Argentina procura reestruturar dívida em mãos de fundos abutres

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Argentina procura reestruturar dívida em mãos de fundos abutres


por Marcela Valente, da IPS


[caption id="attachment_97230" align="aligncenter" width="529"] Da Casa Rosada, sede do governo argentino, surgiu a ideia de reabrir a troca de bônus para superar a disputa judicial pela reclamação de fundos abutres. Foto: Marcela Valente[/caption]   Buenos Aires, Argentina, 29/8/2013 – Como demonstração da reiterada vontade de pagamento da Argentina, a presidente Cristina Fernández enviou ao parlamento um projeto de reabertura de troca dos títulos permanentes da dívida em suspensão de pagamento. A maioria da oposição, que ferreamente enfrenta o governo, desta vez aprova a proposta. Na iniciativa que o Senado começou a debater ontem, o governo pede autorização para lançar uma rodada de negociação de troca dos bônus não pagos desde o final de 2001 por outros em iguais condições de quitação, redução de juros e extensão de vencimentos aos pactados em 2005 e 2010. Nessas duas instâncias a Argentina pode reestruturar quase 93% de suas dívidas vencidas, no valor de US$ 90 bilhões e uma quitação média de 67%. “A igualdade é uma pedra basal deste processo de reestruturação de dívidas”, afirma-se no projeto, que proíbe oferecer aos portadores de dívida que iniciaram ações judiciais um tratamento mais favorável do que aos que não o fizeram. O texto submetido ao Congresso legislativo estabelece que a troca seja mantida em aberto, ao contrário das duas anteriores, que tinham prazos para os credores aderirem. O governo responde, assim, à sentença, do dia 23, da Corte de Apelações do Segundo Distrito, em Nova York, a favor de um grupo de portadores de parte de mais de 7% da dívida declarada “não paga” há 12 anos, que rejeitaram a troca para reclamar judicialmente o pagamento de 100% do valor nominal dos títulos do Tesouro argentino. O economista Fausto Spotorno, do Centro de Estudos Econômicos, disse à IPS que o projeto de reabertura da troca “é muito razoável”, e afirmou que “nunca deveria ter sido fechado, mas abri-lo agora é um bom sinal político perante a justiça e pode servir para a entrada de mais alguns portadores”. Spotorno suspeita que, se o caso for aceito pela Suprema Corte dos Estados Unidos, a decisão dificilmente será favorável à Argentina. Nesse sentido, considerou que mudar de jurisdição poderia ser um caminho para clarear incertezas quanto à firmeza da sentença que exige o pagamento de 100% das dívidas aos fundos abutres, expressão pela qual são conhecidos os operadores oportunistas que compram títulos de países com graves dificuldades financeiras a preços irrisórios. O texto oficial insiste que os litigantes, que esperam a decisão final da Suprema Corte, constituem apenas 0,45% da dívida não paga não reestruturada e que os bônus em seu poder ganharam enormes descontos em 2008. Se recebessem o valor de mercado que pedem, estariam garantindo um lucro de 1.300%, afirma o documento. Também indica-se na argumentação que “é público e notório que nosso país está sendo alvo de desapiedados ataques judiciais e de uma forte pressão política por estes fundos abutres”. Na apresentação do projeto, no dia 26, a presidente argentina considerou que a decisão da Corte foi “injusta com este país, pois ignorou” o acórdão alcançado em sua oportunidade com os credores portadores de 93% da dívida não paga. Também enfatizou que a Argentina é “um pagador sério”, não um “devedor recalcitrante”, como afirma a sentença. Desde que começou a reestruturação da dívida vencida em 2001, a Argentina cumpre pontualmente seus compromissos financeiros. Segundo dados do final de 2012 divulgados pelo Ministério da Economia, a dívida do país com o setor privado, entidades multilaterais e outros Estados era na época de US$ 82,696 bilhões, equivalente a 18,8% do produto interno bruto naquele momento. Junto com a reativação da economia, o perfil da dívida melhorou bastante em relação a 2003, quando representava cerca de 150% do PIB, destaca o projeto que discute o parlamento. Isto ocorreu apesar de o país não ter acesso ao mercado de dívida soberana desde 2002. Com o cancelamento de bônus reestruturados previsto para setembro, a relação da dívida com o setor privado em moeda estrangeira baixará para apenas 8,3% do PIB, assegurou o ministro da Economia, Hernán Lorenzino. Porém, este exitoso processo em relação à dívida está ameaçado por um pequeno grupo de credores litigantes, que tiveram no juiz Thomas Griesa seu primeiro aliado. A sentença da Corte com sede em Nova York, que será apelada pela Argentina, representou um golpe no processo de reestruturação, iniciado após assumir em 2003 o hoje falecido Néstor Kirchner, marido e antecessor de Cristina Fernández. Se a Argentina for obrigada a pagar 100% do valor nominal da dívida aos litigantes, os portadores de bônus que aderiram à troca de 2005 e 2010 poderão recorrer à cláusula de credor mais favorecido e reclamar o mesmo tratamento. A presidente também propôs habilitar a troca voluntária de bônus com jurisdição em Nova York, Europa ou Japão por novos títulos sob iguais condições, mas pagos sob jurisdição argentina, de tal maneira a evitar eventuais embargos no caso de a Corte ratificar a sentença. Trata-se de 28% dos títulos que estão sob essas legislações e que, segundo a nova proposta, poderiam ser trocados por outros pagáveis na Bolsa de Valores de Buenos Aires. A União Cívica Radical, principal partido de oposição nas duas casas legislativas, considerou positiva a proposta, com algumas ressalvas. Para alguns de seus dirigentes, a iniciativa chega tarde ou muito carregada de críticas aos credores remanescentes e aos juízes. Também o direitista PRO considerou “razoável” a proposta do governo. “A Argentina tem que fazer o que for preciso para que a Corte abra o caso e reverta a sentença da câmara de segunda instância”, disse à IPS o deputado Federico Pinedo, titular desse grupo parlamentar. É preciso “responsabilidade e seriedade, e passar a mensagem de que queremos garantir igualdade de condições para todos os credores. É um argumento de muito peso perante a Corte”, ressaltou. Pinedo antecipou que sua bancada poderia apoiar a reabertura da troca quando chegar à Câmara dos Deputados. “Queremos conhecer mais a estratégia do governo e discuti-la no bloco, mas minha opinião é que é um primeiro passo muito razoável”, afirmou. Muitos legisladores, mesmo da governante Frente para a Vitória, acreditam que será difícil conseguir que os fundos abutres aceitem qualquer proposta de troca, mas concordam que se trata de mostrar predisposição a cancelar as dívidas sempre que seja sob as condições da reestruturação estabelecida pela Argentina. Envolverde/IPS

As políticas de Mugabe afetaram especialmente a agricultura, setor vital para a economia do Zimbábue. Foto: Jeffrey Moyo/IPS Inter Press Service - Reportagens

