Crise sanitária atinge pessoas em todo o mundo

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Crise sanitária atinge pessoas em todo o mundo


por Raquel Júnia*


Participantes do Fórum Social Temático denunciam que, em nome da crise econômica, os governos desmantelam sistemas de seguridade social.Ao lado das crises econômica, política, ecológica e climática, cresce também uma crise sanitária, que agrava a qualidade de vida e a saúde de milhares de pessoas. Esta é a conclusão do Grupo de Trabalho Saúde (GT Saúde), que se reuniu durante o Fórum Social Temático Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, realizado no final de janeiro, em Porto Alegre (RS). "O conceito de crise sanitária surgiu por meio de uma análise da situação mundial, das consequências da crise ecológica e da desigualdade social, que é aprofundada com a crise. A maioria da população tem um nível de vida que está baixando em todos os sentidos, como a distribuição e tratamento da água ou a falta de trabalho que resulta em uma perda de dignidade. Isto causa muito mais doenças e problemas sanitários, que ainda são agravados pelas catástrofes climáticas. E não há resposta para esses problemas, porque há outro fenômeno em curso, a crise financeira causada pela dívida pública que é muito forte na Europa", afirma o facilitador do GT Saúde, Julien Terrie, membro das Conferências Europeias de Defesa da Saúde Pública e Proteção Social. "Diante dessa situação de crise, os governos não querem mais dar recursos públicos para a saúde e a proteção social e, pior ainda, estão quebrando os sistemas de hospitais públicos e de proteção social para recuperar dinheiro para dar aos bancos e ao sistema financeiro. Se as pessoas não pagam pelos serviços, elas não recebem proteção, e isto não é possível para muitas pessoas", completa.Julien, que é técnico em radiologia na França e também faz parte de uma central sindical de trabalhadores, ressalta como o problema atinge populações em todo o mundo. "Um exemplo muito claro é a queda da expectativa de vida nos Estados Unidos. É incrível como, pela primeira vez na história, um país desenvolvido está com a expectativa de vida baixando. Isto sem guerras, sem epidemias, sem outros fatores que não sejam os fatores econômicos. Então, essa crise de civilização que estamos vivendo está bem marcada também por essa falta de respostas no campo da saúde", observa. Segundo ele, o conceito de crise sanitária resgata a epidemiologia crítica que surgiu na América Latina na década de 1970 e que falou pela primeira vez na determinação social da saúde. "A pessoa pobre, tem muito menos possibilidades de ser saudável do que se a rica e isto está piorando. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não faz um diagnóstico claro e preciso disso porque, se fizer, terá que tratar da maior contradição do capitalismo hoje, que é a necessidade de quebrar o sistema de proteção social. Só o sistema da França movimenta 400 bilhões de euros com a contribuição dos trabalhadores. Este dinheiro para um capitalista é um dinheiro perdido, porque não está no sistema financeiro, então, eles são obrigados a quebrar o sistema de proteção social para tirar esses 400 bilhões, que representam 35% do PIB francês", exemplifica.Para Julien, há governos que redistribuem um pouco mais a riqueza, embora a lógica mundial seja a mesma – de desigualdade sanitária. Ele pondera, entretanto, que, onde há alguns avanços, eles só se concretizam com mobilização e organização popular. "Outro conceito importante é o de democracia sanitária, que consiste na afirmação de que as necessidades de saúde devem ser discutidas pela população e pelos profissionais de saúde. Se não houver essa democracia, é o capital que vai escolher o que é necessário ou não. Então, se os 99% mais pobres do mundo não decidirem sobre as suas prioridades de saúde, será o 1% mais rico que vai decidir", destaca.Privatizações no sistema de saúde europeuAssim como no Brasil, estão em curso processos de privatização dos sistemas públicos de saúde em todo o mundo, segundo denunciaram os participantes internacionais do Fórum Social Temático. A médica francesa Françoise Nay detalha como a saúde pública de seu país está sendo entregue à iniciativa privada. "Os hospitais são entregues diretamente para o setor privado lucrativo, não por meio de associações, fundações ou ONGs, mas com diversas outras formas de privatização. É possível, por exemplo, que seja privatizado apenas um setor de um hospital público utilizando os materiais e profissionais que já existem lá. Outro exemplo comum é a construção de hospitais públicos pelas empresas privadas, de forma que a empresa cobre um aluguel da previdência social. Em Paris, há um hospital sendo construído, pelo qual a empresa cobrará 40 milhões de euros por ano de aluguel". Ela explica que o sistema de saúde francês é bancado pela contribuição dos trabalhadores por meio dos recursos da previdência social, como acontecia no Brasil antes da Constituição de 1988.Françoise é vice-presidente da Coordenação Nacional dos Comités de Défense dês Hôpitaux et Maternités de Proximité, que congrega profissionais de saúde, usuários e moradores do entorno de maternidades francesas ameaçadas de fechamento. Segundo ela, recentemente, dez maternidades foram fechadas na França. No final dos anos 1970, o país tinha 1.300 casas de saúde desse tipo, hoje, são apenas 500. A médica explica que as mulheres francesas têm os bebês em maternidades muito grandes, que realizam cerca de quatro mil partos por ano e concentram todos os nascimentos de um território extenso, distante das residências de muitas mulheres. Além disso, de acordo com ela, o objetivo é que as mulheres permaneçam apenas um dia no hospital, ao contrário do que acontecia antes, quando ficavam internadas por cerca de quatro dias recebendo os tratamentos necessários e aprendendo os primeiros cuidados com os filhos. "O que acontece agora é que muitas mulheres vão embora e logo voltam com complicações de saúde nelas e nos bebês. Isto faz parte da crise sanitária", comenta.A médica conta que, atualmente, em algumas cidades francesas só é possível encontrar determinadas especialidades médicas no setor privado, como é bastante comum no Brasil, mas até pouco tempo não era na França. A realidade francesa também se assemelha à do Brasil quando o assunto é o crescimento dos planos privados de saúde, que, segundo Françoise, têm crescido assustadoramente nos últimos anos. "Os planos privados estão escolhendo algumas especialidades médicas que são mais rentáveis, como coronografia (cateterismo no coração) e operações de cataratas. São áreas rentáveis porque são bem pagas e não há muitos riscos de complicação do quadro dos pacientes. Já no setor público, permanecem os setores que não são rentáveis, como gravidez de risco e casos de câncer", conta.De acordo com Julien e Françoise, a situação é ainda pior em países como Grécia e Polônia. Neste último, uma reforma recente fez com que todos os profissionais dos serviços de saúde públicos passassem a não ser mais servidores públicos, mas sim, profissionais autônomos. "Na Grécia, 71% do orçamento público está indo para os bancos, o que é possível fazer com os 29% restante? Praticamente nada. Os indicadores de desenvolvimento humano na Grécia despencaram e passaram a ser como o de países da América Latina", salienta Julien.Vitória da saúde públicaNa contramão do que vem acontecendo em outros países europeus, mobilizações recentes na Romênia e na Eslováquia pararam os processos de privatização da saúde pública nesses dois países. "A Romênia tinha um projeto de privatização total da saúde pública, assim como a Polônia. Mas, quando um médico, que era uma figura pública muito importante, pediu demissão por causa disso, a população foi para as ruas e gerou-se uma mobilização muito grande no país, que conseguiu parar o processo de privatização. E na Eslováquia, com a mobilização de 2.400 profissionais de saúde que permanecem atualmente em greve, o processo de privatização está parado", contam Françoise e Julien.Julien destaca ainda a importância das pessoas que lutam contra a privatização da saúde em todo o mundo se conhecerem e trocarem experiências. Para ele, a Cúpula dos Povos, que será realizada em junho de 2012, paralelamente à Conferência Rio+20, será mais uma oportunidade nesse sentido. "Quando conseguirmos mudar a organização do trabalho, teremos menos problemas de saúde. Na França, por exemplo, temos muitos suicídios nos locais de trabalho. E, como sindicalistas, percebemos que quando há pessoas que enfrentam a lógica sagrada capitalista de organizar o trabalho, há menos risco para a saúde das pessoas", conclui.* Raquel Júnia é jornalista da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).** Publicado originalmente no site Adital.

