Para comer sem culpa

Saúde

Para comer sem culpa


por Riad Younes*


Há uma redução impressionante do risco de morrer de doenças cardiovasculares pela simples mudança de dieta. Mortes causadas por infartos ou acidentes vasculares cerebrais diminuídas em mais de 30%. Não há nenhum tratamento, remédio ou cirurgia que consegue tamanho impacto na saúde da população. Os dados apareceram recentemente na mais prestigiosa revista de medicina, a New England Journal of Medicine. Um time de cientistas espanhóis, do Centro de Pesquisa Biomédica do Instituto de Saúde Carlos III, em Madri, liderado pelo doutor R. Estruch, selecionou 7.447 pacientes com elevado risco cardiovascular, mas que ainda não tinham apresentado doença clinicamente identificável. Os voluntários eram 57% mulheres, com idades variando entre 55 e 80 anos. Todos foram sorteados e separados em três grupos, baseados nas sugestões de alimentação: dieta do Mediterrâneo suplementada com azeite extravirgem, ou dieta do Mediterrâneo suplementada com nozes, ou dieta geral com a sugestão de reduzir a gordura nos alimentos. [caption id="attachment_84057" align="aligncenter" width="524" caption="A pesquisa monitorou 7.447 pacientes e revela que simples mudanças nos hábitos alimentares reduzem as chances de infartos e derrames. Foto: IstockPhoto"][/caption]   Os voluntários foram seguidos de perto pelos pesquisadores durante cinco anos. Registraram o que eles comeram e os problemas de saúde que eventualmente foram diagnosticados e tratados. As causas de óbitos nesses grupos foram detalhadas, com o objetivo de avaliar o número de mortes devidas ao infarto, ao derrame ou à obstrução arterial. Durante o estudo, 288 pessoas morreram (3,8%). Os resultados foram óbvios, com redução de 30% no risco de uma pessoa morrer de doença cardiovascular, simplesmente adotando qualquer uma das duas dietas do Mediterrâneo enriquecidas em azeite extravirgem ou nozes. Com a licença do meu amigo e colega de CartaCapital Marcio Alemão e de seu “Refogado”, ouso me aventurar um pouco na área da dieta do Mediterrâneo. Não existe uma dieta padronizada e consumida por todos os habitantes da bacia do Mar Mediterrâneo. Desde 1949, quando Fernand Braudel publicou sua obra colossal O Mediterrâneo, tentando criar uma identidade naquela região, a diversidade étnica e cultural, e consequentemente culinária, se tornou mais clara e díspar. Várias são as dietas dos cidadãos do Mediterrâneo, mas todas têm uma base comum: são ricas em gordura insaturada, e pobres em gordura saturada, que realmente faz mal à saúde. As cozinhas do Mediterrâneo se fundamentam no uso, e até abuso, de frutas e verduras, grãos, cereais, azeite de oliva do simples ao extravirgem, peixe e vinho. Pouca carne e reduzidas quantias de laticínios. O estudo espanhol conseguiu, através da suplementação de azeite extravirgem e nozes, elevar consideravelmente a ingestão de polifenóis, protetores contra as lesões vasculares e suas complicações. Olhando com detalhe as dietas sugeridas, percebe-se que o que realmente fez diferença foi o acréscimo do azeite e das nozes. Não ficou claro qual seria o papel real da própria dieta do Mediterrâneo nesse contexto, visto que a quantidade de verduras e de gordura consumida pelos três grupos de voluntários foi semelhante. Por outro lado, o maior impacto dessas dietas foi na redução de mortalidade por causa de derrames cerebrais. Parece que essas dietas reduzem efetivamente os níveis de pressão arterial, o que protege o cérebro de hemorragias e obstruções. O estudo é interessante, porém não conseguiu testar o real impacto isolado da dieta do Mediterrâneo, do consumo mais intenso de azeite extravirgem ou de nozes. Mas o grande mérito dessa pesquisa foi o de confirmar que mudanças de hábitos como a dieta podem influenciar positivamente as chances de uma pessoa experimentar um infarto ou derrame. Como nosso Ministério da Saúde e outras autoridades públicas agirão com base nos resultados dessa publicação, ficará a cargo da imaginação e do entusiasmo dos responsáveis. Basta lembrar que a principal causa de mortes no Brasil, hoje, são as doenças cardiovasculares. * Riad Younes é médico, diretor clínio do Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da USP. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.

