Tratamento para anorexia: muitas ou poucas calorias, eis a questão!

Nutrição

Tratamento para anorexia: muitas ou poucas calorias, eis a questão!


por Fernanda Dias, do Opinião e Notícia


[caption id="attachment_41880" align="alignleft" width="270" caption="Novo estudo sugere tratamento mais agressivo para anorexia. Foto: Reprodução/Internet"][/caption] Novos estudos sugerem que pacientes internados poderiam ser alimentados de forma mais agressiva. Para casos de anorexia, o remédio parece óbvio: comida. Quando um paciente desnutrido dá entrada ao hospital, ganho de peso é uma prioridade, mas a introdução de alimentos na dieta é uma árdua parte do tratamento. Em geral, os médicos inicialmente fornecem menos calorias do que o necessário porque os pacientes estão frágeis. Mas, novos estudos questionam essa teoria e sugerem que os doentes poderiam ser alimentados de forma mais agressiva. Reportagem recente publicada pelo jornal norte-americano The New York Times revela que pesquisadores da Universidade da Califórnia examinaram o ganho de peso de adolescentes internados. O estudo, que envolveu 35 jovens, descobriu que 83% dos que começaram a se alimentar lentamente, ingerindo 1.200 calorias diárias, com aumentos de 200 calorias a cada dois dias, perderam peso num primeiro momento. A perda após a internação é comum, mas na maioria dos casos é atribuída à perda de líquido. A pesquisa detectou ainda que os jovens não recuperaram as calorias perdidas antes da internação até o sexto dia no hospital. Apesar dos dados obtidos, os pesquisadores pediram que os médicos tenham cautela e não façam qualquer mudança radical no tratamento. Os cientistas ressaltaram que mais pesquisas são necessárias. Para o nutrólogo e coordenador do Núcleo de Estudos em Gestão da Saúde da ESPM, Daniel Magnoni, a alimentação de pacientes internados tem que ser hipercalórica e hiperproteica, porém balanceada e fracionada ao máximo. Segundo ele, o doente deve fazer pequenas refeições várias vezes ao dia, incluindo café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia. “Você não pode fazer com que uma pessoa que ingeria 500 calorias passe a se alimentar de três mil. Ela poderá ter problemas cardiovasculares e metabólicos”, diz ele, ressaltando que para um paciente sair do quadro agudo grave leva de uma a duas semanas, mas somente após um ano poderá recuperar o quadro muscular. A nutricionista Gabriela Soares Maia, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, também é contrária à alimentação agressiva como forma de tratamento. “Uma conduta como esta pode levar à síndrome de realimentação, que ocorre quando a pessoa é privada de comida e volta rapidamente a comer. Isto desencadeia um consumo intracelular intenso de eletrólitos e minerais, principalmente potássio, magnésio e fósforo resultando na queda brusca dos níveis desses nutrientes no organismo. A síndrome pode provocar insuficiência respiratória, irritabilidade, fraquezas musculares, arritmias cardíacas e distúrbios gastrointestinais, como diarreia e constipação”, diz ela. Gabriela ressalta que a introdução do alimento de forma agressiva pode até provocar o ganho de peso, mas não vai proporcionar o aprendizado e a aproximação do paciente com o alimento, que são fatores importantes para o prosseguimento da recuperação. “A introdução desse alimento e a formação de uma rotina alimentar é um processo complexo para o paciente anoréxico, por isto não concordo com uma ingestão agressiva a qualquer custo, que pode até piorar a rejeição à comida.” A especialista explica que alguns suplementos em pó misturados a sucos ou vitaminas podem ser usados para que a bebida, aparentemente leve, esteja com uma densidade calórica um pouco aumentada. O tratamento de anorexia, na maioria dos casos, é feito em ambulatórios, com atividades e palestras ligadas a temas como alimentação saudável. A escolha pela internação, em geral, é feita pela perda progressiva de peso, principalmente de músculo, em um curto período de tempo. “A internação é sempre a última alternativa porque traz mais angústias tanto para o paciente quanto para a família. Mas ela é indicada em situações extremas, como desnutrição, desidratação grave, alterações dos sinais vitais e infecções recorrentes. E até mesmo em casos de reações mais agressivas e extremas que poderiam levar à tentativa de suicídio”, afirma Gabriela. Já Magnoni ressalta que, para pacientes internados, a ingestão dos nutrientes pode ser feita via terapia nutricional oral, por uma sonda, ou em casos mais extremos, por veia. Mas, de acordo com o especialista, antes de se definir o tratamento é preciso identificar a causa da anorexia: se ela é psicogênica ou secundária a doenças orgânicas oriundas de tumores ou de depressão, por exemplo. “A causa vai definir as estratégias que serão adotadas. Mas, sempre é necessário apoio psicoterápico. Em alguns casos, o paciente tem dificuldade de engolir, e precisa até de apoio de fonoaudiólogos”, diz Magnoni. * Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.

