Novo regime contra o HIV gera temores na África do Sul

Inter Press Service - Reportagens

Novo regime contra o HIV gera temores na África do Sul


por Melany Bendix, da IPS


[caption id="attachment_86303" align="alignleft" width="300" caption="Entre 5,5 milhões e 5,9 milhões de sul-africanos estão infectados com o vírus HIV. Foto: Natasya Tay/IPS"][/caption] Cidade do Cabo, África do Sul, 9/5/2013 – “Se ficar sem meus comprimidos, não sei o que acontecerá. Provavelmente adoecerei de novo, muito gravemente. Talvez morra”, disse Xoliswa Mbana (nome fictício) enquanto arrumava seus quatro filhos para irem à escola em um assentamento informal desta cidade. Mbana foi diagnosticada como portadora do vírus da deficiência humana (HIV, causador da aids) em 2008, e sua recontagem de células CD4 há dois anos foi menor do que 200. Adoeceu gravemente e na clínica do superpovoado bairro de Masiphumelele a convenceram a iniciar um tratamento antirretroviral. “Eu não confiava muito na ‘muti’ (palavra zulu para se referir à medicina) porque havia escutado muitas coisas ruins sobre ela. Mas estava morrendo e não tive opção. Quando comecei a me sentir melhor me alegrei. Espero que o governo não me tire a felicidade”, disse à IPS esta mulher de 42 anos, que tem medo de não receber mais esses comprimidos que salvam a sua vida. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids calcula que entre 5,5 milhões e 5,9 milhões dos 49,3 milhões de sul-africanos estão infectados com o HIV. Em  maio passado, Mbana não pôde receber tratamento durante três semanas porque sua clínica ficou sem antirretrovirais. A clínica foi uma das centenas de pontos de distribuição em seis províncias sul-africanas afetadas pela escassez geral de medicamentos, a última sofrida pelo programa de tratamento antirretroviral, lançado pelo governo em 2004 dentro de sua luta contra a aids. Esta instabilidade no fornecimento é que leva ativistas a demonstrarem preocupação pela decisão do Departamento de Saúde, adotada em 1º de abril, de iniciar a distribuição de medicamentos de combinação em dose fixa (CDF). Até agora, o tratamento fornecido pelos serviços estatais consistia em três comprimidos diferentes que o paciente deveria ingerir ao longo do dia. A nova dose combina os três princípios ativos desses comprimidos em um só. Embora a CDF pareça mais conveniente para os pacientes, ativistas e profissionais da saúde alertam que um esgotamento da droga poderá ter efeito catastrófico no programa de tratamento antirretroviral sul-africano, o maior do mundo em sua classe. Com o regime anterior, “se havia escassez de um antirretroviral as pessoas ainda podiam tomar os outros dois comprimidos, embora não fosse o ideal. Agora, se faltarem os comprimidos de CDF, os pacientes não terão outro recurso”, explicou à IPS o diretor-executivo de saúde e justiça social da organização Section 27, Mark Heywood. Com ele concordou Kevin Rebe, do Instituto de Saúde Anova, que administra o programa Health4Men, focado na prevenção e no tratamento do HIV. “O risco da CDF é que não tem um bom plano B”, disse à IPS, alertando que basta deixar de tomar umas poucas doses para que o organismo rejeite o tratamento. “É necessário administrar corretamente 95 de cada cem doses. Se não for assim, corre-se o risco de o tratamento fracassar e o paciente precisar optar por outro, possivelmente mais complexo e caro. Por isso, se houver uma escassez de medicamentos CDF, as consequências poderão ser graves”, alertou Rebe. Por sua vez, Linda Gail Bekker, subdiretora do Centro Desmond Tutu contra o HIV, da Universidade da Cidade do Cabo, alertou que um eventual esgotamento poderá constituir um “grave perigo para a saúde” das pessoas que recém-iniciaram o tratamento antirretroviral. Bekker também teme que eventuais faltas das doses afetem os avanços conseguidos em convencer as pessoas soropositivas a fazerem o tratamento. Porém, Bekker acredita que os riscos de desabastecimento podem ser mitigados prevendo-se exatamente a demanda e assegurando um fornecimento adequado. Apesar de admitir que isto não é simples, insistiu que uma administração rígida das doses é a única maneira de assegurar o sucesso do regime com a CDF. “Não é nenhuma proeza fazer com que este grande número de pessoas comece uma terapia e depois assegurar que a recebam pelo resto de suas vidas. E temos que fazê-lo, e bem feito”, ressaltou. Por sua vez, Rebe destacou a importância de não se quebrar a cadeia de fornecimento da CDF, e disse que o plano inicial do Departamento de Saúde é promissor. “Parecem ter sido bem inteligentes, especialmente com a ideia de introduzir a CDF em etapas: primeiro as mulheres grávidas, depois pacientes com tuberculose, e por fim os que estão começando o tratamento antirretroviral”, acrescentou. “Esse enfoque gradual ajudará muito a evitar um esgotamento” de remédios, disse Rebe, destacando que o Departamento de Saúde dividiu a licitação para o tratamento do período 2013-2014 em vários contratos. “Isto é bom porque, se um fornecedor não entregar, outros poderão cobrir o que faltar”, ponderou. Joe Maila, porta-voz do Departamento de Saúde, disse à IPS que somente serão convocados outros fornecedores se os três atuais – as companhias farmacêuticas Mylan, Cipla e Aspen – não puderem atender a demanda. A oferta e a demanda são seguidas de perto e controladas em reuniões semanais entre os fornecedores e as autoridades provinciais de saúde, informou. Isso permite ao departamento “detectar com antecedência problemas de distribuição e intervir”, destacou. Porém, o mais importante é que o departamento armazenou várias quantidades de CDF “para aliviar a escassez quando ela ocorrer”, explicou. O governo sul-africano também espera que a introdução da CDF reduza significativamente os custos de seu plano de tratamento contra HIV/aids. O regime anterior custava cerca de 120 rands (US$ 13,4) por pessoa ao mês, enquanto no sistema com a CDF custa 93 rands (US$ 10,38). A economia de US$ 3 é significativa, considerando que 1,9 milhão de pacientes recebem tratamento antirretroviral dos serviços estatais. “Ter os três agentes em comprimidos de dose única é o melhor que temos atualmente. Também está demonstrado que reduzir o número de comprimidos e as doses diárias é fundamental para que os pacientes respeitem o regime de tratamento”, enfatizou Rebe. Para Mbana, o mais importante é sempre ter seus medicamentos. “Não me importa se tenho de tomar um comprimido ao dia ou mais, desde que tenha algo para tomar”, afirmou. Envolverde/IPS

medico2 Saúde

O Brasil precisa de médicos estrangeiros?

