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Brasil: Mel indica presença de metais pesados Honduras: Excluídos delitos da nova lei de mineração Argentina: Pedida valorização de reserva natural em Buenos Aires América Latina: Ar contaminado prejudica cidades   *********************************************** BRASIL - Mel indica presença de metais pesados Rio de Janeiro, 20 de abril de 2013 (Terramérica).- O mel de abelha pode ser usado como bioindicador de contaminação com metais pesados – como zinco, cobre, chumbo ou cádmio –, segundo estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores coletaram amostras de mel da abelha Apis mellifera, que habita em diversas zonas, inclusive urbanas. Por meio de estudos eletroquímicos, determinaram a presença de metais no mel, e a análise melisopalinológica sobre os restos de pólen permitiu descobrir a espécie vegetal da qual as abelhas extraíram o néctar e a localização geográfica. “Se a amostra apresenta contaminação, com estas informações podemos saber qual é a fonte, e isso caracteriza o mel como um bioindicador de contaminantes”, explicou ao Terramérica o agrônomo Diogo Feliciano Dias Araújo, pesquisador responsável pelo estudo. Envolverde/Terramérica.   *********************************************** HONDURAS - Excluídos delitos da nova lei de mineração Tegucigalpa, 29 de abril de 2013 (Terramérica).- A Lei de Mineração de Honduras, que entrou em vigor no dia 22, não tipifica uma série de delitos sugeridos para integrarem a fiscalização do meio ambiente. Figuras como a comercialização ilegal de produto mineiro, danos pela atividade mineira e exportação ilegal foram excluídas da normativa que contempla a participação popular em sessões abertas para determinar se instala-se, ou não, uma exploração em suas regiões. Edgardo Maradiaga, da Promotoria Especial de Meio Ambiente, explicou ao Terramérica que a ideia é homologar a lei desses delitos, como ocorre com legislações no Peru, Chile e na Costa Rica, mas a iniciativa não teve apoio no parlamento. A norma abre possibilidades para que cerca de 30 empresas solicitem permissão de prospecção e exploração, disse ao Terramérica o diretor da Associação Nacional de Mineração Metálica de Honduras, Santos Carvajal. Envolverde/Terramérica.   *********************************************** ARGENTINA - Pedida valorização de reserva natural em Buenos Aires Buenos Aires, 29 de abril de 2013 (Terramérica).- Organizações ambientalistas da Argentina solicitaram ao governo da cidade de Buenos Aires a recuperação da Reserva Ecológica Costeira Sul, único espaço verde da capital argentina com mangues. “Pedimos que seja implantado o plano de manejo, que dá uma oportunidade única aos habitantes da cidade de conhecer a biodiversidade da ribeira”, disse ao Terramérica o diretor-geral da Fundação Vida Silvestre Argentina, Diego Moreno. A Fundação e outras organizações estão preocupadas com o atraso das obras de manutenção da reserva, criada em 1986, para cumprir sua finalidade de ser um espaço de “recreação e educação ambiental”. Para isso é necessário dragar lagoas atualmente secas, e obras de infraestrutura para os visitantes, como trilhas, centros de visita e incorporação de guias para percorrer seus 350 hectares. Envolverde/Terramérica.   *********************************************** AMÉRICA LATINA - Ar contaminado prejudica cidades Cidade do México, México, 29 de abril de 2013 (Terramérica).- Se melhorasse a qualidade do ar das principais cidades da América Latina, seriam economizados entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões anuais em gastos com saúde, afirma um estudo. Os graus de contaminação do ar nas cidades da região ultrapassam os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde e ameaçam cem milhões de pessoas, segundo o documento A Qualidade do Ar na América Latina: Uma Visão Panorâmica, preparado pelo Clean Air Institut, dos Estados Unidos. “Persistem padrões de qualidade do ar frouxos, heterogêneos e desatualizados”, disse ao Terramérica o diretor-executivo dessa organização, Sergio Sánchez. O estudo analisa a concentração de cinco contaminantes em 42 cidades. Cidade do México, Monterrey, Santiago do Chile, Cochabamba, Bogotá e Lima mostraram grande presença de material particulado e de ozônio, que prejudicam a saúde humana. Envolverde/Terramérica.   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

Construção do trecho sul do oleoduto Keystone XL em Winnsboro, Texas. Foto: IPS/Photostock Ambiente

