América Latina: desafio além da mobilidade

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América Latina: desafio além da mobilidade


por Camila Nobrega, do Canal Ibase


[caption id="attachment_76779" align="alignleft" width="300"] São Paulo. Foto: Divulgação[/caption] Cidades latino-americanas são de uma diversidade imensa, mas possuem pelo menos uma semelhança: a velocidade e a escala de urbanização que estão enfrentando. Diferentemente dos países desenvolvidos, onde a urbanização historicamente ocorreu gradualmente, as principais cidades latino-americanas têm experimentado um crescimento explosivo nas últimas décadas. O ritmo acelerado já seria preocupante em si, mas há alguns componentes a mais, levando-se em conta a necessidade de se construir cidades de forma menos degradante para o meio ambiente e, principalmente, de reduzir a forte desigualdade social. Esse desafio foi um dos temas do Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina, que ocorreu na semana passada, no Panamá. Logo na abertura do evento, o fórum divulgou um relatório sobre infraestrutura, parte crucial para o planejamento futuro de um país e suas cidades. De acordo com o relatório, a demanda de infraestrutura global atualmente está estimada em cerca de US$ 4 trilhões. Há, porém, uma defasagem de pelo menos US $ 1 trilhão a cada ano que deixa de ser investido. O crescimento dos investimentos em infraestrutura não está conseguindo responder às necessidades da sociedade, especialmente em países em desenvolvimento. E a América Latina não é exceção. O relatório também destaca alguns bons exemplos de projetos específicos na região, tais como as pistas de pedágio em Porto Rico que permitem o acesso para o sistema local Bus Rapid Transit (BRT ), garantindo acesso ao transporte público, ao mesmo passo que controla o uso de carros. Em alguns horários, se saem de casa de carro, os motoristas pagam um pedágio. Trata-se de um projeto que, além de reduzir o tráfego de veículos, reduz as emissões de gases de efeito estufa. O transporte é um grande problema em cidades latino-americanas e, por isso, uma das principais demandas da sociedade civil na região. A construção de sistemas de transporte público, no entanto, é apenas parte do necessário para construir uma cidade mais acessível a todos. É o que ressalta o professor argentino Pablo Benetti , diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro: - Há algumas experiências interessantes de transporte público na América Latina, como em Bogotá, na Colômbia. Mas, para fazer mudanças reais, será necessário, em primeiro lugar, que o poder público faça investimentos nas cidades de forma mais equitativa. Há muitos locais, como o Rio de Janeiro, em que os investimentos são distribuídos de forma muito desigual, concentrando-se apenas em algumas áreas, sem atender as demandas de grande parte da população. Para construir uma cidade saudável, precisamos investir não apenas em mobilidade para todos, mas também educação, saúde, ou seja, todos os serviços básicos. Estes serviços têm de ser garantidos sem distinção de classe. Este é um grande desafio na América Latina: reduzir a desigualdade. [caption id="attachment_111442" align="alignright" width="300"] Medellin, na Colômbia. Foto: Alamy / Alamy[/caption] Bogotá é um exemplo interessante por causa das mudanças que tem experimentado ao longo das últimas duas décadas. A cidade implantou o maior sistema de BRT em larga escala do mundo e uma rede de 400 km de ciclovias, feito realizado por uma sucessão de prefeitos, entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000. Outro exemplo importante no mesmo país é Medellín. Em 2013, a cidade foi votada como cidade do ano pelo Urban Land Institute. Uma vez conhecida como a capital da narcotráfico, a cidade viveu uma profunda transformação, começando com melhorias na mobilidade e inclusão social. Para Elizabeth França, especialista em gestão urbana para a América Latina, este caso é interessante para pensar o planejamento urbano de forma mais ampla: “A cidade de Medellín foi redesenhada para permitir que os seus cidadãos possam participar ativamente de sua gestão. Como resultado da pressão da sociedade civil, o diálogo do governo não inclui apenas o setor privado, mas há formas de representação social atuantes. Trata-se de um conceito muito interessante para uma cidade que pensa seu planejamento a partir da participação social. Mas, infelizmente , ainda é muito raro na região. Existem outros projetos na América Latina que não são tão conhecidos, mas oferecem lições importantes. Em Tlatelolco , uma cidade no México, há um projeto de habitação social que foi concebido como um espaço para acomodar pessoas que antes possuíam moradias precárias em um total de mais de 90 estruturas de edifícios diferentes. O aspecto mais inovador de Tlatelolco, porém, é que a construção foi feita no centro da cidade, ao contrário de muitos projetos recentes que preveem este tipo de habitação em áreas periféricas. - A maioria das pessoas que vivem hoje nos conjuntos habitacionais está próxima a seus locais de trabalho e sequer precisa se deslocar muito para as necessidades básicas, o que é bom para todos. – diz Analí Perez Ramirez, especialista mexicana em Cooperação Internacional. - A maioria das pessoas que vivem hoje nos conjuntos habitacionais está próxima a seus locais de trabalho e sequer precisa se deslocar muito para as necessidades básicas, o que é bom para todos. – diz Analí Perez Ramirez, especialista mexicana em Cooperação Internacional. Enquanto lideranças de Estado se reúnem no Fórum Econômico Mundial na América Latina para debater o progresso futuro da região, há exemplos de políticas locais que estão pensando não apenas na resolução dos problemas, mas em como fazer isso de uma forma menos impactante ao meio ambiente e mais equitativa. * Publicado originalmente no The Guardian – Global Development Professionals Network e retirado do site Canal Ibase.

