A graça da vida pode estar nos encontros e na mistura de sabores e de relações

Sociedade

A graça da vida pode estar nos encontros e na mistura de sabores e de relações


por Leno F. Silva*


Embora a existência de redes sociais facilite muito o exercício de conhecer pessoas, as amizades pra valer são aquelas nutridas pelos encontros reais, e pelos desejos sinceros de construir vínculos que durem mais do que um simples “Curtir”. Nesses tempos de superficialidade do viver, que transformam os acontecimentos individuais em notícias publicadas para todo mundo, podem parecer antiquadas aquelas deliciosas conversas de botequim com amigos do peito e cúmplices, desde quando fotografar era uma experiência mágica, que demorava até uma semana para ser revelada. Em pleno século XXI é um privilégio conviver e usufruir de realidades distintas. Por razões diversas, procuro me manter atualizado coma as transformações que, dentre tantas outras, ocorrem a cada segundo nos campos da tecnologia, da comunicação, da criação e da disseminação de conhecimentos. Com o mesmo dinamismo que acompanho esses avanços, alimento, priorizo e cultivo as conversas ao vivo com amigos de prosa, de garra, de força, de opiniões diferentes, com os quais divido alegrias, tristezas, saudades, entusiasmo e esperanças. Tempero o meu presente com uma mistura de sabores e de relações, as quais me permitem aquecer o coração e a mente com aqueles ingredientes simples indisponíveis em prateleiras de supermercados, mas que estão acessíveis a todo instante em lugar muito precioso: dentro de cada um de nós. Basta acionar. Por aqui, fico. Até a próxima. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

Brasil Sociedade

Há quem ame o país só nas Copas. Fora delas, quer que tudo se exploda

Um carro enfeitado com uma grande bandeira do Brasil avançava velozmente pelo acostamento para fugir do congestionamento na rodovia dos Imigrantes na manhã desta segunda. Um casal, que saiu animado na tarde de ontem de um restaurante no Itaim, estacionou o carro – decorado de verde e amarelo – em uma vaga para pessoas com deficiência. O veículo não possuía nenhuma sinalização de pertencer a uma pessoa com deficiência. No sábado, um outro possante – que parecia uma festa junina ambulante de tanta bandeirola verde e amarela – abriu a janela, arremessou uma latinha de cerveja vazia na direção de uma pessoa em situação de rua que dormia no canteiro central de uma avenida, em Pinheiros, e disparou, cantando pneus. Os três causos foram em São Paulo, mas poderiam ter sido em qualquer lugar. Estava me perguntando qual a profundidade desse rompante de “amor ao país'' fomentado pela Copa. Por conta de cenas como essas, tenho a certeza que é mais raso que uma colher de sopa. Olha, não me entendam mal. Quem lê este espaço sabe que amo futebol, assisti praticamente a todos os jogos da Copa e estou torcendo horrores – pela seleção e pelo meu bolão, que ninguém é de ferro. Mas eu, que detesto patriotadas, odeio ainda mais pseudopatriotadas.   Até porque quem se sente pertencente a um lugar, entende que suas ações individuais não podem tornar a vida dos outros um inferno sob o risco de colocar a perder a qualidade de vida da própria coletividade. Do que adianta, portanto, encher o seu carro de bandeirinhas, para demonstrar seu amor ao país em tempos de Copa, se você é um idiota que acredita que o mundo existe para servi-lo? Viver em sociedade passa mais por entrega e concessão do que por reafirmação de desejos e vontades pessoais a cada momento. É pensar: será que isso não vai atrapalhar os outros? Depois os mesmos fuinhas ainda devem encher os pulmões e cantar: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor''. O que prova que esses discursos nacionalistas empacotados e entregues nestes momentos são tão válidos quanto uma nota de três reais. Agradeço a Alá o fato de não ter interiorizado o que disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira, restolhos utilizados pela ditadura, tentaram me dizer – apesar dos fantásticos professores que tentaram dar outro sentido ao malfadado currículo. Nunca entendi como algumas escolas se preocupam mais em ter alunos que saibam o hino à bandeira do que compreender Guimarães Rosa. Quando pequeno, lembro-me de ir a apenas um desfile do Dia da Independência, na avenida Tiradentes, aqui em São Paulo. E, mesmo assim, não ter ficado o suficiente para entender o que aquele bando de gente agitando bandeirinhas estava fazendo por lá. Uma das maiores contribuições dos meus pais foi exatamente ter me poupado de toda essa papagaiada patriótica. Sei que datas como a Copa servem para compartilhar (ou enfiar goela abaixo) elementos simbólicos que, teoricamente, ajudam a forjar ou fortalecer a noção de “nação''. Mostrando que somos iguais (sic) e filhos da mesma pátria – mesmo que a maioria seja tratada como bastardos renegados. Por isso, me pergunto se passado este momento não poderíamos fazer uma pausa para reflexão sobre nós e como estendemos o direito à dignidade a todos que habitam este território. Ao invés de nos enrolarmos em bandeiras e transformar automóveis em carros alegóricos, poderíamos nos juntar para discutir a razão de chamarmos indígenas de intrusos, sem-teto e sem-terra de criminosos, camponeses de entraves para o desenvolvimento e imigrantes bolivianos e haitianos de vagabundos. Ou reivindicar que o terrorismo de Estado praticado durante os anos de chumbo seja amplamente conhecido, contribuindo – dessa forma – para que ele não volte a acontecer como tem acontecido. O melhor de tudo é que, todas as vezes que alguém levanta indagações sobre quem somos e a quem servimos ou conclama ao espírito crítico sobre o país, essa pessoa é acusada de não amar o país, no melhor estilo “Brasil: ame-o ou deixe-o'' dos tempos da Gloriosa. Não amo meu país incondicionalmente. Mas gosto dele o suficiente para me dedicar a entendê-lo e ajudar a torná-lo um local minimante habitável para a grande maioria da população. Gente deixada de fora das grandes festas, entregues ao pão e circo de desfiles com tanques velhos e motos de guerra remendadas. Mas que, quando voltam para casa, encaram a realidade da falta, da ausência, da dificuldade e da fome. Qual a melhor demonstração de amor por um país? Vestir-se de verde e amarelo e sair gritando Brasil na rua? Ou ter a pachorra de apontar o dedo na ferida quando necessário? Ama a si mesmo, por outro lado, os que se escondem do debate, usando como argumento um suposto “interesse nacional'' – que, na verdade, trata-se de “interesse pessoal'' (aliás, somos craques em criar discursos que justificam a transformação de interesses de um pequeno grupo em questão de interesse público). Se questionados, correm para trás da trincheira fácil do patriotismo. Que, afinal de contas, como disse uma vez o escritor inglês Samuel Johnson, “é o último refúgio de um canalha''. * Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. ** Publicado originalmente no Blog do Sakamoto.