TERRAMÉRICA – O destino do petróleo do Keystone XL

  [caption id="attachment_84266" align="alignleft" width="300" caption="Construção do trecho sul do oleoduto Keystone XL em Winnsboro, Texas. Foto: IPS/Photostock"][/caption] Os investimentos chineses e o traçado do oleoduto Keystone XL colocam em dúvida que o petróleo pesado que transportará beneficiará o mercado energético dos Estados Unidos, afirmam críticos. Washington, Estados Unidos, 22 de abril de 2013 (Terramérica).- Dois informes apresentados por grupos ambientalistas e de interesse público dos Estados Unidos atacam os motivos centrais para construir o polêmico oleoduto Keystone XL, entre este país e o Canadá. O informe Cooking the Books: How th State Department Analysis Ignores the True Climate Impact of the Keystone XL Pipeline, divulgado no dia 16 por oito prestigiosas organizações ambientalistas, afirma que as autoridades reguladoras dos Estados Unidos subestimaram grosseiramente o impacto ambiental do oleoduto. A combustão do petróleo pesado que o Keystone XL transportará, segundo o informe, geraria pelo menos de 181 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, equivalente às emissões de quase 38 milhões de automóveis ou 51 centrais movidas a carvão. O estudo afirma que entre 2015 e 2050 serão geradas 6,34 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, acima de todas as emissões dos Estados Unidos em 2011. O oleoduto transportará betume diluído, uma forma particularmente suja e corrosiva de petróleo, das areias de alcatrão de Alberta, no oeste do Canadá, até refinarias localizadas nos Estados Unidos, na costa do Golfo do México. Como atravessará fronteiras internacionais, a obra necessita da aprovação do Departamento de Estado norte-americano e que o presidente Barack Obama a declare de interesse nacional. No começo de março, o Departamento de Estado divulgou uma proposta de avaliação complementar de impacto ambiental (Seis, sigla em inglês), que representa uma cautelosa aprovação do projeto. O documento indica que o oleoduto “provavelmente não causará efeitos ambientais adversos significativos” e que as areias de alcatrão serão extraídas de qualquer forma, com ou sem oleoduto. Na verdade, trata-se de um sistema de quatro oleodutos, dois já terminados (Keystone Pipeline), outro em construção e o quarto e mais polêmico (Keystone XL) pendente de aprovação. Enquanto a Seis continua aberta a comentários públicos, os que se opõem ao projeto podem se aprofundar no exame do estudo e dos argumentos a favor do oleoduto. No dia 18, o Departamento de Estado realizou a que poderia ser a última audiência pública, em Grand Island, Estado de Nebraska, um dos muitos pelos quais o oleoduto passará. Centenas de pessoas desafiaram uma tempestade de neve para participar. Para cada uma que se manifestou a favor, havia uma dezena contra. “Na cabeça de uma longa lista de problemas (da Seis) está a simples afirmação de que o Keystone XL não terá nenhum impacto na mudança climática, segundo a crença de que essas emissões serão liberadas independentemente da construção do oleoduto. Isto não é certo”, declarou à imprensa, no dia 16, Steve Kretzmann, principal autor do novo informe e diretor-executivo da Oil Change International. “Além disso, queimar, ou não, esse petróleo é outro assunto. O Departamento de Estado deve avaliar o impacto climático desse projeto, observando se o Keystone XL sobreviverá às políticas nacionais para limitar o aquecimento global a dois graus, que é o objetivo declarado deste país, e acreditamos que não conseguirá”, ressaltou Kretzmann. Desde que a empresa canadense TransCanada apresentou, em 2008, a proposta para construir o Keystone XL, os cientistas aperfeiçoaram sua compreensão do que hoje se chama “orçamento de carbono” do mundo: a quantidade de reservas de hidrocarbonos que podem ser queimadas sem comprometer um aumento da temperatura global acima dos dois graus até o final deste século. Segundo o informe Perspectivas da Energia no Mundo 2012, apresentado em novembro pela Agência Internacional de Energia (AIE), é necessário manter debaixo da terra dois terços das reservas provadas de hidrocarbonos para evitar superar o limite de dois graus. Os especialistas em clima vão além e afirmam que não devem ser explorados até quatro quintos desses recursos. O Departamento de Estado utiliza projeções que preveem manter como até agora a demanda de petróleo nos Estados Unidos, disse Kretzmann. “Agora sabemos que essas projeções levam a uma mudança entre quatro e seis graus, e isto é um desastre climático. O que deveríamos estar medindo são projeções que levem em conta as tentativas de manter a demanda abaixo dos dois graus. Mas não é isso que o Departamento de Estado está fazendo”, afirmou. A chancelaria se mostra hermética enquanto conclui a fase de socialização da Seis. Uma de suas funcionárias, Kerri-Ann Jones, disse em Nebraska que já foram recebidos 800 mil comentários públicos. Novas análises sugerem que o projeto pode ter um efeito maior do que o esperado sobre uma questão nacional delicada: o preço do gás e da energia em geral. Os defensores do oleoduto afirmam que fortalecerá a segurança energética do país e ajudará a baixar os preços. Mas o oleoduto do trecho Keystone XL mostra “claramente que se trata de transportar esse petróleo para o mercado mundial, não para o norte-americano”, apontou ao Terramérica o diretor do Programa de Energia da organização Public Citizen, Tyson Slocum. A própria TransCanada admite que a capacidade atual do oleoduto já é adequada para abastecer de petróleo o mercado dos Estados Unidos, acrescentou. “Vemos que o preço do petróleo no oeste do Canadá se mantém baixo devido à natureza mediterrânea da região. Não há dúvida de que qualquer investimento para levar esse petróleo ou outro produto refinado a um mercado internacional pressionará os preços para cima. É óbvio que isso não reduz o custo para os consumidores”, ressaltou Slocum. No dia 15, Slocum divulgou o relatório America Can’t Afford the Keystone Pipeline (Os Estados Unidos não Podem Pagar o Oleoduto Keystone), no qual aponta os investimentos significativos que estão sendo feitos nas areias de Alberta por empresas estatais chinesas, sobre as quais quase não se informa neste país. “A China é o maior investidor estrangeiro nas areias de alcatrão do Canadá, com 52% de todos os investimentos internacionais realizados ali desde 2003”, diz o informe, citando o banco HSBC. “Os últimos investimentos de seis entidades controladas pelo governo da China gerarão direitos sobre quase 1,1 bilhão de barris diários das areias até 2020”, diz o texto. A China tem todo o direito de levar adiante esses investimentos, mas eles não implicam nenhum avanço para a segurança energética dos Estados Unidos, enfatizou Slocum. Quando terminar o período de 45 dias para apresentação de comentários públicos à Seis, o Departamento de Estado apresentará seu informe final, e ficará nas mãos de Obama a decisão de emitir, ou não, a declaração de interesse nacional. Embora não haja prazo, alguns estimam que o presidente poderia se pronunciar em agosto. Envolverde/Terramérica * O autor é correspondente da IPS.   LINKS Keystone XL: Um oleoduto até a Europa? Projeto petroleiro desata desobediência civil nos Estados Unidos Cooking the Books: How the State Department Analysis Ignores the True Climate Impact of the Keystone XL Pipeline, pdf em inglês Rascunho da avaliação complementar de impacto ambiental – Departamento de Estado, em inglês Oil Change International, em inglês TransCanada, em inglês Perspectivas da energia no mundo 2012, pdf em espanhol Public Citizen, em inglês America Can't Afford The Keystone Pipeline, pdf em inglês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Carey L. Biron*
Uma mulher prepara tortilha de milho no fogão à lenha eficiente. Cortesia Ecoders Ambiente

