Fico assustado com a quantidade de informação mal checada e precipitada que circula pelas redes sociais, principalmente em momentos de grande comoção. Fofoca sempre existiu, mas agora é transmitida em massa por conta das novas tecnologias da comunicação. As redes sociais, principalmente o Twitter, são plataformas que estão mudando o modo como nos comunicamos e fazemos fluir informação pela sociedade, alterando – consequentemente – as estruturas tradicionais de poder. Mas se elas ajudam a formar, também desinformam.
Com a ajuda de alguns colegas jornalistas, fizemos uma breve lista com dez conselhos para quem assume a função de distribuir notícias nas redes sociais. Alguns podem nos achar malas sem alça, outros bradarem que estamos fazendo o jogo de X ou de Y com essas regrinhas que tolhem a liberdade. Bem, prefiro acreditar que uma informação errônea ao ser divulgada pode causar um impacto negativo contrário maior do que sua intenção. Ou pior, com o tempo, a credibilidade de quem divulga sem checar tende a ir para o ralo. Como já disse aqui anteriormente, acredito piamente que um diploma não faz um jornalista, mas sim o comprometimento e a ética que a pessoa assume ao exercer essa função.
Os Dez Mandamentos para Jornalista nas Redes Sociais
1) Não tuitarás notícia sem antes checar a informação.
2) Não divulgarás notícias relevantes sem atribuir a elas fontes primárias de informação.
3) Tuítes “apócrifos”, sem fonte, jamais serão aceitos como instrumento de checagem ou comprovação.
4) Não esquecerás que informação precede opinião.
5) Não matarás – sem antes checar o óbito.
6) Lembrarás que mais vale um tuíte atrasado e bem checado que um tuíte rápido e mal apurado. E que um número grande de retuítes não garante credibilidade.
7) Serás assertivo apenas naquilo que tens certeza do que diz.
8 ) Não se esquecerás da apuração in loco, por telefone e/ou por e-mail.
9) Não terás pudores de reconhecer, rapidamente e sem poréns, o erro em caso de divulgação ou encaminhamento de informação incorreta.
10) Na dúvida, não retuitarás. Pois, tu és responsável por aquilo que repassas. Ou seja, se der merda, você é culpado.
* Publicado originalmente no Blog do Sakamoto.
(Blog do Sakamoto)[ ] Voltar
Aproveite e curta nossa página no facebook:
del.icio.us
Facebook
Twitter
LinkedIn
PDF
RSS





“Por conta de” vira praga
A infernal mania do “por conta e” está sufocando a higiênica expressão “por causa de
Josué Machado
(in http://revistalingua.uol.com.br/)
Por que será que tantas pessoas passaram a usar a expressão por conta de em vez da limpíssima e castiça locução por causa de? Talvez achem por causa de muito simples, quem sabe vulgar, pouco literária.
Por isso se ouvem ou lêem coisas como:
-”Por conta desse deixa-disso, somado ao preconceito, o projeto de parceria civil está encostado há dez anos, sem perspectiva de ser votado.”
- “Tudo por conta de dois moradores, que não quiseram mais a feira na rua em que moram…”
- “Ganhei uma úlcera gástrica por conta de quatro meses sem fumar.”
- “Por conta do calor, os vidros dianteiros estavam abaixados.”
Sem o modismo papagaial, deveria ser usada a locução conjuntiva perfeita para expressar causa – por causa de; ela aparece sempre antes de substantivo:
- “Por causa desse deixa-disso, somado ao preconceito,…”
- “Tudo por causa de dois moradores, …”
- “Ganhei uma úlcera gástrica porque fiquei quatro meses sem fumar.”
- “Por causa do calor, os vidros dianteiros estavam abaixados.”
Mais exemplos:
- Não marcou gols por causa do excesso de peso.
- O Brasil perdeu por causa da máscara.
- Os mensaleiros foram inocentados apenas por causa do corporativismo.
- O Ribeiro ficou encantado por causa da (ou com a) energia do rapaz.
Claro que o substantivo seguinte ao por causa de pode ser modificado por adjetivo ou qualquer determinativo.
Os mensaleiros não foram cassados apenas por causa do saudável corporativismo.
“Porque” causal
A mais característica das conjunções causais, no entanto, é “porque”:
- Ele será reeleito porque foi esperto.
- O PCC fez muitos estragos porque é organizado.
- Faz doze anos que o governo arrecada muito imposto porque gasta mal e demais.
Então, ficamos assim: a partir de hoje, ou de quando sua consciência assim o determinar, será adicionado ao seu conhecimento vernacular o futuro negativo do novo verbo PORCONTAR.
Este novo vocábulo tem origem na infernal mania do “por conta de” que hordas de repórteres, redatores, secretárias, chefes de departamento do pessoal, ou atualmente coordenadores líderes de RH, enfim, toda aquela gente que insiste em passar uma informação ao grande público.
Josué Machado, jornalista, craquíssimo em Português e crítico contumaz da estupidez que se abate sobre o jornalismo brasileiro, pergunta e tenta explicar: “Por que será que tantas pessoas passaram a usar a expressão por conta de em vez da limpíssima e castiça locução por causa de ? Talvez achem por causa de muito simples, quem sabe vulgar, pouco literária.
A praga do “por conta de”, corre-me a espinha cada vez que a ouço. Propus-me, então a combatê-lo da mesma forma como lutamos pelo banimento das expressões grúndicas, pelo “tá ligado?”ou pelo muito antipático “tipo assim”.
O combate, desta vez é mais incisivo e muito mais embaixo. Como disse lá em cima, construí um novo verbo que somente poderá ser conjugado em tempo futuro, na forma negativa para evitar tentações redatoriais.
Assim o verbo porcontar será cnjugado desta forma:
Eu não porcontarei
Tu não porcontarás
Ele não porcontará
Nós não porcontaremos
Vós não porcontareis
Eles não porcontarão
Se o prezado leitor concorda com a “higiênica expressão ‘por causa de’” (Josué Machado), por favor repasse este escrito àquelas mentes modernosas que usam o “porcontade”, mesmo que inadvertidamente.