c81 O caminho para a descriminalização das drogas

Metade dos norte-americanos é a favor da legalização da maconha. Foto: Reprodução/Internet

Falta de abordagem política para a descriminalização das drogas pode surgir do fato de que não existe qualquer incentivo eleitoral para quem defenda a causa.

Pesquisas mostram que metade dos norte-americanos é a favor da legalização das drogas. No entanto, entre aqueles que ocupam um cargo político esse valor é cerca de 1%. De acordo com a revista American Prospect, Obama já revelou que fumava maconha “frequentemente”, o que não foi uma revelação escandalosa, já que cerca da metade dos adultos norte-americanos já teriam fumado, o que garantiria que Obama não seria ultrajado pela declaração. A questão é: por que os democratas apoiam maciçamente a proibição das drogas? Será que eles consideram esta uma boa política?

Para o American Prospect, é difícil acreditar que alguém ache uma boa política a punição de milhares de pessoas por uso de drogas, o que acarreta custo financeiro e humano, e quase não tem efeito sobre as taxas de uso de drogas. As leis de criminalização são justificadas pela ideia de “passar a mensagem correta”, que é o argumento mais usado quando não se tem provas concretas para apoiar uma posição.

A disparidade entre a porcentagem de norte-americanos que são a favor da legalização e a dos representantes políticos pode surgir do fato de que não existe qualquer incentivo eleitoral para os políticos que defendam essa causa, mas, em contrapartida, há uma série de riscos, entre eles, de ser visto como um oportunista ou incentivador de um crime. A metade dos norte-americanos que defende a legalização da maconha não é um bloco eleitoral organizado.

Segundo a The Economist, a descriminalização da maconha seria a melhor maneira de desmantelar o mercado negro das drogas. Este é o principal argumento que os políticos deveriam aderir para abordar o tema, mais que a liberdade pessoal, que, embora válido, pode ser visto como de mau gosto. Após a vitória de um candidato para o Congresso a favor da legalização, Beto O’Rourke, o debate sobre a descriminalização pode ganhar os contornos da discussão sobre o casamento gay, embora por razões diferentes. Dez anos atrás, o casamento gay era visto como uma questão extremamente marginal, há cinco anos era visto como um assunto controverso, e hoje, a maioria dos norte-americanos é a favor.

A cada passo, os que são favoráveis ajudam, com argumentos fundamentados, os contrários a se acostumarem com a ideia, servindo de prova viva – e próxima – de que a questão não é assim tão absurda. No que diz respeito às drogas, ter representantes eleitos que apoiam a descriminalização, ou outras alternativas para a guerra contra as drogas, significa que a opinião pública dominante está se expandindo, o que torna mais fácil a aceitação dos outros.

 * Publicado originalmente no site Opinião e Notícia.

(Opinião e Notícia)

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