À prova de El Niño e La Niña

Ambiente

À prova de El Niño e La Niña


por Constanza Vieira, enviada especial*


[caption id="attachment_51721" align="alignleft" width="255" caption="Um medidor tradicional do nível do Rio Las Ceibas sob a ponte do Guyabo, na saída de Neiva, é complementado com um sensor que pende dessa ponte e envia por ondas de rádio informação sobre o caudal. Foto: Cortesia FAO"][/caption]A prevenção de riscos com participação comunitária reduziu o perigo de inundações e falta de água na cidade colombiana de Neiva.Neiva, Colômbia, 14 de maio de 2012 (Terramérica).- A engenheira Patricia Gómez apresenta um painel para 11 homens do Corpo de Bombeiros desta cidade, capital do departamento de Huila, no sudoeste da Colômbia. Vários deles usam seu uniforme vermelho. Estão relaxados, mas atentos a uma grande tela sobre a qual Patricia explica como ler os indicadores do sistema de alarme de desastres.O que ela mostra é a Rede Integrada de Monitoramento Hidrometeorológico, Alerta e Alarme da Bacia do Rio Las Ceibas (Rimac), alta tecnologia para a prevenção de desastres em tempo real. Las Ceibas é, ao mesmo tempo, fonte de vida e de desastres. Suas águas são a única fonte do aqueduto de Neiva. Contudo, o desmatamento e a queima de solos, antiga tradição camponesa, nefasta para as ladeiras andinas, fazem escorrer sedimentos para o rio, reduzindo a qualidade da água e facilitando desmoronamentos e avalanches. O rio transborda e causa inundações nos bairros pobres da cidade, que estão situados sobre a ribeira.No painel de capacitação sobre a Rimac, a engenheira mostra aos bombeiros como aparece na tela o efeito das fortes chuvas que houve durante o dia na cidade. Uma tábua de valores, alimentada com informação enviada a cada cinco minutos por sensores instalados em diferentes pontos da bacia, mostra que o aguaceiro provocou a maior elevação do rio no mês: 2,36 metros.A Rede conta com oito estações de monitoramento, mas estão previstas 22, segundo um projeto interinstitucional que já dura quatro anos e meio, coordenado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A informação que chega dos sensores é armazenada na estação da Universidade Sul-Colombiana, em Neiva (estatal).Os bombeiros cuidam de monitorar o sistema nas 24 horas do dia. Se há um evento, avisam o prefeito da cidade, único autorizado a declarar o nível de alerta. Patricia recorda aos bombeiros o que dizer às comunidades sobre o significado de alerta amarelo: “O que não fiz em estado normal, faço em alerta amarelo. Me preparo”. Alerta laranja: “Estou na dependência do que dirão as autoridades. Estou pronto”. Alerta vermelho: “Queira Deus que ninguém esteja andando por aí...”.O engenheiro da FAO Humberto Rodríguez, não vacila quando perguntado quais os principais avanços do Projeto Bacia do Rio Las Ceibas, que ele dirige e que faz parte da Rimac. “Reduziu o risco para a população ribeirinha em caso de cheias do Rio Las Ceibas”, disse ao Terramérica.Do projeto participam prefeitura, governo do departamento, a autoridade regional ambiental e as Empresas Públicas de Neiva (EPN). “O sistema de alerta que estabelecemos permite, de forma constante, ter informação dos níveis do rio. Isto é complementado por um sistema de rádios comunitárias que nos informam sobre a situação da bacia”, acrescentou o engenheiro, um entusiasmado especialista com mais de 30 anos de experiência.Humberto assegurou que “também temos um sistema de pluviômetros manuais. Nos comunicamos por telefone celular com os proprietários de terras onde ficam os medidores, que assumiram um compromisso com o projeto”. Ou seja, há comunidade participando na prevenção de risco. Na bacia rural vivem cerca de 600 famílias, mas também estão envolvidos os setores mais expostos da cidade, que tem 295 mil habitantes.Os bombeiros apenas estão aprendendo a usar os equipamentos. A crítica principal é que o sistema conectado à central de bombeiros de Neiva não emite um alarme sonoro, como comentou um deles ao Terramérica. “Isso é algo que podemos modificar”, afirmou Humberto ao ser informado pelo Terramérica. Neste período em que o projeto existe as queimas de solo caíram 90%, calcula a FAO. No início eram queimados anualmente entre 300 e 400 hectares, o que resultava em maior sedimentação e mais riscos águas abaixo. Os relatórios atuais sobre queima vão de um a quatro hectares, no máximo.O empregado das EPN encarregado de verificar o medidor na ponte do Guayabo, à saída de Neiva, recorda épocas com tal quantidade de sedimentação que as águas chegavam a oito a nove mil unidades nefelométricas de turbidez (NTU). A turbidez da água para beber não deve superar as cinco NTU, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em Las Ceibas, o último registro marcou quatro mil NTU, o que significa que a sedimentação do rio caiu quase pela metade. “Menos solo está sendo arrastado por processos de escorrimento superficial”, contou Humberto.A mudança foi obtida por meio de técnicas simples que também fazem parte da intervenção do projeto sobre a bacia, como comprometer a comunidade com melhores práticas agropecuárias, reflorestamento e uso de adubos verdes para aperfeiçoar cultivos, ou bioengenharia para frear desmoronamentos, criando grandes degraus, sustentados com bambu colombiano (Bambusa guadua).É fundamental “convencer as pessoas” que vivem nesta área ecossistêmica “de que, definitivamente, é a última oportunidade que têm de oferecer um serviço ambiental a Neiva”, que deve se traduzir em água de boa qualidade e quantidade para a cidade, afirmou Humberto. Como a chave do projeto é vincular as 600 famílias rurais com a população urbana de Neiva, o projeto tem um Conselho de Bacia. “Talvez seja o único que realmente funciona na Colômbia”, acrescentou. O Conselho é integrado pelas instituições sócias do projeto e por delegados da comunidade. Reúne-se duas ou três vezes ao ano e discute as preocupações da comunidade e suas propostas para melhorar.Durante a seca associada ao El Niño – Oscilação do Sul (Enos) – o caudal do rio baixou em Neiva entre 2,6 e 2,3 metros cúbicos por segundo, mas não houve necessidade de racionamento, enquanto em outros lugares do país o fornecimento de água foi interrompido. Isto também foi corroborado nas ruas de Neiva. “Isso era antes”, disse um morador, em referência a quando a cidade ficava sem água.Antes, em época de seca e de El Niño, “a bacia era uma teia ardendo. Hoje em dia já não se queima nessa quantidade. Isto mostra que estão melhorando as condições de reconstituição da vegetação”, observou Humberto.  O Enos é um fenômeno oceânico e atmosférico periódico do Oceano Pacífico tropical, que afeta os padrões meteorológicos em todo o mundo. Na Colômbia, em sua fase quente, o El Niño provoca secas e, em sua fase fria, o La Niña causa intensas chuvas.Em Neiva, o La Niña também é sentido de outro modo. O ano passado foi o mais chuvoso da bacia em uma década, com precipitações superiores a 2.900 milímetros. No entanto, houve apenas uma cheia, em novembro de 2010, quando o nível do rio subiu quase três metros, sem afetar nenhum bairro de Neiva. Assim, a bacia está começando a cumprir uma função reguladora.* A autora é correspondente da IPS. Reportagem produzida com apoio da FAO. LINKS Governabilidade hoje, água em 2030, em espanholBolívia: Cultivos se rendem ao ritmo da inundação, em espanholPolêmica solução paraa inundações – 2006, em espanholColômbia – Cobertura especial da IPS Notícias, em espanholProjeto Bacia do Rio Las Ceibas, em espanholRede Integrada de Monitoramento Hidrometeorológico, Alerta e Alarme da Bacia do Rio Las Ceibas, em espanholEmpresas Públicas de Neiva, em espanholOrganização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em espanhol, inglês e francêsUniversidade Sul-Colombiana, em espanhol e inglês Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

Exploração petrolífera em Cutral Có, localidade situada na bacia neuquina. Foto: IPS/Photostock Petróleo

