Dislexia: Diálogo entre diagnóstico e acompanhamento psicopedagógico

Artigo

Dislexia: Diálogo entre diagnóstico e acompanhamento psicopedagógico


por Áurea Maria Stavale Gonçalves*


É muito frequente ouvirmos de pais, ou até mesmo de profissionais, comentários de que são contra diagnóstico, avaliação ou mesmo testes, pois tudo isso só serve para rotular seus filhos, pacientes ou alunos.Lançar outro olhar sobre a questão é necessário, porque sabemos que rotulados eles já estão. Se não soubermos o que ocorre com a criança (ou jovem), como poderemos ajudá-la a aprender da melhor forma? Ou – o que é ainda mais importante – ajudá-la a aprender da forma que lhe é possível? Com tantos avanços das neurociências, não é mais época de ficarmos tentando acertar por ensaio e erro.É nesse sentido que a avaliação neuropsicológica e a avaliação multidisciplinar (neuropsicológica, psicopedagógica e fonoaudiológica) realizadas pela ABD – para o diagnóstico da dislexia – são essenciais e fazem a diferença para a aprendizagem e desenvolvimento dessa criança.Considerarei aqui o papel do diagnóstico do disléxico, principalmente em relação a ele mesmo. Na realidade, sabemos que há muitas implicações para a escola, meio social, enfim para a vida (fica para uma próxima reflexão).A nossa experiência nos permite afirmar que, após a criança receber a informação de que é disléxica e entender o real significado disso, sente um grande alívio. Afinal, ela compreende que não é “culpada” dessa dificuldade, nem é burra ou outra hipótese terrível fantasiada por ela. Começa, assim, a tirar o peso que esmagava sua autoestima. Recordo-me inclusive de uma frase de uma criança de nove anos: “Tia, você tirou o mundo das minhas costas".O próximo passo será o acompanhamento. No caso do atendimento psicopedagógico, surgem dúvidas: será que isso adianta mesmo? Alguns pais se reconhecem na dificuldade dos filhos e argumentam que “se viraram” sozinhos. Vale perguntar: a que custo emocional?E quais são os objetivos do atendimento? Em linhas gerais o portador de dislexia aprenderá a organizar-se em relação às atividades escolares, perceber-se como agente de seu processo de aprendizagem; aprender o como fazer, como estudar, resumir, resolução de problemas e estratégias de estudo. A estruturação do trabalho baseia-se naquilo que foi apontado na avaliação, habilidades e dificuldades. Essas serão abordadas de forma sistemática e contínua com o uso dos mais diferentes recursos. As funções cognitivas de atenção e memória também devem ser enfatizadas. Além disso, é feito um trabalho para percepção de competências visando a melhorar a autoestima e segurança em relação às atividades escolares, propiciando, assim, melhor vínculo com a escola e o aprender.Usarei para explicar o significado do atendimento psicopedagógico ao disléxico uma paráfrase da simbologia do milho da pipoca, citada por Rubem Alves em seu livro O amor que acende a lua: “A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido que, para alguém que não conheça, parecerá que não pode competir com os grãos normais, graúdos. No entanto, aqueles grãos duros, quebra-dentes, após passarem pelo poder do fogo, transformam-se em pipoca macia”.O milho da pipoca não é o que deve ser: apenas aquele grão fechado em sua casca dura. Na verdade, ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro, de uma beleza de flor, estourando alegria e pipocando para a vida.Vamos, pois, eliminar o rótulo de preguiçoso, burro e vagabundo de nossas crianças e favorecer, no calor do atendimento psicopedagógico, a transformação daquele milho duro e feio, na pipoca macia, em flor.* Áurea Maria Stavale Gonçalves é neuropsicóloga, psicopedagoga e membro do Centro e Avaliação e Encaminhamento da Associação Brasileira de Dislexia.** Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.

