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Venezuela: Triunfos sobre a mariposa peluda Brasil: Informação ampla para proteger animais ameaçados Honduras: Empréstimo regional para tratar esgoto Cuba: Vacina contra o câncer em policlínicas ***************************************** VENEZUELA - Triunfos sobre a mariposa peluda Caracas, 23 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O combate à mariposa peluda (Hylesia metabus) conseguiu, no ano passado, importantes resultados em centros povoados da península venezuelana de Paria. Foi possível reduzir seu habitat em mangues do Golfo de Paria, entre este país e Trinidad e Tobago. “Dos vários milhões destas mariposas encontradas há um ano em 13 municípios da área, agora encontramos poucos exemplares e apenas em três localidades, graças aos sistemas de armadilhas, fumigação e aspersão aérea sobre mangues”, disse ao Terramérica o responsável pelo saneamento ambiental na região, Gregorio Alvarado. A mariposa peluda é um inseto alado de aproximadamente cinco centímetros, muito atraído pela luz e que libera a partir de seu ventre farpas que causam reações alérgicas na pele. Esta praga prosperou na região desde 2004, levada com os ventos do Furacão Ivã, e desde então afetou milhares de habitantes do setor agrícola, pesqueiro e turístico no nordeste venezuelano. Gregorio explicou que, na campanha contra a mariposa em 2012, serão instaladas mais armadilhas luminosas e poderão ser usados outros insetos, que são biopredadores de suas larvas. ***************************************** BRASIL - Informação ampla para proteger animais ameaçados Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do governo federal, colocou na internet informação sobre as espécies em risco de extinção e presentes em cada unidade sob sua administração. Para obter os dados basta clicar na unidade de conservação (UC) escolhida. “Só no Amazonas há 19 UCs, onde se encontram animais como peixe boi (Trichechus inunguis), gato-do-mato (Leopardus tigrinus), onça-pintada (Phantera onca), jaguatirica (Leopardus pardalis mitis), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e outros, todos em risco de extinção”, informou Ugo Vercillo, coordenador de Manejo para Conservação da ICMBio. Cerca de metade das espécies animais ameaçadas está nas áreas de conservação sob responsabilidade do Instituto. “Dados como este mostram a importância das UCs na preservação das espécies”, disse Ugo ao Terramérica. As informações provêm do Atlas da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção em Unidades de Conservação Federais, elaborado pelo ICMBio. ***************************************** HONDURAS - Empréstimo regional para tratar esgoto Tegucigalpa, 23 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) aprovou US$ 1 milhão para desenvolver um projeto de manejo de esgoto na capital hondurenha, para combater a contaminação da bacia do Rio Guacerique, uma das fontes de água da cidade. O gerente-geral do Serviço Autônomo Nacional de Água e Esgoto (Sanaa), Danilo Alvarado, informou ao Terramérica que se estuda limpar os lixões nas regiões vizinhas, treinar os moradores da área em manejo de lixo sólido e instalar estações de tratamento de água em locais estratégicos em todo o país. Alvarado recordou que, na época do verão, Tegucigalpa sofre fortes racionamentos de água potável devido à seca que experimentam algumas de suas fontes de abastecimento, devido ao desmatamento e à contaminação por montanhas de lixo em seus arredores. ***************************************** CUBA - Vacina contra o câncer em policlínicas Havana, 23 de janeiro de 2012 (Terramérica).- Cerca de 500 pacientes de 65 policlínicas de Cuba portadores de câncer no pulmão começaram a ser tratados com a vacina terapêutica CimaVax-EGF, desenvolvida pelo Centro de Imunologia Molecular (CIM), uma das instituições líderes do Polo Científico do oeste da capital cubana. Grisel Rodríguez, a gerente desse projeto de inoculação, confirmou ao Terramérica que a escassa toxidade do medicamento permitiu levar, desde 2011, o tratamento para o nível primário de atenção médica. A aplicação do produto melhora a qualidade de vida dos pacientes. Durante todo o ciclo de desenvolvimento da vacina foram tratados cerca de dois mil pacientes na ilha, acrescentou Grisel. Em Cuba, todos os serviços de saúde, por mais complexos que sejam, são gratuitos para a população residente no país. O CIM tem atualmente 45 testes clínicos abertos, com oito produtos para tratamento de câncer, concluiu Grisel. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

A biomassa muitas vezes é combustível básico em Chiapas, no sul do México. Foto: Mauricio Ramos/IPS Terramérica

