Com certeza de impunidade, grileiros intensificam invasão na Terra Indígena Uru- Eu-Wau-Wau

Por Clara Roman, Instituto Socioambiental (ISA) –  Sistema de monitoramento do ISA detectou 42 polígonos de desmatamento na TI Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, entre setembro e outubro de 2018 Na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, o desmatamento avança, colocando em risco o modo de vida de três povos indígenas contatados e de ao menos quatro registros de povos indígenas em situação de isolamento voluntário confirmados pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Uma análise do Instituto Socioambiental (ISA) identificou, apenas entre setembro e outubro, um total de 42 polígonos de desmatamento, representando 692,34 hectares de corte raso de floresta. O Sistema de Indicação por Radar de Desmatamento – (Sirad) permite identificar áreas de mudança na cobertura florestal o mais rápido possível. Veja aqui o boletim. A ferramenta utiliza imagens do satélite Sentinel-1, que rastreia o corte e degradação na Amazônia a cada 12 dias, e que consegue “enxergar através das nuvens”. Isso ocorre porque o satélite utiliza sinais de radar, que batem na terra e retornam com as informações. Outros satélites, como o Landsat, utilizam imagens ópticas e, por isso, em época de chuva, não conseguem identificar o corte da vegetação. Os desmatadores sabem disso, e atuam neste período para evitar a fiscalização. A presença de povos em isolamento voluntário na área – com pouco ou nenhum contato com outros povos indígenas e não indígenas – é uma preocupação adicional. A boa notícia é que esses grupos se encontram nas partes mais centrais da TI, distantes dos principais focos de invasão ao norte da terra. Já os grupos contatados têm sofrido com as invasões. A TI abriga, além do povo Jupau (Uru-Eu-Wau-Wau), os Amondawa falantes de línguas kagwahiva, da família Tupi-guarani, e os Oro Win, da família linguística Txapakura. Os povos kagwahiva do oeste foram contatados oficialmente ao longo dos anos 1980. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já havia detectado altas taxas de desmatamento na TI. Em 2017, foi uma das mais desmatadas, com um crescimento de aproximadamente 16% em relação a 2016. O desmatamento continuou a crescer em 2018, quando os dados oficiais relativos ao Prodes indicam a TI como a oitava mais devastada, com 937,15 hectares desmatados até julho de 2018, um aumento de 41% em relação a 2017. Além disso, o entorno da TI já perdeu mais de 70% de cobertura florestal, considerando um raio de 20 km. Os dados identificados pelo Sirad reforçam uma tendência observada em outras terras indígenas monitoradas pelo ISA: as mudanças no cenário político tiveram um impacto direto no aumento do desmatamento na Amazônia. “A tendência é de crescimento do desmatamento, por causa de todo esse processo político, onde os invasores e os grileiros estão se se sentindo empoderados pelo novo governo”, afirma Ivaneide Bandeira, da ONG Kanindé, que atua em Rondônia. “A certeza da impunidade faz com que aumente a pressão na área”, explica. O principal problema da Uru-Eu-Wau-Wau, segundo ela, é a invasão por grileiros, que efetuam o corte raso na floresta. Mas madeireiros e garimpeiros ilegais também atuam no território. As invasões começaram há 30 anos, quando … Continue lendo Com certeza de impunidade, grileiros intensificam invasão na Terra Indígena Uru- Eu-Wau-Wau