O supremo e as cotas

Artigo

O supremo e as cotas


por Rodrigo Constantino*


[caption id="attachment_50878" align="alignleft" width="270" caption="STF reconheceu constitucionalidade das cotas raciais nas universidades. Foto: Reprodução/Internet"][/caption]Somos ou não todos brasileiros sob as mesmas leis? Passou a ser constitucional a reserva de vagas em vestibulares para negros e pardos após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 26 de abril. Uma decisão que deve ser lamentada por dois motivos: 1) ela representa um perigoso ativismo judicial que usurpa poderes legislativos do Congresso; 2) o regime de cotas cria um apartheid em um país miscigenado como o Brasil.Sobre o primeiro ponto, é preciso lembrar que a função precípua da Suprema Corte é a de guardiã da Constituição. Não cabe ao STF alterar a nossa Carta Magna, e sim verificar se as leis estão de acordo ou não com ela. Até a última vez que verifiquei, nossa Constituição de 1988 deixava claro, ao menos no papel, a igualdade perante as leis. Não é preciso tanta reflexão assim para compreender que, ao privilegiar um aluno por conta de sua cor de pele, o regime de cotas está claramente ferindo esta igualdade.Alguns ministros chegaram a mencionar esta obviedade, só que elogiando esta usurpação do Poder Legislativo. Celebrar o ativismo judicial é um enorme risco para a liberdade, para o império das leis. Hoje, alguns podem aplaudir a mudança imposta pelo seleto grupo de ministros, rasgando a lei maior da nação. Mas nada garante que amanhã esses mesmos ministros ou outros não vão ferir novamente a Constituição em algo que gera desaprovação destas mesmas pessoas. É o convite ao arbítrio. Para alterar a Constituição, existe o devido processo legal que passa pelo Congresso, e isso não deve ser ignorado.Sobre o segundo ponto, não entra em minha cabeça que a melhor forma de se combater o racismo é segregar o país em raças. O governo não consegue oferecer boa educação básica, e tenta então arrombar a porta dos fundos das universidades com o regime de cotas. Mas nenhum ministro levantou a principal questão: é legítimo prejudicar o aluno pobre branco para conceder a vaga ao aluno pobre negro? O índio que foi arrastado pelos seguranças durante seu protesto ilustra o risco das cotas: quando se privilegia uma “raça”, outros se sentem preteridos, com razão.Esta segregação racial é abjeta, especialmente em um país predominantemente pardo. O ministro Luiz Fux chegou a declarar: “Viva a nação afrodescendente”. Eu pensava que vivia na nação de todos os brasileiros, mas descobri que existe mais de uma nação aqui, e que uma delas é composta por “afrodescendentes”. Somos ou não todos brasileiros sob as mesmas leis? A decisão do STF foi por unanimidade. Resta citar Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.* Rodrigo Constantino é diretor do Instituto Liberal.** Publicado originalmente no site Opinião Notícia.

mika Literatura

Dicionário da Educação do Campo: ideias em disputa no campo da educação e da sociedade brasileira