agrotoxico_1 Agrotóxicos

Estudos sugerem que aumento do câncer segue ritmo do lucro com agrotóxicos

Apesar de todos os efeitos negativos apontados por estudos, a indústria dos agrotóxicos não para de crescer.Dois estudos que associam o uso de agrotóxicos ao surgimento do câncer na população brasileira foram lançados na semana passada.O dossiê feito pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde aponta que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado.O estudo foi feito a partir da análise de amostras coletadas em todos os 26 Estados do Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2011.Estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) sobre o câncer relacionado ao trabalho, que registra em torno de 500 mil novos casos da doença por ano, aponta que muitas dessas pessoas foram contaminadas por agrotóxicos (seja na sua aplicação e exposição pelos trabalhadores nas lavouras, seja no acúmulo de veneno nos alimentos).O estudo afirma que os venenos agrícolas devem estar no centro da preocupação da saúde pública, devido ao grande número de estudos anteriores que apontam o potencial cancerígeno dos agrotóxicos, além da ocorrência de outros agravos relacionados a esses produtos.Uma série de agrotóxicos comprovadamente causa câncer, como o DDT/DDE, o 2,4-D, o lindane, o clordane, o agente laranja, o aldrin, o dieldrin, o alaclor, a atrazina, o glifosato, o carbaril, o diclorvos, o dicamba, o malation, o MCPA e o MCPP ou mecoprop.O estudo relaciona câncer de mama, estômago e esôfago, cavidade oral, faringe e laringe e leucemias ao uso dos agrotóxicos.Essas substâncias produzidas por grandes empresas transnacionais do agronegócio contaminam os alimentos consumidos e causam doenças nos trabalhadores que fazem a aplicação nas lavouras.De acordo com o estudo, a população rural é uma das mais afetadas, pois é o setor mais exposto aos agrotóxicos. Por fim, os venenos também são responsáveis por contaminar as águas e tornar terras inférteis.Indústria do agrotóxicoApesar de todos os efeitos negativos apontados por estudos, a indústria dos agrotóxicos não para de crescer.Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, entre 1990 e 2010, o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Nesse período, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 576%, dando um lucro de US$ 7,3 bilhões às empresas produtoras de venenos.Sob o discurso de acabar com a fome do mundo por meio do aumento da produtividade, o agronegócio se utiliza dos agrotóxicos para controlar pragas causadas pelo próprio modelo baseado na monocultura.Ao plantar apenas uma cultura em larga escala, acaba com a diversidade local, o que dá origem a várias pragas, que demandam a utilização dos venenos. Além disso, a legislação brasileira permite diversos compostos químicos que já são proibidos em outros países, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, que têm leis mais rígidas. Segundo a Anvisa, 14 agrotóxicos comercializados no país são comprovadamente prejudiciais à saúde e já foram proibidos em outros países.A maior utilização dos agrotóxicos se dá nas lavouras das commodities. Em 2010, a soja utilizou 44,1% de todos os venenos do país; algodão, cana-de açúcar e milho foram responsáveis por 10,6%, 9,6% e 9,3%, respectivamente.As plantações de outras culturas representam 19% do consumo total. Como as commodities são tratadas como qualquer mercadoria, o intuito do agronegócio e do uso abusivo de agrotóxicos não é acabar com a fome, mas o lucro.Crescimento desenfreadoPor que os agrotóxicos dominaram a produção rural brasileira? Segundo cartilha lançada pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a chamada Revolução Verde imposta pela ditadura militar abriu a porta para a entrada dos venenos no Brasil.Com essa “revolução”, a agricultura do Brasil foi aberta para a exploração de empresas transnacionais, que venderam aos latifundiários máquinas responsáveis por expulsar boa parte dos camponeses, aumentar a concentração de terra e a pobreza, além dos agrotóxicos para o controle das pragas na lavoura.A Revolução Verde buscou apagar da memória as formas antigas de proteção das lavouras, substituindo-as pelos agrotóxicos. Estes venenos se tornaram, de lá para cá, um dos pilares para o modelo de desenvolvimento agrário adotado pelo Brasil, o agronegócio.A criação e uso das sementes transgênicas também incentiva o consumo de agrotóxicos, pois estas sementes são resistentes a um tipo de veneno específico produzido pela mesma empresa que vende as sementes.Transição agroecológicaO que se fazer para reverter este quadro? A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, assim como o dossiê da Abrasco, apontam o modelo agroecológico, não só como alternativa ao agronegócio, mas também ao uso dos venenos.A campanha propõe o resgate das técnicas naturais de proteção das lavouras, que foram deixadas para trás com a imposição do modelo do agronegócio.É possível, segundo a cartilha, que agricultores que utilizam agrotóxicos realizem uma “transição agroecológica”, na qual gradualmente parem de utilizar os venenos, pois quanto mais agrotóxico se aplica, mais caro é o gasto na produção e maior a dependência das grandes empresas. Além disso, o modelo agroecológico propõe que se plante diversas culturas na mesma terra, de modo a se preservar a diversidade, o que diminui a incidência de pragas.Abaixo, algumas das técnicas naturais sugeridas pela Campanha para proteção da lavoura.Extrato de folha de nimSecar e moer folhas de nim. Colocar 60g de folhas de nim em 1 litro de água. Deixar em repouso por 8 horas. Coar e aplicar na forma de pulverizações para controle de pragas.Calda de fumoPicar 100g de fumo e colocar em meio litro de álcool. Acrescentar meio litro de água e deixar curtir por 15 dias. Depois dissolver 100g de sabão neutro em 10 litros de água e acrescentar a mistura. Aplicar na forma de pulverizações para controle de vaquinhas, cochonilhas, lagartas e pulgões.Calda de fumo com pimentaColocar 50g de fumo picado e 50g de pimenta picante dentro de 1 litro de álcool. Deixar curtir por uma semana. Misturar em 10 litros de água com 250g de sabão neutro ou detergente. Aplicar na forma de pulverizações para o controle de vaquinhas, lagartas e cochonilhas e insetos em geral.Calda de cebolaColocal 1kg de cebola picada em 10 litros de água. Curtir por 10 dias. Coar e colocar 1 litro deste preparado em 3 litros de água para aplicar na forma de pulverizações. Age como repelente aos insetos como pulgões, lagartas e vaquinhas.Cravo de defuntoColocar 1kg de folhas e talos de cravo de defunto em 10 litros de água. Ferver por meia hora deixando de molho por duas horas. Coe e pulverize, visando ao controle de pulgões, ácaros e algumas lagartas.Calda de camomilaColocar 50g de flores de camomila em um litro de água. Deixar de molho por 3 dias, agitando 4 vezes por dia. Coar e aplicar 3 vezes na semana, evitando doenças fúngicas.Armadilha com leiteUtilizar estopa ou saco de aniagem, água e leite. Distribuir no chão ao redor das plantas a estopa ou saco de aniagem molhado com água e um pouco de leite. Pela manhã, virar a estopa ou o saco utilizado e coletar as lesmas e caracóis que se reuniram embaixo para serem queimadas e enterradas em um buraco.Leite cru e águaPulverizar sobre as plantas uma solução de água com 5% a 20% de leite de vaca sem pasteurizar para o controle do oídio, doença que ataca diversas hortaliças. O oídio é também conhecido como “cinza” porque causa grandes manchas brancas acinzentadas principalmente nas folhas e nos ramos.* Publicado originalmente no site Revista Fórum.


por José Coutinho Júnior, da Página do MST
Disputa evoca a tensão entre escolhas individuais e saúde e segurança públicas. Foto: Reprodução/Internet Mundo

Uma problemática tendência antivacinação

[caption id="attachment_51352" align="alignleft" width="270" caption="Disputa evoca a tensão entre escolhas individuais e saúde e segurança públicas. Foto: Reprodução/Internet"][/caption]Cada vez mais pais norte-americanos invocam uma "dispensa filosófica" para não seguir as recomendações do Estado em relação a quais vacinas devem ser dadas a seus filhos.Os grupos de pais que se opõem à vacinação podem ser dividido em dois: os conservadores, como no caso daqueles da região de Sierra Nevada, na Califórnia, que repudiam toda e qualquer recomendação do governo simplesmente pelo fato de que essas recomendações são governamentais; e os liberais-da-comida-orgânica-e-da-yoga costeiros que abjuram as injeções por considerar perigosas as vacinas e amenas as doenças das quais elas protegem.Esses bolsões de crianças não vacinadas são um risco crescente para a saúde pública. Entre as vacinas mais comuns, as taxas de vacinação nos Estados Unidos, e mesmo na Califórnia, ainda superam os 90%, o que se considera o ideal para garantir a “imunidade do rebanho”. Contudo, em algumas regiões, com destaque para Oregon, Vermont e Califórnia, as taxas de vacinação têm caído bem abaixo do nível de “imunização do rebanho”. Estas tendências têm contribuído para o reaparecimento de doenças consideradas extintas, como sarampo e coqueluche.Os defensores das injeções têm a ciência a seu lado: a vacinação protege tanto o indivíduo como a comunidade, incluindo os recém-nascidos e os muito velhos, que não podem ser vacinados por questões médicas. Os questionadores da prática, entretanto, acreditam que as vacinas tornarão seus filhos autistas. Este mito, muito popular na internet, foi criado po Andrew Wakefield, um médico britânico, que publicou um estudo em 1998 sugerindo um elo entre a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) e autismo. Desde então, o estudo foi completamente desbancado e o seu autor censurado.Nos Estados Unidos, essa disputa evoca a onipresente tensão entre escolhas individuais e a saúde e segurança públicas. Quase todos os Estados autorizam isenções religiosas, e agora vinte Estados autorizam uma mais vaga isenção filosófica. O que fazer? O principal é educar os pais com ciência sólida em vez de correntes de internet. A raiz do problema é que essa geração de pais é a primeira a não ter recordações de mutilações e mortes causadas por poliomielite, tétano, difteria e sarampo. Em algum momento uma epidemia lhes recordará.* Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.


por Redação do The Economist
Cientistas da Unesp revelam alterações de enzimas e transportadores no intestino da prole cujas mães sofreram restrição proteica durante a gestação. Foto: Divulgação Alimentação

