Escolas são incubadoras de mudanças sociais

Educação

Escolas são incubadoras de mudanças sociais


por Aldem Bourscheit, do WWF Brasil


Aconteceu nos primeiros dias e fevereiro mais uma etapa do curso para formação de Escolas Sustentáveis e Com-Vida, desta vez na Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiabá. Na ocasião, a professora e analista de Educação Ambiental do Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil, Terezinha Martins, apresentou conceitos e ações ligados à Pegada Ecológica. “Com mais compreensão e capilaridade, a Pegada Ecológica poderá se consolidar como parte do ´cardápio´ das escolas sustentáveis. Assim, nas redes de ensino haverá mais profissionais engajados na busca de soluções para reduzir a pegada ecológica, algo positivo para o conjunto da sociedade e para o planeta”, ressaltou. De forma resumida, a Pegada Ecológica é o cálculo do território que uma pessoa ou uma sociedade usam para sustentar suas formas de alimentação, moradia, locomoção e lazer. Logo, ela permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica da Terra. Já a iniciativa das Escolas Sustentáveis e Com-Vida estimula a criação de espaços e de práticas sustentáveis em escolas públicas. Assim, as instituições de ensino podem se tornar “incubadoras” de mudanças concretas na sociedade. O programa foi desenhado pelas universidades federais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e de Ouro Preto e incorporado pelo Ministério da Educação (MEC). Assim, tornou-se uma política pública fundamentada na qualificação de currículos escolares, em alterações no espaço físico das escolas, na gestão ambiental e no olhar sobre o território. "Queremos uma sociedade mais comprometida com a condição do planeta", ressaltou Michèle Sato, coordenadora do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental da Universidade Federal do Mato Grosso. “Academia, governo e sociedade civil se aliam numa proposta inovadora de buscar melhorar o planeta de todos nós, provocando uma reflexão sobre modelos insustentáveis de consumo e para o fato de que nem todos conseguer ter uma vida adequada”, completou. A próxima etapa da iniciativa contará com recursos de edital do MEC e trabalhará ecotécnicas viáveis em escolas públicas, como captação de água de chuva, separação de lixo e implantação de viveiros. São 300 vagas para professores e membros da comunidade das redes públicas estadual e municipal nos pólos de Barra do Bugres, Jauru, Pontes e Lacerda, Lucas do Rio Verde, Guarantã do Norte e Nova Xavantina, no Mato Grosso.

Os livros didáticos são considerados valiosos recursos para o desenvolvimento da educação e o acesso à cultura. Foto: Marcello Casal Jr./ABr Educação

Livro didático só perde para a Bíblia entre os mais lidos no Brasil

[caption id="attachment_79096" align="aligncenter" width="450" caption="Os livros didáticos são considerados valiosos recursos para o desenvolvimento da educação e o acesso à cultura. Foto: Marcello Casal Jr./ABr"][/caption]   Os livros didáticos estão presentes na metodologia de aproximadamente 98% dos professores de escolas públicas no Brasil, segundo levantamento do QEdu: Aprendizado em Foco, uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos voltada para a educação. Do restante, 1% acredita que o livro é desnecessário e 1% deixa de utilizá-lo porque a escola carece. O Dia Nacional do Livro Didático foi celebrado em 27 de fevereiro, e em menção a data, o Instituto Pró-Livro divulgou um levantamento que afirma que eles ocupam o segundo lugar entre os mais lidos pelos brasileiros, perdendo só para a Bíblia. O presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), Sérgio Quadros, defende que o livro didático é um valioso recurso para o desenvolvimento da educação e o acesso à cultura. "Em muitos lares brasileiros, ele é o primeiro livro, abrindo caminho para o hábito da leitura e o aprendizado. Ao longo de dois séculos, quando começaram a ser produzidos no Brasil os primeiros didáticos, os livros passaram por inúmeras transformações, visando acompanhar as novas dinâmicas em sala de aula e contribuir para uma aprendizagem significativa", explicou Quadros à Agência Brasil. Mas, nas escolas... Ainda de acordo com a pesquisa do QEdu, 17% dos professores, o que equivale a 36,5 mil docentes, não receberam o livro que solicitaram em 2013. Além disso, 7% dos professores (15 mil) dizem que os alunos não receberam o material no início do ano letivo. No ensino público, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) é o responsável pela aquisição e distribuição dos livros. A distribuição é feita diretamente pelas editoras às escolas, por meio de um contrato entre o FNDE e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). As instituições afirmam que os livros devem chegar às escolas entre outubro e o início do ano letivo. Nas zonas rurais, as obras são entregues na sede das prefeituras ou das secretarias municipais de Educação, que devem entregá-las às escolas. O PNLD é executado em ciclos trienais, ou seja, a cada ano o FNDE compra e distribui livros para todos os alunos de determinada etapa de ensino, repõe e complementa os livros reutilizáveis para outras etapas. Investimento Em 2012, foram comprados livros para os alunos do ensino médio, com investimento de R$ 883,5 milhões para a etapa, para atender a 9,3 milhões de estudantes entre o ensino regular e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Esse número supera o do Censo Escolar 2012, no qual são registrados 8,1 milhões de alunos. Além disso, houve a reposição dos livros para o ensino fundamental, somando mais R$ 443,5 milhões. Para 2013, o investimento foi R$ 1,2 bilhão. Pela primeira vez, escolas do campo de 1º ao 5º anos com mais de 100 estudantes receberão obras selecionadas. Está aberto o processo seletivo para as obras a serem disponibilizadas no ano letivo de 2015. As inscrições vão até o dia 21 de maio e as editoras podem também apresentar obras multimídia, que reúnam livro impresso e digital. * Com informações da Agência Brasil. ** Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
ed5 Educação

