Mesmo com o progresso da ciência e suas conquistas, na prática, ainda estamos longe de adotar atitudes sustentáveis que contribuam para a saúde e bom funcionamento dos sistemas dos quais dependemos e de criar as condições necessárias para que eles se mantenham. Em geral, não relacionamos o que sabemos ao como fazemos. Esta fragmentação é uma herança marcante da nossa cultura e nos leva a separar conhecimento de atitudes. E o resultado disso, como bem explica Otto Scharmer, é que “criamos coletivamente resultados que ninguém deseja”.
Esse modelo é replicado em nossas escolas e, por isso, é importante que a mudança para um modelo de vida sustentável comece por elas. Para desenvolver em jovens e adultos a compreensão individual e coletiva necessária para criar um futuro sustentável, precisamos identificar limites inegociáveis dos sistemas dos quais dependemos e reconhecer que não podemos contrair débitos ambientais, sociais e econômicos que não possam ser quitados pela nossa geração.
Precisamos entender a dinâmica natural dos locais em que vivemos e cultivar a manutenção de uma base local de recursos, da qual todos dependemos e pela qual todos somos responsáveis. Devemos também reconciliar os conflitos que existem entre nossos direitos individuais e nossa responsabilidade como cidadãos com a sobrevivência e o direito de todos.
Minha experiência com educação para sustentabilidade no ensino superior, ao longo do desenvolvimento e implantação do Programa Metodista Sustentável, permite-me afirmar que a mudança é possível e necessária. Sustentabilidade motiva alunos e professores a pensarem fora da caixa, a buscarem conexões entre conhecimento, responsabilidade individual e coletiva, e ações, a enxergar nossos modelos mentais e seus limites, e a ousar buscar novos caminhos. É uma prática que enriquece a aprendizagem, estimulando o compartilhamento democrático, porque nasce de uma busca comum de todos e para qual ainda temos poucas respostas.
É por tudo isso, que vejo com alegria, esperança e imensa curiosidade o lançamento do Santander Práticas de Educação para Sustentabilidade. Minha alegria está fundamentada no reconhecimento e no espaço aberto para a educação superior nesse concurso promovido pelo Banco Santander. Já a esperança, nos resultados que certamente surgirão, aliados à possibilidade de divulgação e replicação dos bons exemplos. E minha imensa curiosidade, na possibilidade de identificarmos juntos os sinais deste futuro que está emergindo e criarmos um novo panorama na educação, apto a responder muitas das indagações e desafios que vivemos.
* Waverli Maia Matarazzo-Neuberger é professora doutora da Universidade Metodista de São Paulo e coordenadora do Programa Metodista Sustentável.
** Publicado originalmente no site Espaço de Práticas de Sustentabilidade e retirado do site Mercado Ético.
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