Consciência negra, para feministas brancas

Sociedade

Consciência negra, para feministas brancas


por Marília Moschkovich, para a coluna Mulher Alternativa


[caption id="attachment_103217" align="alignleft" width="300"] Foto: Divulgação/ Internet[/caption] Desde cedo entendi o que era o racismo. Filho de uma mãe um tanto racista, numa família racista de negros, mulatos e descendentes de espanhóis, meu pai — de pele bem branca, olhos azuis e cabelo bem cacheadinho — fazia questão de pontuar que todos eram iguais e se horrorizava com o racismo. Minha mãe, nascida de uma mistura de europeus diversos e indígenas, sempre reforçava atitudes anti-racistas e criticava abertamente indivíduos e comportamentos discriminatórios. Quando comecei a me envolver em movimentos sociais, na adolescência, descobri o movimento negro e suas mais do que legítimas reivindicações. Só recentemente, porém, depois de muitos anos de militância, compreendi que talvez meu papel principal, nessa luta, seja mais óbvio e muito mais difícil do que eu imaginava: me reconhecer branca. Quando nascemos, nós, pessoas de pele e fenótipo socialmente lido como “brancos” (doravante aqui denominados apenas “brancos”, pra facilitar a leitura) somos ensinados que existem pessoas negras. Somos ensinados que têm a pele diferente da nossa. Em todas as formas de transmissão de cultura — escola, televisão, conversas em família, entre outros — a cor da nossa pele nunca é tratada como uma questão. É como se não tivéssemos cor. Nesse pensamento está baseada a expressão racista “pessoa de cor”, que pressupõe que nós brancos e brancas não temos cor. Sem perceber, passamos a vida acreditando verdadeiramente nessa mentira. Quando conseguimos alguma coisa, não associamos a conquista à nossa identidade ou classificação racial, mas a um mérito individual que simplesmente não existe. Isso não quer dizer que nenhum de nós brancos sejamos bons no que fazemos, calma aí. Significa apenas que uma pessoa negra tão boa quanto, ou melhor, ficou de fora na seleção em que nós passamos. Por diversos motivos. Foi quando tomei contato com o feminismo negro de Patricia Hill Collins e Bell Hooks que tomei consciência (não, não é um trocadilho) desses motivos. Estes são alguns deles: Eu nunca fui tratada por meus professores e professoras como um projeto de bandida, rainha de bateria ou faxineira; aprendi daí que a escola era mesmo o meu lugar. Nunca precisei passar por processos dolorosos e tóxicos para adequar meu cabelo às exigências de qualquer empregador sob a ameaça de passar fome; aprendi daí que meu cabelo não precisa ser corrigido. Fui tratada como mãe das crianças brancas de que cuidei como baby-sitter; aprendi daí que eu não precisava realizar nenhuma outra tarefa doméstica que não fosse cuidar das crianças. Nas novelas, filmes, revistas e outras mídias que constroem o imaginário popular e as nossas identidades e anseios, sempre havia personagens como eu, brancas, que tinham sucesso profissional em diversas áreas; aprendi daí que eu podia ser o que quisesse. Na escola e em todos os espaços públicos, especialmente naqueles em que frequentavam majoritariamente ou exclusivamente mulheres, sempre me senti confortável e incluída e sempre me deram a palavra; aprendi daí que eu podia e devia falar sempre que desejasse. Em espaços domésticos, as pessoas que desempenhavam funções de serviço pesadas como empregada doméstica mensalista, muitas vezes mal pagas e em condições de vida deploráveis, não eram do meu bairro, não eram minhas vizinhas, não eram minhas parentes; aprendi que aquilo não era pra mim. As revistas de moda e cabelo sempre tinham diversas sugestões e opções de maquiagem, penteados e cortes que se adaptavam facilmente aos meus tons de cabelo e pele, segundo as regras iluminadas dos editoriais; aprendi daí que eu sou normal, que eu sou a regra, o fiel da balança, o neutro pelo qual de deve medir os demais. Construída nessa e em outras situações, minha identidade racial ficou escondida. Toda a sociedade me dizia que “raça” simplesmente não era uma questão que me tangia. O gênero sim, já que como mulher eu estava do lado oprimido. Sendo branca, então, eu realmente acreditava que não tinha nada a ver com a discussão racial, exceto para defender “elas”, as mulheres negras. Daí que um dia elas gritaram. Apontaram minha raça e eu, em minha ignorância racista, que como sociedade acabamos por desenvolver de maneira doentia em todas as pessoas brancas deste país, me senti ofendida. Eu não gostava de ser lembrada de que era branca. Dizia inclusive que isso seria racismo. Era muito mais fácil acreditar que tudo que eu tinha conseguido tinha sido por mérito próprio. Que eu, mulher, não podia jamais ocupar o lugar de opressora nesta sociedade. Era o esquema perfeito: me colocava enquanto vítima e recusava deliberadamente a função de algoz. Conforto pouco é bobagem. Depois de espernear, me lembrei de um debate sobre cotas na época do ensino médio. Eu era, então, contra as cotas raciais. Meu melhor amigo — também ligado à militância de movimentos sociais — me disse uma das coisas mais interessantes que eu já ouvi sobre políticas públicas: “Estou do lado dos fodidos, Marília. A gente tem que estar do lado dos fodidos”. Nós, que nem fodídos éramos. Ele, que tinha olhos azuis e sobrenome italiano. Decidi ouvir o que as fodidas tinham a me dizer, pelo afeto que nutro por essa figura branca (sim, racista também isso). Botei o ego de lado. Pisei fora da zona de conforto, do meu esquema explicativo perfeito de mártir (existe feminino de mártir?). Escutei a Hill Collins. Reli Alice Walker. Fui atrás da Rosa Parks. Pesquisei Nina Simone. Me enfiei na história dos Panteras Negras. Assisti de novo Mississipi em Chamas, Uma Outra História Americana, tudo que eu tinha do Spike Lee. Me inscrevi em feeds de sites e blogs brasileiros sobre racismo e identidade racial – esses que antes eu sequer acessava, já que “não eram dirigidos a mim”, pela mesma visão limitada de quem acha que, sendo branco, não tem nada a ver com o dia da consciência negra. Peguei o Darcy Ribeiro da estante. Quase vomitei com a memória de tudo aquilo que meu cérebro havia, de forma traiçoeira, relegado “aos outros” quando aprendi na escola. Não eram os outros. Era eu. Nas páginas de Casa Grande e Senzala, eu era a moça na liteira. Eu era o personagem de Di Caprio em Django Livre, ou era também o branco salvador da pátria (ou pior, dos negros) interpretado por Chirstopher Waltz — ambos essencialmente racistas. Eu era a sinhá que eu tanto desprezava nas novelas de época. Eu era a imigrante italiana da novela, cujos descentes puderam acreditar no mito do mérito, já que sua cor de pele lhe dava contrato, trabalho assalariado, possibilidade concreta de compra de terras e direito de frequentar escolas, o que não era assegurado às populações negras na mesma época. Eu era, enfim, de volta ao século XXI, a moça que podia andar na rua sem ser abordada pela polícia. Que sabia que, a qualquer sinal de problema, chamar a polícia representava mais risco ao outro do que a mim mesma. Era eu, a moça feminista que não entendia por que “tanto escarcéu” das feministas negras, já que eu não era racista. Que tinha o privilégio racial mais imenso e cruel de poder ignorar a própria racialidade, e fingir que o racismo não existe enquanto ele feria minhas convicções e meu conforto como militante. Demorei meses, mas vocês têm um dia pra tentar: não dê parabéns a ninguém em 20 de Novembro, como pedimos que não nos deem rosas no dia 8 de Março. Use seu tempo para contribuir com a luta antirracista de maneira extremamente mais eficaz: reconheça-se branca, cale-se pela primeira vez na vida e escute o que as mulheres negras têm a dizer. PS.: esse texto, como escrito a partir da experiência de gente branca, necessariamente apresentará alguns racismos sutis; peço desculpas de antemão por eles e espero que possa, no diálogo com minhas companheiras negras, corrigi-los em breve. PS2.: escrever esse texto e provocar a discussão pública sobre privilégio racial branco não é um ato de heroísmo, nem de coragem: é o mínimo que precisa ser feito por pessoas brancas na luta antirracista. PS3.: os dois vídeos abaixo colocam em cheque o privilégio racial que nós brancos fingimos não ver; divirtam-se. * Marilia Moschkovich é socióloga, militante feminista, jornalista iniciante e escritora; às segundas-feiras contribui com o Outras Palavras na coluna Mulher Alternativa. Seu blog pessoal é www.mariliamoscou.com.br/blog. ** Publicado originalmente no site Outras Palavras.