por Leonardo Sakamoto*
Foto: Reprodução/ Internet Sociedade

Menos impostos, mais bicicletas

[caption id="attachment_116132" align="aligncenter" width="453"] Londres: incentivo ao ir e vir de bike. Foto: youthkiawaaz.com[/caption]   Artigo apresenta o programa britânico "Cycle to Work", que reduz impostos na compra de uma bicicleta para trabalhar. No Brasil, além da falta de infraestrutura para ciclistas nas grandes cidades, sofremos com o estigma social da bicicleta como artigo de lazer, não como meio de transporte. Uma rápida pesquisa na internet mostra que as bicicletas são colocadas à venda na mesma seção de roupas de academia e equipamentos de fitness. Embora a melhoria pessoal para a saúde daquele que pedala seja relevante, o benefício para a cidade da bicicleta como meio de transporte é generalizado e distribuído entre todos os cidadãos. A bicicleta como equipamento de lazer beneficia aquele que a usa, mas a mesma bike como meio de transporte transforma a cidade como um todo. Porém, diante do caso de amor platônico que temos com o automóvel (como diz uma certa propaganda, “o brasileiro é apaixonado por carro”), promover a bicicleta como alternativa se mostra uma tarefa difícil e cheia de pedras no caminho. Como então podemos nós habitantes, junto com a iniciativa privada e o poder público dos municípios, romper este paradigma tão prejudicial ao meio ambiente e à vida cívica e caminharmos em direção a um século 21 mais sustentável? Uma possível solução pode ser encontrada nos países do Reino Unido. Por lá, o governo, preocupado em diminuir os congestionamentos e aumentar a saúde da população, instituiu um esquema de vendas de bicicleta conjunto entre empregadores e funcionários, chamado Cycle to Work, que beneficia aqueles usando a bibicleta para ir ao trabalho com preços menores e descontos nos imposto. Funciona assim: a empresa compra a bicicleta de um distribuidor registrado no programa, cujo valor dos impostos sobre o produto pode ser restituído como incentivo fiscal. Com isto, o valor da bicicleta, descontado dos impostos, é parcelado ao funcionário em determinadas prestações, cujo valor da parcela também é isenta do Imposto de Renda. Ao fim das parcelas, o funcionário pode “comprar” a bicicleta por um valor simbólico. Com isto, o funcionário adquire a bike por um valor muito menor do que nas lojas, um grande incentivo para que use a bicicleta como meio de transporte. O exemplo de John Usando um exemplo inglês, digamos que John escolhe uma bicicleta de £ 450 pelo esquema conjunto com seu empregador. Abatendo o imposto unificado (VAT) que a empresa poderá restituir, o preço da bicicleta cai para £ 383,30. Dividindo este valor em 18 parcelas, cada prestação mensal sairia por volta de £ 21,28, mas como esta prestação não será taxada no Imposto de Renda ou no seguro saúde, a prestação cai para £ 14,26. Ao final das dezoito prestações, John terá a opção de comprar a bicicleta por um valor simbólico de mercado, de digamos £ 50 (a porcentagem do valor total correspondente ao valor simbólico de mercado é variável de acordo com o preço da bicicleta para evitar abusos). Com isto, ao final dos 18 meses, incluindo o preço simbólico de mercado, John pagou £ 306,68 (£14.26x18 + £50), o que significa um desconto de 32% no preço de loja. Ganhos para a empresa e comunidade Além disso, a empresa na qual John trabalha também se beneficia por poder restituir os impostos da bicicleta, e praticamente zerar seu investimento. Como a saúde dos funcionários melhora ao pedalar, a empresa também ganha em produtividade e na redução de gastos médicos e faltas por motivos de saúde. Nos mesmos termos, a prefeitura economiza em gastos com atendimento médico por acidentes e poluição, aumenta a eficiência de seu sistema de transportes. E, o mais importante, a sociedade ganha como um todo por ter uma cidade mais humana, saudável, prazerosa e vibrante. No Reino Unido, o projeto é tão bem sucedido que existem 15 operadoras deste esquema de compra conjunta de bicicletas. Além disso, diversas empresas e órgãos públicos já se comprometeram a manter a promoção da bicicleta como meio de transporte de serus funcionários. Para transformar em realidade um projeto assim promissor, há alguns pormenores a serem abordados para uma implementação segura e transparente. Primeiramente, há a necessidade de investimento em infraestrutura, educação e segurança pró-ciclistas nas cidades brasileiras. Simultaneamente, as empresas, em parceria com o poder público, devem garantir aos funcionários infraestrutura para estacionar as bicicletas e vestiários para tomar banho e trocar de roupa. São exatamente os pequenos detalhes que atuam como grandes barreiras para o uso cotidiano da bike como meio de transporte. Por fim, há de se auditar o uso correto do programa por parte de empresas e principalmente funcionários, para prevenir que usem o esquema para obterem desconto no preço da bicicleta sem a usarem rotineiramente. Acima de tudo, o intuito primário deste projeto é incentivar as duas rodas como meio de transporte do dia-a-dia, e não artigo de lazer esporádico. Portanto, usando da parceria conjunta entre poder público, iniciativa privada e a própria população, é possivel criar esquemas de promoção da bicicleta como meio de locomoção para o trabalho que beneficiem todas as esferas envolvidas. Com simples incentivos fiscais e engajamento, poderemos ver as cidades brasileiras menos congestionadas, poluídas e reféns dos automóveis e uma sociedade mais saudável, humana e sustentável. * Marcelo Blumenfeld é especialista em transportes pela Universidade de Leeds, na Inglaterra e diretor da Ahead Innovation Strategies. Edição de texto por Marcos de Sousa. ** Publicado originalmente no site Mobilize Brasil.


por Marcelo Blumenfeld*
Metroviários exigem transporte “padrão Fifa” na greve que ocorreu em junho. Foto: Mídia NINJA Sociedade

De mãos atadas

Demitidos pelo governo, pressionados pelas multas e esquecidos pela torcida, 42 metroviários abrem debate público para mostrar suas razões “Temos muito respeito e responsabilidade com o que fazemos. Essa responsabilidade é transmitida para cada parafuso, para cada vidro. É inconcebível depredar nosso local de trabalho”, afirma Celso Martins, 30 anos, trabalhador desde os treze. “A gente sabe o que é transportar quatro milhões de pessoas por dia. Quem não sabe o que é isso é o governador, que anda de helicóptero”, critica, indignado, reagindo à fala do secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, que acusou os demitidos de “vandalismo” ao anunciar as demissões por justa causa de 60 trabalhadores, depois reduzidas para 42. Afastado do serviço desde fevereiro de 2012, quando entrou no programa de reabilitação do INSS, Martins ainda assim participou da greve e dos piquetes na estação Ana Rosa – e acabou demitido pela Companhia do Metropolitano de São Paulo. Como os colegas, tomou conhecimento da demissão através de dois telegramas pelo Metrô – o texto era o mesmo para todos, ainda que o governador Geraldo Alckmin houvesse informado ao Jornal Nacional que as demissões seriam analisadas caso a caso. O primeiro telegrama informava o desligamento do trabalhador “com fundamento no artigo 482, alínea b da Consolidação das Leis do Trabalho [incontinência de conduta ou mau procedimento] e no artigo 262 do Código Penal [expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento]”. O efeito, porém, foi o oposto do esperado: após realizar uma fiscalização a respeito das demissões, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), representante do Ministério do Trabalho em São Paulo, autuou o metrô em R$ 8 mil reais por prática antissindical constatando não haver provas apresentadas em relações às acusações. “Eles alegam a justa causa de 42 trabalhadores, mas não comprovam”, diz o auditor fiscal do trabalho, Renato Bignami, em entrevista à Pública por telefone. “Citaram para mim um artigo do Código Penal, no entanto, não há prisão em flagrante e nenhum processo penal aberto contra esses trabalhadores”, explica Bignami, lembrando ainda que, como os metroviários são “empregados públicos”, “deveria ter tido algum processo administrativo disciplinar anterior à rescisão contratual, coisa que também não houve”. Na tentativa de descaracterizar a “prática antissindical” constatada pela supervisão, apresentando dados mais concretos sobre os atos que justificariam a demissão, o Metrô enviou um segundo telegrama, tentando detalhar as acusações aos demitidos. Mas, segundo os metroviários, as alegações da companhia