“É muito perigoso estar certo nas áreas onde as autoridades constituídas estão erradas”, Voltaire. Foto: IstockPhoto Saúde

Mente jovem e sadia

[caption id="attachment_84052" align="alignleft" width="300" caption="“É muito perigoso estar certo nas áreas onde as autoridades constituídas estão erradas”, Voltaire. Foto: IstockPhoto"][/caption] Quanto mais usar menos vai faltar. Utilizar o cérebro frequentemente com atividades intelectuais pode atrasar o aparecimento da doença de Alzheimer. Um estudo publicado na revista Neuron em março, feito pelo doutor Dennis Selkoe do Brigham and Women’s Hospital, comprova que receber estímulos de um ambiente rico em informações e atividades novas por tempo prolongado têm efeitos positivos na prevenção da doença de Alzheimer. Causa mais comum de perda de memória entre os idosos, a doença é causada pelo acúmulo de uma proteína nos neurônios chamada beta-amiloide, que bloqueia a comunicação entre eles e acaba por matá-los. No estudo, os cientistas colocaram ratinhos em ambientes com vários estímulos e depois avaliaram as mudanças anatômicas em seu cérebro. Descobriram que o ambiente estimulante ativa uma via relacionada à adrenalina, que reduz a formação de beta-amiloide na região do hipotálamo, uma região do cérebro responsável pela memória. O mecanismo protetor foi mais eficaz em ratos jovens e de média idade, o que sugere que humanos que são mais estimulados intelectualmente durante a infância e juventude e, portanto, recebem uma experiência de vida mais rica correm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer e, assim, conseguem manter por mais tempo a memória intacta. Um bom estímulo, pelo menos para os idosos, pode ser o uso de computadores e videogame. Em um estudo da Universidade da Carolina do Norte, os doutores Jason Allaire e Anne McLaugh-lin entrevistaram 140 indivíduos com mais de 63 anos e pesquisaram seu índice de satisfação com a vida. O estudo descobriu que 60% deles jogavam videogames e concluiu que o hábito os deixavam mais felizes. Entre os pesquisados que tinham em média 77 anos, 35% jogavam pelo menos uma vez por semana, os que não jogavam apresentavam emoções mais negativas e risco maior de desenvolver depressão. Se os exercícios cognitivos não funcionarem, mesmo assim a medicina busca uma solução para o cérebro se regenerar, vide um estudo da Universidade de Yale também publicado na revista Neuron de março, feito pelo doutor Stephen Strittmatter e colaboradores. Nesse estudo, os pesquisadores conseguiram transformar um cérebro maduro e estável em um cérebro jovem e plástico, bloqueando apenas a ação de uma proteína. O cérebro maduro possui conexões mais estáveis e, portanto, consegue manter gravados padrões de movimento e de comportamento além da memória dos fatos. O cérebro jovem, por sua vez, consegue aprender melhor coisas novas e se regenerar melhor e mais rapidamente. Os cientistas descobriram que um receptor na membrana do neurônio chamado Nogo1 é o responsável por essa plasticidade do cérebro jovem. Quando estimulado, promove a formação de novas conexões entre os neurônios. O estudo do doutor Strittmatter foi feito em ratos adultos com cérebro maduro e bloqueou a ação do receptor Nogo1. Ao fazer isso, o pesquisador conseguiu transformar o cérebro maduro em jovem novamente, permitindo que o rato adulto voltasse a formar a mesma quantidade de conexões que o cérebro de um rato jovem. Esse estudo pode permitir que cérebros adultos possam reverter as lesões cerebrais na mesma velocidade e eficiência que os cérebros de crianças, tornando mais fácil a recuperação de uma área lesada, em caso de ocorrer um acidente vascular, por exemplo. * Rogério Tuma é médico neurologista. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Rogério Tuma*
Foto: Library / Corbis Saúde

