Cerca de 450 milhões de pessoas sofrem alguma perturbação mental

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Cerca de 450 milhões de pessoas sofrem alguma perturbação mental


por Redação EcoD


[caption id="attachment_30741" align="alignleft" width="300" caption="Um a cada seis indivíduos visitam unidades de saúde mental. Foto: Adriano Agulló"][/caption]A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que aproximadamente 450 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de uma perturbação mental ou de comportamento. Segundo estudos realizados em Angola, pelo menos um em cada seis indivíduos visitam as unidades de cuidados de saúde primária.No Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado no dia 10 de outubro, a OMS cobrou mais investimentos em serviços de prevenção e no tratamento de doenças mentais, neurológicas e de distúrbios associados ao uso de drogas e outras substâncias.De acordo com o órgão, a falta de recursos financeiros e de profissionais capacitados é ainda mais grave em países de baixa e média rendas. Grande parte dessas regiões destina menos de 2% do orçamento para a área de saúde mental.A organização alertou que muitos países possuem um especialista em saúde mental para cada um milhão de habitantes. Uma parte considerável dos recursos alocados no setor é destinada apenas a hospitais psiquiátricos, o que apresenta deficiência na área de saúde primária.Durante o Conselho Nacional de Saúde (CNS), realizado na primeira semana de outubro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a quantidade de procedimentos ambulatoriais em saúde mental, que passou de 423 mil, em 2002, para 21 milhões, em 2010. Os avanços obtidos no Brasil fazem parte da reforma psiquiátrica, instituída por lei em 2001.Com informações da Agência Brasil.* Publicado originalmente no site EcoD.

1 Reflexão

Chéri à Paris: Pílulas

Essa região do Rio, apelidei de “shopping da ziquizira”: com tantas farmácias, você se pergunta se é normal ter boa saúde.A menos de dez minutos a pé da minha casa tem seis livrarias e cento e vinte cafés (desde a última contagem, há quinze dias, mas é possível que já haja uns dois ou três novos). Isto é reflexo de um dos programas preferidos dos parisienses: abrir um livro em uma mesa de um café – de preferência na varanda, se o clima for favorável – e ficar ali horas a fio, lendo compenetradamente, pensando na vida.Nesse mesmo perímetro tem também três farmácias, que são pequenas, fecham aos domingos e vendem… medicamentos. E apenas medicamentos.Tô contando isso porque na semana passada visitei o Rio de Janeiro e, precisando comprar dois livros, dirigi-me à minha livraria preferida, a Letras & Expressões, em Ipanema. Um lugar que me acostumei a frequentar, pois era também um ponto de encontro, com uma casa de shows e um restaurante simpático.Era. Porque agora virou farmácia. Ou melhor, vai virar, já que está em obras.A drogaria que vai abrir no lugar da Letras & Expressões fica exatamente em frente a uma outra, enorme, e a cinco minutos a pé de outras noventa e três (ou já seriam noventa e quatro?). Essa região, eu apelidei de “shopping da ziquizira”, pois com tantas farmácias você começa a se perguntar se é normal estar em boa saúde. Aí conclui que não. E entra em uma delas pra comprar um “remedinho pra curar essa coisa estranha que tá me dando hoje, sabe?”.Então sai com um carregamento que “vai te fazer sentir melhor, seja lá o que você tenha, bastando tomar duas cápsulas desse aqui e três glóbulos daquele ali antes do jantar”. E já que está em uma farmácia brasileira, você aproveita para levar para casa duas Coca Colas, uma lata de sorvete e três pacotes de biscoito de polvilho. Afinal, os “shoppings da ziquizira” espalhados por aí te vendem a cura, mas também a garantia da sua breve volta ao estabelecimento.Ao dar de cara com a enorme placa que dizia “Em breve, para a sua comodidade, mais uma farmácia do grupo X”, fiquei pensando que ao invés de tantos comprimidos deveríamos era tomar mais pílulas literárias, de preferência sentados em um café por longas horas. Talvez assim desocupemos a cabeça desse tanto de doença que a gente adora inventar.* Daniel Cariello é editor da revista Brazuca, é colaborador regular da Biblioteca Diplô/Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui.** Publicado originalmente no Blog Chéri à Paris e retirado do site Outras Palavras.


por Daniel Cariello, do Chéri à Paris
Ciência por trás da vacina é, como diz seu criador, "tão simples que parece idiota''. Foto: Reprodução/Internet Vício

