O que seu corpo está tentando dizer?

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O que seu corpo está tentando dizer?


por Manoella Oliveira, da Revista Tato*


[media-credit name="Vanessa Siqueira + Peace.Love.Music" align="alignright" width="300"][/media-credit]Nosso corpo fala o tempo todo. E o melhor: ele não mente. Dor de cabeça, por exemplo, é um alerta. Para alguns, o incômodo sinaliza apenas que é hora de tomar um comprimido; para outros, pode ser o resultado de uma noite mal dormida ou de fome. Todas essas possibilidades são legítimas, mas a raiz do problema pode estar onde você nem imagina.O livro Leitura Corporal – A Linguagem da Emoção Inscrita no Corpo (Ed. Manuscritos), de Nereida Fontes Vilela e João Celso dos Santos, explica a origem do desconforto em cada partezinha do corpo, basicamente, a partir dos conceitos de energia e emoção. O corpo, assim como toda matéria concreta, é composto por concentrações de energia em baixa frequência. As ondas e as partículas interagem entre si e se influenciam. Com nossas atitudes, movimentamos a nossa energia e o todo, afinal, o universo também é energia.A energia não se repete, embora não perca a memória do que fez, e seu objetivo é fluir. Quando estamos alinhados e coerentes com os nossos desejos de corpo e alma, isto acontece. Mas quando alguma coisa interfere nessa dinâmica, a bloqueia ou reprime, a energia encontra outras formas de vazão e os sintomas aparecem indicando os problemas, as obstruções e, o mais importante, que estamos enveredando por um caminho inadequado. O adoecimento é um estado decorrente de um fluxo “tortuoso” da energia e é no corpo físico, na matéria, que ele se revela, mostra como está sendo processado. Basta saber ler.Mesmo quem nunca ouviu falar de leitura corporal pode se aventurar por essas páginas. Embora o livro não se apresente como um texto fácil, seus capítulos engatinham e partem do conceito de energia para chegar a conclusões mais complexas, passando por cada chakra e suas funções e, ainda, pelos nossos corpos Físico, Emocional, Mental, Etérico, Causal, Austral e Celestial. Se isso soou muito teórico, a boa notícia é que os capítulos estão divididos por partes do corpo e explicam, de maneira bastante clara e detalhada, a quê cada segmento está relacionado.A proposta do livro não é (exatamente) ser um “guia prático” para consultas quando os sintomas aparecerem, mas pode assumir essa função depois de feita a primeira leitura e entendidas ligações entre os corpos, os centros de força (chakras), a energia e a emoção, já que os detalhes são muitos. O pescoço, por exemplo, aparece dividido em várias partes e com inúmeras funções, mas os céticos e impacientes podem fazer a leitura mais simples que é entender que ele está diretamente ligado ao prazer, ao desejo. Seja qual for o seu grau de imersão, o fato é que vale a pena ler e refletir. Não custa nada aprender a falar o idioma do seu corpo que, ao contrário, da nossa mente, das pessoas e das nossas ilusões, não mente nunca, só mostra.Leitura Corporal – A Linguagem da Emoção Inscrita no Corpo Nereida Fontes Vilela e João Celso dos Santos Ed. Manuscritos 336 p.* Revista que aborda o feminino com respeito à individualidade e escolhas de cada mulher. Feita pelas jornalistas Manoella Oliveira e Thays Prado e a designer Vanessa Siqueira. E-mail: contato@maistato.com.br** Publicado originalmente na Revista Tato e retirado do site EcoD.

1 Alimentação

Ortorexia: o culto à saúde que leva à doença

Os que sofrem desse transtorno se tornam "viciados" em comida natural, sem químicas ou agrotóxicos, e seguem uma dieta bastante rígida.É difícil imaginar que uma pessoa que só coma alimentos saudáveis, sem restrições de quantidade, possa, na verdade, esconder uma disfunção alimentar. A ortorexia é distúrbio ainda pouco divulgado que sequer é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e nem consta nos manuais de psiquiatria. Os que sofrem desse transtorno se tornam “viciados” em comida natural, sem químicas ou agrotóxicos, e seguem uma dieta bastante rígida.Como qualquer disfunção alimentar, a ortorexia pode causar severo prejuízo à saúde. Ao contrário da anorexia ou da bulimia, o paciente se sente à vontade para comer, mas fica obcecado pelas escolhas que leva à boca.“O paciente evita carne vermelha, laticínios e alimentos com conservantes, agrotóxicos e corantes. Em geral, passa horas no mercado analisando rótulos e embalagens”, explica Gisela Peres, nutricionista da Santa Casa de Misericórdia do Rio.Segundo Gisela, os ortoréxicos utilizam conceitos legítimos sobre o consumo de alimentos, mas fazem uso dessas informações de forma exagerada, o que pode acabar provocando falta de vitaminas e substâncias importantes ao organismo. “As restrições são tantas que eles acabam excluindo importantes grupos alimentares da dieta e tendo disfunções como anemia e avitaminose.”As doenças causadas pela deficiência de nutrientes acabam sendo acompanhadas por problemas psicológicos e isolamento social. De acordo com Gisela, o portador do distúrbio prefere faltar a um almoço em família para que as pessoas não fiquem comentando suas escolhas. Comer fora também acaba se tornando uma questão problemática pela dificuldade de encontrar restaurantes que se encaixem nos padrões considerados aceitáveis pelos ortorexos. Muitos optam por carregar “kits de sobrevivência” para não passar aperto durante o dia.Ainda não há um tratamento específico para ortorexia, até porque a doença não é reconhecida pela OMS. O mais adequado é um trabalho multidisciplinar, que agregue nutricionistas e psicoterapeutas. Segundo a chefe clínica do Ambulatório de Psiquiatria da Santa Casa, Maria de Fátima Vasconcellos, o tratamento para a ortorexia é o mesmo que se usa para outros distúrbios alimentares: “Fazemos uso de psicoterapia e até de antidepressivos para ajudar a inibir essa obsessão que a pessoa sente, se for preciso”.De acordo com Maria de Fátima, os distúrbios deixam as pessoas compulsivas e ansiosas. Alguns deles, como a ortorexia, além de mexer com esses aspectos, trazem também baixa autoestima e alteração da imagem corporal.“O importante é que o paciente aprenda que seus conceitos sobre dieta saudável podem estar inadequados. É fundamental fazer com que ele entenda isso até para que possa recuperar a autoestima”, completa Gisela.Teste do Doutor Steve Bratman*  para a ortorexiaPassa mais do que três horas do dia pensando na sua dieta?Planeja as suas refeições com vários dias de antecedência?Considera o valor nutritivo dos alimentos mais importante do que o prazer que eles dão?A qualidade da sua vida reduz à medida que aumenta a qualidade da sua dieta?Tem sido cada vez mais rigoroso consigo próprio durante este tempo?Tem melhorado a sua autoestima por se alimentar de forma saudável?Rejeita consumir alimentos que gostava?Nota que é difícil fazer refeições fora, distanciando-se da sua família e amigos?Sente-se culpado quando sai da dieta?Sente-se em paz consigo mesmo e acredita que tem total controle quando come saudavelmente?Se as respostas forem afirmativas para quatro ou cinco perguntas, isto significa que é necessário relaxar mais um pouco no que diz respeito à alimentação. Mas, se as respostas forem afirmativas a todas as questões, a pessoa tem uma obsessão pela alimentação saudável.* Primeiro médico a descrever a ortorexia, em 1997.** Este teste é apenas indicativo, em caso de dúvida, procure um médico especialista.*** Publicado orginalmente no site Opinião e Notícia.