Foto: Aaron Amat/ Fotolia Sociedade

1964: a revolução de mentalidades a se fazer

A primeira semana de abril foi marcada pelos cinquenta anos do Golpe de 1964. Certamente o tom foi de condenação ao Regime Militar e às consequências para toda uma geração que se viu privada de liberdades democráticas por um longo período. Para os mais jovens, 1964 e o Regime Militar fazem muito pouco sentido em suas vidas, como de certo modo o Estado Novo “pouco significou” para a minha geração. A primeira lição é que se deve fazer um esforço persistente para que o Brasil recuse alternativas autoritárias e que possamos consolidar a nossa frágil democracia. Vários são os caminhos necessários ao fortalecimento de nossa democracia, a começar pela tão falada reforma política, que permitiria uma aproximação entre o Parlamento e o eleitorado. Embora seja inegável que a Assembléia Nacional Constituinte teve como motivação principal democratizar o país, ela deixou a desejar nesse quesito, consagrando o voto proporcional e diminuindo a representação dos estados mais populosos na Câmara dos Deputados. Assim como muitos, defendo a instituição do voto distrital misto no Brasil. Explico: o voto distrital puro restringe a possibilidade de eleição de políticos respaldados no chamado voto de opinião, diminuindo, por conseqüência, a capacidade do Parlamento se tornar um instrumento efetivo de debate dos grandes temas nacionais e/ou contemporâneos. Vale assinalar que o voto de opinião no Brasil está sob risco de extinção, especialmente pelos atuais custos das campanhas eleitorais. Em São Paulo, a estimativa de uma campanha para deputado federal se encontra em um patamar mínimo de R$ 5 milhões, sendo que em outros estados esse valor pode se multiplicar. Apenas a título de exemplo, em 1986, quando me candidatei pela primeira vez a deputado constituinte, a campanha não alcançou o que seria hoje o equivalente a R$ 200 mil. Por outro lado, participei em poucos meses de mais de 140 debates promovidos por diversas entidades dispostas a conhecer a plataforma de candidatos das mais variadas tendências e partidos. Nas campanhas sucessivas, esses debates foram se escasseando e, infelizmente, as candidaturas, hoje, se tornaram “reserva de mercado” para os chamados cabos eleitorais. Em outras palavras, é uma situação em que “o mercado tomou conta”: o voto existe apenas para aqueles que têm condições de bancar os custos inflacionados das campanhas eleitorais. Com isso, o Parlamento perde a cada dia sua credibilidade perante a sociedade. Para aqueles que lutaram pela democracia, nada mais doloroso. Mas para quem sempre acreditou que a democracia viria associada à ideia de um país mais sustentável, a angústia é ainda maior. Ingenuamente acreditávamos que empreendimentos como a Transamazônica, as usinas nucleares e outros que afirmavam uma concepção de desenvolvimento equivocada, não fariam parte necessariamente da agenda da democracia. E hoje, vemos que a mesma matriz de pensamento daquela época persiste hegemonicamente no Brasil, cedendo muito pouco espaço às idéias que os novos tempos exigem. Eventualmente podemos esperar que estas eleições venham trazer visões e mentalidade novas para agenda da democracia. * Fabio Feldmann é consultor ambiental. ** Publicado no jornal Brasil Econômico em 10 de abril de 2014 e retirado do site Fábio Feldmann Consultores.


por Fabio Feldmann*
A situação em São Paulo não é um fato isolado, mas insere-se em um contexto maior de mudanças climáticas, com desafios mundiais para a gestão da água enquanto um recurso finito do planeta. Foto: Shutterstock Inter Press Service - Colunistas

Ficção climática, um gênero literário que vai além da ficção científica

Taipé, Taiwan, abril/2014 – Quando lemos romances ou ficções curtas em qualquer idioma o fazemos para entender a história, para aprender algo novo ou, com sorte, para conseguir algum tipo de elevação emocional graças às palavras impressas nas páginas e às habilidades do narrador. Então, como contar a “história” da mudança climática e do aquecimento global? Um novo gênero literário chamado “ficção climática”, abreviado em inglês como cli-fi, vem evoluindo nos últimos anos e, embora ainda empreste seu nome da ficção científica, se centra em relatos sobre a mudança climática e seus impactos atuais e futuros sobre a vida humana. Alguns insistem em que é apenas um subgênero da ficção científica, e isso tem sentido em certo aspecto. Mas, em outros, trata-se de um gênero em si mesmo que está ganhando impulso em todo o mundo, não como mero escapismo ou entretenimento – embora frequentemente inclua esses elementos –, mas como um modo sério de abordar os assuntos complexos e universais existentes em torno da mudança climática. Sei algo sobre ficção climática porque nos últimos anos trabalhei para popularizá-la, não só no mundo de idioma inglês, mas também entre milhões de pessoas que leem em espanhol, chinês, alemão ou francês, para citar alguns. Em minha opinião, é um gênero internacional, com leitores internacionais, que deveria ser abordado por escritores de qualquer nação e em qualquer idioma. Cada vez mais novelas de ficção climática se dirigem a uma audiência jovem – “adultos jovens”, no jargão editorial –, como Not a Drop to Drink (Nem Uma Gota Para Beber), de Mindy McGinnis, The Carbon Diaries 2015 (Os Diários do Carbono 2015), de Saci Lloyd, e Floodland (Terra Inundável), de Marcus Sedgwick. Na verdade, são as crianças e os adolescentes que sofrerão as consequências dos estilos de vida escolhidos pelas gerações anteriores. Em um mundo que enfrenta os impactos potencialmente catastróficos da mudança climática, esse novo gênero literário se incorpora à nossa cultura em narrativa comum, divulgando ideias e pontos de vista sobre o futuro que a humanidade pode enfrentar em dez, cem ou 500 anos. É aí que entra em cena a ficção climática, que pode desempenhar um papel importante para plasmar as emoções e os sentimentos das personagens, em um relato ou romance bem escrito para conscientizar leitores em todo o mundo. Imaginem um romance de ficção climática, que não só chegue a milhares de leitores, mas que também os emocione e, talvez, os motive a se converterem em uma voz mais forte no debate político internacional sobre as emissões de carbono. Esse é o potencial da ficção climática. Uma universidade dos Estados Unidos oferece um curso sobre romances e filmes de ficção climática para estudantes de ciências ambientais e literatura. Para Stephanie LeMenager, que este ano dá aulas na Universidade de Oregon, o curso constitui uma oportunidade, para ela e seus alunos, de explorar o poder da literatura e do cinema, em um momento em que escritores e cineastas tentam abordar alguns dos assuntos mais difíceis que a humanidade enfrenta no século 21. O curso de LeMenager se chama As Culturas da Mudança Climática. É o primeiro na América do Norte, e inclusive no mundo, que se dedica dessa maneira às artes e à mudança climática. Estou seguro de que outras universidades seguirão esse esforço pioneiro, agregando novos cursos sobre ficção climática para seus estudantes. Nathaniel Rich é um escritor de 34 anos, autor do aclamado romance Odds Against Tomorrow (Prognósticos Contra o Amanhã), uma história ambientada em um futuro próximo em Manhattan, que mergulha na “matemática da catástrofe”. Residente em Nova Orleans, Rich acredita que serão publicados mais livros como o seu, não só em inglês e não só do ponto de vista das nações ricas do Ocidente. Escritores de todo o mundo devem se animar a incursionar no gênero da ficção climática e a usar a literatura de suas próprias culturas para tentar despertar a população sobre o futuro que pode esperar a todos em um planeta que esquenta sem um fim à vista. As tramas podem ser aterradoras, mas as novelas de ficção climática dão a oportunidade de explorar esses assuntos com emoção e prosa. Os livros têm importância. A literatura tem um papel a desempenhar em nossos debates sobre os impactos do aquecimento global em todo o mundo. Se poderá dizer que o cânon do gênero remonta ao romance O Mundo Submerso, escrito em 1962 pelo britânico J. G. Ballard. Outro dos primeiros livros sobre esse fenômeno foi escrito em 1987 pelo australiano George Turner: As Torres do Esquecimento. A norte-americana Barbara Kingsolver publicou há alguns anos um romance muito poderoso de ficção climática intitulada Flight Behavior (Comportamento de Voo). Me impressionou muito quando o li no verão passado, e o recomendo. A canadense Mary Woodbury criou o site Cli-Fi Books, que lista romances atuais e passados de ficção climática. Como vejo o futuro? Prevejo um mundo onde os seres humanos se aferrem à esperança e ao otimismo. E sou otimista. E creio que quanto mais nos apegarmos à ciência da mudança climática no plano cultural mais efetivamente poderemos nos unir para evitar o pior. Envolverde/IPS * Dan Bloom é jornalista independente de Boston que vive em Taiwan. Em 1971, se formou na Tufts University, onde se especializou em literatura francesa. É ativista climático e literário desde 2006. Para segui-lo no Twitter o endereço é @polarcityman.