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Transplante de ossos ajuda na reconstrução de várias partes do corpo

A doação de um fêmur ou tíbia pode atender a quase 200 pacientes na fila de espera.Apesar de o Brasil possuir o maior programa público de transplante de órgãos do mundo, o Sistema Nacional de Transplante, as filas de espera para a doação de órgãos e tecidos, incluindo córnea, ossos e pele, ainda é grande. Somente no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, atualmente quase 400 pacientes aguardam para realizar um transplante ortopédico.No entanto, muitos desconhecem o fato de que os ossos maiores – fêmur e tíbia – proporcionam a realização da cirurgia em dez a 15 pacientes que necessitam do transplante ortopédico, e em quase 200 pessoas nos casos odontológicos. Para um país que tem uma das maiores populações edêntulas, isto é, sem dentes ou banguelas, a aplicação tem sido frequente naqueles que utilizaram prótese dentária durante anos, pois a falta do dente faz que com que o osso reabsorva, exigindo um implante.Atualmente, o HC de São Paulo disponibiliza, em média, 200 transplantes dentários por mês para o território brasileiro. De acordo com Luiz Augusto Ubirajara Santos, cirurgião dentista e responsável pelo banco de tecido do Instituto de Ortopedia do Hospital, a odontologia avançou muito com os transplantes de ossos, principalmente no que se refere às cartilagens. “Ficou muito mais fácil habilitar uma mandíbula, por exemplo."Nos casos ortopédicos, as perdas ósseas no quadril são as mais comuns, mas pessoas que usaram próteses, portadores de tumores ósseos ou que tiveram cicatrizações erradas do osso, isto é, uma fratura que não se consolidou da forma esperada, ou ainda pacientes decorrentes de doenças metabólicas, também estão suscetíveis ao transplante.Como funciona a doaçãoA obrigação de declarar-se doador era baseada em uma lei que determinava a todo cidadão assumir ou não no RG a sua opção. Hoje, a atitude é livre e espontânea, o que, na maioria das vezes, restringe a doação até por desconhecimento do processo, pois quem formaliza é a família após o falecimento do indivíduo. O procedimento inicia-se após a constatação da morte encefálica, que deve ser notificada. Com o diagnóstico feito, começa a logística de distribuição. Os bancos de ossos estão atrelados a algum serviço onde existem as centrais de transplantes espalhadas pelo país. No caso de transplante de ossos, não existe lista única, ao contrário do de coração, em que o risco de morrer é iminente.Por este motivo, a seleção para doação de tecidos é mais detalhista do que a de transplante de órgãos, pois “dá tempo de selecionar melhor e preparar o osso para o transplante, e o melhor: com isso, a rejeição é zero” – explica Luiz Augusto. Ele conta que, antes ainda de preparar o osso, é analisado o perfil do doador e, em média, de cada cem doadores, 80 são descartados porque acabam surgindo históricos como infecção, transfusão de sangue, ou idade avançada.Depois da criteriosa avaliação, os ossos recebem um tratamento especial antes de serem transplantados. É feita uma irradiação para eliminar as substâncias contidas nos ossos e as células que poderiam causar alguma reação imunológica são removidas, e os ossos congelados a 80 graus negativos. Vários exames são realizados também para detectar a existência de bactérias, fungos ou células diferentes que podem se transformar em tumor.Apesar de todo o cuidado, ainda há muito preconceito em relação ao transplante. Muitos acham que o ato pode ocasionar deformações, no entanto, um osso se molda a qualquer outra parte do corpo e, além de permitir que uma pessoa volte a andar, pode até evitar a amputação de membros. Qualquer indivíduo que apresentar uma perda óssea pode receber um transplante para a reconstrução.NúmerosSegundo o Registro Brasileiro de Transplante, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2011 foram realizados quase 18 mil transplantes de ossos no país, sendo a maioria de caráter odontológico e os demais ortopédicos. Para aumentar este número, o cirurgião dentista Luiz Augusto destaca a importância das campanhas em prol da doação de ossos, já que a modalidade ainda é pouco conhecida.* Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.