O dilema dos hidrocarbonos raros

[caption id="attachment_51718" align="alignleft" width="340" caption="Exploração petrolífera em Cutral Có, localidade situada na bacia neuquina. Foto: IPS/Photostock"][/caption]A Argentina deve considerar a quanto chegam suas riquezas de gás e petróleo não convencionais e quais serão os custos econômicos e ambientais de sua exploração.Buenos Aires, Argentina, 14 de maio de 2012 (Terramérica).- Uma imensa jazida de gás e petróleo presa na rocha-mãe, e cuja exploração traz consigo grande impacto ambiental, será o maior desafio da YPF, a empresa petrolífera argentina que voltou a ser controlada pelo Estado. Especialistas de diferentes áreas da engenharia e da economia do petróleo se entusiasmam com a perspectiva destas descobertas, embora alertem que o preço a pagar pode ser muito alto.“Há indícios indiretos da presença de reservas na Argentina, mas isto só saberemos com certeza quando se avançar na exploração”, disse ao Terramérica o economista Roberto Kozulj, da Universidade Nacional de Rio Negro. Kozulj, especializado em economia do petróleo, afirmou que os obstáculos são o valor do investimento necessário e o risco ambiental, pelo consumo de grandes quantidades de água, energia e substâncias químicas para extrair estes recursos.Segundo o informe Anuual Energy Outlook 2011, divulgado em abril do ano passado pela Administração de Informação e Energia (EIA) dos Estados Unidos, a Argentina é o terceiro país com maior potencial geológico para este tipo de hidrocarbono, depois de China e Estados Unidos.O estudo analisou a viabilidade de 48 bacias em 32 países e estimou que na Argentina poderiam ser extraídos 774 trilhões de pés cúbicos de gás (TFC), 60 vezes mais do que as convencionais atuais do país. As jazidas estão em quatro bacias, mas a neuquina é a mais promissora. Ali se encontram as formações Vaca Muerta e Los Molles, que se estendem pelo subsolo de quatro províncias: Neuquén e Mendonza, no oeste, La Pampa, no centro, e Rio Negro, no centro-sul.O governo de Neuquén já tem alguns dados sobre o potencial da região obtidos em estudos preliminares, afirmou o economista Ariel Carignano, da Universidade Nacional do Camahue, em seu estudo O que é gás não convencional? Aspectos básicos e desenvolvimento na Argentina, de novembro de 2011. Este documento aponta que, mesmo com um “alto grau de incerteza”, estudos da subsecretaria de Mineração e Hidrocarbonos de Neuquén estimam em 170 TCF o gás recuperável de Vaca Muerta e entre 130 e 192 TCF o de Los Molles.A eventual exploração permitiria aumentar a produção de combustível, criar empregos e desenvolver novas tecnologias, mas com um grande impacto ambiental. Este é o dilema da nova YPF, após a expropriação de 51% de suas ações, que estavam nas mãos da petroleira espanhola Repsol até o dia 3 deste mês, quando foi aprovado o projeto de lei que a presidente Cristina Fernández enviara em 16 de abril ao parlamento. Assim, a YPF, criada pelo Estado argentino em 1922, volta à órbita estatal em uma sociedade anônima na qual também intervêm empresas privadas nacionais, estrangeiras e acionistas da bolsa de valores.A medida está fundamentada na forte queda da produção e das reservas de petróleo e gás, provocada pela falta de investimentos, que obrigou a Argentina a importar grandes volumes de combustíveis desde 2010, perdendo seu caráter de país autossuficiente. Agora, “o principal desafio está em aproveitar a oportunidade, mitigando o impacto ambiental”, dizem os engenheiros químicos argentinos Mariana Matranga e Martín Gutman em um artigo publicado na revista eletrônica Voces en el Fénix. Sua análise Gás e petróleo não convencional: perspectivas e desafios para seu desenvolvimento na Argentina menciona as oportunidades que a exploração traria, mas alerta que o efeito na natureza “se coloca como um grande sinal de interrogação”.O gás depositado nos pequenos interstícios de camadas de rochas de xisto (shale gas, em inglês) é da mesma qualidade que o convencional, porém é mais difícil de ser extraído. A técnica para isso recebe o nome de fratura hidráulica e consiste em uma perfuração vertical até uma profundidade que pode chegar a milhares de metros e, depois, de buracos horizontais de aproximadamente mil metros de extensão ao longo da formação rochosa.Nessas perfurações são injetados grandes volumes de água e substâncias químicas sob enorme pressão, junto com areias de fratura projetadas para manterem abertas as gretas que se formam e facilitar a saída do gás. O mesmo ocorre com o fluido que se aloja em areias compactas e extremamente impermeáveis, em inglês tight (apertado), e com o petróleo localizado em rochas de ardósia ou areias de baixa porosidade e impermeabilidade, conhecido como shale oil ou tight oil.Matranga e Gutman explicam que até há dez anos era impossível extraí-los, mas hoje existe a tecnologia, desenvolvida principalmente nos Estados Unidos e no Canadá. Porém, alertam, países ou províncias optaram por suspender a exploração desses depósitos enquanto não se esclarecer o alcance do dano que pode ser causado ao meio ambiente.A água residual da fratura hidráulica contém substâncias radioativas e metais pesados que devem ser tratados, e a operação pode contaminar camadas de água doce, o solo e o ar, alertam os especialistas. Além disso, o envolvimento de milhares de caminhões de transporte de água, máquinas, recursos humanos e infraestrutura para esta produção provocará “um acentuado aumento das emissões de gases-estufa”, acrescentam os engenheiros.Um informe publicado em outubro de 2011 pela Academia Nacional de Engenharia da Argentina, intitulado Gás de reservatórios não convencionais: estado de situação e principais desafios, coincide com as advertências dos dois engenheiros químicos da Universidade de Buenos Aires. Para dar uma ideia da magnitude da empresa, a Academia afirma que “o esforço de desenvolvimento de fornecedores, tecnologia e recursos humanos (necessários) é semelhante ao que a Argentina teve em seu momento em matéria nuclear”.A tecnologia de sísmica 3D, a perfuração horizontal e o uso intensivo da fratura hidráulica já estão desenvolvidos e poderiam ser aplicados para começar a produzir em cinco anos combustíveis que hoje estão sendo importados a preços elevados. A partir deste desenvolvimento poderiam abrir-se oportunidades de exportação de engenharia e serviços para a China, que teria grandes existências desses hidrocarbonos, ou produzir na Argentina areias de fratura para exportar para outros países da região, diz a Academia.No entanto, também destaca sua preocupação com a “conservação e proteção da água e o uso de produtos químicos”. Sobre a quantidade de água necessária, aponta que o primeiro poço de produção de gás de xisto em pequena escala aberto em Neuquén exigiu 16 caminhões bombeadores de forma simultânea que esgotaram sua capacidade. A isso, prossegue a Academia, acrescenta-se que o declínio da produção neste tipo de jazida costuma ser mais acelerado do que em depósitos convencionais.* A autora é correspondente da IPS. LINKSFebre do gás de xisto esquenta o planetaTudo por fazer na nova YPF nacionalizada, em espanholNovos objetivos para petroleira nacionalizada, em espanholA improvável revolução do gás de xisto, em espanholMéxico abraça o mito do gás de xisto, em espanholNovo método de extração pode fraturar o meio ambiente, em espanholUniversidade Nacional de Rio Negro, em espanholO que é o gás não convencional? Aspectos técnicos básicos e desenvolvimento na Argentina, em espanholGás e petróleo não convencional: Perspectivas e desafios para seu desenvolvimento na Argentina, em espanholGás de reservatórios não convencionais: estado de situação e principais desafios, pdf em espanholAnnual Energy Outlook 2011, pdf em inglês Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marcela Valente*
Os céticos acreditam que a energia renovável abastecerá metade do consumo alemão em 2050, afirma o engenheiro Björn Pieprzyk. Foto: Björn Pieprzyk/Divulgação Entrevista

