Disciplina de ciências será incluída na Prova Brasil

Educação

Disciplina de ciências será incluída na Prova Brasil


por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil


Brasília - A partir deste ano, estudantes do ensino básico terão que responder a questões de ciências na Prova Brasil. A prova é aplicada no 5º e 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio e atualmente apresenta questões de português e matemática. A inclusão foi comunicada nesta segunda-feira (8) pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante em evento em São Paulo. De acordo com o ministro, na primeira edição, a prova de ciências servirá apenas para avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os resultados não serão computados na média geral do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). A Prova Brasil é aplicada a cada dois anos e é utilizada como subsídio para o cálculo do Ideb. O índice é utilizado pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade das escola e das redes de ensino do país. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

Integrantes do Fórum Nacional de Educação discutem a organização da Coane. Foto: Letícia Verde/ MEC Educação

Fórum Nacional de Educação aprova documento “Cenário da Educação Nacional”

[caption id="attachment_84140" align="alignleft" width="300" caption="Integrantes do Fórum Nacional de Educação discutem a organização da Coane. Foto: Letícia Verde/ MEC"][/caption] Brasília - Os integrantes do Fórum Nacional de Educação (FNE) reuniram-se hoje (10) pela primeira vez após o lançamento da Conferência Nacional da Educação (Conae) em Brasília, na Câmara dos Deputados. O fórum é composto por mais de 30 entidades representantes da sociedade civil e do poder público. Na reunião foi aprovada a publicação do documento Cenário da Educação Nacional, que servirá de apoio aos debates em todas as conferências preparatórias, municipais e intermunicipais. O documento apresenta dados e diretrizes que servem de complemento ao documento-referência O PNE na Articulação do Sistema Nacional de Educação – Participação Popular, Cooperação Federativa e Regime de Colaboração publicado pelo fórum no final do ano passado. O novo documento será disponibilizado no site do FNE nos próximos dias. Ambas as publicações, assim como as discussões que serão levadas à Conae, têm como referência o Plano Nacional de Educação (PNE), que direciona as políticas para a área nos próximos dez anos. O PNE está atualmente em discussão no Senado Federal. "O objetivo da conferência é discutir o PNE, os seus desdobramentos nos estados e municípios, assim como os planos estaduais e municipais", diz o coordenador do FNE, Francisco das Chagas Fernandes. "O PNE tem pontos que são difíceis de encaminhar, como por exemplo o financiamento da educação. Tanto a Conae 2010 quanto a Câmara dos Deputados aprovaram a destinação de 10% do PIB [Produto Interno Bruto] para a educação. Agora o que está sendo discutido é quais fontes vão garantir que possamos chegar a essa meta". A Constituição Federal determina que sejam destinadas à educação 18% da receita de impostos da União e 25% da receita de impostos dos estados, do Distrito Federal e municípios. De acordo com o documento-referência do FNE, "estudos mostram que a vinculação mínima não assegura o montante de recursos para superar os problemas educacionais do Brasil". Atualmente, o país investe 5,7% do PIB no setor. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defende que o complemento necessário para atingir a meta de 10% venha dos recursos dos royalties do petróleo e dos rendimentos do Fundo Social do Pré-Sal. No entanto, os recursos podem não ser suficientes. Segundo Chagas Fernandes, o FNE está debatendo propostas alternativas de financiamento que serão divulgadas "mais para frente". A Conae ocorre do dia 17 ao dia 21 de fevereiro de 2014, em Brasília. A partir da discussão nacional será elaborado um documento com propostas de políticas públicas para melhorar a educação no país. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil
Indicadores de acesso à saúde, ao emprego e à participação política melhoraram nas comunidades que adotaram a proposta. Educação

Escolas da Espanha investem no diálogo com a comunidade para renovar aprendizagem