Economia verde divide águas

[caption id="attachment_39908" align="alignright" width="300" caption="A biomassa muitas vezes é combustível básico em Chiapas, no sul do México. Foto: Mauricio Ramos/IPS"][/caption] Especialistas polemizam sobre os benefícios ou danos que a economia verde pode acarretar, que será o centro das discussões na cúpula Rio+20 em meados deste ano. Cidade do México, México, 16 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O desenvolvimento de uma economia verde gera discrepâncias entre especialistas por seus benefícios e riscos potenciais. Enquanto alguns consideram que pode agravar as desigualdades sociais e concentrar a riqueza biológica, outros a consideram protetora do meio ambiente e geradora de empregos. “A economia verde não questiona os sistemas de produção atuais, como o agroalimentar, nem fala de mudar padrões de consumo”, criticou Silvia Ribeiro, diretora para a América Latina do não governamental Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC). Silvia disse ao Terramérica que, por exemplo, “preocupa o uso maciço da biomassa para produzir combustíveis, e das novas tecnologias, como a biologia sintética, que podem gerar níveis de toxidade.” Em seu informe “Quem controlará a economia verde?”, publicado no dia 15 de dezembro, o Grupo ETC argumenta que o funcionamento de uma economia verde beneficiará especialmente as grandes corporações se não houver mudança nos modelos de produção e consumo de bens e serviços e na governança mundial. Acrescenta que as grandes transnacionais de energia, farmacêuticas, agroindustriais e químicas construíram alianças para explorar a biomassa e apropriar-se do controle de recursos naturais, como terra e água. O estudo se centra em áreas como biologia sintética, bioinformática e geração de dados genômicos, biomassa marinha e aquática, sementes e pesticidas, bancos de germoplasma vegetal, fertilizantes e mineração, silvicultura e papel, farmacêutica veterinária e genética animal. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) define a economia verde como “um sistema de atividades econômicas relacionadas com a produção, distribuição e consumo de bens e serviços que resultam em melhoria do bem-estar humano no longo prazo, ao mesmo tempo em que não expõe as futuras gerações a riscos ambientais e escassez ecológica significativa”. Esta nova variante será o tema preponderante da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá entre os dias 20 e 22 de junho na cidade do Rio de Janeiro, quando se completam 20 anos da primeira Cúpula da Terra, realizada também no Rio em 1992. Os objetivos deste encontro global são um renovado compromisso político em torno do desenvolvimento sustentável, avaliação do progresso para os objetivos internacionalmente acordados em torno do assunto e a abordagem dos novos desafios. Além disso, a cúpula se concentrará na construção de uma economia verde no contexto da erradicação da pobreza e do desenvolvimento sustentável, bem como em um contexto institucional para este propósito. O Pnuma defende a vertente que promove desde 2008, embora reconheça a validade das preocupações existentes. “A economia verde é um imperativo. Uma de suas metas é a igualdade social e o bem-estar humano. Se reconhece o meio ambiente como fonte de riqueza”, afirmou ao Terramérica o norte-americano Steven Stone, chefe de Economia e Comércio do escritório do Pnuma em Genebra. Steven visitou o México na semana passada para a apresentação de um estudo prospectivo nacional sobre economia verde, patrocinado pelo Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) e o privado Instituto Tecnológico de Monterrey. “A verdadeira disputa é se os que causam maior dano ao meio ambiente estão realmente contribuindo para o que se deve fazer”, disse ao Terramérica o diretor da Faculdade de Economia da estatal Universidade Nacional Autônoma do México, Roberto Escalante. “Por isso existe o risco de que, no caso de esverdear a economia, aprofundar as desiguladades, jogando sobre os que menos têm o maior custo dos impactos ambientais”, advertiu Roberto. O acadêmico realiza uma pesquisa, que prevê finalizar no primeiro trimestre deste ano, sobre o efeito da agricultura e do desmatamento sobre o meio ambiente, a pedido do Semarnat. Diante do processo da Rio+20, organizações da sociedade civil da América Latina impulsionam o relançamento do desenvolvimento sustentável, com ênfase nos aspectos sociais e ecológicos e em uma nova economia para enfrentar a pobreza e a concentração da riqueza. O Estudo Econômico e Social Mundial 2011, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, recomenda o investimento de US$ 1,9 bilhão anuais em tecnologias verdes durante os próximos 40 anos, para combater os efeitos da mudança climática. O Pnuma considera que o investimento verde pode contribuir para a redução da demanda de energia e água e da pegada de carbono da produção de bens e serviços. “Há muitas alternativas, a mais contundente é a economia do camponês, que representa 70% da produção agropecuária global”, recomendou Silvia, cuja organização tem foco nos impactos ambientais, sociais e econômicos das novas tecnologias. O informe do Grupo ETC sugere a instauração de regimes antimonopólio, para evitar as concentrações de mercado, o papel central da agricultura e a soberania alimentar e a avaliação. Também defende a divulgação internacional das tecnologias “que não são capazes de enfrentar os problemas sistêmicos das crises de pobreza, da fome ou a ambiental”. “Um dos temas fundamentais é o valor da natureza, que não é considerado. Não faz parte do cálculo econômico. É preciso dar valor a esses serviços com limites e regulações”, destacou Steven. Por sua vez, Roberto, cuja pesquisa busca oferecer alternativas para uma produção agrícola livre de carbono, propôs a utilização das novas tecnologias, a participação de instituições universitárias e a concretização de políticas públicas integrais. “Os temas ambientais são, no fundo, temas fiscais. Esta será a grande discussão da Rio+20. Deve prevalecer uma nova visão, colocar no mundo da economia os preços do meio ambiente e estabelecer um esquema que garanta a equidade”, explicou o acadêmico mexicano. * O autor é colaborador da IPS. LINKS Sociedade civil deve assumir as rédeas da Rio+20 Fábricas de ideias verdes para o México Em busca do adiado desenvolvimento sustentável “Rio+20 deve dar um impulso sustentado” ONGs brasileiras criticam indefinição de proposta para a Rio+20 Quem controlará a economia verde? – Informe do Grupo ETC, em espanhol e inglês Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, em inglês Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais, em espanhol e inglês Instituto Tecnológico de Monterrey, em espanhol e inglês Faculdade de Economia da Universidade Nacional Autônoma do México, em espanhol Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, em espanhol, francês e inglês Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Emilio Godoy*
Caminhões coletores descarregam lixo no Sítio de Disposição Final de Resíduos Felipe Cardoso, Montevidéu. Foto: Inés Acosta/IPS Terramérica

