Um candidato curdo contra todos os obstáculos

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Um candidato curdo contra todos os obstáculos


por Karlos Zurutuza, da IPS


[caption id="attachment_98838" align="aligncenter" width="529"] O candidato Omar Karim aponta as escadas sem rampas, um dos problemas menores dos deficientes curdos. Foto: Karlos Zurutuza/IPS[/caption]   Suleymaniya, Curdistão Iraquiano, 20/9/2013 – Omar Karim tinha apenas seis anos quando perdeu suas duas pernas ao pisar em uma mina terrestre. Agora, perto dos 40 anos, pode ser converter no primeiro parlamentar deficiente da Região Autônoma Curda do Iraque, após as eleições do dia 21. “Quando sofri o acidente, não havia cadeira de rodas e minha mãe me levava nos ombros para a escola todos os dias”, contou. “As coisas mudaram, mas não muito”, lamenta Karim, presidente da Associação de Deficientes do Curdistão, em seu escritório na sede de Suleymaniya, 260 quilômetros a nordeste de Bagdá. Mas a situação pode sofrer um ponto de inflexão no dia 21. Dados do Alto Comissariado Eleitoral Iraquiano indicam que nesse dia competirão por vagas no parlamento do Curdistão Iraquiano 366 mulheres e 736 homens. Um deles é Karim, que integra a Lista da União Patriótica do Curdistão, um dos dois partidos dominantes na região. Sarah Osman, voluntária da Associação de Deficientes e da campanha eleitoral, afirmou ser uma “filha da revolução”. Nasceu em 1991, coincidindo com a insurreição dos curdos contra o regime iraquiano de Saddam Hussein (1979-2003). A principal minoria do Iraque começou, então, a assentar as bases de sua atual região autônoma, o mais parecido com um país que os curdos jamais tiveram. Infelizmente, a conjuntura bélica da época fez com que muitos “filhos da revolução” fossem vítimas das precárias condições de saúde. “O transporte continua sendo um de nossos principais problemas”, garante Osman, que, por uma negligência médica e uma poliomielite detectada muito tarde, é obrigada a depender dos táxis diariamente, com o custo econômico que isso representa. “Posso andar, mas muitos taxistas não param porque sabem que precisam nos ajudar a entrar, dobrar a cadeira e colocá-la no porta-malas. Mas também é certo que há motoristas amáveis, que nem mesmo cobram pela viagem”, contou à IPS, a respeito de sua experiência diária. Outra ativista que participa da campanha eleitoral de Karim é Sarah Hatum. A distrofia muscular a obrigou a abandonar a escola aos 15 anos e colocou-a em uma cadeira de rodas. Chama de “esmola” a ajuda mensal que recebe do governo regional curdo por ser deficiente. “Receber 150 mil dinares iraquianos (US$ 135) por mês corrobora para a imagem que os deficientes têm na sociedade”, disse à IPS esta jovem de 31 anos. “Nos veem como pessoas não válidas, causamos pena e nos oferecem caridade em lugar de oportunidades para mostrarmos nosso valor”, afirmou. Hatum garante que a sua é uma “dupla” deficiência: “não estou apenas sentada em uma cadeira de rodas. Também sou mulher no Oriente Médio. Meu irmão também é deficiente, mas, ao contrário de mim, está casado e trabalha”, afirmou. Alguns verão que a história de Rizgar Abdulkadir é uma constatação do testemunho de Hatum, mas não há dúvidas de que a força interior deste curdo de 39 anos também teve um papel muito importante em sua vida. “Nasci em uma aldeia sem recursos e tinha um irmão mais velho que demorou para começar a andar. Em casa pensaram que meu problema seria o mesmo e já era tarde quando detectaram que eu estava com pólio”, contou Abdulkadir, que sofreu abandono escolar, falta de acessibilidade, discriminação profissional, mas muito mais doloroso que tudo isso é o estigma que representa ser deficiente nesta parte do mundo, afirmou. “Pedi em casamento centenas de moças até que finalmente uma aceitou. Aos poucos compreendi que era ainda mais difícil convencer sua família de que seria capaz de dar vida ‘normal’ a ela”, contou à IPS este especialista em informática e pai de dois filhos. Chavia Ali, antiga presidente da única associação de deficientes da Síria, também é uma referência mundial nesta área no Oriente Médio. Desde outubro de 2012, continua trabalhando da Suécia, após abandonar in extremis sua casa em Alepo, a segunda cidade síria, 300 quilômetros ao norte de Damasco, assolada pela violência. Sua condição de mulher, deficiente e curda a converte em “triplamente” marginalizada em sua região de origem, enfatizou. “No Oriente Médio se fala sobre a deficiência, mas raramente se ouve os deficientes na hora de redigir as leis”, explicou Ali à IPS por telefone. “Assim são as coisas, não são eliminadas as barreiras físicas nas escolas, nem fornecem meios para os alunos cegos ou surdos. O mais urgente é respeitar nossos direitos e nos oferecerem os meios para nos integrarmos à sociedade”, opinou esta mulher de 33 anos, que vê a candidatura ao parlamento de um deficiente como um “enorme passo adiante”. De volta à Associação, Karim se mostra confiante em suas chances. Garante que seus eleitores potenciais estão principalmente entre os 125 mil deficientes da Região Autônoma Curda do Iraque e suas famílias. “Nem mesmo se trata de um censo médico, mas obtive o dado da lista de ajuda aos deficientes”, explicou, acrescentando que “só os que têm um deficiente em seu ambiente familiar mostram alguma sensibilidade para com eles”. “Pode ser que obter o respeito das famílias ‘normais’ seja muito mais difícil do que conseguir adaptar ruas e leis, mas devemos lutar por isso”, argumentou o ativista. No entanto, Karim reconhece que a situação na Região Autônoma é “incomparavelmente melhor” do que a do resto do país. “Durante os anos de Saddam Hussein o Iraque era uma referência mundial no âmbito da deficiência. Falamos da cobertura legal e econômica e inclusive de cidades especiais para deficientes”, disse o candidato. “Hoje, o número oficial de deficientes no país é de 1,5 milhão, mas todos sabemos que a guerra interminável atingiu muitíssimos mais iraquianos”, destacou. A Associação para os Deficientes do Iraque estima que cerca de 10% da população sofra algum tipo de deficiência, o que situa o número total em torno de 2,75 milhões de pessoas. “Seja o número que for, o certo é que todos estão, literalmente, abandonados à própria sorte em meio ao caos que hoje é o Iraque”, lamentou Karim, antes de retornar à reta final da campanha eleitoral. Envolverde/IPS

Barreira militar no rio Atrato, noroeste da Colômbia. Foto: Jesús Abad Colorado/IPS Inter Press Service - Reportagens

