6° Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo recebe inscrições até 15 de fevereiro

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6° Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo recebe inscrições até 15 de fevereiro





Até a meia noite do dia 15 de fevereiro de 2012, o site www.andi.org.br/timlopes receberá os registros dos projetos inscritos na sexta edição do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo. Podem participar repórteres, editores e chefes de reportagem dos diferentes tipos de veículos (impresso, rádio, televisão, web e veículos comunitários ou alternativos), além de estudantes e professores de cursos de comunicação. O concurso tem como temática fixa “imprensa e sociedade aliadas no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes”. Este ano o tema da categoria especial é “exploração sexual de crianças e adolescentes no setor turístico brasileiro”, aberta a candidatos de todas as mídias. O Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo é uma iniciativa da Andi Comunicação e Direitos e da Childhood Brasil, e conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além disso, conta com o apoio do Portal Imprensa na divulgação. O projeto é uma homenagem ao jornalista Tim Lopes, que foi assassinado em 2002 enquanto investigava casos de exploração sexual de adolescentes em uma favela do Rio de Janeiro. Sobre o apoio financeiro e a premiação Os jornalistas que tiverem seus projetos selecionados pela comissão julgadora (formada por especialistas em violência sexual e profissionais de comunicação) receberão uma bolsa de apoio para o desenvolvimento das reportagens, de acordo com a natureza do veículo no qual atuam. Apoio técnico Além do incentivo financeiro, o Concurso Tim Lopes também oferece o apoio de consultores especializados no tema, que ficam à disposição dos jornalistas para responder dúvidas e orientar os profissionais durante a coleta de informações e produção das matérias. Como participar Os jornalistas, professores e estudantes interessados devem inscrever seus projetos por meio de um formulário específico que está disponível no site www.andi.org.br/timlopes. O projeto deve incluir uma Proposta de Pauta de forma detalhada, apresentando justificativa, roteiro de produção da matéria ou série de reportagens, fontes de informação que serão ouvidas, previsão dos gastos que serão realizados, entre outras informações. No site também está disponível o Regulamento completo do concurso.

cid-cabo-estadio-obra-gty-4 Copa do Mundo

Por trás dos investimentos, famílias atingidas e trabalhadores precarizados

Diversos integrantes dos Comitês Populares da Copa – que reúnem acadêmicos, moradores de comunidades, movimentos e organizações da sociedade civil – construíram um dossiê sobre os megaeventos e violações de direitos humanos no Brasil, entregue no mês de dezembro às prefeituras das 12 cidades-sede da Copa, na Câmara dos Deputados, no Senado, diversos ministérios e órgãos federais, além de entidades internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Organização Internacional do Trabalho (OIT). “O próprio Ministério Público Federal criou um grupo de trabalho para acompanhar as violações de direitos em megaeventos. Isso já deveria ter sido um sinal de alerta para o governo repensar as coisas. Agora a sociedade civil, articulada em comitês populares da Copa, apresenta um dossiê que prova que a violação tem sido sistemática e deliberada. É um padrão”, afirma o professor Carlos Vainer. Segundo o relatório, organizado em diferentes eixos – moradia, trabalho, acesso à informação e participação, meio ambiente, mobilidade e segurança pública –, pelo menos 170 mil pessoas serão expulsas de suas casas. “Nosso número pode não estar certo, foram estimativas feitas pelos comitês, porque as autoridades não nos dão essa informação. Mas os números não param de crescer; o apetite das empreiteiras, do capital especulativo é infindável”, aponta Carlos. Marcos Dionísio Medeiros Caldas, militante dos Direitos Humanos e membro do Comitê Popular da Copa de Natal, afirma que o principal problema é a quase total falta de transparência em relação às mudanças que foram feitas no regime de contratos, e a exclusão da sociedade dos processos de decisão. “Nos Estados, os gestores também não deram transparência. Disseram primeiro que tinham que confeccionar os projetos, sem que sociedade, em nenhum de seus órgãos representativos, fosse ouvida. Quando cobramos a participação nas reuniões de decisão, tínhamos um espaço reduzido de discussão. Elegeram suas prioridades sem a participação das pessoas e agora querem nos enfiar goela abaixo”, denuncia. Natal é uma das 12 cidades-sede da Copa. Assim como Manaus, Cuiabá e Brasília, não tem times na primeira divisão, e o público dos estádios em tempos normais não deve chegar às 40 mil pessoas exigidas para estádios da Copa. Mas está sendo construído um grande estádio, com investimento de R$ 400 milhões, R$ 396 desses milhões via BNDES, segundo dados divulgados pelo Ministério do Esporte. Outra grande obra prevista na capital do Rio Grande do Norte é a integração do aeroporto ao setor hoteleiro, passando pelo estádio Arena das Dunas, com o custo de R$ 383 milhões. Segundo Dionísio, o estádio pode até ser utilizado depois da Copa, sediando grandes eventos como o Carnatal, jogos e shows. “Mas vai ter um calcanhar de Aquiles: o público serão os setores médios, a alta burguesia e os turistas. Os projetos são insuficientes, elitistas, não democratizam o acesso da população ao volume de investimentos, privatizam os recursos”, denuncia. Um dos exemplos citados é a falta de mecanismos de melhoria do transporte público. “São investimentos para os próximos anos, que poderiam ser alocados em políticas públicas para as próximas gerações, e não na forma de obras faraônicas, que só resolvem os problemas da classe média”, completa Dionísio. Patrícia Rodrigues, da Marcha Mundial de Mulheres, destaca ainda outro problema da falta de prioridade para a inclusão social: o tráfico de mulheres e a exploração da prostituição. Ela coloca que nesse tipo de evento é comum se colocar o debate da legalização da prostituição, como forma de alavancar o comércio do sexo, como foi feito na Alemanha e na África do Sul. Para a militante feminista, o caminho é aumentar a fiscalização contra a exploração, inclusive escrava, e garantir processos de inclusão econômica. “Não podemos deixar aumentar a verba para prostíbulos e não ter recursos para garantir os direitos das mulheres”, aponta. O professor Carlos Vainer ressalta que o que está sendo manipulado é o grande apreço pelo futebol e pelo esporte, além da alegria de poder recepcionar pessoas que vêm de fora. “Esses grupos, inclusive a mídia – que cria uma cortina de fumaça por ser cúmplice dos mesmos interesses – estão usando a paixão pelo esporte como um grande negócio, como pretexto para carrear recursos públicos em nome de interesse privados, contrários à coletividade”, destaca. Exploração do trabalho Um dos eixos do dossiê é a questão do trabalho. O texto aponta que praticamente todos os estádios para a Copa sairão de projetos novos, seja de construção ou reformas milionárias, com a pressão da Fifa para que fiquem prontos até dezembro de 2012, a tempo da Copa das Confederações, o “torneio-teste” para a Copa. A conjugação entre obras gigantescas e cronogramas apertados foi responsável por mais uma contradição, talvez a mais explícita de todas: apesar das cifras bilionárias, que incluem recursos provindos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), os trabalhadores são superexplorados, precarizados, excluídos dos retornos e benesses vindas na esteira dos megaeventos. O governo se orgulha de alardear que serão gerados 700 mil empregos com as obras, incluindo terceirizados e temporários. O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, divulgou que seriam 380 mil postos para a preparação do país e o restante durante a realização dos jogos. “Este número de empregos diretos e indiretos é apenas uma estimativa, sem comprovação até agora, especialmente porque não existe nenhum órgão que acompanhe este tema, no Comitê Gestor da Copa do governo federal, nem nos governos estaduais ou municipais. Inexiste também um espaço que busque garantir que nos investimentos da Copa e Olimpíadas tenhamos empregos de qualidade”, relembra Manoel Messias Melo, secretário de relações de trabalho da CUT. Ele aponta ainda que a história dos jogos nos outros países é ruim, com abusos na utilização de trabalho terceirizado, temporário, subempregos e até mesmo trabalho escravo e infantil na cadeia de fornecedores oficiais da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional (COI). As irregularidades e superexploração foram denunciadas pelos trabalhadores em pelo menos dez paralisações em seis das cidades que serão sedes dos jogos. As reivindicações vão desde o aumento de salários até condições de segurança, de alimentação e extensão da jornada. Tanto o dossiê da Articulação Nacional dos Comitês Populares como entidades representativas dos trabalhadores denunciam ainda a restrição do direito ao trabalho nas imediações dos jogos, caso se mantenha o controle absoluto da Fifa. As cinco maiores centrais sindicais do país – CUT, Força Sindical, CGBT, UGT e Nova Central – e a Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeira consolidaram uma pauta única de reivindicações em relação aos direitos dos trabalhadores envolvidos nas obras de construção civil – que inclui obras do PAC e do Minha Casa, Minha Vida, da Copa e das Olimpíadas. O acordo deverá ser assinado em janeiro, entre governo, centrais e entidades patronais. Manoel Messias acrescenta que há ainda uma reivindicação para que haja uma câmara temática sobre o trabalho no Comitê Gestor da Copa e Olimpíadas, com a presença das centrais e mudanças na Lei Geral da Copa para proteger o direito do trabalhador e ao trabalho. * Publicado originalmente no site Brasil de Fato.


