Cinco destaques do novo estudo do câncer de mama

Câncer

Cinco destaques do novo estudo do câncer de mama


por Redação do The Daily Beast


[caption id="attachment_66750" align="alignleft" width="341" caption="Câncer de mama: novo estudo deve aprimorar tratamento. Reprodução/Internet"][/caption] Nova pesquisa genética descobriu quatro tipos distintos de câncer de mama, possivelmente abrindo a porta para tratamentos mais eficazes. Um dos autores de um amplo estudo genético sobre o câncer de mama publicado neste último domingo, 23, na revista Nature afirmou que as descobertas  são  ’comparáveis, no que diz respeito ao estudo do câncer, a colocar um homem ou uma mulher na Lua”. O estudo é a primeira ampla análise genética do câncer de mama, que mata 35 mil mulheres ao ano nos Estados Unidos e quase 12 mil no Brasil. Veja cinco coisas que você deve saber sobre este novo estudo. O propósito do estudo Parte de um grande projeto do governo norte-americano conhecido como Atlas do Genoma do Câncer, destinado a mapear mudanças genéticas em cânceres comuns, o estudo se concentrou nos tipos mais comuns de câncer de mama e nos cânceres que ainda não haviam se espalhado para outras partes do corpo, buscando com particular atenção identificar alterações genéticas no processo. De acordo com o diretor do projeto, Brad Ozenberger, em entrevista ao New York Times, enquanto estudos semelhantes foram publicados recentemente sobre cânceres de pulmão e cólon, nunca houve um projeto tão extenso que estudasse o genoma do câncer de mama. A descoberta de quatro tipos de câncer de mama Pesquisadores analisaram tumores em 825 pacientes e descobriram que a maioria deles são causados pela mutação de 30 a 50 genes, levando-os a identificar quatro tipos diferentes de câncer de mama, cada um com características genéticas únicas. Essa divisão foi feita com base em dados genéticos, que identificaram novos caminhos de atuação do tumor, possibilitando aos pesquisadores novos alvos para combater a doença. Onde está a boa notícia? Há muitos resultados promissores e é difícil prever qual deles irá se tornar mais útil no futuro, mas um ponto chave é a identificação do tipo de câncer que afeta 10 a 15% das pacientes com câncer de mama, principalmente jovens e negras. Os pesquisadores também descobriram que este é o tipo que mais se assemelha ao câncer de ovário e de pulmão: “Isso levanta a possibilidade de que pode haver uma causa comum”, disse o Dr. James Ingle, um dos 348 autores do estudo, e consequentemente, um tratamento comum. Uma nova perspectiva no tratamento Atualmente, a maioria dos casos desses cânceres são tratados com medicamentos chamados antraciclinas que podem sobrecarregar o coração e até mesmo causar leucemia. Mas agora que os investigadores identificaram uma ligação com o câncer de ovário e de pulmão, um tratamento de quimioterapia menos tóxico será utilizado. “Estamos realmente chegando às raízes desses cânceres”, disse o Dr. Charles Perou, o principal autor do estudo. Tempo e estudo Embora os resultados do estudo representem um progresso importante na pesquisa do câncer de mama, um roteiro de como curar o câncer de mama terá que esperar alguns anos e novos ensaios clínicos. Só então os cientistas terão evidências mais claras sobre quais drogas bloqueiam as mutações genéticas e quais podem ser efetivamente usadas para curar os diferentes tipos de câncer. * Publicado originalmente no site The Daily Beast e retirado do site Opinião e Notícia.

s2 Alimentação

O poder das cores dos alimentos

Quanto mais colorida sua alimentação, melhor para a sua saúde. Você já deve ter ouvido isso alguma vez. Mas será que isso é verdade? “Sim, a informação está corretíssima. A alimentação ‘colorida’ diminui em muito as chances de uma deficiência alimentar. Mas é bom lembrar que estamos falando de alimentos que não sejam industrializados. O ideal é o mínimo de 5 porções de frutas, legumes e verduras diariamente, de preferência de cores variadas”, confirma Ludimila Eler, nutricionista da área de Check-up do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Para facilitar a escolha desses alimentos a especialista montou um roteiro de cores dos alimentos e as suas propriedades para a saúde. Alimentos roxos Amoras, framboesas, jabuticaba e repolho roxo são ricos em polifenóis, uma espécie de antioxidante que protege as células do organismo contra sua degradação natural e age diminuindo o ritmo do envelhecimento. Alimentos vermelhos Uvas, que dependendo do tipo também são mais puxados pro roxo (e contêm as características indicadas acima) são consideradas alimentos do tipo vermelho. Ricas em resveratrol, elas ajudam a diminuir o colesterol ruim e ajudam a melhorar a circulação sanguínea. Morangos, tomates, pimentão vermelho, romã, goiaba vermelha são outros tipos de alimentos ricos em licopeno. No homem esse tipo de substância protege contra o câncer de próstata. Nas mulheres diminui o risco de desenvolver o câncer de colo de útero. “Associadas a algum tipo de gordura – como o azeite em saladas ou então ingeridos junto com derivados do leite na sua versão regular, por exemplo – elas têm o poder do licopeno potencializado”, diz Eler. Alimentos alaranjados Laranja, tangerina e outras frutas cítricas são ricas em vitamina C e antioxidantes. Ajudam na manutenção do sistema imunológico. E de acordo com uma pesquisa brasileira podem também ajudar no combate ao colesterol (veja AQUI). Alimentos verdes Ricos em clorofila, ajudam a desintoxicar o corpo, além de hidratarem (uma ótima pedida para os dias mais quentes e secos). “Associados a alimentos ricos em fósforo e ferro – como o alho, comum em diversas receitas – são benéficos para o sangue também”, indica a nutricionista. Alimentos brancos Nessa lista estão o alho, a banana e a maçã (lembrando que a polpa dessas frutas é esbranquiçada), a couve-flor, o nabo e a pinha. Todos esses alimentos são ricos em potássio, importante para o funcionamento dos músculos, incluindo o coração. Além disso são ricos em vitaminas do complexo B, que combate os sintomas da depressão. O alho também contêm cálcio, bom para os ossos e é um ótimo antibiótico natural. Alimentos marrons Castanhas, nozes, feijão e cereais integrais, como a aveia, são ótimos antioxidantes e contêm selênio, que ameniza a TPM. As castanhas e as nozes ainda contêm gorduras que ajudam no controle do colesterol ruim. No caso dos cereais integrais há ainda o zinco e o cromo, que também contribuem para deixar a TPM mais leve e também são recomendados para mulheres na idade de menopausa. Já o feijão também contêm magnésio e potássio. Alimentos pretos Ou seriam bebidas? Não importa, pois o café e o chá preto são ótimos estimulantes para o sistema nervoso e contêm altos níveis de antioxidantes. “Só não são indicados para pessoas ansiosas, que sofram de insônia ou aquelas com problemas estomacais. Como são ácidos podem piorar o quadro de gastrite, por exemplo”, alerta Eler. Com tantas opções de todas as cores fica fácil montar um cardápio “arco-íris” e se alimentar melhor focando na sua saúde, não? * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Enio Rodrigo, do O que eu tenho
Mulheres rarámuris fogem da fome e lutam para sobreviver. Foto: racismoambiental. Aborto