Forças norte-americanas ociosas buscam o que fazer na América Latina

[caption id="attachment_98834" align="aligncenter" width="529"] Barreira militar no rio Atrato, noroeste da Colômbia. Foto: Jesús Abad Colorado/IPS[/caption]   Washington, Estados Unidos, 20/9/2013 – A política dos Estados Unidos para a América Latina está no piloto automático, em grande parte devido aos poderosos interesses que as burocracias militares e da DEA (agência antidrogas norte-americana) solidificaram durante décadas. Esta é uma das causas de a Casa Branca ter feito “ouvidos surdos” ao “clamor” de governos democráticos e da sociedade civil da região por um relacionamento diferente, afirma o documento Hora de Ouvir, divulgado no dia 18, pelo Escritório em Washington para Assuntos Latino-Americanos (Wola) e outros dois centros de pensamento. Embora a ajuda militar e de segurança dos Estados Unidos para a região venha diminuindo desde 2010, as quantidades em dólares podem ser enganosas, segundo um dos coautores do informe, Adam Isacson, analista da Wola e especialista em Colômbia. Embora os grandes pacotes de assistência, como o Plano Colômbia anti-insurgente e antidrogas, diminuam ou cheguem ao fim, “estão em crescimento outras formas menos transparentes de cooperação entre forças militares”, pontuou. Isto se deve em parte ao fato de a administração de muitos programas ter passado do Departamento de Estado, que tem normas de direitos humanos mais rígidas, para o Pentágono. Além disso, as Forças de Operações Especiais – unidades de elite como os Boinas Verde do exército ou os grupos Mar, Ar, Terra da marinha (Seal) – realizam mais treinamento de efetivos latino-americanos e caribenhos, em razão de sua retirada do Iraque e sua redução paulatina no Afeganistão. Na última década, esses grupos mais que duplicaram e agora somam cerca de 65 mil homens. Seu comandante, o almirante William McRaven – responsável pela ação que levou à morte de Osama bin Laden – se mostra especialmente agressivo, buscando missões para suas tropas em novos teatros de operações, inclusive na América Latina e no Caribe, onde estão treinando milhares de militares. “Você pode treinar muita gente pelo preço de um helicóptero”, indicou Isacson à IPS. Este maior investimento em operações especiais faz parte de uma estratégia mais ampla do Pentágono (Departamento de Defesa), que consiste em manter uma presença de “baixo impacto” em todo o mundo, reforçando sua influência nas instituições militares locais. Porém, o Pentágono é muito menos transparente do que o Departamento de Estado, e é comum seus programas não estarem sujeitos às mesmas exigências de direitos humanos, nem ao mesmo grau de controle parlamentar, como os da chancelaria. E mais, McRaven tenta obter o poder de deslocar forças especiais em diferentes países sem consultar embaixadores norte-americanos junto a esses governos e nem mesmo o Comando Sul dos Estados Unidos. Se conseguir isso, será mais fácil rastrear o que fazem estas unidades de elite e saber se trabalham com forças locais cujos maus antecedentes em direitos humanos tornariam impossível receberem ajuda ou treinamento norte-americano, de acordo com a lei Leahy. Segundo Isacson, o comando de McRaven tentou neste verão boreal selar um acordo com a Colômbia para estabelecer nesse país um centro de coordenação de operações especiais regionais, sem consultar o Comando Sul nem a embaixada em Bogotá. “Estes fatos significam que o papel militar na elaboração da política externa está ficando maior e que as relações entre forças militares começam a ter mais importância do que as diplomáticas”, ressaltou. De acordo com o documento, outra tendência preocupante é que alguns países, especialmente a Colômbia, começam a treinar as forças militares e policiais vizinhas, e é frequente que por trás destas ações haja incentivo e financiamento dos Estados Unidos. Embora os militares colombianos tenham antecedentes muito polêmicos em matéria de respeito aos direitos humanos, a oficiais desse país foram dados papéis importantes em políticas destinadas a deter crimes fronteiriços e o narcotráfico, como a Iniciativa Regional de Segurança para a América Central, a Iniciativa Mérida e a reforma policial em Honduras, segundo o informe. As novas tecnologias de segurança, os drones (aviões não tripulados) e a ciberespionagem – como a que causou o cancelamento da visita a Washington da presidente Dilma Rousseff – trazem novos e grandes riscos para o clima político e as liberdades civis da região, acrescenta o informe. A estes fenômenos soma-se a persistência da “guerra às drogas” de Washington, imune aos cada vez mais ruidosos clamores por mudança feitos por presidentes e ex-presidentes, pela Organização dos Estados Americanos e pela sociedade civil organizada da região. As burocracias da DEA “são notavelmente resistentes à mudança e reticentes a repensar e reavaliar seus objetivos e suas estratégias”, disse à IPS a coautora do informe, Lisa Haugaard, diretora do Grupo de Trabalho para Assuntos Latino-Americanos. Consultados pela IPS, o historiador Carlos Medina Gallego, do Grupo de Segurança e Defesa, da Universidade Nacional da Colômbia, foi mais longe. Há denúncias de um “plano B” para a guerra oficial contra as drogas, que opera nos territórios e países produtores e é desenvolvido por “mercenários”, apontou. Além dos acordos oficiais de Bogotá com agências antidrogas e forças especiais dos Estados Unidos, há alguns “critérios” de que esses acordos sejam acompanhados por “ações de mercenários que operam sob determinadas características e regulações próprias, com autonomia, em ações contra o narcotráfico”, acrescentou Gallego. “Isto é parte de uma estratégia integral na qual são combinadas ações formais e outras encobertas e que buscam alcançar objetivos importantes”, afirmou. No entanto, “em matéria de direitos humanos, são profundamente violatórias e nenhum acordo poderia contemplá-las”, ressaltou o historiador. Como os informes mostram que “a guerra antidrogas não teve êxito, além de comprometer territórios, populações, meio ambiente e fumigações”, há grande dificuldade para justificar orçamentos e investimentos, destacou. Por essa razão busca, “pela via encoberta, própria dos mercados mercenários, desenvolver ações de capacitação e de ação direta, que vão levando grande parte das garantias de direitos humanos, mas também a institucionalidade”, enfatizou. Em 2010, a quantia da ajuda norte-americana à América Latina atingiu seu ponto mais alto em mais de duas décadas, quase US$ 4,5 bilhões, com desembolsos para a Iniciativa Mérida para o México e a América Central e pelo maior fluxo de ajuda para a recuperação do Haiti após sofrer devastador terremoto. Contudo, em 2011, a ajuda caiu drasticamente, para apenas US$ 2,5 bilhões, e se espera que para o ano fiscal de 2014, que começa em 1º de outubro, não passe de US$ 2,2 bilhões, diz o informe. A ajuda militar e de segurança também teve seu pico em 2010, com US$ 1,6 bilhão. Mas desde então caiu para cerca de US$ 900 milhões anuais, em grande parte pelo final do Plano Colômbia e da Iniciativa Mérida. A América Central é a única sub-região na qual a ajuda, em geral, está aumentando. Envolverde/IPS * Com a colaboração de Constanza Vieira (Bogotá).


por Jim Lobe, da IPS
Veículos da ONU nas Colinas de Golã. Foto: UN Photo/Arnold Felfer Inter Press Service - Reportagens

A ONU continua popular na maioria dos países

[caption id="attachment_98829" align="aligncenter" width="529"] Veículos da ONU nas Colinas de Golã. Foto: UN Photo/Arnold Felfer[/caption]   Washington, Estados Unidos, 20/9/2013 – A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou seu 68º período de sessões com uma boa notícia: pesquisa realizada em 39 países revela que o fórum mundial continua sendo relativamente popular no planeta. Segundo o Projeto de Atitudes Globais (GAP), divulgado no dia 17 pelo Pew Research Center, claras maiorias de entrevistados em 22 países disseram ter uma opinião favorável sobre a ONU, assim como fizeram importantes porcentagens de pessoas em outras seis nações. A média de aprovação nos 39 Estados onde foi feita a pesquisa foi de 58%, contra 27% de opiniões negativas. O estudo também concluiu que a opinião sobre a ONU tende a ser significativamente mais favorável entre adultos jovens do que entre os mais velhos em cerca de metade dos países estudados. As diferenças geracionais são mais pronunciadas no Canadá, nos Estados Unidos e na Turquia. O mesmo ocorre em relação ao nível educacional. As pessoas com maior instrução apresentaram opiniões mais positivas sobre as Nações Unidas, principalmente na Turquia, Japão, Paquistão e Canadá, segundo o GAP. Os homens apresentaram tendência em mostrar maior aprovação da ONU do que as mulheres em vários países, particularmente na África subsaariana e na Ásia Pacífico, mas também no Brasil e Paquistão, pontuou Bruce Stokes, analista do GAP. O especialista afirmou que um grande número de mulheres nesses países também apresentou a tendência pela opção “não sabe/não responde”. No Paquistão, por exemplo, chegavam a quase 80% e em Uganda a 42%. “Não há como saber o motivo de ser assim”, comentou Stokes à IPS. “Pode ser que na verdade elas tenham menos possibilidades de saber sobre as Nações Unidas” do que os homens, mas também pode ser um indício de que “o fórum mundial tem um problema com as mulheres nesses países”. Ásia Pacífico e sudeste asiático foram as regiões onde se constatou a maior aprovação à ONU, seguidas pela África subsaariana, segundo a pesquisa, feita entre março e maio desse ano. Entretanto, 45% dos entrevistados na China (um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e o único da Ásia) expressaram opinião desfavorável às Nações Unidas, contra 39% positivas. Há quatro anos, a situação era bem diferente: 55% dos chineses entrevistados mostraram uma opinião positiva em relação à ONU, contra 32% que desaprovavam seu desempenho. No Japão, as opiniões favoráveis pouco superaram as negativas: 45% contra 40%. A diferença há apenas dois anos era de 61% contra 27%. A região onde de longe se registraram respostas mais negativas sobre a ONU foi a do Oriente Médio. Em Israel ocorreu a maior desaprovação: 70%. E essa porcentagem aumenta para 75% entre os israelenses judeus. Os palestinos na Cisjordânia e em Gaza foram quase igualmente negativos: 69% disseram ter uma opinião desfavorável sobre a ONU, assim como maiorias na Jordânia (61%), Turquia (56%) e Egito (52%). “Não é que o público não goste dos objetivos da ONU ou de seus propósitos”, argumentou Steven Kull, do Programa sobre Atitudes Políticas Internacionais, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e do projeto WorldPublicOpinion.org. “Eles acreditam que a ONU não cumpre com seus propósitos e, como exemplo, apontam o descumprimento das resoluções 224 e 338 do Conselho de Segurança”, para resolver o conflito palestino-israelense, indicou. Além disso, “veem que os Estados Unidos podem conduzir o Conselho de Segurança da ONU para que sirva aos seus interesses”, acrescentou Kull, que acompanha de perto pesquisas sobre opinião pública internacional. O país asiático com mais opiniões favoráveis à ONU (84%) foi a Coreia do Sul, terra natal do secretário-geral, Ban Ki-moon, seguida de Indonésia e Filipinas (ambas com 82%). Se comparado com os resultados da pesquisa de 2007, os desse ano mostram aumentos significativos nas opiniões favoráveis registradas em Argentina (11% a mais), Coreia do Sul e Estados Unidos (10% em ambos). Por outro lado, as grandes quedas na aprovação da ONU foram registradas na China e Espanha (13% a menos), Gana e Quênia (12%), Israel (11%) e México (9%). Kull opinou que não é fácil avaliar as implicações destes resultados, em parte porque não está claro se os entrevistados estão se referindo ao ideal que têm da ONU ou ao seu real desempenho. “Existe frustração porque se percebe que a instituição não está funcionando como muitos acreditam que deveria funcionar, e isso cria um sentimento negativo”, destacou à IPS. “Realmente, não existe um lugar no mundo onde não se encontre uma maioria de pessoas que acredita ser boa ideia contar com uma instituição multilateral para promover o direito internacional e a cooperação”, ressaltou. Isto reflete “um apoio bastante sólido, considerando a frustração que existe sobre seu desempenho”, enfatizou. Para a pesquisa mundial foram ouvidas quase 38 mil pessoas, às quais foram feitas numerosas e exaustivas perguntas. O GAP continuará divulgando resultados do estudo nos próximos meses. Envolverde/IPS * O blog de Jim Lobe sobre política externa dos Estados Unidos pode ser lido em Lobelog.com.