Rede social conecta pessoas, ideias e dinheiro

É legal quando você mostra um projeto para os seus amigos e eles curtem, compartilham, não é? Quando você faz um desenho, cria uma música e recebe vários elogios nos comentários também. Mas, com certeza, seria ainda mais empolgante se cada vez que alguém gostasse da sua ideia, você ganhasse R$ 1. É essa a proposta da It’s Noon, plataforma que, segundo seu curador digital Rodrigo Masuda, “é uma rede social que conecta as pessoas, as ideias e o dinheiro”. Um dos usuários da plataforma, Gabriel Natal, de apenas 16 anos, é uma dessas pessoas que está passando o chapéu para realizar seu sonho. Depois de fazer um intercâmbio cultural no Egito em 2011 e 2012, Gabriel escreveu um livro para contar toda sua experiência. Agora, ele quer voltar para o país e estudar na Universidade Americana do Cairo. Para alcançar seu objetivo, disponibilizou o primeiro capítulo de seu livro on-line em troca de conseguir R$ 250. Depois de alcançar essa primeira meta, vai disponibilizar mais um trecho da obra para arrecadar mais fundos. Nem só de dinheiro vivem as ideias Se você tem um projeto que não precise necessariamente de dinheiro, mas de pessoas criativas e com boas ideias para ajudar na construção, a plataforma também oferece outro tipo de serviço. Na Chamada Criativa, o usuário convida as pessoas para a criação de um conteúdo colaborativo, seja na elaboração de um pôster ou na criação de uma exposição fotográfica. E não é necessário definir um prazo para realização. Essas ideias também podem receber doações de pessoas que preferem colaborar com dinheiro. Depois que a ideia se torna realidade, o responsável por ela seleciona algumas das pessoas que participaram para receber prêmios em retribuição, que podem ser em dinheiro ou algum outro benefício. Exemplo disso foi um projeto que buscava fazer releituras da famosa capa do disco Abbey Road, da banda britância The Beatles. A organizadora criou uma chamada criativa e perguntou para os usuários da rede: Como é a sua Abbey Road? Em cima desse tema, diversas pessoas criaram suas fotos e depois de 45 dias, as 3 melhores foram premiadas com R$ 100, e as 20 melhores farão parte de uma exposição. “A diferença de outras plataformas de crowdfunding é que nem todos os projetos precisam de dinheiro para acontecer, você pode fazer sua chamada para buscar pessoas que tenham ideias e habilidade que ajudem na realização”, explica Rodrigo. Um exemplo dessa criação colaborativa que não envolve questões financeiras é o CrowdArte, projeto artístico desenvolvido pela própria plataforma. No ano passado, a equipe fez uma chamada convidando pessoas do Brasil inteiro a enviar seus trabalhos, sem qualquer premiação. Para surpresa dos organizadores, o projeto recebeu mais de 1.600 obras de mais de 300 participantes, o que resultou em duas exposições de artes plásticas, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. * Publicado originalmente no site Porvir.