TERRAMÉRICA – Bônus de carbono para fogões melhorados

  [caption id="attachment_84269" align="alignleft" width="300" caption="Uma mulher prepara tortilha de milho no fogão à lenha eficiente. Cortesia Ecoders"][/caption] Uma das muitas iniciativas para fogão à lenha com combustão eficiente e baixa emissão de gases pretende ser a segunda do mundo a ser financiada com créditos de carbono. Cidade do México, México, 22 de abril de 2013 (Terramérica).- Organizações ecologistas do México querem que a implantação de fogões à lenha eficientes, que reduzem a contaminação climática, seja financiada com a venda de bônus de carbono nos mercados voluntários. Para consumir menos madeira e reduzir os problemas respiratórios causados pela fumaça dos fogões tradicionais, duas organizações não governamentais desenvolveram fogões à lenha eficientes no município de Felipe Carrillo Puerto, no Estado de Quinta Roo. “Na região, a maior parte das famílias rurais usa lenha. Começamos com uma série de painéis para saber que tipos de fogões existem no país”, disse ao Terramérica a coordenadora de ecoturismo e ecotécnicas Dulce Magaña, da U’yo’olché (retorno de árvore, em língua maia), responsável pela iniciativa junto ao Fundo Mexicano para a Conservação da Natureza (FMCN). A U’yo’olché, fundada em 1999, dedica-se ao manejo florestal comunitário, ao ecoturismo e ao monitoramento da biodiversidade em Quintana Roo e nos Estados vizinhos de Yucatán e Campeche. O esforço começou em 2006, com a entrega de fogões Patsari, um dos modelos mais comuns no México, feito de argila e cuja fabricação conta com subsídios federais e estaduais. Mas a argila é escassa na região. Então a organização fez uma adaptação técnica para elaborar o modelo Túumben K’óoben (fogão novo), lançando mão de materiais locais: terra branca, suco de cacto, cal e casca de milho. O desenho básico é uma estrutura oca de tijolo e cimento, uma câmara de combustão onde se coloca a lenha, duas ou três bocas metálicas de fogão e uma chaminé. Já foram entregues mais de dois mil fogões melhorados, metade deles com o novo modelo. E o pacote inclui uma panela solar. Dos quase 117 milhões de habitantes deste país, 13% usam lenha para cozinhar. Estima-se que o consumo dessa biomassa seja de 2,5 quilos diários por pessoa. E a cada ano ocorrem quatro mil mortos por doenças relacionadas com a fumaça dentro de casa, segundo a Aliança Global para Fogões Limpos, uma rede de governos, universidades, empresas e organizações não governamentais. Com “a entrega, e capacitação no uso, de panelas solares e fogões que economizam, conseguiu-se reduzir o consumo de lenha em comunidades rurais do país”, informou ao Terramérica o diretor-geral do FMCN, Lorenzo de Rosenzweig. Consome-se menos madeira e se elimina a fumaça, as mulheres têm mais tempo para outras atividades, como educação e trabalho, e tudo isso repercute no fortalecimento dos direitos femininos e na elevação da qualidade de vida. Além disso, um fogão tradicional emite 7,14 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, enquanto uma panela solar e um ecofogão poupam até quatro toneladas no mesmo período, segundo o FMCN. “Os projetos de fogões podem ter sucesso. Alguns conseguiram um desenvolvimento estável. Os componentes cruciais são o modelo, que se adapte às necessidades dos usuários, a qualidade dos materiais e o acompanhamento após a adoção da tecnologia”, disse ao Terramérica o gerente-regional para as Américas da fundação The Gold Standard, Iván Hernández, com sede em Genebra. Essa organização certifica projetos de energia renovável, eficiência energética e manejo de resíduos e de florestas. Na América Latina, avaliou 63 iniciativas, das quais 9% emitiram créditos equivalentes a 150 mil e 200 mil toneladas de CO2, destacou Hernández. O México não conta com mais de quatro desses projetos. Estes créditos são emitidos para uma atividade que demonstra uma redução concreta e mensurável de CO2. Os papéis são comercializados no mercado. O comprador, ao mesmo tempo em que financia o projeto limpo que lhe deu origem, demonstra com os bônus que contribui para a redução global de gases que esquentam a atmosfera. O esquema Utsil Naj (casa saudável para todos), programa que ajuda diversos atores da América Latina a terem acesso ao mercado de carbono, para difundir tecnologias apropriadas, aceita atividades como fogões eficientes e aquecedores solares, painéis fotovoltaicos e estufas e também inclui Guatemala, El Salvador, Honduras e Peru. Para os empreendimentos mexicanos, os mercados voluntários de carbono de Brasil, Estados Unidos, Chile, Austrália ou Japão podem ser melhores alternativas do que os obrigatórios previstos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. Esse acordo, vigente desde 2005 e prolongado até 2020, permite que as nações industrializadas, que estão obrigadas a reduzir sua contaminação climática, invistam em projetos para reduzir emissões de gases-estufa nos países em desenvolvimento para compensar as que não conseguem reduzir em seu próprio território. A partir deste ano, o México só pode comercializar bônus na Europa de projetos registrados junto ao MDL até 2012. Assim, os esquemas voluntários podem ser uma boa opção. “Com os bônus podemos obter fundos para dar manutenção ou realizar ações com mulheres, como ter acesso a outras técnicas, e dar seguimento e monitoramento dos fogões”, explicou Magaña. A U’yo’olché está para medir a adoção desta técnica entre suas usuárias. Cada aparelho custa US$ 162. Mediante um microcrédito sem juros, a compradora paga cerca de US$ 8 por semana ou pode optar por pagar uma parte e que uma organização financie o restante, segundo Magaña. O projeto seria o segundo de fogões eficientes no mundo com o selo The Gold Standard, que negocia bônus no mercado internacional, depois do peruano Qori Q’oncha, também apresentado pela Utsil Naj e que emite créditos por cerca de cem mil toneladas de CO2. “Os recursos serão reinvestidos para ampliar a cobertura e capacitar líderes comunitários. Uma vez em marcha e com resultados, será replicado com sócios em outras regiões do México”, disse Rosenzweig. Hernández acredita que “muitas regiões e muitos países tomaram iniciativas individuais ou bilaterais para um possível intercâmbio de redução de emissões”, e acrescentou que “a combinação com mercados voluntários será a chave no desenvolvimento destes novos mecanismos”. Envolverde/Terramérica * O autor é correspondente da IPS.   LINKS Mudança Climática: Fogões inteligentes para aliviar o mal planetário Energia-México: Fumaça ecológica Fogões ecológicos para viver melhor Reduzir fuligem e smog pode estabilizar o clima Limpar a cozinha, em espanhol Assentamento de Felipe Carrillo Puerto, em espanhol U´yo´olché, em espanhol Fundo Mexicano para a Conservação da Natureza, em espanhol e inglês Blog das fogões Túumben K´óoben, em espanhol Aliança Global para Fogões Limpos, em inglês Centro de Pesquisa Aprovecho, em inglês Fundação The Gold Standard, em inglês Microsol, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Emilio Godoy*
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Brasil: Redução de CO2 na produção de cimento Honduras: Observatório sobre mudança climática Cuba: Catalogado patrimônio florestal Chile: Mais de mil observações à expansão da Codelco   ****************************************** BRASIL - Redução de CO2 na produção de cimento Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma técnica para produzir cimento baixando até pela metade as emissões de dióxido de carbono. O novo sistema reduz o uso de clínquer, matéria-prima obtida de uma mistura de argila e pedra cal cozida em um forno a 1.400 graus centígrados, e aumenta a adição de filer, substância que agrega volume e consistência à massa de cimento. O estudo utilizou pó calcário cru superfino, que não precisa ser queimado, tratamento térmico que representa 80% do consumo energético e 90% das emissões de carbono na produção. “A porcentagem de filer usada atualmente está entre 10% e 30%. Em laboratório o elevamos a 70% sem afetar a qualidade. Resultou em um cimento mais maleável e um concreto mais resistente”, explicou ao Terramérica o professor Vanderley John, um dos coordenadores do projeto. Envolverde/Terramérica   ****************************************** HONDURAS - Observatório sobre mudança climática Tegucigalpa, 22 de abril de 2013 (Terramérica).- O governo de Honduras colocará em funcionamento, no final deste ano, um observatório sobre o comportamento da mudança climática. O observatório será um empreendimento conjunto entre a estatal Universidade Nacional Autônoma de Honduras, que tem experiência nesse tipo de ferramenta de monitoramento e conta com o Instituto da Terra, disse ao Terramérica o ministro de Recursos Naturais e Meio Ambiente, Rigoberto Cuéllar. Honduras é um dos países mais vulneráveis à mudança climática, acrescentou Cuéllar. O observatório registrará eventos, estatísticas e dados que permitam gerar informação de interesse para a execução de políticas públicas, além de desenvolver um componente educativo e de sensibilização para setores vulneráveis. Envolverde/Terramérica   ****************************************** CUBA - Catalogado patrimônio florestal Havana, 22 de abril de 2013 (Terramérica).- Um livro, entregue este mês a bibliotecas escolares e institucionais de Cuba, amplia o inventário do patrimônio florestal de uma reserva da biosfera na província de Pinar del Rio. O livro Árvores e Madeiras da Reserva da Biosfera Guanacahabibes, Pinar del Rio, Cuba, publicado na Espanha, contém fichas técnicas das 125 espécies registradas nesse parque natural, 157 quilômetros a oeste da capital. Essas fichas são úteis para a biologia, arquitetura, criminalística, arqueologia e indústria madeireira, disse ao Terramérica a pesquisadora cubana Raquel Carreras, autora do volume, junto com os também cubanos Alina Cuza e Luis Roberto González, e o espanhol Joan Teruel. O catálogo detalha as características macro e microscópicas da madeira de espécies endêmicas ou introduzidas, e dá continuidade a uma pesquisa pioneira realizada por Carreras em Baracoa e publicada em 2012. Envolverde/Terramérica   ****************************************** CHILE - Mais de mil observações à expansão da Codelco Santiago, 22 de abril de 2013 (Terramérica).- Organizações ambientais e da sociedade civil apresentaram mais de mil observações ao projeto de expansão da Divisão Andina 244 da Corporação do Cobre do Chile (Codelco), o plano mais ambicioso da companhia para prolongar a vida útil de suas minas. O projeto contempla a ampliação dos trabalhos na parte alta das bacias de três rios para a produção de 244 mil toneladas diárias de concentrado de cobre. Segundo as críticas, a área de influência do projeto afetará 26 geleiras e provocará a perda de milhões de litros de água que hoje constituem reservas para as regiões de Valparaíso e Santiago. Paulina Acevedo, do Observatório Cidadão, disse ao Terramérica que estes projetos estão avaliados por uma legislação não apenas fraca em seu caráter ambiental, “mas também na área setorial, que permite a usurpação de bens de tanta necessidade e tão vitais como a água”. Envolverde/Terramérica Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Crianças no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Pará. Ambiente

