Dupla brasileira cria fórmula para vencer a obesidade

Pesquisa

Dupla brasileira cria fórmula para vencer a obesidade


por Gianni Carta, da Carta Capital


[caption id="attachment_33984" align="alignleft" width="300" caption="Renata Pasqualini e seu marido Wadih Arap aplicaram diariamente injeções da droga adipotide em macacos obesos durante 28 dias. Resultado: os macacos perderam em média 11% de peso."][/caption] Dois pesquisadores brasileiros da M.D. Anderson Cancer Center, em Houston, nos Estados Unidos, descobriram um novo mecanismo para combater a obesidade. Wadih Arap e sua mulher Renata Pasqualini, fundadores da companhia, aplicaram diariamente injeções de uma droga chamada adipotide em macacos obesos durante 28 dias. Resultado: os macacos perderam em média 11% de peso. “Isso pode não parecer muito, mas qualquer tratamento contra a obesidade requer dieta, exercícios e uma perda de 10% de peso entre seis meses e um ano”, diz Arap na entrevista exclusiva para o site de CartaCapital. No entanto, seus macacos não somente não fizeram exercício, como também não deixaram de tomar sorvetes. Além disso, houve reduções no índice de massa corporal, na circunferência da cintura. Mais: “a quantidade de insulina que os macacos obesos precisaram no final do tratamento foi em média 53% inferior àquela necessária no início do tratamento”, explica Arap. De que forma o novo tratamento contra a obesidade se diferencia dos outros? “Tipicamente os tratamentos contra a obesidade suprimem o apetite ou aumentam o metabolismo periférico”, responde Arap. Ou fazem as duas coisas. O novo mecanismo desenvolvido por Pasqualini e Arap é inovador. “Trata-se da destruição dos vasos sanguíneos que servem o tecido adiposo branco”, diz Arap. O médico emenda: “Ao destruir esse tecido, a gordura é liberada, cai na circulação e é metabolizada de novo – e lentamente – no fígado. É por isso que os macacos perdem peso.” Segundo Arap, ocorre ainda uma diminuição do apetite “provavelmente isso acontece quando a gordura cai no sistema circulatório e há uma interação com o hipotálamo”. As pesquisas do casal tiveram início em 2004, quando conseguiram reduzir de forma significativa o peso de camundongos tratados com adipotide. Por que eles resolveram usar macacos obesos? “A obesidade em primatas é muito mais similar à obesidade humana nos planos psicológico e metabólico”, observa Arap. Segundo o médico, numerosas drogas contra a obesidade falham provavelmente porque foram desenvolvidas em sistemas de roedores. Pasqualini e Arap têm 900 macacos nas cercanias de Austin, no Texas. Cerca de 2% deles são espontaneamente gordos – e são estes a representar a população do estudo. Testes clínicos com humanos envolverão obesos com câncer de próstata. Isso porque a clínica M.D. Anderson lida, segundo Arap, “inteiramente com doenças de câncer na próstata”. Arap levanta a seguinte questão: “Se melhorarmos o perfil metabólico desses pacientes também melhorará o câncer?” O remédio contra a obesidade, cujos direitos foram licenciados para a Ablaris Therapeutics Inc., deverá ser usado para outros fins. Por exemplo, pacientes morbidamente obesos poderiam tomar a droga antes de serem submetidos a cirurgias bariátricas. Numerosos pacientes, vale exprimir, são inoperáveis. A adipotide também poderia ser usada no tratamento da diabetes tipo 2. E quando a droga estará disponível nas farmácias? “Todo mundo me faz essa pergunta, mas o processo regulatório é bastante complicado”, responde Pasqualini. De acordo com a médica, foram realizados numerosos estudos em várias espécies por toxicologistas. No entanto, é impossível prever se e quando o remédio chegará às farmácias. Pasqualini observa que houve efeitos colaterais nos rins. “A toxicidade realmente parece exclusiva a um fragmento da droga que acaba sendo liberado nos rins e produz uma série de lesões não sérias, mas que afetam um pouco sua função”, observa. Contudo, esses problemas foram resolvidos com a interrupção do tratamento. Arap quis ser transparente ao dizer que ele e sua mulher são investidores da Ablaris Therapeutics. Os royalties gerados pela comercialização do remédio serão de Pasqualini e Arap. * Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.

1 Neurociência

O cérebro determina o que é real?