por Joana Tavares, do Brasil de Fato
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Tempo pós-democrático? Globalização capitalista e a política

O mundo moderno ocidental foi construído em torno de dois pilares fundamentais que mantinham uma tensão entre eles: a economia de mercado e a democracia no campo político. O mercado, com suas relações de concorrência e a busca de lucro, geraria progresso econômico que libertaria seres humanos da pobreza. O problema é que o motor desse progresso, a concorrência, é ao mesmo tempo uma lógica social baseada na exclusão. Pois a concorrência só gera progresso na medida em que os menos eficientes são eliminados. A tendência excludente do sistema de mercado seria compensada pela dinâmica inclusiva da democracia no campo político. A democracia combateria não somente o absolutismo das monarquias, mas também compensaria a lógica excludente do sistema mercado garantindo aos indivíduos os direitos de cidadania, que lhes daria certa proteção diante da fria lógica do mercado. Além disso, o reconhecimento pelo menos formal dos direitos humanos, ou de cidadãos, de todos os indivíduos serviu de base para as lutas sociais pela ampliação desses direitos de cidadãos a todos os seres humanos: pobres, mulheres, negros, indígenas, analfabetos... Nesse sentido, podemos dizer que a social-democracia europeia, da primeira metade do Século 20, era a expressão mais visível dessa proposta. Criar a riqueza por meio do sistema de mercado capitalista e redistribuir a renda e possibilitar condições de oportunidade de progresso econômico para toda a população por intermédio das políticas do estado de bem-estar social e da regulação do mercado. É claro que em muitos países capitalistas do Ocidente esse projeto ficou mais no campo da retórica do que da aplicação na realidade social. Mas, mesmo que reduzido à retórica, servia como argumento para lutas sociais populares. O neoliberalismo foi uma grande ruptura desse modelo. A partir da década de 1980, o Estado e a democracia deixaram de ser vistos como formando um dos pilares desse projeto e a noção de Estado de bem-estar social ou do Estado regulador da economia (como expressão da tensão necessária entre esses dois pilares da sociedade) passou a ser vista como inimiga do mercado e, portanto, do progresso e da própria sociedade. A batalha ideológica promovida por neoliberais foi dirigida ao Estado e aos políticos em geral, como forma de desmoralizar a política como tal e deixar o mercado como o único princípio organizador de toda a sociedade. Isto é, o mercado deixou de ser somente o coordenador da divisão social do trabalho, da economia, para ser proposto como o único princípio organizador e o principal critério de decisão de toda a sociedade. As últimas décadas não foram somente o tempo do neoliberalismo, mas também da globalização econômica. Com isto, essa hegemonia neoliberal foi sendo estendida a todas as partes do mundo que iam sendo incorporadas a esse processo de globalização. A crise financeiro-econômica que começou em 2008 exigiu uma grande intervenção dos Estados para salvar os bancos, o sistema financeiro e também partes do setor produtivo. Os grandes defensores da política neoliberal, como Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, fizeram seus mea-culpa. Parecia que o neoliberalismo tinha sofrido um golpe fatal ou muito forte. Porém, a forma como a crise europeia está sendo conduzida parece nos mostrar que a realidade não é essa. As indicações dos primeiros-ministros da Grécia e da Itália, apontados não pelos políticos ou povo dos seus países, mas pelos dirigentes do sistema financeiro europeu, mostram que talvez estejamos ingressando em um tempo pós-democrático. Parece que de fato o sistema econômico global está se impondo sobre os Estados e o campo político, e agora um único princípio rege o mundo: o da eficiência do mercado. O que diversos autores têm estudado como novo tipo de império, não de um país sobre outros, mas o próprio sistema capitalista global funcionando como império. O mundo não seria mais pensado a partir da tensão entre mercado-economia e democracia-política, mas a partir de uma "harmonia imperial" em torno de um único princípio e pilar: o mercado. Por isso, o perigo de um tempo pós-democrático, um tempo em que a democracia seria considerada, no máximo, um acessório, mas não um valor norteador das sociedades que queremos construir. Eu penso que o neoliberalismo como foi proposto na década de 1940 por Hayek, e tornado hegemônico a partir de 1980, com Reagan e Thatcher, entrou em crise; mas isto não significa que ele não esteja se reconfigurado, talvez com outro nome, para levar avante o projeto de fazer da eficiência do mercado o único ou "o” grande critério para a vida social e pessoal. Mas, se pensarmos bem, a modernidade tinha também um grande projeto, talvez o maior, que era o de uma sociedade e homens emancipados, que estariam livres da repressão e controle do Estado. Por isso, o progresso sempre foi o grande mote da modernidade e não a democracia. E os neoliberais não são os únicos a lutarem por uma sociedade sem Estado, os marxistas também lutaram, e alguns ainda lutam, por uma sociedade sem Estado. Por isso, eles também não valorizaram muito a democracia. Porém, este é assunto para o próximo artigo. * Jung Mo Sung é diretor da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo. Coautor, com Joerg Rieger e Néstor Míguez, do livro Beyond the Spirit of Empire, Londres, 2009, a sair em português em 2012, pela Paulinas. ** Publicado originalmente no site Adital.


