Contas mostram viabilidade da economia verde, diz Stelzer, da ONU

Entrevista

Contas mostram viabilidade da economia verde, diz Stelzer, da ONU


por Pedro Biondi, do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação


[caption id="attachment_69229" align="alignleft" width="300" caption="Thomas Stelzer na abertura da SNCT, em Brasília. Foto: Augusto Coelho"][/caption] Mais justa, mais inteligente, mais inclusiva. É a definição de economia verde para o secretário-geral assistente de Coordenação Política e Assuntos Interagenciais da Organização das Nações Unidas (ONU), Thomas Stelzer. O economista e diplomata austríaco reitera a necessidade de “business cases” para mostrar a viabilidade de novas práticas, ou comprovar que outras estão ultrapassadas. O termo pode ser entendido como estudo de caso, experiência de negócio ou projeto piloto – ou seja, algo realizado na prática e que permite uma avaliação precisa de custos e benefícios. Em entrevista, ele diz que a economia verde é a “fórmula mágica” para atingir o crescimento sem depredar os recursos naturais, reduzindo as desigualdades e aumentando o acesso aos ganhos da globalização. Em sua opinião, energias sustentáveis e eficiência energética já mostraram sua rentabilidade. O representante das Nações Unidas veio ao Brasil para participar da abertura da 9ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2012), que tem como tema “Economia verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza”. Ele destaca o papel da sociedade civil e aponta as cidades como laboratórios para a implantação do novo modelo de desenvolvimento. Thomas Stelzer afirma, ainda, que todos viverão melhor se os recursos disponíveis forem partilhados. Nesse sentido, elogia os programas sociais brasileiros e alerta para a urgência de um uso melhor dos recursos hídricos. A 9ª SNCT tem no seu tema a economia verde, que foi também a questão central da conferência Rio+20. Como chegar a esse modelo, superando interesses de curto prazo, sejam de países ou empresas? A avaliação entre casos de negócios e o bem comum e entre investimentos de curto e longo prazo, será um enorme desafio para qualquer país. Como produzir um equilíbrio entre interesses das empresas e interesses comuns? Não podemos separar. A pergunta é: como podemos fazer a curto prazo e a longo prazo? Se quisermos implementar os consensos baseados no cenário de aumento de 2 graus Celsius na temperatura global, que vários cientistas consideram muito alto, teremos que reduzir as emissões de CO2 em 50% até 2050 enquanto criamos trabalho decente para 78 milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho global todo ano. Como atingir o crescimento econômico sem depredar os recursos naturais, reduzindo as desigualdades sociais e aumentando o acesso aos ganhos econômicos da globalização? É uma pressão enorme, e a fórmula mágica é a economia verde. Aquela que não toma emprestado do futuro, que é baseada numa revolução no que diz respeito a produção e consumo. Que tem um olhar totalmente novo para a macroeconomia e tenta refletir uma precificação justa, mostrando o custo real do que estamos consumindo. O preço real da energia fóssil, por exemplo. Se você tiver preços transparentes, a energia sustentável vai se mostrar como forte oportunidade de negócio já hoje. Se você redirecionar subsídios que eram destinados a energia fóssil, ou aos biocombustíveis – sei que é um ponto meio delicado no Brasil –, ou à indústria nuclear – nenhuma delas, sustentável –, conseguirá dar escala a fontes sustentáveis muito rápido. Nós conseguiremos se fizermos o balanço, montarmos o caso: quais são os interesses globais, quais são os objetivos comuns. E financiá-los. Energia limpa, água limpa, desenvolvimento integrado, desenvolvimento participativo, são objetivos comuns. Há bons exemplos nesse sentido? Portugal conseguiu, em cinco anos, aumentar em perto de 50% a participação das novas fontes na matriz energética. Temos a tecnologia hoje para implementar uma economia totalmente nova. Em todos os países, grandes interesses, interesses ocidentais, tentam prolongar seu ciclo de vida financiando partidos, pagando políticos. A questão é como fazer valer o ponto de vista dos mais preocupados. E eu vejo exemplos muito positivos. Amigos me contam que 15 anos atrás, na China, nunca viram o sol [porque a fumaça da queima de carvão encobria muitas cidades]. Mas nos últimos cinco anos a indústria limpa está no centro da agenda do país. Claro, existe a escassez de carvão, que empurrou a indústria fóssil para fora. Mas, então, temos que investir em dispositivos de controle de emissão de carbono, em controle de emissões de carros. O equilíbrio depende muito de sermos capazes de avaliar exemplos de negócios. É uma ilusão querer superar os interesses ocidentais pela via política. Os 500 mais ricos tem todos os lucros de derivados de petróleo. O único jeito de superar isso é mostrar que petróleo não é mais um business case. Mostrar não só o dinheiro que pagamos no posto de gasolina, mas também custos sociais, ambientais e de defesa. Os Estados Unidos gastam diariamente US$ 4 bilhões em importação de petróleo, mas os custos macroeconômicos são mais que o dobro. Outro exemplo: nos EUA, os subsídios para agrocombustíveis são de US$ 12 bilhões por ano, segundo o Financial Times. Isso não é efeito de mudanças climáticas, tem a ver apenas com segurança alimentar e energética. Mas temos que mensurar o business case. Um artigo recente destacou que a energia nuclear nunca teve um business case. Nenhuma planta nuclear foi construída com investimento privado. Foram construídas com dinheiro dos contribuintes ou