"Diccionario, no eres / tumba, sepulcro, féretro, / túmulo, mausoleo, / sino preservación, / fuego escondido, / plantación de rubíes, / perpetuidad viviente / de la esencia, / granero del idioma." (Pablo Neruda) Lançado em março deste ano, o Dicionário da Educação do Campo (Editora Expressão Popular e Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - EPSJV/Fiocruz) é um marco no campo da educação brasileira, tanto por seu significado como pelo processo no qual foi produzido. Organizado por Roseli Caldart, Isabel Brasil, Paulo Alentejano e Gaudêncio Frigotto, esta obra de referência é resultado do esforço coletivo de 107 intelectuais comprometidos com a classe trabalhadora, seja na pesquisa acadêmica, seja na participação política. A publicação foi coordenada pela EPSJV/Fiocruz do Rio de Janeiro, e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Via Campesina, para definir claramente os principais conceitos que definem a Educação do Campo na perspectiva dos movimentos sociais camponeses. Em suas 778 páginas, os 113 verbetes apresentados em ordem alfabética facilitam a consulta de leitores leigos ou iniciantes dos cursos do ensino médio à pós-graduação, quanto dos próprios educadores das escolas do campo, até daqueles que já se encontram na militância social de diversos setores da classe trabalhadora e pesquisadores da educação.O processo pelo qual foi produzido demonstra a grandeza da obra, pois não é resultado de uma iniciativa comercial ou acadêmica, mas sim de um engajamento na pesquisa científica, na luta pela educação pública e pela reforma agrária. Depois de uma experiência inicial com a elaboração do Dicionário da Educação Profissional em Saúde (2006), a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio já havia criado uma metodologia que facilitou a produção deste segundo dicionário em um ano de trabalho, com a organização de oficinas, levantamento dos eixos já consagrados no debate sobre Educação do Campo (campo, educação, políticas públicas e direitos humanos), eleição dos conceitos, convite aos colaboradores, discussão dos textos dos verbetes e edição final.Além do processo de produção coletiva desta obra engajada, o Dicionário se destaca pelo ineditismo do tratamento da Educação do Campo – atividade cultural e produtiva levada pelos camponeses no cotidiano da luta de classes – e também pela centralidade que dá a ele. Patinho feio das políticas públicas e da pesquisa educacional, a Educação do Campo ganha relevância ao ser analisada em profundidade na sua particularidade e na relação com o universal. Se o particular é a educação camponesa para o socialismo, o universal é a escola única do trabalho.Tomando como referência a Ode ao Dicionário, de Pablo Neruda, não se trata de criar definições e dogmas como se o dicionário fosse um mausoléu, mas sim de revelar o "fogo escondido" de cada categoria em sua relação viva com a história e a realidade. Trata-se de um dicionário que traz o "fogo" do debate em cada verbete, anunciado por seus organizadores logo na apresentação: Agricultura Camponesa x Agronegócio, Reforma Agrária x Latifúndio, Pedagogia do Trabalho x Pedagogia do Capital.Em Mitologias, Roland Barthes, discute o sentido político atribuído às palavras no texto Gramática Africana. Para o governo francês, colonizador da África, a palavra bando era utilizada para definir os africanos "fora da lei, rebeldes ou condenados de direito comum". Mas, se o bando for francês, o governo atribui o sentido de comunidade. Da mesma forma, para a Educação do Campo ser tratada em sua especificidade e profundidade, é necessário desembaraçá-la de sentidos outros dados pela ideologia dominante da classe dominante. Por isto, o Dicionário da Educação do Campo é definitivo: organiza e apresenta os principais conceitos, seja do campo, da educação, das políticas públicas e dos direitos humanos, na perspectiva dos trabalhadores camponeses.Esse procedimento de confrontação da ideologia da classe dominante pode ser melhor compreendido à luz da interpretação da A Ideologia Alemã, de Karl Marx e Friedrich Engels: "As ideias da classe dominante são, em cada época, as ideias dominantes; isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força espiritual dominante. São, portanto ideias de sua dominação". Assim, os capitalistas impõem as suas concepções de mundo como únicas e verdadeiras, servindo como falseamento da realidade. E, para tanto, seja na pesquisa científica, seja no embate político, não é possível definir categorias, conceitos, sem ter que se defrontar com a ideologia dominante. Assim, cada verbete desconstrói o sentido imposto pela classe dominante e apresenta o sentido de acordo com o ponto de vista da classe trabalhadora, em seu acúmulo histórico de pesquisa científica e de lutas.Nessa discussão sobre a contribuição científica do Dicionário da Educação do Campo, cabe lembrar, ainda com base na A Ideologia Alemã (Marx e Engels), em Teses sobre Feuerbach, a questão do paradigma do materialismo histórico: "A questão de saber se cabe ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão teórica, mas prática. É na práxis que o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade e o poder, o caráter terreno de seu pensamento. A disputa sobre a realidade ou não realidade do pensamento isolado da práxis – é uma questão puramente escolástica". O Dicionário da Educação do Campo é resultado da práxis, se não fosse assim, não encontraríamos verbetes como Ciranda Infantil ou Escola Itinerante, por exemplo. No lugar da creche, de pequena quantidade nas cidades e praticamente inexistente no campo, os trabalhadores e trabalhadoras do MST criaram a Ciranda Infantil, bem como a Escola Itinerante que possibilitou a educação de milhares de crianças e adolescentes nos acampamentos. Não se trata apenas da criação de uma concepção de educação, os verbetes sintetizam a história da criação de uma educação de novo tipo, tanto para a realidade rural brasileira quanto para a educação de forma geral.Além disso, podemos reconhecer essa nova perspectiva do materialismo histórico que avançou sobre as teses do materialismo grosseiro, como nos mostra Marx e Engels, principalmente no campo da educação: "A doutrina materialista sobre a alteração das circunstâncias e da educação esquece que as circunstâncias são alteradas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado. Ela deve, por isso, separar a sociedade em duas partes – uma das quais é colocada acima da sociedade". O Dicionário da Educação do Campo carrega essa perspectiva dialética superadora, pois quem educa o educador é a classe trabalhadora numa perspectiva revolucionária. Sem isto, o professor será deformado pela ideologia dominante, travestida de científica, para uma educação rural de acordo com os preceitos da formação profissionalizante para o agronegócio e o neocolonialismo contemporâneo.Dessa relação direta entre a produção de ideias e a realidade material, vemos, pela leitura dos verbetes, os trabalhadores do campo como produtores de novas representações sociais, conforme explicam Marx e Engels: "A produção de ideias, de representações, da consciência, está, de início, diretamente entrelaçada com a atividade material e com o intercâmbio material dos homens, como a linguagem da vida real. O representar, o pensar, o intercâmbio espiritual dos homens, aparecem aqui como emanação direta de seu comportamento material. O mesmo ocorre com a produção espiritual, tal como aparece na linguagem da política, das leis, da moral, da religião, da metafísica, etc. de um povo. Os homens são os produtores de suas representações, de suas ideias, etc., mas os homens reais e ativos, tal como se acham condicionados por um determinado desenvolvimento de suas forças produtivas e pelo intercâmbio que a ele corresponde até chegar às suas formações mais amplas".Mas, quando essas representações sociais dos trabalhadores rurais são desqualificadas e criminalizadas pela classe dominante, compreendemos que a luta entre as ideias deve ser entendida de acordo com a perspectiva dialética, colocada em A Ideologia Alemã: "A consciência jamais pode ser outra coisa do que o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real. E se, em toda ideologia, os homens e suas relações aparecem invertidos como numa câmara escura, tal fenômeno decorre de seu processo histórico de vida, do mesmo modo por que a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente físico". Quer dizer, a dominação da classe capitalista sobre a classe trabalhadora, com seus instrumentos de dominação, como aparato repressivo, legislativo, imprensa, entre outros, só podem acabar com o final da dominação econômica, social, cultural e política.Assim colocado, este Dicionário da Educação do Campo não chegou nas livrarias para discutir as suas ideias com a classe dominante, nem perder tempo em se explicar aos intelectuais orgânicos do capital na imprensa ou na academia, mas para preparar os trabalhadores do campo e da educação para uma formação coerente com a ideologia de sua classe, em conformação com sua missão histórica de libertação da humanidade do jugo do capital.Tomando A Ideologia Alemã como referência do acerto de contas com o atraso da filosofia alemã, resultante de atraso econômico da Alemanha, poderíamos também fazer uma analogia com os defensores do neodesenvolvimentismo brasileiro, defendido por intelectuais do capital e por traidores da classe trabalhadora que muito têm confundido trabalhadores do campo, da cidade, e, principalmente da educação: "Totalmente ao contrário do que ocorre na filosofia alemã, que desce do céu à terra, aqui se ascende da terra ao céu. Ou, em outras palavras: não se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou representam, e tampouco dos homens pensados, imaginados e representados para, a partir daí, chegar aos homens em carne em osso; parte-se dos homens realmente ativos e, a partir de seu processo de vida real, expõe-se também o desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos desse processo de vida".Nessa analogia, podemos ver a utilidade do Dicionário da Educação do Campo que, partindo da terra para o céu, mostra o sentido de realidade de cada uma das categorias apresentadas nos verbetes (Agroecologia, Agrotóxicos, Educação Corporativa, Educação Politécnica), como uma bússola que indica onde realmente está localizado o Norte e o Sul da nossa realidade social, política e educacional do campo.Finalmente, observamos o caráter prático, além de teórico do Dicionário da Educação do Campo, inspirado pela concepção do materialismo histórico: "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; mas o que importa é transformá-lo". Sem pretensão, o coletivo de autores deu o primeiro pontapé para a formação de trabalhadores do campo, da cidade, estudantes, pesquisadores e professores sobre educação do campo. De posse desta bússola, cada leitor poderá empreender viagens a cada leitura de um verbete, que poderão se estender a novas terras com o auxílio das leituras recomendadas. Melhor ainda quando essas leituras forem compartilhadas no coletivo da sala de aula, do grupo de estudo, de um coletivo dos movimentos sociais, para o debate de ideias e para a transformação do mundo. Um momento para respirar, conhecer os conflitos no campo da educação e para refletir e fazer avançar a luta da educação do campo.* Cecília Luedemann é jornalista e colaboradora do Setor de Educação do MST.** Publicado originalmente no site Adital.