Foto: http://bit.ly/18mtvxA Sociedade

Ganância, impunidade e pobreza: tripé que sustenta o trabalho escravo

[caption id="attachment_103180" align="alignleft" width="300"] Foto: http://bit.ly/18mtvxA[/caption] “A manutenção do trabalho escravo é consequência de um tripé: ganância, impunidade e pobreza”, diz o jornalista e cientista político, Leonardo Sakamoto. A possível aprovação do Projeto de Lei 432/2013, que regulará a PEC57A, conhecida como a PEC do trabalho escravo, prevista para quarta-feira, tem gerado polêmica entre as entidades que defendem a Proposta de Emenda à Constituição. De acordo com o jornalista Leonardo Sakamoto, há um equívoco no PL 432/2013, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR). “Segundo tal proposta, o confisco de terras se daria simplesmente por conta de parte dos elementos que constituem o trabalho escravo, ou seja, cerceamento de liberdade e trabalho forçado. Mas a proposta ignoraria outros elementos que estão previstos na definição de trabalho escravo no Brasil: a dignidade do trabalhador, as condições degradantes de trabalho e a jornada exaustiva”, explica, em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone. Sakamoto esclarece que “a bancada ruralista nunca gostou do conceito de trabalho escravo, especialmente no que se refere à questão da dignidade do trabalhador. Uma vez mudando a regulamentação para este PL, a bancada irá utilizar esse conceito aprovado para a regulamentação como justificativa para mudar o conceito geral do trabalho escravo no Brasil. Por isso ela é preocupante: pelo que causa num primeiro momento e pelo que pode vir a causar em um segundo momento”. E acrescenta: “A grande discussão é como fazer a aprovação da regulamentação sem voltar atrás nesse conceito, utilizando um conceito que já está previsto na legislação”. Leonardo Sakamoto é jornalista graduado pela Universidade de São Paulo - USP, onde também realizou mestrado e doutorado em Ciência Política. É coordenador da ONG Repórter Brasil e representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo - Conatrae. Também escreveu Trabalho escravo no Brasil do Século XXI (Brasília: Organização Internacional do Trabalho, 2006). Confira a entrevista: IHU On-Line - Em que medida a aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS 432/2013) regularia a PEC57A? Leonardo Sakamoto - A ideia do projeto é regulamentar a PEC57A/99. A maioria das emendas constitucionais precisa de um projeto e de um regulamento que digam como ela vai funcionar. Então, um projeto de lei já era previsto, porque sem PL a PEC não funciona. O problema não é a regulamentação existir, o problema é o jeito como ela foi estruturada. Tal estruturação pode gerar um retrocesso no combate ao trabalho escravo. A discussão é referente ao jeito como o senador Romero Jucá – que ficou como relator da comissão mista formada para discutir a regulamentação da proposta da emenda constitucional 57A/99 – colocou a discussão. Segundo tal proposta, o confisco de terras se daria simplesmente por conta de parte dos elementos que constituem o trabalho escravo, ou seja, cerceamento de liberdade e trabalho forçado. Mas a proposta ignora outros elementos que estão previstos na definição de trabalho escravo no Brasil: a dignidade do trabalhador, as condições degradantes de trabalho e a jornada exaustiva. Então, não só a Comissão Pastoral da Terra - CPT, mas a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG e outras dezenas de Instituições e entidades da sociedade civil estão apontando que, do jeito que a proposta de regulamentação está, considera apenas os elementos ligados à liberdade do trabalhador e ignora os elementos relacionados à dignidade. Portanto, a PEC pela qual se lutou tanto desde 1995 poderá ser um grande retrocesso. IHU On-Line - Como o PL redefine o conceito de trabalho escravo previsto no Código Penal? Leonardo Sakamoto - A regulamentação, para efeito dessa lei, considera metade do artigo 149 do Código Penal, que define o que é trabalho escravo. O artigo 149 do Código Penal define trabalho escravo a partir de quatro elementos definidores. A regulamentação proposta pelo senador Romero Jucá considera apenas os dois primeiros elementos e ignora os outros dois. Isso muda a concepção para trabalho escravo no Brasil? Não, não muda. O que muda é o preceito da PEC. A bancada ruralista nunca gostou do conceito de trabalho escravo, especialmente no que se refere à questão da dignidade do trabalhador. Então, uma vez mudando a regulamentação para este PL, a bancada irá utilizar esse conceito aprovado para a regulamentação como justificativa para mudar o conceito geral do trabalho escravo no Brasil. Por isso ela é preocupante: pelo que causa num primeiro momento, e pelo que pode vir a causar em um segundo momento. IHU On-Line - Esta PEC57A está tramitando no Congresso há quase 15 anos. Que mudanças foram feitas na proposta desde então? Leonardo Sakamoto – Em 1995, a PEC foi apresentada no Senado pelo Deputado Paulo Rocha. Aí o projeto tramitou na Câmara, mas sem muito sucesso, até que foi proposto um projeto muito semelhante no Senado. Esse projeto tramitou e foi aprovado em dois turnos no Senado na década passada, então voltou para a Câmera dos Deputados para que fosse votado em dois turnos e aprovado. Contudo, o texto ficou parado. Em 28 de janeiro de 2004 ocorreu o que ficou conhecido como a chacina de Unaí, quando quatro funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego foram mortos em uma fiscalização de rotina no Noroeste de Minas Gerais. O caso de Unaí, que teve repercussão nacional e internacional, serviu para forçar o trâmite da PEC. Então, ela foi aprovada, na Câmera, em primeiro turno, e sofreu uma modificação. Antes, era previsto apenas o confisco dos imóveis rurais e sua destinação para reforma agrária, entretanto, foi acrescentada a destinação de imóveis urbanos para programas de moradia popular. De agosto de 2004, quando foi aprovada, até maio de 2012, a PEC ficou transitando na Câmara. Em 2012 finalmente foi aprovada em segundo turno na Câmara e voltou para o Senado. Nesse retorno ao Senado, ficou combinado que seria criada uma comissão mista para discutir um projeto de regulamentação da PEC para que, no momento em que ela fosse aprovada, tivesse um projeto para regulamentá-la. Os ruralistas começaram a fazer jogo de palavras, começaram a falar que tinha sido combinado discutir o conceito de trabalho escravo, o que não é verdade. Também queriam aprovar a regulamentação antes de aprovar a PEC, o que tecnicamente é impossível, porque não se pode regulamentar algo que não existe. Então, foi criado o PL da regulamentação, o qual está previsto para ser votado no Senado Federal juntamente com a PEC do trabalho escravo, na próxima quarta-feira. Tentou-se, na semana passada, no Senado, colocar a votação da regulamentação antes da PEC. Muitos senadores se insurgiram, acharam isso um absurdo e, portanto, a regulamentação será votada depois da PEC. O ponto é que muitos senadores já propuseram emendas à proposta de regulamentação; tem mais de 50 emendas à proposta de regulamentação. Inclusive o governo federal, junto com sua base, já tem uma proposta de emenda substitutiva total, que substituiria a sugestão do Romero Jucá por outra regulamentação que inclua todos os elementos caracterizadores de trabalho escravo. A grande discussão é como fazer a aprovação da regulamentação sem voltar atrás nesse conceito, utilizando um conceito que já está previsto na legislação. IHU On-Line - Que razões favorecem a continuidade do trabalho escravo no país? O que caracteriza o trabalho escravo contemporâneo? Quem são os atores envolvidos nesta prática? Leonardo Sakamoto – A manutenção do trabalho escravo é consequência de um tripé: ganância, impunidade e pobreza. O trabalho escravo não é decorrência da maldade do coração humano, mas é decorrência de um cálculo econômico de cortar custos visando ao aumento da competitividade. A impunidade é outro fator que contribui, uma vez que há certeza de que as pessoas podem usar trabalho escravo e raramente irão para a cadeia. A pobreza, a falta de oportunidades, a má qualidade de vida faz com que as pessoas acabem caindo na rede de gatos, fazendeiros, empresários, que, no intuito de cortar custos, acabam utilizando essa forma de exploração. O trabalho escravo, gosto de fazer esta analogia, não é uma doença, mas é um sintoma, é um indicador de que algo não está bem, ou seja, de que há um modelo de desenvolvimento extremamente excludente, concentrador. Para combatê-lo é preciso fazer a reforma agrária, gerar empregos, melhorar a qualidade de vida das pessoas, atuar na melhoria da situação dos trabalhadores em geral, atuar na formação dos trabalhadores, no desenvolvimento social, punir efetivamente, aprovar leis que ajudem na punição das pessoas que utilizam o trabalho escravo. O Brasil é uma referência para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, é uma referência para a Organização Internacional do Trabalho, para outros países no que tange ao combate ao trabalho escravo, mas ainda temos muito a avançar nesta questão. IHU On-Line - Quais são as principais rotas de aliciamento de trabalhadores no Brasil? Há dados de em quais estados esta atividade é mais recorrente? Leonardo Sakamoto – Existem rotas internas de Norte a Sul, de Leste a Oeste. O estado que tem o maior aliciamento de trabalhadores escravizados é o Maranhão, o segundo Estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano - IDH do Brasil, e com péssimos índices de renda. Em contrapartida, o principal estado que utiliza mão de obra escrava é o Pará, mas nos últimos tempos São Paulo também está despontando como grande mediador de trabalho escravo, justamente pelo aumento de fiscalizações urbanas no Pará e no Maranhão. Há muito trabalho escravo na pecuária, nas siderúrgicas, e em São Paulo tem trabalho escravo em oficinas de costura, que costuram para grandes marcas, e na construção civil. Tem uma série de rotas, mas o que importa é que as pessoas aliciadas saem de áreas pobres para áreas que estão entrando em expansão. IHU On-Line - Qual a relevância da Lista Suja do trabalho escravo, atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República? Leonardo Sakamoto - Hoje ela é um dos principais instrumentos brasileiros de combate ao trabalho escravo. Ela foi criada em 2003 e traz o nome dos empregadores flagrados como reutilizando mão de obra escrava, e que tiveram direito de se defender em primeira e em segunda instância administrativa. Então, a Lista Suja é um instrumento de transparência importantíssimo, que tem servido aos trabalhadores do Brasil, mas também ao sistema econômico empresarial, porque os empresários acabam utilizando a lista - apesar do Ministério do Trabalho não obrigar - no sentido de se precaver, de fazer gerenciamento de risco, de evitar parcerias com empresas que utilizam trabalho escravo. A Lista Suja é reconhecida internacionalmente como um grande instrumento de combate ao trabalho escravo, e no Brasil ela acabou ajudando muitos trabalhadores, porque ao cortar produtores que se utilizam desse tipo de exploração, você está forçando não apenas aquele produtor a se adequar, mas também todos os produtores que trabalham em volta a seguir a lei e a adotar critérios responsáveis, como o trato com seus funcionários. A Cosan, quando entrou na lista, caiu mais de 5% na Bolsa de Valores de São Paulo. A MRV, que é uma grande construtora, quando entrou na lista, também caiu na Bolsa de Valores, porque o mercado está se precavendo. Bancos públicos federais também não emprestam dinheiro para quem está na lista. IHU On-Line - Deseja acrescentar algo? Leonardo Sakamoto – É importante as pessoas acompanharem a atuação dos senadores. As pessoas esquecem em quem votam. É importante que os cidadãos enviem e-mails para os senadores cobrando que a PEC do trabalho escravo seja aprovada, que a regulamentação seja aprovada sem extorsão. Essas ações podem ter um retorno positivo e isso ajudará muito nesse processo de aprovação da PEC57A. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.  