por Vinícius Bopprê*
ed4 Educação

10 dicas e 13 motivos para usar celular na aula

Apesar de ainda haver alguma resistência aqui ou ali, os governos de todo o mundo estão cada vez mais atentos sobre a necessidade de se colocar as tecnologias móveis, como celulares e tablets, a serviço da educação. Mas como só vontade não garante bons resultados, a Unesco publicou um guia com 10 recomendações políticas em que tenta ajudar governos a implantarem esses recursos nas salas de aula. E aos que ainda não estão 100% convencidos dos benefícios de um uso integrado da tecnologia com os objetivos pedagógicos, o guia, apresentado em Paris na semana passada durante a Mobile Learning Week, traz ainda 13 bons motivos para ter esse aliado na educação. “Cada país está em um nível diferente no uso das tecnologias móveis em sala de aula. Por isso, é importante que cada um use o guia adaptado às suas necessidades locais”, diz Steve Vosloo, coordenador do projeto. O especialista conta que a ideia de lançar essas recomendações surgiu a partir da constatação de que, mesmo considerando o uso das tecnologias em sala de aula algo pedagogicamente importante, muitos governos não sabiam por onde começar. A questão do acesso já havia sido mais ou menos resolvida; o problema agora era dar significado a esse uso. Especialistas da Unesco espalhados pelo mundo começaram a elaborar um guia com orientações que servissem a qualquer governo, independentemente do grau de maturidade que o país estivesse nesse debate. Até por isso, o documento começa com uma orientação que parece simples: ter políticas que incentivem o uso das tecnologias móveis em sala de aula. Isso pode querer dizer tanto criar políticas da estaca zero ou ainda atualizar políticas que foram criadas no momento em que as tecnologias móveis ainda não eram tão acessíveis. “As diretrizes políticas relacionadas ao aprendizado móvel que forem criadas devem estar em harmonia com as que já existirem no campo das TIC”, afirma a Unesco no documento. Na sequência, o guia traz à luz a necessidade de se treinar professores e de fazer isso com o uso de tecnologias móveis, para que eles também se apropriem dessas ferramenta na vida deles. “No Brasil, os professores têm certa resistência em incorporar novas tecnologias. A sala de aula ainda é o lugar de desligar o celular”, afirma Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, que avalia que parte disso se deve ao fato de o professor ainda não estar completamente familiarizado com essas ferramentas. “Isso faz com que muitas oportunidades educacionais se percam, especialmente no ensino médio, época em que o aluno já está ligado e nas redes”, completa ela. Outras recomendações presentes no documento dizem respeito à criação de conteúdo adequado e à promoção do uso seguro e saudável das tecnologias. Com essas orientações, acredita a Unesco, os governos estarão mais próximos de usufruir dos benefícios do aprendizado móvel, dentre eles ampliar o alcance e a equidade da educação e facilitar o aprendizado personalizado. Confira, a seguir, um infográfico com as 10 recomendações e os 13 bons motivos para se usar tecnologias móveis em sala de aula. * Publicado originalmente no site Porvir.   


por Patrícia Gomes, do Porvir
ed8 Educação

Cotas nas universidades paulistas: as intenções e o inferno astral do governo estadual