Terramérica – Energia: o remédio é renovável

[caption id="attachment_51066" align="alignright" width="258" caption="Os céticos acreditam que a energia renovável abastecerá metade do consumo alemão em 2050, afirma o engenheiro Björn Pieprzyk. Foto: Björn Pieprzyk/Divulgação"][/caption]A energia renovável é um negócio em crescimento na Alemanha e pode chegar a atender todo o consumo desse país no prazo de 40 anos.Rio de Janeiro, Brasil, 7 de maio de 2012 (Terramérica).- A energia limpa e renovável proporciona crescimento econômico, geração de empregos e menor dependência das importações. Por isto, os governos deveriam incentivar, e não frear, seu desenvolvimento durante uma crise como a que vive a Europa, disse ao Terramérica o engenheiro alemão Björn Pieprzyk. As fontes limpas são agentes fundamentais para combater a mudança climática e desenvolver uma economia mais verde, afirma o engenheiro, da Federação Alemã de Energia Renovável (BEE).Até 2050, a Alemanha deverá ser capaz de atender toda sua demanda energética com fontes renováveis, segundo Björn, entrevistado pelo Terramérica no Rio de Janeiro, em uma das inúmeras atividades prévias à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá em junho nesta cidade. Esta é a meta da BEE, entidade criada em 1991 à qual pertencem 22 associações de energia hidráulica, solar, eólica, de biomassa e geotérmica, integradas por mais de 33 mil pessoas e empresas.Entretanto, é preciso uma transição da matriz energética atual, baseada no consumo de hidrocarbonos (carvão, gás e petróleo), para essas fontes limpas. Para isto, é preciso cortar os subsídios para os combustíveis fósseis e a geração nuclear, afirma o engenheiro, cofundador da consultoria Energy Research Architecture.TERRAMÉRICA: Como vê a discussão sobre energias renováveis no contexto da Rio+20?BJÖRN PIEPRZYK: O desenvolvimento nos últimos 20 anos mostrou que as energias renováveis são um importante fator para a proteção do clima. Para seguir este rumo, precisamos de uma transição do atual sistema energético e de um planejamento para cortar subsídios destinados às fontes fósseis e à energia atômica, e garantir incentivos para as renováveis. E são necessários modelos de monitoramento dos custos reais de produção das fontes fósseis. Espero que a partir da Rio+20 sejam implantados padrões de sustentabilidade, isto é, condições claras para o desenvolvimento das energias renováveis como uma parte importante do processo.TERRAMÉRICA: Qual o potencial das energias renováveis na Alemanha?BP: As energias renováveis incluem as que provêm do Sol, do vento (eólica), da biomassa (aproveitamento de matéria orgânica) e da água (hidreletricidade), entre outras. Na Alemanha, as renováveis constituem 12% da matriz energética: fornece 20% da geração elétrica, 9% da calefação e 6% dos combustíveis. Ainda é uma porcentagem pequena se comparada com a das fontes fósseis. Porém, as potencialidades são enormes, especialmente no segmento solar, mas também em biocombustíveis e hidreletricidade. Em um período de 40 anos, poderemos atender 100% da demanda energética. Este é o objetivo da BEE, embora população e governo se mostrem menos otimistas e acreditem que para 2050 se chegará a 50%.TERRAMÉRICA: Hoje em dia, as renováveis são viáveis economicamente?BP: Nos últimos dez anos o custo da eólica e da solar caíram rapidamente na Alemanha. Hoje os custos de geração elétrica a partir destas fontes estão muito próximos dos custos com os combustíveis fósseis. E os planos de desenvolvimento nuclear são muito mais caros. Segundo a trajetória atual de custos, no ano que vem, gerar energia solar nos domicílios ficará ainda mais barato do que as famílias pagam hoje pela eletricidade convencional. Uma residência paga o equivalente a US$ 0,32 por quilowatt/hora. O preço da energia solar é inclusive menor do que este valor. Em pouco tempo esta será uma fonte muito competitiva.TERRAMÉRICA: Os demais países da União Europeia aderem a essa tendência de substituir a energia fóssil?BP: A Alemanha está à frente, mas outros países seguem este caminho, e muitos deles têm melhores condições e recursos para desenvolver o setor, como Grã-Bretanha e Irlanda, que têm mais Sol no Sul. É possível que a Europa siga essa trajetória e alcance algumas metas na próxima década. Mas o setor elétrico necessita de mais incentivos legais e políticos.TERRAMÉRICA: Como influi a crise econômica que acontece na União Europeia?BP: Na Alemanha, os investimentos no setor permanecem estáveis, embora haja planos para cortar os apoios à energia solar. Em todo o país, há muita geração de empregos descentralizados. É uma área prioritária, e grandes empresas, como Siemens, estão obtendo bons lucros. O setor privado está investindo 25 bilhões de euros ao ano (US$ 33 bilhões), e o governo tem programas de apoio para instalação de sistemas de calefação que não chegam aos 500 milhões de euros (US$ 660 milhões). Quase todo o dinheiro vem das empresas. Com este desenvolvimento, tanto meu país como a Europa podem reduzir sua dependência da importação de energia, criar mais postos de trabalho e promover o crescimento econômico. O problema ocorre quando os governos reagem como na Espanha e Itália, cortando o apoio estatal e os estímulos legais que são importantes em um momento em que as fontes renováveis estão tão perto de se tornarem competitivas.TERRAMÉRICA: Como vê as energias renováveis em países emergentes, como o Brasil?BP: Tradicionalmente, o Brasil tem muita experiência no uso de hidreletricidade e de biomassa para produzir combustíveis, como etanol. Tem liderança neste setor e agora começa a produzir energia eólica e solar. Há uma vantagem, pois estas duas fontes já têm custos menores do que os de dez anos atrás, tanto para as famílias quanto para as empresas e para toda a economia. Há uma grande oportunidade para que o Brasil aumente a proporção de renováveis muito rapidamente, usando novas tecnologias. Entretanto, os países latino-americanos continuam pagando o dobro do que custa a energia renovável na Europa. Existem várias razões, como, por exemplo, ser um mercado novo. Agora mesmo há negociações para instalar parques eólicos no Brasil que poderão gerar eletricidade a um custo entre US$ 0,06 e US$ 0,07 o quilowatt/hora. Contudo, para que as empresas invistam são necessárias estruturas claras para energia renovável e condições estáveis para os investimentos.* A autora é correspondente da IPS. LINKS Ventos brasileiros semeiam empregos verdes“É fundamental acelerar a mudança de modelo energético”Renováveis para superar a criseEnergia renovável espanhola ruma para oesteAmérica Latina constrói outro capital energéticoApresentação de Björn Pieprzyk: O caminho para as energias renováveis – O caso alemão, PDF em espanholFederação Alemã de Energia Renovável, em alemão e inglêsEnergy Research Architecture, em espanhol, alemão e inglês Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Fabíola Ortiz*
Povoado minerador fantasma em Coahuila, México. Foto: Mauricio Ramos/IPS Ambiente

Terramérica – Olhar para o decrescimento

[caption id="attachment_51061" align="alignleft" width="300" caption="Povoado minerador fantasma em Coahuila, México. Foto: Mauricio Ramos/IPS"][/caption]A teoria do decrescimento, que questiona a validade do desenvolvimento sustentável, é vista com outros olhos na Argentina.Buenos Aires, Argentina, 7 de maio de 2012 (Terramérica).- A ideia revulsiva do decrescimento econômico tem escassos seguidores em uma região como a América Latina. Mas há aqueles que na Argentina aderem ao debate internacional sobre um modo de vida que não tenha como meta o aumento do produto interno bruto (PIB). Neste país, como em outros da região, o ponto de vista se diferencia do sustentado por acadêmicos e organizações sociais do mundo industrializado, segundo fontes consultadas pelo Terramérica.A angústia por uma crise mundial sistêmica e com várias dimensões – ambiental, econômica, energética – será colocada sobre a mesa na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá entre 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Para os defensores do decrescimento, não parece que o desenvolvimento sustentável “possa evitar o colapso ecológico nem melhorar a justiça social”, que eram as metas propostas há 20 anos na Cúpula da Terra de 1992, também realizada no Rio de Janeiro.Busca-se, então, avivar as discussões na conferência internacional Decrescimento nas Américas, que acontecerá entre 13 e 19 deste mês, na cidade canadense de Montreal, e que será o terceiro fórum deste tipo, depois dos encontros em Paris e Barcelona, em 2008 e 2010, respectivamente. Um dos ideólogos desta corrente, o filósofo e economista francês Serge Latouche, propõe que “o decrescimento tenha, sobretudo, como insistir fortemente em abandonar o objetivo do crescimento pelo crescimento”. A rigor, “seria mais conveniente falar de ‘acrescimento’, tal com falamos de ateísmo”, destacou.Seus partidários propõem uma redução controlada e racional do consumo e da produção, permitindo respeitar o clima, os ecossistemas e os próprios seres humanos. Porém, Serge esclarece que não se trata de uma alternativa concreta, mas de uma “matriz que daria lugar à eclosão de múltiplas alternativas. Evidentemente, qualquer proposta concreta ou contraproposta é ao mesmo tempo necessária e problemática”.Na Argentina “o decrescimento não aparece na imprensa nem integra os programas acadêmicos de economia política. No entanto, existe, sobretudo agora, com vistas à Rio+20”, disse ao Terramérica o doutor em ciências sociais Julio Gambina. Na América Latina, “onde o crescimento econômico foi endeusado nos anos 1990, o decrescimento é mal visto”, admitiu Julio, professor de economia política na Universidade Nacional de Rosário e presidente da Fundação de Pesquisas Sociais e Políticas. Em sua opinião, “o que se deve discutir melhor é como crescer”.Nesta região, vários países conseguem manter seu PIB com base em “um modelo produtivo extrativista”, que cresce em volume, mas às custas do usufruto intensivo de recursos naturais que vão se esgotando, observou Julio. Por exemplo, a mineração em grande escala, que utiliza cianureto e causa um grande impacto ambiental, ou a expansão da monocultura de soja para exportação, à custa de uma produção rural diversa, apontou.O sociólogo citou o caso do Brasil, onde movimentos filiados à rede internacional Via Campesina questionam esse modelo e propõem recuperar a cultura produtiva dos povos originários, mais amigável com os recursos naturais. Entretanto, estes grupos “não se tornam visíveis”, ponderou. Nestes países, acrescentou, não existe um balanço generalizado que resista ao crescimento. Pelo contrário, “o decrescimento é associado majoritariamente a economias que estão em crise”, como as europeias, destacou.A estatística María Elena Saludas, coordenadora nacional da Associação por uma Taxa sobre Transações Financeiras Especulativas de Ajuda ao Cidadão (Attac), recordou que “o debate sobre a impossibilidade de continuar com um crescimento econômico infinito no contexto de um planeta finito vem desde a década de 1960”. A concepção do desenvolvimento sustentável, que começou a ser promovido fortemente na Cúpula da Terra de 1992, não questiona a estrutura de poder mundial, nem o sistema capitalista cujo leitmotiv é o lucro, afirmou.Tampouco o fará, acredita María Elena, a “economia verde”, muito promovida a partir da Organização das Nações Unidas (ONU), que convocou a Rio+20. “O que devemos debater é que este modelo econômico não pode se sustentar”, afirmou, questionando a expansão de monoculturas e a grande dependência das economias latino-americanas da exportação de produtos primários. Também apontou para os limites à expansão da indústria automobilística, por exemplo, na Argentina e no Brasil.“Carros para todos não parece sustentável, temos que partir para um transporte eficiente e coletivo”, ressaltou María Elena. Em sua opinião, o atual crescimento do PIB latino-americano gera “uma extrema desigualdade” entre ricos e pobres. Os setores que estão na base da pirâmide “apenas sobrevivem”. E, alertou, “não podemos dizer-lhes que não podem crescer”.María Elena prefere destacar experiências como a da Bolívia, onde um movimento de povos originários apela para o bem viver, em harmonia com a natureza e não às custas dos recursos naturais, nem das pessoas. “A teoria (do decrescimento) me entusiasma, mas não se trata de uma proposta de mudança individual de comportamento, mas de cada comunidade encontrar a maneira de experimentar esta forma de vida”, explicou.Por sua vez, Julio pôs reparos a um debate que, tal com está proposto, não consegue somar adeptos. “Se a discussão pelo decrescimento vai ganhar maior volume, é algo que ainda precisamos ver. Há grupos que pressionam por um desenvolvimento diferente, que questionam o modelo produtivo imperante, mas não têm um ambiente cultural favorável”, afirmou.Julio insiste em dizer que a ideia do crescimento “subsiste como ideologia de consenso, e, por isto, o debate do decrescimento está longe de ser um assunto hegemônico” na região. A seu ver, não se trata de “decrescer”, mas “crescer de outra maneira”. “É preciso privilegiar a produção agrícola familiar, produzir e distribuir localmente” e também questionar a forma dominante de medir o desenvolvimento por meio do PIB, detalhou.“O PIB só conta o que é criado, deixa de lado o que é destruído”, advertiu Julio. “Talvez, o PIB possa baixar, como em Cuba ou na Venezuela, mas melhorará a qualidade de vida ou a distribuição. Não necessariamente a qualidade social se compadece com o crescimento econômico”, concluiu.* A autora é correspondente da IPS. LINKS Hervé Kempf: “É preciso sair do capitalismo”Decréscimo ou desconstrução da economia – Parte IDo decrescimento à desconstrução da economia – Parte IIAtivistas europeus contra a expansão mercantilO capitalismo pode ser verde?Metas do Milênio – Cobertura especial da IPSDecrescimento nas Américas, em espanhol, inglês e francêsRio+20, em inglêsUniversidade Nacional de Rosário, em espanhol, inglês e portuguêsFundação de Pesquisas Sociais e Políticas, em espanholVia Campesina, em espanhol, inglês e francêsAttac Argentina, em espanholArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marcela Valente*
eco22121111112-2 Terramérica