Uma vacina contra o vício

Vacinas contra o fumo, o álcool e as drogas estão em fase final de desenvolvimento.[caption id="attachment_30747" align="alignleft" width="270" caption="Ciência por trás da vacina é, como diz seu criador, "tão simples que parece idiota''. Foto: Reprodução/Internet"][/caption]Imagine uma vacina antifumo: pessoas tentando parar acenderiam um cigarro e não sentiriam nada. Ou uma vacina contra a cocaína que impediria os viciados de aproveitar o barato da droga. Apesar de nenhuma estar prestes a ser comercializada, ambas estão em fase final de desenvolvimento, assim como vacinas para combater outros vícios.“Nós vemos isso como um tratamento alternativo ou até primário”, disse Kim Janda, um professor do Instituto de Pesquisa Scripps que fez disso o trabalho da sua vida. Janda, um químico, tem tentado criar tal vacina há 25 anos. Assim como injeções contra doenças, essas vacinas funcionariam estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que desligariam os narcóticos antes que fincassem raízes no corpo ou cérebro.O princípio científico por trás da vacina de Janda é, como ele coloca, “tão simples que parece idiota”. Como as vacinas contra doenças, elas introduzem uma pequena quantidade do corpo estranho no sangue, fazendo com que o sistema imunológico crie anticorpos que vão atacar este corpo estranho na próxima vez que ele aparecer.A dificuldade é que moléculas como a cocaína, nicotina e metanfetaminas são minúsculas – muito menores que moléculas de doenças –, então o sistema imunológico tende a ignorá-las. Para superar isso, Janda anexa um pouco da droga em si, ou uma versão sintética dela – em uma proteína maior que age como plataforma.Apesar dos frustrantes testes em humanos até agora, alguns cientistas preveem que Janda será bem-sucedido. Não menos escolada em vício, Nora Volkow, diretora do National Institute on Drug Abuse, o chama de “visionário” por ele ter vislumbrado a oportunidade de tratar o vício com remédios décadas antes do que a maioria.Janda é rápido em alertar que tirar de alguém a possibilidade de ficar “doidão” com uma droga dificilmente o curaria de seus problemas com o vício. Não há nada que impeça um vacinado viciado em cocaína, por exemplo, a migrar para as metanfetaminas.Tradução: Opinião e Notícia.* Publicado originalmente pelo New York Times e retirado do site Opinião e Notícia.


por Douglas Quenqua, do New York Times
1 Mundo

Mercados emergentes buscam formas de estimular comportamentos saudáveis

Uma empresa sul-africana tem algumas boas ideias para promover a saúde.O problema mais espinhoso encarado pelos profissionais de saúde é como atingir o equilíbrio entre a promoção da saúde e a cura de doenças. Como é rotineiramente observado, a prevenção é melhor que a cura – e mais barata também, mas as forças que se alinham contra esse clichê benigno são formidáveis. A profissão médica valoriza mais cirurgiões do que nutricionistas, e a maioria de nós é gananciosa e tem pouca visão: por que renunciar ao êxtase instantâneo de uma barra de chocolate ou aos prazeres do sexo sem proteção quando as recompensas da restrição estão tão distantes?Esta é uma razão pela qual é tão difícil limitar a inflação dos custos de saúde. Prêmios de seguradoras nos Estados Unidos tiveram um aumento de 9% desde 2010. Em economias emergentes, também, maior prosperidade significa que as pessoas estão comendo mais e se desleixando em escritórios no lugar de suar ao ar livre. Então esses países estão sofrendo crescentemente com doenças de pessoas ricas, como problemas cardíacos e diabetes. A Organização Mundial de Saúde prevê que a incidência de doenças não contagiosas cresça 17% na próxima década.Alguns políticos estão procurando uma nova ferramenta: economia comportamental. Economistas de comportamento estão mapeando meios para “dar um empurrãozinho” nas pessoas para que larguem as sobremesas e mastiguem uma maçã no lugar. Ao mesmo tempo, a tecnologia está tornando mais fácil para as pessoas se cuidarem. A Philips está desenvolvendo um aplicativo que usa a câmera em um Ipad2 para medir as taxas cardíacas e respiratórias. Você pode também usar mídias sociais para se envergonhar publicamente até entrar em forma. É notável o quanto é muito mais efetivo uma resolução de fim de ano para perder peso se você a torna pública – e concorda em pagar uma prenda se falhar.Necessidade médicaTalvez, surpreendentemente, as iniciativas mais interessantes tenham sido desenvolvidas em uma economia emergente: a África do Sul. O grupo Discovery, baseado em Johannesburgo, criou um programa chamado Vitality, que aplica as “milhas aéreas” como modelo de saúde. Você ganha pontos se exercitando, comprando comida saudável ou atingindo certos objetivos. Você vai subindo de nível, de azul até dourado, à medida que vai acumulando pontos (recompensas são ajustadas para o seu nível inicial de condicionamento físico para dar a todos a chance de progredir). E você recebe uma mistura de recompensas a curto e longo prazos, englobando desde pequenos prêmios até férias exóticas.A experiência do Discovery impõe um desafio para mercados emergentes. Como podem aplicar o mesmo espírito de inovação nas suas inexperientes políticas de bem-estar social? Já que estão mais ou menos construindo tudo a partir do zero, podem experimentar com sistemas públicos, privados e uma mistura dos dois. Governos de mercados emergentes podem aprender com o Discovery e outras empresas que estão usando incentivos judiciosos para estimular as pessoas em direção a um comportamento sensato. A população destes Estados será mais saudável por isso, assim como seus orçamentos.Tradução: Opinião e Notícia.* Publicado originalmente no The Economist e retirado do site Opinião e Notícia.