Montevidéu enfrenta os gases do lixo

[caption id="attachment_39902" align="alignleft" width="300" caption="Caminhões coletores descarregam lixo no Sítio de Disposição Final de Resíduos Felipe Cardoso, Montevidéu. Foto: Inés Acosta/IPS"][/caption] Um acordo entre Montevidéu e o Banco Mundial permitirá aliviar a contaminação de uma cidade que tem nos resíduos sólidos seu principal calcanhar de aquiles ambiental. Montevidéu, Uruguai, 16 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O governo da capital uruguaia pretende reduzir os gases-estufa emitidos pelo lixo produzido por seus 1,3 milhão de habitantes. O correspondente plano estará operacional em março e os créditos de carbono que gerar serão comprados pelo Banco Mundial. O Projeto de Recuperação de Gás do Aterro Sanitário, da prefeitura de Montevidéu, consiste em projeto, execução e acompanhamento de uma unidade de coleta, extração, tratamento e queima do gás metano liberado pelo depósito de resíduos urbanos. “As obras devem estar prontas em março, e a empresa responsável, a Aborgama SA, tem um ano para operar o sistema e monitorá-lo, prazo no qual se verá se alcança o rendimento necessário”, declarou ao Terramérica o coordenador técnico do Departamento de Desenvolvimento Ambiental da prefeitura, Jorge Alsina. Aproximadamente 2.200 toneladas de lixo sólido são jogados diariamente no Sítio de Disposição Final Felipe Cardoso, um amplo terreno com várias áreas, localizado no bairro de Malvín, em Montevidéu, onde os caminhões coletores circulam constantemente abrindo passagem entre milhares de gaivotas que buscam seu alimento. Depois, os resíduos são compactados e enterrados por uma máquina especial, o que implica que a área cresça consideravelmente. O monte verde Duas unidades de processamento, ou tanques, do complexo Felipe Cardoso foram fechadas no final da década de 1990 porque atingiram o limite de sua capacidade, formando hoje uma espécie de “monte verde” de 40 metros de altura. Deste depósito inativo se desprende o gás metano, cujo efeito estufa é 25 vezes mais forte do que o do dióxido de carbono (CO²), liberado pela queima de combustível fóssil, segundo afirmam os especialistas no assunto. “O gás metano é capturado por um sistema de poços que se faz no local, depois é extraído e conduzido através de uma tubulação onde posteriormente é limpo e queimado”, explicou ao Terramérica o especialista sênior da Unidade de Carbono do Banco Mundial, Manuel Luengo. Ao queimar, produz CO², que também é liberado na atmosfera mas com um efeito menos nocivo, o que permite reduzir o impacto ambiental que leva à mudança climática. Segundo informou ao Terramérica o diretor de Desenvolvimento Ambiental da prefeitura de Montevidéu, Juan Canessa, “os resíduos sólidos são a segunda principal fonte de emissões (de gases contaminantes na capital uruguaia), depois da geração elétrica”. “O projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) firmado entre a municipalidade de Montevidéu e o Banco Mundial tem o objetivo de reduzir o efeito estufa produzido quando este gás é liberado”, disse Manuel. Tal como estipula o contrato, o Banco Mundial comprará 377.500 créditos de carbono equivalente, que significa 50% do valor projetado da redução de emissões que a prefeitura conseguirá na medida em que começar a extrair e queimar o gás no período 2012-2017. Manuel afirmou que “existe a opção de comprar os 50% restantes se chegar a produzir a quantidade estimada, embora historicamente os projetos MDL de aterro sanitário apresentem uma geração de créditos inferior à prevista”. “Contudo, se produzir os 100% estipulados, o Banco Mundial estaria interessado em comprá-los”, destacou. Jorge explicou que cada tonelada de CO² equivalente que se evita lançar na atmosfera gera um crédito de carbono, cujo preço pode diminuir no final deste ano devido à incerteza que paira sobre o mercado, diante da ausência de um acordo internacional sobre mudança climática. Além disso, existe a possibilidade de geração de eletricidade com o metano capturado, mas, segundo informou Juan, este acordo ainda não se concretizou e depende, em parte, da quantidade de gás que se consiga extrair. Seleção e reciclagem A municipalidade da capital uruguaia leva adiante outros projetos para melhorar a gestão de resíduos. “Este mês começará a construção de uma usina de tratamento de chorume, que custará 75 milhões de pesos”, explicou Juan. Também será construída uma unidade para disposição de lixo industrial perigoso, financiada e gerida pela câmara empresarial do setor, e outra para Resíduos de Obras Civis (ROC), que não podem ser compactados e não são biodegradáveis. Porém, estes avanços não bastam para que as autoridades de Montevidéu fiquem despreocupadas, pois temem pelo pouco espaço para aterro sanitário que resta aterro Felipe Cardoso. Jorge estima que terá lugar para processar resíduos até 2018. Juan, entretanto, garantiu que a prefeitura poderá reduzir a quantidade de lixo que é levada para esse local por meio da coleta seletiva e da separação pelas famílias para, assim, facilitar a reciclagem. Em Felipe Cardoso funciona uma cooperativa de classificadores com essa tarefa. Por dia é processado o conteúdo de “dez a 14” caminhões, disse ao Terramérica o presidente da Cooperativa Felipe Cardoso (Cofeca), Richard Rodríguez. “São montanhas de lixo que deve ser removido a mão, pois falta infraestrutura e maquinário”, queixou-se. “Só temos a mão de obra e a vontade de progredir. Somos guerreiros contra a poluição”, afirmou o líder deste grupo criado há cinco anos, que reúne cerca de 60 pessoas. Consultado pelo Terramérica sobre o alcance social do Projeto de Recuperação de Gás do Aterro Sanitário, Ricardo Schusterman, consultor e especialista social no projeto MDL, declarou que “em tudo que o Banco Mundial financia se verifica que as ações a realizar não signifiquem impactos sociais negativos, ou que sejam minimizados e compensados”. “Entendo que a Cofeca passa por dificuldades em sua organização como cooperativa, que fazem a prefeitura da capital não ter desembolsado a ajuda financeira que lhe destinara, a fim de melhorar suas condições de trabalho”, explicou Ricardo. Segundo ele, “o Banco Mundial continuará supervisionando o fortalecimento da Cofeca para que as melhorias nas condições de trabalho possam ser aproveitadas por seus membros”, e para a própria meta da municipalidade de reduzir os depósitos de lixo. * A autora é colaborador da IPS. LINKS De gás causador do efeito estufa a estrela de mercado Ecologistas questionam a queima de resíduos Objetivo Uruguai – Cobertura especial da IPS, em espanhol Riqueza escondida no lixo, em espanhol Prefeitura de Montevidéu, em espanhol Projeto de Recuperação de Gás do Aterro Sanitário, em espanhol, francês e inglês Câmara de Indústrias do Uruguai, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Inés Acosta*
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Honduras: Inaugurado abrigo contra terremoto no sul Brasil: O mar sobe mais rápido perto de São Paulo México: Exigidas normas para contaminação atmosférica ********************************************************************** HONDURAS Inaugurado abrigo contra terremoto no sul Tegucigalpa, 16 de janeiro (Terramérica).- A Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) construiu, em conjunto com a população beneficiada, o primeiro abrigo de proteção de terremotos em Honduras. Fica na região de Matapalos Arriba, em El Triunfo, no departamento de Choluteca, sul do país, uma das zonas mais vulneráveis de Honduras. Lisandro Rosales, da Comissão Permanente de Contingências (Copeco), disse ao Terramérica que o projeto é uma iniciativa-piloto que busca capacitar as comunidades diante de desastres imprevistos e oferecer-lhes um local seguro para se abrigar em caso de necessidade. A região de El Triunfo está catalogada como zona de risco pelos constantes deslizamentos de terra em razão de falhas sísmicas, explicou o funcionário ao destacar que cerca de 500 famílias da comunidade serão beneficiadas com a medida. A obra custou US$ 16 mil e sua construção demorou sete meses. BRASIL O mar sobe mais rápido perto de São Paulo Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O nível do Oceano Atlântico sobe cada dia mais rápido no litoral norte do Estado de São Paulo, segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP). “Diagnosticamos uma elevação de 74 centímetros por século, porém mais acentuada nas duas últimas décadas”, informou ao Terramérica o professor Paolo Alfredini, coordenador da pesquisa do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da USP. Foram analisadas medições feitas entre 1944 e 2007. A aceleração se deve ao aumento da temperatura global no período estudado. “Estimamos que o nível do mar subirá cerca de um metro neste século, o que significa a perda de cem metros de praia em áreas de declínio suave”, disse Paolo. Este fenômeno coloca em risco construções na beira da praia e pode provocar problemas de abastecimento de água potável nas cidades costeiras, devido à maior salinização dos rios, alerta a pesquisa. MÉXICO Exigidas normas para contaminação atmosférica Cidade do México, 16 de janeiro de 2012 (Terramérica).- A má qualidade do ar na capital mexicana exige regulamentações de uso de combustíveis limpos e de emissões por veículos, alerta a organização ambiental Centro Mexicano de Direito Ambiental. “Ao aumento de concentrações de partículas PM10 (com menos de dez micrômetros de diâmetro) soma-se o de partículas PM2,5, que são um dos contaminantes mais prejudiciais para a saúde, e uma de suas fontes são os veículos com motor diesel que exige um combustível com alto conteúdo de enxofre”, disse ao Terramérica o diretor-geral da entidade, Gustavo Alanís. Essas partículas provêm da queima de combustíveis fósseis e representam um perigo para a saúde. A contaminação atmosférica está por trás das 38 mil mortes por câncer de pulmão, doenças cardiopulmonares e infecções respiratórias deste país, segundo o Quarto Almanaque de Dados e Tendências da Qualidade do Ar em 20 Cidades Mexicanas (2000-2009), do Instituto Nacional de Ecologia. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.    

René Núñez comemora que a Nasa afirme que sua invenção é o melhor fogão do mundo. Foto: Edgardo Ayala/IPS Terramérica