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Brasil: Melhora geração energética de biomassaHonduras: Moringa para reflorestar e alimentarArgentina: Florestas do Chaco ameaçadas pelo gadoMéxico: Aliança pelos direitos ambientais*************************************BRASIL - Melhora geração energética de biomassaRio de Janeiro, 7 de maio de 2012 (Terramérica).- A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu uma técnica que melhora o aproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar e do eucalipto para gerar energia.Essa biomassa foi submetida a quatro tipos de tratamento de calor: a 250 graus centígrados por 30 minutos, 250 graus por duas horas, e 280 graus por 30 minutos e duas horas.Dessa forma se conseguiu ampliar a durabilidade dos resíduos e reduzir sua umidade, dando-lhes maior concentração energética.“O poder calorífico, que é a quantidade de energia liberada por unidade de massa, aumentou proporcionalmente à elevação da temperatura”, explicou ao Terramérica a engenheira Juliana Siviero dos Santos, responsável pelo estudo.“O maior aumento identificado para o eucalipto foi tratando-o a 280 graus por duas horas, com aumento de 25,7% de seu poder calorífico. E o bagaço de cana aumentou até 10,2%”, informou Juliana.*************************************HONDURAS - Moringa para reflorestar e alimentarTegucigalpa, 7 de maio de 2012 (Terramérica).- A árvore de moringa (Moringa oleifera), originária da Índia, é usada em Honduras para reflorestar a represa do Rio Nacaome, no departamento de Valle, além de aproveitar suas propriedades alimentícias nos povoados da região.A iniciativa surgiu da organização não estatal BioPlanet, cujo representante, Jack Haime, disse ao Terramérica que a represa está sendo reflorestada com 400 exemplares de moringa como parte de um projeto piloto no Sul do país, região empobrecida e de solos ressecados.Segundo Jack, a moringa é capaz de adaptar-se a qualquer tipo de solo, e suas folhas, flores e frutos podem melhorar a dieta alimentar de habitantes pobres.O Ministério de Agricultura e Pecuária anunciou iniciativas semelhantes com moringa em várias regiões do ocidente, onde fica outro núcleo de pobreza.*************************************ARGENTINA - Florestas do Chaco ameaçadas pelo gadoBuenos Aires, 7 de maio de 2012 (Terramérica).- A entidade ambientalista Greenpeace da Argentina denunciou o possível desmatamento de uma área de floresta protegida na província do Chaco.“É um desmate encoberto”, denunciou ao Terramérica o ambientalista Hernán Giardini, do Greenpeace. “Deixam algumas árvores isoladas e arrasam com a vegetação, da qual se alimenta a fauna, com a ideia de duplicar o estoque de gado para 2015”, enfatizou.Uma lei de florestas, sancionada em 2007, dispõe a execução de um ordenamento territorial para as florestas de cada província. O Chaco o fez em 2009, e estabeleceu áreas nas quais só são permitidas atividades sustentáveis.Uma dessas regiões está supostamente sendo submetida ao desmatamento para ampliar o espaço para a criação intensiva de gado, segundo o Greenpeace.*************************************MÉXICO - Aliança pelos direitos ambientaisCidade do México, 7 de maio de 2012 (Terramérica).- O não governamental Centro Mexicano de Direito Ambiental (Cemda) e a estatal, mas autônoma, Comissão Nacional dos Direitos Humanos assinaram convênio para a garantia de proteção.“O Estado mexicano deve dar atenção prioritária à defesa e à proteção do meio ambiente, além de garantir aos defensores ambientais as condições de segurança para que possam desenvolver sua função”, disse ao Terramérica o diretor-geral do Cemda, Gustavo Alanís.Pelo menos 12 ecologistas foram assassinados no México entre 2006 e 2012, indica o Segundo Informe sobre a Situação das Defensoras e dos Defensores dos Direitos Humanos nas Américas, publicado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Vista de um poço descoberto pela Repsol em Huacaya, 800 quilômetros a sudeste de La Paz. Foto: IPS/Photostock Petróleo