por Jim Lobe, da IPS
Afegãos radicados em Ceylanpinar, pequena cidade da fronteira turca com a Síria. Foto: Karlos Zurutuza/IPS Inter Press Service - Reportagens

Onde a guerra Síria atinge os afegãos

[caption id="attachment_98826" align="aligncenter" width="529"] Afegãos radicados em Ceylanpinar, pequena cidade da fronteira turca com a Síria. Foto: Karlos Zurutuza/IPS[/caption]   Ceylanpinar, Turquia, 20/9/2013 – As pessoas correm para suas casas ao anoitecer, justamente quando a intensidade dos combates aumenta. Contudo, para Sha Mehmed tudo é dolorosamente familiar. Tinha 11 anos em 1982, quando abandonou sua aldeia natal no Afeganistão para instalar-se nesta pequena cidade turca, na fronteira com a Síria. Mehmed, originário de Baglan, a 200 quilômetros de Cabul, confessa à IPS que todos estão assustados em Ceylanpinar, porque “caíram três bombas muito perto”. Esta é uma pequena localidade que fica 800 quilômetros a sudeste de Ancara e que atualmente é o local da Turquia mais castigado pela guerra interna na Síria. Na realidade, Ceylanpinar não é mais do que o nome turco para a área norte da cidade curda de Serekaniye. O lado sul, já em solo sírio, se chama Ras al Ayn. Excetuando as distâncias, pode-se dizer que se trata da versão local de Berlim dividida, na época da Guerra Fria, embora aqui o muro seja substituído por uma ferrovia com alambrados dos dois lados. Foi a famosa linha férrea do Expresso do Oriente, que determinou a fronteira entre Síria e Turquia em 1921. O preço de ligar Berlim a Bagdá passava por dividir famílias curdas e árabes dos dois lados da via. Hoje, viver na fronteira síria implica, ainda, ser vítima de balas e demais projéteis “perdidos” lançados do outro lado. Yadigar Arzupinar contou à IPS que “não tinha mais que três anos” quando chegou a este lugar, por isso “tem lembranças apenas do Afeganistão”. Seja como for, este artesão do couro conhece perfeitamente as razões da existência desta inesperada comunidade de quase dois mil afegãos em Ceylanpinar. “Kenan Evren (general golpista e presidente da Turquia entre 1980 e 1989) visitou o Afeganistão em 1982. Ao retornar decidiu construir 300 casas para nossas famílias e desde então vivemos aqui”, disse Arzupinar, lembrando que a falta de oportunidades, e sobretudo a guerra a poucos metros de distância, obriga muitos a emigrarem para Istambul e Antalya, a meca do turismo de praia turco, 500 quilômetros a sudoeste de Ancara. É impossível saber se aqueles que partiram terão saudades deste bairro na entrada norte de Ceylanpinar, uma espécie de barracões cinzas e distribuídos entre ruas retilíneas e sem asfalto. “Que Deus maldiga aqueles que fazem a guerra”, exclama Gulshan, uma mulher de 75 anos natural de Kunduz, 230 quilômetros ao norte de Cabul. “Me diga, é certo a Turquia apoiar a rede Al Qaeda do outro lado da ferrovia?”, pergunta esta idosa de olhos puxados, repassando um boato que circula com força na área há alguns meses. Verdade, ou não, o certo é que a convivência nesta cidade fronteiriça está visivelmente afetada pela guerra do outro lado da estrada de ferro. Ismail Arslan, prefeito de Ceylanpinar, lamenta “profundamente” a atual conjuntura. “Temos quatro mortos e mais de 40 feridos até agora. As pessoas têm medo de sair à rua e, frequentemente, pedimos para que todos fiquem em suas casas, mas alguns são feridos mesmo dentro delas”, conta este advogado dirigente do Partido Paz e Democracia, o grupo dominante entre os curdos da Turquia. E o prefeito vai além: “A região está repleta de extremistas islâmicos. A Turquia lhes dá apoio logístico para atravessarem a fronteira e inclusive evacua seus feridos em ambulâncias para hospitais locais”. Arslan afirmou à IPS que seu objetivo é impedir que os curdos da Síria consigam controlar seu território. Desde o começo das revoltas, em março de 2011, os curdos da Síria, que somam entre três e quatro milhões de pessoas, mantêm uma posição neutra, se distanciando tanto de Damasco quanto da oposição, mas enfrentando ambos pelo controle das áreas onde são maioria, no norte do país. Musa Çeri, governador do distrito turco e membro do governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento, reconhece que Ancara não vê com bons olhos que a principal minoria da Síria construa uma região autônoma em sua fronteira, semelhante à do norte do Iraque. Em todo caso, nega terminantemente as acusações do prefeito. “Meu governo nunca seria capaz de tal coisa”, disse à IPS. Apesar de suas diferenças em um tema tão sensível, tanto Arslan com Çeri concordam que os afegãos locais são uma comunidade tranquila e trabalhadora e, portanto, o resto da população nunca teve queixa alguma contra eles. Não é comum, mas alguns inclusive se casaram com moradores locais. Emirhan Celikale é prova disso. “Meu pai é afegão e minha mãe é curda, mas em casa todos falamos o uzbeque”, explicou o jovem à IPS. Precisamente, a comunidade afegã em sua totalidade é de etnia uzbeque, terceiro povo majoritário no Afeganistão, após pastunes e tayikos. A origem comum centro-asiática dos idiomas turco e uzbeque faz com que ambos sejam mutuamente inteligíveis, facilitando a integração deste coletivo no país. No entanto, para os habitantes mais idosos, a lembrança de sua terra natal torna as coisas bastante difíceis. Como todos os de sua geração, Abdullah Önder usa enorme barba branca e turbante, em total sintonia com seu “shalwar kamiz”, o conjunto de camisa e calça folgadas hegemônicos em sua região de origem. Önder recorda que tinha 27 anos quando chegou, “recém-casado”, a Ceylanpinar. “Vivíamos bem na fronteira do Tajiquistão, em uma casa bonita junto a um riacho”, detalhou este homem em seu pequeno estabelecimento de alimentação. “Abandonamos minha aldeia para fugir para Helmand”, 731 quilômetros a sudoeste de Cabul. “De lá cruzamos para o Irã, onde vivemos um ano e meio, para, finalmente, chegarmos aqui”, afirmou. Önder não tem intenção de voltar para sua terra natal. “Morrerei em Ceylanpinar”, garantiu. “Você viu alguma melhora no Afeganistão?”, questionou este homem, antes de fechar sua loja para as orações do anoitecer. Envolverde/IPS


por Karlos Zurutuza, da IPS
Uma criança uzbeque trabalha na colheita de algodão. Foto: International Labour Rights Forum Inter Press Service - Reportagens