por Dan Bloom*
Foto: Reprodução/Internet Sociedade

Sustentabilidade precisa conquistar o coração dos consumidores

[caption id="attachment_97489" align="alignleft" width="300"] Foto: Reprodução/Internet[/caption] Ecochato, natureba, biodesagradável… Não é de hoje que piadinhas refletem o conflito entre o apelo fácil e sensual do consumismo e o discurso geralmente moral e limitador de quem, querendo ser sustentável, acaba ficando insuportável. A fantasia coletiva e o desejo individual falam mais alto que o fato evidente de que – como decorrência dos limites planetários – o modelo de produção e consumo que nos trouxe até aqui não será capaz de prover bem-estar aos bilhões de pessoas que, de fora, assistem à festa dos incluídos. E agora? Como mudar um sistema no qual – por convicção, ilusão, conveniência ou falta de opção – aposta a maioria da humanidade? O difuso movimento pela sustentabilidade enfrenta um duplo desafio: não só mostrar que superou a dicotomia ambiental versus social mas também não ser visto como um estraga prazeres retrógrado, saudosista e excludente. Na publicação de pesquisa realizada pelo Instituto Akatu, em 2010, resumimos uma proposta: “Para ganhar os corações, mentes e bolsos dos consumidores, a Sustentabilidade, a RSE e o Consumo Consciente precisam ser apresentados não como conceitos sofisticados, mas traduzidos em práticas e propostas concretas. E essas não podem ser percebidas pelo público como imposições restritivas, mas sim como uma boa alternativa ao consumismo vazio, angustiante e insustentável. Vistas como o caminho mais curto, barato e desejável rumo à felicidade, que é, ao final, o que todos almejamos”. Em 2012 o Akatu realizou nova pesquisa, avançado nesse caminho com metodologias inéditas na área. O relatório Rumo à Sociedade do Bem-Estar resume seus resultados, e traz interessantes perspectivas, com destaque para uma “priorização de desejos” utilizando o modelo de Escalonamento por Máximas Diferenças, mais conhecido como MaxDiff. Trata-se uma ferramenta amplamente utilizada no marketing para mensurar quanto certos atributos desejáveis são mais (ou menos) preferidos pelo público quando comparados a outros atributos, também desejáveis. Resultados provocantes Sem saber que o assunto era sustentabilidade, 800 consumidores de todo o Brasil, das classes A, B, C e D, priorizaram 16 “desejos”, sobre oito temas do seu cotidiano. Os entrevistados também não tinham como saber que esses “desejos” apontavam para caminhos diferentes: metade rumando para uma sociedade mais sustentável, metade seguindo o atual modelo consumista. O que se viu foi surpreendente e animador: em todas as classes de renda (e também de idade, região etc.) predominou a preferência pelo “caminho sustentável” (veja gráfico ao lado). A publicação do Akatu traz conclusões detalhadas, e pode ser baixada aqui. Sem deixar de reconhecer possíveis limitações, é uma metodologia consistente, que trouxe resultados provocantes. Um exemplo ilustra bem a situação encontrada: misturadas entre as 16 frases que representavam os “desejos” propostos aos entrevistados, estavam as seguintes: “Quero ter tempo para estar junto com as pessoas de que gosto” e “Quero comprar presentes para agradar as pessoas de que gosto”. Evidentemente, a primeira frase aponta para um caminho mais sustentável, enquanto a segunda reproduz o consumismo vigente. Numa escala de 0 a 10, o índice médio de preferência dos consumidores da classe A pela primeira frase foi de 9,5 e, pela segunda, 2,2. Na classe B, esse placar foi 8,8 contra 2,2. Na classe C, 8,2 contra 2,6 e, na classe D, 7,6 contra 3,3. Importante notar que essas frases estavam misturadas com todas as demais, e não foram confrontadas diretamente entre si (o que poderia trazer o viés da resposta “politicamente correta”). Os dados mostram que, quanto mais baixa a renda, menor a diferença na preferência dada ao caminho sustentável frente ao consumista (um resultado esperável, considerando-se a carência e a frustração de quem vive à margem da festa do consumo). Mas mostram também que, apesar disso, mesmo entre os mais carentes, não é o consumismo que mais diretamente dialoga com as aspirações dos entrevistados, mas sim os valores do bem-estar e do bem viver. Para quem trabalha por uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável, a boa notícia é que há demanda pelo que temos a oferecer. O desafio, que persiste, é traduzir nossa mensagem: em vez de frustrar sonhos e castrar aspirações com um discurso apocalíptico ou por demais racionalista, aprender a falar ao desejo do consumidor, a mostrar caminhos atraentes e viáveis. Reconhecer a voz das ruas e dialogar com ela é o primeiro e necessário passo. * Aron Belinky é coordenador do Programa Finanças Sustentáveis do GVces. Anteriormente, foi também o responsável pelas pesquisas do Instituto Akatu mencionadas neste artigo. ** Publicado originalmente no site no site Página 22 e retirado do site Mercado Ético.


por Aron Belinky*
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Com um futebol disciplinado e de cooperação, o Ituano venceu o Peixe