Para que eu esteja escrevendo estas palavras, uma coreografia desconhecida organiza a ação coletiva de milhões de neurônios no meu cérebro: ideias emergem e são expressas em palavras, que datilografo no meu laptop graças à coordenação detalhada dos meus olhos e músculos. Algo está no comando, uma entidade que chamamos de "mente". Segundo a neurociência moderna, nossa percepção do mundo é sintetizada em regiões diferentes do cérebro. O que chamamos corriqueiramente de "realidade" resulta da soma integrada de incontáveis estímulos coletados pelos cinco sentidos, captados no mundo exterior e transportados para nossas cabeças pelo sistema nervoso. A cognição, a experiência concreta de existirmos aqui e agora, é uma fabricação de incontáveis reações químicas fluindo por bilhões de conexões sinápticas entre neurônios. Eu sou e você é uma rede eletroquímica autossustentável, que se define através de sua atuação na malha de células biológicas que constituem o nosso corpo. Mas somos muito mais do que isso. Somos todos diferentes, mesmo se feitos da mesma matéria-prima. A ciência moderna destituiu o velho dualismo cartesiano de matéria e alma em favor de um materialismo estrito. Hoje, afirmamos que o teatro do ser ocorre no cérebro e que o cérebro é uma rede de neurônios que se acendem e apagam como luzes numa árvore de Natal. Ainda não temos ideia de como essa coreografia neuronal engendra a nossa sensação de existirmos como indivíduos. Vivemos nossas vidas convencidos de que a separação entre nós e o mundo à nossa volta é clara. Precisamos dela para construir uma visão objetiva da realidade que nos cerca. No entanto, nossa percepção dessa realidade, na qual baseamos nossa sensação de existir como indivíduos, está longe de ser completa. Nossos sentidos capturam apenas uma pequena fração do que realmente ocorre à nossa volta. Trilhões de neutrinos vindos do coração do Sol atravessam nossos corpos a cada segundo. Estamos cercados por radiação eletromagnética de todos os tipos –ondas de rádio, infravermelha, micro-ondas– sem nos dar conta disso. Sons escapam da nossa audição, grãos microscópicos de poeira e bactérias são invisíveis aos nossos olhos. Como disse a raposa ao Pequeno Príncipe: "O essencial é invisível aos olhos". Nossos instrumentos em muito ampliam nossa visão, permitindo-nos "ver" o que escapa aos nossos sentidos. Mas a tecnologia tem limites, mesmo que esteja sempre avançando. Portanto, uma grande fração do que ocorre escapa e escapará à nossa detecção. O que sabemos sobre o mundo depende do que podemos medir e detectar. Quem, então, pode determinar que sua sensação do real é a verdadeira? O indivíduo que percebe a realidade apenas com os sentidos? Ou o que amplifica sua visão com instrumentos diversos? Obviamente, essas pessoas verão coisas diferentes. Se compararem o que chamam de realidade material, o conjunto das coisas que existem à sua volta, vão discordar completamente. Qual dos dois está certo? Eu proponho que nenhum está. Mas vamos ter de continuar essa conversa na semana que vem. * Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover, Estados Unidos. ** Publicado originalmente pelo jornal Folha de S.Paulo e retirado do site IHU On-Line.


por Marcelo Gleiser*
Os projetos serão avaliados utilizando os critérios de inovação, impacto social e sustentabilidade. Imagem: Divulgação Mundo

Ashoka busca soluções para melhorar o serviço de saúde no mundo

[caption id="attachment_33990" align="alignleft" width="300" caption="Os projetos serão avaliados utilizando os critérios de inovação, impacto social e sustentabilidade. Imagem: Divulgação"][/caption] A saúde é um dos campos da qualidade de vida mais importantes no desenvolvimento humano. Segundo relatório da ONU, os investimentos nos serviços de saúde básicos ainda são muito baixos em todo o mundo. Portanto, nota-se que os obstáculos no setor ultrapassam as fronteiras geográficas. Para se pensar conjuntamente em soluções inovadoras, a Changemakers lança mais um novo desafio on-line: Inovações para a saúde: soluções que cruzam fronteiras. O concurso é uma criação da parceria entre o Changemakers, da Ashoka, com a Iniciativa Pioneer Portfoilio, da Fundação Wood Johnson. A sua ideia principal é a troca de projetos inovadores com soluções para ajudar a melhorar a saúde no mundo e que sejam potencialmente capazes de serem implantados em qualquer país. O desafio global está aberto a indivíduos, organizações e parceiros. As inscrições serão aceitas até as 18h (horário de Brasília) do dia 13 de fevereiro de 2012. As melhores iniciativas serão escolhidas por um painel de jurados especialistas. O júri vai selecionar, a partir de critérios como inovação, impacto social e sustentabilidade, os três vencedores que vão receber US$ 10 mil cada. Os desafios inscritos até as 18h do dia 12 de dezembro de 2011 (cerca de dois meses antes do prazo final) concorrerão ao Prêmio de Inscrição Antecipada no valor de US$ 500 cada. Até o momento, o concurso possui 11 inscrições no total – nenhum desses projetos é brasileiro. Ele está sendo realizado no site changemakers.com, onde os visitantes podem se inscrever, discutir e compartilhar ideias. O anúncio dos finalistas será feito no dia 19 de março de 2012 e o dos vencedores no dia 16 de abril do mesmo ano. O desafio global aceitará inscrições que: - Estejam relacionadas ao tema do desafio: “Inovações Para a Saúde: Soluções Além das Fronteiras”. O objetivo desse desafio é identificar inovações para a saúde que tenham o potencial de ser adaptado e implementado em países diferentes cujos desafios e obstáculos sejam semelhantes no campo da saúde; - Tenham sido bem-sucedidas em algum nível, que tenham potencial de escala ou que indiquem caminho para crescimento além do estágio conceitual e tenham comprovado impacto e sustentabilidade da iniciativa; - Sejam redigidas em inglês, francês, espanhol ou português. Exemplo de inovações que espera-se receber: - As que trabalham com todo o espectro de profissionais da saúde e prestadores de serviços, melhorando assim a capacidade, alcance e qualidade dos serviços de saúde; - As que usam intervenções simples e de baixo custo para melhorar serviços médicos, de prevenção e odontológicos; - As que por meio de novas ferramentas e processos ajudam pessoas a encontrar e ter acesso a informações de saúde, seus serviços e quem são os prestadores dos mesmos, de acordo com suas necessidades; - As que proporcionam alta qualidade e cuidados personalizados fora do padrão convencional estabelecido; - As que encontram novas formas para envolver os pacientes com o cuidado de sua saúde, especialmente os pacientes com doenças crônicas. Cronograma do desafio - Lançamento do desafio, abertura de inscrições, 26 de outubro de 2011 – Incentivamos os participantes, durante o período de inscrição, a responderem às perguntas dos membros da comunidade online do Changemakers e revisarem suas inscrições com base nos comentários recebidos. - Prazo de inscrições antecipadas – As inscrições recebidas até 18h (horário de Brasília) do dia 12 de dezembro de 2011 poderão concorrer a um prêmio de U$ 500 e uma sessão de consultoria com especialistas do setor abordado pelo desafio. - Encerramento das inscrições, 13 de fevereiro de 2012 – Nenhuma inscrição adicional será aceita após 18h (horário de Brasília) desse dia. O debate on-line continua, porém os participantes não podem mais revisar seus projetos inscritos. - Anúncio dos vencedores, 16 de abril de 2012 – Três (3) finalistas serão selecionados como vencedores de todo o desafio e receberão um prêmio de US$ 10 mil cada um. Os vencedores do desafio serão selecionados por um júri composto de um painel de especialistas. * Publicado originalmente no site EcoD.