TERRAMÉRICA – Bolívia incentiva petroleiras estrangeiras

[caption id="attachment_50557" align="alignleft" width="300" caption="Vista de um poço descoberto pela Repsol em Huacaya, 800 quilômetros a sudeste de La Paz. Foto: IPS/Photostock"][/caption]Apesar de suas riquezas de hidrocarbonos, nacionalizadas em 2006, a Bolívia gasta cada vez mais divisas para importar combustíveis e triplicou os incentivos para as empresas que produzem petróleo.La Paz, Bolívia, 30 de abril de 2012 (Terramérica).- Perto de completar seis anos da nacionalização dos hidrocarbonos na Bolívia, a presença das empresas estrangeiras vai de vento em popa, enquanto o governo lhes concede incentivos para aumentar a produção do escasso petróleo. Na mesma semana em que a presidente da Argentina, Cristina Fernández, anunciava a expropriação de 51% das ações da empresa petrolífera YPF, que estavam em mãos da corporação europeia Repsol, o governo da Bolívia baixou um decreto aumentando os incentivos para a produção de petróleo de US$ 10 para US$ 40 por barril.O decreto 1.202 determina que o Tesouro Geral da nação emitirá notas de crédito fiscal de US$ 30 para pagamento de obrigações tributárias. Para cada barril de petróleo (de 159 litros) que produzirem, as empresas petrolíferas continuarão recebendo US$ 10 em dinheiro e mais uma nota de crédito fiscal para usar como instrumento de pagamento de impostos.Em um informe divulgado pela estatal de petróleo Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), no dia 19 de abril, seu presidente, Carlos Villegas, justifica o benefício afirmando que “as operadoras não realizaram investimentos significativos para encontrar maiores reservas de petróleo”. O pesquisador Carlos Arze, do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário, informou que os contratos assinados pelas empresas de petróleo com o governo boliviano, depois da nacionalização de 2006, não incluíam cláusulas para obrigá-las a repor reservas.No dia 1º de maio de 2006, o presidente Evo Morales determinou a nacionalização dos hidrocarbonos e em outubro daquele ano foram assinados novos contratos com empresas privadas, a maioria estrangeiras que atuavam país, avalizados pelo Congresso.Seis anos depois, essas empresas obtêm renda de US$ 824 milhões, “e nenhuma deixou a Bolívia”, disse Arze ao Terramérica. O analista recordou o comentário de um empresário brasileiro, que então concluía que seu negócio estaria inclusive mais seguro porque contava com apoio do parlamento. “Se foi uma nacionalização anti-imperialista, por que não partiram?”, questionou Arze.Em 2004, o negócio do petróleo e do gás natural na Bolívia movimentava US$ 1,172 bilhão. As empresas do setor ficavam com 71% (US$ 832 milhões), segundo Arze. Os novos contratos mudaram a equação. Agora, os atores privados recebem 27% da renda, enquanto o Estado fica com 73%, por meio de vários impostos, participação e prêmios, explicou Arze. Mas em números absolutos as quantias das empresas pouco variaram.Em 2010, o negócio gerou US$ 3,053 bilhões, e as petroleiras receberam US$ 824 milhões. Se a isto somarmos o incentivo à produção de petróleo, estimado em US$6 milhões ao ano, chega-se a US$ 830 milhões, apenas dois milhões abaixo do que obtinham antes da mudança das regras, detalhou Arze. Segundo a YPFB, entre 2001 e 2005, o Estado obtinha uma renda anual com petróleo de US$ 332 milhões. Depois da nacionalização esse valor subiu a uma média anual de US$ 2,07 bilhões. Nos últimos seis anos, o Estado conseguiu com petróleo US$ 12,424 bilhões, segundo a YPFB.A produção de gás segue aumentando: em 2005 obtinha-se 40,4 milhões de metros cúbicos por dia, e em 2011, 45,06 milhões de metros cúbicos, enquanto a de petróleo cai. Em 2005 a Bolívia produzia 50.035 barris diários, e em 2010, apenas 41.l47 unidades. Até junho de 2011, 15 empresas estrangeiras lideradas pela Petrobras conseguiram protocolar contratos na Bolívia na qualidade de titulares para atividades de exploração e prospecção de hidrocarbonos, com prazos de seis a 28 anos, segundo a YPFB.O professor de economia política Julio Alvarado disse ao Terramérica que a atual política para o petróleo estimula o desenvolvimento das empresas estrangeiras para garantir sua permanência nos campos produtivos. Alvarado recordou que o decreto de nacionalização instruía uma auditoria nas empresas transnacionais, mas os informes finais não foram divulgados. Esta proteção de dados demonstra uma política favorável aos investimentos estrangeiros, apontou.No entanto, a Bolívia depende cada vez mais da importação de combustível para seu consumo interno. Em 2010, a conta foi de US$ 600 milhões, em 2011 chegou a US$900 milhões e estima-se que este ano será de US$ 1,2 bilhão, segundo os dados de Alvarado. A espanhola Repsol era, em 2010, a segunda empresa estrangeira com maior participação na produção, com 8,7%, bem atrás da Petrobras, com 63%. Em matéria de petróleo, a Repsol possui operações em um quarto dos blocos e campos e participa em 5% das atividades de exploração.Na fase de nacionalização, a compra forçada por parte do Estado de 1,1% da participação espanhola na empresa Andina foi compensada com o pagamento de US$6,2 milhões em 2007. Em contraste, a nacionalização de ações da norte-americana Amoco na petroleira local Chaco foi alvo de uma demanda da companhia no valor de US$ 233 milhões contra o Estado boliviano, segundo Arze.A Repsol é a principal encarregada de explorar o gás jazida de Margarita, no departamento de Tarija, que tem cerca de dois trilhões de pés cúbicos de gás e é a fonte dos oito milhões de metros cúbicos diários fornecidos ao mercado argentino, volume equivalente ao consumo boliviano por dia. Em março de 2010, a Bolívia se comprometeu a aumentar esse fornecimento à Argentina até um volume diário de 20 milhões de metros cúbicos, até 2017.A fonte desse gás é o campo Margarita-Huacaya, operado por diferentes empresas. A espanhola participa ali na sociedade de risco compartilhado Repsol YPF & Bolivia SA, que possui 37,5% da exploração. Arze acredita que será bom negócio para a Repsol, pois se beneficiará do preço que paga a Argentina, que no primeiro trimestre de 2012 gira em torno de US$ 11 por milhão de unidades térmicas britânicas (BTU). O Brasil, que importa três vezes o consumo diário boliviano, paga US$ 9 por milhão de BTU.* O autor é correspondente da IPS.LINKSPetrolíferas estatais com vitamina nacionalistaBrasil mantém poderio em produção de gás boliviano, em espanholARGENTINA-BOLÍVIA: Incertezas do gasoduto do desenvolvimento, em espanholBOLÍVIA: Como foi nacionalizado o enorme negócio petroleiro – 2006, em espanholO negócio deve seguir, em espanholNovos objetivos para petroleira nacionalizada, em espanholCentro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário, em espanholYacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, em espanholArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Franz Chávez*
Uma fábrica da Dow Chemical às margens do Lago Michigan, nos Estados Unidos. Foto: Domínio público Carbono