Zimbábue navega perto de arrecife econômico

[caption id="attachment_97227" align="aligncenter" width="529"] As políticas de Mugabe afetaram especialmente a agricultura, setor vital para a economia do Zimbábue. Foto: Jeffrey Moyo/IPS[/caption]   Harare, Zimbábue, 29/8/2013 – Talvez tenha sido fácil para o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, derrotar a oposição nas eleições de 31 de julho, mas superar a crise econômica é outra história. No dia em que fez o juramento por seu sétimo mandato consecutivo, a bolsa caiu 11%, maior queda em um dia desde 2009. Agora, aumentam os temores de que as políticas da governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) afugentem ainda mais os investidores estrangeiros. “As atuais políticas da Zanu-PF estão em conflito com as necessidades dos investidores, e neste momento o Zimbábue é o destino menos atraente do mundo para fazer investimentos”, disse à IPS John Robertson, diretor da consultoria Robertson Economic Information Services,. “Qualquer proposta de recuperação econômica dependerá da rapidez com que se melhore o poder aquisitivo da população, que, por sua vez, dependerá de uma recuperação do emprego”, pontuou. A Lei de Indigenização do Zimbábue, de 2007, obriga as companhias de estrangeiros a cederem 51% de suas ações ao país. Porém, economistas alertam que essa política está afugentando os capitais externos. “Os investidores estrangeiros são obrigados a entrar com 100% do capital, assumir 100% do risco, fornecer 100% de tecnologia e, em troca, se conformarem com 49% do patrimônio, além de pagar os impostos", apontou à IPS o economista independente Kingston Nyakurukwa. As políticas de Mugabe afetam em particular a agricultura. O setor empregava entre 60% e 70% da população economicamente ativa antes da reforma agrária de 2000, que incluiu expropriações de terras de brancos para reparti-las entre a maioria negra. A agricultura também representava entre 15% e 19% do produto interno bruto antes da reforma. “O presidente Mugabe incentivou ocupações de terras comerciais produtivas, o que foi um golpe para a produção agrícola. E, quando o setor tem um mau desempenho, o resto da economia sofre”, indicou à IPS a economista independente Agrippa Ndlovu. O Zimbábue agora é um importador de produtos agrícolas. “As exportações industriais e agrícolas caíram drasticamente entre 2000 e 2008 devido a decisões políticas infelizes, particularmente as expropriações de terras comerciais, seguidas por uma série de questionadas leis entre 2002 e 2008”, afirmou à IPS o economista Tony Lewis. O Zimbábue não tem reservas de grãos desde o despejo dos fazendeiros brancos há mais de uma década, apesar das promessas de Mugabe de que o país alcançaria a autossuficiência alimentar em 2010. A economia do país diminuiu drasticamente desde 2000, o que propagou a pobreza e gerou desemprego de 80%. Este país exporta metais preciosos, como ouro, platina e ferro-liga, bem como algodão, têxteis e tabaco, mas para um número limitado de compradores devido às sanções comerciais impostas pelo Ocidente contra o governo de Mugabe. Ao apresentar, no dia 19 de julho, seu informe sobre a política fiscal da primeira metade de 2013, o ministro das Finanças, Tendai Biti, admitiu que a previsão de crescimento de 5,6% para este ano não seria alcançada. A estimativa caiu para 3,4%. Os investimentos neste país cresceram depois da formação de um governo de coalizão em 2008. A chegada de capitais estrangeiros diretos aumentou cerca de US$ 50 milhões naquele ano para US$ 400 milhões em 2011. De todo modo, persistem as incertezas. “Realmente, não estou seguro sobre o que fazer, porque o presidente Mugabe poderia continuar com sua campanha de indigenização das companhias estrangeiras. Na verdade, estou muito preocupado por suas políticas econômicas”, disse à IPS o empresário indiano Jamah Fakuh, de 53 anos, dedicado à importação de vidro. Com essa campanha, “a Zanu-PF” procura transferir a maior parte dos lucros de qualquer operação empresarial para a população negra do Zimbábue, sem nenhuma compensação financeira e favorecendo os leais a Mugabe”, disse à IPS o economista Admire Dziva. Por sua vez, Godfrey Kanyenze, diretor do independente Instituto de Pesquisa sobre Trabalho e Desenvolvimento Econômico do Zimbábue, afirmou que Mugabe tem grandes desafios pela frente. “Há uma crise de expectativas. Fez promessas ao povo e agora é hora de cumpri-las. A pobreza é endêmica”, afirmou à IPS. A hiperinflação fez com que a moeda local, o dólar zimbabuense, praticamente perdesse todo valor em 2008. Mas a economia se estabilizou em 2009, depois que se começou a usar o dólar dos Estados Unidos e da formação de um governo de coalizão entre a Zanu-PF e dois ramos do opositor Movimento para a Mudança Democrática. A economia do país cresceu 9% em 2010 e 2011, e 5% em 2012. Entretanto, “o crescimento econômico pode acabar se não houver uma solução política que legitime o governo”, advertiu à IPS o economista Christopher Mugaga. Envolverde/IPS


por Jeffrey Moyo, da IPS
Assentamento ilegal de Israel no território palestino da Cisjordânia sob ocupação. Foto: Libertinus/CC by 2.0 Inter Press Service - Reportagens

Israel quer manter supremacia regional com ajuda dos Estados Unidos

[caption id="attachment_97221" align="aligncenter" width="500"] Assentamento ilegal de Israel no território palestino da Cisjordânia sob ocupação. Foto: Libertinus/CC by 2.0[/caption] Washington, Estados Unidos, 29/8/2013 – Assegurar a superioridade militar de Israel no Oriente Médio é o argumento central do lobby judeu em Washington, que já começou a exigir do governo de Barack Obama um novo pacote de ajuda por dez anos, devendo entrar em vigor em 2017. O grupo de pressão israelense usa a Lei de Transferência de Navios de Guerra, aprovada pelo Congresso norte-americano em 2008. A lei determina que a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel deve garantir a “vantagem militar qualitativa” (QME) do Estado judeu sobre qualquer combinação de atores estatais e não estatais. Washington sempre se comprometeu a garantir a superioridade militar de Israel no Oriente Médio, e desde 2008 está obrigado por lei a fazer isso. A cada quatro anos Obama deve informar ao Congresso o estado dessa vantagem comparativa. “Estamos vendo o Oriente Médio de uma perspectiva geral, que inclui o crescimento do arsenal de mísseis no Líbano e no território palestino de Gaza”, afirmou Michael Oren, embaixador de Israel nos Estados Unidos ao semanário Defense News. Ele também mencionou a situação atual na península do Sinai e na Síria. Israel não se opõe a que os Estados Unidos vendam armas aos Estados árabes considerados “moderados”, mas insiste que o compense com equipamentos de melhor qualidade. “Se os Estados Unidos não venderem outros venderão”, pontuou Oren, acrescentando que “também entendemos que essas vendas contribuem para a criação de centenas ou milhares de empregos nos Estados Unidos, e nos interessa que sua economia seja forte e vital”, acrescentou. Porém, a ajuda pode ser afetada pelas dificuldades econômicas dos Estados Unidos. Washington reduziu seu orçamento no começo deste ano e isso gerou um debate dentro do lobby israelense sobre a conveniência de pressionar para que se mantenha o pacote de ajuda. A discussão deixou clara uma das preocupações dos grupos de pressão pró-Israel: a de equilibrar sua missão de defender o Estado judeu sem parecer que se preocupam mais por esse país do que com os Estados Unidos. Historicamente, a ajuda a Israel permaneceu inalterada apesar das dificuldades econômicas nos Estados Unidos. Contudo, desta vez, há outros fatores em jogo. Por exemplo, a lei de 2008 não menciona a responsabilidade de Israel em garantir sua vantagem militar comparativa. Por outro lado, obriga os Estados Unidos a equilibrarem a venda de armas para cobrir as necessidades israelenses e defender sua superioridade. A redução do orçamento de defesa de Israel este ano gera dúvidas sobre o motivo de pedir mais ajuda quando diminui seus próprios fundos. O corte foi de US$ 820 milhões, mais de 25% da ajuda anual que recebe atualmente. A questão ganha maior relevância porque a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) projetou em maio crescimento de 3,9% para Israel este ano e de 3,4% para 2014. O crescimento médio nos países da OCDE para os dois anos é de 1,2% e 2,3%, respectivamente. Tal como disse Oren, o fato de os Estados Unidos passarem de uma crise a outra representa problemas políticos para os grupos de pressão que pedem mais ajuda. Mas o fato de a vantagem comparativa ser obrigatória por lei, na realidade, os incentiva. Já não têm que argumentar que os Estados Unidos estão comprometidos politicamente a dar recursos adicionais para garantir a superioridade militar, porque agora é uma obrigação legal. Israel não só terá que explicar o motivo de reduzir seu orçamento de defesa quando pede mais ajuda, como também terá que justificar a expansão dos assentamentos ilegais no território palestino da Cisjordânia. Durante anos, os Estados Unidos fizeram vista grossa para a construção de colônias judias na Cisjordânia e só as considerou “obstáculos para a paz”, mas não pressionou Israel. O secretário de Estado, John Kerry, tenta lidar com esse assunto, pois para os palestinos a expansão dos assentamentos enfraquece o processo de paz. De fato, era o principal obstáculo para que a Autoridade Nacional Palestina se sentasse à mesa de negociações. Mas esta questão apresenta outro assunto no contexto do pedido de assistência. Se os Estados Unidos questionam a política israelense nos assentamentos e acredita que complicam o processo de paz, não deveria esperar que Israel priorizasse seu próprio orçamento de defesa que, dadas às circunstâncias descritas por Oren, seria mais imprescindível do que destinar fundos para as colônias? Não está claro quanto se gasta na construção. Em 2005, o governo israelense ordenou uma investigação dos fundos destinados aos chamados “postos ilegais de avançada”, colônias criadas sem autorização do Estado judeu. O estudo concluiu que, entre 2000 e 2004, o Ministério de Construção e Habitação destinou US$ 20 milhões a esses postos de avançada sem autorização oficial. A autora da investigação, Talia Sasson, lamentou a impossibilidade de obter informação fidedigna e estimou que a “soma verdadeira poderia superar consideravelmente a que figura no informe, pois o montante não inclui o que o Ministério pagou por infraestrutura, prédios públicos e planejamento nos postos de avançada não autorizados”. Segundo dados da central de estatísticas de Israel, de 2011, o gasto nos assentamentos autorizados aumentou 38% em relação ao ano anterior e superou os US$ 400 milhões. A contradição israelense de aumentar seu gasto em assentamentos e paralelamente pedir mais ajuda militar aos Estados Unidos pode ser usada como ferramenta para pressionar o Estado judeu, segundo Stephen Walt, professor de assuntos internacionais da Escola Kennedy de Governo, na norte-americana Universidade de Harvard. “A garantia de dez anos pedida por Israel dá a Obama e a Kerry uma ferramenta de pressão se tiverem a vontade política de utilizá-la”, argumentou Walt à IPS. “Deveriam deixar bem claro que Israel só terá essa garantia se, e somente se, puser fim à expansão de assentamentos e concordar com a criação de um Estado palestino viável”, ressaltou. “É uma ferramenta de pressão útil porque Israel quer mais ajuda, mas, na realidade, não necessita”, apontou Walt. “Manteria sua vantagem militar durante anos, mesmo se os Estados Unidos cancelassem toda ajuda”, ressaltou. “Obama e Kerry poderiam recorrer a essa pressão sem colocar em risco a segurança de Israel. Na verdade, pressionando esse país para que acabe com a ocupação, estariam melhorando-a”, afirmou. O Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac) foi criado para promover a ajuda norte-americana a esse país, e continua sendo seu fim fundamental. O Congresso norte-americano, onde é forte a influência da Aipac, é definitivamente quem terá que decidir se o presidente cumpre a lei de 2008 de garantir a vantagem militar comparativa de Israel. A lei pode chegar a desempenhar um papel fundamental na hora de superar o que parecem ser mais barreiras para o aumento da ajuda às quais o Aipac está acostumado. Envolverde/IPS


por Mitchell Plitnick, da IPS
Foto: Reprodução/ Internet Inter Press Service - Reportagens