Indígenas mexicanas sem acesso ao aborto legal

[caption id="attachment_66742" align="alignleft" width="315" caption="Mulheres rarámuris fogem da fome e lutam para sobreviver. Foto: racismoambiental."][/caption] San Cristóbal de las Casas, México, 27/9/2012 – A pobreza em que viverão suas filhas ou seus filhos é uma razão pela qual as indígenas do Estado mexicano de Chiapas, no sul, buscam interromper a gravidez. O atraso econômico e social em que vivem as mulheres indígenas repercute de maneira negativa no exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos, os DSeR, explicam ativistas dos direitos das mulheres no Estado. Elas desconhecem que têm direito a praticar um aborto legal e diante da falta de infraestrutura médica em suas comunidades, ou dos maus-tratos por parte do pessoal da saúde, recorrem à medicina tradicional ou interrompem a gravidez em lugares inseguros, colocando suas vidas em risco. A situação se complica quando 17 dos 32 Estados mexicanos reformaram suas constituições para “proteger a vida desde a concepção-fecundação”, o que derivou na restrição das causas legais de aborto e na criminalização das mulheres que o praticam. Isto ocorreu como reação promovida pela Igreja Católica e por setores políticos e sociais conservadores à aprovação no Distrito Federal de uma lei que desde 2007 despenaliza a interrupção voluntária da gravidez até 12 semanas de gestação. No dia 28 é celebrado o Dia pela Despenalização do Aborto na América Latina e no Caribe, que acontece desde 1990 como um acordo do Quinto Encontro Feminista da América Latina e do Caribe. O objetivo é impulsionar ações para que as mulheres tenham acesso a abortos legais e seguros. Segundo o Grupo de Informação em Reprodução Escolhida, nas entidades do sul do país – onde há mais população indígena –, 25 a cada mil mulheres têm um aborto induzido. Chiapas é claro exemplo da marginalização e da falta de direitos que sofrem as indígenas. Alejandro Rivera, do Coletivo Integral para a Família, contou que as mulheres rurais e indígenas na entidade contam com informação muito limitada sobre DSeR, bem como acesso restringido aos serviços de saúde. “Se elas procuram os serviços de saúde, há estigma e discriminação por sua condição de indígena, mulher e jovem”, acrescentou. O Conselho Estatal de População informa que quase metade dos adolescentes de Chiapas (43,7%) vive em áreas rurais, onde pouco ou nada se conhece sobre o uso de anticoncepcionais. Na entidade, somente 5% da população usa camisinha. A Pesquisa Nacional da Dinâmica Demográfica 2009 indica que, do total de mulheres com 15 anos ou mais no Estado, 71% têm pelo menos um filho nascido vivo. Há regiões que colocam Chiapas com a taxa de fertilidade mais alta do país, com 4,6 filhos. Ao mesmo tempo, em dez anos, a morte materna não diminuiu de modo significativo, enquanto a taxa de gravidez na adolescência aumentou. Para praticar um aborto as mulheres indígenas, pobres e marginalizadas de Chiapas recorrem às ervas ou aos conselhos de suas conhecidas. No México, a interrupção da gravidez é legal sob três condições: violação, risco de morte da mulher e más formações congênitas graves. Contudo, Chiapas é um dos 17 Estados que “protegem a vida” em suas constituições regionais. O Centro de Direitos da Mulher indica que 88 em cada cem habitantes do Estado vivem em alta e muito alta marginalização. As mulheres indígenas e rurais são as mais afetadas, já que têm altos índices de analfabetismo e desigualdade nos acessos aos serviços básicos de saúde, educação e direito à propriedade. Olivia Velázquez, ativista e defensora dos DSeR, afirmou que o tema do aborto nas comunidades indígenas se aborda “com muita naturalidade”, acrescentando que “as mulheres falam de ações para acabar com a menstruação, sobretudo aquelas que já tiveram mais de três filhos e têm jornada extenuante de trabalho. Até há alguns anos, era comum as jovens recém-casadas ou amigadas buscarem um aborto”. A indígena Martina Sántiz é uma das mulheres marginalizadas que tentaram abortar diante de uma gravidez indesejada. Moradora em Peña María, perto de San Cristóbal de las Casas, acaba de ter seu sexto filho. Os cinco primeiros são de seu ex-marido, que está preso por homicídio. Sántiz iniciou uma nova relação e teve uma gravidez não desejada. “Não tomava pílula nem nada, porque na minha comunidade não tomamos pílula, mas também não é visto com bons olhos pedir para os homens usarem camisinha. Não queria ter outro filho porque teria que deixar meu trabalho, com o qual pago meu quarto”, contou. Esta mulher, de 29 anos, dedicada ao trabalho da casa ou à venda de plantas como o cacto, decidiu recorrer ao aborto, por isso procurou uma vendedora de ervas que lhe deu três chás e massagens. Mas não surtiram efeito, porque já estava grávida de quatro meses. Ao completar os sete meses, Martina deixou de trabalhar e colocou para trabalhar quatro de seus filhos pequenos, para que ajudassem no aluguel e na comida. Teve que pedir emprestado para pagar a parteira de sua comunidade. Em agosto passado nasceu seu sexto filho. Envolverde/IPS * Este artigo foi publicado originalmente pela agência mexicana de Notícias de Comunicação e Informação da Mulher AC, Cimac.