O governo federal quer trazer médicos de Cuba, Portugal e Espanha. O Conselho Federal de Medicina resiste e pede melhor distribuição dos médicos. A falta de médicos do Brasil é um problema crônico que atinge principalmente áreas carentes e de difícil acesso do Norte e do Nordeste do País e que parece longe de ser solucionada. Desde que assumiu a pasta da Saúde, em 2011, o ministro Alexandre Padilha tem apostado em programas de residências médicas ainda incipientes e no aumento da oferta de vagas em medicina nas universidades federais. Contudo, a formação de profissionais de saúde leva tempo e, a curto prazo, restou ao ministério apelar para a importação de médicos. A proposta foi divulgada nesta semana. Na segunda-feira 6, os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o cubano Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla anunciaram uma parceria para que 6 mil médicos cubanos sejam enviados ao Brasil. Na terça-feira 7, Padilha afirmou que médicos portugueses e espanhóis também estão na mira do governo federal. "Como ministro da Saúde, não vou ficar vendo a situação de Espanha e Portugal - que têm médicos de muita qualidade, que falam português e que vivem uma situação de 30% de desemprego - sem pensar em alternativas de intercâmbio para trazer esses profissionais", disse Padilha. Segundo dados do Ministério da Saúde há, no Brasil, 1,8 médico para cada mil habitantes. Na Argentina, a proporção é de 3,2 médicos para mil habitantes e, em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos. Uma das formas de resolver este problema, segundo Padilha, seria emular as experiências de países desenvolvidos como a Inglaterra, onde 40% dos médicos foram atraídos de outros países, Canadá onde 22% dos médicos são estrangeiros, e Austrália, onde essa participação é 17%. A proposta de trazer profissionais de fora do País não é exclusiva do ministério. Em 2012, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) classificou como “insustentável” a falta de médicos na região amazônica e o número de mortes decorrentes dessa carência. Vanessa contou que, dos 62 municípios do Amazonas, apenas 12 têm médicos especialistas e pediu a permissão para a entrada de médicos bolivianos no estado. A ideia também não é nova. Em 1999, então como ministro da Saúde, José Serra (PSDB) defendeu a 'importação" de médicos cubanos. No ano seguinte, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez o mesmo. Resistência A solução enfrenta resistência no Brasil. Na terça-feira 7, foram apresentados os resultados do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos - necessário para que estrangeiros possam exercer a profissão no Brasil. O resultado do exame mostrou uma situação crítica: dos 182 médicos cubanos que realizaram a prova em 2012, apenas 20 foram aprovados. O mesmo aconteceu com profissionais de outros países latinos, como Portugal e Espanha. Entre os 26 médicos com diploma espanhol, somente cinco foram aprovados em 2012. Já os portugueses tiveram três aprovados dentre oito inscritos. “Se os médicos formados no exterior vêm exercer a profissão sem nenhum critério de avaliação de suas qualificações, isso é temerário. Naturalmente, traz à população grandes riscos, principalmente a parte da população mais carente. Isso não se configura como uma medida legal, nem justa”, disse o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Vital Corrêa, reafirmando a necessidade do exame. Padilha disse que concorda que a contratação de médicos tem de considerar a qualidade e a responsabilidade desses profissionais. O ministro destacou que o governo já descartou a validação automática de diplomas e a contratação de médicos de países que tenham menos profissionais que o Brasil, como é o caso da Bolívia e do Paraguai. Desigualdade na distribuição de médicos é preocupante De acordo com um levantamento realizado em 2012 pelo CFM, a origem do problema de saúde pública no Brasil reside na péssima distribuição de médicos pelo território. Enquanto a região Sudeste possui 2,67 médicos com registro ativo no CFM por cada mil habitantes, a região Norte apresenta apenas 1,01 médico para mil pessoas. A desigualdade fica mais explícita quando se compara as capitais. Cidades como Porto Alegre e Rio de Janeiro têm, respectivamente, 8,73 e 6,18 médicos para mil habitantes, enquanto Rio Branco e Macapá apresentam 1,91 e 1,38, respectivamente. Os dados comprovam que o problema brasileiro não é a falta de doutores. “O aumento do número global de médicos não significa a presença de profissionais em áreas sem provimento, mas sim, o inchaço de médicos em grandes centros” , diz o médico Mário Scheffer, responsável pelo estudo. Cidades como Belterra, encravada no meio da floresta amazônica do estado do Pará, apresentam índices ainda piores. "Temos uma dificuldade muito grande para contratar médicos", conta Dilma Serrão, a prefeita de Belterra, município de 16 mil habitantes, incrustada no interior da Amazônia, no estado do Pará. “Recebemos 70 mil reais mensais do governo federal para custear os gastos com o hospital, os postos de saúde e pagar os médicos especialistas, que recebem 4 mil reais para atenderem duas vezes por semana”, detalha a prefeita. Quanto mais difícil é o acesso, maiores se tornam os salários dos médicos e o custo da saúde pública. “Os municípios ao longo da Transamazônica travam uma guerra salarial por médicos que chega a salários de 20 a 30 mil reais”, afirma Dilma. “A nossa situação, felizmente não é essa”, completa aliviada. Para o médico Mário Scheffer, a solução passa pela construção de planos de carreiras federais e estaduais para profissionais de saúde do SUS. “O SUS está fragmentado e confuso, entregue a múltiplas organizações, cada uma com um processo de contratação e com salários diferentes”, diz. Hoje, a gestão do Sistema Único de Saúde é dividida entre os estados. "Enquanto o País não tiver planos de carreira que incentivem, de fato, o médico a ocupar definitivamente ou rotativamente regiões de difícil acesso, a população seguirá negligenciada”, prevê o médico. Apesar disso, não há nenhuma proposta concreta que vise a criação de um plano de carreira federal para médicos do SUS em desenvolvimento no Ministério da Saúde. O ministro Padilha - que recebe críticas dentro do próprio governo em relação a sua gestão frente à pasta - destacou que o governo descartou a validação automática de diplomas e a contratação de médicos de países que tenham menos profissionais que o Brasil, como é o caso da Bolívia e do Paraguai. * Com informações da Agência Brasil. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Marcelo Pellegrini, da Carta Capital
alcool Saúde