TERRAMÉRICA – Corporações financiam fraude de carbono

[caption id="attachment_50548" align="alignleft" width="300" caption="Uma fábrica da Dow Chemical às margens do Lago Michigan, nos Estados Unidos. Foto: Domínio público"][/caption]O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto sobre mudança climática terminou gerando um incentivo perverso que ganhou proporções de fraude na Europa, financiada por corporações dos Estados Unidos.Bruxelas, Bélgica, 30 de abril de 2012 (Terramérica).- Grandes corporações dos Estados Unidos, como Dow Chemical, ConocoPhillips, Chevron e Cabot Corporation, se servem de um questionado negócio de créditos de carbono para compensar no papel sua contaminação climática na Europa, conforme mostra a seguinte investigação. A Dow foi a principal compradora. A empresa possui fábricas de produtos plásticos e químicos que emitem dióxido de carbono na Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda e Polônia.Juntas ocupam o 21º lugar entre os cem principais compradores europeus de certificados de redução de emissões de carbono (CRE) originados em 19 projetos de duvidosa legitimidade.As geradoras de energia estabelecidas na União Europeia (UE), algumas delas subsidiárias de empresas norte-americanas, estão obrigadas a reduzir sua contaminação com gases-estufa – que aquecem a atmosfera – adotando tecnologias mais limpas ou compensando suas emissões mediante a compra de CRE. Para as empresas sai mais barato compensar suas emissões do que reduzi-las realmente. E, pelas debilidades das normas europeias, podem fazê-lo. Os CRE se incluem no contexto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto, único tratado internacional que obriga as nações industriais que o assinaram a reduzirem sua contaminação climática.Cada CRE equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que não foi lançada na atmosfera. E é entregue a favor do responsável por um projeto aprovado, após certificar que a redução realmente aconteceu. Depois, pode gerar instrumentos de comercialização, sujeitos às leis da oferta e da procura. O MDL foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para que os países industrializados subsidiassem a mitigação da mudança climática nas nações em desenvolvimento.No entanto, acabou criando um incentivo perverso usado para maximizar os lucros de um punhado de manufaturas de gases industriais, a maioria localizada na Índia e na China, que obtiveram 19 desses projetos. A chinesa Jiangsu Meilan Chemical e a indiana Navin Fluorine International, entre outras, se comprometeram a capturar e destruir HFC-23, um resíduo da produção do gás refrigerador HFCF-22 (hidroclorofluorocarbono), proibido na União Europeia e nos Estados Unidos por esgotar a camada de ozônio.O HCFC-22 também é um supergás-estufa, 1.810 vezes mais potente do que o dióxido de carbono, e seu subproduto HFC-23 o é 11.700 vezes mais. Contudo, as empresas indianas e chinesas acabaram produzindo mais desse gás e recebendo muito menos CRE do que os necessários, segundo uma pesquisa do painel de especialistas em metodologia do MDL. Em junho de 2010 as organizações não governamentais ambientalistas CDM Watch, com sede em Bonn, e Agência de Pesquisa Ambiental (EIA), de Londres, descobriram este flagrante mau uso do MDL e apresentaram provas.“Os certificados de HFC-23 não representam verdadeiras reduções de gases-estufa”, disse via email Diego Martínez-Schuett, da CDM Watch. “E seus compradores usaram essas falsas reduções como permissões para contaminar mais na Europa”. Os 19 projetos de destruição de gás industrial aprovados pelo MDL acumularam quase 500 milhões de créditos no valor de US$ 3,3 bilhões. Cerca de 90% deles inundaram a UE, e constituem mais da metade do total de compensações de emissões do bloco.Entre 2009 e 2010, as corporações norte-americanas adquiriram quase um milhão de créditos de HFC-23 ao preço médio de US$ 16 a unidade. Desde então “gastaram” pelo menos US$ 16 milhões em supostas reduções de emissões. A mesma conduta tiveram seus competidores europeus, como as britânicas BP e British Shell, a alemã RWE, a norueguesa Statoil, o grupo ítalo-espanhol Enel, e a francesa EDF.As dez companhias transatlânticas mais conhecidas entre as cotadas na principal bolsa de valores mundial, a Nyse-Euronext, ingressaram US$ 254 milhões em falsos créditos, sem contar os dados de 2011, ainda não divulgados. Em junho do ano passado, os reguladores europeus decidiram proibir estes CRE, mas a medida só será efetiva a partir de maio do ano que vem. “A UE recebeu pressões dos investidores para adiar a proibição, inicialmente prevista para 1º de janeiro de 2013”, disse a ativista Natasha Hurley, da EIA.No entanto, a porta continua aberta para que Dow, Shell e demais empresas contaminadoras adquiram outro 53 milhões de falsos CRE. As empresas norte-americanas asseguram que ignoravam a natureza ilegítima dos créditos de HFC-23 antes que a UE os descartasse. O que importa agora é “o que farão os compradores desses CRE para legitimar suas medidas de compensação”, advertiu Rob Elsworth, da Sandbag, uma organização não governamental que investiga a integridade do comércio de emissões e que somou as cifras usadas neste artigo para mostrar a implicação das empresa.A pergunta foi feita a várias dessas companhias. “Nos últimos anos usamos esses CRE para cumprir”, respondeu o responsável de comunicação da filial da Dow na Bélgica, Holanda e Luxemburgo, Drea Berghorst. “Continuaremos cumprindo as normas, o que significa que deixaremos de usar os CRE de gás industrial em abril de 2013”, acrescentou. Chevron e Cabot responderam de modo semelhante, sem descartar a opção de comprar mais créditos de HFC-23 enquanto estiverem em circulação.“A Chevron respeitou e continuará respeitando todos os aspectos exigidos pelas normas europeias de comércio de emissões”, disse Sean Comey, assessor de comunicação na sede mundial da empresa, na Califórnia. A companhia se valeu destes créditos para compensar emissões nos poços marinhos de petróleo que explora na Grã- Bretanha. “Trabalhamos com um agente financeiro de prestígio, a JP Morgan, para comprar esses CRE e ordenamos que todos fossem certificados e válidos”, respondeu Vanessa Apicerno, especialista em relações com a mídia da sede central da Cabot, em Boston. Esta empresa usou os CRE para compensar a contaminação que geram suas manufaturas de negro-de-fumo e termoplásticos na França e na Itália.A ConocoPhillips, que empregou os créditos para suas refinarias na Grã-Bretanha e na Noruega, não quis fazer comentários. Agora, mais do que nunca, as empresas têm boas razões para usar dinheiro de acionistas em investimentos que agravam a mudança climática. De fato, os intermediários tentam vender apressadamente os remanescentes destes CRE antes que se tornem lixo em 2013, e empurram os preços para baixo. Em fevereiro, as cotações eram de apenas US$ 6 a tonelada, depois de ter atingido um pico de US$ 33.“As empresas buscam a forma mais barata de cumprir as normas. Os atores do mercado são livres para terem suas considerações éticas sobre como agir diante da mudança climática, mas o sistema é regido pela economia”, afirmou Richard Chatterton, analista dessa área da Bloomberg New Energy Finance. As estatísticas mostram que a diferença de preços importa mais do que a qualidade do certificado.“Os CRE comuns (como os de HFC-23) ainda constituem mais de 95% dos volumes comercializados a futuro”, afirmou Sara Ståhl, diretora de mercados globais da Green Exchange, uma operadora da bolsa dedicada a derivados ambientais. “E são apenas US$ 0,46 mais baratos do que nossos CRE plus futuros (não HFC-23)”, acrescentou.Considerando a quantidade adicional de CRE inflados admitida pela UE até o próximo ano, pode-se estimar que a economia para o mundo empresarial será de US$ 24 milhões.A verdadeira discussão é se salvar estas moedas vale mais para as empresas do que salvar o mundo real do aquecimento.* Publicado sob acordo com a Freereporter www.freereporter.info. Esta pesquisa contou com apoio do Fund for Investigative Journalism e da Society of Environmental Journalists.LINKSTransações de carbono não esfriam o planetaImposto sobre o carbono abre caminhoO negócio europeu das emissões perversas (I)O negócio europeu das emissões perversas (II)Freereporter, em inglêsCDM Watch, em inglêsArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Stefano Valentino*
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ECOBREVES

Venezuela: Fundos para proteger tartarugas marinhasHonduras: Resgate das dunas costeirasBrasil: Barateando plástico o biodegradávelChile: Comunidades arruinadas por contaminação*******************************************VENEZUELA - Fundos para proteger tartarugas marinhasCaracas, 30 de abril de 2012 (Terramérica).- Por falta de dinheiro, o ecologista Centro de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Cictmar) reduziu sua patrulha nas praias Cipara e Querepare, na península venezuelana de Paria, onde desovam as tartarugas-de-couro (Dermochelys Coriacea).“Os trajetos noturnos, que fazíamos de 15 de março a 31 de agosto, foram reduzidos ao mínimo”, disse ao Terramérica a ambientalista Edelvys Guada, do Cictmar.Esse patrulhamento “permite identificar as tartarugas mãe, medi-las, coletar os ovos e levar a um lugar a salvo de predadores e acompanhar a viagem dos filhotes para o mar”, que é a maneira de garantir que regressem para desovar algum dia, explicou.A tartaruga-de-couro, que pode medir mais de dois metros de comprimento e pesar mais de 600 quilos, está em risco de extinção.Um de seus lugares favoritos de desova são as praias de Paria. O Cictmar iniciou um programa “adote uma tartaruga”, para conseguir dinheiro e seguir seu trabalho.*******************************************HONDURAS - Resgate das dunas costeirasTegucigalpa, 30 de abril de 2012 (Terramérica).- A comunidade de Santa Rosa e Aguán, no departamento de Colón, se prepara para executar um plano de reabilitação das dunas costeiras e reduzir a vulnerabilidade a eventos meteorológicos extremos.Mayra Gill, do Comitê de Voluntários de Santa Rosa de Aguán, disse ao Terramérica que essa comunidade foi uma das mais atingidas pelo Furacão Mitch, em 1998, e “hoje vemos como a deterioração das dunas aumenta o risco de inundações”.“Não sabíamos o que eram as dunas e sua importância, nem ouvíamos falar da mudança climática, mas agora nos organizamos e vamos reabilitar estas montanhas de areia”, acrescentou.Com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação, foram demolidas estruturas de concreto que obstruíam a circulação natural da areia dessas formações na costa atlântica de Honduras.*******************************************BRASIL - Barateando o plástico biodegradávelRio de Janeiro, 30 de abril de 2012 (Terramérica).- A Universidade Federal de São Carlos, no Estado de São Paulo) desenvolve uma nova tecnologia para baratear o custo do plástico biodegradável. A maioria dos polímeros, substâncias químicas que compõem os plásticos, não se degradam naturalmente e os que o fazem são muito caros.Os sistemas que o estudo desenvolve se compõem de partículas de materiais cerâmicos e poliméricos, com dimensões em escala nanométrica (bilionésima parte do metro), e apresentam melhores propriedade mecânicas, óticas e de transporte do que os polímeros convencionais.“A melhoria dessas propriedades permite, no caso dos sacos plásticos, reduzir a quantidade de polímero biodegradável e o custo do material final, mantendo a capacidade de degradação mais rápida em comparação com os polímeros tradicionais”, relatou ao Terramérica a professora Rosário Suman Bretas, coordenadora do projeto. “A produção ocorre em laboratório. Vai demorar para chegar à escala industrial”, afirmou.*******************************************CHILE - Comunidades arruinadas por contaminação Santiago, 30 de abril de 2012 (Terramérica).- A organização ambientalista chilena Oceana iniciou uma campanha em favor da comunidade do balneário de Ventanas e da localidade de Puchuncaví, afetadas pela contaminação de uma fundição de cobre e de três termoelétricas a carvão.O lugar, 180 quilômetros a noroeste de Santiago, foi declarado pela organização uma das “zonas de sacrifício” do Chile, onde se instalam grande quantidade de indústrias contaminantes.A campanha, com adesão do cantor argentino Pedro Aznar, busca evitar a instalação de novas termoelétricas nas “zonas de sacrifício” e implantar planos de descontaminação efetivos.“Nosso país não pode continuar tolerando que hajam cidadãos de segunda classe, que arquem com todo o custo do desenvolvimento, enquanto umas poucas e poderosas indústrias recebem lucros desproporcionalmente altos”, declarou ao Terramérica o diretor-executivo da Oceana, Alex Muñoz.Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Mulheres plantam arroz de terras úmidas perto da baía de Lang Co, no Mar da China Meridional. Foto: Photostock/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Arrozais invadidos pelo mar