por Redação do IHU On-Line
Foto: Reprodução Sociedade

Ensinamentos de uma aranha

[caption id="attachment_103193" align="alignleft" width="320"] Foto: Reprodução[/caption] Na semana passada vi uma pequena aranha tranquila, tecendo suas teias na parede lateral do banheiro do meu habitat. Meu primeiro impulso foi matá-la, mas pensei, por que fazê-lo se ela não é venenosa e veio me visitar? Nos dias seguintes estabeleci certa empatia pelo animal que parecia estar flutuando no ar, sem se mexer, sem nada manifestar, sem me causar qualquer incômodo. Eis que no feriado de 15 de novembro o pintor deu duas demãos de tinta do teto e depois que ele saiu constatei o desaparecimento da minha visitante. Confesso que fiquei um pouco triste, mas me convenci que a qualquer momento isso iria ocorrer. Para a minha surpresa, no final daquele mesmo dia ela reapareceu, no mesmo lugar. Fiquei aliviado, pois havia deduzido que o Celso, zeloso que é por limpeza, tinha matado a aranha. Nada disso, com o intuito de proteção, ao perceber uma movimentação diferente no recinto, ela fugiu não sei para onde e só retornou quando a situação estava segura. Ao revê-la pendurada nos fios quase invisíveis, me tranquilizei. Entretanto, o retorno durou pouco. Dois dias depois ela decidiu sumir de vez, sem deixar qualquer sinal. Vai ver que o seu período de experiência por aqui venceu e ela foi procurar outras paredes. Em uma das noites lembrei-me de um pequeno trecho do Rock das Aranhas, a famosa canção eternizada pelo nosso querido “Maluco Beleza” Raulzito, para sempre Seixas. Nesta segunda-feira quase meia noite, esse legítimo exemplar de arachnida me fez atentar para um sentimento de que todos os seres vivos têm significado nessa existência. Se assim é com os animais, imagine a importância que cada um de nós, seres humanos, tem. E como disse um dia Caetano Veloso, “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Gente é para se respeitar, se valorizar, e para viver dignamente, respeitando as diferenças e valorizando as diversidades, sem racismos nem preconceitos. Por aqui, fico. Até a próxima. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


por Leno F. Silva*
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COP19: Tapete vermelho para o setor privado

Fundos prometidos em reuniões anteriores da Convenção Clima não têm recursos para financiar o investimento necessário em mitigação e adaptação às mudanças climáticas nos países pobres. Já empresários do setor do carvão patrocinam a conferência na Polônia. Choca ver grandes emissores de gases causadores do efeito estufa patrocinando uma conferência sobre mudança do clima da ONU. Mas a vontade dos anfitriões poloneses em fazer uma ponte com o mercado de carvão – do qual o país é um expoente – é apenas a ponta do iceberg de uma receptividade que vai mais além. Da Austrália aos Estados Unidos, passando por uma hesitante União Europeia, são muitos os países que estão acenando às empresas, na esperança de que estas paguem a conta das mudanças climáticas. O discurso mais contundente veio, obviamente, do negociador-chefe dos Estados Unidos, Todd Stern, em evento realizado em outubro em Londres, onde ele reafirmou a posição norte-americana de contar com mais dinheiro do setor privado. Essa posição acaba de ser reforçada pela Austrália: segundo a mídia local, o país não fará novos compromissos financeiros. Estudo da Oxfam divulgado esta semana mostra que nada menos que 24 países desenvolvidos ainda não confirmaram aportes para o clima este ano. Para 2014, a situação é ainda pior, uma vez que as nações responsáveis por 81% do fundo de curto prazo anunciado em Copenhague, na CoP-15, não divulgaram qualquer cifra. Segundo a pesquisa, não é por falta de dinheiro que as negociações climáticas podem enfrentar um impasse: entre 2001 e 2005, os países desenvolvidos desperdiçaram entre US$ 55 bilhões e US$ 90 bilhões por ano com subsídios aos combustíveis fósseis que deveríamos estar substituindo por energias limpas. Enquanto isso, os recursos dos países desenvolvidos destinados ao clima alcançam apenas US$ 7,6 bilhões em 2013, valor que já expurga empréstimos a serem devolvidos. Nas negociações climáticas, os anúncios de ajuda financeira somam apenas US$ 8,3 bilhões. Ou seja, “a pergunta de 100 bilhões de dólares” continua na mesa sem uma resposta clara. O fundo de curto prazo, anunciado na COP-15, e cujo período de validade se encerrou no ano passado, mostrou bem como recursos de toda origem e natureza podem receber uma dupla contabilidade. Já há quem diga que os recursos anunciados naquela COP para o período de 2015 a 2020, de outros US$ 100 bilhões por ano, nada mais são que uma distração, pois se aplicados os mesmos critérios contábeis dos recursos de curto prazo, eles serão, em boa parte, uma peça de ficção. Os países em desenvolvimento precisam de um mapa claro e um cronograma previsível sobre o tipo e o montante dos recursos climáticos com os quais podem contar. Isso é crucial para o planejamento e priorização de ações de adaptação e mitigação. Mas é justamente dos países em desenvolvimento que vem a maior resistência à inclusão oficial dos recursos privados na contabilidade climática da ONU. O raciocínio é simples: investimentos privados seguem a lógica do mercado e, portanto, deixarão de fora tudo que não for lucrativo. Países em desenvolvimento que não são mercados de consumo atrativos sabem bem como essa lógica é perversa e, por isso, são totalmente contra esse expediente. Só que um entendimento e compromisso sobre as “finanças para o enfrentamento das mudanças climáticas” é um dos pontos onde Varsóvia não pode falhar. Na COP-17, em 2011, as partes decidiram iniciar um programa de trabalho sobre finanças de longo prazo no ano seguinte. O objetivo era progredir na mobilização dos US$ 100 bilhões ao ano até 2020 para ações de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento. Veio a COP-18, no ano passado, e, com ela, o relatório desse grupo de trabalho, com pontos de convergência e recomendações. As decisões, no entanto, ficaram para este ano. Não por acaso, o primeiro Fóssil do Dia – prêmio que as organizações não governamentais que acompanham as negociações entregam aos dinossauros que mais atravancam as negociações – foi para a Austrália, por sua recusa em contribuir financeiramente. Vamos torcer para que o constrangimento causado pela premiação iniba outros negociadores a seguir o caminhos dos ‘aussies’. * Délcio Rodrigues, especialista em mudanças climáticas, e Silvia Dias, membro do Conselho Deliberativo / Vitae Civilis.


