Estudo indica diminuição das desigualdades no acesso a medicamentos no SUS

Saúde

Estudo indica diminuição das desigualdades no acesso a medicamentos no SUS


por Rodrigo de Oliveira Andrade*


[caption id="attachment_87159" align="alignleft" width="300" caption="Dos 19.427 indivíduos entrevistados, 7.111 (35,9%) não receberam gratuitamente os medicamentos receitados em atendimentos no SUS. Foto: http://www.abimip.org.br/"][/caption] Mesmo assim, mais da metade da população brasileira não tem acesso gratuito aos remédios de que necessita. A oferta de medicamentos de forma equânime, contínua e em quantidade adequada às necessidades da população continua sendo um desafio a ser superado pelo Sistema Público de Saúde (SUS). Em estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, pesquisadores das universidades federais de Santa Catarina (UFSC) e de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, e da Australian Research Center for Population Oral Health, na Austrália, avaliaram a prevalência e os fatores associados ao acesso a medicamentos no SUS por usuários que tiveram prescrição médica ou odontológica no próprio sistema público. Eles verificaram que, dos 19.427 indivíduos entrevistados, 7.111 (35,9%) não receberam os medicamentos receitados – a Região Norte foi a que teve a menor taxa no acesso (37,2%) –, enquanto 3.615 (18,7%) tiveram acesso a apenas parte dos fármacos de que precisavam. Dos 10.726 indivíduos que não tiveram acesso total aos remédios prescritos, 78,1% recorreram ao setor privado, enquanto 8,8% ficaram sem os medicamentos por não terem dinheiro para comprá-los. Em contrapartida, uma quantidade significativa de entrevistados – 45,3% do total – recebeu os remédios gratuitamente na rede pública, sendo maior a prevalência de acesso entre os moradores da Região Sul (56%), de cor de pele preta (20%) e parda (12%), de baixa renda (59%) e menos escolarizada (65%), além daqueles com domicílio cadastrado na Estratégia Saúde da Família (24%). De acordo com a farmacêutica Alexandra Crispim Boing, da UFSC e pesquisadora responsável pelo estudo, não há dúvidas de que o acesso a medicamentos de forma gratuita é maior entre a população de menor renda, por estar relacionado à sua maior dependência em relação ao SUS. “Para essas pessoas, o sistema público ainda é a principal alternativa para viabilizar o tratamento”, destacou. Na sua avaliação, o problema principal está na disponibilidade de medicamentos e não na falta de informação. “Se os indivíduos recebessem seus medicamentos assim que saíssem do consultório não teríamos problemas de acesso”, disse. A pesquisadora ressaltou que nos casos de fármacos que precisam ser obtidos por meio de algum programa governamental, como os medicamentos de alto custo, os pacientes têm necessariamente de ser orientados pelos profissionais de saúde. Também a Estratégia Saúde da Família – programa lançado pelo Ministério da Saúde em 1994 com objetivo de fortalecer a atenção básica à saúde – tem grande potencial na promoção do uso racional de medicamentos, segundo a pesquisadora. “É preciso fazer com que os pacientes recebam os remédios apropriados à sua condição clínica, sim, mas em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período de tempo adequado e ao menor custo possível para si e para a comunidade”, explicou. Apesar das diferenças regionais e dos avanços na política farmacêutica no país, ainda são necessárias melhorias em relação à promoção do uso racional, além da participação da equipe multiprofissional e do farmacêutico. Atualmente, os medicamentos representam a maior parte dos gastos privados em saúde no Brasil, sobretudo entre os mais pobres. “O comprometimento de renda com medicamentos, especialmente os não programados, pode levar famílias a riscos de saúde ainda maiores, como a redução da compra de alimentos”, disse a pesquisadora. Artigo científico BOING, Alexandra Crispim et al. Acesso a medicamentos no setor público: análise de usuários do Sistema Único de Saúde no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 29, n. 4, abr. 2013. * Publicado originalmente no site Pesquisa Fapesp.

alimentos Saúde

Evite o desperdício de alimentos

[caption id="attachment_87129" align="aligncenter" width="450" caption="Foto: sxc.hu"][/caption]   Os perecíveis costumam ser os alimentos mais desperdiçados, já que possuem uma vida útil menor. Para evitar a perda precoce de frutas, hortaliças, verduras, entre outros, o ideal é repensar a forma como elas são adquiridas. Para isso, o EcoD traz cinco dicas listadas pelo site Earth911, que podem te auxiliar a organizar suas compras e evitar o desperdício. Compre por peso [caption id="attachment_87130" align="aligncenter" width="450" caption="Foto: Fábio Pinheiro"][/caption]   Quando o produto é vendido por peso, você pode comprar exatamente o que precisa. Para os produtos que estragam facilmente, como abacates, bananas ou pêras, a ideia é escolher os alimentos maduros para uso imediato e outras ainda verdes para consumo futuro. Tente planejar o cardápio [caption id="attachment_87131" align="aligncenter" width="450" caption="Foto: sxc.hu"][/caption]   Com o planejamento semanal das refeições, fica mais fácil mapear os alimentos que vai precisar. Na hora de sair às compras, é só levar a lista do cardápio. Dessa forma, você só vai comprar os produtos para fins específicos, em vez de simplesmente pegar as coisas das prateleiras. Não compre por impulso [caption id="attachment_87132" align="aligncenter" width="450" caption="Foto: danicuki"][/caption]   A variedade de opções em um supermercado costuma chamar atenção e o desejo de adquirir. Principalmente quando falamos em “promoções”. Cuidado! É importante pensar se de fato você precisa do produto. Comprando conscientemente suas contas serão menores, assim como a possibilidade de desperdícios. Faça um inventário diário [caption id="attachment_87133" align="aligncenter" width="450" caption="Foto: paolovalde"][/caption]   Depois de algumas semanas de planejamento de cardápio e compras cuidadosas, você vai começar a perceber o que você realmente está usando e o que está sobrando. Estas observações simples vão auxiliar na próxima compra. A ideia é aprender a identificar a quantidade correta do que precisa. Vá as compras com mais frequência  [caption id="attachment_87134" align="aligncenter" width="450" caption="Foto: Fortimbras"][/caption]   Ir mais vezes ao supermercado pode soar como mais trabalho. Mas comprar semanalmente permite que os perecíveis sejam adquiridos com mais frequência diminuindo assim a possibilidade de deterioração. Para reduzir o consumo de combustível em excesso, que pode vir com as compras mais frequentes, tentar identificar supermercados e mercados próximos de casa. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
idosos Saúde