por Cecília Luedemann*
denotação-e-conotação Artigo

Denotação e conotação

Não é que o fato me incomode, isto não. Há muito tempo deixei a sala de aula, e há muito mais tempo desisti de salvar o mundo. Não me incomoda, mas me causa espanto a incompetência de algumas pessoas para a leitura. Toda vez que publico um texto que fuja de uma denotação rastaquera, pão pão, queijo queijo, sofro críticas ferozes, quase sempre mal educadas. Me espanta, sobretudo, a ousadia de alguns interlocutores, que opinam sobre qualquer assunto com uma desenvoltura assombrosa.Antigamente as escolas ensinavam leitura e interpretação, acho que não ensinam mais. E a interpretação é o modo como o leitor decodifica um texto de maneira correta. Às vezes, quando vejo, acabo de introduzir uma ironia no que estou escrevendo. Uma ironia, pode ser extremamente sutil. Ou não. O leitor atento, no caso da ironia, deve entender o contrário do que está dito. É um recurso de retórica muito comum, fartamente utilizado, e que tem lá sua graça. Pois é aí que a coisa pega. A graça. Algumas pessoas são muito sisudas para perceberem que existe mais de um texto onde elas pensam haver apenas um.Mas não é só. Continuando o caso ainda da ironia: dá ao texto uma pitada do gosto de literatura. Ou seja, ela pode ser um elemento estético. E então me valho do Theodor Adorno quando afirma que “é impossível explicar a broncos o que é a arte; não poderiam introduzir na sua experiência viva a compreensão intelectual. Está neles tão sobrevalorizado o princípio de realidade que interdiz sem mais o comportamento estético (…) Perante o ‘Para quê tudo isso?’, perante a reprovação da sua real inutilidade, as obras de arte emudecem total e irremediavelmente”.Existe algo que se chama leitura referencial. É aquela para a qual apenas o assunto interessa. Em tudo vê denotação. Pode-se dizer que é um nível primário de leitura, mas primário no sentido de primeiro. É o contato com as palavras, a intuição, a primeira impressão. Muitas pessoas não conseguem uma segunda leitura para penetrar a conotação.Pois bem, o discurso científico, ensaístico, didático e, por que não, o discurso jornalístico (os discursos cujo objetivo é informar) não são os lugares apropriados para que se pratique uma linguagem tendendo para a linguagem literária. Pode causar ruído na comunicação.A crônica, meus amigos e eventuais leitores, a crônica não se quer portadora de verdade nenhuma; a crônica não tem o objetivo de informar. Ela é texto digestivo, leve, em que brincadeiras linguísticas são possíveis, pois a crônica deve ser, via de regra, bem humorada, com alguns elementos da linguagem literária. Entre eles a ironia faz boa figura. A crônica é opinativa, sempre escrita expressando denotativa ou conotativamente a opinião do cronista sobre determinado assunto.O artigo tem o direito de ser carrancudo. Ou não. O articulista informa, o cronista distrai. Às vezes até tratando de assunto sério.* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Menalton Braff, da Carta Capital
A Carta da Terra é um documento estruturado em quatro tópicos. Entrevista