por Redação do Saúde em Pauta
Engajamento de pacientes com a música alivia dor Pesquisa

Está com dor? Ligue o som!

[caption id="attachment_42573" align="alignleft" width="270" caption="Engajamento de pacientes com a música alivia dor. Foto: Reprodução/Internet"][/caption]Ela tem sido apontada como um remédio capaz de reduzir a dor e a ansiedade. E o melhor: sem nenhum produto químico, conservante ou efeitos colaterais. Na fórmula, apenas o ritmo, a batida e as cifras. Estudos recentes mostram que a música pode ajudar a reduzir os sintomas das doenças mencionadas e auxiliar no tratamento de várias enfermidades.Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e publicada pelo The Journal of Pain (Jornal da Dor) no fim do ano passado avaliou os potenciais benefícios da música para desviar a atenção de pacientes dos estímulos da dor. Os pesquisadores colocaram 134 pessoas para ouvir música enquanto recebiam choques na ponta dos dedos. Os participantes precisaram, simultaneamente, acompanhar as melodias e identificar sons estranhos. Os pesquisadores mediram a intensidade da dor sentida pelos voluntários por meio de eletrodos ligados ao cérebro, da dilatação das pupilas e de outros métodos. Foi constatado que a dor dos participantes diminuiu conforme eles foram sendo absorvidos pelo som. Os resultados mostraram que a música ajuda a reduzir o sintoma ao ativar vias sensoriais que competem com ele e estimulam reações emocionais e cognitivas.Os indivíduos com altos níveis de ansiedade tiveram os melhores resultados de engajamento com a música, o que contrariou a hipótese inicial dos autores de que a ansiedade poderia interferir na capacidade de o sujeito deixar-se levar pelo som. Segundo o pesquisador David H. Bradshaw, que coordenou o estudo, o tipo de música não é tão importante e sim o quanto ela mantém o interesse do paciente.Os médicos vêm buscando entender o poder da música em tratamentos de várias doenças há muitos anos, geralmente fazendo uso dos sons como uma maneira de distrair os enfermos preocupados e ansiosos. Há mais de cinco anos, o Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro, acreditou nos poderes da música, que desde então permanece ligada durante todo o dia no CTI, sendo desligada apenas à noite. A seleção musical é feita pela própria equipe do hospital, que opta por músicas instrumentais e eruditas. Segundo a chefe da Divisão de Terapia Intensiva do Instituto, Fernanda de Almeida Sampaio, não há comprovação científica sobre o efeito analgésico da musicoterapia, mas, no dia a dia do hospital, os especialistas observaram que houve uma substancial redução da necessidade de sedativos e analgésicos.“A música gera uma maior tranquilidade nos pacientes e uma sensação de proximidade com a realidade. Um caso que nos chamou atenção foi o de um paciente do CTI que permaneceu grave por muitos dias, com sedativos em doses altas. Ao melhorar clinicamente e despertar, perguntarmos se ele se lembrava de algo durante o coma induzido. Ele nos respondeu que a única coisa de que se recordava era de uma música suave que ele não sabia de onde vinha, mas lhe dava uma sensação de bem-estar.”De acordo com a professora da graduação e da pós-graduação do Conservatório Brasileiro de Música, Marly Chagas, a música só é contraindicada para pacientes que possuem epilepsia musicogênica (aversão a som). Mas, de maneira geral, é boa para todo paciente, variando apenas a intensidade e a maneira como é feito o tratamento.“Costumo dizer que a música e os sons dão auxílio para nascer e para morrer. Há desde terapias para gestantes em trabalho de parto, já que o ritmo induz os movimentos de contração, a pacientes terminais. Também há tratamentos para dependência de álcool e drogas e desvio de atenção, entre outros.”Segundo Marly, a musicoterapia também auxilia na amamentação, principalmente nos casos de mães de bebês prematuros. “A questão hormonal está atrelada à fabricação e excreção do leite. O que faz o alimento não descer é o medo diante das dificuldades do bebê muito pequeno. É aí que a música atua”, diz ela.A alta do tratamento vai depender de cada caso. Uma criança que busca conseguir expressar determinados fonemas vai ser liberada assim que esse objetivo for alcançado. O mesmo é válido para quem tem problemas respiratórios e ainda para pacientes que tiveram algum tipo de trauma e que estão com dificuldade de caminhar. “O ritmo ajuda que o passo se dê. Depois que o paciente está caminhando, não precisa mais do tratamento”, explica Marly. Já em casos de Alzheimer, por exemplo, a musicoterapia ajuda a impedir o avanço da doença e é recomendada enquanto o paciente se sentir bem com o auxílio, que neste caso é complementar.Para a especialista, a música, acima de tudo, ajuda a organizar sentimentos e expressões. “A musicoterapia possibilita que a pessoa expresse o inexprimível, além de distrair a atenção, divertir e relaxar. A atenção focada na dor e no desespero não leva a lugar algum.”* Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.


