Clovis Fabiano Ampliando a Competitividade CLV 2235 02 Conferência Ethos: Coerência entre discurso e prática é o desafio de empresas brasileiras no exterior

Na foto, Cristiana Lobo (GloboNews) em pé. Sentados, Guilherme Montoro (BNDES), Jorge Abrahão (Ethos), ministro Gilberto Carvalho, José Antonio Carvalho (Sec. Rel. Exteriores) e Beatriz Rodrigues (Caixa) / Foto: Clovis Fabiano

 

Necessidade decorre da cada vez maior transnacionalização das corporações nacionais.

As ações das empresas brasileiras que se instalam no exterior precisam refletir o ideal de desenvolvimento sustentável que permeia os discursos de governo, sociedade e corporações em território nacional. Este foi o mote da fala do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em um debate que abordou o tema “Ampliando a competitividade do País por meio de suas empresas transnacionais”, na manhã de ontem (3) durante a Conferência Ethos 2013.

O ministro destacou que, para que esta coerência exista, é preciso resolver problemas culturais que se tornam cada vez mais latentes. “Fizemos um trabalho de grande inclusão social no últimos anos. São cerca de 40 milhões de novos consumidores que seguem a lógica de ‘sou feliz porque eu consumo’. Isso causa um estresse nos centros urbanos. Aumenta o volume de carros, de pessoas e de demandas. É preciso estimular um novo modelo de desenvolvimento. E muito fácil falar de sustentabilidade e a nossa vida ser uma enorme contradição com aquilo que nós afirmamos”, apontou.

Questionado sobre a postura do governo de conceder isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) às montadoras de automóveis, o ministro ponderou que “é um processo de transição. O governo precisa ser indutor de um novo modelo, mas não pode deixar de prever as necessidades da população, como a geração de empregos e a provisão de energia, o que resulta na necessidade de obras como Belo Monte e medidas como a isenção”.

Mesmo com pontos que podem ser melhorados, Carvalho destacou a relação das empresas transnacionais com os países onde se estabelecem como virtuosa, opinião que foi compartilhada pelo embaixador do Brasil na Venezuela, José Antônio Marcondes de Carvalho. “Ao absorver a mão de obra local, nossas empresas se tornam indutoras do desenvolvimento e deixam no país um legado que é o nosso modelo de negócio, de empreendedorismo e nossas técnicas, que são muitas vezes mais avançadas”, ressaltou.

O embaixador destacou o esforço feito pelo governo nos últimos anos em ampliar a presença das empresas brasileiras nos países da América Latina e África e as dificuldades que isso traz, já que a legislação desses países nem sempre é rígida nas questões socioambientais. Ele lembrou que “é complicado chegar lá e dizer que vamos cumprir as nossas leis porque são melhores que as deles”.

Responsabilidade empresarial - Ao falar dessa relação, o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, lembrou o acidente ocorrido recentemente em Bangladesh, no qual centenas de pessoas morreram pelo desabamento de um prédio. Tratava-se de trabalhadores de confecções ligadas a marcas famosas de todo o mundo, inclusive do Brasil. “É preciso entender qual é a responsabilidade do governo para que isso não ocorra”, disse. O anfitrião lembrou ainda a importância de que as empresas trabalhem no exterior com base em seus melhores padrões. “Não basta ser o melhor padrão no Brasil. Tem que ser o melhor padrão combinado. A América do Sul tem bons padrões na questão social. Já a Europa tem uma legislação bastante avançada na questão ambiental e os Estados Unidos no âmbito da transparência. É preciso compilar tudo isso. Uma ferramenta importante são os marcos regulatórios”, enfatizou.

Presentes na mesma mesa, que foi mediada pela jornalista Cristiana Lobo (GloboNews), a superintendente nacional de Operações Internacionais da Caixa Econômica Federal, Beatriz Vianna von Bentzeen Rodrigues, e o gerente do Departamento de Economia Solidária da Área Social do BNDES, Guilherme Montoro, lembraram que a atuação no exterior representa principalmente oportunidades para as empresas. Porém, essas oportunidades estão atreladas à responsabilidades.

Segundo Montoro, “o BNDES fomenta a internacionalização e contribui para dar maior competitividade para as empresas no exterior, mas elas têm que estar em dia com suas responsabilidades socioambientais”. Seguindo a mesma filosofia, Beatriz destacou que “a sustentabilidade está no DNA da Caixa e nós queremos levar isso para outros países. Queremos semear isso”.

* Publicado originalmente no site Conferência Ethos 2013.

(Envolverde)

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