[caption id="attachment_84129" align="alignleft" width="300" caption="Indicadores de acesso à saúde, ao emprego e à participação política melhoraram nas comunidades que adotaram a proposta."] [/caption] Surgidas na Espanha, por volta de 1995, as chamadas Comunidades de Aprendizagem tomaram pra si um desafio já conhecido entre os brasileiros: superar o fracasso educacional e reverter os baixos índices de aprendizagem. Com foco tanto no aspecto instrumental do saber, quanto nos laços da comunidade com a escola, a metodologia aplicada hoje em 120 instituições de ensino colhe os resultados de uma educação fundada no diálogo e na participação. De acordo com Marta Soler, doutora do departamento de Teoria Sociológica, Filosofia do Direito e Metodologias das Ciências Sociais da Universidade de Barcelona, a interação é uma das principais chaves para melhorar o aprendizado. “A criança aprende quando está em contato com pessoas que a ajudam a criar um repertório mais completo”, afirma. Para que isso aconteça, a comunidade em torno da escola precisa ser constantemente requisitada, tanto em atividades pedagógicas colaborativas quanto nas decisões do dia a dia. Nas Comunidades de Aprendizagem espanholas, pais de estudantes, lideranças comunitárias e até ex-alunos são convidados a contribuir para o sucesso escolar de todos. Leitura e Interação Nesta concepção de ensino, a leitura assume um papel fundamental, na medida em que constitui um dos espaços privilegiados da escuta e do diálogo na elaboração da fala, da participação, e da capacidade argumentativa. De acordo com Marta, “leitores estão naturalmente numa cadeia de diálogo, estabelecendo comparações entre o que se lê e o já lido, aguçando seu senso crítico e reflexivo”. Em sala de aula, a proposta de espaços de convivência e aprendizagem entre estudantes e comunidades se converte em três atividades. Tratam-se das “Tertúlias dialógicas”, os “Grupos interativos” e as “Bibliotecas tutoradas”, com periodicidade semanal. A primeira são rodas de leitura de clássicos universais adaptados para crianças. A mediação acontece tanto por professores quanto por voluntários comunitários. O principal objetivo é que todos participem relacionando o que foi lido com suas próprias vivências e, pouco a pouco, passem a compartilhar suas percepções, contando qual importância teve aquele contato com a leitura. [caption id="attachment_84130" align="alignright" width="260" caption="Marta Soler: "A criança aprende quando está em contato com pessoas que a ajudam a criar um repertório mais completo"."][/caption] Os “Grupos interativos” são dinâmicas nas quais a turma é dividida em quatro subgrupos e cada um deve cumprir um exercício sobre o conteúdo estudado durante a semana. Cada tarefa dura por volta de 20 minutos, quando então os estudantes mudam para o desafio seguinte. Cada subgrupo conta com um tutor – algum dos voluntários da comunidade – que acompanha os trabalhos. “Foi observado que, com a presença dos pais na escola, as crianças tendem a se esforçar mais para aprender, ganhando tanto em aspectos instrumentais quanto na convivência”, explica a diretora do Crea. Já as “Bibliotecas Tutoradas” são visitas monitoradas à biblioteca da escola, no turno oposto ao das aulas, para estudos orientados e reforço escolar promovido pelos próprios alunos, com supervisão de voluntários e também da própria equipe da biblioteca. Nestes momentos acontece o encaminhamento de pesquisas ou mesmo a constituição de grupos de estudo específicos sobre um determinado assunto. Transformações Marta Soler aponta que, em todas as escolas da Espanha que o projeto foi aplicado, houve melhora do desempenho nas avaliações nacionais. Além disso, em questionários respondidos pelas instituições, também são mencionadas as transformações nos vínculos sociais da comunidade. “Os indicadores de acesso à saúde, ao emprego e à participação política melhoraram nas comunidades que adotaram o projeto, situados normalmente em locais de alta vulnerabilidade social”, finaliza. As Comunidades de Aprendizagem foram tema do 3º Encontro Internacional sobre Comunidade de Aprendizagem, realizado pelo Instituto Natura na última quinta-feira (11/4), em São Paulo, com participação de Marta Soler, Roseli Mello e demais convidados. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz. 


por Flávio Aquistapace, do Portal Aprendiz
O estudo revela um crescimento da população indígena em relação ao Censo 2000, quando 294 mil pessoas se declararam indígenas. | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil Educação

IBGE lança estudo “O Brasil Indígena”

