A imagem que fazemos sobre as outras pessoas determina se estas irão ou não cooperar entre si, principalmente após a primeira impressão que se tem de alguém. “Isto é verdade, principalmente quando a primeira impressão é negativa”, diz Michael Kurschilgen, do Instituto Max Planck, autor de um estudo que buscou avaliar o comportamento cooperativo entre indivíduos. Os resultados mostram que aqueles que esperam que as outras pessoas ajam de forma egoísta acabam eles mesmos agindo desta forma.
Para chegar a estes resultados, Michael e seus colegas Christoph Engel e Sebastian Kube usaram um tipo de jogo de laboratório chamado “Jogo de Bens Públicos” – usado principalmente no campo da economia experimental – para colocar participantes das cidades de Bonn, na Alemanha, e Londres, na Inglaterra, em dilemas sociais. O objetivo era descobrir a influência da primeira impressão no comportamento dos participantes e até que ponto isso influenciaria no jogo.
Este tipo de jogo é criado em torno do dilema clássico de autointeresse e comportamento social: cada membro de um grupo de quatro jogadores recebe 20 fichas. Eles podem mantê-las para si ou investi-las em um projeto da comunidade. Cada jogador recebe quatro fichas no retorno para cada símbolo que investir no projeto da comunidade. Se todos os quatro membros do grupo investirem suas 20 fichas, cada um receberia 32 fichas no final, em outras palavras, 12 fichas a mais do que se todos guardassem o dinheiro para si. Mas se apenas três deles investissem seu dinheiro na comunidade, o quarto jogador – oportunista – receberia 44 fichas. Desta forma, ele lucraria com os investimentos feitos na comunidade. “Este é o dilema social criado pelo jogo. Seria melhor para a comunidade se todos investissem no coletivo”, explica Michael.
Houve diferenças significativas entre os resultados obtidos em Bonn e Londres. Enquanto apenas 43% dos membros do grupo londrino investiram no grupo, em Bonn, o valor chegou a 82%. Para Kurschilgen, os indivíduos que assumem que os outros agem de modo egoísta muito dificilmente são propensos a realizar atos altruístas. “Desse ponto de vista, os londrinos têm uma visão mais pessimista do homem do que os participantes em Bonn. Consequentemente, se uma pessoa decide se comportar de forma cooperativa ou não, isto vai depender muito de como essa pessoa pensa que os outros jogadores irão se comportar”, conclui.
* Com informações do Max-Plank-Gesellschaft.
** Publicado originalmente no site O que eu tenho.
(O que eu tenho)[ ] Voltar
Aproveite e curta nossa página no facebook:
del.icio.us
Facebook
Twitter
LinkedIn
PDF
RSS