por Patricia Chandomí, da IPS/Cimac*
s1 Entrevista

“Exploração do pré-sal exige investimentos em segurança”, diz John Amos

Presidente da ONG SkyTruth e um dos palestrantes do VII CBUC recomenda que governos, empresas e cientistas aprofundem suas políticas e estudos para fazer diagnóstico e definir ações mais corretas que possam ser executadas em casos de acidente. O geólogo norte-americano John Amos, presidente da organização não governamental SkyTruth, disse que governo e empresas devem manter em dia seus planos de inspeção e de execução para informar a sociedade, com transparência, sobre os avanços da exploração dos campos de petróleo e do pré-sal, tecnologias adotadas e mapas de contenção caso ocorram vazamentos. “Isso requer do governo e da indústria investimentos significativos de recursos e o compromisso com a segurança”, alertou Amos, um dos primeiros a mapear a extensão do vazamento de óleo ocorrido no ano passado na bacia de Campos (RJ) Ele foi um dos palestrantes do VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que acontece em Natal até a próxima quinta-feira, dia 27. O CBUC é realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O alerta de Amos, entretanto, não serve somente para governo e empresas que exploram petróleo e seus derivados. Segundo ele, os cientistas também têm que aprofundar seus estudos e técnicas para identificar qual o melhor plano de ação a ser usado em casos de vazamento. “No Golfo do México, em 2010, o vazamento estava ocorrendo no fundo do mar, a 1.524 metros (5000 pés) abaixo da superfície, e agimos borrifando dispersantes químicos dentro da nuvem de óleo e na mancha de óleo na superfície. Isso fez com que muito do óleo afundasse na água, que acabou sendo transportada de forma imprevisível pelas correntes marinhas”, disse. Essa ação, de acordo com Amos, acabou sendo criticada porque o vazamento de óleo acabou sendo mais tóxico e afetou as pessoas e a vida marinha numa extensão maior. “Cientistas ainda estão estudando esses impactos”, afirmou. Amos fez ressalvas à exploração do pré-sal brasileiro e também do subsal, porque considera ambas as técnicas desafiadoras – geralmente acontecem em águas profundas e os poços são mais difíceis de perfurar com sucesso. “O óleo e o gás desses poços estão sob maior pressão e qualquer problema ou falha no design e construção de um desses poços pode resultar em sérios problemas, como explosão”, ressaltou. No VII CBUC, Amos abordou o tema “Possíveis impactos com a exploração de petróleo no pré-sal brasileiro e águas profundas e recentes incidentes internacionais” dentro do painel “A relação das mudanças climáticas globais, perda de biodiversidade e as recentes catástrofes ambientais”. Confira a entrevista concedida por Amos à Fundação Grupo Boticário. 1- Quais as áreas em águas profundas que hoje em dia estão em risco devido à exploração de petróleo no Brasil? No Brasil, a expectativa é que a maior atividade em alto mar continue a se concentrar nas bacias de Campos e Santos, nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. A atividade de exploração em águas profundas nessas áreas irá cada vez mais apontar a complexidade e desafios tecnológicos que o subsal e o pré-sal trazem ao longo da faixa leste, em águas profundas nas margens dessas bacias. Mas as plataformas de perfuração também atuaram no ano passado nas águas profundas da bacia do Espírito Santo, e próximo à costa do Sergipe e da Bahia onde a plataforma continental é muito estreita. Algumas plataformas têm também operado em águas rasas nos estados do Amapá, Maranhão, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. 2- Qual impacto que essa exploração pode trazer à biodiversidade? Por ser geólogo, e não biólogo, não conseguirei responder a essa pergunta. Porém, posso dizer que nossos estudos no Golfo do México mostram que pequenos vazamentos e derramamentos de óleo são comuns.  O intenso desenvolvimento da costa é necessário para apoiar as atividades em alto mar, mas esse desenvolvimento traz consigo atividades impactantes como o processamento de óleo e gás, armazenamento e meios de transporte, que alteram radicalmente o meio ambiente devido à destruição direta e à degradação indireta do habitat. Se levarmos em consideração a área atual de exploração no Brasil, entre as regiões do Rio de Janeiro e São Paulo, estimamos que as unidades de conservação localizadas num raio de 1.000 quilômetros correm risco. 3- Quais os desafios da exploração em águas profundas? A exploração do pré-sal e do subsal é tecnicamente desafiadora. Acontece geralmente em águas profundas, e os poços são mais difíceis de serem perfurados com sucesso. Há grande risco financeiro e grande risco de segurança. Como vimos no Golfo do México, os problemas são mais difíceis e demoram muito mais tempo para serem consertados quando acontecem em águas muito profundas. Além disso, os poços de subsal são perfurados milhares de metros mais abaixo da terra do que os de pré-sal, então o óleo e o gás desses poços estão sob maior pressão e, portanto, são mais difíceis de serem controlados: qualquer problema ou falha no design e na construção de um poço de subsal é mais provável de resultar em sérios problemas, como uma explosão, do que em poços de pós-sal mais rasos e com menor pressão. 4- Quais regiões podem ser afetadas em caso de acidente? É muito difícil de prever qual área seria afetada caso acontecesse um derramamento muito grande de óleo. Depende muito de onde o problema está localizado, das ações que as correntes de ar e marítimas fazem e de como agimos diante de um vazamento. No Golfo do México em 2010, o vazamento estava ocorrendo no fundo do mar, 1.524 metros (5.000 pés) abaixo da superfície, e agimos borrifando dispersantes químicos dentro da nuvem de óleo e na mancha de óleo na superfície. Isso fez com que muito do óleo afundasse na água, que acabou sendo transportada de forma imprevisível pelas correntes marinhas. Muitas pessoas criticaram essa abordagem, alegando que isso fez com que o vazamento de óleo fosse muito mais tóxico e prejudicial às pessoas, frutos do mar e vida marinha. Os cientistas ainda estão estudando isso. Por fim, pessoas e negócios ao redor de todo o país podem ter sido afetados. O comércio de frutos do mar embalados na Virginia, a 1,2 mil quilômetros (800 milhas) do Golfo do México, foi financeiramente afetado pelo vazamento ocorrido. 5- Como proteger as áreas destes impactos se boa parte dessa exploração é feita pelo Governo? Como prevenir a ocorrência de acidentes nessas áreas? A melhor solução é usar menos petróleo, pois assim precisamos escavar menos. A próxima coisa a se fazer é ter certeza de que as regulamentações do governo, inspeções e ações de execução sejam dignas de confiança, publicamente transparentes e acompanhem os avanços globais mais recentes em exploração, resposta aos acidentes e tecnologia para a limpeza de vazamentos de óleo. Isso requer do governo e da indústria um investimento significativo e sustentado de recursos e o compromisso com a segurança. Nós também precisamos executar trabalhos científicos a fim de saber a melhor forma de agir quando os vazamentos acontecerem. Será mesmo uma boa ideia usar dispersantes químicos? Se assim for, em quais condições? Existe uma nova tecnologia de limpeza que mostre garantia e que deveria ser desenvolvida?


