Setor financeiro abre as portas para o capital natural

Envolverde Rio + 20

Setor financeiro abre as portas para o capital natural


por Fabiana Frayssinet, da IPS


[caption id="attachment_55407" align="alignleft" width="298" caption="Foto: PNUMA"][/caption] Rio de Janeiro, Brasil, 19/6/2012 (TerraViva) – Diretores do setor financeiro de todo o mundo assumiram o compromisso de incorporar o conceito do “capital natural” em seus produtos e serviços, para defender um patrimônio que, segundo interpretam, tem que ter um preço para impedir maior devastação. A Declaração do Capital Natural foi assinada por 37 máximos representantes de instituições bancárias, de seguros e de investimentos de 13 países, durante o Fórum Corporativo Sustentável, promovido pelas Nações Unidas como uma das atividades paralelas à Rio+20. A declaração sobre o capital natural é promovida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Global Canopy Programme. O objetivo é entender e fazer entender que “ativos” como a água, o ar, o solo e as florestas são um “capital fundamental”, e como eles afetam os negócios das empresas, explicou à IPS Roberta Simonetti, coordenadora do Programa de Financiamento Sustentável da FGV. Em uma segunda instância as instituições se propõem a implantar uma metodologia para incorporar estes ativos nos produtos e serviços. Depois será preciso estabelecer como refletir o impacto nos informes de risco e, finalmente, como contabilizá-lo, detalhou. Simonetti recordou que o termo “capital natural” foi “emprestado” do mundo econômico, afirmando que, da mesma forma que um investidor quer preservar seu patrimônio e viver do ganho que este lhe gera, o desafio é não depredar recursos naturais para obter um benefício disso. “O que propomos é construir coletivamente uma metodologia que ainda não foi criada. Contudo, ao aderir à declaração reconheço a importância do capital natural, reconheço que tentarei entender os riscos, como me impactam, como informá-lo e como calculá-lo”, resumiu Simonetti. Simonetti destacou que há empresas que já avaliam ecologicamente seus negócios, por seu próprio interesse empresarial. “O ideal seria que todos fôssemos altruístas, que reconhecêssemos que estamos usando mais do que devemos, dilapidando o patrimônio do planeta, que aceitássemos que não queremos aumentar a produção”. Porém, existem interesses diversos e isso não é possível, ponderou. Por outro lado, prevalece o conceito empresarial. A especialista deu o exemplo de uma empresa de bebidas em uma região onde não há disponibilidade hídrica, e por isso não pode continuar seu negócio. A única alternativa para continuá-lo será pensar em como colaborar para manter os mananciais e o patrimônio hídrico, indicou. No entanto, organizações sociais participantes da Cúpula dos Povos criticam este modelo. Especialistas como Larissa Packer, da organização Terra de Direitos, temem que, ao se atribuir um valor financeiro a um recurso natural, em lugar de cumprir sua função de conservar a natureza, se estimule a depredação porque, segundo essa lógica, quanto mais escasso um bem mais ele vale. Simonetti, por seu lado, considerou “mal-entendido” esse conceito. “Não é vender a natureza. É entender que, como um serviço ecossistêmico, tem um valor e que, por exemplo, se um fazendeiro conservar a floresta, tem que ter uma compensação para sobreviver sem cortá-la”, argumentou a especialista da FGV. Em entrevista à IPS, Marcelo Cardoso, vice-presidente da Natura, uma multinacional brasileira de cosméticos, pioneira na produção sustentável no país, considera necessário e importante a discussão, mas tem reparos. “Como os recursos naturais são um bem comum, me parece fundamental a valorização dos serviços ambientais e dos ecossistemas. Entretanto, me parece que ainda temos que discutir limites e marcos legais”, alertou. Nesse sentido, Cardoso entende a preocupação das organizações sociais sobre esses ativos. “Existem sistemas como água, como a questão dos resíduos, que se não colocarmos limites claros à utilização, à necessidade de buscar ciclos fechados, à necessidade de sistemas fechados de água, e se só for feita uma avaliação sobre os serviços ambientais e seu uso, terminaremos criando mais devastação e destruição do que o que queremos construir”, ressaltou. Ricardo Villaveces, da Confederação Cafeeira da Colômbia, que também participou do Fórum, afirmou à IPS que aprova a decisão. “Na medida em que os ativos ambientais tenham valor, tudo o que vamos cuidar vamos conservar mas também vamos nos beneficiar deles, porque parte da questão é que é preciso obter uma renda pelos serviços ambientais”, enfatizou. Envolverde/IPS