Quem é melhor: time grande ou time pequeno? Antes de responder essa questão, vale dizer que time grande normalmente é aquele com um número muito expressivo de torcedores, que reúne atletas de nível internacional e bem remunerados; contrata técnicos com larga experiência, abocanha excelentes recursos de empresas patrocinadoras, é oriundo das principais capitais do País e disputa o campeonato da série A. Já as equipes consideradas pequenas, são mantidas com dificuldade, a maioria está presente nas cidades do interior brasileiro, as faixas salariais dos atletas são mais próximas do mínimo brasileiro; às vezes os técnicos são iniciantes, participam dos campeonatos menos destacados e, às vezes, o socorro financeiro vem do comércio local: da granja, do mercadinho ou da padaria da esquina. O último domingo revelou os vencedores dos campeonatos estaduais. Em São Paulo, o Ituano Futebol Clube, que avalio como um time médio, sagrou-se campeão ganhando do Santos, em pleno Pacaembu lotado de torcedores do Peixe. Embora tenha perdido no tempo regulamentar, nas penalidades marcou 7 a 6 e ergueu a taça da primeira importante disputa de 2014. Para chegar a esse resultado, a equipe técnica da cidade conhecida pela grandeza de alguns objetos como, por exemplo, orelhão, lápis e outros badulaques gigantes, traçou um plano centrado no trabalho em grupo e na valorização de um time jovem e diverso. Para além dos talentos individuais, o Ituano mostrou garra, força, criatividade, determinação e cooperação de um elenco formado por onze estrelas. Nas duas disputas da final, o escrete da camisa vermelha e preta apresentou melhor volume de jogo e se mostrou mais entrosado. No jogo decisivo, mesmo perdendo de 1 x 0 com um gol irregular, foi pra cima e, disciplinado, travou as principais jogadas do time comandado pelo experiente Oswaldo de Oliveira. Com a decisão levada aos pênaltis, o time do técnico Doriva errou menos e sacramentou uma vitória que colocou o Ituano na galeria das mais importantes equipes brasileiras. Tomara que essa conquista digna de time grande contribua para que o trabalho desenvolvido não seja perdido e que o discurso do treinador enaltecendo o empenho e a dedicação dos jogadores, não vire uma mera manifestação para “inglês ouvir”. Por aqui, fico. Até a próxima. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


por Leno F. Silva
Leonardo Padura. Foto: http://pt.wikipedia.org/ Inter Press Service - Colunistas

Cuba cresce ou não cresce?

[caption id="attachment_111025" align="alignleft" width="200"] Leonardo Padura. Foto: http://pt.wikipedia.org/[/caption] Havana, Cuba, março/2014 – Os mais recentes vizinhos estabelecidos em meu bairro são beneficiários de uma das mudanças introduzidas pelo governo de Raúl Castro como parte da chamada “atualização do modelo econômico cubano”. Eles eram uma das famílias que, por uma razão ou outra, viveram durante anos em albergues coletivos e por fim tiveram a sorte de receber um dos milhares de locais, onde antes funcionavam escritórios governamentais, e que foram transformados em moradias, como forma de diminuir o déficit de casas. Esses vizinhos, que não pagaram, nem podiam pagar, nada pelo imóvel que lhes foi entregue, vivem de um dos ofícios mais modestos que se pratica na ilha: coleta de papel, papelão, vidro e alumínio, que depois vendem a centros coletores de matérias-primas recicláveis. Como sua atividade trabalhista não é suficiente para se manterem, esses vizinhos beneficiados com a destinação de uma moradia digna e gratuita, agora estão dividindo a habitação para vender uma parte, amparados em outra mudança introduzida pelo governo: a da livre compra e venda de imóveis. Dessas e de muitas outras maneiras os cubanos tentam melhorar sua vida, embora no fundo a estejam piorando, vendendo o pouco que têm ou realizando qualquer manejo econômico mais ou menos legal (ou ilegal) que lhes dê dividendos. A raiz mais visível do problema é que os cubanos, sobretudo se trabalham para o Estado, não ganham o suficiente para sobreviver. Por isso, os que não têm um familiar no estrangeiro que os ajude com algum dinheiro, ou um membro do clã que de alguma forma tenha acesso a ganhos em moeda forte, cada dia de sua vida devem contar seus centavos para atender as necessidades básicas, como alimentação e higiene. Mas o terreno no qual está incrustada a aparente raiz do problema não é, na realidade, o valor de mudança dos salários, ou seja, sua capacidade aquisitiva. O mar de fundo está na macroeconomia que, apesar das mudanças introduzidas, não consegue decolar e se mantém em crescimentos anuais que se movem pouco acima dos 2%. É um número que está abaixo do que se esperava, ao pôr em movimento o paralisado sistema econômico cubano, e que também está abaixo dos níveis capazes de garantir um crescimento em condições de reverter a tensa situação em que vivem os cidadãos. Nem em quantidade nem em qualidade seus salários são suficientes para a satisfação dessas necessidades básicas... para não falar de luxos inconcebíveis para milhões de cubanos: ir a um restaurante, por exemplo. A recente abertura da primeira fase da Zona Especial de Desenvolvimento de El Mariel, com seu terminal para supernavios e contêineres, é considerado o primeiro passo para se começar a sonhar com crescimentos que – segundo os economistas, só se ultrapassarem os 5% anuais – poderão iniciar uma mudança substancial na situação do país. A esperada nova lei de Investimento Estrangeiro, que talvez coloque essas atividades em níveis similares aos criados para El Mariel, poderia também contribuir para uma melhoria da macroeconomia com a entrada de capitais frescos e produtivos no país, se as condições de investimento, segurança e propriedade, entre outras, realmente tornarem atraente montar em Cuba algum tipo de negócio, algo que hoje não ocorre. Em Mariel funciona, em essência, uma zona franca com facilidades para investimento, pagamento de impostos, comercialização de produtos, etc. Um sinal estranho de para onde poderiam ir as quantidades e qualidades dos investimentos estrangeiros em Cuba foi enviado pelo próprio governo, quando, em janeiro deste ano, decidiu abrir o mercado de venda de veículos automotores no país, fixando tarifas astronômicas e desproporcionais aos automóveis novos e de segunda (ou quarta mão) colocados no mercado. Modelos de Peugeot de 60 mil euros tarifados em mais de um quarto de milhão de dólares não é precisamente uma demonstração de boa vontade com os potenciais investidores, além de ser um desdém pelos cubanos (quase sempre profissionais que com seu trabalho produzem importantes ganhos para o país), que por uma ou outra via haviam obtido o capital necessário para comprar carros que, antes da “abertura” do mercado, já eram suficientemente caros em comparação com os preços praticados em outras partes do mundo. E o fato de que pouco se tenha vendido carros, ou a indignação expressa por muitas pessoas, não alterou seus preços, como se supõe deve ocorrer em qualquer mercado ou país. Embora não seja economista nem pretenda sê-lo, creio que as contas econômicas em Cuba são tão obscuras que ao final conseguem ser muito claras: se não se encontra vias seguras e eficientes de crescimento, a situação do país e de seus cidadãos não mudará no essencial. Ainda que uma pequena quantidade de cubanos convertidos em microempresários possa estar fazendo algum dinheiro, sua prosperidade é muito relativa e apenas significativa se comparada com a forma em que vivem e resolvem os problemas meus vizinhos do bairro e outras milhares de famílias como eles. E o problema que se apresenta com relação ao futuro econômico e social do país seria saber como o capital estrangeiro atuará efetivamente no desenvolvimento do país e, sobretudo, o grande mistério: como os 11 milhões de residentes da ilha poderão se inserir em uma sociedade mais mercantilizada e competitiva. Será vendendo o único que lhes resta, ou seja, sua força de trabalho, como alerta a filosofia marxista na qual se fundamenta a política oficial cubana? Por enquanto essa obscura perspectiva também parece clara. Envolverde/IPS * Leonardo Padura, escritor e jornalista cubano, ganhador do Prêmio Nacional de Literatura 2012. Suas obras estão traduzidas em mais de 15 idiomas e sua mais recente novela, Herejes, é uma reflexão sobre a liberdade individual. 


