vez maior. Com o aparecimento de plataformas que podem ser utilizadas no processo pedagógico, como Instagram e Pinterest, somadas àquelas desenvolvidas por empresas e universidades com essa finalidade, o mundo está prestes a ser um grande território educativo. Adaptive Education Implementada em Nova York em larga escala, por meio do programa iZone, a denominada educação personalizada tem no aluno a chave para o aprendizado. Em vez de convencê-lo de que determinado assunto deve ser estudado, a personalização do ensino parte dos seus interesses e de suas potencialidades para estabelecer o processo educativo. P2P Education Estudos indicam que a confiabilidade entre iguais é muito maior do que quando há uma hierarquia estabelecida. A educação entre iguais eleva o protagonismo do aluno ao regime de colaboração e compartilhamento. Ou seja, esse modelo propõe que alunos compartilhem entre si a produção de conhecimento. BYOD Education Bring Your Own Device (Traga seu próprio dispositivo) é o mote de uma educação plenamente digitalizada. Não importa se tablet ou smart phone, o fato é que esses gadgets serão cada vez mais falados quando o assunto for educação. Será o fim da escola? Diante dessa nova realidade, é impossível não se perguntar se veremos o fechamento massivo de escolas pelo mundo. Axel Rivas, docente argentino especializado em política educacional, acredita que as escolas não desaparecerão porque serão capazes de se repensar. Rivas falou durante o congresso sobre a necessidade da escola se reinventar, desconstruir alguns dogmas que acompanharam sua trajetória como instituição e ser capaz de desempenhar um papel relevante no contexto das novas tecnologias. “A ameaça do fim das escolas existe e nunca antes foi tão difícil ser docente. Ao mesmo tempo, pela primeira vez, temos muito mais liberdade para ensinar e aprender”, reflete o professor. * A repórter Raiana Ribeiro viajou aos Estados Unidos a convite do Sistema Uno Internacional (UNOi). ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Raiana Ribeiro, do Portal Aprendiz
Atuação de professores comunitários contribui para estreitar relações, ampliando espaços, tempos e oportunidades de aprendizado.Foto: Ciep/RJ Educação