por Jung Mo Sung*
Assembleia realizada na semana passada, na qual os moradores rejeitaram  proposta da prefeitura. Foto: Aline Scarso Minorias

Em São Paulo, pobre não pode morar no centro

[caption id="attachment_40331" align="alignleft" width="300" caption="Assembleia realizada na segunda semana de janeiro, na qual os moradores rejeitaram proposta da prefeitura. Foto: Aline Scarso"][/caption] Os moradores da comunidade do Moinho, no bairro Campos Elíseos, centro de São Paulo, realizaram nesta sexta-feira (13) uma assembleia para discutir nova proposta apresentada pela Prefeitura voltada para as 365 famílias que tiveram suas casas destruídas por um incêndio no dia 22 de dezembro. Segundo Neide Aparecida Campos, da associação dos moradores, a proposta contempla o pagamento de uma bolsa aluguel por dez meses e depois eles seriam transferidos para uma moradia social na Ponte dos Remédios, na zona oeste da cidade. Caso as obras não fiquem prontas a tempo, a bolsa seria prorrogada. As pessoas que tiveram suas casas destruídas e se interessaram pela proposta deram seus nomes e vão conhecer a região no fim de semana. Para as outras 500 famílias que moram na comunidade, a prefeitura prometeu realizar uma outra conversa, marcada para os próximos quatro meses, em que se definirá a construção de moradias no próprio centro. “Voltamos felizes (da reunião), porque precisava de uma proposta mais concreta para o pessoal que ficou sem nada. Mas vamos só ver se a prefeitura vai mesmo cumprir a promessa de conversar com a gente até o meio do ano, porque depois começa a política das eleições, aí já viu, né?”, questiona Neide. Na segunda semana de janeiro, os moradores rejeitaram a proposta que colocava que todos seriam transferidos da comunidade. A intenção deles é lutar por seu direito à moradia na própria região, onde trabalham e constituíram suas vidas. O mecânico Paulo Rodrigues Silva perdeu os documentos, um cachorro e tudo o que tinha depois que o barraco que ocupava junto com a mulher Ana Paula Ferreira pegou fogo no dia 22 de dezembro, junto com os outros barracos do prédio do Moinho, uma fábrica abandonada no bairro Campos Elíseos, região central de São Paulo. Com o boletim de ocorrência registrado no 77º Departamento de Polícia em mãos, Silva lista os bens que perdeu e fala sobre o trabalho que terá para reconstruir a vida, organizar a sua casa e comprar novos eletrodomésticos e móveis. “Será muito difícil e a gente sabe que a prefeitura não quer que a gente fique aqui. Estão fazendo uma cachorrada com a gente, tentando nos colocar para fora do terreno”, afirma. O sentimento de insegurança da comunidade em permanecer no local é geral. Desde que o incêndio ocorreu, expulsando do prédio do Moinho 365 famílias, a prefeitura tenta negociar a retirada de todos os moradores que vivem no terreno de terra batida sob o viaduto Engenheiro Orlando Murgel, ao lado de uma linha de trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Junto às 365 famílias se somam outras 500, constituídas basicamente por trabalhadores de baixa renda que sobrevivem, apertados, em barracas e casebres improvisados, servidos de energia elétrica, água e esgoto. A maioria trabalha no centro como pedreiros, faxineiras, catadores e camelôs, e seus filhos estudam em escolas da região. “O (prefeito Gilberto) Kassab (PSD) promete nos dar essa área há um tempão, outros prefeitos também já prometeram. Agora vamos ver o que vai se resolver”, destaca o pedreiro. Ele faz parte de uma centena de pessoas que, desabrigadas pelo incêndio, preferiram morar perto da comunidade que seguir para os albergues disponibilizados pela prefeitura. Como justificativa, dizem que têm medo de serem esquecidos nesses espaços e que preferem lutar para conquistar o direito de permanecerem na área ocupada há cerca de 30 anos. Outras 116 pessoas foram alojadas em albergue cedido pelo poder municipal. Apenas duas semanas depois, dois outros locais foram abertos para receber os atingidos. A Aliança Misericórdia, que atua no Moinho desde 2004, critica que a alimentação foi fornecida apenas para a minoria que optou por sair da comunidade, e que o restante teve que se virar com o apoio dos outros moradores e de doadores externos. “Recolhemos dois galpões lotados de doações. Além da Aliança, Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, emitiu uma carta que foi para todas as paróquias, por isso recebemos tanta coisa. Há desde alimentos não perecíveis, até roupas, brinquedos”, explica Leandro Rafael, da Associação Aliança Misericórdia. Ele diz que a campanha de doações foi encerrada, e que agora recebem contribuição em dinheiro, para fazer a aquisição e reforma de um galpão onde vai funcionar uma creche, demanda antiga dos moradores, já que a prefeitura não construiu nenhuma para as 900 crianças que moram no Moinho. O bairro Campos Elíseos, onde fica a comunidade, é vizinho aos bairros da Luz e Santa Efigênia que, de acordo com a prefeitura, serão reurbanizados com novos empreendimentos imobiliários. Para isso, somente na região da Santa Efigênia, a remodelação urbana prevista no projeto Nova Luz causará a desapropriação e demolição de 30% da região. Para os moradores do Moinho, está claro que a prefeitura pretende retirá-los do centro de São Paulo para continuar com os projetos de “embelezamento do centro”. * Publicado originalmente no site Brasil de Fato.


por Aline Scarso e Joana Tavares, do Brasil de Fato
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Feministas pedem ao MPF direito de resposta no caso BBB

