Código Florestal e crise na Europa podem cair na Fuvest

Vestibular

Código Florestal e crise na Europa podem cair na Fuvest


por Redação Portal Aprendiz


Temas da atualidade servirão de linha condutora de questões sobre geografia, inglês e até história na segunda fase da Fuvest, que começa neste domingo. Da bolsa de apostas dos professores constam os acontecimentos mais marcantes de 2011, como a crise econômica na Europa e nos Estados Unidos, a Primavera Árabe e, no Brasil, a reforma do Código Florestal. O supervisor de geografia do cursinho Anglo, porém, alerta os estudantes para o perfil da prova. “Os conceitos da ciência geográfica não são deixados de lado. A banca só usa assuntos atuais como pano de fundo”, diz Paulo Roberto Moraes. Segundo o professor de história do Colégio Stockler Jackson Farias, a Fuvest busca analisar a postura dos candidatos perante os “grandes episódios”. “O estudante deve redigir um texto crítico e profundo, mas não enciclopédico, sobre o que lhe é solicitado.” Ele ressalta a importância de se ler atentamente os enunciados para entender os comandos, que variam entre “comparar”, “analisar” e “explicar”. Lúcia Helena de Souza, docente de inglês no Cursinho da Poli, diz que caem duas questões de sua matéria na etapa discursiva da Fuvest, com questões feitas em português. “O candidato deve encontrar textos que saíram em publicações britânicas ou americanas.” A segunda fase vai de domingo a terça-feira. Estão em disputa 10.852 vagas na USP e 100 na Santa Casa. Cerca de 31,5 mil estudantes estão classificados. Veja mais dicas para as questões de geografia da 2.ª fase da Fuvest: Rui Calaresi Professor de geografia do Cursinho da Poli 1. Até sexta-feira, os candidatos podem fazer uma revisão leve dos conteúdos, não aprofundar os estudos; 2. A prova do segundo dia tem questões interdisciplinares. Geralmente, geografia cai com história e biologia; 3. Já a prova específica, no terceiro dia, costuma versar sobre a questão ambiental e a geografia econômica; 4. Aposto em questões baseadas na reforma do Código Florestal, ou problemas ligados a enchentes, ou uso de agrotóxicos no campo; 5. Mas não basta saber o fato em si. O aluno precisa relacionar o conhecimento dos assuntos à ciência geográfica. Paulo Roberto Moraes Supervisor de geografia do cursinho Anglo 1. Não abra os livros e cadernos no sábado. A véspera da prova é para descansar e se concentrar; 2. A Fuvest não faz uma prova de conhecimentos gerais do que tem sido notícia nos jornais, mas usa temas da atualidade para cobrar a ciência geográfica; 3. A prova é bem equilibrada entre temas da geografia do Brasil e mundial; 4. O novo Código Florestal e a construção da Usina de Belo Monte podem cair, assim como as revoltas no mundo árabe; 5. A atividade vulcânica no Chile, por exemplo, pode motivar uma questão sobre a estrutura geológica do cone sul. Veja mais dicas para as questões de história da 2.ª fase da Fuvest: Elias Feitosa Professor de história do Cursinho da Poli 1. Tome a primeira fase como referência para saber o que pode ser abordado na prova da segunda etapa. O que já caiu provavelmente ficará de fora; 2. Por exemplo: não caíram Antiguidade Clássica, Brasil Colônia e Brasil Império, nem história da América; 3. As respostas precisam ser organizadas: ter começo, meio e fim. São como mini-redações; 4. A banca quer respostas concretas, objetivas, sem floreios. Ela não quer saber se você decorou nomes e datas; 5. No terceiro dia as questões trazem mais recursos visuais, como mapas, pinturas e fotografias. Jackson Farias Professor de história do Colégio Stockler 1. Se quiser revisar o conteúdo nas vésperas, faça questões que já caíram nas provas de segunda fase dos últimos anos; 2. A hora não é de procurar em livros didáticos assuntos que você acha que não sabe; 3. A prova quer que o aluno tenha postura crítica frente aos grandes episódios da história; 4. Mesmo a prova do terceiro dia não costuma ser muito específica, ou seja, não exigem do aluno conhecimento profundo da matéria; 5. Preste atenção nos comandos dos enunciados. As questões podem pedir que você comente, explique, compare e analise, por exemplo. Veja mais dicas para as questões de inglês da 2.ª fase da Fuvest: Patrícia Senne dos Santos Supervisora de inglês do cursinho Anglo 1. Só cai inglês no segundo dia de provas. São duas questões e uma delas é sempre baseada em texto. A outra pode ser feita a partir de um cartum ou tirinha; 2. O texto vem de publicações prestigiosas, como a Time, a Newsweek, a Economist; 3. Leia a pergunta antes de ler o texto, porque ela já sinaliza o que você deve buscar. 4. Antes de ler o texto, também preste atenção à fonte e à data de publicação, ao título e aos recursos não verbais; 5. Deve cair um texto sobre um acontecimento marcante do ano passado. E não se preocupe em traduzir todas as palavras, porque o contexto sugere o que os trechos obscuros para você podem significar. Lúcia Helena de Souza Professora de inglês do Cursinho da Poli 1. O aluno pode esperar um texto que circulou em jornais ou revistas britânicos ou americanos por volta de julho do ano passado; 2. Portanto, fique de olho em temas em discussão naquela época do ano; 3. Não se apavore diante de vocabulário novo. Se você entender o contexto, acaba sabendo o que as palavras desconhecidas podem significar; 4. As respostas, em português, não precisam ser longas; 5. É legal que, na resposta, você escreva um trecho traduzido do texto.   * Publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo e retirado do Portal Aprendiz.