Sustentabilidade “é saber o que usar, quando usar e como usar”, defende Cristina Moreno

[caption id="attachment_50869" align="alignleft" width="300" caption="A Carta da Terra é um documento estruturado em quatro tópicos."][/caption]Formada em engenharia química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Cristina Moreno dedicou anos de sua vida às atividades empresariais, com destaque para o setor de papel e celulose. Atuou nas áreas de tecnologia da informação, processos de fusão, aquisição e sustentabilidade. Após aposentar-se, decidiu ir em busca de um mundo mais justo, harmonioso e sustentável, então, Cristina se tornou uma voluntária da Carta da Terra. Hoje ela é a coordenadora da iniciativa no Brasil.A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos que busca construir uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. O documento é estruturado em quatro grandes tópicos:Respeito e cuidado pela comunidade da vida; Integridade ecológica; Justiça social e econômica; Democracia, não violência e paz.A Carta busca inspirar as pessoas e diferentes setores da sociedade para um novo sentido de interdependência global. Em entrevista ao EcoDesenvolvimento.org, a coordenadora Cristina Moreno explica o significado da Carta da Terra e até onde a iniciativa quer chegar.EcoD: O que é sustentabilidade para Cristina Moreno?Cristina Moreno: Vou fazer uma brincadeira! Na verdade, a sustentabilidade é a gente viver exatamente daquela maneira que, quando éramos crianças, deveríamos viver: respeitando e cuidando de todos e de tudo aquilo que a gente partilha.E de que maneira podemos alcançar à sustentabilidade?A Carta da Terra nos convida a perceber duas coisas importantes. A primeira é que a gente está procurando um universo sustentável. Ele só será possível se tivermos países sustentáveis, organizações sustentáveis e famílias sustentáveis. Por isto, é importante que todos façam a sua parte.A outra é o compilado de princípios éticos, com uma visão absolutamente sistêmica. Uma das coisas que talvez seja difícil para a conquista da sustentabilidade, seja olharmos a temática de maneira fragmentada, o que não é. Este olhar permeia todos os segmentos que estão expressos nos quatro pilares da Carta.A Carta da Terra, então, é um documento de orientação?Sim. Uma maneira mais amorosa da gente cuidar do planeta Terra e de todos aqueles que aqui habitam. Uma espécie de cartilha.E como entender os quatro pilares da Carta?Primeiro é preciso entender que a Carta tem dois momentos. Ela é um documento e um movimento. Este movimento são as ações realizadas para que o documento não seja esquecido. A Carta retrata a vontade de um mundo melhor. O pilar central é o de respeitar e cuidar da comunidade divina, onde realmente está todo o conceito do amor, além de estar imbuída a gratidão pela Mãe Terra.Mas como fazemos para cuidar da comunidade divina? Para isto, a gente tem o segundo pilar: a integridade ecológica. Nele olhamos a ecologia em total profundidade. Este é destinado às empresas, que precisam refletir sobre as ações que realizam.O terceiro pilar é a justiça social e econômica. Não dá para a gente ter uma integridade ecológica se as pessoas que vivem neste universo não têm acesso justo e sustentável às coisas.E tudo isso só vai ser possível se a gente tiver o quarto pilar que é democracia, não à violência e paz. E o que é o bacana da Carta? É que não importa muito de qual pilar a gente vem, porque vamos percorrer todos os outros.Como foi processo para elaborar a Carta?Ela foi feita por meio de uma consulta que demorou oito anos para ser elaborada. A ação avaliou os povos da terra, desde cientistas e organizações, a tribos indígenas. Por isto, retrata essa vontade do mundo melhor. Ela começou a ser rascunhada durante a Eco-92, no Rio de Janeiro, mas só foi concluída em 2000. O lançamento aconteceu em junho daquele ano, no Palácio da Paz, com direito a presença da rainha Beatrix da Holanda.Depois de um tempo foi criada a Carta da Terra Internacional (CTI). Este foi o início do movimento para que a Carta não fosse esquecida?Exato. Nossa preocupação era não perder a Carta, para que não fosse apenas mais uma declaração. Assim, reunimos um grupo de voluntários para formar um conselho, que hoje tem um pequeno núcleo na Universidade da Paz, na Costa Rica. Montamos uma estrutura para revisar as estratégias para manter sempre viva a Carta da Terra.Como as pessoas podem contribuir com esse desenvolvimento no dia a dia?Este é um exercício que requer duas coisas: muita humildade para entender que não somos o centro das coisas, mas que somos parte desse bem maior. E requer muito desprendimento porque, no fundo, o que a gente está pedindo? Eu não quero abrir mão dos avanços tecnológicos que temos, mas precisamos entender como estamos usando estes avanços.A grande dificuldade da mudança é sair do patamar que a gente está acostumado para ir para outro, e isto envolve espiritualidade. Digo "espiritualidade" por significar cuidar do bem comum, onde estamos acima das coisas materiais. Este é o trabalho de cada indivíduo, começar a abrir mão do que não precisa ter, vivendo com mais integridade.Carta da Terra e a Rio+20. Quais as expectativas?Primeiro de tudo, perceba que a ideia começou na Eco-92, o pessoal tentou fazer com que a Carta virasse um documento da Cúpula, porém ela só foi rascunhada. Hoje ela é um documento, então é mais que lógico que a Carta esteja presente neste momento, 20 anos depois e no Brasil, exatamente onde ela começou a ser elaborada. Segundo, que vários conselheiros da Carta estarão presentes no evento. Mas, o mais importante é o trabalho que está sendo feito nessas ações preparatórias da ONU. Estamos tentando introduzir a Carta como um marco ético para as questões de economia verde. Esta é a nossa grande vontade!* Publicado originalmente no site EcoD.