A Rede Mulher e Mídia e outras organizações feministas de todo o país vão protocolar, nesta quinta (19), uma representação ao Ministério Público Federal em São Paulo, pedindo a investigação da responsabilidade da Globo no caso do suposto estupro que teria acontecido no Big Brother Brasil, na madrugada do dia 15. Elas solicitam à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão que junte ao procedimento já instalado pelo órgão sobre o caso a análise de outros aspectos ainda não considerados. Também solicitam ao MPF um direito de resposta coletivo em nome de todas as mulheres que “tiveram seus direitos violados por este comportamento da Rede Globo”. Segue o conteúdo da nota. “As organizações entendem que, além do aspecto da estigmação das mulheres, que já está sendo apurado pelo MPF, é preciso investigar a responsabilidade da emissora pela ocultação de um fato que pode constituir crime; por prejudicar as investigações da polícia; por ocultar da vítima todas as informações sobre o que tinha acontecido quando ela estava desacordada; e por enviar ao país uma mensagem de permissividade diante da suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável.” Na representação, as entidades signatárias relacionam uma série de ações da emissora e da direção do BBB que teriam resultado nesses questionamentos. Entre elas, a edição da cena feita no programa de domingo e as declarações do diretor geral Boninho e do apresentador Pedro Bial, que transformaram uma suspeita de violência sexual em “caso de amor”. “Tal postura da emissora não apenas viola a dignidade da participante como banaliza o tratamento de uma questão séria como a violência sexual, agredindo e ofendendo todas as mulheres”, diz um trecho da representação. O documento também destaca que, pelo áudio da conversa da participante Monique com alguém da produção do programa, vazado na internet no dia 16, fica claro que ela, até aquele momento, não tinha assistido às cenas da madrugada do dia 15. E lembra que, somente no dia 17 de janeiro – portanto, mais de 48 horas depois do ocorrido –, os envolvidos foram ouvidos pela polícia e possíveis provas do crime foram recolhidas. A emissora, assim, teria violado o direito da participante saber o que tinha se passado com ela enquanto estava desacordada e prejudicado as investigações da polícia. Por fim, as organizações do movimento feminista solicitam um direito de resposta coletivo em nome de todas as mulheres que se sentiram ofendidas, agredidas e que tiveram seus direitos violados por este comportamento da Rede Globo. Além da Rede Mulher e Mídia, estão entre as signatárias da representação a Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, Liga Brasileira de Lésbicas, Blogueiras Feministas e Campanha pela Ética na TV, entre diversas outras organizações de mulheres de atuação estadual e local e entidades do movimento pela democratização da comunicação.” Sobre direitos de resposta na TV Já comentei antes neste blog, mas vale sempre lembrar. Um exemplo bem-sucedido de mobilização social foi o caso da retirada do programa “Tardes Quentes”, do apresentador João Kleber, da Rede TV!. Em 2005, a Justiça Federal concedeu uma liminar a uma ação civil do Ministério Público Federal de São Paulo e de seis organizações da sociedade civil contra a emissora por conta das seguidas violações aos direitos humanos, em especial dos homossexuais, no programa. Conforme relata o site da ONG Intervozes, uma das responsáveis pela ação, “a liminar suspendia imediatamente o programa e determinava a exibição de outro, em seu lugar, em caráter de contra-propaganda. A emissora não cumpriu a liminar, por isso, no dia 14 de novembro de 2005, pela primeira vez na história, uma emissora de TV comercial teve seu sinal retirado do ar por decisão da Justiça”. Para resolver o impasse, a Rede TV! propôs um acordo com as entidades e o MPF, levando à produção (pela sociedade civil) e à exibição da série Direitos de Resposta, que discutiu os direitos humanos no país, sendo considerado o primeiro “direito de resposta coletivo” concedido e realizado no Brasil. Foram 30 programas que substituíram durante um mês o Tardes Quentes, entre 12 de dezembro de 2005 e 13 de janeiro de 2006, das 17h às 18h. * Publicado originalmente no site Blog do Sakamoto.


por Leonardo Sakamoto, do Blog do Sakamoto
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Entrevista com Jacques Rancière sobre os movimentos de ocupação e a democracia

