Analfabetismo ainda atinge 28% da população com mais de 15 anos em pequenas cidades do Nordeste

Analfabetismo

Analfabetismo ainda atinge 28% da população com mais de 15 anos em pequenas cidades do Nordeste


por Thais Leitão, da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Embora a taxa de analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade tenha caído de 13,63% em 2000 para 9,6% em 2010, na média do país, nas menores cidades do Nordeste, com até 50 mil habitantes, ela ainda atinge 28% das pessoas nessa faixa etária. Além disso, nesses municípios, a proporção de idosos que não sabiam ler e escrever chegava a 60%. Segundo dados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, divulgado no dia 16 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no caso do analfabetismo de jovens, a situação da Região Nordeste também é preocupante. Enquanto na média do país a proporção de adolescentes e jovens que não sabiam ler e escrever atingia 2,5%, no Nordeste era quase o dobro (4,9%), com pouco mais de 500 mil pessoas nessa faixa etária. Na Região Sul o percentual era de 1,1%, e na Sudeste, de 1,5%. Entre jovens e adultos, o levantamento revela que em 1.304 municípios a taxa de analfabetismo era igual ou superior a 25%. Entre eles, 32 não contavam com o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). A maioria está localizada no Nordeste, tendo sido a pior situação observada em João Dias (RN), onde 38,9% das pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever. Em seguida, aparecem Monte Santo (BA), com 35,6%, e São Brás (AL), com 34,7%. No Norte, três municípios aparecem na lista, todos em Tocantins: Ponte Alta do Bom Jesus (25,2%), Mateiros (26,4%) e Centenário (28,6%). O Sudeste concentrava quatro deles, localizados em Minas Gerais. São eles: Miravânia (26,0%), Frei Gaspar (28,5%), Bertópolis (29,6%) e Santa Helena de Minas (31,7%). O levantamento também evidenciou as diferenças em termos de alfabetização nos resultados segundo cor ou raça. Enquanto entre os brancos o percentual de analfabetos para pessoas com 15 anos ou mais era de 5,9%, entre os pretos atingiu 14,4% e entre os pardos, 13%. Edição: Lílian Beraldo. * Publicado originalmente no site Agência Brasil.

Segundo o ministro Fernando Haddad, estudantes do ensino médio poderão receber bolsas para ensino profissionalizante. Foto: Gustavo Lourenção Ensino Técnico