Professor comunitário amplia relação da escola com a cidade

[caption id="attachment_85703" align="aligncenter" width="530" caption="Atuação de professores comunitários contribui para estreitar relações, ampliando espaços, tempos e oportunidades de aprendizado.Foto: Ciep/RJ"][/caption]   Imaginar escolas sem muros, conectadas com o bairro e a cidade, criando um ambiente de aprendizagem a céu aberto ainda é um desafio para a educação brasileira. Mas diversas instituições de ensino já vivenciam um processo de transição rumo a esse cenário. Graças à atuação de professores comunitários, escolas e comunidades vêm estreitando relações e ampliando espaços, tempos e oportunidades de aprendizado. De acordo com Heitor Martins de Oliveira, coordenador geral de Educação Integral do programa Mais Educação – política pública do governo federal voltada à promoção da educação integral nas escolas – o professor comunitário busca conectar “os novos saberes, os novos espaços, as políticas públicas e o currículo escolar estabelecido”. Pelo programa, esses profissionais são concursados e integram o quadro de funcionários da escola. Por meio do mapeamento das oportunidades educativas dos territórios, o professor comunitário estabelece parcerias capazes de alavancar a participação comunitária na escola. “Ele aprofunda o diálogo e dá significado às atividades complementares [extraclasse] de forma integrada, garantindo conexão entre todo o aprendizado no âmbito da escola”, afirma Oliveira. Seguindo as diretrizes do Mais Educação, que recomenda para a função um forte vínculo do professor com a comunidade escolar, a proposta vem sendo colocada em prática Brasil afora respeitando a realidade de cada local. Sorocaba Um dos exemplos pode ser visto na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo. Lá funcionam as “Oficinas do Saber”, com atividades voltadas ao aprendizado de dança, teatro, xadrez, música, línguas e leitura, todos os dias da semana, no contraturno escolar. Implementada pela Secretaria Municipal de Educação, atende por volta de 8 mil crianças em todo o município. Conceição Aparecida Artuso Grazzi é educadora comunitária no bairro Jardim São Guilherme, em uma das unidades da oficina ligada à escola municipal Hélio Rosa Baldy. Lá ela atua como coordenadora das atividades. Entre suas iniciativas, em 2012, Conceição propôs o “chá literário”, uma oficina que misturava leitura e artesanato e tinha como objetivo aproximar os pais do cotidiano escolar. Conceição percebeu que, com a proposta, os pais começaram a participar das reuniões da escola e houve, inclusive, uma melhora no relacionamento entre os estudantes, que se sentiam mais motivados a aprender. “Nas oficinas os alunos aprendem o conteúdo em si da atividade, mas também a importância do aprendizado e da convivência solidária com os colegas”, ressalta. Para atuar em Sorocaba, o educador comunitário deve, além de ser concursado, passar por um programa específico de formação voltada à atuação pedagógica comunitária. Rio de Janeiro Educadora comunitária no Rio de Janeiro, Aparecida Melo trabalha no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Vila Kenedy, escola de tempo integral em Bangu, que atende aos alunos da primeira à quinta série. Segundo estimativa da coordenadoria do programa “Escola Aberta – Mais Educação”, aproximadamente 475 escolas do município contam com a figura do educador comunitário. Residente no bairro há 48 anos, Cida, como é conhecida na comunidade, trabalha conforme as diretrizes pedagógicas do programa Mais Educação. “A ideia é a integração entre crianças, vizinhos e professores na construção da paz, da boa convivência que surge a partir da educação, pelas interações e entendimentos que promove.” A cada ano – e a partir de um alinhamento com o programa político-pedagógico da escola – um tema é escolhido para nortear as atividades que serão realizadas com os alunos. Desde o início de 2013, “O Caminho da Gentileza” está levando as crianças a promoverem campanhas de preservação do entorno da escola, com foco nas intervenções ambientais. A ideia, ressalta Cida, é “ensinar a valorização local, mostrando para a criança sua participação nos cuidados com o bairro, seus direitos e obrigações”. Para contornar problemas ligados ao comportamento dos estudantes, Cida investe em atividades acolhedoras, que abordam a cidadania e apresentam alternativas de atuação no mundo, destacando a importância da formação de vínculos. “A cada avanço do estudante, reconhecemos as consequências construtivas, mesmo que o impulso inicial tenha sido um sentimento de raiva”, pontua a educadora. A transformação, segundo ela, não é rápida. Para isso, conta com o apoio dos familiares. O próximo passo, previsto para ser posto em prática ainda esse ano, são oficinas também com os pais. “A ideia é mudar a mentalidade. Ao invés do ‘mandar o meu filho para a escola’, trazer este pai ou mãe para participar das atividades no Ciep.” Ângela Belarmino tem dois filhos no Ciep Villa Kennedy e viu na prática os benefícios da atuação de Cida. “É importante a parceria com o educador comunitário porque é uma forma de tanto o professor conhecer melhor a realidade do aluno, quanto os pais acompanharem mais de perto o aprendizado dos seus filhos” Ela cita o Conselho Escolar da Comunidade como um importante espaço de decisão. Formado por pais, alunos e a direção, as reuniões permitem que os responsáveis conversem e decidam coletivamente sobre os usos da escola fora do horário das aulas, as dificuldades do dia a dia escolar, ou até mesmo como ter acesso a outros serviços do bairro. De volta à escola Outra iniciativa brasileira de aproximação entre comunidade e escola é o “Professor da Família”, realizado em Minas Gerais. Implantado em 2011 pelo governo do estado, difere-se da proposta do Mais Educação porque tem como objetivo incentivar pais e responsáveis a retomarem os estudos, elevando o nível de escolaridade da população. O programa prevê a realização de visitas domiciliares para mapear as demandas e dificuldade dos alunos, incluindo as respectivas famílias inscritas no programa. Em 2013 serão 43 municípios atendidos. Até agora, os professores da família levaram aproximadamente 500 pais e responsáveis de volta aos bancos escolares. * Publicado originalmente no Portal Aprendiz.