por Redação EcoD
1 Pesquisa

Mais amigos no facebook, maior o tamanho do cérebro?

Este ano, uma pesquisa publicada pela revista Nature Neuroscience demonstrou que o volume da amígdala, uma das principais regiões cerebrais associadas ao processamento de emoções, é maior entre pessoas que têm maiores redes sociais reais. Logo em seguida, outro grupo de pesquisadores fez outra pergunta: será que a quantidade de amigos que uma pessoa tem no facebook também tem alguma relação com a anatomia do seu cérebro? Cento e vinte e cinco universitários ingleses com 23 anos em média, todos eles vinculados à rede facebook, foram submetidos a exames de ressonância magnética. As imagens do cérebro foram analisadas com uma técnica especial que mede o tamanho das regiões de interesse – morfometria baseada em voxels. Os resultados apontaram que, quanto maior o número de amigos no facebook, maior o volume de algumas regiões do cérebro. Uma dessas regiões é a própria amígdala, já apontada no estudo anterior como sendo maior entre indivíduos com uma maior rede social de “carne e osso”. Outras estruturas do lobo temporal também se mostraram mais volumosas, algumas delas ligadas à memória e à capacidade de associar informações – ligar o nome à imagem da pessoa –, enquanto outras são associadas a funções como a habilidade de perceber a intenção do outro e de notar que estamos sendo observados. Os pesquisadores investigaram também se o tamanho da rede de amigos online  era proporcional à rede real. Um questionário de três perguntas foi aplicado para estimar o tamanho da rede real: 1) quantas pessoas lhe enviariam uma mensagem convidando para uma comemoração? 2) qual o número de pessoas na sua lista de telefones? 3) quantos amigos da época de escola ou faculdade que você ainda pode ter uma conversa amigável? As respostas indicaram que as redes do facebook e do mundo real eram proporcionais. Uma questão que a pesquisa não pôde responder é se as características do cérebro são causa ou consequência da experiência social. É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? O estudo foi publicado pelo periódico Proceedings of the Royal Society. * A última edição da Science traz um estudo mostrando que macacos que convivem em grupos maiores também apresentam maior volume da substância cinzenta em diversas áreas cerebrais, incluindo a região temporal. Mais uma evidência de que o cérebro é uma grande ferramenta social. ** Ricardo Teixeira é doutor em Neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília. *** Publicado originalmente no blog do autor ConsCiência no Dia-a-Dia