Um mercado ávido por profissionais

[caption id="attachment_34118" align="alignleft" width="300" caption="Segundo o ministro Fernando Haddad, estudantes do ensino médio poderão receber bolsas para ensino profissionalizante. Foto: Gustavo Lourenção"][/caption] A baixa qualidade da educação básica no Brasil, o que dificulta o acesso de milhares de estudantes ao ensino superior, e a necessidade de mão de obra qualificada em diversos setores estratégicos para a economia do país, como a construção civil, podem impulsionar os jovens a optar pela educação profissionalizante. Esta é a conclusão de especialistas reunidos em um debate sobre ensino técnico, realizado pelas revistas Carta Capital e Carta na Escola, na sexta-feira (11), em São Paulo. A escassez de profissionais especializados, principalmente engenheiros, preocupa o governo federal, que enxerga na educação profissionalizante uma maneira de amenizar esse gargalo. Por isso, o setor vem recebendo investimentos, como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego). Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, que abriu o evento, o programa prevê a expansão da rede federal de ensino profissional das atuais 354 unidades em todo o Brasil para 562 até 2014. Contudo, os investimentos no setor não se limitam à rede pública. O Fies, programa de financiamento estudantil, será extendido para cursos técnicos e escolas particulares com as mesmas condições, como juros de 3,4% ao ano, concedidas a estudantes universitários. “As empresas poderão captar o financiamento para qualificar seus trabalhadores nas áreas de maior necessidade, sem encargo trabalhista e pagamento em longo prazo.” No evento, Haddad destacou a necessidade de apoiar esta modalidade educacional e também o aumento das matrículas em cursos superiores tecnológicos, que possuem duração aproximada de três anos, citando os Estados Unidos como exemplo. “Nos Estados Unidos, 60% das matrículas são nos communities colleges, faculdades que oferecem cursos de dois a três anos. Aqui no Brasil, organizamos esses cursos, passamos a avaliá-los pelo Enade e eles ganharam robustez”, disse, rebatendo críticas de que o investimento no ensino técnico não soluciona os problemas de qualificação no Brasil. Luiz Caruso, gerente executivo de estudos e prospectivas do Senai/DN, critica a supervalorização da “cultura bacharelesca” no país, tida como o principal caminho profissional, mesmo com a “qualidade sofrível” da educação básica brasileira. Segundo ele, há um índice de empregabilidade de 80% para profissionais de nível técnico, ainda abaixo dos 85,6% entre indivíduos de 25 a 34 anos graduados. “No entanto, apenas 50% dos jovens concluem o ensino médio e somente 10% deles o fazem com o nível de proficiência adequado”, justifica, apontando que, em 2009, o Brasil oupava a 53ª posição no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) entre 65 países. A forte demanda do mercado também é sentida na rede federal. “A necessidade é tanta, que muitas vezes o aluno é contratado antes de concluir o curso. Uma pesquisa de 2010 mostra que o grau de empregabilidade é de 72%”, conta Cláudio Ricardo Gomes de Lima, presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conifi). Neste cenário, o Estado de São Paulo propõe a combinação do ensino médio público com o profissionalizante na rede Paulo Souza. Além disso, estuda um modelo de interiorização do ensino técnico, no qual municípios pequenos receberiam uma “sala descentralizada” com um curso necessário na região, sob a gestão de uma instituição instalada em outra cidade no raio de 50 quilômetros de distância. No âmbito nacional, o Ministério da Educação reestruturou o chamado Sistema S – formado por organizações criadas por setores da indústria e comércio, entre outras, para qualificar seus trabalhadores, como Senai e Sesi –, para integrá-lo à lista de parceiros do Pronatec. Desta forma, essas instituições receberão incentivos fiscais para abrir turmas gratuitas. “Precisamos recolocar o sistema da educação profissionalizante nos trilhos”, afirma Haddad, completando que em três anos dois terços desta receita serão direcionados a cursos grátis de pelo menos 160 horas no Senai e Senac. Uma qualificação equivalente à certificação técnica de nível médio. O governo já liberou, por Medida Provisória, R$ 460 milhões para o programa, que também inclui institutos federais. Neste caso, apenas se houver espaço ocioso. O ministro também anunciou a desoneração de 100% dos tributos previdenciários e trabalhistas para empresas que investirem na qualificação de seus empregados, a fim de estimular o setor privado a aderir ao programa. “É uma espécie de Lei Rouanet da educação.” Democratização Em 2008, a rede federal de ensino profissionalizante ganhou universidades tecnológicas. Contudo, a oferta de vagas ainda é limitada e as Fatecs e Etecs adotam a seleção de alunos por meio de provas, embora a maioria dos candidatos não esteja preparada o bastante para conseguir as vagas, admite o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do governo de São Paulo, Alexandre Barbosa. “Em São Paulo tentamos resolver esse vácuo com um programa que oferece mais de 137 cursos de até três meses de duração para pessoas com no mínino 16 anos, habitantes do Estado e alfabetizados”, diz. A democratização do acesso à educação de qualidade também é um aspecto apontado como vital por Lima. “O filtro das provas é muito severo e a concorrência é perversa. Temos que desenvolver outras alternativas e já discutimos isso com o MEC.” Contudo, os vestibulares não são os únicos obstáculos à qualificação dos estudantes brasileiros. A necessidade de trabalhar para contribuir com as despesas familiares é um dos fatores cruciais da evasão. Segundo Barbosa, o governo paulista fornece aos matriculados em cursos de curta duração uma bolsa de R$ 230 para transporte e alimentação. “O Brasil vive um apagão de mão de obra e temos muitos desafios para nos consolidarmos e, por isso, precisamos investir nas pessoas. Hoje o poder de uma nação é medido pelo seu conhecimento.” Um estímulo também presente na rede federal de ensino profissionalizante, explica Lima. “Os estudantes de licenciatura podem angariar uma ‘bolsa sobrevivência’ e depois ingressar como professor no final do curso, mas também há auxílios da Petrobras para garantir a formação de técnicos necessários ao seu setor e opções de iniciação científica.” Esforço conjunto De acordo com o presidente da Conifi, diversos institutos federais possuem turmas de nível médio, técnico e superior, com a mesma autonomia das universidades federais. Isto permite abrir cursos específicos para a necessidade da região, atraindo investimentos e movimentando a economia. “A interiorização visa a eliminar as disparidades regionais e permitir que as pessoas fiquem em suas cidades.” Além disso, Lima aponta que o currículo dos cursos oferecidos visa a um equilíbrio entre a prática e a teoria, com características próprias para não sobrepor os esforços das demais universidades, poupando gastos. “O Pronatec junta a rede federal, a privada e o sistema S para que se completem e atendam à demanda de forma mais completa.” Os locais, para receber as novas unidades da rede federal de ensino profissionalizante, devem integrar o conjunto de municípios apelidado de G100, composto por 103 cidades com uma característica comum: mais de 80 mil habitantes e arrecadação per capita inferior a R$ 1 mil por ano. * Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.


por Gabriel Bonis, da Carta Capital
“Nós pagamos impostos para manter a universidade, então é justo que o conhecimento pertença a todos”. Personalidade