continuam não correspondendo aos fatos. “Eles especificaram quatro estações: Ana Rosa, Tatuapé, Cecília e Brás [onde teriam ocorrido o vandalismo]. Essas quatro pra todo mundo. No meu caso foi o caso de Ana Rosa, que eu estava realmente no primeiro dia. E o segundo foi no Tatuapé. Nesse caso, eles falam de um horário em que eu não estava, eu fui bem depois”, conta Raquel Amorim, 26 anos, segurança do metrô há três e uma das dirigentes sindicais demitida. Raquel também explica o que, em sua visão, realmente teria ocorrido nas estações: “Nosso piquete se intensificou porque os supervisores são obrigados pela empresa [a trabalhar]. E eles têm um treinamento por ano para operar trem. Então, imagine uma pessoa que não tem intimidade com o trem, que tem um treinamento por ano, operar um trem… E se acontece alguma coisa, eles que serão responsáveis”, diz. Tays Calhado, metroviária há três anos, estava nos piquetes no metrô Ana Rosa, e presenciou a violência policial. “A gente ficou durante a madrugada toda na estação Ana Rosa, conversando com a polícia. A própria polícia disse que apoiava a nossa greve, mas também disse que quando viesse a ordem de cima, não ia ter como segurar”, relembra a metroviária, que não foi demitida. “A gente sempre fez muitas greves e nunca teve uma ação tão truculenta, dessa forma”. Violência policial e perseguição política “A greve é conflitiva por natureza. Você não faz uma greve como você reza uma missa. É um ambiente muito permeável para que ocorram excessos – que é o que o Metrô alega, que ocorreram excessos dos grevistas. Pode até ser verdade. Mas eu tenho certeza que também ocorreram excessos do Metrô e do governo. A gente ouviu falar de cavalaria, de borrachada, o que na minha ótica também é um excesso”, pondera Bignami. O auditor fiscal do trabalho destaca que alguns dos trabalhadores demitidos estão diretamente ligados ao movimento sindical que deflagrou a greve. “É uma perseguição, um ato desproporcional, porque o Metrô já tinha a seu favor uma sentença do Tribunal Regional do Trabalho e na sentença não se falava em demissão desses trabalhadores”, explica Bignami. (Leia mais aqui). Já no segundo dia de greve, a vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Rilma Hemetério, havia concedido liminar que determinava a manutenção de funcionamento de 100% do Metrô nos horários de pico e 70% nos demais horários, estabelecendo multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento à liminar. A sentença a que Bignami se refere foi promulgada no dia 8 de junho, quarto dia de greve, também pelo TRT-2, declarando a greve abusiva e determinando multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. O Metrô havia pedido a antecipação do julgamento. Ilustração: Alexandre De MaioEles assistem tudo, depois é a vez deles Denílson e outros adolescentes reunidos num domingo na feira da Kantuta, ponto de encontro da comunidade boliviana em São Paulo.100% Boliviano, mano Onofre de Campos e a esposa Paulina, os pais adotivos de BrunoLimpeza de área Esse valor se somou à multa diária de R$ 100 mil por dia de greve determinada anteriormente pelo Tribunal, num total de R$ 900 mil reais em multa. Como o Sindicato dos Metroviários teve suas contas bloqueadas em R$ 3 milhões, readequados para R$ 900 mil, o aperto financeiro dificulta a ajuda aos 42 trabalhadores demitidos, que ainda lutam pela readmissão. “É complicado, porque foram 11 diretores sindicais, mas o restante não são diretores, são cipistas [membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes] e o restante são trabalhadores que estavam exercendo seu direito de greve e foram demitidos. Diariamente eles não são ativistas, militantes… São muitos pais e mães de família. Tem metroviário que acabou de ter um filho, pessoas que tinham muitos anos de metrô”, conta Raquel. Além da programação de atos públicos pela readmissão dos metroviários, o Sindicato também age pelas vias legais, através de recursos administrativos, e estuda a abertura de um processo contra a Companhia do Metropolitano de São Paulo. Enquanto isso, os demitidos… A mesma sentença do TRT-2 determinou reajuste salarial de 8,7% (índice sugerido pelo Metrô, os trabalhadores reivindicavam 12,2%). Mas, embora tenha sido acatada pelo Sindicato, ainda não foi assinado o acordo entre a Companhia Metropolitana (Metrô) e o órgão sindical, como explica Dagnaldo Gonçalves, operador de trem e metroviário há 26 anos, e um dos diretores sindicais afastados para apuração de falta grave. “A gente vai continuar em campanha para tentar reverter essa situação. O que significa ser afastado para apuração de falta grave? Você não tem salário, você não tem assistência médica, você não tem nada. Mas já falaram pra gente: fica tranquilo que quando você voltar recebe tudo. Tudo bem. Então eu pago minhas dívidas quando voltar, né?” Dagnaldo lembra que não é a primeira vez que o Metrô demite grevistas. O mesmo ocorreu em 2007, em decorrência de uma greve de três dias para exigir que a participação dos lucros da empresa fosse igualitária e não proporcional ao salário do cargo (nessa lógica, ainda vigente, quem tem maior salário, ganha maior participação nos lucros). “O Tribunal, além de não conceder essa reivindicação pra gente, mandou que a gente retornasse imediatamente [ao trabalho]. Depois disso, pra nossa surpresa, o metrô demitiu 61 companheiros e até hoje boa parte deles não voltaram. Inclusive a gente tem 18 que de 2007 até hoje ainda não homologaram”, explica. “Foi a mesma prática, se não, pior. Porque a gente acatou a decisão da Justiça e ele demitiu. Dessa vez, nós não acatamos a decisão da justiça e ele demitiu”. Em 2009, a Organização Internacional do Trabalho determinou a readmissão ou a indenização dos então 61 trabalhadores e cinco dirigentes sindicais demitidos pelo Metrô de São Paulo. “Deve-se outorgar uma indenização adequada para reparar os danos sofridos e prevenir a repetição de tais atos no futuro, o que deve significar uma sanção suficientemente dissuasiva contra os atos de discriminação antissindical”, afirmava a decisão. Sobre a greve recente, a advogada do Sindicato dos Metroviários, Eliana Lúcia Ferreira, destaca mais um fator a ser levado em conta: “Como demitir gente tão qualificada e com tanta experiência? Porque estão lutando por um metrô melhor. A luta não era só por salário e condições de trabalho. Era, em especial, também para que o metrô seja público, de qualidade e gratuito pra população. Não é uma pauta econômica, é uma pauta social. Acho que é isso que realmente causa tanta retaliação, porque eles não conseguem discutir o metrô como uma pauta social”, diz. [caption id="attachment_116023" align="aligncenter" width="524"] Metroviários exigem transporte “padrão Fifa” na greve que ocorreu em junho. Foto: Mídia NINJA[/caption]   Resposta do Metrô de São Paulo A Pública procurou o Metrô para esclarecer questões apontadas pelos entrevistados para esta reportagem, entre elas: - Os demitidos relatam que receberam duas cartas, em datas diferentes, informando da demissão. Por que foi necessário o envio de dois comunicados a cada pessoa? - Como foi feita a investigação das infrações que justificaram as demissões? Como se chegou aos demitidos em questão? - Houve processo administrativo anterior às demissões? Quais foram as conclusões? Se não, por que não houve? - Houve ou há processo penal com a condenação dos demitidos, anterior às demissões? Se não, como se justifica as demissões de acordo com violação ao código penal? - Como o Metrô responde à auditoria feita pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho de São Paulo, que consideraram estas demissões como prática antissindical? - O Metrô estuda a readmissão destes demitidos em junho? - Em relação à determinação da OIT de 2009, que pediu a readmissão dos dirigentes sindicais e trabalhadores demitidos em 2007, depois da paralisação que realizaram em agosto daquele ano, como o Metrô agiu? Esses 61 funcionários e 5 dirigentes sindicais foram todos readmitidos por iniciativa do Metrô ou do governo do estado? Em resposta a todas a essas perguntas o Metrô enviou nota afirmando “que as demissões dos 42 funcionários foram motivadas por abusos cometidos por estes durante o período de greve, fundamentadas em provas documentais e objetivas. Vale ressaltar que a Justiça do Trabalho considerou a greve da categoria abusiva por ter sido praticada em desacordo com a Lei de Greve, que estabelece as formas pelas quais o direito constitucional deva ser exercido”. * Publicado originalmente no site Agência Pública.