Estudo mostra efeitos da restrição alimentar durante a gestação

[caption id="attachment_51355" align="alignleft" width="200" caption="Cientistas da Unesp revelam alterações de enzimas e transportadores no intestino da prole cujas mães sofreram restrição proteica durante a gestação. Foto: Divulgação"][/caption]Agência Fapesp – Uma pesquisa feita na Universidade Estadual Paulista (Unesp) comprovou que a restrição alimentar materna durante a gestação causa alterações no intestino da prole que perduram até a vida adulta. Tais alterações podem colaborar para o estabelecimento da obesidade observada em animais nascidos nessas condições.Os resultados do estudo, feito com ratos, vão ao encontro da chamada hipótese da programação fetal, já levantada por outros trabalhos da literatura, segundo a qual o organismo do feto se adapta a um ambiente intrauterino adverso. Como esse metabolismo poupador se mantém após o nascimento, o indivíduo se torna mais propenso a engordar caso o padrão de ingestão calórica melhore.Na pesquisa, coordenada pela professora Maria de Lourdes Mendes Vicentini Paulino, do Instituto de Biociências do campus da Unesp em Botucatu, foram investigados os efeitos da baixa ingestão proteica durante a gestação sobre a atividade e expressão gênica de enzimas intestinais e sobre a expressão gênica e imunolocalização de transportadores intestinais da prole, que são fundamentais para a absorção de nutrientes no intestino.“Para um nutriente ser absorvido, ele primeiro precisa ser digerido por enzimas até alcançar um tamanho pequeno o suficiente para atravessar a membrana das células do intestino. E para que essa travessia ocorra, as moléculas precisam se ligar a proteínas que atuam como transportadores”, explicou Paulino.Foram avaliadas a atividade e a expressão gênica das enzimas sacarase, lactase e maltase – responsáveis pela digestão de carboidratos. “Para saber o quanto a síntese dessas enzimas estava sendo estimulada, medimos a abundância do RNA mensageiro relacionado a esse processo”, disse Paulino.Para medir a quantidade de enzimas presente nas células intestinais, um raspado de mucosa foi incubado com o carboidrato a ser digerido.“Se a intenção é medir a quantidade de sacarase, por exemplo, coloca-se a mucosa em tubo na presença de uma solução de sacarose. A enzima presente na mucosa quebra esse carboidrato em moléculas de glicose e de frutose. Ao final, a glicose originada na reação é quantificada para a determinação da quantidade de enzima presente”, explicou a pesquisadora.Também foram avaliadas a presença e a expressão gênica de dois transportadores de moléculas de glicose – o SGLT1 e o GLUT2 – e de um transportador de peptídeos – o PEPT1.“Por meio de um estudo de imunohistoquímica, em que foram analisadas as células intestinais, verificamos a presença desses transportadores. Também medimos a proliferação das células intestinais e a altura das vilosidades, para saber se a superfície de absorção de nutrientes estava aumentada”, disse Paulino.Passo a passoO experimento na Unesp foi iniciado com dois grupos de ratas-mãe. Durante o período de gestação, a rata do grupo controle recebeu uma dieta com 17% de proteína. A outra recebia apenas 6% de proteína na ração.Assim que os filhotes nasceram e teve início o período de amamentação, as fêmeas passaram a receber uma dieta idêntica, com 23% de proteína. As primeiras análises foram feitas quando os filhotes estavam com três semanas de idade, o que corresponde ao período de desmame.“Das três enzimas estudadas, percebemos uma elevação estatisticamente significante na lactase, que é justamente a responsável pela digestão do açúcar do leite, no grupo que sofreu a restrição alimentar. Houve também aumento na expressão gênica dessa enzima”, afirmou Paulino.Após o desmame, os filhotes dos dois grupos passaram a receber uma dieta idêntica, normoproteica. Na segunda análise feita com 16 semanas, considerada a fase adulta nos ratos, verificou-se maior atividade e maior expressão gênica da enzima sacarase no grupo cuja mãe havia sido privada de proteínas durante a gestação.“Não medimos a atividade da lactase na fase adulta porque nos mamíferos, normalmente, a síntese dessa enzima diminui após o desmame”, explicou.Nas duas análises – feitas com três e 16 semanas de idade – foi possível notar maior proliferação intestinal, maior expressão gênica e maior presença dos transportadores SGLT1, GLUT2 e PEPT1, que tem consequência direta na absorção dos nutrientes. Essas respostas foram encontradas principalmente no duodeno, parte inicial do intestino delgado.“Os resultados nos mostram que alterações do intestino delgado observadas na idade adulta podem ser programadas durante a gestação e que esta resposta pode ser atribuída, pelo menos parcialmente, ao aumento na expressão gênica de enzimas e transportadores. Essas alterações, que possibilitam maior absorção de nutrientes, talvez possam contribuir para o acúmulo de gordura observado em outros estudos”, avaliou Paulino.A equipe pretende agora investigar se a atividade enzimática e a expressão gênica das enzimas pancreáticas, responsáveis por iniciar a a digestão dos nutrientes, são afetadas pela restrição alimentar.“Vamos estudar a fase anterior do processo digestivo. As enzimas pancreáticas são também ligadas ao fornecimento de energia para o organismo”, disse Paulino, que destaca a importante participação na pesquisa de Daniela Felipe Pinheiro, pós-doutoranda no Instituto de Biociências da Unesp, com Bolsa da FAPESP.* Publicado originalmente no site Agência FAPESP.


por Karina Toledo, da Agência FAPESP
Thomas Szasz. Entrevista

“A psiquiatria tem que ser abolida, assim como a escravidão”