por Redação da Fundação Grupo Boticário
s9 Reflexão

Envolvimento emocional com pacientes terminais pode ser enriquecedor

Brasília - O cotidiano de quem lida com pacientes terminais mostra que um certo envolvimento emocional dos profissionais é fundamental para um fim de vida tranquilo. E não é só para o paciente que esse envolvimento faz bem. Anelise Pulschen, médica coordenadora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Apoio do Distrito Federal, conta que na sua unidade de trabalho há envolvimento com todos os pacientes. “Cada profissional do seu jeitinho. Podemos chorar com eles, rir com eles, comemorar, vibrar, ficar junto com a família. A gente fica muito junto da família, às vezes até mais do que com o próprio paciente”. Ela recorda que certa vez houve uma “força-tarefa” dos profissionais da unidade para encontrar a família de uma paciente branca, de pouco mais de 30 anos, que havia uns anos tinha fugido de casa porque sua família não aceitou seu relacionamento com um rapaz negro. “Ele a colocou em cima de um cavalo e os dois fugiram juntos. Tempos depois, já com dois filhos, ela estava internada aqui, muito debilitada por um câncer que começou na mama, atingiu os ossos, sem conseguir andar, e triste por não mais ter visto sua família e não ter tido um casamento com tudo que a noiva tem direito”. Anelise relembra: “Toda a equipe se envolveu muito com a organização do casamento dessa paciente, que teve direito a vestido de noiva, capela, padre, juíza, damas de honra e toda a família da noiva unida”. Como os profissionais já suspeitavam, pouco mais de uma semana depois do casamento, a paciente morreu. Histórias como essa, de casamentos, aniversários, passeios, perdões e redenções são vividas diariamente pelos profissionais de cuidados paliativos, que têm a missão de trazer alento para os últimos dias dos seus pacientes. O enfermeiro Renato Rodrigues, da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Apoio do Distrito Federal, conta que esse envolvimento não significa um peso levado para casa. ”Existem aqueles pacientes que nos cativam. A gente leva 'pra' casa, mas não como um peso ou uma preocupação dolorosa. Você leva pra casa como a lembrança de uma pessoa que você quer bem e naquele momento está passando por dificuldades. Muitas vezes eu tenho insights em casa, às vezes à noite lembro do fulano e tenho alguma solução pra resolver determinada situação que, antes, eu não soube resolver”, conta Renato. De fato é o que se pode ver na Unidade de Cuidados Paliativos do Distrito Federal. Na entrada do corredor que dá acesso aos quartos está exposto um mural com fotos de pacientes que tiveram seus últimos dias em paz e felizes. Lá não existem dietas ou restrições quanto a visitas, e as vontades dos pacientes são ouvidas e, sempre que possível, atendidas. * Edição: José Romildo ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Aline Leal, da Agência Brasil
bancodeleite Inter Press Service - Reportagens