Chamada5 Envolverde Rio + 20

O Brasil e a liderança necessária na Rio+20

Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 (TerraViva) A ascensão do Brasil e de outras economias emergentes é uma das grandes mudanças desde a Eco 92. Com o poder vem a responsabilidade. Ao invés de paralisia política e ainda mais conversa, há vários desafios econômicos, sociais e ambientais que exigem a tomada de importantes decisões este mês no Rio de Janeiro. Por muito tempo, os líderes governamentais e empresariais têm lidado com os problemas econômicos de uma forma antiquada, como por exemplo, financiar setores “business as usual” (negócios feitos de forma usual/costumeira) – políticas que apenas provocaram uma maior agitação social e ambiental. Mas houve uma mudança global no poder desde o encontro dos governos para a Eco 92 há 20 anos. Países como Brasil, China, Índia e África do Sul (os países BRICS) ganharam poder econômico e político nos últimos 20 anos – um desenvolvimento que oferece esperança de mudança política global. Embora a pobreza ainda exista, os BRICS estão, em muitos aspectos, melhores do que seus colegas “altamente industrializados”: há uma grande taxa de desemprego é em Madrid e grande oferta de emprego em São Paulo. Uma recessão se instala na Grã-Bretanha, enquanto a China continua a crescer. Os  BRICS estão agora solicitando mais influência política onde o poder mundial é discutido – e eles têm o direito de fazê-lo. Entre essas novas potências econômicas, o Brasil ocupa um lugar especial. Talvez nenhum outro país no mundo tenha os meios – a estabilidade financeira, uma democracia madura e os ativos ambientais corretos – para prover um caminho de sustentabilidade e prosperidade. Nesta nova ordem mundial, porém, países como o Brasil não podem apenas exigir ações do resto do mundo. Ele também deve responder à pergunta sobre o que o mundo pode esperar do Brasil. Com o poder vem a responsabilidade. Fundamentalmente, o Brasil exemplifica o dilema com o qual estamos todos nos confrontando: o desenvolvimento econômico versus a sustentabilidade. Em 2012, o Brasil tornou-se a sexta maior economia do mundo e, por grande parte da década passada, foi corretamente elogiado como um líder global no desenvolvimento sustentável para simultaneamente reduzir o desmatamento e ainda reduzir a lacuna entre os ricos e os pobres. Estas conquistas, no entanto, estão sob ameaça. Em maio, a presidente Dilma Rousseff falhou ao não vetar totalmente a lei do novo Código Florestal, que oferece anistia aos criminosos florestais e reabre a Amazônia para a destruição. Quase 80% dos brasileiros se opuseram às prejudiciais mudanças do Código Florestal e cidadãos do Brasil e ao redor do mundo pediram a Dilma Rousseff para vetar a totalidade da lei e se comprometer a atingir o desmatamento zero na Amazônia até 2015. Ela não fez nenhuma dessas coisas. Esta não foi é a liderança que o Brasil deveria estar mostrando. Durante a Rio+20, o Greenpeace chamará as pessoas do Brasil para fazer o seu pedido pelo Desmatamento Zero em voz tão alta que a presidente Dilma Rousseff terá que concordar. Outra área em que o Brasil ainda pode mostrar liderança está nas decisões que toma em relação às reservas de petróleo do país na próxima década. Se o Brasil for em frente com seu desenvolvimento planejado para o petróleo do pré-sal, estará entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo em 2020, com emissões relacionadas ao petróleo ao mesmo nível daquelas que hoje são provenientes do desmatamento. Atualmente, a matriz energética do Brasil – embora longe de ser perfeita dada a sua dependência de grandes hidrelétricas e energia nuclear – é uma das menos intensivas em carbono no mundo. Portanto, se o país for investir o dinheiro que atualmente vai para desmatamento e exploração de petróleo em desmatamento zero e em uma revolução de energia renovável, poderia fornecer energia limpa para todos, ter uma floresta Amazônica próspera e empregos verdes decentes. Isso seria a verdadeira liderança – a liderança que o mundo precisa ver. Como brasileiro, espero que o meu país cumpra sua responsabilidade global na Rio +20. Como anfitrião da cúpula, o Brasil não deve se esconder por trás da dificuldade de alcançar um consenso global, mas sim tomar a iniciativa de mostrar ao mundo que uma economia justa, limpa e verde é possível. O mundo que queremos é possível, e o Brasil pode mostrar a liderança que precisamos para fazer isso acontecer. * Marcelo Furtado é Diretor Executivo do Greenpeace Brasil. ** Publicado originalmente no site TerraViva.


por Marcelo Furtado *
A roçadora Mandava, uma inovação de fazendeiros, é leve e fácil de usar por mulheres. Foto: Manipadma Jena/IPS Envolverde Rio + 20

Novo conjunto de metas de desenvolvimento sustentável vai além de 2015

Rio de Janeiro, Brasil, 17/06/2012 (TerraViva) Quando os líderes mundiais de mais de cem países concluírem sua cúpula de três dias, a Rio+20, no Brasil, entre 20 e 22 deste mês, eles deixarão para trás os fragmentos despedaçados de uma série de propostas que nunca saíram do papel. Um Fundo Global para o Desenvolvimento Sustentável de US$ 30 bilhões? Um Imposto sobre Transações Financeiras? Um Conselho de Desenvolvimento Sustentável? Um Fundo Global para Educação? Uma Organização Ambiental Mundial? Um Órgão Intergovernamental para Temas Fiscais? As propostas partiram de ambientalistas, organizações não governamentais (ONGs), grupos de direitos humanos, do Comitê de ONGs sobre Financiamento para o Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e um Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global. [caption id="attachment_55383" align="alignleft" width="300" caption="A roçadora Mandava, uma inovação de fazendeiros, é leve e fácil de usar por mulheres. Foto: Manipadma Jena/IPS"][/caption] Após um prolongado impasse – sobre questões relacionadas principalmente ao financiamento e transferências de tecnologia – o Comitê Preparatório (PrepCom) de 193 membros não conseguiu, no dia 15, chegar a um acordo a respeito de um plano de uma economia verde e desenvolvimento sustentável em escala mundial. Um documento consolidado produzido pelo Brasil, em sua função como presidente da cúpula (também conhecida como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), será possivelmente o plano final de ação intitulado O Futuro que Queremos, a ser endossado pelos líderes mundiais quando eles chegarem ao Rio, no dia 20. As propostas, incluindo o fortalecimento e modernização do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), transformando-o em uma agência da ONU de pleno direito, estão sujeitas a aprovação prévia da Assembleia Geral. Sobre a criação de um novo conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDG), que também devem ser criados pela Assembleia Geral, o plano de ação alerta que “o desenvolvimento dessas metas não deve desviar o foco ou os esforços na conquista Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)”. O alvo para atingir os ODM, incluindo a redução da pobreza extrema e da fome pela metade, é o ano de 2015. O prazo para os SDG está previsto para começar em 2015, como uma sequência imediata aos ODM. Perguntado por detalhes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse aos repórteres: “É muito difícil para mim dizer alguma coisa que pode dar a impressão de que estou prejulgando qualquer decisão futura dos Estados-membros. “Temos oito ODM, e se serão cinco, sete, oito ou dez metas para o desenvolvimento sustentável, isso ainda está em discussão”, explicou Ban. “Como esses SDG serão atingidos?”, perguntou ele, e observou que as Nações Unidas precisam de ferramentas institucionais para a implementação dessas metas. Uma das ferramentas será um Pnuma reformulado. Outra seria a criação de um fórum intergovernamental de alto nível, com base na atual Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (CSD), para acompanhar todos os compromissos de desenvolvimento sustentável. A cúpula vai recomendar que a primeira reunião do fórum de alto nível seja realizada durante a 68ª sessão da Assembleia Geral, que começa em setembro de 2013. Há outras duas novas propostas no plano de ação: a criação de um mecanismo de desenvolvimento de capacidades, no âmbito das Nações Unidas, para atingir os SDG e o estabelecimento de um processo intergovernamental, no âmbito da Assembleia Geral, para propor opções para uma Estratégia de Financiamento do Desenvolvimento Sustentável eficiente para facilitar a mobilização de recursos. Contudo, o plano de ação não tem quaisquer compromissos financeiros firmes ou compromissos para ajudar na transferência de tecnologias às nações em desenvolvimento. “Em uma rápida olhada, dos 287 parágrafos, apenas sete começam com ‘nós nos comprometemos’”, apontou Daniel Mittler, diretor político do Greenpeace Internacional. O termo “voluntário” aparece 16 vezes, enquanto a expressão “conforme apropriado” – a linguagem da ONU para não fazer nada – domina com 31 menções, detalhou. As estatísticas não são tudo, mas estes números mostram que os governos em geral estão empenhados em postergar e não fazer nada no Rio, enfatizou. “Uma exceção honrosa”, disse o ativista ao TerraViva, é o compromisso com um Plano de Resgate dos Oceanos para o Alto Mar. “Ver se os governos vão se comprometer com um Plano de Resgate dos Oceanos representará agora um teste crucial para saber se esta cúpula gerará algo de concreto”, opinou. No entanto, o projeto para o desenvolvimento sustentável ignora algumas das recomendações feitas pelo painel de 22 membros, codirigido pelo presidente sul-africano Jacob Zuma e a presidente finlandesa Tarja Halonen, que produziu um relatório muito ambicioso em janeiro passado. Tricia O’Rourke, da Oxfam Internacional, disse ao TerraViva que “nossa visão por alto é que (o texto brasileiro) é um texto mais simplificado, com mais chances de ser aprovado, mas menos propenso a permitir um desenvolvimento sustentável.” Ela disse que o texto foi habilmente construído para evitar controvérsias e promover o consenso, mas, mesmo se for aprovado, não reorientará o crescimento econômico para colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. * Publicado originalmente no site TerraViva.