A luta de Carolina Rossini pela abertura da educação

Defender a liberdade de expressão e, principalmente, de compartilhamento de informações é uma causa pela qual a jovem advogada acredita que vale a pena lutar. [caption id="attachment_34122" align="alignleft" width="300" caption="“Nós pagamos impostos para manter a universidade, então é justo que o conhecimento pertença a todos.”"][/caption] Atrás dos olhos azuis e dos cabelos louros está uma das maiores defensoras da liberdade de expressão e do livre acesso ao conhecimento, no Brasil. Advogada há dez anos, Carolina Rossini sempre trabalhou com questões relativas à troca de informações e cultura livres. Principalmente porque a explosão do fenômeno da internet, hoje algo corriqueiro em nossas vidas, mudou para sempre a forma como a sociedade passou a criar e compartilhar conteúdos. Carolina é também mestre, com distinção, em Propriedade Intelectual, mestre em Negociações Internacionais, especialista em Propriedade Industrial, e MBA em e-Business. Definitivamente não é o tipo de mulher que simplesmente aceita as coisas como elas são. Quando ela não concorda com algo, faz o que pode para mudar. No ensino médio, Carolina não se conformava que uma escola com a tradição do Colégio Bandeirantes, em São Paulo, não tivesse um grêmio estudantil, então junto aos amigos, retomou a iniciativa. Hoje, não se conforma com as restrições que a maioria das pessoas enfrenta para ter acesso às informações, principalmente quando este conhecimento pode beneficiar a educação, em qualquer nível. A moça é a fundadora e organizadora do projeto REA-Br (Recursos Educacionais Abertos) e defende que material didático e científico deve ter seu conteúdo livre para consulta e utilização. Principalmente as publicações produzidas dentro das faculdades públicas. “Nós pagamos impostos para manter a universidade, então é justo que o conhecimento pertença a todos”, aponta. Os tais recursos educacionais abertos com os quais ela trabalha não são apenas livros e artigos, mas também softwares e ferramentas de busca, organização e desenvolvimento de informações, comunidades de aprendizado online, licenças de propriedade intelectual que facilitem a publicação aberta de textos e imagens, e conteúdos ministrados em cursos. Ou seja, o conhecimento em geral. Carolina mora atualmente nos Estados Unidos, mas mantém seus pensamentos no Brasil, e, sobretudo, no debate sobre os direitos de propriedade intelectual. “Deve haver um equilíbrio entre o direito do autor e o direito da sociedade”, é o que pensa. Os autores de qualquer tipo de produção cultural ou educativa devem ser recompensados por seu trabalho, entretanto, quando quem financiou aquela produção foi a sociedade, o acesso deve ser público. A situação é complexa, pois envolve diversos fatores, mas no fim o que conta é que o conhecimento deve estar acessível, tanto para quem pode pagar por ele quanto para quem não pode. Afinal, o conhecimento é uma ferramenta para quem quer melhorar sua condição de vida. Assim, deve haver acesso para todos. “Acho que o direito autoral tem a função social de propiciar ao autor da obra um sistema de garantias e incentivos, e ao mesmo tempo garantir à sociedade acesso ao conhecimento. Pois a sociedade ajudou a gerar aquela nova obra direta ou indiretamente. Nenhuma obra pode ser criada fora de um contexto, nada é 100% original, tudo é originado com base em algo que foi criado no passado”, explica. Carolina já esteve envolvida em vários movimentos libertários. “Tudo o que é ‘livre’ ou ‘aberto’ eu já experimentei”, brinca. Piadas à parte, ela também esteve na organização da licença Creative Commons (CC) no Brasil, quando atuava como professora na Fundação Getulio Vargas (FGV). Como todo revolucionário que defende ferrenhamente uma causa, Carolina não faz muita distinção entre sua vida profissional e a pessoal. Foi, inclusive, em um encontro entre as equipes do Brasil e Estados Unidos do CC, em 2006, que ela conheceu o ex-vice-presidente do Creative Commons para a área de ciência, John Wilbanks, seu atual marido. John se interessou por ela, mas os norte-americanos haviam sido instruídos a tomar cuidado ao tratar com mulheres brasileiras, para que não ofendessem as anfitriãs. Uma amiga em comum soube da intenção do rapaz e reportou a Carolina. Ela, por sua vez, resolveu dar uma chance a ele. Casaram-se um ano depois, e recentemente tiveram seu primeiro filho, Noah. “Os amigos dizem que é um ‘casamento aberto’ o nosso”, ri Carolina. Avanços do REA Na questão dos recursos educacionais, a equipe do REA-Br e alguns aliados da causa deram um passo importante rumo à expansão. O deputado estadual de São Paulo, Simão Pedro, com o apoio de sua assessoria e do REA-Br, protocolou um projeto de lei regulamentando uma nova forma de utilização do material educacional financiado pelo governo do Estado. Se aprovado, o projeto fará com que todo material educacional produzido pelo governo do Estado seja liberado na internet, para visualização, download, impressão e redistribuição, desde que sem fins lucrativos. Com o apoio do REA-Br, o deputado Paulo Teixeira, também de São Paulo, vem contribuindo com a causa. Paulo Teixeira publicou um projeto de lei em junho deste ano, definindo a política de contratação e licenciamento de obras intelectuais sob os recursos do governo do Estado de São Paulo. Para Carolina, o conhecimento do mundo deve estar livre, a favor da própria humanidade. Todos aqueles que precisarem de uma informação devem ter acesso a ela. Ela não se conforma em ver que, às vezes, apenas o dinheiro possa abrir as portas para o conhecimento. E ela não vai descansar até transformar o mundo à sua maneira. * Publicado originalmente no site As Boas Novas.