por Jessica Mota, para a Agência Pública
Vista aérea do bairro da Sé. Algumas das diretrizes do Plano Diretor Estratégico são adensamento urbano em torno dos corredores de transporte coletivo e limitação da altura de prédios Sociedade

São Paulo: o que muda com novo Plano Diretor

[caption id="attachment_115942" align="aligncenter" width="485"] Vista aérea do bairro da Sé. Algumas das diretrizes do Plano Diretor Estratégico são adensamento urbano em torno dos corredores de transporte coletivo e limitação da altura de prédios[/caption]   Área para habitação social dobrou. Mercado imobiliário submetido a regulamentações importantes. Aberto espaço para agricultura orgânica. Pressões do MTST foram essenciais. Quando a Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou ontem, depois de nove meses, o novo Plano Diretor Estratégico da Cidade (PDE), centenas de sem-teto, que haviam acampado em frente ao Legislativo, soltaram fogos de artifício. O novo PDE, que vigorará por dezesseis anos, não converte a maior cidade do país num exemplo de igualdade; nem a reconciliará, a curto prazo, com a Mata Atlântica, sua vasta rede de rios, os vales e montanhas em meio aos quais se ergueu. Mas demonstra que a especulação imobiliária não é invencível. Ela pode ser revertida progressivamente, com políticas corajosas e, em especial, com mobilização da sociedade. Proposto pela prefeitura em agosto de 2013, o PDE suscitou um amplo processo de audiências públicas, às quais a mídia tradicional fechou os olhos. Era previsível. Basta observar, a cada dia, o vasto espaço ocupado nos jornais pela publicidade de lançamentos imobiliários para constatar: a cidade, para as construtoras e a velha imprensa, não é um espaço de convívio e debate democrático, mas um território a ser colonizado pela lógica da acumulação e do lucro. O boicote, porém, não vingou. As audiências ocorreram e — ainda mais importante — algo imprevisto sucedeu, ao longo de seu transcurso. Um setor historicamente empurrado para as margens da cidade e da política tradicional irrompeu no centro da cena. No período decisivo de tramitação do Plano Diretor, os sem-teto ocuparam dois imensos terrenos, nas periferias Sul e Leste de S.Paulo. Mas não se confinaram a estes redutos. Fizeram exigências à Prefeitura. Manifestaram-se (sempre dezenas de milhares de pessoas) diante da Câmara. Ocuparam avenidas, às vésperas da Copa do Mundo. Se o país pode gastar bilhões com a construção de estádios moderníssimos – avisaram — tem de ser possível aprovar leis que tornem as cidades menos arcaicas. Urbanista ligado aos movimentos pelo Direito à Cidade, o vereador Nabil Bonduki (PT) foi o relator do Plano Diretor. No texto abaixo, publicado originalmente no site “Cidade Aberta” ele expõe em detalhes o que muda, a partir de agora, nos parâmetros legais que definem a expansão de São Paulo. Dois pontos destacam-se. A moradia social ganha importante espaço. As Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), onde pode haver desapropriações para habitação popular, passam a ocupar 33 km² — contra 17 km², no PDE anterior. Ai, 60% das construções deverão ser destinadas a famílias cuja renda está abaixo de 3 salários-minimos. Elas não ficarão confinadas aos rincões da periferia. Agora, as ZEIS expandem-se por bairros centrais e históricos, como Bela Vista, Brás, Santa Ifigênia, Campos Elísios e Pari. Se a pressão dos movimentos populares se mantiver, e a letra da lei virar realidade, estará aberta uma brecha na muralha de segregação social que separa as “zonas nobres” do subúrbio. Além disso, uma norma inteligente permitirá contrabalançar, em parte, a marcha desumanizante da especulação imobiliária. Para erguer novas construções, será preciso levar em conta a dinâmica do transporte coletivo. Prédios mais altos, só em torno das linhas do metrô ou dos corredores de ônibus — o que valoriza estas artérias. No miolo dos bairros, edifícios de no máximo 28 metros. Ou seja: embora mantenha sua força, o mercado será forçado a colocá-la em sintonia com políticas públicas. Há outras inovações importantes. A cidade reconhece que tem uma Zona Rural (situada na periferia Sul, ocupando 25% do território) — o que permite estabelecer estímulos fiscais à agricultura orgânica e ao turismo ecológico. Para refrear a ditadura do automóvel, punem-se, com impostos mais altos, prédios com mais de uma vaga de garagem por apartamento. Para aproveitar melhor o escasso espaço urbano (e evitar seu encarecimento incessante), estimulam-se prédios residenciais que reservem seu andar térreo para comércio. Instituem-se Zonas Especiais de Proteção Ambiental (ZEPAms), visando dobrar a área do município ocupada por parques. Cria-se um Corredor Cultural, tendo como eixo o antigo Cine Belas Artes — cuja reinauguração, após intensa luta, ocorrerá logo após a Copa do Mundo. Adensamento populacional nos eixos/cidade compacta A construção de prédios altos na cidade, hoje dispersa, será reordenada, concentrando o adensamento construtivo e populacional ao longo dos eixos de transporte de massa. O plano propõe tornar a cidade mais “compacta”, com mais pessoas morando em áreas já urbanizadas, reduzindo desse modo, os deslocamentos, e aproximando moradia e emprego. Ao mesmo tempo, áreas mais periféricas receberão maior infraestrutura e emprego, com a implantação dos Polos de Desenvolvimento Econômico, o que também contribuirá para melhorar a ofertas de serviços nessas regiões e reduzir os deslocamentos. O processo de adensamento ao longo dos eixos somado ao desenho da malha de corredores de ônibus estruturados na cidade, que foram propostos pela prefeitura, e da construção de ciclovias, contribuirá para a racionalização do uso do automóvel. Por outro lado, as zonas estritamente residenciais serão preservadas e haverá um limite de altura de 28 metros nos miolos dos bairros, evitando os espigões. Dessa forma, o Plano regulará a atuação do mercado imobiliário levando-o para a onde a cidade deve crescer e restringindo onde não deve mais. Recriação da zona rural Após 12 anos de extinção, a zona rural, no extremo-sul da cidade, será recriada e abrangerá 25% do território paulistano. O objetivo é conter a expansão horizontal da cidade, proteger o que resta do cinturão verde, aliando à ideia de cidade compacta, e fazer essas áreas serem melhor utilizadas, criando emprego e renda com atividades que garantam a preservação do meio ambiente, como a agricultura orgânica e o ecoturismo. Limite de vagas de garagens Na construção de novos prédios, será permitida sem cobrança extra a construção de uma vaga por unidade residencial e uma vaga para cada 100m2 de área construída em empreendimentos não residenciais. Será cobrada a outorga onerosa para vagas além do estabelecido. Fachadas ativas Os prédios que tiverem “fachada ativa”, ou seja, que oferecerem o térreo para estabelecimentos comerciais, receberão incentivos para construção. O objetivo é promover usos mais dinâmicos dos passeios públicos em interação com atividades instaladas nos térreos dos prédios, fortalecendo a vida urbana nos espaços públicos. Redução do déficit habitacional Com o novo Plano Diretor, o número de Zeis (Zonas Especiais de Interesse Social), destinadas à produção de moradia para famílias de baixa renda, serão ampliadas em 117% em relação ao Plano vigente, reduzindo significativamente o déficit habitacional da cidade. No Plano em vigor atualmente, 40% das Zeis são destinadas a famílias de 6 salários mínimos e outros 40% a famílias de até 16 salários mínimos. Com o novo Plano, famílias que mais necessitam terão maior possibilidade de acesso à moradia. As Zeis foram reformuladas, de modo que 60% delas serão destinadas à população de até 3 salários mínimos, garantindo, assim, que um número maior de moradias sejam destinadas à população mais pobre da cidade. Zeis na periferia e no centro Com o novo Plano Diretor, Zeis serão demarcadas em áreas com assentamentos precários e informais, como favelas localizadas nas periferias, que precisam ser urbanizadas e regularizadas do ponto de vista fundiário. Assim, essas áreas irão garantir moradia com qualidade para aqueles que vivem nessas regiões, que poderão ter um endereço, documento, receber infraestrutura e ser, enfim, parte da cidade. Novas Zeis também foram demarcadas em áreas centrais, como nos bairros da Santa Efigênia, Pari, Brás, Campus Elíseos, e Bela Vista, e também, em bairros como o Jabaquara, na zona sul, regiões bem localizadas da cidade, que ficarão reservadas para a população de até 3 salários mínimos. A outorga onerosa, contrapartida na qual o proprietário paga para construir entre o gratuito e o máximo permitido pela lei, será mais cara no centro, desestimulando a construção de imóveis comerciais, enquanto os residenciais serão barateados, principalmente para famílias com renda de 6 a 10 salários. Recursos para habitação e mobilidade Ao menos 30% dos recursos do Fundurb (Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano), que possui repasses da outorga onerosa, contrapartida no qual os empreendimentos pagam para construir entre o gratuito e o máximo permitido pela lei, será destinado ao sistema de mobilidade (transporte coletivo, cicloviário e de pedestres), enquanto ao menos 30% serão destinados à aquisição de errenos bem localizados para a construção de moradia popular. Zeis e proteção ambiental Algumas dessas áreas demarcadas como Zeis se localizam em área de proteção aos mananciais, protegida por legislação estadual. Lá existem áreas indevidamente ocupadas, que precisam ser reordenadas, para isso é preciso grafar Zeis: tanto para reurbanizar e regularizar o que for possível, tanto quanto para reassentar as famílias que estão precariamente assentadas nas áreas onde isso não é permitido. Apesar de definir restrições ao uso e ocupação do solo, a legislação estadual não proíbe a construção de moradias nem a regularização fundiária e urbanização de assentamentos precários, mas estabelece locais e parâmetros para isso. As Zeis grafadas em área de proteção aos mananciais seguem estritamente a legislação estadual. Preservação ambiental Para preservar o que resta de áreas verdes serão ampliadas as Zepams (Zonas Especiais de Proteção Ambiental). Nas novas Zepams há projetos para construção de 164 novos parques públicos, que se somarão aos 105 existentes. Serão 82 km² de áreas verdes, quase o dobro dos 42 km² de área dos parques atuais na cidade. A proposta é criar editais semestrais para que sejam remuneradas as empresas que preservarem, por exemplo, áreas remanescentes de mata atlântica, por meio do pagamento por serviços ambientais. Fundo para novos parques O Plano Diretor propõe a criação do Fundo Municipal dos Parques, destinado exclusivamente à aquisição de áreas e viabilizar a implantação de parques na cidade. O objetivo é captar recursos tanto da prefeitura quanto do setor privado e de cidadãos, numa espécie de financiamento coletivo. O fundo terá contas específicas para cada parque e para cada real doado a prefeitura destinará o mesmo valor, que sairá do Fema, Fundo Municipal do Meio Ambiente. Cota de solidariedade Outro instrumento de planejamento urbano e habitacional para estimular produção de habitação para baixa renda no município é a Cota de Solidariedade. Já utilizada em grandes metrópoles como Nova York, a cota cria mecanismos de contrapartida na construção de empreendimentos de grande porte. A proposta é que imóveis acima de 20.000 m², destinem 10% do próprio imóvel ou de uma área na mesma região para a implantação de moradias de interesse social, visando cumprir a função social da propriedade e da cidade. Evitar imóveis ociosos Imóveis desocupados próximos às zonas destinadas a moradias populares e nos eixos de mobilidade, como nas Marginais e nos corredores de trem, ônibus e metrô, terão IPTU mais caro. Isso é para forçar que um terreno não fique ocioso ou subutilizado e que o proprietário o utilize apenas para especulação imobiliária. Com isso, queremos baixar o preço dos terrenos, aumentar a produção habitacional e estimular mais a economia da cidade. Território cultural Será criado um território cultural que liga o centro, à Avenida Paulista. A área demarcada como território cultural concentra um grande número de espaços culturais que podem ser enquadrados com ZEPEC APC (zonas especiais de preservação cultural), cujo objetivo é resguardar locais com importância para a cultura da cidade, evitando seu fechamento, como aconteceu com o Cine Belas Artes, na Rua da Consolação, que será reaberto em maio. Saiba mais Discussão de outras leis de planejamento urbano O Plano Diretor vai orientar a elaboração de outras leis voltadas ao planejamento urbano municipal, como a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, os Planos Regionais, o código de Obras e Edificações e Leis Urbanísticas Específicas, por isso sua rápida aprovação é tão importante. Saiba mais Tramitação do projeto O projeto de lei do Plano Diretor foi enviado pelo prefeito Fernando Haddad à Câmara Municipal em 26 de setembro de 2013. A proposta foi, então, submetida a debate e, após 45 audiências públicas, entre temáticas e regionais, o vereador Nabil Bonduki e sua equipe técnica analisaram o projeto do Executivo e elaboraram um substitutivo, acrescentando novas temáticas e aperfeiçoando outras. O texto final da proposta de substitutivo do Plano Diretor foi apresentado à Câmara pelo vereador Nabil Bonduki, em 26 de março, e submetido a sete novas audiências públicas temáticas e regionais. Em 23 de abril, a proposta foi aprovada pelos sete vereadores da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, da Câmara Municipal, foi aprovada em primeira em 30 de abril, e seguiu para novas audiências e segunda votação. * Publicado originalmente no site Outras Palavras.


