De bem com sua memória - parte 5

Artigo

De bem com sua memória – parte 5


por Marco Antônio Arruda*


A memória ultrarrápida retém a informação por frações de segundo a minutos. É aquele prazo suficiente para desligarmos o celular e anotarmos o número de telefone que acabaram de nos passar.A memória de curto prazo é mais duradoura e tem outras características que equivalem, grosseiramente, à memória operacional dos computadores ou memória RAM (memória de acesso aleatório, em inglês). Ela “gerencia a realidade”, mantém sob controle uma série de informações ao mesmo tempo em que processa outras, por isso é também conhecida como memória de trabalho.A memória de longo prazo, por sua vez, resulta da formação de engramas ou traços duradouros da informação, sob forma eletroquímica e genética, que ficam armazenados nas células nervosas por dias, meses ou décadas. Ela pode ser expressa verbalmente ao recordar um fato (o nome da capital do Amapá) ou um evento (a viagem que fiz a Macapá), ou não verbalmente, como a memória utilizada para executar atos como andar de bicicleta ou tocar um instrumento (procedimentos e habilidades), salivar quando me lembro do bife a milanesa da tia Dina (condicionamentos) ou me lembrar de Albert Einstein quando vejo alguém com a língua de fora (memória priming, adquirida e evocada por meio de dicas).Após codificar, armazenar e recuperar as informações, o cérebro se ocupa de esquecê-las, respeitando, naturalmente, o seu grau de importância para a nossa sobrevivência. Este é um processo fundamental que garante espaço na “prateleira”, para que novas e mais importantes informações sejam estocadas.Quando não descarta de vez a informação residente na memória de longo prazo, ele, sabiamente, a retoca, com o ônus da perda de fidelidade.Dessa forma, podemos inferir que o cérebro nos dá apenas uma visão aproximada da realidade, “pano para manga” em discussões filosóficas, jurídicas e existenciais.* Marco Antônio Arruda é médico neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia.** Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.

O cigarro é o único causador de 75% dos tipos de câncer de no pulmão. Foto: Nati Harnik/AP Prevenção

É possível evitar o câncer

[caption id="attachment_48744" align="alignleft" width="300" caption="O cigarro é o único causador de 75% dos tipos de câncer de no pulmão. Foto: Nati Harnik/AP"][/caption]Um estudo publicado na revista Science Translational Medicine, em 28 de março, faz uma revisão de dezenas de outras pesquisas sobre as causas dos tumores mais comuns que afligem a humanidade e conclui que mais da metade deles pode ser evitada. O principal pesquisador do estudo, o Dr. Graham Colditz, professor da Faculdade de Medicina da -Universidade de Washington e diretor de Prevenção e Controle do Centro do Câncer Siteman, em Saint Louis, afirma que está na hora da ciência colocar todo seu conhecimento já adquirido em ação para implantar medidas preventivas que podem reduzir a incidência de câncer na humanidade.De acordo com o estudo, o que já sabemos sobre estilo de vida e costumes, como tabagismo, dieta e exercícios, tem relevante papel no desenvolvimento de vários tipos de câncer e se conseguirmos de alguma maneira mudar nossos hábitos, mesmo que de maneira forçosa, vamos nos livrar de boa parte deles. O fumo, por exemplo, provoca mais de um terço dos casos de câncer, e a obesidade causa outros 20%. Um estudo feito na Índia, e publicado em março na Lancet Online First pelo professor Prabhat Jha, avaliou as mortes por câncer naquele país em 2010 e concluiu que 42% dos óbitos em homens e 20% em mulheres foram causados pelo fumo.Os obstáculos para mudarmos isso são vários. O principal é o ceticismo de que o câncer pode ser evitado. Apesar de sabermos que o cigarro é o único causador de 75% dos tipos de câncer no pulmão, é difícil conseguir fazer um fumante parar de fumar ou alguém que nunca fumou entender o cigarro como algo muito perigoso. A dificuldade em se acreditar nisso é de que medidas preventivas, apesar de surtirem efeito imediatamente, demoram um tempo para demonstrar isso. Se abolirmos o fumo hoje, conseguiremos reduzir o tumor que mais mata homens em até 75%, mas esse índice será atingido em 20 anos.O efeito nas outras doenças crônicas que serão evitadas também ficará bem claro em apenas uma ou até três décadas.Outro obstáculo é que a ação preventiva em geral é dirigida ao adulto e não ao jovem. Quando ocorre o inverso, o efeito é muito mais eficaz. É o caso da vacinação contra o papilloma vírus, que causa câncer cervical uterino. Se a imunização for feita em meninas antes do início da atividade sexual, é muito melhor e, portanto, mais indicado. Mas poucos pais e governos levam as adolescentes para vacinação.Outro obstáculo gigantesco é que grande parte dos recursos em pesquisa são gastos na busca do tratamento, e não na prevenção do câncer. Hoje, vale muito mais uma patente na mão do que um Nobel de medicina, mesmo porque não se ganha prêmios Nobel fazendo medicina preventiva. Programas preventivos que salvam milhares de vidas dificilmente são notados pela mídia, mesmo a especializada.No Brasil, cerca de 300 mil pessoas morrem de câncer ao ano, e mais de 800 mil casos novos aparecem todos os anos. Nossa incidência é proporcionalmente um pouco menor do que nos países desenvolvidos, pois nossa população ainda morre de doenças que já estão sob controle no Primeiro Mundo. Mas aqui, por falta de recurso assistencial, morremos antes pelo mesmo tipo de câncer que os americanos.Na década de 1990, esperávamos que os seres humanos pudessem nos dias de hoje ter uma expectativa de vida de mais de 120 anos. Isso não aconteceu, principalmente porque não mudamos nossos hábitos. O vício, o sedentarismo e o abuso de calorias na dieta serão por muito tempo nossos maiores algozes.A coautora do estudo desabafa: “Medidas preventivas são baseadas em mudanças de políticas governamentais, que devem ser implantadas corajosamente. Podemos contar a história, mas se não houver massa crítica suficiente para forçar mudanças continuaremos morrendo à toa”.* Rogério Tuma é médico neurologista.** Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Rogério Tuma*
felicidade Felicidade

Felicidade demais é ruim?

