Transporte do futuro: o meio do caminho

Sociedade

Transporte do futuro: o meio do caminho


por Michael Grimm*


[caption id="attachment_106575" align="alignleft" width="300"] Foto: Divulgação[/caption] Existe algum modo de combinar a mobilidade do futuro com sustentabilidade? Jack Short, Secretário-Geral do Fórum Internacional de Transportes, é otimista, mas não espera uma revolução nos transportes. Os custos crescentes do combustível, as políticas para poupar carbono, as aspirações dos consumidores e a indústria automobilística – qual deles causa maior impacto no desenvolvimento dos combustíveis alternativos? O mercado é o fator fundamental. Mas eu também diria que é preciso sinais políticos, pelo fato de o transporte ser tão dependente do petróleo. Já que mais da metade do petróleo no mundo é usado no transporte, e como 96% do transporte utiliza petróleo, esse é um setor estrategicamente vulnerável. Até que ponto é necessário mudar a base energética do transporte, passando do petróleo cru para combustíveis alternativos? Ministros presentes ao ITF - Fórum Internacional de Transporte disseram dois anos atrás que deveríamos buscar mudar, a longo prazo, a base energética para o setor de transportes, abandonando o petróleo. A questão é saber o quão rápido deveríamos fazer isso e quais alavancas utilizar para chegarmos lá. A meu ver, devemos ser cuidadosos quanto aos custos de se tentar migrar rápido demais para uma nova base energética. Os motoristas não têm de se preocupar sobre onde obter combustível. O que precisa ocorrer para que os combustíveis alternativos também se tornem facilmente disponíveis? Não subestime a capacidade do mercado em fornecer soluções. Os proponentes ficarão satisfeitos se os governos quiserem dar apoio, mas eles deveriam fazê-lo de modo seletivo. Nunca iremos introduzir carros e combustíveis novos ou novas infraestruturas se os consumidores não comprarem essa ideia. Os preços precisam ser mais próximos dos de carros convencionais. Em segundo lugar, é preciso superar a hesitação do consumidor quanto às opções de modelos dos carros elétricos. O Brasil descarbonizou radicalmente o transporte e obteve uma independência expressiva em relação ao petróleo. Outros países podem fazer a mesma coisa? Deve-se levar em consideração as circunstâncias específicas no caso do Brasil. O país possui um clima muito adequado para a produção de etanol e os custos de mão de obra são baixos. Esses fatores é que tornam a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar eficiente. Outros países com clima e condições de trabalho similares provavelmente poderiam obter o mesmo resultado, mas isso pode não ocorrer em outros lugares. A China, por exemplo, tem um clima mais frio, portanto não é tão fácil replicar a experiência do Brasil. [caption id="attachment_106574" align="alignright" width="312"] Jack Short, secretário-geral do Fórum Internacional de Transportes. Foto: Forum Internacional de Transportes[/caption] Mudança muitas vezes implica custos mais elevados. Qual é a obrigação do governo em fornecer incentivos tanto a consumidores quanto a fabricantes de automóveis? Esse é um debate fundamental. Por um lado, os críticos dizem ser necessários subsídios governamentais de até 10.000 euros por automóvel, e isso é muito dispendioso. Por outro lado, os que apoiam a ideia apontam que, para colocar em ação uma nova tecnologia, nós precisamos dar um empurrão inicial para ajudar a obter a escala necessária que fará baixar os custos de produção. A meu ver, não deveríamos apressar esse processo. Existem outros fatores a serem considerados. Mais importante ainda é que a tecnologia existente pode ser muito melhorada. Essa é a razão pela qual lançamos uma iniciativa denominada "50 by 50", a qual propõe que os carros convencionais se tornem 50% mais eficientes no uso do combustível até 2050. Qual das novas tecnologias de transporte é a mais promissora e quando ela chegará às ruas? Os veículos elétricos parecem ser os mais promissores, especialmente aqueles veículos híbridos de carregar na tomada. Mas isso ainda leva tempo. Muitos países tinham uma meta de 10% de veículos elétricos para 2020. Isso me parece um pouco alto e não alcançável por meio de um custo eficaz. Eu não esperaria ver os carros elétricos totalizarem mais do que 2-3% da frota em 2020. Os veículos elétricos ainda são caros e requerem muitas melhorias e inovações. Portanto, acho que é melhor conjugar os esforços mais imediatos para melhorar os motores de combustão interna a estratégias de longo prazo, a fim de promover a adoção dos veículos elétricos em larga escala. Em seu livro “Two Billion Cars”, Dan Sperling avisa que os carros são uma das maiores ameaças do homem à sociedade humana. Qual a sua resposta a isso? Eu penso que a política dos transportes subestimou os benefícios da mobilidade privada. Os carros proporcionaram grandes melhorias à mobilidade independente, e isso não deveria ser esquecido. Obviamente, nós devemos lidar com os efeitos colaterais negativos. Um dos problemas mais difíceis diz respeito às emissões de CO2. Porém, tentar solucionar isso limitando a mobilidade não vai funcionar. As pessoas na China e na Índia têm tanto direito a ter um carro quanto os cidadãos da Califórnia. Nós podemos restringir o uso dos carros em certas circunstâncias. Podemos gerenciar melhor o seu uso nas cidades e, ao mesmo tempo, continuar encorajando o uso de bicicletas, caminhadas e transporte público. Mas eu não acho que vamos passar para um novo paradigma da mobilidade. Como encontrar um equilíbrio entre atender às expectativas dos usuários e encorajar um uso mais sustentável dos meios de transporte? Essa é uma pergunta crucial, pois o desafio consiste em achar o equilíbrio entre benefícios individuais e benefícios à sociedade. Nós podemos abordar esse aspecto através de uma combinação de medidas. É possível reduzir o tamanho dos carros e tornar o seu consumo de combustível mais eficiente; ter sistemas de transporte público mais integrados nas nossas cidades; usar melhor a tecnologia da informação de modo a evitar deslocamentos; andar mais a pé ou de bicicleta. Porém, encontrar um novo equilíbrio significa também levar em conta as necessidades dos indivíduos. Os padrões de deslocamento das pessoas se tornaram mais complexos e o carro se presta melhor a isso do que o transporte público. * Publicado originalmente no site Allianz e retirado do site Mobilize Brasil.

Manifestações de junho de 2013 e repressão policial foram mencionadas no documento. Foto: Mídia Ninja Sociedade

Direitos Humanos: ainda a passos lentos no Brasil

[caption id="attachment_106535" align="alignleft" width="300"] Manifestações de junho de 2013 e repressão policial foram mencionadas no documento. Foto: Mídia Ninja[/caption] Má conduta policial, execuções, torturas, superlotação carcerária e impunidade são os “destaques” brasileiros no Relatório Mundial da Human Rights Watch de 2014 “O Brasil está entre as democracias mais influentes em assuntos regionais e globais. Nos últimos anos, tornou-se uma voz cada vez mais importante em debates sobre as respostas internacionais a problemas de direitos humanos. No plano doméstico, entretanto, o país continua enfrentando graves desafios relacionados aos direitos humanos, incluindo execuções extrajudiciais cometidas por policiais, tortura, superlotação das prisões e impunidade para os abusos cometidos durante o regime militar” É assim que a ONG Human Rights Watch (HRW), inicia o seu relatório de 2014 sobre a situação dos direitos humanos no Brasil, divulgado nessa terça-feira (21/01) em 14 cidades ao redor do mundo sobre mais de 90 países. Como não podia deixar de ser, um dos principais tópicos no contexto brasileiro foram a atuação policial frente às manifestações populares de 2013, a questão carcerária no país – apesar de a barbárie no Maranhão ainda não ter sido divulgada à época da conclusão do documento – e denúncias de tortura. O relatório diz: “Dezenas de jornalistas que cobriram as manifestações de junho foram feridos ou detidos pela polícia. Durante um protesto em São Paulo em 13 de junho, uma repórter e um fotógrafo foram atingidos nos olhos por balas de borracha e ficaram gravemente feridos”. Segundo Maria Laura Canineu, diretora da ONG para o país, “ficou ainda mais claro o mau preparo da polícia para lidar com multidões. Durante os protestos, pudemos ver que o padrão de conduta dos policiais não mudou e, em muitos casos, usaram a força de forma desproporcional contra os manifestantes”. A diretora também citou a morte de Amarildo – preso, torturado e executado – dando outro exemplo da violência policial que teve como resultado a denúncia de 25 policiais pela tortura e, 17 deles, pelo crime de ocultação do cadáver. A questão da tortura também foi abordada no tópico sobre a situação carcerária no Brasil. De acordo com a ONG, a Subcomissão das Nações Unidas para a Prevenção de Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos e Degradantes informou ter recebido relatos “repetidos e consistentes” de presos sobre espancamentos e outros maus-tratos durante a custódia policial, sendo o caso mais notório o espancamento, sufocamento e aplicação de choques elétricos a quatro homens para forçá-los a confessar o estupro e assassinato de uma menina de 14 anos em julho de 2013. Outro caso presente no relatório foram os agentes da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) espancando seis adolescentes, na Vila Maria, em São Paulo. O crime só veio a público graças às gravações das câmeras de segurança do complexo prisional. Em conversa com nossa redação, Julio Cesar Fernandes Neves, ouvidor chefe da Polícia Militar do Estado de São Paulo, confirmou ter lido o relatório da HRW: “Vamos apurar as denúncias de tortura na PM onde elas acontecerem, não importa. Nem em guerras se tolera a tortura”. Outros temas destacados pelo relatório foram a violência contra mulheres, LGBTs (3 mil denúncias de violência em 2012) e contra ativistas do campo e indígenas, com 37 membros de tribos indígenas mortos no Mato Grosso do Sul – também em 2012 – e quase 2,5 mil ativistas rurais ameaçados de morte durante a última década. No âmbito da política externa, a diretora da ONG diz: “O Brasil falhou, por exemplo, ao se omitir na votação da ONU sobre a guerra na Síria. Quando o Brasil fala, como no caso da invasão de privacidade, dá repercussão. Mas quando o Brasil se omite, isso também causa uma reação, e ela é bastante negativa para o país no cenário mundial.” Apesar de elogiar a postura brasileira na questão da violação de privacidade e espionagem internacional dos EUA, o tímido avanço na área de segurança pública desde o último relatório mostra que o Brasil ainda tem muito a fazer. * Publicado originalmente no site Revista Fórum.


por Redação da Revista Fórum
Ilustração: Kamaga-Fotolia.com Sociedade

O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade?