por Thalif Deen, da IPS
Mulheres peruanas durante a marcha das mulheres na Rio+20 - Clarinha Glock Envolverde Rio + 20

Mulheres foram às ruas por seus direitos

Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 (TerraViva) – Enfeitada com um colar de penas e carregando um cartaz escrito à mão, Rosenilda Candido, 38 anos, indígena do grupo Terena, mostrou por que veio da aldeia Bananal, em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, ao Rio de Janeiro para integrar-se à Cúpula dos Povos. Representando a Articulação das Mulheres Brasileiras, chegou tímida à Marcha das Mulheres realizada durante a manhã de ontem (18), mas com um discurso fortalecido pelos debates. A lista de reivindicações de Rosenilda era semelhante a de outras milhares que fizeram a caminhada saindo do Museu de Arte Moderna até o Largo Carioca, no centro da cidade: não à violência, mais segurança nos territórios, demarcação de terras, direitos iguais com os homens. “O urbanismo está trazendo a exploração sexual para as aldeias, dificultando a plantação, provocando poluição e desmatamento”, observou. A faixa alaranjada que carregou durante a Marcha trouxe o apelo da tailandesa Anchalee Phonklieng, 50 anos: “Mulheres da Ásia lutam por liberdade”. Anchalee reclamou da falta de oportunidades e disse que não há muito espaço de participação em seu país. “Podemos contribuir com conhecimento, opinião e informação”, garantiu. Poma Yola, 38 anos, integrante da Articulação Feminista Mercosur, vestiu as coloridas roupas típicas dos peruanos para lembrar que é preciso romper paradigmas e fortalecer os saberes. A seu lado, Mary Marca Paco, diretora executiva do Centro de Informação e Desenvolvimento da Mulheres, com sedeem La Paz, na Bolívia, chamou a atenção para os riscos que corre a saúde reprodutiva humana devido aos efeitos nocivos dos transgênicos, da implantação de megaprojetos, da exploração de minérios, petróleo e energia. “Nossas crianças estão sendo violadas; as mulheres ainda enfrentam o tráfico humano, que as obriga à prostituição, e os abortos clandestinos”, explicou. [caption id="attachment_55377" align="alignleft" width="225" caption="Mulheres peruanas durante a marcha das mulheres na Rio+20. Foto: Clarinha Glock."][/caption] Estavam lá também as representantes da Via Campesina, bem como de instituições feministas e femininas, de partidos políticos, além de homens solidários. O objetivo da Marcha, que conseguiu reunir gente de todos os cantos do Brasil e do Exterior, era dar visibilidade às diferentes vozes que durante muito tempo ficaram caladas e ainda hoje são caladas à força. Elas cantaram, batucaram, brincaram, portaram bandeiras, fizeram discursos e distribuíram panfletos à população. E, sobretudo, se fizeram ouvir: as mulheres são contra o modelo econômico que prioriza o lucro. “Queremos denunciar essa falsa solução de economia verde e mostrar as alternativas construídas pelas representantes femininas em suas organizações”, comentou Bernadete Esperança Monteiro, integrante da secretaria executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres. Noeli Taborda, 31 anos, da Via Campesina e da direção do Movimento das Mulheres Camponesas, lembrou que é possível construir um projeto de agricultura que de fato resolva o problema da alimentação no mundo. “Estamos organizadas, propondo a agricultura ecológica e a recuperação e melhoria das sementes crioulas, que são o início da vida. Não adianta ter acesso aos alimentos se eles estiverem contaminados. Os altos índices de câncer são resultado disso”, enfatizou. Noeli falou contra as mortes – uma mulher assassinada a cada cinco minutos no Brasil -, e comparou a exploração sexual do corpo feminino com a da natureza – ambos são vistos como mercadoria. Sua expectativa é de que na Rio+20 os governos realmente pensem soluções que resolvam a crise ambiental e social. “Gostaria que chegassem a soluções como a reforma agrária e a soberania alimentar através da agroecologia. Queria que os chefes de Estado pensassem pelo povo, e não apenas pela minoria de 5% que detém 40% das riquezas no mundo. Porém, acredito que a Rio+20 vai ser mais um encontro de fortalecimento das grandes economias e do capitalismo. Por isso a Cúpula dos Povos está aqui: para dizer que não queremos isso”. Enquanto as mulheres faziam sua manifestação pela cidade, a diretora executiva da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, se reuniram no Riocentro e afirmaram a importância da participação igualitária e do respeito aos direitos das mulheres para o desenvolvimento sustentável. Segundo Bachelet, quando essa participação é total e igual, as sociedades, as economias e o meio ambiente ficam mais saudáveis. Bachelet citou números que reforçam as denúncias e os apelos feitos durante a Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos. “Uma mulher morre a cada dois minutos de complicações do parto e da gravidez; a violência contra as mulheres continua uma epidemia global; as mulheres recebem menos que os homens pelo mesmo trabalho e continuam pouco representadas na tomada de decisões”, disse. Para Bachelet, isso não é sustentabilidade, é exclusão social e não fere apenas as mulheres, mas a todos. “Na Rio+20 temos a chance de mudar o futuro”, garantiu. * Publicado originalmente no site TerraViva.