Fogões inteligentes para aliviar mudança climática

[caption id="attachment_38575" align="alignleft" width="340" caption="René Núñez comemora que a Nasa afirme que sua invenção é o melhor fogão do mundo. Foto: Edgardo Ayala/IPS"][/caption] El Salvador tem à mão uma tecnologia própria para que as famílias pobres rurais cozinhem sem fumaças tóxicas nem gases que provocam o efeito estufa, mas não a aplica maciçamente. San Salvador, El Salvador, 9 de janeiro de 2012 (Terramérica).- O salvadorenho René Núñez buscava aproveitar ao máximo a energia gerada pela combustão da madeira e assim criou um fogão a lenha simples mas muito eficiente, que não produz fumaça e reduz em 95% as emissões de gases causadores do efeito estufa. No turbofogão se cozinha, sem fumaça, uma refeição completa com apenas cinco pedaços de madeira de 13 centímetros, que podem ser obtidos na poda de árvores. Não é um invento novo. O turbofogão já tem 16 anos e, desde então, o professor, inventor e engenheiro elétrico Núñez o vem aperfeiçoando. Em 2010, conseguiu um aproveitamento térmico de 93% e uma redução nas emissões de dióxido de carbono de 95%. Antes, já conseguira reduzir a zero as emissões de óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. O método é a combustão a baixa temperatura, que representa uma drástica redução no consumo de lenha, fundamental para as famílias pobres de El Salvador e de muitos outros países em desenvolvimento. “Ao substituir os fogões tradicionais pelos turbofogões, o que hoje se gasta de lenha em um dia dará para o mês todo”, destacou Núñez em uma apresentação feita em 2005 em seu país. A estrutura tem forma de cilindro, em aço inoxidável e contém um disco de dez injetores de ar, um ventilador interno que funciona com eletricidade e uma placa de aço que regula a entrada e saída do ar. O invento recebeu muitos prêmios. O último foi em novembro: o turbofogão foi selecionado, junto com outras nove inovações mundiais em matéria de energia, pela iniciativa Launch 2011 Energy Innovators, impulsionada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), pelo Departamento de Estado norte-americano, pela agência espacial norte-americana Nasa e pela corporação de roupa esportiva Nike. “A Nasa dizer que é o melhor fogão do mundo tem um grande valor para mim”, contou Núñez ao Terramérica. Comparativamente, outros fogões a lenha melhorados alcançam redução máxima de 45% de dióxido de carbono, acrescentou. De acordo com dados oficiais, quase 400 mil famílias cozinham com lenha ou fogão aberto, o que equivale a 25% da população deste país de seis milhões de habitantes. A fumaça gerada em cada um desses lares é o pão de cada dia na zona rural, onde estão pouco difundidos os fogões a gás ou elétricos. Os 10% mais pobres das famílias salvadorenhas gastam mais em lenha (3% de seu orçamento) do que em eletricidade, segundo um informe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) de 2010. A proporção de famílias rurais que cozinham com lenha supera os 55%, contra 9% das urbanas. “O consumo de lenha não representa apenas um gasto importante em seu orçamento, mas muitas famílias também dedicam uma fração significativa de seu tempo na busca por lenha”, afirma o Informe sobre Desenvolvimento Humano El Salvador 2010. Além disso, a fumaça da queima da lenha produz doenças respiratórias. Aproximadamente duas mil pessoas morrem a cada ano por esta causa, segundo Núñez, com base em dados do Ministério da Saúde. “O que queremos combater é o uso de fogões tradicionais” neste país que é um dos mais desmatados do continente, ressaltou o inventor. De fato, a combustão em baixa temperatura tem vários usos potenciais, desde fornos e fogões industriais e domésticos até aquecedores de água, máquinas pasteurizadoras de água e leite, geradores de vapor e centrais termelétricas. Contudo, o invento enfrenta um obstáculo para generalizar-se nas zonas rurais pobres. “O principal problema é que exige eletricidade para que funcione” o ventilador interno que fornece oxigênio para a combustão, disse ao Terramérica o ambientalista Ricardo Navarro, do Centro Salvadorenho de Tecnologia Apropriada, afiliado à rede Amigos da Terra Internacional. De acordo com dados do Ministério da Economia, apenas 65,5% da população rural está conectada à rede elétrica, enquanto nas zonas urbanas esse serviço chega a 88,9% dos habitantes. Navarro acredita que o governo deveria incentivar não só o uso do turbofogão, mas de outros métodos alternativos, como os fogões solares. Mauricio Sermeño, coordenador da Unidade Ecológica Salvadorenha, disse ao Terramérica que o próprio inventor deveria fazer um duplo esforço para popularizar o produto. Não há uma loja onde comprar o turbofogão, porque Núñez não pretende fazer negócio com seu invento. Ele busca um mecanismo idôneo para distribuir esses equipamentos gratuitamente entre famílias e comunidades mais pobres do país. Sua meta é entregar cem mil fogões nessas condições, e está afinando detalhes para determinar que instituição e mecanismo permitirão que faça isso. O Ministério da Educação comprou um lote de 1.050 turbofogões que distribuiu em 800 escolas como parte de um programa que oferece merenda diária aos alunos. No entanto, sucessivos governos que em 16 anos conheceram o turbofogão não consideraram pertinente executar um programa estatal para sua distribuição. “Não se vê uma atitude governamental a favor de métodos de energias alternativas”, concluiu o ecologista Sermeño. * O autor é colaborador da IPS. Este artigo é parte de uma série apoiada pela Aliança Clima e Desenvolvimento (CDKN). LINKS Fogões ecológicos para viver melhor Energia-México: Fumaça ecológica Mudança Climática-África: Limpar o fogão, em espanhol Launch 2011 Energy Innovators, em inglês Centro Salvadorenho de Tecnologia Apropriada, em espanhol Unidade Ecológica Salvadorenha, em espanhol Informe sobre Desenvolvimento Humano El Salvador 2010 Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Edgardo Ayala*
Embarcações aproximando-se de uma ilha povoada por biguás imperiais e de pescoço negro. Foto: Gentileza de Ingrid Lucer/FPN Terramérica

Turismo responsável no fim do mundo

[caption id="attachment_38570" align="alignright" width="340" caption="Embarcações aproximando-se de uma ilha povoada por biguás imperiais e de pescoço negro. Foto: Gentileza de Ingrid Lucer/FPN"][/caption] Os guias turísticos foram os primeiros a notar alteração nas valiosas aves das ilhas do austral canal de Beagle, quando se aproximavam com suas ruidosas embarcações lotadas de visitantes. Ushuaia, Argentina, 9 de janeiro de 2012 (Terramérica).- Uma iniciativa nova de turismo responsável no austral canal de Beagle – passagem interoceânica entre as águas do Atlântico e do Pacífico – garante a convivência entre observação e preservação de espécies únicas de aves e mamíferos. Desde dezembro, as embarcações com turistas que cumprem uma série de normas, estabelecidas para não perturbar as aves que habitam as ilhas “do fim do mundo”, recebem o distintivo Compromisso Onashaga, uma certificação de qualidade. As ilhas que emergem no estreito que separa os territórios mais austrais de Argentina e Chile, são Áreas Importantes para a Conservação de Aves, uma categoria definida pela entidade conservacionista BirdLife International e zonas de máxima diversidade destas espécies. Ali fazem seus ninhos e se reproduzem o biguá imperial (Phalacrocorax atriceps) e o de pescoço negro (Phalacrocorax magellanicus), o pinguim patagônico (Spheniscus magellanicus) e o pinguim gentoo (Pygoscelis papua), o gaivotão (Larus dominicanus), a gaivota (Larus scoresbii), o mandrião chileno (Stercorarius chilensis) e o trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea). Também se pode ver das embarcações colônias de leões-marinhos-do-sul (Otaria flavescens), atapetando uma das ilhotas que salpicam este canal cuja largura oscila entre três e sete quilômetros. “A preocupação para regular certas práticas surgiu dos próprios donos das embarcações que percorrem o canal com turistas”, explicou ao Terramérica o ecologista Nicolás Pincol, da não governamental Fundação Patagônia Natural (FPN). A bordo de um catamarã que faz o passeio, Pincol contou que os prestadores desse serviço notaram que, quando vários barcos se aproximavam ao mesmo tempo de uma ilha, as aves se punham em alerta, se assustavam e muitas fugiam deixando seus filhotes. Os empresários afirmam que essa preocupação era transmitida pelos guias de turismo. “Os guias diziam que havia uma invasão que tinha impacto sobre o recurso, e começamos a nos comprometer pela palavra, de maneira um pouco artesanal no começo, para cuidar disso”, contou ao Terramérica o dono de uma das empresas, Moreno Preto. O acordo foi batizado de Compromisso Onashaga (vocábulo indígena que significa “canal dos caçadores” e com o qual o povo originário yámana se referia ao Beagle). Os yámanas, eles próprios caçadores que aproveitavam a diversidade de fauna local, habitavam, antes do Século 19, a costa sul da Terra do Fogo, a província mais ao sul da Argentina, banhada pelas águas do Beagle. O Ministério do Turismo e a prefeitura responsável pela área se interessaram pela iniciativa, e também aderiram a FPN e outras organizações que deram assessoria técnica para a certificação. Entre todos formaram um Comitê de Acompanhamento do Compromisso Onashaga, que organizou painéis de formação e assessoria para as empresas, os guias de turismo e os membros da Prefeitura Naval, entre outros. A FPN agregou esta iniciativa ao Sistema Interjurisdicional de Áreas Protegidas Costeiro-Marinhas, que busca ampliar a proteção da biodiversidade costeira e marinha da Patagônia. O Sistema facilita o trabalho conjunto de autoridades, organizações científicas e técnicas e setor privado para preservar espécies do sul da província de Buenos Aires até a Terra do Fogo. A partir da assinatura do Compromisso de Onashaga, em 5 de outubro de 2005, as embarcações se comprometeram com medidas técnicas para evitar vazamento de combustíveis nas águas e com boas práticas turísticas. Em virtude do acordo, os capitães coordenam a aproximação individual de cada barco a uma ilha, em baixa velocidade para não causar distúrbios, enquanto as demais embarcações aguardam a uma boa distância ou visitam outras ilhotas. Também é desligado o áudio externo da coberta que os guias utilizam para dar as explicações aos passageiros e se recomenda a estes falar em voz baixa e não alimentar os animais. “As empresas têm um manual de referência sobre diferentes práticas e, na medida em que cumprem estas normas, recebem uma pontuação. Com mais de 500 pontos recebem a certificação”, explicou Pincol. Também foram incorporadas recomendações para os passageiros, por exemplo, que reutilizem os copos nos quais são servidas bebidas durante o passeio e que não joguem pontas de cigarro nem nenhum outro resíduo na água. Entretanto, o esforço ainda está longe de cobrir toda a atividade. Das 20 embarcações que navegam em cada temporada pelo Beagle, com cerca de 170 mil passageiros procedentes de todo o mundo, dez se candidataram à certificação e apenas oito a obtiveram. As demais devem continuar trabalhando para melhorar. Em alguns lugares pode-se desembarcar e, como parte da iniciativa, há caminhos sinalizados para que o visitante não pise onde não deve e nem leve plantas ou pedras. * A autora é correspondente da IPS. LINKS Outro modo de viver das baleias Caça às aves, de binóculo As promessas do turismo verde Compromisso Onashaga, em espanhol Áreas Importantes para a Conservação de Aves, em inglês Fundação Patagônia Natural, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Marcela Valente*
eco Terramérica