Antes relegados à lugares invisíveis da cidade, onde não reuniam tanta gente e nem chamavam tanta atenção, os encontros de jovens da periferia de São Paulo tomaram outras proporções a partir do dia 7/12 do ano passado, quando ocorreu o primeiro rolezinho – encontro marcado via redes sociais – no Shopping Metrô Itaquera. Ao mesmo tempo, tramitava um projeto de lei que coibia os bailes funks de acontecerem nas ruas, posteriormente vetado pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Para quem participa está claro o motivo da reunião: se divertir, escutar música, fazer amizades e até mesmo paquerar – tudo isso dentro dos templos do consumo que esses mesmos jovens são tentados a fazer parte diariamente, através da publicidade intensa e da ostentação de outras classes mais abastadas. Para os reais consumidores dos shoppings, porém, esses encontros são uma ameaça à tranquilidade com que fazem suas compras e, mais, devem ser devidamente contidos pelas forças de segurança e proibidos pela Justiça. [caption id="attachment_106524" align="aligncenter" width="500"] O que os rolezinhos dizem sobre o direito à cidade? | Envolverde[/caption]   Os rolezinhos, porém, não pararam de crescer. Se antes eram restritos à capital paulista, agora se espalham por vários estados. E, se antes também se restringiam a um encontro de jovens das camadas mais populares, hoje há rolês organizados por jovens de classe média, universitários e movimentos sociais que apoiam o direito de ir e vir desses adolescentes. Também se tornaram pauta prioritária na agenda do governo federal, por receio de se tornarem o estopim de novas manifestações, inclusive com a participação de black blocs. Instigado por esse debate e em busca de sentidos para esse fenômeno, o Portal Aprendiz perguntou para Leonardo Sakamoto, Ermínia Maricato, Douglas Belchior, Alexandre Barbosa Pereira e Pablo Ortellado o que os rolezinhos nos dizem sobre a segregação e o direito à cidade. Confira as respostas! Leonardo Sakamoto – jornalista e doutor em Ciência Política, autor do Blog do Sakamoto “A maior parte da molecada que vai aos rolezinhos não quer fazer nenhum protesto e sim curtir e ser curtido. Não são politizados, como também não era a maioria dos que foram às ruas nas jornadas de junho. Mas o cutucão, se não é o objetivo, acaba sendo o efeito colateral, pois a presença deles naquele espaço provoca uma reação violenta. Daí, há dois caminhos para analisar os rolês: quem são e o que querem esses jovens e o porquê da reação de determinados grupos sociais, sejam eles do centro ou da própria periferia. Shoppings são bolhas, oferecem a garantia de que nada vai acontecer com você se estiver lá dentro comprando. Da mesma forma que cercas eletrificadas mentem sobre a proteção de casas, que carros blindados mentem sobre a proteção de famílias, que a presença de uma arma de fogo mente quando promete afastar qualquer risco real. Quando centenas de “intrusos” ameaçam invadir essa realidade virtual, querendo fazer parte dela, seus usuários sentem que ela se desligou de repente e entram em pânico. Porque esse grupo de garotos e garotas talvez não entenda, mas é exatamente deles que parte do povo que se refugia em shoppings quer fugir. Fisicamente. Simbolicamente.” Ermínia Maricato – professora da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP “Nas relações sociais, no Brasil, existe uma profunda distância entre discurso e prática ou entre o texto da lei e sua aplicação. Em consequência, grande parte da sociedade permanece sem direitos previstos na legislação. São ignorados, segregados e invisíveis apesar das dimensões dessa exclusão. Como essa espécie de apartheid não é clara e assumida, vive-se uma contradição, um faz de conta. Faz de conta que isso é uma democracia, faz de conta que a lei se aplica a todos da mesma forma, faz de conta que todos têm direitos iguais, como é o caso do direito à cidade. O que a prática dos rolezinhos tem de notável, fantástico, extraordinário mesmo, é o desnudamento dessa contradição. Quando os exilados urbanos decidem andar pela cidade, esse apartheid explode na cara da sociedade ainda que não seja essa a intenção da maior parte da moçada. Essa atitude questiona, profundamente, a sociedade que aprendeu a ser cínica (especialmente o “partido da mídia”) para esconder a incrível desigualdade de um país que não é pobre mas tem um povo pobre.” Douglas Belchior – professor de História e integrante da UneAfro Brasil, autor do blog Negro Belchior “Por parte dos shoppings vemos temos uma contradição, já que se espalharam pelas periferias justamente atrás do poder aquisitivo desse público que eles agora recusam. A medida em que o mundo, através de seus valores, convence a população de que para “ser” é preciso “ter”, de que “viver” é não apenas “consumir” mas também “ostentar”… e ao mesmo tempo não proporciona espaços de convivência, de lazer e educação que provoquem o interesse da juventude, os shoppings passam a ser a grande opção. Criminalizado como um dia fora a capoeira, o futebol, o samba e o rap, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é a resistência em sua forma e estética e nesse momento está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxúria e ostentação que a turma do funk. Os meninos e meninas do funk hoje afrontam os cara-pálidas com sua presença física, com o tom de sua pele, com sua roupa, com seu som. Tudo isso, intencional ou não, é profundamente político e contestador por sua própria natureza.” Pablo Ortellado - professor na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) e autor do livro “20 Centavos: A Luta Contra o Aumento” (Ed. Veneta) “Ainda permanece um pouco obscuro os motivos que levaram os jovens da periferia a marcar encontros coletivos nos shoppings da cidade – queriam mesmo só se divertir ou estariam também desafiando as barreiras econômicas e raciais que dividem os que têm dos que não têm? Seja como for, a resposta dura e anticidadã dos shopping centers e da Justiça conferiu um caráter social e político ao fenômeno. E é nessa resposta jurídica que busca garantir aos shoppings o direito de escolher quem pode frequentá-los que se formalizou e se evidenciou a segregação espacial implícita que rege a nossa sociedade. Seja qual for a motivação, a repercussão colocou em discussão a vergonhosa separação espacial que segrega os ricos dos pobres e os brancos dos negros.” Alexandre Barbosa Pereira – pesquisador do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana (LabNAU) da USP e autor da tese “A maior zoeira: experiências juvenis na periferia de São Paulo” “Os rolezinhos demonstram a necessidade de lutarmos por espaços, físicos, sociais e subjetivos, de representação, expressão e reconhecimento para todos. O principal recado que os jovens dos rolezinhos nos dão é o de que querem o direito a se divertir na cidade.” * Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.


por Danilo Mekari e Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz
Foto: http://bit.ly/H6RCcB Sociedade

Discriminação social na cidade planejada

[caption id="attachment_106515" align="alignleft" width="320"] Foto: http://bit.ly/H6RCcB[/caption] Mesmo uma cidade planejada e construída para ser a capital federal deste país, não escapou do modelo de desenvolvimento de exclusão, que durante décadas alimentou periferias completamente desassistidas, com precárias condições de infraestrutura, saneamento e dos demais serviços públicos. O resultado está aí: cidades-satélites sem qualquer possibilidade de vida digna, nas quais a população em sua grande maioria é utilizada como mão de obra barata pelos contratantes bacanas que habitam a capital e trabalham nos edifícios projetados por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a favela Sol Nascente, DF, soma 56,5 mil moradores, ocupando o segundo lugar no “ranking”, atrás apenas da população da Rocinha, RJ, com 69,2 mil pessoas. O triste é que essa realidade social discriminatória é semelhante em praticamente todas as capitais brasileiras, seja ela planejada ou não. Reproduzo aqui trecho publicado pela revista CartaCapital (1), fruto da entrevista com o urbanista Rômulo José da Costa Ribeiro, coordenador da pesquisa sobre o Distrito Federal no Observatório das Metrópoles. “Uma marca dessa favelização é a acomodação da população de baixa renda na periferia, uma estratégia consciente da elite do Poder Público para preservar o coração de Brasília, o Plano Piloto, ‘intocado e belo’. O ‘feio’ é expulso para longe. Como qualquer favela no País, as de Brasília não têm integração com a dinâmica da cidade. A ‘cidade rica’ precisa deles, mas não admite nem os quer por perto, visíveis. Eles são discriminados em todas as situações cotidianas”. Uma sociedade que não enxerga e insiste em desconhecer a diversidade da sua gente é incapaz de planejar e de desenvolver soluções que contemplem as necessidades de todos. Por aqui, fico. Até a próxima. Fonte: (1) CartaCapital, edição 779, 18 de dezembro de 2013, página 32. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


por Leno F. Silva*
Indígenas são o maior grupo de risco do país. Foto: Reprodução/ Internet Inter Press Service - Reportagens