Consumo exagerado de bebidas alcoólicas pode causar problemas gastrointestinais

Fim de semana, festa animada, churrasco, balada com os amigos e a vitória do time são alguns dos motivos e justificativas usados para exagerar no consumo de bebida alcoólica. Este exagero cobra um preço caro. O consumo eventual também tem participação em outros problemas graves e demasiadamente frequentes no Brasil: violência familiar, acidentes de trânsito e no trabalho. Estudo realizado pelo Ministério da Saúde em hospitais públicos revela que o consumo do álcool tem forte impacto nos atendimentos de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). O levantamento da Vigilância de Violência e Acidentes (Viva) aponta que uma em cada cinco vítimas de trânsito atendido nos prontos-socorros brasileiros ingeriram bebida alcoólica. O estudo também mostra que 49% das pessoas que sofreram algum tipo de agressão consumiram bebida alcoólica. As principais vítimas são homens com idade entre 20 e 39 anos. Pesquisas internacionais também apontam outros agravos. Um estudo realizado pelo Scripp´s Research Institute da Califórnia (EUA) mostrou que a ingestão de grandes quantidades de álcool de uma só vez afeta o cérebro da mesma forma que o consumo frequente. A gastroenterologista Mariene Liberal afirma que mesmo o consumo esporádico e em grandes doses de bebidas alcóolicas causa alterações múltiplas no organismo. As primeiras reações são sonolência ou agressividade, irritabilidade, agitação, alteração de equilíbrio, vômitos e até convulsões. Em casos extremos, em que há overdose alcóolica, o consumo excessivo pode levar ao coma e à morte. “Com o uso de altas doses podem surgir, principalmente, problemas gastrointestinais, pois o álcool é o grande agressor do sistema digestivo. A pancreatite, por exemplo, ocorre nos grandes bebedores eventuais, daqueles que exageram nos finais de semana”, diz a médica do Hospital Federal do Andaraí, vinculado ao Ministério da Saúde. Mariene ainda alerta que podem surgir casos de hemorragia digestiva, cirrose e hepatites alcóolicas. Viva - Os dados sobre as consequências do álcool no trânsito fazem parte do Vigilância de Violências e Acidentes, estudo realizado pelo Ministério da Saúde em 71 hospitais que realizam atendimentos de urgência e emergência pelo SUS. Foram ouvidas 47 mil pessoas em todas as capitais e no Distrito Federal. Os dados foram coletados em 2011 e analisados no último ano. O levantamento revela que entre as pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, 22,3% dos condutores, 21,4% dos pedestres e 17,7% dos passageiros apresentavam sinais de embriaguez ou confirmaram consumo de álcool. Entre os atendimentos por acidentes, a faixa etária mais prevalente foi a de 20 a 39 anos (39,3%). As vítimas mais acometidas por agressões estão nessa mesma faixa etária – 20 a 39 anos – e representam 56% dos casos. Em 2011, 28.352 homens com idade entre 20 a 39 anos foram assassinados e 16.460 perderam a vida no trânsito, o que corresponde a quase metade de óbitos registrados nesta faixa etária, 31,5% e 18,3%, respectivamente. O Viva também mostra que a proporção do consumo de bebida alcoólica entre os pacientes homens foi bem superior ao das mulheres: 54,3% dos homens que sofreram violência e 24,9% dos que sofreram acidente de trânsito tinham ingerido álcool, enquanto os índices entre as pessoas do sexo feminino foram de 31,5% e 10,2%, respectivamente. * Publicado originalmente no site Blog da Saúde. 


por Maria Vitória, do Ministério da Saúde
Envelhecer_Rejunescer Saúde

Queijo de castanhas sem leite retarda o envelhecimento

As mudanças das estações alteram também o nosso paladar. Enquanto no verão a preferência é por comidas frias, com a chegada do outono sentimos mais necessidades de alimentos que aquecem o nosso organismo. Para compor um cardápio mais quente, a eco chef Marta Tatini ensina a fazer um queijo de castanhas que retarda o envelhecimento e melhora a pele. Fonte de selênio, um mineral altamente antioxidante que garante a longevidade, a castanha-do-pará também ajuda no funcionamento da tireoide e no combate a doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, câncer e obesidade. Já o ágar-ágar, outro ingrediente presente na receita, previne prisão de ventre e melhora a textura da pele, ao ajudar a evitar rugas e acne. Para a eco chef, um dos benefícios mais importantes dessa composição é a ausência do leite. "A lactose rouba ferro do organismo, e a caseína, proteína existente na substância, causa diversas inflamações e faz aumentar a incidência de doenças respiratórias, que já são altas neste período do ano." Quando questionada se a falta de leite não compromete a necessidade de cálcio do organismo, Marta afirma que o gergelim branco é quem acrescenta o mineral ao queijo. Martha Tatini é eco chef de Gastronomia Orgânica e professora e mestre em Educação Alimentar e Ambiental, especializada em gastronomia natural, ayurvédica e orgânica. Realiza buffets orgânicos, consultoria e entrega de refeições orgânicas gourmet. * Publicado originalmente no site Prêmio Empreendedor Social/ Folha de S. Paulo.