[caption id="attachment_51364" align="alignleft" width="150" caption="Thomas Szasz."][/caption]Psiquiatria e Estado precisam ser separados. Além disso, o sujeito deve decidir se deve, ou não, tomar medicamentos psiquiátricos, afirma o professor emérito da Universidade do Estado de Nova York, Thomas Szasz.A "loucura” não é silenciada pela "razão”, rebate Thomas Szasz. "Ela é silenciada por pessoas chamadas de ‘psiquiatras’”. Para o professor emérito da Universidade do Estado de Nova York em Siracusa, "a psiquiatria, intrinsecamente ligada à lei e à execução da lei, não pode ser reformada. Como a escravidão, ela precisa ser abolida”. As declarações foram dadas por Szasz à IHU On-Line na entrevista que concedeu por e-mail. Crítico ferrenho da psiquiatria desde os anos 1950, ele discorda peremptoriamente da legitimidade intelectual-médica dessa área da medicina, assim como da Associação Psiquiátrica Americana e do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês). "Qual é a validade do DSM? É zero, digo eu”. Em seu ponto de vista, a psiquiatria cumpre a função excludente antes ocupada pela religião, e o "controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como mentalmente doentes é análogo ao controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como escravas”. Ele tece duras críticas à luta antimanicomial: "Em vez de enfocar a abolição da ‘escravidão psiquiátrica’, os indivíduos identificados com a ‘luta antimanicomial’ focaram – equivocadamente, penso eu – a natureza da doença justificando ostensivamente o uso de força psiquiátrica”.Defensor da separação entre psiquiatria e Estado, Szasz é conhecido mundialmente por ser adversário da psiquiatria coercitiva. Escreveu livros como O mito da doença mental (Rio de Janeiro: Zahar, 1979), originalmente publicado em 1960, e A fabricação da loucura: um estudo comparativo da Inquisição e do Movimento de Saúde Mental (Rio de Janeiro: Zahar, 1976), cuja primeira edição veio a público em 1970. Nasceu em Budapeste em 1920, e continua em franca atividade intelectual. Para conhecer seus textos e ideias, acesse www.szasz.com.Confira a entrevista.IHU On-Line – Desde que escreveu O mito da doença mental, há 51 anos, houve alguma mudança na forma como a psiquiatria trata o "doente mental”? O que permanece o mesmo?Thomas Szasz – Houve muitas mudanças. A principal mudança é que agora os psiquiatras sustentam, e a maioria das pessoas acredita que as chamadas doenças mentais são causadas por "desequilíbrios químicos” no cérebro, ou são manifestações deles e que esses desequilíbrios fictícios são tratados com medicamentos.IHU On-Line – Em que medida o estigma da doença mental continua sendo um rótulo importante para compreendermos a sociedade segregatória e excludente em que vivemos?Thomas Szasz – Todas as sociedades (grupos) são, por definição, "excludentes” pelo fato de incluírem algumas pessoas e excluírem outras. Anteriormente, as religiões cumpriam essa função social. Hoje em dia, a medicina-psiquiatria a cumpre.IHU On-Line – Quais são os principais avanços que percebe a partir da luta antimanicomial pelo mundo?Thomas Szasz – Em minha opinião, a questão principal – ou talvez até a única – referente à luta antimanicomial é o poder de exercer coerção, isto é, a legitimação do uso de força contra pessoas chamadas "loucas”, isto é, "diagnosticadas” como "mentalmente doentes”. Considero o controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como mentalmente doentes análogo ao controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como escravas. Em vez de enfocar a abolição da "escravidão psiquiátrica”, os indivíduos identificados com a "luta antimanicomial” enfocaram – equivocadamente, penso eu – a natureza da doença justificando ostensivamente o uso de força psiquiátrica. Creio que o controle psiquiátrico à força de indivíduos inocentes é sempre moralmente errado.IHU On-Line – No Brasil, há uma grande influência de Franco Basaglia na reforma psiquiátrica. Hoje, a desinstitucionalização da loucura tem no agente comunitário e nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPs elementos importantes de uma nova prática da saúde mental. Qual é a situação nos EUA no que diz respeito à luta antimanicomial?Thomas Szasz – A situação é semelhante. Basaglia adorava a associação entre a política (o Estado) e a psiquiatria (coerção médica). Ele queria ser – e a certa altura foi – uma espécie de comissário psiquiátrico – do tipo benevolente, bondoso, é claro. Discordo radicalmente das concepções e políticas dele. Creio que a psiquiatria, intrinsecamente ligada à lei e à execução da lei, não pode ser reformada. Como a escravidão, ela precisa ser abolida, e não reformada.IHU On-Line – Os doentes mentais continuam sendo os grandes bodes expiatórios da sociedade? Que outros párias estão ao seu lado em nossos dias?Thomas Szasz – Sim e não. Eles geralmente são vistos como "doentes” e necessitados de "cuidados médicos”, quer gostem, quer não.IHU On-Line – "Se você fala com Deus, você está rezando. Se Deus falar com você, você é esquizofrênico”. Em que medida essa ideia continua atual num mundo que insiste em diagnosticar e medicalizar o sujeito em suas mínimas "dissidências”?Thomas Szasz – A confusão dos sentidos literal e metafórico das palavras – especialmente de termos como "doença”, "tratamento”, "cura”, etc. (e deus, diabo, inferno...) – é essencialmente a mesma que havia nas décadas de 1950 e 1960.IHU On-Line – Em que sentido a doença mental continua sendo uma metáfora?Thomas Szasz – Oficialmente – do ponto de vista jurídico, médico – ela é literal. Eu sustento que é metafórica. Os chamados antipsiquiatras –Laing, Foucault, Basaglia– a tratam como literal e "tratavam” o "paciente” com drogas, por exemplo, com LSD. Isso é ilustrado pelo apoio que deram à hospitalização involuntária em instituições de saúde mental bem como pela defesa do réu mediante alegação de insanidade, práticas às quais me oponho.IHU On-Line – O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais aumenta com frequência a catalogação de doenças apontadas como mentais. Qual é a sua validade?Thomas Szasz – Qual é a validade do DSM? É zero, digo eu. Qual é a legitimidade intelectual-médica da psiquiatria – da Associação Psiquiátrica Americana e de outras? É zero, digo eu.IHU On-Line -"Em que sentido a psiquiatria é um braço coercitivo do aparato de Estado?”Thomas Szasz – Num sentido literal, obviamente. Milhões de pessoas são, e foram, presas em prédios dos quais não podem sair. "Por que os tratamentos médicos dessa especialidade são, em última instância, controle político?” Eles não o são sempre. Milhões de pessoas acreditam que têm doenças mentais e ingerem medicamentos psiquiátricos voluntariamente. Elas são, e deveriam ser, livres para fazer isso. Vejo esse fenômeno como semelhante à crença de milhões de pessoas de que houve um judeu que viveu na Palestina da época bíblica e que foi crucificado e se tornou deus. As pessoas são, e deveriam ser, livres para "ingerir” os sacramentos. Chamamos isso de "liberdade religiosa”. Eu defendo a "liberdade psiquiátrica”. Só me oponho à tirania psiquiátrica, assim como só me oponho à tirania religiosa. É por isso que tenho defendido a separação entre a psiquiatria e o Estado.IHU On-Line – Nietzsche e Foucault compreendiam a loucura como experiência originária, silenciada pela razão e seu "monólogo”. Qual é o seu ponto de vista?Thomas Szasz – Eu rejeito esse tipo de retórica. A "loucura” não é silenciada pela "razão”. Ela é silenciada por pessoas chamadas de "psiquiatras”.IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algum outro aspecto não questionado?Thomas Szasz – Sinto-me contente e satisfeito por ter tido a oportunidade de expressar profissional e politicamente opiniões não convencionais e ter atraído certo grau de interesse e concordância com elas. Atribuo isso em grande parte à relativa abertura e tolerância da sociedade americana apoiada por uma tradição jurídica anglo-americana que valoriza a liberdade pessoal e a responsabilidade individual.* Publicado originalmente no site IHU-Online e retirado do site Adital.


por Redação do IHU-Online
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Puberdade precoce aumenta os riscos de problemas psicológicos

