1139 O mar de tubarões e a economia criativaA busca ansiosa por um emprego público, por meio de concursos, retrata um aspecto importante do mercado de trabalho. Cada vez mais pessoas procuram oportunidades que lhes tragam segurança, estabilidade, permitindo-lhes uma perspectiva de longo prazo. É uma atitude praticamente natural, porém um pouco preocupante.

A disputa pelas melhores vagas de emprego na iniciativa privada deixa muita gente boa de fora, é verdade, e a cobrança por desempenho ao longo do tempo provoca tensão e estresse, também é verdade. Mas a febre do concurso público pode conter uma característica importante: pouco espírito empreendedor, aversão a riscos.

O brasileiro empreendedor prova, no mercado, a duras penas, que não desiste nunca. A luta pela ascensão gera, muitas vezes, um ambiente inóspito.  Chega a ser uma arena, à qual adentram os mais corajosos, e não é muito delicada com os inexperientes, os novatos. O mundo dos bons negócios do presente é território de peixe grande, próprio para quem tem bala na agulha. Para empreendedores pequenos faltam estímulo e financiamento adequado, além de informações e outros fatores. Aqueles que carregam fantasias demais e lastro de menos na bagagem se deixam assustar pelas chances de dar errado. Uns poucos remam contra a maré de incertezas, deixando-se levar pela chance de dar certo.

No início de um novo negócio, há pouca margem de manobra. Neste momento, os erros custam muito caro. Leis complexas, duras, o custo da folha de pagamento, falta de financiamento e a carga tributária são reflexos da falta de políticas públicas estimulantes.  O pequeno empreendedor, num mar de adversidades, pode ser engolido pelos tubarões ou devolvido à praia por uma onda mais forte.

Os bons negócios tradicionais estão ocupados, águas de tubarões. Empreender, agora, significa inovar, criar. É a hora dessa “juventude mostrar seu valor” e criar os bons negócios do futuro. É a hora da tal da economia criativa, espaço onde se misturam conhecimento, informação, serviço, entretenimento e se oferecem opções para uma gente que tem cada dia mais tempo disponível e está disposta a pagar cada vez mais por uma “ experiência”. Não há, ainda, tubarões nessas águas.

Reconhecer quem fez algo nessa área pode significar o estímulo que falta para outros tomarem a iniciativa e se lançarem ao mar de oportunidades dessa “nova economia”. Ganhar ou perder não conta, tanto faz, necessário é viver. Navegar é preciso.

O segmento de grandes eventos musicais, marcado antes pela informalidade, mesmismo e baixa qualidade dos serviços, sem falar no desconforto e insegurança do público, é palco do exemplo de empreendedorismo. Enio Cabral, Pedro Neto, Alexandre Frota e Carvalhinho são protagonistas de uma iniciativa vitoriosa que merece atenção. O Siriguella é um fato relevante da economia cearense. Já tem um passado de vitórias, precisa ser estudado no presente. Seu exemplo pode jogar luz no futuro.

* Israel Araújo – e-mail: israelaraujo@israelaraujo.com.br -  twitter: israelaraujorh.

(Diário do Nordeste)

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