por Délcio Rodrigues e Silvia Dias*
catador Sociedade

Os catadores reciclam materiais sólidos e pessoas

  Dos dias 28 a 30 de outubro celebrou-se em Brasília o ‘12º Festival Lixo e Cidadania: reciclando por um mundo melhor’. Aí estavam mais de mil catadores de material reciclável,  extraído dos lixões das cidades, vindos de todas as partes do país. Eu pude participar emocionado, pois, por muitos anos, acompanhei catadores do grande lixão de Petrópolis. Vendo aquela multidão enchendo uma sala imensa, se abraçando, se conhecendo pela primeira vez ou se reencontrando, alegres e festivos em suas roupas singelas, a grande maioria afrodescendente, eu me perguntava: Quem são esses? De onde eles vêm? E me pareceu escutar uma voz interior, igual aquela do livro do Apocalipse, capítulo 7,13 que diz: “Estes são aqueles que vêm da grande tribulação”; os sobreviventes da onerosa batalha pela vida, honrados porque corajosos e vitoriosos porque enfrentaram, muitas vezes, sozinhos árduas lutas para ganhar o próprio sustento e de suas famílias. No Brasil, existem entre 800 mil a um milhão de catadores/as de materiais sólidos e recicláveis. Com o aumento do consumo são gerados muitos resíduos de todo tipo, orgânicos e sólidos como papelão, plásticos, alumínio e vidros que são recicláveis. Calcula-se que cada brasileiro produz 1 kg de lixo por dia, particularmente nos centros urbanos. Segundo o IBGE de 2008, 50% dos municípios (5.507) possuem lixões a céu aberto. Aí, milhares de pessoas, de crianças a idosos catam o que podem, inclusive alimentos. Essa atividade é altamente perigosa, pois está sujeita a doenças infectocontagiosas. Tenho assistido a disputa de pessoas entre porcos e urubus, num cenário de grande desumanidade. É a consequência de uma sociedade do consumismo e do desperdício e que não aprendeu a viver os quatro erres: reduzir, reusar, reparar e reciclar. A desumanidade maior não é serem catadores/as e terem que se contentar com aquilo que é jogado fora por outros. É o estigma que acompanha estes trabalhadores, não raro, considerados mendigos e vadios. Primeiramente, eram totalmente invisíveis. Ninguém os olhava e lhes dava qualquer consideração. Depois com o crescer da consciência, compareceram como trabalhadores que com sua coleta de milhares de kg de resíduos, exerciam uma função ambiental importante: mantinham limpas as cidades e impediam muitos alagamentos de ruas. Por fim foram se organizando em cooperativas e associações e se entenderam como cidadãos e agentes de transformações sociais e ambientais. Ganharam visibilidade e reconhecimento. De 4-6 de junho de 2001, realizaram em Brasília o 1º Congresso Nacional dos Catadores/as com a participação de 1.600 pessoas. Ai se lançou a Carta de Brasília, que marca sua identidade e se elencam importantes reivindicações. Notável foi a Marcha em Brasília em 2006 com 1.200 pessoas que ocuparam a Praça dos Três Poderes, cobrando direitos e políticas públicas para a categoria. Estas vieram com o Programa Cataforte, em 2009, que foi enriquecido no dia 31 de julho de 2013 com 200 milhões de reais destinados a empreendimentos de catação de materiais recicláveis, com galpões e caminhões de transporte. Tais medidas, junto com a pressão das entidades, em boa parte, se deve ao interesse pessoal do Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que sempre se empenhou pela causa dos catadores/as. Em Brasília, no dia 30 de outubro de 2013, por ocasião do 12º Festival Lixo e Cidadania em seu nome e da Presidenta Dilma Rousseff renovou o compromisso de fortalecer as cooperativas e associações de catadores/as criadas e a serem criadas. Notável foi o 4º Festival realizado nos dias 5-9 de setembro de 2005 com a presença do Presidente Lula e da Danielle Mitterand, viúva do falecido Presidente francês, enfatizando seus direitos humanos básicos e o provimento dos recursos necessários para um trabalho decente e seguro de catação. Foi ai que a Itaipu Binacional lançou um carro elétrico para catadores/as com capacidade de transportar até três toneladas de materiais durante 8 horas diárias. A grande luta destes trabalhadores é impedir que grandes empresas que descobriram a catação como um negócio altamente rentável e em associação com o poder público se apropriem dos serviços deles, roubando-lhes o ganha-pão e lançando-os novamente na inseguridade. As empresas só se legitimam se incluírem os catadores/as, sem tirarem os valores que os caracterizam como a convivência solidária e os laços de pertença comum que desenvolveram. Eles vêm, sim, da grande tribulação brasileira. Reciclam não apenas materiais sólidos, mas pessoas, na medida em que juntos constroem sua autonomia, resgatam sua dignidade, se inserem na sociedade como verdadeiros “profetas da ecologia” e cidadãos que pensam, discutem seus problemas, decidem lutas comuns e se fazem indispensáveis no tipo de sociedade que criamos. Merecem respeito, apreço e todo o apoio. * Leonardo Boff é filósofo, teólogo, escritor e comissionado da Carta da Terra. ** Publicado originalmente no site Mercado Ético. 


por Leonardo Boff*
Foto: Reprodução/ Internet Sociedade

COP19: O planeta das futuras gerações

Hoje eu recebi um convite bacana e inesperado. A Youngo, que é o grupo jovem da ONU, dentro da COP me convidou para participar de uma de suas intervenções, sobre o direito das futuras gerações em relação ao Planeta, uma vez que sou mulher e estou grávida. Sempre depois das reuniões de negociação, a Youngo e outras organizações da sociedade civil têm dois minutos de fala. Então, pediram que eu lesse a carta abaixo e, ao final, colocasse uma fita na boca, buscando sensibilizar os participantes para o fato de que as gerações futuras não têm voz durante as negociações. E parece que foi efetiva em chamar a atenção: muita gente se aproximou de mim para me ver ler a carta, mesmo com transmissão por vídeo e microfone, muitos tiraram fotos também e alguns vieram falar comigo ao final. A intervenção aconteceu ao final da reunião do ADP (Protocolo Durban). Esse protocolo está sendo desenvolvido para substituir o Protocolo de Kyoto, uma vez que esse perdeu sua validade. O objetivo é que o novo documento seja seguido por todos os países e que esteja pronto até 2015, para entrar em vigência a partir de 2020. Muitas organizações, assim como a Youngo, estão lutando para que o documento adote a meta de redução das emissões de CO2 e outros gases ao ponto da temperatura do planeta aumentar, no máximo, mais 1,5 graus Celsius. O que evitaria catástrofes maiores do que as que já estamos presenciando e, claro, o futuro das próximas gerações, não só humanas, mas da flora e fauna. Esse direito é chamado de Intergenerational Equity, ou equidade intergeracional.   Carta Presidente da mesa, obrigada pelo espaço, Eu sou Emilia do Brasil e falo em nome da YOUNGO. Estamos aqui em solidariedade às vítimas do tufão Yolanda e a todos aqueles afetados por mudanças climáticas antropogênicas. Devemos reconhecer que foi a inação e a negligência grosseira a respeito das gerações futuras que permitiu que supertempestades como essa venham ocorrendo. Eu e o bebê dentro de mim, estamos diante de vocês falando não apenas em nome da juventude, mas em nome das gerações futuras. A UNFCCC existe tanto para ajudar a aliviar as injustiças atuais como para garantir que injustiças futuras não ocorram. É, portanto, imperativo que o princípio da equidade intergeracional seja central para o texto da ADP. Equidade intergeracional assegura que as futuras gerações tenham acesso às mesmas oportunidades e recursos que a geração atual. Precisamos parar de desconsiderar as gerações futuras na economia das mudanças climáticas. Precisamos reconhecer que a atmosfera seja de confiança para essas gerações que possuem os mesmos direitos fundamentais. Negligenciar essa necessidade seria demonstrar uma grosseira ignorância do artigo 3.1 da Convenção, que estabelece que “as Partes devem proteger o sistema climático em benefício das gerações presentes e futuras”. Um antigo ditado diz que “nós não herdamos o mundo de nossos ancestrais, nós os emprestamos de nossas crianças “. Até que finalmente, vocês reconheçam isso e reconheçam o direitos e a voz das futuras gerações, até lá, tudo o que resta é o silêncio. Então, nós dedicamos os próximos momentos para um futuro que está sendo perdido e uma geração que não tem voz nestes corredores. _______________________________________________ * Emilia de Mattos Merlini é uma das repórteres da Agência Jovem de Notícias, projeto encabeçado pela ONG Viração Educomunicação, que pretende levar propostas da juventude para serem contempladas pelos negociadores brasileiros durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP19). ** Para acompanhar a cobertura jovem da COP19 acesse também:  www.agenciajovem.org e www.redmasvos.org. Os conteúdos serão produzidos em português, espanhol e italiano.


por Emilia de Mattos Merlini, da Agência Jovem de Notícias, Especial para a Envolverde
Indígenas são o maior grupo de risco do país. Foto: Reprodução/ Internet Sociedade