Uma das coisas mais importantes no jornalismo, inclusive no chamado jornalismo opinativo é estar bem informado. Manuel Carlos Chaparro, professor do curso de jornalismo da ECA/USP sempre dizia que não existe uma fronteira intransponível entre informação e opinião – o que há de diferentes nos textos jornalísticos é o predomínio de um ou outro gênero. Infelizmente o que se percebe em parte do jornalismo contemporâneo é a troca da opinião construída em argumentos centrados em informações e dados pelo opinionismo, o que vale é dizer o que eu acho e ponto, sem qualquer preocupação com a qualidade das argumentações. Eliane Catanhêde, colunista famosa do jornal “Folha de S. Paulo” cometeu dois erros graves de informação nestes últimos dois meses para construir suas argumentações. Uma foi no caso da pretensa “crise energética” (disse que haveria uma reunião extraordinária do conselho de energia, quando esta reunião era ordinária e estava marcada há muito tempo) e, mais recentemente, quando disse que a reeleição do presidente do Chile, Sebastian Piñera, estava mal das pernas – o equívoco da colunista é que no Chile não existe a reeleição, como no Brasil, e portanto Piñera não pode ser candidato à reeleição. O mais grave de tudo isso foi a recusa da colunista de assumir os seus erros e corrigir. O opinionismo também aparece em alguns veículos fora do mainstream. Recentemente, fui criticado em um editorial de um portal de notícias especializado em questões raciais, junto com os meus colegas Silvio Almeida e Marcos Orione, por sermos contra a proposta dos reitores das universidades de “cotas” chamada “Inclusão com mérito”. O editorialista do portal parte do pressuposto de que a postura nossa e da Frente Pró Cotas é de ser contra sem sequer se dar ao luxo de ler a proposta. Veja a argumentação: “Os títulos – “A demagogia da proposta de inclusão nas Universidades estaduais paulistas”, “A Inconstitucionalidade da proposta” e “Um Projeto elitista e excludente” – já dispensariam a leitura, porque escancaram o propósito: doutrinar, ao invés de esclarecer. Desqualificam, liminarmente, a proposta para os que não a conhecem, ou seja: os milhões de pretos, pardos e indígenas, estudantes de escolas públicas, que até agora foram mantidos do lado de fora dos muros de Universidades, ditas públicas, mas que, na verdade, só tem sido públicas para alguns poucos, inclusive os autores.” Realmente o autor do editorial seguiu a risca o que disse – “o título dispensa a leitura”, por isso ele não leu os artigos e caiu na fácil tentação do opinionismo. Todo o meu artigo foi construído com base na proposta apresentada pelo Cruesp com o título “Inclusão com mérito” onde vou fazendo as críticas ponto a ponto da proposta, inclusive o valor da bolsa proposta para os alunos considerados “carentes” e até mesmo a linha de carência adotada. Como também o tal college, os seus critérios para aprovação para entrada na universidade (70% de aproveitamento nos dois anos) e vai por ai afora. Quem realmente leu o meu artigo sabe que ele foi construído com base em uma análise da proposta, inclusive fiz até um agradecimento ao João Mendes, militante da Unegro, que me disponibilizou o documento do Cruesp. Antes de ler este documento, não escrevi nenhum artigo a respeito. E nem o fiz com base apenas na leitura do título “Inclusão com mérito”, embora o título já suscite muitas discussões. Enfim, tive a preocupação sim de apresentar a proposta conforme consta neste documento e, em cima das informações, tecer a minha opinião. Já o editorialista simplesmente tachou todos os artigos do que ele chama de “acadêmicos” como opiniões centradas em interesses partidários. Isto é, o fato da proposta ser oriunda de um governo do PSDB é que motivou as críticas. Interessante que o editorialista não faz o raciocínio inverso – que os defensores da proposta o fazem por serem aliados ao governo do PSDB, como por exemplo, o presidente do Conselho da Comunidade Negra, órgão do Poder Executivo do Estado de São Paulo (que, inclusive, tem um artigo publicado neste mesmo portal). E o mais grave ainda insinuou que tudo não passa de ação de “grupos de diferentes origens político-ideológicas que se opõem a Alckmin, na sua maioria, candidatos derrotados nas últimas eleições municipais em S. Paulo e cidades da região metropolitana.” Já vi este filme antes, uma forma de desqualificar uma posição é dizer que há uma instrumentalização partidária do movimento. Uma tendência à criminalização da militância partidária e, ao mesmo tempo, uma desqualificação das pessoas que participam do movimento achando que elas são ingênuas o suficiente para servirem de “massa de manobra”. Há mais de cinco anos que não milito em partido nenhum, militei durante muito tempo no Partido Comunista do Brasil (PC do B), partido, aliás, que o diretor do portal que hoje me critica foi candidato a prefeito de Cubatão em 2008 e também um partido que teve papel decisivo na construção de uma importante entidade do movimento negro brasileiro, da qual também fui um dos fundadores. Saí desta entidade e deste partido por divergências políticas e ideológicas e não porque criminalizo a militância partidária, muito pelo contrário. O editorialista vai resumindo o embate na disputa PT e PSDB sem se dar conta que parte significativa do movimento pró-cotas não é aliada ao PT. Mas a raiz do problema está escondida no meio destas divagações do editorialista: “Na semana passada, a tentativa de abrir a discussão sobre a proposta com o responsável, reitor Carlos Vogt, conduzida pelo Frei David Raimundo dos Santos (foto), diretor executivo da Rede Educafro – o maior cursinho de pré-vestibulares para negros no país -, resultou em completo fracasso porque uma “plenária” foi convocada para o mesmo dia, no mesmo horário na Câmara Municipal pelos “contra”.” Em outras palavras, o incômodo que gerou o editorial foi que o evento promovido pelo Educafro fracassou. Por que? Porque a Frente Pró-Cotas realizou no mesmo dia uma plenária. Como se a Frente Pró-Cotas fosse obrigada a seguir o comando do Educafro. E mais: se o editorialista diz que o evento da Frente Pró-Cotas é uma articulação “partidária” e mais além, afirma que “a maioria dos negros de S. Paulo e do Brasil não está interessada na disputa político-eleitoral que opõe PT e PSDB, nem na briga por espaço dos seus sócios ou oponentes menores no condomínio partidário, muito menos na verborragia juvenil e inconsequente dos que, de forma autoritária, querem silenciar – aos gritos, palavras de ordens vazias e clichês inspirados em um fundamentalismo messiânico déjà vu -, o saudável e necessário debate democrático” por que então, um evento da Frente Pró-Cotas, “partidarizado”, “verborrágico”, “infantil”, etc, etc, esvaziou um evento voltado ao “saudável e necessário debate democrático”? A Frente Pró-Cotas tem proposta, ao contrário do que faz supor o editorialista. É o projeto de lei 530/2004 que tramita na Assembléia Legislativa. É com base neste projeto que o movimento pelas cotas quer discutir. E é também por temor a tramitação e possível aprovação deste projeto que o Cruesp lançou a proposta “Inclusão com mérito”, conforme admitiu o próprio reitor da Unesp publicada na Folha de S. Paulo (clique aqui para ler). Ora, se os próprios autores da proposta admitem estar temerosos de que uma proposta mais avançada seja aprovada, por que não fortalecê-la e ampliar a discussão para uma dimensão mais ampla que envolva também a assembléia legislativa? A questão central que o editorialista tenta fugir é esta: a estratégia mais adequada é se fechar em tentativas de diálogos com reitores de universidades que sempre foram contrários às cotas ou puxar a discussão para um fórum mais amplo em que o governo e o Cruesp tenham que se explicar à sociedade o porquê da resistência em pura e simplesmente implantar um sistema de reserva de vagas para as universidades estaduais. Concluindo, o editorialista também tenta desqualificar eu e os meus colegas como acadêmicos ao dizer que as universidades são públicas para poucos, inclusive nós. Tenho dito em vários artigos meus, que as universidades são estatais e não públicas não só por conta do acesso restrito, mas também pelo quase nulo espaço de intervenção da sociedade civil. A produção científica da universidade pouco tem contribuído para responder as demandas da sociedade que a mantém. No caso da população negra, um exemplo disto é a ausência de pesquisas e estudos na área de saúde sobre a anemia falciforme. Ou um outro exemplo é o pequeno espaço existente nos currículos das licenciaturas para discutir as temáticas previstas nas leis 10639/03 e 11645/08. Por isto, qualquer insinuação de que minhas posições são para defender privilégios é uma difamação sem propósito que só pode partir de quem não conhece a minha trajetória no movimento popular nos anos 1980 e no movimento negro desde os anos 1990 quando participei da organização do I Encontro Nacional de Entidades Negras, da Marcha Zumbi à Brasília, do Congresso Intercontinental dos Povos Negros, entre outros. Nesta trajetória, deparei com muitas diferenças de posições políticas, ideológicas e até mesmo éticas, tipo pessoas que usam o movimento negro para sobreviver subordinando a militância em oportunidades de negócios particulares. Minha consciência é tranquila e tenho o testemunho de muitas pessoas que me conhecem e que, ainda que divirjam de minhas posições, podem corroborar a honestidade e transparência das minhas posições. Não tenho procuração para defender os professores Silvio Almeida e Marcos Orione, mas pelo que conheço, posso dizer o mesmo referente a estas pessoas. * Dennis de Oliveira é professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). ** Publicado originalmente no site Revista Fórum.