Expectativa de vida cresce, mas vivemos mais tempo doentes

[caption id="attachment_87117" align="alignleft" width="230" caption="Aumento de tempo de enfermidade se deve à falta de políticas eficientes de prevenção.Foto: Marcos Santos / USP Imagens"][/caption] Apesar do aumento da expectativa de vida da população brasileira, um estudo desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP aponta que os idosos estão vivendo com menor qualidade de vida, já que convivem mais tempo com doenças crônicas típicas da faixa de idade. De acordo com a pesquisa, exames e tratamentos preventivos ajudam a evitar esse processo. Segundo o médico geriatra Alessandro Campolina, parte desse aumento de tempo de enfermidade se deve à falta de políticas de prevenção eficientes e voltadas para a população mais velha. Ele é o autor da pesquisa que buscou avaliar a ocorrência de um processo chamado de compressão da morbidade. Esse conceito, surgido na década de 1980, lançava a hipótese de que, com o envelhecimento das populações, os anos ganhos pelas pessoas com a melhoria dos serviços de atendimento seriam anos vividos em bom estado de saúde. O estudo Segundo o estudo-base da pesquisa, até a década de 1970 e 1980, se tinha a ideia central de que o aumento de expectativa de vida da população seria uma espécie de fracasso em termos de saúde. “Os estudiosos pensavam que, embora conseguissem fazer as pessoas viverem mais tempo, elas viviam em uma situação de saúde pior”, explica Campolina. A partir da década de 1980, as pesquisas passaram a contrariar as hipóteses anteriores, afirmando que a população vivia mais e em um quadro de saúde bom. A nova teoria também levantava o ponto de que a população humana apresenta um limite máximo, ainda não estabelecido com precisão, de tempo de vida. À medida que a melhoria das condições de vida vai se estabelecendo, a população tende a se aproximar cada vez mais desse limite. Da mesma forma que a expectativa de vida ia sendo trazida para o limite máximo de vida da pessoa, o limiar de aparecimento de doenças crônicas, comuns na população idosa, também vai sendo empurrado. “Num primeiro momento, o tempo limite máximo de aparecimento das doenças crônicas não mudaria com o aumento da expectativa de vida. Posteriormente, observou-se que o início de aparecimento das doenças também é postergado, mantendo, e talvez diminuindo, o tempo de vida da pessoa portando a doença”. A diminuição desse intervalo entre o aparecimento das doenças e a morte, a ciência dá o nome de compressão da morbidade. Análises em domicílio O projeto teve como objeto de avaliação participantes do Projeto Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), desenvolvido pela FSP, que acompanha idosos da cidade de São Paulo desde o ano 2000 em diversos aspectos, tais como saúde e qualidade de vida. “No estudo, nos atentamos para aspectos sociodemográficos, condições de saúde, capacidades e desempenho de atividades de vida diária pela população idosa”, ressalta Campolina. A coleta dos dados era realizada por uma equipe especializada, que colhia as informações nos domicílios e traziam os dados para análise. “O interessante, do ponto de vista temporal, era comparar a população de 2000 e de 2010 para saber se houve compressão da morbidade, e os estudos mais recentes estão nos dando uma resposta negativa para essa pergunta”, completa o pesquisador. Prevenção e resultados O estudo buscou levantar a importância das medidas de prevenção das doenças crônicas na contribuição para a chamada compressão da morbidade. A conclusão é de que algumas das principais doenças crônicas que acometem a população idosa, entre elas a hipertensão arterial sistêmica, doença articular, doença cardíaca, diabetes mellitus tipo 2, doença mental, doença pulmonar crônica e doença cerebrovascular, uma vez prevenidas, contribuem de maneira significativa para a melhoria da qualidade de vida e para a longevidade dos idosos. Campolina ressalta que esses métodos preventivos não são frequentemente incentivados na população mais velha, e que isso é uma visão equivocada. “A medicina ainda acredita que prevenção é sinônimo de pacientes jovens. Mas a prevenção de doenças é uma estrategia afirmativa, mesmo nos idosos, para prolongar o tempo de vida e ganhar qualidade de vida, e o estudo comprovou isso”, afirma. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Fernando Pivettim, da Agência USP
sono Saúde