por Leonardo Padura*
Foto: Alex Silveira/WWF Brasil Sociedade

Cadastro Ambiental Rural: não dá mais para esperar

[caption id="attachment_102877" align="alignleft" width="400"] Amazônia. Foto: Divulgação/Internet[/caption] Na semana anterior participei de um debate importante sobre a regulamentação infraconstitucional do Artigo 225 da Constituição Federal, no que tange à consideração de que alguns biomas brasileiros são considerados “Patrimônio Nacional”: Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Serra do Mar e Zona Costeira. A Assembléia Nacional Constituinte deixou de contemplar o Cerrado e a Caatinga nesta categoria. Em 1993, na mal sucedida revisão constitucional, houve uma tentativa de se reparar essa omissão, estando em tramitação no Congresso Nacional algumas Propostas de Emenda Constitucional (PECs) que objetivam suprir essa lacuna. Infelizmente, apenas o bioma Mata Atlântica foi objeto de uma legislação específica, editada em 2006, após quatorze anos de tramitação. Ou seja, o Congresso Nacional e o Executivo Federal têm sido absolutamente omissos no que tange a essa matéria, especialmente se levarmos em conta que a Constituição Federal está prestes a completar seu 26° aniversário. Esta omissão tem sido responsável, em minha opinião, por uma relação extremamente litigiosa entre ambientalistas e ruralistas, pelo fato de que o único instrumento legal existente para proteger os biomas brasileiros é o Código Florestal. Desse modo, o país perde a oportunidade de editar legislações que permitam atender a complexidade intrínseca aos biomas, dispensando o uso e o conhecimento da ciência sobre os mesmos. Apenas a título de exemplo, uma legislação que trate do Pantanal deve levar em conta o regime hídrico do bioma, a sua topografia e condições de solo, bem como os impactos prováveis do aquecimento global. Significa dizer que nos dias atuais, um legislador responsável deve escolher um modelo de legislação diferente do velho e atual Código Florestal. Outro exemplo importante diz respeito à regulamentação infraconstitucional da Serra do Mar, também considerada “Patrimônio Nacional”: dada à sua reconhecida instabilidade geológica, potencialmente causadora de tragédias nos períodos de chuvas, caberia ao legislador nacional criar um marco regulatório que impedisse a ocupação inadequada, como vem ocorrendo nas últimas décadas. Independentemente da necessidade dessa legislação sobre os biomas inseridos na categoria “Patrimônio Nacional”, o instrumento mais importante do novo Código Florestal está pendente de regulamentação: o CAR – Cadastro Ambiental Rural. Certamente, o maior ganho em todo o debate sobre o Código Florestal foi a criação desse importante instrumento, que permitirá que o país tenha um registro de todas as suas propriedades rurais com informações sobre o imóvel e as respectivas APP – Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais. Com isso, será possível indicar com precisão os passivos e ativos ambientais, propriedade a propriedade. Essa informação, com certeza, será um instrumento efetivo de cumprimento da legislação e possibilitará o desenho de boas políticas públicas. Boas políticas públicas que protejam os vários interesses em jogo. Desde a segurança jurídica necessária aos proprietários rurais, passando pela garantia de que esses biomas continuarão prestando os serviços ambientais tão necessários à Humanidade. No Brasil, nos dias atuais, é a garantia de que continuaremos a ter água. * Fabio Feldmann é consultor ambiental. ** Publicado no jornal Brasil Econômico em 3 de abril de 2014 e retirado do site Fábio Feldmann Consultores.


