Mulheres se apoderam da bicicleta

Terramérica

Mulheres se apoderam da bicicleta


por Pamela Sepúlveda*


[caption id="attachment_44498" align="alignleft" width="300" caption="Em Santiago, a Macleta promove o poder da mulher por meio da bicicleta. Foto: Pamela Sepúlveda/IPS"][/caption] Andar de bicicleta exige equilíbrio, confiança e autocontrole, atributos necessários para que as mulheres se apropriem do espaço público, proclama um grupo de ciclistas feministas da capital chilena. Santiago, Chile, 5 de março de 2012 (Terramérica).- O que tem a ver os direitos das mulheres com pedalar sobre duas rodas? A bicicleta é uma poderosa ferramenta de transformação social, afirma a organização feminista chilena Macleta, que promove o ciclismo e um olhar de gênero para os meios de transporte. Menos de 5% da população da capital chilena usa a bicicleta como transporte, e destes apenas 20% são mulheres, segundo a Pesquisa de Origem e Destino de Viagens Grande Santiago, publicada pelo Ministério de Transporte e Telecomunicações, com dados de 2001 a 2006. “Em minha casa, andar de bicicleta era coisa de homens”, contou ao Terramérica a comerciante Magali Lagos, que aos 46 anos decidiu aprender a andar de bicicleta. Há dois, soube da existência da Escola Bici Mulher, da Macleta. Contudo, pensava que “ia fazer papel ridículo” e só há algumas semanas decidiu acompanhar as aulas. “É difícil (ter confiança), quando não se sabe, é bastante difícil”, confessou. Não tem medo de ir à rua, mas de não conseguir. É um desafio pessoal e, se o superar, comprará sua primeira bicicleta. Ela servirá não apenas como meio de transporte e passeio, mas também porque “ao andar de bicicleta se tem liberdade”. É essa liberdade que perseguem as integrantes da Macleta, que já estão na sétima edição de sua Escola Bici Mulher para ensinar as mulheres a vencerem medos e terem confiança na cidade. Não se trata de promover “um pedaço de ferro (sic), mas do poder da mulher por meio da bicicleta”, ressaltou ao Terramérica a coordenadora da Macleta, Sofía López. As alunas já são mais de uma centena, com idades entre 18 e 68 anos. Algumas não sabiam andar, porque não tiveram bicicleta ou porque viveram más experiências na infância. Outras “sabiam usar a bicicleta, mas não se atreviam a pedalar porque tinham medo dos carros, ou sentiam que não possuíam as habilidades necessárias. São muitas que têm vontade, e não se sentem capazes”, explicou Sofia. Por isto, uma das áreas de trabalho é a pesquisa. Com dados e informação sobre as mulheres, seus medos e suas motivações, pode-se elaborar metodologias de ensino e estratégias para incentivá-las a combater seus medos. “Aprenda a pedalar” é o primeiro nível, dedicado às não iniciadas, e “Saia da calçada” dirige-se às que, sabendo andar, não se atrevem a usar a bicicleta para se locomover. “Acreditamos que a bicicleta, mais que um fim em si mesma, se converte em meio”, afirmou López. “Uma mulher que começa a andar de bicicleta fica mais contente, mais consciente de seu espaço público, quer ocupá-lo, interagir com outras pessoas… Promove um empoderamento”, acrescentou. Além disso, é um meio de transporte econômico, “e isto também nos permite avançar em justiça, porque de bicicleta somos todos iguais e nos movemos iguais, e no fundo se beneficia o que tem menos para investir em um meio de transporte”, enfatizou. O transporte e sua relação com a forte poluição atmosférica estão entre os principais problemas desta cidade de quase sete milhões de habitantes. A inauguração, em 2007, do sistema público-privado Transantiago causou inúmeros protestos sociais, por não responder às necessidades de deslocamento nem à descontaminação da cidade, e por seu elevado custo. A passagem custa cerca de US$ 1,5. Nesta realidade, a bicicleta traz enormes benefícios para esta cidade: não emite substâncias tóxicas, contribui para descongestionar o trânsito e é silenciosa. Estas vantagens são reconhecidas pelas autoridades. Em sua prestação de contas de dezembro, o ministro de Transportes e Telecomunicações, Pedro Pablo Errázuriz, expôs a vontade de “potencializar” a bicicleta e anunciou a ligação de ciclovias, para formar uma rede de 200 quilômetros em Santiago, e em outras cidades, para “fortalecer o uso deste meio não contaminante e acessível a todos”. No entanto, a Macleta vai além. Na política pública de transportes devem ser consideradas as necessidades femininas, já que a mulher “é uma usuária diferente, como os idosos e as crianças”, disse Sofia. Há diferenças de mobilidade entre os usuários e formas de deslocamento segundo o gênero, enfatizou Sofia. Mais de 40% das viagens das mulheres são a pé, e mais de 60% se deslocam fora das horas de pico, por isso se considera que a maioria “não viaja por motivos profissionais, mas relacionados com tarefas domésticas ou com suas responsabilidades de cuidadoras do lar”, concluiu. * A autora é colaboradora da IPS. LINKS A ecomobilidade ganha terreno, passo a passo Ciclistas de Porto Alegre aumentam a aposta Ciclistas aceleram mudança cultural Pedalar contra a poluição Transantiago sacode transporte e política chilena As mulheres são noticia – Cobertura especial da IPS, em espanhol Podcast: Mulheres em voz alta – Cobertura especial da IPS, em espanhol Metas do Milênio – Cobertura especial da IPS, em espanhol Macleta, em espanhol Ministério de Transportes e Telecomunicações, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Coral embranquecido na região mesoamericana. Foto: Cortesia Christine Loew Terramérica