mosquito malaria Malária

Estudo diz que malária mata mais do que se imaginava

Estudo divulgado nos Estados Unidos mostrou que a malária matou quase o dobro (1,2 milhão de pessoas) do que o total apontado no relatório da Organização Mundial da Saúde (655 mil) no ano de 2010 em todo o mundo. Pesquisa do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, divulgado na revista Lancet, aponta que as estatísticas das Nações Unidas não consideraram a maior parte das 78 mil crianças e jovens entre cinco e 14 anos e das 445 mil pessoas com mais de 15 anos mortas por este motivo em 2010 – a maioria no continente africano. Eles também utilizaram como fonte de informação relatórios verbais de autópsias, que não são levados em conta pela OMS. Diante disso, os coordenadores do estudo consideram que a erradicação da doença será mais difícil do que o imaginado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença é endêmica em mais de cem países, na quase totalidade em regiões pobres do planeta, e pode atingir centenas de milhões de pessoas. Como já disse aqui, acompanho com interesse notícias sobre a maleita desde que peguei a dita duas vezes em reportagens no Timor Leste e em Angola. Sorte que tive acesso a médicos, diagnósticos, remédios e tudo o mais. Mas e a maioria da população, que não tem esses recursos e é obrigada a esperar por tratamento nem sempre à mão, nem sempre rápido? Ou, pior, que não tem, ao menos, informação. O financiamento contra malária foi de US$ 1,7 bilhão, em 2010, e US$ 2 bilhões, em 2011. Em dezembro passado, a OMS informou que o número de casos caiu drasticamente devido a recursos financeiros que permitiram acesso a prevenção e tratamento. Mas ainda é pouco. A organização estima que se fossem aportados, por ano, algo entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões, poderíamos zerar as mortes pela doença. O Brasil tem desenvolvido importantíssimas pesquisas nesse assunto e é referência no tema. Globalmente, contudo, seguimos na velocidade de investimento para pesquisa de doença de pobre (não é câncer, que também afeta a ricos, por exemplo). O mais triste é que não está se pedindo tanto assim. Tanto do ponto de vista de prevenção (os baratos mosquiteiros, por exemplo), quanto para tratamento e informação à sociedade. Chocado? Mas por quê? Não é novidade para ninguém que parte irrisória da população mundial tem acesso a boa saúde, da prevenção ao tratamento, enquanto a gigantesca xepa acostumou-se a esperar – em filas de hospitais, sonhando com remédios inacessíveis, convivendo com a falta de saneamento e a inexistência de ações preventivas. Os mais pobres, por mais que tenham força de vontade e queiram continuar vivendo, não necessariamente conseguem a façanha de esticar a corda. Vão apenas sobrevivendo, apesar de tudo e de todos, ajudando com seu trabalho e, algumas vezes, como cobaias de indústrias farmacêuticas, os que ganharam na loteria da vida a terem uma existência mais feliz. * Publicado originalmente no site Blog do Sakamoto.


