TERRAMÉRICA - O planeta sufoca

Ambiente

TERRAMÉRICA – O planeta sufoca


por Julio Godoy*


  [caption id="attachment_76017" align="alignleft" width="300" caption="As altas temperaturas combinam com o aumento do nível médio do mar em um coquetel, inicialmente agradável, mas muito perigoso. Foto: Jorge Luis Baños/IPS"][/caption] As ondas de calor extremo se intensificam no mundo, com casos dramáticos como em partes da Europa, África e Ásia meridional, um fenômeno “ligado ao consumismo absurdo”. Berlim, Alemanha, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O aquecimento da Terra provocado pelas atividades humanas não é apenas uma realidade indiscutível como também sofreu uma aceleração desde 1970, com temperaturas cada vez mais altas, alertam novos estudos científicos, que situam 2012 como o nono ano mais quente desde 1880. As jornadas recorde de calor estival são mais frequentes e intensas do que antes de 1970, segundo investigação publicada este mês pelo Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático (PIK). Para este estudo, intitulado Global Increase in Record-Breaking Monthly-Mean Temperatures (Aumento mundial nas médias mensais de temperaturas recordes), os cientistas do PIK utilizaram o banco de dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, que contém os registros mensais de temperatura no mundo desde 1880. Em média, os meses com temperaturas extraordinariamente elevadas quintuplicaram em relação ao que se poderia esperar se não existisse o aquecimento global de longo prazo, disse ao Terramérica o chefe da equipe do PIK, o geofísico holandês Dim Coumou. A tarefa principal deste especialista desde que entrou no PIK, em 2008, é coprojetar um sistema climático computadorizado, os chamados Earth System Models of Intermediate Complexity (Modelos de complexidade intermédia do sistema terrestre). Com esta ferramenta se busca “cimentar o caminho para estudar de forma eficiente os elementos cruciais do sistema climático terrestre, alguns dos quais poderiam atravessar, no próximo século, um ponto de inflexão forçado pela ação dos seres humanos”, apontou Coumou. O geofísico disse ao Terramérica que o estudo do PIK foi motivado pela frequência e intensidade de ondas de calor registradas nos últimos anos, como as ocorridas em 2003 na Europa, em 2010 na Rússia e no Sahel, a zona africana de transição entre o Deserto do Saara e o sul mais fértil, em 2012 na América do Norte, e, nas primeiras semanas deste ano, na Austrália. “Aplicamos nosso modelo de análise estatística aos dados da Nasa para estudar a frequência dos recordes de calor desde 1880 e, mais especificamente, desde 1970, tomando em conta que, nos últimos 40 anos, aumentaram as emissões antropogênicas de gases-estufa e o aquecimento global que causam”, explicou Coumou. A pesquisa comprovou que globalmente os meses mais quentes quintuplicaram e também que a situação é ainda mais dramática em determinadas regiões do planeta. “Em partes da Europa, África e Ásia meridional, os meses com recordes de temperaturas altas se multiplicaram até por dez”, garantiu Coumou, destacando que 80% desses recordes observados não teriam ocorrido sem a intervenção humana. Para o sociólogo alemão Harald Welzer, os resultados desta investigação não são uma novidade. “É claro que há muito tempo que nossa sociedade consumista, que é o modelo econômico imperante no mundo, nos levou a um atoleiro”, disse ao Terramérica. “Os dados sobre o aquecimento global estão diretamente ligados ao consumismo absurdo”, insistiu Welzer, diretor de uma fundação ambientalista dedicada a divulgar práticas sociais e econômicas que permitam “estilos de vida melhores, mais justos e que conduzam a mais felicidade”. “Na Alemanha, com 80 milhões de habitantes, a cada ano são vendidos dez milhões de televisores de tela plana e os automóveis são tão grandes que já não cabem nos estacionamentos”, exemplificou Welzer. Na zona oeste, a mais desenvolvida do país, “um terço dos alimentos comprados é jogado no lixo”, acrescentou. Para contrapor a este modelo, Welzer defende um sistema de vida “com menos consumo, menos mobilidade, menos prosperidade, mas também com menos trabalho, menos tensão e, por conseguinte, mais tranquilidade”. Um segundo estudo também divulgado este mês, realizado pela própria Nasa utilizando seu banco de dados, chega a conclusões semelhantes às do PIK, ao determinar que 2012 foi o nono ano mais quente desde 1880, confirmando a tendência de longo prazo de temperaturas globais crescentes. Também estabeleceu que os nove anos com maiores temperaturas desde então ocorreram a partir de 2000, com exceção de 1998. O recorde é detido por 2005 e 2010. Os pesquisadores do Instituto Goddard para Estudos Espaciais (Giss) da Nasa indicaram que a temperatura global média de 2012 foi de 14,6 graus, 0,6 grau maior do que a média-base de meados do século 20 e 1,4 grau maior do que a média dos últimos 132 anos. Gavin Schmidt, climatológico do Giss, declarou, em um comunicado da Nasa, que os números correspondentes a um ano não são significativos em si mesmos. “O que importa é que esta década é mais quente do que a anterior, que, por sua vez, foi mais quente do que a que a antecedeu. O planeta está aquecendo, e o motivo é que estamos emitindo cada vez mais dióxido de carbono na atmosfera”, enfatizou. No mesmo comunicado, o diretor do Giss, James Hansen, afirmou que os “dados climáticos agora estão carregados”. Embora algumas estações venham a ser mais frias do que média de longo prazo, as pessoas perceptivas já terão notado que a frequência das ondas de calor estão aumentando, e são estas temperaturas extremas as que mais afetam a vida sobre a Terra, acrescentou Hansen. O estudo do PIK coincide com esses alertas. Caso o aquecimento global continue no ritmo atual, os especialistas estimam que os recordes mensais de calor serão, dentro de 30 anos, 12 vezes maiores do que se não houvesse a mudança climática. Entretanto, o aquecimento será ainda maior na África central e na região do Amazonas, alertou Coumou, que, apesar das claras conclusões de seu estudo, negou-se a fazer recomendações aos governos e à população em geral. “O único desejo é que os líderes políticos e as sociedades tenham plena consciência de que a mudança climática não é um assunto do futuro distante, e que seus primeiros impactos já estão ocorrendo, que o aquecimento global é real e é provocado por atividades humanas. Se todos aprendermos a agir com consciência, será muito melhor”, ressaltou. Envolverde/Terramérica * O autor é correspondente da IPS.   LINKS Guiana descobre o filão da economia baixa em carbono Chile segue a África do Sul em mitigação climática Cúpula de Doha sem forças para frear catástrofe climática Clima: Extremo e perigoso – Cobertura especial da IPS, em espanhol Estudo do PIK, em inglês e alemão Estudo da Nasa, em inglês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Resíduos domiciliares convivem com transeuntes na esquina das avenidas de Mayo e 9 de julho, no centro de Buenos Aires. Foto: Photostock/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Meta de limpeza em debate