por Pedro Dias, do As Boas Novas
1 Ciência e Tecnologia

O preço do livre acesso

Você já se perguntou como plataformas de compartilhamento de conteúdo conseguem se sustentar e seguir funcionando? Ou como é possível regulamentar o uso desse conteúdo para evitar a pirataria? Entenda o novo paradigma do compartilhamento de informação. Responda rápido: quando foi a última vez que você comprou um cd ou dvd em uma loja? E quando foi a última vez que baixou músicas e filmes no computador? Não há como negar que o livre compartilhamento de conteúdo na internet mudou completamente o comportamento do consumidor. Ainda, colocou em xeque negócios milionários de gravadoras, editoras e empresas que tinham seu lucro pautado na venda de produtos protegidos por direitos autorais, e que estão tendo que repensar seus modelos para se adequar à nova realidade. O cenário criou alternativas para o tradicional licenciamento e divulgação, caso da licença Creative Commons, que em dez anos de existência já disponibiliza mais de 400 milhões de obras na rede. Com ela, autores escolhem o nível de compartilhamento permitido – de uso pessoal a comercial, apenas trechos ou a íntegra do conteúdo, entre outras possibilidades.  “O Creative Commons é uma ferramenta que estabelece novos mecanismos de distribuição de informação e incentiva a colaboração, com a produção de conteúdos feitos coletivamente, como é o caso da Wikipedia”, explica o diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas, Ronaldo Lemos. Licenciada sob Creative Commons, a enciclopédia também completa uma década, batendo a casa dos 26 milhões de artigos em 251 idiomas. Os números impressionam e sua contribuição é inquestionável. Entretanto, dúvidas quanto ao seu modelo de negócio não comercial, que faz com que a empresa sobreviva de doações e receba muitas críticas por ser editada por qualquer usuário sem a tutela de especialistas que endossem o conteúdo, surgem todo o tempo. E essa efervescência de questionamento só vem a contribuir para a evolução da dinâmica de compartilhamento de conteúdo. Este ano, Alex Konanykhin, fundador e presidente da WikiExperts.us, apresentou a primeira rede de escritores por contrato para editar de uma maneira rigorosa os conteúdos incluídos na Wikipédia. Konanykhin afirmou que a maneira como a empresa está estruturada hoje, sem cobrar pela edição dos artigos publicados e sem incluir publicidade em seu endereço, faz com que ela perca a oportunidade de trabalhar com profissionais que somem ao produto. "Os colaboradores qualificados devem ser recompensados. A história demonstrou repetidas vezes que o trabalho gratuito não é o modelo de negócio ideal a longo prazo, nem em grande escala", declarou Konanykhin à revista Exame. No final do ano passado, Jimmy Wales, cofundador da enciclopédia digital, estampou seu rosto na primeira página do site em uma campanha na qual pedia por doações. Arrecadou US$ 16 milhões e investiu em tecnologia. Frente ao Google, que alcança US$ 23 bilhões anuais em publicidade, o valor angariado pela Wikipédia parece apenas um trocado. O compartilhamento é sustentável? Se plataformas de livre compartilhamento de conteúdo não costumam cobrar pelos produtos que oferecem, resta saber quem é que paga essa conta. O jornalista Robert Levine, antigo editor das revistas Billboard e Wired, apontou em seu livro recente Free Ride, que são as grandes empresas de tecnologia da informação que costumam financiar, por meio de doações, essas organizações. Em suas pesquisas, descobriu que o Creative Commons recebeu US$ 1,5 milhão do Google em 2008 e mais US$ 500 mil em 2009. “Acreditava que a indústria fonográfica e os produtores de conteúdo em geral deveriam abrir seus produtos, gratuitamente, na internet. Até notar, aos poucos, que as empresas de tecnologia cresciam lucrando com os mesmos produtos, mas resistiam a pagar por eles”, disse Levine à Folha de S.Paulo. Nas 320 páginas do livro, o jornalista chama a atenção para uma questão pertinente nessa discussão: “quem tem o poder, o produto ou a plataforma?”. Estes sempre foram os dois lados na indústria do entretenimento, e, no modelo tradicional, o produto sempre valeu muito. Entretanto, com a internet, você não precisa pagar nada, então o desafio agora é fazer a plataforma pagar pelo valor do produto. “A internet não foi estruturada para vender coisas, ela nasceu para compartilhar informações”, afirma ele. “Ainda assim, a Apple conseguiu construir um sistema muito bom para vender coisas e o Google disse que isso era imoral. Eu acho que é ruim para os negócios do Google, porque, quanto mais informação vai para a internet, mais ele lucra. Entretanto, se você quer lucrar também, precisa vender sua informação. Precisamos então estruturar um sistema para compartilhar os ganhos”, decreta. O que pode e o que não pode Na discussão sobre compartilhamento, direitos autorais e obtenção de lucro com o conteúdo disponibilizado está outro ponto delicado: o da pirataria. Enquanto Levine acredita que as discussões seguem por um rumo duvidoso, em que a grande preocupação é encontrar quem deve responder legalmente pelo ato ao invés de propor leis que estabeleçam limites do que é ou não permitido, governos pelo mundo se juntam em um Acordo Anti-Falsificação Comercial, conhecido como ACTA. Assinado por Estados Unidos, Canadá, Coreia do Sul, Japão, Marrocos, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia em 1º de outubro deste ano, o ACTA é um tratado que prevê punições sérias para acusados e cúmplices de pirataria na internet, incluindo o usuário que fizer, por exemplo, o download de um filme. Os signatários adotam uma posição contrária ao livre compartilhamento de conteúdo, e, dessa forma, desmotivam a afiliação de produtores de conteúdo às licenças abertas. “O ACTA busca suprir uma demanda de autores e produtores de bens culturais que buscam possibilidades de controle sobre o que é disponibilizado no meio digital. Porém, essas medidas devem estar compatibilizadas com as necessidades e o grau de desenvolvimento de cada país, não podendo ser adotadas como receita única para o combate à pirataria”, pontua a diretora de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Márcia Regina Vicente Barbosa. Ronaldo Lemos, da FGV, ressalta que o sistema de propriedade intelectual já se encontra em grave desequilíbrio e que, em sua opinião, o ACTA estabelece uma política ainda mais restritiva para a questão. “No Brasil, quem copia músicas de um CD para o seu iPod está violando o texto da lei”, pontua. No fim das contas, enquanto iniciativa pública e privada tentam defender interesses aqui e ali, produtores e consumidores de informação equilibram-se entre partilhar e negociar conteúdos, numa massa de tentativas, estratégias, êxitos e falhas que constroem o novo paradigma do compartilhamento de conteúdo pelo mundo. * Colaborou Mariana Jansen. ** Publicado originalmente no site As Boas Novas.