por Ricardo Teixeira**
1 Legislação

Governo isenta empresas de monitorar efeitos dos transgênicos

“Qual é a razão de pedir uma coisa dessas se a gente sabe que não faz mal?”, questionava Walter Colli no final de seu mandato como presidente da CTNBio, referindo-se às medidas de controle dos efeitos dos transgênicos no médio e longo prazo. “Ou não se usa transgênico ou, se usa, faz sem monitoramento”, completou (Folha de S.Paulo, 9/12/2009). Na época, a proposta de derrubar o monitoramento gerou repercussão negativa e não passou. A poeira baixou e finalmente foi feita a vontade do interesse defendido por Colli. Foi aprovada norma (10/11) que isentará as empresas de monitorar os potenciais efeitos adversos que o cultivo e consumo em escala de transgênicos podem causar ao meio ambiente e à saúde humana. Antes disso, a mesma CTNBio flexibilizará os critérios para liberação comercial com o argumento de que o monitoramento pós-comercialização seria suficiente para corrigir danos identificados no médio ou longo prazos. Agora, o monitoramento será avis rara. O argumento usado foi o de que há casos em que o monitoramento seria impossível, como o uso de microrganismos modificados em contenção. Assim, apoiando-se na exceção, liberou-se de controle aquilo que é a regra, ou seja, o plantio de soja, milho, etc., e agora também o feijão. Se não fosse cortina de fumaça o argumento da impossibilidade, bastaria colocar no texto que “em caso de impossibilidade, a empresa deverá argumentar e a CTNBio decidirá, caso a caso, pela eventual isenção”. Esta proposta foi apresentada em plenária, mas ignorada pela maioria, a despeito de ter sido aceita na reunião de outubro. Para os doutores da CTNBio, a empresa poderá pedir dispensa do monitoramento sempre que a avaliação concluir que os riscos do produto são negligenciáveis. Acontece que, até hoje, todas as sementes transgênicas liberadas foram consideradas “não causadoras de significativa degradação do meio ambiente ou de agravos à saúde humana e animal”. Além disso, as empresas que eventualmente estavam fazendo monitoramento de acordo com a regra anterior, agora poderão se adequar à nova e pedir dispensa. Lembre-se que o governo Lula criou uma nova lei de biossegurança para liberar de estudo de impacto ambiental o licenciamento de transgênicos. Assim, os produtos modificados não serão testados adequadamente nem antes nem depois da liberação comercial. Prato cheio para as empresas seguirem dizendo que “até hoje nunca foi comprovado nenhum dano causado pelos transgênicos”. As mesmas empresas que foram convidadas pelo presidente da CTNBio Edílson Paiva para reunião em que apresentaram suas propostas para o monitoramento. Antes do início da reunião, entidades apresentaram pedido de suspensão da votação até que fosse realizada consulta pública e que os demais interessados tivessem garantido o mesmo direito de participação conferido às empresas. Paiva informou à plenária sobre a existência do pedido mas disse que a carta só seria lida na reunião de dezembro. Um dos integrantes da Comissão informou à plenária a respeito do teor do documento das organizações e defendeu a importância de se garantir o direito de participação de outros setores. Ainda assim, a alteração da regra de monitoramento foi aprovada sem possibilidade de participação dos setores interessados da sociedade civil. “O Conselho Nacional de Biossegurança (órgão formado por 11 ministros) diz que devem ser realizados estudos de médio e longo prazos para OGMs, ou seja, deve ser feito o monitoramento pós-liberação comercial. Essa brecha vai contra a orientação do conselho superior”, disse ao Valor Econômico (11/11) a representante do Ministério da Saúde na CTNBio. O Ministério apresentou proposta alternativa, que foi distribuída mas não considerada. A discussão que teve desfecho no dia 10 começou antes, com a criação de um grupo de trabalho. Suas primeiras formulações previam independência científica e transparência na realização dos estudos de monitoramento, além de prazo mínimo de cinco anos. Esses itens foram excluídos da proposta elaborada pelo representante do Itamaraty, com beneplácito da maioria. Paiva fechou a reunião dizendo que ali havia sido aprovado “um marco, que será seguido como exemplo, podem ter certeza disso”. Os representantes das empresas presentes aplaudiram fortemente. Saiba mais CTNBio dispensa monitoramento de transgênicos pós-liberação comercial * Publicado originalmente pelo AS-PTA - Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos e retirado do site Mercado Ético.


por Redação AS-PTA
1 Entrevista

O uso de cobaias para testes científicos. Um debate ético.