[caption id="attachment_84125" align="alignleft" width="300" caption="O estudo revela um crescimento da população indígena em relação ao Censo 2000, quando 294 mil pessoas se declararam indígenas. | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil"][/caption] Brasília – Em comemoração ao Dia do Índio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou a publicação O Brasil Indígena, que traz a síntese dos dados demográficos da população indígena sistematizados pelo Censo do IBGE/2010. O documento, produzido em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), foi lançado nesta quinta-feira (18), no Memorial dos Povos Indígenas. A publicação será distribuída em escolas, instituições públicas e instituições que trabalham com os povos indígenas. O Censo 2010 contabilizou 896 mil pessoas que se declaram ou se consideram indígenas. O estudo revela um crescimento da população indígena em relação ao Censo 2000, quando 294 mil pessoas se declararam indígenas. De acordo com a publicação, o crescimento se deve ao “número de pessoas que se reconheceram como indígenas, principalmente nas áreas urbanas do país”. “A publicação demonstra a recomposição demográfica dos povos indígenas no Brasil e mostra o quanto eles contribuem para a formação do povo brasileiro”, disse a presidente da Funai, Marta Azevedo. Na ocasião também foi aberta a mostra Arte Karajá – Iny Bededyynana, que traz a produção da cultura material do povo Karajá, com destaque para a ritxoko, cerâmica produzida pelas mulheres da etnia e que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do Brasil em 2012. Com cerca de 3.000 mil indivíduos, o povo Karajá é originário da Bacia do Rio Araguaia, entre os estados do Tocantins, do Pará, de Mato Grosso e Goiás. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Luciano Nascimento, da Agência Brasil
Foto: http://noticias.universia.pt/ Educação

Profissionais de bibliotecas de comunidades pacificadas do Rio terão aulas de literatura na ABL

[caption id="attachment_83411" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://noticias.universia.pt/"][/caption] Rio de Janeiro - A Academia Brasileira de Letras (ABL) vai treinar mão de obra para as bibliotecas do Serviço Social da Indústria (Sesi) em 11 comunidades pacificadas do Rio de Janeiro. Também serão treinados profissionais das bibliotecas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A capacitação será feita em dois cursos que serão abertos na próxima segunda-feira (15), às 9h, na sede da ABL, pela presidenta da Academia, Ana Maria Machado. As aulas serão ministradas até agosto pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), entidade com a qual a ABL assinou convênio no último dia 8. Os auxiliares de bibliotecas do Sesi, que farão o curso, foram selecionados nas próprias comunidades: Providência, Andaraí, Cidade de Deus, Formiga, Macacos, Morro Azul, Tabajaras, Santa Marta, São Carlos, Borel e Fazendinha. Para eles, a ênfase será nos autores da literatura infantil brasileira. Já para os que atuam nas bibliotecas do Senai, voltadas para os jovens, o foco será nos temas universais da literatura. Segundo a presidenta da ABL, a instituição tem aberto suas portas para a valorização da literatura e para a formação de leitores. “Pretendemos com esses cursos contribuir para a qualificação profissional dos bibliotecários e auxiliares de biblioteca, como mediadores de leitura e de literatura para as crianças e jovens brasileiros”, disse Ana Maria Machado. De acordo com a ABL, serão 80 horas de aulas em cada um dos cursos, incluindo uma visita ao 15º Salão da FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, previsto para junho, no Rio de Janeiro. Nos cursos será aplicado o conhecimento adquirido pela FNLIJ em sete anos de preparação de professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro No primeiro, voltado para os profissionais de bibliotecas do Sesi e das comunidades pacificadas, serão estudadas as obras de nove escritores de literatura infantil brasileira, entre eles Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Ziraldo, Lygia Bojunga e Sylvia Orthof. No segundo, os profissionais das bibliotecas do Senai receberão orientações sobre temas literários que interessam aos jovens. * Edição: Aécio Amado. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Paulo Virgilio, da Agência Brasil
Paulo Freire. Foto: Divulgação/Internet Educação