por Nara Bianconi e Pedro Dias*, do As Boas Novas
1 Ensino Superior

Avaliação do MEC reprova um em cada cinco cursos superiores

Brasília – Dos 4.143 mil cursos avaliados em 2010 pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), 594 não atingiram resultado satisfatório, com nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador que varia em uma escala de 1 a 5. Entre os cursos avaliados, 1.115 ficaram sem conceito porque não tinham um número mínimo de estudantes concluindo o curso. Considerando apenas as graduações que obtiveram CPC, as com nota baixa representam 20% do total. Os cursos com CPC 4 ou 5 são considerado bons e os com nota 3, satisfatórios. Cerca de 80% tiveram resultado entre 3 e 5 e só 58 cursos podem ser considerados de excelência, com CPC máximo (5). O conceito leva em consideração, além dos resultados do Enade, a infraestrutura da escola, o corpo de professores e o projeto pedagógico. O Ministério da Educação (MEC) vai cortar vagas de todos os cursos que obtiveram CPC 1 ou 2 em 2010 e que tenham registrado resultado insatisfatório em outros ciclos do Enade (2008 ou 2009). A previsão é que 50 mil vagas sejam cortadas em diferentes áreas até o fim de 2011. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes) baliza a expansão das vagas da educação superior no país porque prevê medidas de correção dos problemas para as instituições e cursos com baixos resultados. “Para quem está fora dos parâmetros de qualidade, o Sinaes estabeleceu os termos que os trazem para a qualidade. Queremos que o sistema continue em expansão, mas com um freio naqueles cursos que estão com problema”, disse o ministro. Ele informou que cerca de 95% dos cursos de medicina, que passaram pelo processo de supervisão do MEC por apresentar CPC instaisfatório em anos anteriores, melhoraram o desempenho em 2010. Entre os 19 cursos com CPC 1, quatro são oferecidos por universidades estaduais e o restante, por instituições de ensino privadas. Edição: Vinicius Doria. * Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil
1 Ciência e Tecnologia

Haverá emprego para nós?

A pergunta do título desta coluna não saía da minha cabeça enquanto eu assistia, sentado na plateia, à performance de um computador instalado no palco. Minhas sensações oscilavam entre o medo e o encantamento -e até, devo admitir, certo complexo de inferioridade. Fui a um auditório, na semana passada, com a ilusão de assistir a uma vitória de humanos -ex-alunos de Harvard e do MIT- contra um computador. Era um teste de conhecimentos gerais, que abrangia de cultura pop a personagens históricos, passando por geografia. A novidade não era o computador guardar tantas informações -cerca de 1 milhão de livros-, mas ele ser capaz de reconhecer as sutilezas da fala humana. Até que os jovens se saíram bem, mas o computador, criação da IBM, batizado de Watson, é imbatível. Enquanto me encantava com as possibilidades que aquela descoberta poderia produzir, ajudando profissionais -médicos, por exemplo- a tomar decisões, ficava imaginando quantos trabalhadores aquela máquina não iria pôr na rua. Talvez minha sensibilidade estivesse aguçada porque, antes de entrar naquele auditório, eu tinha passado a manhã num seminário sobre o futuro do trabalho -e um dos personagens tinha sido o Watson. Ninguém ali era contrário à inovação. Aqueles indivíduos sabem que, embora sejam cercadas de temor no início, pois provocam abalos nas velhas estruturas, as novas tecnologias logo geram diferentes empregos e prosperidade. Perguntavam-se, porém, se havia algo de novo no ar sobre a rapidez com que as máquinas vêm substituindo os seres humanos. Mesmo que a economia volte a crescer rapidamente, o emprego vai crescer? Isso significa o risco de piorar cada vez mais a distribuição de renda. Um dos palestrantes era Andrew McAfee, pesquisador do Centro de Negócios Digitais do MIT, autor de um recém-lançado livro que está chamando a atenção do mundo acadêmico, cujo título é “A Corrida contra a Máquina”. Logo ele pede: “Por favor, não me confundam com esses tipos que têm medo de novas tecnologias”. Até porque, se fosse assim, ele não estaria naquele emprego. Mas os números que ele tem coletado de economias em várias partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos, trazem uma preocupação. Pergunto-lhe em que o temor dos trabalhadores de hoje é diferente do daqueles ingleses, que, na Revolução Industrial, destruíam as máquinas. A resposta: “O problema é que os computadores estão adquirindo cada vez mais rapidamente habilidades que eram essencialmente humanas”. Segundo ele, a tendência deve afetar menos os que estão no topo da pirâmide educacional e os que estão na sua base: empregadas domésticas, garis, passeadores de cachorro, manicures. “Quem está no meio, ou seja, a maioria, vai sofrer.” As novas invenções -e o tal Watson, com seu complexo sistema de reconhecimento de voz, é uma delas- radicalizam esse movimento e, em certos casos, superam com vantagem os humanos, segundo McAfee. “Quantos empregados você conhece que podem guardar na memória o conteúdo de 1 milhão de livros e sabem encontrar a resposta certa quando indagados por uma voz?”, pergunta ele. Programas desse tipo estão sendo usados em escritórios de advocacia e vêm pondo na rua muita gente com diploma de ensino superior. A cada dia, aparecem novidades sobre a capacidade de coletar, armazenar e selecionar dados. Aposta-se até que, com tantos dados gerados pelas redes sociais a cada segundo, seria possível prever o futuro – por exemplo, o que vai ser sucesso na música ou o surgimento de movimentos políticos. Haveria no mundo social leis semelhantes às leis físicas. Chegaram até a inventar a “econophysics” -o uso das leis da física aplicadas à economia. Segundo McAfee, um dos problemas é a velocidade da mudança, o que dificulta o treinamento dos trabalhadores para novas demandas. As escolas e faculdades deveriam estar mais próximas do mercado de trabalho e fazer mudanças em seu currículo quase em tempo real. Aí vai estar quem vê um Watson com medo ou encantamento. PS – Já está em andamento a transformação do Watson num médico, capaz de ajudar no diagnóstico e até na medicação de pacientes. A ideia é que ele seja uma espécie de GPS para os médicos. Afinal, o robô vai ter na memória todos os casos de pacientes com doença semelhante e o tratamento dado a cada um, podendo comparar os resultados. No lado do encantamento, vejo isso como um jeito de ajudar no atendimento de pacientes, especialmente na rede pública. Como o câncer de Lula, graças ao seu tratamento de primeira qualidade, estimulou o debate sobre saúde pública no Brasil, invenções do tipo Watson mostram que, no futuro, será possível agilizar o atendimento e diminuir as filas. * Gilberto Dimenstein é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, comentarista da rádio CBN, e fundador da Associação Cidade Escola Aprendiz. ** Publicado originalmente no Portal Aprendiz.