Bangladesh reduz riscos em partos com atendimento qualificado

[caption id="attachment_97218" align="alignleft" width="300"] Foto: Reprodução/ Internet[/caption] Comilla, Bangladesh, 29/8/2013 – Shumi Begum, de 24 anos e grávida de sete meses, viajou 220 quilômetros desde sua aldeia até um centro de saúde junto com sua avó paterna em busca de pessoal qualificado para a assistir ao dar à luz. “Preferimos aqui pela boa reputação dos serviços. Nossa família já deixou partos em suas mãos e por motivos de segurança penso que este centro continua sendo a melhor opção”, disse à IPS sua avó, Hosne-Ara, enquanto esperava em uma maternidade comunitária em Jafargonj, no distrito de Comilla, a 55 quilômetros de Daca. Popularmente conhecido como Mayer Hashi (mãe sorridente), o centro de saúde faz parte de um projeto supervisionado pela EngenderHealth e financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Na lotada maternidade de dois andares, Begum olhou ansiosa para uma das parteiras para saber se era sua vez de consultar a especialista conhecida como “visitante de bem-estar familiar”. Nesta última década, o governo investiu em um programa de saúde, nutrição e população com apoio de vários sócios estrangeiros para o desenvolvimento. O plano adotou uma estratégia nacional para a saúde materna centrado na atenção obstétrica de emergência para reduzir a mortalidade das parturientes, concentrando-se especialmente na detecção precoce e no envio aos centros adequados em caso de complicação, bem como na melhoria da qualidade do atendimento. Um estudo feito com a ajuda de vários sócios para o desenvolvimento concluiu que a mortalidade materna em Bangladesh caiu de 322 mortos em cem mil nascidos vivos, em 2001, para 194, em 2010. Apesar da melhoria no atendimento materno em seu povoado natal, a avó de Begum não quis correr riscos durante o primeiro parto da neta. Independente de os centros de saúde estatais terem melhorado em geral, o de Jafargonj é considerado melhor do que os demais. Os que atendem ali no serviço de bem-estar familiar são populares por seus esforços em oferecer cuidados sem riscos durante o parto. O centro também é “amigável com as mulheres”, já que dá especial atenção às necessidades pessoais das pacientes. A longa viagem até Jafargonj agora é menos perigosa porque também melhoraram as estradas. Em seus 13 anos de profissão, Kawser Hasina Pervin, visitante de bem-estar familiar em Jafargonj, foi duas vezes premiada pelo primeiro-ministro por seu destacado trabalho profissional. Pervin contou à IPS que tratam entre 20 e 25 pacientes diariamente e que, nos últimos cinco anos, foi registrado um aumento na quantidade de grávidas que visitam o centro. “Os motivos óbvios são a melhora no atendimento e na atenção individual”, destacou. Uma clínica privada custaria pelo menos US$ 400. Em um centro de saúde estatal teria que gastar apenas com remédios, entre US$ 15 e US$ 20. O problema é que nos centros do governo costuma não haver medicamentos disponíveis. “Em geral, sogras e avós ainda preferem os partos em casa, mas as campanhas de conscientização e com uma educação maior das meninas, essa tendência está mudando”, disse à IPS Anjali Bala Das, provedora de saúde no centro que realiza visitas regulares à comunidade. Após “anos promovendo a maternidade segura, o gelo gradualmente começa a derreter”, pontuou Das, que trabalhou durante duas décadas como promotora de planejamento familiar. “Os idosos começam a reconhecer os benefícios da moderna atenção médica em lugar de seguir os mitos tradicionais”, afirmou. Sabrina Begum, de 22 anos, contou que “minha sogra é uma pessoa muito rígida e muito religiosa. Nega-se a permitir que médicos homens façam o parto, por isso sempre preferiu dar à luz em sua casa”. Mas agora sua sogra vai ao centro de Jafargonj para consultar os profissionais sobre um parto mais seguro para sua nora. E isto, depois de ter assistido vários programas de conscientização em sua aldeia de Ganganagar, em Comilla. Em Bangladesh, as gestantes raramente decidem onde dar à luz. Frequentemente, a má distribuição e a gravidez precoce levam a partos complicados. Isto causa cerca de 12 mil mortes por ano. Em seu informe de 2011, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que, embora tenha caído a mortalidade materna em Bangladesh, só metade das mães recebem cuidados pré-natais de pessoal qualificado. Segundo o estudo, a atenção à saúde está ligada à riqueza da família e aos antecedentes em educação de seus integrantes. “Estamos trabalhando com o governo para promover partos mais seguros desenvolvendo continuamente as habilidades do grupo profissional composto por pessoas como os provedores de saúde, os líderes comunitários e religiosos”, explicou à IPS o médico Abu Jamil Faisel, representante da EngenderHealth no país. “A ideia é aumentar o acesso a serviços de atenção à saúde materna de qualidade sem custo”, enfatizou. Envolverde/IPS


por Naimul Haq*
Emile Nakheleh. Foto: SEcurity & Defence Agenda/CC by 2.0 Inter Press Service - Reportagens

“Os Estados Unidos não devem apoiar a ressurreição de uma ditadura no Egito”