Corais mesoamericanos em perigo

[caption id="attachment_44495" align="alignleft" width="300" caption="Coral embranquecido na região mesoamericana. Foto: Cortesia Christine Loew"][/caption] Os quatro países do arrecife mesoamericano, Belize, Honduras, Guatemala e México, não aparecem bem em uma análise sobre as medidas que poderiam adotar para protegê-lo da mudança climática e de outros impactos humanos. Cidade da Guatemala, Guatemala, 5 de março de 2012 (Terramérica).- Estudos científicos constatam que o aquecimento está fazendo estragos no Sistema de Arrecife Mesoamericano, o segundo maior do mundo e de grande valor biológico e econômico. Os esforços para protegê-lo ainda são débeis. Os arrecifes de coram sofrem o aumento da temperatura superficial do mar, que provoca seu embranquecimento ou perda de pigmentação. “Isto não é nada mais do que a morte dos corais devido ao desaparecimento das algas zooxantelas, que se encontram em simbiose com estes ecossistemas”, explicou ao Terramérica o especialista da The Nature Conservancy na Guatemala, Juan Carlos Villagrán. As algas cobrem os pólipos, animais muito pequenos aos quais também entregam alimento – açúcares e aminoácidos – e dos quais obtêm um lugar seguro para viver e com a luz que necessitam para a fotossíntese. Um pedaço de coral é um ecossistema simbiótico, uma colônia de milhares de pólipos que produzem esqueletos de pedra calcária em forma de taça, utilizando o cálcio da água marinha. Com os anos, os pólipos vão formando curiosas estruturas e depois arrecifes que são habitat próprio, das zooxantelas e de muitas outras espécies de flora e fauna. “Está ocorrendo uma perda acelerada destes ecossistemas com consequências econômicas, pois são sustento de muitas espécies pesqueiras de importância comercial, como lagostas, caracóis, garoupas e pargos”, acrescentou Juan Carlos. O Sistema de Arrecife Mesoamericano é o mais longo da América e o segundo do mundo, depois da Grande Barreira de Coral da Austrália. Se estende por mais de mil quilômetros, do extremo norte da península de Yucatán, no México, passando pelo litoral de Belize e Guatemala, chegando até as Ilhas da Baía em Honduras. Os arrecifes guatemaltecos de Punta de Manabique e Sarstún, na costa do Mar do Caribe, perto da fronteira com Honduras, não fogem dos efeitos da mudança climática. No entanto, “na Guatemala, como em muitos países da América Central, a questão marinho-costeira é historicamente relegada, apesar de sua enorme importância econômica, social e ecológica”, ponderou Juan Carlos. O informe 2010 Report Card fo the Mesoamerican Reef afirma que 6% do arrecife estava em condições críticas em 2008, e dois anos depois esta porcentagem era de 31%. As principais ameaças são o desenvolvimento costeiro, o turismo, a pesca em excesso, o aquecimento dos mares e os furacões, segundo o estudo da organização não governamental Healthy Reefs/Iniciativa de Arrecifes Saudáveis (HRI). O arrecife mesoamericano experimentou eventos de embranquecimento em 1995, 1998, 2003, 2005, 2008, 2009 e 2010, segundo o informe. O efeito da mudança climática “escapa de nossa região e não é algo que possamos remediar”, disse ao Terramérica o funcionário do Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Guatemala, Mario Díaz. A América Central contribui com menos de 0,5% do total mundial de emissões de gases-estufa, causadores do aquecimento, diz o estudo A economia da mudança climática na América Latina e no Caribe 2009, preparado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. Porém, é uma das regiões mais vulneráveis a eventos meteorológicos graves. Entretanto, os países do arrecife mesoamericano tampouco aparecem em boa situação, em uma análise sobre as medidas que poderiam tomar por si mesmos para proteger esta riqueza da mudança climática e de outras atividades humanas. Os esforços dos quatro países receberam 2,7 pontos, “regular”, em um total de cinco, no Informe de avanços dos países do Arrecife Mesomaericano 2011, realizado pela HRI em colaboração com o Instituto de Recursos Mundiais (WRI). No ponto sobre mapeamento dos arrecifes com mais probabilidades de serem resilientes ao aquecimento dos mares, México, Belize, Honduras e Guatemala obtiveram média de dois pontos, equivalente a “mal”. Quanto à sua participação em tratados internacionais ou regionais que apoiem a conservação, não alcançaram mais que três pontos, novamente “regular”. Nos corais de Honduras, as consequências do aquecimento ficaram evidentes nos últimos 15 anos, afirmou ao Terramérica o ativista Andrés Alegría, da não governamental Friends of Roatan Marine Park. “O desafio é garantir que os arrecifes se mantenham sãos para que, quando estas mudanças em grande escala ocorrerem, tenham força suficiente para se recuperarem”, alertou. Neste país, os corais são uma fonte importante de renda de dois setores: a pesca industrial e a artesanal, “que fornecem alimentação a milhares de pessoas”, e o turismo, disse Adrián Oviedo, da não governamental Honduras Coral Reef Fund. No entanto, não é apenas a mudança climática que está matando o arrecife mesoamericano. O estudo da HRI qualificou como “mal” a sustentabilidade do setor privado e o saneamento dos quatro países. Os governos devem “adotar padrões de manejo de águas residuais do tipo I, isto é, menos contaminantes permitidos nas descargas e infraestrutura adequada para tratar essas águas”, esclareceu ao Terramérica a coordenadora da HRI no México, Marisol Rueda. Quanto ao setor privado, Marisol disse que é necessária maior participação do setor hoteleiro e de lazer na adoção de padrões voluntários e programas de certificação ecológica. * O autor é correspondente da IPS. LINKS O calor mata corais caribenhos Corais em luta pela sobrevivência Museu subaquático para proteger arrecifes Resgatadas verdadeiras joias de corais Corais são usados em implantes de olhos, em espanhol Biodiversidade, arca multicor – Cobertura especial da IPS, em espanhol Metas do Milênio – Cobertura especial da IPS, em espanhol The Nature Conservancy – Guatemala, em espanhol 2010 Report Card for the Mesoamerican Reef, pdf em inglês Healthy Reefs/Iniciativa de Arrecifes Saudáveis, em inglês Ministério de Ambiente e Recursos Naturais da Guatemala, em espanhol A economia da mudança climática na América Latina e no Caribe 2009, em espanhol Informe de avanços dos países do Arrecife Mesomaericano 2011, pdf em espanhol Roatan Marine Park, em inglês Honduras Coral Reef Fund, em espanhol e inglês O Sistema de Arrecife Mesoamericano segundo o WWF, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Danilo Valladares*
Corte de árvores na Nicarágua. O desmatamento é inerente à economia predadora, tanto para explorar madeira, como o solo ou o subsolo. Foto: Germán Miranda/IPS Terramérica