Ser feliz, quem não quer? Mas em um artigo, pesquisadora aponta que a busca pela felicidade tem o seu lado negativo também. Na realidade, diz, nem todos os níveis de felicidade são igualmente bons e se esforçar para atingir a felicidade pode fazer com que as pessoas se sintam mal.O artigo – publicado no periódico Perspectives on Psychological Science – foi feito com base na revisão de diversos estudos sobre o tema. Nele, a autora June Gruber, da Universidade de Yale, nos EUA, diz que as “ferramentas” sugeridas para nos tornarmos mais felizes não são necessariamente ruins – como dedicar um tempo todos os dias para pensar sobre coisas que lhe deixam feliz ou grato, ou a criação de situações que possam fazer você feliz. “Mas quando você faz estas coisas com a motivação ou a expectativa de que estas coisas deveriam fazê-lo feliz, isto pode levar à decepção e à diminuição da felicidade.”Por exemplo, em um outro estudo, pesquisadores mostraram que pessoas que leram um artigo de jornal enaltecendo o valor da felicidade sentiram-se pior depois de assistir um filme feliz do que as pessoas que leram um artigo de jornal que não mencionou a felicidade – provavelmente porque elas ficaram desapontadas por não se sentirem mais felizes depois do filme.“Quando as pessoas não acabam tão felizes como esperavam, seu sentimento de fracasso pode fazê-las sentir-se ainda piores.”E, respondendo a primeira pergunta, muita felicidade pode ser sim um problema. Em um outro estudo, que acompanhou crianças dos anos 1920 até a fase adulta, pesquisadores descobriram que aquelas classificados como “altamente alegres” por seus professores morreram mais jovens.A conclusão neste caso é a de que as pessoas que se sentem extremamente felizes pensam de forma menos criativa e tendem a assumir mais riscos. “O medo pode evitar correr riscos desnecessários, a culpa pode ajudar a lembrar de se comportar bem em relação aos outros, e assim por diante.”E o que traz felicidade? “O mais forte preditor da felicidade não é o dinheiro e nem o reconhecimento externo, através do sucesso ou da fama”, diz Gruber. “É ter relações sociais significativas.” A melhor dica, talvez, seja parar de se preocupar em ser feliz e passar a dar mais atenção às pessoas próximas. “Se há uma coisa para se concentrar, é nisso. Deixe todo o resto acontecer”, finaliza.* Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Marina Teles, do O que eu tenho
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Anencefalia: Marco Aurélio Mello cita riscos à saúde física e mental de grávidas

Brasília – O ministro Marco Aurélio Mello, relator do processo em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o direito de as gestantes interromperem a gravidez nos casos de fetos anencéfalos (ausência de cérebro), leu seu relatório em 17 minutos. Ele fez um histórico sobre os oito anos em que o caso está na Corte e mencionou argumentos favoráveis e contrários. Porém, o ministro não antecipou sua posição sobre o tema.No seu relatório, Mello lembrou as audiências públicas realizadas, nas quais representantes da área médica observaram que o feto anencéfalo é um natimorto biológico e esclarece que há riscos ampliados às mulheres devido à manutenção da gravidez. Também ressaltou que houve defesa do direito inviolável da vida do feto e à escolha, citando a ética privada. Ele destacou também que a manutenção da gravidez pode desencadear quadro psiquiátrico grave na gestante.Em seguida, faz a sustentação oral o advogado Luiz Roberto Barroso, que defende o direito das mulheres de interromperem a gestação, quando o feto é anencéfalo. “É o direito de pensar e escolher”, disse ele. “A criminalização da interrupção da gestação quando o feto não é viável viola os direitos das mulheres.” Advogados contrários à aprovação da medida também apresentarão suas posição.O ministro Marco Aurélio Mello foi o primeiro a falar entre os integrantes do Supremo. Em seguida, virão os ministros Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Pelluso. O ministro Dias Toffoli não votará, pois no passado, quando era advogado-geral da União, manifestou-se favorável à interrupção da gravidez no caso de anencéfalos.O julgamento é acompanhado por favoráveis, contrários e curiosos. Há pessoas do lado de fora do prédio e algumas conseguiram entrar para acompanhar a decisão do plenário do STF. Um forte esquema de segurança foi organizado para evitar confrontos.A presidente da Comissão de Bioética e Biodireito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, Maíra Fernandes, que acompanha o julgamento, torce para que a maioria do STF seja favorável à interrupção da gravidez em caso de fetos anencéfalos. Segundo ela, nos oito anos em que o processo está no Supremo, várias gestantes recorreram aos tribunais de Justiça de seus estados, na tentativa de obter autorização para interromper a gravidez.* Edição: Juliana Andrade.** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Renata Giraldi e Paula Laboissière, da Agência Brasil
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Quem são os donos do cardápio infantil?

Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!Infelizmente, na última década, mais crianças passaram a sofrer de hipertensão arterial, uma doença crônica, isto é, que se arrasta por toda a vida e que necessita de medicação continuada. E qual a causa dessa repentina mudança? Múltiplos fatores podem causar a pressão alta mais comum - também chamada de hipertensão arterial essencial - mas os principais são a combinação de obesidade e ingestão de quantidades excessivas de sal na alimentação.Antes de seguir em frente, é preciso que se diga que a pressão alta não é um probleminha qualquer. É fator de risco importante para infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (os derrames cerebrais), entre tantas outras consequências. E o resultado da obesidade iniciada na infância é o aparecimento de hipertensão arterial em crianças e adolescentes, de diabetes melito, doenças vasculares como infarto do miocárdio, tromboses, derrames cerebrais e todas as suas complicações.Bem, mas não é de hoje que o sal está presente na alimentação humana. Então, por que agora estaria prejudicando também as crianças? O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele e é esse último que causa o aumento da pressão. É aí que entram os alimentos industrializados ou altamente processados. Há muita diferença na quantidade de sal (cloreto de sódio) colocado numa refeição cotidiana preparada em casa e os tais produtos industrializados. Nestes, o sódio está presente, além do sal, na estrutura dos conservantes e aromatizantes, usados para aumentar o período de validade ou para realçar o sabor, resultando em quantidades exageradamente grandes de sódio.Nesse contexto, é preciso considerar que os hábitos alimentares dos brasileiros mudaram significativamente nos últimos anos. Saímos do feijão, arroz e bife para as comidas congeladas, as pré-prontas, os salgadinhos, os biscoitos e refrigerantes. Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Sem entender o que leem ou sem ler o que informam os rótulos, os pais também se seduzem pelos coloridos sinais de adição a anunciar + ferro, + cálcio, + vitaminas. Na verdade, estão comprando gordura, sal e açúcar, crentes de que seus filhos estão sendo bem alimentados. É isso mesmo. Em geral, as fantásticas embalagens coloridas contêm muita caloria e baixíssimo valor nutricional.Estudos que vem sendo amplamente divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o brasileiro está ingerindo mais que o dobro de sal da quantidade diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, o que equivale a uma colher de chá. O brasileiro, em média, está consumindo 12 gramas ao dia, o equivalente a uma colher de sopa. Muitos produtos que hoje fazem parte da dieta usual de crianças contêm quantidades exageradas de sal, sem que os pais percebam o perigo. Você sabe que um pacote de massa instantânea pré-cozida tipo miojo contém 5g de sal, que é a quantidade máxima diária recomendada para um adulto? Haja rins para dar conta!Pesquisa publicada neste janeiro por um grupo da Filadélfia, no American Journal of Clinical Nutrition, uma importante revista da área, mostrou a relação entre o desenvolvimento da aceitação do gosto salgado e uma alimentação complementar, administrada a bebês, contendo amido (batatas, arroz, trigo, pão, bolachas). Foram comparados dois grupos de lactentes: um recebeu alimentação complementar com amido e o outro só comeu frutas em complemento ao leite. A aceitação para o gosto salgado já estava presente aos seis meses nos lactentes alimentados com amido e ausente nos que receberam só frutas. Os lactentes do primeiro grupo apresentaram maior probabilidade de lamber o sal da superfície dos alimentos na pré-escola, bem como de comer sal puro. Assim, segundo a pesquisa, experiências alimentares bem precoces (primeiros meses de vida) exercem um papel muito importante em moldar a resposta ao gosto salgado de lactentes e pré-escolares.Sabemos que a formação do hábito alimentar se dá desde a gestação até cerca de dois anos de idade. E uma vez consolidado o padrão de gosto, fica difícil mudar. A isso, é preciso associar o padrão de uma infância sedentária em frente à televisão, computador e vídeo games. O resultado tem sido a obesidade. Dados do IBGE mostram que o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, aos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras.Houve um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 34 anos: em 2008-2009, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75. Observou-se padrão semelhante nas meninas que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80, e chegaram aos 32% em 2008-09.O tempo de exposição à mídia também vem aumentando. Em média, as crianças ficam mais de 5 horas diárias em frente à TV, tempo superior ao permanecido na escola, que é de 4h30min. Além disso, o padrão das crianças de hoje é acessar varias mídias ao mesmo tempo e em quase todas há inserção de propaganda, ou seja, as crianças ficam expostas a um bombardeio mercadológico. Estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2007, mostrou que 82% dos comerciais televisivos sugeriam o consumo imediato de alimentos ultraprocessados, 78% mostravam personagens ingerindo-os no ato e 24% dos alunos expostos a tais mensagens apresentaram sobrepeso ou obesidade. Já um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2009 identificou que apenas 25% das crianças entre 2 e 5 anos e 38% das crianças entre 5 e 10 anos consomem frutas, legumes e verduras. Guloseimas como balas, biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos ocuparam o espaço de refeições principais.E a água? De repente esse bem essencial ao bom funcionamento do corpo humano foi sendo esquecido. Em creches, escolas e hospitais é comum não encontrarmos bebedouros. A água não está franqueada justamente a quem deveria receber estímulo constante para ingeri-la. O estímulo está focado nos sucos industrializados e nos refrigerantes.E agora, já podemos responder quem são os donos do cardápio das nossas crianças? E quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?Se o que queremos para nossas crianças não é um futuro de obesos desnutridos, precisamos tomar as rédeas da situação e já. A informação continua sendo a chave-mestra e, pais, educadores e profissionais da saúde precisam saber identificar o que está escrito nos rótulos.Se tomamos tantas medidas para a identificação de pessoas que entram nas nossas casas e nas escolas, porque não adotamos estes mesmos cuidados antes de permitir a entrada de substâncias no nosso organismo e das nossas crianças? Nunca é demais lembrar que bons hábitos alimentares começam a ser transmitidos na vida intra-uterina, que criança até dois anos não deve ser exposta ao sal e que não se deve colocar açúcar em chás e mamadeiras de bebês. Muito menos achocolatados, que contém açúcar e gordura em excesso.Seguindo orientações da OMS, estão surgindo políticas públicas para redução do sal nos alimentos industrializados, assim como campanhas de esclarecimento ao público. Foram identificadas ações em 38 países, sendo a maioria na Europa. Já o Brasil recém está iniciando algumas medidas nessa área. Em janeiro deste ano, a Anvisa fez recomendações não obrigatórias para a redução, até 2014, em 10% no conteúdo de sal do pão francês.Também em países europeus, há regras rígidas em relação à propaganda dirigida a crianças. Em terras nativas, dispensam-se comentários. Felizmente a sociedade começa a dar sinais de reação.Acreditando que um outro mundo é possível, que tal a gente sonhar com uma sociedade em que a saúde das nossas crianças esteja acima dos interesses das megacorporações?* Noemia Perli Goldraich é doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutora em Nefrologia Pediátrica pela Universidade de Londres, professora-associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, nefrologista pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.** Publicado originalmente no site Carta Maior.


por Noemia Perli Goldraich*
sindrome-de-crouzon Diagnóstico

Deformidades no crânio e dificuldades de aprendizagem são características da Síndrome de Crouzon