COP19: Povos Indígenas – menos blá blá e mais ações concretas

Foi com um discurso profundo e apaixonado que Juan Carlos Jintach e Arlen Ribeira Calderon, integrantes da COICA, organização que o Brasil também faz parte através da COIAB, abriram a seção sobre as mudanças climáticas e os povos indígenas da bacia Amazônica, aqui na COP19. Todos sabem o quanto os povos indígenas já sofreram graças às intervenções do homem “civilizado”, são historicamente marcados por devastações de seu espaço e sua gente, e mesmo hoje, quando possuem direitos legais, continuam sendo afetados pela busca incessante do lucro excessivo que fecha os olhos para os efeitos permanentes em nosso planeta. A principal questão levantada foi a urgente necessidade de ações imediatas para resolver as consequências dos problemas que vem se acumulando ao longo dos anos. “Chega de falar, queremos ações concretas e imediatas” disse Juan Carlos Jintach. A crítica ainda estendeu-se sobre a posição das Partes dentro da COP, que chegam aqui para na verdade discutir questões financeiras, sua principal preocupação, e não focam nos problemas reais e palpáveis que estão afetando a todos. O povo indígena mostrou sua força e determinação na luta por um planeta melhor, não esperam que os problemas sejam resolvidos por terceiros, mas são protagonistas para reverter as mudanças climáticas em seu território, exigem participação plena e efetiva, e mais do que isso, que tudo aquilo que está garantido na lei realmente aconteça na prática. Disseram ainda que o povo latino americano precisa se unir, principalmente porque a COP20 acontecerá em nossa casa e precisamos cobrar as nações já que muitos temas importantes não estão sendo discutidos. “Chega de acumular papeis e decisões que não levam a nada, reflexões que nunca terminam, precisamos de ações concretas já! Estamos cansados, queremos voltar a nossa terra, trabalhar, plantar, mas estamos aqui porque reconhecemos nossa responsabilidade.” Esta luta também é nossa, temos que abraçar nossos irmãos indígenas, envolver-nos emocionalmente, e ir além, realizar ações práticas como atores das mudanças urgentes que todos necessitamos. * Daniele Savietto são repórteres da Agência Jovem de Notícias, projeto encabeçado pela ONG Viração Educomunicação, que pretende levar propostas da juventude para serem contempladas pelos negociadores brasileiros durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP19). ** Para acompanhar a cobertura jovem da COP19 acesse também:  www.agenciajovem.org e www.redmasvos.org. Os conteúdos serão produzidos em português, espanhol e italiano.


por Daniele Savietto, da Agência Jovem de Notícias, Especial para a Envolverde
A sexualidade feminina é um dos campos de batalha mais sensíveis na República Islâmica do Irã. Crédito: Amir Farshad Ebrahimi/cc by 2.0 Inter Press Service - Colunistas

Os direitos das mulheres e o diálogo Estados Unidos-Irã

[caption id="attachment_102724" align="aligncenter" width="500"] A sexualidade feminina é um dos campos de batalha mais sensíveis na República Islâmica do Irã. Crédito: Amir Farshad Ebrahimi/cc by 2.0[/caption]   Washington, Estados Unidos, novembro/2013 – Enquanto os negociadores dos Estados Unidos e do Irã se preparam para outra rodada de negociações nucleares no próximo mês em Genebra, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, mantém silêncio sobre outro assunto que poderia ser ainda mais indicativo de sua vontade de frear os conservadores de linha dura. No dia 22 de setembro, o parlamento iraniano aprovou uma lei de título aparentemente inócuo mas com um potencial de arrepiar. A lei de Proteção de Meninos, Meninas e Adolescentes sem Tutor ou com Maus Tutores permite que um homem se case com sua enteada ou com sua filha adotiva, dessa forma legalizando o abuso infantil. A lei revoga uma legislação aprovada em fevereiro que proibia esses casamentos. Porém, o Conselho de Guardiões, um órgão clerical dominado por representantes da linha dura, desaprovou o texto anterior por considerar que estava contra a shariá, ou lei islâmica. A última versão recebeu um artigo, o 27, que estabelece que um homem pode se casar com sua enteada ou filha adotiva se a Organização Estatal de Bem-Estar e um tribunal aprovarem essa união. Apesar desse adendo, muitos iranianos temem que a nova lei prejudique milhares de famílias integradas por enteadas ou filhas adotivas. Organizações feministas iranianas e ativistas pelos direitos humanos, tanto dentro quanto fora do Irã, organizaram protestos maciços contra a lei na rede social Facebook. Afirmam que a lei legaliza a pedofilia, o abuso infantil e as violações sob o disfarce de proteção à infância. A maioria dos iranianos não sabia da controvérsia até que no mês passado o parlamento aprovou o segundo projeto. A sexualidade feminina é um dos campos de batalha mais sensíveis na República Islâmica do Irã. Ali, os corpos das mulheres são um assunto político. O controle sobre seus corpos é um reflexo do poder político. E sua sexualidade é uma ferramenta para que os mais conservadores demonstrem sua interpretação da identidade e da ideologia islâmica. Embora Rouhani fale reiteradamente de seu respeito pelos direitos femininos, também mantém silêncio sobre a nova lei. Ao ratificá-la, no dia 2 de outubro, os 12 conservadores islâmicos que integram o Conselho de Guardiões demonstraram que ainda têm poder e controle sobre os assuntos políticos mais delicados. Esses são os mesmos indivíduos que, com o líder supremo, aiatolá Khomeini, aprovarão ou rejeitarão qualquer acordo nuclear que Rouhani fizer com os Estados Unidos. As ativistas se perguntam se no futuro próximo Rouhani dará declarações sobre a lei de matrimônio. Se o presidente se opuser a essa lei radical e imoral mostrará que apoia a democracia e os direitos igualitários para as mulheres. Por outro lado, se nada disser, revelará que não resiste – ou não pode resistir – aos conservadores islâmicos sobre um assunto crucial. As mulheres iranianas deixaram claro que têm o poder potencial de propiciar mudanças em seu país, dirigidas a uma maior democracia e respeito aos direitos humanos. Também vêm lutando por seus próprios direitos há mais de um século. O movimento feminista começou com a Revolução Constitucional de 1906. Na década de 1920, as mulheres começaram a estudar em universidades, embora só em 1963 tenham obtido o direito de votar e serem votadas para cargos no governo. As mulheres também estiveram na primeira linha da Revolução Islâmica de 1979 contra o xá Mohammad Reza Pahlevi. Mas o governo islâmico que substituiu a monarquia limitou os direitos femininos, descartando a progressista lei familiar do xá e reduzindo a idade legal para se casar de 18 para nove anos. Um movimento com renovados brios conseguiu elevar a idade para 13 anos. Atualmente, a média de idade com que as mulheres se casam é de 24 anos. As iranianas também alcançaram um elevado nível educacional, constituindo mais de 60% dos estudantes universitários. E como as mulheres têm mais educação, o aumento demográfico diminuiu. A média de filhos por mulher caiu de sete, na década de 1960, para dois, em 2010. Elas também são as mais organizadas da sociedade iraniana: há cerca de cinco mil entidades nas quais se agrupam. Trabalham juntas para promover seus direitos apesar de suas diferenças religiosas, étnicas e políticas. O esforço mais conhecido é a campanha Um Milhão de Assinaturas pela Igualdade de Gênero, promovida por figuras importantes como a advogada defensora dos direitos humanos Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz em 2003. Essa campanha mobilizou vários milhares de mulheres que debatem sobre seus direitos e coletam assinaturas para mudar leis que as discriminam. Mais de 70 ativistas foram detidas e enviadas à prisão por participarem dessa campanha, que foi a instância mais organizada durante o Movimento Verde de 2009. “As mulheres construirão a democracia no Irã”, afirmou Ebadi. Uma vitória para as iranianas é um fracasso para os conservadores islâmicos, que consideram parte de sua luta pela sobrevivência o controle da sexualidade das mulheres e a opressão sobre as organizações que velam por seus direitos. Ao negociar com Teerã sobre seu programa nuclear, o governo de Barack Obama não deveria esquecer os direitos femininos e a necessidade de fortalecer a sociedade civil, bem como os direitos humanos e a democracia no Irã. Envolverde/IPS * Fariba Parsa é acadêmica visitante no Centro para o Estudo de Gênero e Conflito na Universidade George Mason para a Análise e a Resolução de Conflitos. 


por Fariba Parsa*
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O ócio e os seus Borogodós

Há alguns anos o conceito de ócio criativo, defendido por Domenico de Masi, chegou às terras brasileiras e trouxe o seu divulgador, que participou de dezenas de atividades por aqui, dentre elas palestras, debates, seminários e entrevistas em programas midiáticos. Não obstante aos argumentos convincentes por trás da tese de menos trabalho, e mais tempo livre para fazer outras coisas prazerosas, na prática ainda estamos distantes do equilíbrio entre as horas dedicadas à labuta e aquelas reservadas para exercitar o livre arbítrio. Com os avanços tecnológicos, as transformações nos processos produtivos e a crescente valorização do conhecimento e dos bens intangíveis, o modelo tradicional de “lavoro” vem perdendo espaço para células virtuais descentralizadas, home office, trabalho à distância, e outras tantas opções que surgem a cada dia. Mas todas essas mudanças não proporcionaram ócio ou a prática da preguiça. A internet, os celulares e um aparato de mobilidade virtual, em determinadas situações, exigem que o ser humano fique conectado e disponível sete dias por semana. Com isso, tchau sábado e domingo. Se o telefone tocar, aquele sono na rede após o almoço poderá ser substituído por uma reunião estratégica e inadiável. Equipamentos com iPad, notebooks, redes WiFi, telefonia de banda larga e inúmeros dispositivos móveis permitem que determinadas tarefas sejam executadas em qualquer lugar do planeta. Basta estar plugado para responder ao emailsuper-importante do chefe, falar por Skype com o fornecedor da China, enviar um vídeo para aprovação do Board em Londres ou reservar dois dias de “folga” num hotel da Patagônia, depois de uma semana intensa visitas a prospectsna Argentina. Nesse universo de facilidades conectivas, independente das questões estruturais que requerem análises mais profundas, encontramo-nos distantes de permitir que o nada aflore. Com centenas de alternativas disponíveis o tempo todo lá fora, o “Ó do Borogodó” está em decidir e escolher a partir do que vier de dentro, daquele lugar pulsante, vital, por meio do qual cada um deveria ter a consciência e a coragem de, com autonomia, agir para imprimir os rumos de sua vida. Parafraseando o nosso querido poeta Manoel de Barros, o ócio é aquele tempo que a rede te convida para sonhar. Por aqui, fico. Até a próxima. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


por Leno F. Silva*
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Políticas incentivam uso do transporte individual – Entrevista com Carlos Henrique Carvalho