"A democracia, no sentido forte do termo, é a realidade de um poder do povo que não pode jamais coincidir com uma forma de Estado." Jacques Rancière, um dos principais filósofos contemporâneos, herdeiro do pensamento de maio de 1968, acaba de lançar, na França, Momentos Políticos, uma seleção de seus escritos dos últimos 30 anos sobre política. Ele acaba de conceder a El Público, da Espanha, esta entrevista, que a Fórum publica em português em primeira mão. Estamos vivendo na Europa um "momento político"? Como o senhor descreveria este momento? Prefiro dizer que estão dadas as condições para um momento assim, na medida em que nos encontramos numa situação na qual, a cada dia, se torna mais evidente que os Estados nacionais agem apenas como intermediários para impor aos povos as vontades de um poder interestatal, que é, por sua vez, altamente dependente dos poderes financeiros. Em toda a Europa, os governos, tanto de direita como de esquerda, aplicam o mesmo programa de destruição sistemática dos serviços públicos e de todas as formas de solidariedade e proteção social que garantiam um mínimo de igualdade no tecido social. Em todas as partes, então, revela-se a oposição brutal entre uma pequena oligarquia de financistas e políticos, e a massa do povo submetida a uma precariedade sistemática, despojada de seu poder de decisão, tal como revelado espetacularmente no referendo planejado e imediatamente anulado na Grécia. Portanto, estão dadas, de fato, as condições de um momento político, isto é, um cenário de manifestação popular contra o aparato de dominação. Mas para que esse momento exista, não é suficiente que se dê uma circunstância, sendo também necessário que esta seja reconhecida por forças suscetíveis de transformá-la numa demonstração, ao mesmo tempo intelectual e material, e de converter essa demonstração numa alavanca capaz de modificar o equilíbrio de forças, mudando a própria paisagem do perceptível e do pensável. O que você acha do caso espanhol, em particular? A Europa apresenta situações muito diferentes. A Espanha é, certamente, o país no qual a primeira condição foi cumprida da forma mais evidente: o movimento 15-M mostrou claramente a distância entre um poder real do povo e instituições chamadas democráticas, mas na verdade completamente entregues à oligarquia financeira internacional. Resta a segunda condição: a capacidade de transformar um protesto em uma força autônoma, não só representativa e independente do sistema estatal, mas também capaz de arrancar a vida pública das garras desse sistema. Na maioria dos países europeus, ainda estamos muito longe da primeira condição. Os movimentos 15-M e Ocupe Wall Street são políticos? Esses movimentos certamente respondem à ideia mais fundamental da política: o poder próprio daqueles que nenhum motivo particular destina ao exercício do poder, a manifestação de uma capacidade que é de todos e de qualquer um. E este poder se materializou de uma maneira que também está de acordo com esta ideia fundamental, afirmando esse poder do povo mediante uma subversão da distribuição normal dos espaços. Geralmente há espaços, como as ruas, destinados à circulação de pessoas e bens, e espaços públicos, como parlamentos ou ministérios, destinados à vida pública e ao tratamento de assuntos comuns. A política sempre se manifesta por meio de uma distorção dessa lógica. O que deveríamos fazer com os partidos políticos atuais? Os partidos políticos que conhecemos hoje são só aparatos destinados a tomar o poder. Um renascimento da política passa pela existência de organizações coletivas que se subtraiam a essa lógica, que definam seus objetivos e seus meios de ação independentemente das agendas estatais. “Independentemente” não significa “desinteressando-se de” ou “fingindo que essas agendas não existem”. Significa construir uma dinâmica própria, espaços de discussão e formas de circulação de informação, motivos e formas de ação que visem, em primeiro lugar, ao desenvolvimento de um poder autônomo de pensar e agir. Em maio de 1968, as pessoas discutiam as ideias de Marx... Mas não parece haver nenhum filósofo no 15-M ou no OWS. Até onde eu sei, ambos os movimentos se interessam pela filosofia. E é preciso lembrar a recomendação que os ocupantes da Sorbonne, em maio de 1968, deram ao filósofo que tinha vindo apoiar a causa: "Sartre, seja breve". Quando uma inteligência coletiva se afirma no movimento, é hora de prescindir dos heróis filosóficos doadores de explicações ou slogans. Não se trata, na verdade, da presença ou da ausência dos filósofos. Trata-se da existência ou da inexistência de uma visão de mundo que estruture naturalmente a ação coletiva. Em maio de 1968, embora a forma do movimento estivesse afastada dos cânones da política marxista, a explicação marxista do mundo funcionava como um horizonte do movimento. Apesar de não serem marxistas, os militantes de maio situavam a sua ação no âmbito de uma visão histórica em que o sistema capitalista estava condenado a desaparecer sob os golpes de um movimento liderado por seu inimigo, a classe trabalhadora organizada. Os manifestantes de hoje já não possuem nem chão nem horizonte que dê validade histórica ao seu combate. Eles são, em primeiro lugar, indignados, pessoas que rejeitam a ordem existente sem poder considerar-se agentes de um processo histórico. E é isto que alguns aproveitam para denunciar interesseiramente, o seu idealismo ou o seu moralismo. O senhor escreve que, durante os últimos 30 anos, vivemos uma contrarrevolução. Esta situação mudou com os movimentos populares? Certamente, alguma coisa mudou desde a Primavera Árabe e os movimentos dos indignados. Houve uma interrupção da lógica da resignação à necessidade histórica preconizada por nossos governos e sustentada pela opinião intelectual. Desde o colapso do sistema soviético, o discurso intelectual contribuía para endossar de forma hipócrita os esforços dos poderes financeiros e estatais para implodir as estruturas coletivas de resistência ao poder do mercado. Esse discurso acabou impondo a ideia de que a revolta não era apenas inútil, mas também prejudicial. Seja qual for o seu futuro, os movimentos recentes, pelo menos, põem em xeque esta suposta fatalidade histórica. Eles terão se lembrado que não estamos lidando com uma crise de nossas sociedades, e sim com um momento extremo da ofensiva destinada a impor em todos os lugares as formas mais brutais de exploração, e que é possível que os 99% façam ouvir a sua voz contra essa ofensiva. O que podemos fazer para restaurar os valores democráticos? Para começar, seria necessário chegar a um acordo sobre o que chamamos de democracia. Na Europa, nos acostumamos a identificar a democracia com o sistema duplo de instituições representativas e do livre mercado. Hoje, este idílio é uma coisa do passado: o livre mercado se mostra cada vez mais como uma força de constrição que transforma as instituições representativas em simples agentes da sua vontade e reduz a liberdade de escolha dos cidadãos às variantes de uma mesma lógica fundamental. Nesta situação, ou denunciamos a própria ideia de democracia como uma ilusão, ou repensamos completamente o que a democracia, no sentido forte do termo, significa. Para começar, a democracia não é uma forma de Estado. Ela é, em primeiro lugar, a realidade de um poder do povo que não pode jamais coincidir com uma forma de Estado. Sempre haverá tensão entre a democracia como exercício de um poder compartilhado de pensar e agir, e o Estado, cujo princípio mesmo é apropriar-se desse poder. Evidentemente, os estados justificam essa apropriação argumentando a complexidade dos problemas, a necessidade de se pensar a longo prazo, etc. Mas a verdade é que os políticos estão muito mais submetidos ao presente. Recuperar os valores da democracia é, em primeiro lugar, reafirmar a existência de uma capacidade de julgar e decidir, que é a de todos, frente a essa monopolização. É também reafirmar a necessidade de que essa capacidade seja exercida por meio de instituições próprias, distintas do Estado. A primeira virtude democrática é essa virtude da confiança na capacidade de qualquer um. No prefácio de seu livro, o senhor critica os políticos e os intelectuais, mas qual é a responsabilidade dos cidadãos na atual situação e na crise econômica? Para caracterizar os fenômenos do nosso tempo é necessário, em primeiro lugar, questionar o conceito de crise. Fala-se da crise da sociedade, da crise da democracia, etc. É uma maneira de culpar as vítimas da situação atual. Pois bem, essa situação não é o resultado de uma doença da civilização, e sim da violência com que os senhores do mundo dirigem hoje a sua ofensiva contra os povos. O grande defeito dos cidadãos continua sendo, hoje, o mesmo de sempre: deixar-se despojar de seu poder. Ora, o poder dos cidadãos é, acima de tudo, o poder de agir por si próprios, de constituir-se em força autônoma. A cidadania não é uma prerrogativa ligada ao fato de haver sido contabilizado no censo como habitante e eleitor em um país; ela é, acima de tudo, um exercício que não pode ser delegado. Portanto, é preciso opor claramente esse exercício da ação cidadã aos discursos moralizantes que se ouvem em quase todos os lugares sobre a responsabilidade dos cidadãos na crise da democracia. Esses discursos lamentam o desinteresse dos cidadãos pela vida pública e o imputam à deriva individualista dos indivíduos consumidores. Essas supostas chamadas à responsabilidade cidadã só têm, na verdade, um efeito: culpar os cidadãos para prendê-los mais facilmente no jogo institucional que só consiste em selecionar, entre os membros da classe dominante, aqueles por quem os cidadãos preferirão deixar-se despojar de sua potência de agir. * Tradução e nota introdutória de Idelber Avelar. ** Publicado originalmente no site Revista Fórum.