  [caption id="attachment_76004" align="alignleft" width="300" caption="Resíduos domiciliares convivem com transeuntes na esquina das avenidas de Mayo e 9 de julho, no centro de Buenos Aires. Foto: Photostock/IPS"][/caption] O governo da capital argentina promete superar a crise do lixo, enquanto ambientalistas e opositores apontam para o lixo amontoado que se reproduz nas esquinas. Buenos Aires, Argentina, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O lixo espalhado por muitas ruas e avenidas da capital argentina em parte do dia reflete, segundo organizações sociais e opositores, a ineficiência de um sistema de coleta e tratamento que, paradoxalmente, cada vez custa mais à população. A crise do lixo na cidade de Buenos Aires se deve à saturação dos aterros sanitários, diante do aumento do consumo na última década, e ao deficiente serviço de coleta, com caminhões compactadores que costumam deixar à sua passagem restos espalhados, especialmente no centro da cidade. A geração de lixo sólido, como plásticos, têxteis, borrachas, couro e alimentos, cresceu entre 24% e 35% entre 2001 e 2011. Assim, as toneladas de lixo de Buenos Aires com destino à “disposição final” passaram de 1,4 milhão para 2,2 milhões, entre 2002 e 2010, sem que houvesse uma variação significativa na quantidade de habitantes, segundo dados do opositor partido Projeto Sul. Os depósitos ficam em localidades da área metropolitana de Buenos Aires, como José León Suárez, González Catán e Punta Lara, todas na jurisdição da vizinha província de mesmo nome. A proximidade desses populosos municípios representa um enorme risco sanitário. Foram criados em depressões do terreno que são cobertas com uma membrana sobre a qual se deposita o lixo e, teoricamente, a ele são aplicados sistemas de coleta de gases e dissolventes para separar partes solúveis dos líquidos, para depois cobrir a superfície. A administração desses locais está a cargo da empresa Coordenação Ecológica Área Metropolitana Sociedade do Estado, resultado de acordo entre os dois distritos. No entanto, a coleta é feita por cinco empresas privadas, que dividem áreas vizinhas, e uma sexta, propriedade do governo local, embora uma iminente licitação preveja um redesenho para sete áreas. Além da questão sanitária, o colapso do sistema também repercute no plano econômico. O gasto destinado ao setor de limpeza da cidade passou de 641 milhões de pesos (US$ 128 milhões) para 2,517 bilhões (US$ 503 milhões) desde 2008, primeiro ano do conservador Mauricio Macri, um dos principais opositores da presidente da Argentina, Cristina Fernández. Com quase 2,9 milhões de habitantes, a cidade de Buenos Aires terá, assim, um gasto anual por pessoa de US$ 176 quando for aprovado o projeto do orçamento deste ano. Desde maio de 2007 vigora na cidade a Lei do Lixo Zero, aprovada no ano anterior, pelo qual o governo local está comprometido a reduzir drasticamente a quantidade de lixo com destino à “disposição final”. O cronograma estabelecia reduções graduais de resíduos de 30% em 2010, 50% em 2012 e 75% em 2017. Finalmente, fixava como meta para 2020 a proibição total de depósitos de lixo recicláveis. Nos fatos, o lixo enviado para os aterros sanitários deveriam diminuir até 748.828 toneladas no ano passado, mas foi o triplo, com média diária superior a seis mil toneladas. “Não há um governo que tenha avançado tanto como o nosso no cumprimento da lei de Lixo Zero”, disse o ministro do Meio Ambiente e Espaço Público da Cidade, Diego Santilli. Embora admitam dificuldades no começo para cumprir a meta, garantem que a tendência será revertida graças aos acordos selados com o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, do mesmo Partido Justicialista (peronista) que a presidente, embora de tendência centrista. Porém, organizações sociais e dirigentes políticos opositores apontaram a falta de vontade do governo de Macri para implantar a Lei de Lixo Zero. Rafael Gentili, deputado pelo centro-esquerdista Projeto Sul na legislatura local, disse ao Terramérica que a política de Macri é “péssima, já que não cumpriu nenhum dos parâmetros que a norma estabelece. A cidade está hoje mais suja do que há cinco anos”, afirmou. Além dos objetivos citados, a Lei de Lixo Zero proíbe a incineração e estabelece a promoção da separação do lixo nos domicílios, um ponto crucial e que gera as maiores reclamações. Por sua vez, Consuelo Bilbao, encarregada da campanha de tóxicos da organização ambientalista Greenpeace, apontou ao Terramérica “uma defasagem e um desequilíbrio enorme entre o sistema para coletar e enterrar e o dinheiro destinado a reciclagem, de 200 milhões de pesos (US$ 40 milhões). A crise que em 2001 devastou a economia argentina disparou um sistema de reciclagem informal, ao colocar milhares de famílias nas ruas para coletar vidro, papel, metal e papelão (cartones, daí o nome dados a eles de cartoneros). A melhoria nos indicadores econômicos e sociais a partir de 2005 reduziu o trânsito dos cartoneros. Há dois anos, o governo local implantou um sistema que dotou de certa formalidade a tarefa que realizam. Os prédios com mais de 19 andares, centros comerciais, repartições públicas e escolas estão obrigadas a separar material reciclável, e este é entregue a cooperativas de cartoneros registradas junto à administração. Bilbao e Gentili concordam que isto permitiu recuperar 15% do lixo gerado na cidade, o que não exclui que se continue fazendo uma coleta e reciclagem artesanais. O foco das críticas do Greenpeace e de outros está no fato de que, segundo afirmam, o governo local resiste em avançar na separação de material reciclável na origem, isto é, nos domicílios, o que elevaria a reutilização do lixo em até 40% das toneladas produzidas. “A Macri não interessa reduzir os níveis de produção de lixo, pelo contrário, quer que haja muito para que o negócio seja mais lucrativo”, afirmou Gentili. E argumentou que os contratados do Estado encarregados de processar o lixo para transformá-lo em biogás, adubo ou fertilizante cobram em função do volume e que por isto há um interesse econômico de que não diminua a quantidade de lixo na origem. Gentili denuncia que algumas empresas, como o Grupo Roggio, um dos mais importantes do país, participam das duas pontas da cadeia: coleta e tratamento, causando um conflito de interesses. Por sua vez, Bilbao concorda que a política do governo de Buenos Aires tem como “objetivo o tratamento, não as fases prévias que consideramos cruciais, ou para políticas claras que apontem para uma medida de longo prazo”. Para a ecologista, é esclarecedor o fato de “se pagar às plantas de tratamento e aos cartoneros dar um subsídio e não um salário, com o qual ficam à mercê do valor do mercado. Assim, o que existe é uma desigualdade total”, ressaltou. Envolverde/Terramérica * O autor é correspondente da IPS.   LINKS Dúvidas sobre empréstimo milionário jogado no rio Um mapa contra a poluição Um assentamento inflamável O poder dos coletores informais Um assassino silencioso à espreita no lixo O lixo se amontoa debaixo da terra, em espanhol Projeto de orçamento 2013 da Cidade de Buenos Aires, em espanhol Coordenação Ecológica Área Metropolitana Sociedade do Estado, em espanhol Greenpeace Argentina, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde. 