por Tatiane Ribeiro, do Prêmio Empreendedor Social
Cerca de 117 mil funcionários dos Correios serão treinados em temas de prevenção e tratamento do HIV Saúde

Correios do Brasil lançam campanha de prevenção ao HIV

[caption id="attachment_86397" align="alignleft" width="300" caption="Cerca de 117 mil funcionários dos Correios serão treinados em temas de prevenção e tratamento do HIV"][/caption] Uma campanha de prevenção ao HIV, o vírus da Aids, foi lançada pelos Correios do Brasil com o objetivo de ajudar a combater à oença. Cerca de 117 mil funcionários serão treinados, a distância, em temas de prevenção e tratamento do HIV. Os cursos serão ministrados pela Universidade dos Correiros (Unico) e ajudarão os participantes a informar clientes, familiares e amigos sobre o controle à doença. O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, afirmou que a campanha faz parte dos objetivos estratégicos da organização de ser uma empresa socialmente responsável. Ao todo, participam três estados onde o nível de prevalência da doença é alto: Amazonas, Bahia e Rio Grande do Sul. O coordenador do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Pedro Chequer, apontou que a situação no Rio Grande do Sul é preocupante. Discriminação Cerca de 150 agências já começaram a distribuir pôsteres, folhetos e postais com informação sobre prevenção e medidas de combate à discriminação a soropositivos. As cartas da campanha também promoverão os testes de HIV. A iniciativa dos Correios já conta com uma página na internet e materiais educativos sobre HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). A campanha tem o apoio do Ministério da Saúde e de várias agências das Nações Unidas incluindo a União Postal Universal e a Organização Internacional do Trabalho. Conheça os processos considerados como prioridade da campanha, segundo o portal da iniciativa: Fortalecimento da rede de atenção e linhas de cuidado às DSTs, aids e hepatites virais; Prevenção, diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, pelas hepatites virais e redução de risco e vulnerabilidade; Promoção de direitos humanos e articulação com redes e movimentos sociais; Aprimoramento e desenvolvimento da vigilância, informação e pesquisa; Aprimoramento da governança e da gestão; Acesso universal aos medicamentos, preservativos e outros insumos estratégicos.   - Conheça a cartilha de prevenção ao vírus HIV - * Publicado originalmente no site EcoD. 


por Redação do EcoD
Foto: http://guiamaterno.blogspot.com.br/ Saúde

Mulheres só receberão doação de óvulos até os 50 anos

[caption id="attachment_86419" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://guiamaterno.blogspot.com.br/"][/caption] Brasília - A partir de agora, mulheres que querem engravidar mas dependem da doação de óvulos só poderão receber o material genético até os 50 anos de idade. A regra começa a valer a partir de hoje (9), quando a nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre reprodução assistida foi publicada no Diário Oficial da União. A resolução preenche a lacuna de não existir, no Brasil, uma legislação que regulamente a prática da reprodução assistida. Antes não havia um limite de idade estabelecido. A regra é uma das novidades da terceira versão das normas que regulamentam o procedimento. A primeira norma foi estabelecida em 1992 e revisada, apenas uma vez, em 2010. A comissão de especialistas, que reúne ginecologistas e geneticistas, se debruçou nos últimos 12 meses para atualizar o documento a partir de experiências que vem sendo observadas pelos médicos. "É comprovado que a idade reprodutiva da mulher é até os 45 anos. Elevamos para 48 anos e depois de uma discussão exaustiva chegamos aos 50 anos. A partir daí existem riscos para a mulher e para a criança", explicou José Hiran Gallo, coordenador da Câmara Técnica de Reprodução Assistida do CFM. Após os 50 anos, aumentam os casos de hipertensão na gravidez e diabetes. A gestação nessa idade ainda pode provocar, para a criança, nascimento abaixo do peso e o parto pré-maturo. Apesar da definição, os especialistas reconhecem que podem surgir casos em que a regra poderá ser flexionada. "Da mesma forma que, em alguns casos, o médico pode decidir não fazer o procedimento em mulheres mais novas, por considerar que não terão condições de gerar, ele pode também flexionar em casos de mulheres acima de 50 anos, se considerar que elas teriam condições de engravidar", explicou Carlos Vital, vice-presidente do CFM. A idade para doação do óvulo também ficou limitada nos casos de doação compartilhada, ou seja, quando uma mulher que está tentando engravidar doa parte dos seus óvulos para uma mulher mais velha, que não produz mais óvulos, em troca do custeio de parte do tratamento. Os médicos decidiram que a idade máxima para a doação é 35 anos para as mulheres e de 50 para homem que se dispõem a doar sêmen. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Adelino Amaral, a qualidade dos óvulos doados até essa idade é maior e, com isso, as chances da receptora engravidar aumentam. "A partir dos 35 anos, a qualidade do óvulo diminui e o risco de doenças genéticas aumenta", explicou. O número de óvulos e embriões também vai considerar apenas a idade da mulher que está doando. Ou seja, a receptora pode receber até quatro oócitos (células germinativas femininas) e embriões transferidos, considerando que, mulheres com até 35 anos, recebem até dois embriões, as receptoras com idade entre 36 e 39 anos podem receber até três embriões e as mulheres entre 40 e 50 anos recebem o máximo permitido de até quatro embriões. De acordo com especialistas na área, a probabilidade de uma mulher acima de 40 anos engravidar é quase 10%, enquanto que, até os 35 anos, as chances são superiores a 40%. Considerando esses cenários, a limitação reduz as chances da gestação múltipla, ou seja, de mais de um filho, o que poderia significar risco para mulheres mais velhas. "Existe uma demanda muito grande de mulheres de mais de 45 anos ou mulheres mais jovens que não produzem óvulos. Tem mais de 5 mil mulheres aguardando um procedimento como a reprodução assistida, apenas no serviço público de saúde de Brasília", disse Amaral. O custo do procedimento completo varia entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. No sistema público de saúde, o procedimento é feito em apenas cinco unidades da federação. Além do Distrito Federal, a reprodução é feita em hospitais públicos de Goiânia, Natal, Recife e em dois hospitais de São Paulo. De acordo com a SBRA, menos de 5% das fertilizações in vitro são feitas gratuitamente no país. "Tem algumas situações em clínicas que fazem hoje a doação compartilhada, em que a doadora não paga nada e a receptora decide pagar todo o tratamento", disse. A receptora que arca com parte ou o total dos custos do tratamento assume o risco de não poder receber o material, caso a produção seja inferior. Nos casos de doação compartilhada, as clínicas são obrigadas a guardar sigilo sobre a doadora, mas fornecem todos os tipos de informações como estatura, cor dos olhos e dos cabelos, peso, até a escolaridade da doadora, para tentar aproximar aparência física e compatibilidades como a de sangue, evitando problemas no futuro. * Edição: Fábio Massalli. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Carolina Gonçalves, da Agência Brasil
Consuma as cascas para evitar o desperdício de alimentos e melhorar o funcionamento do corpo. Foto: papayafruit/SXC.HU Saúde

