
Alunos da Oregon Epischopal School, localizada nos arredores de Portland (USA), que não utiliza mais currículos.
“Ser” é melhor que “pensar”. Assim como “fazer” vale mais que “pensar”. Sinto um misto de preguiça e frustração quando leio artigos sobre educação clamando para que a velha escola seja repensada – excitados pelas avaliações frustrantes do Ideb . Um exercício meramente ególatra.
A escola é repensada continuamente desde que o modelo iluminista, e posteriormente fordista e politécnico, de ensino e currículo se fizeram presente. São toneladas de pesquisas e teorias forjadas na solidão das salas de universidades. O universo da educação formal, e das faculdades de pedagogia, é majoritariamente composto por pensadores e pesquisadores. Pensar e repensar são suas especialidades. Transformar, não. Eis a questão.
Por exemplo, o MEC propôs semana passada para o Ensino Médio algo prosaico em termos de pensamento, mas inovador na prática: um modelo matricial, e não curricular de ensino. Isso significa que as disciplinas se mesclariam estimulando a elaboração de projetos interdisciplinares pelos alunos. Ora, a chamada “pedagogia de projetos” é algo criado por John Dewey no começo do século passado! Colocá-la em prática é a grande novidade – pensá-la, não.
O Schumacher College, em Londres, e a Oregon Episcopal School, nos arredores de Portland (EUA) não têm currículo há muito tempo. Trabalham por projetos e estão entre as instituições mais renomadas e respeitadas do mundo. No Brasil, ignorado pela grande mídia, o tal Ensino Médio Inovador já está presente desde 2009 em mil escolas com Ideb abaixo da média.
Fico menos animado ainda quando percebo que o PNE (Plano Nacional De Educação), algo elementar para a melhora do ensino, está com votação truncada na Câmara e que os sindicatos já chiaram quando souberam da proposta do MEC. Começa a ir por água abaixo uma implementação que poderia, juntamente com outros ajustes, dar uma guinada no Ensino Médio a favor dos que têm mais interesse nele: o estudantes.
Por trilhas alternativas, projetos bem implementados de produção de comunicação por alunos em escolas têm o poder de transformá-las. Esses são realidade em mais de três mil escolas públicas do Brasil – não vi até agora um aferimento de qualidade por parte do MEC ou institutos ou uma reportagem na grande mídia sobre eles.
A última pesquisa que tive notícia, o Aprova Brasil, do Unicef, mostrou que escolas que se aproveitavam do fazer comunicativo obtinham Ideb acima da média porque estimulavam a participação da comunidade nas decisões escolares.
Nesses casos, não se trata de fórmula mágica ou grandes exercícios mentais. Trata-se de aproveitar o que de melhor o estudante faz fora da sala de aula, vídeos e textos com celulares e redes sociais, e colocá-los a favor da aprendizagem. Nesse sentido, uma recente pesquisa nos Estados Unidos surpreendeu: segundo a Child’s Mercy, 83% dos pais entrevistados, apesar dos receios recorrentes das redes sociais, aprovavam seu uso como importante na educação dos filhos.
Repensar a escola não causa impacto algum à educação. Refazê-la, sim; e isso implica em experimentar. Para medir os resultados são necessários anos, talvez gerações, afinal impacto educacional não se mede da noite para o dia. E uma escola experimental pode facilmente ser refutada pelo seu público, em geral conservador e avesso a experimentalismos – mas que adora “repensar” a educação de seus filhos.
A pergunta que fica é: estamos realmente prontos para uma nova escola, na prática?
* Alexandre Sayad é jornalista especializado em direitos humanos, colaborou com O Estado de S. Paulo e Rádio Eldorado, e coordena programas de Civic Midia, com a Universidade de Harvard.
** Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
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Todo professor de ensino básico sabe disso, mas nunca é consultado. Vem tudo de cima para baixo, decidido por políticos e não por educadores. Faltou dizer que o psdb acabou com a escola pública (assim como acabou com o Estado de São Paulo) nesses 17 anos e meio de (des)governo. O serra e o alckmin estão segurando as aposentadorias dos professores por mais de 2 anos. E ninguém toma providências!
Deixando o descaso do governo um pouco de lado,pois esse já é um fato comprovado, eu faço aqui uma pergunta básica.Os professores estão mais preocupados com a qualidade do ensino,no nível do aprendizado dos alunos, em sua capacitação, ou apenas lutam por aumento dos salários?
Em toda minha vida tenho acompanhado discursos da classe docente ,criticando as aprovações automáticas, as salas multiseriadas, entretando nunca ví uma paralização apenas para reinvidicar essas mudanças.É sempre, salário !