OIT investigará trabalho infantil no setor do algodão do Uzbequistão

[caption id="attachment_98738" align="aligncenter" width="529"] Uma criança uzbeque trabalha na colheita de algodão. Foto: International Labour Rights Forum[/caption]   Tashkent, Uzbequistão, 19/9/2013 – O governo autoritário do Uzbequistão cedeu a reiteradas pressões e decidiu permitir que uma missão internacional comprove se existe trabalho infantil na colheita do algodão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) confirmou à EurasiaNet.org que enviará uma missão para inspecionar as colheitas de algodão nesse país, que começaram este mês. “A OIT participará do monitoramento da colheita de algodão no Uzbequistão com o objetivo de impedir o uso de mão de obra infantil”, confirmou, no dia 12, o porta-voz da organização, Hans von Rohland, em um e-mail. O Uzbequistão é alvo de críticas internacionais e de amplo boicote comercial por empregar trabalho infantil e forçado na colheita do algodão. No começo desse ano, o Departamento de Estado norte-americano criticou o país por esse motivo. O surpreendente anúncio de uma missão de observadores ao Uzbequistão – que sempre negou que o Estado permitia o uso sistemático de trabalho infantil e forçado, mas há anos rejeita as inspeções – despertou um cauteloso boas-vindas de organizações de vigilância. Os defensores dos direitos trabalhistas se preocupam com o mandato da OIT não ter o alcance necessário para erradicar os abusos nos algodoais. “Nos agrada a OIT enviar equipes ao Uzbequistão para controles durante a colheita”, declarou este mês a não governamental Cotton Campaign. “Nos preocupa o fato de os inspetores da OIT estarem acompanhados de representantes do governo, do sindicato estatal oficial e dos empregadores, cuja presença intimidará os cidadãos dispostos a falar”, acrescentou em sua declaração. Von Rohland, porta-voz da OIT, confirmou que a missão “implica a cooperação com as autoridades locais encarregadas dos assuntos relativos ao trabalho infantil, bem como com especialistas das organizações de empregadores e dos sindicatos”. Os participantes locais da missão serão capacitados pela OIT para “garantir que a inspeção seja confiável”, acrescentou. Um dos objetivos “é aprofundar a consciência e a capacidade dos atores nacionais para garantir o pleno respeito às disposições das convenções ratificadas”, ressaltou. O Uzbequistão ratificou duas convenções da OIT sobre trabalho infantil, mas ativistas pelos direitos humanos dizem que as viola impunemente. Preocupa os ativistas os observadores não conseguirem ter acesso aos algodoais sem restrições. “É essencial que as equipes estejam integradas apenas por observadores independentes, sem nenhum funcionário local”, argumentou à EurasiaNet.org Steve Swerdlow, pesquisador sobre Ásia central na organização Human Rights Watch. É fundamental que não haja vigilantes quando se conversar com os trabalhadores, para que possam se expressar livremente, afirmou Swerdlow. “Está bem documentada a capacidade do governo do Uzbequistão para suprimir toda dissensão”. Também preocupa que a delegação da OIT examine apenas a questão do trabalho infantil, e não o forçado, embora o país tenha assinado convenções relativas ao segundo problema, o que daria uma base legal para realizar as inspeções. “O mandato da missão deveria incluir explicitamente o trabalho forçado em todo o sistema da colheita de algodão, já que afeta milhões de cidadãos e repousa em um regime de coerção patrocinado pelo Estado”, ressaltou Swerdlow. O representante da OIT disse que “a inspeção se centrará no trabalho infantil, incluído o trabalho infantil forçado, e é provável que surjam aspectos importantes” nesse caso. A Cotton Campaign documentou casos de trabalho forçado nos preparativos da colheita. “Na primavera de 2013 as autoridades mobilizaram meninos e adultos para arar e desmatar, e bateram em agricultores que plantaram cebolas em lugar de algodão”, informou a organização, que no verão documentou “preparativos para levar à força enfermeiras, professoras e outros trabalhadores do setor público para a colheita do algodão”. A produção algodoeira do Uzbequistão se vale do trabalho forçado para conseguir que os agricultores cumpram as cotas de colheita fixadas pelo governo. Os trabalhadores forçados podem pagar para se livrar dessas tarefas. Este ano devem entregar o equivalente a US$ 200, ou cinco salários mínimos, segundo o Uzmetronom.com. Os catadores recebem um salário miserável, que no ano passado ficou entre US$ 0,07 e US$ 0,10 por quilo, segundo esse site. O “ouro branco” é a galinha dos ovos de ouro para o governo. O país é o quinto maior produtor mundial e o segundo maior exportador de algodão, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O algodão representou 11% da renda com exportações em 2011, segundo informe do grupo de pressão Responsible Sourcing Network. O Uzbequistão é alvo de uma longa campanha contra o trabalho infantil, que há dois anos levou a Semana da Moda de Nova York a proibir a apresentação da estilista Gulnara Karimova, filha do presidente Islam Karimov. A Responsible Sourcing Network instituiu um compromisso escrito “para garantir que o trabalho forçado de crianças e adultos no Uzbequistão não tenha lugar em nossos produtos”, que já foi assinado por 131 empresas varejistas, incluídas marcas renomadas como Nike e Adidas. Diante dessa avalanche de publicidade negativa, as autoridades tomaram medidas no ano passado para excluir as crianças menores dos algodoeiros, o que foi “uma recordação de que às vezes a pressão funciona, mesmo sobre governos com antecedentes tão autoritários como o de Tashkent”, enfatizou Swerdlow. Contudo, um informe da Human Rights Watch conclui que a medida apenas mudou a carga de lugar, para os ombros de adultos e crianças mais velhas. Os ativistas acusam há tempos governos do Ocidente de fazerem vista grossa diante dos abusos no Uzbequistão por razões geopolíticas e estratégicas. O Uzbequistão está na Rede de Distribuição do Norte, uma rota estratégica para o transporte para e do Afeganistão, que ganhará mais importância quando as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se retirarem desse país vizinho, no final de 2014. O Ocidente deveria fazer geopolítica, por um lado, e aproveitar a oportunidade para exercer maior pressão sobre o governo desse país, afirmam grupos humanitários. “Definitivamente, um Uzbequistão cheio de um espectro tão amplo de abusos corre o risco de cair em uma instabilidade mais grave e explosiva para si mesmo, para seus 30 milhões de habitantes e para a região”, concluiu Swerdlow. Envolverde/IPS * Joana Lillis é jornalista independente especializada em temas da Ásia central. Publicado sob acordo com Eurasia.Net.org.


por Joanna Lillis*
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, se reunirá com seu colega britânico William Hague na Assembleia Geral da ONU, no final deste mês. Foto: UN Photo/Kate Schafer. Inter Press Service - Reportagens