por Clarinha Glock, da IPS
Painel Cidades Sustentáveis. Foto: Fabíola Ortiz Envolverde Rio + 20

ONU lança iniciativa global para cidades inteligentes

Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 (TerraViva) – A cada ano a população mundial se torna mais e mais urbana, as projeções indicam que até 2050, 80% das pessoas viverão em cidades e o desafio é melhorar a eficiência no uso de seus recursos como água e energia, além de reduzir os níveis de poluição responsável pela piora da qualidade de vida. Como forma de favorecer o crescimento mais sustentável das cidades e melhor aproveitar os recursos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou, nesta segunda-feira, dia 18 de junho, na Rio+20, a Iniciativa Global para Cidades Eficientes no Uso de Recursos (em inglês Global Initiative for Resource Efficient Cities). O objetivo é atrair a adesão voluntária de cidades mundiais com mais de 500 mil habitantes para estabelecer metas a serem perseguidas até 2020 como a melhora na eficiência hídrica e energética em edifícios, indústrias e nas cidades em 50% de seu consumo atual, assim como expandir as redes de reciclagem e o tratamento de resíduos sólidos. “É possível reduzir o consumo sem a necessidade de investir volumosos recursos, é apenas uma questão de mudar hábitos de vida. Muitas cidades no mundo desperdiçam um terço de sua água devido à má gestão”, afirmou Arab Hoballah, coordenador da iniciativa do PNUMA. [caption id="attachment_55373" align="alignleft" width="300" caption="Painel Cidades Sustentáveis. Foto: Fabíola Ortiz"][/caption] Apesar de as cidades ocuparem uma área de apenas 3% da superfície da Terra, elas respondem por metade da geração de todo o lixo, geram entre 60% e 80% de todas as emissões de gases de efeito estufa e ainda são responsáveis por consumir 85% dos recursos naturais. Em 20 anos, os investimentos urbanos em infraestrutura necessários para tornar as cidades mais eficientes e sustentáveis são de de U$S 41 trilhões com enfoque especial no planejamento urbano mais inteligente como a melhoria dos transportes públicos, áreas para pedestres, ciclovias e adoção de tecnologias verdes. Contudo, segundo as Nações Unidas, é possível fazer uma economia no uso de água em 30% e reduzir até mesmo pela metade o consumo de energia nas grandes cidades apenas adotando hábitos e comportamentos de consumo no dia a dia. Cidades como São Paulo, no Brasil; Copenhague, na Dinamarca; Malmö, na Suécia; e Gwangju, na Coréia do Sul; já aderiram à iniciativa. O Rio de Janeiro, anfitrião da Conferência Rio+20, também pretende ingressar na iniciativa. Os governos dos Estados Unidos e do Japão também anunciaram seu apoio na Rio+20. “Esta iniciativa é oportuna, pois no Japão, depois do terremoto, muitas cidades estão se reconstruindo e queremos que sejam amigáveis ao meio ambiente e de baixo carbono. Já traçamos uma estratégia de crescimento verde. Estamos trabalhando na ideia de eficiência energética e menos emissões”, enfatizou o assistente especial do Ministério de Relações Exteriores do Japão, o embaixador Masahiko Horie. Hoballah do PNUMA garantiu ainda que haverá um mecanismo para monitorar o desempenho das cidades que aderirem à iniciativa global e incentivar medidas inovadoras de sustentabilidade. Metas sustentáveis para as cidades Segundo disse à IPS o engenheiro ambiental da Escola Politécnica da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), Haroldo Mattos de Lemos, só no Brasil, 85% da população vive hoje nas cidades, 161,5 milhões, diferentemente de 50 anos atrás, quando apenas 30% da população brasileira era urbana. O pesquisador defende que sejam criadas metas específicas de eficiência no uso dos recursos de acordo com cada cidade. “Nós, até hoje, demos pouca importância ao meio ambiente urbano e à qualidade de vida urbana como praças, arborização, qualidade do ar boa, se o lixo é coletado e tratado de forma correta, assim como o tratamento de esgoto”, afirmou Mattos de Lemos. Apesar das expectativas em torno da definição de metas do desenvolvimento sustentável (as chamadas SDGs em inglês,Sustainable Development Goals), o engenheiro ambiental já não alimenta esperanças que da Rio+20 saiam metas estabelecidas. “É importante criar metas para os centros urbanos, mas não acreditamos mais que seja possível, desta reunião da Rio+20, que os governos aprovem medidas concretas. No processo para desenvolver as SDGs até 2015 para  substituir as metas do milênio, as cidades tem que estar incluídas”, defendeu. (IPS/TerraViva) * Publicado originalmente no site TerraViva.


por Fabíola Ortiz, da IPS
Fotografo Yann Arthur Bertrand. Heart in Voh, New Caledonia (French Overseas Territory) exposed in the exhibition during Rio+20 ' Earth from Above' Envolverde Rio + 20