por Fernanda Dias, do Opinião e Notícia
De acordo com o resultado da pesquisa as crianças de mães diabéticas são mais propensas a ganhar peso extra, mas a alimentação pelo peito bloqueia essa tendência. Foto:HoboMama Pesquisa

Estudo afirma que amamentar reduz risco de obesidade em bebês de mães diabéticas

[caption id="attachment_42576" align="alignleft" width="300" caption="De acordo com o resultado da pesquisa, as crianças de mães diabéticas são mais propensas a ganhar peso extra, mas a alimentação pelo peito bloqueia esta tendência. Foto: HoboMama"][/caption]Um estudo realizado pela Escola de Saúde Pública do Colorado, nos Estados Unidos, chegou à conclusão de que a amamentação faz com que bebês de mães diabéticas diminuam o risco de se tornarem obesos durante a infância.De acordo com o resultado da pesquisa, as crianças de mães diabéticas são mais propensas a ganhar peso extra, mas a alimentação pelo peito bloqueia esta tendência.Para realização do estudo foram separados grupos de 94 bebês de mães diabéticas e 399 de mães sem a doença.Depois, mediram o índice de massa corporal (IMC) dos bebês ao longo do monitoramento de 13 anos.Os filhos de mães diabéticas que mamaram durante seis meses apresentaram um crescimento do IMC de forma mais lenta do que aqueles que mamaram em um período mais curto. Ou seja, o primeiro grupo engordou de forma mais lenta, controlada.Segundo o Ministério da Saúde, o leite materno é completo. Isto significa que, até os seis meses, o bebê não precisa de nenhum outro alimento. Depois dos seis meses, a amamentação deverá ser complementada com outros alimentos.Benefícios para a mãe- reduz o peso mais rapidamente após o parto;- ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, diminuindo o risco de hemorragia e de anemia após o parto;- reduz o risco de diabetes;- reduz o risco de câncer de mama;- se a amamentação for exclusiva, pode ser um método natural para evitar uma nova gravidez.Benefícios para o bebê- menos risco de sofrer de doenças respiratórias, infecções urinárias ou diarreias;- no futuro terá menos chance de desenvolver diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação da EcoD
Magnatas fundadores de empresa que expôs funcionários ao amianto sabendo de seu poder nocivo recebem pena de 16 anos de prisão na Itália. Foto: Giuseppe Cacage/AFP Legislação