Economia verde busca manter crescimento

[caption id="attachment_44492" align="alignleft" width="300" caption="Corte de árvores na Nicarágua. O desmatamento é inerente à economia predadora, tanto para explorar madeira, como o solo ou o subsolo. Foto: Germán Miranda/IPS"][/caption] A atual crise econômica mundial é uma manifestação de que perdeu eficácia e factibilidade a receita keynesiana de ampliação forçada da demanda. Rio de Janeiro, Brasil, 5 de março de 2012 (Terramérica).- Tudo indica que as grandes catástrofes podem ser as novas parteiras da história. Contudo, buscando adiantar-se, a economia verde se propõe a reduzir “os riscos ambientais” e a “escassez ecológica”, melhorando o bem-estar humano e a igualdade social. As citações são parte dos argumentos da Iniciativa para uma Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A adoção de um conjunto de políticas públicas, regulações, incentivos e acordos internacionais não poderá sozinho reverter a deterioração ambiental, mas poderá propiciar um crescimento econômico superior ao que permite a atual “economia marrom”, afirma o Pnuma. Este resultado se daria pelos instrumentos da economia verde que, entre outras vantagens, conduzem a um uso mais eficiente da energia e dos recursos naturais e a uma gestão melhor da água, dos resíduos e da infraestrutura. O investimento necessário seria de US$ 1,3 bilhão anuais, ou 2% do produto bruto mundial, estima a agência das Nações Unidas. Entretanto, isto parece “mais cartaz do que conteúdo”, já que as alternativas à economia atual carecem de escala que “justifique as expectativas geradas”, limitam-se a experiências pontuais e a “medidas graduais insuficientes para sustentar uma onda de investimentos”, afirmou Fernando Cardim de Carvalho, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em energia ainda predominam petróleo, centrais hidrelétricas e, em menor grau, geração nuclear, enquanto fontes como a eólica e a solar são muito incipientes para “mover o mundo”, Fernando citou como exemplo. Por isto, o Brasil, vanguarda em agrocombustíveis, prioriza os hidrocarbonos recém-descobertos em águas profundas do Atlântico. Ocorre que “o capitalismo não opera olhando no longo prazo; as inovações têm de oferecer possibilidades de ganho imediato”, o que não favorece a economia verde, que tampouco se vê habilitada como uma “saída para a crise” financeira que afeta países ricos e ameaça o mundo, afirmou o economista ao Terramérica. “Um grande desastre ambiental, inimaginável hoje”, poderia mudar esse quadro, alterando repentinamente a percepção de “custo/benefício entre degradação ambiental e comodidades modernas”, destacou Fernando. No entanto, no momento e no horizonte próximo, “não existe uma coalizão de demandantes” que consiga fazer os Estados assumirem iniciativas de mudanças radicais, estimou. A alternativa é continuar o processo de “mudança marginal”: experiências locais e setoriais onde a situação obriga, como transporte em metrópoles como São Paulo ou Nova York, concluiu. Na linha do esgotamento dos recursos do planeta, o ambientalista australiano Paul Gilding, professor da University of Cambridge (Grã-Bretanha) e autor do livro The Great Disruption (A Grande Ruptura), prevê para esta década o colapso da economia mundial, o que porá fim ao crescimento e dará lugar a uma nova era sustentável, sem tanto consumismo. Economistas brasileiros conhecidos por sua adesão à economia de mercado reconhecem hoje que o modo de produção atual é insustentável, porque ultrapassou os limites ecológicos do planeta. André Lara Resende, protagonista de programas brasileiros de combate à inflação e das privatizações na década de 1990, afirmou em um artigo, publicado no dia 20 de janeiro no jornal Valor, que a crise econômica iniciada em 2008 nos Estados Unidos persiste provavelmente porque se está chegando ao “limite físico do ecossistema”. A atual não seria uma simples repetição das crises cíclicas do capitalismo por insuficiência de demanda, mas uma manifestação de que perdeu eficácia e factibilidade a ampliação forçada da demanda de bens materiais que recomenda o economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946), de influência renovada pela crise. Eduardo Gianetti da Fonseca, autor de vários livros de economia e sociologia, declarou no mesmo artigo que a “grave falha” do mercado, ao excluir os custos ambientais do sistema de preços, leva ao desastre da mudança climática e ao esgotamento dos recursos naturais. Entretanto, o Pnuma considera um “mito” opor progresso econômico e sustentabilidade ambiental, e assegura que “há provas substanciais” de que a economia verde gera riqueza e empregos. Outro mito, desmentido por exemplos de sucesso no mundo em desenvolvimento, seria restringir aos países ricos o “luxo” da “transição verde”. Em seu documento Para uma economia verde: guia para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza, o Pnuma defende o “reverdecimento das economias como um novo motor do crescimento, que constitui uma fonte de emprego digno e que, além disso, é uma estratégia essencial para erradicar a pobreza persistente”. As políticas e medidas recomendadas são acompanhadas de exemplos já comprovados. Reduzir ou eliminar subsídios prejudiciais é crucial. Os combustíveis fósseis, principal fator da mudança climática, receberam US$ 557 bilhões em subsídios para o consumo e mais de US$ 100 bilhões para a produção em 2008, segundo o Pnuma. Esses valores evidenciam que existe dinheiro para investimentos em programas ambientais, destacou Rubens Born, dirigente da Vitae Civilis, organização não governamental brasileira muito ativa em matéria de mudança climática. Porém, reduzir os subsídios, e, portanto, elevar os preços dos combustíveis, é uma operação de risco. Na Bolívia, uma alta da carga tributária de 72% para 82% sobre derivados de petróleo provocou, em dezembro de 2010, uma onda de protestos que obrigaram o presidente Evo Morales a voltar atrás e enfraquecer politicamente. A Nigéria enfrenta reações pela decisão de eliminar US$ 8 bilhões de subsídios anuais ao petróleo. Entretanto, a Indonésia adotou medidas semelhantes com sucesso em 2005 e 2008, compensando milhões de famílias pobres com transferências em dinheiro durante um ano. O Gabão também agiu, usando os fundos economizados em programas de microcréditos para mulheres, enquanto Gana atuou na educação e saúde de populações pobres, exemplos destacados pelo Pnuma. A Grameen Shakti, organização vinculada ao Grameen Bank de microcrédito, havia facilitado, até 2009, a instalação de 320 mil sistemas de energia solar doméstica com seus créditos brandos em Bangladesh. A meta é alcançar um milhão de domicílios até 2015. As tarifas preferenciais para incentivar o uso de energias renováveis, já aplicadas em 47 países, são outro caso exemplar mencionado pelo Pnuma, junto com a reciclagem de 95% das latas de alumínio no Brasil. A economia verde, proposta pelo Pnuma desde 2008, será tema da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 (assim chamada para comemorar os 20 anos da Cúpula Mundial de 1992, também no Rio de Janeiro), que reunirá chefes de Estados e de governo entre 20 e 22 de junho. Nos nove dias anteriores, haverá encontros preparatórios e da sociedade civil, que atrairão dezenas de milhares de participantes para esta cidade. * O autor é correspondente da IPS. LINKS Chovem críticas à economia verde no Fórum Social Temático Economia verde divide águas Remédio contra mudança climática e pobreza A economia verde alivia, mas não cura Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em espanhol e inglês Iniciativa para uma Economia Verde, em inglês, francês e espanhol Universidade Federal do Rio de Janeiro University of Cambridge, em inglês The Great Disruption, em inglês Jornal Valor Para uma economia verde: guia para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza – Síntese para os encarregados da formulação de políticas, pdf em espanhol Vitae Civilis Grameen Bank, em inglês e espanhol Grameen Shakti, em inglês Rio+20, em espanhol, inglês, francês e russo Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Mario Osava*
eco221211 Terramérica

ECOBREVES

Brasil: Alterações genéticas no boto cor-de-rosa Venezuela: Manual de jornalismo ambiental Honduras: Trabalho de prevenção de inundações ************************************************** BRASIL Alterações genéticas no boto cor-de-rosa Rio de Janeiro, 5 de março de 2012 (Terramérica).- Um estudo descobriu alterações genéticas no boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis), um raro mamífero aquático amazônico. Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas ainda desconhecem se as modificações no genoma são resultado de contaminação. No entanto, encontraram mercúrio e pesticida dicloro difenil tricloroetano (DDT) em exames de sangue e de tecidos de alguns dos 27 animais examinados. O boto cor-de-rosa “está no topo da cadeia alimentar e por isto acumula substâncias tóxicas em seu organismo. Vamos, agora, analisar o impacto que isto pode provocar”, disse ao Terramérica a bióloga Eliana Feldberg, que participa do estudo. “Além disso, é um animal que compartilha informações genéticas com seus ancestrais, e entender como funciona seu genoma ajuda a compreender sua evolução”, acrescentou. ************************************************** VENEZUELA Manual de jornalismo ambiental Caracas, 5 de março de 2012 (Terramérica).- O livro eletrônico A comunicação ambiental e seu manejo prático acaba de ser publicado na Venezuela, dirigido a comunicadores, estudantes e ecologistas. O autor, Gilberto Carreño, condensou em 114 páginas sua experiência de muitos anos no jornalismo, na docência e no gerenciamento ambiental. “O ponto de partida foi dotar estudantes de comunicação na Universidade Santa María com uma ferramenta para o manejo prático da matéria, centrada no ponto de vista do ser humano sobre o meio ambiente, mas, ao mesmo tempo, um guia para facilitar o trabalho de gestores, profissionais e ecologistas”, explicou Carreño ao Terramérica. Vários capítulos buscam simplificar a abordagem de problemas ambientais, da gestão e da legislação na Venezuela, e está incluída a definição ou descrição de dezenas de termos. ************************************************** HONDURAS Trabalho de prevenção de inundações Tegucigalpa, 5 de março de 2012 (Terramérica).- Técnicos japoneses iniciaram trabalhos para reduzir os riscos de inundação em quatro zonas da capital hondurenha, onde moram oito mil pessoas. Ricardo Álvarez, prefeito de Tegucigalpa, disse ao Terramérica que os trabalhos buscam evitar a saturação de água no solo em El Reparto, El Berrinche, San Pablo e La Reforma, onde foi detectada uma falha geológica que caso seja ativada poderá causar graves inundações na temporada de chuvas. Trata-se de construir canais que ajudem a transportar águas subterrâneas para poços especiais a fim de evitar uma saturação da terra e posteriores deslizamentos. Os trabalhos vão durar 23 meses e são parte de um convênio de US$ 13 milhões assinado entre a prefeitura de Tegucigalpa e a Agência de Cooperação Internacional do Japão. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

As ondas afetaram construções contíguas aos morros, a mais de cem metros do mar, como esta casa de La Pesca, cinco quilômetros ao sul de Iloca. Foto: Marianela Jarroud/IPS Terramérica