por Jessica Sandes, da EcoD
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Países lusófonos precisam de “Plano Marshall” para educação, defende Cristovam Buarque

[caption id="attachment_50866" align="alignleft" width="300" caption="Cristovam Buarque defendeu plano internacional que invista em educação. Foto: Agência Senado"][/caption]As oito nações que falam português deveriam promover um investimento maciço em educação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A opinião é do senador brasileiro, Cristovam Buarque (PDT-DF). Em entrevista à Rádio ONU, antes de participar de uma reunião na sede em Nova York, sobre língua portuguesa, o parlamentar defendeu que é necessária a implementação de um "Plano Marshall"."Eu venho defendendo, já há muitos anos, que a gente precisa de um Plano Marshall para a educação. Os Estados Unidos fizeram um Plano Marshall para recuperar a indústria europeia e conseguiram recuperar a economia do continente depois da (Segunda) Guerra. Nós precisamos fazer um plano internacional que invista em educação. Por exemplo, o reajuste salarial dos professores de todos os países de língua portuguesa. Um grande acordo que inclusive possa trocar os professores de um país para outro."Cristovam Buarque afirmou que a CPLP deve promover ainda mais integração entre os povos que falam português. Segundo ele, a promoção do idioma e as melhorias na educação, incluindo um maior trânsito de livros, deve beneficiar as populações lusófonas.Além da reunião na ONU, o senador brasileiro participou de um encontro sobre o combate à pobreza no Brasil, organizado na Universidade de Brown, em Providence, onde falou de uma das criações de seu mandato, enquanto governador do Distrito Federal, o programa de geração de renda Bolsa Escola.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação da Rádio ONU
200563448-001 Professores

Professores relatam desvalorização da categoria

Neste 1º de maio, o Portal Aprendiz procurou professores da rede pública de diversos Estados para saber quais são as principais demandas da categoria. Baixos salários, carga horária pesada e falta de uma qualificação adequada são algumas das reivindicações recorrentes à profissão que reclama do descaso geral do Estado. Acompanhe os depoimentos.[caption id="attachment_50854" align="alignleft" width="156" caption="Paulo Brito é professor de Geografia e Cîências Ambientais."][/caption]Pedro Paulo Brito – Manaus-AMO processo de formação continuada na cidade de Manaus, ou mesmo no Amazonas, ainda é algo que está longe da realidade. O que há é uma reciclagem em forma de palestra por parte de pedagogos que nunca estiveram em uma sala de aula, fazendo com que a maioria dos professores não tenha de fato a qualificação necessária.Não vejo qualquer avanço (nas questões relacionadas à categoria), o que existe é uma espécie de cala boca com algumas bonificações, aumento de fato não existe, a não ser de trabalho. Nós professores não precisamos de notebooks, tablets ou pen drives, o que queremos é que as leis sejam respeitadas e um piso salarial justo e digno.Carlos Moisés Medeiros – Manaus-AM[caption id="attachment_50855" align="alignright" width="156" caption="Moisés é professor de Engenharia Agrícola."][/caption]O investimento na educação é irrisório, apesar dos recursos financeiros de que o país dispõe. Vejo que a educação não é levada a sério pela classe política e nem pela sociedade.A pauta de reinvidicações dos professores é a de sempre, reajustes salariais e melhores condições de trabalho, que só podem ocorrer com aumento de investimento do poder público na educação.Ultimamente só ocorrem falácias, muita discussão e pouca ação, a educação é tocada como bandeira política, não há efetivação concreta das ações.Giuliano Vandson Mendonça – Fortaleza-CE[caption id="attachment_50856" align="alignleft" width="156" caption="Giuliano Mendonça é professor de História."][/caption]O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), declarou à imprensa que professor não deve exigir aumento salarial e que deve trabalhar por amor. Hoje um professor estadual ganha pouco mais de dois salários mínimos. No último concurso passaram cerca de 3.500 profissionais. Com pouco mais de seis meses, após iniciarem a carreira no magistério, 800 professores já haviam desistido. Principal causa? Desvalorização.A profissão em todo o Brasil é extremamente desvalorizada. Não é de interesse da elite brasileira e dos políticos terem uma população que pense. Uma população crítica não aceitaria tudo que acontece de irregularidades, de corrupção e principalmente de impunidade. Por isso, enquanto os políticos entenderem a educação e a valorização do professor como um gasto e não como um investimento, o Brasil continuará do jeito que está. Nos últimos dez anos, as exportações cresceram, mas e os índices sociais? Saíram de péssimos para ruins.Denise Pessoto – Presidente Bernardes-SP[caption id="attachment_50857" align="alignright" width="156" caption="Denise é professora de Geografia."][/caption]Durante todo o governo PSDB, que está no poder há vários anos, todas as mudanças foram feitas de cima para baixo, não havendo consultas à categoria. Os reajustes salariais acontecem esporadicamente e sem respeitar a data-base. A grade curricular é alterada e as aulas aumentam ou diminuem sem critérios justificáveis.As mudanças e investimentos acontecem, mas nenhum deles contempla as necessidades reais dos professores. O resultado é que a qualidade do ensino, que não passa apenas pelas mãos dos professores, vem piorando ano após ano. A educação necessita de medidas concretas e não de medidas paliativas que mascaram a realidade.Diego Navarro – São Paulo-SP[caption id="attachment_50858" align="alignleft" width="156" caption="Diego Navarro é professor recém-formado."][/caption]Acredito que o maior desafio da categoria docente, ao menos no âmbito do governo do Estado de São Paulo, seja voltar a se enxergar como uma única categoria profissional, e posteriormente voltar a acreditar na força que podemos ter. Nossos governantes comandaram um verdadeiro desmantelamento da categoria, o que acabou servindo não só para conseguirem contratar mão de obra barata, como também para desmoralizar o professorado.Sob uma perspectiva do dia do trabalhador, eu diria que temos uma tarefa clara: organizar a categoria docente, demonstrar para a sociedade (e para nós mesmos) a importância política que tal categoria carrega e mobilizar nossas forças para fazer com que o governo nos trate com a dignidade que merecemos.* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Marjorie Ribeiro, do Portal Aprendiz
31-universidades-do-brasil-entre-as-melhores-da-ama-rica-latina2441efc6d0f591b8ed6dfcb93d509f44 Artigo