Terramérica – Pará, onde a terra é poder

  [caption id="attachment_83487" align="alignleft" width="340" caption="Crianças no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Pará."][/caption] A vida dos camponeses sem terra que ocupam fazendas no Pará, o Estado onde a luta agrária é das mais violentas, oscila entre as intimidações e a aspersão de agrotóxicos sobre casas e plantações. Marabá, Brasil, 15 de abril de 2013 (Terramérica).- Sob o sol abrasador e a umidade do clima amazônico, Waldemar dos Santos, de 60 anos, cuida da horta comunitária de camponeses sem terra no Estado do Pará, à espera de que a reforma agrária lhe proporcione uma vida melhor. “Meu sonho é um terreninho. Nosso desejo é acabar com a fome neste país, que está caindo montanha abaixo pela necessidade”, disse ao Terramérica o camponês natural da Bahia, que ainda criança, para fugir da seca, emigrou para o Pará. Sua família é uma das 280 que desde 8 de agosto de 2010 vivem no acampamento que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) batizou de Frei Henri des Roziers, em homenagem ao padre dominicano de 82 anos que, como advogado da Comissão Pastoral da Terra, continua defendendo os direitos humanos na região. Às margens da rodovia federal BR-155, a cerca de cem quilômetros da cidade de Marabá, estes camponeses ocupam a propriedade Fazendinha, uma área com mais de 400 hectares sobre a qual pesam denúncias de ter sido ganha com o desmonte da Amazônia e a invasão de terras públicas, além de ser improdutiva. Este é o argumento de quase todas as ocupações de movimentos sociais que reivindicam a reforma agrária no Brasil. Só no sudeste do Pará, onde a luta pela terra é mais violenta, há mais de 500 assentamentos de pequenos agricultores que foram legalizados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Mas restam mais de cem acampamentos de famílias que vivem em barracas e ranchos de palha à espera de que o governo federal concretize a legalização. Conseguir do governo o confisco de uma fazenda e sua destinação à reforma agrária demora, em média, cinco anos. Para chegar ao acampamento Frei Henri é preciso percorrer um longo trecho da poeirenta BR-155, cheia de ondulações e caminhões carregados de minerais que viajam dia e noite. A região era rica em castanheiros, dizimados para dar lugar a pastagens. Em plena Amazônia profunda, a beleza das árvores de copas altas deixou de existir há muito tempo, e a paisagem é plana e lisa, sem rastros da selva exuberante. A ocupação da Fazendinha acontece em meio a um duro confronto com os latifundiários locais, que estão organizados e contratam segurança privada armada para intimidar os camponeses e arruinar seus cultivos. “Plantamos para ter um alimento saudável. Os fazendeiros não produzem nada e dizem que suas terras são produtivas. As ameaças são constantes. A justiça no Pará é muito lenta. É um espera e desespera”, descreveu Santos. “Aqui a terra é poder”, definiu Maria Raimunda César, de 39 anos e integrante da coordenação do MST no Pará. “O conflito é permanente. No Pará se mata gente como se mata boi. Um corte bovino para exportação vale mais do que um ser humano. Há muita injustiça e um processo de opressão e violência crescentes”, afirmou. E acrescentou que a reforma agrária está ausente das políticas nacionais. Tanto o atual governo de Dilma Rousseff como o de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) “retiraram o tema da agenda”. Aqui ocorre um ciclo perverso no uso da terra, segundo Raimunda. Primeiro se abre caminho para a mineração e o corte de árvores para carvão, depois chega a invasão privada de terrenos fiscais, a devastação da selva e a plantação de capim, uma gramínea que serve de pasto para o gado. Em média, há uma cabeça de gado por hectare, garantiu. Pela mesma BR-155, mas próximo de Marabá, fica o acampamento Helenira Resende, que desde 1º de março de 2010 abriga 150 famílias sem terra. Além das provocações por parte de homens armados, a ameaça aqui também chega pelo ar. Os camponeses denunciam o uso de venenos agrícolas jogados sobre suas casas e plantações. Segundo o argentino Raúl Montenegro, que integrou uma missão internacional de solidariedade aos camponeses do Pará, “o uso de bala e veneno combinados é como uma luta química contra essas populações”. “Os latifundiários dizem que jogam esses produtos em suas terras, mas é uma maneira de se livrar da responsabilidade”, acrescentou Montenegro, ganhador em 2004 do prêmio Nobel alternativo concedido pela Fundação Right Livelihood Award, com sede em Estocolmo. “Pudemos comprovar que grupos armados chegaram a sitiar uma comunidade inteira sob uma chuva noturna de disparos e bombas que provocavam barulho ensurdecedor no acampamento Frei Henri des Rozier. Também vimos que empresas como a Santa Bárbara aplicam pesticidas por via aérea”, disse ao Terramérica o presidente da Fundação para a Defesa do Meio Ambiente, com sede na cidade argentina de Córdoba. “Esse veneno chega com total impunidade a crianças, adolescentes e adultos, sem que o Estado controle, sem a existência de estudos epidemiológicos ou ambientais”, criticou Montenegro. “Nosso lema é ocupar e resistir, mas eles são um grupo poderosíssimo. Os homens da fazenda estão fortemente armados e atiram”, contou Aldemir Monteiro de Souza, de 28 anos, que vive no acampamento Helenira Resende, uma área de 50 hectares dentro da fazenda Cedro, com extensão de quase 15 mil hectares. Os poderosos a que se refere são os proprietários da Agropecuária Santa Bárbara, que tem como um de seus principais acionistas o banqueiro Daniel Dantas, detido em 2008 por crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Segundo o MST e a Comissão Pastoral, apenas nos últimos dez anos, esse grupo comprou 800 mil hectares de terras em seis municípios do Pará. “O grupo se apropria de terras públicas, utiliza trabalho escravo e comete crimes ambientais”, denunciou Charles Trocate, da coordenação do MST neste Estado. A esperança é que técnicos do Incra inspecionem a fazenda Cedro para determinar se é produtiva e legal. Caso constatem irregularidades, terá início um processo de expropriação e depois serão entregues parcelas aos camponeses. Para 22 de maio está prevista uma audiência com a fiscalização agrária do Incra no Fórum de Justiça de Marabá. Este será o primeiro passo, após anos de ocupação e acampamento. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Ressurge o clamor dos sem-terra Reforma agrária sob a lupa Assassinatos de camponeses continuam impunes na Amazônia, em espanhol Assassinato de líder camponês rememora repressão ditatorial no Brasil, em espanhol Ceticismo diante das medidas contra a violência na Amazônia Brasil em risco de contrarreforma agrária Muita terra em poder de poucos, em espanhol Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra Comissão Pastoral da Terra Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Fundação para a Defesa do Ambiente, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Fabíola Ortiz*
Uma abelha europeia em pleno trabalho. Ambiente