Dia Nacional do Hemofílico: entenda a doença

[caption id="attachment_84033" align="alignleft" width="280" caption="Foto: Library / Corbis"][/caption] Para lembrar o Dia Nacional do Hemofílico, comemorado ontem (17), o Blog da Saúde explica esta patologia e como ela afeta a vida do portador. A doença, derivada de uma alteração no sangue, tem tratamento disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A hemofilia é uma doença hemorrágica derivada de uma alteração no sangue causada por uma mudança no material genético do cromossomo X, uma estrutura que fica na célula humana e guarda a informação passada hereditariamente. Nas pessoas com hemofilia, traumas aparentemente simples podem causar hemorragias graves, ameaçando a vida delas ou deixando sequelas, como a perda da mobilidade. Os portadores dependem de transfusões de sangue e da administração dos fatores de coagulação, que o corpo não consegue produzir, disponibilizados pelo SUS para estes pacientes.  Atualmente, 16 mil hemofílicos são assistidos pelo SUS, 10,5 mil deles com hemofilia A e B. A Hemofilia tipo A representa a maioria dos casos e ocorre pela deficiência do Fator VIII do sangue. A Hemofilia B é menos comum e ocorre pela deficiência do Fator IX. Do total dos assistidos, 3,4 mil são portadores da forma grave da doença, caracterizada por sangramentos em uma mesma articulação, que pode levar ao dano articular, e em alguns casos à invalidez. A hemofilia não tem cura e a base do tratamento da doença é por meio da infusão do concentrado de fator de coagulação deficiente, que pode ser de origem plasmática ou recombinante. As hemorragias espontâneas e sem causa aparente acontecem geralmente nas partes do corpo onde há mais atividade e esforço físico envolvido, como joelhos e tornozelos. Extremidades como cotovelo, quadril e ombro também podem ser atingidos. Esses sangramentos podem causar dor, inchaço, além de parada do movimento no local atingido. Se esses sangramentos ocorrerem no tecido subcutâneo, em baixo da pele, geram hematomas. Tratamento – “O Brasil, hoje, possui um ótimo indicador internacional em tratamento de hemofilia”, garante o coordenador-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez. O SUS oferece desde 2012 a Terapia de Indução de Imunotolerância para tratamento do tipo A. O procedimento consiste no uso de medicamentos que eliminam os inibidores de Fator VIII, que atua na coagulação sanguínea. Para ter acesso a este e a outros tratamentos, os pacientes precisam estar cadastrados em um dos 35 Centros de Tratamento de Hemofilia (CTH) do país, onde recebem orientação e acompanhamento médico para a obtenção e utilização do medicamento. O coordenador-geral lembrou que o SUS também oferece um tratamento para crianças na fase inicial da doença. “As crianças que estão nascendo com hemofilia, desde pequenas vão poder começar a fazer a reposição de fator. Isso vai evitar que elas tenham as sequelas que os hemofílicos mais antigos têm. É difícil ver um hemofílico sem perceber alguma dificuldade física na mobilidade dele. Mas agora, com a profilaxia primária, nós não vamos perceber que a pessoa tem hemofilia. Fazendo o tratamento desde o início ela vai ter uma vida normal”, afirma. A profilaxia primária aplicada regularmente durante o período de crescimento das crianças evita sangramentos e previne deformidades. É realizada pelo SUS e indicada para os pacientes com diagnóstico confirmado de hemofilia A ou B grave. Isto é, com dosagem de Fator VIII ou IX menor que 1%. Também é indicada para crianças que tenham idade até três anos e apresentem pelo menos um episódio de hemartrose em qualquer articulação ou hemorragia intracraniana. E ainda para quem tenha tido até um sangramento articular. O tratamento é domiciliar e deve ser iniciado antes do desenvolvimento de danos nas articulações. Quando uma pessoa com hemofilia se fere, o sangramento dura mais tempo além do considerado normal e pode voltar a sangrar no mesmo local dias depois do ferimento. Cirurgias e extrações dentárias devem ser acompanhadas por profissionais que tenham conhecimento da doença. Novidade – O SUS beneficiará cerca de 10 mil brasileiros com a oferta gratuita de um medicamento de alta tecnologia no controle de sangramentos para pacientes com hemofilia A. O Ministério da Saúde aprovou, no mês de março deste ano, o uso do fator VIII recombinante, que estará disponível em até seis meses nos hemocentros do país, para esse tipo de tratamento. O Brasil também passa a produzir nacionalmente o medicamento, por meio de transferência de tecnologia. É o resultado da Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada em outubro de 2012 com a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). A expectativa é de que o Ministério da Saúde passe a adquirir o medicamento a preço quatro vezes menor do que o valor médio atual pago para atender a demandas judiciais. Ainda em 2013, a Hemobrás fornecerá 350 milhões de unidades internacionais do fator VIII recombinante, ao custo de US$ 120 milhões. Esse valor inclui a transferência de tecnologia. * Publicado originalmente no Blog da Saúde.


por Camila Terra, do Blog da Saúde
Foto: Divulgação/Internet Saúde

Quantidade de iodo do sal será alterada no Brasil

[caption id="attachment_84019" align="alignleft" width="259" caption="Foto: Divulgação/Internet"][/caption] A Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, em reunião nesta terça-feira (16), a adoção de novos valores para a adição de iodo no sal para consumo humano no Brasil. A faixa de variação do iodo no sal vai variar de 15mg/kg a 45 mg/kg; atualmente a faixa é de 20 a 60 mg/kg. A medida foi tomada a partir de pesquisas que revelam que a população brasileira tem uma taxa de iodo maior do que a recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os novos valores também seguem a orientação do Ministério da Saúde, que tem acompanhado o perfil de consumo de sal no Brasil. A adição do iodo no sal foi adotada na década de 50 do século passado como estratégia de redução do Bócio, doença provocada pela deficiência do iodo no organismo. No entanto, a quantidade de adição do nutriente tem sido revista ao longo dos anos em virtude das mudanças no padrão de alimentação dos brasileiros, pois o excesso deste nutriente também traz danos à saúde. De acordo com a gerente-geral de Alimentos da Anvisa, Denise Resende, as empresas terão 90 dias para se adequar, a partir da publicação da norma no Diário Oficial da União (DOU). “Não deve haver dificuldades neste sentido, já que atualmente 93% das amostras coletadas no mercado já estão dentro da nova faixa definida”, explicou Denise. Confira aqui a apresentação realizada na reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa. Acordo para Redução do Consumo de Sódio – Para contribuir com a diminuição do consumo de sódio, o Ministério da Saúde firmou um acordo com a indústria alimentícia pela redução gradual do teor de sódio em alimentos processados. Desde 2011, governo federal fechou três termos de compromisso para que várias categorias de alimentos sejam produzidas com menos sódio. “Esse acordo incentiva a indústria a oferecer alimentos menos prejudiciais à saúde e reforça o compromisso do governo federal na promoção de hábitos de vida mais saudáveis dos brasileiros. Com a iniciativa, o Brasil protagoniza a elaboração de um modelo que pode virar referência para diversos países”, completa Patrícia Jaime, coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde. Temperos, caldos, cereais matinais e margarinas vegetais, macarrões instantâneos, bisnagas e vários outros terão metas para os próximos anos de redução do teor de sódio. Somados os três convênios, a previsão é de que até 2020, estejam fora das prateleiras mais de 20 mil toneladas de sódio. O acordo determina acompanhamento das informações da rotulagem nutricional dos alimentos e as análises laboratoriais de produtos coletados no mercado. * Publicado originalmente no Blog da Saúde.