Bancos de leite humano, do Brasil para o mundo

[caption id="attachment_66621" align="alignleft" width="261" caption="O leite materno é vital para bebês como este, que nasceu com apenas 500 gramas. Foto: Manipadma Jena/IPS"][/caption] Rio de Janeiro, Brasil, 26/9/2012 – Cíntia Rose Regis, de 23 anos, está amamentando sua filha Zelda, de 16 meses. Contudo, há um ano doa parte de seu leite. E semanalmente entrega cerca de 600 mililitros. Foi seu pediatra que sugeriu que o fizesse. “Enquanto minha filha continuar mamando e estimulando minha produção de leite, continuarei doando”, afirmou. “Nunca vi os bebês prematuros que recebem o leite, mas só de saber que posso salvar alguns estou gratificada”, disse Cíntia à IPS. “É uma questão de consciência. Se tenho e posso tirar, por que não doar?”, acrescentou emocionada. Para ela, este ato é um exemplo que vale a pena. Se tiver um segundo filho voltará a ceder parte de seu leite a outros bebês, garantiu. Qualquer mulher que produza um volume de alimento superior ao que seu filho consome pode doar o excedente. E o Brasil tem infraestrutura para que este ato privado de solidariedade ganhe impacto social e sanitário: uma rede nacional de bancos de leite humano. O país está se convertendo em referência internacional na matéria, e exporta para 23 países técnicas de baixo custo para implantar bancos de leite humano, uma ferramenta eficaz para combater a mortalidade infantil associada à falta de um alimento insubstituível. A partir da iniciativa brasileira, há 238 bancos que incentivam e recebem doações em vários países da América Latina, na península ibérica e inclusive na África. Desses, 210 estão distribuídos em todos os Estados do Brasil, onde, neste ano já foram coletados mais de 97 mil litros de 86 mil doadoras, que alimentaram 108 mil bebês. No ano passado, foram recebidos mais de 165 mil litros doados por 166 mil mães, que dessa forma ajudaram quase 170 mil crianças. A lei brasileira exige apenas que a doadora seja saudável e não tome medicamentos. As diretrizes incluem recomendações simples de higiene pessoal e do entorno, como escolher um lugar tranquilo, limpo e afastado de animais, manter as mãos limpas, empregar um recipiente esterilizado e conservar o leite no congelador. O alimento doado a um banco de leite passa por um processo de seleção, classificação e pasteurização e depois é distribuído, “com qualidade certificada”, aos bebês internados em unidades neonatais. Este país de 192 milhões de habitantes “construiu a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo”, disse à IPS o especialista João Arpígio Guerra de Almeida, coordenador da Rede Brasileira e Ibero-Americana de Bancos de Leite Humano. “Não trabalhamos apenas na coleta e distribuição. Temos casas de apoio à amamentação, mecanismos de controle de qualidade, indicadores nutricionais, monitoramento e consultoria”, acrescentou. Diversos governos apostaram neste esforço por quase 30 anos, por meio de pesquisas da estatal Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, em 1985, instalou o primeiro centro latino-americano de pesquisa sobre leite humano, para entender as características biológicas, físico-químicas e imunológicas deste alimento. “Notamos que esse trabalho podia se transformar em uma grande estratégia sanitária para promover condições que permitissem reduzir os absurdos índices de mortalidade que tínhamos no Brasil”, afirmou Almeida, pesquisador da Fiocruz. “Eram números alarmantes, muito superiores à média mundial”, ressaltou. A partir da década de 1990, o país conseguiu reduzir em 73% as mortes infantis, e este ano alcançou a meta fixada nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: reduzir em dois terços a mortalidade de menores de cinco anos até 2015, a partir de dados de 1990. “Por nosso trabalho, a Organização Mundial da Saúde reconheceu o Brasil como o país que mais contribuiu para a queda desse indicador”, acrescentou Almeida. Antes deste esforço “éramos totalmente dependentes do Hemisfério Norte. Para processar o leite devíamos importar equipamentos da Europa e dos Estados Unidos, que custavam na época cerca de US$ 35 mil”, recordou. A cooperação internacional começou em 2007. Hoje, países como Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai já contam com infraestrutura para captar e distribuir doações de leite materno. “Apoiamos e assessoramos na implantação destes bancos e treinamos profissionais”, disse Almeida. Ao ampliar-se a iniciativa no âmbito ibero-americano, Portugal e Espanha entraram no circuito e se beneficiaram de uma incomum transferência de tecnologia Sul-Norte. A criação de bancos de leite “se internacionalizou e, em 2007, os presidentes dos países ibero-americanos decidiram convertê-la em uma ação intergovernamental”, destacou Almeida. Assim, na cúpula realizada naquele ano, em Santiago, foi criado o programa ibero-americano de bancos de leite humano. O primeiro banco espanhol foi instalado em Madri. E em Portugal a maternidade lisboeta Dr. Alfredo da Costa recebeu uma instalação similar em 2008. O primeiro país africano a adotar este sistema foi Cabo Verde, cujo banco de leite começou a funcionar em agosto do ano passado. Missões da Fiocruz estiveram em Moçambique e Angola em 2010 e 2011, onde já há projetos em fase de implantação. Todo este esforço aponta para a vontade de doar. O Brasil promove a adoção do dia 19 de maio como Dia Mundial da Doação de Leite Materno. “Foi nesse dia, em 2005, que aqui foi assinado o primeiro acordo, firmado por 13 países e organizações internacionais, para criar uma rede de bancos de leite”, enfatizou Almeida. No Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) é a unidade da Fiocruz especializada em atenção neonatal e recepção de leite. Rosane Xavier, de 35 anos, enfermeira que trabalha no laboratório pré-natal do IFF, estimula as mães a amamentarem e, se puderem, doar leite. Ela mesma amamenta seu primeiro filho, de dois anos e dois meses, e é doadora. “Quando a produção de leite é abundante, convido a mãe a doar. É preciso entender a importância deste alimento para os bebês prematuros”, contou à IPS. Rosane assegura que doar algo tão pessoal como o leite materno traz benefícios às duas partes. Para a mulher, a vantagem consiste em retirar o leite em excesso, que pode causar vários problemas se ficar acumulado. Para o bebê receptor, implica menos enfermidades e melhor crescimento. “Quando um bebê não é amamentado, não se desenvolve com a mesma qualidade daquele que recebe o leite materno”, explicou a enfermeira. Com o leite materno “há maior desenvolvimento mental, da fala, da dentição e da imunidade”, acrescentou. Envolverde/IPS


por Fabíola Ortiz, da IPS
sa9 Artigo

Mobilidade urbana, vamos “de a pé”