por Paula Carroto, do Público.es
chuva1 Cidades

Chuvas de verão, todo verão

Até o poeta sabe que todo verão chove até chegarem as águas de março, fechando o verão. Mas a cada ano as promessas de vida ficam mais distantes, porque são nomeados os culpados de sempre, a própria chuva ou essa gente indigente que insiste em viver nas beiras de córregos e de morros. As chuvas de verão agora têm nome chique, na tevê chamam de Zona de Convergência do Atlântico Sul, que é quando a umidade que vem da Amazônia se encontra com o frio que vem do Sul. O resultado é que a cada ano chove muito e  pode chover cada vez mais, porque tem outra novidade que veio para ficar, as “mudanças climáticas”, que já criaram até furacão em Santa Catarina. E todo ano morre gente, no Rio de Janeiro, em Minas, em Pernambuco, Alagoas e até em São Paulo. Não escapa ninguém. Mas se é assim todo ano porque não se dá um jeito? Até ministro balança por conta das “obras de contenção de enchentes”, mas as águas insistem em subir, em ocupar as várzeas dos rios e em escorrer forte pelas encostas dos morros. Nos jornais, o brado é porque o governo, incompetente, não fez as obras. As organizações correm para a filantropia nossa de cada dia e recolhem alimentos, águas e roupas para os desabrigados. Mas ninguém pergunta onde está o Plano Diretor das cidades alagadas, onde está o planejamento urbano que pode tirar as pessoas das “áreas de risco”, onde está a política habitacional que pode dar casa decente a toda essa gente? Mas, acima de tudo, onde estão as prioridades de governos que tapam córregos e cimentam praças para dar lugar a carros e avenidas? Os mesmos córregos e rios que deveriam dar vazão a toda essa água? Rios que seguem espremidos pelo cimento e sem lugar para se espalhar e cumprir seu papel de fertilizar os campos. Vai chover todo ano. Vai ter enchente todo ano, só não precisa morrer gente. Não precisa ter tanto prejuízo. E não é só aqui no Brasil, é em todo o mundo. Um estudo de uma seguradora alemã (Munich Re) informou que em 2011 o prejuízo do setor por conta de catástrofes naturais ficou em US$ 115 bilhões, muito acima dos US$ 42 bilhões de 2010. E nada indica que as coisas venham a melhorar nos próximos anos. No Brasil, o prejuízo não é dimensionado, as pessoas dos morros e das várzeas não têm seguro de suas roupas, fogões e geladeiras carregados pela lama e pelas lágrimas. Clamar por obras de emergência não adianta muito. Pode satisfazer a mídia, mas não resolve nada. Devíamos é clamar por planejamento, por ações de recuperação urbana e de estruturação social. Não adianta tirar a lama das casas e rezar para que no ano que vem não chova tanto. Vai chover e não há nada que se possa fazer em relação a isso. O melhor mesmo é botar nossa engenharia e nossos políticos a serviço de cidades mais sustentáveis e menos vulneráveis. Aliás, em minhas andanças por esse Brasil, nunca vi uma aldeia indígena alagada. Deve ser porque eles sabem onde a água é forte e não constroem em seu caminho. (Envolverde).


por Dal Marcondes, especial para Envolverde
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A solidão coletiva de mulheres presas

As prisões são um universo paralelo, onde as pessoas vivem sua solidão em relações baseadas no medo, na violência e na angústia das incertezas. Quando iniciou sua atuação em uma penitenciária feminina da cidade de São Paulo, a psicóloga Fernanda Cazelli Buckeridge, do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP), não tinha como objetivo analisar o cotidiano das presas, porém, a convivência atraiu seu interesse para o assunto. De sua participação durante um ano em oficinas psicossociais realizadas por uma ONG, surgiu a pesquisa “Por entre as grades: um estudo sobre o cotidiano de uma prisão feminina”, que teve como resultado um retrato da realidade de solidão que preenche o dia a dia das detentas. “São muitas mulheres que estão juntas e sozinhas ao mesmo tempo. É unânime um sentimento de que não se pode confiar em ninguém. Talvez a posição de sigilo que tínhamos nas penitenciárias tenha sido um fator estimulante para que elas se abrissem mais. Percebemos que casos de amizades construídas lá dentro são muito raros. Devido ao ambiente de violência em que vivem, elas têm sempre a preocupação de não demonstrar fraqueza, o que dificulta a criação de vínculos. Evitam chorar e não se sentem a vontade para expressar suas opiniões, até por medo de facções criminosas dominantes. As únicas situações em que vimos quadros diferentes foram nos momentos em que alguma delas estava com problemas de saúde ou em trabalho de parto. Nestas situações, elas demonstram solidariedade umas com as outras”, comenta a psicóloga. As detentas são em sua maioria jovens, com idades entre 18 e 30 anos, e de uma classe social baixa. O tipo de crime que as levou para lá varia bastante, mas os mais comuns são tráfico de drogas e tentativa de entrarem em prisões masculinas com artefatos para seus maridos. “O fato de muitas delas terem seus companheiros também detidos influencia em outro ponto que agrava a situação de solidão, que é o baixo número de visitas que elas recebem. Porém, mesmo quando não estão presos, não é comum que os parceiros estejam presentes. Os filhos também não são comumente vistos, pois a maioria delas prefere assim. Temem passar um mau exemplo, acreditam que não é um bom ambiente e consideram o procedimento da revista muito invasivo. Isto faz com que os laços com o mundo exterior sejam enfraquecidos. Sem ter como amenizar a situação por meio de novas amizades, elas sentem-se solitárias”, diz Fernanda. Outra situação diagnosticado pela pesquisa foi o forte sentimento de angústia demonstrado pelas detentas que ainda não foram julgadas. “É muito difícil para elas não saber quanto tempo ficarão lá. Depois que são julgadas e têm uma sentença, esta aflição passa e fica mais fácil para elas encararem a situação”, lembra a pesquisadora. Para Fernanda, um dos pontos mais importantes de sua pesquisa é a humanização da questão. “É muito comum que essas mulheres sejam enquadradas pela sociedade em estereótipos extremistas. Ou elas são vítimas e cometeram crimes porque não tiveram escolha, ou têm uma natureza ruim e merecem castigos severos. Porém, a convivência nos mostra que esta teoria não se sustenta. É preciso entendê-las individualmente. A pesquisa levanta pontos relevantes que deveriam ser considerados. Ao mesmo tempo em que fala-se tanto em direitos humanos, existe também uma parcela da população que pede castigos mais rígidos. A sociedade deveria encarar essas presas de maneira humana, pois isso facilitaria um melhor entendimento sobre o contexto social em que vivemos”, conclui a psicóloga. (Envolverde)  


por Alice Marcondes, especial para Envolverde
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Para que servem as ONGs, afinal?