11 Inclusão

Escola paraense aponta soluções para comunidade reduzir o lixo

O projeto Consumo Consciente: Agir e Viver por um Mundo Melhor foi criado para mostrar como deve ser feito o manejo do lixo, não apenas na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândida Santos de Souza, mas também no bairro Distrito Industrial, onde a instituição está situada, em Ananindeua, Pará, na região metropolitana de Belém. Desenvolvido pela pedagoga Alcilene Costa de Magalhães, professora de informática educativa, o projeto busca soluções para diminuir o acúmulo de lixo na cidade. O trabalho é feito por meio de campanhas educativas e oficinas de reciclagem para o manejo adequado dos detritos. “As campanhas e oficinas têm o objetivo de sensibilizar a comunidade para a importância de cuidar do lixo e dar a ele um local apropriado, além de praticar ações de consumo consciente, dizendo não ao desperdício”, explica Alcilene. Há 15 anos no magistério, a professora já trabalhou com alunos da educação infantil e do ensino fundamental em instituições de ensino particulares de Belém. Também foi coordenadora pedagógica da educação de jovens e adultos durante dez anos em escola da rede estadual. A fim de mostrar à comunidade as boas iniciativas de combate à degradação do meio ambiente, os envolvidos no projeto executaram diferentes atividades. Uma delas, o manejo do lixo no bairro, sob o lema Diga Não ao Desperdício. Outra, a proposta Vamos Cuidar do Nosso Lixo, de prevenção contra os resíduos jogados no chão. Foi feito ainda um apelo por mudanças de comportamento entre as pessoas. De acordo com Alcilene, nas ações de combate ao acúmulo do lixo na comunidade, os estudantes chamaram a atenção do público para a preservação do meio ambiente. Eles destacaram a importância de conservar a escola como patrimônio público e o lugar no qual vivem. “Com esse trabalho de informação e sensibilização na comunidade, executamos as propostas de cuidar do meio ambiente”, afirma. “E, cuidando do meio ambiente, estamos cuidando de nós mesmos.” Cidadania – O projeto abrangeu iniciativas de cidadania voltadas para a informação e a sensibilização da comunidade escolar, executadas no decorrer do ano letivo. No primeiro semestre, foram realizadas ações interdisciplinares para discutir o tema lixo no bairro. Entre elas, reuniões, sessões de vídeo e passeios para visualização dos problemas ocasionados pelo acúmulo de lixo. Professores e alunos executaram tarefas de diversas disciplinas – português, história, geografia, inglês, ciências e educação física. Os alunos de quinta a oitava séries do ensino fundamental visitaram a comunidade em torno da escola e conversaram com os moradores para explicar o problema e indicar formas de melhorar o manejo do lixo no bairro. No segundo semestre, foram realizadas ações de combate ao acúmulo de detritos. “Os alunos da sexta e da sétima séries informaram à comunidade sobre os prejuízos causados pelo lixo em nossa vida e como podemos colaborar para que todos vivam em paz com o manejo e a coleta seletiva”, ressalta Alcilene. O projeto é executado desde 2009. A cada ano, ganha novas ações. Segundo Alcilene, ele se fortaleceu em 2011. “Na ação Plante uma Árvore, realizada no fim deste ano, conseguimos 250 mudas de plantas ornamentais e frutíferas”, destaca. Na gincana ambiental, promovida em setembro, foram recolhidas cinco mil garrafas plásticas. “A coleta ultrapassou nossa expectativa.” Na visão da professora, trabalhar com projetos ajuda na evolução do aluno e a alcançar as metas. “Educamos para a cidadania e para a prática do consumo consciente”, diz. “Os resultados estão sendo gratificantes.” * Publicado originalmente no site do Ministério da Educação.


por Fátima Schenini*
10 Linguagem

Sistema braile é ferramenta para garantir direito à leitura

No último dia 4 de janeiro foi  comemorado o Dia Mundial do Braile. O sistema é um dos principais meios de acesso das pessoas com deficiência visual à leitura e à escrita. O Ministério da Educação (MEC), por intermédio do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Instituto Benjamin Constant, em parceria com Estados e municípios, vem desenvolvendo ações de educação para universalizar o direito de acesso à leitura e ao conhecimento pedagógico. Entre 2009 e 2011, o governo federal investiu recursos de R$ 5,7 milhões para a reestruturação e a modernização dos 55 centros de apoio pedagógico para o atendimento à pessoa com deficiência visual (CAP) e Núcleo de Apoio Pedagógico e Produção Braille (NAPPB), e aumento de sua capacidade de produção. Também foram investidos R$ 3,2 milhões em financiamento de livros didáticos, paradidáticos e complementos para alunos com deficiência visual, matriculados em turmas regulares. Com o objetivo de promover o atendimento educacional especializado, no contraturno escolar, em 2009 e 2010, foram montadas 2.125 salas de recursos multifuncionais tipo II, com recursos de acessibilidade para alunos com deficiência visual. Está prevista para 2012 a distribuição de 1.500 conjuntos de acessibilidade específicos para escolas com matrícula de alunos com deficiência visual. O total do investimento dessa ação ultrapassa R$ 26 milhões. A partir de 2012, as secretarias estaduais de educação poderão capacitar educadores para produção de material acessível para estudantes com deficiência visual e para o atendimento educacional especializado. Uma vez identificada a carência desses profissionais, o Estado poderá oferecer cursos por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR), do MEC. Em 2009 e 2010 foram produzidas e distribuídas 88.321 obras em braile para escolas regulares. Os livros acessíveis são escolhidos com base no Guia de Livros Didáticos pelas escolas regulares dos sistemas de ensino e pelos professores, com base na proposta pedagógica da escola. Quando ocorrem matrículas de pessoas com deficiência visual, é solicitada automaticamente a produção e o envio do livro em braile para o aluno cego, que deve ser o mesmo adotado para o restante da turma. MECDaisy – O MECDaisy, programa de computador brasileiro que permite converter textos no formato internacional Daisy (Digital Accessible Information System – Sistema de Informações Acessíveis Digitais), traz o sintetizador de voz, ou narrador, e instruções de uso em português brasileiro. A versão nacional foi desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por solicitação do MEC. Após a conversão, o MECDaisy permite o manuseio do texto sonoro de maneira semelhante ao texto escrito, como folhear, consultar o índice, pesquisar e adicionar comentários. O programa pode ser obtido gratuitamente pela internet. Em 2012, estarão em produção 228 títulos de obras didáticas do quinto ao nono anos do ensino fundamental em formato MECDaisy. Já estão concluídas 126 obras para distribuição a alunos com deficiência visual matriculados nas redes regulares de ensino, segundo o censo de 2010. Para garantir a acessibilidade, entre 2009 e 2011 foram entregues às escolas com alunos com deficiência visual do quinto ao nono anos 3.756 laptops acessíveis. * Publicado originalmente no site do Ministério da Educação.  