subsídios provenientes do montante de impostos. Então, há outras razões pelas quais podemos advogar contra a energia nuclear, como o risco de ser abduzida politicamente, mas economicamente ela não faz sentido. Economicamente faz muito sentido sair da energia suja e entrar na limpa e sustentável. Isso equilibra suas contas. Em cada um dos orçamentos europeus, a importação de combustíveis fósseis representa um quarto do orçamento. Se redirecionarmos investimentos que estão apoiando mentalidades do passado, energia ultrapassada, podemos chegar lá. Como as cidades sustentáveis entram nessa agenda? Elas são um dos nossos maiores desafios hoje. É preciso planejar cidades mais sustentáveis. Onde as pessoas morem muito mais perto do trabalho. Onde seja muito mais fácil prover os serviços públicos, escola, os serviços em geral. Muita gente acha que organização é ruim, mas não é. Organizar é um grande desafio. As cidades são laboratórios, que podem gerar plataformas culturais do que podemos fazer de modo muito melhor. Não há razão alguma para que uma pessoa precise dirigir um carro hoje, na área urbana, a não ser em casos excepcionais. Há cidades que reduziram dramaticamente o número de automóveis investindo em transporte público de qualidade e fazendo o ato de dirigir muito mais caro e menos prazeroso. Zurique, por exemplo. Se olharmos para Manhattan, é hoje uma ilha verde. Setecentos mil carros se dirigem para lá todo dia, mas os moradores não usam carro. As cidades da África Subsaariana vão dobrar de população em dez anos. Pense em cidades como Lagos e Nairóbi. Em Nairóbi, a faixa etária média é de 25 anos e o desemprego é de 75%. O que as pessoas vão fazer se não houver emprego, se você não consegue prover emprego? Como administrar os processos políticos? Grandes cidades são um grande desafio, mas também uma enorme oportunidade. O senhor também vê com centralidade a participação social, não é? O ponto é: interesse de quem? Quem está tomando as decisões? Interesses da população ou de muito poucos? Temos que ser muito claros. Se olharmos o desenvolvimento econômico nos últimos 20 anos, veremos que não 1%, mas 0,1% da população será capaz de concentrar os maiores ganhos da globalização nos próximos 20 anos. Só conseguiremos equilibrar os interesses se rompermos o ciclo. Como fazê-lo é uma questão difícil. A maioria dos políticos pensa em ciclos eleitorais de quatro anos. Por isso acredito fortemente na sociedade civil. Ela tem o luxo de pensar adiante. Tem a possibilidade de manter os políticos sob avaliação e apresentar a conta das promessas deles na eleição seguinte. Mas o controle social está sendo mal exercido. A única maneira de identificar os interesses compartilhados é dar voz a todos os interesses. Os países mais pacíficos são aqueles com sociedades mais equilibradas e integradas. Quanto mais longe disso, mais polarizada a sociedade. Nas sociedades em que as pessoas mais participam dos avanços, dos ganhos financeiros, da seguridade social, de um futuro compartilhado, de segurança, de um patamar de educação, há menos interesse em brigar. Nós vimos que em países norte-africanos enormes massas de pessoas sem emprego e escolaridade foram as deflagradoras de revoluções e o Estado se afastou, porque não conseguia prover trabalho decente – que está na origem de toda participação e no centro da agenda. Como a ciência pode contribuir para a construção desse novo modelo? A tecnologia, claro, está no centro também. Nós chegamos longe. Podemos fazer qualquer coisa hoje. Podemos facilmente produzir carros que rodam 100 quilômetros com 3 litros. Podemos abastecê-los com energia elétrica. Se conseguirmos reduzir radicalmente as emissões dos carros, isso terá forte impacto, porque o trânsito produz 30% das emissões de carbono. Também podemos, hoje, isolar nossa casa muito melhor contra o frio e o calor. Tudo isso vai prover amostras do futuro. Nos Estados Unidos há 120 milhões de prédios construídos. Se você aumenta em 50% a eficiência energética deles, cria emprego para as futuras gerações. Uma mudança nas janelas do Empire State – apenas as 6 mil janelas – resultou numa economia de 40% de energia. Isso significa que o investimento se paga em quatro anos. É investimento inteligente. É um business case. Nos Estados Unidos, a eficiência energética cresceu 60% nos últimos 15 anos, sem necessidade de qualquer decisão do Congresso Nacional, apenas por conta do mercado. Com design inteligente, pode-se viver muito bem sem esbanjar. Mas viveremos muito melhor se partilharmos os recursos de que dispomos, se eles não continuarem concentrados por poucos. Um bilhão de pessoas não têm segurança alimentar. É isso que queremos dizer com “economia verde”: mais justa, mais inteligente, mais inclusiva. Uma economia que considera os recursos naturais, que integra os três pilares – econômico, social e ambiental – e que provê acesso aos ganhos da sociedade. E o papel da popularização da ciência, diante desse cenário? Como popularizar a ciência? É uma questão de mercado e de acesso ao mercado. Para a economia verde, como propiciar capacitação para que países que se encontram num estágio muito mais atrasado de desenvolvimento tecnológico se beneficiem da tecnologia? Direcionar investimentos, superar problemas de direitos autorais e repensar o conceito de como compartilhar. Maurice Strong, o pai da Rio 92, disse, muito enfaticamente, por ocasião da Rio+20: não temos apenas que atentar a renda, mas também a como proveremos acesso ao capital de uma maneira diferente. Esse é o próximo capítulo. * Publicado originalmente no site Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação.