por Flávio Aquistapace, do Portal Aprendiz
Antonio Candido. Foto: Fabio Carvalho Educação

“O socialismo é uma doutrina triunfante”

  [caption id="attachment_85695" align="alignleft" width="300" caption="Antonio Candido. Foto: Fabio Carvalho"][/caption] Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras. Brasil de Fato – O que o senhor lê hoje em dia? Antonio Candido – Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno. Brasil de Fato – O senhor é socialista?  Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia. Brasil de Fato – Por quê? Antonio Candido – Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar. Brasil de Fato – O socialismo, como luta dos trabalhadores? Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto, ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador. Brasil de Fato – Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo? Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo. Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços? Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para os que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. * Edição Tribuna da Imprensa. ** Publicado originalmente no site Brasil de Fato.


por Joana Tavares, do Brasil de Fato
Foto: Divulgação/ Internet Educação

Pernambuco destina 100% dos royalties do pré-sal para educação, ciência, tecnologia e inovação

[caption id="attachment_85689" align="aligncenter" width="524" caption="Foto: Divulgação/ Internet"][/caption]   Brasília - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sancionou na segunda-feira (30) lei que destina 100% dos recursos dos royalties do pré-sal para educação, ciência, tecnologia e inovação. De acordo com o site do governo do estado, Pernambuco recebe cerca de R$ 15 milhões por ano provenientes da distribuição dos royalties. Com a concessão de novas jazidas a serem exploradas, o valor deve chegar a R$ 350 milhões. A Lei 14.960/13 impossibilita que os recursos ganhem outros destinos. O governador escolheu evento da União Nacional dos Estudantes (UNE) no início do ano para assinar a lei e enviá-la para tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco. Na ocasião, o governador disse que a intenção era que o estado servisse de exemplo para que o Congresso Nacional aprovasse a Medida Provisória (MP) 592/12 para que a destinação dos recursos para os setores fosse nacional. A MP perde a validade no dia 12 de maio. Nesta segunda-feira (30), a presidenta Dilma Rousseff disse que enviará ao Congresso Nacional nova proposta sobre o uso integral dos royalties do petróleo da camada pré-sal na área da educação. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil. 


por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil
Bibliotecas: muito a aprender sobre as redes sociais. Foto: Marcos Santos / USP Imagens Educação