por Fabio Feldmann*
Foto: http://www.shutterstock.com/ Sociedade

O carro já não é mais o mesmo

[caption id="attachment_100453" align="alignleft" width="300"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption] No começo de março, o governo de São Paulo e o Metrô-SP publicaram os resultados da Pesquisa de Mobilidade da Região Metropolitana 2012. De cinco em cinco anos, a pesquisa mostra em números aquilo que estamos cansados de ver nas ruas: cada vez mais pessoas dirigindo carros por cada vez mais tempo nos congestionamentos, e aqueles espremidos nos trens e ônibus esperando sua vez de poder dirigir o seu. Em São Paulo, carros são mais do que meros meios de transporte. Por aqui, são a moeda social usada como estandartes de personalidade, poder e status. Bem, eram até agora. De acordo com a pesquisa, as classes A e B (renda familiar acima de R$ 4.976,00) reduziram o uso de automóveis em 6%, e aumentaram as viagens a pé ou em transporte público na mesma proporção, quando comparado com 2007. Aparentemente, a combinação do trânsito cada vez mais caótico, com as novas linhas de metrô e ônibus e a crescente conscientização socioambiental acenderam a chama da mudança. Os paulistanos parecem ter começado a ver a luz no fim do túnel congestionado, o que nos traz a dúvida. Se esta mudança aconteceu mesmo enquanto o transporte público se mostra ineficiente, quanto mais a cidade melhoraria se o planejamento fosse otimizado? Coincidentemente, na mesma semana houve o rebuliço na mídia, quando a atriz Lucélia Santos foi flagrada em um ônibus no Rio de Janeiro. Enquanto alguns a denegriram por se “rebaixar ao transporte de pobre”, muitos saíram em sua defesa, aplaudindo sua atitude e clamando por melhores condições de transporte no país. Neste caso, a mídia social tem sido crucial para o aumento da conscientização sobre os impactos ambientais, e para a exposição da desigualdade social e econômica. O resultado, por consequência, é uma mudança no olhar sobre o transporte público e seu benefício essencial para cidades mais sustentáveis e com qualidade de vida. O que não é coincidência, no entanto, é o enorme aumento nas viagens sobre trilhos. Desde 2007, novas linhas foram entregues em São Paulo, o que resultou em 62% mais viagens nos trens, e 45% mais viagens no metrô. Ressalta-se aqui também que a maioria das estações inauguradas estão nas áreas mais ricas da cidade, explicando assim o aumento no uso deste modal pelas classes mais altas. De qualquer modo, a troca do carro pelo transporte público entre os mais ricos contesta impiedosamente a noção tão largamente divulgada de que o paulistano nunca abriria mão de seu possante. Porém, o trânsito ficou tão insuportável que a grande maioria saiu em busca de alternativas. E, na verdade, esta talvez seja apenas a ponta do iceberg. Pode haver ainda uma enorme demanda para ônibus, trens e bicicletas, repreendida por falta de acesso ou segurança. As 55% viagens a mais nos táxis podem também indicar que finalmente o carro perdeu seu encanto e mais e mais pessoas estão livrando-se (ou tentando) dele. Entre números e gráficos de tendências já conhecidas e esperadas, a Pesquisa da Mobilidade 2012 rompe com os paradigmas anteriores e mostra que a história com o carro pode não terminar com “felizes para sempre”, e que o casal está discutindo a relação. Isto é bom para a cidade, para os pulmões e para a sociedade, mas como podemos agir para servir a toda esta nova demanda que está disposta a mudar? Mesmo com novas linhas, o metrô ainda é ínfimo em São Paulo, com 3,75 metros de trilhos por 1.000 habitantes. Só para comparar, Londres tem uma extensão 15 vezes maior por habitante. Não obstante, pontos de ônibus, embora belos e novos, não oferecem informações e horários das linhas para seus usuários. E diferentemente de outras grandes cidades, São Paulo parece fazer vista grossa às novas tecnologias que contribuem para o transporte público, como aplicativos de celular e veículos com GPS para estimativa de rota. Por fim, há ainda a questão da segurança nos pontos e nas caminhadas que completam as viagens, especialmente à noite. Mais da metade dos entrevistados pelo Detran-SP apontam a falta de segurança como causa principal ao evitarem ônibus e trens quando saem à noite ou aos fins de semana. Mais do que compreensível, visto que um pedestre tem 3,5 vezes mais chances de ser assaltado do que um motorista. Isto certamente mantém diversos ciclistas e usuários em potencial presos dentro de seus carros blindados. Portanto, é essencial não apenas entender, mas também aproveitar o potencial destes resultados. Especialistas ingleses da JMP Consultants e da Ahead Innovation têm acompanhado de perto estas tendências para novos hábitos de mobilidade no Brasil. Construir mais avenidas apenas reforçará o paradigma anterior, defendendo valores já antiquados em relação ao carro. E políticas de incentivo como o IPI reduzido deveriam favorecer bicicletas e não automóveis, encorajando a mudança na percepção do valor social de cada meio de transporte. Uma única linha de metrô e novas faixas de ônibus já foram suficientes para mudar 6% daqueles que mais usam o carro. Então imagine quanto da cidade mudará quando melhorias na infraestrutura dos transportes e no planejamento atingirem as demais parcelas da população. A mobilidade em São Paulo não é uma causa perdida, e sim um trabalho em andamento. E depende de nós, no correto planejamento orientado ao usuário e nas decisões certas para que o futuro da cidade seja mais sustentável e próspero a todos. * Marcelo Blumenfeld é diretor de projetos da AHEAD Innovation Strategies, uma consultoria com foco em pesquisas estratégicas em sustentabilidade e inovação na área de desenvolvimento urbano. Mestre em Planejamento de Transportes pela Universidade de Leeds e Bacharel em Desenho Industrial pela FAAP, tem como interesse primário a aplicação de novas tecnologias em soluções urbanas e o desenvolvimento de novos modelos de transportes. ** Publicado originalmente no site Mobilize Brasil.


por Marcelo Blumenfeld*
outono_manha-300x225 Sociedade

Onde foram parar as nossas estações?

Pelo menos na cidade de São Paulo o Outono ainda não chegou. Principalmente no decorrer do dia as temperaturas continuam altas, como se fosse Verão. Se para os setores ligados à moda, os quais associam os seus lançamentos às estações do ano, está cada vez mais difícil acertar o que produzir, imagine para a natureza, que não dispõe de tecnologia nem de instrumentos que permitam ajustes climáticos com antecedência e até de última hora. Em um tempo não tão distante, março era o mês de chuvas “fechando o verão”, como escreveu e cantou Tom Jobim em uma das músicas mais conhecidas da Bossa Nova. Neste ano São Pedro decidiu fechar as torneiras e nada de água para abastecer os nossos rios, lagos, reservatórios e as centenas de centros de tratamento. O resultado dessa secura é que os paulistanos correm o risco de ficar com os canos vazios. Tudo bem que nesse caso, além dos aspectos naturais, ocorreram problemas de gestão das organizações que respondem por administrar esse importante recurso hídrico. Voltando à estação em vigor, é impossível prever quando ela chegará por aqui com aquele friozinho gostoso, que permitirá caminhar sem muita transpiração, dormir protegido com uma manta leve e acordar vendo uma ligeira névoa que, durante o dia, se dissipará revelando o azul do céu e o sol não ardente. Como vivemos sob a órbita das indefinições, não será surpresa se numa hora dessas formos visitados pela atmosfera do Inverno, depois de experimentar uma semana com os traços da Primavera. Diante de um cenário imprevisível, cabe a cada um cuidar do equilíbrio físico e mental, a fim de evitar que o nosso corpo sofra com os reflexos das transformações externas, pelas quais não dispomos de qualquer mecanismo controle. Por aqui, fico. Até a próxima.


por Leno F. silva*
Foto: http://www.shutterstock.com/ Sociedade

Que poder real tem a sociedade?

