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Prevenir ou Remediar? A Conta do Clima e a Urgência da Resiliência Urbana - Artigo 21

Tenho compartilhado nesta coluna temas ligados às mudanças climáticas, com outros olhares, lentes e reflexões. O que temos vivido é parte de um desequilíbrio ambiental potencializado pelas emissões antrópicas, causadas pelo nosso estilo de vida, pelas emissões humanas, que começam a se mostrar de forma mais aguda e impactar diretamente as pessoas, sobretudo nos centros urbanos, onde vivem mais de 85% dos brasileiros.

Prevenir ou Remediar? A Conta do Clima e a Urgência da Resiliência Urbana - Artigo 21
ODS 11 — Cidades Sustentáveis

por Fernando Figueiredo – Emergência Climática: E nós com isso? - 

Diante dessa realidade que temos visto, há caminhos que podemos trilhar: estancar a "torneira" das causas, conviver com as consequências que já se impõem, nos planejar diante dos impactos e riscos em cada região, desenhando planos consistentes para os desafios presentes e futuros. São caminhos complementares, que precisam acontecer concomitantemente, pois todos desembocam no mesmo endereço: nas cidades.

Se analisarmos de forma racional, o planeta já sobreviveu a inúmeros ciclos e transformações climáticas ao longo de sua história, esta é mais uma. Quem sente e sentirá os eventos climáticos são as pessoas e todos os seres e formas de vida que coabitam este planeta conosco. E esse impacto não ocorre de forma abstrata, ele acontece onde as pessoas vivem, em seus bairros, territórios e biomas.

Fernando Figueiredo

Cientistas também trazem luz a esta questão. Segundo o estudo da Global Commission on Adaptation, cada US$ 1 investido em prevenção as mudanças climáticas pode gerar até US$ 7 em benefícios futuros, ou seja, deixar de investir agora significa pagar uma conta exponencialmente mais cara amanhã diante de eventos extremos que temos visto e já foram anunciados pela ciência.

A provocação que fiz em uma coluna anterior continua valendo: você aceitaria trocar $ 1 de investimento hoje em adaptação, mitigação e resiliência para redução de gastos sete vezes maiores em um futuro próximo para remediar e reconstruir o que for destruído? 

O que faz mais sentido para a sociedade: prevenir ou remediar? Essa escolha não é apenas individual, é sobretudo, de quem governa e recebeu mandato público por meio do voto.

Cobrar exige conhecer, entender o tema e seus impactos locais, saber o que já foi planejado na sua cidade, qual é a infraestrutura existente e como andam esses projetos. Para isso existe, por exemplo, o AdaptaBrasil, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), uma plataforma pública que mapeia riscos climáticos nos municípios. Conhecer ferramentas como essa e saber a quantos quilômetros da sua casa estão áreas de maior vulnerabilidade é um exercício prático de cidadania ao alcance de todos.

O futuro climático não será decidido apenas nas plenárias das COPs, em tratados internacionais ou em salas solenes. Ele será realizado nos países, estados e, fundamentalmente, nos municípios, nas ruas, nos bairros, onde a nossa vida cotidiana acontece.

Preparar-se para esse cenário envolve múltiplas frentes simultâneas. Precisamos preservar e expandir áreas verdes, investir em Soluções Baseadas na Natureza (SBN), fomentar cidadãos informados e ativos nas decisões locais, conscientizar o setor produtivo e os governos de que a inação custará muito mais caro, dentre outros desafios.

A boa notícia, é que temos as informações e as tecnologias disponíveis para realizar as adaptações, mitigar emissões e criar a resiliência climática em cidades diante dos desafios de cada região, minimizando riscos, custos e o número de pessoas afetadas

Fernando Figueiredo

O momento nos convoca a ampliar nosso repertório como cidadãos, empreendedores e gestores. A realidade atual exige novos letramentos, da inteligência artificial à alfabetização climática, para estarmos à altura do que está por vir. Exigir cidades mais bem preparadas, justas e seguras é uma pauta inegociável, pois é nelas que moradia, mobilidade, saneamento, infraestrutura e convivência se cruzam todos os dias.

Nas próximas colunas, aprofundarei mais sobre cidades sustentáveis. Trarei temas e organizações que já têm feito muita coisa, e que precisam ter suas ações potencializadas. Casos reais, metodologias e organizações que estão liderando transformações: da mobilidade de baixo carbono ao planejamento urbano sensível à água (com cidades-esponja), da infraestrutura cinza em verde e azul, às ferramentas de transparência de dados que colocam nas nossas mãos o poder de fiscalizar e cobrar políticas públicas eficazes.

Cidades sustentáveis deixaram de ser um ideal distante, são uma necessidade do presente, que demanda nova postura, senso de urgência e muito trabalho.

Fica o convite: olhe para a sua cidade com mais atenção. Descubra se ela possui plano de ação climática ou comitê de defesa civil estruturado, consulte os canais da prefeitura e da câmara municipal e verifique as prioridades para a sua região. Acionar vereadores e secretarias municipais para obter respostas é um direito, e um dever de todos Nós.

Estamos na antessala da emergência climática. E você, eu, nós com isso? O que podemos fazer, hoje, para viver e construir uma cidade melhor para Todos?

Boa leitura e reflexões!

Referências e organizações

Global Commission on Adaptation  

Comissão Global de Adaptação - Centro Global de Adaptação https://gca.org/about-us/the-global-commission-on-adaptation/

Adapta Brasil – MCTI 

Início | AdaptaBrasil MCTI https://adaptabrasil.mcti.gov.br/

Livro – Cidades para Pessoas 

file:///C:/Users/ferna/Documents/Plano%20de%20A%C3%A7%C3%A3o%202026/Artigos%20e%20Textos/Livro_Cidade_para_Pessoas_Jan_Gehl.pdf


Educação climática: o caminho mais curto para a ação - Artigo 19

Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da "bolha" da sustentabilidade.


Envolverde

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