Organização de atividades ajuda a controlar distúrbios do sono

Quando o despertador toca na segunda-feira, algumas pessoas precisam fazer um grande esforço para abrir os olhos, e, mesmo assim, não conseguem despertar com facilidade. Essa dificuldade em acordar no primeiro dia útil da semana é bastante comum e ocorre porque as pessoas modificam os horários do sono nos fins de semana. Geralmente, dormem e levantam mais tarde no sábado e no domingo. “O ideal é não abusar dois dias seguidos. Se dormiu muito tarde na sexta-feira, durma mais cedo no sábado. Tentar evitar o cochilo durante a tarde de domingo também é importante, para não ficar sem sono e dormir muito tarde”, aconselha a otorrinolaringologista e especialista em Medicina do Sono, Luciane Mello, responsável pelo Ambulatório de Ronco e Apneia do Hospital Federal da Lagoa (RJ), vinculado ao Ministério da Saúde. De acordo com a especialista, é importante evitar desconfortos perto da hora de dormir, como ficar exposto à luz de computadores ou aparelhos de TV ou ingerir bebidas que contenham cafeína ou álcool, por exemplo. Embora o álcool seja um depressor do sistema nervoso central e cause sono, a qualidade é afetada. “O álcool fragmenta o sono. Ele impede que a pessoa atinja uma fase mais profunda do sono, e esse se torna leve e superficial. Isso dificulta acordar cedo. Por isso é indicado evitar bebidas alcoólicas, principalmente, no domingo”, explica Luciane. Atraso e avanço de fase – Cada um tem um padrão de sono diferente. A médica do Hospital Federal da Lagoa lembra que há casos de alterações no sono que estão relacionados com o relógio biológico, fazendo com que a pessoa atrase ou adiante o horário de início de sono. Na chamada síndrome do atraso de fase de sono, por exemplo, a pessoa não consegue dormir cedo. Mas, devido aos compromissos do dia seguinte, é obrigada a levantar. Resultado: a quantidade de horas de sono acaba sendo insuficiente. “As pessoas que dormem mais tarde, acordariam mais tarde, se pudessem. É o relógio biológico delas. Elas precisam ser muito disciplinadas porque têm que se ajustar e acordar mais cedo. Para quem possui esse distúrbio, o ideal seria trabalhar no turno noturno. Se isto não for possível, uma dica é praticar exercícios físicos logo pela manhã, para estimular o organismo”, orienta Luciane. No avanço de fase, por sua vez, a pessoa tem sono mais cedo, logo no final da tarde ou começo da noite, e desperta naturalmente muito cedo. Como no atraso de fase, não há alteração na qualidade nem na quantidade de sono, somente é necessária uma adequação dos horários. “Essas pessoas não vão muito ao consultório procurar ajuda profissional porque o avanço de fase não atrapalha no trabalho. Somente em ocasiões sociais, como não conseguir ir a um evento, mas a maioria não percebe que isto é uma síndrome”, conta a otorrinolaringologista. * Publicado originalmente no site Blog da Saúde.


por Ana Paula Ferraz, do Ministério da Saúde
Foto: http://www.simepe.org.br/ Saúde

OMS diz que qualidade da saúde melhorou nos países pobres, mas está longe do desejado

[caption id="attachment_87152" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://www.simepe.org.br/"][/caption] Brasília – Os progressos feitos nos países em desenvolvimento e de menor desenvolvimento relativo para melhorar a qualidade da saúde de suas populações têm sido “dramáticos”, informou ontem (15) a Organização Mundial da Saúde (OMS), no anuário World Heath Statistics 2013. De acordo com o relatório, os avanços estão relacionados à tentativa de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecidos em 2000. Em abril, a ONU iniciou uma contagem regressiva para os mil últimos dias antes do término da campanha, em 2015. "Intensos esforços para atingir os ODM têm melhorado claramente a saúde das pessoas em todo o mundo", disse, em nota, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Para a OMS, as metas do milênio têm sido determinantes para a saúde, especialmente no sentido de reduzir a diferença entre os países mais e menos favorecidos. Entre as áreas em que a organização constatou resultados positivos estão a redução de mortes materna e infantil, a melhoria da nutrição e a redução de mortes causadas pelo vírus HIV, pela tuberculose e pela malária - áreas alvo dos objetivos do milênio. Ainda assim, a organização informou que os avanços são insuficientes para atingir as metas globais até 2015. Os progressos em relação à mortalidade infantil, nutrição e prevenção de doenças, segundo a OMS, trouxeram resultados sobre outros índices globais, como o aumento da expectativa de vida entre a população mundial: 70 anos, seis a mais do que em 1990. Há uma diferença entre homens (expectativa de 68 anos) e mulheres (72 anos). A Europa é a região com a expectativa de vida mais alta, 76 anos, em média. A mais baixa é a da África, 56 anos, em média. No Brasil, a taxa é 76 anos. Outro índice que indica o progresso da saúde é a queda da taxa de mortalidade infantil – a probabilidade de morte no primeiro ano de vida a cada mil nascimentos. Em 2011, ano base no anuário, a taxa foi 37%. Em 2000, era 51%; dez anos antes, 61%. A taxa de obesidade entre pessoas com mais de 20 anos, o uso de tabaco entre adolescentes e adultos, o consumo de álcool entre adultos, o uso de preservativos por pessoas dos 15 aos 49 anos e o conhecimento da população jovem sobre HIV e aids também foram fatores considerados pela OMS. Em relação aos índices verificados pela OMS no Brasil, eles são superiores à média mundial em todos os quesitos analisados como fatores de risco à saúde. O acesso da população brasileira à água potável é 97%, sete pontos percentuais a mais do que em 2000. No mundo, hoje, o acesso é 89%. A taxa de mortalidade de crianças com menos de 5 anos é 16% no Brasil. Na América Latina e no Caribe, os piores índices são os do Haiti (70%), da Bolívia (51%) e da Guiana (36%). Os países da região que registram os melhores índices são Cuba (6%), Chile (9%) e Uruguai (10%). No que tange às condições sanitárias, a taxa de uso no Brasil é 81%, mais do que os 75% em 2000. No mundo, o uso da rede sanitária atinge 64% da população. Em relação às crianças até os 6 meses alimentadas exclusivamente por leite materno a taxa é 40% dos bebês – em 2010, era 9%, no Brasil. No mundo, o índice é 38%. Outro ponto destacado pela OMS é o acesso a medicamentos por meio do setor público. Nos países de baixa e média renda, a escassez de medicamentos faz com que a população tenha de recorrer ao setor privado, onde os preços podem ser até 16 vezes maiores. De acordo com os critérios do Banco Mundial, seguidos pela OMS, países de baixa renda são os que a população tem renda per capita inferior a US$ 1.025 (pouco mais de R$ 2 mil, por ano). Os de renda média, entre U$ 1.026 e U$ 4.035 (entre R$ 2 mil e 8 mil, aproximadamente, por ano). Publicado anualmente pela OMS, o anuário contém dados de 194 países. Há indicadores sobre de mortalidade, doença e saúde - incluindo expectativa de vida, doenças e mortes por doença, serviços de saúde e tratamentos, investimentos na área e fatores de risco e comportamentos que afetam a saúde. * Edição: Beto Coura. ** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.