[caption id="attachment_100453" align="aligncenter" width="500"] Foto: http://www.shutterstock.com/[/caption]   “Precisaríamos, no mínimo, duplicar a malha metroferroviária brasileira e quadruplicar a malha de corredores exclusivos de transporte público urbano. Em termos de recursos, isso com certeza representaria, em médio prazo, um investimento de mais de 80 bilhões de reais”, diz o pesquisador. Com a saturação do tráfego e o aumento no tempo de deslocamento nas regiões metropolitanas, políticas públicas de mobilidade urbana precisam estar entre as prioridades da gestão pública, diz Carlos Henrique Carvalho, em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone. Ao analisar os dados da Pnad sobre mobilidade urbana, o pesquisador do Ipea menciona que o “padrão de mobilidade está se alterando por causa do aumento muito acelerado do uso de veículos privados e da queda do uso do transporte público. Nos últimos 15 anos, o transporte público urbano perdeu 25% da sua demanda, ao mesmo tempo que o deslocamento pelo transporte privado está aumentando aceleradamente”. Na avaliação dele, “hoje as políticas ainda são muito fortes no sentido de estimular tanto a aquisição quanto o uso do transporte privado. (...) Então, grande parte de todas as políticas estão focadas em estimular o transporte individual, onerando o transporte público”. De imediato, acrescenta, o Estado deve incentivar políticas de curto prazo, com “o foco de priorizar o transporte público em relação ao transporte individual, ou seja, é preciso criar vantagens no transporte público em relação ao transporte individual”. Carlos Henrique Ribeiro é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea. Confira a entrevista: IHU On-Line - De acordo com a pesquisa realizada pelo Ipea, 20% dos trabalhadores das regiões metropolitanas brasileiras gastam mais de uma hora por dia no deslocamento de casa para o local de trabalho. O que este dado significa considerando a estrutura das cidades metropolitanas? Carlos Henrique Carvalho – As implicações são muitas. Primeiro, há perda de produtividade por conta do aumento do tempo de deslocamento e o aumento da proporção de trabalhadores que gastam mais de uma hora no deslocamento até o trabalho. Um trabalhador que, antes de chegar ao trabalho, perdeu uma hora em transporte, geralmente utiliza transporte público em condições não muito adequadas. Então, obviamente, tem um impacto sobre a produtividade no trabalho. IHU On-Line - Desde quando e por que o padrão de mobilidade urbana no Brasil vem se alterando? Há dados comparativos da situação da mobilidade de hoje com anos atrás? Carlos Henrique Carvalho – O padrão de mobilidade está se alterando por causa do aumento muito acelerado do uso de veículos privados e da queda do uso do transporte público. Nos últimos 15 anos, o transporte público urbano perdeu 25% da sua demanda, ao mesmo tempo que o deslocamento pelo transporte privado está aumentando aceleradamente. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Pnad verificou que, em 2008, 45% dos domicílios brasileiros tinham automóvel. Hoje são 54% dos domicílios. Então, houve uma elevação de nove pontos percentuais em um curto período de quatro anos. Este fenômeno ocorre principalmente entre as classes mais baixas, que estão tendo acesso a esse bem durável. Mas, do ponto de vista de funcionamento da cidade e da qualidade de vida urbana, isso é problemático, porque o sistema viário não comporta essa quantidade de veículos privados. A forma de melhorar essa condição é tentar investir no sistema viário de forma a priorizar o transporte público (transporte público coletivo, transporte público de massa), porque somente assim se consegue deslocar uma grande quantidade de passageiros em um curto espaço de tempo. Essa é a perspectiva que vemos para o futuro no sentido de melhorar as condições de mobilidade. IHU On-Line - Entre as cidades estudadas, quais enfrentam mais dificuldades em termos de mobilidade, e entre quais delas houve piora nas condições de tráfego? Carlos Henrique Carvalho – Esse fenômeno de aumento do transporte individual está crescendo de forma mais acentuada nas cidades do Norte e do Nordeste. E isso pode ser justificado em função do aumento da renda dos mais pobres. As condições de mobilidade, principalmente tempo de viagem e percentual de pessoas que passam mais de uma hora no trânsito, também estão aumentando mais rápido nestas cidades. Então, entre as cidades com condições de mobilidade que se degradaram muito nos últimos cinco anos, podemos destacar Belém, Recife e Salvador, porque justamente houve um acréscimo muito grande na frota de automóveis e um investimento baixo em mobilidade. Por outro lado, destacamos algumas cidades que têm o desempenho muito bom. Porto Alegre, por exemplo, está entre as dez maiores regiões metropolitanas em que o trabalhador perde menos tempo de viagem para se deslocar até o trabalho. Tem corredor exclusivo de ônibus por toda a cidade em função do planejamento urbano e uma melhor distribuição das atividades econômicas sobre o território, de forma que isso acaba minimizando os deslocamentos casa/trabalho. Quando se distribui melhor a atividade econômica no território, se atinge esse resultado. IHU On-Line - É possível estimar qual é o déficit de transporte público no Brasil? Carlos Henrique Carvalho – É difícil estimar, pois seriam necessárias algumas referências para falar qual é a rede de transporte público ideal. Mas, por exemplo, o sistema de transporte sobre trilhos é uma demanda. Se você pegar indicadores da cidade do México, Santiago do Chile — veja, não estou falando de países de primeiro mundo, como Paris, Londres, Berlim, Tóquio —, em termos de números de linhas de sistemas metroviários por habitantes, têm mais do que o dobro do que os grandes centros urbanos possuem no nosso país. Então, no mínimo teria de dobrar essa malha metroferroviária nos grandes centros urbanos. Da mesma forma, os corredores de ônibus urbanos deveriam ser aumentados nas demais regiões metropolitanas brasileiras. Então, diria que precisaríamos, no mínimo, duplicar a malha metroferroviária brasileira e quadruplicar a malha de corredores exclusivos de transporte público urbano. Em termos de recursos, isso com certeza representaria, em médio prazo, um investimento de mais de 80 bilhões de reais. IHU On-Line - Como o debate acerca da mobilidade está sendo feito no Brasil? Quais são os principais temas a serem discutidos quando se fala em melhorar a mobilidade urbana e a reengenharia das cidades? Carlos Henrique Carvalho – Houve um avanço nesta discussão nos últimos anos, porque antes este tema não estava no primeiro plano da política pública e sempre ficava em um plano inferior. Como as condições de mobilidade de toda a população chegaram a um limite quase insuportável, o tema foi elevado para o primeiro plano de discussão de política pública. Portanto, as discussões sobre este assunto já estão em um nível de priorização do transporte público, como um fator importante para melhorar as condições de mobilidade da população. Antes, quando se discutia investimento em mobilidade, sempre se falava em aumentar os investimentos que beneficiavam o transporte individual: alargar vias, construir viadutos, construir túneis. Nos últimos anos, invertemos esta lógica, e os grandes investimentos de mobilidade que estão sendo feitos hoje fazem parte do PAC da Copa do Mundo. IHU On-Line - Quais são as alternativas que o Brasil dispõe hoje para melhorar a mobilidade urbana? Que modelo de transporte público deveria ser priorizado no Brasil para resolver esse impasse? Carlos Henrique Carvalho – Hoje as políticas ainda são muito fortes no sentido de estimular tanto a aquisição quanto o uso do transporte privado. Há políticas focadas na isenção de tributos, como a política do carro popular, cuja carga tributária é bem baixa, há políticas federais de congelamento do custo da gasolina, então, isso reflete no deslocamento do dia a dia, porque fica barato usar o transporte individual ao mesmo tempo que as tarifas de ônibus estão subindo acima da inflação. Então, grande parte de todas as políticas estão focadas em estimular o transporte individual, onerando o transporte público. Então, tem de inverter esta lógica. O principal tributo da gasolina, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, foi zerado para manter o preço da gasolina estabilizada. Então, é preciso repensar isto. Será que a gasolina tem de ser barata realmente? E as penalidades do transporte que ela provoca, como poluição e outras externalidades, como os congestionamentos? Então, de imediato o governo tem como mexer nessas políticas em âmbito federal. Em âmbito local, existem políticas para restringir o uso do transporte individual, como, por exemplo, implementar ou aumentar as políticas de cobrança de estacionamento público, criar estacionamentos próximos a estações de metrô e bicicletários para ter uma integração entre os modais. Então, há uma série de políticas em curto prazo que podem ser adotadas, sempre com aquele foco de priorizar o transporte público em relação ao transporte individual, ou seja, é preciso criar vantagens no transporte público em relação ao transporte individual. * Publicado originalmente no site IHU On-Line.