por Gilberto Dimenstein*
Utilizações de materias da região tornou a construção da escola sustentável. Foto:Divulgação Sustentabilidade

Escola em Bangladesch é construída com técnicas sustentáveis

[caption id="attachment_33496" align="alignleft" width="300" caption="Utilizações de materias da região tornou a construção da escola sustentável. Foto:Divulgação"][/caption] Construir uma escola utilizando materiais sustentáveis, em pouco tempo e com o mínimo de custo foi a meta da arquiteta australiana Anna Heringer e do alemão Eike Roswa. Eles adaptaram uma escola rural em Rudrapur, vilarejo de Bangladesh, a uma arquitetura secular de barro e bambu aprimorada para ser mais duradoura. A obra artesanal faz parte do METI (Instituto de Treinamento Educacional Moderno), setor da ONG Dipshikha, de Bangladesh, focada no auxílio às crianças, para que desenvolvam seus próprios potenciais e os utilizem de maneira criativa. A escola, que foi finalizada em menos de quatro meses, possui aproximadamente 325 m² e dois andares compostos por seis salas de aula no térreo e uma maior no primeiro andar. Por utilizar pequena quantidade de tijolos, concreto e aço, a economia do custo da produção chegou a 50%. No total, foram empregadas 400 toneladas de barro. O prédio de aparência rústica possui uma boa iluminação graças às paredes de bambus, que também permite um ambiente mais arejado. Janelas e tetos foram decorados com mantas de algodão colorido, no intuito de quebrar a cor do barro das paredes. A necessidade de difundir o conhecimento das técnicas para uma futura disseminação da prática exigiu do projeto a utilização de mão de obra de pessoas da própria região, como artesãos, professores, pais e estudantes do vilarejo, que poderão utilizar as novas técnicas aprendidas em suas próprias construções. Materiais naturais da localidade, como a palha, o bambu, a argila, foram transportados para a obra por meio de animais, o que dispensou o uso de transportes emissores de CO2. O trabalho manual evitou também o uso de máquinas. A junção de todos esses componentes tornou a construção potencialmente sustentável, que rendeu em 2007, o prêmio de arquitetura Aga Khan, concedido a obras destinadas a comunidades muçulmanas. Com o sucesso da construção da escola, a arquiteta Anna Heringer firmou parcerias com escolas de arquitetura para continuar construindo no vilarejo mais casas e uma escola de ensino técnico em elétrica, sempre com a mesma técnica sustentável. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
Professoras do Acre concluem curso superior em Pedagogia. Foto:Agência de Notícias do Acre Ensino Superior

Censo registra crescimento na educação superior do Brasil

[caption id="attachment_33499" align="alignleft" width="300" caption="Professoras do Acre concluem curso superior em Pedagogia. Foto:Agência de Notícias do Acre"][/caption] O Censo de Educação Superior, realizado anualmente pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), divulgou na segunda-feira, 7 de novembro, dados deste ano que comprovam o crescimento do ensino superior no Brasil. As regiões Norte e Nordeste tiveram destaque nas pesquisas com o crescimento no número de matriculados, com alta em 10 anos de 148,3% e 128,5%, respectivamente. Já no Sul do país as matrículas caíram no período de 19,8% para 16,4%. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, os dados tornam o país mais equilibrado. "O Censo mostra que a distribuição regional ficou muito mais equilibrada", destacou em entrevista ao G1. Segundo as informações do Censo, as matrículas em ensino superior no país cresceram 110,1% em 10 anos e 7,1% de 2009 a 2010. O número de estudantes matriculados em 2011 chegou a 6.379.299 nos 29.507 cursos de graduação ou pós-graduação de 2.377 instituições. O Inep identifica esse crescimento como resultado de diversos fatores. Um deles é o desenvolvimento econômico alcançado pelo Brasil, que ampliou a exigência do mercado brasileiro em mão de obra mais especializada, assim como o aumento de políticas públicas de incentivo ao acesso e à permanência na educação superior, com a criação de novos financiamentos, bolsas e subsídios aos alunos. As aberturas de campi e a interiorização de universidades já existentes, também possibilitaram o crescimento da educação superior no país. O levantamento feito pelo MEC também coloca o curso a distância como um dos colaboradores na expansão do ensino superior. A coleta de informações pelo Censo sobre essa modalidade de ensino começou a ser feita no ano de 2000. A partir de então ela apresentou constante crescimento. O Censo deste ano mostrou o alcance de 14,6% do total do número de matrículas, o que confirma a tendência de seu desenvolvimento. As faculdades privadas ainda saem na frente em número de instituições, matrículas, ingressos, concluintes e docentes em exercício. As instituições públicas só as superam em número de cursos fornecidos. No ensino público, as universidades federais ganham em número de estudantes ingressantes com relação às estaduais e municipais. Para a coleta dos dados, o Censo realizou a coleta de informações das IES (Instituições de Educação Superior) através do Sistema on-line Censup. Todas as instituições tiveram que acessar e preencher as informações solicitadas, conforme Decreto nº 6.425, de 4 de abril de 2008. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
1 Professores

Professores estão excluídos do debate público sobre política educacional na América Latina, segundo pesquisa