por Diego Rocha*
Joichi Ito. Mídia

Não há nada que não seja afetado pela internet

Joichi Ito desistiu duas vezes da faculdade, diz não se adaptar ao esquema tradicional de ensino e tem atração por coisas tão diversas quanto aulas de mergulho e tecnobrega (sim, o do Brasil). Defende que as empresas, como faz o Google, deem tempo livre aos funcionários para que eles aprendam a pensar além de seu dia a dia, mas acha que não virão das megacorporações as próximas grandes sacadas. Empreendedor, investiu no Twitter quando ele não era trending topic, ajudou a pôr de pé o portal de blogs Global Voices muito antes da Primavera Árabe, e mostra mais entusiasmo hoje com a China do que com seu Japão natal ou com os Estados Unidos, que adotou. Desde abril, Ito, 45, zero diploma superior e energia infinita, dirige o Media Lab. A instituição multidisciplinar, que surgiu há 26 anos no MIT (Massachusetts Institute of Technology) na vanguarda da revolução digital, hoje está na linha de frente da inovação, tecnologia, educação, urbanismo ou o que der na telha de seus pesquisadores. A Folha conseguiu fazê-lo parar por 40 minutos, durante uma viagem de trabalho a Miami, para uma conversa via Skype. Eis a entrevista. O senhor se define como um autodidata. Como foi sua educação básica? [caption id="attachment_38381" align="alignleft" width="294" caption="Joichi Ito."][/caption] – Eu nasci no Japão, minha primeira língua é o japonês. Me mudei para os Estados Unidos quando tinha dois anos. Até os dois primeiros anos de ensino médio, estudei em escolas públicas norte-americanas. Depois me mudei de volta para o Japão com minha mãe para o terceiro ano em uma escola internacional norte-americana. Fui para a Universidade Tufts estudar ciência da computação, mas larguei depois de um ano e meio. Comecei a trabalhar em um laboratório de computação, quando um professor da Universidade de Chicago me convenceu a ir para lá para estudar física. Mas eu larguei o curso, de novo, para me tornar DJ. Algo no ambiente acadêmico o desagradava? J.I. – Sempre tive interesse em redes de computação e as usava na escola para tentar encontrar pessoas interessantes e dialogar com estudantes e professores. Eu já estava aprendendo um bocado por conta própria por meio dessas redes. Na escola, eu sabia mais sobre computação do que eles podiam me ensinar. Quando fui para a universidade, aprendi mais sobre física pela internet, com os professores que eram meus amigos, do que em aulas. Eu não gostava do modelo de aulas expositivas e preferia o modelo mais interativo da internet. Eu tinha pontuações muito boas nos exames, mas tirava notas ruins porque não ia às aulas. Comecei a maioria dos clubes extracurriculares no Japão. Um monte deles: luta, debates e coisas assim. Era bem empreendedor. No ensino médio, fui votado como o mais propenso a ter sucesso, mas minhas notas não eram muito boas. Não acho que meu problema fosse com a escola, necessariamente. Eu tinha um tipo de personalidade particular. As crianças que se saem muito bem na educação formal, em geral, são estudantes que têm habilidade de planejar. São aqueles capazes de pensar “daqui a 20 anos estarei fazendo tal coisa”. Mas a maioria das crianças não pensa as coisas tão em longo prazo. Eu não era assim quando era jovem. Basicamente, meu problema era questionar “por que estou aprendendo isso se não sei ainda o que vou ser quando crescer?”. Eu queria aprender coisas que eu pudesse usar logo em seguida. A minha personalidade era assim e era frustrante para mim ser obrigado a aprender algo só porque era parte do plano. Eu não tinha o meu plano. Eu sou instrutor de mergulho agora. Adoro ensinar mergulho a crianças porque tenho de ensinar vários conceitos de física, química e matemática a elas. Isto é muito legal, porque elas sabem que uma hora depois vão cair na piscina e usá-los efetivamente. E quando você aprende as coisas na piscina, já está imaginando como vai aplicá-las quando estiver no mar. Cada porção de conhecimento que você adquire lá tem uma aplicação direta. Tudo é construído sobre algo que já está planejado, então você sempre pode dizer aos alunos para que estão aprendendo determinada coisa. Até mesmo os estudantes mais distraídos aprendem, porque ficam concentrados nos objetivos quando são submetidos a esse tipo de aprendizado. Para a maioria das crianças, acho que esta é uma forma melhor. É preciso ter um tipo especial de cérebro para ser capaz de pensar “estou estudando isso para que eu possa aplicar esse conhecimento daqui a dez anos”. Minha irmã era assim. Uma estudante nota A, muito inteligente, e hoje com dois doutorados. Mas, no Media Lab, estou tentando pensar em como estimular o pensamento criativo e o aprendizado para os outros tipos de estudantes. Como esse ambiente do Media Lab pode ser reproduzido em escolas e empresas para que as pessoas deem o seu melhor? J.I. – Minha crença é de que é cada vez mais difícil planejar as coisas, por causa da maneira como o mundo está. Todos os dias você lê no jornal uma notícia sobre algo que afeta o seu negócio e que você não tinha previsto. Uma coisa que todos temos de fazer é ensinar as pessoas a pensar de maneira ágil. O tipo de ensino que temos no Media Lab é uma maneira muito boa de criar ensino rigoroso nesse ambiente dinâmico. Mas o Media Lab é um pouco extremo. Talvez não seja a melhor coisa que todos no mundo adotem a abordagem do Media Lab, mas é possível que haja versões dela para serem aplicadas. A coisa que o Google faz, de dar 20% do tempo aos funcionários para fazerem outras coisas, foi inventada anos atrás, na 3M. A ideia de que as pessoas devem ter uma certa percentagem de seu tempo para fazer coisas sem nenhuma ligação com sua tarefa talvez seja uma maneira boa de fazê-las pensar fora do plano. Não há o risco de deixar as pessoas se distraírem demais? J.I. – Se você tiver um dia por semana em que deve se dedicar a algo não planejado, você pode segmentar isso por tempo ou por recursos, mas o importante é permitir isto àqueles que queiram. Não acho que as pessoas tenham de ser forçadas a isso. Mas muitas pessoas querem ter a possibilidade de, dentro de certos parâmetros, trabalhar fora do plano. O pior cenário é o de empresas como algumas que eu conheci no Japão. Todas as reuniões são reuniões convencionais, como a reunião semanal de administração ou a reunião mensal de contabilidade. Eu tenho um amigo que não tem tempo em sua agenda para nenhuma reunião que não seja reuniões recorrentes pré-planejadas. São reuniões em que ele encontra sempre as mesmas pessoas. É claro que ninguém vai conseguir mudar o rumo de alguma coisa assim. No Media Lab, em contraposição, quase tudo é extraplanejamento. Mas eu acho que mesmo um ambiente mais convencional precisa ter um pouco disso. Algumas empresas dedicam 10% do tempo a trabalhos fora de plano, algumas 15%, outras 20%. É importante para criar um processo em que a energia das pessoas e as suas ideias possam ser