[caption id="attachment_49836" align="alignleft" width="340" caption="Mulheres plantam arroz de terras úmidas perto da baía de Lang Co, no Mar da China Meridional. Foto: Photostock/IPS"][/caption]Arrozais do delta do Rio Mekong já sofrem a elevação do nível do mar nessa zona que é a “tigela de arroz” do Vietnã, o segundo maior exportador desse grão.Bangcoc, Tailândia, 23 de abril de 2012 (Terramérica).- Com a ameaça do mar que se eleva e as águas salgadas que adentram no fértil delta do Rio Mekong, o futuro do Vietnã como grande exportador de arroz depende em boa parte de uma pesquisa que é realizada nas Filipinas. Cientistas do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (Irri) trabalham com colegas vietnamitas na localidade de Los Baños, 63 quilômetros a sudeste de Manila, desenvolvendo uma nova variedade de arroz que resista até duas semanas submerso em água salobra.Uma variedade chamada “arroz mergulhador”, pelo gene SUB 1 que lhe permite ficar completamente sob a água tanto tempo, já oferece metade da solução. “O Irri realiza experimentos para encontrar uma variedade que dê resposta aos dois problemas. Mesmo um arroz tolerante à inundação pode morrer devido à salinidade”, explicou Bjoern Ole Sander, cientista desse instituto não governamental.A busca por este arroz começou no Estado indiano de Orissa, lar de um arroz que retoma o crescimento após ter permanecido até 14 dias submerso, o que o diferencia de outras variedades que morrem se estão sob água por mais de uma semana. “Isto foi conseguido sem manipulação genética, com o fitomelhoramento da variedade SUB 1, que pode ficar submersa por 17 dias”, explicou Bjoern ao Terramérica.O arroz, domesticado há cerca de 12 mil anos, é o principal alimento de boa parte da humanidade, especialmente na Ásia, e é o terceiro grão de maior produção mundial, depois do milho e do trigo. Em sua longa história, adaptou-se a diversas condições climáticas e práticas agrícolas. Na Ásia é muito comum seu cultivo semiaquático em áreas inundadas (conhecidas em inglês como paddy fields), tanto planas como em montanhas. Hoje é o único cereal que pode suportar submersão.No entanto, uma coisa é esse substrato aquoso controlado, de cinco a 15 centímetros de altura, e outra são as inundações causadas pela elevação do nível do mar. Encontrar uma variedade resistente à salinidade, que possa ser combinada com o SUB 1 é mais complexo. “Demorará pelo menos quatro anos. Esta seria a resposta aos problemas que o delta do Mekong enfrenta”, pontuou Bjoern.O Mekong nasce na planície do Tibete e percorre 4.880 quilômetros serpenteando através de China, Birmânia, Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, em cujo território desemboca no Mar da China Meridional. Esta desembocadura, um extenso delta de 39 mil quilômetros quadrados no extremo sudoeste do Vietnã, é conhecida como a “tigela de arroz” desse país. A água marinha, que há 30 anos avançava até dez quilômetros no delta, agora penetra até 40 quilômetros.“O futuro do delta está em jogo. Por isso trabalhamos com o Irri para desenvolver esta variedade de arroz”, explicou Nguyen Van Bo, presidente da Academia de Ciências Agrícolas do Vietnã, uma entidade apoiada pelo governo de Hanói. “Dos arrozais do delta, 7% já estão sob o efeito da elevação do mar”, acrescentou. Os agricultores já começaram a mudar de ocupação: muitos passam do cultivo de arroz para a criação de camarões, contou ao Terramérica. “Existe uma mudança muito clara em relação a épocas anteriores, quando o cultivo de arroz e a criação de camarões eram estacionais”, observou.O futuro do Vietnã não é bom, particularmente no delta, alertaram especialistas asiáticos em agricultura e mudança climática reunidos nos dias 11 e 12 deste mês, em Bangcoc. É que existe a necessidade de somar os males que causam os erráticos padrões meteorológicos que prejudicam outros importantes produtores de arroz da região, como a Tailândia. Com rendimento de três colheitas anuais, o delta fornece quase metade dos 42 milhões de toneladas de arroz em casca que o Vietnã produz, segundo maior exportador mundial depois da Tailândia.Em 2011, o Vietnã exportou o recorde de sete milhões de toneladas de arroz, principalmente para as Filipinas e outros mercados asiáticos. O Vietnã tem 87 milhões de habitantes. A rede de rios e riachos que forma o Mekong em seu delta é crucial para a produção de arroz da qual dependem mais de 17 milhões de pessoas que moram nessa área úmida e plana. Quatro represas construídas pela China no curso acima do Mekong foram as primeiras a afetar os produtores de arroz do delta.Na medida em que diminuiu o fluxo do caudaloso rio, a água salgada abriu passagem terra adentro, e a sedimentação que o Mekong distribuía pelo delta durante as inundações de monções anuais também caíram, afetando a fertilidade natural da região. O certo é que as represas proporcionaram pistas sobre o possível impacto da mudança climática. Quase um terço do delta pode ficar submerso em água salgada se o nível do mar aumentar um metro, alertava em 2009 um informe do Instituto Nacional de Hidrometeorologia e Ciência Ambiental.Estudos do Banco Mundial sobre 87 países pobres indicam que as comunidades do delta do Mekong estão entre as mais ameaçadas pelo aumento do nível do mar. Alertas científicos indicam que 21% dos cultivos da Ásia serão afetados pelo aquecimento global até 2050. Porém, este dado ainda não foi suficiente para que os governantes de mais de 190 países incluam a agricultura nas negociações da próxima Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática.“A agricultura e a produção alimentar são mencionadas na Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, mas isso não se traduz em um programa específico de trabalho”, alertou Bruce Campbell, diretor do Grupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), patrocinado por várias agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial. “Não há uma voz comum sobre a agricultura nas negociações da Convenção Marco. A mudança climática se faz sentir nos sistemas agrícolas e coloca em risco os cultivos”, disse ao Terramérica. “Os sistemas agrícolas devem se transformar para que a agricultura seja resistente ao clima”, apontou.* O autor é correspondente da IPS. LINKSMekong revolto diante dos avanços da China, em espanholProjeto de represa causa incertezas no Mekong, em espanholAlta de preços, não por escassez, em espanholCorredores para a vida no Mekong, em espanholInstituto Internacional de Pesquisas do Arroz, em inglêsGrupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola Internacional, em inglês Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde. 


por Marwaan Macan-Markar*
Manifestantes ecologistas na conferência sobre mudança climática de Copenhague, em 2000. Foto: Ana Libisch/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Rio+20: Diálogos para o futuro