por Redação The Economist
1 Longevidade

Medicação antiga pode ser promissora para melhorar a memória dos idosos

Uma das principais queixas de saúde dos idosos é a memória que já não funciona como na juventude. Realmente, após os 60 anos de idade, pode-se identificar, por meio de testes psicométricos, um menor desempenho de algumas funções cognitivas, dentro de um universo que chamamos de envelhecimento cerebral normal. O melhor entendimento de como se dá esse declínio é de extrema importância para o desenvolvimento de intervenções clínicas que possam amenizar esse fenômeno. Pesquisadores chineses deram recentemente um grande salto nesse conhecimento e publicaram seus resultados na prestigiada revista Nature.O estudo teve como objetivo a compreensão do funcionamento da memória de trabalho e o possível incremento de seus mecanismos. A memória de trabalho é aquela responsável pela retenção de informações recentemente adquiridas ou resgatadas pela memória de longo prazo, mas que já não estão mais disponíveis no ambiente externo. É uma ferramenta crítica para uma série de funções cognitivas como a linguagem, planejamento e raciocínio lógico. É ela que nos permite resolver um problema do tipo somar só com a cabeça os resultados de 2+2, 3+3, 4+4 e 5+5.Já é bem reconhecido que a base neural da memória de trabalho é a atividade neuronal persistente em áreas críticas como o córtex pré-frontal. Os pesquisadores chineses estudaram macacos de diferentes idades e demonstraram que as descargas neuronais no córtex pré-frontal entre os macacos mais velhos eram menores que nos jovens. A principal razão para esse menor nível de atividade com o envelhecimento é a redução das ramificações dos neurônios e alterações químicas que dificultam a atividade neuronal persistente. Os cérebros desses macacos foram então submetidos à aplicação de uma antiga droga para hipertensão arterial (guanfacina) e que teoricamente poderia resgatar o equilíbrio químico e incrementar a atividade neuronal. O resultado foi magnífico. A intensidade dos disparos neuronais entre os macacos idosos passou então a ser comparável à dos jovens.Esses resultados abrem uma grande janela para novos tratamentos para melhorar o desempenho cerebral de idosos e já existe até um estudo clínico em andamento testando a eficácia da guanfacina para a melhoria de funções executivas nessa população. Já temos evidências também de que o treinamento cognitivo pode ajudar e ainda resta saber também se a abordagem farmacológica pode ter uma ação sinérgica com esse tipo de treinamento.* Ricardo Teixeira é doutor em Neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília.** Publicado originalmente no blog do autor ConsCiência no Dia-a-Dia.


por Ricardo Teixeira*
1 Pesquisa

Refeições em conjunto podem melhorar a saúde da família

Estudo sugere que o incentivo às refeições em família deve ser visto como algo positivo para a saúde de todos.“Há poucas coisas que os pais podem fazer pela família, que sejam tão positivas para a saúde, como disponibilizar 20 minutos diários, algumas vezes durante a semana, para juntar todos os membros da família ao redor da mesa e fazer uma refeição”, diz Barbara Fiese, pesquisadora da Universidade de Illinois, cujo trabalho foi publicado no periódico Social Policy Report.Alguns benefícios indicados pela pesquisadora são o fato de que, de acordo com as pesquisas realizadas pelo Centro para Resiliência Familiar (RFC), o qual dirige, crianças que fazem as refeições acompanhadas da família desenvolvem um maior vocabulário (pois têm a oportunidade de conversar com pessoas de outras idades e próximas), têm menos propensão à obesidade e transtornos alimentares, desenvolvem menos transtornos de comportamento e, em média, consomem mais frutas e vegetais que outras crianças.Além disso, os pais também poderiam ter mais controle sobre os horários das refeições e limitar atividades paralelas à alimentação. “Outras pesquisas mostram que essa simultaneidade de atividades durante as refeições leva as pessoas, por diversos fatores, incluindo ansiedade, a consumir comidas ricas em açúcar e gordura, em vez de optar por comidas mais saudáveis.”“Fazer refeições com a família vai além de compartilhar comida. Pode ajudar as pessoas a relaxarem, se comunicarem e se conhecerem melhor, diminuindo os conflitos”, diz a pesquisadora, que também pesquisa a importância das rotinas familiares para a promoção do bem-estar.“As pessoas se esforçaram e aprenderam que usar cintos de segurança ou capacetes é importante para a proteção. Por que não pensar nas refeições em família como uma forma de melhorar a saúde de todos os membros da casa?”, questiona Fiese.Com informações da Society for Research in Child Development.* Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Redação O que eu tenho
c_41_01 Políticas Públicas