por Fernanda Dias, para o Opinião e Notícia
1 Políticas Públicas

Protesto de trabalhadores volta a expor fragilidades da saúde cada vez mais privatizada

Na última semana, mais uma categoria do funcionalismo público voltou a se manifestar contra as políticas do governo de turno. Dessa vez, foram os trabalhadores estaduais da saúde do Estado de São Paulo, vítimas das políticas privatistas que os últimos governos tucanos implantaram na unidade mais rica da federação.[media-credit name="Sindsaúde - SP" align="alignright" width="250"][/media-credit]Cansados das péssimas condições de trabalho e salário, cerca de dois mil médicos, enfermeiros e funcionários administrativos se manifestaram no “quarteirão da saúde”, onde se localiza o complexo do Hospital das Clínicas de São Paulo e outros prestigiados institutos de saúde, como o Incor e o Emilio Ribas, que juntos contam com os serviços de cerca de 15 mil trabalhadores.“Depois de muito tempo, voltamos a ter várias movimentações pelo Estado, afinal, são praticamente dez anos sem aumento salarial. Essa foi a questão inicial levantada pelos trabalhadores e apresentada pelo sindicato ao governo”, afirmou Paulo Spina, funcionário do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde Mental) Água Funda e membro do Fórum Popular da Saúde, fundado para congregar toda a militância da área contra os ataques do poder público a um dos direitos mais básicos pelo qual deveria zelar.Como é de se supor, a pauta principal passa por uma melhoria salarial, uma vez que os funcionários se encontram em parâmetros realmente alarmantes de remuneração, sendo corriqueiro encontrar tanto trabalhadores dos ramos hospitalares como administrativos ganhando salários na faixa de R$ 400 a R$ 500, amarrados a complementos que se baseiam em metas produtivistas, caracterizando o que se compreende como "mercantilização da saúde". Além disso, contam com o irrisório valor de R$ 4 no vale-alimentação.“Pedimos 26% de aumento salarial. Após meses de discussões, a Secretaria Estadual da Saúde está oferecendo até R$ 39 no Prêmio de Incentivo, uma das partes da nossa remuneração. Isto representa de 1% a 4% no salário total! E zero para outra parte dos trabalhadores, que ou não recebe essa gratificação ou foi deixada de fora dessa proposta indecorosa”, repudia o SindSaúde, filiado à CUT e representante dos trabalhadores nessa peleja.Como se vê, o embate passa pelos mesmos pontos reivindicados por diversas categorias, como os professores, duramente reprimidos no ano passado pelo governo Serra. Um pouco mais estrategista, o tucano da vez, Alckmin, poe meio de sua Secretaria de Saúde, resolveu “acatar” a pauta apresentada pelos manifestantes na última semana e prometeu analisá-la.Diante do tímido sinal positivo, o Sindicato decidiu manter a categoria em estado de greve, que ainda não significa paralisação. Esta será discutida e votada na assembléia marcada para o dia 1º de julho. Resta saber se a estratégia foi a mais correta ou se havia espaço para mais pressão, manifestação e a greve efetivamente, caso o governo não demonstrasse que o atual estado de coisas mudaria.“O governo não deu nenhum sinal claro de que realmente iria atender às reivindicações e já acharam por bem ficar só no estado de greve. E olha que os funcionários administrativos ficaram fora dessa negociação! Por isso, eu entendo que havia espaço para ir mais fundo, existia esse sentimento nos trabalhadores mobilizados e creio que existiam condições de terminar a semana em greve e com o governo na parede”, lamentou Spina.O SindSaúde garante que continua de olho no governo e que acompanhará nos próximos dias se sua pauta tem sido realmente considerada. Mas, aparentemente, não há motivos para tanta paciência. Afinal, os tucanos, obviamente sugados pelos dogmas neoliberais e financiamentos de campanha recebidos de empresas privadas, aplicam um verdadeiro desmonte no setor, pelas mais variadas frentes.Basta ver as exigências do Fórum da Saúde e do próprio sindicato. Além da evidente necessidade de melhoria salarial, pede-se também revogação da lei que reserva 25% dos leitos do SUS ao setor privado, criando a chamada “fila dupla”, largamente repudiada por toda a categoria e a população.Fora isso, ainda há denúncias de sobra sobre o já tradicional assédio moral, os obscuros convênios administrativos e a voracidade das Organizações Sociais (OS), estratégia tucana para repassar a gestão de hospitais públicos e unidades de atendimento à iniciativa privada. E não falta história a respeito das OS, apontadas já em 2009 pelo ex-deputado Raul Marcelo como “porta aberta à corrupção”, em seu relatório alternativo, aceito unanimemente, da CPI dos gastos das OS – depois engavetada.A mais escandalosa delas, verdadeiro escárnio, foi talvez a maior propulsora da paralisação que chegou ao atual estado de greve. “O estopim para o movimento grevista foram as denúncias de mau uso de verba pública. O próprio TCE denunciou que a Seconci (OS que gerencia vários hospitais) tinha recebido dinheiro para 31 UBS (Unidade Básica de Saúde) e gastou o equivalente a 14, aplicando o resto no mercado financeiro”, contou Paulo Spina.Diante do escândalo, não restou alternativa que não fosse uma manifestação pública que causasse algum incômodo, ainda mais num momento em que várias outras insatisfações da população e da categoria podem ser aglutinadas.Pois, como dizem os representantes do Sindicato, “este governo diz que é um novo governo, que quer dialogar com os sindicatos, mas é o mesmo que há 16 anos não investe na saúde pública, terceiriza os serviços, paga os piores salários do Brasil e reduz o atendimento aos usuários dos serviços públicos”.Entretanto, o bom e velho pragmatismo político – entendido por alguns como anestesia e cooptação geradas pelos anos PT no Planalto – volta a entrar em cena, como explica o representante do Fórum da Saúde envolvido nos protestos.“O problema é que, em escala federal, a lógica das políticas em saúde pública é a mesma. Tanto que uma das grandes brigas é fazer o governo acatar os 7% do PIB – nem 10% – para a saúde. Como eles não compram essa briga antiprivatista com o governo federal, fica difícil fazer isso no plano estadual”, explica Spina.Para explicar tal "temor", a afirmação alude ao fato, entre outros, de o presidente Lula ter criado, nos estertores de seu mandato, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que na prática implantaria a mesmíssima lógica verificada nas Organizações Sociais que devastam a saúde pública paulista. Neste caso, a Ebserh gerenciaria os Hospitais Universitários. E o governo Dilma mantém o objetivo de aprovar tal ideia, precisando somente colocá-la novamente em votação, uma vez que a MP 520/10, que tratava do tema, perdeu o prazo de validade para ser apreciada.Quanto ao movimento de luta pela saúde, longe de ser claramente revigorado, por meio especialmente de seus trabalhadores, sofre a mesma encruzilhada que afetou diversas categorias no funcionalismo público: o medo de defender todas as diretrizes que visam a uma saúde pública de qualidade, confrontando o governo que um dia representou e mobilizou todos os desejos de mudanças profundas nas estruturas do país.Ainda assim, sempre há um limite. No que se refere ao governo Alckmin, se mostrar a mesma intransigência dos anteriores, a chance de o movimento se radicalizar existe. Até porque, em questões essenciais à vida da população, o apoio das ruas costuma fazer grandes ecos, como se vê exatamente nesses dias no Rio de Janeiro, com toda a solidariedade da população aos seus bombeiros revoltosos – pelos mesmos motivos de nossos médicos, enfermeiras, administradores, etc. daqui.“Em janeiro, o governador Alckmin, os secretários e os altos salários do Estado tiveram 26% de aumento. Enquanto nossos salários-base variam de R$ 180,35 a R$ 414,30, o salário-base do governador passou para R$ 18.725,00”. Os 26% de aumento que reivindicamos custam menos do que os R$ 600 milhões gastos com os 26% de aumento do governador, dos secretários e dos altos salários do Estado”, cutuca o sindicato.Independentemente dos matizes políticos e seus condicionantes, com as frequentes discórdias que causa entre a esquerda e os movimentos populares, está claro mais uma vez o que se joga no rosário de denúncias dos trabalhadores da saúde de São Paulo: o eterno embate entre os que defendem o patrimônio público e aqueles que lutam com todas as forças (e financiamentos) para repassá-lo, seja qual for a área, à iniciativa privada. “Somos totalmente contra a lei da fila dupla, que permite à iniciativa privada utilizar 25% do SUS nas unidades públicas de saúde, por isto jogamos tal questão com toda a força no debate. Queremos a valorização do funcionário e de sua carreira, e exigimos zero atendimento privado no SUS, sem privilégio algum, pois saúde é direito de todos e o Hospital das Clínicas, sem esquecer dos demais lugares, deve servir ao povo”, resume Spina.* Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.