por Dennis de Oliveira*
ed3 Educação

Professores poderão ser treinados para identificar abusos contra criança

Projeto de lei está sendo analisado na Câmara dos Deputados. Professores, educadores, assistentes sociais e demais profissionais da área social poderão ter, em sua grade curricular, cursos voltados com conteúdo que ajude a identificar situações de abusos cometidos contra crianças e adolescentes. A proposta é da deputada Benedita da Silva está sendo analisada pela Câmara dos Deputados, em Brasília. De acordo com o Projeto de Lei 4753/12, os cursos de formação de professores de educação básica e de profissionais de saúde, assistência social e segurança pública terão conteúdos programáticos, treinamento e orientações para identificar sinais físicos e psicológicos motivados por maus-tratos, negligência e abuso sexual praticados contra o público infantojuvenil. Benedita lembra alguns direitos garantidos pela Constituição a crianças e adolescentes, como saúde, dignidade e respeito, para justificar sua proposta. Além disso, a deputada cita o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que também garante o recebimento de proteção e socorro a essa população. “Com a capacitação, os profissionais poderão assegurar a dignidade de meninos e meninas vítimas de maus-tratos”, explica. A deputada ressalta ainda que, conforme dados do Ministério da Saúde, as agressões constituíram, em 2005, a primeira causa de morte de pessoas entre 0 a 19 anos (39,7%), com proporção mais expressiva na faixa etária de 15 a 19 anos (55,1%). Segundo o levantamento, a maior parte desses atos violentos ocorre no ambiente doméstico. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Redação do Portal Aprendiz
Teenagers doing schoolwork. Educação