por Sebastián Lacunza*
eco11311 Terramérica

ECOBREVES

Cuba: Em busca do controle de espécies invasoras Honduras: Plano agroflorestal destinado a 25 mil famílias Brasil: Caçadores e madeireiros ilegais ameaçam floresta singular Chile: Ativistas pedem investigação de danos causados pelo Rali Dacar Venezuela: Acadêmicos pedem proteção de fauna em ilha   ********************************************** CUBA - Em busca do controle de espécies invasoras Havana, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Este ano entrarão em vigor planos de manejo em áreas de Cuba para 27 espécies invasoras, como o peixe-leão, a formiga satânica e plantas como a casuarina e o marabu, analisadas por uma equipe de pesquisa nacional que propõe soluções ao seu impacto negativo em ecossistemas naturais e produtivos. “Foi feita uma coleta de 13 espécies vegetais e 14 animais tendo em conta as que mais afetam atualmente”, informou Dalia Salabarría, coordenadora geral do projeto que se estenderá até 2017 e conta com financiamento da Organização das Nações Unidas (ONU). “Já temos três sistemas para aplicar: de informação para manejo de cada espécie, de acompanhamento sobre seu impacto e de alerta e detecção”, explicou ao Terramérica a especialista, sobre a iniciativa que pretende fornecer alternativas para que as comunidades possam controlar estas espécies e utilizá-las em seu benefício. Estas plantas e estes animais, introduzidos de maneira voluntária ou não, desequilibram o ecossistema original que colonizam. Por isto, figuram entre as principais causas da perda de espécies autóctones. Envolverde/Terramérica   ********************************************** HONDURAS - Plano agroflorestal destinado a 25 mil famílias Tegucigalpa, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O governo de Honduras anunciou a implantação de um ambicioso projeto agroflorestal comunitário e de manejo de microbacias na região norte e ocidental do país. O programa Horizontes do Norte, do Ministério de Agricultura e Pecuária e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), chegará a cerca de 25 mil famílias assentadas em 27 municípios dos departamentos de Cortés, Atlántida e Santa Bárbara. Arnold Sánchez, técnico do Ministério, disse ao Terramérica que os beneficiados são camponeses de poucos recursos, que receberão atenção e orientação sobre as vantagens da produção agrícola e florestal combinada e em comunidade, com especial cuidado com o meio ambiente. O projeto tem duração de seis anos e a contraparte do Fida em Honduras será o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Envolverde/Terramérica   ********************************************** BRASIL - Caçadores e madeireiros ilegais ameaçam floresta singular Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Quase 150 hectares remanescentes da Mata Amazônica Atlântica, uma floresta única no Brasil, estão sob risco de degradação pela caça indiscriminada e extração ilegal de madeira, alerta o Museu Paraense Emilio Goeldi, reconhecido centro de pesquisa do país. O diagnóstico da floresta localizada na ilha de Ipomonga, no município de Curuçá, no Pará, identificou um dossel (união das copas) de até 20 metros, com árvores de até 30 metros de altura, e 115 espécies arbóreas, duas delas na lista de ameaçadas do governo estadual. “A região apresenta uma densa mata primária de terra firme amazônica, com uma rica flora que pode ser considerada patrimônio biológico vegetal. Esta área precisa de proteção ambiental para que esse raro testemunho vivo não se perca”, disse ao Terramérica o pesquisador Dário Amaral, que coordenou as expedições na ilha. Envolverde/Terramérica   ********************************************** CHILE - Ativistas pedem investigação de danos causados pelo Rali Dacar Santiago, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Organizações da sociedade civil solicitaram aos governos de Argentina, Chile e Peru a formação de uma comissão técnica independente para determinar os efeitos negativos do Rali Dacar 2013, que envolveu esses países. Porta-vozes das chilenas Ação Ecológica e Fundação Patrimônio Nosso, do chileno Museu Paleontológico Meyer-Hönninger e a argentina Fundação para a Defesa do Meio Ambiente disseram que informes oficiais e acadêmicos demonstram danos irreparáveis no patrimônio arqueológico e paleontológico das áreas por onde a competição passou este ano. “Não podemos continuar lutando de forma local. Devemos nos unir e eventualmente somar outros. É necessário deixar claro quais são os custos do Rali Dacar para que, quem sabe, acabe”, disse ao Terramérica o ambientalista Luis Mariano Rendón, da Ação Ecológica. Rendón advertiu que, se os tribunais locais não acolherem recursos interpostos em cada país, “iremos ao Tribunal Internacional de Direitos Humanos”. Envolverde/Terramérica   ********************************************** VENEZUELA - Acadêmicos pedem proteção de fauna em ilha Caracas, 28 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Biólogos de universidades da Venezuela e da organização ecologista Provita pedem que o governo crie uma zona protetora de fauna na península de Macanao, de 330 quilômetros quadrados, o terço ocidental mais árido da Ilha de Margarida, no Mar do Caribe sudeste. A reserva “permitiria proteger a floresta seca e a fauna de 80 espécies de vertebrados que vivem na península, algumas delas em risco de extinção, como o veado caramerudo (Odocoileus margaritae), a jaguatirica (Felis pardalis), uma subespécie de coelho-da-Flórida (Sylvilagus floridanus margaritae) e várias aves”, disse ao Terramérica o zoólogo Pedro Nass, da Universidade Bolivariana na região. Essas espécies precisam de preservação da flora xerófila, como os cactos, que em ocasiões são arrasadas por empresas de areia e que não são apenas reserva de água para o conjunto da fauna, mas também fonte de alimentação para algumas espécies de morcego, recordou Ariany García, da Provita. Envolverde/Terramérica   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

Praia deserta em Punta Canoa. Foto: Helda Martínez/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Muralha contra a mudança climática

  [caption id="attachment_75504" align="alignleft" width="300" caption="Praia deserta em Punta Canoa. Foto: Helda Martínez/IPS"][/caption] Um ambicioso plano de obras de infraestrutura, para enfrentar as contingências do clima em Cartagena das Índias, se debate entre os benefícios projetados e críticas por parte da população envolvida. Cartagena das Índias, Colômbia, 21 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O plano de adaptação à mudança climática para esta caribenha cidade colombiana, cujas diretrizes datam de 2004, mostra avanços de peso sem calar as vozes contrárias. Enquanto as autoridades aplaudem, muitos moradores não param de apresentar questionamentos. O ponto comum é o interesse em diminuir os efeitos negativos da mudança climática, que, segundo se estima, provoca elevação do nível do mar entre dois e cinco milímetros por ano. Especialistas calculam que as águas na costa de Cartagena das Índias aumentaram entre 15 e 22 centímetros nos últimos cem anos e que até 2100 aumentarão mais 80 centímetros, ou mesmo um metro. “As mudanças mais bruscas acontecerão dentro de aproximadamente oito anos, com maior intensidade das chuvas, aumento anormal da altura das ondas, recorrência de furacões, inundações e ondas de calor, com as consequentes alterações ambientais”, explicou ao Terramérica o biólogo marinho Francisco Castillo, assessor da Secretaria de Planejamento de Cartagena das Índias. Sob o nome oficial de Integração da adaptação à mudança climática no planejamento territorial e gestão setorial de Cartagena das Índias, este plano para mitigar os eventos extremos conta com apoio da prefeitura local e é coordenado pelo Ministério de Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial, pelo Instituto de Pesquisas Marinhas e Costeiras, e pelo Programa Aliança Clima e Desenvolvimento (CDKN). Nesse contexto, já começaram a ser vistos avanços em obras de infraestrutura para proteger a cidade dos efeitos negativos da variação do clima, entre as quais a construção, perto de começar, de nove diques, cinco quebra-ondas e dois muros de contenção. Contudo, o capítulo mais significativo inclui a ampliação da avenida Santander, que cruza a cidade, e a instalação de um grande emissário submarino, que substituirá 30 tubulações atualmente em uso. Capital do departamento de Bolívar, esta cidade abriga quase um milhão de pessoas em seus 709 quilômetros quadrados, tem 48,7 quilômetros de costas no Mar do Caribe e sua economia se sustenta na indústria química, zonas francas, no comércio e muito especialmente no turismo. Precisamente, a ampla e variada oferta hoteleira, o contraste entre a zona colonial, com sua muralha defensiva, e a moderna, com grandes edifícios, e personalidades que a evocam, como o escritor Gabriel García Márquez e o pintor Alejandro Obregón, são alguns elementos que fazem desta cidade um local privilegiado para milhares de visitantes do resto da Colômbia e do exterior. Entretanto, essa auréola de centro turístico internacional oculta em parte sua nada privilegiada colocação entre as cidades colombianas com maior contraste socioeconômico. A profunda pobreza de boa parte de seus habitantes bate de frente com o esbanjamento de riqueza de uma minoria. “Nas fases de construção e operação dos projetos, há oferta de trabalho para as comunidades mais pobres, o que representa melhor qualidade de vida”, declarou Castillo a esse respeito. Agora é preciso pessoal para essas obras do plano de adaptação climática. Em muitos casos, estes postos de trabalho serão ocupados por pescadores, que aprendem as artes da construção em troca de um salário fixo, previsto inicialmente por quatro anos, uma segurança que seu ofício artesanal habitual não proporciona.   Um emissário que divide As contradições entre trabalho seguro e questionamentos ambientais são evidentes na Vila de Punta Canoa, a 21 quilômetros do centro urbano de Cartagena, onde desembocará o Emissário Submarino com água de esgoto da cidade. “Durante sete anos a maioria de nós protestou, porque não queríamos a instalação do emissário aqui, e eu continuo não querendo”, disse ao Terramérica, em sua casa de Punta Canoa, Ramiro Ramírez, um pescador de 54 anos. Ramírez afirmou que protesta “porque conheço o mar e sei como as correntes devolvem material fecal. O cheiro é insuportável. Porém, muitos que foram até violentos com os trabalhadores da Acuacar (Águas de Cartagena) se beneficiaram com trabalho ou com uma das 12 lanchas que entregaram. Agora, ninguém diz nada”. O Terramérica comprovou a queixa do pescador: não encontrou respostas à exceção da sua. O porteiro da Acuacar, um morador uniformizado, foi direto: “Não posso falar porque agora trabalho aqui”. Também não quiseram falar dois pescadores que se preparavam para entrar em uma lancha a motor. A instalação do emissário submarino foi parte do Plano Diretor de Aqueduto, Esgoto e Saneamento Básico de Cartagena, iniciado em 1996, mas que, devido à sua relevância e efeitos atuais, foi incluído no plano de adaptação à mudança climática para garantir sua realização. A tubulação, de dois metros de diâmetro, terá 4.321 metros de comprimento, dos quais 2.566 estarão sob o leito marinho, segundo informação da Acuacar. A construção deste emissário beneficiará a população instalada nas imediações do Pântano de La Virgen, que recebia 60% do esgoto da cidade, com a consequente mortandade maciça de peixes até 2000, quando para oxigená-lo foi inaugurado o Canal de La Bocana. “Isso está certo, mas a recuperação do pântano não é imediata. É preciso dragar para retirar resíduos de mais de 30 anos”, disse ao Terramérica o pescador Eduardo Jiménez, para quem “agora o problema será em Punta Canoa”. Ramírez entende que “já não há nada para fazer, porque não há diálogo com as autoridades”, acrescentando que “não será visual. Será porcaria tratada com componentes químicos que diminuem” a reprodução dos peixes. “Além disso, teremos problema de pele, porque aqui também chegarão os dejetos do hospital e de quase 30 pequenos emissários que há em Cartagena”, concluiu o pescador, com tristeza, olhando seu neto de três anos. Ele tem razão em parte, segundo Castillo. “O tratamento do esgoto não é primário, secundário e terciário, como seria o ideal, mas a 1,8 quilômetro expulsará a matéria pré-tratada, que se dissolve pela temperatura e salubridade do mar. Isto é, agora a Acuacar entrega ao mar os resíduos para que biologicamente este acabe com eles”, opinou. “A Acuacar tem prazo fixo para terminar o processo completamente”, prosseguiu o biólogo. “Por isso, agora sonho com a Cartagena de 2015: terá o emissário trabalhando em sua totalidade, uma proteção costeira funcionando, o Pântano de La Virgen totalmente despoluído e uma oferta de praias em toda sua potencialidade”, concluiu, entusiasmado. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Cartagena se desnuda, em espanhol Clima: Extremo e perigoso – Cobertura especial da IPS, em espanhol Prefeitura de Cartagena de Índias, em espanhol Águas de Cartagena, em espanhol Aliança Clima e Desenvolvimento, em espanhol e inglês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.    