por Leonardo Sakamoto, do Blog do Sakamoto
Foto: Miss Sydney Marie Dicas

Cinco dicas para se alimentar de forma saudável e sustentável

[caption id="attachment_41957" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Miss Sydney Marie"][/caption] Você sabe o que fazer para reduzir os impactos ambientais causados pela sua alimentação? Para os membros da Bon Appétit, é possível diminuir os danos globais com pequenas atitudes individuais. Pensando nisso, eles listaram cinco dicas essenciais para quem quer se alimentar com saúde, qualidade e respeito ao planeta. 1º – Não desperdice Quando você joga comida fora, está transformando em lixo não apenas aquelas sobras, mas também toda a energia gasta para cultivar, transportar e preparar a refeição. Quando chega aos aterros sanitários, essa comida libera gás metano, um dos gases causadores do efeito estufa. Por isso, compre e cozinhe apenas a comida que você vai comer. Se sobrar, guarde para a próxima refeição. 2º – Faça do “local e sazonal” seu mantra alimentar Alimentos que são cultivados sazonalmente e dentro do perímetro da sua região geralmente emitem menos carbono na atmosfera. Por isto, essas devem ser as suas primeiras opções. Mas tome cuidado para não comprar alimentos cultivados em estufas aquecidas com energias não renováveis, mesmo que elas estejam próximas a você. 3º – Afaste-se de carnes vermelhas e queijos A pecuária é responsável por 18% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. Se você não puder viver sem carne e queijo, considere ao menos reduzir a quantidade desses itens, e selecione-os criteriosamente, comendo com menos frequência e apenas aquilo que você realmente ama. 4º – Evite frutas e peixes de outros países Quando você compra mariscos e frutas “frescas” vindas de outros países, saiba que para que elas estejam no supermercado pouco tempo após sua colheita foi preciso transportá-las de avião, o que torna as emissões dez vezes maiores do que se esses alimentos viessem de navio. Por isso, prefira sempre alimentos locais e os frutos do mar que foram “processados e congelados no mar”. 5º – Se for processado e embalado, esqueça Salgadinhos, sucos, e até mesmo hambúrgueres vegetarianos (preparado, embalado, congelado e transportado) consomem muita energia e geram lixo, e nós comemos essas coisas sem pensar. Por isso, quando você precisar de um lanche ou refeição prática e rápida, escolha uma fruta fresca local, pequenas quantidades de nozes, e outras opções caseiras deliciosas. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação do EcoD
Eleonora Menucucci indica que legalização ou descriminalização do aborto deveria ser debatido no Congresso. Foto: Elza Fiúza/ABr Aborto

“Minha posição pessoal já não interessa”, diz nova ministra

[caption id="attachment_41918" align="alignleft" width="300" caption="Eleonora Menicucci indica que legalização ou descriminalização do aborto deveria ser debatido no Congresso. Foto: Elza Fiúza/ABr"][/caption] Brasília – A professora e socióloga Eleonora Menicucci, indicada pela presidenta Dilma Rousseff para assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), disse nesta terça-feira 7 que considera a discussão do aborto no Brasil uma questão de saúde pública. “Não é uma questão ideológica, é uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue, o HIV e todas as doenças infectocontagiosas”, ressaltou. Ela lembrou que o aborto, no Brasil, é a quarta causa de mortalidade materna e a quinta entre as internações. Durante coletiva de imprensa, ela se mostrou pessoalmente favorável à descriminalização do aborto, mas destacou que, a partir do momento em que aceitou o convite para a SPM, passou a assumir a posição do governo em relação ao assunto. “Minha posição pessoal, a partir de hoje, não diz respeito, não interessa”, disse. “A matéria da legalização ou descriminalização do aborto é uma matéria que não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo”, completou. Segundo Eleonora, que deverá tomar posse na sexta-feira (10), uma das prioridades da pasta será dar continuidade ao combate à violência doméstica e sexual. Ela defendeu, entre outras medidas, a punição de estupradores, mesmo quando a vítima não procurar a delegacia para fazer a queixa. O assunto será apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) amanhã (8). A ministra Iriny Lopes, que deixa o cargo para concorrer à prefeitura de Vitória (ES) nas eleições municipais de outubro, também participou da coletiva e fez um balanço de sua gestão no ano de 2011. Segundo ela, 100% do orçamento destinado à SPM foi executado. “Nenhum Ministério acha suficiente os recursos que tem. Porém, não fomos afetados”, disse. Para este ano, estão previstos R$ 107 milhões. Sobre a sucessora, ela avaliou que Eleonora tem experiência na área administrativa e na defesa dos direitos das mulheres e, por essa razão, foi escolhida por Dilma para o cargo. “Saio para cumprir essa tarefa (concorrer à prefeitura de Vitória), com a concordância e o apoio da presidenta. Isto foi amplamente discutido com ela e foi o que motivou a decisão da minha saída. Farei o que é natural fazer nesses processos. Retomo meu mandato de deputada federal e, dentro do prazo que a lei eleitoral permite, intensificarei as conversas, os diálogos com os partidos no meu Estado e na minha cidade”, destacou. * Publicado originalmente no site Agência Brasil e retirado do site Carta Capital.