Bibliotecários têm dificuldades no uso de redes sociais

[caption id="attachment_85801" align="alignleft" width="230" caption="Bibliotecas: muito a aprender sobre as redes sociais. Foto: Marcos Santos / USP Imagens"][/caption] Estar presente nas redes sociais é uma necessidade para as bibliotecas universitárias. Por meio delas os serviços, produtos, treinamentos e conteúdos se tornam conhecidos pelo público, mas ainda há muito o que aprender sobre o uso das redes sociais. É o que constata a bibliotecária e pesquisadora Giseli Adornato de Aguiar em pesquisa realizada na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A partir de seu trabalho, ela pôde perceber que não há uma base teórica sólida que dê respaldo aos responsáveis pelas redes sociais das bibliotecas: eles convivem com incertezas sobre o alcance daquilo que veiculam, assim como ainda têm dúvidas sobre o que pode ser veiculado. A dissertação de mestrado Uso das ferramentas de redes sociais em bibliotecas universitárias: um estudo exploratório na Unesp, Unicamp e USP, desenvolvida na ECA, com orientação de José Fernando Modesto da Silva, foi vencedora do “XI Prêmio de Biblioteconomia Paulista Laura Russo”, na categoria “Trabalhos Acadêmicos – Mestrado” do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8). Dentre as 101 bibliotecas de unidades das três Universidades públicas mais importantes de São Paulo — sendo 46 da USP, 30 da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e 25 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — 49,5% usam frequentemente as redes sociais. As mais usadas são o Facebook, Twitter e Blog. O objetivo da pesquisa foi avaliar a contribuição dessas redes para as bibliotecas. O conteúdo divulgado varia entre informações sobre a biblioteca, novas aquisições, tutoriais de produtos disponibilizados e informações importantes para o público-alvo. O conteúdo selecionado é pensado de acordo com a área de conhecimento da faculdade e de acordo com a ferramenta usada. Também servem como um canal de comunicação: tornam possível a divulgação de treinamentos, aumentando seu público. Foi identificado que as redes ajudam a atrair as pessoas que têm as características da chamada geração y, que valoriza o uso da tecnologia para usar a biblioteca, seja online ou no seu espaço físico. O usuário não precisa, necessariamente, se dirigir à biblioteca, ele pode ser atendido remotamente e consultar as informações que necessita pelas redes sociais. Desafios e Benefícios Alguns dos desafios identificados pela pesquisa são a falta de recursos humanos (que, no caso, seria a disponibilidade de um profissional para implantar e atualizar essas ferramentas), de planejamento de conteúdos e muitas questões ainda sem respostas. “A utilização das redes sociais ainda é recente, falta uma política e um planejamento, o que requer um aprendizado baseado nos erros e acertos decorrentes de seu uso e gera muitas dúvidas. Os responsáveis acreditam no uso e na importância dessas ferramentas, mas apresentam incertezas e inseguranças à respeito do uso que está sendo feito delas”, explica a pesquisadora. Qual linguagem utilizar? Quais conteúdos disponibilizar? Como manter a atenção do usuário? Como avaliar e mensurar o sucesso das redes? Essas perguntas são frequentes na cabeça dos responsáveis pelas redes sociais, que ainda sofrem com a falta de base teórica na área ao lidar com o assunto, assim como maneiras de mensurar o alcance dos conteúdos de modo mais eficiente. No entanto, o uso das redes sociais é responsável pela ampliação de acessos aos conteúdos da biblioteca. Os internautas veem as redes sociais como um meio menos formal para se obter informações, além de haver a possibilidade de interação, divulgação dos serviços e criação de conteúdos. Ainda que as redes sociais sejam usadas, os responsáveis por elas ainda não são capazes de usar todo o potencial dos recursos, sendo que a divulgação de conteúdos é privilegiada em detrimento da interação. “As redes sociais não são apenas uma ferramenta de divulgação, elas têm que oferecer espaços de participação, colaboração e a possibilidade de um diálogo entre a biblioteca e seus usuários, e vice-versa”, explica Giseli. O trabalho dá um norte para o uso das redes e busca incentivar outras bibliotecas a entrarem nesse mundo virtual. A biblioteca, ao aprimorar a divulgação de seus serviços, traz melhorias para a sociedade. A disponibilização dos conteúdos expande o universo cultural e aumenta o acesso. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Rúvila Magalhães, da Agência USP
ABC Educação