por Helda Martínez, enviada especial
As favelas do Rio de Janeiro ficam em áreas de risco em casos de chuvas fortes. Foto: Fabíola Ortiz/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Mapa de risco climático se impõe

  [caption id="attachment_75492" align="alignleft" width="300" caption="As favelas do Rio de Janeiro ficam em áreas de risco em casos de chuvas fortes. Foto: Fabíola Ortiz/IPS"][/caption] Uma lei, em estudo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, proibirá as prefeituras de desenvolverem obras de infraestrutura que facilitem assentamentos em áreas expostas a desastres naturais. Rio de Janeiro, Brasil, 21 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Para romper a inércia diante das tragédias que as chuvas trazem anualmente, as autoridades do Rio de Janeiro pretendem que as prefeituras desse Estado incluam um mapa de risco ambiental em suas obras de infraestrutura, para dessa forma impedir construções em áreas vulneráveis. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e que deverá ser aprovada pelos deputados estaduais, foi anunciada em meio a uma nova catástrofe climática neste Estado. Desde o começo do ano, a estação das chuvas de verão já causou pelo menos três mortos, enquanto milhares de pessoas ficaram sem teto por causa de deslizamentos e inundações, segundo a Defesa Civil estadual. “Decidimos enviar este projeto de lei à Assembleia para conter o populismo suicida de alguns prefeitos, que ignoram os mapas de áreas de risco”, explicou ao Terramérica o secretário do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc. “Já vi prefeitos construindo ruas e instalando serviços para a população em lugares apontados pelos estudos como vulneráveis aos desastres naturais, com risco de morte iminente”, afirmou Minc. Os mapas de risco se converterão em documentos públicos oficiais e “as prefeituras estarão obrigadas a incorporar suas determinações e restrições aos seus planos diretores e às leis de uso do solo”, destacou. Um estudo do Serviço Geológico estadual, divulgado no dia 7 pelo jornal O Globo, revela que no Estado há áreas de risco em 67 de seus 92 municípios, nas quais residem cerca de 36 mil pessoas. Em entrevista ao Terramérica, o engenheiro geotécnico Willy Lacerda atribuiu esse número elevado ao fato de esses municípios se localizarem em áreas montanhosas e porque suas “morfologia e geomorfologia” são suscetíveis a deslizamentos diante de chuvas abundantes. Lacerda, professor de pós-graduação em engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que a chuva é determinante para diversas formas de catástrofes. Uma é a da contínua e lenta saturação do solo. “Se a profundidade deste diante da saturação for adequada, pode haver deslizamentos de terra dispersos”, explicou o engenheiro. Se houver chuva intensa, depois de um período de precipitações contínuas, pode aumentar o caudal de água nos rios e nas ladeiras removendo os solos, já com sua resistência reduzida devido à saturação. “Neste caso, os deslizamentos são generalizados”, acrescentou. Foi o que aconteceu em 2011 em Teresópolis e Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, onde os deslizamentos e transbordamentos fluviais provocaram mais de 900 mortos e deixaram cerca de 25 mil pessoas sem teto, segundo dados do governo do Estado. Uma terceira variável é a de chuvas com intensidade superior a 60 milímetros por hora, como a que caiu em 1996 na localidade de Jacarepaguá, capaz de derrubar encostas muito empinadas e provocar deslizamentos generalizados. A cartografia das áreas de risco servirá para evitar o pior ou, pelo menos, minimizar tragédias climáticas, destacou Lacerda. Em alguns casos promoveria a evacuação das áreas vulneráveis e em outras a construção de obras estruturais de engenharia, por exemplo, para reforçar as ladeiras. O engenheiro, que participa da elaboração dos mapas, explicou que eles devem ter como base parâmetros como geologia, forma do terreno (inclinação e concavidade), espessura e resistência do solo e o tipo de vegetação. “São definidas assim as áreas onde a probabilidade de deslizamentos é maior ou menor, e a partir disso é possível determinar as moradias mais suscetíveis a eles”, dentro de uma escala de risco muito alto, médio ou baixo, acrescentou Lacerda. Igualmente, pode-se qualificar o risco de inundações a partir da hidrologia local e dos índices de chuva máximo e médio esperados. Tudo isso, no entanto, não preveniria os efeitos de trombas d’água como as que afetaram, em 2011, o Vale de Cuiabá, no distrito de Itaipava, na cidade de Petrópolis, e, no começo deste mês, Xerém, na cidade de Duque de Caxias, que arrastou casas, pontes e automóveis “como um tsunami”. Mas, poderia aliviar o impacto, disse o especialista. O mapa de risco permitirá também determinar as áreas em que é possível construir moradias ou complexos habitacionais para os evacuados de áreas de risco. A prefeitura da cidade do Rio de Janeiro instalou sirenes em bairros localizados em áreas de risco, como algumas de suas favelas, que são ativados com seis horas de antecipação à chegada de chuvas fortes. Por sua vez, o governo federal anunciou que destinará cerca de US$ 175 milhões para obras de contenção de encostas. O Estado do Rio de Janeiro já destinou recursos para esse tipo de obras, mas em alguns municípios foram desviados dessa finalidade pela denunciada corrupção de seus prefeitos. Além disso, em Xerém, antes da tromba d’água deste mês, a coleta de lixo  tinha sido interrompida pelo governo municipal, por causa de denúncias de irregularidades no contrato com a empresa de limpeza urbana. O acúmulo de lixo, segundo Lacerda, não causou a fortíssima chuva, mas agravou seu impacto, porque dificultou a drenagem e propagou doenças. O teólogo e ativista ambiental Leonardo Boff qualificou, em uma coluna publicada no dia 4, o “tsunami” de Xerém como “um crime de lesa humanidade”, como outras catástrofes socioambientais que se repetem cada vez com maior frequência. Boff propôs “uma lei nacional de responsabilidade socioambiental (...) com pesadas penas para quem não a respeitar”. “Somos irresponsáveis perante a natureza quando desmatamos, derramamos milhares de milhões de litros de agrotóxicos no solo, lançamos anualmente na atmosfera cerca de 30 bilhões de toneladas de gases-estufa, contaminamos as águas, destruímos as matas ribeirinhas”, resumiu o teólogo. Além disso, “não respeitamos o declive das montanhas que podem desmoronar e matar pessoas, nem consideramos as margens que os rios necessitam para que as inundações não arrastem tudo com elas”, advertiu. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Retirada compulsória de favelas ressuscita fantasmas Favela substitui muro por caminhos ecológicos Brasil quantifica variação climática e aumento da dengue Tragédia por causa de chuvas, a lição não aprendida, em espanhol Chuvas caem em um mar de imprevisão, em espanhol Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro Universidade Federal do Rio de Janeiro  Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Fabiana Frayssinet*
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ECOBREVES