Meninas com puberdade precoce podem ter mais problemas psicológicos e maiores riscos de gravidez precoce.Isto é o que aponta um estudo publicado no periódico The Obstetrician & Gynaecologist Journal que pesquisou os impactos da puberdade precoce, uma condição que ocorre quando algumas estruturas do cérebro têm sua maturação adiantada (leia mais sobre o tema aqui).A puberdade, naturalmente, se inicia a partir dos dez anos de idade e é quando a produção de hormônios leva a diversas mudanças no corpo dos pré-adolescentes. Diversos estudos, no mundo todo, apontam que muitas meninas – o gênero é a maioria no caso de puberdade precoce – estão entrando na adolescência a partir dos oito anos de idade. O problema pode não ser recente, mas os casos começaram a ser observados e diagnosticados há pouco mais de uma década.Nas garotas, a puberdade precoce é definida pelo aumento dos seios, pelos pubiano e variações hormonais a partir dessa idade média de oito anos. Na maioria dos casos, há a necessidade de acompanhamento médico, em especial de um endocrinologista. Alguns tipos de puberdade precoce são acompanhados de aumento de risco para tumores nos ovários e outros problemas.Variações do humor, ansiedade e estresseCom o aumento da produção de hormônios, podem ocorrer também problemas psicológicos, como variações no humor muito radicais. Além disso, os níveis de estresse e ansiedade aumentam, pois os pais e outras pessoas do círculo social podem pressionar essas crianças para se portarem de acordo com sua aparência mais velha ao contrário de esperar um comportamento adequado com a idade.A aparência mais velha e a maturidade sexual precoce também aumentam os riscos de uma gravidez, por diversos motivos (como falta de formação e informação sexual).“A puberdade adiantada pode ter um impacto psicológico e social na criança e na família. O risco de abuso sexual também aumenta nesses casos. A avaliação e acompanhamento das variações hormonais, assim como possíveis tratamentos, devem ser avaliados tendo em vista o impacto no longo termo”, diz Sakunthala Tirimuru, pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas de Alexandria e uma das autoras do estudo.* Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Enio Rodrigo, do O que eu tenho
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Multitasking não é sinômimo de produtividade, aponta pesquisa

Você trabalha, ouve música, posta em redes sociais e ainda vê vídeos na internet. O chamado multitasking parece ser uma das maiores competências que uma pessoa pode ter hoje em dia. Mas os resultados de uma pesquisa recente põem em xeque a ideia geral de que o multitasking é sinônimo de profissional produtivo.De acordo com o estudo – que dá um banho de água fria na expectativa da maioria das pessoas – ninguém é realmente bom quando o assunto é fazer várias coisas ao mesmo tempo. Entretanto o que acontece é que o multitasking deixa as pessoas mais felizes e isto faz com que elas se iludam que estão produzindo mais.A pesquisa acompanhou estudantes universitários durante 28 dias, que foram monitorados para suas atividades em frente ao computador e fora dele. A conclusão foi que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumentava a motivação desses estudantes, mas não sem comprometer as funções cognitivas. O nível de assimilação durante os estudos, por exemplo, caía bastante, apesar deles passarem mais tempo nesse tipo de atividade.“Há um mito sobre como pessoas multitasking são mais produtivas”, explica Zheng Wang, principal autor do estudo conduzido na Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos. “Mas o que ocorre é uma confusão entre os sentimentos positivos associados com as múltiplas ações. A produtividade não é maior, apenas a satisfação com o trabalho é que melhora.”Em um dos testes, por exemplo, os estudantes eram convidados a estudar em um ambiente onde também podiam ver TV. “Eles se sentiram mais satisfeitos, pois sentiam que estavam estudando e se divertindo. Mas a combinação de ações não levou a uma melhor assimilação das duas atividades. Eles não só esquecerem detalhes do que estavam assistindo como também não se concentraram nos estudos.”O estudo – a ser publicado no periódico Journal of Communication – também fez diversos outros testes concorrentes, como estudar e ler paralelamente a atividades na internet, jogos online, escrever SMS e assistir vídeos. Um dos testes também envolvia mandar torpedos de texto em horários que os estudantes afirmavam estar mais compenetrados (ou seja, interromper atividades de concentração).“Nós observamos também uma espécie de moto-contínuo: pessoas que realizavam atividades paralelas diziam sentir falta delas quando interrompiam – mesmo por um único dia – essas atividades. Com o tempo elas fazem cada vez mais coisas paralelamente e se sentem muito bem com isso, o que não tem relação com um aumento da produtividade acadêmica ou profissional, por exemplo”, diz o pesquisador.“Fazer muitas coisas ao mesmo tempo traz consigo uma grande motivação emocional e isso talvez tenha a ver também com o fato das pessoas terem uma impressão positiva sobre você, afinal você parece ser produtivo, mas no final isso é apenas uma imagem que as pessoas fazem. Focar em algo continua sendo uma forma de fazer uma atividade de forma mais eficaz”, finaliza Wang.* Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Enio Rodrigo, do O que eu tenho
images Diagnóstico