executadas. Isso se aplica a qualquer tipo de negócio? J.I. – Hoje todos os tipos de negócio requerem inovação. Antigamente, não era algo crucial, porque as coisas não mudavam muito. Você poderia trabalhar a vida inteira como sapateiro sem que nada no seu ofício mudasse. Hoje, não existem mais negócios que não estejam sendo afetados de alguma maneira pela internet e pela globalização. Mudar é necessário. O que as empresas e a academia podem fazer para estimular a inovação nesse contexto? J.I. – John Seely Brown escreveu um livro interessante, The Power of Pull, para mostrar como a inovação acontece marginalmente e não é planejada de modo centralizado. Então, acho que é mais uma questão de descobrir o que as empresas podem fazer para se tornarem plataformas mais abertas a esse processo. Isto requer mudanças na arquitetura da comunicação e da alocação de recursos, mais do que investimentos específicos em X, Y ou Z. Quando falamos em abertura, em geral se associa isto ao licenciamento aberto, ao uso de softwares open source, ao uso de conteúdo aberto como Creative Commons. Mas eu acho que esse processo também se trata de abrir suas fronteiras para a comunicação, em vez de recorrer ao departamento de relações públicas para qualquer coisa. A indústria do videogame sabe fazer isso muito bem. Eles deixam os desenvolvedores conversarem diretamente com os clientes. Existem fóruns que reúnem jogadores e desenvolvedores trabalhando junto constantemente. Os jogadores acabam se tornando alguns dos melhores desenvolvedores e “testadores” de games. Este processo também tem relação com o marketing em mídias sociais, mas é importante notar que as pessoas não confiam mais em platitudes como os press releases. Você ganha confiança quando as pessoas conseguem falar diretamente com quem está trabalhando em um problema em particular. Abertura aos acionistas e mais transparência estão conectados à ideia de transparência governamental também. Do ponto de vista da universidade, é importante tentar mudar a imagem de um contêiner para a de uma plataforma. É isto o que tentamos fazer no Media Lab. Também tentar envolver diferentes instituições e diferentes acionistas em projetos. O modelo de financiamento do Media Lab é muito particular, aliás. J.I. – Sim. Eu ainda estou tentando fazer mais mudanças para criar uma nova versão daquilo que fazemos. Eu estou deixando de usar a palavra “patrocinador” para usar a palavra “membro” e estou tentado criar uma rede em vez de manter uma relação distanciada com os patrocinadores. Além disso, precisamos fazer mais colaborações com outras instituições. Se você olha para a maneira com que os governos financiam a inovação, você vê a maior parte do dinheiro indo para os desafios grandiosos – projetos enormes para solucionar algum problema específico em vez de verbas pequenas se multiplicando. Isto força as organizações a trabalharem mais em colaboração. O Cern, por exemplo, possui dez mil cientistas trabalhando em muitas coisas diferentes. Ele mostra que agrupar as coisas em torno de grandes desafios é interessante, porque apesar de o Cern ser um enorme laboratório de física, ele é extremamente interdisciplinar. Eu tive uma conversa muito interessante com Rolf Heuer, diretor do Cern, e me dei conta de que a comunidade lá é similar à do Media Lab, porque eles tiveram que construir um grupo muito interdisciplinar para sustentar suas pesquisas. Isto é interessante porque, de certa forma, o Media Lab faz o oposto. Nós não temos um problema que estejamos querendo solucionar, mas temos muitos processos similares aos do Cern. Então, entre as questões que são importantes para mim, está a de como o Media Lab pode se envolver em projetos como os do Cern. Nicholas Negroponte diz que a revolução digital já se encerrou. Qual é o próximo front? J.I. – Temos muitos. Quando Nicholas disse que a revolução digital se encerrou, acho que isto significa que uma fase importante da revolução digital, a era de conferir poder aos indivíduos, se encerrou. Agora estamos falando em coisas como participação, redes e coisas como fabricação (fabrication), medicina e educação. Tudo isso foi tremendamente impactado pela revolução digital que ocorreu anteriormente e pela revolução das redes que ocorre agora. O que estamos fazendo é criar novas maneiras de inovar e aprender. Todas essas coisas foram causadas pela revolução digital e pela revolução da rede. Nós estamos entrando em um mundo pós-produção em massa, onde a pesquisa e a inovação ocorrem de baixo para cima e de modo descentralizado. O Media Lab é definido mais por um processo e uma filosofia do que por algum campo específico. O Media Lab pode se aplicar a praticamente tudo que foi afetado pela revolução digital. O senhor tem algum projeto favorito no Media Lab? J.I. – Meu projeto favorito é o Media Lab em si, é tentar descobrir como criar esse ambiente chamado Media Lab. Como um investidor do mercado de capitais, eu tinha um portfólio de empresas e não imaginava que o Twitter seria aquela que ia decolar. Alguns projetos podem parecer óbvios no começo e de repente começam a ficar interessantes. Acho importante não julgar demais a pesquisa nos estágios precoces. Se você tem alguém entusiasmado e disposto a se dedicar e a aprofundar algo, vale a pena esperar para ver. É claro que, se tudo terminar em fracasso, é preciso reconhecer e se livrar disso logo. Eu gosto de muitas coisas aqui, claro. Adoro os trabalhos sobre aprendizagem, como o do grupo de Leah Buechley e o de Mitchel Resnick. Mas para mim todos os trabalhos são fascinantes e o projeto ao qual eu me dedico é o Media Lab como um todo. Como o senhor escolhe um projeto? O que está emergindo como a próxima grande sacada? J.I. – Se você observar a minha trajetória, eu suspendi aquilo que eu chamo de pilha (stack), que é a camada técnica. Então, comecei com a rede e trabalhei com páginas de internet, busca, publicidade e agora mídia, jornalismo, política... Escrevi um estudo chamado Democracia Emergente em 2003 e trabalhei em muitos comitês sobre o impacto da mídia digital em democracia. O Global Voices teve um envolvimento com a Primavera Árabe. Não estava fazendo política, mas estava envolvido com política. Agora, a próxima fase da minha vida inclui coisas como educação, arte e criatividade em um nível mais abrangente. Estou em Miami agora porque estou no painel da Fundação Knight. Estou deixando de operar organizações sem fins lucrativos para ajudar as pessoas a achar maneiras de financiar essas organizações. Talvez seja a minha idade... Este é um grande desafio. J.I. – Sim, porque há limites sobre o que você pode fazer por meio de mecanismos tradicionais de marketing e capitalismo. E também há limitações no modo com que as fundações funcionam. Existem muitos projetos importantes que temos de financiar, mas que ainda carecem de um bom modelo para tal. Minha próxima área é tentar descobrir como incentivar as pessoas a iniciarem projetos e como