ed3 Ciência e Tecnologia

Professor deve usar rede social como aliada

Quando o assunto são redes sociais dentro da escola, muita gente torce o nariz e garante que os professores são pouco hábeis nelas, não sabem usá-las e ainda são os principais dificultadores para inseri-las nos aprendizado em sala de aula e em casa. Na contramão deste cenário, há quem defenda essas ferramentas não como inimigas, mas como aliadas dos educadores. É o caso de Américo Amorim, cofundador do Daccord, empresa especializada em plataformas de ensino, que falou sobre o uso das redes sociais educacionais durante Série de Diálogos o Futuro se Aprende sobre Tecnologias na Educação, promovida pelo Porvir e pela Fundação Telefônica. Amorim defende que o uso de redes sociais educacionais permite que o professor amplifique – e muito – suas possibilidades de ações pedagógicas. Afinal, em apenas um lugar, ele pode compartilhar documentos, fotos, mapas ou trocar mensagens com alunos e outros profissionais. Pode ainda criar comunidades para discussões temáticas, aplicar de testes e provas, propor quizzes e publicar agenda de atividades. Ainda de acordo com Amorim, o uso dessas ferramentas ajuda a manter os aluno em um ambiente propício, sem nada que não seja extraclasse ou extra-aprendizagem. “O poder de controle do professor é uma das grandes vantagens do uso das redes sociais na educação ao permitir que alunos se reúnam em um ambiente seguro, além de garantir a intercâmbio de experiências e de práticas pedagógicas entre os professores”, avalia. Um dos exemplos de redes sociais existentes e mencionados por Amorim é a Edmodo, que neste ano chegou a 12 milhões de usuários. A plataforma, repleta dessas funcionalidades, permite que os professores acompanhem a frequência e o desempenho dos alunos. Outra rede social com os mesmos semelhantes é a americana Teamie, disponível em inglês. Há também a brasileira Tria, com foco no ensino médio, que tem 10 mil usuários por mês trocam informações e conteúdos. A Turma do Som é mais um exemplo de rede social, mas esta foi criada pelo próprio Amorim. A plataforma, que possui 25 jogos, foi desenvolvida para ajudar a incentivar estudantes a aprenderem música em sala de aula. A ferramenta está sendo usada em cinco escolas em Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. Nela, os professores ajudam os alunos no aprendizado dos fundamentos da teoria musical a partir de aulas separadas por quatro blocos temáticos: som (timbre), altura, tempo e estrutura. Os conteúdos são trabalhados por vídeos animados, com personagens no estilo dos desenhos japoneses e depois em jogos. Amorim explica que decidiu criar a plataforma devido à lei instituída em 2008 que determina 2012 como o ano-limite para que todas as escolas públicas e privadas do país adaptem seus currículos para oferecer conteúdos de educação musical no ensino básico. Com ela, além de dar suporte ao ensino e ajudar nesse momento de transição, o software também ajuda os professores a se capacitarem. O desafio do uso Segundo levantamento feito no ano passado pela Cetic.Br e citado por Amorim no evento, 95% dos professores usam a internet para pesquisas e 91% para enviar e-mails. Já 70% deles não apresentam dificuldade para acessar redes sociais. Apesar do uso da web a caminho da universalização, ressalta Amorim, o desafio é fazer com que os professores realmente se apropriem dessas ferramentas. Um exemplo claro disso é que 95% dos educadores disseram não usar tecnologias para avaliar tarefas de casa. Para Amorim, as redes sociais deveriam ser aliadas do professor para otimizar os processos educativos fora da escola – como nos trabalhos de casa, por exemplo. Ainda de acordo com o estudo da Cetic.Br, 86% dos professores não usam recursos tecnológicos no apoio individual, o que impede um ensino personalizado dos alunos “que estão fora da curva”. Enquanto isso, 73% disseram não usar jogos educativos ou para trabalhos em grupo. * Publicado originalmente no site Porvir.


por Vagner de Alencar, do Porvir
ed2 Brasil

Cotas sociais: Mercadante cobra política de acolhimento e diz que assistência estudantil é desafio

Brasília – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, cobrou hoje (24) de reitores de universidades federais a elaboração e adoção de políticas de acolhimento para estudantes selecionados por meio da nova Lei de Cotas. Entre as alternativas citadas por ele estão o reforço pedagógico e a atividade de tutoria. Durante abertura da reunião plenária do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), Mercadante se referiu à assistência estudantil para alunos beneficiados pelas cotas sociais como um desafio. Segundo ele, a pasta também estuda formas de complementação de renda por meio de bolsas de estudo. “Se não, não há como assegurar a permanência”, disse. O ministro garantiu que o governo tem recebido apoio por parte dos reitores na implementação da Lei de Cotas. “Podemos fazer uma política que vai, sobretudo, valorizar o ensino médio”, disse. Ele lembrou que, em 1997, cerca de 0,5% dos 20% mais pobres do país tinham ensino superior enquanto o índice era de 22% entre os 20% mais ricos. “Viemos de um passado de educação tardia. Nosso ensino superior é muito tardio e de difícil acesso para as camadas mais pobres”, disse. Atualmente, dados do MEC indicam que 4,2% dos 20% mais pobres frequentam ou frequentaram universidades. Entre os negros, o índice é 20% contra apenas 4% registrado em 1997. “No entanto, estamos longe de ter um certo equilíbrio”, completou. A Lei de Cotas prevê que as universidades públicas federais e os institutos técnicos federais reservem, no mínimo, 50% das vagas para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas da rede pública, com distribuição proporcional das vagas entre negros, pardos e indígenas. A lei determina ainda que metade das vagas reservadas às cotas sociais – ou seja 25% do total da oferta – sejam preenchidas por alunos que venham de famílias com renda de até um salário mínimo e meio per capita. * Edição: Lílian Beraldo. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Paula Laboissière, da Agência Brasil
cordel (1) Literatura