MEC quer dar acesso ao livro digital a alunos de escolas públicas

Brasília - Em 2013, a estudante Beatriz Aguiar ingressou no 1º ano do ensino médio em uma escola particular de Brasília. Além de todas as mudanças já esperadas para o período, mais uma: o material escolar agora não ocupa mais do que o espaço de um tablet na mochila. Por quatro parcelas de R$ 277 ela comprou as obras que serão usadas e atualizadas durante o período letivo. O Ministério da Educação (MEC), planeja, para os próximos anos, dar acesso a esse material aos alunos da rede pública. Consta no edital para os livros a serem distribuídas em 2015 pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) a inscrição de obras multimídia, que reúnam livro impresso e digital. Eles deverão ter vídeos, áudios, animações, infográficos, mapas interativos, páginas da web e outros objetos que complementarão as informações contidas nos textos escritos. "Além de termos acesso aos textos, temos outros recursos para ajudar no aprendizado, eu estou gostando muito", diz Beatriz. Segundo a pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Priscilla Tavares, a digitalização do material didático apresenta pontos favoráveis como a aproximação dos alunos por meio de um material mais atrativo. "Avaliações do ensino reportam que os alunos não frequentam a biblioteca por falta de interesse pela leitura. Por outro lado, além de atrair, essas obras têm alcance restrito: o aluno, em casa, pode não ter computador ou internet". Dados do Ibope Media mostram que no terceiro trimestre de 2012, 94,2 milhões de brasileiros, menos da metade (47,5%) tinham acesso à internet. Priscilla afirma também que os meios digitais podem ajudar no desempenho dos estudantes ou atrapalhar. Um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) de 2007 concluiu que as escolas com acesso à internet têm maior eficiência, que se reflete no desempenho dos estudantes. O mesmo estudo mostrou que os laboratórios podem ser mal utilizados, levando ao pior desempenho por "alocar equivocadamente” o tempo dos estudantes. "Os alunos estão adaptados, têm maior convívio com os meios digitais, mas muitos professores não têm esse conhecimento. O recurso audiovisual é bom quando se sabe usar", diz a pesquisadora. Para melhorar o acesso, o Ministério da Educação (MEC) já distribuiu 382.317 tablets. A meta é chegar a 600 mil até o final deste ano. Na primeira etapa, os equipamentos serão destinados a professores de escolas de ensino médio. Apenas o Amapá e o Maranhão não aderiram ao programa. Estão previstos conteúdos de domínio público, outros disponibilizados pelo MEC e pela Khan Academy. Por ano, o ministério investe cerca de R$ 1 bilhão pelo PNLD. De acordo com o presidente Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), Sérgio Quadros, o setor busca o aperfeiçoamento na área para atender à demanda cada vez maior. Ele explica no entanto, que os preços não devem sofrer muitas alterações: "É possível que fique mais barato com a eliminação da cadeia de custo do papel. No entanto, surge outra cadeia, que envolve hospedar a obra em algum servidor para acessá-la pela internet entre outros. No fim, trocam-se alguns custos por outros". O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara defende um modelo já adotado nos Estados Unidos, o chamado Recursos Educacionais Abertos (REA), por meio do qual o governo compra os direitos autorais das obras. Isso permitiria que os professores tivessem acesso facilitado não apenas a uma obra por disciplina (como ocorre pelo PNLD), mas a todas as disponibilizadas pelo MEC. "O professor pode usar 20, 30 obras, variando em cada aula como achar melhor". O REA consta no Projeto de Lei 1.513/2011, em tramitação na Câmara dos Deputados. A Abrelivros adianta que caso o modelo passe a vigorar, deverá ser cobrado um valor adequado à disponibilização do conteúdo. * Edição: Tereza Barbosa ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil
Jornais laboratório deveriam ter um diálogo maior com a sociedade, diz estudo Educação

Livro aborda formação de jornalista e interesse público

A formação do jornalista nos cursos de graduação é o tema central do livro Formação de Jornalistas: elementos para uma pedagogia de ensino do interesse público (Editora Annablume, 2013), de autoria do jornalista e professor universitário Enio Moraes Júnior. Para o autor, a formação do profissional em jornalismo deve ser orientada para a cidadania e o interesse público. No próximo sábado, dia 2 de março, ocorre o lançamento do livro, que traz conteúdos curriculares e práticas pedagógicas que ajudam a nortear o trabalho de docentes compromissados com este ideal. [caption id="attachment_79100" align="alignleft" width="230" caption="Jornais laboratório deveriam ter um diálogo maior com a sociedade, diz estudo"][/caption] Baseado na tese de doutorado de Moraes Júnior, defendida em 2011 na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o livro desvenda novos e sistematiza antigos elementos importantes para o ensino da cidadania e do interesse público nos cursos de jornalismo. “Entendemos interesse público como um conjunto de ações que são o alicerce para se chegar até a cidadania”, explica o jornalista. “A cidadania é o ponto onde se chega por conta dessas ações”, completa. O autor reuniu 21 questões citadas por professores de jornalismo de Brasil e de Portugal, em entrevistas. São questões ligadas à prática do ensino de jornalismo, e que envolvem cidadania e interesse público dentro de três contextos: a necessidade cada vez maior em aliar teoria e prática; a presença da cidadania e do interesse público de modo transversal em todo o curso (ou seja, esses valores aparecem nas disciplinas mesmo que não sejam citados nas ementas); e o uso de novas mídias sociais, principalmente as digitais. Os 21 elementos foram sistematizados em dois grupos: conteúdos curriculares e práticas pedagógicas. Entre esses elementos, está a necessidade de se ter uma ética aplicada à linguagem. “Um exemplo disso é a questão da designação, à forma como a imprensa vez ou outra se refere a alguém como condenado por algum crime — bandido, por exemplo — sem que esta pessoa tenha sido julgada”, destaca. Outro elemento é o uso de raciocínio lógico e a necessidade de o profissional de jornalismo entender matemática, por exemplo. “Dizer que ‘houve uma economia de 150% no consumo de água’ é absolutamente incorreto”, exemplifica. A valorização de um conteúdo que aborde ética é outro elemento citado pelos professores. Outro aspecto é a necessidade de intervenção dos cidadãos na produção laboratorial de jornalismo. “Os jornais laboratório deveriam ter um diálogo maior com a sociedade e poderiam utilizar sugestões de pauta das pessoas, da sociedade em geral”, sugere. “Atualmente, na maioria dos cursos, a produção é fechada em si mesmo, e o diálogo, inexistente”, comenta. Ainda sobre os jornais laboratório, Moraes Júnior lembra que muitos deles têm site, mas não há divulgação, fato que impede que os cidadãos possam sugerir pautas. Posicionamento do professor em sala de aula O tema começou a ser estudado já em seu mestrado, quando o pesquisador analisou como a cidadania e o interesse público eram ensinados no curso de Jornalismo da ECA. “Percebi que um elemento importante para o ensino era o modo como o professor se posicionava em relação à ética, ao conteúdo apresentado, seu posicionamento diante dos alunos e outras ações”, lembra. “Porque os alunos consideravam isso muito importante: o posicionamento do professor, tanto dentro de sala de aula, como profissional da informação”, conta. Moraes Júnior levou esta questão ao doutorado a fim de pesquisar o tema com mais profundidade. Foram entrevistados 25 professores de jornalismo, sendo 13 do Brasil e 12 de Portugal. Os selecionados eram vinculados à primeira escola de jornalismo de cada país e também a escolas surgidas nos anos 1990 e que contemplavam disciplinas ligadas às tecnologias digitais: Faculdade Cásper Líbero e Universidade Federal de Sergipe, no Brasil; e em Portugal, a Universidade Nova de Lisboa, e a Universidade do Minho. Uma nova triagem foi feita para selecionar os docentes de disciplinas práticas do jornalismo. Moraes Júnior lembra da necessidade constante de se questionar a formação dos jornalistas e dos currículos, seja em termos de conteúdo ou de práticas pedagógicas. “Geralmente o aluno é muito passivo em relação a sua formação”, observa. “Se o professor está preocupado com a formação desse estudante, é preciso incentivar a participação dele neste percurso e esse é um modo de fortalecê-lo como cidadão em seu processo formativo”, aponta. A orientação da pesquisa foi do professor José Coelho Sobrinho. Segundo Moraes Júnior, na ECA, há um grupo de estudos que estuda a formação dos jornalistas. Além de Coelho Sobrinho, também participam os professores Nancy Ramadan e Luciano Maluly. O lançamento do livro ocorrerá no sábado, 2 de março, a partir das 15h30, na Livraria Martins Fontes, que fica na Av. Paulista, 509, Bela Vista, São Paulo. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Valéria Dias, da Agência USP
ed8 Educação