por Paula Laboissière, da Agência Brasil
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Imunidade tributária e a saúde

A imunidade tributária, prevista na Constituição Federal, apresenta o condão de facilitar e viabilizar a efetividade do interesse público, concedendo imunidade de impostos e contribuições, e excepcionalmente taxas, a bens e serviços que possam garantir liberdade de expressão, serviços de interesse social, e todo o bem da coletividade. Porém, a imunidade é para poucos. Como se divulga pelos sete mares, no Brasil a carga tributária corresponde a mais da metade dos gastos com todos os bens e serviços no país, dificultando e encarecendo os serviços e produtos. Com a saúde não poderia ser diferente. Em recente pesquisa divulgada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os impostos são os responsáveis por onerar os produtos da saúde. Aqueles que mais pesam nos ombros do consumidor final que paga pela saúde privada são o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o PIS/Cofins. A alíquota do ICMS, por exemplo, pode variar de 12% a 19% sobre os produtos de saúde, o que encarece os produtos e dificulta o acesso dos prestadores de serviços médicos e hospitalares, obviamente prejudicando a população que necessita desses serviços e deveria ter acesso facilitado pelo Estado. No caso do IPI e do II são muitos os produtos onde não há incidência. Por outro lado, é prudente a observação do grupo em que os produtos para saúde estão classificados, como se diferença houvesse quanto à importância dos produtos voltados à saúde. A Anvisa ilustra: “a aplicação de alíquotas de 15% de IPI em 95% dos produtos utilizados em hemoterapia, enquanto para os demais grupos a incidência desse imposto é praticamente zero”. Onde reside a diferença na importância, ou mesmo na necessidade da população, na utilização de produtos de hemoterapia dos demais produtos da saúde? A concessão constitucional da imunidade e a possibilidade de isenção estabelecida por lei têm o condão de diferenciar a tributação desses produtos da saúde? Importante esclarecer que a Constituição Federal em seu artigo 150, inciso II, prevê a impossibilidade de tratamento desigual para tributação de produtos e serviços com a mesma função. Fato é que, como em todo sistema capitalista, os produtos destinados à saúde são onerados em demasia, neste caso, no entanto, são produtos capazes de melhorar o sistema de saúde nacional já tão debilitado pela má gestão de recursos, os quais, paradoxalmente, têm como fonte os tributos. Por fim, vale a referência de que um estudo realizado com os 30 países do mundo com maior carga tributária mostra que o Brasil apresenta o pior desempenho em retorno de serviços públicos para a população. A arrecadação de impostos no país atingiu a marca de R$ 1,5 trilhão em 2011, e ultrapassou o patamar de 35,13% em relação ao PIB. Os números são do documento Estudo sobre Carga Tributária/PIB x IDH, realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). A pergunta: não caberia à sociedade civil organizada cobrar do Estado maior transferência na aplicação do “seu” dinheiro? * Sandra Franco é consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, membro efetivo da Comissão de Direito da Saúde e Responsabilidade Médico Hospitalar da OAB-SP e presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde. ** Publicado originalmente no site Agência Aids.


por Sandra Franco*
Sentidos da memoria Homens

Experiências ruins impactam mais a memória dos homens

A memória feminina é menos sensível que a masculina, ao menos quando se fala de situações negativas e envolvendo emoções exaltadas. Os homens, ao que tudo indica, guardam muito mais detalhes de momentos como esses. De acordo com os pesquisadores, poucos estudos focaram nos diferentes impactos que determinados tipos de memórias podem causar nos indivíduos. “Ou seja, procuramos saber o quão emocionalmente provocativo ou repulsivo cada um acha uma determinada experiência”, explica Marc Lavoie, um dos autores da pesquisa realizada na Universidade de Montreal, no Canadá e publicada no periódico International Journal of Psychophysiology. Os testes foram feitos com sequências de imagens que se repetiam após algum tempo. As mulheres tiveram muita dificuldade de identificar quando as imagens mais impactantes – envolvendo algum tipo de violência, situações irritantes ou de cunho sexual – já haviam sido mostradas. “Ao contrário, experiências tidas como mais positivas eram identificadas mais rapidamente”, diz Lavoie. Os participantes também foram monitorados por aparelhos de eletroencefalografia, que mediam os níveis de atividades neuronais enquanto eles realizavam as experiências. “Os padrões são diferentes para os dois gêneros. Imagens positivas, por exemplo, ativaram o lado direito do cérebro das mulheres e o lado esquerdo no dos homens. Nas imagens mais impactantes negativamente foi exatamente o inverso”, dizem os autores. Mudar o lado do processamento de uma informação no cérebro, é bom lembrar, não é algo banal. Isto significa que o processamento é realizado por mecanismos diferentes também. Mas isto não quer dizer, de maneira alguma, que um dos dois gêneros é melhor ou pior processando as informações: são apenas diferentes. As descobertas, portanto, poderão ajudar outros pesquisadores a identificar melhores estratégias para lidar com problemas neuronais, transtornos mentais e mesmo a desenvolver fármacos ajustados de acordo com o gênero. * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Enio Rodrigo, de O que eu tenho
gripe ou resfriado Artigo