Crianças traduzem declaração de direitos humanos por meio do cordel

[caption id="attachment_69216" align="alignleft" width="250" caption="Trabalho é feito pela rede de educação integral de Pernambuco."][/caption] “Todo ser humano/ tem direito à liberdade/ dotado de consciência e justa dignidade”.A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi interpretada como literatura de cordel pelas redes de educação integral de Pernambuco que estão reunidas em Olinda até esta quarta-feira, 24 de outubro, no Hotel 7 Colinas. As redes participam do III Encontro Regional de Acompanhamento e Formação do Programa pela Educação Integral, do Fundo Juntos pela Educação. As redes de educação integral são constituídas por escolas públicas, organizações sociais, CRAS e outros parceiros locais, reunidos em projetos apoiados pelo Fundo Juntos pela Educação, em Recife, Olinda e Igarassu. O III Encontro Regional está debatendo a relação entre educação e o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes (SGDCA). Hoje, quarta-feira, 24 de outubro, o SGDCA será tema de conferência do Dr. Élio Braz Mendes, Juiz da 2ª. Vara da Infância e Juventude do Estado de Pernambuco, e de Karina de Paulo Lira, assessora programática em Proteção e Coordenação técnica da equipe de Assessores Programáticos da Ong Visão Mundial, enfermeira sanitarista e mestranda em Saúde Coletiva na UFPE. Esta terça-feira, dia 23, foi dedicada ao debate sobre a importância das redes para fortalecer o SGDCA e à discussão sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Após debates em grupo, os 30 artigos da Declaração foram traduzidos na linguagem da literatura de cordel. Cada grupo tratou de seis artigos da Declaração Universal, adotada pelas Nações Unidas a 10 de dezembro de 1948. “Proclamando o que foi dito/ na presente Declaração/ independente de cor, raça ou sexo/ sem nenhuma distinção/ o ser humano tem direito/ ao seu lugar nesta nação”, afirmou o grupo que estudou os artigos 1 a 5. O grupo que tratou dos artigos 6 a 10 destacou: “O povo também precisa/ do Estado ou da Nação/ de um orientador que lhe defenda/ com justiça e dedicação/ é o artigo oitavo/ que garante essa ação”. Nesta terça-feira, também houve o debate sobre o papel das redes no fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e Adolescente (SGDCA). A jornalista Cristine Félix dos Santos, coordenadora do Programa Desenvolvimento Institucional e do Programa Redes e Alianças do Instituto C&A, destacou a importância dos parceiros de uma rede em perceber a complementaridade e interdependência dos processos, dos trabalhos coletivos, vendo que não posso fazer nada sozinho, eu necessito do outro”. Por sua vez, Jaciara Santos Arruda, coordenadora de projetos da Casa de Passagem, de Recife, observou que o trabalho em rede questiona a cultura hierárquica existente no Brasil, pois representa “uma quebra de paradigmas, pelo reconhecimento de ações sistêmicas, horizontais, onde reina a autoridade, sem autoritarismo, e também com flexibilidade, tolerância e solidariedade”. O Fundo Juntos pela Educação foi constituído em 2004, pelo Instituto Arcor Brasil, Instituto C&A e Vitae. A sua missão é prover recursos e estabelecer alianças para a educação de crianças, adolescentes e jovens. O conceito de educação integral praticado pelo Fundo Juntos pela Educação abrange o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões, o que apenas é possível com uma perspectiva intersetorial, com vários parceiros atuando em rede. Com esta perspectiva, o Fundo Juntos pela Educação criou o Programa pela Educação Integral, voltado para apoiar projetos que envolvem a montagem de redes locais, articulando escolas públicas e outros parceiros locais e direcionadas para promover a educação integral de crianças e adolescentes. Três projetos estão sendo apoiados pelo Fundo Juntos pela Educação na Região Metropolitana de Recife, como parte do segundo ciclo do Programa pela Educação Integral, que se estende entre os anos 2011 e 2013. Representantes das escolas, organizações comunitárias e outros parceiros dos projetos reúnem-se regularmente em encontros regionais, para discutir temas de relevância para a educação integral e troca de experiências. O III Encontro Regional de Acompanhamento e Formação do Programa pela Educação Integral, que está sendo realizado em Olinda até hoje, 24 de outubro, tem entre seus objetivos refletir e fortalecer a relação dos projetos com o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA). O encontro também busca potencializar a perspectiva da intersetorialidade na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes e contribuir para o fortalecimento da proposta de atuação em rede. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Redação do Portal Aprendiz
origin_3173198133 Educação

IPÊ abre inscrições para Mestrado Profissional em Conservação e Sustentabilidade 2013

Curso da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade já formou mais de 20 mestres em São Paulo e na Bahia. Pelo sexto ano consecutivo, o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas abre inscrições para mais uma turma do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável. Desta vez, são 15 vagas para o curso regular (intensivo), na cidade de Nazaré Paulista (SP), onde fica a sede do Instituto. As inscrições vão até dia 15 de dezembro, pelo site: www.escas.org.br Realizado pela ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, o curso já formou mais de 20 mestres, em Nazaré Paulista (SP) e em Uruçuca/Serra Grande (Bahia). No curso regular, os alunos precisam morar próximos ao campus (cerca de 100km de São Paulo), já que as aulas são intensivas no primeiro ano. Ao todo, a carga horária é de 840 horas, divididas em Disciplinas Obrigatórias, Optativas e Trabalho de Conclusão, tendo como áreas de concentração Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável. O curso tem como finalidade formar profissionais capazes de realizar ações práticas ligadas à conservação e à sustentabilidade. O mestrado profissional garante a flexibilidade necessária à inovação e os alunos são estimulados a apresentar produtos aplicáveis como trabalhos de conclusão. “Isso tem um grande significado no processo educativo, porque muitos alunos levam seus produtos finais para a sua vida profissional após sua formação e podem contribuir efetivamente para mudanças em prol da sustentabilidade”, afirma Cristiana Saddy Martins, coordenadora da ESCAS. A prática é estimulada durante todo o curso, como na disciplina Resolução de Desafios, que coloca os mestrandos para propor soluções sustentáveis a problemas reais de diversos setores da sociedade. Outro diferencial do curso em Nazaré Paulista é o contato dos alunos diretamente com os pesquisadores do IPÊ, que atuam na área socioambiental há mais de 20 anos e que são docentes no curso, em um ambiente muito favorável ao aprendizado – cercados pela Mata Atlântica, numa área estratégica para a conservação de recursos hídricos e biodiversidade. Edital disponível em: http://www.ipe.org.br/mestrado/edital-2013-nazare-paulista/.


por Assessoria de Imprensa
Maria de Fátima Borges mudou a realidade da EMEF Olavo Pezzotti, em São Paulo, quando todos acreditavam em seu fechamento. Educação