Indígenas brasileiros convivem mal com as águas represadas

[caption id="attachment_106511" align="aligncenter" width="529"] O jovem cacique xokó Lucimário Apolônio Lima busca novas formas de sustento para seu povo, depois que a represa de Itaparica cortou suas atividades tradicionais de agricultura e pesca, dependentes das águas do rio São Francisco. Foto: Mario Osava/IPS[/caption]   Foz do Iguaçu e Paulo Afonso, Brasil, 22/1/2014 – A hidrelétrica de Itaparica ocupou território dos indígenas pankararu, mas enquanto outros foram compensados, a eles coube apenas perder suas terras e o acesso ao rio São Francisco, queixam-se líderes desse povo do Nordeste do Brasil. “Já não comemos pescado como antes, mas o maior dano foi a perda da cascata sagrada, onde realizávamos nossos ritos religiosos”, lamentou à IPS o cacique José Auto dos Santos. Quase 200 quilômetros rio abaixo, a comunidade indígena xokó sofre a diminuição de água, contida acima por grandes represas que suprimiram as cheias estacionais e regulares do São Francisco, inviabilizando os arrozais de aluvião e reduzindo drasticamente a pesca. Efeitos semelhantes são temidos no rio Xingu, na Amazônia, onde a construção da central de Belo Monte desviará parte das águas do trecho conhecido como Volta Grande, o que afetará os povos juruna e arara. Cerca de 2.500 quilômetros ao sul, os avá-guarani assentados às margens da represa de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, se dedicaram à piscicultura para manter seu alto consumo tradicional de pescado, em uma população crescente e com escassa terra para cultivar. Nos anos 1970 e 1980, emergiu no Brasil uma geração de indígenas de águas paradas, quando o país construiu numerosas centrais hidrelétricas, algumas gigantescas como Itaipu, compartilhada com o Paraguai, e Tucuruí, na Amazônia oriental, ambas inauguradas em 1984. No São Francisco, cujo maior trecho cruza terras semiáridas, foram instaladas cinco centrais, que alteraram seu fluxo fluvial. Uma delas, Sobradinho, exigiu uma represa de 4.214 quilômetros quadrados, um dos maiores lagos artificiais do mundo, segundo sua operadora, a estatal Companhia Hidrelétrica do São Francisco, que tem outras 13 centrais na região nordestina. A abertura de Sobradinho, em 1982, acabou com a plantação de arroz em terras inundáveis do território xokó, cerca de 630 quilômetros rio abaixo, contaram à IPS seus moradores. O ciclo anual de cheias praticamente desapareceu no Baixo São Francisco desde 1986, quando foi criada em Pernambuco a represa de Itaparica, de 828 quilômetros quadrados, que regula o fluxo auxiliar de Sobradinho. Assim, se pôs fim ao aluvião, que fertilizava os arrozais e enchia ciclicamente de peixes os lagos conectados ao rio por um canal. “Sem corrente, o rio perde força, é um prato plano que se cruza a pé”, descreveu Apolônio Lima, o cacique xokó, com uma juventude incomum entre líderes indígenas. Com 30 anos, explicou à IPS que busca para sua gente, pouco mais de 400 pessoas, um futuro sustentável. Para isso, estimula a apicultura e outras produções alternativas, luta pela revitalização do São Francisco e se opõe à transposição de suas águas para combater secas no norte, um megaprojeto do governo federal. “Antes de fazer isso, é preciso dar vida ao rio, os doentes não doam sangue para transfusões”, afirmou o cacique. “Meus avós já asseguravam que as margens do São Francisco morreriam. Eu não, mas meus netos o verão”, profetizou à IPS o xamã Raimundo Xokó, de 78 anos. Para os pankararu, estabelecidos a cinco quilômetros da muralha que represa as águas em Itaparica, as ribeiras fluviais são coisa do passado. Seus líderes se sentem roubados. “Não temos onde pescar, a empresa tomou nossa terra, desconhecendo nosso direito legal até a margem”, explicou à IPS o xamã José João dos Santos, mais conhecido como Zé Branco. O ex-cacique Jurandir Freire, apelidado de Zé Índio, luta por indenizações milionárias, porque os indígenas foram excluídos das compensações por sua terra inundada, ao contrário dos municípios, cujas prefeituras recebem benefícios, e os camponeses assentados nas chamadas agrovilas com áreas irrigadas. Zé Índio esteve preso e perdeu seu cargo por liderar, em 2001, um protesto que danificou linhas de transmissão elétrica da central, que passam por montanhas do território pankararu sem compensação alguma. A terra fértil, em um vale e ladeiras montanhosas que favorecem uma umidade que contrasta com a semiaridez à sua volta, é outra fonte de conflitos. Desde a demarcação da Reserva Pankararu, em 1987, os indígenas pressionam o governo para retirar os agricultores brancos que ocupam a melhor parte. “Minha avó nasceu ali e morreu aos 91 anos, isso há cinco”, disse Isabel da Silva para defender que sua família e outras vizinhas pertencem ao território pankararu há mais de um século. “Segundo a lei, temos que sair, mas fazer isso seria uma injustiça”, disse à IPS esta funcionária do Polo Sindical de Trabalhadores Rurais do Submédio São Francisco, que conseguiu o reassentamento de quase seis mil famílias camponesas afetadas pela central de Itaparica. Há 435 famílias ameaçadas de expulsão há duas décadas, em uma medida que demora por falta de terra para reassentá-las, justificam as autoridades. O povo pankararu vive em uma reserva de 8.376 hectares e em 2003 contava com 5.584 integrantes, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável pela proteção das populações originárias. Mas outros milhares emigraram para as cidades, especialmente São Paulo, onde mantêm sua identidade e se reúnem em ritos religiosos e festas indígenas. Com terra menos escassa, muitos regressariam, espera Zé Índio. A escassez de terra também impacta os ocoy, situados nas margens da represa de Itaipu. São 160 famílias, cerca de 700 pessoas, que sobrevivem em apenas 250 hectares, a maioria de florestas protegidas, vedada à agricultura. A piscicultura, impulsionada pela empresa Itaipu Binacional, surgiu como alternativa para completar sua alimentação, diante da queda da pesca tradicional e das limitações agrícolas. Os indígenas se destacaram entre os 850 pescadores que se somaram à iniciativa, “talvez por sua cultura, vinculada à água”, destacou à IPS o diretor de coordenação e meio ambiente da companhia, Nelton Friedrich. Com 40 tanques rede, a comunidade ocoy obtém quase seis toneladas de pescado por ano, segundo o vice-cacique Silvino Vass. No entanto, esta não é sua maior fonte alimentar e poucos participam diretamente da atividade, segundo pesquisa acadêmica realizada em 2011 por Magali Stempniak Orsi. Além disso, os indígenas dependem muito da empresa, que lhes fornece os alevinos e a alimentação para os peixes, disse a pesquisadora, segundo a qual o projeto deve promover maior participação comunitária. Os ocoy precisam de assistência alimentar para completar suas necessidades, ao contrário de duas vizinhas comunidades avá-guarani, que contam com mais terras doadas pela Itaipu Binacional e mais produção agrícola. Em todo caso, o apoio de Itaipu aos indígenas locais é uma exceção entre as centrais hidrelétricas. Além de buscar alternativas de desenvolvimento para eles, cuida da sustentabilidade de toda sua sub-bacia, com o Programa Cultivando Água Boa, um conjunto de 65 ações ambientais, sociais e produtivas. Envolverde/IPS