ECOBREVES

Honduras: Com café seco ao sol Venezuela: Área indígena estreia energia eólica Brasil: Cianobactérias podem produzir biodiesel *************************************************** HONDURAS Com café seco ao sol Tegucigalpa, 9 de janeiro de 2012 (Terramérica).- Cafeicultores de pequena escala da região hondurenha de Subirana praticam a secagem do café com energia solar para mitigar a contaminação que esse processo produz. Experiências semelhantes são aplicadas na Costa Rica e na Nicarágua. Algumas técnicas tradicionais para secar o café afetam a natureza, com o uso da lenha, explicou Raúl Raudales, do Instituto Mesoamericano de Desenvolvimento, vinculado à norte-americana Universidade de Massachusetts Lowell, que apoia a iniciativa na Costa Rica e em Honduras. Neste caso, trata-se da combinação de painéis para coletar energia solar e a utilização de combustíveis orgânicos. A qualidade do café seco dessa forma, segundo especialistas, tem maior valor agregado e permite sua comercialização no mercado europeu a preços melhores, acrescentou Raudales. As exportações de café geram para Honduras em torno de US$ 1,2 bilhão anuais. VENEZUELA Área indígena estreia energia eólica Caracas, 9 de dezembro de 2012 (Terramérica).- Doze geradores de energia eólica já estão prontos para serem instalados em Alta Guajira, no extremo noroeste da Venezuela, fronteiriço com a Colômbia, no que será a primeira fase do parque de “moinhos de vento” para fornecer eletricidade a cerca de dez mil famílias, em sua maioria da etnia indígena wayúu, que habitam os dois lados da fronteira. “Com este projeto, que aproveita os ventos de dez metros por segundo, em média, registrados na área, a Venezuela estreia no uso de energia eólica, o que significará a cada ano economia de dezenas de milhares de barris de diesel”, disse ao Terramérica Francisco Quintero, da área de Fontes Alternativas da estatal Corporação Elétrica Nacional. Os aerogeradores, com postes de 80 metros de altura, foram comprados da empresa argentina Impsa. Em questão de semanas poderão ser gerados dois megawatts e depois se saltará para 75 megawatts, quando se completar a instalação do parque, cujo custo geral será de US$ 65 milhões. BRASIL Cianobactérias podem produzir biodiesel Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 2012 (Terramérica).- Empregar cianobactérias como insumo alternativo para a produção de biodiesel é a proposta de uma pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP). “As cianobactérias são bactérias capazes de fazer fotossíntese e estão entre os organismos vivos mais antigos do planeta. Seu uso na produção de biocombustível é vantajoso por ser uma matéria-prima barata e abundante, que não gera conflito com a questão alimentar”, explicou ao Terramérica a pesquisadora Caroline Pamplona. Outra vantagem do chamado cianodiesel é sua rentabilidade. “O milho produz 168 litros de óleo por hectare plantado, para transformar em diesel. Os micro-organismos fotossintetizadores podem produzir cerca de 140 mil litros por hectare”, segundo Caroline. “Os estudos prosseguem e não temos expectativas de conclusão, mas creio que essa fonte pode se converter em grande geradora de energia”, concluiu. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

A água do degelo das geleiras da Cordilheira Blanca forma lagunas que por vez alimentam rios e arroios. Foto: Cortesia Michel Baraer Terramérica