Filhos de ex-pacientes de hanseníase lutam por indenizações

São Paulo – Os filhos de ex-pacientes de hanseníase estão se mobilizando para conquistar o direito de receber indenização do governo federal por causa do sofrimento que passaram ao serem separados dos pais quando ainda eram bebês. Com esse objetivo, foram realizadas ontem (12) várias atividades cujo encerramento foi um abraço simbólico na Associação Santa Terezinha, um educandário de Carapicuíba, na Grande São Paulo.Este era um dos endereços para onde eram levadas as crianças cujos pais estavam internados em hospitais-colônias, conta Teresa Oliveira, coordenadora regional do Movimento pela Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), em Barueri. Oliveira lembra que, até 1980, vigorou no país o isolamento compulsório dos portadores da doença e que ela própria foi vítima desta política de saúde, tendo sido criada por uma família que a adotou. Ela só soube da sua história aos dez anos de idade.De acordo com Oliveira, a Lei 11.520, de 2007, estabeleceu o pagamento de uma pensão vitalícia aos ex-pacientes, no valor de R$ 750. Mas, conforme revelou, nem todos com direito a esse benefício estão recebendo a pensão, porque foram cadastrados em torno de 12 mil e estariam faltando ainda outros quatro mil na lista. “Agora estamos batalhando para estender os benefícios aos filhos dos ex-pacientes, que poderia ser uma indenização, um valor a ser um pago de uma vez só”, explicou.Além de brincadeiras com os netos dos ex-pacientes e os 84 internos do educandário escolhido para as atividades, o Morhan promove hoje a realização de testes de DNA. A intenção é identificar vítimas da segregação imposta aos ex-doentes e filhos.“Estabelecer uma indenização seria uma espécie de pedido de desculpas da sociedade”, defendeu Artur Custódio Moreira de Souza, coordenador nacional do Morhan. Ele, no entanto, avalia que isso “não vai suprir o sofrimento dessas pessoas, que foram obrigadas a viver separadas dos pais, que só podiam se ver três vezes no ano e, ainda assim, por meio de vidraças, sem qualquer contato físico”.Ele informou que há disposição política do governo federal para que seja implantado esse benefício. E, pelos cálculos dele, em torno de 20 mil pessoas teriam direito. De acordo com Custódio, caso o governo adote essa política, o Brasil será o primeiro país a ter essa iniciativa, em cumprimento à resolução prevista pelo Comitê dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).O líder do Morhan afirmou ainda que a incidência de hanseníase no Brasil só perde para a Índia, seguida do Nepal e do Timor Leste. Ele informou que, em 2010, foram registrados em torno de 35 mil casos. Mas observou que, diferentemente do passado, hoje os pacientes recebem tratamento em postos de saúde e ficam curados.A hanseníase é uma doença crônica causada  pelo Mycobacterium leprae, bacilo descoberto em 1873 pelo médico Amaneur Hansen, na Noruega. É caracterizada pelo surgimento de manchas brancas, marrons ou avermelhadas no corpo e pela perda de sensibilidade. Entre os sintomas estão formigamento, dores, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, além do inchaço das mãos e dos pés.Edição: Andréa Quintiere.* Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Marli Moreira, da Agência Brasil
1 Saúde Pública

Onde a sociedade quer mais saúde?