Acervo digital disponibiliza obra de Paulo Freire

[caption id="attachment_83405" align="alignleft" width="185" caption="Paulo Freire. Foto: Divulgação/Internet"][/caption] O Centro de Referência Paulo Freire, dedicado a preservar e divulgar a memória e o legado do educador, disponibiliza vídeos das aulas, conferências, palestras e entrevistas que ele deu em vida. A proposta tem como objetivo aumentar o acesso de pessoas interessadas na vida, obra e legado de Paulo Freire. Para os interessados em aprofundar os ensinamentos freirianos, o Centro de Referência também disponibiliza artigos e livros que podem ser baixados gratuitamente. Educação como liberdade Internacionalmente respeitado, os livros do educador foram traduzidos em mais de 20 línguas. No Brasil, tornou-se um clássico, obrigatório para qualquer estudante de pedagogia ou pesquisador em educação. Detentor de pelo menos 40 títulos honoris causa (concedidos por universidades a pessoas consideradas notáveis), Freire recebeu prêmios como Educação para a Paz (Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (Organização dos Estados Americanos, 1992). “Defendo a educação desocultadora de verdades. Educando e educadores funcionando como sujeitos para desvendar o mundo”, dizia Freire. A educação como prática da liberdade, defendida por ele, enxerga o educando como sujeito da história, tendo o diálogo e a troca como traço essencial no desenvolvimento da consciência crítica. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Redação do Portal Aprendiz
ensino Educação

“O papel da educação é subverter as regras”