Sem tempo para adaptação

[caption id="attachment_37824" align="alignleft" width="340" caption="A água do degelo das geleiras da Cordilheira Blanca forma lagunas que por vez alimentam rios e arroios. Foto: Cortesia Michel Baraer"][/caption] A peruana Cordilheira Blanca, que concentra a maior quantidade de geleiras tropicais do mundo, sofre um retrocesso sem retorno. Uxbridge, Canadá, 2 de janeiro de 2011 (Terramérica).- A água fornecida pelas geleiras da Cordilheira Blanca, vital para uma extensa região do noroeste do Peru, está diminuindo 20 anos antes do esperado, afirma uma nova pesquisa. O fluxo de água do derretimento das geleiras da região já chegou à sua cota máxima e agora está em queda, disse ao Terramérica o especialista em geleiras Michel Baraer, da canadense McGill University. O fenômeno acontece entre 20 e 30 anos antes do previsto. “Nosso estudo revela que as geleiras que alimentam a bacia do Rio Santa já são muito pequenas para manter os fluxos hídricos anteriores. Na temporada seca haverá até 30% menos água”, advertiu Michel, principal autor do estudo Glacier Recession and Water Resources in Peru’s Cordillera Blanca (Retrocesso de Geleiras e Recursos Hídricos na Cordilheira Blanca do Peru), publicado no dia 22 deste mês na revista britânica Journal of Glaciology. Quando o tamanho das geleiras começa a diminuir, é gerado “um aumento transitório da corrente de água na medida em que perdem massa”, afirma a pesquisa. “A água do derretimento acaba chegando a uma meseta, e a partir dali é registrada uma redução da descarga procedente do degelo glacial. A diminuição é permanente. Sem volta”, explicou Michel. Parte da grande cadeia montanhosa americana dos Andes, a Cordilheira Blanca é uma sucessão de picos nevados, de norte a sul, paralela à Cordilheira Negra, situada mais a oeste. Entre as duas se forma o Callejón de Huaylas, por onde corre o Rio Santa, cujo último trecho, em direção sudoeste, desemboca no Oceano Pacífico. As geleiras tropicais andinas sofrem rápida redução. Nos últimos 30 anos, perderam entre 30% e 50% de seus gelos, segundo o francês Institut de Recherche pour le Délevoppement (IRD – Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento). Boa parte dessa perda é registrada desde 1976, segundo o IRD, e é atribuível ao aumento das temperaturas da região, devido à mudança climática. Na Bolívia, a geleira Chacaltaya desapareceu em 2009. Mesmo as áreas mais frias das geleiras andinas estão em retrocesso. O Centro de Estudos Científicos do Chile informou este mês que a geleira Jorge Montt, no vasto Campo de Gelo Sul, diminuiu um quilômetro em apenas um ano. Segundo o registro histórico, as geleiras diminuem lentamente, à razão de um ou dois quilômetros por século. O degelo das massas geladas continentais em diferentes partes do mundo é uma das evidências mais firmes de que a mudança climática está em marcha, afirmou o destacado especialista em geleiras Lonnie Thompson, da Ohio State University. Lonnie alerta que, se não for drasticamente limitado o uso de combustíveis fósseis, os impactos poderão chegar mais rapidamente e ir além das possibilidades de adaptação da espécie humana. As temperaturas mais quentes não só derretem o gelo como também têm importantes efeitos nas nevadas. Na medida em que se esquentam as estações frias e a neve se torna chuva, o tamanho e a extensão da capa nevada diminui e o limite das neves eternas se encontra cada vez mais montanha acima, segundo o Instituto Interamericano para Pesquisas em Mudanças Globais (IAI), uma organização intergovernamental com sede na cidade de São José dos Campos, no Estado de São Paulo, no Brasil. Essas mudanças têm efeitos notórios na estacionalidade da corrente de água quando esta procede principalmente do derretimento de neves e gelos, aumentando as correntes no inverno, enquanto no verão os rios e riachos têm menos água. Em muitos vales dos Andes tropicais e subtropicais o derretimento de geleiras na primavera e no verão é crucial para os cultivos, o gado e o consumo humano. Várias cidades importantes dependem dessas águas, como La Paz e Lima, cuja demanda supera cada vez mais o fornecimento, segundo comunicado de 2010 do IAI. A peruana Cordilheira Blanca tem a maior quantidade de geleiras de todas as cadeias montanhosas tropicais do mundo. Na década de 1930, esses gelos cobriam até 850 quilômetros quadrados, mas já no final do Século 20 ocupavam uma superfície abaixo dos 600 quilômetros quadrados, segundo Michel e outros oito investigadores da The Ohio State University, University of California, IRD, Unidade de Glaciologia e Recursos Hídricos da Autoridade Nacional da Água do Peru. A maior parte das águas do degelo glacial se verte na bacia do Rio Santa. Os pesquisadores compararam medições do fluxo hídrico, tomadas entre 1950 e 1990, e concluíram que, das nove sub-bacias do Santa estudadas, sete “já passaram seu ponto de inflexão e agora exibem uma decrescente descarga hídrica na estação seca”. Também avaliaram as mudanças nas precipitações e nos efeitos dos fenômenos climático-atmosféricos de La Niña e El Niño, e concluíram que estes não são responsáveis pela redução da corrente de água, esclareceu Michel. Até agora acreditava-se que esta redução ocorreria em 20 ou 30 anos, dando tempo para uma adaptação a um futuro com menos água. Contudo, “esses anos não existem”, ressaltou Michel. A região é extremamente seca e o Callejón de Huaylas e a província agrícola de Carhuaz dependem completamente da bacia do Santa para irrigar suas extensas plantações de frutas e verduras, afirmou. O Santa também é a principal fonte de água potável das cidades da região, como acontece com boa parte dos rios da região andina. É o caso de Lima, a segunda cidade desértica mais povoada do mundo depois do Cairo, que depende da bacia andina do Rio Rímac. “Os Andes do norte (do Peru) estão perto de se converterem em um deserto. Foi a água das geleiras que permitiu à população sobreviver ali”, contou Michel. No último verão austral, os pesquisadores mediram o volume hídrico do Santa desde sua desembocadura, em um estuário no Pacífico, até suas nascentes nas alturas andinas. Concluíram que menos de 20% chegam atualmente ao oceano. “Da água do Santa, 80% já está sendo usada”, explicou. Algumas projeções indicam que nas próximas décadas várias sub-bacias do Santa terão 30% menos água, o que representa um sério desafio para toda a região. “A diminuição da água está garantida; a única pergunta é quanto se perderá e a que velocidade”, alertou Michel. Na atmosfera há tanto dióxido de carbono pela queima de combustíveis fósseis que “já é muito tarde para a maioria das geleiras andinas”, concluiu. * O autor é correspondente da IPS. LINKS Crise nas alturas andinas Páramos peruanos em risco Geleiras argentinas batem em retirada Humanos avançam, geleiras derretem No Peru não há água para todos Desaparecem geleiras de montanha Mudança Climática-Bolívia: Pobreza reaquece, em espanhol McGill University, em inglês e francês Escritório peruano dp Institut de Recherche pour le Développement Centro de Estudos Científicos, em espanhol e inglês Ohio State University, em inglês Instituto Interamericano para Pesquisas em Mudanças Globais, em espanhol Glacier Recession and Water Resources in Peru’s Cordillera Blanca, pdf em inglês Autoridade Nacional da Água de Peru, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Stephen Leahy*
Biodigestor experimental para calefação do recinto das jiboias na fazenda do zoológico Iku-Huasi, na província de Buenos Aires. Foto: Juan Moseinco/IPS Terramérica