Condenação na Itália, uso liberado no Brasil

[caption id="attachment_42618" align="alignleft" width="300" caption="Magnatas fundadores de empresa que expôs funcionários ao amianto sabendo de seu poder nocivo recebem pena de 16 anos de prisão na Itália. Foto: Giuseppe Cacage/AFP"][/caption]A exposição de trabalhadores e pessoas da comunidade aos males causados pelo amianto – fibra natural considerada cancerígena, mas resistente e barata e, por isso, muito utilizada na construção civil – levou dois magnatas à cadeia. A Justiça italiana condenou, na segunda-feira 13, o bilionário suíço Stephan Schmidheiny e o barão belga Louis de Cartier de Marchienne a 16 anos de prisão. Os fundadores da empresa Eternit responderam por omissão intencional de cautelas e desastre ambiental doloso ao expor funcionários ao produto, sabendo que este era prejudicial ao meio ambiente e à saúde.A sentença ainda obriga a dupla a pagar 95 milhões de euros em indenizações aos autores da ação civil, que traz milhares de doentes terminais e mais de dois mil mortos.Hermano Castro, pneumologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, destaca que o amianto é considerado cancerígeno em todas as suas formas – inclusive o crisotina, usado no Brasil – desde o Século 20. “Não existe justificativa para a utilização do amianto da maneira como ocorreu e há uma enorme responsabilidade do setor industrial nisto. O mesmo acontece com outros produtos nocivos à saúde, mantidos no mercado apenas por questões comerciais."Segundo a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), o item, proibido em mais de 50 países, é utilizado em quase três mil produtos industriais, como telhas, caixas d’água, pastilhas e lonas para freios.A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 125 milhões de pessoas convivem com amianto no trabalho e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cem mil trabalhadores morram por ano devido a doenças relacionadas ao amianto.No Brasil, a Eternit afirmou, em comunicado oficial em seu site, não ter relação com a companhia em outros países, inclusive na Itália, e que a empresa possui 100% de capital nacional. “O uso da marca se dá de forma distinta por diversas empresas em vários países."Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e fundadora da Abrea, que está na Itália para acompanhar o julgamento, contesta a empresa. “Estão tentando minimizar o problema ao máximo. Até 2001, a Amindus, que faz parte do grupo suíço fundador da empresa no Brasil, ainda tinha participação na Eternit."Segundo ela, na Itália, a empresa declarou falência há anos, mas o processo não tem prescrição. “Os donos não têm mais interesse no amianto, mas isto não significa ausência de responsabilidade."A Eternit brasileira aponta que segue “rígidos padrões de segurança que superam as exigências legais”, definidas pela Lei Federal nº 9055/95 sobre o uso, extração e industrialização, entre outros aspectos, do amianto crisotila. É essa lei que Giannasi quer pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a revisar. “É inconcebível pensar que um produto reconhecidamente cancerígeno, e que já tem substitutos, continue sendo explorado no Brasil."Ela espera que a decisão italiana reflita no STF, que, segundo a auditora, deve julgar nas próximas semanas uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e pela Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANTP), pedindo a inconstitucionalidade da lei federal sobre o uso controlado do amianto. “Acreditamos que os ministros têm uma posição favorável à proibição."A mesma posição é defendida por Castro. “Espero que o Brasil siga o exemplo de alguns países da União Europeia (onde o uso do amianto é proibido desde 2005) e que também caminhemos para substituir totalmente o produto no país”, diz. E completa que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) define o amianto como substância perigosa e orienta seu descarte em aterro especial.Giannasi destaca que no Brasil há um processo de 2004 semelhante ao da Itália, com decisão contra a Eternit em primeira instância pelo Tribunal Judicial de São Paulo por danos morais, materiais e de saúde para 2,5 mil pessoas. Um recurso ainda corre no Supremo Tribunal de Justiça desde 2010.Apesar de ter o uso liberado nacionalmente, o Estado de São Paulo proíbe desde 2007 a utilização de qualquer variedade de amianto em seu território. “É a única medida possível para aprovar em cada Estado e município uma proibição que se possa chegar a um banimento nacional. Desde 1993, existem iniciativas federais e nacionais neste sentido, mas todas foram frustradas.”As medidas não seguiram adiante, afirma, porque o Congresso brasileiro concentra um lobby com “grande capilaridade” a favor da manutenção do amianto. “O setor consegue exercer influência com a bancada da crisotila, composta principalmente por deputados de Goiás. Muitos deles financiados por empresas do setor. No Supremo, eles têm como advogado o ex-ministro e ex-presidente do STF Maurício Côrreia (aposentado desde 2004).”Uma barreira bancada pelo setor industrial considerada pouco inteligente por Castro. “As consequências do uso do amianto aparecem depois e as empresas vão ter que pagar por isso. O país não precisa passar por este transtorno, pois o preço disso são vidas humanas levadas em função desta exposição."* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Gabriel Bonis, da Carta Capital
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Jovens e bebida: parceria que não combina

A adolescência é uma fase de muita influência, de aceitação e de baixa autoestima. Por estes motivos, muitos jovens procuram por novas experiências e uma liberdade nunca antes sentida, afinal é nesta fase que saem sem a presença de um adulto.O álcool é uma maneira pela qual o adolescente encontra essa liberdade. Por ser de fácil acesso e ser apresentado de forma positiva pela sociedade, faz com que essa seja a primeira droga experimentada pelos adolescentes.O Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod) fez um levantamento com 138 jovens que procuraram a instituição para se livrar da dependência. Deste total, 40% afirmaram ter experimentado bebida alcoólica antes dos 11 anos e, o mais grave, a iniciação foi em casa ou na presença de familiares. Em 39% dos casos, o pai bebia muito; em 19%, a mãe, e em 11%, o padrasto.O álcool é hoje um dos principais fatores relacionados a problemas de saúde, acidentes de trânsito, arruaças, comportamentos antissociais, violência doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no trabalho, como alterações na percepção, reação e reflexos, aumentando a chance de acidentes de trabalho.Os pais precisam ficar atentos aos sinais que os filhos emitem e, constatado o problema, procurar ajuda médica imediatamente.Peça para seu filho responder as seguintes perguntas:- Você já sentiu que deveria diminuir a bebida?- As pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida?- Você já se sentiu mal ou culpado a respeito de sua bebida?- Você já tomou bebida alcóolica pela manhã para “aquecer” os nervos ou para se livrar de uma ressaca?Apenas um “sim” sugere um possível problema. Em qualquer um dos casos, é importante procurar imediatamente um médico ou ajuda de outro profissional da área de saúde para discutir suas respostas. Eles podem ajudar a detectar se você tem ou não um problema com a bebida, e, se você tiver, poderão recomendar a melhor atitude a ser tomada.* Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.


por Redação do Saúde em Pauta
A lancheira deve conter alimentos saudáveis ricos em proteínas, vitaminas, frutas e sucos são ótimas opções. Foto:anissat Dicas

Cuidado com o lanche das crianças na volta às aulas!