por Carolina Sarres, da Agência Brasil
medico Saúde

Falta de médicos em regiões mais carentes passa pelo fortalecimento do SUS, diz presidenta do CNS

Brasília – O debate sobre a falta de médicos nas regiões brasileiras mais carentes do Brasil precisa passar pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), defendeu a presidenta do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Maria do Socorro de Souza. Ela participou ontem (15) de uma audiência pública na Câmara dos Deputados sobre a contratação e entrada de médicos estrangeiros no país. Na última semana, o governo anunciou a intenção de contratar 6 mil médicos de Cuba , além de profissionais de Portugal e da Espanha para trabalhar na atenção primária à saúde nessas regiões. “A questão [da falta de médicos] procede, mas ela sozinha não vai trazer a resposta de acordo com as expectativas da população, tem que investir na equipe multiprofissional. Temos que ter um compromisso com o desenvolvimento [do SUS] que garanta na proteção social da população”, disse Maria do Socorro durante a audiência. A presidenta do CNS ressaltou a necessidade da criação de uma carreira de estado para os médicos brasileiros que trabalhem na atenção primaria à saúde e a formação de consórcios intermunicipais como forma de manter os médicos no interior. “Não dá pra pautar o SUS de forma fragmentada. A questão não é só a falta de médicos. É preciso pôr as questões no devido lugar”, disse. Ela também defendeu a vinda dos médicos estrangeiros. “A gente não pode desqualificar o investimento que Cuba fez na saúde, nem o que Portugal e Espanha fizeram”. O tema tem gerado polêmica e já foi objeto de discussão no Senado . De um lado representantes dos médicos, em especial o Conselho Federal de Medicina (CFM) , contrários à proposta. De outro, representantes do governo que defendem a medida como forma proporcionar atendimento médico à população do interior do país, onde há carência de profissionais. Sobre a vinda de médicos estrangeiros para atuar no Brasil, o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital, defendeu a necessidade de se fazer o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos em 2012 como exigência para a atuação dos médicos estrangeiros no país, “como forma de garantir a qualidade dos serviços médicos prestados”. Dados apresentados pelo CRM mostram que apenas 20 entre 182 médicos cubanos foram aprovados no exame em 2012. O deputado Rogério Carvalho (PT-SE) criticou a posição dos que se opõem à entrada de médicos estrangeiros no país e disse que não se pode tratar o acesso à saúde apenas dos pontos de vista do interesse da categoria. “Estamos fazendo um debate de corporação e não de saúde”, disse Carvalho, que é médico e ex-secretário estadual de Saúde de Sergipe. “Estamos com uma situação de interesse público. Não podemos pôr a população refém de outros interesses”. Dados do Ministério da Saúde mostram que no Brasil existe 1,8 médico para cada mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes e, em países como Espanha e Portugal, essa relação é 4 médicos. Em Cuba, a relação é 6,3. No início do ano, os prefeitos que assumiram apresentaram ao governo federal uma série de demandas na área de saúde. Entre os pontos destacados estava a dificuldade de atrair médicos para as áreas mais carentes, para as periferias das cidades e para o interior. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Luciano Nascimento, da Agência Brasil
Investimento em biotecnologia por parte da Recepta e da Cristália ilustra a importância da inovação para as indústrias farmacêuticas, avaliam participantes de mesa-redonda promovida pela Academia Brasileira de Ciências. Foto: Fapesp Saúde

