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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo

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Educação climática: o caminho mais curto para a ação - Artigo 19

Se analisarmos os desafios sociais, ambientais e econômicos que o nosso país e o planeta enfrentam hoje e buscarmos a raiz das soluções, chegaremos inevitavelmente à Educação. O ser humano que aprende a ler, escrever e interpretar um texto e o seu contexto, que compreende a matemática e as conexões da natureza com a sua própria vida e é instigado a questionar, estará mais bem preparado para fazer escolhas conscientes. É esse processo que forma cidadãos plenos e capacitados para exercer seu papel na sociedade.

Ilustração de uma estante de livros e o conhecimento à sua volta.
ODS 4 — Educação de Qualidade

por Fernando Figueiredo – Emergência Climática: E nós com isso? 

O momento atual exige uma visão de mundo mais abrangente e complexa. Precisamos incorporar novos saberes ao nosso cotidiano pessoal e profissional por meio da educação, do Letramento Climático. 

Se sabemos que enfrentaremos eventos extremos cada vez mais frequentes, o preparo precisa começar desde cedo para nossas crianças, na sala de aula, compreendendo a natureza e a dinâmica do clima de forma didática e consistente. 

Nós que temos mais tempo por aqui, o desafio é aprender de outras formas, esta coluna é uma fonte, e existem muitas outras, cursos e materiais disponíveis gratuitamente na internet que todos podem acessar e investir tempo para adquirir este conhecimento pessoal, independentemente de sua idade ou área de atuação. Trago isso pois é basilar hoje para nós como sociedade entender o que é mitigar riscos, adaptar cidades e construir resiliência climática.

Onde tudo deve começar

Em uma escola de qualidade, com professores valorizados e preparados, que irão formar pessoas capazes de compreender o mundo e transformar seus territórios, um desafio que hoje enfrentamos na frente da educação em nosso país. Da infância à idade adulta, o aprendizado contínuo constrói algo que nenhum relatório técnico consegue gerar sozinho: consciência que se converte em ação.

Quando uma criança aprende a observar a natureza, o ciclo da água, as chuvas e o calor, ela desenvolve uma leitura ampliada da realidade. Passa a ler as linhas dos fatos, as entrelinhas dos discursos e o que está por trás das linhas e do modelo de vida e consumo que adotamos. Trata-se de uma alfabetização do nosso tempo, tão essencial quanto ler e escrever.

 A maioria de nós, não teve a oportunidade de aprender na infância estes temas, ele não se encontrava no estágio que vivemos hoje e não era necessário.

As ciências humanas são grandes aliadas nesse processo. A Geografia nos ensina a ler o território; a História revela as transformações sociais ao longo do tempo; e a Filosofia nos provoca com perguntas como: que mundo queremos construir para nós e para as próximas gerações? Cada uma destas disciplinas e tantas outras oferecem formas e ferramentas de aprendizados para expandir a visão de crianças, jovens, adultos e idosos sobre o tema, precisamos aprender sempre! 

É pela educação que a cidadania floresce. Uma população letrada para o clima participa mais, engaja-se mais e colabora ativamente. Ela acompanha as políticas públicas, sugere soluções em audiências e fiscaliza o orçamento da sua cidade. E quando essa energia comunitária encontra organizações e governos preparados, os resultados aparecem.

Por isso, é fundamental ter municípios, estados e o governo federal avançando em planos de adaptação, mitigação e estudos de risco. Quanto mais a sociedade compreender que faz parte dessa equação, tanto como parte do problema quanto da solução, mais fortes, legítimas e potentes serão essas iniciativas.

Finalizo fazendo um convite final para uma reflexão pessoal: na sua família, com seus amigos, na escola, trabalho e comunidade que convive, existem espaços para diálogos sérios sobre as questões climáticas? Você percebe crianças e jovens trazendo essas perguntas para casa? E nós, adultos, estamos aprendendo e compreendendo a urgência sobre esta pauta como deveríamos?

O futuro sustentável e desejável é edificado sobre quatro pilares: conhecimento, consciência, participação e cooperação. Educar para o clima é semear para termos cidades mais resilientes e seguras, governos mais transparentes e conectados com a população, e uma geração que não só consome os recursos do planeta, mas aprende que é necessário regenerar e cuidar deles também.

Boa leitura e reflexões!

Referências e organizações

BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento 

Educação e mudanças climáticas: como desenvolver habilidades para a ação climática em idade escolar? https://publications.iadb.org/pt/educacao-e-mudancas-climaticas-como-desenvolver-habilidades-para-acao-climatica-em-idade-escolar

Reconeccta

escolas pelo clima | Reconectta e EpC https://www.reconectta.com/escolaspeloclima

Anuário Brasileiro da Educação Básica

Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 https://anuario.todospelaeducacao.org.br/2025/artigo-educacao-crise-climatica-e-racismo-ambiental.html

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Educação climática: o caminho mais curto para a ação - Artigo 19

Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da "bolha" da sustentabilidade.

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