Interesses comuns podem ajudar em uma distensão entre Estados Unidos e Irã

[caption id="attachment_98734" align="aligncenter" width="494"] O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, se reunirá com seu colega britânico William Hague na Assembleia Geral da ONU, no final deste mês. Foto: UN Photo/Kate Schafer.[/caption]   Washington, Estados Unidos, 19/9/2013 – Os interesses comuns dos Estados Unidos e do Irã na Ásia podem servir de base para que os dois países trabalhem juntos para superar décadas de hostilidade. “Se Irã e Estados Unidos forem capazes de superar suas diferenças em relação ao programa nuclear iraniano, se começar a haver certo avanço nesse sentido, então vejo oportunidades de diálogo e cooperação sobre uma gama mais ampla de temas, incluídos os que me dizem respeito, ou seja, o Afeganistão”, disse à IPS o embaixador James F. Dobbins, representante especial dos Estados Unidos para o Afeganistão e Paquistão, em uma entrevista coletiva, no dia 16, em Washington. À eleição do novo presidente do Irã, Hassan Rouhani, um clérigo moderado com um apoio centrista e reformista, bem como com estreitos vínculos com o líder supremo Ali Khamenei, seguiram-se mais sinais de que este país pode estar se posicionando para chegar a um acordo sobre seu controvertido programa nuclear. O fato de Rouhani nomear como seu ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, encarregado da questão nuclear, foi bem recebido pelas principais elites da política externa de Washington, que o consideram um sócio valioso para as negociações. Este ex-embaixador iraniano junto à Organização das Nações Unidas (ONU), educado no Ocidente, prevê se encontrar com seu colega britânico, William Hague, na Assembleia Geral da ONU no final deste mês, o que poderia levar ao reinício dos vínculos diplomáticos interrompidos depois que manifestantes atacaram, em 2011, a embaixada britânica em Teerã. Dobbins, que trabalhou próximo a Zarif em 2001, após ser designado pelo governo de George W. Bush (2001-2009) para ajudar a estabelecer um governo no Afeganistão depois de desalojado do poder o Talibã, disse à IPS que “o Irã foi bastante útil” nessa tarefa. “É de lamentar que nossa cooperação, que penso que em 2001 era genuína e importante, não tenha se mantido”, pontuou. Os Estados Unidos interromperam os esforços oficiais para uma cooperação maior com o Irã após um discurso feito em 2002 por Bush, no qual categorizou Teerã como parte de um “eixo do mal”, juntamente com Iraque e Coreia do Norte. Embora o discurso Um Novo Início, que o presidente Barack Obama fez em 2009 no Cairo, tenha apontado para um afastamento da retórica da era Bush sobre o Oriente Médio, a política dos Estados Unidos sobre o Irã está centrada nas sanções, o que foi um dos principais pontos de controvérsia nas conversações nucleares do ano passado. Vários fatos recentes, que continuaram inclusive quando os Estados Unidos pareciam estar se posicionando para atacar a Síria – aliada do Irã – levaram a especulações de que estes adversários históricos podem estar se aproximando de conversações diretas, embora a Casa Branca tenha negado que ocorreram durante a Assembleia Geral da ONU. No dia 15 deste mês, Obama confirmou as notícias sobre uma troca de cartas com Rouhani. A porta-voz da chancelaria iraniana, Marziyeh Afjam, também verificou o intercâmbio, mas negou as especulações de que a Síria foi um dos temas. “A carta de Obama foi recebida, mas não era sobre a Síria e sim de cumprimentos (a Ruhani), cuja resposta foi enviada”, disse Afjam a jornalistas em Teerã, em declarações publicadas na semioficial Agência de Notícias Fars. Os dois líderes reconhecerem publicamente um contato tão incomum é um fato importante em si mesmo, segundo Robert E. Hunter, que integrou o Conselho de Segurança Nacional no governo de Jimmy Carter (1977-1981). “Este é um esforço, antes de tudo, para testar as águas da política interna norte-americana em relação às conversações diretas quanto à possibilidade de ver se é possível fazer algo mais produtivo do que no passado. E, com exceção dos procedentes de Israel, não vi muitos protestos fortes”, observou. “Os iranianos já se afastaram do assunto sobre a negação do Holocausto (judeus em mãos dos nazistas) dizendo que foi ‘o outro’”, afirmou Hunter à IPS, em alusão ao ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. No entanto, “como diz o ditado, o caminho entre Teerã e Washington passa por Jerusalém”, destacou. Para que Washington e Teerã melhorem suas relações também é preciso que o Irã acalme a preocupação de Israel sobre seu programa nuclear e sobre o movimento xiita libanês Hezbolá, acrescentou. Hunter, que foi embaixador dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) entre 1993 e 1998, também destacou que os “interesses compatíveis” entre ambos, como a segurança e a estabilidade do Iraque e do Afeganistão, e a liberdade de navegação no estreito de Hormuz, vital rota de transporte de petróleo, também poderiam cimentar o caminho para melhores relações. Inclusive, Khamenei, que sempre teve profundas suspeitas sobre a política norte-americana para o Irã, autorizou Rouhani a entrar em conversação direta com Washington, segundo um artigo de opinião publicado pelo Project Syndicate e escrito pelo ex-negociador nuclear iraniano Hossein Mousavian. Durante uma reunião realizada no dia 16 com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Khamenei também disse que não se opõe “à diplomacia correta” e que acredita em uma “flexibilidade heroica”, segundo uma tradução do Al-Monitor. Em outro comentário surpreendente, Khamenei repercutiu as declarações anteriores de Rouhani sobre a Guarda Revolucionária não precisar ter uma ingerência direta na política. “Não é necessário que atue como guarda da cena política, mas deveria conhecê-la”, declarou Khamenei, que por anos cultivou relações próximas com o poderoso ramo das forças armadas do Irã. No dia 12 deste mês o titular da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, anunciou que o país reduziu seu arsenal de urânio de baixo enriquecimento (20%), convertendo-o em combustível para o Reator de Pesquisas de Teerã. O Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional (Isis) descreveu isso como “enganoso”, com base na pouca quantidade de urânio de baixo enriquecimento que o Irã converteu em combustível. “Assim, esta ação não pode ser vista como medida significativa de geração de confiança”, afirmou o Isis em um comunicado de imprensa. Porém, Paul Pillar, um ex-alto analista da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, que entre 2000 e 2005 foi encarregado de inteligência nacional para o Oriente Médio e a Ásia austral, afirmou que isto é “um exemplo de uma redução muito estendida, que busca transformar questões políticas e psicológicas em questões técnicas”. E acrescentou que “as medidas de criação de confiança são gestos de boa vontade e intenção. Não são muros contra uma possível ruptura futura. Se fossem, não seriam medidas de geração de confiança, mas uma solução para todo o problema”. Envolverde/IPS


por Jasmin Ramsey, da IPS
Segundo especialistas da Faculdade de Agricultura da Universidade de Belgrado, as espécies autóctones de frutas e verduras dos Bálcãs perderam a batalha contra as grandes produtoras internacionais de sementes. Foto: Cortesia de Vesna Peric Zimonjic Inter Press Service - Reportagens