Aprender a programar, programar para aprender

O prefeito de Nova York, Michael Blomberg, avisou no ano passado que sua resolução de ano novo era programar. Quem quiser aprender qualquer linguagem de programação encontra dezenas de opções gratuitas pela internet. No momento em que várias iniciativas espalhadas pelo mundo valorizam e facilitam o aprendizado da programação, as crianças também são convidadas a entrar nesse universo, digamos, codificado. No MIT, o Scratch, um projeto do Media Lab, ensina alunos a partir dos 5 anos a darem os primeiros passos nessa arte. O objetivo não é formar programadores mirins, mas permitir que esses meninos e meninas, tendo aprendido a programar, usem a programação para aprender. “Ao aprender a escrever códigos, [as crianças] aprendem muitas outras coisas”, disse Mitch Resnick, criador do Scratch, no TEDx Beacon Street. O especialista faz uma analogia com as habilidades de ler e escrever. “Quando você aprende a ler, você pode então ler para aprender. É a mesma coisa ao escrever códigos. Se você aprende a escrever códigos, você pode escrever códigos para aprender”, disse Resnick que usa a lógica do Lego para ensinar as crianças a programarem: em vez de uma tela cheia de codificações difíceis de aprender, a linguagem usa blocos coloridos de informação que se encaixam. O Scratch é uma linguagem de programação e também uma espécie de rede social. Ao entrar na plataforma, o usuário já pode começar a montar seu joguinho ou arte sem muitas dificuldades. Ele precisa escolher e ordenar ações, cores e sons. Na tela, ele vai ver uma lista de ações possíveis, escritas em “blocos encaixáveis”; um espaço para programação, onde ele vai encaixando os blocos; e um espaço onde ele vê seus comandos tomarem forma, cor e movimento. São infinitas as possibilidades de produto, que podem ser jogos, artes, histórias. Ao terminar sua programação, o usuário pode compartilhar seu produto com demais membros da comunidade Scratch. Nessa rede, encoraja-se que os alunos aperfeiçoem os trabalhos dos colegas. Lançado em 2007, o Scratch é acessado de todos os Estados Unidos e demais países de língua inglesa, Europa e América Latina, inclusive no Brasil. São quase 1,5 milhão de usuários que já produziram 3 milhões de projetos, que vão desde simples cartões de felicitações até jogos mais complexos, envolvendo fatos históricos verídicos. Um exemplo do que pode ser feito é dado pelo próprio Resnick. Ele conta que percebeu, num sábado, que o Dia das Mães era no dia seguinte. Começou a pensar em que presente dar e resolveu fazer, ele mesmo, um cartão pelo Scratch para dar para sua mãe. Ao acessar o site, percebeu que muitos meninos e meninas tinham tido a mesma ideia e que já havia ali disponível uma série de cartões para o dia das mães. Em vez de fazer um próprio, ele enviou para sua mãe alguns feitos por criança. A mãe de Resnick gostou do que viu. ”Estou tão orgulhosa de ter um filho que criou o software que permitiu a essas crianças fazer cartões de Dia das Mães para suas mães”, contou ele. Essa ação a estimulou tanto que, no aniversário do filho, ela mesma fez um cartão de aniversário. Aos 83 anos. “Trabalhar nesse projeto permitiu-lhe fazer uma conexão com alguém com quem ela se importa. Fez também com que ela continuasse a aprender coisas novas, a praticar sua criatividade e a desenvolver novas formas de se expressar”, diz. É exatamente neste argumento que o especialista se atém ao defender que as crianças aprendam a programar, assim como aprendem matemática ou biologia. E que essa habilidade, ao contrário de correntes contrárias de pensamento, precisa ser ensinada. “Não tenho certeza que deveríamos pensar nos jovens como nativos digitais. Como é que os jovens usam a maior parte do tempo usando novas tecnologias? Normalmente eles estão em programas de mensagem instantânea ou em jogos”, defendeu o especialista. * Publicado originalmente no site Porvir.