A educadora que reinventou uma escola

[caption id="attachment_68706" align="aligncenter" width="416" caption="Maria de Fátima Borges mudou a realidade da EMEF Olavo Pezzotti, em São Paulo, quando todos acreditavam em seu fechamento."][/caption] Foi por escolha própria que a pedagoga Maria de Fátima Borges de Oliveira veio dirigir a Escola Municipal de Ensino Fundamental Olavo Pezzotti na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.Fátima é moradora do Bom Retiro e atuava como diretora de uma escola no bairro de Pirituba, zona norte de São Paulo quando, em 1997, se candidatou ao cargo de diretora na escola da Vila Madalena. Naquela época, havia rumores de fechamento da escola, tantos eram os problemas que ela enfrentava: baixo número de matrícula de alunos, paredes pichadas e banheiros destruídos. Mesmo com a “má fama da escola”, Fátima fez uma visita e gostou do que viu. “Eu já passei por escolas da rede pública na mesma situação e todas elas tinham um grande problema que o Olavo não tinha: botecos na porta. Por isso fiquei feliz, indiquei a escola e passei.” O dia 2 de fevereiro de 1997 foi seu primeiro dia de trabalho. E ela decidiu colocar em prática os ensinamentos da “cartilha freiriana”: reconheça o território onde você está, descubra quem é a comunidade, o que ela tem, o que ela precisa ter e o que as pessoas gostariam que tivesse. Uma de suas primeiras ações como diretora foi acionar os mecanismos da Prefeitura de São Paulo para a reforma do prédio. “É impossível estar em uma escola em que os banheiros não funcionam e que alaga quando chove. Isso aqui era um barro só.” A reforma terminou em 1999. “E eu não suspendi nenhum dia de aula”, orgulha-se. Aliás, desde a sua posse, ficou terminantemente proibido dispensar alunos. “Só se pegar fogo na escola”, brinca. O principal eixo do trabalho da educadora era resgatar a confiança da comunidade que via a escola com maus olhos. Dizia para os professores: “Não podemos praticar injustiças, não podemos destratar ou desrespeitar uma criança. Ela pode até fazer isso com a gente, mas não podemos fazer igual. Fátima dá aos seus alunos a possibilidade de criticarem os professores e palpitarem nas regras disciplinares. “Temos que dar vez e voz para eles, senão, como é que aprendem?” Maria de Fátima trabalhou na Secretaria Municipal de Educação ao lado do educador Paulo Freire e de Luiza Erundina. “Larguei meu mestrado para este trabalho. Mas hoje vejo que me valeu mais que o diploma. Aprendi muito visitando as escolas, conversando com os professores, elaborando aulas, discutindo projetos.” Com todas essas ações e maneira de trabalhar a educadora conquistou a credibilidade da comunidade, estimulou os professores e, aos poucos, foi criando um ambiente menos hostil para o aprendizado. Saiu batendo às portas de vizinhos em busca de ajuda, o que rendeu parcerias com a Associação Cidade Escola Aprendiz, a PUC  – Pontifícia Universidade Católica,  a USP – Universidade de São Paulo – e a ACM – Associação Cristã de Moços, onde conseguiu apoio para a formação de seus professores. “Eu queria quebrar aquele mito de que ninguém sabe quem é o diretor. Crianças e pais entram em minha sala a qualquer hora.” Foi por causa desse jeito autêntico que passou a ser bem vista por uns e um tanto mal vista por outros. “Alguns me veem como a diretora que não cumpre prazos e que não se dá bem com a papelada, porque minha prioridade é fazer as crianças terem aula. Já outros me veem como a diretora que conhece seus alunos pelo nome, que não deixa nenhum pai sem resposta, que sabe até quem foi o último a perder o dente”, afirma. Antes de ser educadora Maria de Fátima é a filha mais velha de uma família de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Por causa de seu pai, que era militar e não permitia que a filha estudasse, entrou tardiamente na escola, aos 8 anos de idade. Isso aconteceu graças à mudança para a casa de seu avô paterno, onde se alfabetizou em 3 meses. Aos 17 anos, a jovem Fátima já militava na esquerda católica e apoiava a derrubada do regime militar. Ainda na adolescência, virou o amparo da família – o pai havia desaparecido. Para sobreviver, formou-se técnica em contabilidade e conseguiu um trabalho em uma empresa de brinquedos educativos, o que a incentivou a estudar pedagogia. Entrou para a rede municipal de ensino aos 33 anos, por meio de um concurso. Passou entre os 100 primeiros colocados e tornou-se professora de uma escola na periferia de São Paulo, em São Miguel Paulista. A despedida A diretora vem, há anos, mantendo uma rotina de trabalho de mais de 12 horas. “Isso significa alguém que não cuidou da saúde: comecei a fumar por causa do stress, passei por um câncer e dois AVCs, estou com diabetes e hipertensão”, revela. Para descansar e ter mais tempo para cuidar da saúde, Fátima decidiu aposentar-se. “Isso não significa vestir o pijama. Vou diminuir o ritmo, mas não vou parar, quem sabe vou ajudar em alguma EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) ou me voluntariar em alguma ONG que trabalhe com crianças. Antes da chegada do diretor efetivo, que deve acontecer em 2014, Fátima tem o desafio de preparar o professor assumirá seu lugar. Os candidatos já estão apresentando suas propostas e a escolha será feita pelo Conselho de Classe, formado por pais e alunos. “Há uma temeridade de boa parte das pessoas de que a nova pessoa não dê continuidade aos projetos e quebre a relação que a gente tem com a comunidade. E é isso que dá mais trabalho. Aquele ‘jeitinho básico’ de chegar, despachar e pegar a bolsa quando dá o horário, não existe”, finaliza. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Mayara Penina, do Portal Aprendiz
Foto: Vladimir Melnikov / fotolia Biblioteca