[caption id="attachment_83352" align="alignleft" width="200" caption="Jorge Larrosa, doutor em Filosofia da Educação"][/caption] O professor da Universidade de Barcelona e doutor em Filosofia da Educação, Jorge Larrosa Bondía, acredita que a educação é um lugar de recomeço do mundo e de refúgio da infância, um momento de acolher as crianças e iniciá-las na relação com o mundo. “A educação tem a ver com amor e responsabilidade. É o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumir a responsabilidade por ele e o renovamos com a chegada dos mais novos.” Com diversos livros publicados, Larrosa realizou estudos de pós-doutorado no Instituto da Educação na Universidade de Londres e no Centro Michel Foucault, da Sorbonne, em Paris. Ele defende que as instituições e procedimentos educativos sejam menos padronizados e lidem melhor com o imprevisível, já que a infância traz consigo a possibilidade do recomeço, mais do que um compromisso com a continuidade. “O nascimento é capturado por essa ideia de futuro e as crianças são colocadas na disposição de continuar um tempo. O futuro é, talvez, a imagem fundamental do Ogro. Digo, a figura do Ogro consiste em educar as crianças do ponto de vista do futuro de outra coisa que não as crianças. Elas têm que ser o futuro da economia, do Brasil, da democracia, da igualdade. Transformamos as crianças na gênese de um futuro que não é o delas, mas de outra coisa que passa por elas.” A figura do Ogro, que transforma as crianças no futuro da sociedade, é sempre ruim? Jorge Larrosa – O Ogro é um sequestrador de crianças. Essa figura é ambivalente, assim como o amor. Todos nós sabemos bem que há amores que matam. O amor é ambíguo e o gesto de sequestrar crianças também é ambíguo. O pedagogo é, etimologicamente, o escravo que conduzia as crianças à escola. Não era o professor, era o sujeito que arrancava as crianças de casa. Mas é um transportador benigno, porque encaminha as crianças. Os Ogros não são todos bons, mas os amores tampouco são bons. É a ambivalência que constitui a vida. As mesmas palavras, as mesmas instruções, os mesmos objetivos podem funcionar em uma direção maligna ou em uma direção benigna. A vida é um pouco complicada. Como é possível vencer as dificuldades personificadas no Ogro? Larrosa - Essa pergunta pressupõe que o Ogro está fora e por isso é necessário guardar a porta, quando a instituição educativa já foi constituída por um Ogro. Ele está dentro, não fora. O papel da educação é subverter as regras, os procedimentos e as maneiras de fazer. Pensar em como é possível inventar novas formas de fazer no interior de um jogo que está cada vez mais prescrito. Não sei aqui, mas na Espanha a tarefa dos professores é cada vez menos autônoma, cada vez há mais maneiras de ensinar, avaliar e aprender que eles não desenharam. O que eles fazem é aplicar políticas alheias. Há uma enorme desqualificação profissional. Ensinam a eles como implementar maneiras de fazer, não maneiras de participar. Os modos estão cada vez mais pautados. Acho que há cada vez menos espaço para propor jogos que vão um pouco contra o previsto. Mas se não fazemos isso não há educação, há outra coisa. Há Mickey Mouse, corporações, futuro do Brasil, da economia, pleno emprego e outras coisas. Mas educação é estabelecer uma relação entre as crianças e o mundo. No Brasil, Estado, igrejas e empresas estão envolvidas na educação. Como distinguir Ogros de acolhedores da infância? Larrosa – Essa distinção é muito difícil. Os rituais mudam, as formas mudam, mas a lógica, no fundo, é a mesma. O Ogro é muito sedutor. Vivemos em um mundo de palavras e elas são muito enganosas. Todos nós jogamos, vendemos e usamos palavras bonitas: “crítica”, “autonomia”, “futuro”, “inovação” e não sei o que mais. Mas as palavras mentem muito. O Ogro é aquela figura ambígua, é impossível saber se é bom ou mau. Sobretudo, é impossível saber se prestamos demasiada atenção ao que ele diz. Temos que ver o que ele faz, depende do contexto. Essa sensibilidade para as aparências é uma capacidade muito importante. Igrejas, pessoas públicas, privadas, todos trabalham para a infância, mas temos que ver o que fazem, a materialidade concreta das atuações, prestar atenção aos discursos que colocam uma boa intenção atrás da outra. Estabelecemos uma espécie de concorrência para demonstrar quem tem mais boas intenções. Então, a educação tem que ser crítica. Sim. E sustentável. Sim. E também sensível à perspectiva de gênero. E inclusiva. E vamos colocando várias coisas até que alguém diz “etc.”, mas poderia prosseguir indefinidamente. É uma espécie de combate estranho. Creio que as boas intenções não devem ser declaradas, porque acabam virando mercadorias. [caption id="attachment_83353" align="aligncenter" width="550" caption=""O Ogro é aquela figura ambígua, é impossível saber se é bom ou mau.""][/caption]   Como é possível gerar autonomia e consciência crítica no processo de ensino? Larrosa – Falar, como pensar, é escolher palavras. E escolher palavras é também eliminar palavras. A palavra “crítica” é uma que eu praticamente não utilizo, porque está muito vinculada a algum tipo de juízo. Tem a ver com avaliação, “gosto ou não gosto”, “me agrada ou não agrada”. Não sou muito capaz de fazer a oposição. A negação nunca me interessou muito, porque ela te faz prisioneiro daquilo que critica, de alguma maneira. Portanto, creio mais na interação e na afirmação do que na negação e na crítica, mas essa é uma coisa minha. E com a palavra “autonomia”, o que acontece é que, em nossa época, as palavras que são da onda da liberdade, “emancipação”, “autonomia”, todas têm um pouco a ver com a constituição dos sujeitos como clientes. É uma lógica um pouco clientelar que está começando a dominar nosso mundo. Eu sou professor e vejo que a universidade está cada vez mais privatizada. Não porque seja pública ou privada, mas porque cada vez mais considera os alunos como clientes. Essas são palavras que me incomodam um pouco. No entanto, ao mesmo tempo, continuo firmemente