por Nabil Bonduki, para o Outras Palavras
Copa3 Sociedade

A evolução impulsionada por projetos unificadores

A realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil testa a capacidade do país de se organizar, oferecer mobilidade e segurança nas cidades Além disso, testa sua habilidade para receber milhares de visitantes e turistas, aloja-los, dar-lhes condições de bem estar. Os governos são cobrados em sua competência para realizar as obras necessárias a tempo e com custos adequados. A sociedade se movimenta em torno do evento: alguns exaltam seu aspecto festivo, outros criticam os gastos realizados. Ao se oferecer para sediar a Copa e ser escolhido, o Brasil se propôs um desafio que catalisou energias e recursos. Da mesma forma, uma cidade escolhida para sediar os Jogos Olímpicos induz seus governantes a saírem da gestão do dia a dia; mobiliza organização, planejamento, energias humanas e institucionais, monitoramento e fiscalização para que tudo esteja pronto a tempo para o grande evento. O desfile de escolas de samba no Rio de Janeiro, definido por Darcy Ribeiro como o maior espetáculo da Terra também demanda tal capacidade. Organizar eventos festivos é um desafio pequeno se comparado a outros projetos coletivos. No Brasil, a construção de Brasília foi um projeto que mobilizou vontade, determinação, planejamento e capacidade de realização. Em Portugal no século XVI, as navegações foram cuidadosamente planejadas e executadas com a participação da Escola de Sagres. No século XX a descida do homem na lua foi evento que mobilizou esforço e inteligência coletiva, sob o comando da NASA. A construção das catedrais, das pirâmides do Egito, da muralha da China mobilizaram vultosos recursos econômicos, humanos, tecnológicos e de conhecimento. Foi necessário pagar a subsistência de cada trabalhador, financiar, arrecadar e investir recursos para que elas fossem realizadas com sucesso, durante décadas ou séculos. Dispor de um projeto, meta ou mito unificador é um requisito importante para fazer  convergir as energias humanas num rumo comum. Em alguns casos, tais projetos que buscam a unificação interna são essencialmente destrutivos e voltados para a dominação de outros povos, tais como as grandes guerras. No sentido inverso apontam projetos de unificação  politica, tal como o que se desenvolve na União Europeia,  com todos os desafios, recuos e avanços que o caracterizam. Para catalisar energias que levem a um futuro promissor, a humanidade pode precisar de novos projetos e obras unificadores. Um deles pode ser a construção de uma unidade politica planetária. Edgar Morinem texto intitulado O grande projeto observa que “A fecundidade histórica do Estado-Nação hoje se esgotou. Os Estados-Nação são por si mesmos monstros paranóides incontroláveis, ainda mais sob ameaças mútuas. Uma primeira superação dos Estados-Nação não pode ser obtida senão por uma confederação que respeite as autonomias, suprimindo a onipotência”. “Mas nós ainda estamos na "idade do ferro planetário": ainda que solidários, continuamos inimigos uns dos outros e a explosão dos ódios de raça, de religião, de ideologia, provoca sempre guerras, massacres, torturas, ódio e desprezo”. Um projeto político ainda por se realizar é a constituição de uma Federação Planetária que suceda a atual fase dos estados –nação e que avance em relação à Organização das Nações Unidas, da mesma forma como essa avançou em relação à Liga das Nações. Um projeto unificador é necessário para lidar com a crise ecológica e climática planetária. Thomas Berry e Brian Swimme propõem uma obra coletiva de transitar dessa crise para uma era em que exercitemos nossa capacidade de sustentar o mundo natural para que o mundo natural possa nos sustentar, num processo de  sustentabilidade recíproca. Eles observam que “Todos nós temos nosso trabalho particular. Temos uma variedade de ocupações. Mas além do trabalho que desempenhamos e da vida que levamos, temos uma Grande Obra na qual todos estamos envolvidos e ninguém está isento: é a obra de deixar uma era cenozóica terminal e ingressar na nova Era Ecozóica na história do Planeta Terra. Esta é a Grande Obra”. Eles observam que “Precisamos reinventar o humano no nível da espécie porque os temas com que estamos envolvidos parecem estar além da competência de nossas tradições culturais atuais, seja individualmente ou coletivamente”. A crise climática está associada a uma crise da evolução biológica e cultural. Diante da perspectiva de colapso planetário e da percepção dos limites da capacidade de suporte do planeta, a busca da segurança motiva uma construção coletiva de respostas. Um dos mitos unificadores atuais é o da sustentabilidade, que se procura viabilizar por meio de um conjunto de iniciativas que envolvem governos, empresas, organizações sociais e indivíduos. Imaginar um projeto unificador, ter a determinação e mobilizar os recursos para colocá-lo em prática numa obra coletiva é um pré-requisito para se construir um futuro promissor. * Maurício Andrés Ribeiro é autor de Ecologizar e de Meio Ambiente & Evolução Humana WWW.ecologizar.com.br ecologizar@gmail.com


por Maurício Andrés Ribeiro*
Comemorações do lado de fora da casa da dirigente Mamata Banerjee. Foto: Avishek Mitra/IPS Inter Press Service - Reportagens

Participação política das mulheres fica para trás na Índia

[caption id="attachment_115901" align="aligncenter" width="529"] Comemorações do lado de fora da casa da dirigente Mamata Banerjee. Foto: Avishek Mitra/IPS[/caption]   Nova Délhi, Índia, 2/7/2014 – Quando ainda ecoam na Índia os efeitos das eleições nacionais, ativistas e acadêmicos se perguntam se a crônica insegurança que sofre a população feminina e a apatia dos dirigentes políticos para enfrentá-la poderiam ser revertidos com mais mulheres no parlamento. Desde a violação coletiva de uma jovem em Nova Délhi, há dois anos, até a violação e o linchamento de duas primas adolescentes no Estado de Uttar Pradesh, a violência de gênero ocupa a primeira página da imprensa local. Em um programa de prioridades do governo iniciado no dia 1º deste mês, foi incluído o compromisso de garantir representação feminina de 33% no parlamento, bem como nas assembleias estaduais. A aprovação do projeto de lei de Cota para as Mulheres, que estabelece para elas um terço dos assentos da Lok Sabha (câmara baixa) e de todas as assembleias legislativas, poderia se converter em uma forte mensagem a favor do empoderamento feminino, segundo especialistas.   O projeto foi aprovado na Rajya Sabha (câmara alta) em 2010, mas espera a aprovação da Lok Sabha, bem como do novo primeiro-ministro, Narendra Modi, do nacionalista Bharatiya Janata Party (BJP). Para vários analistas, o projeto simboliza a chave que abriria a caixa das necessárias reformas eleitorais e parlamentares. O princípio da igualdade de gênero está consagrado na Constituição da Índia. Além disso, este país ratificou várias convenções internacionais e instrumentos de direitos humanos para garantir a equidade das mulheres. Um desses documentos é a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (Cedaw), ratificada em 1993. Mas, atualmente, há apenas 61 mulheres na câmara baixa, que tem um total de 543 parlamentares. Apesar de as mulheres constituírem cerca de metade dos 1,2 bilhão de habitantes, não estão bem representadas em todos os níveis políticos. Isto se refletiu nas últimas eleições, quando houve apenas 632 candidatas, bem abaixo dos 7.527 homens que se candidataram. “Dificilmente haverá uma representação proporcional na (chamada) maior democracia do mundo”, disse a socióloga Pratibha Pande, que foi professora na Universidade de Nova Délhi. Por outro lado, “se as mulheres fossem um terço dos parlamentares, se implantaria um sistema de controle e equilíbrio para garantir melhor vigilância das autoridades nos casos de violação e na proporção entre mulheres e homens, notória em todo o país”, acrescentou Pande. Nas últimas décadas se registrou um contínuo declínio na proporção de mulheres em relação aos homens na população indiana. Ainda se prefere os filhos homens e, embora desde 1996 seja proibido conhecer o sexo do bebê, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que “faltam” cerca de 50 milhões de mulheres na Índia devido a práticas como feticídio e infanticídio. A mentalidade patriarcal está tão arraigada que, segundo o censo de 2011, há cerca de 37 milhões de mulheres a menos do que de homens: elas são 586,5 milhões contra 623,7 milhões de homens. A alfabetização também mostra claramente a situação. Sabem ler e escrever, 76% dos homens e apenas 54% das mulheres, o que limita mais suas oportunidades no campo político. Durante a última campanha eleitoral, muitos partidos políticos, incluindo o nacionalista pró-hindu BJP, expressaram seu desejo de promover leis que melhorem a situação das mulheres e enderecem os permanentes desequilíbrios de gênero. O BJP tirou do poder o Partido do Congresso, que governou durante a última década. Mas nenhuma organização apresentou mais do que umas poucas candidatas, que para muitos observadores foram simples “peças” no processo. Segundo um ensaio de Carole Spary, professora na Universidade de York, na Grã-Bretanha, os partidos políticos da Índia tendem a considerar que as mulheres têm menos possibilidades de ganhar as eleições, em comparação com os homens, e, portanto, preferem não se arriscar. Amitabh Kumar, do Centro de Pesquisa Social, com sede em Nova Délhi, que há anos promove campanhas para a aprovação da lei de Cota para as Mulheres, disse à IPS que, apesar de já terem passado seis décadas desde a independência, uma atitude profundamente misógina frustra a capacidade das mulheres de ingressarem na política e influir nas decisões políticas. “Inclusive mulheres muito capazes que demonstraram excelentes habilidades administrativas e de liderança têm dificuldades para mobilizar fundos para as eleições”, afirmou Kumar. Para competir por uma vaga no legislativo, o candidato ou a candidata precisa de pelo menos US$ 5 milhões. “Quantas mulheres podem reunir essa quantia?”, questionou. As mulheres constituem apenas 11% dos membros da câmara baixa, uma quantidade ínfima comparada com muitos países, inclusive com vizinhos da Índia na Ásia meridional. Segundo dados deste ano da União Interparlamentar, com sede em Genebra, o Paquistão tem 67 mulheres na câmara baixa, de um total de 323 deputados (20,7%), Bangladesh tem 67 de 347 (19,3%), e o Nepal tem 172 num universo de 575 (29,9%). A situação na câmara alta indiana não é muito melhor, com 27 mulheres em 2013, equivalentes a 11,5%, bem abaixo da média mundial de 19,6%. A representação feminina no parlamento é importante não só pela justiça social e legitimidade do sistema político, mas também porque um número maior de mulheres no espaço político, articulando interesses e exercendo o poder, atacará a própria raiz do domínio patriarcal na vida pública. “Sem a suficiente visibilidade, a capacidade de um setor de influir, seja na tomada de decisões ou na cultura política na qual está o sistema de representações, é limitada”, explicou Pande. “É preciso haver uma massa crítica de mulheres para colocar as questões femininas na agenda política”, acrescentou. Um novo estudo da organização Oxfam International concluiu que as panchayats (unidades administrativas rurais) encabeçadas por mulheres funcionavam melhor do que as geridas por homens, segundo um índice realizado com base em oito serviços: água potável, sanitários e saneamento, escolaridade, comércio, grupos comunitários de autoajuda, implantação de programas de bem-estar e redução do alcoolismo masculino. O fato de as mulheres serem quase 25% do novo gabinete ministerial é um bom sinal para o movimento feminino. Esta é a primeira vez que a Índia tem sete ministras, o que cria esperanças de que o país consiga dar passos importantes para reverter o desequilíbrio de gênero na política. Envolverde/IPS