por Redação da Anvisa
Foto: http://alergodermatologia.blogspot.com.br/ Saúde

Estudo da Unifesp estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool

[caption id="attachment_83222" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://alergodermatologia.blogspot.com.br/"][/caption] São Paulo - Mais da metade das bebidas alcoólicas comercializadas no país (54%) são consumidas por 20% das pessoas que bebem. O dado consta do 2° Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) divulgado ontem (10) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em termos gerais, o estudo estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool. Para o professor Ronaldo Laranjeira, organizador da pesquisa, essa proporção demonstra o padrão de consumo de álcool no Brasil. "Apesar de 50% [da população brasileira] não consumirem bebida alcoólica, os que bebem, bebem de maneira abusiva", disse. O 2º Lenad foi feito em 149 municípios em todas regiões do país. Foram entrevistadas 4.607 pessoas com acima de 14 anos de idade. De acordo com os pesquisadores da Unidade de Pesquisas em Álcool e Droga (Uniad) da Unifesp, a mostra é representativa da população brasileira. O primeiro levantamento foi feito em 2006. O estudo constatou que houve um aumento de 20% na quantidade de brasileiros que consomem álcool uma vez ou mais por semana. Também houve aumento no número de pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool (quatro unidades para mulheres e cinco para homens) em um curto período de tempo (duas horas). Entre esses consumidores, essa forma de beber passou de 45%, em 2006, para 59% no ano passado. A pesquisa destaca o aumento do consumo de álcool abusivo entre as mulheres. A proporção das que passaram a beber uma vez ou mais por semana cresceu 34,5% em seis anos, passando de 29% para 39%. Outro indicador que demonstra esse comportamento nocivo é o que avalia o consumo de álcool em relação ao tempo. As que ingerem quatro doses em até duas horas passaram de 36%, em 2006, para 49% no ano passado. De acordo com os pesquisadores, quando comparado a outros países, no entanto, a taxa de pessoas que não bebem no Brasil é baixa, cerca de 50%. Na Argentina, por exemplo, os bebedores chegam a 84% da população, informou a pesquisadora Ilana Pinsky, que fez parte da comissão organizadora da pesquisa. "Apesar dessa diferença, o índice dos argentinos que bebem abusivamente é parecido com o nosso. Essa é uma característica do nosso país", explicou. Entre os fatores que podem explicar o crescimento desse modo nocivo de beber, está a ascensão econômica da população nos últimos anos. "A grande mudança de 2006 para cá foi o aumento da renda, especialmente nas classes C e D. Quem não bebia continua não bebendo. Por isso não tivemos aumento do número de bebedores. Agora, quem já bebia vai ter a tendência de poder investir mais", apontou. Laranjeira destaca ainda, como explicação para o aumento do consumo abusivo, a falta de política pública que desincentivem a ingestão de bebidas alcoólicas. "O mercado do álcool permanece intocado. Temos 1 milhão de pontos de venda que são estimulados a aumentar cada vez mais o consumo. Além do baixo preço de bebidas e as propagandas que estimulam os mais jovens a beber", ressaltou. O professor avalia que as mudanças alcançadas no comportamento de beber e dirigir são exemplos de como as políticas orientadas nesse sentido podem gerar resultado. "Hoje, a única medida que existe em relação ao álcool em termos de fiscalização é a Lei Seca", disse. O levantamento mostra que houve redução de 21% na proporção de pessoas que relatam ter dirigido após consumir álcool. A maior queda ocorreu na Região Nordeste, com uma diminuição de 43%. Somente no Centro-Oeste houve aumento, de 37% para 40%. O estudo traz ainda dados que relacionam violência ao consumo de bebidas alcoólicas. Em relação à violência na infância, por exemplo, das pessoas que foram agredidas fisicamente quando crianças, 20% delas apontaram que o agressor estava alcoolizado. Nos casos de violência doméstica, a presença do álcool foi apontada em 50% das respostas. Em termos estatísticos, isso representa 3,4 milhões de pessoas agredidas em casa por alguém alcoolizado. * Edição: Aécio Amado. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Camila Maciel, da Agência Brasil
Os pesquisadores concluíram que 180 mil mortes são causadas anualmente por conta de bebidas açucaradas. Foto: Luiz Henrique Assunção/Flickr Saúde