Rico já tem cota garantida

A informação da Unicamp de que os alunos que vieram de escolas públicas, beneficiados por pontos extras no vestibular, acabaram no mesmo nível dos que saíram dos colégios privados, mostra como a seleção para entrar nas melhores faculdades é falha – e como é uma questão não só de justiça, mas de meritocracia, favorecer os mais pobres.O fato é o seguinte: os ricos já têm cotas. Isto porque passaram toda a vida em boas escolas, com psicólogos, aulas particulares, viagens, estímulos culturais, tratamento de saúde, cursos de línguas. Natural que se saiam melhor no vestibular.Mesmo assim, acabam no mesmo nível dos alunos das escolas pobres.O motivo é simples: eles são esforçados, têm garra, desenvolveram a resiliência. Certamente têm a mesma inteligência. E correm atrás do tempo perdido. No longo prazo, acabam se destacando. Ou seja, o ensino superior não perde qualidade. Pelo contrário, ganha qualidade. A função do vestibular é garantir o mérito.A cota dos ricos é garantida pela desigualdade. Chega a ser uma covardia.O mínimo que deveria ocorrer (mínimo, repito) é exigir que, em contrapartida ao curso gratuito, os mais ricos paguem em serviços comunitários. Ou devolvam o dinheiro em prestações, quando começarem a trabalhar.Esse dinheiro extra poderia bancar bolsas aos mais pobres para que não sejam obrigados a trabalhar.* Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz.** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Gilberto Dimenstein*
futuro trabalho Artigo

Trabalho do futuro

Duas notícias revelam o trabalho do futuro – e mostram como algumas discussões no Brasil, como a dificuldade de flexibilizar as leis trabalhistas, estão atrasadas.Uma delas mostra a invenção de uma impressora 3D que permite que o consumidor produza seu próprio chocolate nos mais diferentes formatos (veja a imagem aqui). A diferença é que não é um processo artesanal.Com as tecnologias de impressão em 3D o consumidor pode virar um pequeno produtor, descentralizando a produção. Não apenas consumindo o que produz, mas vendendo em pequena escala industrial. Seria essa uma nova revolução industrial.Milhares de produtos feitos em fábricas poderiam, no futuro, ser produzidos em casa, com alta qualidade. O diferencial vai estar no design personalizado.Outra notícia. Um jovem queria produzir um relógio inteligente, usando aplicativos e uma tela especial. Não tinha nenhum dinheiro. Colocou seu projeto num site de financiamento coletivo e arrecadou cerca de R$ 10 milhões.Isto significa que, no trabalho do futuro, haverá cada vez menos intermediários, e o consumidor terá cada vez mais força.Será que vamos ter um renascimento dos tempos em que as cidades eram tomadas por mestres de ofício?Abre-se assim uma nova perspectiva de revitalização das cidades e do mercado de trabalho, numa valorização da economia criativa.* Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Gilberto Dimenstein*
2011-07-19_estudante-aprende-68-mais-com-bom-professor_gg Artigo