[caption id="attachment_42603" align="alignleft" width="300" caption="A lancheira deve conter alimentos saudáveis ricos em proteínas: vitaminas, frutas e sucos são ótimas opções. Foto: anissat"][/caption]O Ministério da Saúde alerta para a retomada do ano letivo das crianças e dá dicas do que colocar na lancheira, evitando biscoitos recheados, refrigerantes e outros alimentos industrializados, que contribuem para o desenvolvimento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão.Para a coordenação de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, a lancheira ideal é aquela em que não entram refrigerantes e bebidas açucaradas, como sucos industrializados, ou ainda biscoitos e salgadinhos. De acordo com a coordenadora do setor, Patrícia Jaime, o ideal é optar por sucos naturais e porções de frutas. E ficar de olho na quantidade de sódio dos alimentos industrializados.Em 2011, o Ministério da Saúde assinou termo de compromisso, em parceria com indústrias alimentícias, que estabelece a redução gradual de sódio entre dez tipos de alimentos, incluindo os mais consumidos pelo público infanto-juvenil, como pão de sal, biscoitos e salgadinhos.Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-2009, do IBGE, mostraram que uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos e um em cada cinco adolescentes está com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pesquisa do Ministério da Saúde realizada entre adolescentes de 9ª série do ensino fundamental nas 27 capitais do país mostrou que o sobrepeso atingiu 16% dos alunos e a prevalência de obesidade foi de 7,2% para o conjunto das capitais.O que colocar na lancheira?- Frutas - Sucos naturais - Salgados com recheios variados: frango, milho, espinafre, carne moída, queijo, legumes e verduras - Cereais - Iogurtes - Sanduíches caseirosEvite- Frituras - Chocolates - Refrigerantes - SalgadinhosCrianças, adolescentes e adultos têm necessidade de nutrientes em quantidades adequadas, nas diferentes fases da sua vida. Por isso, deve-se oferecer lanches de acordo com a idade da criança.250 a 300 calorias para crianças de quatro a seis anos;300 a 350 calorias para crianças entre seis e nove anos;350 a 450 calorias para os adolescentes (12 a 18 anos).* Com informações do Ministério da Saúde.** Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Foto: marmit Mundo

Um em cada cinco europeus morre de doenças associadas ao ambiente

[caption id="attachment_42590" align="alignleft" width="300" caption="Foto: marmit"][/caption]Doenças associadas ao ambiente, como poluição, ruídos do tráfego e precárias condições de habitação, causam a morte de um em cada cinco cidadãos na Europa.Num estudo, divulgado nesta terça-feira (14) em Bonn, na Alemanha, a Organização Mundial da Saúde, na Europa, informou que problemas gerados somente pela poluição podem levar a uma redução de oito meses na expectativa de vida dos europeus.Mais riscosO fardo das doenças causadas pelo ambiente varia. Habitantes de países pobres, por exemplo, correm cinco vezes mais riscos que os de países ricos.A pesquisa sobre desigualdades ambientais na Europa foi compilada pelo Centro Europeu de Meio Ambiente e Saúde. A instituição foi fundada em 2001.O ministro alemão para o Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear, Norbert Röttgen, informou que seu governo está aumentando o apoio financeiro ao Centro por causa do impacto do ambiente sobre a saúde das pessoas.Uma outra preocupação dos especialistas são os níveis de ruído do tráfego. Anualmente, cem mil pessoas morrem na Europa por causa de condições inadequadas de moradia.Nos novos países da União Europeia, sete milhões de pessoas não têm banheira ou chuveiro em casa. Durante o inverno, 16 milhões de europeus passam frio por não terem recursos para aquecer suas casas.* Publicado originalmente no site Rádio ONU e retirado do EcoD.


por Redação do EcoD
"Alimentos integrais auxiliam na manutenção do peso ideal e nas dietas de redução de peso, pois produzem maior efeito de saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos", explica Lampert. Foto:Daniel Alexandre | Photography Alimentação

“Fibras dos grãos integrais auxiliam na redução dos níveis de colesterol”, explica nutricionista