Gripe ou resfriado?

Nesta época do ano, em que as temperaturas ficam mais altas e o ar mais seco, é muito frequente o aparecimento dos picornavírus e dos rinovírus, causando uma grande variedade de doenças respiratórias. Os vírus são transmitidos com facilidade de pessoa para pessoa, por meio de gotículas infectadas que são expulsas ao tossir, ao espirrar e no contato direto com secreções infectadas transportadas nos dedos. O resfriado comum é a doença infectocontagiosa viral que mais acomete o ser humano. É uma infecção viral do revestimento do nariz, dos seios paranasais, da garganta e das grandes vias respiratórias, causando coriza, espirros, obstrução nasal, irritação na garganta e aumento da temperatura corpórea. As crianças pré-escolares apresentam de três a oito episódios anuais. Já os casos de gripe são mais intensos com febre alta, dores no corpo, na cabeça e na garganta, fraqueza, mal-estar geral, calafrios e tosse intensa. Nos casos de rinite, o paciente apresenta coriza, espirros, obstrução nasal e coceira no nariz. Com o ar seco e o aumento da poluição, os pacientes podem apresentar um quadro de rinite irritativa, causando coceira e ressecamento da mucosa nasal, além de causar mais crises nos pacientes que apresentam alergia respiratória. O motivo pelo qual cada um tem mais probabilidade de se infectar em momentos distintos não é de todo conhecido. Sabe-se que a exposição ao frio não faz com que alguém se constipe e tampouco que isto aumente a sua susceptibilidade para infectar-se com um vírus respiratório. O alerta é para ambientes mais fechados nas baixas temperaturas, onde os vírus que aí circulam no ar conseguem melhores condições de se procriarem e de infectarem os indivíduos. É interessante assinalar que muito antes que os vírus fossem descobertos, Benjamin Franklin, físico, inventor e político norte-americano do Século 18, observou que o resfriado era consequência do contato com uma pessoa doente, e não da exposição ao frio ou à umidade; em outras palavras, assinalou o caráter contagioso desta doença. No entanto, aqueles que se encontram cansados ou manifestam ansiedade, os que têm alergias no nariz ou na garganta e as mulheres que estejam a meio do seu ciclo menstrual são mais propensos a acusar os sintomas de um resfriado. A gripe dura cerca de uma a duas semanas, e o resfriado, em geral, dura cerca de quatro a sete dias, ambos desaparecendo à medida que o organismo melhora suas defesas. Contudo, nada impede que uma mesma pessoa tenha episódios repetidos das citadas doenças, causadas por outros germes. Tanto a gripe como o resfriado podem se complicar, principalmente quando a pessoa está com baixa imunidade, o que é comum em crianças pequenas, idosos, asmáticos e pessoas com doenças crônicas, ocorrendo inflamação do ouvido (otite) e dos seios da face (sinusite), além de piorar as crises asmáticas e bronquites. Mantenha uma alimentação saudável, ingerindo bastante líquidos, economizando energia, respeitando o tempo de sono, lavando as mãos com frequência e evitando o contato com os olhos, nariz e boca. É importante manter sempre o ar ambiente circulando, impedindo o aumento da concentração de vírus, usar lenços descartáveis e limpar todas as superfícies. São atitudes que podem ajudar muito a reduzir a sua propagação. O repouso, o uso de antitérmicos em caso de febre, as nebulizações e os descongestionantes nasais, quando prescritos por médicos, ajudam no combate aos sintomas das doenças e, os antibióticos, só quando houver complicações bacterianas. O Ministério da Saúde, por intermédio da Fundação Nacional de Saúde, promove uma campanha anual de vacinação contra a gripe, tétano e difteria, simultaneamente, em todo o país, com o objetivo de alcançar a população a partir dos 60 anos de idade, maior vítima das infecções respiratórias. A vacina reduz o risco de gripe em até 90% no caso de pessoas saudáveis, mas os resfriados, provocados por outros vírus, não são prevenidos com a vacina. Em casos urgentes, procure um especialista o quanto antes. * Cristiane Passos Dias Levy é alergologista e otorrinolaringologista do Hospital Paulista. ** Publicado originalmente no site Saúde em Pauta.