Campanha quer zerar déficit de bibliotecas no Brasil

[caption id="attachment_68694" align="aligncenter" width="449" caption="Foto: Vladimir Melnikov / fotolia"][/caption]   Imagine se 24 bibliotecas fossem instaladas diariamente no país até os próximos oito anos. O que seria considerado um sonho para as instituições de ensino é, na verdade, a conta que precisaria ser feita para atender à lei 12.244, sancionada há dois anos, que obriga todas as escolas públicas e privadas a implantarem bibliotecas até 2020. Para dar luz ao tema, o Instituto EcoFuturo em parceria com empresas privadas e organizações civis lançou recentemente a campanha Eu Quero Minha Biblioteca. A ideia é sensibilizar os candidatos e prefeitos eleitos pelas eleições municipais e, principalmente, mobilizar a população para exigir a efetividade deste direito. No ar até 2020, a campanha mantem um portal onde as pessoas podem  encontrar informações sobre a lei,  detalhes sobre os projetos de lei em tramitação que abordem temas relativos às bibliotecas, audiências públicas agendadas, informações sobre como montar essas bibliotecas, quais escolas já criaram as suas e ainda um mapa, em tempo real, que mostra a adesão da população e de candidatos ao movimento. Ao aderir à campanha, os participantes passam a ser informados sobre estratégias que podem e devem ser implementadas no âmbito da política pública local. A ideia é articular uma rede ativa de mobilizadores, promovendo o mesmo impacto social do projeto Ficha Limpa (projeto de lei que teve origem na sociedade e que ganhou espaço na câmara legislativa depois de uma mobilização em massa e foi efetivado). Até agora, mais 800 pessoas em 379 municípios de todos os estados do país já apoiaram a campanha, que também conta com a adesão de mais de 20 parlamentares e 74 instituições. Segundo Christine Fontelles, diretora de educação e cultura do Instituto EcoFuturo e uma das principais idealizadoras da campanha, a implantação das bibliotecas é apenas um dos eixos do grande tema que é a educação para a leitura no Brasil. “Ter o espaço é fundamental mas paralelamente é necessário discutir esse recheio. É preciso assegurar tanto uma arquitetura confortável como profissionais dentro dessas bibliotecas e acervos que conversem com o projeto pedagógico”, afirma. Ainda de acordo com Christine, a preocupação com a leitura no Brasil entrou em pauta há cerca de uma década e vem, pouco a pouco, ganhando uma projeção maior, ainda que não seja tratada de uma forma muito adequada para a efetividade da política pública. “Em muitas regiões, surgem ‘jegue-livro’, ‘carro-livro’, ‘balsa-livro’ ou ‘bicicleta-livro’ buscando dar conta desse déficit”, diz. Cartilha Outra ação da campanha é distribuição de uma cartilha que orienta gestores públicos sobre como acessar recursos para implementar e manter bibliotecas. A publicação traz, por meio de uma linguagem bem simplificada, informações relacionadas a espaço e infraestrutura – com livros em braile e audiolivros –, equipe e atendimento. “Descobrimos que os gestores, muitas vezes, desconhecem as políticas existentes e não fazem sinapses dos  recursos de educação voltados para as bibliotecas”, afirma Christine. A publicação já foi enviada a governadores, secretários estaduais de educação, parlamentares da comissão de educação, imprensa e organizações que fazem parte da coalizão que organiza a campanha. Em 2013, o material será distribuído a todos os prefeitos e secretários municipais de educação. Bibliotecas-parque Um das inspirações da campanha é o modelo realizado pelo país vizinho. Na Colômbia, todas as escolas têm biblioteca e o processo de implementação dessas fez parte de um esforço maior para ampliar a cultura de leitura da população. A proposta integrou um programa nacional de redução da violência, que teve início em Medelín e expandiu para outras cidades como Bogotá (considerada a Capital Mundial do Livro pela Unesco em 2007). “ Essas cidades oferecem um serviço público de referência, mantêm uma infraestrutura de qualidade e são vocacionadas para promover leitura em todas as faixas etárias”, diz Christine. No Brasil, um modelo similar, também inspirado na iniciativa colombina, é realizado há dois anos no Rio de Janeiro. A Biblioteca-Parque, considerada a primeira no Brasil, tem 3.300 metros quadrados e beneficia moradores de 16 favelas de Manguinhos, uma das áreas mais pobres da cidade. Ainda no estado, a Biblioteca Pública de Niterói é a segunda biblioteca-parque, reinaugurada em julho deste ano. A próxima a adotar o modelo será a favela da Rocinha. * Publicado originalmente no site do Porvir.


por Vagner de Alencar, do Porvir
ed4 Educação

Com criatividade e tecnologia, professor desperta interesse de alunos pela física e matemática

Rio de Janeiro – Jogos eletrônicos, filmes em 3D e realidade aumentada, tecnologias que ainda são desconhecidas por parte dos jovens brasileiros. Ao perceber que seus alunos, de Petrópolis, não entendiam o que é um filme em 3D por nunca terem assistido a uma produção com essa tecnologia, o professor de matemática Guilherme Erwin Hartung decidiu mostrar a eles O Fantástico Mundo 3D. O projeto deu tão certo que Hartung recebeu, no ano passado, o Prêmio Professores do Brasil, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). Durante as atividades oferecidas fora do horário das aulas, sem valer nota, 15 estudantes montaram um site com imagens em 3D produzidas por eles mesmos. Antes tiveram oficinas de biologia, para saber como funciona o olho humano, de física, sobre polarização da luz, e, claro, de matemática, para entender e calcular a geometria envolvida na produção das imagens com a sensação de profundidade. Também foram feitas visitas a institutos de pesquisa e a um laboratório de computação, além de participarem de uma videoconferência com especialista em 3D de Hollywood. Tudo graças ao empenho do professor, que também é orientador tecnológico no Colégio Estadual Embaixador José Bonifácio, de ensino médio. “Os alunos gostaram, alguns disseram que a questão da física mudou, tem muito aluno que diz que odeia física, mas, quando vê a física aplicada, uma coisa interessante, palpável, passa a ver a física com outros olhos. A professora de biologia também comentou que os alunos realmente aprenderam o sistema de visão. Em matemática, os 15 que frequentaram o projeto todo realmente aprenderam as razões trigonométricas”, contou Hartung. Para ele, o incentivo de um professor é suficiente para mudar o destino de um aluno. “Com certeza, [entre] os alunos que participaram do [projeto] 3D, muitos falam em fazer faculdade na área de TI [tecnologia da informação], já estão correndo atrás, escolheram faculdade, Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], vestibular. Fiquei feliz porque, não sei se o projeto contribuiu para isso, mas com certeza abriu um pouco a cabeça deles nesse sentido.” Outro projeto desenvolvido por ele no colégio de Petrópolis envolve uma atração irresistível para praticamente todo adolescente: os jogos eletrônicos. O professor observou o quanto é diferente o comportamento do aluno enquanto joga e quando está na escola. “Quando joga, ele 'morre' na mesma fase 100 vezes e continua tentando. Quando ensino matemática e o aluno erra o exercício, fica frustrado e não que mais fazer. Outra coisa é a concentração, quando o adolescente joga está muito focado, o que não acontece na aula. Tem também o desafio, a próxima fase precisa ser mais difícil do que a anterior. Na aula, se você dá um exemplo fácil para entender a mecânica primeiro e dá exemplos mais difíceis, dizem 'está complicando a nossa vida'." A ideia do professor, que tem formação técnica em TI, foi estimular os alunos a produzirem seus próprios jogos. “A única regra que tinha era: esse jogo tem que você vai criar tem que ensinar alguma coisa para alguém”. O professor usou softwares livres e fáceis de trabalhar, em que é possível montar a estrutura de um jogo. Nesse caso, também foram dadas oficinas sobre matemática aplicada, indústria de games, programação, desenho e linguagem visual de um jogo. Com isso, no primeiro ano do projeto foram produzido cerca de 30 joguinhos. “Percebi a melhora de alguns alunos em matemática depois do projeto. O interessante é que muitos dos jogos foram aproveitados pelos professores em sala de aula e alguns foram demandados. Isso é bem inovador, o aluno participar da prática do professor, e também a visão inovadora de usar jogos em sala de aula”. A motivação para Hartung vem do próprio exercício da profissão. “Com o cargo de orientador tecnológico, eu tinha 12 horas e um laboratório de informática, não podia deixar os alunos jogando e entrando no Facebook, então comecei a inventar coisas. Eu tinha que ajudar de alguma forma a melhorar esses índices horrorosos que o Brasil amarga nessas avaliações externas.” Segundo ele, o seu maior incentivo é conseguir despertar no aluno o prazer de aprender. “Eu costumo dizer que eu jogo iscas – tecnologia 3D, jogos, realidade aumentada – para trazer o aluno, para ele pelo menos tentar se envolver com aquilo, com os conteúdos que estão ali por trás. A partir do momento em que ele começa a experimentar, começa a ter essa sensação boa de 'agora eu sei um pouco mais do que eu sabia antes', aí você vê uma transformação interessante.” O professor acredita que a educação no Brasil tem melhorado, mas de uma forma muito lenta. “O ensino médio passou a ser obrigatório, a falta de professor que havia cinco anos atrás já não acontece tanto, as escolas estão com uma estrutura melhor. Mas a motivação dos alunos eu acho que não é grande coisa, pelo contrário, eu acho até que na minha época a gente não era tão desmotivado”. O trabalho do professor Guilherme Erwin Hartung com os alunos do Colégio Estadual Embaixador José Bonifácio podem ser conferidos nos sites http://www.guilhermeeh.blogspot.com.br/, http://petropolis3d.webnode.com.br/ e http://www.fractalmultimidia.blogspot.com.br/, que oferece os jogos desenvolvidos para download. * Edição: Juliana Andrade ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Akemi Nitahara, da Agência Brasil
ed3 Brasil