Brasil: Pesquisa para saber se poluição oceânica causa tumores em tartarugas Honduras: Parlamentares analisam projeto de lei de mineração México: Ativistas exigem proteção para tartarugas ameaçadas   **************************************** BRASIL - Pesquisa para saber se poluição oceânica causa tumores em tartarugas Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2013 (Terramérica).- A contaminação marítima pode ser a causa dos tumores de pele em tartarugas marinhas verdes (Chelonia mydas), uma espécie costeira típica do Brasil ameaçada de extinção, segundo cientistas do Projeto Tamar. Os tumores são benignos, atingem 30 centímetros de diâmetro e foram detectados em cerca de 16% destes animais. A doença causadora dessas erupções cutâneas é a fibropapilomatose, que reduz a capacidade imunológica dos animais, tornando-os vulneráveis a outras enfermidades mais graves. “Estamos investigando se a doença pode ser causada pela contaminação por agentes químicos encontrados no esgoto lançado no mar, já que a prevalência do mal é mais acentuada em exemplares que vivem em regiões costeiras urbanizadas”, disse ao Terramérica Cecilia Baptistotte, coordenadora nacional de veterinária do Projeto Tamar, uma iniciativa que protege espécies de quelônios existentes no mar brasileiro. Envolverde/Terramérica   **************************************** HONDURAS - Parlamentares analisam projeto de lei de mineração Tegucigalpa, 21 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Delegados do governo de Honduras, de autoridades locais e de organizações ambientalistas entregaram em conjunto no Congresso um projeto para uma nova Lei de Mineração, para adequar a atividade do setor a padrões internacionais. Carlos Patiño, representando uma aliança de órgãos da Igreja Católica e setores comunitários, disse ao Terramérica que a iniciativa impõe, pela primeira vez, a convocação de plebiscitos para que a população decida se aceita ou não projetos de mineração no distrito em que mora. Também estabelece aumento dos impostos municipais de 1% para 2% do obtido por este conceito. O deputado Donald Reyes Avelar, do governante Partido Nacional, se manifestou confiante de que a proposta será aprovada em meados deste ano para, assim, poder regular uma atividade produtiva que gera, em média, US$ 223 milhões por ano em divisas para o país. Até o momento, há cerca de 250 solicitações de exploração paradas por falta de uma legislação clara e regulamentada. Envolverde/Terramérica   **************************************** MÉXICO - Ativistas exigem proteção para tartarugas ameaçadas Cidade do México, 21 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Ambientalistas pediram ao governo do México cuidado com espécies de tartarugas em risco de extinção por práticas pesqueiras insustentáveis no Estado da Baixa Califórnia Sul. “Há falta de ação por parte do governo para proteger a tartaruga-cabeçuda da captura incidental”, disse Juan Cantú, da organização não governamental Defensores da Natureza do México. “Este país deve cumprir a legislação ambiental para protegê-la”, acrescentou ao Terramérica o ativista, ao fazer um chamado a respeito em conjunto com o Centro Mexicano de Direito Ambiental. Em julho e agosto do ano passado apareceram 438 tartarugas-cabeçudas (Caretta caretta) mortas nas costas da Baixa Califórnia Sul. Em um informe apresentado este mês ao Congresso dos Estados Unidos, o Serviço Nacional de Pescas Marinhas, vinculado ao Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica, acusou o México de permitir a pesca ilegal, violando medidas de conservação internacionais. Envolverde/Terramérica   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

A selva é uma das áreas com maior riqueza natural a ser protegida. Foto: Milagros Salazar/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Medir e proteger recursos naturais

[caption id="attachment_74834" align="alignleft" width="300" caption="A selva é uma das áreas com maior riqueza natural a ser protegida. Foto: Milagros Salazar/IPS"][/caption] Para elaborar pautas e guias metodológicas na preparação e aprovação de projetos produtivos sustentáveis, as autoridades peruanas criaram o Sistema Nacional de Investimento Público. Lima, Peru, 14 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O crescimento econômico do Peru está assentado em seu grande capital de recursos naturais, que representam mais de 50% de seu produto bruto e 80% das exportações. Diante desta importância, o governo encara um projeto para valorizar e financiar a proteção desse patrimônio. Fernando León, assessor para incentivos econômicos na Iniciativa para a Conservação na Amazônia Andina (Icaa), disse ao Terramérica que, “atado à física, há uma infraestrutura natural que o Estado deve proteger”. A título de exemplo, afirmou que, “se em um projeto de água potável só houver preocupação com os tubos e a infraestrutura, e não com a conservação das bacias que fornecem o recurso que passará pelas tubulações, o que vamos tornar potável para a população?”. León foi titular, até o final de 2011, da Direção Geral de Avaliação, Valorização e Financiamento do Patrimônio Natural do Ministério do Meio Ambiente, que apresentou a necessidade de impulsionar projetos de proteção destes bens no Sistema Nacional de Investimento Público (Snip). Seu sucessor nesse órgão, Roger Loyola, que continua com este empenho, informou que, para o final deste ano, prevê que o chamado “Snip verde” já comece a ser executado. Loyola e sua equipe avançam, em coordenação com o Ministério de Economia e Finanças (MEF), que tem ao seu cargo o Snip, na elaboração das diretrizes, no contexto conceitual e nos termos que serão manejados nos projetos ambientais. Este processo implica um desafio para os técnicos, porque é preciso demonstrar que estas iniciativas têm rentabilidade econômica para o país, explicou. Por exemplo, demonstrar o benefício econômico de proteger uma espécie em extinção, acrescentou. Nesta etapa, são levados adiante projetos de diversidade biológica, mudança climática, ordenamento territorial e áreas naturais protegidas, todas áreas nas quais trabalha o Ministério do Meio Ambiente (Minam). Fontes da Direção Geral de Política de Investimentos do MEF informaram ao Terramérica que “primeiro está sendo feita uma avaliação de quais desses projetos devem ser qualificados como investimento público”. Depois que forem unificados os conceitos dentro do Minam, com vistas a servirem de referência aos demais setores e se compatibilizarem os conceitos ambientais e econômicos, se trabalhará em pautas e diretrizes metodológicas para a elaboração e aprovação dos projetos. O biólogo Sandro Chávez, coordenador nacional do Fórum Ecológico e ex-chefe do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas, considera positiva a iniciativa do Snip verde. Porém, disse ao Terramérica que o governo não deve “cair no erro de diferenciar o investimento público apenas para projetos de conservação, quando o componente ambiental deve estar incorporado em todos os projetos que os setores do Estado apresentarem para garantir que sejam sustentáveis”. Por outro lado, León observou que os projetos específicos do Minam devem ser vistos como uma primeira etapa, já que lhe coube comprovar, quando impulsionava o Snip verde como funcionário público, que não é fácil convencer o MEF a dar esse passo. O assessor da Icaa considerou que, apesar das resistências, no Ministério já são impulsionados projetos verdes. León recordou que, em setembro do ano passado, em um painel regional sobre financiamento de políticas públicas e conservação da diversidade biológica na Amazônia andina, Mónica Muñoz Nájar, da Direção Geral de Política de Investimentos do MEF, anunciou que existem 15 projetos ambientais no Snip. Neste banco de iniciativas, destaca um projeto do governo da região de San Martín para recuperar ecossistemas que fornecem água à população. Loyola assegurou que existe uma grande expectativa dos governos regionais para apresentar projetos ambientais ao Snip verde. Nesse contexto, León considerou que as iniciativas devem ser priorizadas tão logo comece este novo sistema, “porque o que consumimos nas cidades tem ligação com o âmbito rural, com o que existe no interior do país”. Os especialistas consideram que devem ser feitos relatórios permanentes nos quais se evidencie os benefícios proporcionados pelos recursos ambientais e quanto se perde quando estes são maltratados, para acabar com a ideia de que a natureza é gratuita e infinita. Em uma análise sobre a situação ambiental do Peru, realizada em 2007, o Banco Mundial conclui que os danos ao meio ambiente neste país têm um custo econômico de 3,9% do produto interno bruto (PIB) e afetam principalmente os mais pobres. Neste informe, estima-se que “o impacto da degradação ambiental para os pobres em relação aos não pobres é 20% maior em termos de impacto para cada mil pessoas, e 4,5 vezes maior em termos de impacto por unidade de renda”. Em agosto começou a funcionar no Peru um comitê intersetorial integrado por 28 instituições e liderado pelo Instituto de Estatística e Informática (Inei) para estabelecer as contas verdes em degradação ambiental, água e floresta, com a assessoria técnica do Minam. Neste contexto, “se buscará incorporar as variáveis ambientais à contabilidade nacional”, explicou Araceli Urriola, especialista em contas ambientais da Direção Geral de Avaliação, Valorização e Financiamento do Patrimônio Natural. “O que se chama de oferta e procura (em termos ambientais) de todas as atividades econômicas”, detalhou Urriola ao Terramérica. México, Guatemala e Colômbia apresentaram progressos interessantes a respeito, assegurou. Contudo, no Peru este processo de valorizar os benefícios e as perdas da natureza, de estabelecer um PIB verde, está apenas começando. Espera-se que os membros do comitê se reúnam antes do final do mês para elaborar um plano de trabalho, informou o Inei ao Terramérica. “Os impactos ambientais são acumulativos e não são sentidos imediatamente. Isto faz com que alguns governos não deem importância à conservação e à preservação. Por isto, ao se valorizar o dano ambiental, se quer alertar sobre a importância de conservar, porque, do contrário, pagaremos a conta amanhã”, destacou Loyola. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS. LINKS O Peru se empenha para melhorar avaliação ambiental Crime ambiental pagará no Peru Conserve o Peru e conservarás o mundo Iniciativa para a Conservação na Amazônia Andina, em espanhol e inglês Ministério do Meio Ambiente, em espanhol Ministério de Economia e Finanças, em espanhol Fórum Ecológico, em espanhol Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Milagros Salazar*
O consumo colaborativo pode ajudar a aliviar o trânsito e, por consequência, o meio ambiente em cidades como São Paulo. Foto: Photostock/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Consumo colaborativo e sustentabilidade