Terramérica – Abelhas desorientadas por inseticidas

  [caption id="attachment_83490" align="alignleft" width="340" caption="Uma abelha europeia em pleno trabalho."][/caption] Testes de laboratório confirmam que a incomum mortandade das abelhas europeias obedece a mudanças de conduta causadas por doses não letais de inseticidas agrícolas. Barcelona, Espanha, 15 de abril de 2013 (Terramérica).- Apicultores e cientistas da Europa estão alarmados pela mortandade maciça de abelhas em quase todo o continente, e acusam pesticidas e inseticidas de uso comum na agricultura. “Encontramos montes de abelhas mortas perto de suas colmeias em praticamente todas as regiões da Espanha, mas em particular em Valência (leste) e Catalunha (nordeste)”, disse ao Terramérica o responsável pelo setor apícola da Coordenadoria de Organizações de Agricultores e Pecuaristas deste país, José Luis González. A mortalidade anual das abelhas oscila entre 5% e 10% em condições normais. “Na Espanha estamos observando taxas entre 25% e 30%”, acrescentou. Christopher Connolly, professor de genética molecular na Universidade de Dundee, na Escócia, e pesquisador da conduta das abelhas, disse ao Terramérica que “o mesmo acontece na Grã-Bretanha. Os apicultores estão observando uma alta mortalidade entre abelhas e outros polinizadores, de maneira semelhante à observada na Espanha. Temo que este ano seja terrível para as abelhas”. O fenômeno coincide com uma experiência de laboratório realizada por uma equipe de cientistas franceses, liderados pelo especialista em ecologia e conduta Mickaël Henry, do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica, com sede na cidade de Avignon. Este grupo colocou microprocessadores no tórax de mais de 650 abelhas para controlar, mediante sensores elétricos, seu comportamento individual, em particular suas entradas e saídas da colmeia. “Metade das abelhas nós alimentamos com uma solução de açúcar com uma dose muito baixa de inseticida, comparável à quantidade à qual poderiam se ver expostas em sua atividade diária de coleta de néctar em um cultivo tratado com inseticidas”, disse Henry ao Terramérica. A outra metade do grupo recebeu solução de açúcar sem inseticida. Henry e colaboradores liberaram os insetos a um quilômetro de sua colmeia, “uma distância habitual para as abelhas coletoras domésticas”, segundo explicou. Comparando a porcentagem de abelhas de cada grupo que retornaram à colmeia, os pesquisadores observaram uma taxa significativa de não retorno, consequência da desorientação provocada pela intoxicação com uma dose baixa de inseticida. “Quando se combina a mortalidade natural, a taxa de desaparecimento vinculada a inseticida leva a uma mortalidade diária de 25% a 50% das abelhas intoxicadas, o que representa até o triplo da mortalidade normal, que é de 15%”, disse Henry. O inseticida utilizado foi o tiametoxam, da família dos neonicotinoides, que é usado para proteger cultivos de determinadas pragas, especialmente recobrindo as sementes. “Um dado importante é que a dose de tiametoxam que usamos é muito baixa, e em si mesma não é mortal para as abelhas”, explicou o pesquisador. “Seu efeito é indireto, ao reduzir substancialmente a capacidade de orientação, impedindo-as de regressarem às suas colmeias apesar de estarem a uma distância relativamente reduzida”, destacou. Apicultores, ambientalistas e cientistas consideram há anos que os neonicotinoides são uma das causas não naturais mais importantes da mortandade de abelhas. Segundo Matthias, Würhrich, diretor do projeto internacional de defesa destes insetos no Greenpeace, “os impactos negativos de pesticidas e inseticidas nas abelhas superam consideravelmente todos os efeitos positivos atribuídos a estes produtos químicos”. No dia 9, o Greenpeace publicou o documento Bees in Decline: A Review of Factors that Put Pollinators and Agriculture in Europe at Risk (Abelhas em Declínio: Avaliação dos Fatores que Colocam em Risco os Polinizadores e a Agricultura da Europa), no qual identifica sete pesticidas particularmente nocivos: os neonicotinoides imidacloprid, clotianidina e tiametoxam, bem como fiponil, clorpirifos, cipermetrina e deltametrina. “As abelhas e outros polinizadores silvestres são muito valiosos para a preservação ambiental para que os deixemos morrer facilmente. A União Europeia (UE) deve tomar medidas urgentes, especialmente proibir imediata e definitivamente estes assassinos de abelhas”, enfatizou Wüthrich ao Terramérica. Tal opinião sobre os neonicotinoides já é predominante inclusive em instituições supranacionais, como o Parlamento Europeu. Um documento do departamento de políticas científicas e econômicas desse órgão legislativo, divulgado em dezembro de 2012, afirma que “a exposição crônica das abelhas a doses subletais de neonicotinoides pode também causar sérios danos que incluem uma ampla gama de alterações de conduta, como dificuldades para voar e navegar, redução de memória e habilidade de aprendizado e, ainda, menor capacidade para se alimentar, reproduzir e resistir a doenças”. Entretanto, essa evidência ainda não convence a Comissão Europeia. Em março, uma proposta para restringir o uso de neonicotinoides não obteve maioria no Parlamento Europeu, o que obrigou o comissário europeu de Saúde e Consumo, Tonio Borg, a recorrer a um procedimento de revisão que, no caso de êxito, suspenderá por dois anos, a partir de 1º de julho, o uso dos três neonicotinoides mencionados pelo Greenpeace. Connolly considera impossível determinar com exatidão qual pesticida é o mais daninho. “Os agricultores utilizam centenas de produtos químicos que, juntos, constituem um coquetel perigosíssimo. Contudo, não podemos isolar um produto específico sem uma análise precisa de sua aplicação correlacionada com os efeitos nocivos nas abelhas”, explicou. As abelhas e outros polinizadores, segundo Connolly, também são vítimas de mudanças ambientais, como as monoculturas, que reduzem a variedade de seus alimentos. “Uma abelha que vive em um habitat dominado pela colza ou pelo milho é mais fraca do que outra que vive em um habitat variado. Esta diferença de alimentação também tem impacto em sua maior ou menor resistência a doses não mortais de pesticidas”, detalhou. Connolly sugere suspender os neonicotinoides e coletar a maior quantidade de informação possível sobre a aplicação de produtos químicos na agricultura. “Se tivéssemos documentação mais exata sobre quais pesticidas são usados em quais regiões da Europa, poderíamos correlacioná-los com a conduta das abelhas locais e assim saber quais efeitos têm determinados produtos nos polinizadores”, concluiu. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Alarme por inseticidas assassinos de abelhas O mistério do desaparecimento das abelhas O jardineiro não ouve mais os zumbidos Coordenadoria de Organizações de Agricultores e Pecuaristas da Espanha, em espanhol Universidade de Dundee, em inglês Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França, em francês Abelhas em Declínio, pdf em inglês Documento de síntese do Parlamento Europeu, em inglês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Julio Godoy*
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ECOBREVES

Brasil: Mudança climática confunde previsões astronômicas de indígenas México: Pedida cobrança para emissões de carbono Honduras: Equipamento contra incêndio para indígenas misquitos   ******************************************** BRASIL - Mudança climática confunde previsões astronômicas dos indígenas Rio de Janeiro, 15 de abril de 2013 (Terramérica).- Um estudo com grupos indígenas brasileiros comprovou que a mudança climática está afetando suas previsões astronômicas. O desmatamento e o fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico, também foram apontados como fatores de influência pelo estudo financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa, do Estado do Amazonas. “Tradicionalmente, os indígenas se orientam pelos astros para saber o momento de plantar e colher e as épocas de cheias e estiagem nos rios, entre outras coisas”, explicou ao Terramérica Germano Afonso, astrônomo coordenador do estudo. “A mudança climática altera esses períodos, e suas previsões perdem exatidão. As chuvas chegam antes ou atrasam e os rios baixam antes do esperado, afetando suas atividades”, afirmou. “Para ajudá-los a aperfeiçoar seus planejamentos nesta nova situação, utilizamos cálculos astronômicos modernos e informações de estações meteorológicas, sempre cuidando para não modificá-los culturalmente”, acrescentou. Envolverde/Terramérica   ******************************************** MÉXICO - Pedida cobrança para emissões de carbono Cidade do México, 15 de abril de 2013 (Terramérica).- O premiado cientista mexicano Mario Molina, Nobel de Química em 1995, recomendou o estabelecimento imediato de um preço para as emissões de carbono a fim de enfrentar a mudança climática. “Dessa forma o mercado pode encontrar as reduções mais baratas, por  meio de um novo acordo internacional, e aumentar o investimento em pesquisa, desenvolvimento e demonstração de tecnologias de energia”, disse ao Terramérica o cientista, que falou no Senado mexicano. O México emite anualmente cerca de 748 milhões de toneladas de dióxido de carbono, principal gás-estufa, segundo o Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais. Este país espera reduzir as emissões em 30% até 2020, em relação aos volumes de 2000, e em 50% até 2050, com medidas como uso de energias renováveis, eficiência energética e manejo das florestas. As metas ambientais serão incluídas no Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2018 que o governo de Enrique Peña Nieto prepara. Envolverde/Terramérica   ******************************************** HONDURAS - Equipamento contra incêndio para indígenas misquitos Tegucigalpa, 15 de abril de 2013 (Terramérica).- A comunidade indígena misquita de Rondín conta agora com moderno equipamento para combater incêndios florestais, doado pelas Nações Unidas por um convênio de cooperação com o governo de Honduras. A doação consiste de um equipamento meteorológico, capacetes, ancinhos florestais, dispensadores de fogo, pás, bombas e mochila, para uso no controle e prevenção de incêndios na região, explicou ao Terramérica o chefe misquito Elton Allen Massac. Rondín é parte da região de selva de Gracias a Dios, conhecida como La Mosquitia, e conseguiu desenvolver nos últimos quatro anos um interessante projeto de manejo florestal e recuperação da floresta. No primeiro trimestre deste ano foram registrados em La Mosquitia mais de 17 mil hectares de florestas queimados. Envolverde/Terramérica   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Jordi Muñoz começou em 2007 a fabricar aviões não tripulados de forma artesanal, a semente do que é hoje uma florescente empresa. Foto: Cortesia Jordi Muñoz Ambiente