por Mario Osava, da IPS
a pe Sociedade

Rompa o asfalto, plante árvores e vá a pé

[caption id="attachment_106124" align="aligncenter" width="553"] Rua arborizada em Porto Alegre: bom para caminhar. Foto: Fanfiction[/caption]   Urbanização excessiva eleva temperaturas nas cidades e no interior dos veículos. A solução parece óbvia: aumentar as áreas verdes e estimular o transporte não-motorizado Na semana passada, a Agência Brasil produziu uma reportagem sobre o desconforto de passageiros e funcionários que trabalham nas linhas de ônibus do Rio de Janeiro. Com temperaturas de 40º C e sensações térmicas acima de 50º C, os usuários e "tripulantes" dos coletivos sofrem o desconforto de passar horas dentro dos veículos lotados. O pior, explica a matéria, é que os motoristas, que trabalham próximos aos motores, estão sujeitos a temperaturas de até 60º, o que gera irritação e acaba provocando acidentes. O problema não é exclusivo do Rio de Janeiro e por isso reproduzimos o texto  o Mobilize. Há duas semanas, enfrentei situação semelhante em um coletivo em São Paulo. Saí do terminal Princesa Isabel, no qual as temperaturas giravam por volta de 50º C. Permanecer sob aquela cobertura metálica já é um desafio, especialmente no período da tarde, entre 13h e 17h. Assim que entrei no ônibus senti o acréscimo de calor concentrado no interior do carro. Embora quase vazio, o ônibus parecia mesmo uma estufa. Depois de alguns minutos de espera sob aquela sensação térmica de 50º C, o ônibus deixou o terminal, mas a circulação do ar pelas janelas não era suficiente para arrefecer o ambiente. Três pontos à frente, não aguentei e decidi descer do ônibus e completar a pé meu caminho até a av. Paulista. Mesmo sob o sol intenso, o ar do lado de fora estava muito mais agradável. Apenas como referência, destacamos abaixo um extrato de pesquisa realizada pela Universidade Federal do Ceará e publicada pela revista Geonorte, em 2012. [caption id="attachment_106125" align="aligncenter" width="520"] Fonte: Clima Urbano e Sensação Térmica - O caso dos terminais de ônibus de Fortaleza (Maciel, Nascimento e Zanella, Universidade Federal do Ceará)[/caption]   Os números mostram claramente os riscos do calor excessivo para o organismo humano. Seja no Rio, seja em SP, em qualquer cidade do Nordeste, Norte ou Centro-Oeste, não há dúvida de que os ônibus urbanos precisam ter sistemas mais eficientes de refrigeração. O ar condicionado já se tornou quase um padrão em carros de passeio, até nos modelos mais populares. E mesmo os trens urbanos e metrôs já estão sendo dotados de ar condicionado, pelo menos nas maiores capitais do país. Em São Paulo, não poucos passageiros preferem aguardar na plataforma a chegada dos trens mais modernos, mais frescos. O problema de fundo é que as cidades brasileiras incharam, ampliaram suas áreas construídas e reduziram as áreas arborizadas. Basta andar a pé ou de bicicleta por qualquer cidade para sentir na pele a diferença térmica nas proximidades de um parque ou praça com boa vegetação. São ilhas de frescor. Pedalada no deserto urbano Neste final de semana pedalamos, eu e minha mulher, até um grande centro de compras, na zona norte paulistana, e tivemos a sensação de estar cruzando uma região desértica. Explica-se: é uma área com mais de 2 milhões de metros quadrados, dos quais mais de 95% estão cobertos de asfalto ou edificações. [caption id="attachment_106126" align="aligncenter" width="616"] Imagem aérea de grande centro de compras em São Paulo: arborização zero. Foto: Google[/caption]   Filas de carros, todos com seus vidros fechados, jogavam gases e mais calor para o ambiente externo. As raras - e sofridas - árvores estão dispostas ao longo das ruas, mas incapazes de mudar a paisagem. Enfim, o shopping é uma gigantesca ilha de calor. Talvez seja bom para vender mais aparelhos de ar condicionado. Mas não é um bom lugar para se estar. Soluções para já: comprar ventarolas e ventiladores. A médio prazo, instalar ar condicionado nos ônibus e trens. A longo prazo, mas para começar já: quebrar o concreto, romper o asfalto e plantar árvores. * Publicado originalmente no site Mobilize Brasil.


por Marcos de Sousa, do Mobilize Brasil
pedras Sociedade

As pedras do caminho do Maranhão

[caption id="attachment_106138" align="alignleft" width="300"] O senador José Sarney e a filha Roseana, governadora do Maranhão. Foto: Agência Brasil[/caption] A família Sarney há décadas está no poder no Maranhão, um dos estados mais desiguais do Brasil. O atual senador por Amapá serviu aos militares, herdou o posto de presidente com a morte de Tancredo Neves e, no PMDB, vem “emprestando” o seu cacife político a todos os mandatários eleitos. É notório que os Sarney agem, no poder, com um viés narcisista. Não por acaso, dezenas de obras e patrimônios públicos levam o nome de algum membro da família. Como estamos em um regime democrático, o pai, a filha e o filho foram legitimamente eleitos pela população. É provável que parcela dessas pessoas hoje esteja revoltada com os recentes assassinatos no presídio de Pedrinhas, numa ação brutalmente condenável do crime organizado. Mas daqui a pouco, passados os impactos dos acontecimentos, tudo voltará ao “normal”, como vem ocorrendo desde meados dos anos 60. A estrutura política e a maioria dos políticos do Brasil são reféns de determinadas figuras que agem como coronéis, desprezam os cidadãos, usam dinheiro público para benefícios próprios e criam redes de produtos e serviços privados, por meio dos quais se apropriam, ainda mais, dos recursos que deveriam promover o bem-comum. Quais serão os trunfos que o Sarney tem nas mãos para ser esse político tão importante, intocável, que nenhum partido ousa contrapor e questionar?, Ao contrário, todos, sem exceção, em algum momento estendem o tapete para “El Bigodon”, que sabe muito bem cobrar e negociar os seus apoios. O pior é que ele não é o único nessa história. Talvez o Sarney seja o ancião, mas se prestarmos atenção nos “nossos” representantes, uma parcela expressiva tem práticas semelhantes às dos donos do Maranhão. E foram eleitos; serão reeleitos, desviarão dinheiro público por um, dois, três, quatro mandatos, até “construírem” um patrimônio sólido, para vender bem caro os seus apoios a quem precisar. Embora às vezes tudo isso seja desanimador, o caminho é agir onde e como for possível. Somar, reivindicar, pressionar, fiscalizar, denunciar, escolher bem em quem votar e participar ativamente da vida pública. As cidades, os estados e o Brasil são de todos nós, e não de algumas dezenas de famílias. Talvez demore mudar essa realidade, mas se cada um decidir e partir para a ação desde já, um dia as transformações ocorrerão. Por aqui, fico. Até a próxima. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


por Leno F. Silva*
Desmatamento no entorno do Parque Indígena do Xingu. Foto: Pedro Martinelli-ISA Sociedade

Aumento no Desmatamento na Amazônia em 2013: um ponto fora da curva ou fora de controle?

[caption id="attachment_106110" align="aligncenter" width="500"] Desmatamento no entorno do Parque Indígena do Xingu. Foto: Pedro Martinelli-ISA[/caption]   IPAM, IMAZON e ISA analisam o aumento no desmatamento na Amazônia em 2013 e apresentam recomendações ao Poder Público para que essa tendência seja revertida. Desde 2006, as taxas de desmatamento na Amazônia têm caído consistentemente. Em 2013, porém, o aumento de 28% no desmatamento amazônico colocou em alerta a sociedade brasileira. Esse aumento deve ser considerado inaceitável por três motivos principais: o desmatamento em questão foi, em grande parte, ilegal; existe na região Amazônica uma grande quantidade de área já desmatada porém subutilizada; e o Poder Público brasileiro já possui os elementos fundamentais para combater o desmatamento amazônico. Com o objetivo de refletir sobre as causas que levaram ao desmatamento e estimular reação por parte do Poder Público brasileiro, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), apresentam neste documento reflexões sobre o aumento do desmatamento ocorrido em 2013 e elencam uma série de recomendações para a redução nas taxas de destruição da floresta amazônica. Entre os vários fatores que podem explicar o aumento de 2013, dois deles são tradicionalmente conhecidos: especulação fundiária e o efeito das obras de infraestrutura sem as devidas salvaguardas socioambientais. A combinação de estratégias de controle já consagradas com algumas abordagens inovadoras deve ser adotada para que a taxa de derrubada da floresta amazônica continue em uma trajetória de redução. Por exemplo, será preciso (1) manter a fiscalização focada em municípios que concentram as maiores taxas de desmatamento; (2) criar mecanismos que responsabilizem os compradores de produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente; (3) proceder com a divulgação da lista de áreas embargadas pelo Ibama; (4) dar continuidade às ações do Ministério Público contra empresas que compram produtos oriundos de desmatamento ilegal. Do ponto de vista da inovação, será fundamental avançar com os (5) incentivos econômicos para a conservação e redução do desmatamento especulativo, além de (6) estimular a recomposição e a regularização florestal. Tais incentivos deveriam abranger os fiscais, através de uma revisão da politica tributária do governo federal. Neste sentido, o documento analítico sobre o desmatamento de 2013, lançado pelas instituições abaixo assinadas, representa um primeiro passo para uma reflexão mais aprofundada sobre os fatores que ainda tornam a redução do desmatamento na região um desafio. Assim, estas instituições se colocam à disposição do Poder Público para debater em profundidade os resultados e recomendações apresentados. (Leia aqui o documento na íntegra). Brasília, 07 de janeiro de 2013. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM Instituto Socioambiental – ISA Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia - IMAZON * Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.


por Redação do ISA
Augustinho Tenharim, sobrevivente do massacre durante a abertura da Transamazônica. Foto: Alceu Castilho Sociedade

“Matar um índio para pegar uma índia”