[caption id="attachment_74837" align="alignleft" width="300" caption="O consumo colaborativo pode ajudar a aliviar o trânsito e, por consequência, o meio ambiente em cidades como São Paulo. Foto: Photostock/IPS"][/caption] Definido pela revista Time como uma das dez ideias capazes de mudar o mundo, o consumo colaborativo se impõe, seja como troca, aluguel ou venda, como uma nova ferramenta de desenvolvimento. Rio de Janeiro, Brasil, 14 de janeiro (Terramérica) – Ainda conhecido por poucos no Brasil, o consumo colaborativo surge no mercado de bens e serviços das grandes cidades como uma forma de atuar com mais consciência em um momento em que o mundo debate formas de se reinventar para enfrentar a severa crise econômica e ambiental. A expressão foi cunhada no começo da década passada nos Estados Unidos para identificar uma alternativa que surgia ao modelo de consumo excessivo e desenfreado que caracteriza a sociedade desse país desde a década de 1980. Trata-se de um mecanismo para compartilhar ou permutar aparelhos eletrônicos, livros, roupas, calçados, instrumentos, móveis e, inclusive, bicicletas e até automóveis, os quais podem ser alugados por um período curto. Esta prática de consumo se soma à atual demanda de ações sustentáveis com a tecnologia. Quanto mais avançarem os novos meios, mais fácil será realizar buscas na internet e escolher serviços, afirmam seus defensores. A revista Time definiu, em 2011, o consumo colaborativo como uma das dez ideias capazes de mudar o mundo. A nova tendência está entrando timidamente no mercado brasileiro. Em 2011 foram criados os primeiros portais na internet de consumo colaborativo, tendo como iniciativas pioneiras o BuscaLá e o DescolaAí. “Este modo de consumo é uma forma extremamente consciente e importante para o futuro do planeta, e pode ser trabalhado de diversas maneiras, como troca, aluguel ou venda de qualquer produto”, explicou Leilson Duarte, um dos três sócios do BuscaLá. Nas plataformas de trocas o interessado procura pelos produtos que necessita e informa o que pode dar em troca. A partir do momento em que uma oferta e uma demanda se identificam e se complementam, o sistema coloca os dois usuários em contato. “Permutar um produto que não se usa mais por outro que se precisa é uma forma de deixar de consumir produtos novos, evitando, assim, a produção de outras peças, o que também evita o acúmulo de lixo”, explicou Duarte em entrevista ao Terramérica. Duarte, que estudou as novas tendências na Europa e nos Estados Unidos antes de desenvolvê-las no Brasil, contou que o objetivo do BuscaLá é promover o acesso a um produto e não a sua posse. “O importante não é ter uma câmera fotográfica, mas poder fazer fotos; não se precisa ser dono de uma furadeira, mas ter uma à mão quando necessário”, afirmou. “O BuscaLá tem como aliadas de grande destaque as redes sociais, principalmente o Facebook e o Twitter, que alcançam um crescimento surpreendente a cada mês”, ressaltou Duarte. Esta plataforma recebe 150 mil visitas mensais e oferece mais de 40 mil produtos, que são oferecidos pelos próprios usuários registrados. “Nossa expectativa é que seja o maior site de consumo colaborativo do Brasil. Além de fazer bem ao bolso de todos que o compartilham, é uma forma de preservar os ecossistemas e evitar o gasto desnecessário e desenfreado que vivemos atualmente”, enfatizou. Por sua vez, o DescolaAí é um site que oferece objetos de aluguel, como livros, discos, vídeos e jogos. Para cada transação são cobrados R$ 2 de cada usuário. Com este portal, “você ganha dinheiro e ainda ajuda o planeta, evitando que os outros produtos sejam fabricados mediante a extração de novos recursos naturais”, anuncia o site, cujo slogan é a sustentabilidade do mercado. O consumo colaborativo serve de inspiração para jovens empresários em busca de novos modelos de negócios simples e acessíveis, sem exigir elevados investimentos nem grandes conhecimentos administrativos. É o caso do empresário Felipe Barroso, de 34 anos, que em seu momento se mudou de Curitiba para São Paulo, a fim de investir em um modelo de negócio criativo que se afastasse das fórmulas convencionais. Desta forma, criou em 2009 a empresa Zazcar, que aplica o sistema de carsharing, expressão inglesa que significa compartilhar automóveis. “Encontrei-me na internet com este modelo de negócios que implica compartilhar automóveis. O mais interessante é que promove a redução da quantidade de veículos nas ruas”, destacou Barroso. Sua empresa, com sede em São Paulo, decidiu apostar em um sistema simples de aluguel de automóveis 24 horas por dia, sete dias por semana, por um breve período. Após três anos de funcionamento, passou de apenas dez veículos e 74 clientes registrados para 60 carros e quase dois mil clientes. Na última década, 1,2 milhão de novos automóveis ocuparam as ruas paulistanas, cujos engarrafamentos de vários quilômetros chegam a paralisar a cidade nos horários de pico, segundo o Departamento Estadual de Trânsito. “Os clientes se registram pelo próprio site, ou por telefone, e obtêm um cartão e podem acertar o horário e o dia que necessitam pelo mínimo de uma hora e o máximo de sete dias. A empresa se encarrega da manutenção e do combustível”, explicou Barroso. Em agosto de 2012, um estudo feito pela Zazcar concluiu que, para cada automóvel da empresa, seis eram retirados das ruas. “Cerca de 25% de nossos clientes venderam pelo menos um de seus carros”, contou. O sistema de carsharing é a prova de que há espaço e potencial para o crescimento deste modelo de consumo colaborativo. Barroso afirmou que o faturamento anual da empresa aumentou 180%. “Os usuários aderem cada vez mais ao sistema. No começo houve uma certa resistência dos consumidores, mas o “boca a boca” motivou muita gente. A receptividade foi unânime”, destacou. Este sistema favorece muitos motoristas que percorrem até 12 mil quilômetros por ano e são a maioria dos proprietários de automóveis. Segundo Barroso, é possível economizar entre R$ 500 e R$ 800 por ano. “Este modelo está começando, e tem potencial para crescer, mas ainda falta evoluir mais no consumo colaborativo a partir dos bens dos próprios usuários. Tende a evoluir a partir das novas tecnologias, que permitem à pessoa se conectar com outras de uma maneira simples. Assim, se facilita a busca, as compras e os serviços”, ressaltou. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS. LINKS A troca navega contra a crise Revolução das bicicletas completa cinco anos em Paris A ecomobilidade ganha terreno, passo a passo Reciclagem à base de troca na capital mexicana O regresso da troca ao Zimbábue, em espanhol DescolaAi.com Zazcar BuscaLá   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  