TERRAMÉRICA – Drones para a paz

[caption id="attachment_82796" align="alignleft" width="300" caption="Jordi Muñoz começou em 2007 a fabricar aviões não tripulados de forma artesanal, a semente do que é hoje uma florescente empresa. Foto: Cortesia Jordi Muñoz"][/caption] Engenheiros mexicanos se dedicaram a desenvolver veículos aéreos não tripulados para fins pacíficos e produtivos. Cidade do México, México, 8 de abril de 2013 (Terramérica).- Ofuscados pelo polêmico uso que os Estados Unidos lhes dão em sua “guerra ao terrorismo”, os drones (veículos aéreos não tripulados) têm um potencial quase ilimitado de usos em pesquisa científica. A palavra inglesa “drones” se refere a aviões teledirigidos, os mesmos que os Estados Unidos utilizam, fortemente armados, para assassinar supostos terroristas e que causam muitas mortes civis no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália. Mais de 40 países utilizam ou fabricam estes dispositivos, segundo diversos informes consultados para um artigo publicado pela IPS. Contudo, com estes aviões e helicópteros autônomos é possível traçar mapas, inspecionar o fundo marinho, medir a temperatura ou os níveis de contaminação, monitorar fenômenos climáticos e vigiar zonas de alto risco ou sítios arqueológicos. No mês passado, a agência espacial norte-americana, Nasa, enviou drones para inspecionar a composição química da fumaça do vulcão Turrialba, na Costa Rica. “A tecnologia está surgindo, estão sendo feitas apenas as primeiras aplicações. A mesma sociedade aprendeu a aceitar os drones além dos usos militares, pois percebeu seus diferentes usos. É apenas questão de tempo”, para ganharem maior desenvolvimento, disse ao Terramérica o mexicano Jordi Muñoz, fundador da empresa 3D Robotics, prioneira na fabricação desses artefatos no México. Sua história é semelhante ao surgimento desses aparelhos, que começaram a ser produzidos com US$ 500 fornecidos pelo físico norte-americano Chris Anderson, em 2007. “Me deram confiança pura. Foram os US$ 500 melhor investidos da minha vida. Me ocorreu construir um drone. Eu desenvolvia o piloto automático e ‘googleava’ em busca de informação quando encontrei um fórum, entrei, me registrei e vi que postavam informações sobre drones feitos em casa”, recordou Muñoz, que está para se formar engenheiro em computação na estatal Universidade da Califórnia, em Berkeley. Em 2007, Anderson criou o blog DIY (sigla em inglês para “faça você mesmo”) Drones, um fórum para que interessados trocassem experiências, códigos eletrônicos e mapas de componentes. “Comecei a postar vídeos, escrever códigos, documentava e publicava o que fazia”, contou Muñoz, cujo trabalho chamou a atenção de Anderson, até janeiro editor-chefe da revista norte-americana Wired e agora sócio na 3D Robotics. A empresa não vende aparelhos para uso militar. Os projetos são criados na cidade de San Diego, sudoeste dos Estados Unidos, e a montagem acontece em Tijuana, norte do México. Diariamente chegam entre cem e 150 pedidos de clientes de Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Alemanha, Israel e Japão. A 3D Robotics emprega 60 pessoas e pretende fechar o ano com cem. Desde sua fundação, em 2009, vendeu cerca de US$ 10 milhões e captou outros US$ 5 milhões de três fundos norte-americanos que financiam empresas tecnológicas. “Em 2013, queremos profissionalizar todos os produtos. Houve avanços enormes, tudo já é muito simplificado, e queremos fazer do drone um objeto mais fácil de usar. Porém, precisamos de engenheiros para escrever códigos, para manufatura”, indicou Muñoz. Ao trabalhar com o esquema de licenças abertas, construiu uma rede de engenheiros por todo o mundo, que melhoram os códigos e dessa forma geram produtos avançados. Muñoz foi selecionado em 2012 entre os dez melhores inovadores menores de 35 anos do México pela revista norte-americana Technology Review, do Instituto Tecnológico de Massachusetts. Um drone consta de um processador rápido, uma bateria, um receptor do sistema de posicionamento global (GPS), uma bússola e sensores, como um acelerômetro e um giroscópio. Um avião pode voar por três horas e um helicóptero por meia hora. Conectado a um modem, pode ter alcance de até 60 quilômetros, transmitindo dados em tempo real. No México não há normas sobre o uso de drones, embora o governo os use para combater o narcotráfico, algumas empresas para supervisionar construções e as universidades para testes científicos. No Centro de Pesquisa e de Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, três pesquisadores equipam protótipos para vigilância e segurança, com vistas a dar-lhes escala comercial. “Perdemos um pouco de tempo. Se tivéssemos feito há cinco anos, estaríamos junto com outros países. Não foi dada muita importância, não havia pesquisa. Temos muitas possibilidades, e o ponto principal é que os estudantes que formamos partam de uma consciência mais avançada”, afirmou ao Terramérica o pesquisador em mecatrônica do Centro, Hugo Rodríguez. “Os novos modelos vão melhorando, vamos ganhar experiência, resolvendo novos problemas. Em pouco tempo, poderemos ter um protótipo para comercializá-lo, com formação de recursos humanos”, pontuou Rodríguez, doutor em automatização e tratamento de sinal pela Universidade de Paris XI. Desde 2007, estes especialistas projetaram um avião quadrimotor, duas aeronaves de asas fixas e dois helicópteros, e testaram com seus controles automáticos. “Quando isto evoluir, poderá surgir uma aplicação tecnológica possível de ser comercializada. Houve aproximação de empresas, mas ainda não tínhamos um protótipo pronto”, informou Rodríguez. Sete estudantes de mestrado em mecatrônica entraram desde 2007, e atualmente trabalham na iniciativa dois candidatos a mestre e dois a doutorado. Embora nos Estados Unidos esteja proibido o uso comercial de drones (só é permitido para utilização científica ou lazer), o governo projeta integrá-los ao seu espaço aéreo em 2015, e a Administração Federal de Aviação estima que até o final desta década haverá cerca de 30 mil veículos voando para múltiplas aplicações. O estudo The Economic Impact of Unmanned Aircraft Systems Integration in the United States (O Impacto Econômico da Integração de Veículos Aéreos não Tripulados nos Estados Unidos) estima que nos primeiros três anos será possível criar 70 mil empregos. O informe divulgado em março pela AUVSI, a associação internacional destes sistemas, prevê que, entre 2015 e 2017, seu impacto econômico vai superar os US$ 13 bilhões, chegando aos US$ 82 bilhões entre 2015 e 2025, incluindo venda de novos produtos, impostos, renda para os fabricantes, as comunidades e as lojas locais. Envolverde/Terramérica * O autor é correspondente da IPS.   LINKS Multiuso para aviões teledirigidos Cresce polêmica nos Estados Unidos sobre ataques com aviões não tripulados A ONU não quer dizer “drones”, mas usá-los Baterias políticas disparam aviões teleguiados Mobilizações contra aviões não tripulados em alta, em espanhol 3D Robotics, em inglês Blog DIY Drones, em inglês Universidade da Califórnia de Berkeley, em inglês Seção de Mecatrônica do Cinvestav, em espanhol Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, em inglês The Economic Impact of Unmanned Aircraft Systems Integration in the United States, pdf em inglês Associação Internacional para Sistemas de Veículos Não Tripulados, em inglês Jordi Muñoz na Technology Review, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Emilio Godoy*
Fundição da mina El Teniente. Foto: Marianela Jarroud/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Em busca de mais vida