por Redação do IHU On-Line
rede Sociedade

A internet e o “orgasmo democrático”

A emergente participação em rede não produzirá novas ideologias unitárias ou revoluções, mas poderá destruir o velho jogo da governança representativa. Muito se fala de como as redes sociais vêm modificando o pensamento social e ampliando a capacidade de reflexão, sobretudo dos jovens, em razão da participação fundamental da internet nas manifestações e protestos que tomaram o Brasil nos últimos meses. As mani­festações já viraram pauta nas escolas e com certeza serão conhecidas das próximas gerações. Mas, afinal, qual é o papel político-social das redes sociais e da internet? Há quem diga que o momento atual do Brasil é de orgasmo democrático, ao ver milhares de pessoas saindo às ruas em razão da situação político-econômica do país. E é realmente instigante acompanhar a efervescência da sociedade, até para quem não tem ânimo de participar. Todavia, há discordância quanto ao termo “orgasmo democrático”. O professor da Faculdade de Comu­nicação da Universidade Federal de Goiás (UFG), Magno Medeiros, por exemplo, diz que orgasmo é um fenômeno fugaz e de satisfação imediata, ao contrário do que vive o Brasil atualmente. Para ele, o que ocorre, na verdade, é a erupção de uma dor crônica, sedimentada há várias décadas em torno da insatisfação em relação aos direitos de cidadania. “Direitos básicos, como ter um transporte urbano decente, como ter o direito de ser bem tratado na rede pública de saúde, como ter uma educação de qualidade e de acesso democrático a todos. O Brasil experimentou, nos últimos anos, avanços consideráveis no campo da redução das desigualdades sociais e da minimização dos bolsões de pobreza, mas os setores sociais pobres e miseráveis, que emergiram para a classe C, querem mais do que apenas consumir bens básicos como geladeira, fogão, computador, celular, etc. Eles querem ser tratados com dignidade”, diz. Ideologia social O autor da expressão que titula a matéria é o italiano Massimo Di Felice, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP) e PHD em sociologia pela Universidade Paris Descartes V, Sorbonne. Di Felice é professor da Escola de Comu­nica­ção e Artes da USP, onde fundou o Centro de Pesquisa Atopos e coordena as pesquisas “Redes digitais e sustentabilidade” e “Net-ativismo: ações colaborativas em redes digitais”. O termo “orgasmo democrático” surgiu quando o professor foi questionado sobre como, antes, o que reunia milhares de pessoas eram ideologias políticas, e hoje já não é assim. Seria então possível afirmar que vivemos a época de um processo de criação democrática de ideologia social? Segundo Di Felice, a razão política ocidental moderna europeia, positivista e portadora de uma concepção unitária da história, criou as democracias nacionais representativas, que se articulavam pelo agenciamento da conflitualidade através dos partidos políticos e dos sindicatos. E a estrutura comunicativa dessas instituições, correspondente aos fluxos comunicativos da mídia analógica – imprensa, TV e jornais –, é centralizada e vertical, além de maniqueísta, isto é, divide e organiza o mundo em mocinhos e vilões, direita e esquerda, revolucionários e reacionários etc. Contudo, as redes digitais criaram outros tipos de fluxo comunicativo, descentralizados, que permitem o acesso às informações e a participação de todos na construção de significados. “A razão política moderna é fálica e cristã, busca dominar o mundo, rotula pensamentos enquanto os simplifica, necessita de inimigos e promete a salvação. Já a lógica virtual é plural, se alimenta do presente e não possui ideologia, além de viver o presente ato impulsivo”, analisa. Ele diz ser normal que a sociedade queira identificar e julgar os movimentos, rotulando-os por exemplo de “fascistas”, pois, segundo ele, a razão ordenadora odeia o novo e o que não compreende. “Porém, julgar os diversos não-movimentos que nasceram pelas redes (espontâneos e não unitários) é como julgar a emoção e a conectividade orgiástica (‘orghia’ em grego significa “sentir com”). A democracia do Brasil está passando de sua dimensão pública televisiva, eleitoral e representativa, para a dimensão digital-conectiva. O país está experimentando um orgasmo democrático. A lógica é, como diria Michel Maffesoli, dionisíaca e não ideológica.” Segundo Di Felice, do ponto de vista sociopolítico, as arquiteturas informativas digitais e as redes sociais estão trazendo, no mundo inteiro, alterações qualitativas que podem ser classificadas em dez pontos: 1. A possibilidade técnica do acesso de todos a todas as informações; 2. O debate coletivo em rede sobre a questões de interesse público; 3. O fim do monopólio do controle e do agenciamento das informações por parte dos monopólios econômicos e políticos das empresas de comunicação; 4. O fim dos pontos de vista centrais e das ideologias políticas modernas (seja de esquerda ou direita) que tinham a pretensão de controlar e agenciar a conflitualidade social; 5. O fim dos partidos políticos e da cultura representativa de massa que ordenavam e controlavam a participação dos cidadãos, limitando-a ao voto a cada quatro anos. A partir do sexto ponto, o professor classifica aquilo que trata da evolução sistêmica: 6. O advento de uma lógica social conectiva que se expressa na capacidade que as redes sociais digitais têm de reunir, em tempo real, uma grande quantidade de setores diversos e heterogêneos da população em torno de temáticas de interesse comum; 7. A passagem de um tipo de imaginário político baseado na representação identitária e dialética (esquerda-direita; progressistas-reacionários, etc.) para uma lógica experiencial, conectiva e tecno-colaborativa, que se articula não mais através das ideologias, mas através da experiência entre indivíduos, informações e territórios; 8. O advento de um novo tipo de gestão pública e de democracia; 9. A transformação da relação entre político e cidadão e do papel dos eleitos, que passam a ser considerados não mais como representantes do poder absoluto, mas porta-vozes e meros executores da vontade popular que os vigia a cada decisão; 10. A passagem de um imaginário político, baseado em uma esfera pública na qual a participação dos cidadãos era apenas opinativa, para formas de deliberação coletiva e práticas de decisão colaborativas que se articulam autonomamente nas redes. Acompanhe a entrevista: [caption id="attachment_102232" align="alignright" width="350"] Massimo Di Felice[/caption] Os protestos são organizados nas redes, mas nota-se que há líderes surgindo nas ruas. Como o senhor vê isso? Os movimentos nascem nas redes, atuam em ruas, mas não em ruas comuns. Eles atuam em “ruas conectadas” e reproduzindo em tempo real, nas redes, os acontecimentos das manifestações. Através da computação móvel, debatem e buscam soluções continuamente, expressando uma original forma de relação tecno-humana e inaugurando o advento de uma dimensão meta-geográfica e atópica (do greco a-topos: lugar indescritível, lugar estranho, fora do comum). Embora o sociólogo espanhol Manuel Castells defenda que os movimentos sociais contemporâneos nascem nas redes e que somente depois, nas ruas, ganham maior visibilidade, não me parece ser esta a sua descrição mais apropriada. Ao contrário: o que está acontecendo em todas as ruas, em diversos países do mundo, é o advento de uma dimensão imersiva e informativa do conflito, que se exprime numa espacialidade plural, conectiva e informativa. Os manifestantes habitam espaços estendidos, decidem suas estratégias e seus movimentos nas ruas através da interação contínua nas “social networks” e da troca instantânea de informações. Não somente se deslocam conectados, mas a manifestação é tal e acontece de fato somente se é postada na rede, tornando-se novamente digital, isto é, informação. Não é mais possível pensar em espaços físicos versus espaços informativos. Os conflitos são informativos. Jogos de trocas entre corpos e circuitos informativos, experimentações do surgimento de uma carne informatizada, que experimenta as suas múltiplas dimensões: a informativa digital e a sangrenta material, golpeada e machucada. Ambas são reais e nenhuma é separada da outra, mas cada uma ganha a sua “veracidade” no seu agenciamento com a outra. Todos esses dias de junho, em São Paulo, e em muitas outras capitais, jogamos games coletivos – todos fomos conectados a circuitos de informações, espaços e curtos-circuitos que alteravam nossos movimentos segundo as imagens e as interações dos demais membros do jogo. Todos experimentamos a nossa plural e interativa condição habitativa. O sangue dos manifestantes, golpeados pelos policiais, não caía apenas no chão das ruas, mas se derramava em espacialidades informativas. A polícia, através da computação móvel e das conexões instantâneas, tornou-se mídia, cúmplice de um ato informativo, e os manifestantes experimentaram o prazer de transformar seus corpos em informação. Transformar a polícia em mídia foi uma das grandes contribuições destes movimentos, que não possuem líderes nem direção única. Todas as tentativas oportunistas de direcionar e organizar os conjuntos de movimentos serão desmascaradas. Estamos falando da sociedade civil conectada e não deste ou daquele movimento social. Os atores destes movimentos, portanto, não são apenas os humanos, menos ainda alguns líderes. Não estamos falando de movimentos tradicionais que aconteciam nos espaços urbanos e industriais. Estamos, de fato, já em outro mundo. Fora das redes, ainda há muita gente sem entender o que as manifestações significam, ou como elas surgiram. No ambiente virtual, há maior entendimento