Farmacêuticas produzirão anticorpos monoclonais no Brasil

[caption id="attachment_87124" align="alignleft" width="200" caption="Investimento em biotecnologia por parte da Recepta e da Cristália ilustra a importância da inovação para as indústrias farmacêuticas, avaliam participantes de mesa-redonda promovida pela Academia Brasileira de Ciências. Foto: Fapesp"][/caption] Agência Fapesp, – Duas empresas brasileiras, a Recepta Biopharma e a Cristália, ingressaram no seleto segmento de indústrias de biotecnologia aplicada à saúde humana que desenvolvem anticorpos monoclonais imunomoduladores (mAbs, na sigla em inglês). A Recepta Biopharma, que produz moléculas para o tratamento do câncer, estabeleceu uma parceria com a indústria suíça 4-Antibody AG e com o Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer para tanto. Seguindo o mesmo caminho, a Cristália produz dois mAbs que entram agora em fase pré-clínica (de testes em animais). Esse tipo de anticorpo se liga às células de defesa T e, com isso, destrava o sistema imunológico humano para que ele passe a reconhecer e atacar as células tumorais. Segundo um artigo publicado na edição de março da revista Nature Biotechnology, além da 4-Antibody AG, as outras únicas empresas que desenvolvem imunomoduladores no mundo são a GlaxoSmithKline (GSK), a Medley e a Bristol-Meyers Squibb. “Estamos no início de nossa operação e pretendemos dar uma grande contribuição, em parceria com o Instituto Ludwig e a 4-Antibody AG, tanto em relação ao desenvolvimento de linhagens celulares para a produção de anticorpos como na condução de testes clínicos”, disse José Fernando Perez, presidente da Recepta e ex-diretor científico da Fapesp, durante a mesa-redonda sobre “Ciência, tecnologia e inovação na saúde”, na reunião magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, em 8 de maio. Coordenada por Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da Fapesp, a mesa-redonda reuniu, além de Perez, Luiz Eugênio de Souza, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Ogari Pacheco, presidente da Cristália. A proposta do encontro foi debater o estágio atual da pesquisa e desenvolvimento nas indústrias farmacêuticas brasileiras e a necessidade de estimular os investimentos em ciência, tecnologia e inovação no setor de saúde por meio do estabelecimento de parcerias entre empresas e universidades e instituições de pesquisa. “A produção científica brasileira em saúde é semelhante à internacional, e é a área que mais demanda investimentos em pesquisa no país – a Fapesp, por exemplo, destina tradicionalmente entre 25% e 28% de seu orçamento para projetos de pesquisa em saúde. Por essas razões, é muito importante identificarmos quais os principais desafios enfrentados pelo setor para transformar o conhecimento gerado em inovação”, disse Krieger. Na avaliação dos palestrantes, a entrada da Recepta Biopharma e da Cristália no segmento de produtos biotecnológicos ilustra a mudança de foco e a importância que a inovação passou a ter para as indústrias farmacêuticas brasileiras nos últimos anos com o advento da política de medicamentos genéricos. Implementada no Brasil no início dos anos 2000, a política de medicamentos genéricos teve o mérito de possibilitar que algumas indústrias farmacêuticas brasileiras crescessem exponencialmente e pudessem competir com as multinacionais, além de estimular a formação de profissionais para atender ao aumento da demanda do setor, afirmaram os palestrantes. Por outro lado, ela gerou um enorme déficit na balança comercial brasileira – porque praticamente toda a produção de medicamentos genéricos é feita com insumos importados –, além de uma briga entre as empresas para aumentar suas participações nesse mercado. “Começamos a melhorar nos últimos anos algumas moléculas conhecidas com o objetivo de aumentar nossa participação de mercado e nos tornarmos mais competitivos em outros segmentos de mercado, além dos genéricos”, disse Pacheco, da Cristália. Após seis anos de pesquisas, a empresa sintetizou o carbonato de iodenafila – princípio ativo do medicamento Helleva, lançado no final de 2007, e a quarta molécula usada hoje no mundo para o tratamento da disfunção erétil. As outras três são o citratro de sildenafila, utilizado no Viagra, da Pfizer; o tadalafila, princípio ativo do Ciallis, fabricado pela Eli Lilly; e o vardenafil, usado no Levitra, da Bayer. A empresa sediada em Itapira, no interior de São Paulo, e detentora de 54 patentes também pretende inaugurar, até o fim deste ano, uma fábrica de princípios ativos oncológicos para produzir mAbs, outra de biofármacos e uma terceira de peptídeos. “Os dois mAbs que estamos desenvolvendo falam português com sotaque caipira”, brincou Pacheco. A Cristália e a Recepta têm projetos de pesquisa apoiados pela Fapesp. Conselho científico De acordo com Pacheco e Perez, um dos principais desafios para ingressar no segmento de biotecnologia aplicada à saúde humana foi atrair investidores. “Muitas pessoas não acreditam que uma empresa de biotecnologia brasileira na área de saúde humana tem chance de dar certo, porque é algo com um enorme grau de incerteza que assusta muito os investidores; há poucas empresas de capital de risco no Brasil dispostas a assumir uma indefinição dessa natureza”, disse Perez. Para fundar a Recepta, Perez conseguiu que o Instituto Ludwig se tornasse sócio da empresa, licenciasse a propriedade intelectual de quatro anticorpos monoclonais de seu portfólio que haviam demonstrado potencial para o desenvolvimento clínico e fizesse a transferência do conhecimento de desenvolvimento de mAbs. A empresa também atraiu como investidores-anjos os empresários brasileiros Emílio Odebrecht e Jovelino Mineiro. No ano passado, o BNDES Par – braço de participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – se tornou sócio da empresa. “Nossos investidores estão satisfeitos com o desempenho da empresa e estão dispostos a aumentar suas apostas nos imunomoduladores, que exigirão um grande aumento de capital na empresa”, afirmou Perez. Outro desafio enfrentado para ingressar nessa seara, de acordo com Perez e Pacheco, foi estruturar suas equipes de pesquisa e desenvolvimento e encontrar no mercado profissionais que tivessem experiência com a realização de pesquisas e testes clínicos – feitos até então no Brasil por multinacionais. Para isso, a Cristália formou um conselho científico, composto por profissionais que passaram a atuar como captadores de projetos e “olheiros” de pesquisadores nas universidades que pudessem ser recrutados pela empresa. “A partir da formação desse conselho científico, começamos a formar pacientemente uma equipe capaz de desenvolver produtos que não estavam protegidos por meio de patentes no Brasil”, contou Pacheco. Por sua vez, a Recepta também foi buscar na universidade oncologistas que soubessem desenvolver protocolos clínicos. “A redação de um protocolo clínico de qualidade é uma ‘arte’ ainda pouco desenvolvida no Brasil. É muito difícil identificar um oncologista que tenha experiência e consiga definir um protocolo clínico de qualidade, o que é essencial para o desenvolvimento de um projeto de uma nova droga”, disse Perez. A empresa encontrou e contratou um oncologista com essa experiência na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e atualmente faz testes clínicos em 18 hospitais, espalhados por nove Estados brasileiros. De acordo com Perez, a Recepta foi a primeira indústria brasileira a fazer um teste clínico multicêntrico de fase 2 (em pacientes) de um anticorpo monoclonal para o tratamento de câncer registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na Food and Drug Administration (FDA) – a agência regulatória de alimentos e fármacos dos Estados Unidos. Os resultados preliminares positivos dos testes clínicos em pacientes com câncer de ovário e resistentes à quimioterapia fizeram com que a FDA concedesse, no início de 2012, a designação de orfan drug (droga órfã) para o anticorpo monoclonal desenvolvido pela empresa. A designação não equivale à aprovação da droga, mas lhe concede alguns benefícios, como maior agilidade no processo de aprovação e necessidade de menos pacientes no teste clínico de fase 3. Também dá direito à empresa de ter sete anos de exclusividade sobre a eventual comercialização da droga e a possibilidade de obter financiamento da FDA, mesmo em se tratando de uma empresa sediada fora dos Estados Unidos. “Produzimos também, pela primeira vez no Brasil, por meio de uma parceria com o Instituto Butantan, uma linhagem de um anticorpo monoclonal humanizado [que não provoca reação imunológica do organismo humano] que, infelizmente, ainda não conseguimos produzir no Brasil [por não ter uma fábrica no país]”, disse Perez. “Esperamos que essa situação mude rapidamente e já vemos sinais de que isso deve acontecer.” * Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


