Um projeto de revitalização socioambiental desenvolvido conjuntamente entre indígenas e não indígenas vem trazendo bons resultados para oito aldeias guarani no Rio Grande do Sul. Chamado de Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani, o projeto promove ações de recuperação e conservação ambiental e etnodesenvolvimento em aldeias localizadas nos municípios de Porto Alegre, Viamão, Palmares do Sul, Riozinho, Maquiné e Caraá.
As ações desenvolvidas promovem a reconversão produtiva, recuperação de áreas degradadas e conservação de florestas e matas, abrangendo uma área de mais de três mil hectares nos biomas Mata Atlântica e Pampas (Campos) Sulinos. As atividades, realizadas desde fevereiro de 2011, contribuem para a sustentabilidade socioeconômica dessas comunidades por meio do intercâmbio de sementes e mudas entre as aldeias; plantio nas áreas indígenas; reintrodução de espécies vegetais nativas utilizadas na alimentação, na saúde e na confecção do artesanato; atividades de educação ambiental (reciclagem, compostagem e agrofloresta) e do desenvolvimento do eco e etnoturismo nas áreas guarani.
Até o final do ano, mais de 20 mil mudas de espécies vegetais nativas serão reproduzidas e plantadas nas aldeias, em áreas produtivas e em recuperação, contribuindo para o aumento da biodiversidade (flora e fauna) e para a preservação dos recursos hídricos, já que nestas áreas indígenas se encontram mais de 70 nascentes que fazem parte das bacias hidrográficas do Gravataí, Litoral Leste (Lagoa dos Patos), Sinos e Tramandaí.
Todo o trabalho, desde sua elaboração, é feito de forma conjunta entre não indígenas e indígenas, que são os “atores” (protagonistas) e coexecutores do projeto, intervindo quando as dificuldades surgem e buscando soluções de forma conjunta, a partir das duas lógicas: índios e não índios. As técnicas utilizadas constituem-se de observação participante, realização de reuniões, encontros, oficinas, entrevistas e registro audiovisual. Também estão sendo inventariadas as emissões e reduções das emissões de gases do efeito estufa, chegando, no primeiro ano de desenvolvimento das ações, a mais de mil toneladas de CO2 reduzidas. O projeto é financiado pelo Programa Petrobras Ambiental, tendo sido aprovado no edital de 2010.
* Publicado originalmente pelo Iecam (Instituto de Estudos Culturais e Ambientais) e retirado do site EcoAgência.
(EcoAgência)[ ] Voltar
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