Refrigerantes e outras bebidas causam 180 mil mortes precoces anuais

[caption id="attachment_83287" align="alignleft" width="300" caption="Os pesquisadores concluíram que 180 mil mortes são causadas anualmente por conta de bebidas açucaradas. Foto: Luiz Henrique Assunção/Flickr"][/caption] Pesquisadores do departamento de saúde da Universidade de Harvard lançaram um estudo que aponta a relação entre bebidas açucaradas e a incidência de mortes precoces. Os especialistas consideraram a situação em 114 países e concluíram que 180 mil mortes são causadas anualmente em decorrência deste açúcar. As bebidas que detêm este perfil e estão entre as mais consumidas no mundo são os refrigerantes, isotônicos, energéticos, entre outras. De acordo com o estudo, o excesso de açúcar ocasiona obesidade, doenças no coração, diabetes e alguns tipos de câncer, que por sua vez estão relacionados ao grande número de mortes precoces. Os pesquisadores trabalharam este tema durante cinco anos, sob a liderança do pós-doutor Gitanjali M. Singh, e concluíram que das 180 mil mortes causadas pelas bebidas açucaradas 133 mil delas são relacionadas à diabetes, 44 mil por doenças cardiovasculares e seis mil em consequência de câncer. Nos EUA os debates sobre as grandes embalagens de refrigerante já geraram muita polêmica e renderam proibições e novas legislações. Mesmo assim, a nação soma 25 mil mortes precoces com o perfil analisado pelos especialistas. O México é outra nação com destaque negativo. Os pesquisadores dizem que o consumo médio no país latino-americano e de 700 ml de bebidas deste tipo por dia, considerada a maior taxa entre os locais estudados. O codiretor do programa de epidemiologia vascular de Harvar, Dariush Mozaffarian, explicou que três quartos destas mortes precoces estão concentradas em países de baixa e média renda. “Este não é apenas um problema dos países ricos”, informou o especialista em declaração à CNN. “Nosso estudo mostra que dezenas de milhares de mortes no mundo são causadas pela ingestão de bebidas açucaradas e isso deve impulsionar as autoridades políticos a adotarem medidas fortes para reduzir o consumo de bebidas açucaradas”, finaliza Singh. * Com informações do Inhabitat. ** Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Redação do CicloVivo*
Foto: http://videoinsano.com.br/ Saúde

Anvisa aprova novos requisitos para repelentes

[caption id="attachment_83283" align="alignleft" width="300" caption="Foto: http://videoinsano.com.br/"][/caption] Os produtos repelentes, utilizados na pele para afastar insetos, terão um regulamento específico e rótulos mais claros para o consumidor. Em reunião pública nesta segunda-feira (8), os diretores da Anvisa aprovaram o novo regulamento para estes produtos, que são enquadrados na categoria dos cosméticos. Uma das principais mudanças se refere ao rótulo dos produtos, que não poderão utilizar imagens e figuras de apelo infantil, mesmo os indicados para uso em crianças. De acordo com a Gerente-Geral de Cosméticos da Anvisa, Josineire Sallum, mesmo os repelentes para uso infantil são tóxicos e por isso devem ser aplicados por um adulto. A medida busca prevenir acidentes, já que o uso de imagens e figuras de apelo infantil podem despertar o interesse das crianças. No entanto, os fabricantes poderão continuar utilizando cores e dizeres apropriados para distinguir o produto de uso adulto e o de uso infantil. Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, a medida reflete uma preocupação da Agência em zelar pelo público mais vulnerável. “Há muitos aspectos que contemplam o universo infantil; esse cuidado é importante em todo o produto destinado às crianças, quer seja cosmético, alimento ou medicamento. Não podemos induzir uma criança a beber um produto por ele ter um aroma gostoso, isso é arriscado, ele pode ser tóxico”, explicou Barbano. Outra mudança diz respeito aos rótulos dos produtos com o ingrediente conhecido como Deet. Neste caso, os repelentes deverão trazer um alerta específico para o uso em crianças, destacando que o produto não deve ser utilizado em menores de dois anos. O rótulo também deverá deixar claro que o produto não deve ser utilizado mais do que três vezes ao dia em crianças de dois a 12 anos. Os fabricantes terão 18 meses para se adequar às novas regras, a partir da publicação da medida no Diário Oficial da União. * Publicado originalmente no Blog da Saúde.


por Redação da Anvisa
O boldo é potente contra náuseas, dores de estômago e problemas no fígado. Foto: Rodrigo Ghedin/Flickr Saúde