[caption id="attachment_49832" align="alignright" width="340" caption="Manifestantes ecologistas na conferência sobre mudança climática de Copenhague, em 2000. Foto: Ana Libisch/IPS"][/caption]Uma plataforma online que admite até 400 mil pessoas conectadas ao mesmo tempo permitirá apresentar recomendações aos governantes reunidos na Conferência Rio+20.Rio de Janeiro, Brasil, 23 de abril de 2012 (Terramérica).- Inovar e redobrar a pressão sobre os governos é o lema da sociedade civil com vistas à Rio+20, que tem a ambiciosa meta de mudar a forma como a humanidade se relaciona com o planeta. A Rio+20 é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá entre 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro, mesma cidade onde em 1992 aconteceu a histórica Cúpula da Terra.Ali será discutida a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável, da erradicação da pobreza e do âmbito institucional para se alcançar esse desenvolvimento. “Há muita preocupação pelo que vai acontecer, há ceticismo”, disse ao Terramérica o coordenador executivo do não governamental Instituto Vitae Civilis, Marcelo Cardoso. “Para nós será uma oportunidade para que a sociedade civil internacional busque em conjunto agendas de convergência” com as autoridades e o setor privado para chegar ao consenso, explicou.Na Agenda 21, um plano de ação adotado na Cúpula da Terra, está prevista a participação social, organizada em nove grupos principais para influir nas negociações intergovernamentais: povos indígenas; agricultores; trabalhadores e sindicatos; autoridades locais, empresas e indústrias; comunidade científica e tecnológica; mulheres, crianças e jovens; e organizações não governamentais. Estes grupos tentam incidir nas discussões formais e organizam campanhas e atividades paralelas no Fórum de Setores Interessados para um Futuro Sustentável (Stakeholder Forum for a Sustainable Future).“A sociedade civil organizada tem que assumir um papel planetário”, afirmou Marcelo. Trata-se de um coletivo fundamental para “os processos decisórios, mas complexo e muito fragmentado”, reconheceu. “Queremos aglutinar as organizações que trabalham o tema da economia verde e integrar programas”, enfatizou. Em 1992, a sociedade civil teve um papel de contexto. “Hoje precisa agir em conjunto com o setor privado e o governamental”, insistiu.O Instituto Vitae Civilis foi um ator civil destacado em 1992, quando foram adotadas as definições sobre desenvolvimento sustentável. Desde 2008, participa das discussões na Organização das Nações Unidas (ONU) para redação do documento final da Rio+20, conhecido como zero draft (rascunho zero), integrando o grupo de organizações não governamentais. Além deste documento, da Rio+20 deverá surgir um programa de metas de sustentabilidade que inclua da erradicação da pobreza até a estabilização do clima planetário, embora o mais provável seja a não adoção de compromissos obrigatórios.Também deverão ser assentadas as bases de instituições globais com poder para implantar e fazer cumprir o que for acordado. Segundo sua definição tradicional, o desenvolvimento sustentável atende as necessidades humanas do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de fazerem o mesmo. Como princípio orientador de longo prazo, se compõe de três pilares: os avanços econômico e social e a proteção ambiental.No entanto, as últimas décadas testemunharam poucos progressos desse modelo, e hoje o mundo enfrenta uma crise econômica e financeira que afeta sobretudo o Norte industrializado e crises mais profundas e duradouras, como a climática, a perda de biodiversidade e de recursos naturais e a persistência da pobreza. A Rio+20 corre o risco de acabar em um grande retrocesso para a natureza, alertam 18 especialistas em meio ambiente, ex-ministros e legisladores do Brasil em um documento divulgado no dia 18.Os autores do documento – entre eles a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva – consideram que a agenda da cúpula está muito “diluída”, pois não colocou o ambiental como eixo principal. Para Carlos Henrique Painel, coordenador do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, o desafio social é apresentar as “verdadeiras soluções”. Painel é um dos organizadores da Cúpula dos Povos sobre a Rio+20 pela Justiça Social e Ambiental, que entre 15 e 23 de junho buscará ser contraponto da conferência oficial.Muitas organizações criticam o conceito de economia verde como uma “monetização da natureza e dos bens comuns”, alertou Carlos Henrique ao Terramérica. O que se necessita é um “novo pacto para uma agenda global. Queremos apontar para as causas das crises estruturais que vivemos, mostrar as verdadeiras soluções que os povos praticam, como agroecologia e permacultura”, explicou.O negociador-chefe da delegação brasileira na Rio+20, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que a sociedade civil não só poderá fazer sugestões como também influir nos rumos e nas opções que muitos países tomarem. Desde o dia 16 deste mês, uma plataforma virtual, a Rio+20 Diálogos (www.riodialogues.org/es), pretende melhorar essa participação, informou o diplomata em um seminário para jornalistas.A ferramenta, que suporta até 400 mil pessoas conectadas ao mesmo tempo, busca reunir especialistas mundiais do setor acadêmico, da sociedade civil, das empresas e dos meios de comunicação que definam recomendações práticas “que serão comunicadas diretamente aos chefes de Estado e de governo durante as sessões de alto nível”.Os diálogos, explicou o embaixador, estão organizados em dez tópicos: água; florestas; ecocidades e inovação; desenvolvimento sustentável como resposta às crises econômicas; desemprego, trabalho decente e migrações; economia do desenvolvimento sustentável; energia sustentável para todos; erradicação da pobreza; oceanos; e segurança alimentar e nutrição. Por meio da tecnologia, pode-se assegurar uma “participação grande e inovadora”, estimou. Embora não seja ideal, “é uma contribuição importante”, concluiu.* A autora é correspondente da IPS. LINKS Mais ecologia e menos economia na Rio+20Sociedade civil deve assumir as rédeas da Rio+20Sociedade civil busca salvar a Rio+20ONGs brasileiras criticam indefinição de proposta para a Rio+20“Rio+20 deve dar um impulso sustentado”Sociedade civil, a nova superpotência – Cobertura especial da IPS, em espanholRio+20, em inglêsRascunho zero do documento final da Rio+20, em inglêsInstituto Vitae CivlisFórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em português e inglêsCúpula dos PovosFórum de Setores Interessados para um Futuro Sustentável (Stakeholder Forum for a Sustainable Future), em inglêsDiálogos Rio+20, em português, inglês, espanhol e francêsArtigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde. 


por Fabíola Ortiz, da IPS
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ECOBREVES

Honduras: Juntas de água na Rio+20Argentina: Lei de lixo eletrônicoBrasil: Ameaça ao papagaio nordestino ******************************************HONDURAS - Juntas de água na Rio+20 Tegucigalpa, 23 de abril de 2012 (Terramérica).- A Associação de Juntas Administradoras de Água do Setor Sul do Parque Pico Bonito, em Honduras, será reconhecida na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), por conservar o recurso e o habitat de uma espécie de colibri única deste país.Esta iniciativa, localizada na Cordilheira de El Merendón sobre o Oceano Atlântico, foi selecionada entre 800 projetos de todo o mundo, contou ao Terramérica o funcionário Hugo Galeano, do Programa de Pequenas Doações das Nações Unidas, que certificou o trabalho da Associação antes do concurso.A entidade funciona há cinco anos e permitiu preservar 40 mil hectares de floresta nas zonas habitadas pelo colibri esmeralda (Amazilia luciae), uma espécie endêmica de Honduras em risco de extinção. A montanha de Pico Bonito fica nos departamentos de Atlântida e Yoro, no norte, e é parte do Corredor Biológico Mesoamericano. ******************************************ARGENTINA - Lei de lixo eletrônico Buenos Aires, 23 de abril de 2012 (Terramérica).- A organização Greenpeace da Argentina pediu a aprovação de uma lei para coleta e manejo de resíduos eletrônicos, que está há quatro anos no parlamento.“O projeto já foi aprovado no Senado e, se a Câmara de Deputados não o examinar, cairá”, disse ao Terramérica a diretora política da filial argentina do Greenpeace, Eugenia Testa.Em 2011 foram descartados dez milhões de celulares, o equivalente a um desperdício de 228 quilos de ouro, 1.750 de prata e 81 mil de cobre, segundo o Greenpeace. O valor estimado desses metais é de quase US$ 15 milhões.Diante desse desperdício e da contaminação causada por vários componentes dos aparelhos jogados fora, os ecologistas pedem uma lei para a reciclagem dos minerais e tratamento dos contaminantes. ******************************************BRASIL - Ameaça ao papagaio nordestino Rio de Janeiro, 23 de abril de 2012 (Terramérica).- O desmatamento da Caatinga, bioma semiárido do Nordeste brasileiro, pode pôr em risco de extinção o papagaio conhecido como arara-maracanã-verdadeira (Ara maracana), segundo a Universidade Federal do Rio Grande do Norte.Essa ave, considerada vulnerável pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais, também é objeto de tráfico, especialmente dos exemplares jovens.Os pesquisadores acompanharam grupos de maracanã entre 2009 e 2011, constatando que seus grupos, inicialmente de 30 indivíduos, agora dificilmente somam dez.“Essas aves se reproduzem no tronco do mulungu, árvore típica da Caatinga, que é cortada para fazer pastagem”, explicou ao Terramérica o biólogo responsável pelo estudo, Mauro Pichorim.“Dados oficiais indicam perda de quase 46% da vegetação original da Caatinga. As informações recolhidas servirão para indicar medidas de proteção para a espécie”, acrescentou. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


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Procure não deixar roupas penduradas atrás da geladeira, isso aumenta bastante o consumo.
Ande a pé. Isso evita a queima de combustível e o lançamento de gás carbônico na atmosfera e, consequentemente, diminui o efeito estufa.
Reduza. Reutilize. Recicle. Três ‘Rs’ indispensáveis para preservar o meio ambiente e contribuir com o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.
Aproveite o sol como fonte de energia limpa. Instale painéis fotovoltáicos em sua residência ou empresa.
Na hora de comprar, escolha produtos com rótulos ecológicos e com menos embalagem, assim você estará escolhendo poluir menos o planeta.
Utilize lâmpadas de baixo consumo, elas economizam até 80% de energia e duram bem mais.
Procure ler seus e-mails na tela do computador. Não imprima nada sem absoluta necessidade.
Ao consumir bebidas e alimentos no carro ou na rua guarde o lixo até encontrar uma lixeira apropriada. Melhor ainda se ela for seletiva, separando o lixo orgânico do seco.Mais importante que limpar é não sujar. Fonte: Blog da Gisele.
Utilize uma bacia ou a própria cuba da pia para lavar frutas e legumes. Lavando-os sob uma torneira aberta, muitos litros de água serão gastos sem necessidade. Fonte: Viva mais verde.
Os aeradores são dispositivos que podem ser instalados nas torneiras para misturar a água corrente com o ar. Assim, menor volume de água é utilizado com a mesma eficiência. Fonte: Viva Mais Verde.

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