As ONGs, com estruturas ágeis e fluidas, conseguem articular diversos atores para produção de conhecimento, com o fim de promover igualdade social. A opinião pública está pedindo maior transparência na destinação e no uso dos recursos públicos. Torna-se, portanto, urgente e necessária uma reflexão sobre relações público-privadas. Nesse contexto, a pergunta que sobressai na esfera pública, basilar para essa reflexão, é “para que servem as ONGs, afinal”? Dada a diversidade do conjunto de organizações não governamentais, tanto de área quanto de objetivo e modos de atuar, um bom ponto de partida para a reflexão seria especificar de que ONGs estamos falando. Tratamos aqui das organizações que atuam na defesa dos direitos fundamentais do cidadão. Tendo surgido com força durante o processo de redemocratização do país, as organizações da sociedade civil, juntamente com os movimentos sociais, exerceram um papel fundamental na construção da Constituição de 1988, a “Constituição Cidadã”, para que esta atendesse aos anseios de toda a população brasileira, garantindo seus direitos básicos para uma vida digna. Ainda hoje, as ONGs que lutam nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, cultura, pelos direitos das crianças, mulheres, negros e povos indígenas, entre outras, cumprem uma função primordial para a consolidação da democracia brasileira, na medida em que são espaços de vocalização das demandas da sociedade e exercem o controle social das políticas públicas implementadas pelo governo. Não basta a lei estar no papel, é preciso acompanhar e cobrar sua execução. Numa sociedade democrática, é direito e dever de cada um exercer esse controle. O que as ONGs fazem é organizar e expressar as demandas em nome de um coletivo. Portanto, tendo uma finalidade pública, a transparência também deve perpassar suas ações. As ONGs não são instituições per si, são formadas por cidadãos que investem energia e conhecimento em um trabalho orientado pelo desejo de construir uma sociedade mais justa e igualitária para todos. Além de guardiãs dos direitos inalienáveis dos cidadãos, as ONGs podem contribuir para o aprimoramento das políticas públicas, por sua capacidade de produzir inovação, aliando conhecimento técnico às experiências e saberes dos que estão na ponta, na vida cotidiana. O Estado é detentor do poder e tem a responsabilidade de implementar e monitorar as políticas de atendimento às necessidades do cidadão, o que denominamos “primazia do Estado”. A natureza da sua ação é orientada pelo princípio da universalização do acesso aos serviços públicos e respostas às emergências, por meio das estruturas administrativas dos governos. As ONGs, diferentemente, ao atuarem em um foco específico, com estruturas ágeis e fluidas, conseguem articular diversos atores para produção de conhecimento e estratégias diferenciadas para as diversas realidades de nosso país, a fim de promover a igualdade social. As ONGs trabalham para o bem comum. Mas não trabalham sozinhas. Elas organizam o trabalho colaborativo para a construção de soluções para as questões sociais que atingem a todos. O livre fluxo de informações é crucial para ampliar o alcance das ações da sociedade civil organizada. As novas tecnologias facilitam o acesso do cidadão às informações públicas. A demanda por transparência entre as relações do governo com ONGs é de interesse de todos. * Maria Alice Setubal é doutora em psicologia da educação pela PUC-SP, presidente dos conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, da Fundação Tide Setubal e do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). ** Publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo e retirado da Plataforma OSC.


por Maria Alice Setubal*
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Inépcia do Estado na relação com as ONGs