Compromissos de reflorestas alcançam 12% das áreas verdes

Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 (TerraViva) – O mundo se comprometeu até agora a restaurar apenas 18 milhões de hectares de florestas até 2020, o que corresponde a apenas 12% da meta de 150 milhões de hectares acordada no Desafio de Bonn, na Alemanha, em 2011. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 18 de janeiro, durante a Conferência da Rio+20 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que fez um apelo global para que mais países se unam à corrente voluntária e comprometam-se a reflorestar e a recuperar as áreas verdes no mundo. Existem atualmente 2 bilhões de hectares no planeta que precisam ser restaurados, alerta o diretor de Soluções Baseadas na Natureza da IUCN, Stewart Maginnis. “Queremos ver ações reais, temos que enfocar nesta meta para os próximos 10 anos de 150 milhões de hectares. Já temos um pouco mais de 10% de compromisso firmado. Este é o primeiro passo, temos já conversado com outros governos e acho que daqui vamos avançar até o final do ano”, garantiu à IPS Maginnis. Pelo fato de ser uma adesão voluntária, não haverá nenhum tipo de punição para os países que aderirem. No entanto, Maginnis admitiu haver “muito entusiasmo” por parte dos países que estão na Rio+20. Segundo o próprio presidente da IUCN, Ashok Khosla, as vantagens em restaurar florestas são muitas e com grandes impactos positivos nos ecossistemas e na biodiversidade. [caption id="attachment_55364" align="alignright" width="300" caption="Fotografo Yann Arthur Bertrand. Heart in Voh, New Caledonia (French Overseas Territory) exposed in the exhibition during Rio+20 ' Earth from Above'"][/caption] “A meta para 2020 é passível de ser alcançada, mesmo que ambiciosa. Serão necessários U$S 18 bilhões de dólares de investimentos por ano”, anunciou Khosla. Somente o Serviço Florestal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou que irá restaurar 15 milhões de hectares. O governo de Ruanda também já assumiu o compromisso de recuperar 2 milhões de hectares. O Brasil, através do pacto Restauração da Mata Atlântica, uma coalizão de agências governamentais, ONGs e setor privado, divulgaram que pretendem recuperar 1 milhão de hectares no país. Segundo avaliações da União Internacional para a Conservação da Natureza,  a restauração de 150 milhões de hectares injetaria U$S 80 bilhões na economia global e seria capaz de reduzir em 17% o buraco das emissões de gases de efeito estufa que tem forte impacto nas mudanças climáticas. Segundo Gustavo Sánchez, presidente da Rede Mexicana de Organizações Camponesas Florestais e integrante da Aliança Mesoamericana de Povos e Bosques, somente na região da América Central, há 20 milhões de hectares de áreas verdes que precisam ser recuperadas. “Há muitos exemplos de insucesso de reflorestação com fins propagandísticos. É preciso desenhar uma política de ciclo de cultivo do bosque, plantar uma árvore é apenas um dos passos, o seguinte é definir o modelo de como vai ser feita essa restauração. Nós propomos uma reflorestação produtiva com um objetivo ecológico e sustentável”, disse à IPS Sánchez. O representante da Aliança Mesoamericana defende ainda a criação de um fundo de manejo sustentável para a região, mas admite que não há uma articulação interregional entre os governos. “Mas a nível nacional, cada um já pode começar a incentivar um fundo para garantir linhas de crédito”. [caption id="attachment_55370" align="alignleft" width="300" caption="Bianca Jagger participa do painel sobre florestas"][/caption] Campanha ‘Plante um Compromisso’ Para conseguir apoio público para o Desafio de Bonn, a ativista Bianca Jagger fez um apelo global para a campanha online “Plante um Compromisso” (em inglês Plant a Pledge). “Esta é a maior iniciativa de restauração de florestas que o mundo já viu. Não há mais como continuar a degradação do ecossistema. Quando atingirmos as metas, vamos ver os impactos tangíveis para as futuras gerações. Este é apenas o começo, ainda temos que convencer os políticos no mundo todo. Temos que reduzir a lacuna que há entre governos, assunção de compromissos e emissões de carbono”, defendeu Jagger que é a embaixatriz da campanha. Segundo o relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre o estado das florestas no mundo (em inglês State of the World’s Forests 2012 – SOFO), as florestas são a melhor forma de estoque de carbono, pois são capazes de armazenar 289 gigatoneladas de carbono e ainda servir de arma para mitigar as mudanças climáticas. As florestas abrigam dois terços da biodiversidade terrestre. O diretor da IUCN defendeu ainda que os negociadores do documento final da conferência reavaliem a importância de restaurar as florestas no mundo e incluam novamente este ponto na declaração da Rio+20. “Ficamos desapontados porque a restauração de floretas estava no texto original e foi retirada. O que está escrito no documento hoje não inclui ações agroflorestais que melhoram a conservação do solo. Queremos que os negociadores reconheçam a importância da restauração das áreas verdes. Este tema deve retornar à pauta”, argumentou Maginnis. * Publicado originalmente no site TerraViva.


por Fabíola Ortiz, da IPS
Achim Steiner debatendo na Cúpula dos Povos. Crédito: João Roberto Ripper Economia Verde

Steiner e Cúpula dos Povos se chocam quanto à economia verde

[caption id="attachment_55292" align="alignright" width="300" caption="Achim Steiner debatendo na Cúpula dos Povos. Crédito: João Roberto Ripper"][/caption] Rio de Janeiro, Brasil, 18/6/2012 (TerraViva) O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, acredita que ele a Cúpula dos Povos coincidem quanto ao atual modelo econômico ter causado o colapso ambiental. Porém, o diálogo sobre como substituí-lo se transformou em áspero debate. O encontro com Steiner foi o mais esperado da Cúpula dos Povos: um alto representante da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, se deslocou para o outro lado da cidade, até a sede da reunião da sociedade civil no Aterro do Flamengo, para discutir com ecologistas e ativistas sociais sobre economia verde. A economia verde é proposta como uma grande transformação dos modelos de produção e consumo para deter a contaminação e o esgotamento dos recursos naturais. Entretanto, para os movimentos sociais, não é mais do que outra cor para disfarçar o capitalismo. “A Cúpula dos Povos é crítica da economia verde, porque os povos é que sofrem a crise do capitalismo e desse modelo de produção que quanto mais se agrava mais avança sobre nossos direitos”, afirmou de início a brasileira Fátima Mello, uma das organizadoras do encontro. “Entendemos que a economia verde, que se baseia na mercantilização de bens naturais, está estreitamente ligada a uma economia marrom”, de contaminação e depredação, disse a também brasileira Larissa Packer, da organização Terra de Direitos. A verdadeira “economia verde não é o dólar verde, como a veem os governantes. É nossa Amazônia verde”, defendeu o indígena boliviano Edwin Vásquez, que acusou as corporações transnacionais de invadirem e saquearem os recursos naturais. Por sua vez, o argentino Juan Herrera, da rede internacional Via Camponesa, propôs um modelo de “economia popular, solidária e camponesa” que substitua o atual grande agronegócio, pois este “gerou verdadeiros desertos de soja e milho onde os camponeses já não têm um lugar”. Diante desses pronunciamentos e críticas, Steiner, um especialista em políticas ambientais, se confessou “surpreso”. “No Pnuma estabelecemos que o modelo econômico atual não é o modelo do futuro. Estamos de acordo com vocês nisso”, afirmou, orientando os participantes a “lerem o documento oficial desta agência das Nações Unidas que aborda as diferentes interpretações sobre economia verde. Sem seus habituais terno e gravata, Steiner explicou que o “fracasso” de não se ter evitado a degradação natural “tem a ver com o modelo econômico do mundo que trata o planeta como mineração: extrair, extrair e extrair”. E quase adotou a mesma linguagem que a plateia adversária, ao se declarar crítico da “capacidade do mercado de alcançar o desenvolvimento sustentável”, e especificou: um mercado baseado, como se fosse uma “lei da física”, na livre oferta e demanda. “O atum de barbatana azul vale hoje no mercado US$ 4 mil. Por isto, as empresas poderiam capturar até o último exemplar”, deu como exemplo para justificar que o “mercado não ajuda a administrar o planeta de forma sustentável”. As diferenças surgiram ao se buscar opções a esse modelo. Entre outras propostas, Steiner propôs atribuir um valor econômico ao ecossistema, para promover “leis que protejam a natureza ou negócios que não sejam destrutivos”. Também se referiu a novas tecnologias “boas e possíveis”, como as energias limpas e renováveis, que não gerariam desemprego, porque, pelo contrário, “dão mais empregos do que a indústria automobilística”. Seus argumentos não convenceram o especialista em biodiversidade Pat Mooney. Este canadense citou tecnologias danosas propostas pela economia verde, como a biologia sintética, que modifica micro-organismos, ou o desenvolvimento de variedades transgênicas, que concentrou o controle das sementes em um punhado de multinacionais. Mooney se disse espantado por uma economia verde que agora busca controlar a biomassa do planeta. Tampouco o embaixador da Bolívia perante a Organização das Nações Unidas (ONU), Pablo Solón, ficou convencido, acusando Steiner de “não ter sido honesto”. “Por trás desse conceito está o assumir que a natureza é um quintal”, enfatizou Solón elevando a voz, e afirmou que “não estamos inventando isso”, que está no rascunho em discussão pelos governos na Rio+20. Steiner “disse que buscam desacoplar o crescimento com a deterioração ambiental. Não se pode crescer eternamente, o limite é a biodiversidade! O que necessitamos é redistribuir a riqueza!”, polemizou. “Não por ter elevado o tom de voz e o da plateia, tudo o que você disse é correto”, respondeu Steiner. Nessa polarização entre capitalismo e anticapitalismo “o mundo não avançará”, ressaltou ao argumentar o difícil que é conseguir consenso entre todos os Estados-membros da ONU. Propor uma economia verde sem regulamentar o mercado financeiro causará o contrário da conservação: “uma bolha financeira imprevisível”, apontou Packer ao TerraViva. “Quando há escassez de uma mercadoria, seu valor sobe. Portanto, quanto mais se destruir a natureza, maior será o valor dos ativos naturais”, alertou. (IPS/TerraViva) * Publicado originalmente no site TerraViva.