Causa desta patologia é sempre genética e afeta a visão, a audição e a respiração.Uma doença rara de origem genética e que pode gerar alterações em todos os sistemas do corpo, a Síndrome de Crouzon pode apresentar modificações como defeitos oculares, surdez de condução, a anadontia e deficiência mental leve. Esta patologia se caracteriza por apresentar este defeito congênito das suturas dos ossos do crânio, que só deveriam fechar após os oito anos de vida e, cujas crianças afetadas já nascem com uma sutura fechada.“Pela incidência calculada no mundo de 16.5 casos por cada milhão de recém-nascidos, devem nascer no Brasil cerca de 50 casos por ano. Como esta doença é relacionada à idade paterna, com o atual deslocamento das faixas etárias com muitos homens tendo filhos mais tarde, pode estar se elevando este número da doença”, afirma o Dr. João Monteiro de Pina Neto, professor titular do departamento de genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.A causa desta patologia é sempre genética e afeta a visão, a audição e a respiração. Esta enfermidade pode ser evidenciada desde intraútero por ultrasom, mas pode e deve ser detectada ao nascimento. Esta síndrome provoca um desbalanço entre o crescimento ósseo craniano e de partes moles (encefálico). "O mais importante é que as partes moles ficam com dificuldade de crescer, pois as suturas dos ossos estão fechadas e acaba havendo compressão do encéfalo e o aumento da pressão intracraniana, o que pode agravar a visão e a deficiência mental", ressalta o especialista.Outro fator que os pacientes portadores desta síndrome apresentam é a prevalência de anomalias dentárias. Mordidas cruzadas, falta de dentes completa ou parcial são indícios da doença. O diagnóstico pode ser feito através da tomografia computadorizada com janela óssea para exame detalhado dos ossos e suturas da cabeça e também pelo diagnóstico da cranioestenose que deve ser feito antes da criança completar um ano de idade, "depois já haverá consequências irreversíveis clínicas da compressão do encéfalo", completa o professor.Tratamento e cuidadosSegundo o Dr. João Monteiro de Pina Neto, o tratamento é sempre cirúrgico e feito por um neurocirurgião. "Este procedimento tem como objetivo abrir as suturas para que o encéfalo possa crescer", diz o especialista, acrescentando que todos os profissionais envolvidos, por exemplo, pediatras, neuropediatras e geneticistas clínicos devem estar atentos para este diagnóstico.* Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.


por Redação do Saúde em Pauta
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Quase metade dos brasileiros está acima do peso, indica pesquisa

[caption id="attachment_48753" align="alignleft" width="300" caption=" Entre os homens, o problema do excesso de peso começa cedo e atinge 29,4% dos que têm entre 18 e 24 anos. Foto: FBellon"][/caption]Brasília – Estudo divulgado hoje (10) pelo Ministério da Saúde indica que o excesso de peso e a obesidade aumentaram no país no período de 2006 a 2011. De acordo com a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a proporção de pessoas acima do peso no Brasil passou de 42,7% em 2006 para 48,5% em 2011, enquanto o percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8% no mesmo período.O aumento da obesidade e do excesso de peso atinge tanto a população masculina quanto a feminina. Em 2006, 47,2% dos homens e 38,5% das mulheres estavam acima do peso, enquanto em 2011 as proporções passaram para 52,6% e 44,7%, respectivamente.Entre os homens, o problema do excesso de peso começa cedo e atinge 29,4% dos que têm entre 18 e 24 anos. Entre homens de 25 a 34 anos, o índice quase dobra, chegando a 55%. Dos 35 aos 45 anos, o percentual é 63%.Dados do ministério indicam que o excesso de peso na população brasileira também está ligado a fatores como idade. O envelhecimento, segundo a pasta, tem forte influência nos indicativos – sobretudo femininos. O estudo aponta que 25,4% das mulheres entre 18 e 24 anos está acima do peso. A proporção aumenta para 39,9% entre mulheres de 25 a 34 anos e chega a 55,9% dos 45 aos 54 anos.Em relação à obesidade, 6,3% dos homens de 18 a 24 anos se encaixam nessa categoria, contra 17,2% dos homens de 25 a 34 anos. Entre as mulheres, 6,9% das que têm de 18 a 24 anos são obesas. O índice quase dobra entre mulheres de 25 a 34 anos (12,4%) e quase triplica entre 35 e 44 anos (17,1%). Após os 45 anos, a frequência da obesidade se mantém estável, atingindo cerca de um quarto da população feminina.Foram entrevistados 54 mil adultos em todas as capitais do país e no Distrito Federal entre janeiro e dezembro de 2011. De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o objetivo é acompanhar os hábitos da população brasileira e subsidiar políticas públicas.* Edição: Lílian Beraldo.** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Paula Laboissière, da Agência Brasil
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As iniquidades em saúde na agenda global