3 frutas do outono que podem ser totalmente aproveitadas

[caption id="attachment_86376" align="alignleft" width="300" caption="Consuma as cascas para evitar o desperdício de alimentos e melhorar o funcionamento do corpo. Foto: papayafruit/SXC.HU"][/caption] Vitaminas, sais minerais, fibras, água e antioxidantes – as frutas do outono têm propriedades milagrosas, tanto para a saúde (evitando os resfriados, comuns nesta época do ano), como para a beleza (diminuindo o envelhecimento da pele). Boa parte das cascas destes alimentos também pode ser consumida, principalmente em doces e sucos. Abacaxi Comum em quase todas as épocas do ano, o abacaxi também aparece nos meses que antecedem o inverno. A fruta regula o colesterol, acelera a cicatrização e concentra altas taxas de vitamina C, betacaroteno e minerais. Com as cascas do abacaxi, é possível preparar conservas, doces e também um chá, capaz de melhorar quadros de resfriados, gripes e doenças respiratórias que se alastram mais facilmente nestes meses. Ao preparar a bebida, troque o açúcar pelo mel – além de ser natural, a substância tem mais eficácia no tratamento caseiro das indisposições do sistema respiratório. Mamão A fruta é um milagroso remédio para o sistema digestivo. Muito rico em fibras, o mamão regula o funcionamento do intestino e previne constipações e prisão de ventre. Além disso, devido ao fato de ter altas concentrações de ácido fólico, a fruta ajuda a manter os ossos fortes e previne a osteoporose. De acordo com a revista Health, o mamão ajuda no tratamento da sinusite, pois contém bromelina, uma substância que diminui o muco e a inflamação. Assim como o abacaxi, as cascas do mamão também podem ser aproveitadas no preparo de doces. Goiaba Excelente aliada à prevenção de gripes e resfriados, a goiaba é um dos alimentos que mais concentram vitamina C – superando em quatro a cinco vezes os níveis encontrados na laranja. Além disso, a fruta é uma excelente fonte de fósforo, vitaminas, sais minerais e ferro. Consumir duas ou três goiabas por dia pode ser uma boa saída para quem deseja largar o cigarro – já que os altos níveis de vitamina C neutralizam os efeitos da nicotina. A goiaba tem índices mínimos de gordura, e, por isso, não deve preocupar as pessoas que fazem dietas. Assim como as frutas que o CicloVivo listou, a goiaba pode ser usada em totalidade – suas cascas podem dar origem a sucos e até pudins e biscoitos caseiros. * Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Redação do CicloVivo
A dor intensa há mais de seis meses em idosos é mais comum entre mulheres. Foto: http://fereana.tumblr.com/ Saúde

