IFRS S1 e S2 no Brasil: Entre a Flexibilização da CVM e o Rigor do Banco Central

A flexibilização da CVM, que tornou voluntário o reporte das normas IFRS S1 e S2 para companhias abertas, não altera as regras rígidas do Banco Central para o setor financeiro, alerta o Hub climático.

Atualizado em 03/06/2026 às 12:06, por Redação Envolverde.

Escada de moedas

O cenário dos relatos de sustentabilidade corporativa no Brasil ganhou novos contornos regulatórios. A publicação da Resolução nº 244 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alterou significativamente a Resolução CVM 193, revogando a obrigatoriedade futura de adoção dos padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2 para as companhias abertas.

Com a mudança, o mercado brasileiro passa a adotar um modelo de adesão voluntária para essas empresas, fundamentado no tradicional mecanismo do "pratique ou explique" (comply or explain). Embora a medida tenha gerado debates e uma primeira impressão de recuo na agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), uma análise detalhada publicada pelo Climate Finance Hub Brasil pondera os reais desdobramentos dessa decisão no ecossistema financeiro nacional.

O Trilho Prudencial do Banco Central Segue Intacto

O ponto central destacado pelo Hub climático é que a flexibilização promovida pela CVM possui um escopo limitado às companhias abertas sob sua jurisdição direta. A autarquia não alterou, suspendeu ou revogou as regras do trilho prudencial editadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central do Brasil (BCB).

Portanto, as instituições financeiras operando no país continuam estritamente subordinadas às exigências originais do regulador bancário. Para os bancos e demais entidades reguladas, o mapeamento, a gestão e a divulgação de riscos e oportunidades climáticas permanecem mandatórios e seguem cronogramas próprios e rigorosos.

Desafios Práticos de Implementação

A discussão levantada pelo Hub vai além do posicionamento binário de ser a favor ou contra a obrigatoriedade das normas do International Sustainability Standards Board (ISSB). O processo evidencia, na verdade, os complexos desafios práticos de governança, infraestrutura de dados e custos de implementação que as empresas enfrentam para se alinhar aos frameworks globais.

A construção de um ecossistema com maior confiabilidade é um movimento relevante. Padrões consistentes de accountability de fato apoiarão a ampliação da qualidade dos dados disponíveisi

Linda Murasawa, especialista do Climate Finance Hub

O Futuro da Transparência no Mercado

Mesmo com a transição para o modelo voluntário no ambiente da CVM, especialistas apontam que a pressão do mercado de capitais internacional funcionará como um indutor natural de conformidade. Empresas que buscam atrair investimentos externos e mitigar riscos de reputação tendem a adotar os padrões IFRS S1 e S2 para demonstrar maturidade ambiental e garantir competitividade global.

A transparência climática e financeira consolidou-se como um pilar essencial para a transição em direção a uma economia de baixo carbono, e o ecossistema regulatório brasileiro, liderado pela postura vigilante do Banco Central, mantém sua trajetória de compromisso com a resiliência climática.

Link original: Climate Finance Hub - IFRS S1 e S2 no Brasil: da obrigatoriedade à adoção voluntária

Envolverde com informações do Climate Finance Hub


Leia também:

/apidata/imgcache/bfd8ca8ce541a6435be8698bff132bae.jpeg?banner=middle&when=1781418966&who=161