Biogás inicia círculo virtuoso

[caption id="attachment_37819" align="alignleft" width="340" caption="Biodigestor experimental para calefação do recinto das jiboias na fazenda do zoológico Iku-Huasi, na província de Buenos Aires. Foto: Juan Moseinco/IPS"][/caption] A experiência de gerar energia aproveitando o lixo orgânico de pequenos distritos poderia ser o pontapé inicial de uma rede de municípios verdes na Argentina. Buenos Aires, Argentina, 2 de janeiro de 2011 (Terramérica).- Um movimento está sendo gerado entre os municípios argentinos que buscam resolver o destino de seus resíduos produzindo energia limpa e econômica. Mais de 650 pessoas participaram dos cursos que, desde 2006, são oferecidos pela Fundação Proteger no município de Cerrito, província de Entre Ríos, que, com seis mil habitantes, tem dois biodigestores funcionando e um terceiro em construção. O biodigestor é um recinto sem oxigênio onde são colocados resíduos orgânicos – dejetos vegetais e esterco – para que bactérias anaeróbicas se alimentem da matéria e produzam gás metano e fertilizantes ricos em nitrogênio, fósforo e potássio. “O biogás é usado para cozinhar, na calefação e para produzir eletricidade”, explicou ao Terramérica o engenheiro Leonardo Genero, coordenador do Programa sobre Tecnologia Socialmente Apropriada da Proteger e encarregado do treinamento em Cerrito. Dos cursos participam autoridades e técnicos municipais, profissionais, estudantes, produtores agropecuários e pessoal docente de pelo menos uma dúzia de províncias argentinas e de Bolívia, Chile, Espanha, Paraguai, Peru e Uruguai. “É um fenômeno surpreendente, que cresceu nos dois últimos anos”, disse ao Terramérica o diretor-geral da Proteger, Jorge Cappato. A questão dos resíduos orgânicos “é um assunto em que tudo está por ser feito”, acrescentou. Além de Cerrito, já incorporaram esta tecnologia os municípios de Emilia e de Zenón Pereyra, na província de Santa Fé, e outras localidades que fazem testes com pequenos reatores. Segundo Jorge, os resíduos municipais costumam ser queimados ou depositados em lixões a céu aberto. No melhor dos casos, vão para aterros sanitários, um método destinado a evitar contaminação do solo e da água subterrânea, mas que tem riscos e é caro. Leonardo explicou que os biodigestores podem ser construídos para uma casa particular, uma escola, um bairro ou um estabelecimento agropecuário. “A proposta do curso é para áreas rurais afastadas, sem acesso fácil ao gás engarrafado”, afirmou. Além disso, “é uma das poucas tecnologias que servem para mitigar a mudança climática por não emitir nada de gás-estufa”, ressaltou. Na Argentina, com 40 milhões de habitantes, funcionam apenas entre 70 e cem biodigestores, segundo Leonardo. Contudo, ao contrário de cidades europeias que adotam esta tecnologia, nesta região o potencial de matéria orgânica é muito grande. O prefeito de Cerrito, Orlando Lovera, disse ao Terramérica que “a cidade está muito consciente do aproveitamento dos resíduos e do cuidado com o meio ambiente”. Um dos biodigestores, construído por meio de convênio entre a Proteger e a Universidade Nacional do Litoral, funciona em um conjunto de casas para 300 pessoas ao lado da estação ferroviária, onde se alojam delegações esportivas e culturais que visitam Cerrito. Fornece a todas as casas combustível para calefação e para cozinhar. Outro reator funciona em um bairro semirrural e fornece gás e eletricidade para sua escola. O terceiro, em construção, é o mais ambicioso e o que desperta maior entusiasmo local. Está projetado para utilizar resíduos orgânicos de dez mil pessoas, 68% mais do que a população atual, aquecer uma das piscinas do complexo esportivo e iluminar seus estádios. O biogás produzido não é suficiente para se autoabastecer ou substituir por completo o gás engarrafado, mas é um complemento e resolve o problema do lixo orgânico, disse Orlando. Cerrito tem um aterro sanitário para lixo orgânico, do que poderia prescindir com o terceiro biodigestor, e uma unidade onde processa vidro, papelão e plástico destinado à venda. “O que motiva muitos outros municípios a participarem dos cursos é que o investimento necessário é muito baixo e pode ser feito com recursos próprios”, destacou Orlando. A bióloga Viviana Granados, do município Malvinas Argentinas, em Buenos Aires, fez o curso da Proteger e conseguiu construir um biodigestor na fazenda do zoológico Yku-Huasi, na cidade Engenheiro Pablo Nogués. “Buscávamos soluções ambientais para o lixo sólido urbano”, contou ao Terramérica. Então, teve início a separação do lixo na origem e foi projetado um biodigestor para o zoológico. “A ideia era aquecer o recinto das jiboias, que precisam de calor”, disse Viviana. Como matéria orgânica é usado “o esterco de vacas da própria fazenda”. O pequeno reator, para o qual foi usada uma velha caldeira de dois mil litros, exige uma carga diária de 50 litros de esterco. A qualidade do gás que produz “é excelente. Uma chama totalmente azul, com boa quantidade de metano”, contou a bióloga. Entretanto, este esforço não derivou em um plano maior para processar todo o lixo de Engenheiro Pablo Nogués, que tem 320 mil habitantes. De todo modo, disse Jorge, há “uma mudança de mentalidade”. O adubo resultante é usado em hortas e viveiros municipais. E se cria consciência sobre a necessidade das reservas naturais para o ecoturismo, para gerar “empregos verdes” ou valorizar espécies autóctones para a arborização pública, acrescentou. “Os dirigentes políticos ficam muito motivados nos cursos, e pensamos em lançar, em 2012, uma rede de municípios amigáveis com o meio ambiente, que cumpram certos requisitos, compromissos e orçamentos”, acrescentou. * A autora é correspondente da IPS. LINKS Liberando a energia limpa do esterco De gás causador do efeito estufa a estrela de mercado Biogás se multiplica em Cuba Esterco convertido em energia limpa De guerrilheiro a fabricante de biogás Quando a natureza ensina, em espanhol Fundação Proteger, em espanhol Universidade Nacional do Litoral, em espanhol Fazenda do zoológico Yku-Huasi, em espanhol Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Marcela Valente*
A bióloga María José Juan Jordá no mercado de leilão de pescados de Honolulu (Honolulu Fish Auction). Foto: Angkana Rawichutiwan Terramérica

“Pesca de atum exige sacrifícios”