“Três princípios básicos regem a ética no trabalho com animais: substituição, redução e refinamento”, assinala o pesquisador Aleksander Roberto Zampronio. A discussão ética está ocupando o centro do debate acerca da utilização de animais para experimentos científicos e aulas práticas em universidades brasileiras. Apesar de alguns pesquisadores serem incessantemente adeptos do uso de animais no desenvolvimento da ciência, as universidades “são favoráveis à redução da utilização de animais nas aulas práticas”, declara Aleksander Roberto Zampronio, docente do departamento de Biologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line. De acordo com o pesquisador, algumas universidades estão substituindo o uso de animais por softwares de simulação ou vídeos. “Há uma perda porque o estudante não manipula o animal, mas não é algo tão significativo que justifique a morte de novos animais”, explica. Apesar de defender a discussão ética neste debate, Zampronio assinala que, por enquanto, “a substituição total” de animais “é impossível”. “Atualmente, há uma preocupação dos pesquisadores em fazer um refinamento do experimento e usar o menor número possível de animais. (...) Nesse sentido, o Comitê de Ética tenta educar os cientistas para que eles possam substituir os procedimentos tradicionais e buscarem maneiras de reduzir e refinar a pesquisa.” Aleksander Roberto Zampronio é graduado em Farmácia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também cursou o doutorado em Farmacologia. É pós-doutor em Neurociência pela Universidade de Caldas e atualmente é coordenador da Comissão de Ética para Uso de Animais do setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde leciona. Confira a entrevista. IHU On-Line – Como o senhor vê a discussão acerca da utilização de animais como cobaias para realização de testes científicos? Aleksander Roberto Zampronio – A discussão sobre o uso de animais para testes científicos é fundamental e a sociedade tem que participar das decisões do que é feito, em termos éticos, com a pesquisa animal. Nesta discussão, os que são a favor e aqueles que são contra a utilização de animais precisam ser ouvidos para chegarmos a um consenso, Na minha opinião, a pesquisa tem limites, mas, por outro lado, existem pessoas que precisam da pesquisa. IHU On-Line – De onde surgiu a iniciativa de utilizar animais para a pesquisa científica? Aleksander Roberto Zampronio – No Brasil, a utilização de animais para pesquisa é uma atividade recente e relativamente crescente. Os professores universitários começaram a utilizar animais há 15, 20 anos e, desde então, já queriam estabelecer limites éticos para o uso dos animais. Quer dizer, antes de a sociedade se manifestar a respeito das questões éticas que implicam esta atividade, os pesquisadores já se manifestaram e criaram regras dentro das universidades. A experiência de fazer testes com animais foi trazida do exterior, quando pesquisadores brasileiros começaram a visitar universidades estrangeiras. Na Inglaterra, por exemplo, essa discussão tem mais de cem anos. IHU On-Line – paradigma científico vigente aceita a utilização de animais para experiências científicas. Que alternativa pode ser vislumbrada para substituir esta prática?   Aleksander Roberto Zampronio – A substituição total, na minha avaliação, é impossível, considerando o atual momento da ciência. Por enquanto, não é possível substituir todos os animais por outra alternativa, mas já existe uma série de maneiras que contribuem para a redução do uso de animais. Atualmente, há uma preocupação dos pesquisadores em fazer um refinamento do experimento e usar o menor número possível de animais, e, às vezes, substituir o uso de animais por softwares. Nesse sentido, o Comitê de Ética tenta educar os cientistas para que eles possam substituir os procedimentos tradicionais e buscar maneiras de reduzir e refinar a pesquisa com animais. Portanto, três princípios básicos regem a ética no trabalho com animais: substituição, redução e refinamento. IHU On-Line – Qual é o limite da ética do uso de animais para experiência? Como o senhor vê o debate de ativistas e ambientalistas que defendem os direitos dos animais e o caso de alunos que se recusam a fazer experimentos com animais nos cursos de graduação? Aleksander Roberto Zampronio – Algumas pessoas são radicais, mas a questão do uso de animais nas universidades tem que ser discutida separadamente. A ética tem que fazer distinções entre a utilização de animais nas universidades e nos centros de pesquisa. Geralmente quem se recusa a participar de experimentos com animais são alunos de graduação, portanto, não são alunos que trabalham com pesquisa. No meu ponto de vista, antes de ingressar em um curso de biologia, por exemplo, a pessoa tem que ser informada de que terá que trabalhar com animais, até porque tem atividades que não podem ser feitas de outra maneira. Entretanto, na graduação, algumas aulas práticas podem ser substituídas. Inclusive, o uso de animais nas aulas de graduação está sendo reduzido e o professor precisa dar uma boa justificativa ao Comitê de Ética para ministrar aulas práticas com animais. IHU On-Line – Como os alunos aprendem alguns experimentos sem o uso de animais? Aleksander Roberto Zampronio – Algumas universidades utilizam softwares de simulação. Em determinadas aulas, por exemplo, eu filmo o comportamento do animal, e utilizo o filme. Há uma perda porque o estudante não manipula o animal, mas não é algo tão significativo que justifique a morte de novos animais. Existem meios de substituir o uso de animais. Ao invés de ministrar uma aula com um animal inteiro, é possível, por exemplo, tentar coletar sangue e fazer um experimento in vitro. Entretanto, quando se trata de pesquisa cientifica, a questão é um pouco mais complicada. IHU On-Line – O uso de animais para realizar pesquisas humanas é eficaz? Aleksander Roberto Zampronio – Sem dúvida nenhuma. Animais e humanos são diferentes, mas a química, para identificar os efeitos colaterais em humanos, é a mesma. Todas as drogas que conhecemos e que são eficazes hoje foram testadas em animais. Nós adquirimos muito conhecimento a respeito disso, então não tenho dúvida de que é útil passar primeiro por animais, depois pela pesquisa pré-clínica. A discussão é: será que nós podemos reduzir bastante o número de animais que utilizamos até chegar à pesquisa pré-clínica? Este é o debate que os Comitês de Ética têm feito e, tentado, junto com os pesquisadores, buscar alternativas. IHU On-Line – Quais são os avanços e os limites da Lei Arouca (nº 11.794) em relação à utilização de animais para o desenvolvimento de pesquisas científicas? Aleksander Roberto Zampronio – A lei demorou para sair, e só foi aprovada por causa dos cientistas brasileiros e dos pesquisadores que trabalham com animais. Acompanhei essa discussão de perto, discutíamos a lei em todos os congressos brasileiros, e fomos atrás para que ela fosse regulamentada e aprovada. Com a implementação da lei, o Brasil avançou bastante e estou gostando muito da forma como a Lei Arouca está sendo conduzida. Por exemplo: estão credenciando todas as universidades que utilizam animais em experiências cientificas, portanto, nós vamos saber quem está desenvolvendo pesquisas, sobre o que estão pesquisando, onde as pessoas estão trabalhando, etc. A Lei Arouca foi importante para nós, porque com ela nós conseguimos criar o Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea), órgão que faz o controle da experimentação animal no país. Entretanto, a implantação total da lei é muito difícil porque temos dificuldade de encontrar pessoas disponíveis para participar dos Comitês de Ética, porque esta é uma atividade voluntária. As pessoas, por exemplo, das ONGs que têm cadeira nos Comitês de Ética, se recusam a participar. Entre as justificativas que recebi, diziam que o quadro de funcionários é pequeno e que as pessoas não dispõem de tempo, etc. IHU On-Line – Como as universidades brasileiras se posicionam diante do uso de animais para experiências? Aleksander Roberto Zampronio – As universidades de modo geral são favoráveis à redução da utilização de animais nas aulas práticas. Todos entendem que a utilização deve ser controlada por um Comitê de Ética. Os alunos de pós-graduação estão altamente integrados nesta política de evitar o sofrimento dos animais. As universidades estão comprometidas com isso porque este é o melhor caminho. Temos a consciência de que é importante realizar pesquisas, mas elas devem ter limites. É óbvio que alguns pesquisadores desconsideram a necessidade de ter um Comitê de Ética para regularizar as suas pesquisas. IHU On-Line – Como os animais são utilizados dentro das universidades e centros de pesquisa? Como é feito o controle do uso de cobaias? O senhor sabe, aproximadamente, quantos animais são utilizados por semestre? Aleksander Roberto Zampronio – A maioria das universidades brasileiras utiliza ratos e camundongos, que são criados dentro da própria universidade. São utilizados também, em menor quantidade, coelhos, galinhas, cavalos e porcos. As regras de anestesia e de sacrifício são adotadas em geral pelas universidades, enquanto o governo não determinar as regras gerais para o país. Entretanto, as instituições costumam utilizar as regras de anestesia e sacrifício do Conselho Federal de Medicina Veterinária. Sempre que necessário, se consulta os veterinários – todos os Comitês de Ética têm veterinários e biólogos. O governo está perguntando para todas as universidades como elas realizam os testes e, por meio do Concea, vai estabelecer as regras gerais, que todas as instituições deverão seguir. Em relação ao controle, atualmente o pesquisador informa para o Comitê de Ética quais procedimentos são utilizados na pesquisa e o Comitê diz se ele pode ou não pode fazer aqueles procedimentos de acordo com as normas internacionais. Caso o Comitê de Ética receba alguma denúncia, deve dar início a uma investigação e averiguar se está havendo algum abuso ou se as pesquisas estão descumprindo as regras. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.