Dor crônica afeta quase 30% de idosos e prejudica mobilidade

[caption id="attachment_86384" align="alignleft" width="263" caption="A dor intensa há mais de seis meses em idosos é mais comum entre mulheres. Foto: http://fereana.tumblr.com/"][/caption] Aproximadamente 30% das pessoas com mais de 60 anos sente pelo menos uma dor contínua há mais de seis meses. Além disso, segundo a enfermeira Mara Solange Gomes Dellaroza, os locais de queixa mais frequentes são as costas e os membros inferiores. Sob orientação da professora Cibele Andruccioli de Mattos Pimenta, Mara realizou uma pesquisa na Escola de Enfermagem (EE) da USP onde avaliou e caracterizou os idosos que sofrem de dor crônica na cidade de São Paulo. A enfermeira analisou os resultados do estudo Saúde, Bem Estar e Envelhecimento (SABE) relativos ao município de São Paulo, coletado no ano de 2006. O SABE é um estudo epidemiológico de base populacional, conduzido pela Faculdade de Saúde Pública (FSP), também da USP. Na pesquisa, foram entrevistados 1.271 idosos, uma amostra representativa e aleatória correspondente aos 969.560 que viviam no município de São Paulo no ano de 2006 (dados do SABE), já que o estudo sorteou habitantes de todos os distritos da cidade. A porcentagem deles que apresentam dor crônica foi de 29,7%, o que representa em torno de 300 mil idosos em São Paulo. O estudo considerou idosos aqueles com mais de 60 anos e dor crônica aquela que persistia por mais de seis meses. Outros resultados encontrados caracterizam esta população idosa com dor crônica. A maioria dos casos (66,5%) ocorre em mulheres e os afetados têm maior dependência nas atividades da vida diária e menos mobilidade. Isso também é explicado devido os lugares mais frequentes de dor serem a região lombar das costas e os membros inferiores ou as pernas. “Quem tem dor se movimenta menos, sai pouco de casa e consegue fazer o autocuidado com mais dificuldade”, ressalta Cibele. Isso mostra que há impacto financeiro na vida dos idosos com dor, já que, além da procura por serviços de saúde, recorrem mais à ajuda dos familiares. Além disto, Mara percebeu que a renda do idoso relacionou-se com as dores que ele sente. Quase 43% dos pesquisados que apresentavam dor intensa há mais de 6 meses recebiam até 1 salário mínimo mensal. Entre os entrevistados que recebiam mais de três salários mínimos a dor intensa ocorreu em apenas 17%. Não houve diferença estatística no uso dos serviços de saúde entre idosos com e sem dor. Isso é explicado devido à alta incidência de outras comorbidades em idosos, como hipertensão e diabetes, pois estes problemas já os levam a internações médicas. Os entrevistados com dor há mais de dois anos apresentaram chance 33% menor de recorrer ao serviço de saúde do que aqueles que sofrem com a dor crônica entre um e dois anos. Ou seja, quanto mais tempo o idoso sofre com a dor menos ele procura ajuda nos serviços de saúde. A pesquisa considerou usar os serviços de saúde ter tido mais de quatro consultas e/ou no mínimo uma internação no último ano. Quedas Aproximadamente um terço dos idosos com dor crônica (31,6%) havia sofrido queda no último ano, tendo, em sua maioria (58,9%), caído uma vez neste período. Uma parcela significativa (27,6%) caiu três vezes ou mais. O risco de queda se mostrou 50% maior naqueles que apresentavam dor associada à osteoporose e 48% maior nos que tinham também incontinência urinária. Cibele adverte que, “quando um idoso cai, o risco de fratura de cabeça de fêmur, de bacia, quadril, é muito alto e isto significa ficar acamado, passar por cirurgias como a colocação de pinos e isto muitas vezes acaba resultando a morte do idoso”. A pesquisa confirma que o envelhecimento ainda não é um processo saudável, afirma a orientadora. Para mudar esta realidade, os dados analisados no estudo podem orientar o poder público na elaboração de programas de saúde para o município de São Paulo direcionado a população idosa com dores crônicas. A pesquisa resultou na tese de doutorado Idosos com dor crônica, relato de queda e utilização de serviços de saúde: estudo SABE, defendida em junho de 2012 na EE. * Publicado originalmente no site Agência USP. 


por Lara Deus, da Agência USP
sol Saúde

Boa alimentação e exposição adequada ao sol garantem níveis ideais de vitamina ‘D’

Uma alimentação saudável, com leite e derivados, além de uma exposição adequada ao Sol garante os níveis ideais de vitamina ‘D’ ao organismo. Essa vitamina tem a função de aumentar a absorção do cálcio, diminuindo o risco de doenças, como raquitismo, osteomalacia e osteoporose, por exemplo. Além disso, ela diminui o risco de doenças cardíacas, combate a enxaqueca e tensões pré-menstruais. “A vitamina ‘D’ atua como um hormônio, regulando nos níveis de cálcio e fósforo no sangue, ossos e dentes. É importante lembrar que a vitamina D se concentra principalmente na pele e passa por uma ativação através da exposição aos raios UVB ou pelos raios solares, para depois ser hidroxilada no fígado e rins. Por isso, tão importante quanto ingerir alimentos ricos em Vitamina ‘D’ é manter uma exposição solar regular”, explica o nutricionista do Hospital Federal da Lagoa, vinculado ao Ministério da Saúde, Felipe Rizzetto. Segundo o especialista, os indivíduos com maior propensão a desenvolver as doenças relacionadas à falta de vitamina ‘D’ no organismo são os bebês prematuros, as crianças e os idosos. “A falta de Vitamina ‘D’ é mais perceptível em crianças, pois a carência da vitamina pode causar moleira aberta após o 1º ano do bebê. Em crianças acima de dois anos, pode gerar maior irritabilidade, inquietação, anorexia e suor excessivo, raquitismo e pernas tortas. Isso porque, a Vitamina ‘D’ atua diretamente na regulação do cálcio e nos depósitos de tecido ósseo pelo organismo. Na fase adulta, principalmente nos idosos, a queda dessa vitamina pode causar osteoporose e osteomalacia, porque o corpo não consegue absorver o cálcio da maneira adequada e os ossos se tornam mais frágeis”, alerta. A dose diária recomendada de vitamina ‘D’ varia de acordo com a idade e local onde o indivíduo vive, em função da carência de luz solar durante o ano. Em média, um adulto precisa consumir cinco microgramas por dia e garantir uma exposição solar regular, sem o uso de protetor solar. “Um adulto saudável precisa se expor ao Sol, em média, entre 15 e 30 minutos, de 3 a 4 vezes por semana. Os idosos, em geral, devem se expor 10 minutos por dia. Uma dieta balanceada e rica em vitamina ‘D’ é essencial. Ela é facilmente encontrada nos alimentos como sardinha, atum, cogumelos, fígado, salmão, gema do ovo, leites e derivados. Esses alimentos ajudam a controlar os níveis e evitar a carência desta vitamina no organismo”, orienta. Pessoas com intolerância à lactose devem ter cuidados específicos, caso a rotina da pessoa não inclua outros alimentos ricos em vitamina D ou mesmo em cálcio. “O uso do suplemento de vitamina ‘D’ pura é somente indicado para os casos em que o indivíduo não tem uma boa alimentação ou vive em locais muito frios, onde não é possível expor-se ao Sol regularmente. Lembrando que é sempre importante mudar alguns hábitos para evitar o uso de suplementos ou complementos alimentares. A solução mais prática na maioria das vezes não é a mais saudável. Por isso, sempre que possível opte por outros alimentos ricos em vitamina ‘D’”, ressalta o nutricionista. O excesso de protetor solar também influencia na carência da vitamina ‘D’. O protetor diminui a exposição aos raios UVB, responsáveis pela síntese da vitamina na pele. “Em regiões tropicais, basta uma caminhada durante o dia para se receber a radiação suficiente para a síntese da vitamina. O uso do protetor solar é sempre muito importante e não justifica não utilizá-lo por conta da carência da vitamina ‘D’”, explica. A orientação é que a exposição seja feita em pequenas doses. “Recomendo, em dias de praia, ou de passeios ao ar livre, esperar alguns minutos antes de passar o protetor solar para que se tenha uma pequena exposição, de preferências antes das 10 horas, caso esteja no verão. No outono, por exemplo, pode ser em qualquer horário pela manhã. Nos dias úteis, podemos aproveitar o caminho para o trabalho. Para os que usam carro e ficam trancados nos escritórios, aproveitar o horário de almoço para se expor ao solzinho que estiver aparecendo”, finaliza. Sintomas da baixa concentração de vitamina ‘D’ no organismo, segundo o nutricionista: Diminuição do cálcio e do fósforo no sangue; Fraqueza muscular; Moleira aberta após o 1º ano do bebê; Irritabilidade, inquietação, anorexia e suor excessivo podem surgir nas crianças; Osteoporose nos idosos; Raquitismo; Osteomalácea; Pernas tortas.   * Publicado originalmente no site no Blog da Saúde.