Daltônicos precisam de truques para driblar anomalia

As cores verde e vermelha são as mais confundidas pelos portadores da doença.A bela visão de um arco-íris, a percepção de múltiplas tonalidades em um quadro de Tarsila do Amaral ou até mesmo a troca de cores do semáforo durante a direção são tarefas complexas para os portadores de daltonismo. A visão de um daltônico é afetada pela falta de percepção das cores, especialmente as cores primárias vermelho e verde, em razão dessa doença hereditária que afeta cerca de 8% da população masculina brasileira, maioria entre os casos, pois a patologia está ligada ao cromossomo XY, presente apenas nos homens.A retina, local onde se forma a visão, apresenta um elemento essencial para a percepção da imagem, chamada de cone. Assim, existe um para a cor verde, um para a vermelha e outro para o azul. Quando determinada cor não responde ao estímulo provocado por outras tonalidades é um grande sinal de daltonismo, segundo o oftalmologista e membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, doutor Luiz Carlos Pontes.Ainda que a falta de percepção das cores seja maior entre os homens, uma porcentagem mínima de mulheres no país, quase 0,5%, é diagnosticada com a doença. É o caso da jornalista Letícia Dal Jovem, 23, que herdou a doença do pai e, quando criança, já percebeu que havia algo errado com sua visão. “Lembro que, com dez anos, eu só usava o lápis preto para pintar, pois eu tinha certeza de que a cor dele era preta. Não queria pintar de outras cores, pois não tinha certeza das outras tonalidades”, diz.Embora a patologia pareça um verdadeiro transtorno na vida do portador, o oftalmologista revela que o daltônico leva uma vida normal. “A doença não tem cura e tampouco tratamento. A grande dica é aprender a se defender e criar alguns truques pessoais para lidar com o problema”, recomenda o especialista.Letícia, por exemplo, tira de letra algumas situações e encara com bom humor. “Minha maior dificuldade é quando vou comprar roupas e, por ironia do destino, minha cor preferida para vestir é o verde. Sempre que vou sozinha ao shopping, sou simpática com as vendedoras e pergunto “Essa blusa é verde?”. Creio que devo ser tida como louca. Quando não tem vendedor, eu procuro a cor na etiqueta. Se não tem, compro a peça de cor errada. Já adquiri uma sapatilha de cetim rosa, achando que era dourada”, diz a jornalista aos risos.Aprenda a lidar com a doençaPor se tratar de uma patologia genética, é possível verificar se o filho herdou o daltonismo do pai ou da mãe ainda na infância e, quanto mais rápida a confirmação do quadro clínico e o acompanhamento profissional, melhor é a adequação da criança ao problema. O procedimento ideal nesses casos é o teste de Ishihara, um livro que possibilita ao daltônico identificar e distinguir as cores das tabelas e números.Contudo, não é apenas a hereditariedade que pode desencadear a enfermidade. “Alguns medicamentos como os antimaláricos e a ingestão de certos tipos de pílulas anticoncepcionais podem provocar algum tipo de alteração na visão, além de algumas lesões oculares. Mas esses casos são bem raros”, reforça o doutor Luiz Carlos Pontes. O oftalmologista ressalta ainda que a vida social do daltônico não sofre nenhum impacto, visto que ele pode desempenhar qualquer função, exceto aquelas que são relacionadas ao exército, por exemplo, que carecem de uma visão aguçada para distinguir cores de bandeiras.A jornalista Letícia Dal Jovem diz que nunca se sentiu triste por essa condição e que aprendeu a domar este pequeno incômodo com a ajuda da família, e relata o mais recente episódio ocorrido em sua residência. “Em casa somos quatro pessoas e temos apenas um banheiro. Minha mãe deixava as toalhas juntas e a cada dia eu usava uma diferente. A solução foi colocar meu apelido “Lelê” na toalha que devo usar. As toalhas que vejo igual, de acordo com a minha mãe são amarela, rosa e verde. Mas, para mim, são todas de um tom claro. Parece tudo amarelinho”.Projeto de leiO deputado Fernando Gabeira apresentou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4937/2009 que prevê a implementação de semáforos com focos luminosos para facilitar a conduta de motoristas daltônicos. A lei ainda não foi aprovada, mas é uma esperança para aqueles que, como Letícia, demonstram dificuldade para distinguir as cores primárias.* Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.


por Redação do Saúde em Pauta
A soja pode substituir batatas fritas da hora do lanche? Foto: Reprodução/Internet Mundo

O segredo da longevidade japonesa

[caption id="attachment_51361" align="alignleft" width="270" caption="A soja pode substituir batatas fritas da hora do lanche? Foto: Reprodução/Internet"][/caption]As maravilhas da soja japonesa desafiam o colonialismo alimentício ocidental.Se você quer saber como viver por mais tempo, observe as pessoas de Okinawa, um conjunto de ilhas no sudoeste do Japão. Alimentados desde pequenos com peixes e grãos de soja, a expectativa de vida da população das ilhas está entre as maiores do mundo.Há um grupo de controle natural: muitas pessoas que nasceram em Okinawa se mudaram para o Brasil e para o Havaí após a Segunda Guerra Mundial, onde trocaram sua dieta original por uma mais carnívora com bifes e hambúrgueres. Tudo foi estudado regularmente por pesquisadores japoneses, ao longo das últimas três décadas, para provar que uma dieta rica em soja pode prolongar a vida. Agora é a hora do teste do sabor: será que um saudável pacote de salgadinhos de soja pode expulsar as gordurosas batatas fritas da hora do lanche?Kaoru Yamada, uma jovem especialista em alimentos da Otsuka Pharmaceutical, uma companhia farmacêutica japonesa, aceitou o desafio. Ela não gosta do sabor da soja, de modo que inventou uma pasta de soja levemente assada que tem gosto de queijo, é crocante, tem pedaços de grãos de soja e pode permanecer numa mesa de trabalho – ou até numa lanchonete – por meses a fio antes de ficar molenga. Batizada de SoyCarat, a sua invenção chegou aos mercados japoneses nesse mês. A Otsuka, que também produz uma bebida funcional bem-sucedida chamada Pocari Sweatm, vê nesses esforços uma reação contra os salgadinhos ocidentais que estão engordando os asiáticos.A ciência por trás é convincente: a pesquisa, ainda que parcialmente financiada pela Otsuka, sugere que a ingestão de grãos de soja rapidamente baixa a pressão do sangue, reduzindo assim o risco de doenças cardiovasculares. A empresa observa que um norte-americano médio come menos soja em um ano do que o japonês médio come em um dia.* Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.


por Redação do The Economist
Diagnóstico tardio da doença aumenta as chances de contaminação. Pesquisa

Demora no diagnóstico facilita disseminação da tuberculose

[caption id="attachment_51358" align="alignleft" width="230" caption="Diagnóstico tardio da doença aumenta as chances de contaminação. Foto: Cecilia Bastos/Jornal da USP"][/caption]Pacientes com tuberculose demoram cerca de 15 dias para ir a um serviço de saúde. A exposição do doente neste intervalo, entre a percepção dos sintomas e a busca pelo atendimento, pode facilitar a disseminação da doença. “Quando a tuberculose é diagnosticada, o paciente recebe medicações que diminuem a possibilidade de contaminação de outras pessoas”, destaca a enfermeira Aline Beraldo.Sob a orientação da professora Tereza Cristina Scatena Villa, Aline realizou o estudo Tempo de busca do primeiro serviço de saúde e o diagnóstico da tuberculose relacionado ao doente, realizado entre 2010 e 2012, na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.O trabalho insere-se no projeto multicêntrico Retardo no Diagnóstico de Tuberculose: análise das causas em diversas regiões do Brasil, que faz parte do Grupo de Estudos Epidemiológico-Operacional em Tuberculose (GEOTB), liderados pela professora Tereza e pelo professor Antônio Ruffino Netto, do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. O grupo produz pesquisas de avaliação de serviços de saúde que fazem acompanhamento da doença e ajuda a desenvolver políticas para controle da tuberculose no país.QuestionárioAline submeteu 94 pacientes com tuberculose a um questionário. O formulário, criado em conjunto com o GEOTB, levantava dados sociodemográficos, hábitos de saúde, frequência com que os pacientes iam ao médico antes do diagnóstico da doença, se já haviam visto alguma campanha sobre o assunto, se a tuberculose foi detectada na primeira ida ao atendimento de saúde e, principalmente, quanto tempo demoraram para procurar atendimento desde que perceberam que estavam doentes. Uma parte deste questionário averiguava se os profissionais de saúde fizeram perguntas a respeito das pessoas que estiveram no convívio com o doente, ou se submeteram-nas a exames, ainda que essas pessoas não apresentassem sintomas.Além disso, verificou-se dados epidemiológicos do site TBWeb, que faz parte do Centro de Vigilância Epidemiológica Professor Alexandre Vranjac, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. O sistema, restrito a profissionais da saúde, faz um controle de pacientes com tuberculose. A pesquisadora também recolheu informações referentes à doença em prontuários, para determinar qual tipo de tuberculose o paciente tinha, exames que havia realizado e se existia alguma doença coexistente.Os pacientes avaliados fizeram seus diagnósticos em Unidades de Atenção Básica e Saúde da Família (UAB), Serviços Especializados (SE), como hospitais, e Serviços de Pronto Atendimento (SPA). Os dados apontaram que somente 25% dos entrevistados levaram até sete dias para se consultar, chegando a casos em que o paciente levou 30, 60 ou até 1.095 dias, como foi relatado por um paciente.Para diminuir a demora em reconhecer a tuberculose, a enfermeira sugere campanhas de saúde para esclarecer a população. Os sintomas clássicos da tuberculose, como tosse, emagrecimento, dores nas costas, febre não muito alta e secreção podem confundir tanto profissionais da saúde quanto portadores da doença. Durante as campanhas sazonais de esclarecimento, o número de diagnósticos cresce, porém, diminui assim que as campanhas saem do ar. Aline sugere melhorar a capacitação de profissionais para detectar os casos suspeitos nas unidades de atendimento e nas comunidades e reforça: “É importante que haja a identificação dos casos precocemente, com o intuito de interromper a cadeia de transmissão”.* Publicado originalmente no site Agência USP.