Conheça os remédios naturais mais eficientes

[caption id="attachment_83279" align="alignleft" width="300" caption="O boldo é potente contra náuseas, dores de estômago e problemas no fígado. Foto: Rodrigo Ghedin/Flickr"][/caption] Além de evitar substâncias químicas e reduzir as emissões de carbono da indústria farmacêutica, quem aposta nos remédios naturais passa a compartilhar a sabedoria das gerações passadas, e ainda pode cultivar as ervas medicinais no quintal de casa. O uso medicinal de plantas e alimentos faz parte da cultura brasileira há muitos anos, mesmo antes da colonização dos portugueses. Da terra, brotam verdadeiros remédios que podem ser usados para combater dores, mal estar, insônia e até mesmo aumentar a imunidade do corpo das pessoas de forma natural. Além disso, é uma alternativa mais econômica para os bolsos dos brasileiros, em especial, pelo fato do governo ter liberado um reajuste no valor dos remédios, que já passa a valer a partir desta sexta-feira. Quem precisar ir à farmácia pode constatar um aumento de até 6,31%. Por conta disso, o CicloVivo listou uma série de plantas e alimentos fáceis de serem encontrados, e, até mesmo, plantados no quintal de casa, que podem ser a solução ideal para combater vários males: Camomila, eficiente contra cólicas e desconforto intestinal Calmante natural, a camomila também é responsável por melhorar cólicas e gases intestinais, uma vez que a erva relaxa as paredes do intestino, aliviando os espasmos nas paredes internas do órgão digestivo. A erva também é um santo remédio para os bebês: um estudo realizado na Itália aponta que o chá de camomila diminuiu em 85% o tempo de choro das crianças que sofriam com as cólicas em fase de amamentação. Boldo, remédio natural para enjoos e problemas no fígado O boldo, cultivado em toda a América do Sul, é potente contra náuseas, dores de estômago e problemas no fígado. As folhas da planta têm gosto amargo e não devem ser utilizadas por gestantes. Geralmente, o boldo é usado para fazer chá, que também alivia calafrios e melhora os sintomas das infecções urinárias. Gengibre, ideal para gripe e dor de garganta Originário do Oriente, o gengibre se adaptou facilmente ao clima brasileiro e pode ser misturado à comida, mas tem sua ação potencializada no chá. O gengibre ajuda a descongestionar as vias respiratórias e tem poder anti-inflamatório, sendo muito indicado para aliviar dores de garganta. Poejo, a erva de várias funções O poejo é um remédio natural usado contra vários problemas: o chá das folhas que parecem com hortelã possui efeito expectorante, melhora a digestão e combate diarreias, principalmente aquelas que são originadas por infecções. Além disso, o poejo também pode ser queimado para afastar insetos e até mesmo matar piolhos. Geralmente, a planta é cultivada em solos úmidos, e, no dia a dia, pode ser usada para eliminar o mau hálito. O poejo não deve ser consumido por gestantes, e o uso em excesso é sempre contra indicado. * Com informações da Revista Pais e Filhos. ** Publicado originalmente no site CicloVivo.


por Redação do CicloVivo
alimentos Saúde

Conheça nove alimentos ricos em potássio que reduzem o risco de AVC

[caption id="attachment_83256" align="aligncenter" width="500" caption="O ideal é inserir uma porção de alimentos com potássio em cada refeição. Foto: Murtada al Mousawy"][/caption]   O acidente vascular cerebral (AVC), mais conhecido como derrame cerebral, é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil. Um estudo realizado por pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicado no British Medical Journal indicou que uma dieta rica em alimentos com grande quantidade de potássio pode reduzir em até 24% o risco de AVC. A pesquisa apontou que o potássio é essencial para o funcionamento celular, além de servir como contraponto à ação do sódio, componente do sal fortemente ligado à hipertensão - uma das causas do derrame cerebral. A OMS recomenda até 5g de sal por dia. Saiba como reconhecer os sintomas do AVC Em 2010, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) divulgou que, a cada cinco minutos, um brasileiro morre por causa de um AVC, o equivalente a quase 100 mil mortes por ano no país. Para ajudar na adequação da dieta, o EcoD conversou com as nutricionistas Deborah Vilela e Alice Alagia, que confirmaram a importância do potássio na alimentação. Alimentos como limão, maracujá, melancia, brócolis, repolho, arroz, pão comum, pimentão, requeijão e manteiga são considerados alimentos pobres em potássio por Alice. Ela comenta que as contrações dos músculos dependem de um perfeito equilíbrio do nível de potássio no organismo. "Quando caminhamos, ou quando movimentamos nossos braços ou respiramos, nossos músculos dependem dessa substância para realizarem estes trabalhos, inclusive o coração", frisa. Deborah explicou que, para a dieta ser equilibrada, o essencial é acrescentar uma porção de algum alimento ricos em potássio em todas as refeições realizadas no dia. Clique aqui e confira galeria de fotos com alguns alimentos que podem ser incluídos na sua dieta e reduzir os riscos de um derrame. * Publicado originalmente no site EcoD. 


por Redação do Ecod
Aplicação de aditivo ao leite materno reduz proteção contra infecções. Foto: Wikimedia Commons Saúde