Sementes de conflito germinam nos Bálcãs

[caption id="attachment_98731" align="aligncenter" width="468"] Segundo especialistas da Faculdade de Agricultura da Universidade de Belgrado, as espécies autóctones de frutas e verduras dos Bálcãs perderam a batalha contra as grandes produtoras internacionais de sementes. Foto: Cortesia de Vesna Peric Zimonjic[/caption]   Belgrado, Sérvia, 19/9/2013 – Este ano o verão nos Bálcãs foi agradável, deixando abundância e alimentos suficientes nas mesas. Mas a população se queixa que os tomates “não têm o mesmo sabor de antes”, as melancias estão muito aguadas, as couves são difíceis de cortar e as cebolas já não fazem ninguém chorar. É um rumor indignado, que ressoa nos fóruns populares e nas redes sociais da internet na Sérvia. Os agricultores são acusados de se renderem às pressões dos importadores de sementes, deixando de lado as espécies autóctones que até agora davam bons resultados. “Atualmente há poucas possibilidades de constatar se o que se compra é um tomate real, colhido localmente”, disse Jasmina Zdravkovic, do Instituto de Agricultura da cidade Sérvia de Smederevska Palanka, 63 quilômetros a sudeste de Belgrado. “O mais provável é acabar comprando um cujo centro seja branco e impossível de se comer. Isto se deve ao gene introduzido para manter o tomate firme”, explicou à IPS, acrescentando que esses tomates nunca estão maduros; ficam vermelhos apenas por fora. Segundo Jasmina e especialistas da Faculdade de Agricultura da Universidade de Belgrado, as espécies originárias perderam a luta contra as grandes companhias internacionais produtoras de sementes. O cultivo de espécies nativas se reduziu a hortas particulares ou outras áreas pequenas. Desde 2000, quando foram levantadas as sanções internacionais impostas à Sérvia após a guerra de 1998-1999 em Kosovo, as sementes importadas irromperam sem nenhum controle nem oposição no mercado sérvio. As híbridas, produzidas por gigantes biotecnológicos como Monsanto, DuPont ou Syngenta, assumiram as rédeas por completo. Segundo as últimas estatísticas da Câmara de Comércio, o país importou 230 toneladas de sementes e materiais de multiplicação por US$ 810 mil apenas nos três primeiros meses deste ano. “Assim, não há esperanças de que se produza comercialmente nenhuma espécie autóctone”, disse à IPS Djordje Glamoclija, da Faculdade de Agricultura. Entretanto, o país vem realizando um esforço sustentado para preservar seu patrimônio fitogenético. Um programa nacional para a conservação e o uso sustentável desses recursos está em suas fases finais. E uma de suas principais propostas é consolidar um banco genético nacional. Os recursos fitogenéticos da Sérvia atualmente estão “dispersos pelo país, em institutos agrícolas e faculdades”, afirmou Milena Savic, futura diretora desse banco. A coleção nacional tem cinco mil amostras de 273 espécies de plantas nativas da Sérvia. “Elas representarão a base para os recursos fitogenéticos, de acordo com a política nacional e mundial de preservar espécies originais”, ressaltou Milena. “Até agora, as amostras são guardadas para médio e longo prazos”, explicou à IPS, ou seja, de 20 a 50 anos. Os genes vegetais são mantidos em câmaras frias especiais, a temperaturas de 20 graus negativos, e as amostras de plantas são conservadas a quatro graus. Trabalhando com estas espécies originárias, a Sérvia espera desenvolver variedades melhoradas de sementes, cruzando-as com tipos de plantas de alto rendimento. O país também é parte da iniciativa regional de recursos fitogenéticos chamada Rede de Desenvolvimento do Sudeste da Europa. A ocidente da Sérvia, os protestos na Croácia contra o domínio das sementes importadas atingiram seu clímax antes que esse país entrasse na União Europeia, no dia 1º de julho deste ano. Isto aconteceu ao longo do verão: 18 organizações não governamentais pediram às autoridades que impedissem “a cobiça das multinacionais que ameaçam pôr em perigo os recursos que representam a base da indústria alimentar croata”. A Croácia já não tem nem uma fábrica produtora de sementes, e depende completamente das importadas. Essa nação gasta US$ 60 milhões anuais na importação de sementes e em materiais de multiplicação, segundo a Sociedade Croata de Agronomia. Um motivo particular de preocupação foi a nova regulamentação da União Europeia sobre as duas coisas, que exigiu, em nome do consumidor e da segurança alimentar, o registro de todas as frutas, verduras e árvores que antes se podia reproduzir ou distribuir. Por fim, a regulação mudou em razão de pressões de organizações não governamentais europeias, incluídas as 18 da Croácia. Agora, é permitido que os donos de hortas domésticas guardem e troquem sementes não registradas, e que organizações pequenas, com menos de dez empregados, cultivem sementes que tampouco estejam registradas. “As sementes representam a riqueza de hoje e de amanhã”, ressaltou Denis Romac, jornalista e ambientalista croata. “A produção própria de verduras saudáveis e cultivadas localmente significa a salvação para muitas pessoas em tempos de crise. Não surpreende que estejam recorrendo a terras nas cidades ou mesmo cultivando algo em suas sacadas e jardins, quando os têm”, acrescentou. A crise econômica do ano passado prejudicou muito a região. O desemprego na Sérvia chegou a 27% de seus 7,22 milhões de habitantes, e na Croácia atingiu 18,5% de sua população de 4,26 milhões. Enquanto isso, agricultores e donos de hortas domésticas na Sérvia recorrem ao método mais antigo mas também o mais seguro: o de guardar sementes no final da temporada para plantá-las na seguinte. “Fico com as sementes de um ano para outro e as uso no jardim”, disse Milentije Savovic à IPS. Ele tem vários hectares com hortas de diferentes verduras perto de Belgrado, e vende o que produz no popular mercado verde de Kalenic. Em sua banca encontra-se os populares tomates coração de boi, diferentes variedades de cebola, pequenos feijões pérola e melões “cerovaca” muito secos, que os mais velhos consumiam quando jovens. “Quanto às espécies autóctones, não há dúvidas de que são as melhor adaptadas ao nosso clima, solo e meios de proteção. Assim, por que mudá-las se são boas?”, opinou Savovic. Entretanto, Glamoclija se mostrou precavido a respeito. “Não se deve confundir o cultivo de espécies tradicionais ou antigas com as modernas tendências de cultivo de alimentos saudáveis”, disse à IPS. “As espécies cultivadas localmente e que estão bem adaptadas necessitam bons cuidados e proteção adequada. As frutas não tratadas podem conter bactérias tóxicas em lugar de pesticidas. Por isso o chamado ‘regresso à natureza’ pode ser como andar de bicicleta no centro de uma cidade em meio aos gases emitidos por veículos pesados”, acrescentou. Envolverde/IPS


por Vesna Peric Zimonjic, da IPS
O condado de Turkana é a região mais árida do Quênia. Segundo especialistas, a descoberta de 200 mil metros cúbicos de água na região deve beneficiar diretamente a comunidade do lugar, majoritariamente nômade. Foto: GNR8R/CC by 2.0 Inter Press Service - Reportagens

Quênia descobre um inacessível excesso de água

[caption id="attachment_98728" align="aligncenter" width="529"] O condado de Turkana é a região mais árida do Quênia. Segundo especialistas, a descoberta de 200 mil metros cúbicos de água na região deve beneficiar diretamente a comunidade do lugar, majoritariamente nômade. Foto: GNR8R/CC by 2.0[/caption]   Nairóbi, Quênia, 19/9/2013 – Zakayo Ekeno passou décadas pastoreando gado nas áridas terras do condado queniano de Turkana, como seu pai fizera antes. Nada nesses solos liquidados pela seca lhes indicava a riqueza que escondiam. “Muitas vezes me perguntei se poderia sair algo bom desta terra de má sorte”, contou Ekeno. Turkana é o mais árido e pobre dos 47 condados do Quênia. Em 2011, quase 9,5 milhões de pessoas dessa comunidade, principalmente nômade, foram afetadas por uma severa falta de chuvas. Assim, poucos poderiam ter sonhado que debaixo dessa terra rachada e chamuscada pelo Sol havia água suficiente para abastecer durante 70 anos um país de 41,6 milhões de habitantes como este. No dia 11 deste mês, o governo do Quênia e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciaram a descoberta de reservas de aproximadamente 200 mil metros cúbicos de água doce na bacia do Lotikipi, em Turkana. “Todos os anos perdemos gado por falta de água e pastagens. Também vivemos com medo de que outros roubem nossos animais para substituir os que perderam. Eu mesmo já fiquei ferido nesses assaltos. A água é a solução para este conflito”, pontuou Ekeno. Até agora a Organização das Nações Unidas (ONU) considera o Quênia como um país com escassez hídrica crônica, e estatísticas da Unesco mostram que 17 milhões de pessoas não têm água potável. O Quênia consome cerca de três bilhões de metros cúbicos por ano. Embora a descoberta tenha sido recebida com emoção, especialistas em água e meio ambiente, como a cientista Judith Gicharu, alertaram que o governo queniano tem pouca capacidade e marcos legais para manejar esta sustentabilidade hídrica. “Temos a Lei da Água de 2002 e a Lei de Manejo e Coordenação Ambiental de 1999. Entretanto, elas não fornecem um contexto apropriado para a administração da água subterrânea”, indicou à IPS. Existem disposições em marcos mais amplos, mas não abordam especificamente o uso da terra e a administração das camadas freáticas, explicou Gicharu. As decisões sobre a água subterrânea “não costumam se basear em normas sólidas. E, mesmo havendo regulamentações, raramente são cumpridas. A implantação de qualquer disposição fica comprometida pela superposição de responsabilidades de diferentes órgãos do governo que se ocupam da água e do meio ambiente”, detallhou. No Quênia, todos os recursos hídricos pertencem ao Estado, e as entidades governamentais devem aprovar e dar permissões para o uso da água. Contudo, segundo o informe intitulado Quênia: Estudo de Caso Sobre a Governança da Água Subterrânea, publicado em 2011 pelo Banco Mundial, “não existe consciência estratégica sobre a necessidade de proteger estes recursos”. Ikal Angelei, da organização ambientalista comunitária Amigos do Lago Turkana, alertou que, na falta de um forte contexto legislativo que possa estabelecer “a forma de explorar os recursos, quem se beneficia deles e como, é possível que esta riqueza natural não melhore significativamente a sorte do país”. A ativista acrescentou que, “tão logo foi descoberto o aquífero, e a população de Turkana já está ausente do diálogo sobre a água. O governo já fala em abastecer todo o país com a ‘nova’ água, mas, quanto dela será destinado aos habitantes do lugar?” Esta é a segunda maior descoberta de recursos naturais em Turkana. Em março de 2012 a empresa de exploração petroleira Tullow Oil anunciou a descoberta de milhões de barris de óleo na bacia do Lokichar. “Não podemos seguir o mesmo caminho que tomou a questão do petróleo. Desde que foi descoberto em Turkana, os investidores só se interessaram em saber quando começará a ser explorado. Dos benefícios para a comunidade não falam”, destacou Angelei. Para o economista Arthur Kimani, “o governo tem de ajudar a comunidade a entender que, além de beber a água, este recurso também pode gerar dinheiro, por exemplo, se usado para cultivar espécies comerciais”. Uma fonte do Ministério do Meio Ambiente, Água e Recursos Naturais declarou que essas críticas “não poderiam estar mais longe da verdade. De fato, a população de Turkana obterá água nas próximas duas semanas. Também nos comprometemos com o setor privado para concretizar associações que resultem economicamente viáveis para a comunidade”. Kimani insiste em que o papel do governo é crucial para administrar o fornecimento de água subterrânea. É necessário que haja participação pública para acordar como acontecerá”, ressaltou. “Muitas empresas trabalham com uma camarilha de gente bem conectada para apresentar um sistema opaco de declaração de resultados do que foi explorado e da renda obtida”, afirmou. “Os esquemas de renda compartilhada deveriam ser adotados de maneira aberta, para que o setor estatal tenha oportunidade de participar e se desestimule os funcionários que buscam benefícios pessoais à custa do público, sobretudo da comunidade que vive perto dos recursos naturais”, enfatizou Kimani. Por sua vez, Samuel Kimeu, diretor-executivo do escritório da Transparência Internacional no Quênia, disse à IPS que é necessário existir clareza em toda a cadeia de extração. Do contrário, “os termos das licenças irão contra o interesse público, que fica privado de seus possíveis ganhos”, ressaltou. Envolverde/IPS


por Miriam Gathigah, da IPS
Eugen David, ex-mineiro que virou agricultor em Rosia Montana, fala aos manifestantes na Praça da Universidade de Bucareste. Foto: Claudia Ciobanu/IPS Inter Press Service - Reportagens