Professores unem a teoria à prática para melhor alfabetizar

[caption id="attachment_85099" align="alignleft" width="300" caption="Inês aplicou com seus alunos o que aprendeu nos cursos. Foto: arquivo pessoal"][/caption] Métodos didáticos modernos defendem que a alfabetização vá além dos processos tradicionais que se baseiam na codificação e decodificação de letras, fonemas, sílabas, palavras e textos. A alfabetização deve ser pautada na leitura, mas na leitura de textos próximos da realidade cultural da criança. “É preciso alfabetizar com os usos reais da linguagem que está próxima à vida concreta do aluno”, observa Marcelo Fabiano Rodrigues Pereira, da secretaria de educação do Distrito Federal. Responsável pela formação de 25 professores do último ano do ciclo de alfabetização, ele participa do curso de formação continuada para a implantação do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, oferecido pela Universidade de Brasília (UnB). O objetivo do pacto, firmado por todas as unidades da Federação e por 5.393 municípios, é assegurar que todas as crianças brasileiras tenham proficiência em língua portuguesa e em matemática até os 8 anos de idade. Em todo o Brasil, 38 universidades públicas parceiras no pacto vão oferecer cursos de formação a 16.814 docentes orientadores, que atuarão com os professores em classes de alfabetização. A UnB pretende formar 4 mil professores das redes públicas de ensino do Distrito Federal e do Tocantins. O pacto, segundo Pereira, evidencia os direitos de aprendizagem para as crianças de 6 a 8 anos. “Antes, essas metas não estavam claras. O pacto amarra isso, deixa esses direitos de aprendizagem muito bem estabelecidos", afirma. “Houve uma uniformização das metas do ciclo. Agora, um aluno de outra escola ou de outra cidade deve chegar com a mesma carga de conhecimento." Desafio — A alfabetização é um desafio para os professores de turmas do primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental e uma das prioridades da atual política educacional no Brasil. Em média, 15,2% dos alunos até oito anos de idade não estão alfabetizados. Essa taxa é ainda mais elevada em estados como Alagoas (35%) e Maranhão (34%). O pacto será implementado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O repasse financeiro da União visa a apoiar a formação continuada dos professores alfabetizadores e orientadores de estudo, que receberão bolsas para participar do curso. Estão previstos também recursos financeiros para o reconhecimento dos resultados alcançados pelas escolas e pelos profissionais da educação no desenvolvimento das ações do pacto. "A nossa lógica pedagógica incorporava o fracasso escolar. Professores chegavam a colocar em seus planos a meta de aprovação de 80% dos alunos”, comenta a professora Leila Chalub Martins, coordenadora do pacto na UnB. “O compromisso do professor deve ser com a aprovação de 100%.” ressalta. Para Leila, é fundamental que haja espaço de discussão com esse professor. “Ele não pode se sentir só na sala de aula. Seu trabalho precisa ser acompanhado, aprimorado." Internet — Em Colmeia (TO), a 230 quilômetros de Palmas, Inês de Fátima Teixeira Gomes tem oito anos de experiência com alunos do primeiro ano. Ela está otimista com o curso de formação. “É sempre bom aprender um pouco mais para ensinar melhor”, diz a professora. Ela leciona no Colégio Estadual Ari Ribeiro Valadão Filho. Este ano, Inês resolveu inovar na alfabetização dos 15 alunos de 6 anos de idade. Duas vezes por semana, ela os leva ao laboratório de informática para aulas em que são adotados softwares educativos e textos on-line. “Eles estão encantados, e o processo de alfabetização ficou mais atraente para as crianças, que são carentes e têm poucos livros em casa”, conta Inês. Releitura — Paola Soares Aragão, do Centro de Formação de Professores da UnB, acredita que os cursos abrem a oportunidade de uma releitura sobre a alfabetização brasileira. “Quando a universidade, que sempre formou professores fora da realidade da prática de sala de aula, se debruçou sobre os problemas de alfabetização? Comprometer a universidade com esse papel, é lembrar que ela também tem essa responsabilidade”, destaca. “Antes, a universidade só criticava.” Como os cursos do pacto são contínuos, ao longo de dois anos, as universidades e as redes estaduais e municipais de ensino acabam integrando-se num processo articulado e interdependente. “A universidade fica obrigada a monitorar, a acompanhar esse processo de alfabetização, e as redes são obrigadas a executá-lo", afirma Paola. “São os momentos para troca de experiência, de interação.” A professora Cláudia do Vale é responsável por um grupo de 28 alfabetizadores que estão em sala de aula de escolas públicas do Paranoá, uma das regiões administrativas do Distrito Federal. "A grande dificuldade é o letramento dos alunos, a produção de textos, a leitura e a interpretação”, explica. “O aluno precisa saber o que está lendo e saber discutir, mas o professor enfrenta muitas dificuldades." Entre as dificuldades, ela cita a superlotação das salas de aula e a falta de comprometimento da família com o processo de aprendizagem. “O pacto traz a possibilidade de unir teoria e prática”, afirma. “Os professores estão esperançosos porque têm consciência de que não estão mais sós." * Publicado originalmente no site Portal do Professor.