[caption id="attachment_106080" align="aligncenter" width="500"] Augustinho Tenharim, sobrevivente do massacre durante a abertura da Transamazônica. Foto: Alceu Castilho[/caption]   Violência contra os indígenas é antiga como a grilagem de terras; indígenas cobram compensação por danos e mortes causados desde a abertura da Transamazônica. A história do conflito em Humaitá é também a história da BR-230, a Rodovia Transamazônica. A rodovia rasgou a cidade – e também o território ocupado pelos indígenas. Com 4.223 quilômetros, ela foi inaugurada em 1972 pelo ditador Emílio Garrastazu Médici. Agora os Tenharim querem contar com detalhes essa história, como disseram à reportagem da Pública, recebida por eles no dia 3 de janeiro. Em Humaitá, os brancos também conhecem o enredo, mas preferem falar em off sobre a violência cometida naquele tempo. “Quem veio para cá foram homens”, conta um dos entrevistados. “Aí quem queria pegar uma mulher tinha de matar um índio e pegar uma índia”. Em sua língua, Augustinho Tenharim conta mais do que isso, traduzido pelos irmãos Zelito e Aurélio Tenharim: “Houve matança. De 10 mil Tenharim sobraram pouco mais de 200. Alguns trabalharam como escravos, para ajudar a construir a estrada. O pagamento era em alimentos. Os servidores levavam as índias e devolviam após 15 dias, 20 dias, um mês. Para mim é a segunda vez que está acontecendo algo desse tipo”, diz, referindo-se à hostilidade enfrentada por eles desde o desaparecimento dos três brancos na região no dia 16 de dezembro. “Um momento muito crítico. Temo pelos netos, pelos parentes. Achei que nunca mais ia acontecer”, lamenta o ancião. O histórico é importante para justificar a cobrança de compensação, decidida por eles em assembleia, e definida pelos brancos como pedágio. “A vida nunca vai ser paga, foi quase uma extinção”, diz o cacique Aurélio Tenharim. Outro ponto destacado por eles é o fato de que, ao longo da Transamazônica, a floresta amazônica só está totalmente preservada – o que é visível – na Terra Indígena. “O governo nunca teve política pública para o desenvolvimento dos povos indígenas. Nós somos os protetores da Amazônia”, sublinha Aurélio. O antropólogo Edmundo Peggion, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara, estudou os Tenharim no mestrado e doutorado. Não há exagero no relato dos Tenharim, ele diz, ao se referir ao massacre na abertura da Transamazônica. Esse massacre foi também lembrado publicamente por Aurélio Tenharim em debate no dia 7 de janeiro com o comandante militar da Amazônia, general Eduardo Villas Bôas. O antropólogo confirma que a população original, de 10 mil pessoas, foi dizimada. Chegou a pouco mais de cem pessoas na época da abertura da Transamazônica – onde, de fato, os Tenharim trabalharam. Nos anos 80 eram 180 membros da etnia. Quando ele fez mestrado, de 1993 a 1996, eram 300. Foi Peggion o responsável pela delimitação do atual território indígena, em 2002, quando houve um esforço para demarcação contínua. Ele agora é uma das poucas vozes, além dos indígenas, que os defendem dos boatos e das acusações precipitadas. Para o professor, não foram os Tenharim os responsáveis pelo desaparecimento dos três homens. “Eles diriam”, afirma. “Somos guerreiros, assumimos o que fazemos e não temos nada a ver com esse desaparecimento”, escrevia Angelisson Tenharim no dia 27 de dezembro, por mensagem, do quartel onde estava confinado, em Humaitá. O antropólogo também rebate o argumento dos que afirmam que os Tenharim seriam “aculturados”. “Eles têm uma auto-estima muito elevada”, explica. “Eles têm ritual tradicional e são quase 100% bilíngues. Conversam em português, viram e falam com os parentes na língua deles. Dado tudo o que eles sofreram, para hoje, estão numa situação estável, do ponto de vista populacional e cultural”. Tomado de surpresa pelos acontecimentos, Peggion está apreensivo. Ele vê na reação de desdém e hostilidade das pessoas da região o velho paradoxo que marca a relação entre indígenas e brancos: “ou são selvagens, quando são acusados de vingança, ou são aculturados, nem índios são”. Neste último caso, diz o professor, fica implícita a pressão para que sejam liberadas as terras indígenas. Em Humaitá, a origem indígena se apaga O Censo 2010 apontou 44.227 pessoas em Humaitá – 883 na Terra Indígena Tenharim Marmelos e apenas 22 pessoas na Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto. A maioria da população se define como parda: 30.340 (68,6%), embora seja evidente a origem indígena. Apenas 1.588 pessoas se definem como indígenas. Nenhuma delas mora em domicílio com renda superior a dez salários mínimos. O município nasceu e cresceu em torno do Rio Madeira, um dos mais imponentes afluentes do Amazonas. Com 3.240 quilômetros, o rio tem esse nome por ser muito rápido – levando árvores e troncos em sua passagem. A igreja matriz, ladeada pela Câmara e pela Prefeitura, está de frente para o Rio Madeira, bem como a imagem da padroeira, a Imaculada Conceição. A própria Transamazônica, que vai no sentido de Apuí, só é acessível de balsa, atravessando o rio. A orla da cidade foi reformada e parcialmente entregue em junho de 2012. Ao lado da imagem da santa há um marco, com os nomes da presidente Dilma Rousseff e do governador Omar Aziz. A cidade funciona, em parte, em função dos pescadores e garimpeiros, em parte do funcionalismo público e de micro-empreendimentos. É impressionante a quantidade de pequenos bares e mercearias. Sem indústrias, são poucas as opções de emprego. O principal meio de transporte urbano é a moto. Diante das blitze constantes da polícia, desde o fim do ano, o movimento de carros e motos diminuiu. Não há bairro de ricos em Humaitá. Segundo o IBGE, 616 famílias ganham até meio salário mínimo; outras 2.136, até um salário mínimo e 2.599, até dois salários mínimos. Os mais endinheirados – 283 domicílios têm renda superior a dez salários mínimos – convivem com os mais pobres, em uma cidade sem rede de esgoto. Eles gastam dinheiro em Porto Velho, a 205 quilômetros dali, e Manaus, a 675 quilômetros– ou nos sítios e fazendas. E não têm medo de andar com pulseiras ou colares de ouro pelas ruas, embora a coisa mude de figura em Porto Velho. No caminho para lá a Pública ouviu da mulher de um militar que queria vender 100 gramas de ouro, reconhecendo que se tratava de atividade clandestina. “Os guardas da Vila Militar são muito chatos”, reclamou. A presença dos militares é importante e foi decisiva na batalha dos moradores contra os indígenas, ao protegerem os Tenharim da violência. A rodovia para Porto Velho, por exemplo, para onde se vai por ônibus ou táxi-lotação, tem o asfalto mantido pelos próprios militares. Há quem diga que, sem o 54º Batalhão de Infantaria da Selva, o 54º BIS, conflitos como o do fim de ano já teriam ocorrido há muito tempo. Somente em 2012 a Cooperativa de Garimpeiros da Amazônia teve legalizada a venda de ouro que vem dos Andes através dos rios que desembocam no Madeira. Os indígenas não têm permissão para praticar atividades extrativistas. Mas o atual conflito em Humaitá tem mais a ver com outras faces econômicas da cidade: os pecuaristas e os madeireiros, apoiados pelos comerciantes, muitos também fazendeiros. Não foi a primeira vez que Humaitá assistiu a uma insurreição. A cidade já teve um quebra-quebra, em 1991, sem nenhuma relação com o ódio aos índios. Um prefeito denunciara um esquema de corrupção. Deu nome aos bois. Ficou isolado. Na sua casa, queimaram um carro, recorda-se o madeireiro Nelson Vanazzi. “As pessoas perderam a cabeça, que nem desta vez”. A prefeitura foi invadida. “Queimaram um pouco, mas acho que não foram os populares. Acho que foi para esconder papel”, ri. Política e negócios: a receita da elite Os negócios e a política caminham juntos em Humaitá: é comum os mais endinheirados partirem para essa atividade complementar. O prefeito reeleito de Humaitá, Dedei Lôbo (PMDB), é pecuarista e possui gado – como sabem todos na cidade. Mas não declarou nenhum bem rural à Justiça Eleitoral. Nem em 2008, quando se apresentou como professor de ensino médio, com um total de R$ 77 mil em bens, nem em 2012, quando já reunia R$ 561 mil. Um enriquecimento de 729%. A Pública tentou insistentemente entrevistá-lo, sem sucesso. Já o prefeito de Apuí, Adimilson Nogueira (DEM), mencionado pelos Tenharim como um dos que incitaram a violência em Humaitá, declarou quatro lotes rurais em 2012, por R$ 200 mil, e 40 cabeças de gado. Total de bens: R$ 400 mil. Em 2008 ele tinha R$ 131 mil. Já possuía os lotes e 19 reses. Os indígenas também citaram o vereador Irmão Dirlan (DEM), dono de um sítio, como um dos que lideraram a violência em Humaitá. Vários políticos foram procurados em suas casas, na virada do ano, e não estavam. Alguns estavam “no sítio”. O advogado dos parentes dos desaparecidos, Carlos Terrinha, foi candidato à reeleição para vereador em 2012, pelo PDT. Não conseguiu. Ele também é advogado de madeireiros. Aurélio Tenharim diz que não conhece um político, na região, que defenda indígenas e conta que, desde o fim do ano, recebeu apenas dois telefonemas de deputados: o estadual Sidney Leite (Pros-AM) e o federal Padre Ton (PT-RO), coordenador da Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas. O resto só se manifestou por assessorias. Os indígenas são críticos do atual governo. “O mandato de Dilma é o que mais massacrou os indígenas desde a ditadura”, afirma Amarildo Tenharim. “O indígena não pode mais fazer manifestação que ela manda a Força Nacional. A PF mata índio. A autonomia na saúde foi retirada. Tudo foi no mandato dela. Ela não tem diálogo com as organizações indígenas. Os ruralistas foram recebidos com 20 dias de mandato. Nós, não”, acusa. Na opinião do cacique, os políticos veem os indígenas como empecilho para o desenvolvimento do país. Amarildo cita a PEC 215, em debate no Congresso, que dá aos parlamentares, incluindo a famigerada bancada ruralista, a responsabilidade pela demarcação de novas terras indígenas. “A Constituição é para todos”, diz. “Dizem que temos privilégios, mas praticamente só temos dois artigos na Constituição. E a bancada ruralista quer derrubar o artigo 232”. Esse artigo reconhece os índios, suas comunidades e organizações como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses. Em Humaitá, o ex-vereador Cição – aquele que deu entrevista ao lado do Seu Tonico, do hotel – tem uma propriedade rural “de 195 hectares”. Ele foi vereador entre 1997 e 2000. Desistiu.