Lei de Cotas é estímulo para alunos estudarem mais, diz Mercadante

Brasília –  Universidades e institutos federais devem destinar 50% das vagas em universidades e institutos federais para estudantes que frequentaram todo o ensino médio em escolas públicas. A Lei de Cotas, regulamentada pelo Decreto nº 7.824 publicadona segunda-feira (15) no Diário Oficial da União, prevê também critérios complementares de renda familiar e raciais para a distribuição das vagas. "O que o governo pretende com a lei que foi aprovada pelo Congresso Nacional é que, nos próximos quatro anos, metade das vagas de todos os cursos de todas as universidades federais estejam asseguradas para alunos das escolas públicas. O que nós pretendemos é dar oportunidade para esses jovens, dar estímulo para que eles estudem cada vez mais, é que a gente melhore a qualidade do ensino médio", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em coletiva concedida hoje (15) à imprensa para explicar a regulamentação da lei. A Lei de Cotas prevê que, no mínimo, metade das vagas será destinada a estudantes com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo per capita. Para esse cálculo, a portaria estabelece a exclusão na renda familiar de programas sociais, como o Bolsa Família, Pró-Jovem e demais programas de transferência condicionada de renda implementada por estados ou municípios. Alunos que cursaram todo o ensino médio em escola pública e têm renda maior que 1,5 salário mínimo por família também podem participar da cota. Na questão racial, pelo texto publicado no Diário Oficial, a “proporção de vagas no mínimo igual à da soma de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação do local de oferta de vagas da instituição, segundo o último Censo Demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, será reservada, por curso e turno, aos autodeclarados pretos, pardos e indígenas” Ficam excluídos da Lei de Cotas o aluno que cursou parte do ensino médio em escola particular ou aquele que tentar ingressar nas cotas dos institutos federais de ensino técnico de nível médio e estudou parte do ensino fundamental em escola particular. Os resultados obtidos pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderão ser utilizados como critério de seleção para ingresso dos alunos cotistas nas instituições. “Isso [a Lei de Cotas] vai estimular os alunos da escola pública a estudar, a disputar o Enem. Em todos os cursos eles terão a possibilidade de acessar. É uma política gradativa e vai estimular a valorização da escola pública”, disse Mercadante. Para Mercadante, as escolas militares, que também entram na Lei de Cotas e são conhecidas pelo alto rendimento dos alunos, não vai impactar de forma negativa no número de vagas. “As escolas militares somam 1% das matrículas – todas juntas -  é muito pequeno em torno do universo [das escolas públicas do país]”, disse o ministro. Segundo Mercadante, 1,8 milhão de alunos estão concluindo o ensino médio em 2012 e podem se encaixar na Lei de Cotas. Além deles, todos os alunos que já concluíram e estudaram em escolas públicas podem se tornar cotistas. O ministro disse que o Enem, que será realizado nos dias 3 e 4 de novembro, já terá observado o critério regulamentado pela Lei de Cotas. A implementação da lei será acompanhada por meio de um comitê. As instituições de ensino terão, a partir de hoje, prazo de 30 dias para iniciar a implementação das disposições determinadas pelo Ministério da Educação. As reservas serão graduais, 25% das cotas por ano, ou  12,5% das vagas totais. O prazo final para adequação das instituições é 30 de agosto de 2016. A Lei de Cotas tem validade até 2022. O Ministério da Educação vai criar programas de  assistência financeira ao aluno cotista. Segundo o ministro, terão prioridade aos recursos alunos de cursos integrais. O ministério pretende ainda estimular programas de apoio aos cotistas nas universidades. "Esses alunos terão que ter uma tutoria. Muitas vezes vão ter que ter cursos especiais para garantir o desempenho e também para que eles se formem junto com os demais estudantes. Eles vão ter que estudar muito", disse. * Edição: Fábio Massalli ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Heloisa Cristaldo, da Agência Brasil
ed2 Crianças