Protesto contra mina de ouro revela descontentamento maior

[caption id="attachment_98604" align="aligncenter" width="529"] Eugen David, ex-mineiro que virou agricultor em Rosia Montana, fala aos manifestantes na Praça da Universidade de Bucareste. Foto: Claudia Ciobanu/IPS[/caption]   Bucareste, Romênia, 18/9/2013 – O descontentamento popular contra o projeto aurífero de uma empresa canadense na zona de Rosia Montana, nas montanhas Apuseni, na Romênia, está crescendo como uma bola de neve. Mais de 20 mil pessoas participaram de uma manifestação, no dia 15, em Bucareste, a capital, e milhares saíram às ruas em outras cidades do país. Estas foram a terceira mobilização de caráter nacional este mês contra o projeto mineiro, e são as que mais gente atraíram. Pequenos grupos protestam diariamente em Bucareste, Cluj e outras cidades. As manifestações começaram quando o governo apresentou, em 27 de agosto, um projeto de lei para conceder faculdades extraordinárias à promotora da exploração de ouro, Rosia Montana Gold Corporation, que tem como acionista majoritário o grupo canadense Gabriel Resources. Segundo a iniciativa, a empresa pode deslocar habitantes cujas casas estejam no perímetro da mina e as autoridades estatais devem facilitar à empresa todas as permissões necessárias em prazos pré-estabelecidos, sem considerar a legislação nacional, decisões judiciais ou exigências legais de audiências públicas. A Gold Corporation quer construir a maior mina de ouro da Europa em Rosia Montana, no condado de Alba, para extrair 300 toneladas de ouro e quase 1.600 de prata em 17 anos. A operação implica desmantelar três aldeias e destripar quatro montanhas. No total, seriam empregadas 12 mil toneladas de cianureto por ano e produzidos 13 milhões de toneladas anuais de resíduos, segundo uma apresentação do projeto que a empresa entregou ao Ministério do Meio Ambiente. O projeto de lei está destinado a dar luz verde à exploração, algo que a empresa não conseguiu nos últimos 14 anos de tentativas mal sucedidas de obter todas as permissões necessárias. Em 2004, a Academia Romena de Ciências – órgão científico mais importante do país – defendeu que o projeto fosse descartado, porque seus custos sociais e ambientais superariam os benefícios econômicos. Além da contaminação e da mudança de aldeias, a exploração de ouro colocaria em risco o patrimônio cultural de Rosia Montana, uma zona mineira que data dos tempos do Império Romano. Das três mil pessoas que vivem na área, centenas estão há anos contra o projeto. Criaram a organização não governamental Alburnus Maior e questionaram com êxito a empresa e as autoridades. Um elemento que contribuiu para ampliar a simpatia do público com o movimento foi a evidente aliança que a Gold Corporation forjou com políticos de todo o arco partidário e com meios de comunicação de massa. Arquirrivais políticos, como o presidente centro-direitista, Traian Basescu, e o primeiro-ministro socialista, Victor Ponta, várias vezes se declararam a favor da mina. A maioria da grande imprensa se beneficiou com publicidade da empresa, enquanto não informavam sobre os argumentos contra a exploração. Em um país onde a corrupção é uma característica notável da vida pública, este consenso a favor da mina cheira a pacto encoberto. O discurso público que predomina sobre o projeto é que a mineração de ouro criará empregos e dará dinheiro ao governo. Segundo o último acordo entre governo e empresa – anexo ao projeto de lei de 27 de agosto – a Gold Corporation empregaria 2.300 pessoas por dois anos, durante a fase de construção, e 900 na de exploração, de 17 anos. Durante toda a operação, os cofres estatais receberiam US$ 2,3 bilhões, enquanto outros benefícios para a economia romena chegariam a US$ 2,9 bilhões. Agora, os protestos se voltam contra o parlamento, que tem nas mãos a sorte de Rosia Montana. Se o projeto virar lei, a construção pode começar imediatamente, embora haja uma demanda de inconstitucionalidade para a qual existem fundamentos, segundo um comitê judicial do Senado que deu uma opinião negativa sobre o texto. “Não podemos dizer o que acontecerá, mas se continuarmos lutando e unidos salvaremos Rosia Montana”, declarou à IPS o dirigente da Alburnus Maior, Eugen David. “Estamos sitiados, mas poremos fim ao sítio”, disse. As manifestações são notavelmente poderosas para um país como a Romênia. E desde o começo estiveram acompanhadas pela desinformação. Os principais canais de televisão as ignoraram no começo, apesar de seu tamanho. No dia 10, a mídia anunciou erroneamente que o Senado havia rejeitado o projeto. E o primeiro-ministro declarou que não era possível ir contra a vontade popular, para concluir que continuava apoiando a iniciativa. Apesar de tudo, os manifestantes – que se organizam em uma estrutura horizontal e não têm líderes oficiais – conseguiram manter o público informado e interessado por meio do Facebook. As marchas semanais atravessam durante horas diversas localidades para divulgar as denúncias e mostrar que os manifestantes não são os “holigans” (torcedores violentos do futebol) que a televisão apresenta. A estratégia parece ter funcionado, à luz das multidões reunidas no dia 15. Aos jovens, que formaram os primeiros protestos, foram se somando seus pais e outros manifestantes mais velhos, cada vez mais visíveis. Após 15 dias de inteligentes ações de rua, a presença policial no dia 15 foi apenas simbólica. “É interessante que este descontentamento começou por uma causa ambiental, mas agora é muito maior”, pontuou à IPS um ativo participante, Claudiu Craciun. “É pelo direito das pessoas manterem suas propriedades, pelo dever de salvaguardar um patrimônio que não pertence apenas a nós, mas ao mundo e às futuras gerações”, enfatizou Craciun. “O caso de Rosia Montana, onde vemos uma lei feita sob medida para os interesses de uma corporação, expõe várias falhas das instituições democráticas e do sistema econômico capitalista”, acrescentou. “Esta é uma luta do presente e para as próximas décadas. Ilustra o fim das divisões posteriores a 1989 (comunismo versus anticomunismo, europeísmo versus antieuropeísmo) e o surgimento de outras novas”, argumentou Craciun. “Hoje o povo enfrenta uma classe política corrompida que se apoia nas corporações e em meios esgotados, e reclama melhor processo democrático, que inclua a democracia participativa nos mecanismos tradicionais”, ressaltou. Envolverde/IPS


por Claudia Ciobanu, da IPS
O Talibã ameaçou com mais violência se as execuções forem realizadas. Foto: Ashfaq Yusufzai Inter Press Service - Reportagens