“Quem não compra votos não se elege”, diz. O sítio fica no distrito de Santo Antônio do Matupi, que pertence a Manicoré, mas ligado estreitamente a Humaitá. Ali, no km 180 da Transamazônica, ele cria gado, planta macaxeira, onde originalmente havia um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para lotes de até 60 hectares. Cição defende a bancada ruralista, e diz que são os fazendeiros que alimentam o país. “O Brasil tem somente 900 mil índios. Eles estão humilhando todos os brasileiros. Não podem ficar aí, selvagens”. Os Tenharim o apontam como um dos manifestantes incendiários de Humaitá, e como um dos difusores do preconceito contra indígenas no município. Cição avisa: “Se matar um branco, vai ter revanche”. Um terço do território grilado O relatório da CPI da Ocupação das Terras Públicas na Amazônia, em 2001, conhecida como CPI da Grilagem, informou que, de 157 milhões de hectares do território do Estado, 55 milhões estavam sendo grilados. Os cartórios de Humaitá, Manicoré e Canutama foram identificados como “contumazes na prática de ilícitos registrais”. Em Manicoré foram cancelados 682 mil hectares, ou 12% da área. Em Canutama, vizinha de Porto Velho, por onde se chega de carro a Humaitá, foram cancelados 8,8 milhões de hectares, ou 368% da área do município. É que as grilagens formam um território paralelo, virtual, onde as terras se sobrepõem umas às outras. A chefe da unidade avançada do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Humaitá, Maria Terezinha Leite, conta que o distrito de Santo Antônio do Matupi, um dos pivôs da crise em Humaitá (embora pertença a Manicoré), surgiu de um assentamento, no lado esquerdo da Transamazônica, rumo a Apuí. Essa área de 34.534 hectares está hoje totalmente irregular. Os assentados foram deixando os imóveis. Quantos? Não se sabe exatamente. Das 527 parcelas, de até 60 hectares, ela estima que apenas 50 – menos de 10% – ainda estejam com os beneficiários originais. Ocorre que as áreas de assentamento não podem ser vendidas. “Tem lote que já passou por cinco donos”, conta ela. E o Incra precisa notificar todos os atuais “proprietários”. Mas ela notificou só 20 deles. Porque, por algum motivo, eles foram à sede do Incra e Terezinha aproveitou a deixa. E por que ela não notifica os demais? Porque não há infraestrutura. Mais especificamente, não há segurança. As notificações em Matupi precisariam do apoio da Polícia Federal, pois os servidores têm medo. “Não dá para entregar uma notificação de que a pessoa tem de sair em 15 ou 30 dias sem a presença da polícia”, explica Terezinha. Os 20 que receberam a notificação simplesmente não se manifestaram. E ficou por isso mesmo. “Nesse caso a responsabilidade é da Divisão de Assentamentos, em Manaus”, diz ela. Chefe da unidade há dez anos, a servidora exibiu um mapa que mostra o assentamento rodeado por terras da União. Mas o distrito cresce e pretende se tornar um município. Somente desde 2010 a área está sendo georreferenciada, diz. Ela também conta que, em 2005, houve um problema grande com invasões de terra, acima de mil hectares cada, na vizinha Canutama. A Polícia Federal conseguiu coibir. A maioria das pessoas era de Rondônia. Em doutorado defendido na Universidade de São Paulo, em 2012, a pesquisadora Viviane Vidal da Silva concluiu que o assentamento do Incra era o principal responsável pelo desmatamento na região. Ela observou que cada lote tinha desmatado mais de 20% da floresta, o limite na região. Motivo principal, a substituição da agricultura pela pecuária. Os Tenharim dizem que o “180” tem até pista de pouso clandestina, e ninguém faz nada. O mesmo aconteceria no km 160 da Transamazônica. Dias antes da entrevista com Terezinha, na esquina do Incra, na Avenida Transamazônica, um lobista identificara-se para o repórter como jornalista. Ele contou ter trabalhado na área durante três décadas. Hoje, mexe com regularização de terras. Contou muitas histórias, reproduziu muitos boatos. Dois dias depois, foi sincero em relação ao seu trabalho:“Vou de terno, tudo bonitinho. O cara diz que não pode resolver. Pergunto que horas ele sai e chamo para uma cervejinha, no fim do expediente. Coloco dinheiro na mão dele. Ele libera. Aqui não tem Estado!” Ou tem: em Santo Antônio do Matupi, uma placa anuncia a melhoria das vias da comunidade, por R$ 13,7 milhões. Com a assinatura do governo do Amazonas e financiamento do Banco do Brasil. A revolta dos madeireiros Santo Antônio do Matupi também foi cenário de uma revolta de madeireiros em 2011. A apreensão de dois tratores, duas pick-ups, uma moto e 160 metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente uma aldeia dos Tenharim, a Sepoti, motivou confronto entre os madeireiros, os fiscais do Ibama e os policiais militares do Batalhão de Policiamento Ambiental. Também foram apreendidas armas e munição. O grupo de madeireiros cercou os agentes do Ibama e entrou em confronto com a PM para evitar que os tratores ficassem com os indígenas. Após negociação, eles foram levados para Apuí. Na Transamazônica, porém, 200 pessoas bloquearam a estrada e exigiram que os tratores ficassem em Matupi. Eles acabaram ficando na sede da Associação dos Produtores Rurais de Santo Antônio do Matupi. Em 2009, em reunião na Câmara Municipal de Humaitá, Nelson Vanazzi falou em nome dos madeireiros impedidos de extrair madeira por bloqueio eletrônico do Documento de Origem Florestal. Os políticos debateram alternativas. Entre elas, o bloqueio de rodovias e hidrovias, como forma de “chamar a atenção”. Nelson Vanazzi diz que ele mesmo nunca extraiu madeira de terra indígena. Isso começou a acontecer, conta o madeireiro, “após o 180”, o distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré. Ivanildo Tenharim confirma que antes não havia esse problema. O motivo: “Fora da reserva não tem mais madeira, por isso começam a roubar”. Palavra de madeireiro O madeireiro Nelson Vanazzi é um personagem controvertido – chegou a ser preso pela Polícia Federal no auge da extração da madeira. Recebeu a Pública em seu escritório – sentado na mesa ao lado de uma Bíblia do Papai e um bloquinho de uma madeireira de Manaus, a Madecunha. Ele conta, com um sorriso nervoso, que assistiu a toda a confusão no Natal do 2o andar de sua casa na avenida Transamazônica – depois a Pública saberia pelo chefe do 1o Cartório, Hildeberto Ferreira de Macedo, que todos os imóveis com segundo pavimento em Humaitá estão irregulares, embora também o atual vice-prefeito, Hedivânio Freitas, tenha declarado à Justiça Eleitoral, em 2008, um imóvel de dois andares; o imóvel de Vanazzi, de 600m2 de área e 256m2 de área construída foi declarado por R$ 665 mil à Justiça Eleitoral, em 2012, quando ele foi candidato a vereador pelo PT (ficou como suplente). O madeireiro, que já foi vereador (1989-1992), pelo PL, e vice-prefeito da cidade (1997-2000), pelo PRP, fala de uma “ditadura ambiental mundial”, que atrapalharia o manejo da floresta e a criação de gado. Conta que se formou técnico em contabilidade no Paraná, onde tinha 16 alqueires de terra, e que foi para o Amazonas em 1978. Ali plantou soja, teve uma concessionária de tratores e chegou a movimentar 300 toneladas de madeira por dia. Disse que chegou a ter 220 funcionários, mas em outro momento afirmou que já teve 804 salários para pagar. Um dia, conta, recebeu uma equipe de 27 fiscais, com 13 metralhadoras em uma operação da Polícia Federal. Ficou preso por crime ambiental durante alguns dias “por azar”, segundo ele: era final de ano e não aceitaram os recursos movidos por seus advogados. “A maior parte dessas áreas é da União”, reconhece. “Como vai conseguir licença ambiental em terra sem documento? Aquela terra não é tua”, diz. Ele conta que, quando chegou à Transamazônica, comprou uma terra de seis por oito quilômetros onde cortava a madeira com serra-fita. Ele e o irmão tinham 6 mil hectares quando o sertanista Apoenã Rodrigues, hoje falecido, lutava para ampliar a área da Terra Indígena. “Nós, 18 a 20 famílias, saímos de lá”. Vanazzi pegou malária 14 vezes. E comprou outras áreas. Hoje se orgulha de ter 370 mil árvores, em 1.007 hectares. “Somos o segundo maior projeto de reflorestamento da Amazônia”, diz. Ele dedica boa parte da entrevista à enumeração das possibilidades das árvores, frutos e sementes da região: jenipapo, “um espetáculo”, jaca, castanha, dendê. Licenciamento ambiental? “Não tenho, porque os órgãos não sabem legalizar”. E emenda: “O cara que compra açaí é pior que o madeireiro porque não tem fiscalização”. Sobre os Tenharim, Vanazzi tem opiniões fortes: “Vão ter de morar o resto da vida nas aldeias? Não sei se é revolução ou retardamento separá-los na aldeia. Não podiam legalizar umas vacas para os índios, em vez deles correrem atrás de anta, de veado?” Em seu escritório, diante de uma parede azul com infiltrações, Vanazzi aponta para um mapa antigo do Incra, que mostra as glebas em terras da União. O mapa traz as Florestas Nacionais, as Flonas, e as glebas – com centenas de milhares de hectares. No caso da Flona Humaitá, ele exclama, entusiasmado: “Isso aqui pode ser um pólo madeireiro!” Mas Nelson Vanazzi tem outros negócios, entre eles à frente do único loteamento legal em Humaitá: o Boa Vista, de uma incorporadora de Curitiba da qual é o procurador na cidade. Também comprou um espólio de 6.590 hectares, dos herdeiros de um seringal, na beira do Rio Madeira. Ele exibe um documento emitido pelo governo do Estado do Amazonas, em 1908. O madeireiro reclama de uma Terra Indígena vizinha, que teria ocupado parte de sua área. E conta que autoriza 130 famílias a ocupar outra parte dessa área, sob um contrato de arrendamento onde os moradores não precisam pagar nada. Ele apenas exige que preservem a floresta. Vanazzi tem esperança de ficar com as terras, embora o Incra de Humaitá avise que esses documentos emitidos pelo governo amazonense são irregulares. Sul do Amazonas: a bola da vez? O conflito na região se dá também com garimpeiros. Em junho de 2012, 20 pessoas foram presas no “180”, por fiscais (Ibama) e policiais militares do Batalhão de Policiamento Ambiental. A Operação Soberania flagrou-as tentando extrair ouro do local, conhecido como Garimpo de Ouro do 180. Dois meses antes, em Boca do Acre (AM), também na nova fronteira agropecuária, 40 policiais e 40 jagunços expulsaram 105 famílias do Seringal Macapá, reivindicando uma posse de terra. Total da área: 5.202 hectares. A denúncia foi feita pela deputada Janete Capiberibe (PSB-AP). O presidente da associação de extrativistas contou que as famílias saíram de lá só com a roupa do corpo: “Durante sete meses, as crianças choravam de fome e dormíamos no chão, com os cachorros”. Somente em Lábrea (AM), desde 2007, sete pessoas foram mortas por denunciarem os crimes ambientais e de propriedade da terra. Segundo a deputada, houve crimes idênticos em Manicoré e Humaitá, onde servidores da Secretaria de Patrimônio da União foram ameaçados e impedidos de cadastrar lotes de lavradores e ribeirinhos. “Uma demonstração de quanto o Estado precisa ser fortalecido na região”, concluiu ela. Um ano e meio antes dos recentes episódios em Humaitá, ela tentou convocar uma audiência para discutir os conflitos no sul do Amazonas. Seriam chamados os seguintes ministros: Gilberto Carvalho, Maria do Rosário e José Eduardo Cardozo. Mais o presidente do Incra, o presidente do Ibama, o secretário de Segurança Pública do Estado do Amazonas. A tensão, porém, persiste na região – e não só em Humaitá. No dia 2 de janeiro, a sede do Ibama estava aberta, após o feriado. Mas por ali só estava o segurança. Onde estava o gerente-executivo? De férias. E o substituto? Em Porto Velho. Não somente ele: todos tinham viajado para Porto Velho. No pátio, um trator e madeiras apreendidos. Leia a primeira parte da reportagem aqui. * Publicado originalmente no site Agência Pública.  