por Gabriel Brito, do Correio da Cidadania
Pesquisa indica que duas regiões específicas no cérebro são particularmente afetadas pela vida em centros urbanos. Trabalho é destacado na capa da Nature. Pesquisa

Vida estressante na cidade

Agência Fapesp – Nascer e crescer em uma cidade grande está geralmente associado a um maior risco de desenvolver problemas como ansiedade e distúrbios de comportamento. Mas não se conhecem os mecanismos biológicos por trás dessas associações.[caption id="attachment_18148" align="alignleft" width="200" caption="Pesquisa indica que duas regiões específicas no cérebro são particularmente afetadas pela vida em centros urbanos. Trabalho é destacado na capa da Nature."][media-credit name="Wikimedia" align="alignleft" width="200"][/media-credit][/caption]Um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Alemanha e do Canadá, é o primeiro a mostrar que duas regiões no cérebro, que atuam na regulação tanto da emoção como do estresse, são particularmente afetadas pela vida urbana.A pesquisa foi destacada na capa da edição atual da revista Nature. Segundo Jens Pruessner, da Universidade McGill, no Canadá, e colegas, os resultados poderão ajudar no desenvolvimento de estratégias para melhorar a qualidade de vida nessas áreas.“Estudos anteriores mostraram que o risco de desenvolver ansiedade é 21% maior para pessoas que vivem em grandes cidades, as quais também têm 39% mais chances de desenvolver distúrbios de comportamento. Além disso, a incidência de esquizofrenia é quase duas vezes maior em quem vive em cidades. Estes números são preocupantes e determinar a biologia por trás dessas manifestações é o primeiro passo para remediar essa tendência”, disse Pruessner.Os pesquisadores avaliaram as atividades cerebrais de voluntários saudáveis de áreas urbanas e rurais na Alemanha. Por meio da análise de imagens obtidas por ressonância magnética funcional, o grupo observou que viver nas cidades estava associado com maiores respostas ao estresse na amígdala, parte do cérebro envolvida no controle da emoção e do humor.Por outro lado, ter crescido em área urbana se mostrou associado com atividade maior no córtex cingulado, região envolvida na regulação do estresse.“Os resultados sugerem que diferentes regiões no cérebro são sensíveis à experiência de viver na cidade durante períodos distintos da vida de um indivíduo. Novas pesquisas poderão esclarecer a relação entre esses efeitos e psicopatologias”, disse Pruessner.O artigo City Living and Urban Upbringing Affect Neural Social Stress Processing in Humans (doi:10.1038/nature10190), de Florian Lederbogen e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