[caption id="attachment_100300" align="alignleft" width="300"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption] Dizem as últimas pesquisas de intenção de voto (Estado, 21/3) que "a maioria absoluta (56%) dos eleitores tem pouco ou nenhum interesse pelas eleições". E 64% "gostariam que o próximo presidente mudasse tudo ou muita coisa no governo". É um panorama muito preocupante. Porque ainda se pode agravar até a eleição, com vários fatores em cena - como a persistência da inflação, a economia em momento incerto, o quadro urbano sem perspectiva de melhoras, a violência em altos patamares, etc. E por que não muda? Em entrevista recente na televisão, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal - que tem rejeitado convites para ser candidato a presidente -, mencionou a "erosão das instituições" como centro da questão. Fez lembrar a interpretação de vários estudiosos, já citada aqui, de que "o Estado se tornou grande demais e não consegue aproximar-se dos problemas do cotidiano do cidadão comum, ao mesmo tempo que é pequeno demais para resolver as grandes questões em âmbito nacional ou planetário". De fato. Quem pode conformar-se com o caos urbano, o déficit da área do lixo (260 mi toneladas diárias, com mais de metade dos municípios ainda levando os resíduos para lixões, segundo o Ipea), o déficit no saneamento (8% da população sem água potável nos domicílios, quase 40% sem ligação com redes de esgotos, só 38% dos esgotos coletados com tratamento), a violência em níveis alarmantes (32 homicídios por 100 mil habitantes, ante 2/100 mil na Grã-Bretanha, 5/100 mil nos Estados Unidos)? Mas o poder público só está investindo em saneamento menos de metade do que seria preciso para universalizar água e esgotos até 2023, como prometera. Os municípios, que já esgotam o prazo para apresentar planos diretores de resíduos a fim de se candidatarem a recursos federais, não o fizeram e querem prorrogação. E o Senado rejeitou em comissão o projeto de baixar para 16 anos a maioridade penal. Enquanto isso, multiplicam-se os incentivos e isenções de impostos para os "grandes", ao mesmo tempo que o estoque do que a administração tem a receber (tributos atrasados, contribuições para a Previdência e outros itens) ultrapassa R$ 1 trilhão - quase 25% do produto interno bruto (Folha de S.Paulo,15/3). Nove Estados, por exemplo, concederam em incentivos fiscais R$ 33 bilhões mais do que aplicaram em obras e serviços durante um ano. E isso na hora em que o governo federal destina a Estados amazônicos, para ajuda a centenas de milhares de desabrigados pelas inundações inéditas, irrisórios R$ 2 milhões. Há quem pense com otimismo nas perspectivas brasileiras no comércio exterior. Mas a balança comercial está em déficit - US$ 6,2 bilhões em dois meses deste ano, segundo artigo do diplomata Rubens Barbosa neste jornal em 11/3 (A2) -, que pode aumentar, segundo a União Europeia, porque as exportações crescerão abaixo da média mundial nos próximos dois anos (Estado, 27/2). A Standard & Poor's rebaixou a nota brasileira em matéria de risco e pode fazê-lo novamente (25/3) - pelo menos é o que pensa o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. No entender de analistas políticos, até aqui a visão da maioria da população quanto à administração pública tem sido influenciada pela ascensão de parcela importante das pessoas de menor renda à "nova classe média". A renda dos trabalhadores no País passou de 39% do PIB em 2002 para 48% este ano (23/3), aumentando seu consumo e o nível de atividade da indústria e do comércio. Há, entretanto, ameaças no horizonte, com o aumento do custo da cesta básica e sua repercussão em praticamente todas as áreas. Taxas de juros estão subindo. Nos últimos 12 meses, esse item pesou com R$ 256,6 bilhões nas contas públicas, ou 5,2% do PIB (O Globo, 8/3). E a dívida chega a R$ 1,67 trilhão. Em sua primeira campanha eleitoral para a presidência dos Estados Unidos, Barack Obama teve como slogan principal a frase "yes, we can" ("sim, nós podemos"), que representava exatamente a convicção de que a sociedade conseguiria mudar, com seu voto, o panorama da política e da administração norte-americana. O eleitorado acreditou, apoiou, votou. Mas, ao que parece, as mudanças não ocorreram na medida desejada, mesmo num país de Primeiro Mundo com os recursos dos Estados Unidos. A oposição de parte decisiva do Congresso e de muitos dos setores mais poderosos da economia levou à queda de prestígio do presidente. Hoje às voltas também com um quadro internacional complexo e ameaçador. Parece claro que em todos os lugares - não somos exceção - será preciso chegar aos caminhos de maior delegação de poder das áreas governamentais para a própria sociedade. Já tem sido mencionada neste espaço, por exemplo, a possibilidade de se criarem conselhos de cidadãos que concebam e acompanhem a execução de todo o orçamento (em subprefeituras, por exemplo), fiscalizem a execução, punam quem não respeitar. Só que as corporações políticas têm demonstrado repúdio total e silêncio, na melhor das hipóteses, a propostas nessa direção, como já ocorreu na Câmara Municipal paulistana. Que dirá em outras áreas mais complexas ainda. É preciso não esquecer que existe a possibilidade de o nosso quadro interno tornar-se mais problemático. De o panorama econômico ser menos favorável, como tantos analistas admitem. De as condições climáticas continuarem difíceis e influírem em setores como o da cesta básica, ou o dos exportações, ou nas condições de vida das populações, especialmente nas cidades maiores. E ainda, em função desses fatores, ou de protestos mais amplos (que a própria Copa do Mundo pode favorecer), enfrentarmos momentos sociais complicados, com repercussões políticas. Não se trata de pessimismo, apenas de cautela. E da necessidade de conceber rumos adequados para o País. * Washington Novaes é jornalista. ** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.


por Washington Novaes*
Foto: PNUMA Sociedade

Política Nacional de Resíduos Sólidos: O desafio de garantir uma lei de proteção ambiental