Lentidão e lucro pautam reconstrução

[caption id="attachment_43545" align="alignleft" width="300" caption="Casa no povoado costeiro de Iloca mostra, dois anos depois, a magnitude do tsunami. Foto: Marianela Jarroud/IPS"][/caption] O presidente do Chile, Sebastián Piñera, não poderá cumprir sua promessa de reconstrução após o terremoto de 2010: 110 mil moradias reparadas e 112 mil novas até o final de seu mandato em 2014. Iloca, Chile, 27 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- Dois anos depois do terremoto e tsunami que sacudiram a região centro-sul do Chile, milhares de vítimas esperam uma solução habitacional que os afaste da maior tragédia natural deste país em meio século. O terremoto de 8,8 graus na escala Richter durou quase três minutos e foi seguido de um poderoso tsunami. Mais de 520 pessoas morreram e cerca de um milhão foram afetadas, segundo dados oficiais. Na madrugada de 27 de fevereiro de 2010, Rosa Núñez, de 75 anos, não conseguia conciliar o sono. Ela vive no pequeno povoado turístico de Iloca, no litoral do Pacífico, aonde se chega, a partir de Santiago, percorrendo 300 quilômetros de carro na direção sul. Ali teve durante anos um pequeno restaurante em uma casa que a água levou. Como não dormia, quando começou o terremoto saiu correndo de sua casa e o suportou na intempérie. A casa ficava a cerca de cem metros do mar e a 30 metros de um morro frondoso onde se refugiou junto com a família de seu filho mais velho. Já no morro, ficou de costas para o Oceano a fim de não presenciar a destruição. “Não esqueço o som do mar destruindo tudo, levando tudo o que construímos com tanto esforço”, contou ao Terramérica. Duas horas depois, quando regressou com seu filho, comprovou que “o mar levara tudo. Não havia paredes, o mar havia engolido tudo”. Hoje, vive em uma pequena casa sólida que já possuía perto da que perdeu e que conseguiu recuperar com ajuda. Seu filho mais velho mora ao lado, em uma pequena construção que levantou a partir da metade de uma meia-água (casa pré-fabricada, de madeira, sem banheiro) que recebeu em doação. Seu filho mais novo, pescador de ofício, ocupa uma cabana de madeira com banheiro em um pequeno conjunto habitacional doado por um estrangeiro. Na parte posterior, está construindo uma casa mais sólida. Perdido o restaurante, Rosa sobrevive da ajuda de seus filhos. A paisagem de Iloca, na região central do Maule, não recuperou sua tranquila beleza. Os escombros continuam na costa. Casas que foram luxuosos abrigos de veraneio ainda se erguem com vista para o mar, mas com danos irreparáveis. Apenas a metros delas, pescadores e trabalhadores rurais vivem em acampamentos de meia-água. Segundo dados oficiais, foram feitas 76 mil obras de reparação e reconstrução de moradias nas seis regiões afetadas (Bío-Bío, La Araucanía, Maule, O’Higgins, Santiago e Valparaíso) e outras 140 mil estão em execução. Entretanto, esses dados são refugados pelas vítimas, que se queixam da lentidão na reconstrução. Lorena Arce, porta-voz das vítimas do povoado costeiro e turístico de Dichato, em Bío-Bío, no sul, afirma que apenas 10% das casas derrubadas ali foram reconstruídas, e correspondem a pessoas de escassos recursos que habitam em acampamentos ou aldeias. Os outros 90% das famílias que ficaram sem teto são de classe média, e muitas não foram atendidas pelo programa de reconstrução do governo, assegurou Lorena. Para a senadora Ximena Rincón, do opositor Partido Democrata Cristão, “o governo fixou números para poder medir um maior avanço mesclando subsídios de reconstrução com subsídios ordinários”. Há “uma mistura pouco transparente, que não permite dimensionar qual é progresso real”, disse ao Terramérica. O presidente Sebastián Piñera se comprometeu a entregar 110 mil casas reparadas e 112 mil novas ao término de seu mandato em março de 2014. Esta promessa não será cumprida, afirmou Ximena, senadora pelo Maule. “Haverá muita frustração na população por causa das promessas não cumpridas”, ressaltou. Em viagem por cinco das seis regiões afetadas, entre os dias 21 e 27 deste mês, o presidente repetiu seu compromisso de que “nenhuma família passará mais do que dois invernos vivendo em aldeias que eram soluções de emergência e transitórias”. Contudo, reconheceu que isto “não será possível antes de começar o próximo inverno” austral. Enquanto isso, a televisão divulga uma campanha publicitária que custou US$ 805 mil sobre os progressos na reconstrução. [caption id="attachment_43546" align="alignright" width="300" caption="As ondas afetaram construções contíguas aos morros, a mais de cem metros do mar, como esta casa de La Pesca, cinco quilômetros ao sul de Iloca. Foto: Marianela Jarroud/IPS"][/caption] O território afetado é uma faixa de 600 quilômetros de extensão. Rosa e grande parte dos moradores de Iloca e seus arredores asseguram que não viram a ajuda do governo. Como puderam, se colocaram de pé lançando mão de suas economias e com doações privadas de meia-água e utensílios domésticos para os mais necessitados. Os especialistas acreditam que o problema está no modelo da reconstrução, centrado na promoção da construção de casas por meio da destinação de subsídios que devem ser executados pela indústria imobiliária. Se as empresas estimam que os subsídios governamentais estão abaixo do valor que cobram pela casa construída, o negócio não é lucrativo para elas, e o Estado não pode responder. Além da lentidão, segundo Lorena, as empresas entregam casas de menor qualidade para compensar a rentabilidade que consideram reduzida. O Chile conta com normas antiterremotos para a construção, mas elas não existem em relação a tsunami. Neste aspecto, a localização das edificações e a proximidade da costa são cruciais. Lorena afirma que há expropriação de terrenos na borda costeira, mas, ao mesmo tempo, são erguidos nestas áreas grandes edifícios ao estilo de complexos turísticos. Porém, ela não perde a esperança. “Esperamos que o governo trabalhe com consciência, que reconheça que ainda há muito por construir, que dê mais recursos porque são necessários, não pode fazer uma reconstrução de papelão, que aplique mais esforços, que tenha políticas de Estado que sejam contínuas e transpassem para o novo governo que começará em 2014”, manifestou ao Terramérica. [caption id="attachment_43547" align="alignleft" width="300" caption="Uma sala da escola de Iloca é tudo o que resta como testemunho da maior tragédia natural do Chile em 50 anos. Foto: Marianela Jarroud/IPS"][/caption] Não há dados oficiais sobre escolas danificadas ou destruídas, mas muitas foram substituídas por salas modulares pré-fabricadas, com a de Iloca, que foi doada por privados. Estudantes secundaristas, que em 2011 protagonizaram o maior protesto social em 20 anos de democracia, preparam mobilizações contra a lenta reconstrução das escolas, e organizações da sociedade civil aprontam uma pesquisa pública nacional sobre os avanços no tema. * A autora é colaboradora da IPS. LINKS Terremoto ecológico no Chile Rachaduras de imprevisão no milagre chileno Desastres atentam contra Metas do Milênio Chile: Fissuras do milagre andino – Cobertura especial da IPS, em espanhol Resgate do patrimônio depois da catástrofe, em espanhol Governo do Chile, em espanhol e inglês Escritório Nacional de Emergência do Chile, em espanhol e inglês Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marianela Jarroud*
A Rio+20 não será uma grande conferência sobre biodiversidade, mas sobre tudo o que diz respeito a ela. Foto: Cortesia CDB Terramérica

“Extinção de espécies não se freia com magia”