por Elton Alisson, da Agência Fapesp
crianca Saúde

Relatório da OMS mostra avanço global para reduzir mortalidade infantil

[caption id="attachment_87168" align="alignleft" width="300" caption="Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan. Foto: ONU/Rick Bajornas"][/caption] Agência da ONU disse que o mundo progrediu também para melhorar o nível de nutrição e reduzir mortes e doenças causadas pelo HIV, tuberculose e malária; documento detectou uma redução na diferença dos índices de saúde entre os países ricos e pobres. O Relatório Mundial de Estatísticas de Saúde 2013 mostrou que houve uma queda na diferença entre os índices de saúde dos países ricos e pobres. O documento é preparado anualmente pela Organização Mundial da Saúde, OMS, e reúne dados de 194 países. Ele mostrou que nas últimas duas décadas as condições de saúde das nações menos privilegiadas melhoraram significativamente. Desafios A diretora-geral da agência da ONU, Margaret Chan, afirmou que apesar desse progresso, muitos desafios continuam para atingir as metas do milênio, em 2015. Segundo ela, a menos de mil dias do prazo final para atingir os objetivos é hora de se perguntar se os esforços fizeram a diferença para reduzir as desigualdades inaceitáveis entre ricos e pobres. O relatório faz uma comparação do progresso obtido entre os países com os melhores e os piores desempenhos no setor de saúde nos últimos 20 anos. Avanço Ele mostrou que houve um avanço grande na redução da mortalidade infantil e materna. Por exemplo, em 1990, o índice de mortalidade infantil, nos países mais pobres, era de 171 mortes por cada 1,000 nascimentos. Esse número caiu para 107, em 2011. Bangladesh, Butão, Laos, Madagascar e Timor-Leste conseguiram melhorar as condições de saúde e não estão mais no grupo dos países com os piores resultados. Metas A OMS afirmou que apesar de 27 nações terem atingido as metas do milênio, o ritmo atual de avanço não será suficiente para atingir o objetivo global até 2015. A ideia é reduzir em dois terços os níveis registrados em 1990. Outra queda foi registrada na mortalidade materna e também, nas mortes e doenças causadas pelo HIV, vírus que causa a Aids, tuberculose e malária. O relatório mostra ainda alguns pontos importantes que precisam ser combatidos. Segundo a OMS, 15 milhões de bebês prematuros nascem todos os anos, um milhão acabam morrendo. Diabetes O nascimento prematuro é maior causa de mortes entre os recém nascidos e a segunda maior, perdendo apenas para a pneumonia, entre crianças com menos de 5 anos. O documento diz que 10% da população mundial sofre de diabetes e muitos países de média e baixa rendas sofrem com a falta de medicamentos no setor público. * Publicado originalmente no site Rádio ONU.