por Fabíola Ortiz*
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Cuba: Venda de orquídeas em busca de sua preservação Honduras: Energia eólica chegará a 1.200 megawatts Brasil: Plataforma digital facilita gestão de resíduos sólidos   ******************************************* CUBA - Venda de orquídeas em busca de sua preservação Havana, 14 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O Jardim Botânico Orquidário de Soroa começará este ano a produção com fins comerciais de orquídeas para reduzir a depredação humana dessas plantas exóticas, que crescem nessa localidade da província cubana de Artemisa, vizinha a Havana. “Já temos aprovação para produzir e vender orquídeas e outras plantas ornamentais”, contou José Lázaro Bocourt, diretor geral do parque natural que oferecerá 11 novos serviços. “Queremos ser rentáveis para cumprir a meta principal: ampliar o acesso a estes exemplares para que diminua o número de pessoas que os arrancam e levam embora”, explicou ao Terramérica. Segundo Bocourt, “cada vez que alguém leva uma orquídea, provoca um desequilíbrio nesse ecossistema. Nossas coleções sofrem o impacto dos depredadores”, acrescentou a respeito do jardim cubano especializado na proteção destas plantas. Os que adquirem uma delas também contribuem para conservá-la e reproduzi-la, disse o diretor sobre o objetivo principal do projeto. A instituição oferecerá orquídeas nas duas moedas que circulam no país, mas enfatizará a venda em pesos para cubanos, o mais acessível para a população nacional. Envolverde/Terramérica   ******************************************* HONDURAS - Energia eólica chegará a 1.200 megawatts Tegucigalpa, 14 de janeiro de 2013 (Terramérica).- O governo de Honduras aposta em gerar nos próximos dois anos cerca de 1.200 megawatts (MW) de eletricidade a partir de fonte eólica, informaram as autoridades da Empresa Nacional de Energia Elétrica (Enee). Emil Hawitt, gerente da Enee, disse ao Terramérica que esta geração de eletricidade começou com o início do funcionamento da usina eólica na região de Cerro de Hula, ao sul de Tegucigalpa, onde são gerados 102 MW, e que, após a ampliação do projeto, serão incorporados mais 24 MW em outras áreas do país. A isso se soma o investimento que uma empresa privada fará na região sul do país para gerar, em média, 90 MW, dos quais os primeiros 45 começarão a ser gerados em meados deste ano. Hawitt explicou que as zonas central, sul e oeste do país foram identificadas como as que apresentam melhores condições para promover a energia eólica. Envolverde/Terramérica   ******************************************* BRASIL - Plataforma digital facilita gestão de resíduos sólidos Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2013 (Terramérica).- A Rede Resíduo, uma plataforma digital desenvolvida pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, busca organizar o mercado de resíduos sólidos no Brasil, conectando seus produtores, recicladores e outros elos da logística reversa. O objetivo é ajudar empresas e pequenas prefeituras a cumprirem exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos, uma lei sancionada em 2010 que obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a criar um sistema para reciclar os dejetos. “O sistema funciona como uma bolsa de mercadorias e serviços. Os produtores registram o material que querem vender, trocar, doar ou destinar e as empresas que buscam materiais para seus processos, ou recicladores, expressam seu interesse pelo negócio”, explicou ao Terramérica Francisco Luiz Biazini Filho, um dos criadores do projeto. “Os geradores de resíduos ganham com a venda do material e com a economia em seu destino final”, ressaltou. Envolverde/Terramérica   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.  

Aproximadamente 80% das florestas da Guiana permanecem intactas. Foto: Desmond Brow/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – O filão do baixo carbono

[caption id="attachment_74195" align="alignleft" width="300" caption="Aproximadamente 80% das florestas da Guiana permanecem intactas. Foto: Desmond Brow/IPS"][/caption] O modelo da Guiana de criar uma economia baixa em carbono já apresenta resultados positivos. Roseau, Dominica, 7 de janeiro de 2013 (Terramérica).- Imagine a Guiana sem florestas nem rios, ou Antiga, Barbados e Santa Lúcia sem praias. Atherton Martin, um conservacionista que foi ministro da Agricultura da ilha de Dominica, diz que a mudança climática deveria obrigar os países caribenhos a reverem seriamente a maneira como manejam seus recursos naturais, do contrário desaparecerão. “Os princípios da mudança climática nos dizem, em essência, que, quando nossos sistemas de recursos naturais enfraquecerem ou forem destruídos pelo aquecimento global, nossa economia se destruirá”, disse ao Terramérica. No entanto, nem tudo é negativo. Martin acredita que a mudança climática tem potencial para beneficiar as nações caribenhas em dois aspectos. Em primeiro lugar, obrigando a mudar a mentalidade de reação diante dos fatos por outra de atuar e levar a transformações. Em segundo, permitindo que os governos construam economias mais sólidas mediante o acesso a milhões de dólares em financiamento climático. Por exemplo, a decisão da Guiana de se converter em uma economia baixa em dióxido de carbono (CO2) já atraiu mais de US$ 70 milhões em créditos desse gás-estufa para proteger 10% de seus sistemas florestais. “Eles esperam atrair mais de US$ 250 milhões durante este ano. E este é apenas um acordo de créditos de carbono e de valorização do sequestro desse gás, realizado com um único país, a Noruega”, enfatizou Martin. Em julho de 2009, a Guiana lançou sua estratégia de baixo carbono para promover o desenvolvimento econômico combatendo, ao mesmo tempo, a mudança climática. Na época, o presidente Bharrat Jagdeo propôs a criação de uma plataforma na qual as nações em desenvolvimento como seu país não fossem vistas como simples receptoras de ajuda, mas como sócias na busca por soluções climáticas. Uma economia baixa em carbono é aquela em que as atividades produtivas são concebidas de modo a reduzir a quantidade de dióxido de carbono, que de outro modo iria para a atmosfera, e na qual todas as ações e os estilos de vida buscam minimizar os efeitos da mudança climática. Aproximadamente 80% das florestas da Guiana, equivalentes a cerca de 15 milhões de hectares, ainda estão intactos. Um estudo científico encomendado pelo governo estimou que este país poderia obter US$ 580 milhões por ano se voltando para atividades que podem destruir essas florestas, enquanto o valor econômico que tem para o mundo mantê-las em pé equivaleria a US$ 40 bilhões. Jagdeo defendeu que as florestas da Guiana são um bem mundial, lar de pelo menos oito mil espécies vegetais e animais que as tornam uma das zonas mais biodiversas do planeta. Estas florestas também atuam como sumidouros que absorvem CO2, o principal gás dentre os que contribuem para o aquecimento global. Mediante incentivos econômicos apropriados para manter baixo o desmatamento, a Guiana poderia evitar emissões globais de dióxido de carbono equivalentes a 1,5 gigatonelada por ano. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou em 2012 um projeto para fortalecer a estratégia de baixo carbono da Guiana, por um valor próximo dos US$ 6 milhões para sua implantação, que se somam a mais de US$ 1 milhão entregues a esse país pela Noruega para os trabalhos preparatórios. O fundo de investimentos da Guiana para a Redução de Emissões Causadas por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD+) foi estabelecido em outubro de 2010 para financiar projetos desta estratégia de baixo carbono. O projeto vai fortalecer a capacidade técnica e administrativa das instituições responsáveis por implantar a estratégia, e também desenvolverá um sistema de monitoramento, relatórios e verificação em nível nacional. A sociedade REDD+ entre Noruega e Guiana é a segunda maior do mundo, segundo o governo guianense. Martin informou que há negociações com o Banco Mundial, a Organização dos Estados Americanos, outras instituições financeiras e a Organização das Nações Unidas (ONU) que podem permitir que os países caribenhos obtenham financiamento por suas atividades para alcançar a resiliência climática. Estes países “poderiam valorizar seus recursos naturais a partir do sequestro de carbono, e depois converter a propriedade desse sequestro em dinheiro, como está fazendo a Guiana, ou convertê-la em um espaço maior para negociar redução de dívidas e mais empréstimos brandos”, argumentou Martin. O advogado Bernard Wiltshire, presidente e fundador da Waitukubuli Ecological Foundation, com sede em Dominica, também acredita que é necessária uma nova mentalidade. Os países do Caribe devem criar indústrias apropriadas” e praticar o “tipo de turismo adequado”, afirmou ao Terramérica. “Dominica poderia ter um setor turístico superando, de longe, o de Antiga. Esta tem sol, areia e mar, mas Dominica tem tudo isso e muito mais”, opinou Wiltshire. “Todo o mundo diz que é necessário sol, areia e mar, mas ignoram o turismo de natureza, de aventuras, o patrimonial e o de bem-estar”, acrescentou. “Estes setores estão crescendo. Descansar e beber rum debaixo de uma palmeira está saindo de moda. O negócio turístico caribenho está decaindo porque competimos com países maiores. Os turistas estão indo para muito mais longe, querem mais aventuras”, destacou. As novas atrações são o sudeste asiático e as selvas da Birmânia. Contudo, “Dominica tem sua própria selva caribenha aqui mesmo”, que poderia atrair milhares de pessoas em busca de aventuras na selva, pontuou Wiltshire. Martin lamentou que uma região como esta, com tantas oportunidades extraordinárias, tenha economias empobrecidas. “São países com orçamentos nacionais de US$ 600 milhões anuais. Se conseguirem atrair em um ano ou dois a metade dessa quantia, ou mesmo mais, convertendo o trabalho silencioso de nossos sistemas naturais em dólares da comunidade financeira internacional, estará fora de perigo”, ressaltou. O especialista disse que o Caribe pode transformar a si mesmo muito rapidamente, apenas adotando o enfoque de resiliência climática de seus sistemas naturais, como resultado do entendimento do quanto é vulnerável e, portanto, do quanto é vital reorganizar a forma como maneja seus recursos. “Está disponível o conhecimento para fazer os cálculos que permitam que o resto do mundo comece a nos recompensar por conservarmos nossas florestas, nossos arrecifes, sistemas hídricos, etc.”, indicou Martin. “Esta é a simples resposta à pergunta óbvia que nos faz a mudança climática. Nos diz: senhores, vocês têm opções. E sabem do que mais? Pela primeira vez a opção é uma vantagem para pequenas ilhas como as nossas”, concluiu. Envolverde/Terramérica * O autor é correspondente da IPS.   LINKS Frente regional amazônica para a emergência climática Seguros ambientais contra a mudança climática A guerra do Caribe Caribe mobiliza fundos para plano de resistência, em espanhol Caribe se assegura frente à mudança climática, em espanhol   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Desmond Brown*
A mecanização é um dos fatores do setor açucareiro que exigem modernização. Foto: Jorge Luis Baños/IPS Ambiente