[caption id="attachment_43538" align="alignleft" width="225" caption="A Rio+20 não será uma grande conferência sobre biodiversidade, mas sobre tudo o que diz respeito a ela. Foto: Cortesia CDB"][/caption] Conseguir que a biodiversidade se integre às políticas de cada repartição governamental é o tipo de avanço necessário para frear o desaparecimento de flora e fauna, afirma Bráulio Ferreira de Souza Dias, secretário-executivo do Convênio das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica. Vancouver, Canadá, 27 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- Cerca de 8,7 milhões de espécies, segundo as últimas estimativas, criam as condições para que a Terra seja um planeta com vida, ar, água e alimento. A humanidade sabe muito pouco sobre 99% delas, exceto que muitas se extinguem em grande velocidade. Como frear este processo que pode, inclusive, levar à extinção da espécie humana? “O desafio é encontrar o ponto intermediário entre os interesses econômicos, a subsistência e a conservação” da natureza, respondeu ao Terramérica o novo secretário-executivo do Convênio das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CDB), mecanismo criado para ajudar os países a reduzir e reverter o desaparecimento de plantas, animais e outras espécies. O brasileiro Bráulio Ferreira de Souza Dias é doutor em zoologia pela Universidade de Edimburgo, e por muitos anos trabalhou no Ministério do Meio Ambiente do Brasil. Seu último cargo nessa pasta foi a chefia da Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Em entrevista ao Terramérica, Bráulio afirmou que se deve integrar a biodiversidade em todas as políticas e em todos os setores governamentais. TERRAMÉRICA: Por que se extinguem as espécies e por que isto é grave? Bráulio Ferreira de Souza Dias: Darei um exemplo. A agricultura tem muito impacto sobre a biodiversidade. A conversão de terras causa a perda de serviços fornecidos pelos ecossistemas naturais, como reduzir as inundações e limpar e reter a água. Também perdemos diversidade genética, o que significa menos opções para combater doenças no futuro, e muitas outras coisas potencialmente úteis para a humanidade. Quando uma espécie se extingue, se vai para sempre. TERRAMÉRICA: Como novo secretário executivo do Convênio, como espera reduzir o desaparecimento cada vez mais acelerado de espécies? BFDSD: Um objetivo importante é incluir a biodiversidade na agenda de todos os departamentos governamentais de todos os governos nacionais. Queremos que entendam e considerem os impactos sobre a biodiversidade quando elaboram normas e políticas. Estudos como o TEEB (sigla em inglês para “a economia dos ecossistemas e da biodiversidade”) fornecem dados sobre a importância da diversidade biológica para as economias de todos os países. Não é fácil conseguir e não há soluções mágicas. TERRAMÉRICA: As mudanças no Código Florestal brasileiro podem levar a um aumento do desmatamento na Amazônia. A controvérsia que esta reforma gerou ilustra o desafio de incluir a biodiversidade nas políticas de Estado? BFDSD: Este é um exemplo concreto. Os governos devem lidar com interesses que competem entre si. Neste caso, produtores agropecuários e ambientalistas, interesses agrícolas e o público em geral. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre os interesses econômicos, a sobrevivência e a conservação. Em 2011, a Câmara Federal adotou uma versão do Código que parecia favorecer os interesses agropecuários. Em dezembro, o Senado introduziu mudanças ao projeto que dão um enfoque mais equilibrado. Esta versão será apresenta em março na Câmara. O Brasil conseguiu reduzir o desmatamento na última década devido a uma melhor educação sobre o real valor da conservação e dos ecossistemas naturais. O público, definitivamente, aumentou a pressão sobre o governo. TERRAMÉRICA: Quanto é importante a educação nesse sentido? BFDSD: A informação é fundamental, mas também o são os instrumentos financeiros. Por exemplo, gostaria que a próxima Conferência das Partes (COP 11, que acontecerá em outubro, em Hyderabad, na Índia) surja um acordo para que os governos usem critérios de sustentabilidade ao realizar qualquer compra. TERRAMÉRICA: Em 2010, a COP 10 adotou o Protocolo de Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e a Participação Justa e Equitativa nos Benefícios Derivados de sua Utilização no Convênio sobre a Diversidade Biológico. A que os países signatários deste documento estão obrigados? BFDSD: Em Nagoya as nações assumiram o firme compromisso de reduzir as perdas de biodiversidade. Foi um grande êxito. Agora, cada país tem uma estratégia nacional e um plano de ação para proteger a biodiversidade em seu território. Este compromisso deve ser levado aos âmbitos domésticos e a todos os setores para que haja resultados concretos. Não é fácil para a maioria dos países e exigirá financiamento e assistência técnica. TERRAMÉRICA: Os especialistas e diplomatas que negociaram o Protocolo de Nagoya têm que conseguir que seus governos o adotem. Quando espera que o tratado seja ratificado e legalmente vinculante? BFDSD: Mais de 90 países apresentaram cartas de acordo sobre a ratificação do Protocolo. Contudo, o trâmite legislativo em cada país demora. Temos algumas ratificações, mas não chegaremos às 50 necessárias para que o Protocolo entre em vigor a tempo da COP 11. TERRAMÉRICA: Quais outros temas a agenda dessa Conferência incluirá? BFDSD: Trabalharemos para criar um novo mecanismo de financiamento e um programa de trabalho. Esta é a parte de “como fazer” para cumprir os objetivos mundiais de biodiversidade. A conservação em alto mar será um tema especial. Nenhum país tem jurisdição sobre estas áreas, assim não é parte dos planos nacionais. As águas oceânicas são extremamente importantes em matéria de biodiversidade e de processos ecológicos (o plâncton oceânico fornece boa parte do oxigênio que respiramos). TERRAMÉRICA: O que acontecerá com a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), prevista para junho, quando estará completando 20 anos da histórica Cúpula da Terra, na qual nasceu o CDB. BFDSD: Há uma agenda ampla para avançar para uma economia verde. Esta não será uma grande conferência sobre biodiversidade, mas sobre tudo o que se relaciona com ela. Se a Rio+20 puser esta agenda em movimento, também ajudará a biodiversidade. * O autor é correspondente da IPS. LINKS Biodiversidade à beira do despenhadeiro IPCC da biodiversidade prestes a sair à luz Aliança Global para manter a vida Rosto humano para a biodiversidade Biodiversidade, arca multicor – Cobertura especial da IPS, em espanhol Convênio sobre a Diversidade Biológica, em espanhol, inglês, francês e russo TEEB – A economia dos ecossistemas e da biodiversidade, pdf em espanhol Protocolo de Nagoya, em espanhol, inglês, francês e russo Rio+20, em espanhol, inglês, francês e russo Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Stephen Leahy*
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ECOBREVES