Reacende-se o debate sobre a situação calamitosa da saúde pública na maior parte do país – e até já se prevê que será esse o tema principal na campanha eleitoral de 2012. O governo federal, por intermédio de suas lideranças, admite que precisará criar algum imposto que acrescente R$ 45 bilhões anuais ao setor (o ministro da Saúde fala em mais R$ 41 bilhões para igualar o nível da saúde no país ao da Argentina e do Chile). Em 2010, investiu o nosso governo central R$ 61,9 bilhões – mas as despesas da União no setor, segundo Ricardo Bergamini, caíram de 1,88% do PIB, entre 1995 e 2002, para 1,8%, entre 2003 e 2010; a tendência até aqui é de 1,56% do PIB em 2011.Mas a oposição e até parte dos governistas já dizem que não concordam com um novo imposto, embora haja quem fale em taxar, para isso, grandes fortunas, legalizar o jogo (cobrando altas taxas), aumentar os impostos sobre o fumo e reservas no exterior, além de destinar à saúde parte dos royalties decorrentes da exploração do petróleo.Até se registram alguns avanços importantes no Estado de São Paulo, como o da redução da mortalidade infantil, que em 20 anos caiu 61,8%, passando de 31,2 mortes de crianças em cada mil nascidas vivas para 11,9 – e isso se deveu em grande parte aos avanços no setor de saneamento. Também influíram o aumento da vacinação, os cuidados na fase pré-natal, a assistência às gestantes (Estado de S. Paulo, 27/8). Em contrapartida, cresceram os índices de poluição do ar nas maiores cidades, que já produzem 23,7 mil mortes por ano. O Rio de Janeiro está com índice três vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), São Paulo e Campinas, com o dobro (o melhor índice é o de Curitiba). E o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc) alerta para o consumo abusivo de medicamentos no Brasil, sobretudo emagrecedores (Envolverde, 27/6).A questão brasileira na área da saúde parece ainda mais preocupante quando colocada diante de outros relatórios internacionais. Como o do World Cancer Research Fund (BBC Brasil, 17/9), que aponta um aumento da incidência de câncer no mundo da ordem de 20% na última década, quando se registraram 12 milhões de casos novos; 1,8 milhão estavam relacionados com má alimentação, deficiências de atividade física e aumento de peso – e esse número "deve crescer dramaticamente na atual década". Além do câncer, diz a ONU em outros documentos, também crescem muito doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares, respiratórias crônicas e diabetes. No Brasil, segundo a OMS, os casos de câncer de próstata (41,6 mil em um ano) e de pulmão (16,3 mil) são os mais frequentes entre homens; na mulher, câncer de mama (42,5 mil) e de colo do útero (24,5 mil). Já o IBGE diz que 16% dos meninos brasileiros e 12% das meninas de cinco a nove anos sofrem com obesidade, sedentarismo e estresse deles decorrente.Outro alerta da OMS é para a ameaça de recrudescimento da gripe aviária (vírus H5N1), principalmente na Ásia e em regiões mais próximas, embora possa expandir-se. Desde 2003, o combate à gripe exigiu o sacrifício de 400 mil aves confinadas em 63 países, com prejuízos de US$ 20 bilhões. Em 2010-2011, já surgiram 800 casos e há vírus endêmicos em seis países. Como grande exportador de carne de aves, o Brasil precisa se precaver.Chega-se, então, ao terreno dos medicamentos. Há progressos na cooperação da indústria farmacêutica com a OMS e outros organismos, que permitirá a produção de medicamentos antirretrovirais em versão genérica por um consórcio internacional que os fornecerá a 111 países mais pobres, com economia de US$ 1 bilhão (o Brasil já quebrou a patente em 2001). Também haverá redução dos royalties em patentes de medicamentos para hepatite (Estado de S. Paulo, 13/7). Na verdade, os ministros da Saúde do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul – o Brics – querem mudanças na legislação sobre medicamentos e patentes para ampliar o acesso das pessoas mais pobres e baratear custos. A resistência é forte. Mas a própria presidente Dilma Rousseff defendeu, na recente reunião da ONU a que esteve presente, a quebra de patentes de remédios para doenças não terminais (Estado de S. Paulo, 20/9), como diabetes, hipertensão e outras. Segundo ela, trata-se de um "elemento da estratégia para aumentar a inclusão social".É um tema antigo e difícil. Quando era secretário de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal (1991-1992), o autor destas linhas e o então presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti, tentaram evitar que o Congresso Nacional incluísse na Lei da Propriedade Industrial, que então discutia, o reconhecimento de pipelines para medicamentos com patente já vencida no exterior – quando, na verdade, deveriam passar a ser fabricados aqui sem pagar royalties, como já ocorria em tantos países. Até ao então presidente Itamar Franco foi uma delegação com representantes da SBPC em todos os Estados. O chefe do governo aderiu imediatamente à reivindicação. Mas seus líderes no Congresso impediram qualquer avanço. E os pipelines prevalecem até hoje, embora haja ações de inconstitucionalidade tramitando no Supremo Tribunal Federal.Prevenida quanto ao avanço de certas reivindicações, a indústria farmacêutica transnacional já domina 40% do mercado de medicamentos genéricos (Folha de S.Paulo, 28/8), quando há três anos só tinha 12%: muitas patentes poderão cair em domínio público em prazos curtos.Com tudo isso, a sociedade precisa acompanhar atentamente a discussão sobre a saúde pública, uma das que mais lhe interessam. Recursos podem surgir – basta lembrar o que já se citou num dos últimos textos nesta página: o governo federal paga em juros da dívida pública entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões/ano (por causa da mais alta taxa de juros no mundo); em subsídios a vários setores econômicos, R$ 30 bilhões; em ajuda a mutuários, R$ 32 bilhões (Agência Estado, 8/8). Recursos como esses terão o destino que a sociedade autorizar.* Washington Novaes é jornalista – wlrnovaes@uol.com.br.** Publicado originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e retirado do site IHU On-Line.


por Washington Novaes*
1 Saúde Pública

A saúde está na fila de espera de uma UTI

A necessidade de promover a humanização da saúde surgiu no momento em que o ser humano passou a ser considerado mera estatística de uma fila interminável, uma parte, um número ou simplesmente uma doença. Discutir sobre humanização nas relações entre os sujeitos que produzem saúde, ou seja, todos nós, ainda é tema banalizado por muitos gestores e corporações, que utilizam deste apelo para se autopromoverem, esquecendo-se do fator continuidade, mudança de cultura, economia na saúde e, por fim, o bem-estar de uma sociedade que está cansada de esperar na fila para conseguir um leito na UTI. É lei multiplicar as boas práticas na saúde, acolher o paciente em sua totalidade, valorizar os profissionais, os gestores e líderes comunicativos. Todo cidadão deveria ler o conteúdo dos dispositivos HUMANIZA-SUS, incluindo os que pagam plano de saúde e, principalmente, os profissionais de jornalismo, comunicação, marketing e relações públicas, que têm o poder de promover e fazer com que a política pública seja compreendida por todos os sujeitos envolvidos. Com o fortalecimento da tecnologia e a globalização, o Século 21 posicionou-se como a era do conhecimento, da comunicação, da informação. E, coincidência ou não, percebemos que os maiores problemas da humanidade, e para ficarmos mais próximos de nós mesmos, da saúde brasileira, é a comunicação, ou melhor, a falta dela. Vamos traduzir “falta de comunicação” em uma equação simples: eu falo, você não me entende, as coisas não acontecem. O futuro de nossos profissionais da saúde e da gestão da saúde em si depende, portanto, da educação. A pesquisa "Human values teaching programs in the clinical education of medical students", promoveu a adoção da transversalidade no sistema de ensino clínico, favorecendo valores humanos, com a combinação de interações entre os membros do corpo docente e o apoio do reitor. O segundo ponto é que esses estudantes acham que, para ser um bom líder na área da saúde é necessário, em primeiro lugar ser comunicativo, o que para nós, em última instância, significa saber falar e saber ouvir. De forma reduzida, o artigo Communication Strategies and Cultural Issues in the Delivery of Bad News diz que boa comunicação é fundamental para todos os profissionais de saúde, pois, se pacientes possuem desejos, opiniões e culturas diferentes, uma boa comunicação pode ajudar a evitar conflitos e auxiliar na compreensão desses desejos melhorando, assim, a qualidade e o cuidado com a vida. Saber viver é saber se comunicar. Desta forma, a equação está resolvida!E já que falamos que a Educação é o alicerce fundamental para que tenhamos liderança e comunicação, não posso deixar de citar e homenagear o professor Paulo Freire, que se estivesse vivo faria 90 anos, e nos ensinou, com sua Pedagogia da Libertação, que o oprimido não é só aquele que vive na miséria material ou na ignorância, mas aquele que é preso à banalidade e ao individualismo, a ponto de não reconhecer o outro distinto de si e, portanto, o oprime. Educação é a transformação da vida, onde o centro de referência é o educando, para que ele construa seus valores a partir das experiências de todo o gênero. Somos interdependentes e é urgente a necessidade do entendimento da sustentabilidade na saúde, que enquadra, principalmente, o fomento à prevenção das doenças, à reciclagem e descarte responsável de materiais. Desejo a todos muita Saúde. * Valdir Cimino é presidente do Viva e Deixe Viver, diretor da CS.PRO – Comunicação Sustentável e educador da Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (Facom/FAAP). Site: www.valdircimino.com.br. E-mail: valdir.cimino@cspro2.com.br. ** Publicado originalmente no site EcoD.