Leite materno com aditivo perde proteção contra infecções

[caption id="attachment_83229" align="alignleft" width="230" caption="Aplicação de aditivo ao leite materno reduz proteção contra infecções. Foto: Wikimedia Commons"][/caption] A utilização de aditivo de leite materno, com o objetivo de manter as vantagens do aleitamento e aumentar o aporte de nutrientes para bebês recém-nascidos com menos de 1,5 quilo (kg), pode diminuir a proteção destes às infecções por bactérias. O estudo in vitro da nutricionista Letícia Fuganti Campos indica que a aplicação ao leite humano de aditivo de leite materno suplementado com ferro na concentração de 0,28 miligramas (mg) por grama (g) de aditivo pode diminuir a capacidade do aleitamento de proteger contra infecções por Escherichia coli. O leite materno possui, naturalmente, uma proteína chamada lactoferrina, que se liga a íons de ferro presentes na secreção. Com essa ação, o ferro, que é essencial para a maioria das bactérias patogênicas, não fica disponível em grande quantidade. Dessa forma, a lactoferrina diminui o crescimento do número dos patógenos e, consequentemente, a incidência de infecções nos bebês que consumirem o leite. No entanto, por demanda nutricional de recém-nascidos com menos de 1,5 kg, acrescenta-se aditivo de ferro e outros nutrientes ao leite humano. “O leite materno é o alimento ideal para ser ofertado ao recém-nascido” diz Letícia, “entretanto, devido à necessidade nutricional aumentada deste grupo, o aditivo de leite materno pode ser utilizado no ambiente hospitalar”. Com a pesquisa, a nutricionista intencionava ver se o acréscimo de aditivo de leite suplementado com ferro diminuía o efeito bactericida do leite. “O objetivo foi comparar o crescimento bacteriano no colostro puro versus colostro com aditivo de leite materno suplementado com ferro”, conta a nutricionista. A dissertação A influência da aditivação do leite humano no crescimento bacteriano in vitro foi orientada pelo professor Mário Cícero Falcão, da Faculdade de Medicina de USP (FMUSP). A coleta e a análise das amostras foram feitas entre agosto de 2010 a março de 2011. Testes Em amostras de colostro, nome designado para o leite materno produzido até o sétimo dia após o parto, a nutricionista testou o crescimento das bactérias separadamente, depois de um dia inteiro de incubação em estufa. Letícia testou Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, relacionadas a diversos tipos de infecções. O leite utilizado foi recolhido em até dois dias de pós-parto de mães internadas após parto normal, em um hospital no Paraná. Os resultados entre colostro puro e colostro aditivado com leite humano suplementado com ferro, segundo a nutricionista, foram iguais para Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. No entanto, para Escherichia coli, houve uma diferença significativa, com aumento do crescimento de microrganismos na presença do ferro do aditivo. Em sua dissertação, Letícia enfatiza que mais estudos são necessários para identificar a quantidade de ferro que interfere na ação da lactoferrina em inibir o crescimento bacteriano. Ainda, na entrevista, a nutricionista reforça a importância da amamentação. “A alimentação do bebê com leite materno é vantajosa porque, além de desempenhar função imunológica, promove equilíbrio da microbiota intestinal”, diz a pesquisadora. “A colonização intestinal ideal promovida repercute em toda vida, mesmo após o período da amamentação. O ideal para isso é a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses”. * Publicado originalmente no site Agência USP.