por Cristiane Passos Dias Levy*
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Salvar vidas ou o capital?

Quais os fundamentos dessa lógica que considera mais importante salvar o mercado que vidas humanas? O melhor Papai Noel do mundo mereceram 523 instituições financeiras europeias quatro dias antes do Natal: 489 bilhões de euros (o equivalente a R$ 1,23 trilhão), emprestados pelo Banco Central Europeu (BCE) a juros de 1% ao ano! Curiosa a lógica que rege o sistema capitalista: nunca há recursos para salvar vidas, erradicar a fome, reduzir a degradação ambiental, produzir medicamentos e distribuí-los gratuitamente. Em se tratando da saúde dos bancos, o dinheiro aparece num passe de mágica! Há, contudo, um aspecto preocupante em tamanha generosidade: se tantas instituições financeiras entraram na fila do bolsa-BCE, é sinal de que não andam bem das pernas… Quais os fundamentos dessa lógica que considera mais importante salvar o mercado que vidas humanas? Um deles é este mito de nossa cultura: o sacrifício de Isaac por Abraão (Gênesis 22, 1-19). No relato bíblico, Abraão deve provar a sua fé sacrificando a Javé seu único filho, Isaac. No exato momento em que, no alto da montanha, prepara a faca para matar o filho, o anjo intervém e impede Abraão de consumar o ato. A prova de fé fora dada pela disposição de matar. Em recompensa, Javé cobre Abraão de bênçãos e multiplica-lhe a descendência como as estrelas do céu e as areias do mar. Essa leitura, pela ótica do poder, aponta a morte como caminho para a vida. Toda grande causa – como a fé em Javé – exige pequenos sacrifícios que acentuem a magnitude dos ideais abraçados. Assim, a morte provocada, fruto do desinteresse do mercado por vidas humanas, passa a integrar a lógica do poder, como o sacrifício “necessário” do filho Isaac pelo pai Abraão, em obediência à vontade soberana de Deus. Abraão era o intermediário entre o filho e Deus, assim como o FMI e o BCE fazem a ponte entre os bancos e os ideais de prosperidade capitalista dos governos europeus – que, para escapar da crise, devem promover sacrifícios. Essa mesma lógica informa o inconsciente do patrão que sonega o salário de seus empregados sob pretexto de capitalizar e multiplicar a prosperidade geral, e criar mais empregos. Também leva o governo a acusar as greves de responsáveis pelo caos econômico, mesmo sabendo que resultam dos baixos salários pagos aos que tanto trabalham sem ao menos a recompensa de uma vida digna. O deus da razão do mercado merece, como prova de fidelidade, o sacrifício de todo um povo. Todos os ideais estão prenhes de promessas de vida: a prosperidade dos bancos credores, a capitalização das empresas ou o ajuste fiscal do governo. Salva-se o abstrato em detrimento do concreto, a vida humana. O espantoso dessa lógica é admitir, como mediação, a morte anunciada. Mata-se cruelmente com o corte de subsídios a programas sociais, a desregulamentação das relações trabalhistas, o incentivo ao desemprego, os ajustes fiscais draconianos, a recusa de conceder aos aposentados a qualidade de uma velhice decente. A lógica cotidiana do assassinato é sutil e esmerada. Aqueles que têm admitem como natural a despossessão dos que não têm. Qualquer ameaça à lógica cumulativa do sistema é uma ofensa ao deus da liberdade ocidental ou da livre iniciativa. Exige-se o sacrifício como prova de fidelidade. Não importa que Isaac seja filho único. Abraão deve provar sua fidelidade a Javé. E não há maior prova do que a disposição de matar a vida mais querida. A lógica da vida encara o relato bíblico pelos olhos de Isaac. Este não sabia que seria assassinado, tanto que indagou ao pai onde se encontrava o cordeiro destinado ao sacrifício. Abraão cumpriu todas as condições para matar o filho. Subjugou-o, amarrou-o, colocou-o sobre a lenha preparada para a fogueira e empunhou a faca para degolá-lo. No entanto, inspirado pelo anjo, Abraão recuou. Não aceitou a lógica da morte. Subverteu o preceito que obrigava os pais a sacrificarem seus primogênitos. Rejeitou as razões do poder. À lei que exigia a morte, Abraão respondeu com a vida e pôs em risco a sua própria, o que o forçou a mudar de território. Se não mudarmos de território – sobretudo no modo de encarar a realidade –, como Abraão, continuaremos a prestar culto e adoração a Mamom. Continuaremos empenhados em salvar o capital, não vidas, e muito menos a saúde do planeta. * Frei Betto é escritor, autor de Sinfonia Universal – A Cosmovisão de Teilhard de Chardin (Vozes), entre outros livros. ** Publicado originalmente na edição impressa 466 do Brasil de Fato.