convencido de que a educação tem a ver com construir sujeitos que sejam capazes de falar por si mesmos, pensar e atuar por si mesmos. Não diria tanto em ser os donos de suas próprias palavras, porque as palavras não têm dono, mas sujeitos que sejam capazes de se colocar em relação com o que dizem, com o que fazem e com o que pensam. Eu não estou certo de que isso seria autonomia. Mas sei que continuo firmemente convencido de que a educação, se é emancipadora em algum sentido, tem a ver com dar as pessoas a capacidade de pensar por si mesmas. O que deveríamos fazer com nossas preocupações com o futuro? Larrosa - O discurso pedagógico moderno está todo constituído sobre essa noção de futuro. A educação seria um instrumento para construir um mundo mais democrático, mais tolerante, justo, igualitário, melhor. Essa é uma forma discursiva quase automática. Mas não foi sempre assim. A educação foi entendida, durante séculos, como a transformação de cada um, uma espécie de ascese pessoal, um trabalho sobre si mesmo que teria mais a ver com abandonar o mundo do que pertencer a ele. E há um momento em que a transformação de si vira a transformação do mundo e a educação vira o instrumento. Isso tem uma data de começo e seguramente tem uma data para terminar. Mas o que me parece interessante é observar a concepção de infância. As crianças eram entendidas como sujeitos naturais que precisam ser introduzidos à cultura e à língua. A infância era uma espécie de figura do natural que tem de ser domesticada. Mas a figura moderna da infância é outra, onde ela é a matéria prima para construir um mundo distinto. A infância vira o ponto zero de um processo de desenvolvimento ou de aprendizagem. E a infância não é nem a matéria prima para a realização de nossos ideais nem esse ponto zero de um processo de desenvolvimento psicológico. A infância tem a ver com a possibilidade de começar. Por isso falamos tanto dos “novos”. As crianças são “os mais novos”. E aí pode ocorrer algo interessante, que é o acontecimento, o imprevisível. A educação trabalha com a projeção, mas ao mesmo tempo deve ser sensível ao imprevisível, porque senão não aceita o acontecimento, não aceita a novidade, o que escapa ao projeto. O mundo nunca será como nós gostaríamos que fosse. Graças a Deus. Porque justamente nessa tensão entre o previsível e a introdução de um outro é que está o trabalho educativo. É fundamental fazer planos, mas ao mesmo tempo é fundamental saber que os planos nunca se realizam. Como lidar com a infância quando ela ocorre fora das condições de garantia de direitos e desenvolvimento?  Larrosa - Outro automatismo no discurso contemporâneo é que a escola tem que dar conta das condições particulares de cada criança, trabalhar com tudo aquilo que as condiciona e as determina. A lista de especialidades é interminável: condições sociais, culturais, intelectuais, cognitivas, psicológicas. No entanto, a minha ideia é a educação como refúgio incondicional, receber as crianças não em função daquilo que as determina, mas lidar com o indeterminado e que cada um possa se separar de suas próprias condições. Eu creio que esse funcionamento, da educação como um contra destino, só pode acontecer se as crianças não são determinadas pelo que as condiciona, mas por suas possibilidades. Não pelo que as determina, mas pelo que as indetermina. A educação trabalha com as potências, não com as condições. Claro que há crianças ricas, pobres, grandes, negros, deficientes, com a família desestruturada etc. Mas eu acredito que devemos ser um pouco indiferentes, não prestar muita atenção a isso. Temos que dar atenção às potências, não às impotências. E o educador às vezes está muito preso fazendo a lista das condições, das impossibilidades. Quais caminhos os profissionais da educação devem percorrer para estarem aptos a responder às novas demandas? Larrosa – Não sei muito bem, porque isso muda muito depressa. Estou na academia há anos, já vi muitos paradigmas entrarem e caírem muitas vezes. Hoje em dia os termos “inclusão” e “exclusão” tem uma grande força. Nos anos 70 e 80 se falava em “inadaptação”. Na faculdade era “análise da inadaptação social”. Os paradigmas teóricos e as soluções são substituídos rapidamente. Acho que isso obedece a lógica de mercado. Para vender, temos que inventar formas de trabalhar que transformem em obsoletas as que já existem. Por isso não sei bem. Mas posso dizer que os educadores estão perdendo capacidade profissional, ou seja, perdendo a capacidade de serem responsáveis por suas próprias decisões. Creio que temos que defender a responsabilidade do educador, a possibilidade de inventar coisas e também de fracassar, de se equivocar, de aprender de novo. Não sei se isso acontece aqui, mas na Espanha os professores estão cada vez mais clonados e substituíveis. Se vestem igual, falam igual, se comportam igual, o mesmo sorriso, parece que vão ao mesmo dentista, aprenderam os mesmos métodos. São cada vez mais prescindíveis. Deveríamos reclamar um pouco pelo direito à diferença, à invenção, a não jogar o que todo mundo joga, não sorrir como todo mundo sorri, não falar como todo mundo fala, não formular projetos como todo mundo formula projetos. Vou a debates em São Paulo, Lisboa, Bogotá e é uma sensação muito estranha: as pessoas falam das mesmas coisas, quase com as mesmas palavras. Há uma homogeneização tremenda. Porque não deixamos que as pessoas façam um pouco o que lhes parece melhor? Que pensem e que proponham. Caso se equivoquem, tudo bem, porque as políticas públicas, que têm tanto dinheiro, boas intenções e assessores, também fracassam. Portanto, nós corremos os mesmos riscos que ministros, secretários e grandes instituições. Jorge Larrosa Bondía falou no Seminário Educação Integral: Crer e Fazer, em ocasião da 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, ocorrido nos dias 2 e 3 de abril, em São Paulo. * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Camila Caringe, do Portal Aprendiz
Foto: Andriy Dykun / Fotolia Educação