por Redação IHU
1 Bem Estar

Estudo indica que ioga melhora humor e diminui a ansiedade

Um estudo norte-americano mostra que a prática de ioga tem efeito positivo no humor e na diminuição da ansiedade. De acordo com a pesquisa, a prática estimula a produção de um neurotransmissor conhecido por GABA, que diminui os estímulos nervosos e relaxa as células do cérebro. GABA é a sigla em inglês para ácido gama-aminobutírico. Baixos níveis desse neurotransmissor estão relacionados com a depressão e outros transtornos de ansiedade. Para chegar aos resultados, os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, acompanharam dois grupos de pessoas saudáveis durante 12 semanas. Um grupo praticou ioga três vezes por semana durante uma hora, enquanto o outro realizou caminhadas durante o mesmo período. Por meio de exames de ressonância magnética funcional (RMf), realizados antes do início do estudo e após a 12ª semana, os pesquisadores compararam os níveis de GABA de ambos os grupos. Os participantes também passaram por avaliações psicológicas. De acordo com os resultados, aqueles que praticaram ioga mostraram uma diminuição mais significativa da ansiedade e mais melhorias no humor do que os que andaram. “Com o tempo, mudanças positivas nestes relatórios foram associadas ao aumento dos níveis de GABA”, aponta o autor do estudo, Chris Streeter. Para ele, mais estudos precisam ser feitos no sentido de investigar os resultados em longo prazo, a fim de considerar ou não a ioga uma terapia complementar não farmacológica segura para a depressão. Com informações da Boston University. * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Redação O que eu tenho
1 Prevenção

Síndrome da morte súbita em bebês: um sono sem despertar

Até a década de 1950, a morte súbita dos bebês lactentes (SMSL) era considerada um acidente, acreditando-se que a criança fosse sufocada pelos lençóis ou pelo corpo do adulto. Isso começou a mudar quando pais norte-americanos inconsolados pela perda de seus bebês, e insatisfeitos com a falta de respostas, criaram nos Estados Unidos a Fundação Nacional de SMSL, que reivindicou estudos epidemiológicos da comunidade científica, discutidos em duas conferências (em 1963 e 1969). Os estudos mostraram que as características encontradas eram idênticas nos países participantes (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Tchecoslováquia). Definição atual da síndrome: morte súbita e inesperada de uma criança menor de um ano, previamente saudável, com início do episódio fatal aparentemente ocorrendo durante o sono, que se mantém inexplicada após exaustiva investigação, incluindo realização de uma necrópsia completa, revisão das circunstâncias da morte e da história clínica. Pode ser subdividida em categorias1: IA, IB, II e morte súbita da infância não classificada. Fatores de risco Os fatores de risco relacionados são: sono, cabeça coberta na hora do sono, baixo peso ao nascer, prematuridade, mãe adolescente, gestações múltiplas, raça negra, hipo ou hipertermia, fumo na gravidez, nível socioeconômico menos favorecido e dormir compartilhado. Acomete crianças de até um ano de idade com pico de incidência de dois a quatro meses de vida, predomínio no sexo masculino (60%), mais frequente nos meses frios e nas madrugadas. Várias hipóteses tentaram explicar a etiologia da SMSL, desde infecções até causas genéticas. Atualmente, acredita-se em falha no sistema de despertar, podendo ser entendida como disfunção do sistema nervoso autônomo. Os estudos da cena do óbito mostraram que a maioria das crianças estava “de bruços” (decúbito ventral) no momento do óbito. Foram realizadas campanhas orientando a se colocar a criança para dormir em posição supina (decúbito dorsal). Nos Estados Unidos, até a década de 1980, a SMSL era a principal causa de óbito até um ano de idade. Essa simples recomendação levou, no prazo aproximado de dez anos, à redução na incidência de 1,4/1.000 para 0,7/1.000 nos Estados Unidos, de 3,5/1.000 para 0,3/1000 na Noruega, e de 0,8/1000 para 0,3/1000 no Canadá. Em 1992, a Academia de Pediatria Norte-Americana realizou campanhas com medidas preventivas, que em 2005 foram revisadas e revalidadas. Os três fatores preventivos de maior relevância foram: dormir em posição supina pelo menos até os seis meses de vida; evitar fumo na gravidez e contato com fumantes (redução de risco de duas a quatro vezes) e evitar cobrir a cabeça na hora do sono (redução de mortes de 16% a 22%). Outras medidas seriam: evitar sono compartilhado; colchões moles, de água ou sofás; considerar o uso de chupetas para dormir, começando um mês após início da amamentação. Como podemos prevenir essa síndrome? Evitando os fatores de risco mencionados e acompanhando crianças com história de bradicardia, apneias, cianose, recuperados de SMSL, ou grupos de risco, como os prematuros. E no Brasil, há muitas mortes por SMSL? Apesar de estudos em algumas regiões mostrarem semelhanças epidemiológicas com países desenvolvidos, não podemos generalizar, afirmando que essa incidência reflete a nossa realidade. Temos uma taxa de mortalidade infantil muito superior à desses países e, seguramente, estão englobadas as mortes por SMSL nessas taxas: há subnotificação em nossos atestados de óbito, não realização de necrópsias padronizadas e ausência de campanhas maciças de prevenção. Como podemos ter similar incidência em relação a países que por longa data estão investindo em estudos e prevenção? Não seria mais provável que estivéssemos deixando de fazer diagnósticos? Seria necessário para responder a essas perguntas uma política pública voltada à divulgação, prevenção e estudos epidemiológicos seriados, com intenção de responder a essas questões, com índices que reflitam realmente a nossa realidade. * Cristina Guerra, José Sobral, Henrique Maia, Tamer Seixas e Ayrton Peres são cardiologistas e membros da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca (Sobrac). ** Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Cristina Guerra, José Sobral, Henrique Maia, Tamer Seixas e Ayrton Peres*
1 Qualidade de Vida