por Alceu Luís Castilho, para a Agência Pública
O novo governo do Bahrein presta juramento frente ao rei Hamad em novembro de 2010. Foto: Ministério de Relações Exteriores/cc by 2.0 Inter Press Service - Colunistas

Armas e atletas no Bahrein, o perigoso jogo de Al Khalifa

[caption id="attachment_106061" align="aligncenter" width="529"] O novo governo do Bahrein presta juramento frente ao rei Hamad em novembro de 2010. Foto: Ministério de Relações Exteriores/cc by 2.0[/caption]   Washington, Estados Unidos, janeiro/2014 – Funcionários do Bahrein anunciaram que frustraram “uma tentativa de fazer entrar no país, de contrabando e por mar, explosivos e armas, algumas fabricadas no Irã e na Síria”. O governo também assegurou que havia desativado um carro-bomba e confiscado armamento em diferentes pontos do país. O regime de Hamad bin Isa Al Khalifa afirma que está combatendo o terrorismo, o qual equipara, descaradamente, com os ativistas reformistas. O regime acusa o Irã de conspirar e orquestrar atos “terroristas” na ilha. Independente de se perceber o Irã como envolvido no contrabando de armas, é importante contextualizar esse último episódio. Primeiro, embora o Irã possa se beneficiar da contínua instabilidade no Bahrein, desde que este país ficou independente em 1971, Teerã não participou de nenhuma atividade para tirar do poder o sunita Al Khalifa. Entre 1970 e 1971, o então xá do Irã, Mohammad Reza Pahlevi, aceitou o plebiscito especial da Organização das Nações Unidas (ONU) no Bahrein, que derivou na independência do país. Desde sua queda, em 1979, sucessivos governos iranianos sob os aiatolás não questionaram a independência do Bahrein. Além disso, ao longo dos anos, a maioria dos xiitas do Bahrein buscou outros grandes aiatolás, árabes e não iranianos, como fontes de emulação. O partido político xiita Al Wefaq, acusado por alguns elementos dentro da família do governante Al Khalifa de ser um conduto para o Irã, apoiou de modo consistente uma reforma genuína por meios pacíficos. Os líderes do Al Wefaq, alguns deles tendo estudado e vivido no Irã nas últimas décadas, aprovaram a convocação do governo para um diálogo com a oposição, bem como a iniciativa do príncipe da coroa para a reforma e o diálogo. A resposta de Al Khalifa diante da posição pacífica do Al Wefaq foi prender seus dois principais líderes, Sheij Ali Salman e Khalil al Marzooq. Segundo, independente da campanha de relações públicas que o regime do Bahrein trava com o Irã, continua com suas prisões, seus julgamentos arbitrários e as condenações de cidadãos do Bahrein. Isso inclui médicos e outros profissionais da saúde, manifestantes pacíficos jovens e velhos, e mais recentemente também atletas. Seu único “pecado” é pertencer à maioria xiita em um país governado por um regime da minoria sunita. James Dorsey, da Escola S. Rajaratnam de Estudos Internacionais de Cingapura, detalhou em um artigo a grande quantidade de atletas, jogadores e campeões xiitas – no futebol, basquetebol, tênis, jiu-jitsu, ginástica, vôlei de praia e automobilismo –, que foram presos e condenados a prolongada prisão. Muitos desses esportistas, que procedem de Diraz e outras aldeias xiitas vizinhas, foram julgados de maneira precipitada e condenados por expressarem pontos de vista reformistas. Terceiro, em entrevista ao jornal Al Qabas, do Kuwait, o professor M. Cherif Bassiouni, que presidiu a Comissão Bareinita Independente de Investigação, expressou sua decepção porque o governo não implantou algumas das principais recomendações do informe. Para lembrar, o rei Hamad havia criado a Comissão e recebido e aceito, formal e publicamente, seu relatório final. Ninguém dentro do regime foi levado à justiça por suas ações ilegais e pelos crimes detalhados no informe da Comissão. Segundo Bassiouni, a falta de ação do governo sobre a recomendação causou sérias dúvidas dentro de “instituições da sociedade civil e de organizações de direitos humanos” sobre o compromisso do regime para com a reforma genuína. Quarto, o regime bareinita, com seu par saudita, atiça uma mortal guerra sectária no Golfo e em outras partes da região. Preocupa muito à família governante que, se o Irã concluir um acordo com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear, Al Khalifa fique marginalizado como ator no cenário do Golfo. Ao regime causa particular preocupação o fato de, como pequeno Estado insular com uma minúscula produção petroleira, o Bahrein poder se converter em um ator marginal da política regional e internacional. Corresponde ao regime de Al Khalifa saber que, se não conseguir trabalhar com seu povo para criar estabilidade no país, perderá sua posição em Washington e outras capitais do Ocidente. Enquanto isso maioria no Bahrein perde a confiança no regime, e não seria impensável que Arábia Saudita e outras potências regionais e internacionais, incluindo os Estados Unidos, considerem Al Khalifa um peso. A missão mais importante da Quinta Frota dos Estados Unidos, baseada no Bahrein, não é proteger o regime opressor de Al Khalifa. É funcional à estabilidade regional, às rotas marítimas estratégicas e a outros interesses mundiais dos Estados Unidos. Seu compromisso com Al Khalifa ou com o porto de Bahrein não é nem crucial nem irrevogável. Enquanto o regime do Bahrein continua sua campanha contra o Irã, deveria recordar que, se negando a se comprometer com a oposição amplamente pacífica por uma reforma significativa, criou um entorno favorável ao extremismo sunita e ao radicalismo antixiita. A história recente de proselitismo religioso intolerante nos ensina que um entorno desse tipo invariavelmente leva ao terrorismo. Esse é um fenômeno interno independente de as armas interceptadas procederem, ou não, do Irã. Também se deveria reconhecer que a crescente frustração entre os dissidentes fará com que parte da juventude se radicalize mais e recorra à violência. Se os regimes estão dispostos a destroçar seus países para permanecerem no poder, como parece estar fazendo a governante família Al Khalifa, o terrorismo interno será um resultado garantido. Atualmente vemos esse fenômeno na Síria, no Iraque e em outras partes. O Estado Islâmico da Síria e do Levante não surgiu do nada. O jihadismo sunita radical e intolerante, que Bahrein e Arábia Saudita estiveram impulsionando na Síria, e antes disso no Iraque, é o germe do terrorismo. E isso acabará tendo um preço. A sobrevivência do regime de Al Khalifa só será possível se a família governante deixar de jogar seu jogo de apartheid repressor e se comprometer com seu povo, com o olhar voltado para compartilhar o poder e em uma reforma genuína. O rei Hamad ainda tem a oportunidade de implantar as recomendações da Comissão de modo exaustivo e transparente. Pode reunir um grupo de destacados bareinitas, tanto sunitas como xiitas, e encomendar-lhes a redação de uma nova Constituição que inclua um parlamento nacionalmente eleito com plenos poderes legislativos e um sistema de controles sobre o Poder Executivo. Isto deveria ser feito logo, porque para o rei e sua família o tempo está acabando. Envolverde/IPS * Emile Nakhleh é ex-funcionário de Inteligência, professor da Universidade do Novo México e autor de A Necessary Engagement: Reinventing America’s Relations with the Muslim World (Um Compromisso Necessário: Reinventando as Relações dos Estados Unidos com o Mundo Muçulmano) e Bahrain: Political Development in a Modernizing Society (Bahrein: Desenvolvimento Político em uma Sociedade que se Moderniza).