por Redação Agência Fapesp
1 Doenças

Entenda o que é lábio leporino e fissura labiopalatal

À primeira vista, pode causar impacto e angústia para a mãe, mas as consequências do lábio leporino para o bebê não são graves quando iniciado tratamento imediato. “O importante é tranquilizar os pais, principalmente a mãe, indicando que o bebê pode mamar normalmente, apenas deve-se orientar quanto à postura na amamentação”, explica a fonoaudióloga Ana Maria Hernandez, do Hospital Santa Catarina.O lábio leporino é uma fissura no lábio superior – entre a boca e o nariz – que pode estender-se ou não até o palato (céu da boca). Nestes casos é chamado de fissura labiopalatal e ocorre quando o palato não se fecha completamente. Tem graus diferentes, podendo ser unilateral ou bilateral, que vão desde a falta de fusão no chamado palato mole até a fenda completa do céu da boca.Quando uma criança nasce com esta condição, existem duas opções que variam conforme a equipe médica que acompanha o caso. “Alguns fazem a operação da fissura labial logo após o parto; outros, apenas após três meses. Além da equipe médica, o que vai determinar quando a primeira cirurgia será feita é a condição de saúde da criança. Ela deve ganhar peso, daí a importância da nutrição adequada e os cuidados com a amamentação”, diz Ana Maria.A amamentação é recomendada tão logo o bebê tenha condições clínicas estáveis e a fissura em si não impede o aleitamento materno. É importante manter o bebê bem elevado e de forma, a diminuir o risco de escape nasal. O apoio da região da fissura na mama pode favorecer o desempenho do bebê na amamentação. Após a cirurgia, a recuperação é rápida: os bebês ficam internados em média de três a cinco dias. Já a cirurgia para correção da fenda palatina demora um pouco mais. O recomendado é que ela seja feita após o primeiro ano de idade, para não comprometer o desenvolvimento da maxila. Geralmente requer duas cirurgias com intervalo de alguns meses entre elas.Recuperação e tratamentoO atendimento precoce com orientação prévia à cirurgia traz muitos benefícios para o bebê e a família. Cuidados quanto aos hábitos orais e à forma de alimentar antes e depois da cirurgia são importantes para um bom resultado. Após as cirurgias, a criança deve ser acompanhada por diferentes profissionais como pediatra, fonoaudiólogo, nutricionista, ortodontista e psicólogo. Isto porque um fator interfere diretamente no outro, no que diz respeito aos dentes, à fala, à face, às funções alimentares e ao desenvolvimento psicossocial.Por exemplo, em algumas crianças a voz pode ficar nasalada, e então é indicado o acompanhamento de um fonoaudiólogo. O ortodontista deve monitorar o crescimento do maxilar, dos dentes e o funcionamento da boca em geral. “Feito o tratamento corretamente, a criança tem um desenvolvimento normal”.Amamentação requer paciência e carinho da mãePor ser algo que mexe com o emocional, a principal dificuldade em amamentar uma criança com lábio leporino está na reação da mãe. “Quando identificado durante o ultrassom morfológico, a equipe médica que acompanha o caso pode prepará-la para a amamentação, mas isso vai depender de como ela vai reagir. Em alguns casos, o estresse da situação pode interferir na produção do leite.”Segundo a fonoaudióloga, em casos mais simples, o próprio seio da mãe veda a fissura, ajudando na sucção. Porém, quando a fissura se estende ao palato, é preciso atenção com o regurgitamento do leite, que passa da cavidade da boca para o nariz. É possível tapar a fissura com uma placa de resina durante a mamada. Existem também bicos com furos maiores de mamadeiras, que visam a facilitar este processo. “Isto vai depender da disposição da mãe e também da adaptação do bebê.”Causas estão associadas a fatores hereditários e ambientaisA fonoaudióloga explica que as causas de ocorrência do lábio leporino e da fissura do palato são várias, e os fatores hereditários são determinantes. “Há maior probabilidade de nascimento de bebês com fissura em famílias com outros casos. Fatores pré-natais, como a epilepsia materna, a ingestão de anti-inflamatórios nos primeiros meses da gravidez, entre outros fatores ambientais também são determinantes.”Quando não tratado, o bebê pode sofrer de otite com mais frequência por causa da entrada de líquido no canal do ouvido. “Importante ressaltar que a fissura labial isolada é uma alteração com bom prognóstico, com correção cirúrgica de resultados muito satisfatórios. Vale dizer que uma má formação pode vir acompanhada de outras, com problemas neurológicos associados ou fazendo parte de síndromes genéticas. Por este motivo é preciso ficar atento”, conclui.* Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Marina Teles, do O que eu tenho
1 HIV