por Edgard Júnior, da Rádio ONU
Fotos: Reprodução/ Internet Saúde

PET-Saúde proporciona aos estudantes a vivência do conteúdo que aprendem na faculdade

[caption id="attachment_87075" align="alignleft" width="320" caption="Fotos: Reprodução/ Internet"][/caption] Atrelar a teoria acadêmica das salas de aula à prática diária dos serviços de saúde para formar profissionais de qualidade – esse é o intuito do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). Para que isso aconteça, o Ministério da Saúde está financiando projetos, elaborados por instituições de ensino superior em conjunto com secretarias municipais e estaduais, que buscam melhorias para o Sistema único de Saúde (SUS). O programa quer que estudantes de diferentes cursos mediados por professores e profissionais da área, também de formações diferentes, trabalhem e aprendam em conjunto. A coordenadora do PET-Saúde, Eliana Cyrino, explica: “Queremos estudantes de diferentes cursos da saúde trabalhando de forma integrada. Eles vão estudar determinada situação, interagir e propor uma intervenção para o melhoramento do SUS. Nós queremos também que o aluno aprenda a valorizar o trabalho em equipe, valorizar o saber de cada um. Conhecer a especificidade de cada profissão para dar valor aos demais profissionais que vão trabalhar com eles”. O PET-Saúde é regulamentado pela Portaria Interministerial nº 421, de 03 de março de 2010. Conforme consta no documento, o MS disponibiliza bolsas para tutores, preceptores (profissionais dos serviços) e estudantes de 16 cursos de graduação da área da saúde. Tanto os alunos, quanto os demais participantes do PET têm que cumprir oito horas semanais no projeto. Podendo ser em qualquer período, inclusive na parte da noite e nos fins de semana. Cada grupo PET trabalha com um tema que é relacionado às demandas da sociedade local e às prioridades do Ministério da Saúde. “Temos temas de cuidados ao diabético, cuidados ao hipertenso, diminuição da mortalidade materna, saúde mental, entre muitos outros”, explica. Hoje, o programa conta com a participação de 99 instituições de ensino superior, abrangendo 709 cursos de saúde. Com 120 projetos em execução, a ação envolve mais de oito mil bolsistas, entre tutores acadêmicos, preceptores dos serviços de saúde e estudantes. A expectativa é que com o último edital do mês de abril duplique o número de estudantes atuando nas redes de atenção nos próximos dois anos, tempo de duração dos projetos. Na prática – “O PET é a educação pela prática. A ideia é que o aluno tenha muita dimensão da prática da saúde. Por isso, eles acompanham no ambulatório e também fazem visita domiciliar. Para que conheçam todos os pontos de cuidado. Eles têm que entender que o cuidado não é só em um ponto do hospital ou só na hora da cirurgia, mas sim, que se interrelaciona como uma rede. Só assim conseguimos garantir o cuidado integral para o paciente”, explica Eliana Cyrino. Flavia Daniele Barreto está no quarto ano do curso de medicina, já participou do PET de Saúde Mental e está integrando o PET de Urgências e Emergências. Aos 26 anos, a estudante da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA), sabe que quer trabalhar na área de emergências e entusiasmada com o programa, conta como ele irá ajudá-la: “É uma oportunidade de ampliar o campo de prática e de pesquisa. Porque uma coisa é como a gente aprende na faculdade e outra é como a gente aprende na prática. Por exemplo, hoje estou trabalhando com acolhimento e tentando desafogar um pouco as unidades terciárias. Nós vemos que alguns atendimentos podem ser feitos aqui mesmo na atenção básica e orientamos o paciente com relação ao tipo de unidade que ele deve procurar. Isso ajuda a desafogar o sistema, melhorando muito a realidade e interferindo no tempo resposta das unidades”, destaca Daniela. Pesquisa – A estudante acrescenta: “Através das pesquisas, podemos evidenciar falhas em alguns campos onde nós mesmos, quando profissionais, poderemos trabalhar para corrigir. Isso eu não aprendo na sala de aula. Para o meu crescimento profissional está sendo muito proveitoso”. Para a coordenadora do PET, Eliana Cyrino, o benefício é de todos que participam do projeto, mas o benefício maior é a formação dos estudantes e, consequentemente, para a população que terá melhores profissionais. O programa – Quando o edital é aberto pelo Ministério da Saúde, toda e qualquer instituição pública ou privada sem fins lucrativos, que ofereçam cursos de graduação nas 16 áreas da saúde, podem se inscrever. Para isso, um projeto em parceria entre a instituição e a secretaria municipal ou estadual deve ser enviado para o MS e nele já deve haver o nome do tutor que será responsável pelo projeto na universidade e o nome do preceptor que irá coordenar os alunos no serviço de saúde. Após os projetos serem selecionados pelo MS, a instituição poderá abrir as inscrições e selecionar os alunos que irão participar do PET-Saúde. Parceiros – O programa é uma parceria entre a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, a Secretaria de Educação Superior (SESu), do Ministério da Educação, e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD/GSI/PR). A iniciativa conta com investimento de 76 milhões de reais do Ministério da Saúde. * Publicado originalmente no site Blog da Saúde.


