A “crise” do desemprego foi, de fato, uma oportunidade de conhecer melhor a si mesmos e reavaliar suas prioridades para levar um vida mais satisfeita e feliz.

113 300x200 O lado bom de ser demitidoNão há dúvida de que perder o emprego pode ser uma experiência difícil. Mas o choque também pode ter o seu lado positivo. Pelo menos, é isso que afirma uma pesquisa recente que analisou as experiências de gerentes que foram demitidos, nos Estados Unidos e na Austrália.

O retorno dos participantes foi surpreendente. Segundo eles, o fato de perder o emprego lhes deu um renovado interesse em viver de acordo com seus valores. A “crise” do desemprego foi, de fato, uma oportunidade de conhecer melhor a si mesmos e reavaliar suas prioridades para levar uma vida mais satisfeita e feliz.

O mais interessante da pesquisa, segundo Amy Kenworthy, professora de administração da Universidade de Bond, na Austrália, é que todos os entrevistados falaram sobre os aspectos positivos associados à perda de emprego. Em outras palavras, o choque lhes deu a oportunidade de refletir sobre o que querem da vida.

Kenworthy afirmou que sua pesquisa foi exploratória e focada especificamente nas experiências daqueles que tinham cargos relativamente altos, portanto, os resultados não representam, necessariamente, a experiência de todos. Um dos focos do estudo foi refletir sobre a maneira como as pessoas acabam divorciando-se gradualmente de seus valores pessoais, enquanto sobem na escada corporativa. A pesquisa revelou que para muitos o conforto da rotina dá espaço para a inércia tomar conta.

O abalo da perda do emprego pode ser de fato algo bastante útil para as pessoas. “É normal ficar zangado, triste, com medo e frustrado,” afirmou Amy. Mas ao invés disso, os resultados mostraram que os entrevistados não supervalorizavam a perda, mas sentiam o desejo de, a partir daquele ponto, levar suas vidas com mais autenticidade e integridade, mesmo que isto significasse renunciar a certos benefícios corporativos ou a um salário relativamente alto.

Quanto às novas prioridades, os entrevistados se encaixavam em três categorias claras: o desejo de uma qualidade de vida mais alta, a vontade de ter mais tempo para a família e amigos, e um trabalho mais significativo que contribuísse para a sociedade de alguma forma. “As pessoas diziam coisas como: eu não sabia o quão tóxico o meu ambiente de trabalho era”, comentou Suzanne Janasz, professora de desenvolvimento da liderança na escola de negócios IMD, na Suíça.

Ainda assim, a pesquisa aponta que é importante ajudar funcionários que foram demitidos recentemente a encontrar os seus caminhos. Por isso, para amenizar a queda, as pesquisadoras recomendam que as empresas ofereçam oficinas para ajudar os ex-funcionários a avaliar e priorizar os seus valores, ao invés de simplesmente atualizar seus currículos e redigir cartas de recomendação. Mais amplamente, os resultados foram um lembrete útil, de que até momentos de recessão têm o seu lado positivo.

“Há algo que podemos tirar da cultura chinesa: o conhecimento de que a crise pode significar oportunidades”, afirmou Kenworthy. “Nós não encaramos as coisas dessa maneira, mas talvez devêssemos.”

* Texto traduzido e adaptado da CNN.

** Publicado originalmente no site As Boas Novas.

(As Boas Novas)

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