[caption id="attachment_97209" align="alignleft" width="200"] Emile Nakheleh. Foto: Security & Defence Agenda/CC by 2.0[/caption] Washington, Estados Unidos, 28/8/2013 – Quase mil pessoas morreram no Egito desde o dia 14 deste mês, quando as forças armadas começaram a reprimir simpatizantes da Irmandade Muçulmana que protestavam contra a derrubada do presidente Mohammad Morsi. Esse número, fornecido pelas próprias autoridades, supera em pelo menos 150 a quantidade de mortes calculadas no levante de janeiro de 2011, que acabou com o regime de Hosni Mubarak (1981-2011). Morsi, eleito democraticamente e membro da Irmandade Muçulmana, não é visto em público desde que foi derrubado no dia 3 de julho, enquanto Mubarak saiu da prisão e se encontra detido domiciliarmente à espera de julgamento. A maioria da mídia egípcia adotou a linguagem dos militares e qualifica os membros da Irmandade Muçulmana de “terroristas” que tentam destruir o país. Em entrevista à IPS, o norte-americano Emile Nakhleh, especialista em Oriente Médio e ex-diretor do Programa de Análise Estratégica da Agência Central de Inteligência (CIA), explicou porque a repressão não deterá a Irmandade Muçulmana, uma força política e cultural com profundas raízes na sociedade egípcia. Pelo contrário, adverte que a repressão levará seus militantes a apelarem para a violência como ferramenta política. Nakhele explicou que os Estados Unidos procuram cobrir seus próprios interesses no Egito, mas estes “não necessariamente coincidem com os regimes repressivos ditatoriais”. E afirmou que, “no longo prazo, governos eleitos democraticamente serão mais estáveis do que esses regimes autocráticos”. IPS: O senhor acredita que os Estados Unidos devem suspender sua ajuda ao Egito? EMILE NAKHELEH: A ajuda deve ser suspensa. Nós (os Estados Unidos) apoiamos a expulsão de Mubarak, por isso agora não podemos apoiar a ressurreição de uma ditadura militar. A suspensão da ajuda em si não é suficiente. Deve estar acompanhada de um diálogo de alto nível sobre o futuro do Egito segundo as ideias do levante de 2011. No Bahrein, devemos deixar bem claro à dinastia Al Khalifa que a repressão e a exclusão da maioria xiita não podem continuar. IPS: Quanto os Estados Unidos necessitam do Egito e quanto o Egito necessita, especialmente do exército, dos Estados Unidos? EN: Não esqueça que a maior parte da ajuda financeira que Cairo recebe de Washington é gasta na compra de armas norte-americanas. Mas essa não é a principal razão da assistência. A ajuda militar ao Egito tem sido uma ferramenta dos Estados Unidos para procurar seus interesses, que são manter o tratado de paz com Israel, ter prioridade sobre o canal de Suez, e voar livremente sobre território egípcio, além de obter ajuda na luta contra o terrorismo, especialmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2011, em Nova York e Washington. Há outro interesse paralelo: aproveitar a influência do Egito nos palestinos e no Hamás (Movimento de Resistência Islâmica) e sua capacidade de pressionar para concretizar negociações. Os principais interlocutores do Hamás nos últimos anos foram figuras da inteligência egípcia, como Omar Suleiman. IPS: Então a ajuda deve ser suspensa. E depois? EN: É um caminho de mão dupla. Temos que considerar nossos interesses nacionais, mas preservar o tratado de paz também é um interesse do Egito. Nem mesmo Morsi tocaria nele. Quando apareceu o terrorismo no Sinai, pediu ajuda aos israelenses para combatê-lo. O discurso que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez em 2009 no Cairo foi importante porque, ao menos retoricamente, reconhecia que o mundo islâmico é diverso e que há uma diferença entre a maioria dominante e uma minoria radical. Temos que incluir os muçulmanos da maioria. Ele acreditava nisso e esteve interessado em incluir os partidos majoritários que foram eleitos em um processo pacífico e imparcial. É por isso que aceitou trabalhar com a Irmandade Muçulmana e com o Partido da Liberdade e da Justiça depois de eleito de forma livre e justa. IPS: Um artigo publicado dia 10 de julho no jornal The New York Times sugeria que a derrubada de Morsi já estava planejada há algum tempo. Qual sua opinião a respeito? EN: Foi o próprio Morsi quem designou Abdel Fatah al Sisi, e este logo se voltou contra ele. Elementos do antigo regime e dos chamados liberais egípcios, que nunca aceitaram os resultados eleitorais, fizeram um complô desde o primeiro dia para tirar Morsi. Isso não quer dizer que Morsi não cometeu erros. Renegou a maioria de suas promessas. Prometera incluir as mulheres e as minorias no processo de tomada de decisões, mas não o fez. A velha guarda e os militares nunca o perdoaram por ter removido o marechal de campo Hussein Tantawi. E foi o próprio Morsi que trouxe Sisi. Este fingia apoiá-lo, mas não era verdade. Existe uma “aliança ímpia” entre os militares, o antigo regime e os chamados liberais. É também um fato que a revolução expulsou Mubarak, mas não desmantelou o regime. Depois que Morsi chegou ao poder, seus ministros e outros funcionários começaram a impulsionar rapidamente seu programa. Logo começaram a se formar filas nas ruas quando o combustível começou a escassear. E, por alguma razão, as filas desapareceram logo que Morsi foi derrubado. Então, Sisi chamou as pessoas a saírem às ruas e para dar a ele um “mandato” para agir pelos interesses nacionais e expulsar Morsi. Em janeiro de 2011, as pessoas foram às ruas para expulsar Mubarak, e em 2013, a pedido de Sasi, tiraram Morsi. Muito em breve descobrirão que esta é uma ditadura militar e vão se levantar novamente. IPS: A Arábia Saudita chamou explicitamente pelo apoio ao atual governo egípcio para derrotar a Irmandade Muçulmana. Que efeito tem isso nas relações entre Washington e Riad? EN: Os sauditas têm horror à Irmandade Muçulmana como movimento de reforma. Agora a Arábia Saudita está em um jogo perigoso. Os autocratas árabes tentam silenciar a democracia porque não gostam destes movimentos revolucionários e têm medo de que surjam em seus próprios países. É por isso que os sauditas enviaram tropas ao Bahrein para controlar um levante xiita. Como ninguém acreditou nesse argumento, disseram que lutavam contra o terrorismo, e dizem que estão fazendo o mesmo no Egito. Mas, não se trata da Irmandade Muçulmana no Egito ou dos xiitas no Bahrein. Trata-se de movimentos reformistas e de oposição a regimes repressivos. IPS: Quais opções tem Obama neste momento? EN: Obama teve que enfrentar uma nova realidade com a Primavera Árabe. Decidiu apoiar os movimentos pró-democráticos e é por isso que apoiou a queda de ditadores na Tunísia, Líbia e Egito. Calou-se um pouco sobre o Bahrein, ainda que seu embaixador nesse país tenha se expressado a respeito. Creio que os Estados Unidos têm de conseguir um claro equilíbrio entre a segurança nacional e nossos valores democráticos, e deve explicar esse equilíbrio ao povo norte-americano e aos povos da região de forma clara e inequívoca. Ainda temos que procurar nossos interesses, mas estes não necessariamente coincidem com os de regimes ditatoriais repressivos. No longo prazo, os governos democraticamente eleitos, não importando o quanto desordenados forem, serão mais estáveis. (Envolverde/IPS)


por Jasmin Ramsey, da IPS
Os Estados Unidos deveriam pensar duas vezes antes de intervir militarmente na Síria, afirma Robert E. Hunter. Foto: FreeedomHouse/CC by 2.0 Inter Press Service - Colunistas

Obama deveria ignorar pedidos para intervir na Síria

[caption id="attachment_97101" align="aligncenter" width="500"] Os Estados Unidos deveriam pensar duas vezes antes de intervir militarmente na Síria, afirma Robert E. Hunter. Foto: FreeedomHouse/CC by 2.0[/caption]   Washington, Estados Unidos, agosto/2013 – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entendeu bem: foi eleito para colocar os interesses da nação acima de todos, e não os de algum aliado, parlamentar ou meio de comunicação que peça que “faça algo” mas não se responsabilizam se as coisas saem mal, como costuma ocorrer quando se trata de Oriente Médio. Meios de comunicação dos Estados Unidos e alguns de seus aliados acusam o presidente da Síria, Bashar al Assad, de ter usado gás venenoso para matar ou mutilar milhares de seus compatriotas. Sobre isto criou-se consenso entre analistas, dentro e fora do governo, e é possível que tenham razão. Inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) podem descobrir as causas e os culpados por esses mortos e feridos. Esperemos que assim seja, antes que os Estados Unidos, ou outro país, iniciem algum tipo de ação militar direta que implique “cruzar o Rubicão”. Talvez a inteligência norte-americana conheça os fatos. Novamente, esperemos que assim seja. E esperemos não descobrir depois que essa informação de inteligência foi tergiversada, como o foi antes da fatal invasão do Iraque em 2003, cujas consequências ainda prejudicam os interesses norte-americanos no Oriente Médio e corroem a estabilidade da região. Se mais uma vez os Estados Unidos se envolverem diretamente no combate, não poderão voltar atrás, além de haver o problema de acreditarem que Assad é tão bobo a ponto de usar gás venenoso, a menos que o comando e controle sírio seja tão fraco que algum oficial militar tenha ordenado seu uso sem autorização do seu presidente. Se for invocado o conceito de “cui bono” (a quem beneficia?), os que têm mais a ganhar se os Estados Unidos agirem para derrubar o governo de Assad são os rebeldes sírios e seus partidários, incluída a rede extremista Al Qaeda e seus afiliados. Tal ação ampliaria a probabilidade de mais mortes ou mesmo de um genocídio dos alawitas da Síria. Mas, referir-se à possibilidade de estarem nos enganando a todos sobre quem usou gás venenoso, uma tática conhecida como operação de bandeira falsa, não significa que seja verdade. Isso redobra a necessidade de os Estados Unidos estarem seguros de quem usou o gás antes de agir militarmente. Obama também entendeu isto muito bem. Então, o que aconteceria se nos envolvêssemos diretamente no combate? Sempre se deve fazer esta pergunta antes de atuar. Às vezes, como ocorreu com Pearl Harbour, com a declaração de guerra de Adolf Hitler aos Estados Unidos, ou com a expulsão do Iraque de território do Kuwait em 1991, contra-atacar com dureza durante o tempo que for necessário é o correto. Uma situação menos clara foi a do Vietnã. Também trouxeram consequências negativas treinar e armar Osama bin Laden e seus seguidores para castigar a União Soviética no Afeganistão, e invadir o Iraque em 2003, um dos maiores erros da política externa dos Estados Unidos. Há muito tempo está claro que o conflito na Síria não tem a ver apenas com esse país. Também se relaciona com o equilíbrio entre as aspirações de sunitas e xiitas no centro do Oriente Médio. O Irã, um Estado xiita, colocou a bola para rolar com sua Revolução Islâmica em 1979. Vários governos norte-americanos contiveram o vírus do sectarismo, mas invadir o Iraque e derrubar o regime de sua minoria sunita recolocou a bola em jogo. Agora, Arábia Saudita, Catar e Turquia se inclinam por derrubar o regime da minoria alawita (um ramo místico do xiismo) na Síria. Mesmo que o consigam, a guerra interna da região não se deterá ali. Enquanto isso há uma luta geopolítica pelo predomínio na região, que envolve principalmente Irã, Arábia Saudita, Turquia e Israel. O Irã tem o Iraque, dominado pelos xiitas, a Síria de Assad e o movimento xiita libanês Hezbolá como coadjuvantes. A Arábia Saudita, por sua vez, tem consigo os outros Estados do Golfo, enquanto a Turquia estende suas ambições regionais para a Ásia central. E, como Israel concluiu que sua sócia estratégia síria, a família Assad, está condenada, testa a sorte com os Estados sunitas. Entretanto, quer uma mudança antes que a Síria esteja completamente dominada pelos fundamentalistas. Do ponto de vista dos Estados Unidos, a situação regional é um caos, e uma intervenção militar direta na Síria pode ser o ponto de quebra para piorá-la ainda mais. É muito tarde para Obama retirar sua mal considerada declaração sobre o uso de gás venenoso como a “linha vermelha” na Síria, quando não estava preparado para seguir adiante e derrubar Assad. Também é muito tarde para que reconsidere seu pedido para Assad deixar o poder, o que avivou ainda mais os temores dos alawitas quanto às possibilidade de serem massacrados. Também é tarde para que diga aos árabes do Golfo que deixem de fomentar o fundamentalismo islâmico da pior espécie por toda a região, do Egito ao Paquistão, onde uma consequência disto tem sido a morte de soldados norte-americanos. Também é tarde, mas esperemos que não muito, para que os Estados Unidos liderem um esforço intenso na frente política-diplomática para fixar os termos de uma Síria posterior a Assad que seja razoavelmente viável, em lugar de deslizar para a guerra e desatar incertezas potencialmente terríveis. Permitam-nos recordar o que ocorreu no Afeganistão depois que nos retiramos desse país após derrubar o movimento Talibã, e no Iraque depois de 2003. Nenhum dos dois países está melhor, e as operações representaram a perda de milhares de vidas norte-americanas e de bilhões de dólares do Tesouro deste país. E também é tarde, mas esperemos que não muito, para que o governo de Obama se comprometa com um pensamento estratégico para o Oriente Médio, para ver a região que vai do norte da África até o sul da Ásia como uma só, e para orquestrar uma política geral com vistas aos interesses cruciais dos Estados Unidos em toda a área. Obama deveria ouvir este sinal de alarme, resistir às cobranças para agir militarmente e apostar em uma diplomacia vigorosa e implacável para ajudar a estabelecer uma Síria viável pós-Assad e para reafirmar a liderança dos Estados Unidos em toda a região. * Robert E. Hunter é ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), foi diretor de Assuntos para o Oriente Médio no Conselho de Segurança Nacional durante o governo de Jimmy Carter, e entre 2011 e 2012 foi diretor de estudos de segurança transatlântica na National Defense University.


