falklands uk argentina nationalturk 0333 Falkland (Malvinas)Viajar é uma das coisas boas da vida. Há dias fiz um cruzeiro entre Buenos Aires e Santiago do Chile.

Uma das paragens foi em Falkland Islands, território britânico ultramarino, afastado da Grã-Bretanha 12.800 quilômetros e do litoral da Argentina somente 550 quilômetros, denominada pelos argentinos de Ilhas Malvinas, de onde trago lembranças oportunas para o momento. Falkland, dito país “independente”, talvez por ter bandeira, moeda, governo autônomo e outras filigranas jurídicas, é habitada por pouco mais de três mil habitantes, em sua maioria de origem britânica, e mais de um milhão de pinguins.

Ao pagar uns postais e selos, o fiz com pesos argentinos e tive como resposta um olhar gravoso e condenatório, de uma atendente, de mais ou menos uns 80 anos. Não compreendendo, respondi que podia dar-me o troco em moeda local ou outra, ou até mesmo ficar com o troco (considerando o pequeno valor). A senhora respondeu, britanicamente, curto e grosso, fazendo lembrar-me a dama de ferro, Sra. Thatcher: “Qualquer moeda, inclusive o real”. Senti que havia pisado em calos.

Em seguida fui visitar a Catedral (Christ Church Cathedral). Quando entro em um templo religioso, independente da religião, o faço especialmente para renovar minha prece pela paz. Minha paz, paz de meu semelhante, paz entre nações. Na igreja de Stanley, menor capital do mundo, deparei-me com o culto à guerra feita por bandeiras, medalhas e placas. Paz naquela ilha encontra-se nos pacíficos pinguins. O homem ainda tem muito que aprender com os animais.

Hoje as manchetes voltam a trazer-nos a polêmica entre a Inglaterra e a Argentina sobre as referidas ilhas. Anguilla, Bermudas, Cayman, Turks e Caicos, Gibraltar, etc. são também territórios britânicos ultramarinos, lembranças do tempo das colônias, piratas, escravidão. Hoje, a grande maioria de tais territórios é de paraísos fiscais ou financeiros. Hong Kong também já foi um território ultramarino inglês.

Como o assunto voltará às Nações Unidas, rogo para que a irracionalidade e a bestialidade humana não voltem a ser praticadas. Por que não entregar aos alegres pinguins, os verdadeiros moradores, o destino das ilhas? As Nações Unidas devem ser repensadas. O poder decisório sobre áreas de conflito internacional, sem história de etnias humanas e que sejam vitais para a proteção ambiental, do ser vivo, não podem ficar ao sabor da cor da bandeira. Os territórios da Antártica como as Ilhas Malvinas são bons exemplos para a prática de uma nova política universal, sem nacionalismos ou cores religiosas.

Quem sabe um dia eu possa voltar, levar minhas netas para ver os brincalhões pinguins, descendo não na Ilha Soledade (nome da principal ilha, onde fica a capital), já com novo nome: Ilha da Paz, santuário internacional de todas as crianças. A nova bandeira bem podia ser toda branca.

É preciso semear paz.

* Valdemiro A. M. Gomes – valdemiro@interconect.com.br.



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