encorajar outras pessoas a financiá-los. O Media Lab é interessantíssimo para mim, porque ele é um modelo interessante para financiar novas ideias. Os Estados Unidos ainda são o grande centro mundial de inovação. O senhor acha que outros países podem ganhar mais destaque nesse cenário? O Brasil está adiantado em projetos de software aberto e de colaboração, por exemplo. J.I. – Acredito que o Brasil, a China e a Índia terão um impacto tremendo muito em breve. Nós teremos algumas empresas chinesas se juntado ao Media Lab em breve. Eu sou velho o bastante para me lembrar de encontros que tive com pessoas antigas da Honda. Eles estavam no grupo que “roubou” várias ideias de Detroit e soube trabalhá-las para transformar a Honda numa líder em vez de uma seguidora. Vejo o mesmo tipo de mentalidade hoje na China, onde há grandes empresas que estão dominando mercados depois de copiar os norte-americanos. Eles estão começando a investir em pesquisa e desenvolvimento, agora, porque se deram conta de que já são líderes. Então, para mim, isso tudo faz lembrar o Japão. Mas, hoje, infelizmente, diversos problemas estruturais do Japão o impedem de continuar a liderar isso. Mas com a China deve ser diferente. O senhor já esteve no Brasil? J.I. – Eu vou ao Brasil em novembro como conferencista da ExpoManagement. Estive no Brasil várias vezes representando a Icann e o Creative Commons. Assim como na área do open source, há uma tremenda energia no Brasil e na América Latina. Uma coisa ótima é que vocês não são pressionados por instituições antigas, como Hollywood e outras. Isto significa que vocês podem experimentar modelos alternativos para distribuir entretenimento e arte. No espaço do conteúdo para cultura, especialmente, o Brasil é promissor. Vocês têm um grande mercado para esporte, música. Não sei se ainda é algo popular, mas eu andei estudando a história de coisas como o tecnobrega e a cena de música eletrônica, onde o dinheiro é gerado pelos eventos e não pelas vendas de CDs. Isto é uma coisa interessantíssima, que nunca poderia ser experimentada em lugares como o Japão, a Europa ou os Estados Unidos. E o conteúdo é uma parte importante da tecnologia. Se você analisa a Sony, eles usam os seus negócios na área de conteúdo de maneira estrategicamente conectada a seus negócios em tecnologia. O Brasil tem recursos naturais culturais que permitiriam fazer isso. César Hidalgo, pesquisador chileno que é um dos nossos melhores jovens talentos, está mapeando o crescimento do poder de competitividade de diversos países. Os tipos de relação que o Media Lab pode ter com empresas e instituições brasileiras, chinesas e indianas são áreas de foco importantes para mim. O que o sr. acha do Sopa? J.I. – O Sopa (Stop Online Piracy Act, projeto de lei da Câmara dos Estados Unidos contra pirataria online) é, obviamente, ruim. No Creative Commons, recentemente, eu estava conversando bastante com a Wipo (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Nas audiências em Washington, ouvimos também a indústria fonográfica, a RIAA (associação norte-americana das gravadoras), e a cinematográfica, a MPAA (associação norte-americana dos produtores de cinema). E está acontecendo algo interessante. Eles estão começando a concordar em parte conosco. Ambos estão dizendo publicamente que acham aceitável que os artistas tenham direito de escolher. Tive muitas conversas com Cary Sherman, da RIAA. Hoje escutamos empresas mais conservadoras dizendo “a Wipo está muito liberal, então vamos adotar medidas antifalsificações”. Não poderão contar com a MPAA e a RIAA para levar adiante essas políticas mais duras. As pessoas mais sofisticadas estão chegando à conclusão de que todos podem jogar no mesmo campo. O próprio YouTube está pagando a empresas e artistas. O que acontece é que ainda há esses extremistas fazendo lobby para levar adiante essa proposta maluca. Não acredito que qualquer pessoa equilibrada que tenha estudado o assunto possa concordar com essa proposta. É incrível ver quanta atração esse tipo de coisa tem. Existe uma versão similar do projeto de lei em Hong Kong. O problema aqui é que muitas pessoas copiam os Estados Unidos. Acho que o Sopa é uma coisa muito problemática, não faz sentido e foi escrita por pessoas que não entendem o que estão fazendo. Existe uma maneira de tratar essa questão sem cair em extremos? O Creative Commons seria uma? J.I. – É importante fazer com que iniciativas como o Creative Commons sejam mais integradas em produtos. A indústria do entretenimento cultiva a crença de que as pessoas são ruins por natureza. E as pessoas trabalhando com a internet acreditam que as pessoas são todas boazinhas. Eu acredito que se você der às pessoas a oportunidade de entender o que é o copyright e de não violarem a lei, elas não o farão, desde que você dê a elas uma maneira fácil de pagar um preço justo pela música. Eu acredito que as pessoas têm respeito pelos autores. Uma das razões pelas quais o Napster deixava as pessoas tão entusiasmadas é que ele permitia encontrar músicas que não estavam à venda em lugar nenhum. O que muitas pessoas chamavam de pirataria era na verdade promoção. A indústria de games começou vendendo fichas que davam direito a assentos em máquinas de fliperama. Era um negócio imobiliário. Depois começaram com videogames domésticos e o negócio passou a ser voltado para o copyright. E depois, com a internet, começaram a se transformar mais num negócio de assinaturas. Hoje existem coisas como o machinema, que são filmes feitos com conteúdo tirado de videogames. Produtores de videogame estão pagando amadores para fazer vídeos musicais porque o copyright não é mais o modelo de negócio deles. Então, a indústria de games conseguiu evoluir sua tecnologia ao mesmo tempo em que evoluiu seu modelo de negócio. A indústria fonográfica e a indústria cinematográfica não tiveram criatividade para conseguir evoluir dessa maneira. Eu acho que não deveríamos estar pensando sobre como proteger o copyright, mas sim como proteger a indústria de entretenimento. A preocupação com o copyright é como a preocupação em proteger o jornal de papel em vez de proteger o jornalismo. O inglês é a única língua em que a palavra papel (paper) está inserida na palavra jornal (newspaper). Será que o importante para o jornalismo é proteger a indústria de papel? Para mim isto soa estúpido. E a noção de que o copyright é um valor que devemos preservar me soa igual. O copyright é apenas uma ferramenta para estimular a inovação e foi eficaz em um mundo em que fazer cópias de um produto era uma parte considerável do custo de distribuição. Precisamos proteger direitos autorais, mas precisamos criar um modelo novo para isso, no qual as pessoas paguem por acesso e por autenticidade. É um problema complicado, mas cuja solução tem mais a ver com inovação do que com controle. * Luciana Coelho é da Folha de S.Paulo, em Washington. ** Publicado originalmente no Observatório da Imprensa.