A reforma na educação precisa de velocidade

[caption id="attachment_83387" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Andriy Dykun / Fotolia"][/caption] "A reforma na educação é ampla, complexa e precisa acontecer com mais velocidade", defendeu a educadora Cybele Oliveira, homenageada ontem à noite no evento Empreendedor do Ano, da Ernst Young & Terco. "O momento da educação brasileira exige atenção, investimentos e esforços concentrados para as mudanças que desejamos", enfatizou a líder o Icep (Instituto Chapada de Educação e Pesquisa), vencedora do prêmio Empreendedor Social 2012, realizado pela Folha em parceria com a Fundação Schwab. Hoje, revelou a educadora, apenas 54% dos estudantes do 5º ano (antiga 4ª série) concluem essa etapa do ensino fundamental plenamente alfabetizados. "Ou seja, quase metade dos estudantes brasileiros na faixa etária de 9 anos de idade ainda não consegue ler, interpretar o que lê e tampouco escrever textos de autoria. Não preciso dizer aqui o quanto isso é grave", afirmou.   "Enfrentamos ainda o desafio da qualificação da formação inicial e continuada dos educadores. Em nosso país, não temos formação inicial para professores que ensinam no fundamental 1. Os currículos dos cursos de licenciatura estão longe de garantir o conhecimento didático, o saber como se ensina", disse. O Icep, lembrou Cybele, defende que uma educação pública e gratuita de qualidade é resultado de um compromisso coletivo, que envolve desde os pais e os professores aos secretários de educação e aos prefeitos, passando pela iniciativa privada. 'Uma Histólia' [caption id="attachment_83389" align="alignleft" width="300" caption="Kailane, 2, escreve história em atividade escolar"][/caption] "Afirmo, sem medo de errar, que, nos municípios em que o Icep atua, a educação é prioritária. Quando começamos, 80% das crianças da região não concluíam a 1ª série (hoje 2º ano) alfabetizadas. Hoje, a proporção se inverteu: 80% das nossas crianças concluem a sua alfabetização inicial no período certo." Ao final, emocionou os presentes com a história de Kailane, filha de pais agricultores, mostrando a foto da menininha entretida com um papel e uma caneta, aos 2 anos de idade. Na casa dela, na zona rural, essa cena não era comum nem entre crianças nem entre adolescentes e adultos, contou Cybele. "Mas, quando perguntei 'O que você está escrevendo', ela respondeu: 'uma histólia'." "Hoje Kailane tem 7 anos de idade e, graças ao trabalho de um grupo de educadores comprometidos, ela e seus colegas da mesma idade seguem lendo e escrevendo histórias cada vez melhores.'' "Por isso, se quisermos colocar a educação brasileira no patamar onde ela precisa estar, é preciso rever o lugar dos educadores neste país, é preciso que a educação esteja também em suas mãos, garantindo condições e oportunidades", finalizou. * Publicado originalmente no site Prêmio Empreendedor Social/Folha de S. Paulo.