HIV e saúde bucal

Agência Fapesp – Levantamento do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, aponta que 90% dos atendimentos realizados em seu serviço de odontologia são de pacientes que sofrem danos severos devido à falta de higiene bucal. A instituição atende pessoas com suspeita ou diagnóstico de doenças infecciosas e parasitárias, como aids, leptospirose, meningite, hepatite, tuberculose, entre outras.A rotina de um paciente com o vírus da aids, por exemplo, requer muitos cuidados médicos. Além desses, eles devem prestar atenção redobrada à saúde bucal.De acordo com Eliana Moutinho, dentista do Emílio Ribas, a partir da manifestação do vírus, os cuidados odontológicos vão além da prevenção de cáries, por exemplo. “Devido à imunidade frágil do paciente, em pouco tempo uma simples gengivite pode evoluir facilmente para uma periodontite, inflamação mais grave e agressiva”, explica.Moutinho conta que o paciente soropositivo também está exposto a diversas infecções graves causadas por bactérias bucais, que, se não são tratadas a tempo, podem ocasionar uma endocardite, inflamação das estruturas internas do coração, elevando o risco de ter uma insuficiência cardíaca.Segundo ela, o acompanhamento odontológico de pacientes com aids deve ser rigoroso e periódico, com consultas a cada três meses.Mais informações: www.emilioribas.sp.gov.br* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.


por Redação Agência Fapesp
1 Políticas Públicas

O mesmo para todas as brasileiras

"Eu quero que todas as mulheres do Brasil tenham acesso às mesmas coisas que eu tive. Sou beneficiária de uma prevenção. Eu tive um câncer, o câncer foi detectado no princípio e eu tive um processo de cura." A presidente Dilma Rousseff pronunciou tais palavras durante o lançamento das ações de fortalecimento dos programas nacionais de controle do câncer de mama e do colo do útero, em Manaus, no dia 22 de março. Os programas, que integram a Política Nacional de Atenção Oncológica, apresentam ações de abrangência nacional previstas para os próximos quatro anos – com investimentos da ordem de R$ 4,5 bilhões –, de controle do câncer de mama e do colo do útero, neoplasias mais incidentes entre mulheres brasileiras, e que, se diagnosticadas precocemente, apresentam grandes chances de cura. O Brasil terá, este ano, aproximadamente 18,5 mil novos casos de câncer de colo de útero e 49,2 mil de câncer de mama, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca).A ampliação da cobertura nacional à mamografia, a criação de 20 centros especializados no diagnóstico e tratamento do tumor no colo do útero nas regiões Norte e Nordeste, e o prazo máximo de 60 dias para o início do tratamento das mulheres diagnosticadas com câncer, foram medidas destacadas pela presidente, mulher curada de um câncer e consciente da importância imperativa na atenção especial à saúde da mulher.Para que mulheres brasileiras atingidas pelo câncer tenham chances reais de vencê-lo, assim como Dilma Rousseff, algumas prerrogativas são essenciais e fundamentais. A presidente brasileira, assistida pelas mesmas leis que quaisquer das quase 97,5 milhões de conterrâneas, está curada, pois teve acesso ao diagnóstico precoce, foi assistida por profissionais altamente qualificados, realizou a cirurgia diagnóstica imediatamente após ter os primeiros sintomas, obtendo rapidamente o diagnóstico de câncer, iniciou as fases do tratamento posteriores ao diagnóstico em curto espaço de tempo, teve acesso às drogas mais modernas do mercado, mesmo as não incorporadas na lista do Sistema Único de Saúde (SUS) na época do seu tratamento.O Brasil tem avançado na formatação dos programas de prevenção aos cânceres que atingem a mulher, porém estes avanços ainda não levaram à grande adesão que seria necessária para reduzir as mortes pelo câncer.Diretrizes de tratamento propostas pelo Ministério ainda deixam de contemplar importantes aspectos necessários à erradicação das mortes pelo câncer de mama e colo de útero. A idade mínima para o rastreamento do câncer de mama, por exemplo, recomendada pelo Ministério da Saúde é de 50 anos, em descompasso com a idade de 40 anos que é consenso entre oncologistas e mastologistas. Ainda em relação ao câncer de mama, a não incorporação no SUS de medicações que alvejam a proteína Her-2 (presente em um quarto dos casos de câncer) tira a chance de cura ou de prolongar a sobrevida de um grande número de mulheres a cada ano. Sobre o câncer de colo de útero, a não incorporação da vacinação para HPV não se justifica, já que toda a estratégia de rastreamento não tem conseguido a adesão necessária à redução da mortalidade e, sabidamente, a vacina eliminaria mais de 90% das lesões precursoras do câncer. Também, a formatação de projetos regionais de educação em saúde deve ser avaliada.O tratamento que livrou a presidente Dilma Rousseff do câncer foi de excelência incontestável. Quando todas as mulheres e homens brasileiros atingidos pela doença forem atendidos com a mesma primazia, a realidade do câncer no país – ainda demarcada por barreiras quase instransponíveis como o alto grau de desinformação, baixo acesso às ações e serviços de saúde e a não prontidão na realização de todas as fases do tratamento –, será diferente.Queremos um Brasil sem preconceito, sem sofrimento e sem mortes causadas pelo câncer.* Luciana Holtz é presidente do Instituto Oncoguia.** Publicado originalmente no site EcoD.


por Luciana Holtz*
Os preços dos medicamentos contra a DR-TB continuam em alta em todo o mundo. Doenças