por Luciana Coelho*
8 Governo

ProUni vai oferecer 195 mil bolsas de estudo para o primeiro semestre de 2012

Brasília – O Programa Universidade para Todos (ProUni) vai oferecer mais de 195 mil bolsas de estudo no primeiro semestre de 2012. Serão 98.728 bolsas integrais e 96.302 bolsas parciais, com custeio de 50% da mensalidade. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 14 e 19 de janeiro. Podem concorrer às bolsas do ProUni estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou com bolsa integral em escola particular. Para pleitear uma das bolsas de estudo integrais, o candidato deve ter renda familiar per capita mensal de até 1,5 salário mínimo ((R$ 933, a partir de 1º de janeiro). Para as bolsas parciais, o requisito é ter renda familiar per capita de até três salários mínimos, o equivalente a R$ 1.866 (a partir de janeiro, considerando o novo valor do mínimo). Para participar do ProUni o estudante também precisa ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011, ter atingido o mínimo de 400 pontos na média das cinco provas e não ter tirado zero na redação. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), professores da rede pública de ensino básico que concorrem a bolsas em cursos de licenciatura, curso normal superior ou de pedagogia não precisam cumprir o critério de renda, desde que estejam em efetivo exercício e integrem o quadro permanente da escola na qual atuam. Na inscrição, o candidato poderá escolher até duas opções de curso e de instituição, uma a menos que na seleção anterior, para as vagas do segundo semestre de 2011. De acordo com o MEC, a mudança se deve a “acertos normais do sistema”, que passa por mudanças a cada processo seletivo. A divulgação dos candidatos pré-selecionados em primeira chamada deve ocorrer no dia 22 de janeiro. Os aprovados terão até o dia 1° de fevereiro para comparecer à instituição de ensino para apresentar a documentação que comprove as informações da inscrição e fazer a matrícula. A segunda chamada está prevista para 7 de fevereiro, com prazo para matrícula e comprovação de informações até o dia 15 do mesmo mês. Desde 2004, o ProUni já concedeu 919 mil bolsas de estudos, segundo o MEC. O cronograma completo e a lista das vagas disponíveis para o próximo semestre podem ser consultados no site do programa. * Edição: Rivadavia Severo. ** Publicada originalmente na Agência Brasil.


por Luana Lourenço, da Agência Brasil
7 Enem

Justiça nega pedido do Ministério Público para que nota da redação do Enem seja descartada

Brasília – A Justiça Federal no Ceará negou pedido de liminar feito pelo Ministério Público Federal naquele Estado para que as notas da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011 fossem desconsideradas no processo seletivo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O juiz Leonardo Rezende Martins considerou o pedido do MPF “desprovido de suficiente relevância jurídica”. Para o magistrado, cabe à administração pública definir os critérios de avaliação e não à Justiça, “salvo quando evidenciado que o dito critério é ilegal e inconstitucional, o que não é o caso”, explica na decisão. O juiz disse que não houve quebra da isonomia, como argumentou o MPF, já que o mesmo critério de correção das provas é aplicável a todos os candidatos e defendeu que alterar as “regras do jogo” depois de realizadas as provas e divulgados os resultados seria uma violação do princípio. O MPF defendia que a nota da redação deveria ser descartada porque o texto é corrigido por uma metodologia diferente das provas objetivas e as notas não poderiam ser combinadas. As quatro provas objetivas do Enem são corrigidas por meio da Teoria da Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico que leva em conta para o cálculo da nota não apenas o número de acertos do candidato, mas também o nível de dificuldade de cada item. Já a redação é corrigida pelo formato dos vestibulares tradicionais. Dois professores avaliam o texto e, caso haja divergência maior do que 300 pontos – a nota varia de zero a mil –, um terceiro corretor é chamado para avaliar e dar a nota final. Na mesma ação, o MPF também pediu que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo Enem, explicitasse os critérios de correção das provas objetivas já que houve reclamação de alguns candidatos a respeito da pontuação obtida. O juiz Leonardo Martins também negou esse pedido sob alegação de que as informações prestadas pelo Inep sobre o funcionamento da TRI foram suficientes. “É claro que um leigo em estatística jamais compreenderá inteiramente o funcionamento dessa complexa metodologia. Por essa razão, não se pode estranhar as manifestações críticas de estudantes e pais, insatisfeitos com a suposta 'obscuridade' do exame e de seus resultados. Entretanto, essas incompreensões derivadas da percepção subjetiva dos interessados, naturalmente maculadas pela emoção, não invalidam o respaldo científico conferido à TRI”, diz a decisão. As inscrições para o Sisu começam no sábado (7). A ferramenta foi criada pelo MEC em 2009 para unificar o processo de seleção de universidades públicas e permitir ao estudante disputar vagas em diferentes instituições a partir da nota obtida no Enem. Para o primeiro semestre de 2012, serão oferecidas 108 mil vagas em 95 instituições. * Edição: Rivadavia Severo. ** Publicado originalmente na Agência Brasil.


por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil
O projeto da professora Alessandra Klein foi na área da educação bilíngue português-libras. Foto: Wanderley Pessoa/ACS-MEC Crianças