por Emile Nakhleh*
Comunidade nos arredores de Brasília sem saneamento. Foto: Arquivo / ABr Sociedade

2014: o ano que pensa que já acabou!

[caption id="attachment_105597" align="alignleft" width="400"] Comunidade nos arredores de Brasília sem saneamento. Foto: Arquivo / ABr[/caption] Apesar da Copa do Mundo e das eleições, o Brasil que pretende ser relevante no novo século precisa seguir em frente com o trabalho necessário em saúde, educação e saneamento. Tem muita gente que acredita que o ano de 2014 está decidido, que faltam apenas alguns ajustes para que seus 12 meses se encerrem com missão cumprida. Copa do Mundo no Brasil, pensam, só pode ter título da seleção canarinho, e as eleições, acreditam, são favas contadas, a presidenta Dilma terá referendados outros quatro anos em Brasília. Um ano sem surpresas, gostam de crer alguns. No entanto, o tempo, o suceder dos dias, adora pregar surpresas nos mais incautos ou naqueles que colocam diante de si o desejo ideológico de que tendências sejam inexoráveis. Apenas para reflexão vale lembrar exemplos inefáveis onde a “lógica dos fatos” foi mandada às favas: Maracanã 1950, o Brasil inteiro se preparava para a maior comemoração de todos os tempos quando o pequeno Uruguai arruinou a festa! Em 1986 eu trabalhava na revista IstoÉ, durante o período em que a publicação pertenceu à Gazeta Mercantil, e corriam as eleições para prefeitos em todo o Brasil. Na disputa em São Paulo duas estrelas em confronto, o brilho ascendente do sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o saudosismo arcaico de Jânio da Silva Quadros. Entre os jornalistas, a certeza de que a modernidade venceria e que a cidade viveria um surto de inovações. Chegou-se a preparar uma capa com Fernando Henrique sentado na cadeira do prefeito. Tudo foi feito apenas se esperando que os fatos confirmassem o desejo. O resto já é história! Jânio ao assumir a prefeitura despejou uma lata de inseticida na cadeira usurpada por Fernando Henrique e São Paulo seguiu sua tradição de gestões equivocadas na prefeitura. Em rodas de conversas em diversos setores e escalões não se percebe muito otimismo em relação ao novo ano, por conta das duas efemérides, Copa do Mundo e eleições. Serão dois momentos de corte na normalidade da vida das pessoas, das empresas, das escolas e das organizações sociais. A mídia deverá lançar suas lentes e mentes sobre os dois acontecimentos, deixando de lado outros desafios que o Brasil e o mundo deverão encarar a sério. Pior, oportunistas podem aproveitar a distração dos gols e dos votos para mover à sombra os peões dos interesses escusos. Alguns podem pensar que sou contra a Copa ou as eleições, nada mais incorreto. O que eu realmente gostaria é que o foco das discussões estivesse sobre os legados desses eventos. O que as novas Arenas e as obras de apoio realmente vão deixar de benefícios para as cidades, que visão de urbanismo vai emergir desse grande evento. Muitas cidades ao redor do mundo conseguiram usar grandes eventos esportivos para transformar seu destino e o mesmo poderia ser feito por aqui. Repensar mobilidade, uso de arenas, modelos de desenvolvimento etc. No caso das eleições a coisa é ainda mais complexa, porque em ano de eleição presidencial muitos se esquecem que estarão em jogo outros cargos eletivos em todo o Brasil, como governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Ao todo os brasileiros deverão eleger cerca de 2050 deputados federais, estaduais e distritais, além de 27 governadores e 27 senadores. Mas é grande o risco de a mídia crescer o foco sobre as disputas majoritárias e se esquecer de acompanhar quem são os milhares de candidatos aos cargos de menos expressão na hora do voto, mas determinantes nas manchetes de escândalos. O “mensalão” talvez não fosse possível em um Congresso eleito com critérios. Roda pela internet um frase apócrifa, mas com boa mensagem para 2014: “Não é a política que produz ladrões, é o voto que transforma ladrões em políticos”. O Brasil que pretende ser relevante no novo século não pode deixar que eventos esportivos ou o exercício da normalidade democrática crie transtornos para a vida cotidiana. É preciso seguir em frente e manter o trabalho em agendas necessárias na saúde, na educação, no saneamento e em outras áreas. Há que se lembrar que apenas 100 municípios dos 5.570 existentes no Brasil já atingiram a universalização do saneamento básico com coleta e tratamento de esgotos. Há temas que não podem ser abandonados, como a ampliação do número de profissionais de saúde em todas as cidades, questões relevantes para a infância e juventude, o sistema prisional que está entre os mais indigentes do mundo, a melhoria do ensino público com foco na necessidade de profissionais qualificados em todas as áreas etc. Uma lista de desejos e tarefas para 2014 certamente não teria fim! * Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde e especialista em meio ambiente e desenvolvimento sustentável.


por Dal Marcondes, da Envolverde

Página 26 de 151« Primeira...1020...2425262728...405060...Última »
Para enviar sua dica ou opinião, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Dica/Opinião

agenda

XII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste

data 04/11/2014 até 07/11/2014
XII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste

data 04/11/2014 até 07/11/2014

dica de
sustentabilidade

anterior | próxima
Reduza o consumo de papel. Imprima na versão frente e verso.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras
Utilize a água usada na lavadora de roupa para lavar o chão da área de serviço, do quintal e da cozinha.
Utilize sabão ou detergente biodegradável, que não poluem os rios porque se decompõem mais facilmente.
Evite a geração de lixo e a produção desnecessária de produtos. Cancele as correspondências que você não lê.
Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
Economize. Permanecer 15 minutos com a mangueira aberta pode gastar até 280 litros de água.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Prefira tecnologias limpas e de baixo consumo energético.
Diminua custos de limpeza, adotando produtos biodegradáveis e receitas caseiras

imagem do dia

|
Para enviar sua imagem, preencha o formulário abaixo:

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Arquivo

Observações

 
casa-ecod

Casas “Earthships” são construídas com pneus e outros materiais recicláveis. Saiba mais aqui.

canoada

Canoada Bye Bye Xingu abre faixa de protesto em frente à barragem de Belo Monte: Desenvolvimento sim, de qualquer jeito não!

canoada

Foi dada a largada para a canoada Bye Bye Xingu. Serão 100 km percorridos em uma paisagem do Rio Xingu que será definitivamente transformada quando Belo Monte entrar em operação. Saiba mais aqui.

papelao

Caixa de papelão vira mochila e mesa na Índia. Saiba como aqui.

veg1-ecod

“Açougue vegetariano” que cria alternativas à carne faz sucesso na Holanda. Saiba mais aqui.

urina

Modelo de banheiro público transforma urina em fertilizante. Saiba como aqui.

urina

Modelo de banheiro público transforma urina em fertilizante. Saiba como aqui.

obradearte_consumo_final

Obra de arte que chama atenção para o consumo responsável está exposta no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, durante a Virada Sustentável 2014.

Foto: Elisabeth Bertaglia

Chinchilas que “virariam” casaco de pele são libertadas por co-criador dos Simpsons. Saiba mais aqui.

EcoD

Primeira bicicleta elétrica feita com madeira de reflorestamento. Fonte: EcoD.





Copyright © 2009 Envolverde. Todos os direitos reservados.