por Neeta Lal, da IPS
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“Sou uma pessoa do meu tempo”

Há tempos sonho com este projeto. Apresentar Míriam Leitão não tão somente como a brilhante e premiada jornalista multimídia. Mas como ambientalista, interlocutora mais do que relevante, que tem feito toda a diferença no cenário socioambiental brasileiro, e, porque não, global. Não gostaria de resumir e cair no lugar-comum de mostrar a Míriam de todos os dias – no jornal, na televisão, no portal ou na rádio-, mas uma faceta que apenas alguns conhecem. Imagine, por exemplo, Míriam de galochas e chapéu, embrenhada em reserva indígena nos confins do Maranhão, junto a ninguém menos do que o afamado fotógrafo Sebastião Salgado. Não poderia gerar outro resultado: uma série genial, que venceu o Prêmio Esso de Jornalismo e mostrou ao mundo a dura luta pela sobrevivência da etnia Awá. Pense na jornalista que transita com a mesma desenvoltura junto a fontes do alto escalão do setor púbico e privado, assim como defendendo a causa dos negros, dos índios, dos menos favorecidos e das famílias de desaparecidos políticos. No seu primeiro livro de ficção, em Tempos Extremos, Míriam encara seus fantasmas do passado e abre, de certa forma, o baú de memórias. Larissa, a personagem principal, é filha de um desaparecido político, que, como Míriam, conheceu de perto os tempos difíceis da Ditadura. Engajada politicamente, a jovem jornalista esteve presa por três meses quando estava grávida do primeiro filho, Vladimir. Hoje, em tempos menos extremos, a mineira de Caratinga passa quase despercebida, munida de binóculos e chapéu de abas largas na Reserva Particular, localizada na Zona da Mata de Minas, na qual aproveita os raros fins de semana de folga com a família. Longe do agitado dia-a-dia, Miriam recarrega as baterias procurando pássaros que serviram de inspiração para o primeiro livro infantil, A perigosa vida dos passarinhos pequenos, lançado em 2013. Era este perfil, esta entrevista, que gostaríamos de apresentar ao leitor de Plurale. Apresentando a Míriam casada com o sociólogo e jornalista Sérgio Abranches (editor do Portal Ecopolítica e comentarista da CBN), mãe de Vladimir e Matheus, e um enteado, Rodrigo, avó de Mariana, Daniel, Manuela e Isabel. Generosa, Míriam não só aceitou o desafio, como respondeu a todas as perguntas. Sem deixar de comentar até mesmo sobre a relação entre a temática socioambiental e política. Conversamos sobre Tempos Extremos, o novo livro; os desafios da migração para a Economia de baixo carbono; o desmatamento na Amazônia; a profissão; família e muito mais. Acompanhe esta entrevista exclusiva para os leitores de Plurale sobre esta jornalista/ambientalista multifacetada. “Sou uma pessoa do meu tempo”, resume. Agradecemos também imensamente a generosidade de Sergio Abranches que nos cedeu fotos do arquivo pessoal para esta entrevista. Plurale em revista - Você acaba de lançar Tempos Extremos, seu primeiro livro ficção, após vários não-ficção. O que lhe moveu nesta direção? Foi difícil migrar para o terreno ficcional? Míriam Leitão - No começo tentei fugir das ideias que vinham à minha mente. Mas depois que parei de brigar com o livro, a narrativa fluiu. Na verdade, percebo agora que o fato de ter lido muita ficção ao longo da vida me ajudou no jornalismo e na hora de escrever meu próprio romance. Uma boa reportagem tem que usar técnicas do texto literário. Foi arrebatador e libertador escrever um romance, porque nele eu tive que me entregar aos personagens totalmente. Plurale - Tomou gosto? Virão outros livros de ficção? Míriam – Entrei no mundo dos livros para ficar e estou aberta. Estou há três anos escrevendo um outro livro, de fôlego, de não ficção, sobre o Brasil. Alternava isso com o Tempos Extremos, indo de um para o outro com a mesma paixão. Há novos infantis no forno. Minha certeza é que quero continuar escrevendo, enquanto puder. Plurale - O livro fala dos porões de escravos e da ditadura, de fazendas de Minas, de natureza. Você esteve presa, quando estava grávida do primeiro filho, nos tempos de chumbo e nasceu em Minas ... tem algo de autobiográfico este novo livro? Miriam - Não é autobiográfico. Há pontos de contato. Há uma personagem que tem a minha faixa etária e também foi presa grávida, como eu. Mas ela é muito diferente de mim. Meu desafio foi exatamente não cair nessa tentação. A personagem principal, Larissa, tem 38 anos e vê a minha geração com estranheza, apesar de ela mesma ser vítima da ditadura por ser filha de um desaparecido político. Plurale - Tempos Extremos, apesar de ser ficção, também traz uma parte relevante de pesquisa, reportagem. Mostra as suas pesquisas sobre escravos, do que foi resgatado com as escavações na Zona Portuária carioca. O que mais lhe impressionou nesta pesquisa? Miriam – Fiz pesquisas sem saber que seriam usadas nos livros. Há anos venho lendo sobre escravidão por interesse de entender melhor a história do Brasil e especificamente este período doloroso. Isso me levou a fazer reportagens como a Arqueologia da Escravidão. E a reportagem me deu ideias para o livro. Foi tudo natural. Uma coisa levou a outra. Andando nas pedras do Valongo ou no Cemitério dos Pretos Novos fui tendo ideias para o livro. Uma visita que fiz, movida apenas pelo interesse pessoal, a uma exposição na Casa de Rui Barbosa me ajudou a compor uma personagem do período da escravidão. Para o leitor de Plurale entender: o livro tem duas trilhas, uma família de escravos que se divide sobre como enfrentar a escravidão no século XIX. E uma família que nos dias de hoje se reúne numa fazenda para o aniversário da matriarca, mas que carrega uma grande divisão, não sanada, do período da ditadura. Eles viverão emoções fortes no desenrolar da trama tanto em um quanto em outro tempo. Não são dois livros em um. A ficção, que tudo pode, aproxima os dois tempos extremos do Brasil. Plurale – Na sua carreira jornalística, as primeiras experiências foram como repórter de Política, depois de repórter de Diplomacia e se consagrou na Economia. Mas também tem forte viés socioambiental. Dá palestras e é escritora. Como se classificaria? Que atividade gosta mais? Míriam - Sou uma pessoa do meu tempo. O jornalista hoje é um produtor de conteúdo e isso pode ir do Twitter ao livro. Quero comunicar: ideias, histórias, causas. Gosto de tudo do que eu faço e aproveito a pergunta para deixar claro que continuarei jornalista enquanto viver. Minha ida para os livros não me afastará do jornalismo. Plurale - Seus dois filhos são jornalistas. Jornalismo está no DNA? Miriam - Vladimir Netto (da TV Globo, em Brasília) e Matheus Leitão (da Folha de S. Paulo) são dois excelentes jornalistas e escolheram caminhos diferentes do meu. Gostam e se dedicam mais ao jornalismo investigativo que é o mais forte na geração deles. Aprendo muito com eles. Plurale - Em seu trabalho, tem acompanhado os principais fóruns de diálogo sobre o Desenvolvimento Sustentável, como a Rio 92, a Rio + 20 e as reuniões de clima da COP. Qual a sua análise do que tem visto? O tema é urgente, mas os líderes globais lhe parecem dispostos a ceder em prol de países subdesenvolvidos? Míriam - É a marcha da insensatez novamente. Não é a primeira vez que a humanidade adia o inadiável. Mas neste caso, pode ser fatal. Acompanho esse debate porque sei que ele é central no mundo de hoje. Basta olhar em volta. O Brasil vive esse ano um momento extremo do clima e um estresse hídrico de grande proporção. Plurale - Acredita na nova filantropia de nomes de grande destaque, como Bill Gates e Warren Buffet, que estão envolvidos em cruzada pela transferência de tecnologias para estes mercados menos favorecidos? Míriam - Os Estados Unidos têm a tradição da filantropia e do voluntarismo. Em parte isso se faz com deduções do Imposto de Renda. Plurale - No caso do Brasil, a questão da sustentabilidade tem realmente avançado? É realmente uma preocupação séria de empresas, governos e Terceiro Setor ou ainda estamos patinando? Míriam - Ainda estamos patinando. Pior, há momentos que penso que recuamos. Houve um esforço forte até o começo do governo Dilma, mas de lá para cá colecionamos retrocessos. As empresas falam mais do que fazem em sustentabilidade. Plurale - Acredita que a pauta de sustentabilidade estará presente nas Eleições de 2014? Míriam - Deveria estar porque este ano vivemos uma seca severa no Nordeste, São Paulo corre o risco de colapso de água, os reservatórios das hidrelétricas estão com nível crítico de água. Mas o debate eleitoral brasileiro tem sido