Marina Silva defende transição energética e reforço de políticas ambientais
𝙂𝙖𝙗𝙧𝙞𝙚𝙡𝙡𝙖 𝙇𝙤𝙪𝙧𝙚𝙣𝙘̧𝙤 - Ex-ministra afirmou, durante a Rio Nature and Climate Week, que o Brasil poderá registrar em 2026 a menor taxa de desmatamento desde o início da medição histórica do INPE
Foto: Gabriella Loureiro

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A Ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, participou nesta terça-feira (3) do painel “Metano como vetor: coordenação climática e geopolítica”, durante o Fórum Freio de Emergência Climática, na programação da Rio Nature and Climate Week, no Rio de Janeiro. A ambientalista defendeu a ampliação das políticas públicas ambientais, a redução da dependência de combustíveis fósseis e o fortalecimento do mercado de carbono como instrumentos de combate à crise climática.
Durante o debate, Marina afirmou que o Brasil voltou a reduzir o desmatamento após a retomada de políticas ambientais e disse que o país poderá registrar em 2026 a menor taxa de devastação da Amazônia desde o início da medição, em 1988. A ex-ministra também cobrou que os países apresentem metas concretas para diminuir o uso de petróleo, carvão e gás.
Segundo ela, “não tem como fugir do enfrentamento do desmatamento e dos combustíveis fósseis se quisermos atacar pela raiz a emergência climática”.
Ao longo do evento, Marina destacou que o Brasil já demonstrou que políticas públicas ambientais podem gerar resultados concretos quando são planejadas e executadas de forma contínua.
“Política pública bem desenhada e implementada funciona”, afirmou a ex-ministra ao citar os avanços obtidos no combate ao desmatamento nos últimos anos.
Ela lembrou que o país chegou a registrar altos índices de devastação florestal e criticou o enfraquecimento das políticas ambientais a partir de 2019, período em que, segundo ela, houve “abandono total” dos mecanismos de prevenção e controle do desmatamento.
De acordo com Marina, a retomada dessas ações permitiu reduzir em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% os índices nacionais, evitando a emissão de centenas de milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera.
A ambientalista acreana afirmou ainda que dados recentes apontam que o Brasil poderá ficar abaixo de 1 milhão de hectares desmatados em 2025 e alcançar, em 2026, a menor taxa de desmatamento desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Combustíveis fósseis e COP30
Durante a discussão sobre transição energética, Marina disse que a COP30, prevista para ocorrer em Belém, deverá ampliar a pressão internacional para que os países apresentem “mapas do caminho” voltados à redução gradual da dependência de combustíveis fósseis.
Segundo ela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o compromisso de apoiar a construção dessas diretrizes internacionais.
“Vamos precisar fazer tudo isso pensando em segurança energética e no desenvolvimento econômico, mas é impossível enfrentar a emergência climática sem reduzir a dependência de petróleo, carvão e gás”, declarou.
Mercado de carbono
A ex-ministra também destacou o papel do mercado de carbono na agenda climática e explicou que o mecanismo funciona a partir da compensação de emissões de gases de efeito estufa.
“O crédito de carbono representa uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera”, afirmou.
Segundo Marina, o Brasil já criou um sistema regulado de mercado de carbono e diferentes ministérios atuam conjuntamente na implementação das regras.
Ela disse que o instrumento pode ajudar a direcionar investimentos para ações de restauração florestal, recuperação de áreas degradadas e preservação ambiental.
Críticas ao negacionismo climático
Ao final do encontro, Marina criticou o avanço do negacionismo climático e afirmou que os países do Sul Global enfrentam dificuldades crescentes para conciliar combate à pobreza, desenvolvimento econômico e enfrentamento das mudanças climáticas.
“A gente vive um contexto geopolítico muito difícil. Os países do Sul Global são pressionados o tempo todo enquanto tentam combater a pobreza e enfrentar os efeitos da crise climática”, afirmou.
A ministra também citou o crescimento de discursos negacionistas e polarizações políticas que, segundo ela, dificultam a implementação de políticas ambientais em diversos países, incluindo o Brasil.
“O combate à mudança do clima depende de continuidade das políticas públicas, cooperação internacional e compromisso político permanente”, concluiu.
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Gabriella Lourenço, 17 anos, é estudante do Instituto Alpha Lumen e jovem liderança socioambiental. Descendente dos povos originários Puris e Tamoquim, atua na promoção da educação ambiental e da ciência. Realizou estudos em técnicas jornalísticas, participou por três anos do Projeto VERUS de jornalismo científico-ambiental e possui diversos cursos na área socioambiental. Já entrevistou especialistas nacionais e internacionais sobre clima e sustentabilidade e participou de simpósios, seminários e eventos ambientais. Foi a primeira adolescente palestrante do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental e integra as Comissões de Justiça e Paz e Socioambiental Diocesana de São José dos Campos.
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