“As ONGs nasceram como uma coisa espontânea, fora dos partidos. Quando existe uma cooptação das ONGs pelos partidos ou quando os partidos criam uma ONG para obter contratos, isto não é ONG, isso é um braço do partido disfarçado para poder obter um fundo que não é legítimo.” Fernando Henrique Cardoso As recentes denúncias de corrupção que atingiram ministros de Estado e partidos políticos evidenciaram mais uma vez a instrumentalização de organizações não governamentais (ONGs) de fachada em esquemas de desvio de recursos públicos. O fato não é novo, está bastante enraizado na natureza do nosso sistema político, sendo de domínio público desde que a chamada CPI dos Anões do Orçamento revelou o esquema fraudulento por meio do qual parlamentares faziam emendas remetendo dinheiro para entidades filantrópicas a eles ligadas. No entanto, a criatividade dos corruptos e a multiplicação de casos de corrupção envolvendo órgãos públicos federais e estaduais, prefeituras, empresas e ONGs não eximem o Estado e as organizações da sociedade civil das suas responsabilidades no enfrentamento dessas práticas e na eliminação das brechas que propiciam desvios de recursos do contribuinte por meio dos mecanismos de repasse de recursos públicos a organizações da sociedade civil (OSCs). Esse é o entendimento das organizações da sociedade civil que atuam na área social e desenvolvem parcerias com governos na implementação de políticas públicas, que reagiram às denúncias contra as pseudo-ONGs, exigindo o máximo de rigor na apuração dos fatos. Ao mesmo tempo, apoiaram a iniciativa do governo federal de, por meio da Secretaria Geral da Presidência da República, instituir um grupo de trabalho interministerial (com participação paritária de representantes de OSCs) para rever o marco regulatório das entidades sem fins lucrativos. Essas organizações também criticaram o decreto da presidente da República que suspendeu por 30 dias, de forma indiscriminada, o repasse de recursos de convênios às OSCs, ferindo contratos e criando assim um ambiente de insegurança jurídica. As OSCs protestaram contra os danos morais que tal medida acarretou para milhares de organizações que desenvolvem ações de relevante interesse para a sociedade. Os prejuízos materiais para algumas entidades também não são desprezíveis, como é o caso da Pastoral da Criança, que registrou um déficit de R$ 1.478.282,02, para o qual contribuiu o atraso na liberação das parcelas previstas no convênio com o governo federal. Outro efeito do decreto foi colocar o foco dos questionamentos nas ONGs e não nos políticos beneficiários das práticas ilícitas. Entretanto, a experiência acumulada pela opinião pública ao lidar no dia a dia com as contradições das instituições políticas nacionais contribuiu para que o debate em curso avançasse na compreensão da complexidade e da verdadeira natureza do problema, ou seja, no reconhecimento de que o fundo da questão reside no caráter sistêmico da corrupção inerente ao atual sistema político. O mais interessante e positivo é a revelação de que esta percepção não é privilégio da sociedade civil. Exemplo disso foi um recente debate na TV Câmara – no programa Expressão Nacional –, na qual dois deputados federais (um da base do governo, outro da oposição), um ministro do TCU, e um diretor da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) abordaram pontos essenciais da relação entre o Estado brasileiro e as OSCs, a saber: as implicações do presidencialismo de coalizão e o papel dos partidos, o diagnóstico de que “o Estado está frouxo”, a distorção do pacto federativo e a concentração de recursos e de poder na União, a incapacidade do Estado de gerenciar convênios, etc. Um elemento importante dessa discussão – e que contribui para deslocar a discussão da criminalização das ONGs – é a informação produzida por um estudo da Fiesp, segundo a qual o custo anual da corrupção no país é avaliado entre R$ 45 bilhões e R$ 69 bilhões, enquanto o montante total de convênios com ONGs em 2010 não passou de R$ 3 bilhões. Por outro lado, o ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União, tem deixado claro que o combate à corrupção só será vitorioso na medida em que se ponha fim à impunidade dos corruptos, o que depende no essencial de uma revisão dos procedimentos judiciais. No tocante à questão específica dos instrumentos e das modalidades de repasse de recursos públicos às OSCs, o que desafia a nossa compreensão é a persistência e a força dos bloqueios à revisão do marco regulatório das entidades sem fins lucrativos, embora tenha sido unânime – no seminário promovido pela Secretaria Geral – o reconhecimento da profunda inadequação da legislação atual e o sentimento de insegurança jurídica por parte das OSCs e de muitos agentes governamentais. Além de não conter nenhuma política de fomento ao setor, seu aspecto mais criticado é a legislação dos convênios, que trata as OSCs impropriamente como municípios e que traz uma concepção de dominação das OSCs pelo Estado. A Abong defende, há anos, a revisão dessa caótica legislação e a criação de um marco legal que reconheça a legitimidade e regule de forma transparente o acesso dessas organizações a fundos públicos. Apesar de a revisão do marco regulatório ter sido apresentada ao governo Lula, em 2003, como ponto fundamental da agenda das ONGs, a questão ficou paralisada, talvez pelo ambiente político desfavorável, marcado por duas CPIs hostis às ONGs e ao papel que elas desempenham na radicalização da democracia e na crítica ao atual modelo de desenvolvimento socialmente injusto e ambientalmente insustentável. Essa agenda só agora foi retomada, graças ao compromisso político assumido pela então candidata Dilma Rousseff, e reafirmado como presidente. Não se pode descartar, no entanto, que subsistam no governo resistências ao reconhecimento do papel das organizações da sociedade civil e à definição de um novo marco regulatório. * Jorge Eduardo S. Durão é assessor da diretoria da ONG Fase. ** Publicado originalmente no jornal Valor Econômico e retirado da Plataforma OSC.


por Jorge Eduardo S. Durão*
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Brasileiro é tão bonzinho…

O brasileiro é muito mais crédulo do que o norte-americano e o europeu em relação às profissões. Chamou minha atenção o resultado da pesquisa feita pelo instituto GfK, divulgado em junho pela Folha de S.Paulo. Isto porque talvez aí esteja uma explicação concreta para o conformismo e a índole cordata atribuídos ao nosso povo, do qual frequentemente se critica a insuficiente cobrança de melhores serviços públicos, maior transparência e eficácia dos gastos governamentais, fornecimento de produtos e serviços de melhor qualidade pelas empresas e comportamento ético por parte de políticos, companhias e organizações de todo tipo. Contrastando com o ceticismo daqueles outros povos, os brasileiros confiam mais que eles em quase todos os profissionais, com exceção dos policiais (única categoria em que nós acreditamos menos). Até nos políticos, unanimemente os últimos colocados na tabela, nós cremos mais que eles (19% contra 17%). Nessa pesquisa que entrevistou mil pessoas no Brasil e 17.295 em países da Europa e nos Estados Unidos, os bombeiros, os mais críveis de todos (97% a 94%), são seguidos pelos carteiros, professores do ensino fundamental e médio, médicos e pelos militares. Em todas essas categorias nós acreditamos mais que os europeus e norte-americanos, mas estamos próximos, sempre acima de 80%. As maiores discrepâncias aparecem quando se fala nos publicitários e nos profissionais de marketing. Enquanto, nos primeiros, nós acreditamos 43% mais que os outros povos, os marqueteiros gozam, no Brasil, de 38 pontos a mais de credibilidade que na Europa e Estados Unidos. Os jornalistas vêm a seguir na tabela da credulidade nacional. Nossa confiança neles é 35 pontos percentuais superior à que eles possuem entre os outros povos pesquisados (79% a 44%). Em seguida, nessa relação de discrepâncias, aparecem os diretores de grandes empresas. Essa menor confiança de europeus e norte-americanos nos executivos se deve, sem dúvida, à crise financeira que atingiu o mundo em 2008 e que até hoje nos assombra, flagrantemente causada pelos desmandos e abusos que partiram de Wall Street e contaminaram todas as economias do mundo – mas da qual nós sofremos apenas a tal “marolinha”, graças a melhor controle do sistema financeiro e à pujança da economia brasileira. Depois dos executivos, na lista de nossa maior credulidade, surgem os pesquisadores de mercado: no Brasil 81% acreditamos neles, enquanto Europa e Estados Unidos lhes atribuem apenas 54% de confiabilidade. E as ONGs ambientais vêm depois, com 82% dos brasileiros confiando nelas, enquanto só 65% de europeus e norte-americanos lhes dão crédito. Os policiais é que andam mal no Brasil, em comparação com o mundo desenvolvido. Única categoria em que nós acreditamos menos, 76% dos europeus e norte-americanos confiam na polícia, enquanto sua credibilidade junto aos brasileiros só alcança 59%. Uma conclusão que se pode tirar de tudo isso, claro, é que somos todos uns trouxas facilmente engazopáveis. Mas me parece que o lado positivo desta nossa tendência a confiar no outro e da nossa ausência de irredentismo é que possuímos um poderoso potencial para unir a sociedade civil em movimentos construtivos para melhorar a qualidade da vida da população. Temos moral, por sermos crédulos e por termos fé nos concidadãos, para nos unirmos eficazmente em iniciativas em prol da ética, da conservação ambiental, da solidariedade, da responsabilidade empresarial, governamental e política, da sustentabilidade. Polianismo? Utopismo? Idealismo? Pode ser, mas isso é mau? * Nemércio Nogueira é consultor de empresas e diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog.


por Nemércio Nogueira *

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