por Fabiana Frayssinet, da IPS
Debate sobre Brics e cooperação na Cúpula dos Povos. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS Economia

Cooperação dos Brics entre o céu e o inferno

[caption id="attachment_55302" align="alignright" width="300" caption="Debate sobre Brics e cooperação na Cúpula dos Povos. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS"][/caption] Rio de Janeiro, Brasil, 17/6/2012 (TerraViva) – Os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm diante de si uma escolha crucial: optar por uma cooperação “do bem”, em busca do desenvolvimento sustentável, ou por uma aliança “do mal”, que siga os passos da ajuda tradicional, que criticavam quando eram seus beneficiários. Essa foi a conclusão de um debate sobre os desafios de sustentabilidade dos Brics, na Cúpula dos Povos da Rio+20. Países como o Brasil, embora tenham deixado de receber ajuda internacional, pelo tamanho de suas economias também se converteram em doadores mundiais, afirmou Adriano Campolina, da filial da ActionAid no Brasil. Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro promove a pequena produção agrícola familiar para combater a pobreza e a desigualdade, e ainda melhorar a segurança alimentar, o país multiplica a “agricultura patronal”, baseada nas monoculturas e na concentração da terra, que provoca desemprego e afeta o meio ambiente, afirmou o ativista ao TerraViva. “Essas contradições acabam reproduzidas em sua estratégia de cooperação”, alertou Campolina. Por um lado, o governo promove uma cooperação técnica “do bem” com países africanos, em agricultura familiar e autossuficiência alimentar, por exemplo. Por outro, pratica “uma cooperação do mal”, como a que promove o desenvolvimento de sua própria tecnologia para produzir etanol de cana-de-açúcar e adquire terras em grande escala em outros países para implantar monoculturas de soja ou cana, repetindo o modelo do agronegócio nacional. Olga Ponizova, do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Rússia (Eco-Accord), descreveu uma estratégia similar em seu país, como o apoio de Moscou à “exportação” de reatores nucleares por meio de subsídios. Para Vera Masagão, da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, “o desafio é que, não por sermos mais ricos, repitamos, como doadores, a estratégia imperialista de cooperação do passado”. É possível aplicar uma “cooperação do bem” ou “solidária” exportando experiências de êxito que são fruto de anos de conquista sociais, ressaltou. Segundo Sérgio Schlesinger, da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, o problema mais grave é outro tipo de cooperação que, embora não seja oficialmente contabilizada, é mais volumosa em recursos investidos. Trata-se do setor privado brasileiro na cooperação internacional por meio de subsídios concedidos por instituições estatais como o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Este tipo de assistência subsidiada para projetos em países com os quais se coopera acaba beneficiando multinacionais brasileiras de petróleo, mineração, infraestrutura e agroalimentação. O especialista detalhou a estratégia brasileira de “multiplicar o número de países fornecedores de etanol” na África, Ásia e no resto da América Latina, sem monopolizar o mercado mundial. “O Brasil percebeu que seu desejo de ser um grande provedor mundial de biocombustíveis não poderia se concretizar tendo ele como único produtor, por isso começou a estimular outros países – a maioria na África – a investir nisso”, explicou ao Terraviva. Esse tipo de cooperação tem interesses pouco claros, acrescentou. O temor de Masagão é que se repita “o que faziam países do Norte, criticados por práticas proibidas como condicionar a ajuda à compra de produtos ou tecnologias próprias”. O economista Adhemar Mineiro, estudioso das economias do Brics, apontou as consequências socioambientais desse esquema. “Com a internacionalização de suas empresas, o Brasil se converte no grande fornecedor de minerais, energia e agroalimentos”, apontou. Esse modelo de exploração de recursos naturais no Brasil parece “insustentável”, mas é aplicado no exterior, alertou. A sul-africana Marcia Andrews, da organização Peoples Dialogue, propôs que haja maior controle para estudar e evitar mecanismos de cooperação como os descritos por parte do Brasil e da China. “Nenhum dos Brics tem um histórico de desenvolvimento sustentável limpo”, observou. Nesse aspecto, prosseguiu, é preocupante a inclusão da África do Sul no Brics, que atribuiu à pressão exercida pela China, que vê este país como uma “porta de entrada” do continente africano para seus investimentos e seu comércio. Entretanto, deixar claras estas contradições não é tão simples em países como África do Sul ou Brasil, governados por partidos de tradição esquerdista e de centro-esquerda que protagonizaram longas lutas pela liberdade e democracia. “Como construir uma oposição hegemônica contra governos que se dizem progressistas?”, questionou Andrews, com uma inquietação que já é de muitos na Cúpula dos Povos. (IPS/TerraViva) * Publicado originalmente no site TerraViva.