por Rovênia Amorim, do Portal do Professor
Unesco lança Semana de Ação Global sobre Educação para Todos Educação

Unesco: “Toda criança precisa de um professor”

[caption id="attachment_85174" align="alignleft" width="330" caption="Unesco lança Semana de Ação Global sobre Educação para Todos"][/caption] Este é o tema da campanha da Semana de Ação Global sobre Educação para Todos; segundo a agência da ONU, sem educadores a escola é apenas um prédio. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura lança a partir deste domingo, 21, até 27 de abril, a Semana de Ação Global sobre Educação para Todos. O tema da campanha deste ano da Unesco é "Toda Criança Precisa de um Professor". O foco está no papel vital do professor para alcançar as metas de educação. A Semana de Ação Global é uma campanha da sociedade civil organizada anualmente para promover o direito das crianças a uma educação de qualidade. Influência A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou que os professores representam a maior influência e a força mais poderosa em relação ao acesso, igualdade e qualidade no setor de educação. Para Bokova, o mundo não alcançará as metas da ONU de "Educação para Todos" sem os professores. Prioridades Entre as principais prioridades da Unesco, estão o treinamento, seleção, status, manutenção e as condições de trabalho dos professores. Para a agência da ONU, sem educadores a escola é apenas um prédio. Ainda segundo a organização, o professor é o elemento-chave da "Primeira Iniciativa de Educação Global do Secretário-Geral e também parte indispensável da agenda de desenvolvimento global pós 2015. Desafios Bokova afirmou que existem vários desafios. Na Tailândia, por exemplo, o sistema educacional enfrenta problemas com salas de aula superlotadas e crianças que falam idiomas diferentes. Os professores enfrentam também discriminação e trabalham em áreas de risco, onde estão ocorrendo conflitos armados. Mas a Unesco afirma que o desafio principal da profissão está em números. São necessários 6,8 milhões de professores para que se possa alcançar a meta de educação primária para todas as crianças até 2015. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.


por Edgard Júnior, da Rádio ONU
catraca Educação

Experiência comunitária brasileira vira caso de estudo em Harvard

O Catraca Livre --plataforma voltada para a sustentabilidade das cidades-- acaba de se tornar um "case" da Harvard Business School, renomada Escola de Negócios dos Estados Unidos. O projeto foi considerado uma inovação no uso das mídias digitais para a cidadania e é um modelo que pode ser replicado. Sob a coordenação de Rosabeth Moss Kanter, professora de Administração da Universidade de Harvard, o "case" tem 15 páginas e conta com depoimentos de Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab (MIT - Massachusetts Institute of Technology), e Raphael Vasconcellos, diretor de Soluções Criativas do Facebook para América Latina. O valor da plataforma está no uso das redes para criação de comunidades de aprendizagem, segundo Negroponte. "Propor a cidade como uma escola e a população como seus professores é a melhor forma de interação social", diz. "Essa é a beleza do Catraca Livre." Para Vasconcellos, o "o site tem sucesso em grande parte porque não tem competidores, não há nada similar". "Quando criamos o Catraca Livre, já sabíamos que tínhamos de ser não um site, mas um laboratório de uso das mídias sociais para a cidadania", diz Gilberto Dimenstein. "Partimos de uma ideia muita simples: há mais coisas acessíveis numa cidade do que se imagina. E fizemos de São Paulo, tão cheia de catracas físicas e mentais, nosso laboratório de experimentação." * Publicado originalmente no site Prêmio Empreendedor Social/ Folha de S. Paulo.