por Frei Betto*
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Médico destaca cuidados para evitar doenças como a gastroenterite no verão

Rio de Janeiro – Cuidados com a higiene e a alimentação nunca são demais na época do verão e podem afastar problemas digestivos sérios, como a gastroenterite, alertou o professor de infectologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmilson Migowski. Muitas vezes, sintomas como náuseas, vômito, dor de cabeça ou na barriga, fadiga, diarreia, dores musculares e febre podem representar mais que um mal-estar passageiro e ser uma gastroenterite. Esta é uma infecção aguda que atinge o estômago e o intestino. A doença é provocada por bactérias, protozoários ou vírus encontrados na água, em alimentos contaminados ou pelo contato com pessoas que já apresentam o problema. Pessoas infectadas eliminam o vírus pela saliva e podem contaminar outras, inclusive por via respiratória, advertiu o professor. No caso de ambientes confinados, como cruzeiros marítimos, a transmissão do vírus é impedida ao evitar o contato próximo com quem está doente. É preciso ter em mente, disse o médico, que as pessoas infectadas eliminam o vírus até três semanas depois do processo infeccioso aparente. “E esta pessoa pode ainda estar em fase de contágio, até por duas ou três semanas da fase aguda da doença.” Ele destacou a importância de as pessoas lavarem as mãos antes e depois de ir ao banheiro e antes das refeições. “É sempre bom para evitar que a transmissão ocorra de forma mais fácil.” Migowski informou que existem hoje medicamentos que podem ser utilizados para diminuir a infestação por esses vírus. Atenção especial deve ser dada a bebês e idosos. “O problema principal que ocorre com a gastroenterite viral é a possibilidade de a pessoa se desidratar", lembrou o infectologista. Bebês, crianças em idade escolar e idosos são considerados os grupos de maior risco para desidratar e, até mesmo, morrer em decorrência de uma gastroenterite viral. Portanto, acredito que é muito importante hidratar bem esse paciente, oferecer bastante líquido. Mas não é dar refrigerante, suco ou isotônico. É dar soro oral mesmo. E, na eventualidade de o soro oral não ser suficiente, deve-se internar o paciente para fazer medicação pela veia”, acrescentou. Migowski advertiu que nesta época do ano, os alimentos se estragam mais facilmente. Entre eles, citou alimentos feitos à base de maionese e carnes malpassadas. A recomendação é que sejam evitados alimentos sem refrigeração adequada. “Aquilo que não se pode descascar, lavar ou ferver, o melhor é não comer”, explicou. Isso se aplica, em especial, a alimentos feitos na rua ou que tenham sido manipulados ou conservados de forma inadequada. “São fatores de risco. A segurança alimentar é fundamental para evitar esses quadros de gastroenterite, seja por vírus ou por outros agentes”, disse o infectologista. * Edição: Graça Adjuto. ** Publicado originalmente no site Agência Brasil.


por Alana Gandra, da Agência Brasil
Alimentos saborosos e com baixo custo. Saúde que enche os olhos, nutre o corpo e não pesa no bolso. Foto: Arquivo pessoal Alimentação