Paquistão suspende execuções por razões equivocadas

[caption id="attachment_98593" align="aligncenter" width="529"] O Talibã ameaçou com mais violência se as execuções forem realizadas. Foto: Ashfaq Yusufzai[/caption]   Peshawar, Paquistão, 18/9/2013 – O governo do Paquistão suspendeu a execução de três integrantes do movimento extremista Talibã, determinada pela justiça. Mas não se trata de uma medida humanitária, afirmam dirigentes opositores. “Suspender as execuções significa sucumbir à pressão do Talibã”, opinou Mian Iftijar Hussain, do Partido Nacional Awami (PNA). Essa força política, que governou a província Jyber Pajtunjwa, de 2008 até este ano, assumiu um forte discurso contra os radicais islâmicos, e por isso sofre constantes ataques. O grupo armado Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) assassinou cerca de 800 dirigentes e simpatizantes do PNA. Os radicais não vacilam na hora de cometer suas próprias execuções e matar gente inocente em ataques suicidas, apontou Hussain à IPS. “O Talibã matou centenas de pessoas sem julgamento, mas agora chora pela execução de seus homens, que foram condenados pela justiça”, protestou. Attaullah Jan, Mohammad Azam e Jalal Shah, membros do grupo extremista Lasjar-i-Jhangvi (LeJ), vinculado ao Talibã, foram condenados por um tribunal antiterrorista em 2004 por numerosos assassinatos. No dia 30 de junho, venceu a suspensão de execuções que havia imposto o presidente Asif Ali Zardari (2008-2013), ficando determinado que os três fossem executados. A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão exortou, sem sucesso, o governo a estender a moratória. Nas prisões do Paquistão há cerca de oito mil réus esperando sua execução na forca. “O governo fixou as execuções dos três combatentes para os dias 20, 21 e 22 de agosto, mas decidiu adiá-las no último momento”, disse à IPS o ativista Mohammad Irfan, da organização não governamental Freedom for All. A governante Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (LMP-N) “teme o TTP e por isso suspendeu as execuções”, opinou. O TTP matou civis e soldados paquistaneses em todas as províncias do país, menos na de Punjab. Porém, depois de anunciadas as execuções os talibãs ameaçaram realizar ataques também ali. Maulana Asmatullah Muavia, porta-voz do TTP, alertou, no dia 12 de agosto, que o governo federal “terá de pagar um preço” se enviar para a forca os três combatentes. “Travamos uma guerra contra esses partidos políticos que se converteram em marionetes dos militares. Alguns elementos das agências de espionagem estão tentando fazer com que a LPM-N a empreenda contra o Talibã”, declarou o porta-voz. O TTP alegou que o governo paquistanês cedeu à pressão de Washington ao determinar a execução dos três condenados. Entretanto, dirigentes do opositor PNA dizem que o governo adiou o enforcamento para evitar que o Talibã levasse a violência a Punjab, que “sempre esteve livre de combatentes, concentrados em Jyber Pajtunjwa, Balochistão e Sindh”, porque o governo do Punjab fornecia um “lugar tranquilo” para o Talibã, explicou à IPS o senador do PNA, Muhammad Adeel. “O TTP ameaçou o governo com ataques como os que lança contra o PNA se as execuções acontecessem. Vamos esperar e ver o que acontece. Até agora a administração do Punjab está na lista de amigos do Talibã’, acrescentou. Shahbaz Shafir, irmão mais novo do primeiro-ministro, Nawaz Sharif, é o ministro-chefe de Punjab. LeJ, Lasjar Toiba, Jamatu Dawa e outras organizações radicais têm suas bases centrais nessa província. “Durante anos exigimos do governo de Punjab que agisse contra os combatentes islâmicos, mas, em vez disso, os apoia”, pontuou Adeel. Líderes da LMP-N destacaram que a condenação à morte coube à justiça e que a decisão final é de sua competência, mas poucos duvidam de que, qualquer que seja, obedecerá a pressões políticas. Por outro lado, os documentos sobre ordens de execução de outros cinco membros do TTP foram enviados ao primeiro-ministro para que este os entregue ao presidente, informou o ministro do Interior, Chaudhry Nisar. Os sinais do governo indicam que tampouco estas acontecerão, argumentam os opositores do PNA, mas pelas razões equivocadas. Envolverde/IPS


por Ashfaq Yusufzai, da IPS
O futebol ganha jovens adeptos em Cuba, país de tradição no beisebol. Foto: Jorge Luis Baños/IPS Inter Press Service - Reportagens

Incipiente futebol cubano faz um gol contra a violência

[caption id="attachment_98589" align="aligncenter" width="529"] O futebol ganha jovens adeptos em Cuba, país de tradição no beisebol. Foto: Jorge Luis Baños/IPS[/caption]   Havana, Cuba, 18/9/2013 – É raro ver os famosos do esporte cubanos divulgando mensagens de interesse público. Mas agora um punhado de campeões e de jovens promessas portam cartazes ou protagonizam anúncios na televisão contra a violência do homem contra a mulher. A agressão tem um espaço privilegiado no âmbito esportivo, dominado pelos homens. Aí, “podemos levar campanhas deste tipo às pessoas que nos acompanham”, disse à IPS o jogador de futebol Daniel Luis, da seleção cubana sub-20. E estas “também ajudam na formação profissional de atletas jovens como eu”, ressaltou. Luis é um dos esportistas que aderiram à seção cubana da Rede Ibero-Americana e Africana de Masculinidades (Riam), que assegura contar com mais de sete milhões de homens e mulheres de 40 países em três continentes, que buscam superar os estereótipos do machismo. Em 2007, a Riam começou a pesquisar sobre a violência no esporte. E este ano conseguiu comprometer dezenas de atletas em ações preventivas. Os esportistas cubanos nunca, até agora, se envolveram em nada parecido. “Tem a ver com o imobilismo social. Nem nos ocorria chamá-los para campanhas como esta”, explicou à IPS o professor Julio César González Pagés, coordenador da Riam. Mas é crucial fazê-lo porque, “hoje em dia, as pessoas acompanham muito mais um atleta do que um político ou um líder social”, afirmou. Os esportistas portam cartazes com frases de paz nos jogos em Havana, Pinar del Río e Matanzas. A seleção juvenil de futebol, primeira na história cubana a se classificar para um campeonato internacional, também levou mensagens contra maus-tratos aplicados a mulheres e meninas ao Mundial Sub-20 da Fifa, na Turquia, entre junho e julho deste ano. Essas são as expressões públicas, mas, para chegar a elas, há um trabalho mais lento: os atletas são capacitados em painéis e palestras em escolas de esporte e cultura física da capital e em Pinar del Río. Para movimentar a campanha, a Riam lançou, no dia 30 de agosto, em Havana, a Rede de Esportistas Una-se, das Nações Unidas, pela não violência contra mulheres e meninas. Eugenio George, nomeado melhor treinador de voleibol feminino do mundo no século 20, e os jogadores de futebol Osmany Torres, Abel Martínez e Andy Baquero foram os fundadores. Ao aderir o esportista se compromete a ser embaixador de uma cultura de paz e não violência. A convocação está aberta a todos os países da América Latina e do Caribe, como parte da campanha encabeçada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. Em fevereiro foi criado um grupo de aproximadamente 70 atletas cubanos, 30 deles campeões olímpicos ou mundiais, com o saltador Javier Sotomayor e o boxeador Félix Savón. O grupo produziu peças que oferecem à televisão. “É certo levar essas mensagens, mas deter este problema exige muito tempo de trabalho educativo e leis mais duras”, ponderou Alejandro Roque, adepto do futebol. “Os estádios são muito violentos, e ainda mais quando ocorrem partidas decisivas de beisebol”, acrescentou. Na Série Nacional de Beisebol 2010-2011, foram expulsos cerca de 50 atletas e 26 diretores. “Os torcedores agridem os jogadores da equipe contrária com frases racistas, homofóbicas, regionalistas e machistas”, contou à IPS o jornalista esportivo Alejandro Céspedes. Um vídeo amador que circula em diferentes formatos mostra uma grande confusão entre jogadores da equipe Industriales, de Havana, e os da seleção da cidade de Sancti Spíritus, em 2010, no estádio José Antonio Huelga, nessa cidade. “Nossa meta principal são os homens, sobretudo os jovens”, explicou González Pagés. Por essa razão a estratégia se centra nos jogadores de futebol, heróis de um esporte que está ganhando torcedores entre a juventude deste país de forte tradição no beisebol. Em uma pesquisa que a Riam fez, em 2012, com cinco mil adolescentes e jovens de 18 cidades cubanas, o futebol ficou em primeiro lugar na preferência de 87% dos entrevistados. “Enquanto crescer esse interesse, mais cheios estarão os estádios. Temos que fazer um trabalho profilático, falar com os atletas, mostrar-lhes audiovisuais e ensiná-los como lidar com situações de violência”, afirmou o diretor técnico Darién Díaz à IPS. E o primeiro desafio é erradicar atos violentos do cenário esportivo. Talvez pela novidade do futebol, Cuba se mantém relativamente a salvo da violência extrema vivida nesse esporte na América Latina e em outras regiões. O Brasil lidera a lista mundial, com 23 mortes ligadas ao futebol no ano passado, segundo estudo da Universidade Salgado de Oliveira. Os “barra pesada”, grupos de fanáticos do futebol que existem em vários países, costumam estar associados à direção dos clubes e relacionados com diferentes atividades ilegais, como o tráfico. Envolverde/IPS


por Ivet González, da IPS

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Foto: Reprodução/ limaoflor.wordpress.com

O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante. A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente. Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável. O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:  
  • Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
  • Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
  • Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
  • Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
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