[caption id="attachment_87402" align="alignleft" width="300"] Foto: lixoeletronico.org/[/caption] “Não vejo, mesmo sabendo que em algumas localidades há uma parceria entre catadores e prefeitura, uma confiança no trabalho que pode ser realizado pelos catadores”, constata o biólogo Alessandro Soares. De acordo com o Ministério da Saúde, a Lei 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao país no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Apesar dos avanços, os desafios ainda são enormes, como avalia Alessandro Soares, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. “A lei 12.305 validou muitas coisas que eram desejos antigos dos catadores: não só a maior facilidade para a contratação de cooperativas para realizar a coleta seletiva, mas o reconhecimento como um agente de proteção ambiental. Entretanto, ainda temos que nos acostumar com certos apontamentos da lei”, considera. Além da questão de gestão e relação entre os catadores e os órgãos públicos, há também a problemática da construção dos aterros sanitários, pois a maioria dos municípios tem uma estrutura precária para dar conta desta determinação. “As condições para construção de um aterro sanitário são tão especiais que não é em qualquer lugar que se constrói. O aterro, por norma, deve ter vida útil de 10 anos, o que exige bastante espaço para armazenamento, sendo afastado da população e cuidando o lençol freático; não são condições fáceis”, esclarece Alessandro. O resultado de tal conjuntura é uma queda de braço entre a Confederação Nacional dos Municípios - CNM e a obrigatoriedade de cumprimento da legislação. Entretanto, o entrevistado é enfático. “Deveriam (os municípios) ter se manifestado durante a construção da lei. Agora não adianta muito dizer isso. O que separa o cumprimento ou não da lei é a quantidade de dinheiro que pode ser investido no gerenciamento dos resíduos”, avalia. Alessandro Soares (foto) é biólogo e membro do Centro de Assessoria Multiprofissional – CAMP. [caption id="attachment_111053" align="alignright" width="240"] Foto: arquivo pessoal[/caption] Confira a entrevista: IHU On-Line - Como a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS está sendo desenvolvida na grande Porto Alegre? Quais são seus efeitos até agora? Alessandro Soares - É um processo lento. A Lei 12.305/2010 validou muitas coisas que eram desejos antigos dos catadores: não só a maior facilidade para a contratação de cooperativas para realizar a coleta seletiva, mas o reconhecimento como um agente de proteção ambiental. Entretanto, temos que nos acostumar com certos apontamentos da lei. Não vejo, mesmo sabendo que em algumas localidades há uma parceria entre catadores e prefeitura, uma confiança no trabalho que pode ser realizado pelos catadores. Por um lado, existe razão de não haver confiança, por outro, há uma falha por não se investir na formação desses trabalhadores. Revisei os planos de gerenciamento de alguns municípios da região. Inclusive, alguns muito parecidos, de estrutura semelhante, o que me leva a crer que foram construídos pela mesma empresa/pessoa; a construção de um plano deste tipo é complicada e necessita da descrição de inúmeras variáveis. No geral, temos muito o que fazer, mas já houve avanços - em Canoas, por exemplo, as cooperativas assumiram a coleta; em Dois Irmãos, a cooperativa realiza a coleta seletiva e do material orgânico. Estes são pontos muito positivos. IHU On-Line - A PNRS determina que os catadores sejam responsáveis pela coleta seletiva nos municípios. Como está acontecendo a introdução deles nesse serviço em São Leopoldo e no Vale do Sinos? Houve algum treinamento? Alessandro Soares - Acompanhei este processo em Canoas entre 2010 e 2011. Como era um acontecimento novo, houve alguns equívocos. Mas, em suma, é fundamental que os catadores se aproximem da fonte de sua matéria-prima. Creio que os catadores de São Leopoldo necessitam fazer um benchmarking em Canoas para ver quais problemas aconteceram. Sobre os treinamentos, sempre há alguma ação, mas não se tem uma metodologia de inserção destes catadores na realização da coleta. As universidades e organizações não governamentais - ONGs ajudam no que podem. IHU On-Line - Como os catadores e cooperativas têm reagido diante da proposta de fazer a coleta seletiva, como determina a PNRS? Alessandro Soares - Em todos os lugares por onde passo, vejo os catadores ambicionando isso. Exceto em Porto Alegre. Acho que os catadores devem lutar por este trabalho. IHU On-Line - Como vai funcionar esse trabalho na prática ou como tem funcionado no Vale do Sinos? Esse processo é viável? Que infraestrutura os catadores precisam para realizar essa atividade? Alessandro Soares - É interessante pensar nisso. Como vai funcionar eu não sei. Eu teria algumas ideias se estivesse envolvido no processo. Vejo que o projeto começa pela proposta financeira para as cooperativas por parte das prefeituras, sendo que deveria iniciar pelo levantamento do roteiro para o trabalho, para aí, sim, levantarem-se os custos e o preço final pelo serviço. Fazer também um levantamento da geração atualizada de resíduo e um estudo de quantos catadores em quantas cooperativas são necessários para dar conta do resíduo gerado. A viabilidade disso tem que ser calculada sobre a parte de infraestrutura; no geral os galpões de reciclagem têm deficiências fortíssimas em seus espaços de trabalho, carências estruturais e de segurança. Temos trabalho pela frente. IHU On-Line - Quantos municípios gaúchos têm o serviço de coleta seletiva? O que dificulta a adesão de muitas cidades à coleta seletiva? Qual a eficiência desse serviço? Alessandro Soares - Não tenho este levantamento - o site do Compromisso Empresarial pela Reciclagem - CEMPRE é uma boa fonte. A coleta seletiva é cara se comparada à coleta tradicional. Um valor aproximadamente 4,5 vezes maior pela tonelada coletada. Mas a lei obriga a isso, então os municípios devem se adequar. IHU On-Line - A PNRS também prevê a extinção de lixões até 2014. Considerando a estrutura do Vale, essa meta poderá ser cumprida na região? Os municípios da grande Porto Alegre têm planos de ação para garantir o destino correto do lixo? Alessandro Soares - Esta questão é complicada. Temos que dividir conceitualmente a diferença de lixões e aterros sanitários. A quantidade de lixões tem diminuído, mas ainda vejo a disposição de resíduos em aterros por longo tempo. Infelizmente. IHU On-Line - Os municípios têm estrutura para fazer aterros em vez de lixões? Alessandro Soares - No geral, não. As condições para construção de um aterro sanitário são tão especiais que não é em qualquer lugar que se constrói. O aterro, por norma, deve ter vida útil de 10 anos, o que exige bastante espaço para armazenamento, sendo afastado da população e cuidando o lençol freático; não são condições fáceis. IHU On-Line - Quais são as fragilidades da PNRS? A Confederação Nacional dos Municípios alegou que é impossível cumprir 10% do que prevê a lei. O senhor concorda? Alessandro Soares - Deveriam ter se manifestado durante a construção da lei. Agora não adianta muito dizer isso. O que separa o cumprimento ou não da lei é a quantidade de dinheiro que pode ser investido no gerenciamento dos resíduos. Não deve ser barato manter um trabalho deste tipo. IHU On-Line - Quais são as metas mais urgentes da PNRS a serem cumpridas? Alessandro Soares - Na minha opinião, vejo que se deve regularizar de forma mais clara a logística reversa. Muitas embalagens plásticas são recicláveis, mas não são comercializadas pelas cooperativas, uma deficiência clara de mercado e de falta de investimento em pesquisa. A lei nos traz que a empresa produtora deve se responsabilizar pelo ciclo de vida de seus produtos. Esta conta ainda está sendo enterrada nos aterros. Também aponto na direção do apoio mais formal aos catadores, na realização da coleta seletiva por estes e em uma proposta voltada ao cumprimento do controle social por parte da população. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.


por Redação do IHU On-Line

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vaso garrafas002 Recicle seu jardim

Foto: Reprodução/ limaoflor.wordpress.com

O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante. A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente. Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável. O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:  
  • Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
  • Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
  • Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
  • Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
  Em todos os casos, é preciso encontrar a melhor maneira de reproduzir as condições naturais de crescimento de cada planta. Toda espécie tem sua necessidade específica de água, portanto, é interessante escolher o recipiente de acordo com as necessidades de cada variedade. Flores como as orquídeas exigem pouquíssimas regas e obtém sua cota de água proveniente do ar, logo são mais fáceis de monitorar. Já as margaridas precisam de regas constantes e solo úmido, sem estar encharcado, e exigem um cuidado maior. *A Giuliana Flores está há mais de 20 anos no mercado e é líder em vendas de flores pela internet.- www.giulianaflores.com.br
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.

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Crise no setor de saúde dos países afetados por ebola põe em risco a 800 mil mulheres grávidas. Foto: Mulher grávida em Freetown, Serra Leoa. UNICEF/Tanya Bindra

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