São Paulo – Os professores estão fora do debate público sobre a educação e suas vozes não estão presentes nas coberturas jornalística da América Latina, segundo pesquisa do Observatório da Educação feita em 18 jornais do continente. Foram analisadas mais de 1.200 reportagens de maio a julho deste ano. As matérias indicam que as políticas públicas implantadas, os novos temas, disciplinas e materiais para as aulas são modificados sem que os professores sejam consultados sobre a política educacional. “O professor é sempre um personagem e nunca uma fonte para balizar a política pública. E a má qualidade do ensino é sempre atribuída a eles. Estão sendo responsabilizados, mas não têm seu direito de resposta”, disse Fernanda Campagnucci, editora do Observatório da Educação, que participou do lançamento de Rede pela Valorização dos Docentes Latino-Americanos, na quarta-feira (9), na capital paulista. Segundo Fernanda, a análise indicou que entre os temas mais comentados nos jornais estão a qualidade, seguida dos sistemas de avaliação, problemas de infraestrutura e violência nas escolas. Depois aparece a questão das tecnologias de informação na educação. “Nesse caso, dependendo do enfoque, entra em conflito com o docente, porque tem problemas de informação e uma ideia de que o aluno não precisa do professor para aprender porque consegue aprender sozinho com o computador”. Outro problema destacado nas reportagens analisadas são as greves e paralisações. A vice-presidente da Internacional de Educação da América Latina, Fátima Aparecida Silva, disse que no geral a categoria dos professores é composta principalmente por mulheres, que chegam a ser 80% no ensino infantil e médio, enquanto no superior há mais homens. Além disso, apontou que os professores estão envelhecendo ao redor do mundo, já que a média de idade é de 45 anos. “A profissão não atrai mais gente jovem. Nos últimos dez anos, os mais novos ficam cerca de quatro anos dando aula até encontrar outra ocupação melhor.” A ausência de formação é presente em todos os países, assim como a fata de um processo de negociação que traga valorização para a profissão, com diferenças entre a zona rural e urbana, tanto na formação quanto na remuneração. “Quando conversamos com os professores que vivem o dia a dia da aula, percebemos que eles reclamam ainda do número excessivo de alunos em sala de aula e da falta de participação nas políticas públicas, além da ausência de plano de carreira e do ressentimento por serem culpados pela má qualidade educacional.” A coordenadora do Comitê Diretivo da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade), Camila Croso, disse que tem notado a tendência de desvalorização dos trabalhadores da educação, além do desprestígio e do processo de culpabilização e criminalização. “São tendências muito preocupantes, mas há também processos de resistência a tais tendências. Mas se sobressai o conjunto desvalorização, desprestígio e criminalização.” Ela destacou ainda a tendência à privatização traduzida no nome de parcerias público-privadas, que aponta para outro lado, procurando ser atrativa. Disse também que há um marcante discurso sobre resultados na aprendizagem que não avalia os rumos da educação, mas dentro do foco de escola como fábrica de seres homogêneos montados para o mercado de trabalho. “Esse sistema de ranqueamento é preocupante porque o resultado é medido sobre o quê? Aí voltamos ao ponto de partida que é perguntar para que serve a educação. Toda análise parte do aluno homogêneo que tem que responder ao mercado de trabalho”, assinalou Camila. Ele também reforçou que há uma criminalização de professores e até dos alunos. “Há uma perda de noção do coletivo, porque há ataque aos sindicatos. Assim individualiza os professores e coloca o sistema de avaliação com prêmio e castigo. Desvaloriza o professor, porque leva a política de ensinar para o teste, para ir bem na prova. Adapta o currículo, se articula como o não protagonista do fazer pedagógico.”. Guillermo Williamson, da Universidad de La Frontera, do Chile, disse que em seu país a educação apresenta cifras de desigualdade e que não há gratuidade para o ensino. Lá, as universidades são pagas ou se têm bolsas de estudo para os pobres. “No Chile, 40% dos jovens podem ir à Universidade, mas se a família tem dois filhos precisa escolher qual deles pode ir ter o ensino superior”. Segundo ele, assim como no Brasil. os jovens estão desistindo de ser professores por conta da precarização do ensino. “Temos que trabalhar fortemente na educação pública estatal e podemos buscar a gestão social com cooperativas mistas com o Estado”. Para ele é preciso retomar a função do professor, que em sua avaliação é ensinar os alunos e ser um mestre. Além disso ele destacou que é preciso que o professor recupere sua autoridade em sala de aula. Edição: João Carlos Rodrigues * Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Flávia Albuquerque, da Agência Brasil
1 Ensino Superior

Educação a distância já responde por quase 15% das matrículas no ensino superior

Brasília – A educação a distância (EAD) já responde por 14,6% das matrículas de graduação no ensino superior do país, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2010, divulgados segunda-feira (7) pelo Ministério da Educação (MEC). O número de estudantes em busca do diploma atingiu 6.379.299 alunos em 2.377 instituições de ensino superior, que oferecem 29.507 cursos. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, o crescimento da modalidade a distância só não é maior poque o governo está dando “um ritmo” para que a expansão não ocorra com prejuízo da qualidade. “Na década de 1990 nós tivemos um crescimento [na educação presencial] que não estava bem administrado e nós não queremos que o mesmo aconteça com a EAD. O que queremos é um crescimento sustentável”. Segundo ele, o percentual de matrículas na EAD no Brasil pode ser considerado baixo em relação a outros países em que a modalidade responde por mais da metade das matrículas. As matrículas continuam concentradas (74%) nas instituições privadas, mas houve um crescimento de 12% no número de alunos das escolas públicas. Entre as instituições públicas de ensino superior, as municipais respondem por 1,6% do total das matrículas, as estaduais por 9,4% e as federais por 14,7%. Haddad destacou que o número de formandos em 2010 (973 mil) é mais que o dobro do registrado em 2001. Também houve crescimento no número de ingressantes das universidades federais, de 143 mil para 302 mil no mesmo período. Apesar de as regiões Norte e Nordeste terem registrado um aumento do número de estudantes no ensino superior entre 2001 e 2010, o Sudeste ainda é responsável por 48,7% das matrículas. O Sul fica com 16,9%, o Centro-Oeste concentra 9,1% e o Norte e o Nordeste, 6,5% e 19,3%, respectivamente. Em 2001, representavam 4,7% e 15,2% do total. Nos cursos presenciais, 3,9 milhões de matrículas estão no bacharelado, 928 mil nas licenciaturas e 545 mil na modalidade tecnológica, de menor duração. Já na educação a distância, as matrículas de licenciatura são 426 mil, de bacharelado, 268 mil, e nos tecnológicos, 235 mil. Edição: Vinicius Doria * Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil
1 Artigo