  [caption id="attachment_82783" align="alignleft" width="300" caption="Fundição da mina El Teniente. Foto: Marianela Jarroud/IPS"][/caption] Agregar meio século à centenária mina de cobre El Teniente implica um enorme investimento e desafios tecnológicos para reduzir a mortalidade no trabalho e o impacto ambiental. Rancágua, Chile, 8 de abril de 2013 (Terramérica).- A maior mina de cobre subterrânea do planeta, explorada desde 1905 e propriedade da estatal Corporação Nacional do Cobre do Chile (Codelco), se prepara para prolongar sua vida em mais 50 anos. Para isso precisa incorporar tecnologia de ponta e investir US$ 3,278 bilhões, valor semelhante ao empregado em toda a história da Divisão El Teniente, o nome formal da mina. Localizada na Cordilheira dos Andes, para se chegar a El Teniente é preciso percorrer 150 quilômetros a partir de Santiago em direção ao sul. Apenas em 2010, forneceu 25% da produção da Codelco. O cobre foi estatizado em 1971 e representa tudo para o Chile, primeiro produtor mundial desse metal. No setor El Teniente 8 são extraídas 137 mil toneladas por dia (tpd), equivalentes à produção de 434 mil toneladas de cobre fino por ano. Porém, o metal está acabando nessa área, que conta com reservas apenas até 2025. Por isso a Codelco desenvolve o projeto Novo Nível Mina, que começará a operar em 2017 e permitirá explorar 2,02 bilhões de toneladas de reservas alojadas em uma profundidade maior, na cota 1.880 de altitude e cem metros abaixo de El Teniente. Trata-se de “um projeto estrutural dentro da Corporação, que segue junto aos que estão sendo desenvolvidos nas divisões Andina e Chuquicamata Subterrânea”, explicou ao Terramérica a executiva Millaray Farías, chefe de processo da estação de brita da mina Pipa Norte, uma das oito jazidas que funcionam em El Teniente. “Isso vai permitir que tenha vida por muitos anos mais, já que se estima funcionará até 2070”. A brita é a redução do material extraído em fragmentos pequenos. Além de garantir os volumes de produção atuais, a nova mina permitirá, em 2020, o início das obras necessárias para se chegar a produzir 180 mil tpd. O cobre é cotado a mais de US$ 3 a libra na Bolsa de Metais de Londres. No ano passado, a Codelco gerou para o Estado ganhos de US$ 7,518 bilhões, o terceiro maior excedente de sua história. Para que o Novo Nível Mina opere a partir de 2017 serão escavados 98.450 metros de túneis e 3.454 metros verticalmente, para chaminés de ventilação, passagens e galerias para permitir controlar a passagem do mineral, desde a produção até o transporte. O acesso se dará por dois túneis paralelos de 9,4 quilômetros: um para a entrada e saída de veículos com trabalhadores, e o outro para a correia transportadora de minério e a pista de serviços. Em El Teniente se extrai o mineral por meio de afundamento de painéis (panel caving): explosões que afetam as bases do mineral, do tamanho de um prédio de 50 andares, para sua fratura. Depois, com a força da gravidade e equipes de mineradores, esses blocos vão diminuindo. Uma questão delicada é a mortalidade: 6,5 mortes de mineradores por ano, diz a estatística. O Projeto Estrutural de Segurança e Saúde Ocupacional busca um recorde de cinco anos sem fatalidades, com taxa de frequência abaixo de um, bem como automatizar processos perigosos e melhorar as condições de salubridade no trabalho em todas as áreas. “Tradicionalmente, nossa gente estava acostumada a que a produção não podia parar. Hoje, aos poucos, entendem que a questão da segurança é de todos e que não se deve apenas velar pela própria vida, mas também pela dos outros velhos” (como se chama quem trabalha dentro das minas), afirmou Juan Bobadilla, engenheiro superintendente de processos na Fundição de El Teniente, ao ser perguntado pelo Terramérica. As medidas de segurança na Divisão, composta por cinco mil trabalhadores, estão compreendidas em sete valores corporativos que partem do “respeito à vida e à dignidade das pessoas”. No dia 23 de março, morreu um operador de máquina na Divisão Radomiro Tomic, o que levou os trabalhadores a cruzarem os braços e forçou a empresa a fechar temporariamente a mina. O projeto de El Teniente inclui operações semiautomáticas comandadas a partir de salas de controle localizadas em Roncágua, a mais de 50 quilômetros da área de trabalho. Atualmente, a mina com mais tecnologia moderna é Pipa Norte, onde se trabalha com equipes autônomas de carga e descarga (LHD), “operados desde o concentrador Colón – o lugar onde são liberados e se concentram as partículas de cobre que são encontradas na rocha –, a 13 quilômetros da mina”, explicou Farías. A estação de brita e o martelo também são manejados por controle remoto, acrescentou. Apesar do avanço técnico, os recursos humanos são valorizados, porque “naturalmente surgem outras tecnologias que vão necessitando do apoio dos velhos”, apontou Bobadilla, usando a gíria dos mineradores. “Assim, os que têm que se aposentar se aposentam e os que ainda estão na ativa vão assumir novos postos. Isto é, não há dor”, assegurou. Outro assunto que faz parte da carta de valores da Codelco é a busca pelo desenvolvimento sustentável. Bobadilla garantiu que a Divisão captura 93,9% das emissões de dióxido de enxofre – o principal contaminante – e só libera na atmosfera 6%. A empresa pretende aumentar a proporção capturada para 95% até 2017. Luis Sandoval trabalhou 38 anos em El Teniente. Já aposentado, atua como guia, a pedido da companhia. Enquanto nos deslocávamos por um longo túnel subterrâneo, Sandoval contava ao Terramérica que em El Teniente acabaram há anos os acampamentos de mineradores. “Hoje, todos os trabalhadores ‘baixam” em Rancágua, onde estão suas casas e famílias, e ‘sobem’ somente quando têm de assumir seus turnos, explicou Sandoval. Por isso, “as emissões de ácido sulfúrico da mina não prejudicam a população”, assegurou. As águas ácidas são processadas em uma estação especial e “fazemos de tudo para lançar o menos possível de resíduos industriais sólidos e líquidos, e cuidamos deles aqui”, afirmou Farías. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Mineração brilha em reclamações El Cobre busca salvar seu entorno Trabalhadores do cobre em pé de luta, em espanhol Mineradores em greve não retrocedem, em espanhol Chile ante o inquietante boom do cobre, em espanhol Chile discute quem controla o lítio, em espanhol Corporação Nacional do Cobre do Chile, em espanhol e inglês El cobre na Bolsa de Metais de Londres, em inglês Sindicato de Trabalhadores de El Teniente, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Marianela Jarroud, enviada especial
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ECOBREVES