Os melhores professores para as piores escolas

No momento em que o Ministério da Educação anuncia o novo piso nacional dos professores, discutido pelos principais editoriais do país, faz-se necessária e urgente a defesa da valorização do professor, principal agente da educação.Sem o reconhecimento da profissão, não alcançaremos uma educação de qualidade compatível com os desafios da sociedade contemporânea e com a posição brasileira de sexta economia mundial.Além de dominar o conteúdo a ser ensinado, o professor precisa se responsabilizar pelo aprendizado de seus alunos. Para estimular este compromisso, muitas secretarias de educação criaram um sistema de incentivos e bônus relacionados aos resultados dos alunos e das escolas.Se, a princípio, tal medida parece acertada por se basear no mérito, por outro lado ela gera uma competição por recursos entre as escolas que é danosa ao sistema educacional. A educação não deve e não pode ser tratada como o mercado, em que a concorrência pode ser saudável.Temos um sistema educacional extremamente desigual e, por isto, competição e incentivos, se não implementados com cautela, poderão gerar maiores desigualdades.Professores e outros profissionais do ensino vão buscar escolas mais bem avaliadas ou trabalharão somente com os alunos com maiores recursos culturais. Assim, receberão mais altas recompensas, gerando um fosso ainda maior entre pobres e ricos, pois as escolas da periferia dificilmente serão escolhidas por docentes estáveis e concursados. Assim, escolas localizadas nessas áreas precisam de políticas especiais, articuladas com seus territórios e comunidades.Elas precisam de apoio das outras escolas do entorno melhor avaliadas para trocar experiências, rompendo com a lógica de competição. Caso contrário, continuarão isoladas, incorporando todos os problemas da alta vulnerabilidade e da exclusão social.Países como o Canadá e a Finlândia, além da cidade de Xangai, três dos melhores colocados nos exames do Pisa (avaliação educacional internacional), instituem consórcios e arranjos administrativos, criando condições para que escolas de excelência e equipes de professores e diretores desenvolvam projetos e tutoriais junto a seus pares com maiores dificuldades.Além disso, organizam mesas de negociação permanentes com entidades educacionais e alocam os melhores professores para os alunos e as escolas com as piores avaliações.É necessário atrairmos para a educação os melhores profissionais. Para isto, é imprescindível, de um lado, oferecer plano de carreira, salários dignos, formação e infraestrutura adequadas. De outro lado, é necessário acompanhar e monitorar os seus desempenhos.Esses profissionais de excelência precisam ser recompensados e alocados nas escolas que mais necessitam deles. Precisamos de mais cooperação e menos competição. Precisamos ter coragem e ousadia para inverter a relação meritocracia-competição para meritocracia-cooperação – algo que, aliás, está muito mais consoante com nossa cultura.O professor é o agente central dessa discussão. A sociedade brasileira precisa valorizá-lo de forma que ele tenha orgulho de sua profissão. Precisamos ter, como em outros países, listas de espera para o preenchimento das vagas para docentes.Precisamos de uma educação que contribua para a diminuição das desigualdades, conciliando um sistema que valoriza os melhores professores com um investimento na promoção da equidade entre as escolas e entre os alunos.É necessário pensar de forma cooperativa, criando arranjos municipais educacionais e a gestão de grupos locais de escolas. Este é o desafio para potencializarmos nossos recursos humanos para que correspondam à nossa grandeza econômica.* Maria Alice Setubal é doutora em psicologia da educação pela PUC-SP, presidente dos Conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, da Fundação Tide Setubal e do Instituto Democracia e Sustentabilidade.** Publicado originalmente no site Fundação Tide Setubal.


por Maria Alice Setubal*
Oficinas produziram conteúdos sobre a preservação do Rio Corumbataí. Foto: Cedida pela pesquisadora Mídia