por Prêmio Empreendedor Social
Foto: http://catracalivre.com.br/ Educação

Táxi também é cultura

[caption id="attachment_83368" align="aligncenter" width="530" caption="Foto: http://catracalivre.com.br/"][/caption]   Adoro aqui falar e apoiar ideias simples que ajudam a convivência numa cidade – sem gastar nada ou quase nada. Numa cidade como São Paulo é normal passar muito tempo num táxi. Por que não transformar o táxi num ponto de leitura de livros? Dessa pergunta, quem sabe está nascendo uma gigantesca biblioteca móvel. A experiência começou na Vila Madalena, criada pelo Instituto Mobilidade Verde, comandada por Lincoln Paiva. O bairro foi convidado a deixar livros no táxi. Agora, porém, ganha dimensão graças às novas tecnologias da informação. É um dispositivo chamado Easytaxi, que, pelo celular ou computador, nos permite chamar o táxi mais próximo. E podemos acompanhar o trajeto do veículo pela tela. São milhares que táxis que já usam esse dispositivo em várias cidades brasileiras. Ocorre que o Easytaxi está recolhendo livros e montando uma pequena biblioteca dentro do veículo. O passageiro que quiser leva o livro para casa. E é convidado (mas não obrigado) a deixar em outro táxi, para formar uma corrente. Se você quiser doar livros, basta mandar um email para contato@easytaxi.com.br Se forem mais de duzentos livros, o projeto está disposto a fazer a coleta. De táxi, claro. * Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz. ** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Gilberto Dimenstein*
Foto: Divulgação/ Internet Educação

Estudante de baixa renda fica isento da taxa de vestibular em instituição federal

[caption id="attachment_83430" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Divulgação/ Internet"][/caption] Brasília – Estudantes de baixa renda que cursaram todo o ensino médio em escola pública não precisam mais pagar taxa de inscrição em vestibulares de instituições federais. A isenção está garantida pela Lei 12.799, de 10 de abril de 2013, publicada na edição de ontem (11) do Diário Oficial da União. Há instituições federais que já adotam isenção total ou parcial para alunos de baixa renda e, com a lei, a gratuidade passa a ser obrigatória. Para ter a isenção total da inscrição nos processos seletivos, o candidato precisa comprovar que atende cumulativamente às exigências da lei: ter renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral na rede privada. A lei estabelece ainda que, em outros casos, as instituições federais de educação superior podem adotar critérios para isenção total ou parcial do pagamento de taxas de inscrição de acordo com a carência socioeconômica dos candidatos. A Universidade Federal de Goiás (UFG) é uma das instituições em que o estudante que cursou o ensino médio em escola pública e que faz parte de família com renda mensal de até um salário mínimo por pessoa pode se inscrever para requerer isenção na inscrição para o vestibular. A UFG oferece um número determinado de vagas para conceder a isenção. A taxa de inscrição do vestibular é R$ 130,00. As universidades federais da Bahia e de Pernambuco, por exemplo, também têm processos de gratuidade. Elas adotavam critérios próprios. * Edição: Graça Adjuto. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Yara Aquino, da Agência Brasil

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Falta de lixo em Oslo, Noruega, pode comprometer geração de eletricidade. Pouca produção de resíduos de outros países pode afetar usinas.

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Derretimento de geleiras não-polares causa 30% da elevação do mar. Dado foi apresentado em estudo na revista ‘Science’.

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Austrália quer proibir fertilização do oceano com sulfato de ferro. Método reduziria acidificação e combateria efeitos da mudança do clima.

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Já pensou em vender ou comprar sobras de comida através da internet? Esta é a ideia da plataforma virtual Shareyourmeal, uma forma interativa de combater o desperdício de alimentos. Saiba mais aqui.

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CET de São Paulo abres inscrições para o curso “Pedalar com Segurança”. Saiba mais.

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Cerca de 62% dos acidentes da exploração de petróleo offshore aconteceram em plataformas com mais de trinta anos. Novo site do Greenpeace vai monitorar ocorrências no pré-sal.

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Unesco critica Austrália por riscos ambientais na Grande Barreira de Coral

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Estudo calcula benefícios de árvores urbanas dos Estados Unidos. Parques absorvem carbono emitido e poupam US$ 1,5 bilhão por ano.

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Países amazônicos criam órgão de defesa e pesquisa para proteger a floresta, que será responsável pela gestão sustentável dos recursos da floresta

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Desmatamento e degradação de florestas na Amazônia atinge área de 175 km² entre março e abril. O levantamento é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.