Honduras: Luta pela aplicação da lei florestal Brasil: Garrafas de plástico viram verniz Argentina: Caravana contra mineração a céu aberto ************************************************** HONDURAS - Luta pela aplicação da lei florestal Tegucigalpa, 27 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- A Lei Florestal, de Áreas Protegidas e Vida Silvestre de Honduras, em vigor desde 2008, não é aplicada efetivamente nem detém o desmatamento. Operadores de justiça, ativistas e governos locais afinam estratégias para sua real vigência. Existe consciência nos atores convocados de que é preciso “ser mais efetivo” nas estratégias de proteção ambiental, pois o desconhecimento da lei permite muita impunidade, disse ao Terramérica o comissário nacional dos Direitos Humanos, Ramón Custodio, que lidera a iniciativa. Um dos campos de maior impunidade é o desmatamento ilegal, que prossegue sem maiores controles estatais, bem como os incêndios florestais provocados, afirmou. Estima-se que Honduras perde por ano cerca de 58 mil hectares de floresta, a maior parte por corte ilegal. Esta prática causa ao país perdas de US$ 55 milhões anuais, segundo o Instituto Nacional de Conservação e Desenvolvimento Florestal, Áreas Protegidas e Vida Silvestre.   ************************************************** BRASIL - Garrafas de plástico viram verniz Rio de Janeiro, 27 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- Uma técnica desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro permite reaproveitar as garrafas feitas com o produto petroquímico polietileno tereftalato (PET) para produzir verniz. O processo, já patenteado, evita o consumo de outros derivados do petróleo. As garrafas são trituradas e submetidas a uma degradação que altera seu peso molecular. Depois, o resíduo passa por outros processos químicos até se converter em um pó que é incorporado à fórmula do verniz. “É preciso aperfeiçoar a técnica, que ainda apresenta problemas eventuais, como a formação de bolhas e uma consistência muito dura. Estudamos uma forma de melhorar a maleabilidade do verniz”, explicou ao Terramérica o químico Antonio Alves da Silva, responsável pelo estudo. “Não há previsão para o produto chegar ao mercado. O verniz não será comercializado enquanto esses problemas não forem resolvidos”, acrescentou. ************************************************** ARGENTINA - Caravana contra mineração a céu aberto Buenos Aires, 27 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- Artistas e moradores da província de Chubut, no sul da Argentina, realizarão em março uma marcha de mais de 400 quilômetros em protesto pela instalação de projetos de mineração a céu aberto que utilizam cianureto. A Marcha de Poetas e Artistas tem por lema “Patagônia de Pé” e partirá no dia 3 de março da cidade de Trelew, perto da costa atlântica, para chegar, no dia 10, à cidade de Esquel, no extremo oeste de Chubut, ao pé da Cordilheira dos Andes. “Queremos conscientizar apresentando o tema durante toda uma semana sobre este tipo de exploração que contamina terra, água e ar”, disse ao Terramérica um dos organizadores da caravana, Luis Carranza. Os manifestantes se organizarão em grupos que substituirão um ao outro e percorrerão trechos de 60 quilômetros. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

O transporte de material radioativo preocupa o Caribe e a América Central, afirma Gioconda Ubeda. Foto: Emilio Godoy/IPS Terramérica

América Latina deve discutir o tráfego de armas nucleares

[caption id="attachment_42977" align="alignleft" width="340" caption="O transporte de material radioativo preocupa o Caribe e a América Central, afirma Gioconda Ubeda. Foto: Emilio Godoy/IPS"][/caption] Não podemos ver a não proliferação sem medidas que nos levem ao desarmamento completo, afirma Gioconda Ubeda, secretária-geral do Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe. Cidade do México, México, 20 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- América Latina e Caribe completam 45 anos como zona livre de armas nucleares em meio a denúncias sobre o suposto envio britânico de armas atômicas ao Atlântico Sul e sem um regime específico para o transporte de lixo radioativo. No começo deste mês, o governo da Argentina denunciou que a Grã-Bretanha decidira enviar um submarino de propulsão nuclear e com ogivas atômicas ao arquipélago austral das Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os britânicos), sob disputa de soberania desde o Século 19. Segundo Buenos Aires, esta decisão violaria o Tratado para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe, cujo Protocolo II foi assinado e ratificado por Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e pela hoje extinta União Soviética, as cinco potências nucleares reconhecidas em 1967, quando esse pacto foi adotado. No Protocolo II, as potências nucleares se comprometem a “não empregar armas nucleares e não ameaçar com seu uso” os países da região. Entretanto, o transporte de armamento nuclear e de lixo radioativo não foram incluídos no Tratado, pioneiro em seu tipo, que América Latina e Caribe assinaram em 14 de fevereiro de 1967 em Tlatelolco, no México, e que entrou em vigor em abril de 1969. O tráfego de armamento “é um dos grandes desafios a serem tratados na região”, disse ao Terramérica a costarriquenha Gioconda Ubeda, secretária-geral do Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (Onapal), encarregado de supervisionar o cumprimento do Tratado de Tlatelolco. Também o trânsito de material radioativo preocupa “o Caribe e a América Central”, mas há posturas divergentes das partes sobre incluí-lo, ou não, na agenda do Opanal, acrescentou. A diplomata Ubeda, à frente da Opanal no período 2010-2014, conversou com o Terramérica por ocasião das comemorações dos 45 anos da primeira zona livre de armas nucleares do mundo. Estas zonas “foram criadas como diques, como ilhas, para blindar esses territórios que, baseados na vontade política, devem evoluir e se converter em um motor que trabalhe para a aspiração máxima de eliminar as armas nucleares, ressaltou Ubeda. Terramérica: Como abordar o transporte de armas e lixo radioativos na região? Gioconda Ubeda: O transporte de armas ficou fora do Tratado. Há discussões muito documentadas nas atas, mas não se pôde chegar a acordos. É um dos grandes desafios que a região deve tratar. Fica sujeito a cada Estado a aplicação da lei internacional, bem como o controle marítimo em seu próprio território. Não quer dizer que faltem condições para abordar o tema, mas vejo isto mais no âmbito de cada Estado. Quanto ao lixo radioativo, não e considerado no Tratado, mas há instrumentos jurídicos vinculantes internacionais que tratam do assunto, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. É uma temática vinculada ao meio ambiente, que tem outro âmbito de aplicação. Por outro lado, existe uma preocupação válida do Caribe e da América Central pelo tráfego desses resíduos e pela eventualidade de um acidente. É um tema que merece atenção. Contudo, não está na agenda do Opanal, embora haja posições encontradas dos Estados quanto a incluí-lo, ou não. Terramérica: O que implica para a região os Estados Unidos terem um arsenal nuclear? GU: Não concordamos que as zonas livres de armas nucleares sejam usadas como mecanismo de segurança para aplicar a doutrina da destruição mútua assegurada, que surgiu na Guerra Fria. É uma situação à qual nos acostumamos. A resposta da América Latina foi dizer às grandes potências que “decidimos ser uma zona livre de armas nucleares e pedimos que respeitem e assumam os compromissos por meio dos protocolos para que não usem nem ameacem com o uso de armas nem instalem mísseis na região”. Isto se conseguiu, mas, não só os Estados Unidos, como qualquer país que tenha armas nucleares, significa sempre um risco, porque a ameaça não é apenas para uma determinada região. O espírito do Tlatelolco colheu claramente essa preocupação. As zonas foram criadas como um meio para o fim de liberar o mundo de armas nucleares. Então, nos preocupa onde quer que essas armas estejam. Terramérica: Qual a evolução das zonas livres? GU: Nossa tese é que foram criadas como diques, como ilhas, para blindar esses territórios que, baseados na vontade política, devem evoluir para serem um motor que trabalhe para essa aspiração máxima de eliminar por completo essas armas. Agora se trata de estender pontes entre os diques e apoiar a construção de novas zonas, com a do Oriente Médio, que está sobre a mesa desde 1995, mas só no ano passado registrou os primeiros avanços. É nossa responsabilidade compartilhar nossa experiência, porque continuamos trabalhando para preservar a zona livre de armas nucleares, e em nossa agenda está o trabalho para essa aspiração universal de libertar o mundo dessa ameaça. Terramérica: Como destravar o processo internacional de não proliferação e desarmamento? GU: Se tivesse essa resposta, creio que seria nomeada para os altos cargos das Nações Unidas. Esta é a pergunta sobre a qual se deve negociar medidas efetivas que nos levem à não proliferação vertical (que não aumentem os arsenais nacionais existentes) e horizontal (que não se amplie o grupo de países nucleares) e ao compromisso de erradicar as armas. Há alguns acordos e se trata de serem implementados, por exemplo, que os países que possuem arsenais que não são úteis os tirem de circulação. É importante também que sejam dados passos firmes para o desarmamento. É um assunto no qual o papel mais relevante é das potências nucleares. Também tratar de fortalecer o regime de não proliferação. As zonas livres contribuem com o não proliferar dentro desses territórios, mas falta avançar muito além, porque não podemos ver a não proliferação sem medidas que nos conduzam ao desarmamento completo. * O autor é correspondente da IPS. LINKS Armas nucleares queimam as mãos da diplomacia O clube nuclear muda de roupa Renasce a energia nuclear Reator nuclear desata polêmica na Argentina Que as bombas atômicas morram em Hiroshima Temor não freia exportações nucleares Como cogumelos – Cobertura especial da IPS, em espanhol Organismo para la Proscripción de las Armas Nucleares en América Latina y el Caribe, em espanhol Tratado de Tlatelolco, em espanhol Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, pdf em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Emilio Godoy*
Foto: Fabricio Vanden Broeck. Terramérica