Nos 28 artigos da Política Nacional de Mobilidade Urbana, sancionada em 3 de janeiro deste ano, não existem referencias às palavras “Pedestre”  ou “Calçadas”. Ou seja, caminhar não é uma modalidade de mobilidade reconhecida. Em 22 de setembro comemora-se o Dia Mundial sem Carro, uma iniciativa para estimular as pessoa a repensarem a (i)mobilidade urbana.  No entanto, a queixa principal dos que se recusam a abandonar o carro é a “falta de transporte público de qualidade”, esgrimida até mesmo por quem sequer sabe por qual porta se entra em um ônibus. Deixar o carro em casa é uma necessidade para a melhoria na mobilidade. Isso significa ampliar o número de pessoas caminhando pelas calçadas das cidades, seja para dirigirem-se aos pontos do transporte público, ou para chegarem aos destinos finais sem a utilização de transporte motorizado. Uma pergunta ainda sem resposta é como seria possível melhorar a mobilidade urbana sem investimento em calçadas e equipamentos públicos que permitam o caminhar seguro de pedestres? O ex-prefeito de Bogotá, capital da Colômbia, cunhou uma frase excelente: “cidade avançada não é aquela onde os pobres andam de carro, mas sim aquela onde os ricos andam no transporte público”. Não é fácil, mas é possível e apenas assim as cidades podem ter mobilidade sustentável, aquela que inclui pedestres, ciclistas, passageiros de ônibus, metrô, trem e taxis, além dos carros em trajetos necessários e urgentes.  A construção de “Caminhos Urbanos” para caminhantes, espaços com padronização de piso, iluminação, segurança, sombreamento, água potável e outros confortos para os cidadãos pode ser uma forma de estimular as pessoas a deixarem os carros em casa. As cidades precisam tornar-se mais amigáveis para caminhantes, aquelas pessoas que optam por uma mobilidade mais saudável e que contribuem para a qualidade de vida da sociedade onde estão inseridas. A mobilidade urbana deveria ser vista como um direito coletivo e o uso de automóveis no cotidiano dos trajetos casa-trabalho-casa-escola deve ser desestimulado. Em tempos de eleição para prefeitos os projetos e modelos de mobilidade urbana deveriam estar no centro da pauta das campanhas. É possível reverter a tendência de agravamento dos congestionamentos nas cidades. Em São Paulo, por exemplo, há dados que apontam uma perda de tempo de até 3 horas por dia em trajetos casa-trabalho-casa feitos de automóvel, e até 5 horas por dia em transportes públicos de baixa qualidade. São números impossíveis de serem mantidos ou aumentados sem o colapso da estrutura econômica da cidade. Pesquisa feita Secretaria estadual de Transportes mostra que os congestionamentos já custam perto de R$ 5 bilhões ao ano para a cidade. Portanto, esse é um número que deveria ser  levado em conta na hora de planejar a mobilidade. Caminhar pela cidade é um direito de todos, mas as prefeituras não assumem esse direito, privatizando a obrigação de cuidar das calçadas. Sem obedecer a padrões de qualidade, de segurança e de materiais, as calçadas tornam-se obstáculos à mobilidade urbana sustentável. Se uma rua tem um buraco logo a mídia do cotidiano, rádios, TVs e jornais alertam e cobram da prefeitura “providências urgentes”. Se uma calçada tem um buraco, um desnível intransponível ou uma inconformidade qualquer, a queixa é individual, do cidadão/caminhante e perde-se em um labirinto burocrático que pode simplesmente fazer desaparecer a demanda. Existem dados preocupantes em relação aos desequilíbrios entre o uso do espaço urbano e dos recursos públicos entre a mobilidade em automóveis e a mobilidade não motorizada, ou seja, pedestres e ciclistas. Sendo que os ciclistas já estão conseguindo algumas ciclovias e ciclofaixas em diversas cidades, enquanto os pedestres não são organizados e não tem poder de pressão, apesar de representarem mais de 30% de todas as viagens em cidades como São Paulo, sem contar os caminhantes que se destina, ao transporte público. Em agosto passado a presidenta Dilma Roussef anunciou investimentos de R$ 32,7 bilhões em projetos de mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras, principalmente obras relacionadas à Copa do Mundo. É uma excelente oportunidade para estabelecer metas em relação ao transporte não motorizado e fazer com que as prefeituras assumam sua responsabilidade em relação às calçadas, que são deixadas aos proprietários dos imóveis, apesar de não fazerem parte do terreno e serem sempre abandonadas ao nada ou ao calçamento de menor preço e baixa qualidade. (Envolverde) * Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde, passou por diversas redações da grande mídia paulista, como Agência Estado, Gazeta Mercantil, revistas IstoÉ e Exame. Desde 1998 dedica-se à cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, educação, desenvolvimento sustentável e responsabilidade socioambiental empresarial.  