por Fabiana Frayssinet, da IPS
Diálogos abrem espaço para a participação do sociedade civil Envolverde Rio + 20

Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável dividem participantes

[caption id="attachment_55322" align="alignleft" width="225" caption="Diálogos abrem espaço para a participação do sociedade civil"][/caption] Anunciada como uma inovação ao trazer para os debates a participação de internautas e da população civil como parte da programação oficial da Rio+20, a proposta dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável trouxe também dúvidas sobre o futuro das recomendações ali definidas. “Sempre tem uma repercussão”, admitiu ao Terraviva o professor Elimar Pinheiro do Nascimento, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília que esteve presente no segundo dia dos “Diálogos”. “O que pode ser questionado é a natureza das discussões”, acrescentou. E explicou: “Mesmo que todas as medidas sejam implementadas, ainda estaremos muito aquém do necessário”. Nascimento recorda que de 1992 (data da primeira conferência) até hoje houve melhorias. Por exemplo: é preciso menos energia para produzir. Porém, como as quantidades produzidas são muito maiores, no final das contas se utiliza mais matéria-prima e, portanto, a degradação do meio ambiente é maior. Se as medidas definidas nos “Diálogos” forem colocadas em prática, mas ao mesmo tempo aumentar a degradação, os impactos sobre a vida de todos também serão mais profundos, argumentou o professor. “Da forma como está agora tendemos a viver pior – pelo menos uma parcela significativa da população que vai enfrentar mais guerras, migrações e escassez de alimentos. Para se ter uma vida melhor, é preciso muito mais”, insistiu. “É preciso sinalizar que os países do Norte não podem crescer mais, têm que estacionar suas economias, e que os países do Sul também têm que mudar sua forma de crescimento”. Nascimento ressaltou a importância de os cidadãos buscarem formas diferentes de consumo e de repensarem a rápida obsolescência dos produtos. E disse que, mesmo que o pior cenário só vá ocorrer daqui a 50 anos, é preferível tomar atitudes mais fortes hoje, e não apenas paliativos. Rosa Alegria, coordenadora do Núcleo de Estudos do Futuro, ligado à Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, que faz parte também do projeto Millennium da Rede Pesquisa Mundial, e do Conselho Deliberativo do Diálogos para a Economia Verde (da Green Economy Coalition), é ainda menos otimista sobre os resultados dos “Diálogos” propostos pelo governo dentro da programação oficial da Rio+20. Alegria participou da construção do processo desde que a ideia foi cogitada pela primeira vez. Incorporada pelo Itamaraty, a proposta gerou controvérsias sobre o formato a ser adotado. “O que era para ser da sociedade passou a ser algo desenhado pelo governo”, lembrou. “O que vejo aqui é um formato tradicional, conservador, que não instiga à participação, e que intimida porque é muito formal e burocrático”, criticou. Ainda assim, reconheceu que os presentes no Pavilhão 5 do Riocentro se manifestaram muito e trouxeram questões para debate. “Mas resumir um diálogo a 10 questões reduz o pensamento. O processo criativo ficou prejudicado. Não parece um diálogo, parece um fórum. Além disso, a integração da sociedade devia ser mais espontânea e a Cúpula dos Povos não deveria ter ficado separada”, disse Alegria. Suas dúvidas se concentram agora no destino final que terão as recomendações. “Se nem o documento final está pronto, como vão conseguir incluir mais isso?”, perguntou. Ela sugeriu que os resultados dos diálogos sejam encarados como um caminho paralelo, uma espécie de monitoramento ou pós-tratado de um novo modelo econômico e uma oportunidade de elucidar a economia verde. Porque, a seu ver, a sociedade ainda não entende o que é essa tal de “economia verde”, em nenhum momento foi discutido e definido um conceito claro e objetivo. “Aqui poderia ser a oportunidade de definir esse conceito”, observou. Em entrevista coletiva realizada dia 17 de junho, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo anunciou que um grupo se reuniria naquela tarde para tratar justamente de criar essa definição. Do ponto de vista dos panelistas convidados, os Diálogos são um sucesso. “São um reflexo do que é moralmente e cientificamente necessário. O que estes documentos mostram é o que o mundo acredita que é preciso fazer”, ressaltou Manish Bapna, presidente do World Resources Institute, que participou do debate sobre Desenvolvimento Sustentável para o Combate à Pobreza. Em seu painel houve um consenso de que é urgente promover a educação e difundir um conceito compartilhado de responsabilidade sobre sustentabilidade. O plenário sugeriu que seja assegurada a capacitação da população para promover essa sustentabilidade, com o Estado garantindo os serviços básicos e, por fim, os panelistas concordaram com a necessidade de enfatizar o empoderamento das comunidades locais, promovendo o acesso à informação e a participação. Maria Cecília Wey de Brito, secretária geral da WWF-Brasil, também fez críticas, mas, independentemente do processo, considerou importante estar presente no Diálogo sobre Florestas para sugerir incluir na lista de prioridades um item que prevê a meta de desamatamento zero até o ano 2020. Sua insistência teve resultado. A recomendação foi incluída, junto com a ênfase na recuperação e reflorestamento de 150 milhões de hectares imediatamente (a mais votada pelos internautas), bem como o reconhecimento da importância da Ciência, da Tecnologia e do Conhecimento Tradicional para o desenvolvimento do modo sustentável. Bertha Becker, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, enfatizou a necessidade de gerar recursos para as populações que habitam estas áreas. “A Amazônia Ocidental está se transformando numa fonteira de imigração da pobreza, porque a reforma agrária nacional levou para lá os assentados, e estão indo para lá também os haitianos, africanos e indianos”, comentou. Daí a necessidade de criar novas formas de produção sustentável e de equipar as cidades para oferecer os serviços básicos a esta população, disse Bertha. Pelas discussões geradas, Klaus Töpfer, fundador e diretor-executivo do Instituto de Estudosem Sustentabilidade Avançados, acredita que as conclusões de todos os paineis são importantes não só para o Brasil, como para todo o mundo. “Não podemos garantir que sejam integradas ao documento principal da Rio+20, mas estarão no papel. E tiveram uma participação grande da sociedade”, resumiu Töpfer. (IPS/TerraViva) * Publicado originalmente no site Terra Viva.