Embora maioria considere importante, apenas 37% leem para crianças

Segundo pesquisa da Fundação Itaú Social sobre leitura infantil, realizada em parceria com o Datafolha, 96% dos brasileiros consideram importante ou muito importante incentivar a leitura entre crianças de até cinco anos de idade. Apesar disso, apenas 37% afirmaram ler para crianças, comportamento que reproduz a experiência que esses adultos tiveram na infância. Segundo a pesquisa, 60% dos entrevistados afirmaram não ter vivenciado a leitura durante sua infância, mas gostariam que alguém tivesse lido para eles. Para a pesquisa foram ouvidas 2.074 pessoas com mais de 16 anos de idade de 133 municípios de todo o Brasil. “O nosso objetivo foi medir a percepção sobre a importância da leitura para crianças pequenas, mas também o envolvimento do adulto nessa tarefa”, declarou o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias. De acordo com o vice-presidente, a pesquisa é uma das ações da campanha que reconhece no estímulo à leitura uma oportunidade para que a sociedade se mobilize em torno dos direitos da criança e do adolescente. “Lutamos por essa causa porque muitos estudos já mostraram que a leitura na primeira infância pode ajudar muito no desenvolvimento dessas crianças”, completou. Ampliação do vocabulário e do repertório da criança, maior senso crítico, criatividade estimulada e mais facilidade para escrever estão entre os benefícios da leitura para as crianças. De acordo com estudo do economista James Heckman, ganhador do prêmio Nobel de Economia, uma criança de 8 anos que é incentivada a ler domina cerca de 12 mil palavras, três vezes mais do que uma criança que não tenha recebido o mesmo estímulo. A pesquisa também questionou os entrevistados sobre por quais razões eles consideram importante incentivar uma criança a ler: 54% citaram o desenvolvimento intelectual e cultural; 36% acreditam que a leitura na infância ajuda na formação educacional e na criação do hábito de ler; 10% dos entrevistados apontaram o desenvolvimento de valores éticos como principal razão; enquanto 9% apontaram o desempenho no mercado de trabalho. Já dos 4% que responderam considerar pouco importante ou que não reconhecem razão para que crianças de até 5 anos leiam, 79% disseram que a criança ainda é muito nova, está na idade de brincar e, segundo alguns, a leitura poderia “enjoar” as crianças de estudar antes mesmo de frequentar a escola. Segundo a gerente de projetos do Instituto Pró Livro, Zoara Failla, tal percepção é equivocada. “A leitura também é uma forma de brincar. A criança vai se divertir com as ilustrações e com as pequenas frases que podem ser lidas pelo adulto. É um momento de familiarização, de descoberta. Basta ver como os pequenos pedem a repetição de uma boa história para ver como esse contato é lúdico”, afirmou. A discrepância entre o reconhecimento da importância da leitura para crianças pequenas e sua prática revela, para Márcia Quintino, coordenadora de Mobilização Social da Fundação Itaú Social, uma lacuna a ser preenchida. Para a coordenadora, é preciso convidar o adulto a ler para as crianças, um desafio que pertence a toda sociedade. “Para a criança, o espaço doméstico é privilegiado e a leitura só aumenta a qualidade do tempo que se passa em família”, disse Márcia. Acesso gratuito a títulos infantis A Fundação Itaú Social está promovendo campanha nacional de incentivo à leitura na infância com o objetivo contribuir para uma educação de qualidade, direito fundamental de toda criança. Pais, educadores, voluntários de instituições sociais e demais pessoas que aderirem à mobilização têm acesso gratuito a uma coleção com três títulos recomendados por especialistas em literatura infantil: Lino, de André Neves (Editora Callis); Poesia na varanda, de Sônia Junqueira (Editora Autêntica); e O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, de Don e Audrey Wood (Editora Brinque-Book). Os interessados podem solicitar a coleção gratuitamente nesta página. * Publicado originalmente no site Blog da Educação.


por Redação do Blog da Educação
ed1 Ensino Superior

Seis em cada dez universitários querem abrir o próprio negócio

O empreendedorismo está em alta entre os universitários brasileiros. Segundo a pesquisa “Empreendedorismo em Universidades Brasileiras”, realizada pela Endeavor – instituto transnacional voltado à promoção e incentivo aos novos negócios – seis a cada dez universitários têm interesse em abrir o próprio negócio. Abrir um negócio próprio requer, além de dedicação e trabalho, um preparo específico para a área escolhida. “Para ter sucesso na carreira é preciso estudar, ler bastante, ter contato com diversos empreendedores, buscar informação sobre como iniciar um negócio, participar de organizações estudantis, além de estagiar em start-ups”, destaca Amisha Miller, gerente de Pesquisa e Políticas Públicas da Endeavor. De acordo com ela, é necessário capacitar melhor os interessados para que sejam empreendedores de sucesso. A pesquisa detectou que, entre os empreendedores, 41% leem livros sobre como abrir um negócio – índice que cai para 31% entre os potenciais interessados, mostrando uma baixa adesão aos estudos e preparos para quem quer “botar pra fazer”. Habilidades A gerente ressalta que ações empreendedoras não são dotadas de uma previsão exata. Ela lembra que os iniciantes na área precisam desenvolver diferentes habilidades, tais como flexibilidade para lidar com o cliente, visão global do cenário de atuação, além de um aprendizado aliado à prática. “Os bons cursos focam numa teoria aplicada. É importante aprender desde o começo que se depende do cliente, o que também torna as variáveis mais imprevisíveis”, ensina. Para Amisha Miller, é preciso aprofundar e disseminar o ensino do empreendedorismo no Brasil. “Os cursos de educação empreendedora ainda são muito superficiais e concentrados nas áreas mais próximas ao tema, como administração”, destaca. Uma sugestão é que as aulas voltadas ao assunto sejam transdisciplinares, englobando diferentes graduações, uma vez constatado o interesse por alunos de diferentes cursos. Ainda que a educação empreendedora nas universidades esteja avançando, apenas 39,7% dos estudantes afirmaram que já cursaram uma disciplina ligada ao empreendedorismo. O modelo ideal de aprendizagem, segundo Miller, é o que traz casos reais para estudo em sala de aula, ao mesmo tempo em que promove a participação dos alunos em empresas juniores, mantidas pelas próprias organizações dicentes. Entre as atividades universitárias – divulgar o que a própria faculdade já promove a respeito e trazer empreendedores experientes para dar o seu relato em sala de aula – a pesquisa demonstra que apenas 6,3% das universidades brasileiras têm essa prática, contra 71,4% na média mundial. “É importante mostrar que é difícil”, pondera Anisha Miller. As três maiores causas do fracasso de empreendedores no Brasil, destaca Miller, são a falta de conhecimento em gestão, de capacidade em saber planejar, e um comportamento inadequado à manutenção do negócio. “São razões que têm menos a ver com o mercado e mais com a formação do profissional”, completa. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Flávio Aquistapace, do Portal Aprendiz

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