por Valdir Cimino*
1 Saúde Pública

Com atual modelo econômico, ideia de regulamentar Emenda da Saúde é um engodo

O Brasil é um país curioso: mesmo possuindo uma das mais avançadas legislações para o direito à saúde no mundo, este direito não existe de fato como uma totalidade (ou em caráter universal) senão por meio de experiências descontínuas e incompletas que não constituem o que o jargão da saúde coletiva chama de “rede”. Este fato pode ser evidenciado subjetivamente no mal-estar vivenciado pelo conjunto da população que usa plenamente o SUS (e não de modo seletivo, como faz 25% dos brasileiros); ou objetivamente, ao se constatar que os principais indicadores de saúde brasileiros estão abaixo da média da América Latina. Mais curioso ainda foi o que se fez com uma bandeira histórica do movimento de defesa do direito à saúde: a Câmara dos Deputados, dominada pela coalizão do governo Dilma, aprovou uma regulamentação da Emenda Constitucional 29 (EC-29), criada em 2000 para aumentar os recursos para a saúde, que conseguiu reduzir (!) as verbas para a saúde. O movimento social honesto, em especial aquele com relações mais próximas ao governo, está perplexo. Mas não deveria. A “regulamentação realmente existente” da EC-29 não é um raio em céu azul; é, antes de tudo, o corolário de um governo que se pauta, em primeiro lugar, pela defesa intransigente da ordem capitalista dependente brasileira – isto é, da defesa dos interesses do grande capital (em especial do rentismo) em detrimento do bem-estar do conjunto da nação. Não se pode, portanto, apenas responsabilizar a Câmara ou apostar todas as fichas na votação do Senado. Nem é preciso lembrar que a casa dirigida por José Sarney não tem grandes vocações para democracia no sentido lato. Os próprios líderes do governo (Romero Jucá) e do PT (Humberto Costa) na casa admitem que a regulamentação desejada pelo movimento social (10% da receita corrente bruta) “é inviável”. Conclui-se que a “regulamentação realmente existente” da EC-29 é a cara da política brasileira atual: mesquinha, injusta, hipócrita e profundamente antidemocrática (se entendemos democracia como um conjunto de direitos garantidos aos cidadãos de um país, e não o mero rito eleitoral). É preciso compreender os fundamentos deste caráter tão restrito da ordem política brasileira, onde não cabe o direito à saúde. Sub-financiamento dos direitos sociais e o modelo de dependência externa O fato de ser o Sistema Único de Saúde subfinanciado é admitido mesmo por todos os partidos e agrupamentos da ordem brasileira; existe um entendimento de que o Brasil deveria gastar pelo menos 7% do seu PIB com o SUS (o atual patamar é de cerca de 3,5%). O que o bloco dominante da política brasileira (desde a coalizão do governo Dilma até a minoria tucana) jamais coloca em questão é que, em conjunto, é impossível financiar a totalidade dos direitos sociais dentro dos estreitos limites do nosso capitalismo dependente. Para dizer de maneira objetiva: os 10% do PIB (R$ 367 bilhões) reivindicados pela educação, os pelo menos 7% do PIB para a saúde (R$ 257 bilhões), outros tantos para a reforma agrária, mais uma bolada para a reforma urbana, superam em muito os atuais 12% (Carga Tributária Líquida, R$ 441 bilhões) que “sobram” para financiar os direitos sociais. Esta “sobra” significa um terço dos cerca de 35% da carga tributária bruta (R$ 1,28 trilhão), isto é, do conjunto dos impostos arrecadados pela Nação. Qualquer pessoa que cuide das contas de casa perguntaria: onde está o restante? A maior parte destes recursos é utilizada para pagar a dívida pública brasileira. Em 2010, R$ 635 bilhões (17% do PIB) foram gastos apenas com pagamento da dívida da União, exatamente o montante reivindicado pelos movimentos sociais de saúde e educação juntas. Nunca é demais repetir que o caráter sacrossanto do pagamento da dívida pública é o principal nexo da dependência do Brasil em relação ao grande capital; ou seja, é a expressão do principal entrave à construção de uma ordem social justa, na qual a legitimidade desta dívida seria posta em xeque com uma auditoria bem conduzida. Qualquer governo comprometido radicalmente com a classe trabalhadora e o povo pobre enfrentaria essa questão (como de fato fez o governo equatoriano). Sendo assim, o fato de que os governos petistas (Lula e Dilma) tenham se constituído no principal fiador de nossa subordinação às vontades do grande capital neste início de século causa, e ainda causará, estranheza nos movimentos sociais, pois possuem a aparência de governos promotores do bem-estar social. Esta aparência, porém, cai por terra no exato momento de concretizar as condições fundamentais para a implantação das políticas sociais universalistas tão necessárias ao Brasil. O caso da saúde, assim, jamais pode ser visto de forma isolada. O fato de a regulamentação da EC-29 não atender aos requisitos mínimos do financiamento do SUS deve ser compreendido dentro do compromisso da coalizão governista (e também da oposição de direita, PSDB-DEM-PPS-PV) com os fundamentos da política econômica: ajuste fiscal e utilização dos recursos públicos para o pagamento da “dívida”. Sem compreender este mecanismo, o movimento social se torna refém da chantagem governista, que