Oficinas sobre meio ambiente usam mídia para motivar alunos

[caption id="attachment_50836" align="alignleft" width="230" caption="Oficinas produziram conteúdos sobre a preservação do Rio Corumbataí. Foto: Cedida pela pesquisadora"][/caption]As crianças que estudam nas redondezas do Rio Corumbataí, no interior de São Paulo, não podem nadar ou pescar nas águas poluídas. Apesar disso, muitos desconhecem a parcela própria de responsabilidade em conservar o rio limpo. Foi o que percebeu a bióloga Vivian Battaini, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, em sua pesquisa de mestrado, numa série de oito oficinas sobre educação ambiental que organizou em quatro escolas públicas da região. Para enriquecer o debate, propôs às crianças a produção de conteúdos de jornais e fanzines sobre a preservação do Corumbataí. O trabalho integra o projeto temático do Programa Biota da Fapesp Mudanças Socioambientais do Estado de São Paulo e Perspectivas para Conservação.O Rio Corumbataí tem 140 quilômetros de extensão, nasce no município de Analândia e desemboca em Piracicaba, abastecendo a população da cidade e de Rio Claro, entre outras da região. Enfrenta problemas como poluição, assoreamento e queda de árvores. Por que o rio está poluído? De quem é a responsabilidade? É possível denunciar quem, por exemplo, joga detritos na água? Estas foram algumas das questões que Vivian levantou com os alunos, todos do segundo ciclo do ensino fundamental.“O estudo da bacia hidrográfica local estimula um processo social de responsabilidade e vínculos com o ambiente físico em que vivem e, dessa forma, estimula o pertencimento. Este é um sentimento importante que potencializa o agir na comunidade”, escreve Vivian na dissertação intitulada Educomunicação Socioambiental no Contexto Escolar e Conservação da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí.A educação ambiental está prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que dão as diretrizes para o ensino básico brasileiro. “As escolas tratavam a educação ambiental por meio de temas como plantar uma árvore e cuidar do próprio lixo. Mas faltava olhar para o meio em que os alunos estavam inseridos”, diz a pesquisadora, que faz parte do grupo de pesquisa e extensão em educomunicação da Esalq, coordenado pela professora Laura Alves Martirani, que também orientou a pesquisa. O projeto também inclui a gestão de um blog (www.educorumbatai.blogspot.com), que conta com a participação de estudantes universitários, e um documentário sobre a problemática dos recursos hídricos na atualidade e na região estudada.Segundo Vivian, o trabalho mais difícil foi na escola que pertencia à região mais pobre entre as visitadas. A falta de infraestrutura local, como ruas sem asfalto e transporte precário, despertava nos alunos a sensação de que seus direitos não estavam sendo cumpridos. “Por isto, eles tinham dificuldade em aceitar que pertencem ao local e possuem deveres a cumprir, como a preservação do rio”, conta.EducomunicaçãoO uso da educomunicação nas oficinas teve por objetivo desenvolver o olhar crítico dos alunos sobre a sociedade e interligá-los ao contexto social e midiático em que estão. Deste modo, criam consciência sobre o próprio papel na conservação dos recursos naturais da região e desenvolvem habilidades para participar de modo mais efetivo da realidade social.Para trabalhar elementos da mídia impressa em sala de aula, Vivian fez parceiras com jornais locais e levou profissionais da área para conversar com a garotada. Analisou textos de publicações conhecidas e perguntou se alguma delas abordava questões relativas ao Rio Corumbataí. Diante da resposta negativa, propôs que os alunos levassem suas opiniões a público.“A maior dificuldade foi despertar neles a vontade de escrever”, diz. A solução foi estimulá-los a pôr no papel as próprias ideias e opiniões. O objetivo não era chegar a um texto jornalístico profissional e, sim, oferecer uma ferramenta de reflexão sobre o meio ambiente.* Publicado originalmente no site Agência USP.


por Thiago Minami, da Agência USP
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Metade dos professores da zona rural possui formação inadequada

 Atualmente existem 6,2 milhões de alunos na zona rural. Foto: Jovem Rural A lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) exige que quem ensina tenha o curso de licenciatura completo. Porém, 49,9% dos professores, do ensino fundamental e médio, atuantes na zona rural, não possuem a formação. Na zona urbana, a taxa de docentes dessas etapas, que não têm a formação obrigatória, é de 14%. Além desta questão, o ensino no campo também enfrenta obstáculos como o da infraestrutura das escolas e a definição de linhas pedagógicas.Segundo o Ministério da Educação (MEC), atualmente a zona rural possui 76 mil escolas, 6,2 milhões de alunos e cerca de 342 mil professores sem a formação básica exigida. Com o objetivo de solucionar a defasagem educacional, o MEC lançou, em março de 2012, o Programa Nacional de Educação no Campo (Pronacampo), que deve atuar em quatro eixos:Gestão e práticas pedagógicas Educação de jovens e adultos e educação profissional e tecnológica Infraestrutura física e tecnológicaFormação de professoresPara atingir as metas, outros programas do MEC também serão utilizados no processo, como o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), Mais Educação e Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Estão previstas a ampliação de oferta de cursos de licenciatura, a expansão dos polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e as ofertas de aperfeiçoamento e especialização específicos para a realidade do campo e quilombola. O investimento anual do projeto será de R$ 1,8 bilhão.Aproximadamente 75% dos docentes que atuam na zona rural são mulheres, de 36 anos. Na área urbana, as mulheres representam 81,5% do total e a média de idade é de 39 anos. No geral, os professores do campo são mais novos que os da cidade.PerfilUma das principais características da educação rural é a sala multisseriada, que consiste em uma turma de estudantes com idades diferentes e um único professor. De acordo com o MEC, a organização escolar é permitida pela legislação e assegura o acesso de mais jovens do campo à educação.Dados do Ministério afirmam que 71% dos colégios do campo têm classes multisseriadas, o que possibilita o atendimento de 22% dos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para atender esta demanda, o Pronacampo prevê a disponibilização de materiais didáticos e pedagógicos específicos, além da formação e o acompanhamento pedagógico para todas as escolas com essas turmas.Informações do Portal Todos pela Educação.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD

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Ande a pé. Isso evita a queima de combustível e o lançamento de gás carbônico na atmosfera e, consequentemente, diminui o efeito estufa.
Reduza. Reutilize. Recicle. Três ‘Rs’ indispensáveis para preservar o meio ambiente e contribuir com o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.
Aproveite o sol como fonte de energia limpa. Instale painéis fotovoltáicos em sua residência ou empresa.
Na hora de comprar, escolha produtos com rótulos ecológicos e com menos embalagem, assim você estará escolhendo poluir menos o planeta.
Utilize lâmpadas de baixo consumo, elas economizam até 80% de energia e duram bem mais.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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Os três componentes principais da biomassa da cana-de-açúcar são a celulose, a hemicelulose e a lignina. Foto:EcoD

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O Zoológico Skazka, na Ucrânia, exibe imagem de filhotes de tigresa albina ‘Tigrylia’, que nasceram no complexo. Um dos bichinhos puxou a mãe e também é um raro tigre albino.

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