Tuberculose, doença dos pobres

Cidade do Cabo, África do Sul, 20/6/2011 – O acesso ao tratamento contra a tuberculose resistente a medicamentos (DR-TB) continua comprometido especialmente nos países do Sul em desenvolvimento, porque poucas empresas farmacêuticas fabricam remédios de qualidade. Além disso, a falta de competição faz disparar os preços. Na última década, cerca de cinco milhões de pessoas em todo o mundo desenvolveram a DR-TB. Contudo, um “número terrivelmente baixo” de pacientes (menos de 1%) tem acesso a tratamento apropriado, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).[caption id="attachment_17757" align="alignright" width="119" caption="Os preços dos medicamentos contra a DR-TB continuam em alta em todo o mundo."][media-credit name="Kristin Palitza/IPS" align="alignright" width="119"][/media-credit][/caption]Aproximadamente 1,5 milhão de pessoas morreu nos últimos dez anos. A situação é particularmente grave em países pobres com alto número de infecções por HIV (vírus causador da aids), especialmente onde os tratamentos antirretrovirais são insuficientes. A África do Sul é um deles. Uma das principais barreiras ao tratamento é a limitada disponibilidade e o alto custo dos remédios de alta qualidade para tratar a DR-TB. Para algumas drogas, há apenas um laboratório fabricante de qualidade assegurada ou uma única fonte para o ingrediente ativo necessário.“Há pouco investimento na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos contra a tuberculose porque é uma doença de pobres e, portanto, não existe um mercado lucrativo para a indústria farmacêutica”, afirmou o coordenador do escritório sul-africano da MSF, Eric Goemaere. Isso disparou o preço da maioria dos remédios contra a DR-TB. O tratamento de um paciente pode custar US$ 9 mil, disse a organização, quase 475 vezes mais que o tratamento da tuberculose comum.Os custos aumentaram ainda mais nos últimos anos. “Embora os preços das drogas, em geral, tenham redução diante de maior demanda, no caso dos medicamentos contra a DR-TB eles crescem, alguns até 600% ou 900%. Isto simplesmente não está certo”, disse Goemaere, que dirige um projeto de tratamento para HIV e tuberculose em Khayelitsha, terceiro maior assentamento informal da África do Sul.O exorbitante aumento dos preços se deve à falta de mecanismos efetivos de controle e por já não haver subsídios para mantê-los baixos. Também se trata de um reflexo da insuficiente competição no mercado. Apenas seis produtos (para cinco medicamentos diferentes contra DR-TB) são pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde, e somente quatro fontes (para dois remédios diferentes) estão recomendadas para sua compra este ano.Em 2000, a OMS respondeu à crescente necessidade de drogas contra DR-TB criando o Comitê de Luz Verde, que revisa projetos de saúde oficiais e não governamentais e, eventualmente, permite que tenham acesso a remédios de qualidade comprovada a preços reduzidos. Embora o Comitê seja teoricamente útil, sua burocracia impede que vários programas de tratamento ao redor do mundo sejam beneficiados.Em 2010, somente 12 mil pacientes se inseriram em programas de tratamento aprovados pelo Comitê, contra 440 mil novos casos da enfermidade e 150 mil mortes, segundo a MSF. Apenas 13% do mercado estimado de remédios contra DR-TB foi canalizado pela Facilidade Global de Medicamentos, da OMS, “que tem responsabilidade neste desastre”, alertou Goemaere.Organizações não governamentais pressionaram durante anos a OMS, até que esta criou o Comitê. Porém, as rígidas condições e os complexos procedimentos administrativos impedem que muitos fornecedores de saúde se beneficiem. “O Comitê oferece poucos incentivos porque seu processo de aval de qualidade é muito mais burocrático e centralizado. As regras são autolimitantes, convertendo a OMS mais em um porteiro do que em uma entidade que dê apoio”, observou Goemaere.O chefe-médico da OMS para tuberculose na África do Sul, Kalpesh Rahevar, reconhece as barreiras administrativas do Comitê, mas diz que o órgão iniciou um processo de reforma no começo de 2010. “Estamos procurando simplificar o processo de solicitação. A OMS também prevê ampliar seu mandato para supervisionar os programas contra a tuberculose em todo o mundo, não só para os que participam do Comitê”, disse Rahevar.Até então, centenas de organizações e ministérios de saúde deverão continuar comprando medicamentos contra a DR-TB de laboratórios que oferecem produtos de duvidosa qualidade e a preços altos. O Ministério da Saúde da África do Sul é um deles. Em lugar de solicitar ingresso no Comitê, essa pasta compra remédios a preços fixos diretamente de subsidiárias africanas das fabricantes norte-americanas Sanof Aventis e Sandoz.Segundo o diretor interino do Departamento para Tratamento da Tuberculose, Comunicações e Mobilização Social, Garvon Molefe, o Ministério decidiu comprar remédios exclusivamente locais, mesmo sendo mais caros, para beneficiar a economia nacional. “A razão pelo qual a pasta não segue a iniciativa do Comitê é que, pelo fato de a África do Sul ter uma alarmante taxa de desemprego, o país não quer deixar de lado as empresas farmacêuticas locais”, que dão trabalho a sul-africanos, disse à IPS.Atualmente, o Ministério investe US$ 4,4 mil para o tratamento contra DR-TB de um paciente. Goemaere disse que a MSF, por intermédio do Comitê, paga cerca de 30% menos pelos mesmos medicamentos, o que significa que pode tratar mais pessoas com o mesmo dinheiro. Envolverde/IPS


por Kristin Palitza, da IPS
1 Entrevista

Os agroquímicos são um ‘mal necessário’?