por Érica Santos, do Ministério da Saúde
Fórmula da juventude? O estudo indica a possibilidade de atrasar o relógio do envelhecimento em 20%. Foto: Photo12/ AFP Saúde

Idade é coisa da cabeça

[caption id="attachment_86326" align="alignleft" width="300" caption="Fórmula da juventude? O estudo indica a possibilidade de atrasar o relógio do envelhecimento em 20%. Foto: Photo12/ AFP"][/caption] Pesquisadores americanos descobrem conjunto de neurônios que pode afetar a taxa de envelhecimento. Não cansamos de ouvir dizer que a idade está na cabeça das pessoas, e não em suas carteiras de identidade. Um estudo recentemente publicado na prestigiosa revista científica Nature tenta provar que esse ditado é mais do que verdadeiro. Podem ter identificado o centro de controle do envelhecimento. Pesquisadores da faculdade de medicina Albert Einstein, em Nova York, conseguiram manipular a velocidade de envelhecimento de camundongos, em experiências laboratoriais bem controladas. Descobriram que, em uma região minúscula no cérebro dos animais, chamada hipotálamo, existem conjuntos de neurônios que podem afetar a taxa de envelhecimento. Presente nesses neurônios, encontraram uma molécula que parece ter, entre outras funções, o controle dos processos de envelhecimento do corpo. Essa proteína é velha conhecida dos cientistas. Era fortemente correlacionada com inflamações no corpo, e uma resposta a lesões externas. A dica veio exatamente daí. As pessoas, à medida que envelhecem, normalmente apresentam um aumento progressivo no número e na intensidade de processos inflamatórios em diferentes órgãos. Já se tentou utilizar produtos que combatem a inflamação e a lesão de células e tecidos decorrentes desse fenômeno, sem grande sucesso. Exemplos clássicos são os chamados antioxidantes. Podem ajudar, mas seu impacto é geralmente imperceptível. Nesse estudo, por outro lado, os cientistas foram diretamente à fonte dessas alterações inflamatórias, a molécula cerebral presente no hipotálamo, chamada NF-kB. Manipularam as concentrações da NF-kB de duas formas. Em um estudo, conseguiram reduzir o ritmo do envelhecimento dos camundongos de forma significativa e aumentar sua expectativa de vida em 20%. Por outro lado, manipulando a NF-KB no hipotálamo dos animais de forma contrária, observaram uma aceleração da degeneração cardiovascular, neurológica e cognitiva. A força muscular decaiu progressivamente, a pele ficou mais fina e sua capacidade de adquirir novos aprendizados ficou significativamente reduzida. Em outras palavras, os camundongos ficaram rapidamente mais velhos. Os neurocientistas dedicados ao estudo do hipotálamo ficaram muito entusiasmados com esses resultados. Apesar de serem estudos experimentais em camundongos, e a maioria absoluta dos humanos não é rato nem camundongo, a perspectiva que se abre na pesquisa e na identificação de modos de influenciar o funcionamento da NF-kB nas pessoas, quer seja por medicamentos, quer seja por outras vias, é infinita. Não é o caminho da eternidade, mas atrasar o relógio do envelhecimento, nem que seja por meros 20%, parece bastante promissor. E interessante. * Riad Younes é médico, diretor clínio do Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da USP. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Riad Younes*
Monocultura ocupa maior parte do país.Foto: Ricardo Teles, Pulsar Imagens Saúde