por Redação do Prêmio Empreendedor Social
poemas_de_guimaraes_rosa Educação

Bem-vindo ao mundo de Rosa

  Na cidade de Guimarães, contadores de histórias narram sua obra e estimulam 
a descoberta de sua linguagem sutil e lírica. Foto: Washington Alves “No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra…”. É narrando trechos como esse, do conto Campo Geral, que adolescentes de 13 a 20 anos de Cordisburgo, em Minas Gerais, ingressam no universo de João Guimarães Rosa. Chamado de Miguilim, em referência ao personagem de um dos contos do autor, o grupo de contadores de histórias consolidou-se na cidade natal do escritor com a missão de divulgar a obra de Rosa. A ideia, abraçada também por professores em sala de aula, é recuperar a leitura em voz alta e explorar a oralidade da obra Roseana. Nesta entrevista a Carta na Escola, Elisa de Almeida, que coordena, com Dora Guimarães, o grupo Miguilim, conta como adolescentes exploram a linguagem sutil e lírica do autor pela narrativa oral. Carta na Escola: Por que criar um grupo de narrativas orais da obra de Rosa? Elisa de Almeida: Quem criou o grupo Miguilim foi Calina Guimarães, prima de Guimarães Rosa. Ela já estava no espírito de trazer coisas para o museu do autor quando criou a Associação dos Amigos do Museu Guimarães Rosa. Ela tinha o desejo de fazer algo pelos jovens de Cordisburgo. Nessa época, em 1995, Dora Guimarães e eu, que temos um grupo chamado Tudo Era Uma Vez, já trabalhávamos com a narração de contos literários. Calina foi assistir a uma de nossas apresentações, em que narramos vários autores. Quando ela viu que era possível narrar Rosa, surgiu a ideia. Na época, ela estava se aposentando, voltando para Cordisburgo e entrando em contato com o Museu Casa Guimarães Rosa. Calina nos convidou para dar a oficina já com a ideia de formar jovens e crianças para narrar Guimarães Rosa no museu. CE: Como introduzir aos jovens os textos de Guimarães Rosa? EA: O processo é bastante gradual. Começamos com uma oficina, com textos mais simples, de tradição oral. Não vamos direto aos textos literários, começamos com os de tradição oral, como contos de fadas, fábulas. Então, primeiro a criança aprende técnicas gerais para narrar um texto, ligadas a falar o texto em voz alta, conseguir pegar o sentido do texto, encontrar a entonação certa lendo em voz alta para compreendê-lo. Só depois vem o preparo para narrar. Após a oficina, introduzimos textos de Guimarães Rosa, começando com pequenos trechos. Geralmente iniciamos com partes do conto Capo Geral, do livro Manuelzão e Miguilim. É um processo de ler em voz alta para encontrar o sentido, encontrar a entonação certa, se aparece uma palavra difícil, já introduzimos o uso do léxico em Guimarães Rosa, que é aquele dicionário com palavras que o autor criou e usa. É um processo lento, eles levam de um ano e meio a dois anos para estar prontos para ingressar no grupo, que é o momento em que recebem a camiseta e começam a atender os turistas. CE: A experiência da oralidade ajuda os adolescentes a compreender a obra do autor? EA: Ajuda muito, não somente os adolescentes como qualquer um que entre em contato com a obra. Em sua correspondência com a tradutora de seus livros para o inglês, Guimarães Rosa fala que, na obra dele, a poética, ou poeticidade da forma, tem um valor igual ou maior ao valor atribuído ao sentido da história. Ele explica o que é essa poeticidade da forma, a que ele atribui valor tão grande; é tanto a sensação mágica e visual das palavras quanto sua eficácia sonora, seu ritmo, a música subjacente às frases. Rosa está dizendo que a oralidade é importante. Parece que descortina uma dimensão da obra que não se encontra somente com a leitura silenciosa. Percebemos isso narrando e ouvindo a opinião de quem nos ouve narrar. É claro que a obra do autor tem algumas partes muito herméticas, impossíveis de ser narradas. CE: Guimarães Rosa, em sua obra, brinca com a linguagem de sua terra