condiciona a regulamentação da EC-29 à criação de mais um imposto, a Contribuição Social para a Saúde (CSS). Esse debate é uma tática do governo para desviar a atenção da essência do problema, que é: enquanto o Brasil mantiver seus compromissos com o grande capital, expresso, em especial, pelo pagamento religioso da dívida pública, o financiamento do conjunto dos direitos sociais não será resolvido. A estrutura tributária brasileira e a CSS Mesmo assim, vale a pena entrar brevemente no debate da estrutura tributária na qual a CSS seria “contra-hegemônica”. Um excelente estudo para se aprofundar na natureza da estrutura tributária brasileira é o documento “Sistema Tributário: diagnóstico e elementos para mudanças”, do Sindifisco Nacional. Para efeitos deste texto, basta resgatar do documento alguns dados: o Brasil tem uma carga tributária semelhante à de países ricos (os 35% do PIB já citados), inclusive países campeões no quesito bem-estar social, como o Canadá. Porém, ao contrário de tais países, os impostos arrecadados incidem muito mais sobre os mais pobres (na forma de impostos cumulativos sobre o consumo, por exemplo). Assim, a carga tributária é instrumento de concentração de renda, ao tirar mais dos mais pobres, agravada ainda pela principal destinação dada a ela: o já citado pagamento da dívida pública. Neste sentido, é de se desconfiar da criação de mais um imposto (cujo caráter supostamente progressivo é posto em dúvida pelo fato de que milhões de brasileiros pobres que vivem na informalidade estarão ainda sujeitos a ele) sem a transformação profunda da carga tributária brasileira no sentido de um sistema mais justo. Ainda mais quando a proposta vem de um governo que no início deste ano promoveu cortes no orçamento social. Nada garante que o governo Dilma não faça como FHC, que desviou os recursos da CPMF da saúde. Ainda assim, se novos impostos fossem criados, eles deveriam incidir diretamente sobre o grande capital (e não sobre uma parcela significativa dos assalariados, inclusive a chamada “nova classe média”, conforme prevê a CSS). Há um projeto na Câmara que prevê a taxação de grandes fortunas, e mesmo a taxação de remessa de lucros ao exterior. Mas eles não são postos em prática porque tanto a coalizão governista como a oposição de direita não têm como se esquivar de seus compromissos com o grande capital. Lutar pelo SUS é lutar pelo seu caráter 100% público e estatal e pela ruptura com o atual modelo político e econômico A despeito das atuais (e importantes) mobilizações pela regulamentação da EC-29, os movimentos sociais combativos não podem esquecer que existe um conjunto de ataques articulados ao SUS. Desde a recém-criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que privatiza os Hospitais Universitários Federais brasileiros, passando pela dupla-porta dos hospitais paulistas e pelas Parcerias Público-Privadas de São Paulo à Bahia, chegando à aprovação da lei de Organizações Sociais no Rio de Janeiro. A privatização da gestão e do atendimento, que inclui a entrada da “nova classe média” no mercado de planos de saúde, é a política hegemônica de todas as frações do bloco que domina a política brasileira, independente de sua coloração partidária. Dissociar a luta pelo financiamento do SUS 100% público e estatal abre um precedente perigoso: mesmo se a EC-29 fosse aprovada nos moldes defendidos pelo movimento, no contexto de um SUS dominado por organismos privados (ainda que com verniz “estatal”, como a maioria das Fundações), esta aprofundaria uma das vulnerabilidades do SUS, que é o financiamento do setor privado pelo público. Onde se constata que a luta pela real implementação do SUS passa, igualmente, pela defesa deste contra os interesses privados na saúde e pela garantia de financiamento público ao conjunto de todos os direitos sociais. Finalmente, superar a pulverização das lutas dentro da saúde e dentro dos movimentos sociais requer a compreensão de que o combate à atual ordem política e econômica é requisito fundamental para romper com as amarras que separam o povo brasileiro de suas maiores aspirações e enfrentar o bloco da ordem (polarizado por PT e PSDB), principal guardião político destas amarras. Pode ser óbvio, mas há que se ressaltar que grandes problemas exigem grandes soluções. O financiamento dos direitos sociais não se concretiza sem enfrentar as grandes questões nacionais, que, por sinal, estão totalmente interligadas. A questão do financiamento dos direitos sociais exige a auditoria imediata da dívida pública, que é barrada sistematicamente pelo bloco da ordem. Por isso, urge fazer oposição consequente, mas decidida, aos governos que retiram direitos, privatizam os serviços públicos, implementam medidas antissociais, cooptam e/ou reprimem os movimentos sociais e avançam na destruição do meio ambiente. A articulação desta totalidade de lutas será mais um passo na retomada dos ideais da Reforma Sanitária, que compreendia que a questão da saúde só pode ser resolvida com profundas mudanças em nossa sociedade extremamente desigual. * Felipe Monte Cardoso é médico de família e comunidade, e diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp. ** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.