por Robert E. Hunter*
Plantação de trigo na Índia. Foto: Kinshuk Sunil/CC BY-SA 2.0 Inter Press Service - Reportagens

Transgênicos buscam novas terras no Paquistão

[caption id="attachment_97115" align="alignleft" width="320"] Plantação de trigo na Índia. Foto: Kinshuk Sunil/CC BY-SA 2.0[/caption] Carachi, Paquistão, 28/8/2013 – Depois de vários contratempos na Índia nos últimos anos, a indústria de organismos geneticamente modificados volta sua atenção para o Paquistão como seu próximo lugar de expansão, segundo denúncias de ambientalistas. As transnacionais “querem recuperar a perda de mercado que sofrerão quando forem proibidos os testes de campo com alimentos geneticamente modificados na Índia”, explicou a ambientalista Azra Sayid em entrevista à IPS. Sayid, também especialista em segurança alimentar, qualificou a iniciativa de “nova arremetida das corporações imperialistas” em sua “insaciável sede por lucro”. Um comitê de especialistas criado pelo Supremo Tribunal de Justiça da Índia recomendou, no dia 23 de julho, a implantação de uma moratória indefinida sobre os testes em campo de sementes transgênicas até que o governo estabeleça mecanismos adequados para regular e garantir seu uso seguro. O comitê permanente para a agricultura do parlamento pediu, em um informe de agosto de 2012, a proibição desse tipo de sementes no país e, em março do mesmo ano, cinco Estados indianos – Bihar, Madhya Pradesh, Kerala, Uttarakhand e Karnataka – decidiram proibir seu uso. Sayid, que representa a organização Heading Roots for Equity, está alarmada porque três multinacionais – Monsanto, Pioneer e Syngenta – se reuniram com o Ministério de Segurança Alimentar do Paquistão para solicitar o uso de sementes geneticamente modificadas de milho e algodão. A Heading Roots for Equity, com sede em Carachi, defende o direito à alimentação das comunidades pobres. Foi encomendada à Agência de Proteção Ambiental do Paquistão uma avaliação de impacto. Sayid disse que a gigante da agroindústria Monsanto há tempos busca a aprovação de seu milho transgênico baseando-se em testes de campo feitos pela própria empresa. A especialista qualificou a iniciativa de moratória por tempo indefinido na Índia como “uma posição muito progressista e a favor das pessoas”, e disse que os motivos também eram válidos no Paquistão. A alternativa seria um “golpe demolidor, não só porque minaria as sementes autóctones, mas também pelos efeitos mais devastadores que teria sobre os pequenos agricultores e camponeses sem terra”, alertou Sayid. Uma série de suicídios de agricultores em diferentes partes da Índia, especialmente em áreas onde se plantou sementes transgênicas de algodão há uma década, chamou a atenção para o possível impacto desse tipo de cultivo na renda dos camponeses. O comentário feito pelo príncipe Charles, em uma conferência realizada em Nova Délhi em 2008, sobre uma possível ligação entre o suicídio de agricultores e os cultivos transgênicos, incentivou os ativistas a fazerem campanha contra a submissão do governo indiano à principal indústria de alimentos transgênicos com sede nos Estados Unidos. Por que os transgênicos parecem uma palavra ruim e porque deixam um gosto amargo na boca de todos? Pervaiz Amir, economista e membro da Comissão de Mudança Climática do primeiro-ministro do Paquistão, disse que muitos transgênicos significam “mutações incontroladas que criam monstros. É como se brincassem de ser Deus modificando geneticamente a criação de espécies ou variedades”, opinou à IPS. Os que defendem os cultivos transgênicos argumentam que podem melhorar a produtividade, mas outros especialistas afirmam que a tecnologia não é a única forma de conseguir a segurança alimentar. “O Paquistão pode duplicar seu potencial de produção atual em todos seus cultivos apenas aumentando os insumos e melhorando a gestão da água, bem como eliminando restrições institucionais”, sugeriu Amir. Além disso, o papel dos mercados é fundamental para a segurança alimentar, ressaltou. O Paquistão não produz apenas para o consumo interno, mas para Oriente Médio, Afeganistão e partes da Ásia central, explicou. “Temos as possibilidades e a capacidade científica, mas não a de gestão, para produzir o que melhor cultivamos”, ressaltou. Amir comparou as sementes transgênicas com ataques de aviões não tripulados (drones). “A perda de controle é a perda de quase tudo, inclusive da soberania”, enfatizou. “Choca-se com a Lei de Arrendamento de Punjab, de 1929, que não permite que interesses não agrícolas possuam terras cultiváveis”, explicou Yusuf Agha, ativista que entrará com um processo no Supremo Tribunal de Justiça contra a Ordenação Agrícola Corporativa de 2000, que trata do aluguel de terras. Se as multinacionais conseguirem entrar no setor agrícola do Paquistão e atraírem os agricultores para que comprem sementes transgênicas, estes perderão suas variedades autóctones cultivadas há séculos. Em julho deste ano, cerca de 500 agricultores orgânicos no Estado de Gujarat anunciaram que vão criar bancos de sementes para resistir ao embate das variedades transgênicas. “Deveriam ser proibidas todas as sementes transgênicas; e os recursos naturais renováveis, que pertencem à humanidade, não deveriam ter patente nem serem monopolizados”, opinou a ambientalista Najma Sadeque, que estuda as tendências agrícolas na Índia há duas décadas. Seu livro A Grande Fraude Agrícola é uma compilação de informação sobre as “consequências venenosas” de depender das sementes transgênicas. Por outro lado, o professor Atta-ur-Rahman, reconhecido cientista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, declarou à IPS que os alimentos transgênicos não são prejudiciais à saúde. “Não há um único caso que o comprove; são apenas temores”, garantiu. Porém, afirmou que o Paquistão tem de gerar seus cultivos transgênicos com sua própria tecnologia. “As sementes importadas podem conter ordens de vencimento que as impeçam de produzir mais cultivos a partir das sementes da primeira colheita. Isso pode nos deixar totalmente dependentes de outros para cobrir nossas necessidades em matéria agrícola, e podemos ficar vulneráveis à exploração de outros países que queiram que sigamos suas instruções”, enfatizou. Envolverde/IPS


por Zofeen Ebrahim, da IPS
Soldados rebeldes sírios. Foto: FreedomHouse/CC by 2.0 Inter Press Service - Reportagens