O mundo em crise é um espaço socialmente muito pouco saudável. Mas, se as deliberações da Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde forem de fato levadas a sério, é possível que se levantem barreiras à barbárie anunciada e sejam mitigadas as consequências da crise sobre a saúde e a qualidade de vida.Entre 19 e 21 de outubro, delegações oficiais, especialistas e membros da sociedade civil de mais de 110 países encontraram-se numa tenda montada no Forte de Copacabana para participar da Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde (CMDSS). Discutiram como enfrentar as enormes diferenças na situação de saúde entre países e entre os grupos populacionais. Essas diferenças, por serem injustas e evitáveis, são denominadas iniquidades em saúde. Sua origem são as condições sociais nas quais os indivíduos nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem, condições essas chamadas determinantes sociais da saúde (DSS). O evento teve pleno sucesso ao lograr um compromisso político de todos os países presentes para o combate das iniquidades em saúde, expresso na Declaração do Rio, e também ao avançar na definição de estratégias, metodologias e avaliação de experiências de ação sobre os DSS (documentos e informações sobre a CMDSS e sobre os DSS podem ser encontrados em www.cmdss2011.org).O século XX foi marcado por avanços e recuos no que se refere à importância dada aos DSS como forma de explicar e orientar as intervenções para promover a melhoria e a equidade das condições de saúde das populações. No contexto do pós-guerra e da construção do sistema das Nações Unidas, em 1948 foi criada a Organização Mundial da Saúde (OMS), em cuja Constituição se define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidade”, destacando, portanto, a importância do social no próprio conceito de saúde. Entretanto, até os anos 1970, em parte devido ao extraordinário êxito da campanha de erradicação da varíola iniciada pela OMS em 1959 e com o último caso da doença observado em 1977, predominou a esperança de que campanhas baseadas em tecnologias ou assistência médica sofisticada aos doentes seriam a principal resposta aos problemas de saúde das populações. Em 1977, os países-membros da organização, reunidos na Assembleia Mundial da Saúde (AMS), estabeleceram como principal meta dos governos e da OMS nas décadas seguintes o alcance por parte de todos os povos do mundo de um nível de saúde que lhes permitisse levar uma vida social e economicamente produtiva. Tal meta ficou conhecida como “Saúde para Todos”.A reunião de Alma-Ata no ano seguinte lançou as bases da estratégia de Atenção Primária da Saúde (APS), como chave para que a meta de Saúde para Todos fosse atingida. A APS reconhecia a importância dos DSS e propunha uma série de estratégias, como a coordenação intersetorial, a participação social e a reestruturação dos sistemas de saúde a partir dos serviços básicos para lograr equidade no acesso e qualidade da atenção à saúde. Entretanto, pouco depois, em 1982, foi lançada uma versão da APS que deixava de lado a ação sobre os DSS e expurgava seu conteúdo transformador dos sistemas de saúde para concentrar-se apenas na aplicação de algumas medidas específicas, como reidratação oral e suplementação alimentar, entre outras, para populações carentes. Em 1986, o pêndulo oscilou novamente em benefício dos DSS com a Carta de Ottawa, lançada durante a 1ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, na qual se reconhece que “as condições e os recursos fundamentais para a saúde são: paz, habitação, educação, alimentação, renda, ecossistema estável, recursos sustentáveis, justiça social e equidade”.A década de 1990 foi marcada por propostas do Banco Mundial para a reforma dos sistemas de saúde baseada no conceito de saúde como um bem privado passível de ser adquirido e regulado pelas regras do mercado. O Relatório sobre desenvolvimento mundial 1993: investindo em saúde lançou as bases desse pensamento.Finalmente, depois desta breve e incompleta revisão histórica dos altos e baixos do enfoque dos DSS na agenda global de saúde, chegamos ao momento atual, quando um movimento em torno dos DSS foi desencadeado pela OMS após a criação da Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde em 2005. O relatório dessa comissão, lançado em 2008, além da melhoria das condições de vida dos grupos vulneráveis e de um melhor conhecimento e acompanhamento das tendências das iniquidades em saúde, propunha enfrentar a desigual distribuição de poder, dinheiro e recursos para a atenção à saúde. Ao discutir esse relatório na AMS, em 2008, os ministros da Saúde dos Estados-membros da OMS recomendaram a necessidade de organizar um evento mundial para compartilhar políticas e experiências, visando estabelecer as estratégias mais efetivas de ação sobre os DSS para o combate às iniquidades em saúde; o Brasil ofereceu-se como sede desse evento, que se materializou na CMDSS, realizada em outubro de 2011.O movimento atual sobre os DSS ganha força e se consolida com uma série de outros eventos de alcance global, como a discussão sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis no âmbito da Assembleia Geral da ONU no final de setembro, em que se definiram metas e estratégias de controle dessas enfermidades por meio da ação sobre os DSS.No início de novembro de 2010, ocorreu a 10ª Conferência Internacional de Saúde Urbana, em Belo Horizonte, durante a qual se discutiu como as instituições e os governos podem desenvolver e pôr em prática intervenções que melhorem a equidade da saúde nas cidades. Em junho de 2012, teremos no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (UNCSD, na sigla em inglês), ou Rio+20. Espera-se que essa conferência permita chegar a acordos sobre como tornar a economia mais “verde” e obter energia limpa e água potável para todos. A saúde terá na Rio+20 uma proeminente presença.O Brasil não pode deixar de aproveitar a oportunidade propiciada por todos esses grandes eventos internacionais para consolidar e fazer avançar sua agenda de políticas públicas para a promoção da equidade em saúde. Além de funcionar como sede desses encontros, o país vem tendo uma destacada participação na promoção do enfoque dos DSS na agenda global, por meio de uma série de atividades no âmbito do conceito de diplomacia em saúde.A cooperação internacional do Brasil que tem a saúde como ponto central caracteriza-se pelo enfoque da cooperação estruturante, conceito desenvolvido e posto em prática pela diplomacia brasileira no campo da saúde, sob a liderança do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz e de outras instituições brasileiras.A Unasul Saúde e o Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (Pecs/CPLP) são dois excelentes exemplos da diplomacia da saúde brasileira e têm entre seus denominadores comuns o esforço de superação das iniquidades em saúde, pelo enfrentamento dos determinantes sociais da saúde.O mundo em crise econômico-financeira é um espaço socialmente muito pouco saudável. Desemprego e desesperança, crise ambiental e alimentar (fome, para dizer sem rodeios) e outras mazelas, sempre presentes nestas crises prolongadas como na que estamos envolvidos, são sempre acompanhados da piora das taxas de adoecimento e morte. Contudo, se as deliberações dos dirigentes reunidos na Conferência do Rio – resumidas no lema “Todos pela Equidade” − forem de fato levadas a sério, é possível que se levantem barreiras à barbárie anunciada e as consequências da crise sobre a saúde e a qualidade de vida sejam mitigadas pela ação concertada dos Estados nacionais, sociedade civil e comunidade internacional.* Alberto Pellegrini Filho é Diretor do Centro de Estudos, Políticas e Informação em Determinantes Sociais da Saúde (Cepi-DSS) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz. Paulo Buss é diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris) da Fiocruz.** Publicado originalmente no Le Monde Diplomatique.