[caption id="attachment_42584" align="alignleft" width="300" caption=""Alimentos integrais auxiliam na manutenção do peso ideal e nas dietas de redução de peso, pois produzem maior efeito de saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos", explica Lampert. Foto: Daniel Alexandre/Photography"][/caption]Os benefícios dos alimentos integrais são conhecido por quem busca manter a saúde e o corpo em dia. Segundo o nutricionista Carlos Lampert Filho, essa fama não é à toa. Capaz de manter todos os valores nutricionais, mesmo passando por processos de industrialização, a comida integral auxilia na redução do peso ao proporcionar a sensação de saciedade, e é rica em fibras, que reduzem a absorção de calorias, gorduras e proteínas pelo corpo.Em entrevista ao Portal Ecodesenvolvimento.org, Lampert destacou ainda outras vantagens dos integrais, como os altos teores de vitaminas, enzimas e minerais, especialmente se comparado com os refinados. “Além disso, eles são excelentes fontes de energia para o nosso corpo, mantendo um melhor controle sobre as taxas de glicose sanguínea”, afirmou.Benefícios em longo prazoLampert explica que diversos estudos têm mostrado que a inclusão de alimentos integrais na dieta diária pode, em longo prazo, ajuda a afastar as chances de se desenvolverem doenças como câncer, constipação, ansiedade, hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemias (aumento na taxa de lipídios no sangue). “Pacientes adeptos de dietas mais integrais, na maioria das vezes, são mais magros. O aproveitamento dos alimentos também se aprimora com o uso de uma dieta mais integral, fácil de digerir, assimilar e excretar pela biodisponibilidade de nutrientes."Veja abaixo alguns exemplos de alimentos integrais, com suas respectivas características nutricionais, listados por Carlos Lampert Filho.Açúcar mascavo: é o açúcar de cana integral (que não passa pelo processo de refino e industrialização). Rico em cálcio, ferro, potássio e diversas vitaminas que não são encontradas no açúcar refinado.Arroz integral: o processo de refinação para a produção do arroz branco convencional remove essas estruturas do grão, restando apenas o endosperma, que contém basicamente amido. Por isso, recomenda-se o consumo de arroz integral, ao invés de arroz refinado. Rico nas vitaminas A, B, B2, B5, B6, e os minerais cálcio, fósforo e ferro.Ágar-ágar: pó branco extraído de algas, que, quando colocado em água, é absorvido, formando uma consistência gelatinosa. Além de substituir a gelatina comum, ajuda a reduzir a fome e a regular o intestino.Flocos de aveia: ajuda na prevenção da anemia, é hipoglicemiante, auxiliando a regulação da taxa glicêmica, sendo especialmente recomendada aos diabéticos. É rica em vitamina B, cálcio, fósforo, ferro, sódio, cloro, potássio, magnésio, manganês.Cevada em grãos: restaurador do equilíbrio nervoso, garante boa calcificação dos ossos. Rico em cálcio, potássio, fósforo, silício, vitamina B e carotenos.Feijão azuki: fonte de cálcio, fósforo, ferro, proteínas e vitaminas do complexo B.Sal marinho: é o sal natural que não passa pelo processo de industrialização. Composto naturalmente de elementos como bromo, magnésio, cálcio, iodo natural e orgânico.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Obama: 'sim ao contraceptivo'; religiosos: 'Não ao controle federal' Sociedade

A “guerra contra a religião” de Obama

[caption id="attachment_42570" align="alignleft" width="270" caption="Obama: "sim ao contraceptivo"; religiosos: "não ao controle federal". Ilustração: Reprodução/The Economist"][/caption]Barack Obama é um cristão que milhões de norte-americanos insistem em considerar muçulmano. Mitt Romney pertence à igreja Mórmon, que muitos norte-americanos consideram um culto não cristão. A campanha eleitoral deste ano é sem dúvida uma em que os dois candidatos principais não têm interesse em falar de religião. Mas, quando se trata de política, algumas oportunidades são boas demais para deixar passar. Se um dia houve chances para um pacto de não agressão religiosa, elas evaporaram depois que uma recente decisão de Obama deu novo e poderoso material para aqueles que gostam de acusá-lo de estar lutando uma “guerra contra a religião”.A decisão em questão foi um presente para os republicanos não só porque é controversa em si, mas também porque vem do já mal-amado Ato de Proteção ao Paciente e Tratamento Acessível, ou Obamacare, como foi apelidado. Os republicanos dizem que vão revogar o Obamacare porque sua ideia central – obrigar todo mundo a ter seguro de saúde, sob pena de multa – é uma violação da liberdade individual. Agora o Departamento de Saúde e Serviços Humanos plantou na legislação sementes de algo que seus críticos dizem ser ainda mais questionável: nada menos do que uma violação da liberdade religiosa.O Ato de Proteção ao Paciente determina que empregadores paguem o seguro de saúde de seus funcionários (ou sejam multados), e permite que o governo estabeleça padrões mínimos de cobertura do mesmo seguro. No verão passado, o departamento de saúde decretou que as novas políticas de seguro de saúde deveriam cobrir serviços de controle de natalidade para mulheres, incluindo a pílula do dia seguinte (que muitos antiaborcionistas consideram uma forma de aborto) e esterilização. Igrejas estão isentas; mas hospitais, escolas e universidades filiados a igrejas, a maioria das quais tem empregados, estudantes e pacientes de religiões diversas, não estão. Quando a nova lei for efetivada, em 2013, eles terão que incluir esses serviços nos seus planos de saúde, sem custos adicionais para os funcionários.Essa decisão perturbou muita gente, mas a Igreja Católica está particularmente furiosa. “Nunca antes na história,” diz Timothy Dolan, presidente da Conferência de Bispos Católicos, “o governo federal tinha forçado indivíduos e organizações a comprar um produto no mercado que vai contra sua consciência”. Cartas raivosas de bispos foram lidas de púlpitos ao redor do país. Tendo conquistado seu voto com 54% contra 45% nas eleições de 2008, Obama pode agora ter problemas séries com os 70 milhões de católicos dos Estados Unidos. Peggy Noonan, colunista do Wall Street Journal, acha que essa decisão pode chegar a lhe custar a eleição.* Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.