por Patrícia Gomes*
Promover a qualidade de vida das comunidades ribeirinhas é uma das metas do programa - Foto: Divulgação Educação

Programa apadrinha escolas em comunidades ribeirinhas do Amazonas

[caption id="attachment_78398" align="alignright" width="235" caption="Promover a qualidade de vida das comunidades ribeirinhas é uma das metas do programa - Foto: Divulgação"][/caption] O Programa Apadrinhamento de Escolas do Amazonas, lançado em 2012, beneficia mais de 20 escolas e quase 300 crianças e adolescentes de comunidades ribeirinhas. Para ampliar a atuação no país, desde o mês de setembro de 2012, o ChildFund Brasil - Fundo para Crianças e a Fundação Amazonas Sustentável - FAS se uniram para a execução do programa de Apadrinhamento de Escolas no Amazonas. O projeto visa contribuir com a formação cidadã de crianças e adolescentes do Amazonas por meio de um modelo inovador de desenvolvimento humano e sustentável, que investe nas gerações futuras para a conservação da floresta e os ativos ambientais. O Programa Apadrinhamento de Escolas tem como missão o fornecimento de recursos necessários para a promoção da educação, a capacitação dos professores das comunidades ribeirinhas e, até mesmo, melhorias e construção de espaços para o aprendizado das crianças e adolescentes desta região. Nesta fase, o Programa contemplará 20 unidades educacionais das Reservas de Desenvolvimento Sustentável – RDS Juma e Uatumã no Amazonas. Na RDS Juma, nove escolas de comunidades diferentes fazem parte do Programa, como as escolas Belas Águas, Boa Vista, Primor e Nova Jerusalém. Já na RDS Uatumã, as escolas como a de Bom Jesus, localizada no município de São Sebastião do Uatumã e, também, a Escola Canaã da comunidade de Ebenezer no município de Itapiranga, estão inseridas na fase inicial do Programa. Nesta reserva, foram selecionadas 11 escolas ao total. Ao todo, o apadrinhamento favorece 145 crianças do Ensino Fundamental da RDS de Uatumã e 146 em Juma. Além das crianças, são atendidos 61 alunos de faixa etária superior a 12 anos em Uatumã e 63 na RDS Juma. A iniciativa contribui para melhorar a qualidade da educação das crianças ribeirinhas, que possuem grande dificuldade de acesso às escolas que lá existem. Por viverem longe destes espaços, as crianças dependem de transporte fluvial – a chamada rabeta, uma espécie de canoa com um motor acoplado - o que despende uma quantidade significativa dos recursos das famílias. Além disto, em escolas com menos de 10 alunos, não há fornecimento de merenda escolar e o fornecimento de água potável ainda é um problema para muitas unidades educacionais. Por acreditar que não há perspectiva adequada de desenvolvimento sustentável sem que as próximas gerações sejam preparadas para os desafios, desde 2010, o ChildFund Brasil em parceria com a FAS trabalha para incluir na pauta de desenvolvimento sustentável do Estado do Amazonas, o tema da infância e adolescência. Infelizmente as informações disponíveis quanto ao direito à educação no Amazonas revelam um quadro preocupante. As escolas presentes nas Unidades de Conservação não estão incluídas nos sistemas de avaliação da qualidade do ensino, seja estadual ou federal. Outro dado importante é avaliar a qualidade da educação no Estado. Com apenas 25 reais mensais, qualquer pessoa pode se tornar padrinho ou madrinha de uma escola no Amazonas e contribuir para a promoção da educação e consciência sustentável das crianças ribeirinhas, os verdadeiros guardiões da floresta. Para apadrinhar uma escola nas florestas do Amazonas, basta que o interessado acesse ao site www.apadrinheamazonas.org.br ou ligue para 0300 313 2003. Mais informações, também poderão ser obtidas pelo e-mail apadrinhamento@childfundbrasil.org.br.


por Redação do ChildFund Brasil

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