por Camilla Terra, do Blog da Saúde
A Coca-Cola não pode fazer parte da solução para a obesidade, já que ela é o problema. Foto: Kirsty Wigglesworth/AP Saúde

A Coca-Cola quer ensinar a emagrecer. Não funciona

[caption id="attachment_87067" align="alignleft" width="400" caption="A Coca-Cola não pode fazer parte da solução para a obesidade, já que ela é o problema. Foto: Kirsty Wigglesworth/AP"][/caption] A empresa de refrigerantes não pode fazer parte da solução, já que ela é o problema. A Coca-Cola quer aderir à luta global contra a obesidade. Não, é sério. O CEO Muhtar Kent anunciou: "Queremos fazer parte da solução", disse. E falou também sobre planos de colocar o número de calorias de forma mais visível nas latas, parar de visar os menores de 12 anos na publicidade e promover exercícios e estilos de vida mais ativos. A última sugestão parece intrigante -- espero ver virais em tempo real, mostrando um personagem obeso (Mr. Fizz?) correndo o dia todo. Embaixo, uma barra em movimento poderia dizer: "Se, como este homem, você não se importa em ler nossos rótulos, beba Diet Coke, Coke Zero ou qualquer outra de nossas deliciosas bebidas adoçadas artificialmente. Ou Sprite, que agora no Reino Unido não é adoçado com aspartame, mas com um 'adoçante natural' derivado da planta stévia. Você nos ouviu dizer 'natural'? Mencionamos que a stévia é uma planta de verdade -- verde, com folhas e tudo? Não é ótimo? (Advertência: Não se preocupe muito com a parte 'derivado' ou que nossos outros produtos dietéticos usem aspartame)". Mr. Fizz poderia encontrar seus amigos, Srta. Picos de Insulina e Sr. Pré-Diabético, e eles poderiam comer donuts gigantes, assim ilustrando a tese da Coca-Cola (enunciada em seu recente comercial "Chegando Juntos") de que o importante são as calorias totais, e não apenas as bebidas gasosas. No espírito do serviço público, vou oferecer a Mr. Fizz e amigos de graça, na esperança de que a Coca-Cola possa atingir suas metas. Chapéus ao ar! Trabalho concluído! Mas, infelizmente, não na verdade. No que diz respeito à obesidade global, como pode uma empresa que vende um dos fatores contribuintes mais importantes jamais fazer parte da solução? Por que empresas como a Coca-Cola se incomodam em ter consciência da saúde? Claramente, ela está tentando (admitamos isso). Vamos também reconhecer que a Coca-Cola não é a única fabricante de bebidas açucaradas, apenas a mais bem-sucedida. No entanto, o jogo terminou. Hoje está extensamente documentado que essas bebidas, e até alguns "sucos de frutas saudáveis", podem ter efeitos devastadores para o peso das pessoas. Muitas têm mais problemas com essas bebidas do que com a comida, às vezes sem outros fatores envolvidos. Acrescente a isto o fato de que os adoçantes nas bebidas dietéticas são cada vez mais polêmicos, e as vendas de água mineral (relativamente não lucrativas) estão aumentando, e é um pesadelo para as marcas. Quase poderíamos sentir pena delas. É uma reminiscência dos efeitos de "Super Size Me", de Morgan Spurlock, quando o McDonald's entrou em um frenesi de conscientização da saúde, pintou as lanchonetes de verde e incluiu saladas em seus cardápios. Poucas pessoas que querem comer uma salada iriam a um McDonald's. Mas não importa, pelo menos eles tentaram, "respondendo", seja lá como as empresas chamam isso, quando percebem que uma (espécie de) "mea culpa" pública é sua melhor opção, enquanto esperam que outra marca seja "spurlockada" e desvie a atenção dela. E é o que parece estar acontecendo com a Coca-Cola. Recentemente, a empresa, e marcas semelhantes, foi spurlockada. Desta vez não é apenas por um homem vasculhando as promoções de lanches, mas pessoas que se preocupam com bebidas açucaradas em geral. Além disso, com a Coca-Cola, o principal produto é o problema. Não se trata de rotular (eles já fazem isso) nem de incentivar estilos de vida ativos (quem procura dicas de exercícios em uma empresa de refrigerantes?). A Coca-Cola tampouco enfiou apressadamente um pouco de salada na lata para torná-la "mais saudável". Para participar adequadamente do debate sobre a obesidade, a Coca-Cola teria de eliminar a grande maioria de seus produtos. Em vez disso, ela fala sobre dietas, exercícios, contagem geral de calorias, etc. Isso poderia ser considerado sua versão dos restaurantes verdes do McDonald's -- "respondendo" de modo responsável à preocupação do público enquanto espera que alguma outra coisa seja spurlockada. Os mais céticos poderiam dizer que a Coca-Cola pode querer tudo o que quiser, quando se trata de fazer parte da solução. Enquanto foi oportuno para a empresa aderir à luta contra a obesidade global, também é totalmente farsesco. * Publicado originalmente no jornal The Observer e retirado do site Carta Capital.


por Barbara Ellen*

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