por Redação do The Economist
hanseniase Entrevista

Especial hanseníase. Entrevista com Clovis Boufleur

"Parte da discriminação poderia ser resolvida com maior clareza e segurança sobre o assunto”, afirma especialista.Segundo o Ministério da Saúde, houve 30.928 novos casos detectados como hanseníase no país em 2011, sendo que 2.192 ocorreram em menores de 15 anos. Este índice é considerado alto para o grupo de crianças e adolescentes. Em entrevista exclusiva à Agência Notisa, Clovis Boufleur, gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança Curitiba (PR), explica como é a ação dessa instituição em relação à hanseníase. A entrevista foi realizada durante o 1st Internacional Symposium Hansen’s Diseasemand Human Rights, evento promovido pela ONU e realizado no início de fevereiro, no Rio de Janeiro.Agência Notisa – Como é realizado o trabalho da Pastoral da Criança no combate à hanseníase?Clovis Boufleur – Estamos envolvidos com a eliminação da hanseníase há mais de dez anos, pois, em certos lugares, 10% dos casos de doença são em menores de 15 anos. Como a pastoral atua em lugares pobres, onde a incidência é alta, e com crianças de seis anos de idade, acreditamos que a nossa atuação seria essencial para o sucesso da operação de eliminação da doença.Na época em que a doutora Zilda Arns Neumann coordenava a Pastoral da Criança, foi proposto que, junto com as atividades governamentais em curso e com a sociedade cível, desenvolvêssemos um projeto de formação de lideranças voluntárias nos estados prioritários (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) e em alguns municípios com índices acima de dez casos por cem mil habitantes. Nós formamos as lideranças com um material educativo para que elas possam entender como a hanseníase se manifesta e explicar para as famílias que são visitadas a cada mês. É uma ação voltada para a suspeita da doença e orientação para buscar imediatamente o serviço de saúde mais próximo para confirmar a doença ou não. É uma ação de informação e comunicação, temos hoje 16 mil voluntários treinados e habilitados para identificar a doença e orientar as pessoas.Agência Notisa – Qual a expectativa da Pastoral da Criança sobre o Apelo Global 2012 pelo fim do estigma e da discriminação contra as pessoas atingidas pela hanseníase e suas famílias e os direitos humanos pregados pela ONU?Clovis Boufleur – Nós consideramos que é necessário melhorar questões no Brasil não só a respeito da hanseníase, mas muitas outras. Compreender que as pessoas precisam ser olhadas como um todo e não como uma pessoa com esta ou aquela deficiência ou limitação é, portanto, uma mudança cultural. A expectativa é que isso vai melhorar. A nossa visão de convivência com as pessoas é que existem diferenças relacionadas tanto a pensamentos quanto a comportamentos, e nós temos que conviver uns com os outros e não criar rótulos que afastam as pessoas. Esperamos que essa amenização com políticas como esta, possa proporcionar melhorias e que possa ainda ser estendida para outros problemas sociais que o país possui. Nossa expectativa é muito boa, de esperança. Precisamos divulgar cada vez mais a extinção desses e de outros estigmas que existem na sociedade.Agência Notisa – Como se estabelece a relação entre Pastoral da Criança, governo estadual e federal contra a hanseníase?Clovis Boufleur – Nós participamos de instâncias de decisões políticas, tanto nos Estados como em nível federal, para que sejam ofertados, primeiramente um acesso de qualidade ao serviço. Em seguida, defendemos um diagnóstico preciso da doença e a oferta do medicamento sem interrupção, pois, muitas vezes, as pessoas fazem a sua parte, mas faltam medicamentos para a finalização do ciclo. E, por último, defendemos o tratamento das sequelas e consequências da doença. São, portanto, quatro aspectos que procuramos influenciar nos diálogos com os governos.Agência Notisa – Em sua opinião, como se resolve a questão da discriminação contra pessoas atingidas pela hanseníase?Clovis Boufleur – Primeiro, é preciso se curar da doença. Precisa ser reforçado que uma vez iniciado o tratamento, a doença não se propaga mais. Parte da discriminação poderia ser resolvida com maior clareza e segurança sobre o assunto. A Pastoral da Criança entende que também é necessária uma maior participação das instâncias de comunicação, das mídias, que dão pouco espaço para esse tipo de informação. Informações corretas vão ajudar na mobilização de mais pessoas, pois o indivíduo às vezes até sabe que precisa procurar o médico, mas fica com o receio de não ser compreendido e de ser discriminado. Esses receios impedem o avanço da eliminação da hanseníase.* Publicado originalmente no site Agência Notisa e retirado da Adital.


por Redação da Agência Notisa

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