 Cuba: Cimento ecológico Honduras: Indígenas lencas na agricultura sustentável Chile: Reserva marinha na Ilha de Páscoa   ************************************** CUBA - Cimento ecológico Havana, 8 de abril de 2013 (Terramérica).- A fábrica Siguaney de Sancti Spíritus, 360 quilômetros a leste de Havana, começa este mês a produzir as primeiras 240 toneladas de um cimento ecológico obtido pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Estruturas e Materiais (Cidem). Esse volume será entregue a empresas cubanas da construção para obter provas sobre sua qualidade, disse ao Terramérica o diretor do Cidem, Fernando Martinera. O cimento é composto em 60% pela mescla de metacaolim (obtido do mineral caolim) e pedra calcária sem queimar, o que reduz as emissões de gases-estufa e seu custo de produção em 28%. A comercialização do ecocimento começará em 2014 nos pontos de venda de materiais de construção, que desde 2011 vendem livremente uma maior variedade de produtos em pesos cubanos, a moeda mais acessível para a população deste país. Envolverde/Terramérica   ************************************** HONDURAS - Indígenas lencas na agricultura sustentável Tegucigalpa, 8 de abril de 2013 (Terramérica).- O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e o Ministério de Agricultura e Pecuária de Honduras assinaram um projeto para beneficiar cerca de 12 mil famílias indígenas lencas do oeste do país. O projeto Pro Lenca começará em meados deste ano com a finalidade de essa população adotar técnicas amigáveis com a natureza para melhorar a produtividade agrícola e tornar sustentáveis e rentáveis sua renda e desenvolvimento humano. Este programa integra uma série de convênios assinados com o Fida para apoiar comunidades de Choluteca, na zona sul, e no departamento de Yoro, no norte, disse ao Terramérica o ministro de Agricultura, Jacobo Regalado. As famílias lencas também serão parte de um programa nacional para irrigar cerca de 13 mil hectares de terras aptas para a agricultura. Envolverde/Terramérica   ************************************** CHILE - Reserva marinha na Ilha de Páscoa Santiago, 8 de abril de 2013 (Terramérica).- O governo do Chile consultará o povo indígena rapanui sobre a criação de uma reserva marinha em Hanga Roa, principal cidade da Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico. A reserva “permitirá a recuperação das populações de peixes e crustáceos que vivem na costa da ilha, e dessa forma repovoar as áreas vizinhas”, disse ao Terramérica o diretor-executivo da organização ecologista Oceana, Alex Muñoz. “Dos exemplares de peixes da área, 77% pertencem a espécies endêmicas, e 53% do fundo marinho da ilha está ocupado por corais vivos em excelente estado de conservação”, acrescentou. Mas são eloquentes os impactos negativos que tem a sobrepesca, por isso “é urgente contar com medidas efetivas de proteção que contribuam para o repovoamento de espécies que se esgotaram”, ressaltou Muñoz. Envolverde/Terramérica Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

Uma vicunha bebendo em um dos mangues de San Pedro de Atacama. Foto: Cortesia da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta Ambiente

TERRAMÉRICA – Atacama, riqueza ambiental e turística

[caption id="attachment_82011" align="alignleft" width="300" caption="Uma vicunha bebendo em um dos mangues de San Pedro de Atacama. Foto: Cortesia da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta"][/caption] O ecossistema altiplano de San Pedro de Atacama, no norte do Chile, é objeto de estudos para aprender a administrar suas maravilhas e melhorar a vida de seus habitantes. Santiago, Chile, 1º de abril de 2013 (Terramérica).- Dois projetos pretendem converter San Pedro de Atacama, capital do turismo, da arqueologia e da astronomia no norte do Chile, em uma comunidade sustentável que melhore a vida dos indígenas que a habitam. Esses são os atributos que definem San Pedro de Atacama, segundo sua prefeita, Sandra Berna. As iniciativas, no valor de US$ 2,7 milhões, poderiam agregar mais um: capital do conhecimento científico aplicado a um manejo sábio da riqueza natural. Os 4.797 habitantes, 60,9% indígenas de Atacama, duplicam na temporada turística, quando os estrangeiros chegam atraídos pelos mistérios do deserto, seus vulcões e gêiseres. O município faz parte de uma paisagem de salinas, dunas e cristas rochosas, gêiseres, águas termais e montanhas nevadas, a 2.600 metros de altitude e 1.500 quilômetros ao norte de Santiago. Ali também está o céu mais limpo do planeta e o Observatório Alma (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array, ou Grande Conjunto Milimétrico/Submilimétrico de Atacama), que com seus 66 radiotelescópios tenta decifrar enigmas do espaço. Rico em diversidade biológica, San Pedro atraiu iniciativas para dar-lhe sustentabilidade e um planejamento turístico adequado. “Pode-se racionalizar o turismo e gerar políticas de controle de acesso aos lugares protegidos, se conhecer os serviços ecossistêmicos da área e de que maneira podem se tornar vulneráveis”, explicou ao Terramérica o secretário regional ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta, Hugo Thenoux. A primeira iniciativa faz parte do Project for Ecosystem Services (ProEcoServ), financiado pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e implantado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A inspiração veio dos resultados da Avaliação dos Ecossistemas do Milênio (global e subglobal), que recopilou informação científica sobre as mudanças ambientais e as opções para responder a elas. De novembro de 2011 até 2014 serão geradas ferramentas para avaliar e valorizar os serviços que o ecossistema presta e pode prestar à comunidade. A natureza e as espécies que a habitam fornecem serviços fundamentais para a vida humana: água e ar puros, alimentos e energia, entre outros. O projeto se centrou em dois: provisão de água e ecoturismo e recreação, para estimar sua resposta diante de eventos naturais como secas ou aluviões. “A ideia é avaliar como determinamos a situação que temos hoje em dia destes serviços, e com fazemos um uso racional deles, de maneira a não colocá-los em risco”, explicou Thenoux. A partir das conclusões, “as comunidades terão informação direta do Estado se tiverem um projeto que queiram desenvolver no lugar”. Essas ferramentas serão usadas para planejar e implantar políticas de desenvolvimento, melhorando a capacidade pública e privada para tomar decisões. “Falar de serviço ecossistêmico é bastante novo”, lembrou Thenoux. “Este projeto também é realizado no Vietnã, Tobago e África do Sul. Portanto, também há conclusões que teremos em níveis nacional e internacional em manejo de sustentabilidade”, destacou. O desenvolvimento está a cargo do Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas, com a coordenação da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente da região de Antofagasta. Estes “temas emergentes” estão em linha com as políticas do Ministério do Meio Ambiente “de melhorar a sustentabilidade de nosso país e a qualidade de vida”, pontuou o funcionário. O ProEcoServ também contará com matrizes de compromisso, que descrevem o comportamento entre dois serviços ecossistêmicos e definem se esta relação é dependente ou independente e se esta dependência é direta ou indireta. “Tudo que é planejamento, ou estudos nos quais possamos melhorar e ter consciência do que temos e do que ocorre em todo o ecossistema, é valioso”, afirmou a prefeita Berna ao Terramérica. Contudo, lamentou que a participação popular não seja maciça. “Gostaria que as pessoas se conscientizassem, que vissem na ciência, nos estudos, o que se diz de nosso ecossistema”, enfatizou. As autoridades também licitam a execução de dois projetos para a proteção de mangues alto-andinos, fontes de água das comunidades que habitam a Salina de Atacama, além de serem um dos ecossistemas mais frágeis e suscetíveis à mudança climática. Um desses projetos busca analisar, identificar e aplicar medidas-piloto de restauração e conservação dos mangues. “A ideia é avaliar como a mudança climática pode afetar os mangues e como trabalharmos com as comunidades para que nos adaptemos”, explicou Thenoux. Um segundo estudo analisará o sistema de acompanhamento ambiental desses ecossistemas, com vistas a desenhar um novo modelo de gestão para fortalecer a capacidade pública e privada de conservar e fazer bom uso dos mangues. Segundo Thenoux, “muitos monitoramentos que são feitos nos mangues não necessariamente dão uma visão ecossistêmica do lugar”. Berna espera que todo este conhecimento ajude a lidar com as manifestações cada vez mais duras do inverno no altiplano, que em 2012 provocou o transbordamento de rios e riachos, e afetou e isolou comunidades indígenas e turistas. “Pedimos às Nações Unidas que possamos fazer um estudo sobre estes recursos e ver como direcionar as águas para aproveitá-las” sem que causem estragos, afirmou a prefeita. As comunidades indígenas e outros atores que fazem uso do meio ambiente participarão, porque “não há nenhuma ação humana que não afete o território se não for adequadamente manejada”, ressaltou Thenoux. Os indígenas do Chile “administram o território há vários séculos e existe um conhecimento ancestral que vamos redescobrir e recapturar”, ressaltou. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Radiotelescópio promete revelar origem do universo Indígenas chilenas instalam energia solar no deserto de Atacama Observatório Alma, em espanhol e inglês ProEcoServ, em inglês Avaliação dos Ecossistemas do Milênio, em espanhol, francês e inglês Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas, em espanhol Ministério do Meio Ambiente do Chile, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marianela Jarroud*

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Recolha as roupas do varal com cuidado para não amassar muito e depois dobre. Isso facilita na hora de passar e reduz o tempo de uso do ferro.
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