por Mariana Melo, da Agência USP
foto_mat_35044 Alimentação

Geopolítica do acesso: fome e obesidade no Século 21

Quando publicou Geografia da Fome, em 1946, Josué de Castro certamente não podia imaginar que no Século 21 ainda haveria no mundo um bilhão de pessoas passando fome, e, novidade, um bilhão e meio de pessoas com sobrepeso e obesidade. Segundo estudo da Organização Mundial de Saúde, a obesidade já é uma realidade global, afetando 502 milhões de pessoas. É uma “pandemia do Século 21”, diz a OMS. O artigo é de Milton Pomar.Semana passada, o canal de TV da National Geography apresentou um documentário sobre obesos mórbidos, no qual o destaque principal era um norte-americano adulto com 464 kg, há três anos sem conseguir se levantar da cama. Ele pesava o equivalente a oito asiáticos de tamanho “normal”. Após tratamento e cirugia, o “campeão” baixou para 240 kg, quase o mesmo peso de um jovem de 19 anos, indeciso quanto a submeter-se à cirugia de redução do estômago, que o programa também mostrou.Quando publicou Geografia da Fome, em 1946, o médico e geógrafo brasileiro Josué de Castro certamente não podia imaginar que no Século 21 ainda haveria no mundo um bilhão de pessoas passando fome, e, novidade, um bilhão e meio de pessoas com sobrepeso e obesidade, por comerem em excesso. Segundo estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 199 países, a obesidade já é uma realidade global, afetando 502 milhões de pessoas. Essa situação levou a OMS a denominar a obesidade “pandemia do Século 21”.Considerado até há pouco tempo um problema de países ricos, o sobrepeso ultrapassou todas as fronteiras nos últimos 20 anos, e hoje atinge países em desenvolvimento e pobres, nos quais grande parte das populações está urbanizada. Exemplo dramático dessa evolução é o caso do México, que detém a primeira posição no ranking da obesidade mundial, com 30% da população adulta obesa, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), e um total de 69,5% com sobrepeso.Vizinho do México, os Estados Unidos (EUA) são o país com a maior quantidade de obesos no mundo: 38 Estados possuíam em 2010 mais de 25% de obesos entre a população adulta (em 2007, eram 30 Estados nessa condição). Dos 13 restantes, apenas um tinha menos de 19% de obesos, e os demais ficavam entre 20% e 24%. O campeão nacional é o Mississipi, com 33,8% de obesos.Tendo o Índice de Massa Corporal (IMC) como parâmetro, a parcela da população adulta que é “normal” (IMC entre 18,5 e 24,99) no Laos é de 77,1%; Japão, 68,9%; Vietnã, 68,5%; Mongólia, 66,6%; Filipinas, 63,7%; Coreia do Sul, 63,2%; Índia, 62,5%; China, 58,9%; Cingapura, 58,3%; Brasil, 55,4%, França, 53,5%; e Itália, 52,6%. Em contrapartida, no Panamá é de 31,5%; Kuwait, 33,3%; Reino Unido, 33,9%; EUA, 35,7%; Nova Zelândia, 36,1%; Austrália, 39,2%; Turquia, 40,1%; Arábia Saudita, 42,1%; Espanha, 44,9%; África do Sul, 46,2%; e Canadá, 46,7%. Esse quadro ainda favorável na Ásia está mudando rápido, e já é visível nas grandes cidades da China, e de outros países da região, o aumento da obesidade infantil e adolescente, resultante da alteração dos hábitos alimentares, pela combinação de maior poder aquisitivo, intensa publicidade de alimentos hipercalóricos e facilidade de acesso a produtos alimentares industrializados.O IMC utilizado como parâmetro nesse estudo mundial, é questionado por alguns médicos, que consideram-no insuficiente: para eles, o percentual de obesos seria ainda maior. Outros avaliam que, ao contrário, por utilizar apenas duas variáveis (altura e peso), ele inclui na condição de sobrepeso pessoas que apenas possuem estrutura óssea maior. Mas o IMC é inegavelmente simples, permitindo por isso classificar rapidamente a situação de milhões de pessoas.Assim que assumiu a presidência dos EUA, Barack Obama tomou a iniciativa de alertar para a dimensão e gravidade desse problema no país, denunciando a contribuição do consumo de refrigerantes para a obesidade. Entretanto, Obama não enfrentou o gigantesco sistema de alimentos industrializados, da produção à publicidade e varejo, maior responsável pelo sobrepeso e obesidade nos EUA e no restante do mundo.Refrigerantes contribuiriam no Brasil com 6,3 kg per capita de consumo anual de açúcar, substância que tem parcela considerável de “culpa” nessa expansão global da obesidade: o consumo mais do que triplicou nos últimos 50 anos, graças ao aumento do consumo de alimentos e bebidas que utilizam açúcar. No Brasil, por exemplo, onde o consumo per capita era de 15 kg em 1930, em 2000 chegou a 51,7 kg e hoje, como na maior parte dos países ocidentais, está na faixa de 55 kg. Esta é a explicação mais direta para a epidemia de diabetes em crianças e adolescentes, que atinge inclusive as populações de países pobres.As duas maiores populações do mundo, da China e Índia (totalizam 2,55 bilhões de pessoas), têm um consumo de açúcar ainda baixo, 10 kg por pessoa, mas esta média é enganosa, porque na China, onde metade da população é urbana, o consumo real dos 650 milhões de pessoas que moram nas cidades é de quase 20 kg per capita; e na Índia, onde a parcela da população efetivamente consumidora é de 400 milhões de pessoas, o per capita real desse universo deve chegar a 30 kg.Pode-se deduzir, pela existência do um bilhão de pessoas com sobrepeso e 502 milhões obesas (297 milhões de mulheres e 205 milhões de homens), e pelo “poder de fogo” do sistema de alimentos industrializados, que nos próximos 20 anos o total de obesos no mundo ultrapassará o de famintos.Essa realidade assusta os profissionais de saúde do mundo inteiro, que elencam os problemas causados pelo sobrepeso e obesidade (diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, câncer, etc.) e os custos adicionais para os sistemas de saúde dos países mais atingidos por essa pandemia.Sobre isso, uma certeza todos podem ter: a obesidade causará estragos de proporções incalculáveis nos precários serviços públicos de saúde e elevará os custos de todo o sistema de saúde no mundo, o dos EUA disparado na frente.Apesar disso, não há ainda um enfrentamento da obesidade como um problema mundial de saúde pública, com direito a campanhas de propaganda, restrições legais, etc. Ao contrário, busca-se a sua “aceitação” como um direito individual das pessoas, de poderem