Crianças aprendem a língua de sinais para interagir com colega

[caption id="attachment_38372" align="alignleft" width="300" caption="O projeto da professora Alessandra Klein foi na área da educação bilíngue português-libras. Foto: Wanderley Pessoa/ACS-MEC"][/caption] Ao receber na sala de aula uma criança surda, a professora Alessandra Franzen Klein, da Escola Municipal de Educação Infantil Paraíso da Criança, em Horizontina (RS), não se intimidou. Com formação específica na língua brasileira de sinais (libras), ela estava preparada para se comunicar e ensinar o conteúdo curricular da pré-escola à estudante novata. No entanto, foi além. Preparou projeto de educação bilíngue português-libras e ensinou as crianças, de quatro e cinco anos, da classe a usar as mãozinhas para reproduzir o alfabeto gestual e, assim, interagir com a coleguinha. “Elas já têm coordenação motora suficiente e mais facilidade do que os adultos. Aprendem rapidamente”, constata a professora. “Hoje, já têm certa fluência e são capazes de formar frases complexas e até contar historinhas em libras.” A criança surda aprende o português escrito como uma segunda língua; os colegas, a libras. “A turma aprendeu a língua de sinais para interagir com ela”, ressalta. “Todas as atividades são realizadas nas duas línguas.” Com o projeto, uma das tarefas da professora foi a elaboração do material didático. “Um trabalho desafiador, que exigiu muita pesquisa e produção de material porque todo o conteúdo teve de ser dado nas duas línguas”, afirma. Segundo ela, há poucas histórias infantis em libras. Além dos clássicos, como a Cinderela Surda, a professora criou textos alternativos, como a Porquinha Surda, As Luvas Mágicas do Papai Noel e As Estrelinhas Surdas. “Fui criando histórias e vídeos com as crianças de acordo com a necessidade de trabalho em sala de aula e até participamos do Festival Brasileiro de Cultura Surda, em Porto Alegre”, salienta. Apoio – O município de Horizontina, com 18,3 mil habitantes, a 496 quilômetros de Porto Alegre, não tem escola específica para surdos. Assim, toda a comunidade escolar foi informada sobre a importância do projeto. “Os pais viram que as crianças estavam aprendendo uma língua a mais e apoiaram a ideia”, ressalta Alessandra. A proposta da educação bilíngue foi estendida a professores, direção e funcionários para que todos se comunicassem com a aluna. No fim do ano letivo de 2010, as crianças emocionaram pais e professores ao apresentar o clássico natalino Noite Feliz, num coral, com a linguagem de sinais. “Quando minha filha foi matriculada, eu estava preparada para as dificuldades de inclusão, mas foi tudo ao contrário”, lembra Dione Nascimento, mãe de Bruna, seis anos. “A professora preparou a turma para receber a nova colega, e ela de maneira alguma ficou isolada. Hoje, quer participar de tudo na escola.” Em 2012, a menina vai cursar o primeiro ano do ensino fundamental em outro colégio público. “O projeto terá continuidade. Como muitos pais fizeram questão de matricular os filhos na mesma escola da Bruna, ela não ficará isolada e fará também novos amigos” afirma Dione. “Ela é uma criança feliz, que aprende rápido.” Bruna conhece todas as letras do alfabeto e já lê algumas palavras. * Publicado originalmente no Portal do Professor.


por Rovênia Amorim, do Portal do Professor
6 Políticas Públicas

Valor mínimo a ser aplicado por aluno da escola pública cresce 21% em 2012

Brasília – O investimento anual mínimo por aluno da rede pública para 2012 foi fixado em R$ 2.096,68 pelo Ministério da Educação (MEC). O valor se refere aos estudantes dos primeiros anos do ensino fundamental (1° a 5° anos) e serve como base para calcular quanto as redes de ensino (municipais e estaduais) vão aplicar para custear as matrículas de cada etapa da educação básica – creche, pré-escola, ensino fundamental e médio. O patamar definido pelo Ministério em portaria publicada na última semana é 21,75% maior do que o referente a 2011 (R$ 1.722,05). Ele é calculado com base na estimativa de arrecadação dos impostos e contribuições que compõem o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Os Estados que não atingem o valor mínimo por aluno recebem complementação da União. Segundo o MEC, em 2012, nove unidades da Federação receberão os recursos do governo federal: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. De acordo com as estimativas calculadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do MEC responsável pelo Fundeb, o Estado que terá em 2012 o maior investimento por aluno será Roraima: R$ 3.531,27 – considerando o valor que será aplicado para estudantes das séries iniciais do ensino fundamental de escolas urbanas. Em seguida aparecem São Paulo (R$ 3.192, 81), Rio Grande do Sul (R$ 2.913,05), Amapá (R$ 2.871,54) e Espírito Santo (R$ 2.831,67). Os patamares de investimento variam de acordo com cada etapa. O valor a ser aplicado por aluno é maior em creches e escolas que oferecem ensino em tempo integral. * Edição: Aécio Amado. ** Publicado originalmente na Agência Brasil.