por Alberto Pellegrini Filho*
vida Prevenção

Prevenção e causas do câncer

[caption id="attachment_48717" align="aligncenter" width="425" caption="Foto: Pink Sherbet Photography"][/caption] De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o termo risco é usado para definir a chance de uma pessoa sadia, exposta a determinados fatores, ambientais ou hereditários, adquirir uma doença. Esses fatores, associados ao aumento do risco de se desenvolver uma doença, são chamados fatores de risco. Por outro lado, há fatores que dão ao organismo a capacidade de se proteger contra determinada doença, daí serem chamados fatores de proteção. Ainda de acordo com o INCA, é importante enfatizar que o mesmo fator pode ser de risco para várias doenças, como o tabagismo, por exemplo, que é fator de risco para diversos cânceres e doenças cardiovasculares e respiratórias. Outro ponto ressaltado pelo instituto é o de que vários fatores de risco podem estar envolvidos na origem de uma mesma doença.É frequente que múltiplas causas estejam ligadas à formação do câncer, e que sejam necessários muitos anos de exposição a determinados fatores para que as primeiras manifestações comecem a surgir.Os fatores de risco podem ser encontrados no ambiente físico, ser herdados ou representar hábitos ou costumes próprios de um determinado ambiente social e cultural. Conheça alguns desses fatores:Tabaco[caption id="attachment_48719" align="aligncenter" width="300" caption="Foto: aquípongominick"][/caption]Diversos estudos já provaram a associação entre o uso do tabaco e o aumento da incidência de câncer. O cigarro possui cerca de 4.720 substâncias, sendo 60 delas potencialmente cancerígenas, podendo levar ao surgimento de cânceres como o de boca, laringe, traquéia, pulmão, esôfago, estômago, rins, bexiga, colo do útero, mama e leucemia mileóide aguda.De acordo com o INCA, 90% dos casos de câncer no pulmão são causados pelo tabagismo (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos), assim como 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia).O consumo de tabaco é o mais importante fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão, que é considerado um dos tipos da doença mais possíveis de ser evitada. Comparados com os não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão.Ao parar de fumar, o risco de ter essas doenças vai diminuindo gradativamente e o organismo do ex-fumante vai se restabelecendo. Ainda assim, o risco de ter câncer é, geralmente, mais baixo nas pessoas que nunca fumaram.ÁlcoolSegundo o INCA, o alcoolismo está associado a 2% a 4% das mortes por câncer, além de estar ligado ao surgimento dos cânceres de fígado, reto, da cavidade bucal, de esôfago e, possivelmente, mama. O uso combinado de álcool e tabaco aumenta ainda mais o risco de câncer nestas e em outras localizações, como a faringe e a laringe supraglótica.De acordo com o instituto, o tipo da bebida é indiferente, já que o agente agressor é o etanol. Esta substância psicoativa tem a capacidade de produzir alteração no sistema nervoso central, podendo modificar o comportamento dos indivíduos que dela fazem uso. Por ter efeito prazeroso, induz à repetição e, assim, à dependência.Além do câncer, outras doenças são causadas pelo uso contínuo do álcool, como doenças neurais, mentais, musculares, hepáticas e gástricas. Para evitar esses danos, o recomendado é que as pessoas que optarem por beber álcool o façam de forma limitada a dois drinques por dia para homens e menos de um para mulheres. Mulheres grávidas, crianças e adolescentes não devem ingerir bebida alcoólica.Hábitos AlimentaresMuitos elementos da dieta alimentar têm sido relacionados com o processo de desenvolvimento de câncer, principalmente câncer de mama, de cólon (intestino grosso), de reto, de próstata, de esôfago e de estômago.O grande número de conservantes utilizados em alimentos enlatados possui um alto potencial cancerígeno. Já os defumados e churrascos são arriscados por ficarem impregnados por alcatrão, proveniente da fumaça do carvão.[caption id="attachment_48720" align="aligncenter" width="300" caption="Foto: Luix_Silveira"][/caption]Os alimentos preservados em sal, como carne-de-sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em regiões onde o consumo é comum.A alimentação regular durante longos períodos de tempo dos alimentos impróprios costumam fornecer o tipo de ambiente propício para uma célula cancerosa crescer, se multiplicar e se disseminar. Por isso eles devem ser evitados ou ingeridos com moderação. Neste grupo estão incluídos os alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, bacon, presunto e salsichas.Segundo especialistas, uma dieta saudável deve conter alimentos ricos em fibra, vitaminas e minerais, que inclui pão, cereais integrais e cinco a nove porções de frutas e vegetais todos os dias.Vírus e bactériasA presença de determinados vírus e bactérias pode ampliar o risco de desenvolver alguns tumores. Muitos deles são sexualmente transmissíveis, o que aumenta a necessidade do uso de preservativos durante o ato sexual. Além disso, manter hábitos de higiene, evitar locais fechados com aglomerações de pessoas e lavar as mãos constantemente podem ajudar a evitar o contágio.Os vírus mais comuns são:Vírus do Papiloma humano (HPV): a infecção por HPV é a principal causa de câncer do colo do útero; pode, ainda, ser um fator de risco para outros tipos de tumores. Vírus da hepatite B e C: o câncer do fígado pode se desenvolver muitos anos depois da infecção com hepatite B ou hepatite C. Vírus dos linfomas T humanos (HTLV-1): a infecção por HTLV -1 aumenta o risco de desenvolver linfoma e leucemia. Vírus da imunodeficiência humana (HIV): o HIV é o vírus que provoca a SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida). As pessoas que estão infectadas com o HIV têm maior risco de desenvolver câncer, tais como linfoma e um tipo de tumor raro, chamado Sarcoma de Kaposi. Vírus de Epstein-Barr (EBV): a infecção com EBV tem sido associada a um risco aumentado de linfoma. Vírus do Herpes Humano 8 (HHV8): este vírus é fator de risco para o Sarcoma de Kaposi . Helicobacter pylori: esta bactéria pode causar úlceras no estômago, assim como câncer do estômago e linfoma no revestimento do estômago.Fatores OcupacionaisA falta de qualidade do ambiente de trabalho e a exposição a substâncias químicas podem ser fatores importantes no surgimento de determinados tipos de câncer. Os tipos provocados por exposições ocupacionais geralmente atinge regiões do corpo que estão em contato direto com as substâncias cancerígenas, seja durante a fase de absorção (pele, aparelho respiratório) ou de excreção (aparelho urinário), o que explica a maior frequência de câncer de pulmão, de pele e de bexiga nesse tipo de exposição.Algumas substâncias como o asbesto, encontrado em materiais como fibras de amianto ou cimento, as aminas aromáticas, usadas na produção de tintas e os agrotóxicos agem preferencialmente sobre a bexiga, enquanto os hidrocarbonetos aromáticos, encontrados na fuligem, parecem agir sobre as células da pele e sobre as vias respiratórias e pulmões. O benzeno, que pode ser encontrado como contaminante na produção de carvão, em indústrias siderúrgicas, e é usado como solvente de tintas e colas atinge principalmente a medula óssea, podendo provocar leucemia.[caption id="attachment_48723" align="aligncenter" width="300" caption="Foto: Fernando Moital"][/caption]Por isso, profissionais como marceneiro, pintor, sapateiro, limpador de chaminé e pedreiros precisam ficar atentos e cobrar condições seguras de trabalho. Remoção da substância cancerígena do local de trabalho, controle da liberação de substâncias cancerígenas resultantes de processos industriais para a atmosfera, da exposição de cada trabalhador e o uso rigoroso dos equipamentos de proteção individual (máscaras e roupas especiais) são algumas das medidas preventivas.Garantir uma boa ventilação do local de trabalho, para se evitar o excesso de produtos químicos no ambiente, manter um o trabalho educativo, visando aumentar o conhecimento dos trabalhadores a respeito das substâncias com as quais trabalham, além dos riscos e cuidados que devem ser tomados ao se exporem a essas substâncias, e a realização de exames periódicos em todos os trabalhadores também são importantes.Radiação SolarNo Brasil, o câncer mais frequente é o de pele, correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores diagnosticados em todas as regiões geográficas. A radiação ultra-violeta natural, proveniente do sol, é o seu maior agente etiológico.A exposição prolongada e repetida ao sol, em especial aos raios ultravioletas, danifica algumas células da pele que se alteram e se transformam em células malignas. Estes raios são mais intensos no período entre 11 e 14 horas, quando o risco é maior. Os indivíduos de pele clara são mais sensíveis e, portanto, apresentam maior risco que os indivíduos de pele escura.Por isso, evite exposição prolongada ao sol, entre 10h e 16h, e use sempre proteção adequada, como chapéu, barraca e protetor solar. Se você se expõe ao sol durante a jornada de trabalho, procure usar chapéu de aba larga, camisa de manga longa e calça comprida.Atenção ao corpoAlém dos cuidados citados acima, é importante ficar atento a qualquer mudança no seu corpo. Caso note algo de diferente, procure um médico o quanto antes. Também é aconselhável que homens, entre 50 e 70 anos, perguntem ao seu médico sobre a necessidade de investigação do câncer da próstata. Os homens com histórico familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos devem realizar consulta médica para investigação da doença a partir dos 45 anos.Já as mulheres com 40 anos ou mais devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. Além disto, toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografia a cada dois anos. As mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, filha etc, diagnosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e mamografia, a partir dos 35 anos de idade, anualmente.As mulheres com idade entre 25 e 64 anos devem realizar o preventivo ginecológico periodicamente. Após dois exames com resultado normal com intervalo de um ano, o preventivo pode ser feito a cada três anos. Para os exames alterados, deve-se seguir as orientações médicas.O INCA também recomenda que mulheres e homens com 50 anos ou mais realizem exame de sangue oculto nas fezes, a cada ano (preferencialmente), ou a cada dois anos, e que todas as pessoas realizem a higiene oral (escovação) diariamente e consultem o dentista regularmente.* Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Foto: Daniel Garcia/AFP Artigo