Estados Unidos debatem quando e como intervir na Síria

[caption id="attachment_97112" align="aligncenter" width="500"] Soldados rebeldes sírios. Foto: FreedomHouse/CC by 2.0[/caption]   Washington, Estados Unidos, 28/8/2013 – Cresce o debate nos Estados Unidos sobre quando deveria ser realizada e qual alcance deveria ter uma eventual ação militar na Síria, o que parece cada vez mais inevitável. Por um lado, os “falcões”, os mais belicistas de Washington, afirmam que a credibilidade internacional do presidente Barack Obama está em jogo. Estes pressionam o presidente a agir, sobretudo depois que seu secretário de Estado, John Kerry, afirmou que o presidente sírio, Bashar al Assad, deveria ser responsabilizado pelo ataque com armas químicas em um subúrbio de Damasco, que teria matado centenas de pessoas. Há apenas um ano Obama advertia o regime de Assad de que o uso dessas armas cruzaria uma “linha vermelha” e “mudaria as regras do jogo”, forçando Washington a reavaliar sua política de não dar ajuda militar direta aos rebeldes e de evitar intervir no conflito. Depois que a inteligência norte-americana confirmou, no começo deste ano, que as forças de Assad usaram em várias ocasiões limitadas quantidades de armas químicas contra rebeldes, o governo de Obama anunciou que começaria a fornecer armas às forças de oposição sírias, embora os insurgentes se queixem de que esse apoio ainda não se concretizou. Os falcões também apontam que uma ação militar norte-americana é necessária para deixar claro que massacres como o denunciado nos últimos dias não ficarão impunes. O bombardeio no subúrbio de Damasco teria sido o mais mortal já feito com armas químicas desde o massacre de Halabja, em 1988, por parte das forças do Iraque contra a população curda. Na época, os Estados Unidos não denunciaram a matança. A ação militar contra a Síria deve ser “suficientemente grande para passar a mensagem de que as armas químicas, bem como as de destruição em massa, simplesmente não podem ser usadas com impunidade”, disse no dia 26, em teleconferência com jornalistas, o presidente do independente Conselho de Relações Exteriores, Richard Haass. Os falcões, cuja posição conta com o forte apoio de Grã-Bretanha, França, Israel e dos países do Golfo, claramente têm o vento a seu favor. Mas as “pombas”, menos belicistas, não se rendem. Alguns recordam os erros e as distorções da inteligência norte-americana à véspera da invasão do Iraque em 2003, e por isso alertam para os perigos de agir de forma precipitada na Síria. Portanto, aconselham a esperar o fim dos trabalhos da equipe de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) enviada à Síria para investigar o uso de armas químicas, para dessa forma, ao menos, convencer outros governos de que Washington não está evitando novamente um processo multilateral, como fez no caso do Iraque. A ação militar poderia desatar uma escalada bélica que os Estados Unidos não necessariamente estão em condições de controlar, alertou o destacado analista neoconservador Eliot Cohen no jornal The Washington Post. “Os jogadores de xadrez que pensam em um movimento antes do tempo geralmente perdem. O mesmo acontece aos presidentes que creem poder ganhar lançando um ataque durante um ou dois dias e depois se retirar”, escreveu Cohen, que foi conselheiro da ex-secretária de Estado Condolezza Rice. Na mesma linha opinou o coronel da reserva Lawrence Wilkerson, que serviu por 16 anos como chefe do Estado Maior. “O que acontecerá se Obama lançar mísseis cruiser contra uns poucos objetivos e Assad não fizer nada e disser ‘ainda estou ganhando’?. O que fazer nesse caso?”, perguntou. “Automaticamente se intensifica o ataque e se estabelece uma zona de exclusão aérea, com os desafios que isso implica. E o que acontece, então, se isso não incomodar Assad?”, acrescentou. “Certamente, há interesses mais vitais no Irã do que na Síria. Não se pode negociar com o Irã se estiver bombardeando a Síria”, ressaltou o militar. Com ele concorda o presidente do Conselho Nacional Iraniano-Norte-Americano, Trita Parsi. “Há uma verdadeira oportunidade para uma diplomacia de sucesso no assunto nuclear iraniano, mas essa oportunidade pode ser minada ou arruinada por completo se a intervenção na Síria colocar Estados Unidos e Irã em um enfrentamento direto”, advertiu Parsi à IPS. Além disso, afirmou, Washington deve considerar assuntos humanitários antes de lançar a intervenção. Seja como for, em Washington se dá como certo que haverá uma ação militar contra a Síria, provavelmente aérea, já que mesmo os falcões mais agressivos, como os senadores John McCain e Lindsay Graham, do opositor Partido Republicano, descartam uma incursão terrestre. O que se debate é se Washington primeiro deve solicitar ao Conselho de Segurança da ONU que aprove a ação militar, embora seja muito provável que China e Rússia vetem uma resolução nesse sentido. “Cada vez que evitamos o Conselho por temor de um veto russo ou chinês cravamos uma estaca no coração da segurança coletiva”, afirmou Daryl Kimball, diretor-executivo da Associação para o Controle de Armas. “Isso não está dentro de nossos interesses de longo prazo”, destacou. Entretanto, os falcões, tanto dentro quanto fora do governo, cobram de Obama que siga o precedente da campanha aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Guerra de Kosovo, em 1999. O então presidente Bill Clinton (1993-2001) ignorou a ONU e convenceu seus aliados na Otan a apoiarem uma intervenção militar na ex-Iugoslávia argumentando razões humanitárias. Depois de um bombardeio que durou 78 dias, o então presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic (1997-2000) retirou suas tropas da maior parte da província de Kosovo, mas não antes de a Otan ameaçar enviar tropas por terra. Estima-se que Obama estaria disposto a autorizar apenas ataques com mísseis cruiser, lançados de fora de território sírio para minimizar os riscos aos pilotos norte-americanos, mas não está claro quais seriam os objetivos. Alguns falcões, incluindo McCain e Graham, propõem que seja destruída a frota aérea da Síria e sua capacidade balística, mas que também sejam criadas zonas de exclusão aérea e áreas seguras para civis e rebeldes. Entretanto, outros alertam que a oposição síria está cada vez mais dominada por islâmicos radicais, alguns filiados à rede Al Qaeda, e afirmam que os objetivos da intervenção devem incluir também o de impulsionar as forças mais moderadas. Envolverde/IPS


por Jim Lobe, da IPS
Muitas mulheres haitianas fazem pela primeira vez controle da pressão arterial. A brigada médica cubana durante uma clínica móvel no mercado Salomon de Puerto Príncipe. Foto: Patricia Grogg/IPS Inter Press Service - Reportagens