por Clarinha Glock, da IPS
c9 Envolverde Rio + 20

Ativistas abrem nota enorme de US$ 1 trilhão na Praia de Copacabana durante a Rio+20

"Eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis" está no topo de uma pesquisa da ONU como uma das mais importantes demandas da população para a Rio+20. Mais de 1 milhão de pessoas assinaram petições pedindo por ação e um "tuitaço" pelo fim dos subsídios aos combustíveis vai inundar a Internet na segunda-feira. As organizações globais de campanhas Avaaz e 350.org abriram uma nota gigante representando US$ 1 trilhão na famosa praia de Copacabana esta tarde, exigindo que os líderes mundiais na Rio+20 dêem um fim à essa enorme quantia que é repassada para subsidiar os combustíveis fósseis todos os anos. "US$1 trilhão seriam muito bem usados para resolver alguns problemas do mundo -- e teríamos menos problemas se não estivéssemos pagando para a indústria de combustíveis fósseis destruir o clima," disse o fundador da 350.org Bill McKibben. "Essa é a solução política mais simples de toda a nossa história." Mais de 1 milhão de pessoas ao redor do mundo assinaram as petições online da Avaaz e 350.org que pede a eliminação progressiva dos pagamentos às empresas de energia suja, tornando a questão dos subsídios aos combustíveis fósseis uma importante demanda da população para a Rio+20. Em uma pesquisa de opinião pública da ONU, 66% das pessoas que responderam elegeram o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis como a prioridade número um para os líderes mundiais que estão no Rio de Janeiro. "Essa é a maior conferência ambiental dos últimos 20 anos em um tempo de crises sem precedentes e parece que as coisas não vão além das negociações," disse o diretor-executivo da Avaaz, Ricken Patel. "As pessoas estão enviando seus líderes para o Rio com uma tarefa: pegar essa quantia de US$1 trilhão em impostos que eles usam para pagar os poluidores pela destruição do nosso planeta e transformar em investimento verde. Eles precisam tornar nossos impostos mais verdes." A ação foi feita no momento em que os negociadores estão discutindo desesperadamente a portas fechadas se vão ou não eliminar esses subsídios. A Arábia Saudita e a Venezuela estão pressionando pela eliminação de qualquer linguagem relacionada aos subsídios aos combustíveis fósseis, enquanto a Nova Zelândia e os Estados Unidos lutam para que a eliminação dos subsídios permaneça no texto final. Os ministros têm até segunda-feira para finalizar o texto de negociação, antes que os chefes de estado cheguem para tomar decisões no Segmento de Alto-Nível da Rio+20. G20 Os líderes já se comprometeram em acabar com os subsídios aos combustíves fosseis em 2009, mas eles fracassaram em cumprir sua promessa. Muitos acreditam que a Rio+20 dá aos líderes a melhor plataforma para transformar as suas promessas em compromissos concretos e com um prazo definido. Nesta segunda-feira, a ação será ainda maior com a expectativa de centenas de milhares de pessoas se unirem em um tuitaço de 24 horas para gerar o maior número de tweets com a hashtag #endfossilfuelsubsidies possível. As mensagem serão projetadas em Sidney, Nova Delhi, Londres e dentro do Rio Centro, centro de conferência da Rio+20. * Publicado originalmente no site 350.org e retirado do site CarbonoBrasil.


por Redação do 350.org

Página 9 de 25« Primeira...7891011...20...Última »
Para enviar sua dica ou opinião, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Dica/Opinião

dica de
sustentabilidade

anterior | próxima
vaso garrafas002 Recicle seu jardim

Foto: Reprodução/ limaoflor.wordpress.com

O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante. A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente. Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável. O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:  
  • Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
  • Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
  • Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
  • Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
  Em todos os casos, é preciso encontrar a melhor maneira de reproduzir as condições naturais de crescimento de cada planta. Toda espécie tem sua necessidade específica de água, portanto, é interessante escolher o recipiente de acordo com as necessidades de cada variedade. Flores como as orquídeas exigem pouquíssimas regas e obtém sua cota de água proveniente do ar, logo são mais fáceis de monitorar. Já as margaridas precisam de regas constantes e solo úmido, sem estar encharcado, e exigem um cuidado maior. *A Giuliana Flores está há mais de 20 anos no mercado e é líder em vendas de flores pela internet.- www.giulianaflores.com.br
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
agua-acesso-ecod

OMS: 748 milhões de pessoas não têm acesso a água potável no planeta. Foto: Logan Abassi/ONU

bio-bus-ecod

Ônibus de cidade inglesa é movido a fezes, esgoto e lixo orgânico. Saiba mais aqui.

jardim1

Minhocão deverá ter jardins verticais em 2015. Veja mais aqui.

Fátima Jibrell é a primeira somali a receber o prêmio “Campeões da Terra”. Foto: Adeso

Fatima Jibrell será a primeira pessoa da Somália a receber o prêmio ‘Campeões da Terra’. A ativista combate o comércio ilegal de carvão vegetal e defende a forma de vida pastoral em seu país.

Foto: Fábio Arantes/ SECOM/ Fotos Públicas

A Ponte da Casa Verde, ganhou no último dia 4 uma ciclovia bidirecional de 600 metros ao longo de sua extensão. Foto: Fábio Arantes/ SECOM/ Fotos Públicas

Rio Paraíba. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Fotos Públicas

Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul na cidade de Barra do Piraí, no estado do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil/ Fotos Públicas

Foto: Eduardo Santos

Amazônia perdeu “três estados de São Paulo” em 40 anos, aponta estudo. Saiba mais aqui. Foto: Eduardo Santos.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/ Fotos Públicas

Indígenas protestam em frente ao Palácio do Planalto e pedem infraestrutura nas escolas e a garantia da formação educacional com respeito aos valores tradicionais das comunidades.

Foto: NASA Earth Observatory image by Jesse Allen, using Landsat data from the U.S. Geological Survey/ Fotos Públicas

Nasa publica imagem que mostra efeito da seca no Sistema Cantareira. Veja os detalhes aqui.

Mulher_Gravida_SerraLeoaUNICEFTanya-Bindra

Crise no setor de saúde dos países afetados por ebola põe em risco a 800 mil mulheres grávidas. Foto: Mulher grávida em Freetown, Serra Leoa. UNICEF/Tanya Bindra