escolher como querem ser. E além das lojas especializadas em roupas “extra grande”, de várias outras formas procura-se atender as dimensões e necessidades peculiares dos obesos, como uma adequação do mercado a esse segmento de consumidores: o aeroporto de Campinas (SP), por exemplo, rendeu-se aos fatos: oferece cadeira dupla para obesos na sala de espera. Essa novidade confirma a tendência generalizada de acomodação à realidade dessas pessoas que têm dimensões equivalentes às de duas ou mais pessoas “normais”.Na lógica dominante de vários países, as pessoas têm o direito de comer e beber várias vezes mais do que uma pessoa de padrão “normal” (60-80 kg, para um homem adulto), desde que tenham poder aquisitivo suficiente para tal. Apesar dessa lógica ter levado os EUA a uma situação limite em obesidade, semelhante à que o México se encontra (não por coincidência), ela só será efetivamente enfrentada quando os sistemas de saúde entrarem em falência. Ou quando os preços dos alimentos atingirem e se mantiverem em níveis muito acima da média histórica de cada produto.Mas o medo de ser “politicamente incorreto” na abordagem direta desse problema leva toda a humanidade a uma armadilha perigosa, porque a obesidade é hoje muito mais do que uma questão de saúde (individual e de financiamento do sistema), ela é uma questão política, diz respeito à sobrevivência de toda a população mundial, na medida em que o consumo de alimentos e água pelo 1,5 bilhão de pessoas com sobrepeso e obesas equivale pelo menos ao de quatro bilhões de pessoas “normais”. O acesso exagerado a alimentos, por parte dessas pessoas, que comem cada uma delas por quatro ou cinco pessoas “normais”, resulta em uma pressão gigantesca sobre a oferta de alimentos, elevando os preços e com isso aumentando a quantidade de famintos entre as populações pobres.O mercado mundial de alimentos é dominado por meia dúzia de grupos gigantescos, cartel cujo negócio é lucrar com a compra e a venda de alimentos e bebidas, dos produtos agrícolas aos industrializados. E é graças à lógica desses grupos que continua havendo um bilhão de pobres famintos, por falta de dinheiro para o acesso a comida suficiente, e, agora 1,5 bilhão de pessoas gordas e enormes de gordas, inclusive crianças e adolescentes.Assusta verificar a baixa produção de alimentos em países muito populosos da Ásia e África, como a Indonésia, Paquistão, Nigéria, Bangladesh, Filipinas e Etiópia – juntos, somam quase um bilhão de habitantes –, e mais ainda ao saber que alguns deles possuem pouca água e desertos e semiáridos em grande parte do território. Essa situação, mais as estimativas de crescimento da população nos países pobres, sempre leva alguns especialistas a diagnósticos sombrios em relação à oferta de alimentos no mundo, como se esse fosse o maior problema, e não o acesso profundamente desigual aos alimentos – como aliás nunca antes ficou tão evidente.Entretanto, é verdade, mas em geral não é explicitada, que faltará alimentos no mundo quando os pobres de alguns países começarem a comer um pouco mais do que o mínimo para se manter vivos. Particularmente os pobres da Índia, cerca de 800 milhões de pessoas, total equivalente a quatro vezes a população brasileira. Apesar de ser o segundo país mais populoso do mundo, com 1,2 bilhão de habitantes, a produção indiana de alimentos é muito pequena, se comparada à sua demanda real: em 2010 colheu 120 milhões de toneladas de arroz, 80 de trigo, 14 de milho, 10 de soja e 37 de batatas. A China, com uma população 10% maior (1,34 bilhão), no mesmo ano colheu 197 milhões de toneladas de arroz, 115 de trigo, 178 de milho, 15 de soja e 75 de batatas.Em 2010, a existência de 88% dos famintos no mundo era concentrada na Ásia e Pacífico (62%), região onde vive mais da metade da população mundial, e na África subsahariana (26%). A América Latina e Caribe tinham 9% do total mundial de famintos. Segundo a FAO, agência das Nações Unidas que trata da alimentação, a principal razão da fome ainda é a pobreza: nos países asiáticos, o percentual de gastos dos pobres com alimentos fica entre 60% e 70% da renda familiar.Ora, se um dia esses 800 milhões de indianos pobres tiverem poder aquisitivo para consumir alimentos como os 400 milhões de mexicanos e norte-americanos, simplesmente não haverá no mundo disponibilidade de alimentos para atender 10% dessa demanda reprimidíssima. Por extensão, se o mesmo ocorrer com os demais famintos da Ásia e da África, se eles passarem a ter acesso a alimentos na mesma proporção de um para quatro dos obesos dos EUA e México, “caos” seria uma palavra insuficiente para descrever o horror da fome que se instalaria no mundo. Situação, aliás, que já ocorreu algumas vezes, nos dois últimos séculos, na Índia, China, Brasil e Irlanda, como bem descreve Mike Davis, em Holocaustos Coloniais.Enquanto esse dia não chega, a obesidade continuará a ser tratada como um direito individual, apesar de representar problema mundial de saúde, e não de consumo exagerado de 20% da população do mundo, com implicações graves para os 80% restantes. O moderno sistema de alimentos industrializados continuará lucrando cada vez mais, o Brasil continuará produzindo e vendendo cada vez mais açúcar (será o maior exportador mundial), e em alguns populosos e pobres países asiáticos e africanos, paradoxalmente, a eventual melhora do padrão de vida, com o correspondente aumento do acesso a alimentos, ameaçará a sobrevivência de famintos, obesos, pessoas “normais” e com sobrepeso.* Milton Pomar, 53, é geógrafo, técnico agropecuário e jornalista agrícola. Editor da revista em chinês Negócios com o Brasil, trabalha com a China há 15 anos.** Publicado originalmente no site Carta Maior.


por Milton Pomar*

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Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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O Zoológico Skazka, na Ucrânia, exibe imagem de filhotes de tigresa albina ‘Tigrylia’, que nasceram no complexo. Um dos bichinhos puxou a mãe e também é um raro tigre albino.

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Frases a laser são projetadas nos prédios gêmios da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Divulgação

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