Cuba estende ponte sanitária para o Haiti

[caption id="attachment_97109" align="aligncenter" width="529"] Muitas mulheres haitianas fazem pela primeira vez controle da pressão arterial. A brigada médica cubana durante uma clínica móvel no mercado Salomon de Puerto Príncipe. Foto: Patricia Grogg/IPS[/caption]   Porto Príncipe e Havana, Cuba, 28/8/2013 – É sábado e a entrada de uma delegacia, em frente ao concorrido mercado do bairro Salomon da capital haitiana, se transforma em improvisado posto médico. Em poucos minutos aumenta a fila de pessoas esperando para serem atendidas pela brigada cubana de saúde. O agente de guarda disse não ter autorização para falar com jornalistas, mas a colaboração é evidente. Mesas e cadeiras da delegacia se alinham rapidamente ao longo da fachada para facilitar o trabalho do pessoal do hospital La Renaissance, que realiza jornadas de medicina preventiva a cada semana. “Estamos em uma clínica móvel”, explicou Damarys Ávila, diretora do La Renaissance, cujo atendimento está a cargo da missão médica de Cuba. “Fazemos exames de pressão arterial, catarata, papiloma e glaucoma”, contou à IPS. “As pessoas com algumas dessas doenças são enviadas ao hospital”, acrescentou. Na fila, as mulheres são maioria. “Nelas encontramos muitos casos de hipertensão arterial, pelo fato de ficarem com a maior carga de trabalho. A isso se acrescenta os maus hábitos alimentares, como comer muita pimenta, farinhas e sal. Muitas pessoas estão aqui medindo a pressão pela primeira vez na vida”, detalhou. Percorrendo o La Renaissance, ou nesta singular intervenção de saúde na rua, na qual, em uma manhã, foram atendidos 167 homens e mulheres humildes, só se ouve vozes de agradecimento. “Buscamos os cubanos porque atendem bem e não cobram. Somos pobres, não podemos pagar”, resume uma moradora de Porto Príncipe antes de acomodar novamente uma grande trouxa sobre sua cabeça. A primeira brigada médica cubana chegou ao Haiti em 4 de dezembro de 1998 para aliviar as sequelas do furacão Georges. Desde então, a cooperação é ininterrupta e decisiva para este empobrecido país, castigado em 2010 por um terremoto que matou 316 mil pessoas, segundo dados do governo, e por uma epidemia de cólera que também provocou milhares de mortes. Nestes anos, o pessoal cubano realizou mais de 18 milhões de atendimentos, mais de 300 mil cirurgias, salvou 300 mil vidas e devolveu a visão a aproximadamente 53 mil pessoas. Informes oficiais acrescentam que há 640 agentes de saúde cubanos no Haiti, dos quais 357 são mulheres. Esta ajuda é emblemática, não só por sua envergadura (chega a todo o território haitiano) e por seu caráter humanitário, mas porque também prepara o país para o futuro, mediante o estabelecimento de um sistema de saúde pública, incluída a reconstrução da infraestrutura hospitalar. Além de Cuba, contribuem financeiramente para este esforço África do Sul, Alemanha, Austrália, Namíbia, Noruega, Venezuela e outros países com menores quantias. O programa estabelece a remodelação e instalação de 30 hospitais comunitários de referência, mais da metade dos quais já está terminada, e adequação de 39 unidades do Ministério de Saúde Pública e da População do Haiti para serem centros de atendimento, com ou sem camas, e 30 salas de reabilitação integral. Além disso, há duas missões oftalmológicas da Operação Milagre, uma fixa em Porto Príncipe e outra itinerante pelo interior do país, um laboratório de próteses e aparelhos ortopédicos, três oficinas territoriais de eletromedicina e uma rede de vigilância epidemiológica e de controle ambiental. A Operação Milagre, que foi iniciada em 2004, é um programa que até 2011 (data dos últimos dados) havia devolvido ou melhorado a visão a mais de dois milhões de pessoas em 34 países da América Latina, do Caribe e da África. John M. Kirk, catedrático da canadense Universidade de Dalhousie, entende que um papel crucial para dotar o Haiti de um sistema de saúde fortalecido compete aos próprios médicos haitianos formados em Cuba. Segundo seus dados, 430 dos 625 haitianos e haitianas que se formaram na cubana Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) no começo de 2011 já trabalhavam em seu país. Nesse mesmo ano, outros 115 finalizaram seus estudos na Universidade de Santiago de Cuba. Instalada em novembro de 1999, a Elam foi proposta na IX Cúpula Ibero-Americana realizada em Havana como um projeto de formação de recursos humanos para a saúde no bloco formado pelos 19 países latino-americanos, mais Andorra, Espanha e Portugal. Contudo, a iniciativa, embora aplaudida, não foi acolhida pelos dignatários presentes à inauguração. Cuba seguiu adiante com o programa, que hoje está ampliado para 122 países, de onde procedem “jovens fundamentalmente das camadas mais humildes da sociedade, que apresentam diversidades étnicas, educacionais e culturais”, segundo seu portal na internet. Em um ensaio sobre o tema, Kirk afirma que Cuba ajudou, desde a década de 1970, a fundar escolas de medicina em vários países, como Iêmen (1976), Guiana (1984), Etiópia (1984), Uganda (1986), Gana (1991), Gâmbia (2000), Guiné Equatorial (2000), Haiti (2001), Guiné-Bissau (2004) e Timor Leste (2005). Um informe entregue à IPS pelo Ministério da Saúde afirma que 39.310 profissionais, dos quais 25.521 são mulheres, cumprem “missão” em 60 países. Deles, 34.794 estão no continente americano, 3.919 na África, 554 na Ásia e Oceania, e 43 na Europa. Como parte das reformas econômicas iniciadas em 2010, esta cooperação está deixando de ser gratuita onde é possível, embora a “gratuidade absoluta” continue na República Árabe Saaraui e na Operação Milagre em Honduras, Haiti, Paraguai e Equador, entre outros. Por outro lado, tenta-se fortalecer a Comercialização de Serviços Médicos Cubanos, que oferece atendimento pago em Cuba e no exterior, como fonte de recursos para financiar o sistema de saúde pública e gratuita ao qual tem direito a população cubana. Mediante esta modalidade, o Brasil contratou quatro mil médicos cubanos para trabalharem em zonas pobres do norte do país. Envolverde/IPS


por Patricia Grogg, da IPS
Hidrelétrica de Tucuruí. Foto: Greenpeace/Alois Indrich Ambiente

Todos perdem na guerra pelas hidrelétricas amazônicas

[caption id="attachment_97032" align="aligncenter" width="529"] Pedro Bara explica a indígenas e ativistas a ferramenta desenvolvida pelo WWF para orientar negociações diante do avanço de hidrelétricas e outros grandes projetos na Amazônia. Foto: Cortesia Denise Oliveira/WWF Iniciativa Amazônia Viva[/caption]   São Paulo, Brasil, 27/8/2013 – Os grandes projetos amazônicos repercutem hoje mais pelos seus conflitos que pelo desenvolvimento que podem propiciar. Na guerra pelas grandes usinas hidrelétricas perdem todos, inclusive os vencedores, que conseguem construí-las mas com atrasos, custos estéreis e a imagem abalada. “A polarização empobrece o debate” sobre o aproveitamento e a conservação dos recursos naturais, lamenta Pedro Bara Neto, líder de Estratégia da Infraestrutura, na Iniciativa Amazônia Viva do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). O WWF se destaca no meio ambientalista por buscar saídas negociadas para a disputa entre a lógica econômica e a natureza. No caso das hidrelétricas, propõe um diálogo para resolver confrontos entre os empreendedores, aí incluído o governo, e uma variada oposição de atingidos, movimentos sociais, indígenas e ambientalistas. O objetivo seria traçar uma estratégia para a Amazônia, ou pelo menos para bacias inteiras, superando a abordagem projeto a projeto, sem parâmetros validados. Para isso o braço brasileiro do WWF desenvolveu uma ferramenta baseada em pesquisas científicas que permite ter uma ideia do que é necessário preservar de águas e biodiversidade para manter vivo o sistema amazônico. Bara explicou à IPS como se elaborou essa plataforma e as propostas da sua organização. IPS: Como proteger a natureza amazônica ante o avanço das hidrelétricas, do gado, soja, madeireiras, mineração, estradas? PEDRO BARA: Nós fizemos essa pergunta há seis anos. Resolvemos nos perguntar: o que precisamos conservar da Amazônia lá na frente? Não é 100% do remanescente de hoje, mas também não pode ser tudo para o desenvolvimento. Se conhecêssemos toda a biodiversidade, seria fácil definir áreas prioritárias a conservar. Mas a informação sobre biodiversidade amazônica não oferece dados suficientes para isso. Quando muito, acho que conhecemos uns 40%, no geral. Fomos obrigados a inferir a biodiversidade por meio da heterogeneidade do ambiente. Ambientes diferentes vão ter espécies diferentes. Faz-se uma aproximação. Fizemos vários testes em Madre de Dios (região do sudeste do Peru), sobre como planejar a conservação da água em áreas pobres de dados. Concluímos que cruzando declividade com escoamento superficial e vazão, com vegetação e origem da água, consegue-se uma boa explicação da heterogeneidade aquática e classificação dos rios por segmentos. Expandimos esse modelo para a Amazônia inteira. IPS: Escolheram Madre de Dios porque sua ecologia é representativa da Amazônia? PB: Não, usamos Madre de Dios como piloto porque tem características bastante diversas. Se fosse homogênea não serviria. Tínhamos que trabalhar com bastante diversidade de ambientes, para testar vários modelos e escolher o melhor para aplicar na Amazônia toda, onde identificamos 299 classes de ecossistemas aquáticos. Ao mesmo tempo a The Nature Conservancy e a NatureServe (organizações criadas por cientistas norte-americanos) desenvolveram um modelo de heterogeneidade terrestre baseado em relevo, tipo de solo, cobertura vegetal e clima. Identificaram 423 ecossistemas terrestres na Amazônia. Conclusão: a Amazônia é mais diversa sob o ponto de vista terrestre que do aquático. É também uma aproximação porque há espécies animais que se movem muito. Mas com os dois modelos posso decidir o que conservar. Se posso conservar uma amostra representativa, funcional, resiliente, das 299 classes aquáticas e 423 terrestres, teoricamente conservo a heterogeneidade e a biodiversidade amazônicas. IPS: Mas como escolher áreas prioritárias para a conservação? PB: Pela melhor relação custo-benefício, minimizando a área, numa decisão puramente econômica. Se consigo conservar uma amostra com menor custo e maior beneficio. IPS: Como se mede o custo e o benefício? PB: Beneficio é a oportunidade, são por exemplo as áreas protegidas e terras indígenas, onde é menor o custo de conservar. Custo são as ameaças. Desmatamento, avanço de fronteiras agrícolas e da pecuária são custos terrestres. O modelo elege dentro da mesma classe de ecossistema a área mais distante dessas ameaças que aumentam os custos da conservação. Trata-se de um software montador de quebra-cabeças de milhares de  microbacias, cada uma com seus atributos, como pertencer a esta ou aquela classe aquática ou terrestre, a proximidade de estradas, o seu grau de degradação atual. Foge do vermelho, onde o custo é alto, e escolhe a amostra de ecossistema em área protegida. Fez milhares de interações para apontar a melhor solução. Não inventamos nada, usamos metodologias de trabalhos científicos. A Agência Nacional de Águas (ANA) fez um trabalho parecido, o “Plano estratégico dos rios da margem direita do Amazonas”, o que nos deu segurança. Mas há casos em que não tenho opções. A classe 214 aquática, por exemplo, só ocorre num lugar. Se atingida, estará definitivamente perdida. É a “insubstituibilidade”. Há muitas áreas insubstituíveis. IPS: Então o que vocês propõem conservar? PB: Estabelecemos uma meta, conservar 30% de cada classe de ecossistema. Mas é só um exercício, a decisão depende de quem está na mesa discutindo os parâmetros. Trinta por cento dos ecossistemas aquáticos mais 30% dos terrestres teoricamente somam 60%, mas como há um pouco de superposição, cai para uns 55%. É razoável, porque hoje já temos 40% definidos em unidades de conservação e terras indígenas. É um número arbitrário, mas com valor técnico. IPS: Um índice para balizar a negociação? PB: Começa por aí, chegamos à definição do que queremos, em resposta ao desafio das hidrelétricas. Se concordamos que uma área deve ser conservada para o futuro, é preciso que tenha uma ligação livre com o canal principal, o rio Amazonas, já que a bacia é única. A conservação depende de conectividade hídrica. Se o setor elétrico quer represar todos os rios (de uma bacia), o futuro de uma Amazônia viva será comprometido. Mas tudo é negociável, nossa ferramenta é para propiciar o diálogo, não uma solução pronta. É uma plataforma de avaliação estratégica, para olhar o todo, contextualizar os projetos e decidir com melhores informações. Alguém pode introduzir amanhã a questão dos sítios arqueológicos, dos quilombolas, de atributos especiais. É um sistema aberto à disposição da sociedade. IPS: Como reagiu o governo a essa proposta? PB: Apresentamos nossa metodologia a muitos órgãos do governo, estatais, bancos de desenvolvimento. O governo gostou. A receptividade é sempre boa, até que se toca num interesse específico. Para nós o ideal seria discutir a bacia amazônica inteira, mas não conseguíamos organizar um fórum. O caminho foi aberto por uma portaria interministerial de dezembro de 2010, que criou um grupo de trabalho para “analisar aspectos ambientais e socioeconômicos” visando “subsidiar a seleção dos aproveitamentos hidroenergéticos”. Era tudo o que queríamos. Por isso a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, quis conhecer nossa ferramenta, capacitamos gente dos ministérios. Eles fizeram sua análise. Mas já se passaram dois anos. Assim, decidimos divulgar nossas propostas, antes que avancem mais os projetos para o rio Tapajós. IPS: E no setor privado, alguma reação interessante? PB: Dirigentes de um banco internacional elogiaram nossas ideias, dizendo que morrem de medo de entrar num projeto e por isso ter de encarar uma passeata na porta do banco.  O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não poderá financiar tudo sozinho. IPS: Pode citar um caso em que a ferramenta teria apontado melhores alternativas? PB: No rio Teles Pires (afluente do rio Tapajós), soube que se pensou em fazer uma só usina, maior que a atual, a Teles Pires, sem duas outras em preparação, São Manoel e Foz do Apiacás. Poderia ter sido melhor, com mais potência e menos impacto cumulativo, além de um reservatório plurianual. O rio tem uma barreira natural e a questão da conectividade não se coloca de forma tão aguda. Há o mito de usinas menores impactarem menos, mas uma sucessão delas fragmenta mais o ecossistema aquático. (Envolverde/IPS) * Editado em 29 de agosto de 2013.