Simples mudanças nos hábitos podem aumentar a expectativa de vida

Estratégias de prevenção da saúde podem somar até uma década à média de vida de um indivíduo, aponta estudo canadense. É o que afirma um estudo feito por Clyde Yancy, da Universidade de Northwestern. “Pequenas mudanças positivas no estilo de vida podem fazer com que as pessoas vivam bem mais que a média esperada. Além disso, essas pessoas podem diminuir o risco de desenvolver doenças do coração, AVC e inúmeras outras doenças crônicas, incluindo o câncer”, diz o pesquisador. Além disso, completa, é possível que essas pessoas vivam com mais qualidade de vida pelo maior tempo possível. De acordo com Yancy, algumas dicas podem mudar o modo como as pessoas chegarão à velhice. • Ser ativo fisicamente O sedentarismo pode, por si só, diminuir a expectativa de vida de uma pessoa em até quatro anos. Pessoas sedentárias também têm maior risco de doenças do coração e AVC. • Controlar os níveis de colesterol Quase 40% dos adultos no Canadá, onde a pesquisa de Yancy foi feita, têm altos níveis de colesterol no sangue, o que pode levar a depósitos de gordura nas artérias e piorar a saúde cardíaca e do cérebro. • Ter uma dieta saudável Comer de forma saudável pode ser a principal maneira de melhorar a saúde. Mesmo assim, a maioria das pessoas não segue uma dieta saudável. • Monitorar a pressão sanguínea A pressão alta ou hipertensão é uma “condição silenciosa”. Controlar a própria pressão – com uma dieta adequada e exercícios físicos – pode diminuir em até 40% os riscos de um AVC e em até 25% os riscos de um ataque do coração. • Controlar o próprio peso Aproximadamente 60% dos indivíduos acompanhados estavam com sobrepeso ou na faixa de obesidade. A obesidade diminui a expectativa de vida em torno de três ou quatro anos. • Controlar a diabetes A diabetes aumenta o risco de hipertensão, arteriosclerose (que deixa as artérias do corpo mais “finas”), doenças coronarianas, AVC, entre outras condições crônicas. • Deixar o tabaco de lado O fumo causa diversos males à saúde. E para reverter o processo é preciso ficar praticamente 15 anos sem fumar para chegar aos níveis de risco normais para a saúde na sua idade quando comparado com pessoas que nunca fumaram. Com informações do Heart and Stroke Foundation of Canada. * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Redação O que eu tenho
1 Corpo

Pedale com saúde: antes de aumentar suas atividades com a bicicleta é preciso estar atento ao preparo físico