Segurança alimentar em tempos de crise

[caption id="attachment_42974" align="alignright" width="300" caption="Foto: Fabricio Vanden Broeck."][/caption] As perspectivas das colheitas de cereais para 2012 pioraram no Brasil, México, Argentina e América Central, afirma neste artigo Alan Bojanic, representante interino da FAO para América Latina e Caribe. Santiago, Chile, 20 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- A incerteza diante do que virá em 2012 é um desafio para a capacidade dos governos de enfrentar de maneira equilibrada as ameaças que uma recessão representaria para a população de menor recurso. A preocupação com a segurança alimentar deriva do fato de que menores taxas de crescimento no emprego e na renda repercutem nas capacidades de acesso dos mais pobres aos alimentos. Como diz o último Boletim Trimestral de Segurança Alimentar da FAO, o cenário internacional atual está marcado pela persistência da crise da dívida soberana em vários países da União Europeia. Se houver uma recessão na zona do euro, haverá consequências na demanda mundial, e este processo influiria nas taxas de crescimento dos países emergentes que até agora sustentam a dinâmica do crescimento econômico mundial. Esta situação de incerteza afeta as previsões de crescimento da economia mundial, corrigido para baixo para 2012, de 6,2% para 5,4% para os países em desenvolvimento, e de 2,7% para 1,4% para os de alta renda (com queda de 0,3% para a zona do euro). Em escala mundial, o Banco Mundial espera que a economia cresça 2,5% este ano. Um crescimento mais lento implicará que o comércio internacional também diminua seu crescimento, e provavelmente esta situação incida nos preços dos produtos básicos. O Banco Mundial calcula que as exportações mundiais de bens e serviços cresceram 6,6% em 2011 (metade de 2010, quando a expansão foi de 12,4%) e se prevê aumento de 4,7% para este ano. Os preços internacionais dos alimentos experimentaram queda de 10% entre junho e dezembro de 2011. Entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011, o preço do açúcar baixou 18%, os preços médios dos óleos caíram 14%, o índice de preços dos cereais (fundamentais na dieta humana) baixaram 8%, e os produtos lácteos 3%. É presumível que esta tendência de baixa – que repercute nas expectativas dos agentes do mercado internacional – se some aos aumentos de disponibilidade de alimentos para gerar um ambiente menos tenso em 2012, quando haverá altas e baixas de preços, porém, menos acentuadas. Entretanto, as flutuações nos preços internacionais não são transmitidas diretamente aos países: na América Latina e no Caribe não ocorreu essa transmissão direta quando os preços dos alimentos subiram, e tampouco agora se espera que o façam no sentido contrário. Isto não nega o impacto dos preços internacionais, e revela a importância das dinâmicas dos mercados nacionais e locais na formação de preços. A disponibilidade recorde de cereais em 2011 foi uma das principais razões da queda de preços nos últimos meses do ano passado. Os estoques mundiais de cereais em 2011 seriam dez milhões de toneladas maiores do que em 2010. A produção também aumentou e a estimativa mais recente da FAO para as colheitas de cereais em 2011-2012 indica o recorde de 2,323 bilhões de toneladas, 3,5% a mais do que na safra 2010-2011. A previsão é de que a colheita mundial de trigo aumente 6,5%, mas prognósticos para os cereais secundários e o arroz caíram levemente. Os países da região mostram estabilidade com um nível relativamente baixo de inflação (7%), segundo o Informe de Preços da América Latina e do Caribe divulgado pela FAO em janeiro, e a inflação anual dos alimentos mostrou sinais animadores, ao fechar 2011 com 8,5%, menor do que os 9,6% de 2010. Diversos países da região experimentaram reduções importantes na inflação dos alimentos entre 2010 e 2011, alguns inclusive chegaram a taxas inferiores às registradas antes da carestia alimentar mundial de 2008. Quanto à produção, as perspectivas pioraram na Argentina, onde, por causa da seca, se espera uma queda de aproximadamente 12% na colheita de cereais. No Brasil também se observa uma importante redução na colheita de trigo, com baixa de 16% entre 2011-2012 e 2010-2011, devido a geadas e reduções de áreas plantadas. Também se prevê contrações nas colheitas de milho do México e da América Central. Durante 2011, os governos da América Latina e do Caribe enfrentaram adequadamente a alta volatilidade dos preços dos alimentos. Vários deles ampliaram seus programas de transferência de renda, que garantem o acesso a alimentos a boa parte da população pobre. Contudo, é fundamental para 2012 que não baixem a guarda e se mantenham alerta pelas ameaças que uma recessão poderia representar para a segurança alimentar dos mais pobres, que sofrem os piores embates das idas e vindas internacionais. * Alan Bojanic é representante regional ad interim da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe. Excluída sua publicação na Colômbia. Direitos reservados IPS. LINKS Justiça social para regular a saída da crise Boletim Trimestral de Segurança Alimentar e Nutricional – Dezembro de 2011, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Alan Bojanic*
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ECOBREVES

América Central: Empréstimo alemão para energias renováveis Brasil: Nitrogênio do solo acelera absorção de carbono Venezuela: Plástico converte lixo em arte *********************************************** AMÉRICA CENTRAL - Empréstimo alemão para energias renováveis Tegucigalpa, Honduras, 20 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- O Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE), com sede em Honduras, obteve empréstimo de US$ 65 milhões do grupo bancário alemão Kreditanstalt für Wiederaufbau para a promoção da energia renovável e o combate à mudança climática na região. O presidente do BCIE, Nick Risehbieth, disse ao Terramérica que parte do financiamento se destinará ao projeto eólico que a empresa Mesoamérica Energy executa em Honduras, considerado o maior do istmo. Também serão destinados recursos ao sistema de interligação elétrica centro-americana, que tem um componente de proteção e mitigação da mudança climática. *********************************************** BRASIL - Nitrogênio do solo acelera absorção de carbono Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- A presença de nitrogênio no solo acelera o crescimento vegetal, reduzindo a quantidade de carboidratos nas folhas e permitindo que estas vivam mais e absorvam mais carbono, um gás-estufa, afirma um estudo do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). “A longevidade das plantas se divide em expansão, maturidade e senescência (envelhecimento). Na maturidade ocorre a maior produção de carboidratos, e seu acúmulo leva as folhas ao envelhecimento”, disse ao Terramérica o biólogo Mauro Marabesi, responsável pelo estudo. A concentração de carboidratos nas folhas resulta de sua produção na fotossíntese, restando a quantidade consumida na respiração e no crescimento. Com o nitrogênio, intensifica-se o crescimento e o consumo de carboidrato, que deixa de ficar acumulado nas folhas, ampliando o período de maturidade. “Com mais folhas produtivas, há mais fotossíntese e maior absorção de carbono”, explicou Marabesi. *********************************************** VENEZUELA - Plástico converte lixo em arte Caracas, 20 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- Bolsas, cartões telefônicos, garrafas e outros dejetos são integrados em obras de arte pelo venezuelano Leopoldo Cardozo, da corrente visionária. Uma mostra de seus trabalhos está exposta na sede da ambientalista Fundação La Tortuga, na cidade venezuelana de Barcelona. A mostra De Entropia e Transfiguração: Pensamentos em Materiais Reutilizáveis e Recicláveis procura “transformar materiais descartados em algo belo e expressivo, fazendo com que transmitam emoções e sensações em um contexto diferente, outro olhar do homem sobre a natureza”, disse Cardozo ao Terramérica. A mostra foi aberta no dia 16 e continuará até 16 de março. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