A Rede: o que era massa vira molécula

Como outras tecnologias (o cinema, o rádio, a televisão e o vídeo) que prometiam revolucionar a educação e não o fizeram, nem tiveram um impacto significativo no paradigma dominante de ensino e aprendizagem, o computador tem o poder de convergir todas as mídias e oferecer sofisticação de informática e telecomunicações. Hoje é possível pensar em molecularização em: marketing (cada cliente tratado como um mercado único, um ser integral); produção industrial (séries de produção de apenas um item, como "jeans" ou carro sob medida; mídia (jornal pessoal, ambiente eletrônico de milhões de canais, mobilidade); educação (cada aluno tratado como aprendiz individual, relação de ganha ganha com seu tutor/educador); transporte (veículos como eletrodomésticos de informação, estradas inteligentes, ambiências de encontros); e a sociedade em geral (estruturas moleculares fluidas feitas de agrupamentos, tribos, rodas - redes). O que era "massa" vira "molecular", um deslocamento conceitual que está transformando o setor produtivo globalizado que já entraram plenamente na sociedade da informação. Há alguns anos diziam que a tecnologia, de certa forma, atrapalhava porque era lenta, um dos bordões da época era –o meu computador está lentil. Hoje, outros dizem que quando a mão do Homem está no processo, é ela que atrapalha. De um lado convivemos com empresas que ainda possuem equipamentos ultrapassados, mobiliário inadequado e transformam a conexão em um eterno restart! De outro, existem aquelas que constroem um atendimento com base em sistemas complexos, modernos, mas que não funcionam porque não há investimento em treinamento, ou seja, no atendimento por trás do sistema – no SER HUMANO. Assim, chegamos à conclusão que, como há uns anos, problemas permanecem de qualquer forma. Falar de tecnologia e, em especial da internet, requer cuidado, porque exige uma grande variedade de pontos a serem explorados. No passado as organizações prosperavam devido a fatores de economia de escala, acesso à matéria prima, produtividade e custo de mão-de-obra. No futuro o sucesso será determinado pela renovação contínua dos produtos, sistemas, processos, ambientes, marketing e recursos humanos. Desde que a informática contagiou todos os segmentos da sociedade, iniciou-se um processo irreversível de exclusão e se transformou na forma de comunicação corporativa. Tudo ou quase tudo começou a andar mais rápido. Milhões de negócios são realizados simultaneamente. E-mail, chats, MSN, Skype, grupos de discussão e as redes sociais. Tudo e em real time. O ciclo se completa com mais velocidade e nossas crianças ficam adultas mais cedo, afinal os games estão ai, exatamente, para criar essa exatidão de pensamento e rapidez nos reflexos. A educação agora é à distância e o professor não é mais o detentor de todas as informações, agora sim, de conhecimento. O computador é uma ferramenta que deve ser utilizada de forma que o usuário não se perca, mas saiba ter o poder da escolha pelo que mais lhe interessa. Enfim, se a tecnologia individualiza e faz com que esqueçamos como se escreve à mão, de forma contraditória transforma a todos, os conectados, em nós de uma única rede e globaliza a troca de experiência e o respeito à diversidade, afinal somos todos interdependentes. A Internet é mesmo uma revolução. Mesmo com todo o conteúdo que possui, é com serviços que os internautas gastam mais o seu tempo. Mesmo que no Brasil a capacidade de acesso seja realmente o de um país em desenvolvimento e pobre, estamos descobrindo a eficiência da ferramenta, e quando os comunicadores perderem o medo e souberem realmente como utilizá-la, a Internet poderá ser realmente uma mídia capaz de atingir milhões. A visão mais cruel que se faz do uso da Internet atualmente, é com relação à segurança. É lógico pensar que à medida que a rede é utilizada como ferramenta financeira, as fraudes, os hackers, os vírus e tantas outras falcatruas proliferam exponencialmente. O momento então é do marketing virtual. Quem não está na Internet não está em lugar nenhum. A história é sábia. Do aparecimento da Internet ao estouro da bolha, muitos visionários faliram, pois estavam no lugar errado no momento errado. De 2003 para cá, o renascimento das atividades digitais profissionalizou o mercado, aumentando o número de anunciantes que exigiram um melhor aproveitamento da web em seus planejamentos, reforçando a idéia do cross-mídia, ou seja, a utilização de mídias integradas. A interligação das pessoas na organização de uma rede de comunicação é a pré-condição para criar esta consciência. O intelecto que surge deve ser apropriado para solucionar problemas, inovar e estender a consciência de indivíduos às organizações. * Valdir Cimino é presidente do Viva e Deixe Viver, Diretor da CS. PRO - Comunicação Sustentável e Educador da FACOM/FAAP. Site: www.valdircimino.com.br. E-mail: valdir.cimino@cspro2.com.br. ** Publicado origialmente no site EcoD.


por Valdir Cimino*

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