por Mario Osava, da IPS
Manifestantes egípcios se preparam para resistir à repressão militar. Foto: Sam Kimball/IPS Inter Press Service - Reportagens

Irmandade Muçulmana resiste encurralada no Egito

[caption id="attachment_97004" align="aligncenter" width="529"] Manifestantes egípcios se preparam para resistir à repressão militar. Foto: Sam Kimball/IPS[/caption]   Cairo, Egito, 27/8/2013 – O Sol está a ponto de se pôr e ouve-se o chamado para as orações na mesquita Mostafa Mahmoud, no bairro Mohadiseen da capital egípcia, mas as ruas estão praticamente vazias. Há apenas uns poucos soldados ao lado de tanques de guerra. Poucos dias atrás, a praça e as ruas em torno da mesquita eram palco de uma maciça manifestação de protesto por parte de simpatizantes do deposto presidente Mohammad Morsi e da organização Irmandade Muçulmana. O protesto foi violentamente reprimido pelas forças de segurança egípcias, deixando pelo menos 600 mortos e milhares de feridos. Desde então, várias centenas de líderes da Irmandade Muçulmana em todo o país foram presos, acusados de vandalismo e de incitação à violência. O chamado da Irmandade Muçulmana para ocupar as ruas na “sexta-feira dos mártires”, dia 23, para protestar contra a violência só conseguiu convocar umas poucas centenas de manifestantes no Cairo e em algumas províncias. As mortes e a dura repressão colocam em xeque o futuro político do movimento. De pé, ao lado da bagunçada e poeirenta mesquita de Assad bin Al Furat, no Cairo, comumente usada nas últimas semanas como ponto de encontro para marchas a favor de Morsi, o caminhoneiro Amr Faraghani Numeri comenta com outros homens a situação da Irmandade Muçulmana. “O futuro da Ikhwan (Irmandade) acabou. É o fim”, disse Numeri, acrescentando que “isto não significa que o Islã esteja acabado. A Irmandade não representa os muçulmanos. A organização não tem futuro porque as pessoas não a querem”. Numeri reflete o pensamento de muitos egípcios, o que representa um novo desafio para a Irmandade Muçulmana. Segundo Adel Abdel Ghafar, erudito do Centro para Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade Nacional Australiana, “a Irmandade Muçulmana enfrenta uma dura prova. É um período de séria adversidade”. Para ele, nunca antes esse movimento islâmico de 85 anos de história havia alcançado tão grande influência no Egito para então perdê-la de um dia para outro. Porém, Isaam Shahid, ex-membro do Conselho da Shura (câmara baixa do parlamento) pelo Partido da Liberdade e Justiça (PLJ), da Irmandade Muçulmana, parece não se preocupar. “Apesar da instabilidade, tenho confiança de que a situação não continuará assim por muito tempo”, declarou, se referindo à violenta repressão militar contra os membros de seu partido. “As pessoas sempre manterão seu protesto pacífico contra os militares”, acrescentou. Shahid afirmou que as últimas ameaças de prescrever a Irmandade Muçulmana são inofensivas. “Houve conversações entre especialistas legais que trabalharam para emendar a Constituição, aprovada em 2012, sobre uma cláusula que proíbe a criação de partidos baseados em identidades religiosas e pela qual o PLJ poderia ser proibido. Porém, isso não vai concorrer. O PLJ é um partido de todos os egípcios”, enfatizou. Por sua vez, Mohamed, que não quer dizer seu sobrenome, é membro da Irmandade Muçulmana e representante do sindicato de estudantes da Universidade Al Azhar, no Cairo. Ele acredita que o movimento, embora não chegue a ser proscrito, não poderá atuar tão livremente como fizera antes da derrubada de Morsi, no dia 3 de julho. “Não creio que o regime militar permita a presença da Irmandade Muçulmana no governo”, afirmou. “Mas, a organização continuará pressionando para participar da vida pública. A organização voltará aos protestos pacíficos que realizou durante 30 anos durante o governo de Hosni Mubarak. Não tem outra opção”, ressaltou Mohamed. No entanto, reconheceu que as forças armadas do Egito limitarão a ação da Irmandade. “As forças do golpe jogaram abaixo a democracia e criaram a ‘tanquecracia’, por isso duvido que o PLJ possa participar das próximas eleições”, opinou. O governo interino, apoiado pelos militares, “logo realizará eleições que terão fachada democrática mas que no fundo serão puro engano”, ressaltou. Mohamed Elmasry, professor assistente de jornalismo e comunicação de massa na American University do Cairo, destacou que “a Irmandade Muçulmana é uma organização com raízes profundas, pois conta com centenas de milhares de membros comprometidos. Tem sido parte integrante da sociedade egípcia por mais de 80 anos. Se for proscrito e obrigado a atuar na clandestinidade, vai se adequar”, enfatizou. “No final, agiu dessa forma a maior parte de sua existência, e funcionou como uma organização religiosa e de serviço social”, acrescentou. Elmasry acredita que, devido à sua forte base na sociedade, a Irmandade Muçulmana ainda não está acabada. “Creio que lutará para voltar à luta política e, se o sistema egípcio lhe der outra oportunidade de participar de uma disputa livre e justa, não me surpreenderia se obtivesse um significativo triunfo”. Para Abdel Ghafar, “a Irmandade Muçulmana sempre será parte do processo político. No entanto, o desaparecimento de seus líderes levará seus simpatizantes para a clandestinidade. O sistema lhe fechou a porta. Agora esperam a oportunidade para reingressar”. Envolverde/IPS


por Sam Kimball, da IPS

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