Saúde que cabe no bolso

O que você faz com a casca de inhame, melancia, banana? Na maioria das vezes essas e outras partes dos alimentos não são aproveitadas e vão diretamente para o lixo. Na inventiva cozinha do projeto Favela Orgânica todas as cascas, talos, folhas entre outras partes que compõem as verduras, legumes e frutas são aproveitadas de forma integral. A ideia surgiu em março de 2011 quando Regina Tchelly, coordenadora e idealizadora do Favela Orgânica, começou a participar de um projeto que tinha acabado de chegar na Babilônia/Chapéu Mangueira, a Agência de Redes para Juventude, coordenado por Marcus Faustini e patrocinado pela Petrobras, que atua em seis comunidade com UPP. Regina é cozinheira e moradora do Morro da Babilônia, no Leme, há oito anos. Sua motivação para esse projeto surgiu a partir do desperdício que via nas casas em que trabalhava. “Sempre quis ser uma cozinheira diferente. Meu desejo, desde sempre, foi de compartilhar e trocar informações e receitas criativas e, que esse conhecimento não ficasse apenas em uma casa, ou em um restaurante, mas que essa troca de experiência circulasse entre as pessoas que se interessam por culinária”, contou Tchelly, que adora inventar novas receitas, como o yakisoba de casca de melancia, croquetes de casca de inhame e torta de talo de taioba. O Favela Orgânica trabalha com o ciclo do alimento, aproveitando-os integralmente. Aquilo que é normalmente jogado fora aqui é aproveitado. As sobras viram compostos que vão para o adubo e do adubo volta para o alimento. Uma forma sustentável e econômica de manter uma boa alimentação. O projeto oferece gratuitamente oficinas na comunidade e tem como seu público-alvo as mulheres e mães da comunidade. Divido em três frentes: gastronomia; permacultura; consumo e desperdício; o Favela Orgânica vem contribuindo e modificando a realidade alimentar das famílias da Babilônia/Chapéu Mangueira. Desde setembro de 2011 todas as terças e quintas a partir das 19h as aulas ministradas por Regina acontecem na Associação de Moradores, na Escolinha da tia Percilha, na Babilônia. Shirley de Almeida faz a oficina de gastronomia e acredita que com essa experiência tem se alimentado muito melhor. “Minha vida está mais saudável, minha filha Nayara tem se alimentado melhor. A gente aproveita mais o alimento desperdiçando menos”. Outra ação do projeto é a horta que será construída na praça onde fica a Associação de Moradores e na creche Babylônia. O blog com as receitas também está em processo de finalização. Os benefícios da boa alimentação [caption id="attachment_41115" align="alignleft" width="300" caption="Alimentos saborosos e com baixo custo. Saúde que enche os olhos, nutre o corpo e não pesa no bolso. Foto: Arquivo pessoal"][/caption] A maior parte dos fatores de risco de morte e adoecimento tem relação com a alimentação. O baixo consumo de frutas, verduras e legumes estão associados a várias doenças como câncer, doenças cardiovasculares e obesidade. Fora a boa alimentação, o tabagismo e o sedentarismo, que está muitas vezes ligado a uma alimentação não adequada, estão associados a fatores de risco. Fazer uso de temperos naturais, comidas leves e menos produtos industrializados melhora essa relação de risco. A nutricionista Jorginete Damião do Instituto de Nutrição Annes Dias alerta para os benefícios de uma boa alimentação. “Uma alimentação saudável além de prevenir doenças ajuda a melhorar a expectativa de vida. Se a gente investir na promoção da alimentação saudável a gente pode esta revertendo esse quadro de doenças crônicas da população como diabetes, hipertensão”, pontua a nutricionista. Em geral a gente tem uma cultura de desperdício muito grande que pode chegar a 30%. Ou seja, 30% do que compramos é facilmente jogado fora. Quando o Favela Orgânica propõem usar as cascas, talos e folhas na alimentação, o projeto acaba ganhando uma dimensão econômica. “Por isso não é que as cascas são mais nutritivas, às vezes as cascas têm nutrientes diferentes, mais fibras, ou nutrientes tão bons quanto os dos alimentos. A questão é que por hábito a gente acaba jogando fora e não aproveitando esses nutrientes. A lógica é aproveitar o alimento como um todo” conclui Jorginete Damião, que acredita que para a economia doméstica esses 30% desperdiçados faz a diferença não apenas no bolso, mas também na alimentação saudável. * Publicado originalmente no site Observatório de Favelas e retirado do Mercado Ético.


por Silvana Bahia*, do Observatório de Favelas

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