A perpetuação da pobreza

[caption id="attachment_48693" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Daniel Garcia/AFP"][/caption]As periferias das cidades brasileiras parecem umas com as outras: casas sem reboco, grades de segurança, fios elétricos emaranhados, vira-latas e criançada na rua. Há 13 anos faço programas de saúde para a televisão. Procuro gravá-los nos bairros mais distantes, por uma razão óbvia: lá vivem os que mais precisam de informações médicas.Esta semana, como parte de uma série sobre primeiros socorros, gravamos a história de um menino de 2 anos que abriu sozinho a porta do forno, subiu nela e puxou do fogo o cabo de uma panela cheia de água fervente. A queimadura foi grave, passou duas semanas internado no hospital do Tatuapé, em São Paulo. Situada na periferia de Itaquera, a casa ocupava a parte superior de uma construção de dois andares. Subi por uma escada metálica inclinada e com degraus tão estreitos, que precisei fazê-lo com os pés virados de lado.A porta de entrada dava numa cozinha com o fogão, a geladeira, as prateleiras com as panelas e uma pequena mesa. Um batente sem porta separava-a do único quarto, em que havia dois beliches, um guarda-roupa e uma divisória de compensado que não chegava até o teto, atrás da qual ficava a cama em que dormiam o pai e a mãe.Nesse espaço exíguo viviam dez pessoas: o casal, seis filhos e dois netos. Os filhos formavam uma escadinha de 2 a 17 anos; os netos eram filhos das duas mais velhas, que engravidaram solteiras. O único salário vinha do pai, pedreiro. Por falta de pagamento, a luz tinha sido cortada há dois meses, os 300 reais da dívida a família não sabia de onde tirar.No fim da gravação perguntei à mãe, uma mulher de 38 anos que pareciam 60, por que tantas crianças. Disse que o marido não gostava de camisinha, e que a existência dos netos não fora planejada, porque “essas meninas de hoje não têm juízo”.Na periferia do Recife, de Manaus, de Cuiabá ou Porto Alegre a realidade é a mesma: a menina engravida em idade de brincar com boneca, para de estudar para cuidar do bebê que já nasce com o futuro comprometido pelo despreparo da mãe, pelas dificuldades financeiras dos avós que o acolherão e pelos recursos que terá de dividir com os irmãos.Na penitenciária feminina, quando encontro uma presa de 25 anos sem filhos, tenho certeza de que é infértil ou gay. Não são raras as que chegam aos 30 anos com seis ou sete. Não fosse o tráfico, que alternativa teriam para sustentar as crianças?Já escrevi mais de uma vez que a falta de acesso aos métodos de controle da fertilidade é uma das raízes da violência urbana, enfermidade que atinge todas as classes, mas que se torna epidêmica quando se dissemina entre os mais desfavorecidos. Essa afirmação causa desagrado profundo em alguns sociólogos e demógrafos, que a acusam de forma leviana por não se basear em estudos científicos. Afirmam que a taxa de natalidade brasileira já está abaixo dos níveis de reposição populacional.É verdade, mas não é preciso pós-graduação em Harvard para saber que as médias podem ser enganosas. Enquanto uma mulher com nível universitário tem em média 1,1 filho, a analfabeta tem mais de 4. Enquanto 11% dos bebês nascem nas classes A e B, quase 50% vêm da classe E, com renda per capita mensal inferior a 75 reais.De minha parte, acho que faz muita falta aos teóricos o contato com a realidade. Há necessidade de inquéritos epidemiológicos para demonstrar que os cinco filhos que uma mulher de 25 anos teve com vários companheiros pobres como ela, correm mais risco de envolvimento com os bandidos da vizinhança do que o filho único de pais que cursaram a universidade? Convido-os a sair do ar condicionado para visitar um bairro periférico de qualquer capital num dia de semana, para ver quantos adolescentes sem ocupação perambulam pelas ruas. Que futuro terão?A falta de acesso ao planejamento familiar é a mais odiosa de todas as violências que a sociedade brasileira comete contra a mulher pobre.* Drauzio Varella é médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, formado pela Universidade de São Paulo.* Publicado originalmente no site Carta Capital.


por Drauzio Varella*
Viver-E-Morrer-Para-Cristo-blog-do-bispo-rodovalho Artigo

Viver, morrer, viver de novo!