Desafios da segurança alimentar no Brasil

[caption id="attachment_85629" align="alignleft" width="300" caption="Monocultura ocupa maior parte do país.Foto: Ricardo Teles, Pulsar Imagens"][/caption] São Paulo. Um novo modelo de produção de alimentos, baseado na agroecologia, sem o uso de sementes transgênicas, agrotóxicos e fertilizantes químicos, em pequenas propriedades familiares, e a regulação do abastecimento e distribuição são os maiores desafios para a segurança alimentar no Brasil. - É inadmissível continuarmos líderes no ranking do consumo de agrotóxicos, financiando esse setor com a isenção de impostos e ainda termos de ouvir declarações como as da senadora Kátia Abreu, da bancada ruralista, de que o pobre precisa comer, sim, comida com agrotóxico porque é mais barato - disse Vanessa Schottz, técnica da ONG Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e secretária executiva do Fórum de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), completando, em seguida: - Em vez disso, precisamos democratizar o acesso à terra, regionalizar a distribuição de alimentos saudáveis e apoiar feiras livres, que permitem que alimentos mais frescos e baratos cheguem à mesa da população. Para discutir esses e outros temas relacionados aos impactos e desafios do atual sistema, integrantes do FBSSAN de todo o país, redes, movimentos sociais e outras instâncias estratégicas vão se reunir em seu sétimo encontro nacional, de 4 a 6 de junho, em Porto Alegre. A programação inclui painéis para discutir a crise alimentar, a dimensão pública do abastecimento, oficinas temáticas sobre agricultura urbana, normas sanitárias para a produção familiar e artesanal, agrotóxicos e transgênicos, além de rodas de conversa para o debate público sobre as dimensões estratégicas de luta pela comida. - Discutir os alimentos que estamos comendo ou não é estratégico. Da mesma maneira que avançamos na construção do marco legal do Direito Humano à Alimentação e no fortalecimento e institucionalização de políticas públicas estratégicas, ainda persistem ameaças a esse direito – disse Vanessa. Em fevereiro de 2010, o alimento foi incluído no rol dos direitos constitucionais pela emenda constitucional 64, fruto de um abaixo-assinado liderado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), com mais de 50 mil assinaturas. Com a aprovação da proposta, a soberania alimentar e nutricional passou a ser um dever do Estado, e não mais política de governo. Outra conquista é a Lei 11.947, de 2009, conhecida como lei da alimentação escolar, que determina a utilização de, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para alimentação escolar, na compra de produtos da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações. Têm prioridade os assentamentos de reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas. A compra dos alimentos deve ser feita, sempre que possível, no mesmo município das escolas. Segundo o Fórum, o modelo de abastecimento e distribuição de alimentos, cada vez mais controlado pelo agronegócio, pela indústria e cadeia de supermercados, acelera o processo de ‘commoditização’ e artificialização dos alimentos, de empobrecimento da base alimentar e no aumento do preço dos alimentos. Vanessa lembra um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) segundo o qual, apesar de toda a diversidade vegetal brasileira, a base da alimentação está em três alimentos: trigo, soja e milho. - Todos são produzidos de maneira mecanizada, em grandes extensões de terra, no sistema de monocultura, com uso de agrotóxicos, e entram na industrialização da maioria dos alimentos consumidos. Outras grandes questões, segundo ela, é se há uma crise alimentar ou é o próprio sistema alimentar que está em crise; quais são as causas principais, de que maneira essa crise se expressa no Brasil, se as políticas públicas respondem ou não aos desafios impostos por esse sistema. - É muito importante que a sociedade civil entenda, debata e critique os impactos do atual sistema alimentar sobre a soberania e segurança alimentar da população brasileira – disse. Neste mês, estão sendo realizadas as etapas estaduais, como a de Goiás, que ocorreu no último final de semana. Na avaliação da professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Goiás e presidenta do Conselho de Segurança Alimentar daquele estado, Dulce Cunha, o Brasil avançou muito no combate à fome. Mas ressalvou: - Ainda existem bolsões de pobreza onde há pessoas sem acesso à qualidade diária mínima de nutrientes. E também não avançamos no sentido de garantir a alimentação como um direito humano. Basta ver que o Brasil é o que mais consome agrotóxicos ao mesmo tempo em que a obesidade infantil vem aumentando muito – disse. Segundo ela, é necessário uma leitura crítica do sistema de produção e abastecimento, bem como pensar estratégias para assegurar a soberania alimentar nacional do Brasil. - A ideia é ir além da garantia de acesso de todos ao alimento. A alimentação tem de ser entendida como um direito humano, assegurando que as pessoas tenham alimentos de qualidade produzidos sem venenos e que respeitem os hábitos alimentares regionais e a idade dos indivíduos. O Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) foi criado em 1998. Reúne organizações, redes, movimentos sociais, instituições de pesquisa, profissionais da saúde, nutrição, direitos humanos, agroecologia, agricultura familiar, economia solidária e de educação popular na luta pelo Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e pela soberania alimentar. * Publicado originalmente na Rede Brasil Atual e retirado do site Canal Ibase.


por Cida de Oliveira e Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual

Página 2 de 10112345...102030...Última »
Para enviar sua dica ou opinião, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Dica/Opinião

agenda

dica de
sustentabilidade

anterior | próxima
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
Imagem do dia

Filhote de panda brinca com a mãe em centro de reprodução na China. Instituição de pesquisa de Chengdu tenta salvar espécie da extinção.

Imagem do dia

Falta de lixo em Oslo, Noruega, pode comprometer geração de eletricidade. Pouca produção de resíduos de outros países pode afetar usinas.

Imagem do dia

Derretimento de geleiras não-polares causa 30% da elevação do mar. Dado foi apresentado em estudo na revista ‘Science’.

Imagem do dia

Austrália quer proibir fertilização do oceano com sulfato de ferro. Método reduziria acidificação e combateria efeitos da mudança do clima.

sobras_comida-300x202

Já pensou em vender ou comprar sobras de comida através da internet? Esta é a ideia da plataforma virtual Shareyourmeal, uma forma interativa de combater o desperdício de alimentos. Saiba mais aqui.

Imagem do dia

CET de São Paulo abres inscrições para o curso “Pedalar com Segurança”. Saiba mais.

vazamento

Cerca de 62% dos acidentes da exploração de petróleo offshore aconteceram em plataformas com mais de trinta anos. Novo site do Greenpeace vai monitorar ocorrências no pré-sal.

Imagem do dia

Unesco critica Austrália por riscos ambientais na Grande Barreira de Coral

imagem do dia

Estudo calcula benefícios de árvores urbanas dos Estados Unidos. Parques absorvem carbono emitido e poupam US$ 1,5 bilhão por ano.

800px-Anavilhanas1

Países amazônicos criam órgão de defesa e pesquisa para proteger a floresta, que será responsável pela gestão sustentável dos recursos da floresta