Acompanhamento médico é fundamental para indivíduos com problemas respiratórios que desejam praticar qualquer tipo de exercício físico. Caminhar pelo bairro, correr, nadar, dançar ou até mesmo passear com o cachorro podem trazer uma série de benefícios à saúde em geral. Andar de bicicleta não foge à regra, requer os mesmos cuidados que outras atividades aeróbicas e, ao contrário do que muitos pensam, portadores de doenças respiratórias também estão liberados para tal prática, contanto que sigam a orientação de um médico. Segundo André Albuquerque, pneumologista responsável pelo Laboratório de Função Pulmonar do Hospital Sírio Libanês e membro da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), o benefício que andar de bicicleta aplica à saúde se deve ao trabalho conjunto do pulmão e outros membros. “Quando uma pessoa pratica atividade física, seu pulmão acaba se expandindo durante o exercício devido à ventilação, o que é muito bom para respirar melhor. Além disso, os sistemas respiratório, cardiovascular e muscular periférico acabam interagindo melhor entre si, proporcionando uma melhora direta na saúde do indivíduo”, afirma. Cuidados Andar de bicicleta pode ser muito prazeroso, porém alguns cuidados devem ser tomados, em especial por indivíduos com problemas respiratórios. Em primeiro lugar, é necessário que se procure o acompanhamento de um pneumologista, pois caso a doença não esteja bem controlada, pode haver uma sobrecarga ventilatória durante a realização da atividade. “Tal sobrecarga se reflete em um desconforto. A pessoa fica mais cansada e com falta de ar, mas acha que o motivo vem apenas do esforço que está sendo feito, o que pode não ser. Na verdade, a consequência do mal-estar é justamente a doença respiratória que não está sob controle”, explica Albuquerque. Após uma consulta ao especialista, será determinada a carga do treino a ser feita, de modo que não seja pouca ou em excesso. Conforme o especialista, alguns indivíduos também podem ter problemas quanto ao ambiente da prática de atividade física, como ao ar livre, em locais poluídos, que, sempre que possível, devem ser evitados por todos. “Um nadador com problemas em relação ao cloro não pode ficar exposto a piscinas que contêm a substância, por exemplo. Deve-se ficar bastante atento ao lugar escolhido. Isto vale também para quem utiliza bicicletas ergométricas em ambientes fechados. Caso o ar-condicionado esteja ligado, pode ser extremamente prejudicial à saúde.” A prática de exercício físico é altamente recomendada a pacientes com asma, bronquite ou enfisema; é a chamada reabilitação cardiopulmonar. O ideal é incluir sempre uma série de exercícios aeróbicos, entre eles a prática da bicicleta, esteira ou a natação. Assim, a bicicleta poderia ser uma modalidade que atua justamente neste componente aeróbico, ajudando na recuperação do indivíduo. “No decorrer do programa indicado, o paciente deve reportar ao médico caso note algum sintoma, porém, com tudo controlado, a pessoa está liberada para realizar atividades físicas regularmente e pelo maior tempo possível. Lembrando também que, com tratamento e controle, qualquer tipo de problema pode se reverter”, finaliza Albuquerque. * Publicado originalmente no site O que eu tenho.


por Redação O que eu tenho
1 Doenças

Gagueira não tem cura, mas tratamento é fundamental

O transtorno atinge 1% da população mundial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Fluência. O Oscar 2011 consagrou como melhor filme a história do rei George VI que, após um tratamento exaustivo com um terapeuta, consegue êxito para a explanação de seus discursos no império britânico. O longa-metragem O Discurso do Rei é verídico e destaca os percalços que o rei passou para assumir o trono devido às suas dificuldades de fluência na fala. De característica marcante, a disfemia, conhecida popularmente por gagueira, pode ter seus efeitos reduzidos, mas não curados. Para a fonoaudióloga Eliane Regina Carrasco, presidente da Associação Brasileira de Gagueira e mestranda em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp, “a pessoa sabe exatamente o que quer falar, mas não consegue por causa das repetições, prolongamentos e bloqueios”. Considerada um distúrbio na fluência da fala com interrupções involuntárias do seu ritmo natural, a gagueira surge geralmente durante o desenvolvendo da linguagem, na infância, em crianças propensas ao distúrbio. De causa ainda desconhecida pela medicina, ela é vista como um distúrbio neurobiológico, “causado por um mau funcionamento de algumas áreas do cérebro que são responsáveis pela fala”, destaca a especialista. Pesquisas médicas, no entanto, continuam a buscar respostas para a questão. Fatores biológicos e genéticos já foram identificados como aspectos presentes na gagueira. Da mesma forma, a questão emocional também deve ser considerada, “porém como um agravante da gagueira e não como causador”, salienta a Dra. Eliane Carrasco. Como ainda não é possível afirmar com exatidão as causas do distúrbio, a recomendação é que haja um tratamento terapêutico realizado por um fonoaudiólogo especializado. Apesar de a disfemia não apresentar cura, é preciso insistir no tratamento a fim de ter os seus sintomas diminuídos. Por conta da plasticidade do sistema nervoso, peculiar nas crianças, indica-se o início do tratamento o mais cedo possível, com a garantia de resultados mais eficazes. Compreensão A melhor maneira de ajudar o gago é respeitando o seu tempo para se expressar. “Atitudes como apressar a pessoa, não prestar atenção, desviar o olhar, tentar completar as palavras mesmo que com a intenção de ajudar, demonstrar pressa ou impaciência, risos e piadas, são atitudes que não ajudam em nada e que podem inclusive trazer mais tensão àquela situação de comunicação, tanto para a pessoa que gagueja como para o ouvinte”, ressalta a fonoaudióloga Eliane Regina Carrasco. Há também grupos de apoio disponíveis em várias regiões que auxiliam e permitem a troca de experiência entre as pessoas portadoras da disfunção. A gagueira é involuntária e controlá-la não é tarefa simples. Portanto, como portador do distúrbio recomenda-se a procura de um profissional e a persistência no tratamento. Quanto aos ouvintes, resta-lhes respeitar e dispensar atitudes de sarcasmo, muitas vezes presentes nestas situações. * Publicado originalmente no site Saúde em Pauta Online.


por Redação Saúde em Pauta Online

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