sobre o tema? As manifestações do Brasil são expressões de uma transformação qualitativa que desde o advento da internet altera a forma de participação e o significado da ação social. O Centro de Pesquisa Atopos, da Universidade de São Paulo, está finalizando uma pesquisa internacional sobre o tema, com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A pesquisa analisou as principais formas de net- ativismo em quatro países (Brasil, França, Itália e Portugal). Os resultados são interessantes e mostram claramente alguns elementos comuns que, mesmo em contextos diferentes, se reproduzem e aparecem como caraterísticas parecidas. Isso sublinha, mais uma vez, a importância das redes de conectividade e as caraterísticas tecno-informativas dessas expressões de conflitualidade que surgem na origem, na organização e nas formas de atuação destes movimentos. Em síntese, as principais caraterísticas comuns a todos eles são as seguintes: 1. O net-ativismo se coloca fora da tradição política moderna, pois expressa um novo tipo de conflitualidade que não tem como objetivo a disputa pelo poder. Todos os movimentos que marcam as diversas formas de conflitualidade contemporânea (os Zapatistas, os Indignados, Occupy Wall Street, Anonymous, M15 etc.) não têm como objetivo tornar-se partidos políticos e concorrer nas eleições. São todos explicitamente apartidários e contra a classe política. Reúnem-se todos contra a corrupção, os abusos e a incapacidade dessas mesmas classes políticas e de seus representantes; 2. São movimentos e ações que não estão organizados de forma tradicional, isto é, não são homogêneos, compostos por pessoas que se reconhecem na mesma ideologia ou em torno do mesmo projeto político. Ao contrário: são formas de protesto compostas por diversos atores e nos quais, como numa arquitetura reticular, as contraposições não são dialéticas e não inviabilizam a ação; 3. Possuem uma forma organizativa informal e, sobretudo, sem líderes e sem hierarquias; 4. O anonimato é um valor, não somente porque permite a defesa perante ações repressivas, mas porque é a forma através da qual é defendida a não-identidade, coletiva ou individual, de seus membros e das ações. Na tradição das ações net-ativistas, a ausência de identidade e a não visibilidade é o meio através do qual a conflitualidade não se institucionaliza, tornando-se, assim, irreconhecível, não identificável e capaz de conservar a sua própria eficácia conflitiva; 5. São movimentos ou ações temporários e, portanto, não duradouros, cujas finalidades e ambições máximas são o próprio desaparecimento. Estes e outros elementos que encontramos em todas as ações net-ativistas são parte, já, de uma tradição que possui textos e reflexões que vão desde o cyberpunk até as contribuições de Hakim Bey, a guerrilha midiática de Luther Blisset, até a conflitualidade informativa zapatista. Os Anonymous e os Indignados e as diversas formas de conflitualidade digital contemporâneas são, na sua especificidade, a continuação disso. Não há uniformidade, nem pertença de nenhum tipo, mas inspiração. A questão informativa é a grande façanha da tecnologia? Na teoria da opinião pública, estamos assistindo a uma grande passagem do líder de opinião para o empreendedor cognitivo. O líder de opinião ganhava seu poder de persuasão através do poder midiático que lhe permitia, de forma privilegiada, através da TV ou das páginas de um jornal, alcançar grande parte da população de um país. Esta figura, geralmente um comentarista, um cientista político, um profissional da comunicação, um político ou uma personalidade pública, é hoje substituído no interior das novas dinâmicas dos fluxos informativos por outro tipo de informante e de mediador. Este é aquele que, por ter vivenciado ou por ter sido o próprio protagonista de um acontecimento, distribui, através das mídias digitais, diretamente, sem mediações, o acontecimento. É o caso dos manifestantes que postaram tudo o que aconteceu nas ruas durante as manifestações. Nenhum comentarista ou líder de opinião conseguiu competir e disputar com eles outra versão dos acontecimentos. Eles, os manifestantes, fizeram a cobertura do evento com seus celulares, suas câmeras baratas, a partir do próprio lugar dos acontecimentos, ao vivo. A maioria das informações que circulavam foi produzida por eles. Isso foi possível porque existe uma tecnologia que permite que isso seja possível. Isto é, também um fato político que quebra em pedaços décadas de estudos sociológicos sobre a relação entre mídia e política, entre mídia e poder. A grande transformação que as redes digitais produzem é a interatividade. As pessoas conectadas buscam suas informações, as ordenam, obtêm mais fontes e elementos para avaliá-las. Digamos que, tendencialmente, a população é mais consciente, pois tem acesso direto a uma quantidade infinita de informações sobre qualquer tipo de assunto, tornando-se eles mesmos editores e criadores de conteúdo. Da mesma maneira, pelos mesmos dinamismos informativos, eles se tornam políticos, administradores e transformadores de suas cidades ou de suas localidades. O senhor é europeu, mas vive há muitos anos na América Latina. Como difere o processo de expressão massiva entre os dois continentes? Absolutamente não se distingue. Os movimentos possuem todos eles as mesmas características. Em cada país temos situações específicas e atores diferentes, mas que atuam de maneira análoga: através das redes digitais. Possuem a mesma específica forma de organização coletiva: não institucionalizada e sem hierarquia. Expressam as mesmas reivindicações: contra a corrupção dos partidos políticos, por maior transparência e eficiência, melhor qualidade dos serviços públicos. Desconfiam todos de seus representantes e querem decidir diretamente sobre os assuntos que lhes interessam. Quais as consequências dessa posição que as manifestações assumem? A rede é o “Além do Homem” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Não é fácil, no seu interior, construir éticas coletivas, nem majoritárias, pois o seu dinamismo é emergente e sua forma, temporária. A participação em rede não irá produzir novas ideologias unitárias, menos ainda revoluções, pois sua razão não é abstrata e universal, mas particular e conectiva, mutante e incoerente. Apenas poderá destruir o velho jogo vampiresco da governança representativa e partidária, pois esta não é mais representativa e gera um sistema baseado na corrupção, em que a corrupção não é exceção, mas regra e norma do jogo. As ideologias políticas que prometiam a igualdade e a salvação do mundo fracassaram, não apenas em seu intento socioeconômico igualitário, mas naquele mais importante: de produzir um novo imaginário social e cultural que nos tornasse parte de uma sociedade mais justa, na qual pudéssemos nos tornar melhores do que somos. A não-ética coletiva das redes não será um decálogo de normas e uma visão de mundo organizada e proferida pela boca das vanguardas, ou dos líderes iluminados, sempre prontos a surfar uma nova onda, mas será muito mais humildemente particular. Não mudará o mundo, mas resolverá através da conectividade problemas concretos e específicos, que têm a ver com a qualidade do ar, o direito à informação, o preço do transporte público, a qualidade do atendimento nos hospitais, a qualidade da educação. Isto é: tudo aquilo que partido nenhum jamais conseguiu fazer. Para certa esquerda, está em marcha o acirramento de um fascismo nas manifestações, cujo sintoma é a rejeição de partidos nas passeatas. Uma ala da direita, com o apoio da imprensa, também contesta as manifestações como sendo “armação” da esquerda. É visível para todos o oportunismo e o desespero de uma cultura política da modernidade que se descobriu, de repente, obsoleta e fora da história. Nenhum partido de esquerda consegue hoje representar os anseios e as utopias sequer de uma parte significativa da população. Eles se encontram na singular e cômica situação do menino escoteiro que, para cumprir sua boa ação, tenta convencer a velhinha a atravessar a rua para poder ajudá-la. Só que a velhinha não quer cruzar a rua, mas deseja ir em outra direção. A lógica dialética, eurocêntrica e cristã, baseada na contraposição entre o bem e o mal, marca toda a cultura política da esquerda – que hoje se configura como uma religião laica, não mais racional nem propositiva, mas histérica. O advento dos movimentos e das manifestações expressou com clareza o desaparecimento do papel de vanguarda, e a incapacidade histórica de análise e de abertura à diversidade e ao livre debate dos partidos. Como na lógica da salvação religiosa, o bom e o justo existem e justificam a sua função somente enquanto existe o mal. A caça às bruxas é uma exigência, a última tentativa de justificar sua função, e uma necessidade ainda de sua presença em defesa dos mais “fracos” e “necessitados”. Não excluo que, em casos não representativos, tenhamos tido a presença de grupos de alguns poucos e isolados indivíduos de direita. Mas a reação e a caça às bruxas que foi gerada é de natureza histérica e a-racional, a última tentativa de voltar no tempo e na história – um passado ameaçador em que havia necessidade de uma ordem, de uma ideologia e de uma vanguarda que representasse o confortador papel da figura paterna. * Massimo Di Felice estará presente esta semana no I Congresso Internacional de Net-Ativismo, na USP, ao lado de outros pesquisadores renomados: Pierre Lévy, Michel Maffesoli, José Bragança de Miranda e Alberto Abruzzese.  ** Publicado originalmente no site Outras Palavras.


por Marcos Nunes Carreiro, do Outras Palavras

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