Torre de observação científica em Boa Vista, capital do Estado de Roraima, fronteiriço com a Venezuela. Foto: Cortesia Mario Bentes Terramérica

Decifrado diálogo entre selva amazônica e água

[caption id="attachment_42357" align="alignleft" width="300" caption="Torre de observação científica em Boa Vista, capital do Estado de Roraima, fronteiriço com a Venezuela. Foto: Cortesia Mario Bentes"][/caption] O Experimento em Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia nasceu da necessidade de se entender e explicar a selva tropical integrando diferentes ciências. Rio de Janeiro, Brasil, 13 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- Havendo alteração na relação entre a selva amazônica e os bilhões de metros cúbicos de água que circulam pelo ar, desde o Oceano Atlântico equatorial até os Andes, estará em risco a resiliência deste bioma crucial para o clima do planeta, alerta um experimento de duas décadas. A Amazônia é um ser vivo de 6,5 milhões de quilômetros quadrados, que ocupa metade do território do Brasil e parte de outros oito países (Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), e abriga a maior reserva de água doce do planeta. Para entender plenamente esse complexo sistema, cientistas do Brasil e do mundo criaram o Experimento em Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA, sigla em inglês). Após 20 anos de pesquisas, os dados coletados constituem um alerta. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participa do experimento, se nos próximos anos não houver políticas efetivas para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa, a Amazônia chegará ao final do Século 21 com 40% menos chuva, com temperaturas médias de até oito graus acima do normal. Isso converteria a Amazônia em uma fonte emissora de dióxido de carbono, em lugar de um depósito desse gás-estufa. A Agência Internacional de Energia estima que, em 2010, a população mundial lançou na atmosfera o recorde de 30,6 gigatoneladas de dióxido de carbono, principalmente procedente da queima de combustíveis fósseis. “As pesquisas nos mostram que a floresta tem um grande poder de resiliência, mas também que este poder tem limites”, disse ao Terramérica o físico Paulo Artaxo, presidente do Comitê Científico Internacional do LBA. “Se continuarmos queimando tanto carbono, o cenário climático para a região amazônica será bastante desfavorável a qualquer resiliência que a selva possa desenvolver. Dificilmente sobreviverá a um estresse climático tão grande”, acrescentou Paulo. Para a coleta de dados o LBA contou, entre outros instrumentos, com 13 torres de 40 a 55 metros de altura, instaladas em diferentes pontos da selva, para medir o fluxo de gases, o funcionamento das propriedades básicas do ecossistema, a radiação e muitos outros parâmetros ambientais. A informação coletada é analisada por cientistas de várias áreas, com a finalidade de entender a selva como um sistema interrelacionado. “A percepção da comunidade científica, de que os estudos individuais ou disciplinares não eram competentes para explicar a Amazônia, levou ao LBA. Percebia que era necessário um esforço integrado para explicar a floresta tropical, a partir das ciências físicas, químicas, biológicas e humanas, e também da relação entre elas”, disse ao Terramérica o engenheiro agrônomo Antônio Nobre, destacado cientista que também integra o LBA. “Quando comecei os estudos no LBA, minha parte principal no projeto era o carbono. Mas o carbono sem água fica seco e a floresta pega fogo. Se não há transpiração, não há sequestro de carbono, porque não ocorre a fotossíntese. Percebi que o ciclo da água e o do carbono são inseparáveis”, afirmou Antônio. Essa análise integrada demonstrou que a Amazônia está absorvendo uma pequena quantidade de dióxido de carbono da atmosfera, estimada em meia tonelada por hectare ao ano. Contudo, esta fixação varia muito por região, segundo o grau das alterações ambientais. Em áreas próximas a lugares onde a ação humana causou uma degradação significativa, a absorção diminui, e a Amazônia, em lugar de incorporar carbono, o emite. Além disso, a absorção de dióxido de carbono enfrenta “as emissões causadas pelo desmatamento e pelas queimadas” provocadas para expandir a agricultura, destacou Paulo. Como nos últimos anos as queimadas diminuíram drasticamente, de 27 mil quilômetros quadrados em 2005 para cerca de sete mil quilômetros quadrados em 2010, “hoje a selva tem como característica predominante a absorção”, explicou. Porém, com as mudanças causadas pelo efeito estufa e o aquecimento da selva, a estação seca tende a aumentar, criando um cenário propício para mais incêndios e mais emissões de dióxido de carbono. Segundo Paulo, “o lançamento na atmosfera de partículas sólidas pelas queimadas altera a microfísica das nuvens e o regime de precipitações. Em um dos estudos do experimento se constatou que o aumento das queimadas em Rondônia estende de duas a três semanas a estação seca, retroalimentando a incidência das queimadas e piorando ainda mais seu efeito sobre o funcionamento do ecossistema”. Na “muito severa” seca de 2005, “a Amazônia perdeu muito carbono”, contou Paulo. Em uma situação de “grandes secas” mais frequentes, é possível que a selva se converta em “emissora de dióxido de carbono e deixe de cumprir um importante serviço ambiental”, alertou. A extensão da temporada seca causa outro fenômeno, a emissão de carbono dos rios, que também foi estudado no LBA. “Os cursos de água de pequeno e médio portes emitem quantidades significativas de gás. Ocorre o que chamo evasão de dióxido de carbono dos corpos aquáticos, e isto acontece porque a maior parte desses rios está saturada de carbono dissolvido na água”, afirmou Paulo. Com o passar do tempo, este carbono “é lançado na atmosfera em quantidades bastante significativas. Todos os fenômenos que alteram o ecossistema amazônico têm um forte impacto na evasão de gases dos rios. Com o aumento da temperatura, aumenta a emissão de gás”, acrescentou. Para ilustrar as consequências que um desequilíbrio da Amazônia poderia acarretar ao clima mundial, Antônio citou a pesquisa que se popularizou com o nome de “rios voadores”, iniciada na década de 1970 e convertida em um projeto consolidado desde 2007. “Descobrimos que a ação do Sol sobre a região equatorial do Oceano Atlântico evapora grande quantidade de água. Esta umidade é transportada pelos ventos para o norte do Brasil. São cerca de dez bilhões de metros cúbicos de água por ano, que chegam à Amazônia em forma de vapor. Parte cai como chuva, e parte segue até encontrar a muralha da Cordilheira dos Andes”, descreveu Antônio. Na região andina, o vapor cai como neve e, ao derreter, “alimenta os rios da bacia amazônica. A maior parte da chuva que cai sobre a floresta volta a evaporar”, esclareceu Antônio. Esta umidade flutua sobre Bolívia, Paraguai e os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no oeste; Minas Gerais, no leste; São Paulo no sudeste e inclusive até Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no sul. “E leva a maior parte das chuvas para todas essas regiões”, explicou. A seca da Amazônia prejudicaria esse rio aéreo e “o ciclo de chuvas nessas regiões, que são muito ricas em agricultura”, alertou Antônio. O LBA é hoje um programa do Ministério de Ciência e Tecnologia, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, com apoio de outras entidades. Seus pesquisadores estão ampliando esse trabalho para outras áreas, como os sistemas agropastoris e o comportamento do dióxido de carbono nas plantações de soja. “Temos um trabalho enorme pela frente para compreender os processos naturais e o que os humanos fazem quanto à alteração dos ecossistemas”, concluiu Paulo. * A autora é colaboradora do Terramérica. LINKS Uma persistente Niña está de volta Cientistas atrás dos segredos da nova gripe Quando um vírus assola a aldeia global, em espanhol Novo retorno do vírus, em espanhol O vírus madruga, em espanhol Pandemias exigem que a OMS cumpra seu mandato, em espanhol The El Niño-Southern Oscillation (Enso) – Pandemic Influenza Connection: Coincident or Causal?, em inglês Secretaria de Saúde do México, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Alice Marcondes*

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