por Felipe Monte Cardoso*
Foto: Fairfax County Public Library Pesquisa

Voluntários que se dedicam ao próximo sem esperar nada em troca vivem mais, diz estudo

[caption id="attachment_30252" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Fairfax County Public Library"][/caption] Uma pesquisa realizada pelo Programa Interdisciplinar de Empatia e Altruísmo da Universidade de Michigan (Estados Unidos) apontou que as pessoas que realizam trabalhos voluntários podem aumentar a expectativa de vida em cerca de quatro anos em relação àqueles que não praticam o voluntariado. Mas a regra não é válida para todos os voluntários – somente para aqueles que adotam a atividade com a intenção de fazer o bem ao próximo, e não a si mesmo. De acordo com o estudo, publicado no periódico da American Psychological Association no início de setembro, aqueles que decidem aderir ao voluntariado por razões consideradas “egoístas” pelos pesquisadores, como melhorar o currículo ou desenvolver uma nova habilidade, tinham uma expectativa de vida semelhante à daqueles que não faziam nenhuma atividade voluntária. Para chegar à conclusão, as pesquisadoras Sara Konrath e Andrea Fuhrel-Forbis, responsáveis pelo estudo, examinaram dados do Wisconsin Longitudinal Study, que conta com amostragem de mais de dez mil estudantes desde a sua formação no ensino médio, em 1957, até o presente. Em 2008, quando a análise foi feita, 51,6% da amostragem era composto por mulheres com idade média de 69 anos. “Em nossa análise, controlamos estatisticamente todos os tipos de variáveis que podem influenciar a longevidade, como idade, gênero, estado civil, saúde mental e física, etc.”, contaram em entrevista ao Portal do Voluntário. “Descobrimos que a motivação para o voluntariado importa, mesmo quando todos esses fatores são considerados. Em outras palavras, não basta dizer que esses voluntários são mais saudáveis ou conectados à sociedade – eles simplesmente têm razões voltadas para os outros na hora de decidir ajudar terceiros”, disseram. Pesquisa Os entrevistados responderam a dez questões que abordavam os motivos para terem aderido ao voluntariado ou as razões que os levariam a ser voluntários, caso não fossem. Algumas das motivações eram voltadas para os outros, como "acho importante ajudar o próximo", ou "o voluntariado é uma atividade importante para as pessoas que conheço bem", e outras eram mais voltadas a si, como “voluntariar é uma boa forma de escapar de meus próprios problemas", ou "o voluntariado me faz sentir melhor sobre mim mesmo". Os pesquisadores também consideraram saúde física, condição socioeconômica, estado civil e fatores de risco para a saúde (fumo, índice de massa corpórea e uso de álcool) dos participantes, assim como saúde mental e apoio social. Muitas dessas informações foram colhidas em 1992, 12 anos antes de os participantes serem questionados sobre as suas experiências no voluntariado. Assim, os pesquisadores puderam determinar quantos participantes continuavam vivos em 2008. No geral, 4,3% dos 2.384 não voluntários morreram quatro anos depois da análise, ou seja, em 2011 – resultados proporcionalmente similares àqueles que declararam ser voluntários por motivos pessoais (4%). No entanto, apenas 1,6% daqueles que eram voluntários por razões focadas no próximo morreram no dado período. Causas De acordo com as pesquisadoras, as pessoas que ajudam outras por motivos verdadeiramente altruístas diminuem a reação cardiovascular e aumentam a produção de hormônios protetores, como a oxitocina. “Chamamos este conjunto de reações fisiológicas de ‘sistema de acolhimento’, pois é similar ao do cuidado da mãe com crianças. A ativação constante desse sistema provavelmente enfraquece os efeitos negativos de longo prazo do estresse, que são ligados a todo tipo de doença grave, como males cardiovasculares e câncer”, contam. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD

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