Envolverde Rio + 20
por Assessoria de Imprensa
[caption id="attachment_55251" align="aligncenter" width="387" caption="Foto: Xingu Vivo."][/caption]
Em plena Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, comunidades expõem crimes socioambientais cometidos com a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.
Altamira (PA), 15/06/2012 – Cerca de 300 pessoas, entre povos indígenas, agricultores, pescadores, ativistas e moradores afetados pela construção da hidrelétrica de Belo Monte ocuparam, nessa sexta-feira, o local onde a barragem será construída, localizado próximo à vila de Santo Antônio. O protesto pacífico das comunidades tradicionais da Amazônia ocorre no momento em que o Brasil sedia a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro.
O objetivo do protesto é denunciar mais uma vez todos os crimes socioambientais cometidos com a construção de grandes projetos hidrelétricos na Amazônia. Belo Monte é apenas a primeira de dezenas de barragens que o governo brasileiro pretende construir na região, com consequências devastadoras e irreversíveis para a floresta e seus povos.
Logo pela manhã, os manifestantes marcharam até uma das pequenas barragens construídas recentemente para dar início às obras. Munidos de pás, enxadas e picaretas, os moradores que estão sendo deslocados pelas obras, abriram um pequeno canal para restaurar o fluxo natural do Xingu, enquanto outros ativistas usaram seus corpos para formar a mensagem "Pare Belo Monte".
Manifestantes plantaram quinhentas árvores nativas de açaí para estabilizar a margem do rio que foi destruída pelo início das obras e ergueram 200 cruzes no local para relembrar os companheiros que perderam suas vidas defendendo a floresta. Uma delegação de observadores internacionais e ativistas de direitos humanos, incluindo o ator brasileiro Sérgio Marone do Movimento Gota d’Água, também está presente para testemunhar e dar visibilidade às ações.
Enquanto isso, em Altamira, centenas de moradores realizaram uma marcha até a sede da Norte Energia S/A (NESA), consórcio responsável pela construção da usina. As ações fazem parte do Xingu+23, uma série de atividades e debates em comemoração aos 23 anos de resistência contra Belo Monte.
"Nossa luta está longe de ter um fim. Nosso apelo para o mundo é que este rio se mantenha vivo. Nós, as pessoas que vivem ao longo das margens do Xingu, que subsistem do rio, que bebem do rio e que já estão sofrendo as consequências deste projeto de morte, nós exigimos: “Pare, Belo Monte!”, disse Antônia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre.
Sheyla Juruna, líder da comunidade indígena Juruna, afetada pela barragem, afirmou: "A hora é agora! O governo brasileiro está matando o rio Xingu e destruindo a vida dos povos indígenas. Não vamos desistir! Este é o nosso território e vamos agir da nossa própria maneira para parar Belo Monte. Esse rio é nosso e vamos defende-lo até o fim! "
Programado para ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, Belo Monte desviará 80% do fluxo do rio Xingu através de canais artificiais, inundando mais de 600 quilômetros quadrados de floresta enquanto a região conhecida como ‘Volta Grande do Xingu’ (trecho de 100 quilômetros do rio) terá seu volume de água severamente comprometido, privando centenas de famílias indígenas e ribeirinhas do seu recurso mais precioso: a água do Xingu.