“Entre os fatores que levaram o Brasil a ser um dos grandes consumidores mundiais de agrotóxicos estão certamente as políticas governamentais de incentivo ao aumento da produtividade agrícola.” É o que afirma o pesquisador Josino Costa Moreira. Em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail, o professor aponta como fatores determinantes para o patamar a que o país chegou, no que diz respeito ao uso dos agrotóxicos, “a falta de orientação ao homem do campo sobre o uso correto destes produtos e a agressividade e eficiência da política de venda das indústrias produtoras”.Josino também falou, durante a entrevista, sobre a fiscalização a respeito do uso dos agrotóxicos, do avanço do agronegócio e da evolução da transgenia nacional. “O Brasil é um país que demora a tomar decisões, inclusive pela dependência de resultados produzidos no exterior e ao envolvimento de interesses muitas vezes conflitantes”, afirmou.Josino Costa Moreira é graduado em Farmácia pela Universidade Federal de Juiz de Fora. É mestre em Química Analítica Inorgânica pela PUC-Rio e doutor em Química pela Loughborough University da Inglaterra. Atualmente, é pesquisador na Escola Nacional de Saúde Pública e Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Oswaldo Cruz.Confira a entrevista.IHU On-Line – Como o senhor avalia a fiscalização do uso de agrotóxicos no Brasil?Josino Costa Moreira – Embora eu acredite que o arcabouço legal brasileiro seja de boa qualidade, penso que a obediência ao mesmo é muito aquém do razoável. Uma das causas desta baixa atenção à lei é a falta de uma fiscalização efetiva que é agravada pela morosidade da Justiça. Na maior parte do Brasil, podem ser adquiridos e utilizados agrotóxicos livremente, ou seja, sem qualquer tipo de critério ou orientação técnica.IHU On-Line – Que fatores levaram o Brasil a ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo? A evolução da transgenia está relacionada a este aumento?Josino Costa Moreira – Entre os fatores que levaram o Brasil a ser um dos grandes consumidores mundiais de agrotóxico estão certamente as políticas governamentais de incentivo ao aumento da produtividade agrícola. Pode-se acrescentar a isso a falta de orientação ao homem do campo a respeito do uso correto destes produtos e a agressividade e eficiência da política de venda das indústrias produtoras, dentre outros.A transgenia, que tem sua expressão maior na monocultura extensiva de plantas geneticamente modificadas, está associada ao aumento quantitativo do uso de certos produtos. Neste caso, faz-se uso da “ideia” de que mesmo com este aumento haverá, no final, a diminuição dos impactos negativos sobre a saúde ambiental porque se utilizam produtos de menor toxidade.No entanto, os impactos devem ser evidenciados por meio de testes ecotoxicológicos com a utilização de múltiplos bioindicadores e por um período de tempo que evidencie a existência de possíveis efeitos resultantes da exposição crônica e não apenas aguda. Infelizmente, estes estudos só abrangem uma pequena fração dos agrotóxicos disponíveis.IHU On-Line – Os Estados Unidos e a União Europeia estão proibindo o uso de agrotóxicos enquanto o Brasil está aumentando seu consumo. Estamos na contramão da história?Josino Costa Moreira – Eu não diria que estamos na contramão da história. Creio apenas que o Brasil é um país que demora a tomar decisões, inclusive pela dependência de resultados produzidos no exterior e ao envolvimento de interesses muitas vezes conflitantes. É bom lembrar a existência, hoje em dia, do funcionamento de uma Comissão que está fazendo a revisão deste tema aqui no Brasil. Desta Comissão Tripartite participam representantes dos Ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente, os quais nem sempre têm posições concordantes e estão sujeitos a pressões de todas as naturezas. Estas pressões são igualmente exercidas sobre os tomadores de decisão. Com tudo isto, porém, estamos avançando. Talvez não com a velocidade que desejamos, mas estamos caminhando.IHU On-Line – Podemos dizer que os agrotóxicos são uma herança da expansão do agronegócio no país?Josino Costa Moreira – Os agrotóxicos não são uma herança da expansão do agronegócio no país. Eles são muito anteriores a esta. Certamente, o uso destes produtos aumentou com a expansão do agronegócio, mas não apenas por isto. As causas são várias e mais complexas. Existem vários outros fatores que contribuíram e ainda contribuem para isto. Ou seja, não há como atribuir a apenas um fator este aumento.IHU On-Line – Existe algum agrotóxico seguro?Josino Costa Moreira – Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, porque envolve um conceito abstrato do que é “seguro". Existe tecnologia segura? Normalmente, toda tecnologia compreende um risco, inclusive a tecnologia agrícola. Este risco pode ser aceitável ou não. A quantificação e o limite de aceitação desta “segurança” é que são os problemas.IHU On-Line – A Anvisa afirmou que não há no Brasil agrotóxicos cancerígenos disponíveis para uso. Isto é verdade?Josino Costa Moreira – Considerando-se a classificação dos organismos internacionais sobre a carcinogenicidade química, isto é verdade. Entretanto, é importante lembrar também que os cânceres não são resultados exclusivos do efeito de um só fator. Normalmente, são resultantes de múltiplos fatores e esta relação não pode ser reduzida a uma relação simples e direta.Existem vários estudos que associam a exposição a alguns agrotóxicos com uma maior incidência de certos tipos de câncer na população. Entretanto, como dito cima, esta relação não é linear. Em outras palavras, isto não significa que todos aqueles que estão expostos a uma substância química associada com a carcinogenicidade desenvolverão cânceres.Por outro lado, são rotulados sob o nome de “agrotóxicos” um número muito grande de substâncias (cerca de 1.500 produtos registrados no Ministério da Agricultura), muitas das quais possuindo diferentes mecanismos de ação e para as quais até agora não foi evidenciada atividade carcinogênica. Assim, a generalização de efeitos indesejáveis para um grupo tão grande e de propriedades tão distintas é um erro.IHU On-Line – Como é possível reeducar os agricultores que usam hoje agrotóxicos no país?Josino Costa Moreira – Para que os problemas associados ao uso indiscriminado de agrotóxicos sejam minimizados, é imprescindível a conscientização do homem do campo, o oferecimento de orientação técnica adequada e constante, e uma eficiente fiscalização. Isto envolve políticas públicas feitas sob medida para o homem do campo no sentido de combater este problema. Para isto, a educação tem seu lugar de destaque. Além de campanhas agressivas para a divulgação e esclarecimento dos problemas associados a este uso, deve-se realçar as alternativas disponíveis e promover a educação principalmente dos jovens.Esta é uma estratégia imprescindível. Normalmente, os adultos que já lidam com estes produtos há muito tempo têm muita resistência a mudanças de hábitos e tendem a não acreditar nos efeitos a longo prazo. Ou seja, a necessária mudança de comportamento deve focalizar as gerações mais novas. Por meio dos filhos, podem ser modificados comportamentos familiares arraigados e muito difíceis de serem alterados por outros mecanismos.IHU On-Line – Hoje, o mundo precisa dos agrotóxicos?Josino Costa Moreira – Para se manter o nível de produtividade atual, os agrotóxicos, ou melhor, os agroquímicos são um “mal necessário”. Como todo “mal”, eles devem ser estritamente controlados. Existem alternativas como, por exemplo, a produção orgânica, cujas vantagens e limitações devem ser mais amplamente divulgadas. Uma coisa é certa: é possível produzir alimentos para sustentar toda a população mundial com muito menor impacto na saúde humana e ambiental.IHU On-Line – É difícil estabelecer relações entre exposição humana aos agrotóxicos e os danos à saúde?Josino Costa Moreira – As relações entre as exposições e os efeitos agudos não são difíceis de serem estabelecidas. Entretanto, efeitos resultantes de exposições crônicas e, principalmente, de exposições múltiplas (exposições a vários agrotóxicos conjuntamente) não são facilmente estabelecidos.Se considerarmos que um produto pode conter outras substâncias além daquela que lhe dá a atividade desejada (por exemplo, emulsificantes) e que estas substâncias também podem afetar a toxidade da substância ativa, percebe-se que estas relações não são triviais. No caso de exposições crônicas, estas relações podem ser estudadas a partir da avaliação de grupos populacionais conhecidos, como trabalhadores de indústrias produtoras. De qualquer forma, tudo se complica tratando-se de exposições múltiplas.* Publicado originalmnete no site IHU On-Line.