A vida tem dessas coisas. Parece às vezes que a gente já viveu tudo. Já doou parte de seus dias, pregou a mensagem até no deserto, caminhou mundos e fundos, entregou-se como se mais tempo não houvesse, amou os que ninguém amava.Você diz coisas fortes, fala verdades. Prega a igualdade. Questiona as leis vigentes. Enfrenta a religiosidade hipócrita. Visita os pobres, acarinha os desprezados pelo poder vigente. Pratica sua mensagem até a última gota.Arranjou adversários e inimigos. Gente que não gostou de suas palavras e gestos. Você continua a pregar, não deixa de dizer o que pensa. Espreitam-no na esquina, deixam recados por terceiros. Você começa a sentir algum medo. É preciso fazer-se acompanhar pelos amigos mais chegados, cuidar os passos, eventualmente até esconder-se.Você não é tão novo nem tão velho, mas sente que o dia derradeiro está chegando. Resolve reunir os amigos mais amigos, aqueles aos quais você transmitiu suas verdades mais verdadeiras e a quem abriu de fato seu coração, a quem você pediu para continuarem sua estrada. Você lhes diz que sua hora está aí, na porta, não mais no horizonte. Oferece-lhes a última comida, a última bebida, abençoa e partilha com todos e todas o que há para comer e beber, distribui suas últimas palavras, desejos e sonhos. Pede que não o esqueçam nem abandonem.Eles, os que não gostam de você, os que não aprovam suas ideias, os que sentem seus privilégios atingidos, o prendem na esquina, na beira de um bosque. Fazem um julgamento de fachada atrás de umas árvores, julgam-no culpado por todos os problemas do mundo. Tentam desmoralizá-lo com calúnias e mentiras. Dizem que você disse ser o salvador da pátria, o redentor de todos os pecados, o julgador de todas as injustiças. Resolvem executá-lo. Jogam seu corpo em cima de um monte de palha, à luz da rua, para que todos e todas saibam que você, renegado, rebelde, insubmisso eterno, está morto, definitivamente morto. Que ninguém vá atrás de você, ninguém o procure nunca mais, tenha a coerência e a hombridade de dizer que foi seu amigo e companheiro ou, muito menos, tenha a coragem de assumir e seguir suas ideias.Mas você não pode morrer definitivamente ou para sempre. Alguém precisa lembrar-se de suas pregações. Afinal, você não passou pelo mundo para ser um pobre desgraçado morto de quem não se fala mais, que não deixou nada registrado por escrito ou de alguma outra forma. Uma meia dúzia de medrosos, aqueles de sua última janta, anda se esquivando pelas vielas e nas quebradas da noite com medo de aparecer e assumir publicamente que moraram contigo, passearam contigo pelas coxilhas, percorreram favelas, enfrentaram os hipócritas dos templos, confrontaram a teu lado os poderosos de ocasião, beberam tuas palavras, te amaram. Você precisa reaparecer, ser de novo reconhecido, alguém precisa continuar seus passos, trilhar seus caminhos.Mas quem, quem o fará? Quem terá vergonha na cara e coragem?Uma mulher, sim, uma mulher terá coragem para proclamar que viu seu corpo, que você continua vivo, e que é preciso seguir em frente, reunir de novo os mais amigos dos amigos, para que cada um deles reúna seus amigos mais amigos, e aí já são dezenas, mais os mais amigos dos mais amigos deles, e aí serão centenas, daqui a pouco milhares ou milhões.Você está vivo, sua vida não foi em vão. Suas ideias de um mundo justo, de igualdade, de um Reino onde todos e todas são irmãos irmãs, companheiros e companheiras, de um Reino onde a liberdade terá a última palavra, o amor estará acima de tudo não foi enterrado, sepultado, não foi crucificado. A vida continua, assim como o sonho que você plantou. Sua passagem pelo mundo não foi em vão.* Selvino Heck é Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República.** Publicado originalmente no site Adital.


por Selvino Heck*

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Procure não deixar roupas penduradas atrás da geladeira, isso aumenta bastante o consumo.
Ande a pé. Isso evita a queima de combustível e o lançamento de gás carbônico na atmosfera e, consequentemente, diminui o efeito estufa.
Reduza. Reutilize. Recicle. Três ‘Rs’ indispensáveis para preservar o meio ambiente e contribuir com o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.
Aproveite o sol como fonte de energia limpa. Instale painéis fotovoltáicos em sua residência ou empresa.
Na hora de comprar, escolha produtos com rótulos ecológicos e com menos embalagem, assim você estará escolhendo poluir menos o planeta.
Utilize lâmpadas de baixo consumo, elas economizam até 80% de energia e duram bem mais.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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Os três componentes principais da biomassa da cana-de-açúcar são a celulose, a hemicelulose e a lignina. Foto:EcoD

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O Zoológico Skazka, na Ucrânia, exibe imagem de filhotes de tigresa albina ‘Tigrylia’, que nasceram no complexo. Um dos bichinhos puxou a mãe e também é um raro tigre albino.

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Frases a laser são projetadas nos prédios gêmios da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foto: Divulgação

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Foto: Organização Earth We are one.

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Imagem da campanha Veta Dilma.

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Arte Sustentável de Daniel Murgel.

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Xingu. Foto: Dal Marcondes

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Marta Azevedo, a primeira mulher no cargo de presidenta da Funai. Foto: José Cruz/ABr