por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil
5 Ensino Superior

Professores: SP abre inscrições para mestrado e doutorado

O valor do benefício mensal é de R$ 1.300 ou R$ 1.600, e o cadastramento deve ser feito no site do projeto até dia 29 de fevereiro. Iniciativa tem por objetivo estimular melhora da qualificação de docentes, supervisores e diretores da rede estadual. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo está com novo período de inscrições aberto aos professores, supervisores e diretores da rede estadual de ensino interessados em pleitear bolsas de estudo para cursos de pós-graduação stricto sensu. São oferecidos benefícios mensais de R$ 1.300 para mestrado e de R$ 1.600 para doutorado. O cadastramento deve ser feito no site do Projeto Bolsa Mestrado/Doutorado até o dia 29 de fevereiro. A iniciativa tem por objetivo estimular a melhora da qualificação dos servidores da rede. “Estamos investindo na formação dos nossos professores, oferecendo uma ajuda financeira àqueles que desejam se aperfeiçoar. Com o incentivo, esperamos ampliar o número de docentes com mestrado e doutorado lecionando nas escolas estaduais”, disse o secretário de Estado da Educação, professor Herman Voorwald. Para participar, os educadores devem ter no mínimo três anos de atuação no cargo, serem efetivos e atenderem aos demais requisitos do projeto (confira lista abaixo). Aqueles que já estiverem cursando a pós-graduação também podem se inscrever. Nesse caso, receberão bolsa proporcional ao tempo de curso (sem efeito retroativo), com base no prazo de conclusão estipulado pela Secretaria, que é de até 30 meses para o mestrado e até 54 meses para o doutorado. Um docente que cursa o mestrado há dez meses, por exemplo, terá direito ao benefício pelo período máximo de 20 meses. Desde 2004, quando teve início o Bolsa Mestrado/Doutorado, mais 3,4 mil trabalhos foram inscritos e aprovados, dos quais 2.246 concluídos, dentre eles o do professor Mário Conceição Oliveira, titular da disciplina de física na Escola Estadual Maestro Fabiano Lozano, localizada na Vila Mariana, na capital paulista. Mário é efetivo na rede desde 2004, ano em que começou seu mestrado sobre interação em museus de ciências, na Faculdade de Educação/Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). “A bolsa ajudou demais. Sem o programa, seria muito complicado concluir o mestrado”, salienta o professor, que terminou sua tese em 2007. Segundo ele, a experiência foi muito importante para sua carreira. “Hoje minha aula tem mais qualidade. Mudei a forma de interagir com os alunos, de lidar com as dúvidas e questionamentos. Também procuro passar a eles um pouco da rotina de pesquisa e estudo que vivenciei no mestrado”, acrescentou o professor. Para pleitear a bolsa, os professores devem atender aos seguintes requisitos: • ser titular de cargo efetivo; • ter sido considerado estável nos termos da Constituição Federal; • estar em efetivo exercício em unidade da rede pública estadual; • ter sido admitido como aluno regular em curso de pós-graduação, em nível de mestrado ou doutorado, reconhecido/recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na disciplina do cargo ou em educação; • enquanto receber o benefício da SEE, não usufruir de nenhum tipo de bolsa, para curso de pós-graduação de mestrado ou doutorado, concedida por órgão público; • não ter sofrido penalidade em procedimento administrativo disciplinar nos últimos cinco anos; • não se encontrar em regime de acumulação remunerada de cargos ou de cargo/função/emprego públicos; • estar distante da aposentadoria em pelo menos cinco anos, quando se tratar de curso de mestrado, e nove anos, quando se tratar de curso de doutorado; • autorizar no respectivo termo de compromisso que a SEE torne pública a íntegra ou partes do trabalho acadêmico produzido, renunciando consequentemente a qualquer reivindicação de direito autoral. Sobre o projeto O projeto Bolsa Mestrado/Doutorado integra o Programa de Formação Continuada de educadores da Secretaria da Educação com a finalidade de propiciar aos profissionais de educação a continuidade de estudos em cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado). Para obter o benefício, o professor tem que firmar compromisso de que permanecerá no magistério público estadual, após a conclusão do curso, pelo prazo mínimo proporcional ao tempo em que o benefício foi recebido. As bolsas são concedidas para que os docentes possam fazer o mestrado ou doutorado em cursos reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na área inerente à disciplina do cargo exercido ou na área da educação. * Publicado originalmente no site da Secretaria da Educação.

brinde Artigo

Feliz Natal e próspero Ano Novo!

Caros amigos, leitores e colaboradores, na semana entre o Natal e o Ano Novo a equipe da Envolverde vai descansar. 2011 foi um ano de muitas atividades, aventuras e alegrias. Fizemos um grande exercício para transformar um infortúnio – o incêndio em nossas instalações – em uma oportunidade de renovação e revitalização de nossos espaços físicos e mentais. Realizamos muitas coisas novas e garantimos a continuidade de nossos trabalhos mais tradicionais. 2012 será um ano de muitas oportunidades para nossa atividade. Vamos produzir mais jornalismo e difundir mais sustentabilidade. Vamos trabalhar para manter a forte marca e boa reputação que construímos ao longo de 15 anos de trabalho. Nossas atividades somente são possíveis graças a importantes parcerias que nos garantem a força vital para seguir em frente. Este ano mantivemos a Carta Verde, realizada em conjunto com a revista Carta Capital, construímos o IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, junto com a Rebia e com a Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, debatemos temas relevantes para o futuro e avançamos na prática de um jornalismo engajado em tornar o amanhã um bom lugar para se viver. Em 2012 os desafios continuam. O mundo voltará seus olhos para o Rio de Janeiro, onde acontecerá a mais importante conferência sobre desenvolvimento desta década, a Rio+20. Enquanto jornalistas, vamos buscar a informação relevante e a notícia importante para manter nossos leitores a par de todos os debates, discussões e decisões. Desejamos a todos a alegria do Natal e a esperança de um novo tempo. Nos veremos novamente em 2 de janeiro de 2012. Equipe Envolverde  

notas Brasil

Inep divulga notas máximas e mínimas do Enem

Brasília – O Ministério da Educação (MEC) divulgou na quarta-feira (21) o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011. Diferentemente dos vestibulares tradicionais, na metodologia de correção utilizada no Enem não existe uma pontuação máxima e mínima que o participante pode atingir – com exceção da redação, que não é corrigida por esse modelo e cuja nota varia de 0 a 1000. Para saber se foi bem na prova, o estudante deverá comparar seu desempenho em uma escala construída pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) com as notas mínimas e máximas obtidas pelos participantes. Em 2011, as notas dos candidatos em ciências humanas variaram entre 252,6 e 793,1 pontos. Na prova de ciências da natureza, a nota máxima foi 867,2 e a mínima 265. Em matemática, a pontuação mínima foi 321,6 e a máxima 953. Em linguagens, a nota mais alta foi 795,5 pontos e a menor 301,2 pontos. A metodologia utilizada no Enem é a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico que permite que diferentes edições da prova sejam comparáveis. Na TRI, leva-se em conta para o cálculo da nota não apenas o número de acertos do candidato, mas o nível de dificuldade de cada item. Uma questão que teve baixo índice de acertos é considerada “difícil” e, portanto, tem mais peso na pontuação final. Aquelas que têm alto índice de acertos são classificadas como “fáceis” e contam menos pontos na nota final. Dessa forma, dois participantes que acertaram o mesmo número de itens podem ter médias finais diferentes. Também não é possível comparar o número de acertos nas provas de diferentes áreas do conhecimento. Se um aluno acerta a mesma quantidade de itens nas provas de matemática e ciências humanas, por exemplo, não significa que a pontuação obtida será igual. Isso porque o nível de dificuldade de cada prova e dos diferentes itens que a compõem afetam esse cálculo final. * Edição: Fernando Fraga. ** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.


por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil

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