natal bolando construções literárias eruditas e inventivas, inspiradas no jeito de falar do sertão mineiro. Existe uma relação especial dos jovens de Cordisburgo com a linguagem do autor? EA: É claro que o sotaque dos meninos, a música da língua, que sutilmente forma cada um de nós, é uma música familiar, a mesma que inspirou Guimarães Rosa. Ele diz: “Quando escrevo, sinto-me transportado para Cordisburgo”. Tanto na música quanto no cenário, Rosa situa sua obra aqui no sertão mineiro. Isso facilita, para os meninos, encontrar o melhor jeito de falar o texto. Mas é um texto que, no primeiro momento, apresenta muitas dificuldades, como para qualquer um. CE: Quais são as dificuldades que a leitura de Guimarães apresenta para os jovens? EA: Hoje em dia, os jovens praticamente não leem. Há essa concorrência do computador, do videogame, tudo na telinha. Não há o hábito de sentar para ler um livro por prazer. Essa dificuldade existe lá (no grupo Miguilim) também, claro. Começamos com um grupo de 25, 30 crianças, e depois sobram 12, 15. Muitos não conseguem dar esse mergulho na leitura, no treino, na disciplina exigida para falar um texto de Rosa, falar com as palavras dele. A própria questão da oralidade, da leitura em voz alta, antigamente era mais presente nos currículos das escolas. Sei que no tempo de minha mãe, por exemplo, havia nas aulas de Português um momento para a leitura em voz alta. Era mais comum. Abolir isso dos currículos prejudica um pouco aprender a ler em voz alta. CE: O grupo Miguilim começou como projeto ligado ao Museu Casa Guimarães Rosa e agora alguns professores pensam em adotar o recurso com alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Como a senhora vê a narração de textos literários como recurso para os professores em sala de aula? EA: O Miguilim começou e continua como um projeto ligado ao museu. Atuar no museu é condição para o menino fazer parte do grupo. Mas a narração de histórias como recurso dentro da sala de aula, de uma forma ou de outra, sempre existiu. Acho um recurso valioso, que pode ser utilizado em várias frentes, como para introduzir algum tema. Conta-se uma história sobre o assunto introduzido. Pode ser usado para desenvolver a capacidade de ouvir, tão difícil hoje em dia. No momento em que se usa a narração de histórias como recurso pedagógico, é possível desenvolver essa capacidade de ouvir. Abre também espaço para a divulgação de textos da literatura oral, da literatura autoral, textos poéticos que ajudem no desenvolvimento da sensibilidade. Observamos nos adolescentes do Miguilim, principalmente nos que passam bastante tempo no grupo, que se vai educando essa sensibilidade. Trabalha-se com um texto poético, que ao mesmo tempo te faz pensar. Muitas coisas são desenvolvidas com esse trabalho. Vemos isso pela facilidade que muitos têm em passar no vestibular. A narração estimula a leitura, os jovens adquirem facilidade para a leitura, de maneira geral. É um processo muito rico na formação dos adolescentes. CE: Muitos professores usam filmes e peças teatrais como recursos para colocar os adolescentes em contato com Guimarães Rosa. Quais as vantagens da narração em relação a esses outros recursos? EA: O teatro e o cinema fazem uma versão, uma adaptação (do texto), e quando se narra um texto, há a possibilidade de se estar mais próximo ao que o autor quis transmitir. É claro que, quando narramos, colocamos nossa emoção, nosso jeito de narrar. Mas isso acontece com as próprias palavras do autor. Já em um filme ou peça de teatro, esse texto é adaptado, transposto a outras linguagens. Na narração, no momento em que se traz o texto em voz alta, tal como ele foi escrito, com as palavras que o autor escolheu – e Rosa fala que cada palavra está ali não por acaso – há uma experiência mais próxima da criação. * Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Tania Pescarini, da Carta Capital

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