ditado pelos marqueteiros e não pelas necessidades do país. Plurale - Devastamos a Mata Atlântica, o Cerrado e o desmatamento da Amazônia, apesar dos números mostrarem redução, ainda são dados alarmantes. Pelas suas andanças por sertões e veredas, o que tem visto? Míriam - Tenho visto devastação e a luta da conservação. Alguns protegem, preservam e replantam por amor e por serem visionários. Os conservacionistas não desanimam e isso me estimula a sonhar com um país melhor e mais sustentável no futuro. Plurale - Reportagem com Sebastião Salgado junto aos índios Awá, no Maranhão, lhe rendeu recente Prêmio Esso. A série mostra que aquela etnia e tantas outras mandam SOS. Falta uma política consistente para os povos indígenas no Brasil? Míriam - Falta até algo mais elementar: entender os povos indígenas. Eu digo sinceramente que agradeço a chance de ter feito a reportagem porque tive que estudar o tema e lá ver o mundo da perspectiva deles. Aprendi muitíssimo, mas ainda é pouco o que eu sei. Eles prestam aos outros brasileiros um enorme serviço ambiental. Viajei por um Maranhão devastado, seco e quente. Encontrei um oásis: era a floresta onde os 400 Awá estão dispostos a dar a vida para manter as árvores em pé. Plurale - Junto ao seu marido, o também jornalista Sergio Abranches, compraram e mantém uma Reserva Particular do Patrimônico Natural (RPPN), em Santos Dumont, na Zona da Mata de Minas, que lhe rendeu inspiração para livro infantil. O que a natureza tem lhe ensinado? Gosta de observar pássaros? Míriam - O convívio com a natureza, andar na mata, ouvir o canto dos pássaros tem feito de mim uma pessoa melhor. Sérgio e eu colocamos em prática o que pregamos e já replantamos 32 mil mudas de árvores de espécies nativas da Mata Atlântica e fizemos uma RPPN. Hoje metade dos nossos 113 hectares em Minas é ocupada por mata fechada ou bosque em crescimento. Os pássaros voltaram, os mamíferos começam a aparecer, a água brota do chão. Isso tudo me inspira. Plurale - Que região - no Brasil e no mundo - planeja conhecer em breve? Míriam - Vou de novo a Amazônia. Não quero parar de ir. São muitas amazônias e eu quero conhecê-las todas. Plurale - Um novo livro infantil acaba de ser lançado. Do que fala, é para que público? Míriam - A Menina de Nome Enfeitado foi escrito para falar do encantamento da entrada no mundo da leitura e para resolver um problema: o que fazer com o H. Mas de alguma forma eu acabo falando de “caminho da mata” e “ninho de passarinho”. Afinal, aí tem H. É para crianças em fase de alfabetização. Já está nas livrarias. Acabei de lançá-lo em São Paulo e aguardo chance de lançar no Rio. ............... Arianas, nascidas no Dia do Jornalista Sônia Araripe Um jornalista não se faz da noite para o dia. Muito menos apenas após a formação universitária, generalista e normalmente rasa. É no dia-a-dia, a partir da paciência de colegas – chefes e repórteres com maior experiência – é possível ir formatando, burilando este ser que precisa, antes de mais nada, aprender a pensar. Felizmente tive esta imensa sorte. Ao longo de 30 anos de profissão, transitando por diversas redações - como Jornal do Commércio, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil (por onde estive em diferentes fases por 14 anos) - convivi com alguns dos mais brilhantes jornalistas da geração atual. Para não correr o risco de esquecer de tantos nomes, cito apenas os editores diretos: Ricardo Bueno, Luiz Cesar Faro, Coriolano Gatto, Cristina Calmon, José de La Peña, Míriam Leitão, Xico Vargas, Arnaldo César, Altair Thury, Cláudia Reis, Suely Caldas, Cristina Konder, Ricardo Boechat, Augusto Nunes e José Casado. Um time de figurinhas carimbadas, capaz de fazer “corar” a Seleção de Felipão. Míriam foi minha editora por cerca de cinco anos, nos bons tempos do JB. Rigorosa sim, rancorosa não. Severa sim, mas esperando o melhor de cada repórter. Nos descobrimos, logo após algum tempo de convivência que nascemos no mesmo dia. Arianas, sim senhor! E como se a sina estivesse sido escrita, nascidas no Dia do Jornalista. Guardo as melhores lembranças destes tempos. Ganhamos um prêmio de jornalismo pela cobertura investigativa do que viria a se transformar no Caso Naji Nahas, do megaespeculador responsável por um esquema fraudulento que colimou com a bancarrota de várias corretoras e da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Míriam não só bancou a matéria como defendeu os repórteres junto ao poderio econômico. Exigia, cobrava, sempre foi o seu estilo. Mas sabíamos que era sempre pelo melhor resultado. Em quarenta anos de profissão, Míriam recebeu diversos prêmios, entre eles o Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia, de Nova York. Ganhou o Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção em 2012 por Saga brasileira, sobre o período que acompanhamos de perto da hiperinflação. Seus filhos seguiram os passos dos pais e são jornalistas de boa cepa. Feliz por também poder apresentar a minha Isabella, que se inicia na profissão. Uma passagem ficou para sempre marcada. Apaixonadas por política, apesar de, na época, estávamos na Editoria de Economia do JB, nos envolvemos na cobertura das eleições presidenciais de 1989, marcadas por denúncias de manipulação em debates na TV. Conhecíamos de perto o “braço-direito” do ex-governador Leonel Brizola, o jovem economista (e ex-secretário de Finanças do Estado do Rio) César Maia. Brizola temia um novo “Caso Proconsult”, e sem confiar nas pesquisas e contagem oficial, deixou para César Maia a tarefa de contabilizar os votos por informes de regiões. Míriam soube disso e me levou para o “quartel-general” dos pedetistas, no apartamento de Brizola. Entramos “escondidas” dos coleguinhas já no fim da tarde, começo da noite, com fotógrafo. Já sabendo ter sido derrotado no primeiro turno para Lula, a quem Brizola chamava de “sapo barbudo”, o gaúcho tinha partido para o Uruguai. Fizemos uma ampla e exclusiva cobertura deste fato histórico com vários pedetistas fundadores do partido. Voltamos já tarde para a redação e Míriam “virou” o jornal para contar o que vimos e ouvimos. Sentada ao seu lado, me empolguei em escrever a “quatro mãos” o texto que começaria na primeira página. Fizemos uma matéria principal e outra menor. Fui embora com a sensação de ter, de certa forma, participado da História com H maiúsculo. Qual não foi minha surpresa, no dia seguinte, ao ver o texto assinado na primeira assinado apenas com o meu nome. E o de Míriam apenas lá dentro como colaboração. Generosidade é o seu nome. .......... Tempos extremos: Ficcção com F maiúsculo Tempos Extremos, por Míriam Leitão, Editora Intrínseca, 272 páginas, Preço sugerido: R$ 24,00 Sônia Araripe Não espere uma leitura fácil e despretensiosa. Tempos extremos é a primeira ficção – espera-se que de muitas – da jornalista Míriam Leitão e, na estreia, já deixa gosto de “quero-mais”. Larissa é jornalista frustrada, que migrou para a pesquisa em História. Filha de desaparecido político, não chegou a conviver, de verdade, com o seu pai. Sua mãe, Alice, amargurada, enfrenta a dor de um luto eterno, sem direito a velório. Primos, tios, parentes de uma grande família tradicional – com seus anseios e conflitos – se reencontram na Fazenda Soledade de Sinhá, no interior de Minas. Larissa passa a ter, então, contato com o sobrenatural: “fantasmas” passam a “visitá-la” na madrugada, com a jovem Paulina e Larissa se unindo no desejo de fazer Justiça. Os tempos difíceis da Ditadura e da Escravatura se cruzam de maneira surreal. Do porão da fazenda secular e do “fantasma” ainda presente dos porões da Ditadura. Apaixonada por Guimarães Rosa e Gabriel Garcia Marques, Míriam abre, de certa forma, o seu “baú de memórias”, e vai desenrolando o fio de uma meada fantástica e de prender o fôlego. Pesquisadora detalhista, sem jamais abandonar sua veia jornalística, a autora aproveita o material apurado em reportagens: seja sobre as descobertas do Valongo e do cemitério dos pretos novos localizados na revitalização da Zona Portuária carioca, em “Arqueologia da escravidão” e também a série sobre a morte do ex-deputado Rubens Paiva nos porões militares. Ambas séries premiadas: Prêmio Abdias Nascimento 2012 na categoria menção honrosa e Prêmio Vladimir Herzog de 2012 na categoria reportagem de TV, respectivamente. E como se desenrola a trama e seus personagens destes diferentes porões? Bom, aí só conferindo mesmo. Mais não conto para dar vontade de todos lerem Tempos Extremos e saberem como a história termina. * Publicado originalmente no site Plurale.