por Redação IHU
1 Alimentação

O peixe é um dos melhores amigos do cérebro

A teoria da evolução defende a tese de que nós humanos chegamos até aqui com o cérebro que temos, pelo menos em parte, graças ao nosso padrão de alimentação. Há uma série de evidências paleontológicas que nos aponta que existe uma relação direta entre acesso ao alimento e tamanho do cérebro, e que mesmo pequenas diferenças nesse acesso podem influenciar a chance de sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Entre os hominídeos, pesquisas mostram que o tamanho do cérebro está associado a diversos fatores que, em última instância, refletem o sucesso em se alimentar como é o caso da capacidade de preparar alimentos, estratégias para poupança de energia, postura bípede e habilidade em correr.O consumo de ácidos graxos da família ômega 3 é a mais estudada interação entre alimento e a evolução das espécies. O ácido docosahexanóico (DHA) pode ser considerado o ácido graxo mais importante para o cérebro, já que é o mais abundante nas membranas das células cerebrais e são considerados essenciais por não serem produzidos pelo organismo humano, que precisa obtê-los por meio de dieta. Acredita-se que o consumo de ômega 3 teria sido fundamental para o processo de aumento na relação peso do cérebro/peso do corpo, fenômeno conhecido como encefalização, ou seja, aumento progressivo do tamanho do cérebro em relação ao corpo ao longo do processo evolutivo. Estudos arqueológicos apoiam essa hipótese, já que esse processo de encefalização não ocorreu enquanto os hominídeos não se adaptaram ao consumo de peixe.A deficiência de ômega 3 está associada a uma série de transtornos neuropsiquiátricos, como é o caso da depressão e transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e dislexia.Dietas ricas em ômega 3, ou até mesmo na forma de suplementos alimentares, são capazes de melhorar o aprendizado e memória de crianças e ainda reduzem o risco de desenvolver depressão e demência. Pode ainda facilitar o controle da epilepsia e da esclerose múltipla.* Para ouvir o comentário do autor na rádio CBN, clique aqui.** Ricardo Teixeira é doutor em Neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília.*** Publicado originalmente no blog do autor ConsCiência no Dia-a-Dia.


por Ricardo Teixeira*
Diante dos resultados, o Ministério da Saúde quer instalar mamógrafos onde ainda não tenha o equipamento. Saúde Pública

SUS tem 223 mamógrafos parados por falta de assistência técnica e operadores

Cerca de 15% dos mamógrafos do Sistema Único de Saúde (SUS) estão sem uso, segundo auditoria inédita feita pelo Ministério da Saúde. Dos equipamentos em funcionamento, 44% ficam em unidades de saúde dos Estados da Região Sudeste.[caption id="attachment_17761" align="alignright" width="300" caption="Diante dos resultados, o Ministério da Saúde quer instalar mamógrafos onde ainda não tenha o equipamento."][media-credit name="Divulgação" align="alignright" width="300"][/media-credit][/caption]No total, o SUS conta com 1.514 equipamentos de mamografia. Desses, 223 estão parados, 111 têm baixa produtividade, 85 apresentam defeitos e 27 estão em embalagens.O governo federal constatou que os equipamentos não são usados ou têm baixa produtividade por falta de assistência técnica e de pessoal qualificado para operá-los. “Em alguns locais, o mamógrafo só é operado pela manhã e fica ocioso depois”, disse o diretor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), Adalberto Fulgêncio, que coordenou a auditoria, feita durante dois meses.A vistoria identificou que o Acre dispõe de três aparelhos, mas somente um é usado. Os outros dois ainda estão na caixa, a maior proporção de equipamentos sem uso em todo o país, o equivalente a 66,7% .A Região Sudeste tem 669 dos mamógrafos disponíveis no SUS, sendo que o Estado de São Paulo é responsável por 335 (309 em funcionamento). Em Minas Gerais, dos 211 aparelhos, 36 estão inoperantes – o maior número absoluto de equipamentos fora de operação em todo o país.Conforme o levantamento, a Norte é a Região com o menor número de equipamentos e também com o maior percentual de aparelhos sem uso. Dos 86 mamógrafos existentes, 20 estão parados (23,3%), sendo 14 por causa de defeitos. Roraima (dois) e Santa Catarina (64) são os únicos Estados em que todos os mamógrafos estão funcionando.Segundo o Ministério da Saúde, o total de mamógrafos no SUS é suficiente para atender mulheres de 40 a 59 anos. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda um aparelho para cada 240 mil habitantes. A oferta universal do exame não ocorre devido à concentração dos aparelhos em regiões metropolitanas e à baixa produtividade, conforme o Ministério.Os auditores identificaram que 28% dos estabelecimentos do SUS não têm informações atualizadas sobre serviço de mamografia.Diante dos resultados, o Ministério pretende, junto com Estados e Municípios, instalar mamógrafos em locais que não tenham o equipamento. A pasta pretende ainda equipar unidades móveis com o aparelho para que atendam às mulheres nos Municípios do interior.O Ministério também deve fazer acordo com os fornecedores para que prestem assistência técnica aos mamógrafos. Está prevista a capacitação de 25 mil técnicos em radiologia até 2015. “Queremos dobrar o número de exames por ano, de três para seis milhões”, afirmou Fulgêncio.A mamografia é um exame fundamental para identificar o câncer precoce na mama, a maior causa de mortes de mulheres no Brasil.Edição: João Carlos Rodrigues.* Publicado originalmente no site Agência Brasil


por Carolina Pimentel, da Agência Brasil

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Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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