por Dal Marcondes, da Envolverde
sa1 HIV

Maurício de Sousa lança gibi da Turma da Mônica com personagens soropositivos

Brasília - Maurício de Sousa lançou nessa segunda-feira  (17) seu primeiro gibi com personagens que têm o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Por meio de Igor e Vitória, o criador da Turma da Mônica vai abordar questões como forma de contágio, o que é o vírus, como viver com crianças soropositivas e o impacto social da síndrome. A ideia dos personagens foi da ONG Amigos da Vida, que atua na prevenção e combate ao HIV/aids. Christiano Ramos, presidente da ONG, diz que o trabalho resolver um problema existente nas mídias voltadas para crianças. “ O Maurício tem uma linguagem bem acessível, bem leve. Ele vem fazer um papel inédito, que é trabalhar a aids com muita leveza, tranquilidade e naturalidade para as crianças”, disse. Não é a primeira vez que o autor utiliza personagens de seus quadrinhos para levar informação e conscientizar seus leitores. Humberto, que é mudo, Dorinha, que não enxerga, e Luca, que não anda, mostraram que crianças com restrições físicas são crianças normais e devem ser tratadas como tal. “Vamos usar a credibilidade da Turma da Mônica e nossa técnica de comunicação para espantar esse preconceito, principalmente do adulto, que muitas vezes sugerem medo à criançada. Vamos mostrar que a criança pode ter uma vida normal, com a pequena diferença de ter de tomar remédio a tal hora e, caso venha a se ferir, tem que ter alguém cuidando do ferimento. Fora isso, é uma vida normal”, diz Maurício. O autor diz que Igor e Vitória podem vir a fazer parte do elenco permanente da Turma da Mônica, não necessariamente citando o fato de eles serem soropositivos. Ele explica que o gibi é também voltado para os pais. “É uma revista única no mundo. E também é voltada para os pais. Criança não tem preconceito, são os pais que inoculam”, diz. Cláudia Renata, que é professora, levou seus filhos Maria Teresa e Lourenço para o lançamento. Ela diz que os filhos, antes de lerem o gibi, perguntaram quem eram aqueles novos amiguinhos. Para Lourenço, de 5 anos, são crianças normais. “Eles têm uma doença e têm que tomar um remédio. Só isso.” No gibi, Igor e Vitória, que aparecem ao lado dos personagens da Turma da Mônica, têm habilidades com esportes e levam uma vida saudável. A professora na história é quem explica que eles precisam tomar alguns remédios e que, no caso de se machucarem, um adulto deve ser chamado para tomar os cuidados adequados. São 30 mil exemplares do gibi, que serão distribuídos gratuitamente nas brinquedotecas do Distrito Federal, na pediatria dos hospitais da Rede Amil (um dos patrocinadores do projeto) e nos hospitais públicos do governo do Distrito Federal. O objetivo da ONG Amigos da Vida é que em 2012 as histórias de Igor e Vitória cheguem também a São Paulo, ao Rio de Janeiro, a Porto Alegre, a Curitiba, a Salvador e ao Recife. * Edição: Fábio Massalli ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Aline Leal, da Agência Brasil
sa2 Dicas

O exercício pode proteger contra o estresse emocional futuro

O exercício moderado pode ajudar as pessoas a lidar com a ansiedade e estresse por um longo período de tempo pós-treino, aponta estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Maryland e publicado no periódico Medicine and Scfience in Sports and Exercise. “Nós descobrimos que o exercício ajuda a amortecer os efeitos da exposição emocional. Se você se exercita, você não só vai reduzir a sua ansiedade, mas você será mais capaz de controlar a ansiedade quando confrontado com eventos emocionais”, explica Carson Smith, um dos autores. Para o estudo, os Smith e sua equipe pediram a um grupo de estudantes universitários saudáveis que praticasse uma atividade física moderada (ciclismo) durante 30 minutos e, em outro dia, que passassem o mesmo período em descanso para verificar como estas atividades afetariam seus níveis de ansiedade. A equipe descobriu que tanto o exercício como o descanso foram igualmente eficazes na redução dos níveis de ansiedade inicialmente. No entanto, uma vez que foram emocionalmente estimulados (eles viram 90 fotografias do International Affective Picture System, um banco de dados de fotografias usadas em pesquisas sobre emoções) durante 20 minutos, os níveis de ansiedade dos que tinham simplesmente descansado voltaram para os níveis iniciais, enquanto aqueles que tinham praticado o exercício mantiveram seus níveis de ansiedade reduzidos. “O conjunto de estímulos fotográficos que usamos no banco de dados IAPS foi concebido para simular a gama de eventos emocionais que podem ocorrer no dia a dia”, explica Smith. “Eles representam agradáveis ​​eventos emocionais, eventos neutros e eventos desagradáveis ​​ou estímulos. Variam de fotos de bebês, famílias, cachorros e alimentos apetitosos, a coisas muito neutras, como pratos, copos, móveis e paisagens da cidade, para imagens muito desagradáveis ​​de violência, mutilações e outras coisas horríveis. ” Os resultados do estudo sugerem que o exercício pode desempenhar um papel importante em ajudar as pessoas a suportar melhor as ansiedades e estressores do cotidiano. Smith pretende explorar se o exercício pode ter o efeito persistente ou mesmo benéfico em pacientes que regularmente experimentam sintomas de ansiedade e depressão. Ele também está explorando a adição de exames de imagens de ressonância magnética funcional, ou fMRI, para medir a atividade cerebral durante o período de exposição a imagens emocionalmente estimulantes para ver se o exercício pode alterar o as redes neurais relacionadas com as emoções. * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Marina Teles, do O que eu tenho
sa3 Alimentação