[caption id="attachment_37816" align="alignright" width="227" caption="A bióloga María José Juan Jordá no mercado de leilão de pescados de Honolulu (Honolulu Fish Auction). Foto: Angkana Rawichutiwan"][/caption] Os países vinculados à pesca do atum devem recordar que em troca de terem acesso a esses recursos têm a responsabilidade de gerenciá-los bem, afirma nesta entrevista a pesquisadora espanhola María José Juan Jordá. Berlim, Alemanha, 2 de janeiro de 2011 (Terramérica).- Há cerca de dez anos é rotina ouvir ambientalistas e biólogos se queixarem da sobrepesca do atum, em particular do vermelho, à beira da extinção. A estas advertências somaram-se denúncias contra sistemas de controle de pesca de atum, incluindo as cotas anuais autorizadas a cada país e o esquema que as controla, a cargo da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Oceano Atlântico (Cicaa). As denúncias levaram a Cicaa a admitir, em novembro deste ano, que o sistema de controle das cotas, até agora baseado em informes escritos, facilita as fraudes, e a decidir sua substituição por um mecanismo eletrônico que será testado em 2012. Uma equipe de biólogos marinhos espanhóis e canadenses, liderados por María José Juan Jordá, acaba de confirmar as advertências sobre o risco de colapso dos atuns, em uma análise da população global de 26 espécies e outras relacionadas. María José e os coautores do estudo concluíram que as reduções mais drásticas foram registradas nos atuns de água temperada e nas cavalas. Nos dois casos, as populações são vítimas da sobrepesca e estão à beira da extinção, afirma o estudo “Global Population Trajectories of Tunas and Their Relatives” (Trajetórias Mundiais de População de Atuns e Espécies Relacionadas), publicado no começo de dezembro pela Proceedings of the National Academy of Sciencies, dos Estados Unidos. “Não há necessidade de reduzir o consumo de pescado”, mas os consumidores precisam ter boa informação e apoiar as indústrias que promovem a pesca sustentável, disse María José, pesquisadora da Universidade da Coruña e da canadense Simon Fraser University. TERRAMÉRICA: As conclusões de seu artigo confirmam advertências feitas há anos por grupos ambientalistas. Quais são as espécies mais afetadas? MARÍA JOSÉ JUAN JORDÁ: Nosso trabalho confirma que estão superexploradas várias populações de atuns de águas temperadas, o atum vermelho (Thunnus thynnus) do Atlântico leste, do Atlântico oeste e do sul, e o atum branco (Thunnus alalunga) do Atlântico norte. A biomassa atual destas espécies está em níveis abaixo do que os cientistas consideram seguros, e os níveis de mortalidade por pesca são maiores do que se considera seguro. Também mostramos que a maioria das espécies de atuns de águas tropicais estão “plenamente exploradas”. Isto é, os atuais níveis de biomassa e de mortalidade por pesca são “ótimos” para a maioria dessas espécies. Digo ótimos porque o objetivo da Organizações Regionais de Ordenação Pesqueira (Orop), incluída a Cicaa, encarregada da gestão e conservação das espécies, é reduzir a biomassa das populações ao nível que proporcione o “máximo rendimento sustentável”. TERRAMÉRICA:- O que quer dizer? MJJJ: Quando a biomassa de uma espécie diminui em x proporção – dependendo da espécie e de sua biologia particular, normalmente 50% a 60% – a população alcança seu nível mais produtivo, ótimo para maximizar as capturas. Em resumo, as espécies tropicais de atum estão perto do limite da sustentabilidade. TERRAMÉRICA: Quais as espécies comercialmente mais atraentes? MJJJ: Estimamos que a biomassa dos atuns de águas temperadas (três espécies de atum vermelho e uma de atum branco) diminuiu, em média, 80% entre 1954 e 2006. A biomassa dos atuns tropicais (patudo, vermelho e listrado) caiu 60% no mesmo período. O total de capturas globais de atuns em 2008 foi de 4,2 milhões de toneladas, das quais 94% correspondem a espécies tropicais, e apenas 6% a capturas de atuns de águas temperadas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A maioria das capturas procede de pescas “relativamente bem” geridas, mas há assuntos problemáticos que devem ser abordados com urgência. TERRAMÉRICA: Quais são? MJJJ: Com o crescimento da população mundial, aumentam a demanda por atum e o esforço pesqueiro. No entanto, nem a maioria das pescarias nem as capturas podem continuar crescendo porque as espécies já estão “plenamente exploradas” ou “superexploradas”. Uma solução, que deve ser abordada por todas as Orop, é reduzir o número de barcos e sua capacidade de retirar peixes do mar. As populações superexploradas precisam de planos de recuperação e, quanto existem, como no atum vermelho do Atlântico, é imperativo que sejam eficazes e cumpridos. Outras ferramentas, com listar as espécies na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres, são necessárias. TERRAMÉRICA: Não seria também preciso mudar o critério de “otimização” das Orop? MJJJ: Sim. O objetivo oficial das Orop é conseguir o máximo rendimento sustentável. Teoricamente, isto é muito fácil, mas na prática, para os cientistas, é muito difícil conseguir e inclusive de estimar, porque exige boa informação biológica das espécies, das capturas, o que nem sempre existe. Por isso, os níveis de referência estimados como objetivo para o rendimento máximo sustentável sofrem muita incerteza. Assim, as Orop devem modificar seus objetivos e definir novos critérios, onde haja pontos de referência limites, para evitar níveis de biomassa muito baixos e de mortalidade muito altos, e pontos de referência objetivos, com margens de segurança. TERRAMÉRICA: A Cicaa admitiu que seu sistema de controle da pesca do atum é muito ineficiente e se compromete a reformá-lo. Acredita que haja vontade política dos países envolvidos para renunciar à pesca e ao consumo do pescado? MJJJ: A Cicaa deu um passo muito positivo quando decidiu apoiar um sistema eletrônico para documentar as capturas. Entretanto, este passo tem de ser cumprido e tem de proporcionar dados de qualidade e verdadeiros. Para isto, é preciso cooperação de todos os países envolvidos neste tipo de pesca. Isto representa sacrifícios no curto prazo, com benefícios de médio e longo prazos, pois, se a pesca é bem gerida, as populações se recuperam, é positivo para a indústria pesqueira, para as populações de peixes e para os consumidores. TERRAMÉRICA: E quanto aos consumidores, qual atitude seria ideal? MJJJ: Não há necessidade de reduzir o consumo de pescado, em geral, mas precisamos de boa informação, um bom rótulo dos produtos, e apoiar as indústrias que apostam em uma gestão sustentável e as marcas ecológicas, com as do Marine Stewardship Council. * O autor é correspondente da IPS. LINKS E se o atum desaparecer… A questão do atum, ecologia ou protecionismo? Pesca sem controle – Cobertura especial de IPS, em espanhol O desafio da capital mundial do atum, em espanhol Atum de barbatana azul sem proteção Atum de barbatana azul requer salvação urgente Site de María José Juan Jordá, em inglês Global Population Trajectories of Tunas and Their Relatives, em inglês Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Oceano Atlântico, em espanhol, francês e inglês Simon Fraser University, em inglês Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres, em espanhol, francês inglês Marine Stewardship Council, em espanhol e outros idiomas Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Julio Godoy*
eco Terramérica

ECOBREVES

Argentina: Denúncia de graves falhas em mapeamento de florestas Brasil: Reciclagem de resíduos para fazer plástico Honduras: Esforços para salvar Lagoa de Zambuco ****************************************** ARGENTINA - Denúncia de graves falhas em mapeamento de florestas Buenos Aires, 2 de janeiro de 2011 (Terramérica).- Organizações ambientalistas da Argentina alertaram sobre a perda de florestas do Espinal na província de Corrientes, por graves falhas no mapeamento do território. O Espinal é uma das três formações de florestas nativas mais importantes de Corrientes, que já perdeu 72% de suas matas, que foram submetidas a forte degradação por produtores agropecuários. Este mês o governo iniciou o processo para autorizar o corte de 12.181 hectares, segundo o informe da Lei de Ordenamento Territorial das Florestas Nativas de Corrientes. Emilio Spataro, coordenador da campanha Salvemos o Iberá, disse ao Terramérica que o corte constitui “um crime contra o patrimônio natural da província”. Os ativistas afirmaram que a execução do ordenamento territorial que exige a lei de florestas teve graves erros, a ponto de se permitir cortar uma superfície que é maior do que a estimada para a floresta completa. ****************************************** BRASIL - Reciclagem de resíduos para fazer plástico Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2011 (Terramérica).- Uma técnica para reaproveitar resíduos plásticos, desenvolvida na Escola de Engenharia de Lorena, da Universidade de São Paulo (USP), obtém materiais biodegradáveis para painéis de automóveis, móveis e tapume. Os pesquisadores aproveitaram lixo comum, em geral depreciado pelos catadores de rua, como as películas que protegem alimentos, normalmente usadas em embalagens de bolacha e sacos plásticos. “Agregamos fibras naturais de bagaço de cana-de-açúcar. O resultado desta mistura é um material mais biodegradável do que os painéis plásticos convencionais”, disse ao Terramérica o coordenador da pesquisa, professor Adilson Gonçalves. “Esse tipo de plástico é pouco reciclado e representa cerca de 5% do lixo sólido municipal, que provoca impactos negativos nos aterros sanitários, já que não é degradável e impermeabiliza o solo”, acrescentou. ****************************************** HONDURAS - Esforços para salvar Lagoa de Zambuco Tegucigalpa, 2 de janeiro de 2011 (Terramérica).- A paradisíaca Lagoa de Zambuco, na comunidade hondurenha de Esparta, faz parte de um projeto de conservação de mangues do governo, da sociedade civil e de moradores locais. A Lagoa foi declarada área protegida em 2010, e então começou um trabalho comunitário que busca salvar a riqueza do mangue que abriga flora e fauna em risco de extinção, disse ao Terramérica o conservacionista Rafael Sambulá, da Secretaria de Recurso Naturais e Meio Ambiente de Honduras. Espécies como o caranguejo azul (Callinectes sapidus), ou aves como o jaburu (Jabiru mycteria) habitam mangues da Lagoa ameaçados pela pecuária, urbanização e cultivo de palma africana. Do esforço participam moradores da área e a não governamental Organização de Desenvolvimento Étnico Comunitário. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


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Países amazônicos criam órgão de defesa e pesquisa para proteger a floresta, que será responsável pela gestão sustentável dos recursos da floresta

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Desmatamento e degradação de florestas na Amazônia atinge área de 175 km² entre março e abril. O levantamento é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

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O lixo é considerado normalmente um problema. Em Oslo, capital da Noruega, o problema tem sido a falta de lixo. A cidade transforma os resíduos em energia.