TERRAMÉRICA – Açúcar em busca de espaço

[caption id="attachment_74204" align="alignleft" width="300" caption="A mecanização é um dos fatores do setor açucareiro que exigem modernização. Foto: Jorge Luis Baños/IPS"][/caption]  A cana-de-açúcar é pródiga em derivados para atender as indústrias alimentar, química, farmacêutica e biotecnológica. Havana, Cuba, 7 de janeiro de 2013 (Terramérica).- A indústria açucareira de Cuba parece renascer no contexto de uma modernização econômica, que permitiu ampliar a entrada de capital estrangeiro como parte de uma estratégia para fortalecer e diversificar a produção deste setor. “Há uma recuperação, um despertar na produção de cana-de-açúcar e derivados”, disse ao Terramérica o especialista Liobel Pérez, do grupo empresarial Azcuba, criado há pouco mais de um ano para substituir o outrora poderoso Ministério do Açúcar, e que porá à prova sua capacidade neste ano, com novas formas de gestão. Os investimentos estrangeiros na indústria açucareira limitavam-se a umas poucas empresas de derivados. Sua ampliação na produção de açúcar foi uma inovação em 2012. “São dois investimentos importantes que complementam as medidas que permitem o crescimento sustentado da produção”, afirmou Pérez. O funcionário se referia à assinatura de acordos com a brasileira Companhia de Obras e Infraestrutura (COI) – subsidiária do poderoso grupo Odebrecht, que tem investimentos em outras áreas da economia cubana – e com a britânica Havana Energy, durante a última Feira Internacional de Havana, em novembro de 2012. O contrato entre a COI e a Empresa Açucareira Cienfuegos, parte do grupo Azcuba, é para a administração conjunta, durante 13 anos, da “central” (engenho) 5 de Setembro, localizada na província de Cienfuegos, 232 quilômetros a sudeste de Havana. Pérez confirmou que a sócia brasileira investirá em mecanização agrícola para elevar o rendimento e em tecnologia para o processo industrial. Com sua injeção de capital, espera-se otimizar recursos humanos e industriais para que o engenho de Cienfuegos possa elevar sua produção até 90 mil toneladas por safra para as quais foi projetado, das 25/30 mil que produziu nos últimos anos. O outro negócio importante é a criação de uma empresa mista entre a Zerus S/A, subsidiária da Azcuba, e a Havana Energy para construir uma usina geradora de eletricidade por biomassa em áreas vizinhas à central Ciro Redondo, na província de Ciego de Ávila, no centro do país. Para isto serão investidos entre US$ 45 milhões e US$ 55 milhões e a geração elétrica começará em 2015. Durante a safra será usado como biomassa o bagaço da cana processada, e no restante do ano a matéria-prima será o marabu, um arbusto que cresce em áreas agrícolas ociosas do país. Estão em estudo outros projetos de investimento estrangeiro sob a forma de administração conjunta, que parece ser preferida por Cuba para os engenhos de açúcar. Também são analisadas “outras possibilidades de empresas mistas, fundamentalmente nos setores da energia e dos derivados”, informou Pérez. A cana é pródiga em derivados para atender as indústrias alimentar, química, farmacêutica e biotecnológica. A lista de subprodutos inclui alimentos para animais, resinas, conservantes, plásticos e insumos para fábricas de papel e de móveis. “Cuba tem uma cultura açucareira de mais de 400 anos, recursos humanos capacitados, instalações, terras, centros de pesquisa com seus resultados científicos, infraestrutura e organização, mas carece de tecnologia e, sobretudo, de dinheiro para comprá-la”, analisou Pérez. Para ele, o mais importante é que existe uma nova visão sobre como recuperar o setor. Neste aspecto, agora se pode falar de um crescimento sustentado da produção de açúcar, ressaltou. No entanto, o especialista evitou apresentar estimativas sobre a colheita 2012-2013, que começou em novembro de 2012, com a chamada safra pequena e se estende até maio com participação escalonada de 50 engenhos. Mas, disse que espera um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Outras fontes próximas ao setor açucareiro disseram que a safra atual tem cana suficiente para produzir 1,8 milhão de toneladas, embora o plano seja produzir pouco mais de 1,6 milhão. O açúcar continua sendo o produto líder, mas não o único, desta indústria que até o final do século 20 foi locomotiva da centralizada economia cubana. Por isso, as projeções incluem aumentar derivados, como eletricidade a partir do bagaço, álcoois e alimento animal. Segundo Pérez, é evidente o êxito de medidas como a melhor organização produtiva e uma crescente autonomia financeira. O especialista também mencionou a chegada a tempo de insumos, desde fertilizantes e herbicidas até peças de reposição e equipamentos industriais. A transformação do órgão açucareiro, de ministério em grupo empresarial, permitiu uma autonomia que favorece a tomada de decisões. A Azcuba é uma das entidades estatais que a partir deste mês estarão funcionando, inicialmente de modo experimental, com novas formas de gestão empresarial, neste caso para se recapitalizar por si mesmas, sem esperar ajuda do Estado. As autoridades acreditam que nesta empresa se poderá provar como funciona a cadeia produtiva, pois opera desde a matéria-prima até as exportações. “A revitalização deste setor é uma notícia muito boa para nosso país, pois o açúcar continua sendo garantia de créditos internacionais e as vendas externas deixam uma renda segura”, enfatizou ao Terramérica um economista especializado. De sua produção anual, Cuba deve exportar 400 mil toneladas para a China e atender seu consumo interno com 550 mil a 700 mil toneladas. Envolverde/Terramérica * A autora é correspondente da IPS.   LINKS Açúcar cubano dá sinais de vida Investimentos estrangeiros ainda não chegam ao engenho - 2008, em espanhol Instituto Cubano de Pesquisas dos Derivados da Cana-de-Açúcar, em espanhol Havana Energy, em inglês Odebrecht, em português, espanhol, inglês e francês   Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


por Patricia Grogg*

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