por Mariana Melo, da Agência USP
SUScapa Saúde

SUS: Entre a hegemonia e a americanização

[caption id="attachment_83208" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Ian Waldie/Getty Images/AFP"][/caption] A política de saúde persiste em sua trajetória hipercomplexa e contraditória. Apesar do gigantesco esforço dos governos, gestores e entidades comprometidas com o Sistema Único de Saúde (SUS), o intenso processo de mercantilização da assistência médico-hospitalar cria um vetor que tenciona permanentemente com o ideário reformista. O denominado processo de “americanização” do sistema de saúde brasileiro conforma na prática um projeto contra hegemônico ao SUS. Esse processo envolve múltiplas dimensões e determinações: políticas, econômicas, tecnológicas e ideológicas. Passemos a uma análise mais acurada dessa complexa rede de determinantes em seu atual momento dentro do modelo de desenvolvimento brasileiro. Em foco, a reconquista de hegemonia para o SUS. E para isso, torna-se fundamental considerarmos um novo conceito de sustentabilidade: aquele que incorpora aos componentes econômico, tecnológico, institucional e político, o cuidado com a saúde e a qualidade de vida no planeta. Moacir Scliar em várias oportunidades destacava a qualidade da saúde pública brasileira no enfrentamento das doenças imunopreveníveis, nos resultados obtidos na redução da mortalidade infantil, do aumento da expectativa de vida, na redução da mortalidade por doenças cardiovasculares. Mas os novos desafios colocados pela tríplice carga de doenças (infectocontagiosas, crônicas e causas externas), pela dramática transição demográfica (em 2030 teremos mais brasileiros acima de 60 anos do que entre zero e 14 anos), pela transição do padrão alimentar e cultural (obesidade, diabetes, hipertensão), e pelas dificuldades estruturais de avançar na linha da determinação social da saúde, colocam novos e complexos desafios adicionais, em especial, recolocar a questão: como se produz saúde? A “estratégia de reorientação setorial”, com o Programa de Saúde da Família, avança em termos de cobertura e complexidade (Nasf, Caps etc), mas não consegue se estruturar como única ou principal porta de entrada do sistema. Percebe-se uma orientação que privilegia de certa forma a ação dos agentes comunitários, mas chamo a atenção da importância de uma forte base de clínica ampliada (médicos, enfermeiros e outros profissionais) que dê qualidade e resolutividade ao modelo respeitando e contando com a ativa participação e colaboração dos pacientes e seus familiares. As iniciativas dos Ministérios da Educação e Saúde para o fortalecimento da formação de clínicos e especialistas em saúde da família, não parecem suficientes para reverter o vetor da hiperespecialização e da fragmentação na formação médica. A questão do trabalho médico se mantém como um dos mais complexos desafios. A possibilidade garantida pela constituição de múltiplos vínculos públicos e privados para o médico, onde a renda auferida em cada um desses espaços difere de modo importante, impede o estabelecimento de vínculos institucionais mais sólidos, carreiras de horizonte mais longo, dedicação integral a determinado serviço. Para enfrentar esse novo cenário será necessário, por exemplo, construir uma nova institucionalidade para a administração pública. Os aspectos relacionados aos modelos de gestão continuam sendo motivo de polêmica e confronto entre gestores de diversos níveis governamentais e órgãos de controle. O fato é que não conseguimos dar seguimento à construção de um novo modelo de macro governança principalmente para grandes redes assistenciais. Algumas iniciativas inovadoras como a da Bahia com a criação de uma fundação estadual para gerir o PSF devem ser mais bem avaliadas. Há aqui, de fato, um “mal estar” que com frequência coloca em choque a visão de quem está na linha de frente com visões das distintas corporações (exemplo: a decisão do governo federal de criar uma empresa pública para gerir os hospitais de ensino do MEC). O mercado de planos e seguros cresce de modo sustentado fortemente alimentado pelo espetacular resultado das macro políticas das gestões Lula, ao ampliar fortemente a base do trabalho assalariado enquanto a capacidade de regulação da Agência Nacional de Saúde (ANS) esbarra nas limitações do marco legal e nas fragilidades do modelo das agencias reguladoras. As iniciativas referentes ao denominado Complexo Econômico Industrial da Saúde são merecedoras de aplausos incluindo as referentes a introdução de políticas de gestão de incorporação de tecnologias em saúde. Aspectos relacionados ao desenvolvimento da Reforma Psiquiátrica voltam à tona com a discussão das questões colocadas pelo consumo de drogas (principalmente o crack) e a polêmica opção pelas comunidades terapêuticas considerando que a rede de CAPS ainda está aquém do necessário. Uma novidade ainda pouco percebida, mas considerada pela presidenta Dilma Rousseff, é a priorização da atenção integral à primeira infância, integrando iniciativas dos programas Brasil Carinhoso, Rede Cegonha e Estratégia Brasileirinhos Saudáveis (EBBS). A primeira infância (da gestação aos seis anos) é considerada um período decisivo para o desenvolvimento do ser humano saudável, sob todos os pontos de vista: físico, mental e emocional. Entretanto, quando do lançamento da EBBS, em 2009, ao contrário de muitos países que já possuíam programas nacionais voltados a estas crianças – como Cuba e Chile -, o Brasil ainda não contava com uma politica semelhante no nível federal. Trata-se de uma abordagem inovadora que integra saúde pública, educação e desenvolvimento social, considerando contribuições de campos diversos como neurociências e psicanálise. Este tipo de iniciativa visa antecipar questões de produção e promoção da saúde, de maneira a buscar caminhos inovadores de cuidado. A política de assistência farmacêutica avançou com o Farmácia Popular e a estratégia de uso da rede de farmácias como parceiras do governo no fornecimento de medicamentos subsidiados ou gratuitos. Porém, o elenco de produtos oferecidos ainda é limitado. Creio que essa é uma estratégia importante e que esbarra para sua plena consolidação na insuficiência de recursos financeiros. Iniciativas importantes foram tomadas no aperfeiçoamento da gestão com a contratualização entre entes públicos e o início do processo de uma macro avaliação do desempenho da saúde. Houve críticas fundamentadas em relação à metodologia adotada para o estabelecimento de um ranking de desempenho para estados e municípios, mas a iniciativa deve ser aperfeiçoada. No campo das relações entre publicidade e saúde pública, área de extrema relevância, pouco pôde ser feito principalmente pela postura omissa do legislativo em relação à publicidade de medicamentos, de bebidas alcoólicas e alimentos infantis. Nos direitos sexuais e reprodutivos pouco se avançou, principalmente, sobre o aborto. Exceto pela histórica decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à questão da anencefalia. Desafios O macro financiamento setorial continua como um dos principais desafios. Apesar do avanço em alguns aspectos da regulamentação da emenda constitucional 29, o subfinanciamento que perdura há mais de duas décadas, persiste como o principal fator que impede a qualificação e avanço do SUS. Aqui, destacam-se as questões referentes à renúncia fiscal, subsídios variados ao mercado, co-pagamento de planos privados a funcionários dos três poderes, regulação por parte da Receita Federal do que pode ou não ser abatido do imposto de renda devido pelas famílias etc. Mas, desafio mesmo, é pensar saúde como vida intensa e criativa, qualificada pelo desabrochar de plena potência das capacidades humanas. Fundamental, portanto, reunir esforços e construir alternativas à mentalidade conservadora e empobrecida que vê a saúde como ausência de doença e política de saúde limitada apenas à dimensão da assistência médica. Nesta perspectiva, corremos céleres rumo a um processo de americanização nos afastando do incrível ganho constitucional que foi a saúde como direito de todos. * José Gomes Temporão é ex-ministro da Saúde (2007-2010) e integrande da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) ** Publicado originalmente no site Carta Capital.


por José Gomes Temporão*

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