por Sônia Araripe, da Plurale
Luis Suárez. Foto: Divulgação Sociedade

Atitude agressiva no campo ofusca o brilho do craque uruguaio

[caption id="attachment_116148" align="alignleft" width="300"] Luis Suárez. Foto: Divulgação[/caption] O talento do atleta Luis Suárez em fazer gols perdeu boa parte do seu brilho quando o craque uruguaio não conteve a ira e mordeu o ombro do jogador Giorgio Chiellini, da seleção italiana. O ato de morder é primário, muita criança utiliza desse artifício quase animal nos primeiros anos de vida para se proteger ou externar raiva. Nessa fase, uma segura repreensão, com esclarecimentos sobre as consequências dessa atitude e a demonstração de que existem outras formas de expressão, podem contribuir para que nos processos de crescimento e de desenvolvimento o futuro adulto saiba lidar com frustrações ou situações difíceis sem utilizar o velho recurso infantil. Se há certa tolerância com mordida quando se é pequeno, depois de grande esse ato se configura como agressão e, dependendo do contexto, a penalidade pode ser severa. O jogador responsável pelas vitórias da Seleção do Uruguai foi banido desta Copa do Mundo pela FIFA. Por não ter segurado seu instinto voraz, Suárez ficará fora de nove jogos oficiais, teve o seu contrato de patrocínio cancelado pela Adidas e a sua ausência na disputa contra a Seleção da Colômbia ajudou muito para a derrota do seu time. E o mais triste desse episódio é que ele é reincidente e já foi punido outras vezes. Pelo jeito trata-se de um comportamento que precisa ser observado com mais profundidade e, talvez, deva receber acompanhamento terapêutico, visto que apenas medidas punitivas parecem não surtir efeito. Sabe-se que a agressividade e a maneira de manifestá-la estão ligadas diretamente ao caráter, a educação e a outros ensinamentos que se aprende desde criança. Depois de crescido, algumas medidas corretivas são mais difíceis e, muitas vezes, implicam em maior dureza. Neste caso, além de prejudicar a sua carreira, o seu comportamento comprometeu o desempenho da seleção do seu país, provocou perdas financeiras, e pode causar prejuízo à sua imagem pública. Como pai de dois meninos, torço para que o Suárez consiga ensiná-los que morder é uma agressão violenta para ser usada dentro e fora dos campos de futebol. Por aqui, fico. Até a próxima. * Leno F. Silva escreve semanalmente para Envolverde. É sócio-diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. É diretor do IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade, membro-fundador da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade, e da Kultafro – rede de empreendedores, artistas e produtores de cultura negra. Foi diretor executivo de sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


por Leno F. Silva*
A foto que inspirou Vivianne a transformar compaixão em ação Sociedade

“Se a vida te der um limão, mude o mundo com ele”

Galera, essa frase pode parecer mais marqueteira do que motivadora, mas você pode se enganar, e ela pode te surpreender e te contagiar! O impacto de uma imagem A pequena Vivienne Harr em maio de 2012, com apenas 8 anos, quando visitava uma exposição ficou chocada por uma foto de dois garotos e irmãos, que trabalhavam em sistema de escravidão carregando duas pedras grandes amarradas em seus corpos. Ao voltar pra casa a menina decidiu que faria algo para mudar aquela situação e comunicou aos pais, que se comoveram muito com a atitude da garota e informaram que ela precisaria de um bom dinheiro para poder ajudá-los. [caption id="attachment_115872" align="aligncenter" width="500"] A foto que inspirou Vivianne a transformar compaixão em ação[/caption] Além de uma Atitude Empreendedora Então, a garota com ajuda dos pais criou uma banca de limonada, onde começou a vender a bebida por 2 euros, mas o resultado financeiro não foi muito bom. Foi quando a menina decidiu parar de cobrar um valor fixo e deixou o preço livre para quanto a pessoa quisesse pagar. “O que seu coração mandar”, lia-se na banca junto ao anúncio da razão de estar vendendo a limonada: para ajudar as crianças que trabalham sob escravidão. Rapaziada, a Vivienne conseguiu milhares de seguidores nas redes sociais, divulgação de sua iniciativa em vários jornais e programas de TV, e sabe qual foi o resultado? Ela chegou a conseguir mais de 115 mil euros (cerca de 350 mil reais), o valor necessário para ajudar a libertar 500 escravos. E não parou por aí! Com o incentivo da família, especialmente do pai, Eric Harr, a jovem lançou o projeto “Make a Stand”, para vender a sua limonada orgânica, a “Lemon-aid”. Um negócio Social 5% do lucro da empresa vai para a Fundação Make a Stand, fundada pela menina para destinar os recursos a parceiros como a UNICEF, por exemplo. Como o negócio social começou a crescer, seu pai pediu demissão do emprego e atualmente se dedica integralmente à empresa fundada pela filha, que em uma palestra afirmou: “Se a vida te der um limão, mude o mundo com ele!” A empresa usa produtos orgânicos, sem conservantes e todos os ingredientes estão claramente descritos nos rótulos, além da transparência total, caso alguém precise de informações sobre como o dinheiro levantado será aplicado para a erradicação da escravidão infantil. Atualmente a empresa integra o grupo B Corporation, uma certificação internacional que valida que a empresa tem em toda sua estrutura os cuidados com impacto social, ambiental e financeiro (aqui no Brasil, uma das únicas que tem o selo é a Natura). Fala sério, galera!? Que essa história seja inspiradora e tenha um efeito transformador na sua vida! Bora acreditar na mudança! Bora botar pra fazer pra que essa mudança aconteça! Vlw?! * Publicado originalmente no Blog do Julio/ Mercado Ético.


por Blog do Julio/ Mercado Ético
Foto: http://www.shutterstock.com/ Sociedade

Cidades melhores: quem não quer?

Tinha gente de bike, gente sentada no chão, uns de cabelos brancos, outros de alargador na orelha, gente de gravata e gente de bermuda. Todo mundo ali, junto, querendo uma coisa só: cidades melhores, feitas para pessoas. Para todas elas. O clima foi mais ou menos assim no seminário de mobilidade urbana promovido pelo Greenpeace na última sexta-feira, 27 de junho, em São Paulo. Porque é isso mesmo: melhorar a mobilidade significa melhorar diretamente a qualidade de vida das pessoas. Dar a elas o direito de acessar tudo o que as cidades têm de bom a oferecer. Significa garantir que a gente tenha escolhas democráticas e eficientes de deslocamento para o trabalho, para a faculdade, para o cinema, para onde for. Mas para ter esse sonho de pé, não basta só reunir gente. É preciso botar na mesa conhecimento, experiência, vivências. E teve muito disso também no seminário. Uma parte, a mais teórica, você encontra aqui neste link, com as apresentações que os especialistas convidados fizeram sobre o assunto. E abaixo, algumas impressões de quem participou do evento. Vamos em frente! Vivian Ragazi Jornalista Quando vi a programação do evento achei muito legal, porque trouxe especialistas bem renomados. Foi muito interessante. Trouxe muitas questões que ajudam a gente a avaliar melhor o que pode ser feito. Discussões sobre como podemos ter mais qualidade de vida, como você transforma uma cidade para pessoas, e não para carros. Pensar a partir dessa ótica é o que mais me interessa. Foi muito bom. Heloisa Motta Engenheira Ambiental Tem dia que eu quero me deslocar de bike, mas tem dia que eu quero pegar um ônibus e ir lendo um livro. E tem dia que eu quero ir a pé. Você tem que ter liberdade de escolhas. Quais as ferramentas políticas para realmente termos uma democracia quando falamos em mobilidade? Tudo isso aconteceu aqui hoje, foi falado, discutido. Quando você pensa em aproveitar a cidade, se deslocar de melhor maneira e se apropriar dos espaços coletivos, não é uma questão de mudar o mundo. É uma questão de melhorar totalmente sua qualidade de vida. Luiz Rocha Arquiteto e urbanista Mobilidade urbana é um tema que me interessa porque afeta diretamente quase 100% das pessoas. É de suma importância. Vim aqui para aprofundar, pegar dados, ter base para entender a situação e usar no meu cotidiano, na minha vida. O debate foi muito proveitoso. Os debatedores tinham boa formação, conteúdo muito aprofundado. Aprendi bastante para estar mais inteirado e, quando conversar sobre isso, ter base de dados para argumentar e defender melhorias na mobilidade. Valeu muito a pena. Hélio de Camargo Membro do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo O evento discutiu a mobilidade e mostrou a importância desse tema numa cidade principalmente como São Paulo, com todas suas dificuldades. Os convidados apresentaram não só os problemas, mas também soluções para o tema. Essas discussões são importantes para trazer qualidade de vida para as pessoas, para não perderem tanto tempo com mobilidade e para poderem usufruir da cidade. * Publicado originalmente no site Greenpeace.


por Bernardo Camara, do Greenpeace

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