Suco de laranja ajuda a diminuir o colesterol ruim, aponta pesquisa brasileira

Ingerir suco de laranja diariamente, associado a um programa de exercícios moderados, ajuda a diminuir os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue e aumentar os níveis do colesterol bom (HDL), diz uma pesquisa brasileira publicada recentemente. Uma série de estudos feitos pelo Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara demonstrou que a ingestão de 500 ml do suco de laranja pode diminuir em até 15% os níveis do LDL. Além disso, quando associado a uma rotina de caminhadas (50 minutos, no mínimo, 3 vezes por semana) os níveis do colesterol bom também aumentavam. “Outro ponto bastante importante observado foi que, ao contrário de outros estudos feitos nos EUA, a ingestão do suco de laranja – sem açúcar, claro – não aumentou os níveis de triglicérides e, portanto, não contribui para o aumento do peso nem da gordura corporal”, explica Nancy Preising Aptekmann, uma das autoras do estudo feito com a equipe de Thais Borges César, outra pesquisadora envolvida na pesquisa. Aumento do colesterol bom, diminuição do colesterol ruim O estudo de Aptekmann acompanhou um grupo de mulheres com sobrepeso e, no início do estudo, sedentárias durante 90 dias. As participantes não alteraram seus hábitos alimentares, apenas ingeriram o suco de laranja e se engajaram em rotinas de caminhadas (um exercício considerado moderado). “O colesterol bom teve aumento de 18%, aproximadamente, e o LDL – colesterol ruim – diminuiu em torno de 15%. O estudo foi feito com o suco de lata concentrado, mas os resultados podem ser similares ao suco in natura [feito com a fruta]”, diz Aptekmann. A hipótese, de acordo com a pesquisadora, é que os flavonoides presentes no suco de laranja são os principais agentes dessa alteração, para melhor, dos níveis do colesterol. “Os flavonoides são substâncias encontradas nos vinhos e sucos de uva também. Mas no caso dos sucos concentrados, os níveis são bastante altos, principalmente por conta do processo, que inclui as cascas da fruta na moagem. Nos sucos naturais, é bom lembrar, esses flavonoides também são observados. A vantagem do suco feito com a fruta é a praticidade e o custo muito menor”, afirma. Exercícios complementam a ação protetora na saúde Outro estudo feito por Aptekmann e Thaís César foi feito sem que os participantes fizessem nenhum tipo de exercício e também não alterassem a dieta. A quantidade ingerida, entretanto, foi maior: 750 ml diários. “Esse outro estudo mostrou que o suco, sozinho, tem um poder protetor limitado, mas ainda assim, benéfico. Os níveis de colesterol totais diminuíram em torno de 10%. E tanto homens quanto mulheres mostraram, novamente, uma redução do LDL em aproximadamente 15%. O ponto negativo foi quanto ao HDL, que ficou praticamente constante”, diz. Uma rotina de atividades físicas moderadas, como já se sabe, é boa para a saúde em termos gerais. E caso seu foco seja a diminuição do colesterol ruim, os exercícios – como ficou comprovado pelas pesquisadoras – podem aumentar ainda mais a eficácia da atuação dos flavonoides contidos no suco de laranja. “Essa, até o momento, foi a combinação mais saudável observada nos nossos estudos sobre o tema. Agora, estamos finalizando outro estudo que observou os funcionários de uma empresa que colhem os frutos – e que também ingeriam o suco de laranja em suas refeições – e que acompanhamos durante dois anos. Os resultados também são animadores”, finaliza Aptekmann. * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Enio Rodrigo, do O que eu tenho
As pessoas devem fazer a higienização de verduras, legumes e frutas assim que chegar do mercado. Foto: Stock4B/Corbis Alimentação

É preciso cuidado redobrado com a lavagem de alimentos crus

[caption id="attachment_66035" align="alignleft" width="199" caption="As pessoas devem fazer a higienização de verduras, legumes e frutas assim que chegar do mercado. Foto: Stock4B/Corbis"][/caption] Uma aparentemente inofensiva folhinha de alface pode causar problemas à saúde. Por isso, é preciso atenção em dobro ao lavar e armazenar alimentos crus, como verduras, legumes e frutas. É preciso evitar a contaminação por bactérias e as consequentes infecções intestinais, que apresentam sintomas como febre, vômito e diarreia. Apesar da necessidade de cuidados, é simples manter os produtos em perfeitas condições de consumo para toda a família. O Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde recomenda a utilização de água de boa qualidade na lavagem e manuseio por mãos e utensílios limpos. No mais, é seguir uma receita básica: “As pessoas devem fazer a higienização de verduras, legumes e frutas assim que chegar do mercado. Eles devem ser lavados, um a um, em água corrente e depois devem ficar de molho em uma solução com cloro. Usa-se uma colher de sopa de cloro para um litro de água. Após dez minutos nessa solução, devem ser lavados novamente em água corrente”, ensina Lorena Melo, consultora técnica da Coordenação de Alimentação e Nutrição do MS. Lorena alerta que é necessário ter atenção com o rótulo da embalagem do cloro, confirmando que ele é adequado à higienização de alimentos. Outra questão importante é jamais guardar hortaliças e frutas na geladeira sem lavar, pois pode acontecer uma contaminação cruzada. “O alimento cru acaba por contaminar o alimento que estava cozido e pronto para o consumo. A solução é lavar, secar e guardar em recipientes apropriados”, alerta a nutricionista. Cozinhar verduras e legumes reduz o risco de contaminação. Mas por outro lado, pode fazer com que nutrientes importantes sejam perdidos. “Dependendo da forma que foi feito o cozimento, pode se perder vitaminas, minerais e fibras. É importante colocar menos água e aproveitar essa água do cozimento em outro alimento. Por exemplo, cozinhou a beterraba, aproveita a água para fazer o feijão”, informa. Carne e peixe crus Não é só no caso de hortaliças e frutas que devemos ter atenção. Muitas pessoas gostam de comer refeições elaboradas com carne e peixe crus. “A possibilidade de contaminação nesse tipo de alimento é bem maior. É preciso observar as condições de higiene do local e de quem manipula a comida. Se possível ficar atento em como aquele produto estava conservado, a temperatura de refrigeração, além do odor, coloração e textura. Não há como perceber a olho nu a contaminação em uma hortaliça, mas no peixe e na carne às vezes há a possibilidade pelo odor e pela coloração”, alerta Lorena. “É preciso estar atento na hora da seleção dos produtos. Saber onde você está comprando, saber a procedência do alimento”, completa. * Publicado originalmento no site Blog da Saúde.  


por Marcos Moura, do Ministério da Saúde

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